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sábado, 26 de maio de 2012

O Barcelona de sempre

Na despedida de Guardiola, o Barcelona ganhou a Copa do Rei e teve atuação memorável (getty images)

O maior presente de despedida que o Barcelona poderia dar a Josep Guardiola aconteceu. Na final da Copa do Rei, que garantiu o 26º título da competição aos catalães, o Athletic Bilbao sofreu. Descansado e com a motivação de encerrar o ciclo sob o comando do treinador com o 14º título em 19 possíveis, seria natural que os azulgrenás fossem intensos e pressionassem os bascos desde o início. Mas o que se viu nos primeiros 25 minutos no Vicente Calderón foi o Barcelona voltando à sua essência, à proposta de jogo nos melhores momentos da equipe durante os quatro anos de domínio blaugrana. Os Reis de Copa, simplesmente, não deixaram o Bilbao respirar durante o primeiro terço da partida.

Como especulei um dia antes da final, o abalo psicológico ficou nítido no Athletic Bilbao. Acuados, foram presas naturais à marcação sob pressão fulminante do blaugranas. Os problemas começaram antes da bola rolar. Ander Herrera e Iturraspe não estavam sob condições de jogo e tiveram que ser descartados por Marcelo Bielsa, que resolveu abastecer seu meio-campo com o retorno de Javi Martínez à volância e deu oportunidade a Ekiza na zaga. El Loco sabia que, sem Ander, perderia em intensidade e passe. Para isso, resolveu deslocar De Marcos para fazer companhia a Javi na linha de dois. Para não perder a velocidade pelos flancos, iniciou com Ibai Gómez na direita do seu 4-2-3-1, com Susaeta na armação.

O resultado começou a ser construído cedo. A mil por hora, os azulgrenás tiveram duas chances nos primeiros dois minutos. Na terceira, Pedro colocou às redes. Foi de Pedro também o terceiro gol, o que abriu um novo debate: terminando a temporada em alta, o canário ainda teria lugar nos 23 de Del Bosque para a Eurocopa? A imprensa espanhola vinha dando como confronto direto por uma vaga o duelo do barcelonista com Muniain, convocado pelo treinador madrilenho contra a Venezuela. Substancialmente, Pedrito largou bem à frente do basco. Ao contrário do "rival", apareceu bastante no jogo, não apenas com gols, mas sendo importante nas infiltrações em diagonal, que tanto fez falta ao Barcelona na temporada. A excelente partida do camisa 17 certamente trouxe, paradoxalmente, dor de cabeça a Guardiola. Em partidas decisivas, como contra Chelsea e Real Madrid, Pedro certamente seria mais decisivo que Cuenca e Tello, não?

Outro fato evidenciado em campo foi a partida de Iniesta. Muito abaixo da média na temporada, El Albino, acredite, não se "deu bem" jogando ao lado de Fàbregas. Aconteceu que, muitas vezes, era ele quem fazia o lado esquerdo do ataque. Sem Fàbregas ou Keita e jogando em sua posição original, foi um dos melhores em campo no Calderón. É um aviso direto a Vicente Del Bosque, que precisa deixar de lado a ideia de utilizar Iniesta aberto à esquerda, ao menos que seja no 4-2-3-1. Autor do segundo gol, Messi fechou a temporada com estratosféricos 73 gols. O maior artilheiro da história do Barcelona lembrou, na maior parte do confronto, seus tempos de ponta-direita: bem preso ao setor, foi graças a uma infiltração sua que marcou o gol.

O título, e a maneira com a qual foi campeão, só ratifica que o ciclo vencedor barcelonista está longe de acabar. Tito Vilanova, o novo treinador, conhece a filosofia de jogo, é querido pelos jogadores e deve manter a mesma proposta de Guardiola. O Barcelona campeão terá outros tantos por muito tempo. O Barcelona nunca deixará de ter. O Barcelona nunca deixará de ser.

Espanha 2x0 Sérvia
Acabou agora há pouco na Suiça o amistoso da seleção espanhola. Sem os jogadores do Barcelona, Athletic Bilbao e Chelsea, Del Bosque aproveitou a partida para fazer muitos testes. Curiosamente, retornou ao 4-4-2, que, contudo, não deverá aparecer na Ucrânia e Polônia. A utilização do módulo tático deve ter sido para ver como Negredo e Soldado se sairiam. Os dois, contudo, passaram despercebidos em campo e pouco criaram oportunidades. A dúvida pelo terceiro atacante do elenco permanecerá, pelo visto. 

Nesse cenário, quem ganhou pontos foi Adrián López. O colchonero, sim, fez valer seus pouco menos de 25 minutos de chances. Na primeira oportunidade que teve, aproveitou um cruzamento de Jesus Návas e cabeceou firme para abrir o placar. O passe oriundo da assistência de Navas veio dos pés de Beñat, mais um bom armador da geração espanhola que certamente deverá ganhar oportunidades e aparecer com naturalidade nas convocações de Del Bosque após a Euro. Não irá jogar a competição, fatalmente, mas larga na frente para tentar ir à Copa do Mundo. Cazorla, autor do gol que sacramentou a vitória, praticamente sentenciou sua vaga no grupo que tentará o tri-europeu.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Confronto psicológico

 Em 2009, deu Barcelona. O Athletic Bilbao quer vingança, enquanto o Barcelona quer dar o último troféu a Guardiola. Quem vence? (getty images)

Amanhã, Barcelona e Athletic Bilbao finalizam a temporada de elite espanhola disputando a final da Copa do Rei, no Vicente Calderón, em Madrid. O final de temporada reservou surpresas desagradáveis às duas equipes. Sobretudo ao Barcelona, que, num período de sete dias, foi eliminado da Champions pelo o Chelsea, perdeu para o maior rival Real Madrid em casa dando adeus às possibilidades de títulos espanhol e ainda viu Guardiola confirmar que não irá renovar seu contrato com o clube. Sem mais nada para fazer, os últimos jogos barcelonistas na Liga serviram somente para Messi tornar-se o maior artilheiro da história do futebol espanhol e europeu (50 gols em solo nacional, 77 no geral).

Curiosamente, Guardiola pode se despedir do Barcelona justamente na competição na qual foi campeão pela primeira vez como treinador. Em 2008/2009, foi a Copa do Rei que abriu a galeria de troféus do catalão, que viria a ganhar mais dois títulos na temporada e seis no ano. De lá para cá, Pep e o Barcelona iniciaram um ciclo vencedor, mostrando um futebol vistoso e ofensivo, chamando a atenção do mundo. Para alguns, o Barcelona de Guardiola foi o melhor time da história do futebol. Como tudo na vida, esse ciclo também terá o fim. Quando Fernández Borbalán encerrar a partida, a era Guardiola irá finalizar. Alguns esperam pelo início da era Tito Vilanova, auxiliar técnico de Pep e novo treinador dos azulgrenás a partir da próxima temporada.

O Barcelona que chega à final é um retrato da temporada. Bagunçado e repleto de dúvidas, Guardiola terá que quebrar a cabeça em seu último jogo. Sem Daniel Alves, Puyol e Abidal e com Piqué dúvida até última hora, o catalão não terá à sua disposição a zaga titular. As interrogações são muitas. Lateral direito da Espanha Sub-21, Montoya recebeu chances nos últimos jogos e, segundo especula o Diário Sport, pode começar de titular. As outras opções de Pep é jogar num 3-4-3 com Busquets improvisado, Mascherano e Adriano na zaga e Keita ou Thiago acompanhado Xavi, Iniesta e Fàbregas no meio-campo. O hispano-brasileiro se recuperou de dores nas costas e está convocado para a final. Guardiola também pode mandar a campo uma escalação mais preservada: um 4-3-3 com Busquets e Mascherano na zaga, Montoya e Adriano nas laterais e Keita na volância. Em qualquer caso, vale lembrar, Piqué não é baixa confirmada e pode ir aos gramados, mesmo que sua utilização seja forçada.

