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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E se Guardiola fosse o treinador da seleção brasileira?

 Guardiola e Daniel Alves juntos na seleção brasileira? Usamos a imaginação nessa matéria especial (getty images)

Por Pedro Galindo e Victor Mendes.
Originalmente feito a Doentes Por Futebol

Com o confirmação do nome de Luiz Felipe Scolari como novo comandante da seleção brasileira, acabaram-se de vez as especulações em torno de Josep Guardiola, que corria por fora na disputa pelo cargo. Apesar de apelos de alguns setores da crônica esportiva e dos torcedores, o ex-treinador do Barcelona foi prontamente descartado pela cúpula da CBF. As justificativas para o descarte - mesmo após o rumor de que o técnico catalão teria confidenciado a amigos que aceitaria dirigir a Canarinha - não fugiram de um previsível ufanismo cego e exacerbado: “não precisamos de treinador estrangeiro, nosso futebol é pentacampeão mundial”, entre outros pachequismos e demonstrações de soberba. A realidade - triste para nós, brasileiros - é que se pode contar nos dedos de uma mão os treinadores nacionais que estão no nível do tamanho do desafio. Felipão, a esta altura da carreira, não parece a escolha mais indicada: vem de péssimas temporadas e de um rebaixamento pelo Palmeiras, que a CBF preferiu esquecer e se apegar à mística da “Família Scolari”, que completou uma década em julho deste ano.

Entretanto, a Doentes por Futebol resolveu fazer um exercício de imaginação e especular como agiria Pep Guardiola, propalado por muitos como o mais revolucionário treinador dos últimos anos. Inicialmente, partimos do pressuposto de que Pep, cuja carreira foi construída no futebol europeu, tem pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro - o que já seria um grande obstáculo caso o catalão assumisse a Seleção. Portanto, se Guardiola tivesse sido escolhido pelo Excelentíssimo Sr. Marin, os jogadores brasileiros no futebol europeu certamente se encheriam de esperanças. Exatamente por isso, os que ainda atuam no futebol brasileiro provavelmente se sentiriam motivados a partir para o Velho Continente. Além disso, partimos também de indicações do próprio Pep: atletas brasileiros já elogiados por ele, especulações da imprensa catalã e esquemas táticos adotados pelo treinador.

O primeiro a celebrar seria Diego Alves, que saiu ainda menino do Atlético Mineiro para brilhar no futebol espanhol - antes no modesto Almería e agora, ainda que em menor intensidade, no Valencia. O goleiro, que já vinha tendo oportunidades com Mano Menezes, muito provavelmente seria lembrado por Guardiola, até mesmo por já ter fechado o gol contra o Barcelona treinado pelo próprio. Ponto negativo para Jefferson, Victor e Rafael, que atuam no futebol nacional e vêm recebendo oportunidades na posição. Na linha defensiva, Dani Alves, peça-chave do blaugranas nas últimas temporadas, teria toda a confiança para continuar como dono da camisa #2 da Seleção. Outro que certamente teria vaga no grupo é o multifuncional Adriano, lateral-coringa do Barça, contratado justamente por Guardiola.

Mas é nas laterais que o catalão teria um de seus maiores desafios: seu Barcelona se habitou a jogar com atletas diferentes em cada um dos lados do campo. Abidal, pela esquerda, se posicionava muitas vezes como um zagueiro, fechando o corredor esquerdo para dar a Daniel Alves a liberdade de brilhar na frente. Na Seleção, um “problema” impediria que a mesma estratégia fosse adotada: o Brasil hoje conta, talvez, com os dois melhores laterais do mundo. Marcelo vive grande fase no Real Madrid e Alves segue sendo decisivo pelo Barça. Guardiola dificilmente abriria mão de opções ofensivas deste quilate. A solução seria convocar um volante com mais poder de marcação, para cobrir as subidas dos alas. Esse cenário seria animador para Felipe Melo - feito de bode expiatório em 2010 e inapelavelmente banido da Seleção - e Luiz Gustavo, volante versátil do Bayern de Munique, que construíram suas carreiras no futebol europeu. Paulinho e Ramires, os atuais titulares, teriam que lidar com obstáculos distintos: o primeiro, com a já citada pouca familiaridade do treinador com os atletas atuando por aqui; o Queniano, por sua vez, provavelmente não teria muito espaço com o catalão justamente por seu jogo não ser muito baseado na troca de passes, e sim na condução da bola. Um jogador mais confiável para puxar contra-ataques, que teria que se adaptar ao estilo de jogo de Pep.

Na meia ofensiva, opção é o que não falta. No Barcelona de Guardiola, a espinha-dorsal era o 4-3-3. No entanto, embora a Seleção disponha de jogadores com muita qualidades, nenhum deles tenha, talvez, a técnica que Xavi e Iniesta têm para dominar o meio-campo adversário com tanta naturalidade. Jogadores que ditam o ritmo do jogo, comandam e trabalham a bola com baixíssimo índice de erros. Até por isso, o trabalho dos volantes teria que ser ainda mais especial do que o que Busquets faz no Barça. Dois jogadores brasileiros têm característica semelhantes às da dupla espanhola, mas não vinham tendo muita oportunidade com Mano Menezes: Ganso e Hernanes. O primeiro, aliás, já fora elogiado por Pep Guardiola, que o chamou de "brilhante" às vésperas da final do Mundial. Hernanes, bastante especulado no Barcelona há alguns anos, é outro jogador que teria a simpatia do treinador. Seria bastante possível eles ganharem mais oportunidades caso Guardiola assumisse a Canarinho.

Ronaldinho é uma questão emblemática. Despedido do Barcelona justamente por Guardiola, a lógica seria imaginar ele não tendo chances nenhuma de retorno à seleção. No entanto, poderia acontecer do catalão ter uma conversa séria com o gaúcho, a mesma que teve quando o demitiu, e tentasse, agora, contar com sua confiança. Aí, justamente, entraria outra questão: como Ronaldinho, Neymar e Kaká jogam no mesmo setor do campo, o santista seria utilizado como falso nove, cumprindo o papel que Messi faz no Barcelona? Muito provavelmente, sim. Embora, à primeira vista, contar com um centroavante seria mais necessário. Talvez Leandro Damião, que chegou a estar na órbita do Barça na temporada passada, ou Luis Fabiano, com passagens pelo futebol espanhol, ou até mesmo Fred.

Outro jogador que também tem a simpatia de Guardiola é Robinho, cotado para ser contratado em 2009/2010, mas que, segundo a imprensa espanhola, não teve a aprovação dos senadores do elenco barcelonista. Como o milanista também se destaca jogando mais do lado direito do campo, provavelmente seria uma opção de banco. Hulk ou Lucas, por ser um jogador capaz de cumprir uma boa função tática, jogariam aberto à direita, com Oscar centralizado tendo liberdade para armar o jogo a partir de sua faixa no campo. Outra probabilidade é o uso de Daniel Alves aberto à direita da linha de três. O baiano chegou a jogar com Guardiola na ponta direita, ao lado de Messi e mais um no ataque. Neste caso, Maicon e Rafael seriam os mais cotados para assumir a lateral direita.

De volta à realidade: como se sabe, Felipão é o novo treinador da seleção. Ao contrário de Pep, ele não vem de bons trabalhos: apesar do título da Copa do Brasil, acaba de ser corresponsável pelo rebaixamento palmeirense e, antes disso, fracassou espetacularmente no Chelsea, cercado de expectativas. Sem dúvida, Scolari não vive mais um bom momento em sua carreira. Seus resultados recentes são reflexo de suas convicções, muitas vezes atrasadas e anacrônicas: o futebol de hoje é bem diferente do de dez anos atrás, quando o treinador gaúcho conquistou seu maior título. Resta a nós, brasileiros, torcer para que sua experiência transmita a confiança que tanto falta à nossa promissora geração.

sábado, 26 de maio de 2012

O Barcelona de sempre

Na despedida de Guardiola, o Barcelona ganhou a Copa do Rei e teve atuação memorável (getty images)

O maior presente de despedida que o Barcelona poderia dar a Josep Guardiola aconteceu. Na final da Copa do Rei, que garantiu o 26º título da competição aos catalães, o Athletic Bilbao sofreu. Descansado e com a motivação de encerrar o ciclo sob o comando do treinador com o 14º título em 19 possíveis, seria natural que os azulgrenás fossem intensos e pressionassem os bascos desde o início. Mas o que se viu nos primeiros 25 minutos no Vicente Calderón foi o Barcelona voltando à sua essência, à proposta de jogo nos melhores momentos da equipe durante os quatro anos de domínio blaugrana. Os Reis de Copa, simplesmente, não deixaram o Bilbao respirar durante o primeiro terço da partida.

Como especulei um dia antes da final, o abalo psicológico ficou nítido no Athletic Bilbao. Acuados, foram presas naturais à marcação sob pressão fulminante do blaugranas. Os problemas começaram antes da bola rolar. Ander Herrera e Iturraspe não estavam sob condições de jogo e tiveram que ser descartados por Marcelo Bielsa, que resolveu abastecer seu meio-campo com o retorno de Javi Martínez à volância e deu oportunidade a Ekiza na zaga. El Loco sabia que, sem Ander, perderia em intensidade e passe. Para isso, resolveu deslocar De Marcos para fazer companhia a Javi na linha de dois. Para não perder a velocidade pelos flancos, iniciou com Ibai Gómez na direita do seu 4-2-3-1, com Susaeta na armação.

O resultado começou a ser construído cedo. A mil por hora, os azulgrenás tiveram duas chances nos primeiros dois minutos. Na terceira, Pedro colocou às redes. Foi de Pedro também o terceiro gol, o que abriu um novo debate: terminando a temporada em alta, o canário ainda teria lugar nos 23 de Del Bosque para a Eurocopa? A imprensa espanhola vinha dando como confronto direto por uma vaga o duelo do barcelonista com Muniain, convocado pelo treinador madrilenho contra a Venezuela. Substancialmente, Pedrito largou bem à frente do basco. Ao contrário do "rival", apareceu bastante no jogo, não apenas com gols, mas sendo importante nas infiltrações em diagonal, que tanto fez falta ao Barcelona na temporada. A excelente partida do camisa 17 certamente trouxe, paradoxalmente, dor de cabeça a Guardiola. Em partidas decisivas, como contra Chelsea e Real Madrid, Pedro certamente seria mais decisivo que Cuenca e Tello, não?

