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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alarme disparando

O Zaragoza de Javier Aguirre é o lanterna da Liga. O mexicano fracassa no futebol espanhol novamente (getty images)

O resumo completo da 16ª rodada você só lerá amanhã. Hoje, iremos adiantar uma breve síntese sobre a jornada baseada no momento ruim de três treinadores. Com as festas de fim de ano aproximando-se, o momento é de pausa e reflexão. Após mais uma rodada ruim para Zaragoza, Atlético de Madrid e Villarreal, os três respectivos treinadores não sabem se comerão o panettone: Javier Aguirre, Gregório Manzano e Juan Carlos Garrido estão vendo suas batatas a ponto de explodirem.

O domingo foi nefastos para o trio, que sabiam que seus adversários diretos haviam sido favorecidos na rodada. Desde Aguirre, que vê o Zaragoza colista (lanterna, em espanhol) após um novo esperpento contra o Mallorca, até Manzano, que chegou ao segundo revés na semana e o enésimo na temporada, jogando em Barcelona contra o Espanyol. Aguirre já não sabe mais o que fazer. O Zaragoza tem um elenco para, sem dúvidas, ficar no meio da tabela, e não brigar por rebaixamento. Fez um bom mercado, repatriando alguns bons jogadores e contratando à custo zero valores que adicionam talento ao plantel. Mas o momento é negro. Apenas duas vitórias em 15 jogos. A lanterna é merecida, ainda mais com o Racing Santander ensaiando uma reação após a saída de Héctor Cúper.

Para piorar a situação, saíram os exames médicos de Rúben Micael, um dos nomes que escaparam das vaias da torcida após o apito final do árbitro no último domingo. O lateral sofreu uma lesão de grau 1 nos ligamentos do tornozelo direito e não volta mais neste ano. A previsão é voltar aos gramados apenas no final de janeiro. Os aficionados parecem estar ao lado do treinador mexicano, em dentrimento do presidente Agapito Inglesias. Um grupo de torcedores maños protestaram contra o presidente após a partida contra o Mallorca. "Zaragoza sim; Agapito não!", Agapito demissão" e "Não volte nunca mais, Apagapito", gritaram.

Garrido preocupado. É para estar (getty images)

Na Comunidade Valenciana, Juan Carlos Garrido, por sua vez, não tem o apoio da torcida do Villarreal. Uma temporada catastrófica, com direito a eliminação da Champions com seis derrotas em seis jogos, o Submarino Amarelo naufraga a cada jogo. No fim de semana, empataram com a Real Sociedad no El Madrigal por 1 a 1. O treinador afirmou na coletiva pós-jogo ter visto melhoria no desempenho de sua equipe. A realidade, entretanto, é diametralmente oposto àquela que pensa Garrido. Os amarillos somam apenas três vitórias em 15 jogos, com seis empates e seis derrotas. A zona de rebaixamento está próxima: na 17ª colocação, têm a mesma pontuação do Sporting Gijón, primeiro da zona. "Estamos em uma dinâmica de recuperação", afirmou.

Os problemas do Villarreal estão por todo lado. Apesar de, na última semana, ter recuperado Nilmar, Garrido perdeu Borja Valero, melhor jogador da equipe na temporada, e Cani. Os dois não estiveram no vexame contra o Napoli e, mesmo que a fase de Cani não seja das melhores, o meio-campo inexistiu. Rossi continua fazendo falta, já que Rúben, ao contrário da temporada passada quando supria as ausências do ítalo-americano com boas partidas, não tem aparecido positivamente. Após passar mais de dois meses no 4-2-3-1, o castellonense voltou ao 4-4-2 que foi a fórmula do sucesso na temporada passada. Mas, analisamos: a linha de quatro na temporada passada era formada por Marchena, Cazorla, Borja Valero e Cani. Ontem, tinha Marcos Senna, Bruno, De Guzmán e Hernán Pérez. A diferença é enorme.

Gregório Manzano está prestes a repetir a ação de Di María: cair (getty images)

A semana de Manzano foi tão negra quanto a de Garrido. Ainda que o Atlético de Madrid se mantenha entre os dez primeiros colocados e continua brigando, ainda que poucas forças, por uma vaga na Liga dos Campeões, a planificação feita pela diretoria no verão não admite vaga na Liga Europa como prêmio de consolação. E o pior: hoje, os rojiblancos estão distante até da zona da segunda principal competição europeia. O Málaga, 6º colocado e último da zona, tem 24 pontos, contra 19 do 10º, que é o Atlético de Madrid. Na última quinta-feira, Manzano "subestimou" o Albacete, da segunda divisão B, pela Copa do Rei e mandou a campo uma equipe B, repleta de jovens das canteras. O resultado foi uma derrota por 2 a 0 e a pressão sobre o treinador aumentando a cada jogo. Ainda que seja improvável (o Atlético de Madrid gosta de dar vexames, mas este seria fora do comum), a torcida exige o time titular no jogo da volta para evitar a eliminação precoce na Copa, que Manzano, antes da temporada começar, havia dado atenção especial. "Vamos pela Copa", disse.

Nos próximos três jogos do Atlético de Madrid (Rennes, Bétis e Albacete), Manzano continuará no banco de reservas. O clube, após gastar 40 milhões de euros com Falcão, não tem dinheiro para demiti-lo e confirmou, pelo seu site oficial, que não tomará nenhuma decisão até a parada para as festas. Os colchoneros não têm em mente um substituto pelo treinador, apesar da torcida implorar, a cada jogo, pela volta de Aragonés. Manzano, definitivamente, ganhou uma nova chance de dar a volta por cima.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Novo fracasso?

Abre o olho você, Gregorio Manzano! Atlético de Madrid começa temporada mal, se vê imerso em crise e já tem o nome do treinador ligado a uma possível demissão (getty images)

No início do ano, escrevi sobre os problemas da retaguarda do Atlético de Madrid, que afetava, à medida em que ia falhando, o desempenho da equipe treinada à época por Quique Sánchez Flores. Naquele período, o fracasso retumbante dos rojiblancos já era plausível: a equipe ocupava a sétima colocação da Liga Espanhola, acabara de ser eliminado da Copa del Rey pelo arquirrival Real Madrid e na Liga Europa, onde era o atual detentor do título, passou vergonha ao ser eliminado na fase de grupos, que tinha Aris, Bayer Leverkusen e Rosenborg. Ainda é cedo para prever o futuro dos colchoneros na atual temporada, mas, pelo que parece, o caminho é, novamente, o fracasso.

