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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os pecados da Espanha nas Olimpíadas

 É, Mata, difícil de entender a eliminação da Espanha na fase de grupos das Olimpíadas (Zimbio)

Espanha 0x1 Japão. Espanha 0x1 Honduras. Espanha 0x0 Marrocos. Em três jogos, nenhuma vitória e nenhum gol marcado. A Espanha que deixa Londres sai pelas portas do fundos. Favorita ao ouro, a equipe em momento algum brilhou, mostrou uma faceta negativa e um futebol diametralmente opostou àquele que deveria ser exercido e que já é costume na seleções de base espanhola. A geração, formada por jogadores como Jordi Alba, Javi Martínez e Juan Mata, campeões europeu com a principal há cerca de um mês, não pode ser totalmente crucificada, mas a falha é inadmissível. O blog tenta traçar alguns motivos da vergonhosa queda precoce da Fúria.

O melhor de Ander Herrera. Em maio, discutimos a forma física de Ander Herrera. Essencial para o Athletic Bilbao, o jovem foi bastante desgastado numa temporada em que a equipe disputou três torneios até o limite. O basco viveu um dilema e teve a opção de operar no final da temporada e perder os Jogos Olímpicos. Preferiu esperar e chegou em Londres totalmente abalado fisicamente. O resultado foi a presença no banco de reservas nos dois primeiros jogos, que culminaram na eliminação da Roja. Koke, seu substituto, assim como toda a Espanha, não brilhou e em momento algum foi o armador de jogadas que se esperava.

Thiago Alcântara. Cortado dos Jogos Olímpicos devido a uma lesão nas costas sofrida no final da temporada passada, o hispano-brasileiro foi a ausência mais sentida. Principal jogador na conquista do Europeu Sub-21 em 2011, o culé não viu em Isco, Rodrigo e Tello substitutos à altura. O senso de liderança do meia, seus dribles e, principalmente, seus passes fizeram a falta na hora da decisão. Faltou o dinamismo que Thiago dava ao meio-campo e suas mágicas jogadas tiradas da cartola.

"Ausências" dos melhores Mata e Adrián. Centralizado para criar jogadas devido a ausência de Thiago, Mata ficou sobrecarregado e naufragou junto à equipe, quando deveria puxar a responsabilidade. Faltou mais vontade do camisa 10, que, mesmo marcando na final da Eurocopa, convive com uma má fase vista desde a reta final da temporada passada com o Chelsea. Indiretamente ao mau torneio do jogador blue, Adrián nada fez. Dependente das enfiadas de bola dos meio-campistas, o colchonero tentou muitas vezes sair da área para construir as jogadas, mas em vão. Acostumado a jogador aberto à direita no Atlético de Madrid, não rendeu dessa vez de falso nove.

Má forma dos titulares. Mesmo se avançasse de fase demonstrando esse futebol, a Espanha dificilmente conquistaria o ouro. À exceção de Jordi Alba, Javi Martínez e David De Gea, que evitou um desastre maior na estreia contra o Japão, todo o resto do grupo mostrou-se abaixo da média. As participações fracas de Botía, Iñigo Martínez, Montoya, Muniain, Tello, Rodrigo, Oriol Romeu e dos já comentados Mata e Adrián fazem a gente recordar da Eurocopa de 2004, quando a Espanha também caiu na fase de grupos: peças-chaves apáticas e alegadamente cansadas. Houve várias decepções, que resultaram nessa queda tão cedo.

O oba-oba pré-Jogos. O clima de "já ganhei" afetou o vestiário. Ainda que Luis Milla ratificasse a cada coletiva que o grupo não estava com a cabeça na medalha de ouro, os jogadores fizeram questão de evidenciar isso nas diversas coletivas pré-Olimpíadas. De Gea, Mata, Azpilicueta e Adrián discursavam como se a Espanha já tivesse conquistado a medalha. O amistoso de preparação feito contra Senegal (perdido por 3x0) mostrou que o buraco seria mais embaixo e no final pode ser interpretado como uma tragédia anunciada. Acabou que a falta de humildade pesou. A bola puniu.

Apatia nas conclusões. O defeito que mais chatou a atenção. Contra a Honduras, um show de horror. Só Mata desperdiçou três claras chances na primeira etapa. Se a seleção principal é criticada justamente por não chutar a gol, ao menos a Sub-21 usa e abusa das finalizações. No entanto, mostrou ao longo do torneio muitas falhas na hora das conclusões. As múltipas chances jogadas para fora fizeram falta. Contra o Marrocos, a falta de contudência para derrotar a seleção mais fraca do grupo resumiu bem a vergonhosa campanha olímpica da Espanha em Londres, que deve ser apagada da recente história vencedora do futebol do país.

domingo, 8 de julho de 2012

Missão Londres

 Campeã Europeu Sub-21 em 2011, a Espanha Olímpica vem aí para tentar sua segunda medalha de ouro (getty images)

Passada a Eurocopa, o futebol espanhol se prepara para mais uma competição importante: os Jogos Olímpicos 2012. Dessa vez, contudo, quem irá representar a Espanha são os garotos da equipe sub-21, campeã do europeu da categoria no ano passado. Na última quinta-feira, o técnico Luis Milla deu a conhecer os nomes que irão a Londres tentar a conquista da medalha de ouro pela segunda vez. Na única e primeira vez, em 1992, em Barcelona, o grupo liderado por Guardiola, Luis Enrique, Ferrer e Cañizares passou por Colômbia, Gana, Itália e, na final, Polônia para conquistar a inédita medalha. A última aparição da Roja em Olimpíadas havia sido em 2000, na Austrália, quando a geração de Puyol, Xavi, Tamudo, Luque, Marchena e Albelda foi prata para Camarões de Samuel Eto'o.

Ao contrário do que muitos pensam, a medalha de ouro olímpica está sendo tratada como prioridade. Quando assinou contrato com a RFEF, em 2009, Milla começou a construir todo seu trabalho em função das Olimpíadas. Uma base que vem sendo trabalhada há três anos para chegar em forma em Londres.  Chama a atenção o fato de não haver nenhum jogador acima de 24 anos no elenco. O mais velho? Mata, justamente com 24 anos. Muitos se perguntam sobre por que nomes como Xavi, Iniesta e Villa não foram chamados para ser os jogadores acima de 23 anos. A resposta é simples: para Milla, seu trabalho não deve ser misturado com o de Vicente Del Bosque. Ele possui seu grupo e Del Bosque, o dele. Por isso as convocações de Mata, Adrián e Javi Martínez como os nomes acima de 23 anos. Os três trabalham com Milla desde 2009 e, logicamente, estiveram na conquista da Eurocopa Sub-21 em 2011.