Outro fato evidenciado em campo foi a partida de Iniesta. Muito abaixo da média na temporada, El Albino, acredite, não se "deu bem" jogando ao lado de Fàbregas. Aconteceu que, muitas vezes, era ele quem fazia o lado esquerdo do ataque. Sem Fàbregas ou Keita e jogando em sua posição original, foi um dos melhores em campo no Calderón. É um aviso direto a Vicente Del Bosque, que precisa deixar de lado a ideia de utilizar Iniesta aberto à esquerda, ao menos que seja no 4-2-3-1. Autor do segundo gol, Messi fechou a temporada com estratosféricos 73 gols. O maior artilheiro da história do Barcelona lembrou, na maior parte do confronto, seus tempos de ponta-direita: bem preso ao setor, foi graças a uma infiltração sua que marcou o gol.

O título, e a maneira com a qual foi campeão, só ratifica que o ciclo vencedor barcelonista está longe de acabar. Tito Vilanova, o novo treinador, conhece a filosofia de jogo, é querido pelos jogadores e deve manter a mesma proposta de Guardiola. O Barcelona campeão terá outros tantos por muito tempo. O Barcelona nunca deixará de ter. O Barcelona nunca deixará de ser.

Espanha 2x0 Sérvia
Acabou agora há pouco na Suiça o amistoso da seleção espanhola. Sem os jogadores do Barcelona, Athletic Bilbao e Chelsea, Del Bosque aproveitou a partida para fazer muitos testes. Curiosamente, retornou ao 4-4-2, que, contudo, não deverá aparecer na Ucrânia e Polônia. A utilização do módulo tático deve ter sido para ver como Negredo e Soldado se sairiam. Os dois, contudo, passaram despercebidos em campo e pouco criaram oportunidades. A dúvida pelo terceiro atacante do elenco permanecerá, pelo visto. 

Nesse cenário, quem ganhou pontos foi Adrián López. O colchonero, sim, fez valer seus pouco menos de 25 minutos de chances. Na primeira oportunidade que teve, aproveitou um cruzamento de Jesus Návas e cabeceou firme para abrir o placar. O passe oriundo da assistência de Navas veio dos pés de Beñat, mais um bom armador da geração espanhola que certamente deverá ganhar oportunidades e aparecer com naturalidade nas convocações de Del Bosque após a Euro. Não irá jogar a competição, fatalmente, mas larga na frente para tentar ir à Copa do Mundo. Cazorla, autor do gol que sacramentou a vitória, praticamente sentenciou sua vaga no grupo que tentará o tri-europeu.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Confronto psicológico

 Em 2009, deu Barcelona. O Athletic Bilbao quer vingança, enquanto o Barcelona quer dar o último troféu a Guardiola. Quem vence? (getty images)

Amanhã, Barcelona e Athletic Bilbao finalizam a temporada de elite espanhola disputando a final da Copa do Rei, no Vicente Calderón, em Madrid. O final de temporada reservou surpresas desagradáveis às duas equipes. Sobretudo ao Barcelona, que, num período de sete dias, foi eliminado da Champions pelo o Chelsea, perdeu para o maior rival Real Madrid em casa dando adeus às possibilidades de títulos espanhol e ainda viu Guardiola confirmar que não irá renovar seu contrato com o clube. Sem mais nada para fazer, os últimos jogos barcelonistas na Liga serviram somente para Messi tornar-se o maior artilheiro da história do futebol espanhol e europeu (50 gols em solo nacional, 77 no geral).

Curiosamente, Guardiola pode se despedir do Barcelona justamente na competição na qual foi campeão pela primeira vez como treinador. Em 2008/2009, foi a Copa do Rei que abriu a galeria de troféus do catalão, que viria a ganhar mais dois títulos na temporada e seis no ano. De lá para cá, Pep e o Barcelona iniciaram um ciclo vencedor, mostrando um futebol vistoso e ofensivo, chamando a atenção do mundo. Para alguns, o Barcelona de Guardiola foi o melhor time da história do futebol. Como tudo na vida, esse ciclo também terá o fim. Quando Fernández Borbalán encerrar a partida, a era Guardiola irá finalizar. Alguns esperam pelo início da era Tito Vilanova, auxiliar técnico de Pep e novo treinador dos azulgrenás a partir da próxima temporada.

O Barcelona que chega à final é um retrato da temporada. Bagunçado e repleto de dúvidas, Guardiola terá que quebrar a cabeça em seu último jogo. Sem Daniel Alves, Puyol e Abidal e com Piqué dúvida até última hora, o catalão não terá à sua disposição a zaga titular. As interrogações são muitas. Lateral direito da Espanha Sub-21, Montoya recebeu chances nos últimos jogos e, segundo especula o Diário Sport, pode começar de titular. As outras opções de Pep é jogar num 3-4-3 com Busquets improvisado, Mascherano e Adriano na zaga e Keita ou Thiago acompanhado Xavi, Iniesta e Fàbregas no meio-campo. O hispano-brasileiro se recuperou de dores nas costas e está convocado para a final. Guardiola também pode mandar a campo uma escalação mais preservada: um 4-3-3 com Busquets e Mascherano na zaga, Montoya e Adriano nas laterais e Keita na volância. Em qualquer caso, vale lembrar, Piqué não é baixa confirmada e pode ir aos gramados, mesmo que sua utilização seja forçada.

As diversas lesões principalmente dos homens de zaga condicionaram a temporada blaugrana. Um dos culpados pelo ano abaixo da média, o setor vem ganhando atenção especial no mercado. Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta correm atrás de reforços. O mais especulado é Thiago Silva, embora o Milan peça um preço bastante alto. Na última semana, surgiu a especulação de que os rossoneros teriam pedido Thiago Alcântara mais 10 milhões de euros em troca do brasileiro. Conhecido por blindar seus canteranos, é difícil imaginar o Barcelona se desfazendo do mais promissor deles. Até o rival Javi Martínez surge como sonho de consumo, o que ganhou mais forças após os atritos com Cristiano Ronaldo no confronto contra o Real Madrid na Liga. David Luiz e Adil Rami também estão na órbita barcelonista. A ideia é fechar com dois deles, já que, para Tito, improvisar Mascherano é blindar seu talento na volância, mesmo após a grande temporada de El Jefecito na zaga.

Quando se diz em aspecto psicológico, o maior refém dele é o Athletic Bilbao. A perda da Liga Europa para o Atlético de Madrid foi um baque completo. Toquero, há dois dias, afirmou que os jogadores ainda sentem a derrota e que o necessário é virar a página. Muita verdade. Abatido e para baixo, os Leones podem ser presa fácil de um Barcelona que, certamente, vem à toda para dar o último troféu a Guardiola. Assim como o barcelonista, Marcelo Bielsa também tem dúvidas. Na coletiva antecedente ao jogo, o argentino afirmou não ter em mente o onze inicial para a final. "Só irei decidir uma hora antes da bola rolar", disse. 

Apesar da incógnita, o provável é que o onze de gala basco seja formado: Iraizoz; Iraola, Javi Martínez, Amorebieta, Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente. A tática inicial é desconhecida. Em Bucareste, a fim de ir para cima e pegar o Atlético de Madrid desprevinido, El Loco iniciou no 4-3-3. Mais cauteloso, deve começar contra o Barça no 4-2-3-1. Os volantes rojiblancos, que sustentam o modo de jogar de Bielsa, serão importantíssimos. Iturraspe e Ander Herrera eram dúvidas até ontem, quando o argentino acabou com o mistério e confirmou a presença da dupla. O encaixe da proposta de jogo rojiblanca passa necessariamente pelos pés de Ander Herrera, que precisa escapar da marcação forte do meio-campo azulgrená. Na final da Liga Europa, vale lembrar, Herrera foi um desastre e o Athletic sucumbiu.

A final também marca um confronto de estilos semelhantes. Conhecido por desempenhar um futebol para frente, ofensivo, Barcelona e Athletic Bilbao possuem as melhores canteras do futebol espanhol. A escalação inicial das duas equipes falam por si só: no lado basco, é provável que apareça oito canteranos, enquanto os catalães devem irem a campo com sete (excetuando Piqué, que, como informado, ainda permanece sob dúvidas). De um lado, o Athletic Bilbao de Lezama; do outro, o o Barcelona de La Masía. Que vença o melhor.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O sucessor

 Sombra de Guardiola, Tito Vilanova terá a difícil missão de substituir seu amigo no comando técnico do Barcelona (AP Photos)

É tempo de mudança de ciclo no Barcelona. Na última sexta-feira, Josep Guardiola se reuniu com Sandro Rosell e Andoni Zubizarreta para decidir que não irá mais permanecer no comando técnico da equipe a partir da próxima temporada. Com a saída de Guardiola, os azulgrenás serão treinados por Tito Vilanova, auxiliar técnico do atual treinador barcelonista e até hoje um ilustre desconhecido para quem não acompanha o futebol de base na Espanha. Uma mudança não tão drástica no comando da equipe, já que Tito é adorado pelo elenco, que concordou num ato unânime o nome do novo treinador, e conhece a filosofia de jogo e as formas de treinar de Guardiola.

Catalão de Bellcaire, aos 42 anos Vilanova assume o maior desafio de sua vida profissional. A história de Guardiola e seu auxiliar começou cedo. Os dois são amigos de infancia. Coincidiram em La Masía no final dos anos 1980; porém, Vilanova não teve a mesma sorte de Pep. Fora das canteras barcelonistas, jogou duas temporadas no Figueres, pequeno clube da Catalunha, e mais tarde no Celta Vigo. Sua aventura na Galícia fora rápida: não durou um mês e Vilanova se transferiu ao Badajoz. De poupa em poupa, o catalão seguiu seu caminho: Mallorca, Lleida, Elche e Gramenet foram os outros clubes por onde passou. Após não estacionar em um lugar, resolveu se aposentar, em 2002.

Nesse mesmo ano, voltou à sua casa. No retorno ao Barcelona, foi encarregado de treinar o Cadete B dos blaugranas. No time, nada mais nada menos que três nomes especiais: Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué. Tito é internamente famoso também por ter dado início àquele que ficou marcado na história como o maior time da base barcelonista em todos os tempos. A invencibilidade desse super time chegou a cinco temporadas. A geração 1987 venceu títulos em todas as categorias: Alevín A (Sub-12). Infantil A (Sub-13), Infantil B (Sub-14), Cadete B (Sub-15), Cadete A (Sub-16), Juvenil B (Sub-17), Juvenil A (Sub-18). 