As diversas lesões principalmente dos homens de zaga condicionaram a temporada blaugrana. Um dos culpados pelo ano abaixo da média, o setor vem ganhando atenção especial no mercado. Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta correm atrás de reforços. O mais especulado é Thiago Silva, embora o Milan peça um preço bastante alto. Na última semana, surgiu a especulação de que os rossoneros teriam pedido Thiago Alcântara mais 10 milhões de euros em troca do brasileiro. Conhecido por blindar seus canteranos, é difícil imaginar o Barcelona se desfazendo do mais promissor deles. Até o rival Javi Martínez surge como sonho de consumo, o que ganhou mais forças após os atritos com Cristiano Ronaldo no confronto contra o Real Madrid na Liga. David Luiz e Adil Rami também estão na órbita barcelonista. A ideia é fechar com dois deles, já que, para Tito, improvisar Mascherano é blindar seu talento na volância, mesmo após a grande temporada de El Jefecito na zaga.

Quando se diz em aspecto psicológico, o maior refém dele é o Athletic Bilbao. A perda da Liga Europa para o Atlético de Madrid foi um baque completo. Toquero, há dois dias, afirmou que os jogadores ainda sentem a derrota e que o necessário é virar a página. Muita verdade. Abatido e para baixo, os Leones podem ser presa fácil de um Barcelona que, certamente, vem à toda para dar o último troféu a Guardiola. Assim como o barcelonista, Marcelo Bielsa também tem dúvidas. Na coletiva antecedente ao jogo, o argentino afirmou não ter em mente o onze inicial para a final. "Só irei decidir uma hora antes da bola rolar", disse. 

Apesar da incógnita, o provável é que o onze de gala basco seja formado: Iraizoz; Iraola, Javi Martínez, Amorebieta, Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente. A tática inicial é desconhecida. Em Bucareste, a fim de ir para cima e pegar o Atlético de Madrid desprevinido, El Loco iniciou no 4-3-3. Mais cauteloso, deve começar contra o Barça no 4-2-3-1. Os volantes rojiblancos, que sustentam o modo de jogar de Bielsa, serão importantíssimos. Iturraspe e Ander Herrera eram dúvidas até ontem, quando o argentino acabou com o mistério e confirmou a presença da dupla. O encaixe da proposta de jogo rojiblanca passa necessariamente pelos pés de Ander Herrera, que precisa escapar da marcação forte do meio-campo azulgrená. Na final da Liga Europa, vale lembrar, Herrera foi um desastre e o Athletic sucumbiu.

A final também marca um confronto de estilos semelhantes. Conhecido por desempenhar um futebol para frente, ofensivo, Barcelona e Athletic Bilbao possuem as melhores canteras do futebol espanhol. A escalação inicial das duas equipes falam por si só: no lado basco, é provável que apareça oito canteranos, enquanto os catalães devem irem a campo com sete (excetuando Piqué, que, como informado, ainda permanece sob dúvidas). De um lado, o Athletic Bilbao de Lezama; do outro, o o Barcelona de La Masía. Que vença o melhor.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O dilema de Ander Herrera

Confirmado como titular da final da Liga Europa mais tarde, Ander Herrera vive sob dúvidas nos últimos dias. O meio-campista faz uma temporada que sonhava quando resolveu sair do Zaragoza e assinar com o Athletic Bilbao. Além de estar na final da competição europeia e da Copa do Rei, ganhou o aspecto de peça-chave do esquema de Marcelo Bielsa, participando de 46 jogos na temporada. Mas essa marca tem ganhado uma sombra negativa que leva a comissão técnica e o departamento médico do Athletic Bilbao à preocupação.

Em 23 oportunidades, o treinador argentino o substituiu. E não foi por casualidade. O jovem sofre com problemas crônicos no púbis desde o início da temporada que o obrigam a jogar com dores na maioria das partidas. A temporada bilbaína o desgastou mais que o habitual. Fora as 38 rodadas da Liga BBVA, os Leones disputaram mais 8 da Copa do Rei (9 contando a final) e 17 da Liga Europa. Mesmo que o fato de chegar às finais das Copas seja gratificante e de ter um elenco bom, certamente quando preparou a pré-temporada, Bielsa não esperava que sua equipe só não disputaria mais jogos na temporada que o Barcelona (três jogos a mais que o Real Madrid). Isso trás consequência ao grupo, que é limitado e curto, e os resultados são os maus resultados em âmbito nacional. Na Liga Espanhola, por exemplo, o Athletic não teve forças para disputar vaga na Champions League. Além disso, El Loco Bielsa é pouco afeito a rodízios.

Llorente sofreu bastante, mas sem dúvidas o maior prejudicado da história é Ander Herrera. Por isso, passa por um dilema. A ideia inicial era aguentar até o limite da temporada para tomar uma decisão. Ander foi um dos principais responsáveis dos méritos dos rojiblancos na temporada e desejou muito estar na parte mais decisiva da campanha bilbaína. Na hora da verdade, ele quer estar presente. Na cabeça de Bielsa, nem se passa não utilizar seu xodó. Contudo, há situações que obrigam o jogador e o serviço médico do clube a repensar a situação. Um exemplo notório é quando Susaeta não está em campo. O ex-jogador do Zaragoza, em momentos como esse, é o encarregado a cobrar faltas e escanteios. Em três oportunidades na temporada, pediu substituição ao sentir dores justamente na hora da execução dessas jogadas. "Força muito os músculos", disse Laura Martínez, médica do clube.

A última solução seria operar agora, após a final da Copa contra o Barcelona. O que leva a seguinte conclusão: provavelmente, Ander ficaria de fora das Olimpíadas. Também peça-chave do esquema de Luis Millá, o jovem faria falta em Londres. Entretanto, ao contrário do Athletic Bilbao, a seleção sub-23 espanhola tem substituto em caso de ausência de seu armador. Thiago poderia ser deslocado à função de armador e Muniain jogar aberto à esquerda; Adrián pode ser adiantado e jogar como no Atlético de Madrid (não necessariamente como referência do 4-2-3-1, onde, porém, foi o artilheiro da seleção na Euro Sub-21), abrindo espaços para Álvaro Vázquez no ataque; ou Milla pode mudar o esquema para o 4-3-3, jogando com Mata, Adrián e Muniain na frente e Javi Martínez, Busquets e Thiago na meiuca, o que poderia deixar o meio-campo pesado com dois primeiros volantes.

Operar no início da próxima temporada não passa pela cabeça de Ander. Independente do resultado da seleção principal na Eurocopa, as chances de Vicente Del Bosque começar a renovar o grupo em busca do bi-mundial são grandes e o nome de La Perla já é pedido por muitos. À medida que a temporada passa, ficava evidenciado que Ander Herrera já não era mais capacitado de oferecer seu melhor rendimento graças as dores. Na semana passada, não treinou com os companheiros, apesar de estar confirmado contra o Atlético de Madrid. No momento, tudo que passa por Ander é uma incógnita.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos a Bucareste

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid garantiram seus bilhetes para Bucareste ao eliminarem, respectivamente, Sporting de Lisboa e Valencia. No Mestalla, os colchoneros atuaram com inteligência, foram atacados à exaustão na primeira etapa, mas mataram a partida e esfriaram os ânimos chés no segundo tempo, num balaço de Adrián. Por sua vez, o Athletic Bilbao teve mais trabalho. Derrotado no jogo de ida, abriu o placar, mas viu os lisboetas empatarem e deixarem a Catedral de San Mamés numa situação tensa. Mas Llorente, nome do jogo, apareceu nos minutos finais para explodir o estádio, fazer a festa e chorar de emoção ao levar os Leones à grande final. Veja por que você deve assistir à final da Liga Europa, em 9 de maio.

