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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

8ª rodada: Azul e grená são as cores

Para o alto, e avante: após vencer o Real Madrid, o Levante deu mais uma prova de força ao bater o Málaga. Quem para a sensação espanhola? (reuters)

Com uma postura cada vez mais convincente, o Levante fez mais uma vítima no campeonato. Em mais um grande teste, os azulgrenás foram aprovados após vencerem com contundência o Málaga por 3 a 0 no Ciutat de Valencia. Os andaluzes não suportaram o voo de um time muito bem armado, que tem uma base sólida na defesa e joga sem sofrer riscos. Enquanto o azul e grená de Valencia vai bem, o branco e negro do principal clube da cidade decepcionou: numa partida na qual dominou por completo o Mallorca, mas prendeu muito o jogo, o Valencia sofreu o castigo no último suspiro do duelo, permitindo o empate dos baleares na estreia de Caparrós. A rodada também marcou as novas decepções de Getafe e Villarreal, a recuperação de Zaragoza e, principalmente, Athletic Bilbao, que convenceu contra o Osasuna, e a continuação da invencibilidade de um inconstante Sevilla, que derrotou o Sporting Gijón e continua sem perder no campeonato. Confira, abaixo, o resumo da oitava rodada da Liga BBVA.

Levante 3x0 Málaga
Os granotes atravessaram sem maiores traumas um dos desafios mais complicados deste início de temporada: o Málaga de Pellegrini, que vem em boa fase. Se ainda havia alguém que desconfiasse dos valencianos mesmo após a vitória contra o Real Madrid, a equipe de Juan Ignácio Martínez segue calando a boca dos críticos: ontem, venceu com autoridade os blanquiazules, que foram engolidos pelos donos da casa. O Ciutat de Valencia é um dos maiores trunfos da sensação da temporada: nos últimos 13 jogos no estádio, os levantinos só perderam uma (incluindo aí partidas contra Barcelona e Real Madrid). O bom desempenho do Levante tem a ver com as palavras que Juan Ignácio Martínez passa aos seus comandados e a humildade com a qual o elenco trata esse período da equipe: no vestiário ninguém fala de título, Champions ou Liga Europa. O objetivo maior é conseguir a permanência na Liga. E, nesse ponto, os azulgrenás já estão muito bem encaminhados: com 17 pontos e a co-liderança ao lado do Barcelona, o Levante já acumula dois pontos a mais que os 15 conseguidos no primeiro turno da liga passada.

O Málaga sentiu muito a falta de Júlio Baptista. Isco, titular pela primeira vez na temporada, não substituiu o brasileiro à altura e foi peça-nula na esquerda. Cazorla, que começou a temporada muito bem, também não resistiu à dura marcação levantina e passou despercebido no duelo. A expulsão de Caballero foi determinante: expulso de maneira infantil (e até rigorosa), após "colocar" a mão na bola fora da área, o goleiro ainda viu o segundo gol do Levante sair na falta oriunda de sua expulsão e seu reserva, Rúben, cochilar também infantilmente frente a Koné no terceiro gol. O dia após a derrota ante o Levante foi de reflexão, visando o próximo jogo do Málaga: o Real Madrid, no La Rosaleda. Hoje, em entrevista à rádio Onda Cero, o treinador chileno criticou Florentino Pérez e José Mourinho, a quem já havia criticado na temporada passada.

Athletic Bilbao 3x1 Osasuna
Marcelo Bielsa já respira. Não bastasse a vitória no dérbi, o Athletic Bilbao deu mais uma prova de recuperação na temporada ao bater com contundência o Osasuna, em nova boa partida de Muniain. O treinador argentino, dessa vez, não inventou: jogou no 4-2-3-1 com Javi Martínez na volância (tem sido zagueiro neste início de temporada) e viu a melhor partida dos leones desde sua chegada ao País Basco. De pouco e pouco o estilo de jogo do treinador vai funcionando. Contra os rojos, vimos um Athetic Bilbao menos vertical que os jogos passados e praticando um futebol mais elaborado, com boas trocas de passes e prezando pela posse de bola. Muniain está em estado de graça: autor de um gol, La Joya, como vem sendo tratado por Bielsa, só cresce desde a chegada do argentino. Atrevido e ousado, o jogador marcou mais um gol e foi novamente o melhor em campo, jogando um pouco mais centralizado como de costume.

O Osasuna se entregou aos bascos à medida que os minutos passavam. Após iniciar o duelo com intensidade, caíram muito de produção após o 1 a 0 e morreram depois do 2 a 0, marcado por Gabilondo. Lamah foi o melhor rojillo em campo, dando muito trabalho a Ekiza e Amorebieta, e desbordando graças à sua velocidade. Contudo, acabou expulso após dar um tapa na cara de Muniain, mostrando um gesto de impotência. A defesa, mais vazada da competição, preocupa: já são 15 gols sofridos em apenas sete jogos. Para completar, o iraniano Masoud, que está fazendo muita falta no meio-campo rojillo, pode ficar mais seis meses de baixa após complicações na fratura no pé esquerdo. Quando a fase não é boa, nada dá certo.

Sevilla 2x1 Sporting Gijón
O Sevilla tinha que ganhar a partida ante o Sporting e ganhou. Sempre que continuar fazendo o que tem de ser feito, irá trilhar o bom caminho. O Sevilla de Marcelino está se convertendo em uma equipe confiável, que ganha quando tem de ganhar com mais ou menos sofrimento, e que quando não consegue vencer, ao menos empata. Com esse invejável ritmo, o conjunto nervionense já está em postos de Champions e se abastece de pontos antes de viajar para Barcelona. Não é um mal começo. É possível pedir mais a essa equipe, claro. Sobretudo mais continuidade no jogo, mais regularidade para dominar os rivais, mais controle de bola talvez, e por alguns momentos, mais presença ofensiva. Porém, o Sevilla segue oferecendo grandes serviços atrás (Varas esteve ótimo, Spahic esteve gigante e Escudé esteve regular), maneja os ritmos da partida perfeitamente e independente do resultado, dá a sensação de ter a situação sob controle. É aguerrido, muito aguerrido, e complicado.

O Sevilla desse domingo não foi brilhante, e não foi até hoje na Liga, mas foi efetivo, tremendamente efetivo. Nessa partida recebeu um gol, o que frustrou o récorde de imbatibilidade de Varas, mas Manu Del Moral se encontrou com as redes de forma impressionante, que aclarou seu panorama desde o começo da temporada e também o do Sevilla na partida. O conjunto nervionense, quando não tinha ainda as idéias claras ante um Sporting valente, se encontrou com o marcador à favor e optou pela solução que marca a toada de Marcelino nesses casos: recuar, dar um passo atrás e buscar definir nos contra-ataques ante uma adiantada defesa asturiana. Porém, o Sevilla não encontrou esses contra-ataques. Os jogadores de Preciado recuperavam quase sempre a bola e as imprecisões dos anfitriões não permitiram a criação de jogadas que metessem medo nos sportinguistas. Sofreu em algumas jogadas na área e novamente surgiu a figura de Varas, melhor goleiro do campeonato até aqui. Porém, teve chances em alguns contra-ataques desperdiçados. Assim chegou ao fim da partida, onde foi regular para matar o encontro e somar outros três pontos que colocam os nervionenses na zona nobre da classificação, e invictos.