Propondo um futebol ofensivo, utilizou o 3-4-3 que variava para o 4-3-3 na prodigiosa equipe. Títulos era rotina daquela geração moldada a partir de Tito Vilanova. A quarta estrela era Victor Vázquez, hoje a serviço do Brugge, da Bélgica. Tito Vilanova, o primeiro treinador de Messi no Barcelona ainda na pré-adolescência, permaneceu com os cadetes (sub-14 e sub-15) até 2003, quando foi demitido justamente por Sandro Rosell, então diretor. 

A chegada de Juan Laporta à presidencia do Barcelona gerou uma série de mudanças drásticas e reestruturação no futebol de base barcelonista. Dez anos depois, Vilanova terá aquele trio em mãos outra vez. Promovido pelo presidente Rosell. Seu segundo retorno ao clube aconteceu em julho de 2007. Quando a cúpula azulgrená apostou em Guardiola para treinar o Barcelona Atlétic, Pep convidou seu amigo de longa data para ser auxiliar. A parceria permaneceu intacta quando Pep assumiu o time A, em 2008. Ao longo do ciclo de Guardiola, Vilanova ganhou o apelido de "sombra" pela imprensa catalã, justamente porque, segundo palavras de Pep, seu trabalho não seria nada sem o auxiliar. Em 2009, nas quartas-de-finais da Champions League, Vilanova treinou o Barcelona em Munich no confronto contra o Bayern, pelo fato de Pep ter sido expulso no jogo da ida.

Vilanova também já era bem quisto pela direção azulgrená. Foi contratado por expressa vontade de Andoni Zubizarreta, diretor-geral do Barcelona, e vem sendo constantemente elogiado por Guardiola. Ontem, após a esmagadora goleada ante o Rayo Vallecano por 7x0, Pep ratificou sua confiança em Vilanova: " Este time é novo. Tito conhece bem os jogadores e eu estou confiante que o Barcelona vai continuar competitivo sob o comando dele. Estou muito grato por todo o louvor em volta da minha ida, mas eu não estou indo pra sempre. Eu continuarei por perto", disse.

Vilanova já começa a planejar seu primeiro trabalho. O primeiro ato é uma boa preparação na pré-temporada, principalmente com os jogadores europeus que disputarão a Eurocopa. Os amistosos, antes sempre na Ásia ou na América do Norte, serão feitos somente na Europa (Inglaterra e Escócia). O motivo é não desgastar muito o elenco no início da temporada. Quanto a parte técnica, o Diário Sport já especulou que o treinador quer um zagueiro (de preferência Thiago Silva), um lateral esquerdo e um centroavante de ofício (Llorente é o nome ideal). A primeira contratação da Era Vilanova deve ser anunciado daqui a algumas semanas. Trata-se de Jordi Alba, que vinha em namoro com os blaugranas.

sábado, 28 de abril de 2012

Josep Guardiola e o melhor jogador do mundo


Em seus quatro anos ocupando o cargo de treinador do Barcelona, Josep Guardiola não só ganhou uma quantidade enorme de títulos como também aproveitou para sacar o melhor rendimento possível de seus jogadores. Vimos Xavi, Iniesta, Puyol, Piqué, Busquets, Daniel Alves, Pedro e até Víctor Valdés tornarem-se jogadores respeitáveis em cenário mundial durante a Era Guardiola. Mas, sem dúvidas nenhuma, o jogador que mais cresceu como futebolista na presença do técnico nascido em Santpedor foi Lionel Messi, que passou de um figurante a melhor do mundo a figurante a melhor da história. Peça-chave do Dream Team de Pep, Messi é eternamente agradecido ao treinador. "Graças a grande emoção, resolvi não comparecer a coletiva de despedida de Pep. Só tenho a agradecer por tudo que fez a minha carreira futebolística e a minha pessoa", disse Messi através do Facebook.

Antes da chegada de Guardiola ao time A, La Pulga começava a ganhar mais protagonismo na Catalunha, mas ainda era coadjuvante quanto as questões de títulos, ficando atrás de nomes como Ronaldinho Gaúcho, Deco e Eto'o. Contudo, a saída de Rijkaard e a mudança de treinador foi o primeiro passo para Messi entrar na galeria de ídolos barcelonistas. Até a "eterna" disputa contra as lesões La Pulga venceu. Guardiola se reuniu com o departamento médico e preparou o melhor trabalho para Leo vencer a disputa que sempre o atrapalhava ao longo da temporada. Em 2007/2008, foram duas lesões no bíceps femoral que, no total, o deixaram fora dos gramados por 2 meses e meio. 

Primeiramente, Guardiola não teve dúvidas: dispensou Ronaldinho e Deco e montou seu trabalho centrado na figura do argentino. É bom lembrar (e com justiça) que antes de se tornar a grande estrela azulgrená, Messi já havia demonstrado parte de sua qualidade e contava com duas Liga dos Campeões e duas Ligas Espanholas no currículo. Mas sua melhora dentro de campo foi notória. E não só individualmente: Messi passou a ajudar coletivamente, virando um arco e flecha letal. Uma máquina. Guardiola e Messi ganharam 13 de 16 títulos possíveis (ainda há uma Copa do Rei para disputar). Com Rijkaard, o máximo de gols em uma única temporada que havia alcançado foram 17 em 2006/2007. Com Guardiola, a melhoria se ratificava à medida que as temporada passavam: 38, 50 e 53, respectivamente em 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011. Na atual temporada, os números do camisa 10 assustam: 61 tentos.

Os títulos conseguidos e os números firmados nas últimas quatro temporadas serviram para Messi se estabilizar no topo do mundo. Nas últimas três premiações da Fifa e da Bola de Ouro da France Football, La Pulga levou os três troféus. Além disso, conquistou o prêmio de melhor jogador da Champions League duas vezes, competição na qual foi artilheiro nas últimas três edições (e, por ora, é artilheiro da edição 2011/2012, com seu principal concorrente, Mário Gómez, tendo um jogo a mais pela frente). Na Liga Espanhola, foi o Pichichi do torneio em 2009/2010, vice-artilheiro em 2010/2011 e disputa pau-a-pau com Cristiano Ronaldo na atual temporada. Com Guardiola, Messi superou o recorde de gols de Ronaldo Fenômeno em uma única temporada no Barcelona, ultrapassou Rivaldo como maior artilheiro azulgrená em competições europeias e tornou-se artilheiro máximo da história do clube. Recordes e mais recordes pulverizados.

A qualidade técnica de Messi e a ambição de Messi são as principais características que levaram Messi a converter-se no melhor jogador do mundo por três vezes consecutivas, mas tampouco a de se esquecer a fundamental presença de Guardiola. Pep deu ao argentino mais liberdade de movimentos ao sacá-lo da ponta direita e levá-lo ao centro do ataque, como um falso nove. Quando Messi fracassava na seleção, Maradona teve que procurar Guardiola para falar sobre como escalar o argentino em sua seleção. Nos poucos momentos negros que o argentino viveu até o momento, jamais faltou o apoio do treinador. Fato é que não há dúvidas de que a saída de Guardiola não só deixará um período de incerteza no clube, como também deixará Messi sem um de seus principais seguidores e apoiadores.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O adeus do mister


A vida é eterno perde e ganha. Num dia você perde, no outro você apanha. Hoje de manhã, Guardiola acordou mais cedo do que de costume. Tomou banho, lavou bem seu rosto e partiu para uma decisão que entristeceu todo o barcelonismo: não continuar mais treinando o Barcelona a partir da próxima temporada. A coletiva mais emocionante de uma das eras mais bonitas do futebol mundial durou 1 hora. Nela, Guardiola explicou tudo. Além disso, Sandro Rosell aproveitou para dizer o nome novo treinador, surpreendendo a todos: trata-se de Tito Villanova, auxiliar técnico de Guardiola.

Rinus Michels na década de 70. Johan Cruyff no início dos anos 1990. Josep Guardiola de 2008 a 2012. Em comum entre eles, mais do que nomes com o mesmo número de letras. Pep, que chegou desconhecido e desacreditado ao Barcelona, era a continuação de uma sina. Veio, viu, venceu. Daqui a um mês, vai abandonar o Barcelona, mas continuará vivo nos corações de cada culé. Sai do clube pela porta da frente, num tapete vermelho estendido unicamente para ele. Durante 4 anos, montou um time que encantou, pulverizou recordes e deixou o mundo inteiro boquiaberto. Em 4 anos, foram 13 títulos. Agora, Guardiola encara um novo desafio: levar a proposta de futebol bonito ao seu próximo clube, que saberemos ao longo do tempo. Em suas mãos está a missão de garimpar novos Messis, Xavis e Iniesta.

Ironia do destino, Guardiola chegou ao clube A de maneira semelhante ao de Tito. Em 2007, assumiu o Barcelona Atlétic. Logo em seu primeiro ano, foi campeão da Terceira Divisão, chegando a Segunda División B um ano depois após conseguir o acesso passando pela fase de promoção. Quando a era Rijkaard chegou ao fim, as atenções voltaram-se a José Mourinho, cotado para treinar o Barcelona. A cúpula barcelonista teve que escolher entre o português e o jovem Guardiola. Com as exigências feitas por Mourinho, não tiveram dúvida: Guardiola seria o novo treinador. Na bagagem, Pep trouxe mais dúvidas do que esperanças. Quatro anos depois, contudo, a desconfiança foi para o ralo, e o careca entrou para a história. O ex-volante tem no currículo os títulos nacionais de 2009, 2010 e 2011. Por duas vezes, conquistou a Europa (em 2009 e 2011). O mundo já foi seu também por duas vezes: 2009 e 2011. As estatísticas de Guardiola são elucidativas: orientou 242 partidas do Barcelona, ganhou 72%, a equipe marcou 618 gols e teve uma média de 67% de posse de bola.

Guardiola, produto de La Masía, recuperou toda a honra do barcelonismo. Sua aposta em jogadores da base foram um dos principais pontos de sucesso durante esses 4 anos. Na última final da Champions League, 7 dos 11 iniciais foram formados nas canteras blaugranas. Apostou em jogadores que tornaram-se sucesso como Pedro e Busquets, recuperou um canterano enterrado em Manchester como Piqué, transformou Lionel Messi, craque mas derrotado sempre pelas lesões, em melhor do mundo, Puyol, eterno capitão mas sempre estabanado, em um dos melhores de sua posição, Víctor Valdés em goleiro confiável e Xavi, subestimado durante o período de Rijkaard, num dos melhores passadores de todos os tempos. Sem falar em Iniesta, um dos melhores meio-campistas do mundo. Com essas modificações e novidades, conseguiu trabalhar. Montou um Barcelona fadado ao sucesso. Pressão intensiva, busca pela posse de bola, coletivismo, trabalho em grupo, atacar e dominar sempre o jogo.