 Dramático: Athletic Bilbao conseguiu classificação à final da Liga Europa aos 44 minutos do segundo tempo (getty images)

Prêmio ao futebol arte. É unanimidade a todos que a equipe que mais desempenha o dito futebol arte na competição é o Athletic Bilbao. A equipe mostrou duas virtudes irrefutáveis ao longo do torneio. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta, Ander Herrera e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

Para entrar para a história. Marcelo Bielsa, em sua primeira temporada no clube, tem tornado-se um ídolo na cidade de Bilbao. Além da elogiável concepção de futebol, El Loco é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. A oportunidade de disputar duas finais logo de cara é o passaporte que o argentino recebeu para entrar para a história do clube rojiblanco.

Um título para Llorente. El Rey León. O jogador preferido dos aficionados bascos vem se mostrando decisivo há bastante tempo. Suas belas atuações chamaram a atenção de Del Bosque, e o centroavante esteve no elenco campeão mundial. Dois anos depois, é cotado até para ser titular na Eurocopa. Porém, falta preencher uma lacuna: ser campeão pelo seu clube. Em terras de Real Madrid e Barcelona, essa missão é quase impossível, mas Llorente nunca desistiu. Recusou convites de clubes ingleses e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Seu choro após o término do jogo contra o Sporting revela o árduo caminho que percorreu até que chegasse esse dia.

Jogando com inteligência, Atlético de Madrid despacha Valencia novamente e vai atrás do bicampeonato da Liga Europa (reuters)

Falcão García e Adrián López. Se do lado bilbaíno há El Rey León, no madrilenho tem El Tigre. Falcão García já havia entrado para a história da Liga Europa na temporada passada. Campeão com o Porto, foi artilheiro com 17 gols, superando a marca história de Klinsmann. O melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada tem a oportunidade de ser bicampeão e conquistar de vez o coração dos torcedores colchoneros. Seu grande companheiro é Adrián López, artilheiro da atual edição da Liga Europa. Campeão europeu com a Espanha Sub-21, Adrián tem números bons e pode conquistar seu primeiro título na carreira em clubes. Será uma final especial para o atacante.

Não subestime o Atlético de Madrid. Os holofotes estão voltados ao Athletic Bilbao, pelo motivo explicado no primeiro tópico. Mas não cometam o erro de subestimar o Atlético de Madrid e, num provável título rojiblanco, levar propensão à zebra. Os colchoneros sabem como jogar a Liga Europa. Em âmbito europeu, estão invictos há 11 jogos, onde ganharam todos, e conquistaram a competição há duas temporadas. É time de chegada, tem um meio-campo forte e aguerido capaz de parar a troca de passes bilbaína e um contra-ataque fatal. Na Liga Espanhola, no último confronto entre as equipes, ganhou por 2x0.

Simeone merece. A chegada de El Cholo ao comando técnico do Atléti foi um divisor d'águas para o time. Fadado ao fracasso com Manzano, os rojiblancos se recuperaram de maneira espetacular e chegam a segunda final europeia em três anos. O argentino, que foi campeão com o Atlético de Madrid como jogador, vê que o status de ídolo do clube permanece intacto As comemoração efusiva do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O paradoxo de Bilbao

O Athletic Bilbao da Liga Europa encanta e é favorito para conquistar a taça (AP Photos)

O Athletic Bilbao é um time confuso. E, ao mesmo tempo, confiável. Esse paradoxo se explica com certa facilidade: os leones têm feito, na Liga Espanhola, campanha bastante irregular. No início da semana, após o quarto tropeço consecutivo, perante o Sporting Gijón no San Mamés, cravei sem hesitar: não vão à próxima Champions League. A equipe não consegue emplacar uma sequência de vitórias e somam 11 empates. Um desempenho abaixo da crítica se comparado ao que os comandados de Bielsa têm feito em âmbito continental. Na Liga Europa, é show atrás de show. A eficiência da equipe é praticamente incontestável, sobretudo no mata-mata, quando conseguiu vitórias convincentes ante Manchester United e hoje contra o Schalke 04 de Raúl na Alemanha. Vale citar o triunfo sobre o PSG na fase de grupos. Comparações à parte, o Athletic Bilbao da Liga Europa é um Athletic Bilbao à Barcelona.

O Athletic Bilbao da Liga BBVA
Não importa se o início de temporada tenha sido preguiçoso ou se adversários como Rayo Vallecano, Bétis, Villarreal, Racing Santander e Sporting Gijón tenham sido mais duros do que o que se esperava. Os tropeços em casa para as equipes acimas - entre empates e derrotas - certamente não estavam nos planos do torcedor mais pessimista do clube. São muitos pontos desperdiçadas de maneira infantil, que o impedem de brigar ponto a ponto por Champions League. A diferença do Athletic para o Málaga, último clube da zona da competição, é de nove pontos.

Bielsa não esconde a insatisfação com a irregularidade apresentada no competição nacional, mas logo trata de por panos quentes na situação sempre que perguntado. O argumento do treinador é simples: o campeonato não acabou, faltam nove jogos e, matematicamente, a equipe ainda tem chances. Para os bascos torcedores do Athletic, o que mais deve interessar é o desempenho exercido pela equipe em solo europeu. Além disso, é sempre bom lembrar: o bilbaínos estão na final da Copa do Rei pela segunda vez em três anos.

O Athletic Bilbao da Europa
Rodada após rodada, o Athletic Bilbao prova seu valor na Liga Europa. A disposição em campo é outra. A vontade vencer, maior. São fulminantes, agressivos, marcam com muita intensidade e são fatais em contra-ataques. O time tem sido competente e é dado por muitos como favorito a copar a taça.

A eliminatória contra o Manchester United e o jogo de ida contra o Schalke 04 foram muito importantes ao Athletic. O time vinha de uma classificação duvidosa ante o Lokomotiv, em que jogou muito mal na Rússia, mas as três vitórias consecutivas, incluíndo duas em solo inglês e alemão, foram obtidas com grande superioridade por parte do Bielsa Team. A vitória de hoje contra o Schalke 04 foi a prova da força desse time. Nem mesmo a excelente partida de Raúl, autor de dois gols e jogador que mais levava perigo à meta de Iraizoz, impediu que virada fosse construída. Novamente, pratas da casa fizeram a diferença: Susaeta foi o nome do jogo e Muniain, De Marcos e Llorente marcaram os gols da vitória.

Assim, os Leones Indomables, com El Rey León na referência, e o genial e genioso Marcelo Bielsa, taxado por Guardiola de melhor treinador do mundo, conquistou a Europa. E continua vivo rumo ao histórico título europeu.

Texto de Rodrigo Weber, da Trivela, que explica melhor a parte tática da equipe de Marcelo Bielsa. Vale a leitura, clicando aqui

domingo, 25 de março de 2012

Muito difícil

Muniain lamenta: conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se algo muito difícil para o Athletic Bilbao (getty images)

O novo tropeço do Athletic Bilbao na Liga Espanhola deixou a equipe a 9 pontos do Málaga, última equipe da zona de rebaixamento. A sequência negativa de quatro tropeços consecutivos (sendo três derrotas) esquiva o time basco do pelotão de cima. Em suas declarações após o empate contra o Sporting Gijón hoje, Marcelo Bielsa deu a entender que, no momento, conquistar uma vaga na próxima Uefa Champions League tornou-se tarefa árdua.

