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terça-feira, 17 de julho de 2012

Início de mandato

Agora é para valer: Tito Vilanova iniciou os treinamentos de pré-temporada e está confiante para a árdua missão de substituir Josep Guardiola (AP Photos)

Começou o trabalho de Tito Vilanova no Barcelona. Com o retorno de boa parte do elenco das férias, o novo treinador iniciou o período de treinamento para a pré-temporada. Do plantel, 13 jogadores estão em Barcelona, incluíndo Messi, Daniel Alves e Villa. A exceção são os jogadores que disputaram a Eurocopa (Víctor Valdés, Xavi, Iniesta, Fàbregas, Piqué, Alba e Afellay), além dos lesionados Thiago Alcântara, Abidal, Adriano, Fontás e Cuenca. Tello e Montoya, com a seleção olímpica espanhola, também não estão disponível. O novo staff, definido por Vilanova, Zubizarreta e Sandro Rosell, já se apresentou e está trabalhando. Passado o período de férias e com tudo internamente resolvido, agora a hora é de resolver os problemas do mercado de transferências. A primeira solução já foi concluída: a contratação de Jordi Alba, que chega para ser o novo dono da lateral esquerda.

O clube passa por apuros para contratar um zagueiro. Thiago Silva, sonho de consumo de Zubizarreta, esteve próximo de um acerto, mas a quantia que o Milan pediu (60 milhões de euros) o Barcelona não estava disposto a pagar. Ainda por cima, viu o PSG atravessar a negociação e confirmar o zagueiro brasileiro. Atualmente, o preferido de Tito e Zubi é Javi Martínez. Porém, o Athletic Bilbao deixou claro que não irá se desfazer de seu polivalente jogador de uma maneira tão fácil. Inicialmente, o clube basco entrou em acordo com os catalães para negociar Javi; contudo, apenas se o Barça aceitasse pagar os 40 milhões de euros de sua rescisão de contrato. Após isso, a diretoria entrou em um dilema: pagar isso tudo em apenas um jogador ou dividir o dinheiro em mais de um? Passa na cabeça de Tito, também, dar mais oportunidades a canteranos, como Bartra ou Muniesa - esse último, aliás, pode estar de saída para o Ajax, por empréstimo de um ano. Mas há outras alternativas. Agger, Vermaelen e até o brasileiro Dedé estão na órbita dos azulgrenás.

No meio-campo, a saída surpresa de Keita foi vista como uma dor de cabeça a mais. Sem um meio-campista que considerava 12º jogador, o treinador mudou de ideia e optou por reforçar também esse setor. Cabaye (Newclaste) e M'Vila (Rennes) são os preferidos de Vilanova, que poderia utilizar Javi Martínez na volância, visto que essa é sua posição de origem. Mas mais uma vez o tapa buraco pode acabar sendo puxado das canteras. Jogadores como Jonathan dos Santos, Sergi Roberto e Illie Sánchez irão sair para a pré-temporada junto com o plantel A para serem testados. Outro ponto positivo é o retorno em definitivo de Fàbregas à posição. Utilizado muitas vezes à esquerda do ataque e até de falso nove com Guardiola - fato que inspirou Del Bosque para a Eurocopa -, é muito provável que Cesc só volte para lá em último caso. O lugar dele, para Tito, é no meio-campo, mais possivelmente no setor de Xavi.

O ataque talvez seja a posição que menos preocupa. Tito confia em Alexis Sánchez, Pedro, Villa e Afellay e não cansa de repetir isso. Além disso, as atuações positivas de Deulofeu na Eurocopa Sub-19 pode ser um trunfo ao longo da temporada. O jovem, essencial para o Barcelona B, ficará boa parte do tempo na filial, mas pode ser opção em caso de lesão, como Tello e Cuenca em 2011/2012. A esperança é de que Messi continue brilhando. Fernando Signorini, preparador físico do argentino desde 2009, afirmou que o mundo presenciará a melhor versão de La Pulga nesta nova temporada. E, a bem da verdade, o camisa dez parece estar com bastante ganância. Após a falha no momento mais crucial da temporada passada, Messi se juntou mais cedo do que o necessário com o elenco para os treinos de pré-temporada. Signorini, aliás, mostrou-se bastante surpreso com a forma física do argentino, a melhor possível mesmo após um bom período de férias.