Antes de Guardiola, foram 2 anos regados por espera e sofrimento. Mais de 3 anos sem conquistar a tão cobiçada taça da Champions League. Em âmbito nacional, viu o Real Madrid quebrar a hegemonia e conquistar o bi-espanhol. O sabor de um título jazia no paladar do torcedor blaugrana como um gosto distante. Perdido no banquete das desilusões. Mas o martírio teve fim. E deixou cada culé de barriga cheia. Bastou só 1 ano. Nesse tempo, Guardiola entrou para a história. Liga Espanhola, Copa do Rei, Uefa Champions League, Supercopa da Espanha, Supercopa da Uefa e Mundial de Clubes. Momentos especiais pedem pessoas especiais. Guardiola, o volante inteligente, o treinador em campo, o desconhecido, saiu da filial para brilhar no time A. As cinco letras voltavam ao Camp Nou para cumprir a sina. Catalunha era do Barcelona. O Barcelona era de Guardiola. Nascia um ídolo. Se despede um mito.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bola para frente

 Mais importante para o Barcelona é a permanência de Josep Guardiola. Os azulgrenás precisam urgente de mudanças para voltar a dominar o futebol (getty images)

O Barcelona está eliminado da Liga dos Campeões 2011/2012. A queda barcelonista na semifinal do torneio ante o Chelsea representa a Guardiola a primeira temporada sem os dois títulos de maior importância no futebol europeu: o nacional e o continental. Em dia que até Messi desperdiçou não só pênalti decisivo como inúmeras oportunidades claras, nada deu certo. O baque psicológico pós-pênalti do argentino foi claro. A ansiedade atrapalhou, as tentativas de enfiadas de bolas foram pequenas e os erros, crassos. Xavi apareceu pouco e errou muito, Iniesta limitou-se à esquerda, Cuenca não acertou nenhum cruzamento à área e Fàbregas e Sánchez tentaram em vão. O blog não irá tentar achar motivos da eliminação azulgrená, e sim tocar num assunto crucial: mudanças, a partir de agora, são necessárias.

O dia após uma queda tão sentida é de pensamento. É hora de rever conceitos: o que faltou para o Barcelona conquistar o penta europeu? O principal ponto é um elenco mais encorpado. Por mais que o Barcelona continue sendo a melhor equipe do mundo, falta elenco e peças de reposições à altura. No Real Madrid, por exemplo, se Benzema tiver mal, entra Higuaín. Se Di María ou Özil caírem de produção, tem Kaká e Callejón à disposição de Mourinho. Ontem, ficou evidenciado esse problema do Barcelona, que explodiu após o gol de Fernando Torres. Mais cedo, Guardiola olhou para o banco, viu que Cuenca e Fàbregas não estavam muito bem em campo e, pensando muito, teve que colocar em campo Tello, jovem das canteras que nem ficha de time A tem, e Keita. Enquanto isso, Pedro, um campeão de Copa do Mundo, de LC e Mundial de Clubes marcando gols, permaneceu no banco.

O outro ponto contraditório de Guardiola é apostar cegamente em jogadores da base em dentrimento de ir ao mercado buscar opções melhores. Para tentar buscar a virada, o ataque teve Cuenca e depois Tello acompanhando Messi e Sánchez. Numa rápida comparação, voltamos três anos no tempo, contra o próprio Chelsea no jogo de ida da semifinal no Camp Nou: Messi teve a companhia de Henry e Eto'o no ataque. Querendo ou não, impõe mais respeito. Os azulgrenás precisam de um zagueiro, um lateral esquerdo e um volante para que Busquets não fique muito sobrecarregado ao longo da temporada. Alguns nomes são comentados e estão em pauta há algum tempo: Thiago Silva, Adil Rami e David Luiz para a zaga; Jordi Alba para a lateral esquerda; Javi Martínez para a volância (na temporada, atuou mais na zaga); Gareth Bale e Iker Muniain para a meia ofensiva; Neymar (a incógnita quanto ao brasileiro é quando) e Van Persie para o ataque.

Outro ponto a se rever é a preparação na pré-temporada. "Uma pré-temporada bem feita é o primeiro passo para o sucesso", disse Guardiola no dia de sua apresentação no Barcelona. E, de fato, é verdade. Já comentávamos lá em Agosto que os catalães poderiam ter problema ao longo da temporada pela preparação confusa que fazia na volta ao trabalho. As lesões são provenientes disso. Os números chegam a assustar: ao longa da temporada, foram mais de 105 lesões musculares sofridas pelos jogadores do plantel A. Apenas Víctor Valdés, Mascherano, Abidal e Messi não lesionaram o bíceps femoral, principal responsável por mais da metade dessas lesões.

Entretanto, o mais importante para o futuro do Barcelona é a permanência de Josep Guardiola como treinador da equipe. O Mundo Deportivo trata o assunto como incógnita - que é. O catalão costuma renovar seu contrato sempre no final de janeiro ou começo de fevereiro. Estamos no final de abril, com a temporada chegando ao seu término, e até agora nada. Seu contrato vai chegando ao fim e as especulações, começando. Os mais falados são Andrés Villas-Boas, Luis Enrique, Joaquim Löw e Marcelo Bielsa. Em enquete do Diário Sport, os aficionados culés que votaram optaram por El Loco Bielsa substituindo Guardiola, em caso de saída do atual treinador. O Barça segue fiel ao estilo, nem tanto ao seu padrão de excelência. Ou será que é uma oscilação normal e estamos mal (ou bem) acostumados com o domínio azul e grená? O mais importante é cair na real e ver que a equipe, uma das melhores da história, também está fadada ao fracasso e precisa de mudanças.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Derrotado

Bem marcados, Messi, Xavi e Daniel Alves não tem o que comemorar. Derrotado, Barcelona irá atrás de primeira remontada na temporada para continuar vivo em luta do penta da Uefa Champions League

Imagine esse cenário: 74% de posse de bola, 21 chutes a gol, sendo oito delas no alvo, e pressão do início ao fim. É inimaginável pensar numa equipe com essas estatísticas sendo derrotada, não? Pois bem, a descrição acima é a do Barcelona, como sempre. Contudo, ao contrário de outros jogos, os azulgrenás saíram de campos derrotados. Valente, o Chelsea fez valer o mando de campo, derrotou o atual campeão da Liga dos Campeões da Uefa e vai ao Camp Nou precisando apenas de um empate para conseguir chegar à tão sonhada final.

Na temporada, foi apenas a terceira derrota do Barcelona, derrotado antes para Osasuna e Getafe. Em âmbito continental, foi um londrino o último comemorar uma vitória perante o tetracampeão europeu: o Arsenal, em fevereiro passado, no jogo de ida das oitavas-de-finais (2x1). O tabu blue prossegue: desde fevereiro de 2006 que a equipe de Stamford Bridge não é derrotada pelo o Barcelona em jogos oficiais. Abaixo, os motivos para o prosseguimento do tabu.

Má eficiência nas finalizações. 21 chutes a gol. 8 delas no alvo, chances claras. Zero gols. É raro ver o Barcelona desperdiçando tantas oportunidades, mais ainda é ver uma atrás da outra da maneira que foi. Fàbregas e Sánchez tiveram duas ocasiões perfeitas de gols, mas falharam. No final, Pedro acertou a trave e Busquets isolou. Errar a exaustão numa semifinal de LC pode ser crucial. Por outro lado, o Chelsea teve somente uma chance de gol. E Drogba jogou para as redes.

Cadê Piqué, Guardiola? Contra o Milan, Pep teve respeito. Não utilizou Fàbregas e Adriano para jogar com Keita e Mascherano, com Puyol fazendo a lateral esquerda. O resultado foi um 0x0 que levantou questionamentos ao treinador: por que não ser mais ousado? Ontem, entretanto, os questionamentos foram outros: por que relegar Piqué ao banco e não dar continuidade a escalação habitual? Joan Vehils, colunista do Diário Sport, escreveu: "talvez, com Piqué em campo, o Barcelona não teria tomado nenhum gol". Difícil dizer com palavras certas o que seria o jogo com Piqué em campo, mas é provável que o zagueiro catalão, que fica mais plantado na zaga do que Mascherano, chutasse para longe a bola cruzada para Ramires. Porém, o se inexiste no futebol.

Muro azul. Duas linhas de quatro atrás da bola fecharam os espaços do Barcelona. A tática montada por Di Matteo não é comum no cenário barcelonista: atualmente, já está provada que é a única que pode parar o Barcelona. Inter de Milão, Real Madrid, Milan e agora Chelsea tiveram sucesso. Faltam mais 90 minutos e a pergunta que fica é: num campo com dimensões maiores como é o Camp Nou o Chelsea conseguirá se defender dessa forma? Vale lembrar que os azulgrenás acharam espaços em momentos da partida.

Mais participação de Xavi. O Barcelona tem meio-campo mais criativo que Paulo Barros e retoma a posse de bola com muita facilidade. Portanto, ofereceria a qualquer adversário um papel secundário. Sabendo disso, Di Matteo abriu mão de Kalou/Sturridge e escalou Mikel, Meireles e Lampard pra reforçar o centro. Mata e Ramires abertos se sacrificaram na marcação, sobretudo o espanhol. Principal jogador dos londrinos na temporada, o ex-Valencia não participou de nenhuma jogada ofensiva e nem criou nenhum lance de perigo. O povoamento do meio-campo foi a principal estratégia para levar a vantagem ao jogo da volta. Xavi, muito marcado, inexistiu.

Pedra no sapato de Messi. O melhor jogador do mundo tentou. Passava de um, de dois, mas o terceiro já chegava afastando de qualquer maneira. Em certos momentos, lembrava a derrota para a Inter em 2010. La Pulga, também, não teve muita ajuda dos companheiros de ataques. Muito preso à marcação adversário, Sánchez e Fàbregas não ofereceram a Messi oportunidades de tabela. Assim, Messi segue sem marcar contra o Chelsea: são seis jogos (sete se considerarem os 25 minutos disputados em 2005/2005, quando saiu lesionado ainda no primeiro tempo) e nenhum gol. E foi de um desarme de Lampard sobre Messi que iniciou-se o contra-ataque que parou com o único gol do jogo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Onde tudo começou

Iniesta e o gol que marcou um novo rumo na Era Guardiola. O divisor d'águas na história da geração vencedora do Barcelona (telegraph)

O Barcelona já sabe quem será seu rival na semifinal da Liga dos Campeões da Uefa. Após eliminar Bayer Leverkusen e Milan, vem aí o Chelsea, rival do polêmico confronto de três temporadas atrás. Após eliminar o Benfica, os blues chegam com sede de vingança ao confronto contra os azulgrenás. As duas equipes protagonizaram verdadeiras batalhas entre 2005 e 2009, quando José Mourinho (sempre ele) colocava fogo antes das partidas. Com o treinador português, os londrinos venceram duas vezes, empataram duas e perderam duas. Em 2004/2005, avançou de fase após um gol de Terry nos minutos finais. Na temporada posterior, o Barcelona deu o troco com as mesmas moedas, em partidas que mostraram o talento do ainda promissor Messi ao mundo.