Iñigo Pérez, por outro lado, mantém uma visão otimista. O meio-campista citou que há muitos jogos ainda pela frente, mas afirmou que o sentimento do vestiário é de pessimismo e dor. Com mais nove jogos a serem disputados, é muito difícil acreditar que os leones ainda possam alcançar o quarto lugar. Por mais que a disputa esteja muito embolada, os últimos resultados do Málaga quebra o protocolo de que até o Rayo, na 11ª colocação, poderia sonhar com a competição europeia. A única situação imaginável é Levante ou Osasuna (ou até mesmo o Espanyol) roubando a vaga da equipe blanquiazul, que, aliás, chegou aos mesmos 47 pontos do Valencia. Até o Atlético de Madrid de Simeone está numa situação delicada. Hoje, perdeu em Aragão para o lanterna Zaragoza.

Porém, o canterano basco, em sua declaração, condicionou uma possível vaga a um fato importante: o Athletic Bilbao precisa de uma sequência de vitórias para manter o sonho vivo. É esse fato, entretanto, que quase liquida as chances de retornar à Champions. A campanha feita pelos leones na competição não reserva grandes sequência de vitórias. Apesar de ter ganho os holofotes nas últimas semanas pelo excelente futebol desempenhado na eliminatória contra o Manchester United na Liga Europa, quem acompanha o futebol espanhol sabe que o Athletic Bilbao tem feito uma competição muito irregular. Acreditem: a maior sequência de vitórias da equipe de Bielsa foram duas, em outubro. Exatamente as duas primeiras: venceu a Real Sociedad e, no final de semana posterior, o Osasuna. A equipe vive de altos e baixos e não dá pinta de que vá engrenar justo nessa reta final.

Muito disso passa pela fase do elenco. O plantel é limitado e criou-se uma Llorentedependência absurda, que tem-se evidenciada nos últimos confrontos. O treinador argentino ainda não achou soluções para a ausência do centroavante. Sem escolhas, chegou até a improvisar Susaeta na derrota de semana passada para o Valencia, por 3x0, na Catedral de San Mamés. As múltiplas lesões musculares condicionam a temporada do principal centroavante do elenco, que, quando apto, já provou ser muito mais do que essencial. Os bascos também sofrem por terem vários atletas com um desempenho abaixo do ideal: San José, principalmente, Toquero e Iraola foram acometidos por esse mal. Poucos são os jogadores de destaque: apenas Muniain, Ander Herrera, De Marcos e Llorente fazem temporadas aceitáveis e de elogios.

Atualmente, o mais importante para o Athletic Bilbao é apostar suas fichas na Liga Europa, ainda mais após a classificação perante os Reds Devils. Nas quartas-de-finais, os bascos encararão o bom time do Schalke 04, terceiro colocado da Bundesliga e comandado por Raúl e Huntelaar, que, durante seu pequeno período no Real Madrid, marcou duas vezes ante os leones. O clube tem dois trunfos na maga: a imprevisibilidade do mata-mata e o técnico Marcelo Bielsa, que mostrou no último jogo que entende do torneio. Além disso, o Athletic tem pela frente mais uma final de Copa do Rei contra o Barcelona. Mais do que nunca, são nas duas competições que El Loco e seus comandados devem se apegar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os Xavis rojiblancos

Ander Herrera disputa bola com Ashley Young. O cérebro do Athletic Bilbao tem sido comparado com Xavi (getty images)

A quinta-feira de Liga Europa foi de festa para os espanhóis. Ainda que tenha sofrido dois gols no segundo tempo, é aceitável pensar num Valencia numa vantagem confortável na visita a Holanda. A vitória por 4x2 dá aos chés a sensação de 80% da vaga nas quartas-de-finais garantida. O Atlético de Madrid, por sua vez, passeou. Os 3x1 ante o Besiktas soa como mentiroso para quem assistiu os 90 minutos de uma partida dominada por total por uma única equipe. Levando a sério, os rojiblancos não deram espaços aos turcos. Os golaços de Salvio (dois) e Adrián ainda na primeira etapa, no entanto, diminuiu o ritmo dos comandados de Simeone nos noventa minutos finais e um gol do ex-Atléti Simão Sabrosa, que não comemorou o tento, dá um pingo de esperanças ao Besiktas.

Mas o vencedor da noite foi o Athletic Bilbao. Apoiado por oito mil torcedores, foi capaz de um feito histórico em Old Trafford. Os leones se impuseram contra o Manchester United e, mesmo saindo em desvantagem no marcador, demonstraram qualidade suficiente para obter triunfo por 3 a 2. Agora, Alex Ferguson e seus comandados terão que se virar diante de 40 mil pessoas no estádio San Mamés se quiserem a classificação na próxima quinta-feira. O clube se agigantou e confirmou duas certezas: tem um elenco com jovens bastantes promissores que podem tornarem-se tops no futuro e a segunda e mais importante é que tem condições de disputar competições de alto nível. Na briga e favorito para copar uma das vagas na próxima Liga dos Campeões no Campeonato Espanhol, a vitória em Manchester volta a ratificar que a equipe tem poderio suficiente para fazer bonito.

Daniel Leite, colunista de futebol inglês para o portal IG, tocou no ponto certo em sua análise da partida: nada disso é acaso. Além da elogiável concepção de futebol, Bielsa é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. E, assim, o Athletic lembra em certos pontos o Barcelona. Já citei isso em alguns textos, mas é sempre bom lembrar: a marcação pressão, a procura pela posse de bola e os habituais ataques em bloco elevam os bascos a condição de equipe que, excetuando Barça-Madrid, joga o futebol mais belo do país das touradas. As atuações de Muniain, De Marcos, Javi Martínez, Susaeta, Llorente e Ander Herrera foram destacáveis.

Entretanto, quem mais chama a atenção é o último nome. Ander Herrera é, para o Athletic Bilbao, o que Xavi é para Barcelona. Ele é o cérebro da equipe. Dita o ritmo do jogo, tem a paciência para fazer a bola rodar, sabe a hora de cadenciar e põe seus companheiros em condições de gol. O xodó de Marcelo Bielsa faz uma temporada irretocável. Após passar por apuros no Zaragoza, sendo destaque de uma equipe limitada, e ter sido um dos nomes da Espanha campeão europeia sub-21 no verão, chegou ao Bilbao com status. Com 21 anos, caminha para ser realidade. As 9 assistências na temporada confirmam a importância sua à equipe. O meio-campista é ótimo em posicionamento, passe e marcação e joga como se tivesse uma década de profissional. Se aprender a marcar gols, vai marcar época.


No Atlético de Madrid, o Xavi atende por Koke
Voltamos à vitória do Atlético. Que assistência linda o jovem Koke deu para Salvio marcar. Até brinquei no twitter na hora: lembrou Xavi lançando e Messi marcando de cavadinha. Em certos pontos, comparações são exageradas e nem é meu tipo querer fazê-las. Koke já havia sido uma das revelações da Liga passada. Há muitos anos em Madri fala-se nele, volante com características de armador e que queimava etapas nas categorias de base colchoneras. Lançado durante a temporada 2010/2011 no Atlético de Madrid, mostrou personalidade e colaborou na campanha de recuperação que culminaria em vaga na Liga Europa. Com Simeone, tem ganhado mais moral e chances. Jogado mais adiantado, participa das trocas de passes da equipe. Na Liga Europa, aparece mais. Koke é um meio-campo central dos mais cerebrais. É o futuro do Atlético de Madrid.

Nas divisões de base, sempre foi destaque, seja por Atlético de Madrid ou pela seleção espanhola. Em 2008, havia sido o regente, ao lado de Thiago Alcântara, da Fúria Sub-18 campeã europeia. Há uma semana, entrou em campo contra o Egito e deve ser nome certo no grupo que vai aos Jogos Olímpicos. Bem talentoso, impressiona quase sempre que entra nesta temporada. Com 19 anos, já é xodó da torcida e, mesmo sendo reserva, tem 5 assistências. Já é uma industria espanhola fabricar meias cerebrais. Dos promissores, fica o exemplo: Thiago Alcântara, Canales, Ander Herrera...