A influência do Barcelona no momento espanhol é inegável. Todos os já tão debatidos valores barcelonistas foram devidamente absorvidos pela seleção principal, incluindo um dos principais deles: a preparação cuidadosa e atenta daqueles que estarão no time A em alguns anos. A Fúria Olímpica não é diferente. Joga com a bola nos pés, tratando-a com paciência e fazendo um jogo psicológico com o adversário.  Aprimorar essa fidelidade ao modus operanti que se estabilizou na Fúria adulta foi um dos marcos do trabalho de Milla. Um grupo bastante coeso e disciplinado tecnicamente. O Brasil, por exemplo, é o maior favorito por ter em Neymar, um dos principais jogadores do mundo, seu principal destaque individual, enquanto a Roja se dá ao luxo de manter uma equipe muito forte coletivamente. Incisiva, utiliza a exaustão seus jogadores ofensivos do lado do campo. Jogando num 4-2-3-1 que varia para um 4-3-3 em determinadas jogadas, Mata e Muniain se juntam a Adrián no ataque para ludibriar os adversários.

A Espanha, entretanto, terá um desfalque de peso. Principal jogador da equipe no Europeu, Thiago Alcântara não estará presente em Londres. Uma lesão nas costas na reta final da temporada passada o deixará de fora dos gramados por mais um mês. É inegável que a ausência de seu principal cérebro fará falta, mas a temporada de Isco, seu provável substituto, poderá não deixar cair a qualidade do meio-campo. Se confirmar mesmo a entrada do jogador do Málaga, Mata deverá ser centralizado para articular as jogadas junto de Ander Herrera. Apesar de jogar mais pelos flancos do campo, o jogador do Chelsea tem talento o suficiente para armar as jogadas no centro do meio-campo. Vale lembrar que ele foi, com 13 assistências, o segundo maior assistente da Premier League passada, perdendo somente para seu compatriota David Silva.

O setor esquerdo do campo será o principal trunfo de ataque. Com Jordi Alba, que foi liberado pelo Barcelona a disputar a competição, e Muniain colocando velocidade, é dali que sairão as principais chances de gols. Se, na Euro, o lateral foi a principal revelação, a lógica é que, com um grupo onde ele joga junto há mais tempo, as Olimpíadas seja seu playground. De acordo com o Diário Sport, Tito Vilanova não teria ficado muito satisfeito com o fato de Alba perder a maior parte da pré-temporada, mas foi convecido a aceitar isso. Em 2008, Messi viveu situação semelhante. Porém, Joan Laporta, à época presidente, declarou que é o sonho de qualquer atleta ganhar uma medalha olímpica.

Além de Alba, a defesa é bastante segura e passa por poucos apuros. No gol, De Gea foi sempre seguro. Não à toa, a maturidade apresentada na Euro Sub-21 atestou as virtudes para que o Manchester United acertasse os últimos trâmites de seu contrato. À sua frente, no miolo de zaga, a dupla formada por Domínguez e Botía é discreta mas sóbria. Na lateral direita, Montoya sobe tanto quanto Alba, mas é possível que se contenha mais um pouco e fique mais na cobertura. Independente das escolhas, existe uma única certeza: com ou sem força máxima, a Fúria é candidatíssima ao título olímpico. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos a Bucareste

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid garantiram seus bilhetes para Bucareste ao eliminarem, respectivamente, Sporting de Lisboa e Valencia. No Mestalla, os colchoneros atuaram com inteligência, foram atacados à exaustão na primeira etapa, mas mataram a partida e esfriaram os ânimos chés no segundo tempo, num balaço de Adrián. Por sua vez, o Athletic Bilbao teve mais trabalho. Derrotado no jogo de ida, abriu o placar, mas viu os lisboetas empatarem e deixarem a Catedral de San Mamés numa situação tensa. Mas Llorente, nome do jogo, apareceu nos minutos finais para explodir o estádio, fazer a festa e chorar de emoção ao levar os Leones à grande final. Veja por que você deve assistir à final da Liga Europa, em 9 de maio.

 Dramático: Athletic Bilbao conseguiu classificação à final da Liga Europa aos 44 minutos do segundo tempo (getty images)

Prêmio ao futebol arte. É unanimidade a todos que a equipe que mais desempenha o dito futebol arte na competição é o Athletic Bilbao. A equipe mostrou duas virtudes irrefutáveis ao longo do torneio. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta, Ander Herrera e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

Para entrar para a história. Marcelo Bielsa, em sua primeira temporada no clube, tem tornado-se um ídolo na cidade de Bilbao. Além da elogiável concepção de futebol, El Loco é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. A oportunidade de disputar duas finais logo de cara é o passaporte que o argentino recebeu para entrar para a história do clube rojiblanco.

Um título para Llorente. El Rey León. O jogador preferido dos aficionados bascos vem se mostrando decisivo há bastante tempo. Suas belas atuações chamaram a atenção de Del Bosque, e o centroavante esteve no elenco campeão mundial. Dois anos depois, é cotado até para ser titular na Eurocopa. Porém, falta preencher uma lacuna: ser campeão pelo seu clube. Em terras de Real Madrid e Barcelona, essa missão é quase impossível, mas Llorente nunca desistiu. Recusou convites de clubes ingleses e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Seu choro após o término do jogo contra o Sporting revela o árduo caminho que percorreu até que chegasse esse dia.

Jogando com inteligência, Atlético de Madrid despacha Valencia novamente e vai atrás do bicampeonato da Liga Europa (reuters)

Falcão García e Adrián López. Se do lado bilbaíno há El Rey León, no madrilenho tem El Tigre. Falcão García já havia entrado para a história da Liga Europa na temporada passada. Campeão com o Porto, foi artilheiro com 17 gols, superando a marca história de Klinsmann. O melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada tem a oportunidade de ser bicampeão e conquistar de vez o coração dos torcedores colchoneros. Seu grande companheiro é Adrián López, artilheiro da atual edição da Liga Europa. Campeão europeu com a Espanha Sub-21, Adrián tem números bons e pode conquistar seu primeiro título na carreira em clubes. Será uma final especial para o atacante.

Não subestime o Atlético de Madrid. Os holofotes estão voltados ao Athletic Bilbao, pelo motivo explicado no primeiro tópico. Mas não cometam o erro de subestimar o Atlético de Madrid e, num provável título rojiblanco, levar propensão à zebra. Os colchoneros sabem como jogar a Liga Europa. Em âmbito europeu, estão invictos há 11 jogos, onde ganharam todos, e conquistaram a competição há duas temporadas. É time de chegada, tem um meio-campo forte e aguerido capaz de parar a troca de passes bilbaína e um contra-ataque fatal. Na Liga Espanhola, no último confronto entre as equipes, ganhou por 2x0.

Simeone merece. A chegada de El Cholo ao comando técnico do Atléti foi um divisor d'águas para o time. Fadado ao fracasso com Manzano, os rojiblancos se recuperaram de maneira espetacular e chegam a segunda final europeia em três anos. O argentino, que foi campeão com o Atlético de Madrid como jogador, vê que o status de ídolo do clube permanece intacto As comemoração efusiva do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cultura de Madrid

O Mister Liga Europa: mais uma vez decisivo, Falcão García marcou dois e colocou o Atlético de Madrid próximo da final da segunda principal competição de clubes da Europa (AP Photos)

O Valencia sucumbiu ao Atlético de Madrid, no jogo de ida da semifinal da Liga Europa. Querendo uma revanche pela eliminação na mesma competição duas temporadas atrás, os chés só viram pela frente uma avalanche de cores vermelha e branca e, não bastasse, estão muitos próximos de uma nova eliminação. O discursso em Paterna, contudo, é de confiança. E há motivos para isso: as estatísticas mostram que o Valencia costuma marcar mais de um gol jogando no Mestalla na temporada. Além disso, o gol marcado por Ricardo Costa no final deu sobrevida à equipe.