Stamford Bridge, palco da partida de ida, é, de alguma maneira, o lugar onde tudo começou para o Barcelona de Josep Guardiola. A partida, o estádio, o momento no qual o barcelonismo foi à euforia e começou a sonhar que tudo era possível. A data 6 de maio de 2009 certamente nunca será esquecida dos corações de cada torcedor culé. Quatro dias depois de praticamente sentenciar a Liga Espanhola ao golear o Real Madrid no Bernabéu por 6x2, o Barcelona escreveu mais um capítulo de sua história vencedora. Um capítulo maior ainda. Na partida de ida no Camp Nou, os blaugranas não foram capazes de furarem a muralha construída por Guus Hiddink e ficaram apenas no 0x0, que trazia olhares de desconfiança de alguns torcedores pelo fato de o cenário ser semelhante ao da eliminação na Champions anterior para o Manchester United de Cristiano Ronaldo.

Assim como a história da atual geração da seleção espanhola está ligada ao triunfo nos pênaltis contra a Itália na Eurocopa de 2008, a do Barcelona está ligado a esses confrontos contra o Chelsea. Foi o divisor d'águas para o esquadrão de Guardiola, que, três anos depois, é taxado por muitos como a melhor equipe da história. No jogo da volta, o Chelsea resolveu jogar para frente. Pressionou o Barcelona, marcou forte, congestionou o meio-campo e, com inteligência, não deixou Messi atuar. Com Rafa Márquez lesionado após lesão no joelho e Puyol suspenso, Guardiola teve que mandar a campo uma defesa totalmente remendada: Piqué e Yaya Touré foram os responsáveis por proteger a retaguarda azulgrená, com o ainda desconhecido Busquets sendo lançado à prova de fogo na volância. Henry, também lesionado, deu a vez a Keita, com Iniesta sendo adiantado à ponta esquerda.

Os piores presságios cumpriram-se após o golaço de Essien logo no começo da primeira etapa. Veio à tona o gol de Scholes uma temporada atrás, também no começo da partida e também no ângulo de Víctor Valdés. Contudo, s sorte, desde o começo, parecia estar ao lado do Barcelona. O Chelsea pressionava atrás do gol, mas esbarravam em um excelente Víctor Valdés, Drogba desperdiçava chances claras frente ao arqueiro catalão e os blues reclamavam de pênaltis não marcados pelo árbitro Tom Henning. Enquanto isso, Xavi era muito bem marcado, Eto'o passava despercebido no ataque e Messi, sempre cercado por Essien e Ashley Cole, que não deixaram-o em paz, tentava fazer algo, ainda que sem sucesso.

Mas apareceu Andrés Iniesta. Com o tempo regulamentar já acabado e os acréscimos sendo computado, El Ilusionista entrou para a história. Após ser desarmado por Lampard no campo defensivo, a bola de Andrés caiu nos pés de Xavi, que acionou Daniel Alves pela direita. O baiano disparou em direção à área e cruzou. Terry cortou, Eto'o dominou mal e Essien não conseguiu chutar para a frente. Messi, apagado, recebeu na perna direita e, sem escolhas, ajeitou para Iniesta, que vinha de trás. Em jogo, uma final, a história. E Iniesta disse presente para entrar na rol de heróis do futebol mundial. Chutou com força, no ângulo de Cech, indefensável para o goleiro tcheco, levando os aficionados culés atrás do gol do goleiro blue à loucura.

O tento agitou a cidade de Barcelona. Nove meses depois, as celebrações pelo passaporte à final colheram frutos. Fontes do Hospital Quirón de Barcelona reconheceram que os partos dispararam e coincidiram com o dia da classificação barcelonista. Iniesta provocou baby booms em Barcelona. As coincidências entre aquela temporada, a primeira de Guardiola sob comando da equipe, e a atual são evidentes. Os azulgrenás têm chances de conquistar a tríplice coroa, encaram o Chelsea na semifinal da Champions League e, além disso, reencontram o Athletic Bilbao na final da Copa do Rei. Até a sequência entre os confrontos contra os londrinos é semelhante: entre a ida e a volta, há um superclássico para ser feito, como há três temporadas.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

A importância de Fàbregas

Fàbregas, o melhor em campo na classificação contra o Milan. Messi foi mais decisivo, mas volta de Cesc confirmou a importância do meio-campista no esquema de Guardiola (Reuters)

Quando Xavi tentava forçar a transferência de Cesc Fàbregas ao Barcelona, Arsène Wenger reagia furioso. O comandante do Arsenal tinha razão em proteger os interesses do clube, que não fazia nada de errado e ainda valorizava Cesc de todas as maneiras, inclusive com uma faixa de capitão em reconhecimento à liderança técnica que ele exercia sobre o time. Mas, além do aspecto contratual, havia outros fatores que intrigavam bastante. O que Pep Guardiola faria com Fàbregas? Ele seria mera alternativa a Xavi, barraria o desenvolvimento de Thiago Alcântara, deslocaria Iniesta para uma posição em que ele rende menos, provocaria uma mudança inútil de esquema? Fato é que o Arsenal tinha todo o direito de considerar que a irremediável obsessão do Barcelona era um luxo.

Para quem ainda duvidava da importância dele, a Copa do Mundo de Clubes foi uma boa chance para rever conceitos. Quem imaginava ver Xavi, Iniesta, Cesc e Thiago juntos? No Barça, Fàbregas atua mais próximo ao gol em uma formação (o “3-7-0” de Muricy) que aposta tudo nas variações táticas, no tiki-taka e a que um jogador com esses atributos ofensivos, aprimorados por Wenger, adapta-se perfeitamente. Em 2012, Cesc teve uma queda nítida em seu rendimento. Mais sobrecarregado devido a problemas musculares de Xavi, queda de rendimento de Messi em determinados jogos de janeiro e lesões à rodo de Iniesta, o catalão não resistiu. Mas bastou ficar de fora em uma partida de alto nível e voltar logo em seguinte para chegarmos à conclusão de que a função exercida pelo camisa 4 no Barcelona 2011/2012 é essencial.

Na partida de ida contra o Milan pelas quartas-de-finais da Champions League, Fàbregas foi cortado da equipe titular às vésperas da entrada em campo devido a forte dores nas costas. Temerário, Guardiola optou por não forçar o uso de seu meio-campo e foi ao San Siro com Keita, para reforçar a marcação. Parado, ficou a sensação de que faltava um algo a mais na hora das trocas de passes próximo à área rossonera e nos raros chutes à meta de Abiatti. Ontem, na vitória por 3x1 que classificou o Barcelona a sua quinta semifinal consecutiva, Cesc retornou e fez, talvez, sua melhor partida desde que voltou à Catalunha.

A qualidade de um jogador é medida pela quantidade de funções que ele consegue executar com categoria. Não há contestação a um meio-campista que, mesmo atuando mais adiantado em relação aos tempos de Arsenal, acumula 15 gols e 15 assistências em apenas 32 partidas. Fàbregas dribla, chuta, toca e, acima de tudo, aproveita com perfeição sua excelente visão de jogo. O toque inteligente para Messi logo no início do jogo mostrou que passa por ele o futuro do Barcelona na ausência de Xavi. Em janeiro, em uma entrevista ao site da UEFA, o catalão falou sobre o assunto. "É difícil lidar com a pressão de substituir Xavi. Ele é um jogador totalmente diferenciado. Em alguns lances, fica claro que eu não tenha a paciência para cadenciar o jogo ou tocar a bola para trás".

Fica claro que, em algumas partidas, Guardiola começa a testar Fàbregas na função de seu principal articulador. Xavi, de fato, é diferenciado e, talvez, até único. Mas Pep tenta achar uma solução cedo. Ao mesmo tempo, Vicente Del Bosque começa a utilizá-lo na mesma função do armador azulgrená. Tudo é questão de tempo e adaptação. Nas semifinais, Fàbregas e o Barcelona irão reencontrar um antigo adversário: o Chelsea de Fernando Torres e Mata, rival máximo dos tempos de Arsenal. Mas isso é assunto para um futuro texto. Enquanto isso, Fàbregas desfruta de importância no clube onde começou a dar seus primeiros passos futebolísticos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Parado

Messi e Ibrahimovic passaram em branco e pouco apareceram no empate em Milão. Decisão fica para o Camp Nou (getty images)

Cercado de expectativas, o duelo entre Milan e Barcelona não chegou a cumprir as promessas de uma grande partida. Quem aguardava um jogo cheio de emoções, igual o da fase de grupos, teve de se contentar com uma partida em que pouquíssimas chances claras de gol aconteceram, para ambos os lados. A decisão fica para o jogo no Camp Nou, na terça que vem: qualquer empate com gols dá a classificação ao Milan, enquanto se o zero não sair do marcador leva a partida à prorrogação.

O Barcelona teve 62% da posse de bola, mas apenas três chances reais de gols. No jogo de ida das quartas-de-finais da Champions League, os azulgrenás tiveram a bola durante os 90 minutos, mas o insuficiente para bater a meta defendida pelo italiano Abbiati, ex-Atlético de Madrid. No 0x0 no San Siro, todos os elogios vão para a equipe de Milão. Massimiliano Allegri mandou a campo sua equipe no 4-3-1-2. Quando atacado, Boateng, que jogava no auxílio a Ibrahimovic e Robinho, na posição de trequartista, voltava para fechar a linha de três formada por Seedorf, Nocerino e Ambrosini. Os azulgrenás não conseguiam criar jogadas tão incisivas, já que o Milan fechava os espaços. Se, nas jogadas ofensivas, os rossonero mostram ser totalmente dependentes de Ibrahimovic, na parte tática a equipe é muito encaixada. A aplicação tática da equipe de Milão é louvável e digna de elogios.