Os comandados de Gregorio Manzano pontuaram apenas 13 vezes em 36 pontos possíveis e estão na décima-primeira colocação. A sete posições da zona de Champions League, o Atléti tem dez pontos a menos que o Levante, último da zona da principal competição europeia. É essa a realidade do Atlético de Madrid após disputar doze rodadas do campeonato. Um saldo mais do que negativo para uma equipe que foi reformulada para ser a terceira força do futebol espanhol e que no mercado gastou 68 milhões de euros - equipe europeia que mais gastou no verão. O milionário e ambicioso projeto colchonero começa a ter contornos de desespero e crise. Em outubro, os rojiblancos capricharam: venceram apenas um de seis jogos (cinco na Liga e um na Liga Europa). A imagem de Gregorio Manzano tem sido bastante negativa. Um grupo de torcedores chegaram a cantar o nome de Luis Aragonés no jogo contra o Zaragoza, há duas semanas. O treinador campeão europeu com a seleção espanhola confirmou o desejo de treinar a equipe da capital, embora o presidente Enrique Cerezo já tenha afirmado que os rumores sobre um possível contato com o madrilenho não passa de especulações.

Quais seriam as causas para o novo fracasso atleticano? Excesso de rotações de Manzano? Falta de um líder? Forma física longe do ideal? Bem, todos os fatores supracitados acima são motivos da má temporada madrilenha, somada a mais alguns que serão citados ao longo do texto. A começar, o sistema de rotação que Gregorio Manzano implantou na equipe não tem feito muito bem. Para se ter uma noção, o técnico jienense não repetiu uma vez sequer a mesma formação nas doze rodadas da Liga BBVA. Portanto, falta uma base, um padrão de jogo, que é fundamental para uma equipe em formação como este Atlético de Madrid. Não bastasse, a cada jogo é um módulo tático diferente: começou no 4-3-3, passando pelo 4-4-2 a rombo, com Reyes na armação, até o 4-2-3-1 usado no último jogo antes da pausa para a Data Fifa.

A escassez de um líder dentro e fora de campo também tem feito falta. Desde a saída de Simão e Forlán, a faixa de capitão não para quieta. Na atual temporada, tem rodado com louvor: até o momento, cinco jogadores já a usaram (Álvaro Domínguez, Perea, Antonio López, Mario Súarez e Gabi). O time também segue cometendo erros graves na defesa, principalmente, e no centro do campo que estão castigando-os severamente. Falta contundência e tranquilidade na hora de resolver situações difíceis na zona defensiva e na saída de jogo. O contra-ataque, característica histórica da equipe rojiblanca, desapareceu por completo em 2011/2012. As transições, atualmente, têm sido bastante lenta, a ponto de não surpreender nenhuma defesa rival. Manzano ordena que seus jogadores do meio-campo optam pela cadenciação do jogo, ao invés do passe rápido. Os laterais pouco ajudam nas jogadas ofensivas.

Há muito pouco jogo coletivo no Atlético. Falcão García, por exemplo, tem sofrido com a falta de suporte ao seu estilo de jogo. El Tigre não é Agüero, que saia da área diversas vezes para construir jogadas. O colombiano necessita que a bola chegue ao seus pés para criar perigo. Mesmo tendo feito 9 gols em 14 jogos, o ex-Porto poderia ter aumentado esses seus números. Diego chegou sob expectativas de ser um maestro que há muito tempo não se via em Manzanares. Porém, Manzano tem escalado o brasileiro aberto pelo flanco, resultando na queda de seu futebol. A ligação meio-ataque está distante e, na tentativa de uma jogada individual, o resultado tem tornado-se praxe: perda da bola.

A desmotivação de jogadores-chaves tem sido um problema a mais para Manzano. O principal caso é o de Reyes. O camisa 10, jogador responsável por assumir a liderança da equipe, passou de um jogador especial para o treinador a um a mais. Hoje, Reyes não tem sua titularidade "garantida". Em todos os jogos que começou como titular, apenas em dois não foi substituido. O divórcio entre Manzano e Reyes está cada vez mais em evidencia, como comprovado no País Basco. Ao ser substituido no início do segundo tempo do jogo em San Mamés, o meio-campista ofendeu o treinador: "que troque sua puta madre", esbravejou. Reyes pediu desculpas publicamente ao treinador no dia seguinte, mas não escapou de ficar de fora da convocatória por três partidas consecutivas. Manzano negou qualquer tipo de problema com o jogador, mas como já diz o velho ditado: onde há fumaça, há fogo.

O elenco também passa por problemas físicos. Falta pegada e velocidade nas jogadas. Nas jogadas individuais, o desfavorecido sempre tem sido o rojiblanco. Nos últimos minutos de jogos a equipe está dividida em duas, dando sinais inequívocos de exaustão. As mudanças realizadas por Manzano ao longo das partidas não tem favorecido em nada e, inclusive, chegam a provocar efeito retardado. As substituições não tem conseguido reações, nem sequer revolucionam a partida. O psicológico nunca foi uma virtude do Atléti durante esses anos e nesta temporada já caiu por água abaixo.

A derrota acachapante sofrida para o Barcelona quando os rojiblancos viviam sua melhor fase na temporada foi o principal divisor d'águas do Atlético de Madrid de Manzano. Atualmente, a equipe sofre com as consequência da dura derrota no Camp Nou (5 a 0) e, desde aquele dia, as coisa têm ido de mal a pior. Àquela altura da temporada, os rojiblancos planejavam uma temporada com boas notícias e os aficionados já estavam ilusionados com a possibilidade de disputa de título. Mas a realidade transbordou no fatídico 24 de setembro, quando Messi deu mais um show e marcou três vezes. A confiança e a auto-estima sumiu na noite chuvosa do sábado de Barcelona.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

2ª rodada: Um triplete para começar

Cristiano Ronaldo começa a Liga BBVA do jeito que encerrou a última: marcando gols (reuters)

Na última temporada, Cristiano Ronaldo encerrou uma Liga BBVA de ouro: com 40 gols, tornou-se o maior artilheiro de uma única edição da primeira divisão espanhola. Ontem, na estreia do Real Madrid na nova temporada da la liga, o gajo mostrou que está no mesmo ritmo com o qual terminou o campeonato passado: com um triplete, comandou os merengues à goleada no La Romareda frente ao Zaragoza e, de praxe, assumiu a artilharia ao lado de Soldado, que havia dado show no dia anterior.