Derrotado mais uma vez em jogo decisivo, não é unanimidade dizer que Unai Emery está balançado no comando técnico valenciano. Hoje, notícias do periódico Superdeporte, que cobre os clubes de Valencia (acima de tudo o Valencia), informou que o treinador teria revelado ao plantel que não irá permanecer sob comando da equipe para a próxima temporada (como a imprensa espanhola vem especulando há tempos) e deixou uma última mensagem: "quero sair pela porta da frente. Vamos em busca do terceiro lugar na Liga e do título europeu", teria dito Unai Emery.

Enquanto isso, no lado capitolino, Simeone esbanja prestígio. Após sua chegada, em janeiro, a temporada atleticana ganhou uma nova dimensão. O plantel era forte, mas o psicológico estava derrubado. Simeone, mestre nessa função, consegue tirar o melhor de cada jogador independente da partida. El Cholo, para começar, definiu uma tática. Se, por um lado, Manzano mexia no módulo tático rojiblanco a cada jogo e sempre mudava o onze inicial, um dos motivos para seu mau trabalho, o argentino estacionou no 4-2-3-1, variando sempre durante a partida para o 4-3-3 ou 4-4-2 em linha. Dá certo porque Adrián e Arda Turan, que compõe a linha de três ofensivo atrás de Falcão García inicialmente, se movimentam muito e recompõe bem na marcação, sobretudo o turco, quando atacado. Adrián, artilheiro da Espanha no Europeu Sub-21 e do Atléti no primeiro turno, tem se sacrificado em prol do time: joga mais aberto à direita e ajuda na marcação pelo seu setor em dentrimento de uma disputa de gols sadia com Falcão García. Não que isso bloqueie o faro de gol do "atacante": são 20 na temporada.

A vitória sobre o Valencia serve para alimentar esperanças de mais um título em solo europeu. Os colchoneros jogaram com muita intensidade, pressão e agressividade. Lembrando o futebol desempenhado pelo maior rival Real Madrid. É um estilo de jogo muito físico, mas os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. Filipe Luís enfim encontrou seu futebol após a saída do Deportivo. O lateral, que chegou a ser vaiado no Calderón, ataca com contudência e tem sido importante na marcação pela esquerda. O AS, em sua crônica do jogo, definiu como "cultura de Madrid". Fato é que o Atléti foi bastante superior aos blanquinegros e não abaixaram a cabeça após o gol de empate de Jonas.

Simeone tem dois jogadores em ótima fase no meio: Arda Turan e Diego. O primeiro, instável durante a temporada, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Falcão García no gol que abriu o marcador ontem. Diego é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. Após uma passagem apagada pelo Wolfsburg, o brasileiro tem feito valer a confiança depositada nele pela cúpula rojiblanca. Ele orquestra o meio-campo e arma as jogadas para Adrián ou Falcão. Diego sabe que é essencial para o esquema de El Cholo e voltou melhor após a lesão que o deixou fora dois meses. 

O colombiano, por sua vez, merece um parágrafo à parte. Que temporada fenomenal faz El Tigre. Dono de 30 gols na temporada, Falcão mostra-se mais uma vez decisivo em âmbito europeu. Campeão e artilheiro com o Porto na temporada passada, quando superou o recorde goleador de Klinsmann, com 17 gols. Em 2011/2012, são 13. A vitória também estabeleceu dois recordes para a segunda principal equipe da capital espanhola. O Atlético de Madrid tornou-se o primeiro clube a chegar a 15 vitórias numa única temporada em competições europeias e o segundo que ganha 10 jogos consecutivos, atrás apenas do Barcelona (11) de 2002/2003. Individualmente, Falcão e Adrián tornaram-se a primeira dupla a produzir 10 gols um um ano na Europa. Isso é o Atlético, a equipe que, pelo visto, abrangiu a cultura madrilenha de jogar futebol.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Rumo ao ouro

Mata e Thiago disputarão a Euro e já afirmaram que estão à disposição de Luis Milla para jogar as Olimpíadas (telegraph)

No calendário da Federação Espanhola de Futebol há duas datas marcadas em negrito. A primeira é o dia 1 de julho, a final da Eurocopa. A segunda, o 11 de agosto. Às vésperas do encerramento dos Jogos Olímpicos, o ouro olímpico no futebol estará em disputa. Conquistar a medalha não é uma obsessão como no Brasil, quando a seleção sempre entra pressionada a ganhar algo nunca conquistado antes em sua história. Até pelo fato de já estar no currículo espanhol uma conquista em Olimpíadas (Barcelona 92'). Mas a seleção que vai a Londres é ambiciosa e chega, talvez, como máxima favorita, ao lado do Brasil.

Chegar à medalha irá requer bastante trabalho e mais futebol. Apesar do título Sub-21 europeu, os comandados de Luis Milla passaram por alguns apuros não previsto antes do torneio. A vitória suada na semifinal ante a Bielorússia evidenciou algums problemas da Rojinha. A marcação pressão feita pelos bielorrussos atrapalhou muito a saída de jogo; Javi Martínez ficou sobrecarregado; e a bola pouco chegou em Adrián. A vitória veio no talento. Quando nervosa e em situação de adversa, a seleção olímpica mostra-se frágil. Hoje, Milla terá pela frente um amistoso para definir e ajustar a equipe. Contra o Egito, são duas as importancias do confronto: o adversário é um dos que estarão em Londres e não há muitas datas específicas para se trabalhar o elenco. Daqui até a estreia nas Olimpíadas, há, além do jogo de hoje, apenas mais uma data FIFA disponível.

Quase todos os adeptos do futebol recordam o gol de Kiko naqueles dias loucos de Barcelona em 1992, mas não tanto que a Fúria leva 12 anos sem participar dos Jogos. A última participação, em 2000, acabou em medalha de prata, após derrota para Camarões na final. A vantagem da seleção hoje é o fato de contar com um grupo forte, coeso e que atua juntos já há algum tempo. Jogadores como Mata, Javi Martínez e Muniain são os principais em suas equipes e Thiago Alcântara é um dos canteranos mais promissores do Barcelona. Os craques do elenco já estão acostumados a lidar com a pressão e os jogos grandes. Há de se destacar que o regulamento do torneio permite levar três futebolistas maiores de 23 anos. A ideia da comissão técnica é não chamar nenhuma estrela da seleção principal, e sim o winger do Chelsea, o zagueiro-volante do Athletic Bilbao e Adrián López, artilheiro do Sub-21. Para Milla, não há de misturar seu trabalho com o de Del Bosque. Outro nome que não está descartado é Capel, sempre com boas apresentações pelas seleções de base e em boa temporada no Sporting de Lisboa.