A escalação inicial que Guardiola mandou a campo revela um ponto importante: mesmo tendo um plantel extremamente superior, o treinador teve respeito pelo atual campeão italiano. Abdicou de Fàbregas para colocar Keita, a fim de ganhar mais força na marcação. A preocupação quanto às jogadas aéreas também ficou clara com a presença do malinês, bom pelo alto. Mas soa como inexplicável a não entrada de Cesc à medida que os minutos passavam e o Barça controlava mais o jogo. Ao substituir Iniesta, Pep optou por Tello, jogador da base, que nem ficha na equipe A tem, ao invés do meio-campista. A imprensa catalã ainda não comentou nada sobre uma possível lesão ou algo como uma possível intriga nos bastidores. Inicialmente - e continua sendo -, a presença de Fàbregas os noventa minutos no banco de reservas tem a ver como uma opção técnica de Guardiola. De fato, o rendimento de Cesc tem sido baixo em relação ao seu início no Barcelona nos últimos jogos. Contudo, em determinado momentos do jogo sua presença seria fundamental: Xavi, Iniesta, Messi e Alexis Sánchez pouco chutaram a gol, um dos melhores atributos do camisa 4.

Em termos de ataque, Messi e Xavi foram os mais lúcidos, mas aquém do que podem fazer. Jogando às costas dos volantes, Messi não teve paz: quando dominava a pelota, Ambrosini e até Nesta saía de seu posicionamente original para tentar desarmá-lo. Caindo mais pela direita na primeira etapa, levou perigo à meta de Abbiati nos primeiros 15 minutos. Embora não estivesse em uma boa noite, suas arrancadas levaram os aficionados rossoneros a calafrios. Segundo Paulo Andrade, narrador dos canais Espn que transmitiu o jogo in loco, a cada drible de Messi próximo da área era possível perceber a expressão de nervosismo vindo dos torcedores. Os erros de La Pulga eram comemorados como gol.

Outra evidência clara é a temporada abaixo da média de Iniesta. Muito preso à esquerda, tem produzido pouco. As deveras lesões ao longo de 2011/2012 limita seu futebol, mas o fato é que também tem a ver com a parte tática. Mais adiantado à última linha, não aparece muito na fluência de jogo - que sobrecarrega mais Xavi. Hoje, quem jogou à Iniesta, mas com as atenções voltadas mais a parte defensiva, foi Keita. Nos outros jogos, Fàbregas, com quem reveza posição com El Albino, e Thiago Alcântara foram titulares por ali.

Por um lado, a linha defensiva não deixou a desejar. Mascherano e Puyol fizeram partidas seguras e foram importante na marcação a Ibrahimovic, que passou nulo. O argentino, aliás, foi o responsável direto pela marcação de Robinho, que também fez uma partida muito ruim. Na única chance real que teve, logo no início do jogo, o brasileiro desperdiçou frente a frente com Valdés. Piqué merece comentário à parte. Ainda não é o zagueiro da temporada passada, que foi eleito o melhor do mundo, mas parece disposto a voltar a ser. Hoje, mostrou atenção nas jogadas aéreas, foi soberbo na marcação a Ibrahimovic e voltou a aparecer em algumas jogadas ofensivas: em determinado momento do jogo, deu uma arrancada e tocou para Xavi tabelar com Alexis Sánchez e quase marcar.

Se Guardiola lamentou o empate sem gols e retornou a afirmar que o jogo no Camp Nou será terrível, ao menos a partida teve um gosto especial a Puyol. O capitão chegou a 549 jogos oficiais com o uniforme azulgrená e igualou Migueli como segundo jogador que mais entrou em campo pelo clube da Catalunha, sendo superado apenas por Xavi (617). A bandeira blaugrana estreou em 1999 contra o Valladolid. Van Gaal, treinador à época, o derreteu de elogios e resolveu mandá-lo a campo. Enquanto isso, as expectativas já se renovam para o jogo de volta entre as duas equipes. A eliminatória está aberta e a vida dos atuais campeões da competição não está fácil.

Já o Real Madrid...
... colocou um pé e meio na semifinal. Para ser justo, os merengues já estavam virtualmente na semifinal desde quando o sorteio definiu que o seu adversário seria o APOEL. José Mourinho inovou na escalação: iniciou o jogo com Sahin no lugar do ausente Xabi Alonso, suspenso. O turco não deixou a desejar: no primeiro tempo insonso do Real Madrid, foi dele as duas enfiadas de bola para Cristiano Ronaldo levar perigo ao gol do Apoel e o toque para o gol incrivelmente perdido por Benzema. Autor de dois gols, o francês faz sua melhor temporada na capital: são 28 gols e 13 assistências, números de atacante top.

Kaká merece menção honrosa. O brasileiro entrou quando o jogo parecia encaminhado ao empate sem gols e deu dinamismo às jogadas blancas. Marcou um gol e deu uma assistência preciosa para outro tento. Com o Bayern vencendo o Olympique de Marseille na França por 2x0, a probabilidade de Bayern de Munich x Real Madrid nas oitavas são enormes. Portanto, vem aí Robben, Real Madrid. O ex-merengue, que saiu chutado de Chamartín, deve estar sedento por vingança e disposto a deixar o Madrid fora da tão sonhada final.

terça-feira, 27 de março de 2012

Prévia: Milan x Barcelona

Messi e Xavi já aprontaram no San Siro nesta temporada, quando o Barcelona venceu por 3x2. A torcida culé espera uma nova exibição de seus craques nos próximos dois confrontos contra os rossonero (reuters)

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Zlatan Ibrahimovic com Josep Guardiola, seu desafeto reconhecido. O sueco saiu do Barcelona disparando contra o treinador, a quem apelidou de "destruidor de sonhos". Para Ibrahimovic, Pep foi o principal responsável por seu fracasso no clube no qual ele sempre sonhava em atuar quando criança, quando assistia ao seu ídolo Ronaldo desfilar magia com a camisa azulgrená. Pois bem, a competência de Milan e Barcelona, que eliminaram Arsenal e Bayer Leverkusen respectivamente nas oitavas-de-finais, e novamente o sorteio colocaram Ibrahimovic e Guardiola frente a frente novamente. Entretanto, não será um "mero" confronto de fase de grupos. Os jogos de agora valerão muito mais: está em xeque a classificação para as semifinais do torneio, que terá sua final em Munich, na Allianz Arena.

Ibrahimovic, que marcou no confronto em San Siro, conseguirá liderar o Milan à primeira semifinal de UCL em cinco temporadas ou o Barcelona de um cada vez mais extraterrestre Lionel Messi confirmará o favoritismo e continuará vivo rumo ao penta? Para a prévia deste principal confronto das quartas-de-finais da principal competição de clubes do mundo, contaremos com a excelente colaboração de Nelson Oliveira, do blog Quattro Tratti, especializado em futebol da Itália. Confira a prévia de Milan x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

Temporada até aqui
Milan: O Milan é o atual líder do campeonato, com 63 pontos, vantagem de quatro sobre a Juventus. A ultrapassagem rossonera, que aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, marca o período positivo da equipe, que não perde desde o fim de janeiro, quando saiu derrotada contra a Lazio. No campeonato italiano, a disputa pelo scudetto continua aberta, mas o Milan tem tabela mais simples que a Juve e, ao contrário da rival, não tem perdido pontos contra equipes menores. Na Coppa Italia, o Milan caiu nas semifinais justamente frente à Velha Senhora, na semana passada. Na Liga dos Campeões, a equipe fez seu melhor e seu pior jogo na temporada: respectivamente, a vitória por goleada sobre o Arsenal e a derrota por 3 a 0 no jogo de volta. É o Milan do primeiro jogo contra os ingleses que será necessário para o duelo contra o Barça.

Barcelona: O meio de semana passado marcou um novo rumo na temporada barcelonista. O tropeço do Real Madrid frente ao Villarreal ressuscitou o Barcelona na Liga Espanhola e o discurso agora é outro: a Liga está aberta. Se o vestiário havia jogado a toalha com a vantagem de 10 pontos, afirmando que era praticamente impossível reverter a situação, a atual diferença de 6 pontos aumenta a confiança desse espetacular grupo, que está convicto de que a remontada é possível. Vale citar que a tabela merengue é mais complicada que a blaugrana e que há um superclássico a ser disputado, no Camp Nou. Na Copa do Rei, a equipe se classificou à terceira final em quatro temporadas e é favorita máxima ao confronto contra o Athletic Bilbao, na final de Madrid.

Pontos fortes
Milan: Sem dúvidas, o Milan tem no ataque seu principal ponto forte. O Diavolo tem o melhor ataque do campeonato italiano, com 59 gols marcados (cinco a mais que o Napoli, o segundo colocado no quesito, e 13 a mais que a Juventus), e tem também o artilheiro da competição: Zlatan Ibrahimovic, com 21 tentos. O sueco faz uma de suas melhores temporadas no futebol europeu - comparável com a de 2008-09, pela Inter - e é o grande responsável pela ótima temporada da equipe de Via Turati. No ataque, Robinho tem sido um ótimo coadjuvante e, se não acerta a pontaria nas conclusões, abre muitos espaços e também dá assistências. O meio-campo, sempre participativo, também é uma das chaves para o bom desempenho ofensivo da equipe: Nocerino e Boateng, na melhor fase de suas carreiras, são importantíssimos para a fluência do jogo do Milan e serão fundamentais no confronto, já que é através do toque e da posse de bola que o Barcelona envolve seus adversários.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a lesão de Adriano e a descoberta do novo problema de Abidal, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. A outra probabilidade é a utilização de Puyol na lateral esquerda, como no confronto contra o Real Madrid na semifinal da temporada passada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão. A LC é palco das melhores exibições de Messi, que, contra o Bayer Leverkusen, anotou cinco para chegar ao topo da artilharia da atual edição.

Pontos fracos
Milan: O grande problema do Milan nos jogos contra o Barcelona será a ausência de Thiago Silva. Lesionado na partida de sábado contra a Roma, o zagueiro brasileiro deve fazer falta: é um dos principais nomes da posição na atualidade e seus prováveis substitutos estão bem aquém de sua fase. Bonera é temerário por si só e Nesta, além de atravessar problemas físicos constantes, não joga desde o fim de janeiro. Sem Thiago Silva - e também sem Abate no primeiro jogo -, as chances de a equipe sofrer gols crescem bastante. Pela vulnerabilidade na defesa, o Milan também pode acabar perdendo a verve ofensiva de seus meias, que serão ainda mais exigidos para auxiliar na marcação do que seriam caso a defesa estivesse completa. Sacrifício certo para Ambrosini, Nocerino e Seedorf, que correrão muito durante o jogo. Considerar a participação de Gattuso ao menos em parte da partida poderia fazer a diferença na combatividade no meio-campo.