Alguns colchoneros já pedem sua presença na seleção de Del Bosque. Talvez não seja para tanto, até pelo fato do setor estar povoado de jogadores de níveis superiores. Mas, dependendo de sua evolução e liderança nas divisões inferiores espanholas, é provável imaginar o nome de Koke em alguma das próximas convocações do treinador madrilenho.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Visita ao Old Trafford

Em seu melhor momento da temporada, o Athletic Bilbao vai encarar o Manchester United confiante (getty images)

Nesta quinta-feira, 8 de março, o Athletic Bilbao vai a Manchester encarar o Manchester United pelo jogo de ida das oitavas-de-finais da Liga Europa. A partida marca um divisor d'águas na história do Athletic Bilbao nos últimos tempos. Brigando para voltar a disputar Champions League, a equipe tem condições de fazer história na segunda principal competição do velho continente. O treinador escocês Alex Ferguson, o volante Carrick e o goleiro espanhol De Gea já destacaram os pontos fortes dos bascos. O ex-Atlético de Madrid deixou claro que o desempenho tem que melhorar caso o Manchester queira se classificar. Em âmbito europeu, os Red Devils têm deixado a desejar. A eliminação precoce na LC foi marcada por derrotas para Basel e Benfica e empate contra Otelul Galati.

Marcelo Bielsa parece ter claro em mente que irá ao Old Trafford com sua melhor equipe disponível. O onze de gala, contudo, não terá a presença do suspenso Amorebieta, expulso contra o Lokomotiv Moscou por ter recebido dois cartões amarelos. Em sua ausência, provavelmente deve jogar Iturraspe, que, aliás, foi titular no dérbi vasco. O provável também é que Javi Martínez volte ao centro da zaga puxando Iturraspe para a volância. Nada deve mudar em relação aos jogos importantes da temporada. Iraizoz; Iraola, Javi Martínez, San José, Aurtenetxe; Iturraspe, De Marcos, Ander Herrera; Susaeta, Llorente, Muniain é a equipe que deve entrar no Old Trafford, salvo algum imprevisto.

A cidade de Bilbao está uma verdadeira loucura com a temporada de seu principal representante no futebol. A 6ª colocação na Liga Espanhola, somadas a final da Copa do Rei e o duelo contra o Manchester elevam à condições de heróis o clube. É algo histórico e os aficionados sabem disso. De acordo com o Mundo Deportivo, a viagem da torcida basca a Manchester será o maior movimento de uma torcida a outro país, excetuando as finais de LC e Liga Europa/Copa da Uefa. Além das 4.138 entradas iniciais recebidas pelo Athletic por parte dos Reds Devils, o escasso interesse que a torcida mancuniana demonstra pela Liga Europa provocou um aumento na carga: mais 2.500 cargas estão à disposição dos torcedores rojiblancos. O esperado é que 8.000 torcedores vão à Inglaterra assistir ao duelo. Por questão de segurança, a Ertzaintza, departamento policial do País Basco, também viaja a Manchester para coordenar, junto com a polícia local, a segurança referente ao encontro.

Confiante, os leones irão para o jogo de ida sem medo. O poder de fogo do Athletic Bilbao contrasta com o interesse aparente do Manchester United na competição. Hoje, o Athletic Bilbao, em desempenho, é a terceira melhor equipe da espanha. Chegou à maturidade com os reforços cirúrgicos, a manuntenção da base, a progressão de alguns jogadores da era Caparrós, o resgate do melhor Llorente, uma defesa mais segura, um meio-campo técnico e combatente e um Muniain cheio de gás na esquerda. O futebol de toque de bola, marcação pressão e paciência para chegar ao gol lembra, de longe, o do Barcelona. E, como sabemos, os blaugranas derrotaram por duas vezes o time de Ferguson em finais de LC recentemente. O favoritismo está do lado vermelho, mas os rojiblancos estão no topo do País Basco e no trilho certo para voltarem à Champions League e avançarem de fase na Liga Europa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Volta por cima

O mau início de temporada do Athletic Bilbao foi deixado para trás com a vaga na final da Copa do Rei (AS)

Quando lançou sua candidatura à presidência do Athletic Bilbao, Josu Urrutia antecipou que tinha um antigo desejo de contratar Marcelo Bielsa. Não deu em outra: o presidente ganhou com uma vantagem considerável do rival Fernando García Macua e o argentino desembarcou no País Basco para susbstituir Joaquín Caparrós. No início, a torcida não ficara muito satisfeita. Caparrós era um treinador querido, que estava no clube desde 2007. Mas não demorou para o pensamento dos bascos irem mudando. Conhecido por sua proposta de jogo voltada ao ataque, Bielsa herdou de Caparrós uma excelente base para continuar seu trabalho.

Entretanto, os primeiros jogos de El Loco no comando técnico bilbaense não foram agradáveis. A equipe começou a Liga num ritmo lento, perdendo três e empatando dois nos primeiros cinco jogos. O fato de somar apenas dois pontos em 15 disputados começou a deixar a torcida com um pé atrás com o argentino, que, por sua vez, manteve-se tranquilo e pediu sequência, necessário em um trabalho como esse. O divisor d'águas para Bielsa veio exatamente naquele que os aficionados consideram um dos jogos mais importantes da temporada: o dérbi basco. Contra a Real Sociedad, que à época era a equipe sensação da Liga, um doblete de Llorente em pleno Anoeta deu uma vitória que mudou os rumos de Bielsa e do Athletic Bilbao na temporada.

Hoje, quatro meses após o dérbi, o Athletic Bilbao é outro. Ao golear o Mirandés por 6 x 2, garantiu o retorno à final da Copa do Rei, três anos depois de ser vice-campeão perante o Barcelona. Não bastasse isso, os leones também garantiram automaticamente uma vaga nas competições europeias em 2012/2013. Na Liga, ocupa a 6ª posição e é um candidato real a tomar a vaga do Levante na zona de Champions League. Atualmente, o único time que duela de igual para igual com os leones é o Atlético de Madrid, apesar de Espanyol, Osasuna e Málaga também estarem vivos.

A sensação é de evolução. É difícil basear-se num jogo contra um adversário inferior em todos os aspectos, mas o Athletic que despachou o Mirandés o fez com louvor. Sem nenhum poupado, deu uma aula de futebol à equipe da Segunda División B. A troca de passes no meio-campo e as tabelas frente à área do Mirandés enlouqueceram a equipe do treinador Carlos Pouso, que foi sucumbindo à medida que o jogo passava. Quanto mais forçava, mais o Athletic ficava perto do gol. E os trabalhos iniciou-se cedo, com Muniain marcando aos 10. Foi um recital. Iturraspe, Ander Herrera e De Marcos formam um excelente trio de meio-campo, enquanto Susaeta, Llorente e Muniain se completam na frente. O centroavante recuperou a forma do primeiro semestre de 2011 e faz 2012, por ora, impecável.

Bielsa implantou no Athletic Bilbao uma característica fundamental que, pelo visto, o elenco parece ter se adaptado com completo: a marcação pressão. Com três jogadores pressionando o adversário, a bola é recuperada com facilidade e fica com os jogadores. A posse de bola também aumentou consideravelmente em relação à temporada passada. Há duas semanas, quando foi goleado pelo Real Madrid, o Athletic saiu do Bernabéu com 52% da posse de bola. Bielsa já avisou: o objetivo não é jogar a final da Copa, e sim ganhar. Seja contra quem for. A vocação ofensiva e a marcação pressão que pode chegar a diminuir a posse de bola do Barcelona (58% foi a posse do Barça no confronto do San Mamés, no primeiro turno) podem levar o Athletic ao título.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O que Bielsa não vê

O Athletic Bilbao 2011/2012 vive de lampejos e ainda não embalou. Para Bielsa, não há motivos para mudanças (AP Photos)

Marcelo Bielsa chegou sob expectativas ao Athletic Bilbao. Cinco meses depois, o argentino vive uma fase inconstante nos bascos. Tenta passar um plano de jogo adequado à equipe, mas não consegue enxergar seus erros para fazer mudanças. A cada jogo na temporada, o Bielsa Team deixa dúvidas quanto à sua capacidade. Desperta elogios da mídia pelo seu jogo valente e uma proposta de jogo atraente, baseada no Barcelona. Mas não corresponde dentro de campo: os resultados são discretos. Isso abre um debate em torno de certas decisões de Bielsa. O rosariano vê coisas que seus comandados não conseguem exercer. Por outro lado, há determinadas ações que o mundo considera evidente, porém Bielsa não consegue enxergar.