Trata-se de dar prioridade àqueles que estiveram no título continental. Como a referência da UEFA é o início das eliminatórias, quem nasceu a partir de janeiro de 1988 pode ser chamado. Naturalmente, Milla aproveitou para incluir veteranos no grupo parcial. O treinador convocou seis jogadores que atuaram na principal para o torneio: Azpilicueta, Capel, Javi Martínez, Mata, Thiago Alcântara e Montoya. A Espanha precisa aproveitar como puder as oportunidades de desenvolver um grupo habituado a decidir para suceder a geração vitoriosa de Casillas, Xavi, Iniesta e Villa. Esses jogadores têm a chance de guiar a seleção a mais conquistas futuramente. E, passo a passo, levar o bi olímpico já seria um belo início.

O exemplo germânico está aí. Quando os garotos da Alemanha esmagaram a Inglaterra por 4 a 0 na decisão da Euro sub-21 de 2009, ensaiavam uma inesquecível Copa com a seleção principal no ano seguinte. Neuer, Jerome Boateng, Khedira e Özil, titulares na África do Sul, arrebentaram no torneio. O fato é que a seleção espanhola da categoria é muito boa. E pensar no ouro é algo real.

Time do colunista: De Gea (Manchester United); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Didac Villà (Espanyol); Javi Martínez (Athletic Bilbao), Ander Herrera (Zaragoza); Mata (Chelsea), Thiago Alcântara (Barcelona), Muniain (Athletic Bilbao); Adrián (Atlético de Madrid).

Atualização 18h33
A Seleção Sub-21 acabou de vencer o Egito por 3x1. Enquanto a seleção de Mano suava para virar contra a Bósnia, a remontada roja saiu com tranquilidade e paciência. Álvaro Vázquez (duas vezez) e Koke marcaram. Curiosidade: a dupla é um dos bons valores da equipe Sub-20, a mesma que caiu para o Brasil no Mundial da categoria no ano passado. É difícil pensar nos dois como titular, mas é um plus de nível ao elenco. Milla iniciou o jogo num 4-3-3 ofensivo com Mariño (Villarreal B); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Dídac Villà (Espanyol); Oriol Romeu (Chelsea), Ander Herrera (Athletic Bilbao), De Marcos (Athletic Bilbao); Cuenca (Barcelona), Adrián (Atlético de Madrid), Capel (Sporting Lisboa).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Espanhóis em alta na Liga Europa

Falcão García: o colombiano desencantou e ajudou o Atlético de Madrid a seguir bem na Liga Europa (getty images)

Atlético de Madrid e Athletic Bilbao, representantes da Espanha na Liga Europa, deram demonstração de bom futebol na quarta rodada da segunda principal competição europeia, ficando muito próximo da classificação. Enquanto os colchoneros deram show e venceram a Udinese por 4 a 0, os bilbaínos ficaram no 1 a 0 contra o Salzburg, mas que garantiu a primeira colocação do grupo. O único gol dos bascos foi convertido por Ander Herrera, aos 37 minutos do primeiro tempo. O meio-campista voltou de uma lesão e foi bastante elogiado por Bielsa após a partida. Depois do gol, o Athletic apenas administrou a vantagem sobre os austríacos.

Colchoneros arrasadores
Não há outro adjetivo capaz de descrever o primeiro tempo do time colchonero senão "arrasador". Sem dar espaços e nem chances de gol para o time italiano, que jogava sem seu artilheiro Di Natale, o Atlético de Madrid foi amplamente superior ao segundo colocado do Campeonato Italiano. Logo aos cinco minutos, Falcão Garcia arriscou de longe, inesperadamente, para defesa do goleiro Handanovic, que foi pego no susto. Dois minutos depois, a consagração viria quando Adrián recebeu na entrada da área e invadiu, fintando a marcação e batendo com propriedade para o fundo das redes, sem que o goleiro esloveno pudesse reagir.

O gol precoce só inspiraria ainda mais o time madrileño, que chegou perto de aumentar a vantagem aos nove, quando Diego bateu escanteio e Falcão cabeceou da primeira trave para o desvio providencial de Domizzi. Atacando rápido e praticamente sem marcação, os rojiblancos ampliaram logo aos doze minutos, quando mais um golaço foi marcado. Falcão Garcia tocou de qualquer maneira, Antonio López deu um lindo passe de primeira e novamente Adrián apareceu para marcar o segundo. A marca registrada do início de primeiro tempo do Atléti eram os passes rápidos, com Diego controlando o meio-campo e Falcão Garcia e Adrián abrindo dos dois lados para armarem as boas chances ofensivas.

A Udinese esboçou uma reação e quase diminuiu aos 23, mas acabou perdendo o ímpeto graças à força dos colchoneros, que não desistiram de pressionar e foram em busca do resultado com base nas tabelas. E assim saiu o terceiro gol, quando Diego deixou a bola nos pés de Adrián e partiu. Nesse momento, Falcão recebeu e não titubeou para devolver ao artilheiro da noite. No último passe, Adrián deixou Diego na cara do gol para marcar e fechar o primeiro tempo de luxo do Atlético de Madrid.

A estratégia adotada pela Udinese no segundo tempo foi a mesma de todo clube que tem dificuldades para sair jogando: apertar a marcação e buscar os contra-ataques. O problema é que o time espanhol marcava bem e a última coisa que restava eram espaços. Depois de quase consolidar a goleada com Arda Turan aos 11' do segundo tempo, o Atlético de Madrid se aproveitou da ofensividade italiana para fazê-lo. E foi dos pés de Falcao Garcia, que já estava merecendo marcar, aos 22', após o colombiano cortar o brasileiro Danilo e ficar livre na área para mandar por cima de Handanovic, marcando o quarto gol.

Em mais uma falha de marcação de Danilo, o time de Manzanares quase aumentaria o placar. No contragolpe, Falcão fintou o brasileiro e dividiu com Domizzi. A bola sobrou para Koke, que havia acabado de entrar e quase marcou o quinto gol colchonero. Aos 30', outra oportunidade desperdiçada pelo colombiano, que disparou um petardo com o pé esquerdo e obrigou o esloveno a praticar uma defesa difícil. Nos últimos minutos, depois de pressionar e não conseguir aumentar a contagem, o Atlético de Madrid tocou a bola de lado e aguardou o apito final, sem sustos.

Com o resultado, o Atléti fica na ponta do Grupo I com sete pontos somados, mesmo número da Udinese, que marcou dois gols a menos no confronto direto - critério de desempate da competição. Nos terceiro e quarto lugar, respectivamente, seguem o Celtic, com cinco pontos e o Rennes, que paralisou nos dois. Ainda nessa quinta-feira, os escoceses venceram por 3 a 1.

sábado, 30 de julho de 2011

"Reyes" do sofrimento

O Atlético de Madrid estreou vencendo, mas gol sofrido no final deixou o alerta ligado (reuters)

Na quinta-feira (28), o Atlético de Madrid entrou em campo para seu primeiro jogo oficial na temporada 2011/2012. Pela fase eliminatória da Liga Europa, os colchoneros receberam os noruegueses do Stromsgodset e estrearam com o pé direito. Porém, a vitória por 2 a 1 deixa o alerta do Atléti ligado: no jogo da volta, uma vitória simples do Stromsgodset elimina os rojiblancos da segunda principal competição europeia.