Mallorca 1x1 Valencia
Matar a partida ou cozinhar à espera do apito final do árbitro? O Valencia que foi a Palma de Mallorca optou pela segunda opção e acabou engolindo em seco o gol de Hemed, de pênalti, aos 49 minutos do segundo tempo. Pênalti, aliás, que gerou muita discussão e resultou na expulsão do bom zagueiro Rami, que, segundo Paradas Romeros escreveu na súmula, o chingou com palavras de baixo calão no caminho ao vestiário após o término do jogo (o jogador teria chingado a mão do árbitro). A arbitragem de Paradas foi bastante controversa: os chés, além do pênalti mal marcado de Topal, reclamaram de um pênalti não marcado de Chico em Piatti quando o jogo ainda estava zero a zero. Para o Mallorca, valeu pela persistência. Na estreia de Caparrós, o ponto foi comemorado pelo treinador, que pediu mais o futebol apresentado no segundo tempo e menos apresentado no segundo tempo. O gol de Hemed foi o terceiro do israelense em três jogos, marca obtida somente por Eto'o, na temporada 2004/2005.

Getafe 0x0 Villarreal
Decepceções. Não há outra palavra que define melhor Getafe e, sobretudo, Villarreal. Os azulones por terem feito um ótimo mercado, ambicioso, e ter começado a Liga com uma vontade de brigar por competições europeis. Os amarillos pelos simples fato de ter conseguido manter Rossi e Nilmar em seu elenco. Os atacantes, por enquanto, não têm decepcionado, mas parecem sozinhos imerso num confuso Villarreal. O meio-campo, setor de destaque da equipe na temporada, bate cabeça sem a presença de Cazorla. De Guzmán, inexplicavelmente, tem jogado como armador da equipe com Borja Valero lesionado, em uma das ações sem explicação de Garrido. E é assim, com resquícios de crise, que o Submarino Amarelo viaja a Manchester para o jogo decisivo contra o Manchester City, pela LC. Sem opção, Garrido não teve outra escolha a não ser arriscar e convocar Borja Valero, que ainda não está 100%. No lado madrileño, a decepção fica por conta de Guiza, contratação mais cara da história do Getafe, mas que ainda não mostrou a que veio.

Zaragoza 2x0 Real Sociedad
Teria, tão cedo, acabado o encanto da Real Sociedad? Após começar a Liga Espanhola a todo vapor, chegando a tirar pontos do líder Barcelona, os txuri-urdins emplacaram uma sequência de três jogos sem vitórias e deixaram de vez o top-10. Em Aragão, a Real Sociedad fez sua pior partida na temporada. Com Griezmann novamente no banco e Xabi Prieto sobrecarregado no meio-campo pela má partida de Sarpong e Zurutuza, os bascos não levaram perigo algum à meta de Roberto. No lado maño, destaque para Helder Postiga, autor de um doblete, sendo um deles um golaço de bicicleta. O português, que já começava a ser questionado, respondeu à altura os críticos e foi essencial para a vitória, além de sair dem campo aplaudido pela primeira vez pela torcida. O domínio territorial valeu pela boa partida de Ponzio, que ganhou todas no meio-campo. A Real Sociedad, quem diria, tem sentido a falta de Illarramendi, lesionado. Mesmo após a terceira vitória consecutiva, Javier Aguirre manteve os pés no chão: "estou bastante satisfeito, mas ainda há muito o que trabalhar", alertou o treinador. Após o mau início de liga, o Zaragoza já soma nove pontos e ocupa a nona colocação.

Rayo Vallecano 0x1 Espanyol
Em um jogo bastante movimentado marcado pelo reencontro de Tamudo com o Espanyol, um gol de Romaric deu uma vitória merecida ao Espanyol, que segue sendo uma incógnita total. Valeu pela boa partida de Sérgio García, melhor em campo, e do canterano Thievy Bifouma, que segue caindo nas graças da torcida desde o doblete contra o Barcelona pela Copa Catalunha. Ramón Sandoval, treinador do Rayo Vallecano, foi valente o jogar num 4-2-3-1 que tornava-se um 4-3-3 super ofensivo, mas certamente não esperava um Rayo Vallecano sentindo o calor do meio-dia, horário cada vez mais contestado pela imprensa espanhola. Os ataques franjiroyos foram bastante previsíveis, sobretudo no segundo tempo, quando Christian Álvarez quase não teve trabalho. O treinador reclamou após partida da falta de ímpeto de sua equipe: "se não chutar a gol, não iremos vencer nunca", esbravejou após a partida. Pochettino, por sua vez, comemorou o resultado (merecido, nas palavras dos dois treinadores) e voltou a pedir paciência com essa "nova" equipe.

domingo, 26 de junho de 2011

A cereja do bolo

Excelente geração espanhola deixou boa imprensão na Euro Sub-21, coroada com o título invicto da competição (AS)

Após garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, restava à Espanha a cereja do bolo: conquistar o título da competição após treze anos. Mantendo seu estilo e sem levar sustos como na semifinal, a Espanha não teve muita dificuldade para bater a Suiça por 2 a 0 e conquistar o tri-europeu da categoria sub-21. Após a decepção contra a Inglaterra, a euforia ante República Tcheca e Ucrânia, e o sofrimento ante a Bielorrúsia, a Roja não quis experimentar um novo tipo de ânimo frente a Suiça, seleção que chegava à final invicta e sem sofrer nenhum gol.

A seleção alpina chegava à final com múltiplas possibilidades de criar problemas à Espanha. Afinal, a base desta seleção, que promete dificultar a vida das principais seleções nas Olimpíadas, é a mesma que ganhou o Mundial Sub-17 em 2009. Porém, a qualidade espanhola praticamente anulou as peças-chaves da seleção suiça. Javi Martínez e Mata, primeiros jogadores da história da competição a ganhar a Copa do Mundo antes da Euro, lideraram uma equipe com bastante jogadores promissores: Thiago Alcântara, Muniain, Ander Herrera, Adrián López - artilheiro e eleito o melhor do torneio -, Montoya e Didac deixaram o campeonato com boas imprensões.

O título é uma premiação ao excelente trabalho de Luis Milla, que não ousou em mexer na equipe até achar o módulo e a escalação perfeita. O 4-4-2 - esquema muito priorizado pelo treinador - da fase eliminatória e da estreia do campeonato não deu certo na competição, e Milla optou por um compacto 4-2-3-1 que variava para um 4-1-4-1 nas jogadas de ataque. Com Ander Herrera dando equilíbrio no meio, uma linha de três letal formada por Mata, Thiago e Muniain e Adrián saindo-se muito bem como única referência na frente, a Fúria desempenhou o futebol mais bonito da Euro e mostrou que a geração campeão europeia e mundial está bem servida para as próximas copas. O corte de Canales, um dos principais jogadores da primeira fase, no final de contas, acabou não fazendo tanta falta, apesar da equipe perder um pouco no drible para ganhar mais na priorização da posse de bola com a entrada de mais um meio-campista (no caso, Muniain).