Os jogos de domingo também marcaram a primeira polêmica. No Iberostar, o Mallorca venceu o Espanyol com um gol irregular de De Guzmán. Nos novos horários de domingo, os Atléticos decepcionaram: enquanto o Atlético de Madrid sentiu a falta de um atacante de ofício e não passou do zero com o Osasuna, o Athletic Bilbao ficou no 1 a 1 em plena Catedral com o Rayo Vallecano. A expectativa ficou pela estreia do novo Málaga. Entretanto, decepcionados estão aqueles que esperavam uma vitória: contra o rival andaluz do Sevilla, os blanquiazules sucumbiram diante de um inspirado Negredo e perderam por 2 a 1.

Confira, abaixo, a segunda parte do resumo da segunda rodada da liga bbva.

Zaragoza 0x6 Real Madrid
Real Mouravilla. O apelido dado pelo AS após a exibição de gala dos merengues na goleada no La Romareda faz todo o sentido: o Real Madrid de José Mourinho joga bonito e é um dos mais goleadores dos últimos anos. Na temporada passada foram 102 na Liga BBVA - 127 ao total -, enquanto que, na atual, os blancos começam a todo o vapor. O Real Madrid de ontem lembrou um pouco o da gestão de Vicente Del Bosque. Pelo menos nos números: foram 114 jogadas ofensivas, com 490 passes certos e incríveis 39 (!) chutes a gol. Ao Zaragoza, restou se lamentar: para uma equipe que contratou bem no mercado, o trator blanco passou por cima sem piedade. Os aragoneses chutaram apenas seis vezes ao gol.

Cristiano Ronaldo não foi o único destaque merengue na partida. Özil e Benzema não marcaram, mas foram os condutores do Real na partida. O turco-alemão foi essencial à medida em que o Real Madrid precisava de seu futebol. Quando o jogo estava zero a zero, enfiou uma bola na medida para Ronaldo abrir o placar. Depois, conduziu com maestria o jogo. O ex-merengue Guti se derreteu de elogio ao novo camisa: "ele é o verdadeiro craque do time", afirmou em sua conta no twitter. O francês, por sua vez, está a cada jogo deixando de lado a figura de preguiçoso. Onipresente, sufocou muito a saída de bola maña na partida. O artilheiro da equipe na pré-temporada, contudo, não balançou as redes. Mas o protagonismo é todo do camisa sete: com os três de ontem, chegou aos 103 com a camisa merengue, sendo 70 na liga espanhola. E isso tudo, vale lembrar, com apenas três temporadas em Chamartin.

Leia o relato do jogo e veja os gols aqui.

Athletic Bilbao 1x1 Rayo Vallecano
Na estreia de Josu Urrutia e Raúl Martín Presa na presidência de Athletic Bilbao e Rayo Vallecano, respectivamente, o resultado não agradou muito o novo presidente basco. Por outro lado, Presa não tem outro motivo para não estar feliz: no regresso do Rayo Vallecano à primeira divisão, os rojiblancos conseguiram arrancar um ponto em um dos campos mais difíceis da Espanha. Coopero, os franjiroyos foram sufocados durante boa parte dos noventa minutos, mas conseguiram achar um gol com Movilla. Ironicamente, o tento do meio-campista veio sete minutos após o gol marcado por Iturraspe. Notícia que animou o treinador Ramón Sandoval foi a boa partida do jovem Lass. Ainda que seja um jogador com ficha de filial, o ganês demonstrou que está à disposição do treinador e pode gozar de mais minutos na temporada. Sua entrada em campo coincidiu com a reação e o empate do Rayo na Catedral.

Marcelo Bielsa, por sua vez, tem uma coisa do que reclamar: a péssima conclusão de seus comandados na hora de finalizar as jogadas. Foram 14 chutes a gol, onde desses apenas nove foram em direção às redes de Dani. Muniain segue em uma grande fase e é, por enquanto, o jogador que mais tem crescido desde a chegada do chileno ao cargo técnico do Athletic. Susaeta, jogando pelo flanco direito, dessa vez não foi bem, assim como Ander Herrera, tímido em sua estreia. Principal jogador da criação rojiblanca, Ander Herrera atuou em uma posição diferente da que está acostumado a jogar. No suporte a Llorente, o jovem passou em branco.

Sevilla 2x1 Málaga
O Sevilla do primeiro tempo agradou muitíssimo. É verdade que tudo ficou fácil de cara com o gol de Negredo na primeira jogada da partida, com a defesa defendendo com ordem e que o meio de campo não teve muitos problemas para dominar seus visitantes. Medel chegava em tudo e Trochowski tinha mais posse de bola do que teve contra o Hannover. No ataque, Navas era um pesadelo para Eliseu, e Perotti enfrentava Gámez. Só Manu Del Moral estava um pouco apagado, o que contrastava com a inspiração de Negredo, iluminado. O madrilenho marcou o um a zero de cabeça, depois de uma cortesia de Navas. Depois, colocou a bola ao lado da trave, disparou duas vezes, assustou Willy Caballero e marcou o dois a zero depois de um repertório amplo de finalizações e tabelas com os seus companheiros, recebendo um passe de Perotti e colocando no gol, sem necessidade de parar a bola. Ele sozinho fez a partida ficar tranqüila para o Sevilla e fez com que as dúvidas aparecessem para um desacertado Málaga.