O jogo deu algumas dicas de como deverá jogar o Atlético de Madrid de Gregório Manzano na temporada, mas deixou clara a deficiência da equipe na falta de um armador. Adepto do 4-4-2 a rombo (esquema que depende de um enganche), Manzano optou pelo esquema na forma de um quadrado. Nos flancos, Juanfran e, principalmente, Reyes imprimiram bastante velocidade. O camisa 18 foi o principal destaque da equipe na estreia: autor de um doblete, Reyes mostrou que segue voando após o final de temporada abaixo da média devido ao desgaste físico. Vale lembrar que, na temporada passada, o meio-campista foi um dos mais utilizados pelo técnico Quique Sánchez Flores.

Os estreantes Silvio, Miranda e Adrián tiveram desempenhos opostos: enquanto Silvio não teve nenhum problema no lado direito da zaga, Miranda mostrou-se bem enrolado quando os noruegueses atacavam pelo seu setor. Para completar a estreia bem fraca, o brasileiro foi expulso diretamente após falta em Sankov. Adrián, por sua vez, foi um dos artífice da vitória colchonera e mostrou uma invejável forma física para quem, praticamente, não teve férias. Destaque do rebaixado Deportivo na temporada passada, o atacante mostrou que pode ser um bom substituto de Agüero, apesar do adversário não ser dos melhores. Dos pés do atacante, nasceram os dois gols de Reyes na partida.

Após muitas especulações e um fim de temporada como verdade incógnita, Forlán está disposto a recuperar o tempo perdido. Quatro dias após comemorar o título de Copa América, o uruguaio dispensou a folga dada por Manzano e se reapresentou dois dias depois para jogar a partida. El Cachavacha, apesar do lançamento para Adrián ajeitar para Reyes no primeiro gol, sentiu um pouco o cansaço e foi substituído no segundo tempo, sendo ovacionado pelos aficionados da casa. Apesar do bom jogo do setor ofensivo, a zaga voltou a assustar. Storflor, autor do gol do Stromsgodset, aproveitou erro de posicionamento de Perea e Alvaro Domínguez para marcar.

Na coletiva pós-jogo, Manzano lamentou o erro da zaga e acomodação da equipe após o segundo gol. De acordo com o técnico, o jogo da volta irá requer uma séria de atenção, pois o adversário, certamente, estará bastante confiante. Manzano também aproveitou para dizer que, com apenas 24 dias de trabalho, não pode exigir tanto de seus comandados, mas deixou claro que a principal característica desse time já se mostrou: volume de jogo e velocidade. O jogo de volta acontece na quinta-feira (4), na Noruega.

Mercado
No dia do confronto contra os noruegueses, a novela Agüero chegou ao fim: o Manchester City desembolsou cerca de 45 milhões de euros para tirar Kun do Atlético de Madrid. Sem seu destaque na temporada passada, a diretoria colchonera segue atrás de um atacante para suprir a ausência do argentino. Por enquanto, quatro nomes estão em pauta: Giuseppi Rossi (Villarreal), Falcão García (Porto), Haedo Valdez (Hércules) e Osvaldo (Espanyol) são os nomes mais especulados para o ataque rojiblanco. O ítalo-argentino do Espanyol teve uma proposta de 12 milhões de euros negada no início da semana (o Espanyol está pedindo 20 milhões de euros, o que o Atlético de Madrid não está disposto a pagar). No momento, o mais acessível é o paraguaio do Hércules. Sua cláusula de rescisão é de 5 milhões de euros, o que teria feito os dirigentes colchoneros olharem de bons olhos. Em enquete feita pelo AS, os torcedores preferem Rossi para fazer dupla com Forlán. Porém, o alto preço do ítalo-americano e do colombiano do Porto fazem com que a dupla seja descartada.

Para o problema da criação, a solução pode ser o brasileiro Diego. Hoje, o pai e agente do meio-campista, Djair Ribas, afirmou ao AS que a transferência de seu filho pode ser concluída em breve. Segundo Djair, Diego vê o Atlético de Madrid com bons olhos e só está esperando o acordo de ambos os clubes para se transferir para Manzanares. O objetivo do Atlético de Madrid é pagar menos de 10 milhões pelo brasileiro, que foi comprado pelo Wolfsburg junto à Juventus por 16 milhões de euros. Outro meio-campista (mas não armador) especulado é Griezmann (Real Sociedad). O francês declarou publicamente que deseja reforçar o Atlético de Madrid, mas isso depende de seu clube atual. A primeira proposta pelo extremo foi negada pelo clube basco: 7 milhões de euros + Raúl García e o empréstimo de Mérida. O clube donostiarra já avisou que só vende seu prodígio se multa rescisória (25 milhões de euros) for paga.

domingo, 26 de junho de 2011

A cereja do bolo

Excelente geração espanhola deixou boa imprensão na Euro Sub-21, coroada com o título invicto da competição (AS)

Após garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, restava à Espanha a cereja do bolo: conquistar o título da competição após treze anos. Mantendo seu estilo e sem levar sustos como na semifinal, a Espanha não teve muita dificuldade para bater a Suiça por 2 a 0 e conquistar o tri-europeu da categoria sub-21. Após a decepção contra a Inglaterra, a euforia ante República Tcheca e Ucrânia, e o sofrimento ante a Bielorrúsia, a Roja não quis experimentar um novo tipo de ânimo frente a Suiça, seleção que chegava à final invicta e sem sofrer nenhum gol.

A seleção alpina chegava à final com múltiplas possibilidades de criar problemas à Espanha. Afinal, a base desta seleção, que promete dificultar a vida das principais seleções nas Olimpíadas, é a mesma que ganhou o Mundial Sub-17 em 2009. Porém, a qualidade espanhola praticamente anulou as peças-chaves da seleção suiça. Javi Martínez e Mata, primeiros jogadores da história da competição a ganhar a Copa do Mundo antes da Euro, lideraram uma equipe com bastante jogadores promissores: Thiago Alcântara, Muniain, Ander Herrera, Adrián López - artilheiro e eleito o melhor do torneio -, Montoya e Didac deixaram o campeonato com boas imprensões.

O título é uma premiação ao excelente trabalho de Luis Milla, que não ousou em mexer na equipe até achar o módulo e a escalação perfeita. O 4-4-2 - esquema muito priorizado pelo treinador - da fase eliminatória e da estreia do campeonato não deu certo na competição, e Milla optou por um compacto 4-2-3-1 que variava para um 4-1-4-1 nas jogadas de ataque. Com Ander Herrera dando equilíbrio no meio, uma linha de três letal formada por Mata, Thiago e Muniain e Adrián saindo-se muito bem como única referência na frente, a Fúria desempenhou o futebol mais bonito da Euro e mostrou que a geração campeão europeia e mundial está bem servida para as próximas copas. O corte de Canales, um dos principais jogadores da primeira fase, no final de contas, acabou não fazendo tanta falta, apesar da equipe perder um pouco no drible para ganhar mais na priorização da posse de bola com a entrada de mais um meio-campista (no caso, Muniain).