Na parte tática, haverá algumas mudanças. A principal dela é a não utilização do 3-4-3, que Guardiola tanto tentou implantar na equipe ao longo de 2011/2012. As variações táticas ao longo das partidas também não deverão serem vistas. Tito Vilanova quer o jogo centrado nos flancos, com o uso de bastante infiltrações por parte dos dois jogadores de lado do campo, que deverão se revezarem bastante a fim de surpreenderem o adversário, e mais chutes a gol dos jogadores que vêm de trás. A aproximação de um futebol forte semelhante ao do início da era Guardiola é a principal missão que ele quer atingir. A primeira temporada sem o treinador mais vitorioso da história do clube poderia, no papel, ser um desastre, mas o grupo está com Tito, e ele é o nome mais ideal para substituir seu amigo. Será o início de mais uma nova era vitoriosa no Barcelona?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bola para frente

 Mais importante para o Barcelona é a permanência de Josep Guardiola. Os azulgrenás precisam urgente de mudanças para voltar a dominar o futebol (getty images)

O Barcelona está eliminado da Liga dos Campeões 2011/2012. A queda barcelonista na semifinal do torneio ante o Chelsea representa a Guardiola a primeira temporada sem os dois títulos de maior importância no futebol europeu: o nacional e o continental. Em dia que até Messi desperdiçou não só pênalti decisivo como inúmeras oportunidades claras, nada deu certo. O baque psicológico pós-pênalti do argentino foi claro. A ansiedade atrapalhou, as tentativas de enfiadas de bolas foram pequenas e os erros, crassos. Xavi apareceu pouco e errou muito, Iniesta limitou-se à esquerda, Cuenca não acertou nenhum cruzamento à área e Fàbregas e Sánchez tentaram em vão. O blog não irá tentar achar motivos da eliminação azulgrená, e sim tocar num assunto crucial: mudanças, a partir de agora, são necessárias.

O dia após uma queda tão sentida é de pensamento. É hora de rever conceitos: o que faltou para o Barcelona conquistar o penta europeu? O principal ponto é um elenco mais encorpado. Por mais que o Barcelona continue sendo a melhor equipe do mundo, falta elenco e peças de reposições à altura. No Real Madrid, por exemplo, se Benzema tiver mal, entra Higuaín. Se Di María ou Özil caírem de produção, tem Kaká e Callejón à disposição de Mourinho. Ontem, ficou evidenciado esse problema do Barcelona, que explodiu após o gol de Fernando Torres. Mais cedo, Guardiola olhou para o banco, viu que Cuenca e Fàbregas não estavam muito bem em campo e, pensando muito, teve que colocar em campo Tello, jovem das canteras que nem ficha de time A tem, e Keita. Enquanto isso, Pedro, um campeão de Copa do Mundo, de LC e Mundial de Clubes marcando gols, permaneceu no banco.

O outro ponto contraditório de Guardiola é apostar cegamente em jogadores da base em dentrimento de ir ao mercado buscar opções melhores. Para tentar buscar a virada, o ataque teve Cuenca e depois Tello acompanhando Messi e Sánchez. Numa rápida comparação, voltamos três anos no tempo, contra o próprio Chelsea no jogo de ida da semifinal no Camp Nou: Messi teve a companhia de Henry e Eto'o no ataque. Querendo ou não, impõe mais respeito. Os azulgrenás precisam de um zagueiro, um lateral esquerdo e um volante para que Busquets não fique muito sobrecarregado ao longo da temporada. Alguns nomes são comentados e estão em pauta há algum tempo: Thiago Silva, Adil Rami e David Luiz para a zaga; Jordi Alba para a lateral esquerda; Javi Martínez para a volância (na temporada, atuou mais na zaga); Gareth Bale e Iker Muniain para a meia ofensiva; Neymar (a incógnita quanto ao brasileiro é quando) e Van Persie para o ataque.

Outro ponto a se rever é a preparação na pré-temporada. "Uma pré-temporada bem feita é o primeiro passo para o sucesso", disse Guardiola no dia de sua apresentação no Barcelona. E, de fato, é verdade. Já comentávamos lá em Agosto que os catalães poderiam ter problema ao longo da temporada pela preparação confusa que fazia na volta ao trabalho. As lesões são provenientes disso. Os números chegam a assustar: ao longa da temporada, foram mais de 105 lesões musculares sofridas pelos jogadores do plantel A. Apenas Víctor Valdés, Mascherano, Abidal e Messi não lesionaram o bíceps femoral, principal responsável por mais da metade dessas lesões.

Entretanto, o mais importante para o futuro do Barcelona é a permanência de Josep Guardiola como treinador da equipe. O Mundo Deportivo trata o assunto como incógnita - que é. O catalão costuma renovar seu contrato sempre no final de janeiro ou começo de fevereiro. Estamos no final de abril, com a temporada chegando ao seu término, e até agora nada. Seu contrato vai chegando ao fim e as especulações, começando. Os mais falados são Andrés Villas-Boas, Luis Enrique, Joaquim Löw e Marcelo Bielsa. Em enquete do Diário Sport, os aficionados culés que votaram optaram por El Loco Bielsa substituindo Guardiola, em caso de saída do atual treinador. O Barça segue fiel ao estilo, nem tanto ao seu padrão de excelência. Ou será que é uma oscilação normal e estamos mal (ou bem) acostumados com o domínio azul e grená? O mais importante é cair na real e ver que a equipe, uma das melhores da história, também está fadada ao fracasso e precisa de mudanças.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Derrotado