O Málaga teve a posse de bola; porém, não causava danos. Armado no 4-2-3-1, Toulalan e Apoño não geraram jogo. Bateram cabeça durante boa parte dos noventa minutos e deixaram o Málaga, na maior parte do jogo, sem criação. Joaquin e Cazorla saíram-se bem. O ex-Villarreal deixou sua marca com extrema categoria após boa cobrança de falta. Julio Baptista, é verdade, fez falta. Semo brasileiro, Pelegrinni optou por uma estranha recuada de Rondón para o centro da linha de três. Outra estranha opção do chileno foi a improvisação de Eliseu na lateral esquerda ao invés de Monreal, contratado no verão. Os rojiblancos deram a volta por cima após a eliminação na Liga Europa. Agora, com Perotti e Negredo iluminados, o Sevilla tem quinze dias para recuperar Rakitic e se rearmar com mais uma contratação.

Atlético de Madrid 0x0 Osasuna
Ainda sem Falcão, que não jogou devido a falta de um documento obrigatório para a inscrição na LFP, o Atlético de Madrid sentiu a falta de um centroavante de ofício e não passou de um empate insonso contra o Osasuna no novo horário da RFEF. O sol do meio-dia desgastou um pouco a equipe comandada por Gregório Manzano, que reclamou após o jogo do novo horário, marcado para atingir o mercado asiático. O domínio rojiblanco foi total. O meio-campo formado por Mário Suárez, Gabi e Tiago dominou por completo a partida, mas faltava um algo a mais.

Como bem disse Leandro Colares, "o Atlético dependia basicamente de uma jogada: as infiltrações em velocidade de Reyes. Fora isso, o repertório da equipe era limitado. Apesar da posse de bola, o 4-3-1-2 de Gregorio Manzano não funcionava. A ineficiência do esquema se justificava principalmente pela configuração de seu meio-campo. Os volantes-meias Tiago e Gabi têm pouca capacidade de armação, e raramente chegam ao ataque. Como conseqüência, Reyes ficava sobrecarregado na armação – função onde não se adapta tão bem – e o time criava pouco." Ontem, Reyes jogou à Messi no Barcelona e mostrou para Manzano que ali não é seu lugar. Se o treinador ainda não tinha justificativa para jogar no 4-3-3, o tem após a estreia.

Mallorca 1x0 Getafe
A primeira polêmica referente a arbitragem veio de Palma de Mallorca. No Iberostar, o jogo foi definido por um lance ilegal do Mallorca. Após chute de De Guzmán, a bola desviou em Moreno, que estava impedido, e acabou enganando Cristian Álvarez. Concentrando suas jogadas pelas verticais, o Mallorca mostrou uma clara proposta no jogo de ontem: marcar sob pressão e aproveitar os contra-ataques. Em relação aos blanquiazules, os bermellones já estão mais preparada para a temporada que está se iniciando. O elenco que Laudrup tem à mão é sim limitado, mas se supera na base da vontade. Os balereas mostraram que podem sim jogarem bonito mesmo sendo limitado tecnicamente. Pocchetino, por outro lado, fez o que pôde para buscar o resultado. Colocou Albín, Sergio Garcia e Thievy em campo, mas nenhum dos três melhorou o ímpeto do Espanyol na partida. Hoje os péricos anunciaram dois bons nomes que irão dar um bom upgrade no onze inicial: Vladimir Weiss e Pandiani.

Getafe 1x1 Levante
Com uma equipe titular totalmente diferente em relação à temporada passada, o Getafe mostrou que tem condições de brigar por alguma competição europeia. Apesar do empate contra os granote, inalterado em relação à última temporada, os azulones mostraram um bom futebol durante 70 minutos, quando venciam com contudência por um a zero. O Levante foi bem similar à equipe do segundo semestre de 2010/2011, jogando muito bem taticamente e complicando a vida dos rivais. Sem Caicedo, Ignácio Martín testou o 4-4-2 com Iborra no suporte a Barkero e Valdo. No entanto, só após a entrada de Aranda na segunda etapa, quando trocou o módulo tático para o 4-3-3, que os levantinos reagiram. Luis García, novo treinador do Getafe (e que reencontrou sua ex-equipe) não se mostrou satisfeito com o resultado. Na coletiva pós-jogo, o treinador declarou que, durante a partida, reprovou mais que aprovou algumas atitudes de seus comandados. E adiantou: fará mudança para a partida contra o Real Madrid.

sábado, 30 de julho de 2011

"Reyes" do sofrimento

O Atlético de Madrid estreou vencendo, mas gol sofrido no final deixou o alerta ligado (reuters)

Na quinta-feira (28), o Atlético de Madrid entrou em campo para seu primeiro jogo oficial na temporada 2011/2012. Pela fase eliminatória da Liga Europa, os colchoneros receberam os noruegueses do Stromsgodset e estrearam com o pé direito. Porém, a vitória por 2 a 1 deixa o alerta do Atléti ligado: no jogo da volta, uma vitória simples do Stromsgodset elimina os rojiblancos da segunda principal competição europeia.

O jogo deu algumas dicas de como deverá jogar o Atlético de Madrid de Gregório Manzano na temporada, mas deixou clara a deficiência da equipe na falta de um armador. Adepto do 4-4-2 a rombo (esquema que depende de um enganche), Manzano optou pelo esquema na forma de um quadrado. Nos flancos, Juanfran e, principalmente, Reyes imprimiram bastante velocidade. O camisa 18 foi o principal destaque da equipe na estreia: autor de um doblete, Reyes mostrou que segue voando após o final de temporada abaixo da média devido ao desgaste físico. Vale lembrar que, na temporada passada, o meio-campista foi um dos mais utilizados pelo técnico Quique Sánchez Flores.

Os estreantes Silvio, Miranda e Adrián tiveram desempenhos opostos: enquanto Silvio não teve nenhum problema no lado direito da zaga, Miranda mostrou-se bem enrolado quando os noruegueses atacavam pelo seu setor. Para completar a estreia bem fraca, o brasileiro foi expulso diretamente após falta em Sankov. Adrián, por sua vez, foi um dos artífice da vitória colchonera e mostrou uma invejável forma física para quem, praticamente, não teve férias. Destaque do rebaixado Deportivo na temporada passada, o atacante mostrou que pode ser um bom substituto de Agüero, apesar do adversário não ser dos melhores. Dos pés do atacante, nasceram os dois gols de Reyes na partida.