Barcelona: A fase de Piqué gera desconfiança. Desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O gol contra o Mallorca, no final de semana, pode elevar a moral do catalão, que precisa recuperar a boa fase da temporada passada para ajudar seus companheiros de zaga na difícil missão de marcar Ibrahimovic. O Barcelona da Era Guardiola também costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Outras fraquezas da equipe aparecem quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e também quando Xavi sofre forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal contra a Inter em 2009-2010, José Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: montou um esquema que asfixiou Xavi e não deixou Messi receber bolas perto da área.

Expectativas
Milan: Apesar de todo seu histórico na Liga dos Campeões, o Milan entra praticamente como um franco-atirador contra o Barcelona. A superioridade técnica da equipe de Messi, Xavi, Iniesta e companhia é inegável e, por um lado, dá certa despreocupação ao Milan, já que a obrigação de passar de fase é barcelonista. Se for eliminado, mas permanecer de cabeça erguida, o time rossonero continuará tranquilamente no seu percurso rumo ao bicampeonato nacional, enquanto um vexame poderá atrapalhar o restante da temporada e abrir feridas já latentes, como a do departamento médico da equipe. O Milan Lab não tem conseguido resolver os problemas crônicos de lesão na equipe e foi recentemente criticado por Ibrahimovic. Do sueco, aliás, a torcida espera uma grande exibição. Muito contestado por não fazer grandes atuações em jogos decisivos, Ibra foi o responsável pela classificação ante ao Arsenal e, motivado, tentará vitimar também a sua ex-equipe e dar uma resposta a Guardiola, seu desafeto.

Barcelona: Com a moral elevada após a sobrevida na liga espanhola, o Barcelona chega como favorito para o duelo. Guardiola, contudo, mantém um discurso humilde e tenta tirar o favoritismo de sua equipe. Na coletiva pré-jogo contra o Sevilla, há duas semanas, afirmou que preferia enfrentar outra equipe e citou que serão duas terríveis partidas. Dentro de campo, o catalão tem dúvidas quanto à parte tática. Contra o Mallorca, Pep não gostou nada da atuação de sua linha defensiva no 3-4-3 e viu a equipe deslanchar exatamente após mudar para o usual 4-3-3. Xavi, poupado no final de semana, volta à equipe titular, assim como Daniel Alves. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Milan é um grande europeu, caminha para o bicampeonato italiano e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; Zambrotta (Bonera), Nesta, Mexès, Antonini; Nocerino, Ambrosini, Seedorf; Boateng; Robinho, Ibrahimovic.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pintando o 7

"Piqué, quantos gols esse argentino aí na sua frente fez hoje?" (getty images)

Seria falta de ética comentar Barcelona 7x1 Bayer Leverkusen sem citar Lionel Messi. Mas, prometo: apenas esse parágrafo será direcionado ao gênio nascido na Argentina (ou em Marte?). Soa como engraçado isso, mas a atuação de Messi nem foi uma das melhores de sua carreira. Tudo bem, foram cinco gols, algo inédito em sua carreira, porém já houve atuações melhores de La Pulga com número de gols inferiores. Mesmo assim, caindo um pouco em contradição, Messi foi Messi. Atuação de gala e mais recordes pulverizados. Tornou-se o primeiro jogador a marcar quatro ou mais gols mais de uma vez em mata-mata de Champions; tornou-se o primeiro jogador a marcar cinco gols numa mesma partida de Champions; igualou os 49 gols de Di Stéfano na principal competição europeia.

E só. Todos os adjetivos que tenho para dar a Messi já os coloquei nesse texto aqui. É tão comum ver grandes jogos de Messi que tornou-se clichê utilizar as mesmas palavras para defini-lo. Portanto, a partir de agora, comentários apenas da atuação do Barcelona no Camp Nou. Com a Liga virtualmente perdida, resta a Guardiola concentrar as forças de seu plantel na Liga dos Campeões. Não que conquistar a Copa do Rei não seja tão importante, mas soaria como fracasso uma temporada no qual a melhor equipe do mundo conquiste apenas o terceiro torneio de maior importância. Os gols hoje saíram com naturalidade, mas partida por partida, no jogo de ida os azulgrenás estiveram com mais sangue nos olhos.

Fato esperado, obviamente. A vantagem conquistada na Alemanha deu ao Barcelona a condição de jogar mais relaxado na partida da volta. Atuação especial de Iniesta, cada vez mais voltando à velha forma. Se a temporada de El Albino tem sido abaixo de sua média, as últimas partidas podem marcar um novo rumo. Contra o Sporting Gijón, no último sábado, levou o Barcelona à vitória sem a presença de Messi. Hoje, ora no meio-campo, ora aberto à esquerda, foi responsável pelas jogadas de perigo do Barça na primeira rodada. Com o placar definido, foi sacado por Guardiola para a entrada de Tello.

O canterano, por sua vez, foi apresentado à Europa. O debut em âmbito europeu foi os dos mais sonhados pelo jovem. Com um doblete, ganhou mais moral com Guardiola e teve seu nome gritado pelos culés pela primeira vez. Nascido em Sabadell, vem conquistando uma vaga no elenco principal de grão em grão. Ao lado de Cuenca, que já foi efetivado exclusivamente a equipe A, é provável pensar no jogador como jogador do time principal na próxima temporada. O momento do canterano é muito bom. Com 10 partidas entre Liga, Copa e Champions, marcou cinco gols. O segundo gol contou com a falha de Leno, mas o primeiro teve um quê de prodígio. Recebeu um bolão de um Fàbregas cada vez mais à Xavi, avançou como um raio pela esquerda e chutou com categoria à esquerda do goleiro alemão.

Atuação destácavel também de Cesc Fàbregas. Revezando de posição com Iniesta e Messi, fez um primeiro tempo tímido, subindo de produção apenas nos 90 minutos finais, quando passou a jogar exclusivamente no meio-campo. A substituição de Xavi por Keita obrigou o camisa 4 a ser recuado à função de armação e, ali, vem brilhando nos últimos jogos. Assim como no compromisso da Espanha contra a Venezuela, deu duas assistências. Das notícias negativas, fica novamente a má noite de Pedro. O canário segue em má fase e não vai aproveitando a ausência de Sánchez. Afobado, perdeu duas ótimas chances de tirar a zica. Teve seu nome coroado pelo Camp Nou no final, mas sabe que faz uma temporada negra. Semana passada, afirmou que sua vaga nos 22 que vão à Eurocopa está em alerta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Plano B

Em âmbito europeu, o Barcelona é outro. Vitória em Leverkusen colocou os azulgrenás a passo das quartas-de-finais (getty images)

Josep Guardiola colocou em ação o plano B. E tomou corpo. A vitória por 3 x 1 contra o Bayer Leverkusen na Alemanha colocou o Barcelona a um passo das quartas-de-finais. O mais importante: recuperou a faceta vencedora da equipe. A imagem insossa e preguiçosa dos últimos jogos de Liga deu lugar a de uma equipe com ganância. Não foi a melhor versão do Barcelona, aquela que dá show e deixa os telespectadores embelezados. Mas foi um Barcelona diferente. A postura, sobretudo, foi outra.

O final de semana marcou a derrota frente ao Osasuna e a vitória do Real Madrid, que alargou a diferença de pontos entre as duas equipes para 10. A Liga vai se transferindo para Madrid após três anos na Catalunha e Guardiola parece disposto a acreditar que brigar pelo campeonato, atualmente, é algo quase impossível. O fato de, com o placar adverso de dois gols contra o Osasuna, manter Xavi, Iniesta e Fàbregas no banco para colocar dois jovens da base - Telló e Cuenca - evidencia que o plantel já dá a Liga por terminada. Declarações de Piqué, Mascherano e Daniel Alves prova isso. As consecutivas lesões em um elenco curto limita o Barcelona a atuar em alto nível sempre. Há duas semanas, contra a Real Sociedad, o onze inicial foi marcado pelo uso de Jonathan dos Santos, Thiago Alcântara e Sergi Roberto no meio-campo, com Messi, Telló e Cuenca mais à frente. "O Messi voltou para o Barcelona B?", pode se perguntar algum leitor.

A maneira que Guardiola achou para preservar suas principais peças-chaves é blindando-os. Xavi, Iniesta e Fàbregas volta e meia começam entre os reservas e só ratifica que, no momento, o desejo do treinador é brigar pela LC (sem se esquecer da final da Copa do Rei). Um dilema passa pela cabeça de Pep: se desgastar numa Liga onde o rival não dá margem ao erro e passar por um duro inverno em todos os campos, correndo riscos de mais lesões musculares, ou buscar uma solução mais inteligente e abdicar do campeonato, pensando somente na Copa e na LC? A primeira opção, certamente, não garante êxitos.

Os azulgrenás fecharam 2011 adicionando mais três títulos em suas vitrínes do Camp Nou. Duas Supercopas - espanhola e europeia - e um Mundial de Clubes deram ao Barcelona mais moral na tentativa de tirar o Real Madrid da liderança da Liga. Vale lembrar a vitória no Bernabéu por 3 x 1 que, à época, igualou as duas equipes em pontos. Entretanto, enquanto o Barcelona atropela seus adversários no Camp Nou, mas parece sofrer de amnésia futebolística fora dele, o Real Madrid passa por um trator longe ou não do Bernabéu. Os oito tropeços em 21 jogos são demasiados largos. Seis empates e duas derrotas. Números fatais tratando-se de uma Liga tão bipolar quanto a Espanhola. Números irreais tratando-se de um esquadrão histórico como o Barcelona de Guardiola. Por sua vez, o Real Madrid só não deixou de pontuar três vezes em três jogos: um empate e duas derrotas.

Os apenas 18 gols marcados longe de Barcelona são poucos para uma referência mundial como o Barcelona. O Real Madrid marcou 30 vezes longe da capital. Mas por que o Barcelona está custando tanto a definir na Liga Espanhola? Por que será que, à essa altura da temporada, o Real Madrid tá com uma mão e quatro dedos na taça da Liga? Há várias explicações. Motivação, cansaço físico, queda no desempenho de Messi, má sorte, lesões. São milhares os argumentos presentes. O Real Madrid, que nada tem a ver com isso, será provavelmente campeão com muitos méritos. Só uma hecatombe tira hoje a Liga das mãos dos comandados de José Mourinho.