A final
A primeira chance real de gol aconteceu aos 29 minutos de jogo. Depois de receber um cruzamento, Xherdan Shaqiri pegou de primeira e mandou uma bomba contra as metas espanholas. David de Gea espalmou e a pelota foi para escanteio. A Espanha respondeu sete minutos depois, em uma boa finalização de fora da área de Thiago Alcântara. Mas a bola passou à direita do goleiro Yann Sommer. Aos 41 minutos, a Roja abriu o placar. Didac Villà cruzou na medida para Ander Herrera, que cabeceou e fez o primeiro gol da partida.

No segundo tempo, aos seis minutos, Innocent Emeghara ficou frente a frente de David de Gea. O suíço deu um chute fraco e rasteiro e o goleiro não teve dificuldades para segurar a bola. A Espanha tentou fazer o segundo gol, aos 17 minutos, em chute alto de Javi Martínez, depois que este recebeu de Thiago Alcântara. Os suíços quase igualaram o marcador aos 33. Shaqiri cobrou falta e Timm Klose cabeceou. A pelota passou a direita de David de Gea. Aos 36,' a Roja aumentou o marcador, em um golaço de Thiago Alcântara. O filho do ex-jogador Mazinho cobrou falta e não deu chance de defesa para o goleiro suíço.

Com 2 a 0 no placar final, a Espanha se sagrou tricampeã do Europeu sub-21. A Roja já tinha conquistado a competição em 1986 e 98. A Suíça, por outro lado, nunca tinha alcançado a final do sub-21.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Avante

Melhor jogador da Eurocopa-Sub21 ao lado de Thiago, Mata marcou dois e deu mais uma assistência (reuters)

De forma tranquila, a seleção espanhola sub-21 venceu a Ucrânia por 3 a 0 e garantiu uma vaga na semifinal da Eurocopa da categoria. A vaga nas Olimpíadas de Londres 2012, no entanto, ainda não está garantida: devido a eliminação da Inglaterra, que perdeu para a República Tcheca, a Espanha ainda terá pela frente a seleção da Bielorrúsia para, se vencer, confirmar a classificação ao torneio. Ao término da fase de grupos, a seleção de Luis Milla termina na primeira colocação com sete pontos, duas vitórias e um empate.

Contra a Ucrânia, a Espanha voltou a jogar em alto estilo. Novamente escalada no 4-5-1, os espanhóis não suaram muito para chegas às redes ucraniana. O meio-campo foi o principal setor novamente e ratificou a ideia de que a seleção espanhola está muito bem servida nesta posição. Thiago brilhou, Muniain deu mais dinâmica, Javi Martínez fortaleceu, Ander Herrera deu um toque especial e Mata decidiu: foram dois gols e mais uma assistência para Adrián marcar, contabilizando sua terceira no torneio, líder máximo no quesito. O jogador do Valencia, junto com Thiago Alcântara, está brilhando na competição e, para muitos, já pode ser considerado o melhor jogador desta Euro.

A chave da seleção de Luis Milla é ser uma versão "light" da seleção principal. Aplicados, concentrados e velozes, La Rojinha é disparadamente a seleção favorita a conquistar a Euro Sub-21. Ontem, a Ucrânia, bastante inofensiva, sofreu nas mãos dos comandados de Milla. Um pouco sumido na primeira etapa, Thiago acordou no segundo tempo e mostrou ser bastante decisivo quando explorado. O segundo gol de Mata, de pênalti, teve participação do meia do Barcelona. Outro jogador das canteras do Barcelona que vem fazendo belo torneio é o zagueiro Montoya. Seguro e perigoso nos escanteios ou faltas cobradas para a área adversária, Montoya já vem sendo comparado com Piqué.

Mas nem todos estão satisfeitos nos vestiários. Bojan, reserva de Adrián, está ganhando poucos minutos e "reclamou" abertamente com Luis Milla. Em três partidas, Bojan disputou apenas 20 minutos, o suficiente para, em declarações ao Marca, dizer que "tem potencial e que poderia ser aproveitado mais". A Espanha, campeã europeia sub-21 em 1986 e 1998, caminha firme para o tricampeonato e, na quarta-feira, fará sua primeira final, contra a Bielorrúsia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais tranquilo

Agora sim: com Mata mais efetivo do na estreia e dois gols de Adrián López, a seleção espanhola sub-21 venceu e está a um empate das Olimpíadas de Londres 2012 (getty images)

Após o empate na estreia e a certa decepção pelo futebol não apresentado, a Espanha conseguiu seus três primeiros pontos na Eurocopa Sub-21. Contra a República Tcheca, que ainda não havia perdido nenhuma partida desde a fase eliminatórias, a seleção de Luis Milla animou e, ao contrário da partida contra os ingleses, o ataque mostrou uma enorme evolução. Com Muniain no lugar de Jeffren, a seleção ganhou mais velocidade e drible pelo lado esquerdo do campo e o 4-5-1, com Mata, Thiago e Muniain auxiliando Adrián López, deu certo. A pressão por um retumbante fracasso na competição caiu por água abaixo após o jogo, já que, no momento, um simples empate diante da Ucrânia na última rodada classifica a seleção espanhola.

Com uma única mudança em relação à estreia, a Espanha mostrou desde o início sua proposta de jogo: ter a posse de bola e não deixar o adversário respirar na partida. Escalada na 4-1-4-1, a República Tcheca pouco ameaçou a meta de De Gea, que pela segunda vez consecutiva não teve que se esforçar muito. O meio-campo formado por Javi Martínez, Ander Herrera, Thiago Alcântara e Mata deu muito certo e tomou conta da partida. Com 62% da posse de bola, destaque para a entrada de Muniain na equipe titular, dando mais mobilidade à equipe. Mata, um pouco exausto na estreia, esteve mais solto hoje e provou a condição de maestro desta equipe: deu duas excelentes assistências para os tentos de Adrián López e já vem sendo alcunhado pela imprensa espanhola de "Iniesta da Sub-21".

Javi Martínez, que, junto com Mata, esteve no título mundial da seleção principal na África do Sul, voltou a se destacar na volância. Por ali, anulou Moravek, principal armador da seleção tcheca. Ander Herrera, que teve uma notável estreia, voltou a ter destaque, aliando a elegância com a dura marcação. Na defesa, bela partida de Álvaro Domínguez, que teve a dura missão de marcar Pekhart, maior artilheiro da história da seleção de base da República Tcheca, e Didac, que mostrou um belo físico ao participar frequentemente das jogadas de ataque e ajudar na marcação. Com 2 a 0, Milla promoveu as entradas de Diego Capel e Parejo nos lugares de Muniain e Adrián. Sem um atacante de referência, a Fúria passou a inoperar os ataques, mas, com a posse de bola, não sofreu muito com os tchecos.