Após muitas especulações e um fim de temporada como verdade incógnita, Forlán está disposto a recuperar o tempo perdido. Quatro dias após comemorar o título de Copa América, o uruguaio dispensou a folga dada por Manzano e se reapresentou dois dias depois para jogar a partida. El Cachavacha, apesar do lançamento para Adrián ajeitar para Reyes no primeiro gol, sentiu um pouco o cansaço e foi substituído no segundo tempo, sendo ovacionado pelos aficionados da casa. Apesar do bom jogo do setor ofensivo, a zaga voltou a assustar. Storflor, autor do gol do Stromsgodset, aproveitou erro de posicionamento de Perea e Alvaro Domínguez para marcar.

Na coletiva pós-jogo, Manzano lamentou o erro da zaga e acomodação da equipe após o segundo gol. De acordo com o técnico, o jogo da volta irá requer uma séria de atenção, pois o adversário, certamente, estará bastante confiante. Manzano também aproveitou para dizer que, com apenas 24 dias de trabalho, não pode exigir tanto de seus comandados, mas deixou claro que a principal característica desse time já se mostrou: volume de jogo e velocidade. O jogo de volta acontece na quinta-feira (4), na Noruega.

Mercado
No dia do confronto contra os noruegueses, a novela Agüero chegou ao fim: o Manchester City desembolsou cerca de 45 milhões de euros para tirar Kun do Atlético de Madrid. Sem seu destaque na temporada passada, a diretoria colchonera segue atrás de um atacante para suprir a ausência do argentino. Por enquanto, quatro nomes estão em pauta: Giuseppi Rossi (Villarreal), Falcão García (Porto), Haedo Valdez (Hércules) e Osvaldo (Espanyol) são os nomes mais especulados para o ataque rojiblanco. O ítalo-argentino do Espanyol teve uma proposta de 12 milhões de euros negada no início da semana (o Espanyol está pedindo 20 milhões de euros, o que o Atlético de Madrid não está disposto a pagar). No momento, o mais acessível é o paraguaio do Hércules. Sua cláusula de rescisão é de 5 milhões de euros, o que teria feito os dirigentes colchoneros olharem de bons olhos. Em enquete feita pelo AS, os torcedores preferem Rossi para fazer dupla com Forlán. Porém, o alto preço do ítalo-americano e do colombiano do Porto fazem com que a dupla seja descartada.

Para o problema da criação, a solução pode ser o brasileiro Diego. Hoje, o pai e agente do meio-campista, Djair Ribas, afirmou ao AS que a transferência de seu filho pode ser concluída em breve. Segundo Djair, Diego vê o Atlético de Madrid com bons olhos e só está esperando o acordo de ambos os clubes para se transferir para Manzanares. O objetivo do Atlético de Madrid é pagar menos de 10 milhões pelo brasileiro, que foi comprado pelo Wolfsburg junto à Juventus por 16 milhões de euros. Outro meio-campista (mas não armador) especulado é Griezmann (Real Sociedad). O francês declarou publicamente que deseja reforçar o Atlético de Madrid, mas isso depende de seu clube atual. A primeira proposta pelo extremo foi negada pelo clube basco: 7 milhões de euros + Raúl García e o empréstimo de Mérida. O clube donostiarra já avisou que só vende seu prodígio se multa rescisória (25 milhões de euros) for paga.

domingo, 19 de junho de 2011

Gregório Manzano no Atlético de Madrid

Manzano fez bons trabalhos em equipes pequenas como Valladolid, Mallorca, Rayo Vallecano e Racing Santander, mas fracassou no médio Sevilla. Agora, ele retorna ao Atlético de Madrid, disposto a colocar a equipe entre os grandes da Espanha novamente (EFE)


Há duas semanas, o Atlético de Madrid confirmou a contratação de Gregório Manzano para substituir Quique Sánchez Flores no comando técnico da equipe. Apesar de ser reconhecidamente conhecido como um bom motivador e trabalhar bem na parte psicológica de seus comandados, a contratação de Manzano não foi vista por bons olhos pelos aficionados colchoneros. Na última vez que treinou o Atléti, Manzano não foi bem. Chegou com a moral elevada após comandar o Mallorca campeão da Copa do Rei na temporada 2002-2003, mas foi um fracasso na capital. A equipe rojiblanca terminou em sétimo no campeonato espanhol, não conseguindo vaga na Copa da Uefa, e caiu nas quartas-de-finais da Copa do Rei, ao perder para o Sevilla num agregado de 6 a 1.

Gregório Manzano, ao contrário da maioria dos técnicos do futebol mundial, não foi jogador antes de se aventurar no futebol. Professor do IES Valle, em Jaén, e psicólogo, ingressou ao futebol em 1983. Após passagens bem sucedidas pelo Racing Santander, Rayo Vallecano e Valladolid, quando evitou a queda das três equipes para a Liga Adelante, El Professor - como é carinhosamente chamado - ficou conhecido como resucitador, pelo fato de pegar suas equipes em posições preocupantes e salvá-las do descenso.

Em 28 anos como treinador, porém, Manzano só ganhou um único título - a Copa del Rey com o Mallorca, citada acima. No clube balear, foi onde mais se identificou. Além da Copa, disputou duas Copa da Uefa e por pouco não conseguiu classificar a equipe à Champions League 2010/2011, quando perdeu a vaga para o Sevilla na última rodada. No Atlético de Madrid, terá a dura missão de fazer a equipe voltar a disputar títulos. Inicialmente, Manzano terá que conseguir uma vaga na Champions League, competição cujo o Atlético de Madrid participou pela última vez em 2008/2009. Seus primeiros dias em Manzanares estão sendo bastante conturbado: a diretoria está brigando para segurar Agüero, De Gea e Forlán. O staff do clube, no entanto, é a maior prioridade de Manzano no momento. O treinador já anunciou o nutricionista Antonio Escribano, muito badalado na Espanha, e corre atrás para contratar a psicóloga Patrícia Ramírez, que atualmente trabalha para Pepe Mel no Bétis.

Manzano costuma implantar em sua equipe o módulo 4-4-2 a rombo. O esquema conta com um meia mais próximo do ataque, fazendo a ligação entre os setores, e precisa de um jogador mais cerebral para exercer tal função, como foi com Borja Valero no Mallorca e Rakitic no Sevilla. No Atlético de Madrid, até o momento, os únicos jogadores capazes de jogar neste setor são Raúl García e Mário Suárez, além do canterano Koke, que deve ganhar mais minuto na nova temporada. Thiago Alcântara e Goucurff são nomes especulados para essa posição. A efetividade do sistema está na pressão constante sobre o adversário e na ocupação dos espaços do campo. Para isso, o bom condicionamento físico do time é essencial.