Ontem, o Athletic encerrou sua participação na fase de grupos da Liga Europa. Com uma equipe repleta de reservas, perdeu para o PSG na França. Aceitável, até porque já estava classificado. Mas há cinco pontos que, por ora, deixa Bielsa cegamente, insistindo nesses erros.

1) A posição de Javi Martínez

Uma das maiores controversas de Bielsa, e que vem ganhando mais força a cada semana, é a posição em que Javi Martínez tem atuado nesta temporada. O melhor volante da Liga BBVA 2009/2010, o que valeu uma vaga no elenco campeão mundial na África do Sul, vem sendo improvisado inutilmente como zagueiro. Para Bielsa, está perfeito, enquanto muitos reprovam a utilização de Javi na linha defensiva. A cada coletiva, Bielsa insiste em cair em seu erro. "É o melhor jogador da equipe há várias partidas", disse há duas semanas. O jogador não tem falhado diretamente nas derrotas rojiblancas, mas é fato que transborda muita mais qualidade quando jogando em sua posição de origem. Iturraspe, que tem atuado na faixa onde Javi mais gosta, não tem comprometido também, mas é fato que o nível é outro.

2) Desacerto ofensivo
O jogo do Athletic Bilbao é baseado na posse de bola, na criação de jogadas pelo meio (isso explica o fato de Muniain ser o preferido de Bielsa) e nas jogadas aéreas. Entretanto, a conclusão das mesmas, o remate e a definição das jogadas é algo que, por ora, os rojiblancos têm pecado. A equipe gera ocasiões, maiores até que seus adversários, mas a efetividade tem sido zero. Parece, mesmo não sendo, uma equipe pequena que está voltando à elite. Sem a presença de Llorente, então, as oportunidades desperdiçadas são maiores. Mesmo que não esteja em boa fase, o centroavante é indispensável, pelo fato de não haver substituto para suas ausências no elenco. Mas para Bielsa o objetivo está cumprindo se, pelo menos, haver oportunidades de gols. Analisando: se o Athletic Bilbao perder, mas criar mais oportunidades que seu rival (o que, de fato, vem acontecendo), o argentino está "satisfeito".

3) Sem Llorente não há gol
A ausência do 9, que ficou de fora das últimas três partidas, por desconfortos musculares, minimizou o poder ofensivo da equipe, ainda que, para Bielsa, o fato seja esse: "também tínhamos problemas para conseguir gols com Fernando Llorente em campo. Llorente não é aquele jogador especial que poder dar títulos, apesar de seu treinador confiar nele", declarou. Sua proposta é trocar jogador por jogador para tentar achar um substituto para Llorente, mas quem vem sendo improvisado como referência não tem nenhuma característica de homem de área. Acreditem ou não, mas o falso nove rojiblanco é Toquero. Incrível, não?

4) Falta de frescura
É evidente que em uma equipe que aposta, cega e insistentemente, pela criação ofensiva vê-se limitado se os planos não estão claros. Os mais criativos, como Ander Herrera, Iturraspe, Muniain, De Marcos ou Susaeta, à exceção do terceiro, não estão oferecendo suas melhores prestações. A acumulação de esforços e levando em conta que Bielsa não é nada afeito a rotações parece estar deixando os jogadores desgastados mais cedo. O perigo, analisando esse ponto, é os jogadores titulares chegarem à reta final da temporada sem nenhum poderio e, assim, fazendo com que a equipe corra o risco de não disputar nenhuma competição europeia. No entanto, para o argentino, isso é besteira. "Meus jogadores criam oportunidades durante todo jogo. Não falta nenhuma frescura mental", disse após o empate contra o Barcelona.

5) Estratégia inútil
Em 2010/2011, o Athletic foi a equipe que mais soube usar as jogadas aéreas. Hoje, passou do melhor a um dos piores. Desperdiça praticamente quase todas as faltas alçadas à área e os escanteios têm sido inúteis. Na temporada passada, foi o líder nesse quesito. Além disso, a zaga sofre com essas jogadas. Os euskaras perderam três jogos com gols sofridos pelo alto. O curioso é que, nos três, foi faltando cinco minutos para o término.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

8ª rodada: Azul e grená são as cores

Para o alto, e avante: após vencer o Real Madrid, o Levante deu mais uma prova de força ao bater o Málaga. Quem para a sensação espanhola? (reuters)

Com uma postura cada vez mais convincente, o Levante fez mais uma vítima no campeonato. Em mais um grande teste, os azulgrenás foram aprovados após vencerem com contundência o Málaga por 3 a 0 no Ciutat de Valencia. Os andaluzes não suportaram o voo de um time muito bem armado, que tem uma base sólida na defesa e joga sem sofrer riscos. Enquanto o azul e grená de Valencia vai bem, o branco e negro do principal clube da cidade decepcionou: numa partida na qual dominou por completo o Mallorca, mas prendeu muito o jogo, o Valencia sofreu o castigo no último suspiro do duelo, permitindo o empate dos baleares na estreia de Caparrós. A rodada também marcou as novas decepções de Getafe e Villarreal, a recuperação de Zaragoza e, principalmente, Athletic Bilbao, que convenceu contra o Osasuna, e a continuação da invencibilidade de um inconstante Sevilla, que derrotou o Sporting Gijón e continua sem perder no campeonato. Confira, abaixo, o resumo da oitava rodada da Liga BBVA.

Levante 3x0 Málaga
Os granotes atravessaram sem maiores traumas um dos desafios mais complicados deste início de temporada: o Málaga de Pellegrini, que vem em boa fase. Se ainda havia alguém que desconfiasse dos valencianos mesmo após a vitória contra o Real Madrid, a equipe de Juan Ignácio Martínez segue calando a boca dos críticos: ontem, venceu com autoridade os blanquiazules, que foram engolidos pelos donos da casa. O Ciutat de Valencia é um dos maiores trunfos da sensação da temporada: nos últimos 13 jogos no estádio, os levantinos só perderam uma (incluindo aí partidas contra Barcelona e Real Madrid). O bom desempenho do Levante tem a ver com as palavras que Juan Ignácio Martínez passa aos seus comandados e a humildade com a qual o elenco trata esse período da equipe: no vestiário ninguém fala de título, Champions ou Liga Europa. O objetivo maior é conseguir a permanência na Liga. E, nesse ponto, os azulgrenás já estão muito bem encaminhados: com 17 pontos e a co-liderança ao lado do Barcelona, o Levante já acumula dois pontos a mais que os 15 conseguidos no primeiro turno da liga passada.

O Málaga sentiu muito a falta de Júlio Baptista. Isco, titular pela primeira vez na temporada, não substituiu o brasileiro à altura e foi peça-nula na esquerda. Cazorla, que começou a temporada muito bem, também não resistiu à dura marcação levantina e passou despercebido no duelo. A expulsão de Caballero foi determinante: expulso de maneira infantil (e até rigorosa), após "colocar" a mão na bola fora da área, o goleiro ainda viu o segundo gol do Levante sair na falta oriunda de sua expulsão e seu reserva, Rúben, cochilar também infantilmente frente a Koné no terceiro gol. O dia após a derrota ante o Levante foi de reflexão, visando o próximo jogo do Málaga: o Real Madrid, no La Rosaleda. Hoje, em entrevista à rádio Onda Cero, o treinador chileno criticou Florentino Pérez e José Mourinho, a quem já havia criticado na temporada passada.