Com a vitória e precisando apenas de um empate para confirmar a classificação à final e à Olimpíadas de Londres, a tranquilidade voltou ao ambiente rojo. O pessimismo até exagerado após o jogo contra a Inglaterra se desapareceu por completo e a boa notícia foi que os pendurados Thiago e Ander Herrera, dois dos principais jogadores da seleção na Eurocopa, não receberam cartão amarelo, tendo participação confirmada para o jogo contra a Ucrânia. A partida acontece no sábado, 18, às 15h45, horário de brasília. No outro jogo do grupo, ingleses e ucranianos ficaram no 0 a 0.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Balanço Final: Athletic Bilbao

David López é abraçado por Iraola: a dobradinha no lado direito foi fundamental. Na foto, eles são ladeados por Llorente e Muniaín, outros destaques da campanha rojiblanca (bilbao.theoffside.com)

Campanha: 6ª colocação, 58 pontos, 18 vitórias, 4 empates e 16 derrotas. 59 gols pró 55 gols contra. Classifcado à Liga Europa 2011-12.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas de final pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Iraizoz; Iraola, Mikel San José, Amorebieta, Castillo; Gurpegui, Javier Martínez; David López, Toquero, Munain; Llorente
Os artilheiros: Fernando Llorente (18 gols), Gaizka Toquero (7 gols) e David López (6 gols)
O técnico: Joaquín Caparrós
O destaque: Fernado Llorente
A decepção: Óscar De Marcos

O Barcelona por apostar nas canteras é sempre exaltado, mas esta temporada mostrou, mais uma vez, que o Athletic Bilbao também tem um modelo de sucesso: a valorização dos jogadores bascos. Os bilbaínos jamais foram rebaixados e, em 2010-11, conseguiram a importante classificação à Liga Europa 2011-12. A equipe descrita por Caparrós como quem tem “muita alma”, mostrou isso, pois só garantiu a participação na competição continental na última rodada. Essa importante classificação se deve muito ao centroavante isolado no 4-2-3-1 dos leones: Fernando Llorente marcou 18 vezes em La Liga e chegou aos 84 gols com a camisa rojiblanca, alcançando a vigésima colocação na lista de artilheiros da história do clube. Além disso, o artilheiro jogou todas as 38 partidas do Athletic Bilbao no campeonato.

Com a política de contratar pouco, a manutenção dos campeões mundiais Llorente e Javier Martínez foi fundamental para se manter no topo. Como os leones mudam pouco, o entrosamento dos 11 que jogam é muito bom e um fator de desequilibrio, em uma liga que há muita disputa abaixo de Barcelona e Real Madrid. O “mago de aiegui”, após fazer parte do grupo campeão mundial, demorou a engrenar e, a partir da 16ª rodada, ele passou a marcar gols, que ajudaram no crescimento do Athletic em La Liga, e também se tornou mais constante. Além dos dois, outro jogador mostra que terá muito futuro na Furia: o jovem Iker Muniaín marcou cinco vezes e vem crescendo a cada temporada e ainda tem apenas 18 anos.

A dupla Iraola e David López, que atua pelo lado direito, também se destacou, juntos eles deram 13 assistências no Campeonato Espanhol. Eles também ajudaram nos gols, o meia conseguiu seis e o lateral fez quatro, produção muito boa. Mas, existem as grandes decepções: o atacante De Marcos é a maior delas, jogou 13 vezes e não balançou as redes em nenhuma delas, seguindo apenas como promessa, com 22 anos. Para o próximo ano, a tendência é que o elenco bilbaíno não mude muito, portanto seguirá forte, mas existe a ressalva. Em 2011-12 serão três competições, incluindo a LE, ou seja, o modelo de gestão rojiblanco poderá atrapalhar, pois temporada promete ser longa. Como o Athletic só contrata bascos ou descendentes de bascos, reforçar este elenco com a qualidade necessária será o grande desafio do presidente Fernando García Macua, que ainda enfrentará eleições em breve.

sábado, 23 de abril de 2011

33ª rodada: Pasillo e passeio

Trio ternura: Kaká, Higuain e Benzema deram show no Mestalla e estão à disposição de Mourinho para os duelos contra o Barcelona na Champions League (reuters)

Com o título da Liga praticamente definido, as atenções da primeira parte da 33ª rodada ficaram voltadas para o derby vasco. Em campo, um Athletic Bilbao (5º, 51) que briga por competições europeias contra uma Real Sociedad (13º, 38) que vive seu pior momento na temporada, lutando contra o rebaixamento. Nas quatro linhas, vimos uma Real Sociedad diametralmente inferior ao seu rival e praticamente não ofereceu resistência ao Athletic Bilbao, que ainda teve o luxo de "dar" um gol aos blanquiazules, através de Javi Martínez, que mandou para as próprias redes um cruzamento vindo da esquerda de Griezmann. O francês, aliás, foi derrotado também no duelo dos dois melhores jovens da atual edição da Liga Espanhola. Muniain, que pôde jogar devido a um recurso apresentado pelo Athletic Bilbao à CEDD, conduziu sua equipe à vitória.

A opção de Caparrós de adiantar Muniain para o flanco esquerdo, e consequentemente a troca para o 4-3-3, tem dado certo. Veloz e inteligente, Muniain não sente mais a necessidade de ajudar sua equipe na marcação e fica concentrado apenas nas jogadas de ataques. Hoje, deu muito trabalho a Martínez e saiu de campo merecidamente ovacionado para a entrada de Susaeta. Llorente, que fez apenas um gol em oito partidas, continuou sem marcar, mas teve papel importante na vitória: participou diretamente do gol de Muniain e de Toquero. No gol do jovem, El Rey León ganhou no alto de Ansotegi e Rivas e Muniain só teve o trabalho de empurrar para as redes. No gol do camisa dois, dominou entre dois marcadores e, rapidamente, lançou Toquero na direita, que chegou batendo e venceu Bravo. A vitória contra o maior rival colocou o Athletic Bilbao a um passo da próxima Liga Europa e a comemoração pode se extender ao término da rodada: seus adversários diretos farão confrontos difíceis no complemento da rodada. Para a Real Sociedad a situação é crítica: até o fim da rodada, a equipe cair duas posições e tem uma tabela bem complicada até o término do campeonato. A cinco rodadas do fim, os txuri-urdins terá pela frente Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c).