Bem marcados, Messi, Xavi e Daniel Alves não tem o que comemorar. Derrotado, Barcelona irá atrás de primeira remontada na temporada para continuar vivo em luta do penta da Uefa Champions League

Imagine esse cenário: 74% de posse de bola, 21 chutes a gol, sendo oito delas no alvo, e pressão do início ao fim. É inimaginável pensar numa equipe com essas estatísticas sendo derrotada, não? Pois bem, a descrição acima é a do Barcelona, como sempre. Contudo, ao contrário de outros jogos, os azulgrenás saíram de campos derrotados. Valente, o Chelsea fez valer o mando de campo, derrotou o atual campeão da Liga dos Campeões da Uefa e vai ao Camp Nou precisando apenas de um empate para conseguir chegar à tão sonhada final.

Na temporada, foi apenas a terceira derrota do Barcelona, derrotado antes para Osasuna e Getafe. Em âmbito continental, foi um londrino o último comemorar uma vitória perante o tetracampeão europeu: o Arsenal, em fevereiro passado, no jogo de ida das oitavas-de-finais (2x1). O tabu blue prossegue: desde fevereiro de 2006 que a equipe de Stamford Bridge não é derrotada pelo o Barcelona em jogos oficiais. Abaixo, os motivos para o prosseguimento do tabu.

Má eficiência nas finalizações. 21 chutes a gol. 8 delas no alvo, chances claras. Zero gols. É raro ver o Barcelona desperdiçando tantas oportunidades, mais ainda é ver uma atrás da outra da maneira que foi. Fàbregas e Sánchez tiveram duas ocasiões perfeitas de gols, mas falharam. No final, Pedro acertou a trave e Busquets isolou. Errar a exaustão numa semifinal de LC pode ser crucial. Por outro lado, o Chelsea teve somente uma chance de gol. E Drogba jogou para as redes.

Cadê Piqué, Guardiola? Contra o Milan, Pep teve respeito. Não utilizou Fàbregas e Adriano para jogar com Keita e Mascherano, com Puyol fazendo a lateral esquerda. O resultado foi um 0x0 que levantou questionamentos ao treinador: por que não ser mais ousado? Ontem, entretanto, os questionamentos foram outros: por que relegar Piqué ao banco e não dar continuidade a escalação habitual? Joan Vehils, colunista do Diário Sport, escreveu: "talvez, com Piqué em campo, o Barcelona não teria tomado nenhum gol". Difícil dizer com palavras certas o que seria o jogo com Piqué em campo, mas é provável que o zagueiro catalão, que fica mais plantado na zaga do que Mascherano, chutasse para longe a bola cruzada para Ramires. Porém, o se inexiste no futebol.

Muro azul. Duas linhas de quatro atrás da bola fecharam os espaços do Barcelona. A tática montada por Di Matteo não é comum no cenário barcelonista: atualmente, já está provada que é a única que pode parar o Barcelona. Inter de Milão, Real Madrid, Milan e agora Chelsea tiveram sucesso. Faltam mais 90 minutos e a pergunta que fica é: num campo com dimensões maiores como é o Camp Nou o Chelsea conseguirá se defender dessa forma? Vale lembrar que os azulgrenás acharam espaços em momentos da partida.

Mais participação de Xavi. O Barcelona tem meio-campo mais criativo que Paulo Barros e retoma a posse de bola com muita facilidade. Portanto, ofereceria a qualquer adversário um papel secundário. Sabendo disso, Di Matteo abriu mão de Kalou/Sturridge e escalou Mikel, Meireles e Lampard pra reforçar o centro. Mata e Ramires abertos se sacrificaram na marcação, sobretudo o espanhol. Principal jogador dos londrinos na temporada, o ex-Valencia não participou de nenhuma jogada ofensiva e nem criou nenhum lance de perigo. O povoamento do meio-campo foi a principal estratégia para levar a vantagem ao jogo da volta. Xavi, muito marcado, inexistiu.