A final
A primeira chance real de gol aconteceu aos 29 minutos de jogo. Depois de receber um cruzamento, Xherdan Shaqiri pegou de primeira e mandou uma bomba contra as metas espanholas. David de Gea espalmou e a pelota foi para escanteio. A Espanha respondeu sete minutos depois, em uma boa finalização de fora da área de Thiago Alcântara. Mas a bola passou à direita do goleiro Yann Sommer. Aos 41 minutos, a Roja abriu o placar. Didac Villà cruzou na medida para Ander Herrera, que cabeceou e fez o primeiro gol da partida.

No segundo tempo, aos seis minutos, Innocent Emeghara ficou frente a frente de David de Gea. O suíço deu um chute fraco e rasteiro e o goleiro não teve dificuldades para segurar a bola. A Espanha tentou fazer o segundo gol, aos 17 minutos, em chute alto de Javi Martínez, depois que este recebeu de Thiago Alcântara. Os suíços quase igualaram o marcador aos 33. Shaqiri cobrou falta e Timm Klose cabeceou. A pelota passou a direita de David de Gea. Aos 36,' a Roja aumentou o marcador, em um golaço de Thiago Alcântara. O filho do ex-jogador Mazinho cobrou falta e não deu chance de defesa para o goleiro suíço.

Com 2 a 0 no placar final, a Espanha se sagrou tricampeã do Europeu sub-21. A Roja já tinha conquistado a competição em 1986 e 98. A Suíça, por outro lado, nunca tinha alcançado a final do sub-21.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fúria olímpica

É festa: Espanha bate Bielorrúsia na prorrogação e, onze anos depois, garante vaga nas Olimpíadas (AS)


Custou mais que o previsto, mas a Espanha deu a volta por cima e assegurou a vaga para a final da Eurocopa Sub-21 e para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Onze anos após a última participação em uma Olimpíadas, quando acabou ganhando a medalha de prata após perder para Camarões na final, a Fúria está de volta a competição para tentar a segunda medalha de ouro de sua história (a primeira, em 1992, em Barcelona). Os comandados de Luis Milla começaram perdendo, mas Adrián, com gois gols, e Jeffren viraram para a roja.

Durante os primeiros 90 minutos, a Bielorrúsia dificultou muito a vida da fúria. No momento em que a Espanha jogava melhor, Voronkov acertou um belo chute para vencer De Gea e abrir o placar para os bielorrussos. Daí em diante, a Fúria teve que jogar com a paciência, uma das principais virtudes da seleção sub-21 no torneio. No segundo tempo, a Roja cresceu um pouco de produção. Contudo, não levava muito perigo às redes de Gutor devido a boa defesa da Bielorrúsia.

Para abrir mais o jogo e explorar os lados do campo, Luis Milla optou por sacar Muniain e Ander Herrera, bem abaixo da média na partida, para colocar em campo Jeffren e Capel nos flancos. Com isso, trocou o módulo espanhol para um 4-1-4-1, com Javi Martínez como único jogador atrás da linha de quatro. Jeffren, entretanto, parecia nervoso e entrou errando tudo que tentava. Didac, pela esquerda, deu boas opções ofensivas ao subir bastante e Mata começou a subir de produção.

Antes dos 40', Milla optou por uma nova troca e uma nova formação: Alvaro Domínguez deu vez a Bojan e a seleção espanhola mudou para um 3-1-4-2. Com mais um atacante com presença de área, Adrián passou a se movimentar mais na zaga adversária e cresceu na partida. Aos 43', o novo jogador do Atlético de Madrid recebeu de Jeffren e bateu firme para igualar o marcador e fazer Milla respirar aliviado.

Na prorrogação, a Bielorrúsia mostrou-se claramente cansada, e a Fúria aproveitou para selar a classificação à final. Jeffren e Capel passaram a participar mais da partida e Javi Martínez foi boa opção para o ataque. Aos 15 minutos do primeiro tempo extra, Diego Capel chutou de voleio e Adrián cabeceou e marcou o gol da virada. Jeffrén Suárez balançou as redes para os espanhóis aos oito do segundo tempo da prorrogação. O meia-atacante do Barcelona fez um golaço depois de pegar o rebote. Agora, a seleção de Luis Milla irá encarar a Suiça, que venceu seus quatro jogos na competição. Porém, a concentração na final fica para depois: após doze anos, a seleção espanhola está de volta aos Jogos Olímpicos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Avante

Melhor jogador da Eurocopa-Sub21 ao lado de Thiago, Mata marcou dois e deu mais uma assistência (reuters)

De forma tranquila, a seleção espanhola sub-21 venceu a Ucrânia por 3 a 0 e garantiu uma vaga na semifinal da Eurocopa da categoria. A vaga nas Olimpíadas de Londres 2012, no entanto, ainda não está garantida: devido a eliminação da Inglaterra, que perdeu para a República Tcheca, a Espanha ainda terá pela frente a seleção da Bielorrúsia para, se vencer, confirmar a classificação ao torneio. Ao término da fase de grupos, a seleção de Luis Milla termina na primeira colocação com sete pontos, duas vitórias e um empate.

Contra a Ucrânia, a Espanha voltou a jogar em alto estilo. Novamente escalada no 4-5-1, os espanhóis não suaram muito para chegas às redes ucraniana. O meio-campo foi o principal setor novamente e ratificou a ideia de que a seleção espanhola está muito bem servida nesta posição. Thiago brilhou, Muniain deu mais dinâmica, Javi Martínez fortaleceu, Ander Herrera deu um toque especial e Mata decidiu: foram dois gols e mais uma assistência para Adrián marcar, contabilizando sua terceira no torneio, líder máximo no quesito. O jogador do Valencia, junto com Thiago Alcântara, está brilhando na competição e, para muitos, já pode ser considerado o melhor jogador desta Euro.

A chave da seleção de Luis Milla é ser uma versão "light" da seleção principal. Aplicados, concentrados e velozes, La Rojinha é disparadamente a seleção favorita a conquistar a Euro Sub-21. Ontem, a Ucrânia, bastante inofensiva, sofreu nas mãos dos comandados de Milla. Um pouco sumido na primeira etapa, Thiago acordou no segundo tempo e mostrou ser bastante decisivo quando explorado. O segundo gol de Mata, de pênalti, teve participação do meia do Barcelona. Outro jogador das canteras do Barcelona que vem fazendo belo torneio é o zagueiro Montoya. Seguro e perigoso nos escanteios ou faltas cobradas para a área adversária, Montoya já vem sendo comparado com Piqué.