No Mestalla, o Valencia (3º, 63) recebeu o Real Madrid (2º, 80), que entrou em campo com seu time B. Em campo, uma atuação de gala do trio Benzema, Kaká e Higuain, que participaram dos seis gols merengues. Higuain, com um hat-trick, voltou a marcar depois de cinco meses e deixou o campo com uma sensação de que ainda pode brigar pela vaga no ataque do time. Assim como Kaká, autor de dois gols (sendo um golaço) e duas assistências, que está disponível para a vaga no meio-campo blanco. Desde os primeiros minutos o Real Madrid tomou conta da partida. Escalado no 4-3-3 da vitória contra o Getafe, o Valencia parecia com medo e tomou um banho ainda no primeiro tempo. Benzema e Kaká eram os mais ligados na partida e tomaram conta do meio-campo. A partir dos 22 minutos, o Real Madrid foi começando a matar a partida. Primeiro, Higuain cruzou da direita, Guaita passou batido e Benzema completou para as redes. Aos 30, Mathieu falhou gravemente na frente de Higuain, que se esticou todo e venceu Guaita, que já estava batido. Aos 38, Benzema fez o carnaval na zaga ché, abriu na direita para Higuain, que novamente serviu de garçom e Kaká marcou o terceiro. Para completar, aos 41, Kaká retribuiu a gentileza e tocou para Higuain marcar o quarto e silenciar um Mestalla dominado pela ira.

Para fechar, o Barcelona (1º, 88) entrou em campo para esquecer a derrota na Copa e recuperar a confiança para os duelos finais contra o seu maior rival. Com a cabeça na semifinal da Champions e, por que não, preguiçoso, o Barcelona jogou para o gasto contra o Osasuna (16º, 35). Sem Messi, no banco, Guardiola voltou ao 4-3-3 de outrora, com Jeffren e Afellay nos flancos e Villa enfiado entre os zagueiros adversários. El Guaje, que vive sua pior fase na carreira, espantou a fase negra para longe: após cruzamento de Jeffren, Villa se esticou todo para abrir o placar para o Barcelona e quebrar um incômodo jejum de onze jogos sem marcar. Vendo sua equipe jogando de maneira insonssa, Guardiola promoveu as entradas de Iniesta, Messi e Xavi na segunda etapa, o que melhorou na forma de jogo blaugrana. E, aos 46 minutos, Messi recebeu bom passe de Daniel Alves e, cara a cara com Ricardo, tocou na saída do português chegando ao seu 50º gol, superando uma marca histórica de Puskas: La Pulga é o primeiro jogador numa temporada espanhola a chegar em tal marca e, além disso, caminha para ser o chuteira de ouro pela segunda vez consecutiva. Vale lembrar que, além de ser o pichichi da Liga BBVA, Messi é o artilheiro da LC e terminou empatado na artilharia da Copa do Rei (sete gols) ao lado de Cristiano Ronaldo. Qual o limite de Messi?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pronto para o combate

Os aficionados rojiblancos nunca mostraram-se tão importante para apoiar seu time: a dois pontos do Valencia, quarto colocado, o Athletic Bilbao vê vaga na Champions League ficar próximo (getty images)

O Athletic Bilbao encerrou a última Liga BBVA com um gostinho de "quero mais". A campanha, uma das mais espetaculares dos últimos anos, só não foi tão especial pelo fato de a equipe terminar dois pontos atrás do Villarreal (7º colocado, 56) e impedir sua participação na Liga Europa pela segunda vez consecutiva. Naquele mês de maio, o lado rojiblanco do País Basco tinha três inquietações: saber se o Athletic Bilbao iria segurar seu principal jogador, Llorente; se o elenco daria mais opções que aquele enxuto da última última temporada, quando a equipe foi vice-campeão da Copa del Rey mas ficou apenas na 13ª colocação na Liga; e saber como se comportaria o substituto do ídolo Etxeberría, que aposentou-se após o término da temporada.

Pois nenhum dos principais jogadores saiu. A cúpula basca conseguiu resistir aos assédios do Liverpool para contratar Fernando Llorente e o atacante, um dos destaques da temporada espanhola, permaneceu em Vizcaya. O promissor Muniaín, que deve ter seu contrato renovado daqui a alguns dias, além do guerreiro Toquero ficaram, para serem importantes na atual campanha. Toquero mostra que potencial não é nada sem controle. Pode ser superestimado, mas a disposição que ele mostra em campo o transforma em um grande ícone para os aficionados rojiblancos. Quando mostra-se afinco a jogar, Toquero é uma "máquina mortífera". Nos últimos três jogos, marcou três vezes e jogou um futebol digno de aplausos.

A opção de Caparrós por jogar num 4-4-2 a rombo, ou seja, com um meia mais próximo do ataque, fazendo a ligação entre os setores, também tem papel importante no bom momento vivido pelos Leones. Gurpergui é o homem encarregado de fazer tal função e mostra-se importante: com sete assistências, o meio-campista é o líder do quesito da equipe.

Ontem, o Athletic Bilbao viu que o sonho de voltar a disputar uma Champions League está próximo. Os Leones venceram o Sporting Gijón por 3 a 0, aproveitaram o tropeço do Espanyol ante o Almería por 3 a 2 e assumiram a quinta posição, com dois pontos a menos que o Valencia, primeiro da zona da principal competição europeia. A vitória perante os asturianos foi a quarta consecutiva do Athetic, feito que não acontecia há 13 anos. Naquela campanha, os Leones terminaram a temporada com a tão sonhada vaga na Champions League, numa rara temporada em que as duas principais equipes do País Basco, Athletic Bilbao e Real Sociedad, se classificaram para a Champions. À época, atuações espetaculares de Etxeberría e Urzaiz fizeram a equipe sonhar até com o título, que não conquista desde a temporada 1983-94, mas o Barcelona de Figo e Rivaldo era mais time e ficou com a taça.

Hoje, sonhar com Champions é possível. O conjunto de Caparróz é uma equipe segura, coesa, onde todos os jogadores fizeram brilhantemente o seu papel. Llorente a cada jogo aumenta sua racha goleadora: com treze gols, só fica atrás de Messi, Cristiano Ronaldo e Villa na tabela de artilheiros e vai ganhando pontos com Vicente Del Bosque. El Rey León foi o destaque da seleção espanhola no início das eliminatórias para a Euro de 2012 e não é difícil pensar que o técnico madrileño possa preterir Fernando Torres para escalar o atacante do Athletic Bilbao.

Como Joaquín Caparrós avisou, o ponto temerário é o desgaste físico chegar em hora errada e a equipe começar a perder pontos, deixando a briga pela quarta vaga na Champions. Porém, o técnico andaluz tem um conjunto ambicioso e fará contra Valencia e Villarreal, adversários direto pela Uefa, jogos no San Mamés, o que pode ser um ponto a favor à equipe. Tarefa ingrata disputar dois jogos decisivos contra equipes que golearam o Athletic Bilbao no primeiro turno, mas realizável por um time que joga junto há tanto tempo e que mostra a cada partida ser ambicioso. Como diz o "ditado", "a Europa é logo ali".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Resumo: 9ª Rodada

Parece repetitivo, mas é bom recordar: após nove rodada, o equilíbrio de La Liga parece ter acabado e, após tropeços inadmissíveis de Atlético de Madrid, Valencia, Sevilla e Villarreal - os dois últimos aceitável -, o campeonato parece ter tomado o rumo antigo, com a disputa polarizada entre os dois gigantes.