Athletic Bilbao 3x1 Osasuna
Marcelo Bielsa já respira. Não bastasse a vitória no dérbi, o Athletic Bilbao deu mais uma prova de recuperação na temporada ao bater com contundência o Osasuna, em nova boa partida de Muniain. O treinador argentino, dessa vez, não inventou: jogou no 4-2-3-1 com Javi Martínez na volância (tem sido zagueiro neste início de temporada) e viu a melhor partida dos leones desde sua chegada ao País Basco. De pouco e pouco o estilo de jogo do treinador vai funcionando. Contra os rojos, vimos um Athetic Bilbao menos vertical que os jogos passados e praticando um futebol mais elaborado, com boas trocas de passes e prezando pela posse de bola. Muniain está em estado de graça: autor de um gol, La Joya, como vem sendo tratado por Bielsa, só cresce desde a chegada do argentino. Atrevido e ousado, o jogador marcou mais um gol e foi novamente o melhor em campo, jogando um pouco mais centralizado como de costume.

O Osasuna se entregou aos bascos à medida que os minutos passavam. Após iniciar o duelo com intensidade, caíram muito de produção após o 1 a 0 e morreram depois do 2 a 0, marcado por Gabilondo. Lamah foi o melhor rojillo em campo, dando muito trabalho a Ekiza e Amorebieta, e desbordando graças à sua velocidade. Contudo, acabou expulso após dar um tapa na cara de Muniain, mostrando um gesto de impotência. A defesa, mais vazada da competição, preocupa: já são 15 gols sofridos em apenas sete jogos. Para completar, o iraniano Masoud, que está fazendo muita falta no meio-campo rojillo, pode ficar mais seis meses de baixa após complicações na fratura no pé esquerdo. Quando a fase não é boa, nada dá certo.

Sevilla 2x1 Sporting Gijón
O Sevilla tinha que ganhar a partida ante o Sporting e ganhou. Sempre que continuar fazendo o que tem de ser feito, irá trilhar o bom caminho. O Sevilla de Marcelino está se convertendo em uma equipe confiável, que ganha quando tem de ganhar com mais ou menos sofrimento, e que quando não consegue vencer, ao menos empata. Com esse invejável ritmo, o conjunto nervionense já está em postos de Champions e se abastece de pontos antes de viajar para Barcelona. Não é um mal começo. É possível pedir mais a essa equipe, claro. Sobretudo mais continuidade no jogo, mais regularidade para dominar os rivais, mais controle de bola talvez, e por alguns momentos, mais presença ofensiva. Porém, o Sevilla segue oferecendo grandes serviços atrás (Varas esteve ótimo, Spahic esteve gigante e Escudé esteve regular), maneja os ritmos da partida perfeitamente e independente do resultado, dá a sensação de ter a situação sob controle. É aguerrido, muito aguerrido, e complicado.

O Sevilla desse domingo não foi brilhante, e não foi até hoje na Liga, mas foi efetivo, tremendamente efetivo. Nessa partida recebeu um gol, o que frustrou o récorde de imbatibilidade de Varas, mas Manu Del Moral se encontrou com as redes de forma impressionante, que aclarou seu panorama desde o começo da temporada e também o do Sevilla na partida. O conjunto nervionense, quando não tinha ainda as idéias claras ante um Sporting valente, se encontrou com o marcador à favor e optou pela solução que marca a toada de Marcelino nesses casos: recuar, dar um passo atrás e buscar definir nos contra-ataques ante uma adiantada defesa asturiana. Porém, o Sevilla não encontrou esses contra-ataques. Os jogadores de Preciado recuperavam quase sempre a bola e as imprecisões dos anfitriões não permitiram a criação de jogadas que metessem medo nos sportinguistas. Sofreu em algumas jogadas na área e novamente surgiu a figura de Varas, melhor goleiro do campeonato até aqui. Porém, teve chances em alguns contra-ataques desperdiçados. Assim chegou ao fim da partida, onde foi regular para matar o encontro e somar outros três pontos que colocam os nervionenses na zona nobre da classificação, e invictos.

Mallorca 1x1 Valencia
Matar a partida ou cozinhar à espera do apito final do árbitro? O Valencia que foi a Palma de Mallorca optou pela segunda opção e acabou engolindo em seco o gol de Hemed, de pênalti, aos 49 minutos do segundo tempo. Pênalti, aliás, que gerou muita discussão e resultou na expulsão do bom zagueiro Rami, que, segundo Paradas Romeros escreveu na súmula, o chingou com palavras de baixo calão no caminho ao vestiário após o término do jogo (o jogador teria chingado a mão do árbitro). A arbitragem de Paradas foi bastante controversa: os chés, além do pênalti mal marcado de Topal, reclamaram de um pênalti não marcado de Chico em Piatti quando o jogo ainda estava zero a zero. Para o Mallorca, valeu pela persistência. Na estreia de Caparrós, o ponto foi comemorado pelo treinador, que pediu mais o futebol apresentado no segundo tempo e menos apresentado no segundo tempo. O gol de Hemed foi o terceiro do israelense em três jogos, marca obtida somente por Eto'o, na temporada 2004/2005.

Getafe 0x0 Villarreal
Decepceções. Não há outra palavra que define melhor Getafe e, sobretudo, Villarreal. Os azulones por terem feito um ótimo mercado, ambicioso, e ter começado a Liga com uma vontade de brigar por competições europeis. Os amarillos pelos simples fato de ter conseguido manter Rossi e Nilmar em seu elenco. Os atacantes, por enquanto, não têm decepcionado, mas parecem sozinhos imerso num confuso Villarreal. O meio-campo, setor de destaque da equipe na temporada, bate cabeça sem a presença de Cazorla. De Guzmán, inexplicavelmente, tem jogado como armador da equipe com Borja Valero lesionado, em uma das ações sem explicação de Garrido. E é assim, com resquícios de crise, que o Submarino Amarelo viaja a Manchester para o jogo decisivo contra o Manchester City, pela LC. Sem opção, Garrido não teve outra escolha a não ser arriscar e convocar Borja Valero, que ainda não está 100%. No lado madrileño, a decepção fica por conta de Guiza, contratação mais cara da história do Getafe, mas que ainda não mostrou a que veio.

Zaragoza 2x0 Real Sociedad
Teria, tão cedo, acabado o encanto da Real Sociedad? Após começar a Liga Espanhola a todo vapor, chegando a tirar pontos do líder Barcelona, os txuri-urdins emplacaram uma sequência de três jogos sem vitórias e deixaram de vez o top-10. Em Aragão, a Real Sociedad fez sua pior partida na temporada. Com Griezmann novamente no banco e Xabi Prieto sobrecarregado no meio-campo pela má partida de Sarpong e Zurutuza, os bascos não levaram perigo algum à meta de Roberto. No lado maño, destaque para Helder Postiga, autor de um doblete, sendo um deles um golaço de bicicleta. O português, que já começava a ser questionado, respondeu à altura os críticos e foi essencial para a vitória, além de sair dem campo aplaudido pela primeira vez pela torcida. O domínio territorial valeu pela boa partida de Ponzio, que ganhou todas no meio-campo. A Real Sociedad, quem diria, tem sentido a falta de Illarramendi, lesionado. Mesmo após a terceira vitória consecutiva, Javier Aguirre manteve os pés no chão: "estou bastante satisfeito, mas ainda há muito o que trabalhar", alertou o treinador. Após o mau início de liga, o Zaragoza já soma nove pontos e ocupa a nona colocação.