Apesar de já deixar bem claro que gostaria de contar com Agüero e Forlán, o técnico declarou não há nenhum problema em Agüero joga no Real Madrid desde que o clube lucre o máximo possível com isso. Segundo ele, é melhor ganhar mais para vê-lo jogando no rival do que receber menos dinheiro para que o jogador vá para outro clube. Não há garantia de que a escolha de Manzano para o comando do time é a certa, mas aposta pode ser boa sim. O ex-professor sabe o tamanho do Atlético de Madrid e carrega consigo uma mentalidade que falta ao clube há alguns anos. Passando por problemas internos com seu presidente e seu mandatário, Manzano chega ao clube querendo mudar o estilo, trabalhar mais com a base e na parte estrutural do Atlético de Madrid. O treinador terá tempo para se dedicar ao campeonato espanhol e o primeira passo é recolocar os colchoneros entre os grandes do futebol espanhol novamente. É esperar para ver.

Leia aqui (em espanhol) a entrevista de Gregório Manzano ao Marca.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Balanço Final: Sevilla

Após ser cortado da Copa do Mundo, Negredo foi o maior artilheiro espanhol da temporada, com 21 gols, e ajudou o Sevilla a conseguir uma vaga na Liga Europa (AP Photos)

Campanha: 5ª colocação. 38 jogos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. 62 gols pró e 61 gols contra. Classificado à Liga Europa
Time-base: Javi Varas; Cáceres, Fernando Navarro, Escudé, Dabo; Gary Medel, Rakitic, Jesus Navas, Perotti; Negredo, Kanouté.
Os Artilheiros: Álvaro Negredo (20 gols), Kanouté (12), Luis Fabiano (10).
O Técnico: Antonio Alvarez, até a 3ª rodada; Gregório Manzano, a partir da 5ª rodada.
O Destaque: Álvaro Negredo.
A decepção: Cigarini

Apesar do descontentamento da torcida, o Sevilla fez o que pôde para copar uma vaga em uma competição europeia. O terrível primeiro semestre de teSmporada, que marcou a queda precoce ainda na fase pré Champions League para o Braga, foi consertado no mercado de verão: as chegadas de Gary Medel e, sobretudo, Rakitic deram novo gás à equipe da Andaluzia, que, ainda que não encantasse como em outros tempo, jogou um futebol preciso para chegar à Liga Europa. Por não ter um elenco forte e extenso, o Sevilla acabou dependendo demais de Rakitic, Álvaro Negredo e Kanouté, que subiram de produção a partir de janeiro. Romaric, no entanto, teve processo inverso: o ótimo primeiro semestre deu vez ao cansado segundo semestre e o marfinense não repetiu as belas atuações de outroras. Necessitando claramente de um fantasista para o 4-4-2 dar certo, o croata Rakitic caiu como uma luva no esquema de Manzano. Em apenas quatro meses no clube, o croata terminou a temporada com quatro assistências e seis gols.

Após uma primeira temporada mais que apagada, Negredo foi cortado da seleção espanhola e assistiu a Copa do Mundo e o conseqüente título da Fúria no sofá de sua casa. Isso parece ter motivado o vallecano, que foi o maior artilheiro sevillista na temporada e superou os números de jogadores famosos como Villa, Soldado e Llorente na Espanha: foram 20 gols na temporada e o premio Zarra, para o artilheiro espanhol do ano. Das decepções, a maior foi Cigarini. Cotado para ser o cérebro do meio de campo sevillista após a saída de Maresca, Cigarini não correspondeu às expectativas da torcida e terminou a temporada lesionado. Diego Capel, que sempre desempenhava papel importante pela esquerda, viu o também jovem Perotti cavar um lugar na equipe titular pelo setor e foi, na maioria das vezes, banco.

Após uma temporada abaixo das expectativas com a eliminação precoce na fase de classificação para a Champions League, a perda da Supercopa da Espanha para o Barcelona, a desclassificação nas semi-finais da Copa do Rei para o campeão Real Madrid e uma decepcionante campanha na Liga Espanhola, o Sevilla parece ter finalizado um ciclo da sua vida: Luís Fabiano, Adriano, Dragutinovic e Renato colocaram um ponto final em suas histórias no clube andaluz e carne fresca chegou para agregar ao clube. Caberá ao mais novo contratado para o banco técnico hispalense, Marcelino Toral, empreender um novo projeto pra um dos clubes mais viáveis atualmente na Espanha. A contratação definitiva de Martin Cáceres, titular da lateral direita, já foi confirmada e, assim, falta um lateral esquerdo decente e uma boa dupla de zaga.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Surpresa?

Sevilla faz sua melhor partida na temporada, elimina Villarreal com autoridade e segue vivo na briga pelo bi-campeonato da Copa del Rey (AP Photos)


Ainda que a reação do Sevilla fosse notável, não esperava-se que o time da Andaluzia ganhasse com tanta moral como ganhou do Villarreal ontem. Ainda mais porque, no último jogo da Liga, contra o Espanyol, foi com a equipe completa a campo e saiu derrotado por 2 a 1 no Ramón Sanchéz Pizjuan. Talvez isso seja o maior responsável pela presença de pouco público no estádio no jogo de volta contra o Villarreal. Desacreditado por parte da torcida e eleito por uma votação do Marca o time-decepção da temporada, o Sevilla partiu para um jogo que não era favorito. Vindo de resultados positivos, como uma equipe extremamente entrosada e líder do campeonato paralelo a Barcelona e Real Madrid, o Villarreal entrou em campo com uma escalação bastante peculiar.

Garrido mandou a campo uma equipe mista e seu 4-4-2 com Monteiro e Cani nos flancos parecia, em tese, que daria muito certo, por serem dois jogadores bastante velozes. Porém, em uma partida tão importante, acabou deixando Rúben no banco em prol da titularidade de Altidore, que foi uma grande decepção no primeiro semestre. Do outro lado, Manzano surpreendeu: mandou seu time a campo no 5-3-2 e colocou uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo. Com seu nome ligado a Juventus e Corinthians, Luis Fabiano foi reserva, dando a entender que sua passagem pela Andaluzia está prestes a acabar.