Mas nem todos estão satisfeitos nos vestiários. Bojan, reserva de Adrián, está ganhando poucos minutos e "reclamou" abertamente com Luis Milla. Em três partidas, Bojan disputou apenas 20 minutos, o suficiente para, em declarações ao Marca, dizer que "tem potencial e que poderia ser aproveitado mais". A Espanha, campeã europeia sub-21 em 1986 e 1998, caminha firme para o tricampeonato e, na quarta-feira, fará sua primeira final, contra a Bielorrúsia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais tranquilo

Agora sim: com Mata mais efetivo do na estreia e dois gols de Adrián López, a seleção espanhola sub-21 venceu e está a um empate das Olimpíadas de Londres 2012 (getty images)

Após o empate na estreia e a certa decepção pelo futebol não apresentado, a Espanha conseguiu seus três primeiros pontos na Eurocopa Sub-21. Contra a República Tcheca, que ainda não havia perdido nenhuma partida desde a fase eliminatórias, a seleção de Luis Milla animou e, ao contrário da partida contra os ingleses, o ataque mostrou uma enorme evolução. Com Muniain no lugar de Jeffren, a seleção ganhou mais velocidade e drible pelo lado esquerdo do campo e o 4-5-1, com Mata, Thiago e Muniain auxiliando Adrián López, deu certo. A pressão por um retumbante fracasso na competição caiu por água abaixo após o jogo, já que, no momento, um simples empate diante da Ucrânia na última rodada classifica a seleção espanhola.

Com uma única mudança em relação à estreia, a Espanha mostrou desde o início sua proposta de jogo: ter a posse de bola e não deixar o adversário respirar na partida. Escalada na 4-1-4-1, a República Tcheca pouco ameaçou a meta de De Gea, que pela segunda vez consecutiva não teve que se esforçar muito. O meio-campo formado por Javi Martínez, Ander Herrera, Thiago Alcântara e Mata deu muito certo e tomou conta da partida. Com 62% da posse de bola, destaque para a entrada de Muniain na equipe titular, dando mais mobilidade à equipe. Mata, um pouco exausto na estreia, esteve mais solto hoje e provou a condição de maestro desta equipe: deu duas excelentes assistências para os tentos de Adrián López e já vem sendo alcunhado pela imprensa espanhola de "Iniesta da Sub-21".

Javi Martínez, que, junto com Mata, esteve no título mundial da seleção principal na África do Sul, voltou a se destacar na volância. Por ali, anulou Moravek, principal armador da seleção tcheca. Ander Herrera, que teve uma notável estreia, voltou a ter destaque, aliando a elegância com a dura marcação. Na defesa, bela partida de Álvaro Domínguez, que teve a dura missão de marcar Pekhart, maior artilheiro da história da seleção de base da República Tcheca, e Didac, que mostrou um belo físico ao participar frequentemente das jogadas de ataque e ajudar na marcação. Com 2 a 0, Milla promoveu as entradas de Diego Capel e Parejo nos lugares de Muniain e Adrián. Sem um atacante de referência, a Fúria passou a inoperar os ataques, mas, com a posse de bola, não sofreu muito com os tchecos.

Com a vitória e precisando apenas de um empate para confirmar a classificação à final e à Olimpíadas de Londres, a tranquilidade voltou ao ambiente rojo. O pessimismo até exagerado após o jogo contra a Inglaterra se desapareceu por completo e a boa notícia foi que os pendurados Thiago e Ander Herrera, dois dos principais jogadores da seleção na Eurocopa, não receberam cartão amarelo, tendo participação confirmada para o jogo contra a Ucrânia. A partida acontece no sábado, 18, às 15h45, horário de brasília. No outro jogo do grupo, ingleses e ucranianos ficaram no 0 a 0.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Amargo no final

Thiago Alcântara foi eleito o melhor em campo pela Uefa, mas não evitou o empate da seleção espanhola na estreia na Eurocopa Sub-21 (getty images)

A Espanha Sub-21 estreou ontem na Eurocopa da categoria, que dá três vagas para as Olimpíadas de Londres, em 2012, contra a Inglaterra. Apesar de não ter jogado muito bem, a seleção de Luis Milla teve o controle de jogo durante boa parte dos noventa minutos, mas, em um descuido da zaga, acabou sofrendo o empate no final com gol deWelbeck. O próximo compromisso é na quarta-feira (15) contra a República Tcheca. Possivelmente, a equipe entrará pressionada por uma vitória, já que um possível revés a colocaria a um passo da eliminação.

Como previsto, o 4-3-3 especulado pela imprensa espanhola antes da partida tornou-se um 4-4-2, com Mata exercendo a função que costuma desempenhar no Valencia. Com liberdade para jogar, no entanto, o meio-campista sentiu um pouco o cansaço de fim de temporada, levando perigo às redes Fielding apenas em alguns lampejos. Javi Martínez, jogando no lugar de Busquets, que está com a seleção principal, foi bem na proteção a zaga, formada por Botía e Álvaro Domínguez. Tocando bem a bola, a Espanha chegava ao ataque e teve algumas chances depois do gol, em tentativas de penetração pelo meio. O sistema defensivo da Inglaterra conseguiu impedir os espanhóis de criarem chances claras. Sobre o tento, polêmica. Em um escanteio, a bola foi desviada para a segunda trave e Ander Herrera tocou para o gol. O replay mostrou que ele usou a mão no lance, irritando os jogadores da seleção inglesa

Adrián e Jeffren, a dupla de ataque, não se saíram bem. O barcelonista, não muito acostumado a jogar de segundo atacante, foi anulado por Betrand, enquanto Adrián, jogando de referência, foi peça-nula no ataque. O resultado dessas falsas mesclas se traduziu em uma escasses preocupante de ocasiões e profundidade. Faltou para a seleção espanhola mais pegada e, para isso, Canales, que foi cortado, fez falta. Seguros na defesa, os ingleses passaram a ter mais volume ofensivo. Chegando muito pelos lados do campo, o English Team teve duas chances pela esquerda com Danny Rose. O atacante Daniel Sturridge também teve boa chance antes do apito do intervalo.

Depois de terminar o primeiro tempo pressionando a Espanha, a Inglaterra voltou do intervalo cadenciando o jogo. Pouco conseguiu chegar à frente. A Espanha, aos poucos, passou a dominar a posse de bola. Muito por causa do bom futebol apresentado por Ander Herrera. Incansável, o novo jogador do Athletic Bilbao domou o meio-campo inglês, jogando um pouco mais atrasado do que de costume. Extremo direito no 4-2-3-1 do Zaragoza, Ander desempenhou papel à Borja Valero no Villarreal (ajudando na marcação e participando das armações das jogadas). Ao lado de Thiago Alcântara, que foi eleito o melhor em campo pela Uefa, e Didac Villà, que, mal aproveitado pelo Milan, confirmou sua volta ao Espanyol seis meses depois de sua saída, foram os que tiveram estreias aprovadas. Aos 43' do segundo tempo, Kyle Walker fez uma grande jogada pela direita, tocou para Danny Welbeck sozinho dentro da área tocar, colocado, no canto baixo do goleiro e sair para comemorar: 1 a 1.