Rayo Vallecano 0x1 Espanyol
Em um jogo bastante movimentado marcado pelo reencontro de Tamudo com o Espanyol, um gol de Romaric deu uma vitória merecida ao Espanyol, que segue sendo uma incógnita total. Valeu pela boa partida de Sérgio García, melhor em campo, e do canterano Thievy Bifouma, que segue caindo nas graças da torcida desde o doblete contra o Barcelona pela Copa Catalunha. Ramón Sandoval, treinador do Rayo Vallecano, foi valente o jogar num 4-2-3-1 que tornava-se um 4-3-3 super ofensivo, mas certamente não esperava um Rayo Vallecano sentindo o calor do meio-dia, horário cada vez mais contestado pela imprensa espanhola. Os ataques franjiroyos foram bastante previsíveis, sobretudo no segundo tempo, quando Christian Álvarez quase não teve trabalho. O treinador reclamou após partida da falta de ímpeto de sua equipe: "se não chutar a gol, não iremos vencer nunca", esbravejou após a partida. Pochettino, por sua vez, comemorou o resultado (merecido, nas palavras dos dois treinadores) e voltou a pedir paciência com essa "nova" equipe.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

7ª rodada: A primeira vez de Marcelo Bielsa

Gols de Llorente dão primeira vitória ao Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa na Liga Espanhola (getty images)

CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

terça-feira, 20 de setembro de 2011

4ª rodada: Surpresas

Irritado, Mourinho soltou o verbo na coletiva e não digeriu a derrota para o Levante (getty images)

Os jogos de domingo pela quarta rodada foram marcados pelas surpresas. Em seis jogos, três deles tiveram resultados que, antes da bola rolar, poucas pessoas apostariam. A principal, é claro, veio de Valencia: o Real Madrid de José Mourinho caiu para o Levante em um jogo polêmico e perdeu a invencibilidade na Liga Espanhola. Rayo Vallecano e Real Bétis, duas equipes vindas da Liga Adelante, também surpreenderam seus adversários: longe de seus domínios, venceram Getafe e Athletic Bilbao, respectivamente. A vitória no San Mamés garantiu à equipe verdiblanca a liderança da Liga Espanhola ao lado do Valencia.

Levante 1x0 Real Madrid
"Isento de culpa pela derrota apenas Kaká. O restante, incluindo eu, foram abaixo da média". As palavras de José Mourinho após o jogo no Ciutat de Valencia deixou claro que o Real Madrid fez sua pior partida na temporada. No meio da semana, contra o Dínamo Zagreb, já haviam atuado bastante mal, mas conseguiram sair com a vitória. Com Cristiano Ronaldo e Özil poupados (o português por sentir dores no tornozelo), o Real Madrid voltou a demonstrar muitos defeitos. E, pela terceira vez em seis jogos, teve um expulso. O cartão vermelho dado a Khedira tirou Mourinho do sério: "eles provocaram e Khedira caiu", disse o treinador, visivelmente irritado na coletiva pós-jogo.

O mal início dos jogadores da volância (Xabi Alonso, Khedira e Fabio Coentrão) já fazem Mourinho sentir falta daquele que nem estreou, mas é dado pelo treinador como a principal contratação no verão: Sahin. Contra o Levante, não houve jogo por esse setor e Kaká muitas vezes teve que recuar para fazer a bola chegar a Benzema. A opção por poupar Özil foi inexplicável: sem o turco-alemão e com a má partida de Xabi, os merengues bateram cabeça durante todo o jogo. O Levante pode se dar satisfeito não só pela vitória. Além de ganhar mais três pontos e parar o Real Madrid, os blaugrana chegaram à vitória através de Koné, contratado para substituir Caicedo, artilheiro da equipe na temporada passada e que rumou ao Lokomotiv. Se a grande incógnita da pré-temporada era saber que se a diretoria iria achar um substituto natural ao equatoriano, a resposta veio com um pouco de atraso, é verdade, mas em alto estilo.

Athletic Bilbao 2x3 Bétis
Antes do jogo, Marcelo Bielsa havia comentado que o crescimento do Athletic Bilbao após a vitória em Bratislava, pela Liga Europa, seria testado, de verdade, no duelo contra o Bétis. Acertou em cheio, ironicamente, o treinador argentino: os bascos foram sufocados pelos verdiblancos e perderam em plena Catedral. O 3-1-3-3 que El Loco tanto insiste novamente deu errado e os euskaras foram um caos. Os aficionados já têm demonstrado impaciência: após o término da primeira etapa e do jogo, vaiaram o treinador, a quem havia creditado muita confiança. Muniain e Llorente foram os únicos que se salvaram da "ira" da torcida. O jovem, diga-se de passagem, a cada dia tem deixado de se tornar o xodó da torcida para tornar-se um ídolo.

A vitória no País Basco ratificou que o Bétis não voltou à elite à toa: segundo palavras de seu treinador, Pepe Mel, após o jogo, os andaluzes vão brigar por alguma competição europeia. O Bétis jogou como quis na Catedral: inteligente, marcou sob pressão e não deixou a bola rodar no meio-campo rojiblanco. Jonathan Pereira foi um demônio na esquerda e impediu que Iraola subisse para ajudar o ataque. Na frente, Santa Cruz, apesar de não ter marcado, teve papel importante. Contudo, Pepe Mel ainda tem algo a corrigir em sua equipe: nos minutos finais, o Bétis passou por apuros justamente por não ter matado a partida. Foram, na segunda etapa, mais de cinco ocasiões para sentenciar a partida. No mais, início verdiblanco é digno de aplausos e boa fase pode continuar. Os próximos cinco jogos não irão requer mais esforço dos comandados de Mel.

Atlético de Madrid 4x0 Racing Santander
De pouco em pouco o Atlético de Madrid vai se encontrando na temporada. Após deixar uma imagem positiva no jogo contra Valencia e Celtic, o Atléti enfim convenceu. Escalado no 4-2-3-1 tornava-se um 4-3-3 nas jogadas de ataque, os rojiblancos parecem, após muito tempo, ter um meio-campo de respeito. Reyes, à direita, Diego, centralizado, e, principalmente, Arda, à esquerda deram um recital. À frente, Falcão García decidiu e confirmou sua fama de goleador: triplete e promessa de briga pela artilharia. A consistência defensiva também começa a aparecer. Já adaptado à equipe, Mirando brilha a cada jogo e Álvaro Domínguez é um bom companheiro de zaga. Se, por um lado, Manzano comemora o aparecimento do bom futebol de sua equipe, por outro lado Héctor Cúper começa a se preocupar. O Racing Santander foi inócuo no Vicente Calderón. Não criou nenhuma oportunidade de perigo e mostrou bastante insegurança defensiva. Desse jeito, como disse o treinador, vai ser bastante complicado.

Zaragoza 2x1 Espanyol
No primeiro jogo entre Luis García e o Espanyol, o meio-campista deitou e rolou para cima de seu ex-clube. Além do doblete providencial, sendo o gol da vitória aos 49 da segunda etapa, o veterano esbanjou classe jogando aberto à esquerda na linha de quatro. Apesar da derrota, o Espanyol sai de campo com a cabeça erguida: fez um primeiro muito bom, mas não teve muita sorte na finalização. Javier Aguirre, treinador do Zaragoza, admitiu que "um empate seria o resultado mais justo". O Zaragoza, por sua vez, teve de positivo o poder de reação: após a expulsão de Javi López e a lesão de Verdú, melhor em campo, o Espanyol recuou, chamando mais os maños para seu campo. Quando parecia que o um a um seria o placar final, eis que apareceu Luis García para decretar a vitória maña, que se recupera no campeonato após a má estreia. Os aragoneses ainda não convenceram, mas já deram um passo à frente. Os catalões, por outro lado, vão de mal a pior a cada rodada.