A superioridade evidente do time rojiblanco se fez valer do pé daquele que vem sendo decisivo nos últimos jogos e é, sem sombra de dúvidas, o grande destaque deste Sevilla. Jogando no suporte a Kanouté e Negredo, Romaric mais uma vez fez uma partida espetacular e além de dar muito trabalho a Cicinho, foi o autor do passe para Negredo, que tocou por cima de Diego López e Renato chegou completando para abrir o placar. Dos seis gols do Sevilla feito contra o Villarreal na eliminatória, cinco passsaram pelos pés do camarones, que a cada dia cai nas graças da torcida. No final do primeiro tempo, Javi Varas fez uma excelente defesa em chute de Rossi, assegurando a vitória parcial sevillista antes do intervalo.

O enredo da primeira etapa voltou a se repetir no segundo tempo e, logo aos dois minutos, Kanouté aproveitou cobrança de Romaric e mandou a bola para o fundo do gol. E foi de escanteio que também nasceu o terceiro do Sevilla: após cobrança de Romaric, a bola desviou em Alexis e morreu dentro da meta de Diego López. Com 3 a 0 no placar e classificação praticamente garantida, o Sevilla passou a jogar com mais calma e segurar mais a posse de bola. Romaric ainda foi ovacionado pelo estádio, quando saiu para a entrada de Jesus Navas. Atual campeão do torneio, o Sevilla espera o vencedor de Real Madrid e Atlético de Madrid para seguir na briga pela manutenção do título.

A grande notícia da noite, fora a classificação, obviamente, ficou por conta de Sergio Sánchez. Treze meses depois de superar uma doença cardíaca, o volante voltou a disputar uma partida oficial. E logo de cara, foi titular e jogou os noventa minutos. Manzano o colocou como volante que protegia a zaga no 5-3-2, e Sánchez mostrou um bom futebol, sendo responsável por uma boa marcação em Cani, que, desta vez, passou em branco.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Sevilla

Antes unanimidades, Jesus Navas e Luís Fabiano convivem com lesões e são as decepções sevillistas na temporada (eldesmarque)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. 21 gols pró e 27 gols contra.

Técnico
Antonio Álvarez, até a quinta rodada; e Gregório Manzano, a partir da sexta rodada. Em apenas um mês e meio, as coisas mudaram bastante no Sevilla. Antes tido como salvador da pátria, Gregorio Manzano vem amargurando péssimos resultados à frente dos rojiblancos. E o pior de tudo: tem batido recordes negativos. Foram seis derrotas contra quatro vitórias. Isso dá uma média de 1,2 pontos ganhos por jogo. Em comparação com os técnicos anteriores, Manzano leva uma verdadeira goleada. Antonio Álvarez, técnico duramente criticado, apesar de ajudar o clube a faturar a Copa do Rey na temporada passada, tem média de 1,62 pontos por jogo. Manolo Jiménez, que dirigiu o time por três anos, é o que tem a melhor média entre todos, marcando 1,75 pontos por jogo. Já Juande Ramos, melhor técnico da história do Sevilla, responsável direto por elevar o clube no cenário nacional, conseguiu uma média de 1,74 pontos por partida.

Destaque
Kanouté. Em meio à crise, Kanouté é um dos poucos que se salvam. Com cinco gols é o artilheiro do Sevilla ao lado de Negredo, outro que vem se destacando. O malinês tem decidido em dobro já que seu companheiro de ataque, Luis Fabiano, não faz uma boa temporada e perdeu o lugar para Negredo no time, que cumpre seu papel regularmente. Negredo surpreende: antes criticado, o canterano do Real Madrid está exercendo um papel importante e, apesar de continuar perdendo gols bobos, também é um dos que se salvaram no primeiro semestre. Destaque positivo também para o uruguaio Cáceres, que driblou a desconfiança após a "flopada" no Barcelona e virou o xerifão da zaga andaluza. Quem demorou a aparecer, mas tem voltado a ganhar destaque é Perrotti e Diego Capel, os extremos direito e esquerdo, respectivamente, no 4-1-3-2 de Manzano.

Decepção
Há muitas opções para colocar aqui, mas pela sua importância para o time e pelo futebol não apresentado devido às lesões, a decepção é Jesus Navas. Navas começou a preparação para esta temporada mais tarde do que os outros jogadores do elenco do Sevilla, por causa de sua participação - muito boa, diga-se de passagem, principalmente na final - na Copa do Mundo. Fora de forma, o meio-campista parece alheio aos jogos e não tem conseguido acompanhar o ritmo dos companheiro. Sempre lesionado, Jesus Navas já sabe que, quando voltar ao time, terá que suar para ganhar a vaga de Perrotti, que vem ganhando pontos com a torcida e com Manzano. Luis Fabiano também decepciona e não é nem sombra daquele atacante da temporada passada. O brasileiro caiu de produção e viu sua vaga no ataque rojiblanco perdida para Negredo, artilheiro do time.

Perspectiva
Competição europeia. A fase não é animadora, mas não se deve subestimar o Sevilla, clube mais vencedor espanhol nos últimos seis anos fora Barcelona e Real Madrid. Com 20 pontos em 16 jogos, os sevillista encontram-se apenas na décima primeira colocação do Campeonato Espanhol. Além do mais, amargam cinco derrotas consecutivas na competição, o que não acontecia desde 2000 e posiciona Gregorio Manzano como o pior treinador do século 21 no clube. Mesmo assim, a confiança do presidente do time, José María del Nido, é tão grande de que a equipe irá reagir na competição, que já conta com o dinheiro que receberá por uma eventual participação na UEFA Champions League da próxima temporada.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Copa del Rey: Respira, Manzano

O Sevilla voltou a fazer as pazes com a vitória, e Manzano pôde, enfim, respirar aliviado (getty images)

O Sevilla jogou uma partida louca, com duas defesas defasadas, dando gols de presente e recebendo presentes para passar pela eliminatória de oitavas de final da Copa do Rei. O 5 a 3 conseguido no Sánchez Pizjuán demonstra, por exemplo, por que as defesas de Málaga e Sevilla são as mais vazadas da Liga Espanhola, demonstra que a equipe nervionense tem carências quase irremediáveis na zaga, demonstra também que existem jogadores despreparados para jogar nessa equipe. Além disso, demonstra que o plantel possui um pouco de raça e coragem, necessários para virar uma partida que estavam perdendo por 2 x 3. O elenco é liderado por Kanouté, que presenteia a todos. Na Copa, o Sevilla segue sendo o campeão. O 5 x 3 vale, além disso tudo, para deixar um bom sinal nesse final de ano e para a equipe sevillista se reencontrar com a vitória depois de seis partidas sem vencer.