Milla sabe que tem problema para escalar o ataque: no segundo tempo, promoveu as entradas de Dani Parejo e Bojan nos lugares de Jeffren e Adrian e o setor continuou improdutivo. Parejo, que foi confirmado no Valencia, também foi improvisado como segundo atacante. Diego Capel, opção no banco para a posição, acabou entrando mais recuado como de costume e confirmou a enrolada estreia de Luis Milla na Euro. Como disse Fran Villalobos para o Marca, "o técnico espanhol tem um trabalho pela frente para dar um onze inicial seguro para a seleção, caso não queira ter férias antes do desejado".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Deportivo La Coruña

Fato: o Deportivo, única equipe da região da Galícia a conquistar a primeira divisão espanhola, irá disputar a Liga Adelante em 2011/2012 (getty images)

Campanha: 18ª colocação, 38 jogos, 10 vitórias, 13 empates e 15 derrotas. 31 gols pró e 47 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas quartas-de-finais para o Almería.
Time-base: Aranzubia; Laure, Lopo, Colotto, Manuel Pablo; Juan Rodríguez, Rubén Pérez, Valerón, Guardado; Riki, Adrián.
Os artilheiros: Adrián (10 gols), Lassad (5), Riki (3).
O técnico: Miguél Ángel Lotina.
O destaque: Adrián López.
A decepção: Riki.

A equipe de Miguel Ángel Lotina deu até logo à Liga BBVA justamente quando iria completar 20 anos de seu último acesso. A equipe, única da região da Galícia a conquistar o título da primeira divisão nacional, conquistou durante esses vinte anos, além da Liga BBVA, duas Copa do Rei e três SuperCopa da Espanhola, além de chegar às semifinais da Liga dos Campeões da Uefa. O rebaixamento, apesar de doloroso, foi justamente merecido: o Deportivo pagou pelo preço de ter sido inconstante. Começou a temporada mal, teve uma boa reação, mas, de repente, caiu de produção e entrou na zona de rebaixamento. Outro ponto negativo é um clube do tamanho do Deportivo ter que depender de um jovem de 21 anos, Adrian López, que já acertou sua ida ao Atlético de Madrid, e dos lampejos do veterano Valerón, que confirmou ficar na equipe para a disputa da Liga Adelante. Apesar de contar com Adrian, a falta de um ataque mortal fez muita falta ao Deportivo. A exemplo de comparação, os blanquiazules terminaram a competição com 31 gols: Cristiano Ronaldo, o artilheiro histórico, marcou 40 vezes, enquanto Messi, vice-artilheiro, balançou as redes as mesmas 31 vezes que os galegos.

A queda do clube galego não chega a ser surpreendente. A equipe vem com problemas financeiros há anos e cai na tabela a cada campeonato. Mas a reação à queda tem sido positiva em La Coruña. A torcida preferiu demonstrar apoio ao elenco e à tentativa de reconstrução da equipe. Além disso, o presidente Augusto César Lendoiro já anunciou que pretende renovar com alguns jogadores, como o zagueiro Diego Colotto. O contrato do argentino se encerra ao final da próxima temporada. Renovar com um dos nomes mais benquistos pela torcida indica que o clube imagina estar de volta à elite em 2012/13.

Outro sinal de mobilização foi o rápido anúncio do novo técnico. José Luis Oltra é o substituto de Miguel Ángel Lotina. O treinador teve sucesso quando implantou o 5-3-2, mas as muitas lesões, sobretudo na zaga, o fizeram mudar para o desprevenido 4-3-3. O currículo do novo comandante é irregular. Teve um grande momento ao levar o Tenerife de volta à primeira divisão em 2008/09, mas seus demais trabalhos tiveram resultados medianos. De qualquer maneira, o clube já inicia a preparação para a próxima temporada, sem perder tempo com lamentações. O retorno imediato à elite é fundamental para o futuro deportivista. O clube estava em péssima situação financeira há dois anos. A diretoria cortou gastos e investimentos em todas as áreas e, só no último ano, as dívidas caíram em € 20 milhões (mas ainda é alta: € 87 milhões). Cair para a Segundona permite ao Deportivo gastar menos com jogadores, mas não é o suficiente para compensar a queda no faturamento com TV, patrocínio e, eventualmente, bilheteria.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Deportivo La Coruña

O Deportivo sonha com alguma competição europeia, mas o ataque improdutivo complica (reuters)

Campanha
13ª posição. 16 jogos, 18 pontos. 4 vitórias, 6 empates e 6 derrotas. 13 gols pró e 19 gols contra.

Técnico
Miguel Ángel Lotina. Na temporada passada, o Deportivo viveu um primeiro semestre muito bom, chegando a ocupar a terceira posição do campeonato. Porém, o cenário começou a ficar turbulento após a lesão de Filipe Luís e, a partir daí, os blanquiazules caíram numa má fase brusca. Boa parte do sucesso do primeiro trimestre era por causa do módulo 5-3-2 de Lotina, que privilegiava a defesa. Porém, de uma hora para outra, Lotina resolveu começar o campeonato em um 4-3-1-2, o que fez o Deportivo chegar a assumir a último posição. Sem opção, restou a Lotina voltar ao 5-3-2, que logo deu resultado. Com uma defesa sólida e poucas vezes ameaçada, o Deportivo voltou a respirar aliviado na competição, e o rebaixamento parece longe. Disputar uma competição europeia é o desejo de Lotina.

Destaque
Guardado. O mexicano começou muito bem a temporada comandando o meio-campo galego. Em votação recente no país, foi considerado o segundo melhor jogador do México, ficando atrás apenas do mancuniano Javier Hernándes, o Chicharito. No entanto, Guardado se lesionou e ficou afastados algumas rodadas, que acabaram essênciais à recuperação do Depor na competição. Nesse tempo, foi o espanhol Antonio Tomás que apareceu bem e não deixou o padrão de jogo do meio-campo cair.

Decepção
O ataque. Os torcedores galegos são, definitivamente, orfãos de Roy Makaay e, principalmente, Diego Tristán. Há muito tempo o ataque blanquiazul não impõe respeito desde a ida de Tristán ao futebol inglês. Com apenas 13 gols marcados, o Deportivo tem o terceiro pior ataque da compeitção. O promissor Adrián Lopez ainda não despontou e só conseguiu balançar as redes duas vezes até aqui. Riki não passou de um tento. A recuperação do bom momento desses jogadores vai ser essencial para definir se o time terá ou não condições de disputar uma competição europeia.

Perspectiva
Meio da tabela ou competição europeia. Não dá para saber realmente o que esperar desse Deportivo. A defesa é sólida; porém, o ataque é improdutivo. Uma sequência de vitórias é o necessário para fazer a equipe acreditar que pode chegar numa Liga Europa. Segundo o defensor Zé Castro, o grupo encontrou confiança recentemente. E, com confiança, um bom meio-campista como Guardado, um goleiro regular como Aranzubia e gente como Lopo, Tomás e Lassad é possível, sim, sonhar.