Numa rodada posterior às competições europeias, apenas Barcelona e Real Madrid venceram. Antes de seus respectivos compromissos pela Champions, o time de Chamartín teve dificuldades para vencer o promissor Hércules, mas contou com um Cristiano Ronaldo novamente decisivo para bater os herculinos. Já o Barcelona, finalmente mostrou seu poderio e goleou o Sevilla, com grandes atuações de Villa e Messi, autor de um doblete cada. Se os blaugranas eram questionados por não mostrar o mesmo futebol no Camp Nou como vem mostrando longe da Catalunha, isso parece ter sido coisa do passada.

O Valencia, que tem jogo decisivo pela Champions contra o Rangers no Mestalla, parece ter sentido o baque da perda da liderança: após liderar a Liga de maneira invicta nas seis primeiras rodadas, os chés tiveram três resultados adversos (duas derrotas e um empate) consecutivos e o tropeço desta rodada - ante o Zaragoza, lanterna da competição - já começa trazer dúvidas sobre o time. Parece cedo e injusto, mas o cargo de Unai Emery no comando técnico do time já parece ameaçado.

Messi e Villa, com um doblete cada, ajudaram o Barcelona a vencer com autoridade no Camp Nou pela primeira vez na temporada (reuters)

Valencia 1x1 Zaragoza
O Valencia segue caindo. Se, quatro rodadas atrás, o time era líder com uma boa vantagem em relação ao segundo e o terceiro colocado, agora a realidade é outra. Com um tropeço inaceitável diante do lanterna do campeonato, o Zaragoza, os valencianos já se encontram em quarto colocado e a seis pontos do líder Real Madrid. O resultado desta rodada poderia ter causado mais prejuízos se Lanzaro, autor do gol maño, não tivesse marcado contra e, desta forma, empatado o jogo. O gol a favor de Lanzaro logo no início da partida foi apenas o sétimo gol do Zaragoza em nove rodadas. A equipe aragonesa pode comemorar o fato de ter jogado com um a menos desde os 17 do segundo tempo, quando Delgado Ferreira expulso de maneira controversa o jovem Ander Herrera. Edmílson foi chamado para remontar a equipe e o Zaragoza, mesmo com um a menos, acabou crescendo o seu ímpeto ofensivo no jogo, mas não conseguiu voltar à frente. O resultado e a maneira como o Valencia se comportou após a expulsão do meio-campista maño só ratifica a ideia de que o Valencia tem um elenco ineficaz e sem ideias. Fato determinante para a má partida ché foi a também má partida de Banega, que, em dia pouco inspirado, não conseguia criar jogada alguma.

Se o Zaragoza perdeu uma grande chance de ressurgir, o resultado anima José Aurélio Gay. Segundo o técnico madrileño, que está com as cordas bambas, a postura que o time entrou em campo, se repetida nos próximos jogos, faz com que o Zaragoza possa bater de frente com qualquer time no campeonato - até mesmo Barcelona e Real Madrid, acredita o técnico. Por outro lado, o Valencia parece ter entrado em crise. As vaias após o apito final do árbitro ilustra bem o momento que os valencianos vive e, como esse tropeço, o Valencia já chega a sete pontos perdidos em seus domínios.

Hércules 1x3 Real Madrid
"Sem Boquerón". A frase que intitula a capa do El Mundo Deportivo de domingo é em referência óbvia a vitória do Real Madrid sobre o Hércules, que havia derrotado o Barcelona no Camp Nou. O Real Madrid partiu para um jogo que, para o observador menos atento, deveria lhe trazer grandes dificuldades. Mas não se deve esquecer o amistoso válido pelo Troféu Rico Pérez entre as duas equipes, há pouco mais de três meses, na estreia de Özil pela equipe blanca. Antes do começo da Liga, os merengues não tiveram dificuldades para vencer o Hércules por 3 a 1, quando a estrela de Benzema brilhou, com um doblete. Desta vez, Estebán "Boquerón" Vigo mandou a campo um 4-2-3-1 que teve efeito instantâneo logo aos dois minutos, quando Cortéz levantou e Trezeguet, aproveitando inoperância de Pepe pelo alto, cabeceou à esquerda de Casillas. O Hércules seguia criando muito mais na partida, principalmente pela lado direito do campo, onde Sergio Ramos tinha muitas dificuldades para conter as descidas de Cortés e Thomerth.

O Real Madrid ficara sem criação alguma, já que Özil pouco criava, e as articulações das jogadas ficou por conta de Xabi Alonso. Cristiano Ronaldo e Higuaín tentavam, mas o primeiro tempo de Calatayud foi perfeito. Porém, o goleiro herculino falhou logo no início da volta ao segundo tempo: soltou um chute de Cristiano Ronaldo nos pés de Di María, que não desperdiçou. O gol animou o Real Madrid, que voltou com uma postura diametralmente oposta àquela exercida no primeiro tempo. O time de Mourinho mostrou um condicionamente físico invejável e, percebendo isso, Esteban Vigo reforçou seu meio-campo com Rufete. Mas o Real Madrid já havia controlado todas as ações e chegou a virada.

Se Benzema foi muito questionado durante a semana, o jogo serviu para dar a volta por cima: após entrar numa ousada substituição no lugar de Pepe, quando o jogo ainda estava 1 a 1, o francês foi fundamental para que a vitória saísse. Primeiro, foi de um chute dele o rebote de Calatayud no primeiro gol de Cristiano Ronaldo e o segundo dos blancos; e, depois depois de receber belo passe em profundidade de Di María, teve calma e tranquilidade para passar para Cristiano Ronaldo marcar seu doblete e seu 11º na Liga. Mourinho demonstrou nesta partida a diferença que faz um grande treinador. Apostou num 4-1-3-2 com Khedira na defesa para empatar e virar a partida e num 4-3-3 com Marcelo de meia central ao lado de Khedira para segurar o placar e contra-atacar. A ousadia do português contrasta e muito com a covardia que exibia Pellegrini em suas alterações previsíveis.

Barcelona 5x0 Sevilla
"Benzema não está mal. Há jogadores de outras equipes que custaram alto e não estão fazendo gol". Mourinho não precisou citar, mas ficou muito claro que a frase dele na coletiva pré-jogo contra o Hércules foi uma indireta para David Villa. E o Guaje respondeu com o que mais sabe fazer: gols. Além dos tentos, Villa mostrou um posicionamente legível e ficara poucas vezes em impedimento, como em partidas anteriores. Na primeira grande - e esperada - partida de Villa com a camisa azulgrená, Messi novamente brilhou. Marcou dois gols; fez a linda jogada para o também lindo gol de Villa - o primeiro -; e, como sempre, se movimentava com perfeição, dando perplexidade à zaga sevillista. O Barcelona tomou conta do jogo desde o início. Tanto é que, em alguns momentos da partida, o time catalão aparecia com 80% de posse de bola. Mesmo fechada atrás, a defesa do Sevilla não conseguiu impedir as chances de perigo do Barcelona.