Na parte econômica, Real Madrid e Barcelona seguem liderando o ranking europeu, em tempos de crise mundial. 479, 5 milhões de euros faturou os merengues em 2011; 450,7 milhões de euros, os blaugranas. O acordo de 30 milhões de euros por temporada que firmou com a Qatar Foundation mais os 3,5 milhões de prêmio pelo Mundial de Clubes poderia, segundo o Deloitte, site especializado nessa área, acercar-se ambos os clubes e seguir muito à frente dos concorrentes. Ao cair precocemente na fase de grupos da Champions, é plausível pensar em queda segura do Manchester United.

A saúde econômica é essencial. Se os resultados não são os mais esperados, a melhor forma de trazê-los é indo ao mercado. Mesmo sendo uma equipe reconhecida por utilizar sua base, o Barcelona promete movimentar o próximo mercado de verão. Voltar a conquistar a Liga é, claramente, um dos fatores, junto com alongar seu elenco. Os gigantes espanhóis são privilegiados. Têm dinheiro e contam com os melhores elencos do mundo.

A faceta europeia

Alexis Sánchez marcou um doblete e Messi anotou seu sétimo gol na Champions League. O Barcelona tratou o jogo com paciência. Os alemães se posicionaram com os 10 jogadores, incluindo Schürlle, que jogou na referência do 4-2-3-1, atrás da linha de meio-campo. O treinador Robin Dutt entrou em campo com uma postura totalmente defensiva: um muro foi formado à frente do gol de Leno. Sem Xavi, a criação ficou por conta de Cesc. Demorou até que o camisa 4 se adaptasse à posição. Trabalhando a bola, os azulgrenás precisaram de apenas uma desatenção do esteio defensivo dos anfitriões para marcar. Quando Kadlec saiu jogando errado, a bola caiu nos pés de quem decide: Messi. La Pulga esperou a melhor forma de acionar Alexis Sánchez, que recebeu na frente e chutou entre as pernas do goleiro alemão.

Os velhos problemas na retaguarda voltaram a aparecer. É uma preocupação a mais para Guardiola. Obrigado a sair para o jogo, o Bayer levou perigo quando atacou o Barcelona. Pelo menos em três tentativas na segunda etapa, chegou com facilidade e contado com erros de Mascherano, Puyol ou Busquets. Se especularam uma possível crise e até mesmo o fim de uma era, o Barcelona mostrou hoje que os críticos são o que mais gosta de calar. Enquanto a Liga vai para o brejo, a manunteção da Champions League é algo muito real.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Prévia: Bayer Leverkusen x Barcelona

Mesmo numa fase não tão boa, os torcedores do Barcelona depositam em Iniesta, Xavi e Messi suas esperanças para manter o título europeu em suas mãos (AP Photos)

A Champions League está de volta. A principal competição de clubes do mundo retorna com a fase mata-mata, onde os jogos começam a esquentar e o clima de tensão é sempre maior. Na próxima terça-feira, Lyon x Apoel e Bayer Leverkusen entram em campo para os jogos de ida da fase oitavas-de-finais. O atual 6º colocado do Campeonato Alemão tem uma tarefa ingrata: enfrenta o atual campeão da competição, que apesar de não viver um ano tão bom, sempre se destaca na LC. O Barcelona, vice-colocado da Liga Espanhola, a dez pontos do líder do Real Madrid, quer a manuntenção da orelhuda e começa sua caminhada rumo a Munich. Contra equipes alemães, os azulgrenás têm saído-se excelentes: nas últimas 20 partidas, 16 vitórias, incluindo classificações na Champions ante Bayern de Munich e Schalke 04, e apenas uma derrota, justamente para o rival desta terça, Bayer Leverkusen.

Se classificará o atual campeão Barcelona, que passa por uma fase incomum, ou o surpreendente Bayer Leverkusen, que já deixou para trás uma equipe espanhola (Valencia) nesta edição da Champions? Para a prévia deste confronto de oitavas de finais, contaremos com a ótima colaboração de Luan Claudio, do site Bundesliga Brasil, especializado no futebol da Alemanha. Confira a prévia de Bayer Leverkusen x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui

Bayer Leverkusen: Para um time com um elenco bastante limitado no que diz respeito ao número de peças de reposição, o Bayer Leverkusen até que vem conseguindo conciliar as competições que disputa na atual temporada. Na Bundesliga, é o atual 6º colocado e até aqui não está na briga pelo título, estando 12 pontos atrás do líder Borussia Dortmund. Na Champions League, a equipe comandada pelo treinador Robin Dutt passou sem sustos pela fase de grupos, com a segunda colocação em um grupo que contava também com Chelsea (passou em primeiro), Valencia e Genk. O Leverkusen chegou a última rodada com a liderança, mas acabou perdendo-a com um empate péssimo na Bélgica, contra o eliminado Genk, e com a vitória do Chelsea sobre o Valencia. Passar de fase já era até esperado na Alemanha, mas a equipe deu um grande azar no sorteio, ao enfrentar o atual campeão e melhor time da atualidade, o Barcelona. Passar das oitavas será uma missão difícil, ou quase impossível, mas caso seja eliminado, ainda há tempo para o Leverkusen buscar algo melhor na Bundesliga.

Barcelona: O momento é de incerteza. A Era Guardiola passa pelo seu pior momento nos últimos anos e o plano de jogo vem caindo consideravelmente nos últimos jogos. Após um domínio de três anos na Espanha, o Real Madrid parece muito próximo de quebrar a sequência de títulos azulgrená: a distância entre as duas equipes é de 10 pontos e, vivendo fases opostas, os merengues não dão chance ao erro. Não há motivos para raciocínios apocalípticos ou o prenúncio do fim de uma era. O time é favorito na Copa do Rei e o duelo com na Liga dos Campeões não parece tão complicado. Contudo, fica apenas a impressão de que Guardiola tem motivos para começar a ficar preocupado. O declínio de uma equipe que jogou futebol em alto nível durante 4 anos era esperado, mas o Barcelona já provou outras vezes o porquê de não ser subestimado.

Pontos fortes
Bayer Leverkusen: Sem muito a se fazer diante do Barcelona, melhor equipe do mundo e temida por todos, o Bayer Leverkusen apostará na partida em casa para construir um bom resultado diante de sua apaixonada torcida. Para a primeira partida, o time terá os desfalques importantes do meia Sidney Sam e do artilheiro Derdiyok. Robin Dutt armará a equipe no tradicional 4-2-3-1, onde a maior esperança está nos meias Andre Schürlle e no brasileiro Renato Augusto, que voltou a jogar após longo período lesionado. Na defesa, destaque para o jovem goleiro Bernd Leno, que vem sendo um dos melhores no Campeonato Alemão e se destacou na partida contra o Chelsea, onde o Bayer venceu por 2 a 1.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Fàbregas e Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária, em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a volta de Iniesta para o jogo na Alemanha, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão, e é palco das melhores exibições de Messi.

Pontos fracos
Bayer Leverkusen: Com lesões importantes para o confronto, identifica-se um dos pontos fracos do time alemão: a falta de reservas à altura. Apesar de Sam e Derdiyok serem substituídos por Renato Augusto e Derdiyok, que são de ótimo nível, a equipe terá pouquíssimas opções no banco de reservas que possam "mudar o jogo". Outro problema na equipe é a defesa, que sofreu oito gols em seis jogos até aqui na Champions League e vem sendo constantemente modificada por Dutt, que muda as peças e, em certas ocasiões, até o esquema tático. Além de todos esses problemas, o jogador de maior "nome" do time, Michael Ballack, pouco vem produzindo na temporada, fica no banco em muitas partidas e cogita-se que ele deixará o clube em julho. O meio-campista já é baixa no jogo da ida devido a uma lesão.

Barcelona: Nos últimos jogos, a zaga não tem passado confiança. Piqué, em especial, passa por uma fase negra: desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O nome de Mascherano já é pedido por alguns torcedores para fazer dupla com Puyol (ou trio, com o capitão e Abidal no 3-4-3), que, paralelamente à fase de Piqué, faz uma temporada incrível. As lesões também é um fator negro na temporada azulgrená. Guardiola passa por uma experiência negativa que pode servir de aprendizado: lesões à profusão redimensionando uma temporada que tinha tudo para ser perfeita (os 14 jogadores à disposição para uma semifinal de Copa do Rei é a prova). Jogadores-chaves como Busquets, Xavi e Alexis Sánchez têm atuado sentindo dores, enquanto Iniesta e Fàbregas volta e meia se lesionam. Isso sobrecarrega Messi, que, mesmo sem se lesionar, é utilizado em todos os jogos e dá mostras clara de cansaço.

Expectativas
Bayer Leverkusen: Na Alemanha, assim como em todo o mundo talvez, todos consideram mínimas as chances de o Bayer Leverkusen eliminar o Barcelona e avançar às quartas de finais da Liga dos Campeões. Mas a equipe alemã tem condições de conseguir uma vitória (ao menos por 1 a 0) na Bay Arena, e jogar fechado, no contra ataque, no Camp Nou, para tentar surpreender, assim como muitos já fizeram contra o Barça. Claro que se for para apostar em alguém, vá no Barcelona, mas um classificação do Bayer não é impossível. Existem pequenas, mas verdadeiras chances.

Barcelona: Eliminação precoce não passa pela cabeça de Guardiola. Vencer com autoridade e espantar a má fase, sim. É o que o Barcelona necessita no momento: uma vitória notória. A derrota para o Osasuna no final de semana afastou mais o Barcelona do tetra espanhol, fato esse que serve para os catalães se concentrarem mais na Champions League, como afirmou o treinador catalão na coletiva pós-jogo em Navarra, no sábado. A volta de Iniesta será um adicional positivo à equipe: junto com Fàbregas, Xavi e Messi, espera-se que o futebol vistoso de 2011 volte. Se na Liga a equipe tem se mostrado preguiçosa, não há dúvidas de que na principal competição de clubes do mundo a raça e a disposição prevalecerá. As únicas incógnitas quanto a escalação ficam por conta de Busquets e a indefinição tática. O volante foi convocado para a partida, mas ainda não recebeu alta médica. Se não for escalado, a vaga será disputada entre Mascherano e Thiago Alcântara.

Prováveis escalações
Bayer Leverkusen: Leno; Corluka (Schwaab), Friedrich, Reinartz (Toprak), Kadlec; Rolfes, Lars Bender; Gonzalo Castro, Renato Augusto (Ballack), Schürrle; Kiessling.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Mascherano (Busquets/Thiago Alcântara), Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.