O espetáculo do primeiro tempo presenciado pela torcida no Sánchez Pizjuán é difícil de ser definido. Torcedores do León, Astúrias ou Barcelona devem ter se divertido como em poucas vezes. Cinco gols, ataques atrás de ataques e oportunidades. Porém, para o torcedor do Sevilla e para Manzano, o primeiro tempo causou pavor. Foi apavorante o espetáculo proporcionado pelas defesas sevilista e malaguista. Alfaro marcou o primeiro gol e o Sevilla já se considerava o campeão da Copa. Os hispalenses pareciam e acreditavam estar classificados no minuto 15 da partida eliminatória. Deve ter sido isso o que causou o tremendo branco dos defensores anfitriões. A colaboração defensiva desapareceu, a solidariedade entre companheiros evaporou-se e as linhas sevillistas separaram-se como se Napoleão tivesse penetrado nelas com sua cavalaria. Os dois primeiros gols de Rondón poderiam ser também considerados um presente da defesa sevillista para o atacante. Luna, Cáceres e Konko não tiveram uma boa atuação. O último tinha a cabeça em qualquer lugar, menos na partida. E claro... O Málaga virou o marcador com Rondón, que agradeceu os agrados com gols.

Infelizmente, o Málaga tem o mesmo problema sevillista. Por isso, apesar de tudo, a equipe nervionense empatou. Todas as vezes em que o Sevilla chegou, desbravou a defesa cotasoleña. O gol de Negredo poderia ter aberto a porteira. Zokora poderia ter marcado, por exemplo. Porém não... O problema nervionense surgiu novamente. Primeira Lei: “Não desistir de desarmar uma ação ofensiva rival.” O Sevilla desistiu, e de forma ridícula veio o 2 x 3.

Manzano considerou (com razão) Konko como um dos maiores responsáveis da alarmante debilidade defensiva do Sevilla e o sacou da equipe depois do intervalo para tentar ganhar em intensidade com Alexis. Também apostou em algo mais de calma na partida com Kanouté. E realmente conseguiu, porque a partida se tornou algo mais cadenciado, o Sevilla atacava com possibilidades de acerto e o conjunto de Pellegrini esperava outro contra-ataque para decidir. A equipe hispalense controlou então a partida, com Kanouté bem escoltado por Romaric e se serviu de erros do rival para voltar a virar o placar da partida. Primeiro, Rubén falhou em um chute de Romaric. O mesmo marfinense conseguiu o quarto gol e consumou a virada com uma boa cabeçada. Quase que imediatamente, Capel castigou a inocência e languidez da zaga rival e de seu goleiro para fazer o quinto gol sevillista.

Já não houve mais loucura e presentes. O Sevilla salvou um momento dos mais obscuros com raça, gols, Romaric e erros do rival. De momento, trilhou o caminho para passar para as quartas de final da Copa do Rei.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Em queda livre

Antes salvador da pátria, Manzano vem armagurando sucessivas derrotas e já começa a ficar com as cordas bambas no clube (eldesmarque)

O Sevilla começou a temporada muito mal. Dentre os quatro times que terminaram a última edição da Liga nas quatro primeiras posições, os rojiblancos foram os que menos gastaram. O mercado, sendo assim, foi um dos piores dos últimos anos, e jogadores de qualidades para as posições mais carentes do clube não chegaram. Se já não bastasse a perda da Supercopa Espanhola diante do Barcelona - quando ganharam o primeiro jogo por 3 a 1; mas, no segundo, foram humilhados - a eliminação bem precoce na Champions, ainda na fase pré diante do Braga, fez tudo isso explodir.

Somados isso tudo mais as eternas lesões de jogadores importantes, como Palop, Jesus Navas (que convive com dores musculares por causa da má preparação após a Copa) e Luis Fabiano não dá para imaginar outra coisa a não ser uma temporada frustante do Sevilla. Diante de tudo isso, Josep Maria Del Nino resolveu colocar toda a culpa em Antonio Álvarez, antes de demití-lo.

Gregório Manzano, contratado pelo presidente rojiblanco, não é um dos melhores técnicos da Espanha, mas costuma fazer um bom trabalho por onde passa (à exceção do Atlético de Madrid, em 2003). Após "flopar" no Atlético de Madrid, renasceu no Mallorca, quando levou o time à quinta posição. Em seu primeiro jogo no comando técnico do time andaluz, Manzano estruturou a equipe em um 4-3-2-1, que acabou dando certo, quando o Sevilla venceu e convenceu contra o Atlético de Madrid. Porém, quase dois meses depois, tudo mudou.

O técnico de Jaén vem acumulando muitos resultados negativos e, atualmente, o Sevilla tem a pior média de pontos desde 2001-02. Na derrota pouco digerida pelos torcedores contra o fraco Almería, em pleno Ramón Sanchéz Pizjuan, Manzano chegou ao seu décimo jogo frente ao time na competição. Nessas dez partidas, foram seis vitórias e quatro derrota, o que dá uma média baixíssima de 1,2 ponto por jogo. Para um time do calibre do Sevilla, que vem em uma suscinta evolução, são muitos pontos perdidos, que já fazem o time ficar longe de uma vaga na próxima Uefa Champions League.

Vale lembrar que Antonio Álvarez, que antecedeu Manzano e tem uma Copa do Rei no currículo do clube sevillista, tinha uma média de 1,62 pontos. Pouco, mas para quem era duramente criticado até pelo próprio presidente do time e era o ocasionador de tudo, pode-se relevar.