Quem também teve participação crucial para a goleada surgir foi Pedro. O tenerifeño eve participação fundamental na esquerda, onde Konko não conseguia pará-lo de jeito nenhum. O francês, aliás, só conseguiu pará-lo de uma maneira: com faltas, que logo teve resultados: expulsão. Manzano até tentou evitar uma nova goleada do Sevilla diante do Barcelona, sacrificando Luis Fabiano para pôr Romaric, recompondo o sistema defensivo. Mas o Barcelona seguia acordado e chegou a mais três gols. O Jogo culé voltou a brilhar. Com uma rápida troca de passes e posse de bola altíssima, o Barcelona construiu mais uma goleada frente ao Sevilla. Com os cinco gols, os blaugranas chegam a doze tentos nos últimos três jogos contra o Sevilla no Camp Nou.

Cáceres, zagueiro emprestado ao Sevilla pelo Barcelona, fez uma boa partida, mas pecou muito na saída de bola. Além de ter tomado um drible de corpo lindo de Messi no primeiro gol do jogo, teve que jogar por dois, porque Alexis estava num péssimo dia. O uruguaio mostrou como sempre a raça e, se houve algum destaque, foi o jogador mais afinco pelo lado andaluz. Sem poder contar com Palop e Navarro por mais um mês, a péssima notícia veio após a goleada: Jesus Navas, que foi descartado da partida, sentiu o tornozelo esquerdo e, provavelmente, ficará de fora de dois a três meses.

Sporting Gijón 1x1 Villarreal
Já acostumado a jogar pressionado pela impossibilidade de perder para não se afastar dos líderes Real e Barcelona, o Villarreal jogou ofensivamente contra o Gijón, mesmo fora de casa. Com Nilmar tendo liberdade para buscar o jogo em todo o campo, o Submarino Amarelo jogava em velocidade e controlava a bola no setor ofensivo. Com o brasileiro abusando dos dribles, criou pelo menos quatro boas chances, mas em duas delas Nilmar preferiu simular pênalti e acabou atrapalhando o ataque. O Gijón descontava em contra-ataques e o primeiro tempo acabou mesmo em 0 a 0, apenas de as duas equipes merecerem ter feito pelo menos um gol cada.

A superioridade na posse de bola foi ainda mais visível na segunda etapa, com o Gijón aceitando a pressão do Villareal. Porém, Iglesias Villaneva viu pênalti em bola que tocou na mão de Gonzalo após cruzamento da direita. Diego Castro deslocou o goleiro e abriu o placar. Pouco depois, o mesmo Gonzalo, que havia recebido amarelo no lance do pênalti, fez falta boba em Barral, levou a segunda advertência e acabou expulso. Para recompor o time, Nilmar deixou o campo para a entrada de Mussachio. Sem seu principal jogador neste início de temporada e com Rossi pouco inspirado, o Villarreal ia aceitando a derrota até que o árbitro voltou a interferir no resultado. Aos 46min, Eguren, ex-Villarreal, segurou Marchena na área em lance comum. O árbitro assinalou pênalti. Rossi então apareceu, cobrou com paradinha e empatou, chegando ao seu centésimo gol na Liga Espanhola.

Deportivo 3x0 Espanyol
Após esta vitória, muitos torcedores blanquiazules se perguntaram: "por que Miguel Ángel Lotina abandonou o 5-3-2 que dava resultados para colocar um 4-2-3-1?" Pois bem, após o início horrível, onde sua defesa era constantemente ameacaçada, Lotina resolveu voltar com o 5-3-2, que deu resultado. Com uma defesa sólida, com três zagueiros e poucas vezes ameaçada, o Deportivo chegou à primeira vitória na competição e abandonou a lanterninha (agora, do Zaragoza). Outro ponto alto da vitória galega foi efetividade para concluir as jogadas de bola parada. Dois dos três gols saíram em jogadas de escanteio. A goleada ante o Espanyol dá confiança e a sensação de recuperação para o Deportivo. Os péricos nunca foi ameaça e perdeu uma enorme chance de ultrapassar o Valencia e chegar à zona de Liga dos Campeões.

Málaga 1x2 Real Sociedad
O Málaga segue decepcionando em seu estádio e contra a Real Sociedad não foi diferente. As duas equipes vieram a campo de maneira oposta. Enquanto que o Málaga ainda não venceu em casa na competição, a Real Sociedad ainda não havia vencido nenhum jogo fora do Anoeta. A partida escancarou os problemas crônicos na defesa malaguesa. Fato que evidência isso foi a falha de Weligton no gol de Griezzman - que a cada dia mais mostra um futebol brilhante - e o espaço deixado por Kris no gol de Xabi Prieto. Com os dois gols sofridos já chega a marca negativa de 21 gols em 9 partidas - pior defesa do campeonato. A de se destacar o belo trabalho de Lasarte no time donostiarra, que está oscilando neste início de temporada, mas mostrou que voltou à Liga BBVA para ficar.

Atlético de Madrid 1x1 Almería (Claudio Araujo)
O grande nome do jogo foi o goleiro Diego Alves, responsável direto pelo empate graças as, pelo menos, cinco defesas difíceis que fez, parando o ataque de Forlán - títular após ser incógnita toda a semana -, Agüero e Reyes no primeiro tempo. Na segunda etapa, o Atléti, desorganizado, levou pouco perigo ao gol do brasileiro. Nos vinte primeiros minutos de jogo no Vicente Calderón, o Atlético de Madri cansou de perder gols. Logo no primeiro ataque, Forlán tentou fazer de cobertura e mandou por cima do travessão. Depois, Reyes bateu falta e Diego Alves espalmou no canto. Agüero tentou chute rasteiro, no meio da área, e também foi parado pelo goleiro brasileiro. Quando Agüero abriu o placar, parecia que a vitória viria... parecia. O Almería empatou aos 45min. Piatti pegou rebote e emendou um belo chute de primeira de fora da área, acertando o canto direito de De Gea.

Forlán segue mal. Sem marcar desde a 2ª rodada, contra o Athletic Bilbao, o charrua chega a 50 dias sem comemorar um gol e vive sua pior fase desde que chegou a Manzanares. O Atlético de Madrid chega pressionado para o dérbi de semana que vem contra o Real Madrid. Perea, suspenso, e Godín, com apendicite, já são baixas confirmadas. Reyes tornou-se incógnita. O meio-campista foi substituido ainda no primeiro tempo por contratura na perna direita. Os primeiros boletins médicos afirmaram que Reyes estaria, sim, apto para o jogo contra o Real Madrid, porém, Quique já afirmou que não quer arriscá-lo no jogo contra o Rosenborg.

Athletic Bilbao 3x0 Getafe
O Athletic Bilbao fez seu melhor jogo na temporada no ritmo do promissor Muniaín. Com habilidade, velocidade e atrevimento, o jovem municiou os leones na fantástica vitória ante o Getafe, que mais uma vez jogou mal fora de casa. Com o triunfo, os bascos se mantêm a um ponto da zona de Liga Europa e 4 de Liga dos Campeões. Sem Dani Parejo, o Getafe mostra-se um time bem opaco, onde apenas Víctor Sánchez (o melhor do Getafe depois de Parejo) e Pintos se salvaram.

CRAQUES DA RODADA
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Lionel Messi (Barcelona)
David Villa (Barcelona)
Iker Muniaín (Athletic Bilbao)

Escalação da rodada
Diego Alves (Almería); Cortés (Hércules), Colotto (Deportivo), Puyol (Barcelona), Rindaroy (Deportivo); Rosenberg (Racing Santander); Iraola (Athletic Bilbao), Cristiano Ronaldo (Real Madrid); Lionel Messi (Barcelona), David Villa (Barcelona), Iker Muniaín (Athletic Bilbao).

sábado, 24 de julho de 2010

O que a Espanha deve fazer até 2014?

Sergio Canales é a principal promessa da Fúria para a Copa de 2014 (reuters)

Aparentemente, a seleção espanhola não precisa de uma grande reformulação nesse momento. Afinal de contas, o título mundial foi conquistado com uma equipe repleta de jovens jogadores que terão condições de disputar a Copa do Mundo de 2014. Algumas modificações, porém, serão inevitáveis em função da idade de alguns dos titulares do time atual.

A primeira delas provavelmente será na lateral esquerda, pois Capdevilla já tem 32 anos e dificilmente manterá o bom nível do presente. Puyol, que tem a mesma idade, se aposentou da seleção e pode ser substituído pelo jovem Mikel San José, do Athletic Bilbao. Entre os candidatos à vaga na lateral, figuram nomes como Roberto Canella, Nacho Monreal, Didac e Sergio Escudero.

No meio-campo, a expectativa é pela permanência de Xavi, que terá 34 anos em 2014 e poderá se despedir da seleção espanhola no Brasil, e Xabi Alonso, que terá 33 primaveras completadas. O risco de mantê-los é o de, obviamente, envelhecer a seleção e impedir a progressão de nomes como Sergio Canales, Thiago Alcântara, Fran Mérida e Koke, estrelas das seleções de base. No ataque, uma eventual saída de David Villa poderia ser suprida pela ascensão de Iker Muniaín, ou mesmo Bojan, enquanto que no gol, Casillas ainda reina soberano, mas terá o excelente David De Gea como “sombra” nos próximos anos.

Independente de nomes, a Espanha é nos últimos anos quem melhor trabalha a base, provavelmente ao lado da Alemanha. A conexão entre federação e os clubes é o razoável, o que permite às equipes de base sempre ter os melhores jogadores à disposição. Além disso, a mentalidade de jogo é a mesma em todas as gerações, o que facilita a chegada de jogadores jovens ao time de cima.

Nota da seleção: 10
Necessidade de renovar: 1.5
Cinco promessas: David De Gea, Mikel San José, Sergio Canales, Thiago Alcântara e Iker Muniaín
O que deve melhorar na base: ainda aperfeiçoar a relação entre clubes e seleções

Retrospecto recente: Copa do Mundo (campeã), Europeu Sub-21 (eliminada na fase final), Mundial Sub-20 (eliminada nas oitavas), Europeu Sub-19 (eliminada na fase final [ tem um campeonato em andamento]), Mundial Sub-17 (eliminada na semifinal), Europeu Sub-17 (vice-campeã)

domingo, 11 de abril de 2010

Promessas: Iker Muniaín


São 25 anos de espera. E nada. Nenhum título, nenhuma taça. As mais recentes, os jovens só viram no museu. O Athletic Bilbao comemorou pela última vez em 1984. E foi logo em dose tripla. Liga BBVA, Copa do Rei e Super Copa. Desde então, se livrar do rebaixamento já é motivo de foguetório pelos lados do Estádio San Mamés. A queda de rendimento nas duas últimas décadas justifica-se. Os adversários evoluíram e atravessam o Atlântico atrás dos craques, enquanto o Athletic se atrasou. O clube não aceita jogadores nascidos ou criados fora do País Basco. Daí tanta dificuldade em crescer. É complicado até surgir uma promessa da base.

Entretanto, essa longa e maldita fase esboça ir embora. Em 2005, chegou aos juvenis um garoto franzino e baixo, mas habilidoso. Passou em todos os testes e foi subindo. Aterrissou nos profissionais em julho último. Tem três gols. Tornou-se sensação e o centro dos holofotes. Os torcedores que até 2008/09 iam ao estádio apenas para torcer (e para não perder) agora vão para vê-lo jogar. O atacante Iker Muniain, 16, é a esperança do clube 94 anos mais velho. Muniain deu os primeiros chutes com a perna direita na cidade em que nasceu, Pamplona (País Basco), no pequeno Unión Deportiva Chantrea, da quarta divisão. Como sobrava em relação aos demais da sua idade, embarcou, aos 13 anos, para Bilbao, onde é lapidado desde 2005.

A ascensão vem sendo meteórica. Nas avaliações que faz costumeiramente nas categorias de base, o técnico da equipe principal, Joaquin Caparrós, grudou o olho no menino. Rápido, dono de um bom passe e chute seco. Abusado. Do tipo que humilha os zagueiros. Caparrós pediu aos assistentes atenção redobrada com Muniain. Poucos meses depois, já era o melhor do time sub-17. Com 14 anos. Compensava a falta de força física com os dribles e correria. As convocações para as seleções da Espanha só confirmavam o talento. Cada vez mais surpreendido, Caparrós o levou junto para a pré-temporada 2007/08. Mesmo não podendo escalá-lo na Liga, queria proporcionar um convívio entre os profissionais e acelerar o processo de amadurecimento.

Quebrando recordes
Em 2009, o Athletic, enfim, julgou, ser o momento ideal para lançar, aos poucos, o atacante. Antes, a seleção sub-17 o levou para o campeonato europeu da categoria, em maio. Afinal, era preciso ir bem para se classificar ao Mundial, na Nigéria.

Muniain voltou direto para a pré-temporada. Era, definitivamente, um profissional. O primeiro jogo foi pela Liga Europa, no fim de julho, quando se tornou o jogador mais novo a vestir a camisa do clube numa partida oficial. Saiu do banco para reverter o 1 a 0 a favor do suíço BSC Young Boys, em casa. Não deu. Os visitantes seguraram o resultado.

Na semana seguinte, no jogo da volta, qualquer vitória (exceto o 1 a 0, que levava aos pênaltis) mandava o Athletic à fase de grupos. Hora de Muniain brilhar. Fez o segundo dos 2 a 1. Explodiu o País Basco e derrubou mais um recorde: o mais jovem a marcar pela equipe.

Veio a Liga e o ritmo seguiu o mesmo. O gol no Real Valladolid o colocou na história do campeonato por ser o mais novo a balançar as redes da primeira divisão.

FICHA TÉCNICA
Nome completo: Iker Muniain Goñi
Data de nascimento: 19/12/1992
Posição: Atacante
Local de nascimento: Pamplona, Espanha