Pedra no sapato de Messi. O melhor jogador do mundo tentou. Passava de um, de dois, mas o terceiro já chegava afastando de qualquer maneira. Em certos momentos, lembrava a derrota para a Inter em 2010. La Pulga, também, não teve muita ajuda dos companheiros de ataques. Muito preso à marcação adversário, Sánchez e Fàbregas não ofereceram a Messi oportunidades de tabela. Assim, Messi segue sem marcar contra o Chelsea: são seis jogos (sete se considerarem os 25 minutos disputados em 2005/2005, quando saiu lesionado ainda no primeiro tempo) e nenhum gol. E foi de um desarme de Lampard sobre Messi que iniciou-se o contra-ataque que parou com o único gol do jogo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Prévia: Milan x Barcelona

Messi e Xavi já aprontaram no San Siro nesta temporada, quando o Barcelona venceu por 3x2. A torcida culé espera uma nova exibição de seus craques nos próximos dois confrontos contra os rossonero (reuters)

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Zlatan Ibrahimovic com Josep Guardiola, seu desafeto reconhecido. O sueco saiu do Barcelona disparando contra o treinador, a quem apelidou de "destruidor de sonhos". Para Ibrahimovic, Pep foi o principal responsável por seu fracasso no clube no qual ele sempre sonhava em atuar quando criança, quando assistia ao seu ídolo Ronaldo desfilar magia com a camisa azulgrená. Pois bem, a competência de Milan e Barcelona, que eliminaram Arsenal e Bayer Leverkusen respectivamente nas oitavas-de-finais, e novamente o sorteio colocaram Ibrahimovic e Guardiola frente a frente novamente. Entretanto, não será um "mero" confronto de fase de grupos. Os jogos de agora valerão muito mais: está em xeque a classificação para as semifinais do torneio, que terá sua final em Munich, na Allianz Arena.

Ibrahimovic, que marcou no confronto em San Siro, conseguirá liderar o Milan à primeira semifinal de UCL em cinco temporadas ou o Barcelona de um cada vez mais extraterrestre Lionel Messi confirmará o favoritismo e continuará vivo rumo ao penta? Para a prévia deste principal confronto das quartas-de-finais da principal competição de clubes do mundo, contaremos com a excelente colaboração de Nelson Oliveira, do blog Quattro Tratti, especializado em futebol da Itália. Confira a prévia de Milan x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

Temporada até aqui
Milan: O Milan é o atual líder do campeonato, com 63 pontos, vantagem de quatro sobre a Juventus. A ultrapassagem rossonera, que aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, marca o período positivo da equipe, que não perde desde o fim de janeiro, quando saiu derrotada contra a Lazio. No campeonato italiano, a disputa pelo scudetto continua aberta, mas o Milan tem tabela mais simples que a Juve e, ao contrário da rival, não tem perdido pontos contra equipes menores. Na Coppa Italia, o Milan caiu nas semifinais justamente frente à Velha Senhora, na semana passada. Na Liga dos Campeões, a equipe fez seu melhor e seu pior jogo na temporada: respectivamente, a vitória por goleada sobre o Arsenal e a derrota por 3 a 0 no jogo de volta. É o Milan do primeiro jogo contra os ingleses que será necessário para o duelo contra o Barça.

Barcelona: O meio de semana passado marcou um novo rumo na temporada barcelonista. O tropeço do Real Madrid frente ao Villarreal ressuscitou o Barcelona na Liga Espanhola e o discurso agora é outro: a Liga está aberta. Se o vestiário havia jogado a toalha com a vantagem de 10 pontos, afirmando que era praticamente impossível reverter a situação, a atual diferença de 6 pontos aumenta a confiança desse espetacular grupo, que está convicto de que a remontada é possível. Vale citar que a tabela merengue é mais complicada que a blaugrana e que há um superclássico a ser disputado, no Camp Nou. Na Copa do Rei, a equipe se classificou à terceira final em quatro temporadas e é favorita máxima ao confronto contra o Athletic Bilbao, na final de Madrid.

Pontos fortes
Milan: Sem dúvidas, o Milan tem no ataque seu principal ponto forte. O Diavolo tem o melhor ataque do campeonato italiano, com 59 gols marcados (cinco a mais que o Napoli, o segundo colocado no quesito, e 13 a mais que a Juventus), e tem também o artilheiro da competição: Zlatan Ibrahimovic, com 21 tentos. O sueco faz uma de suas melhores temporadas no futebol europeu - comparável com a de 2008-09, pela Inter - e é o grande responsável pela ótima temporada da equipe de Via Turati. No ataque, Robinho tem sido um ótimo coadjuvante e, se não acerta a pontaria nas conclusões, abre muitos espaços e também dá assistências. O meio-campo, sempre participativo, também é uma das chaves para o bom desempenho ofensivo da equipe: Nocerino e Boateng, na melhor fase de suas carreiras, são importantíssimos para a fluência do jogo do Milan e serão fundamentais no confronto, já que é através do toque e da posse de bola que o Barcelona envolve seus adversários.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a lesão de Adriano e a descoberta do novo problema de Abidal, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. A outra probabilidade é a utilização de Puyol na lateral esquerda, como no confronto contra o Real Madrid na semifinal da temporada passada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão. A LC é palco das melhores exibições de Messi, que, contra o Bayer Leverkusen, anotou cinco para chegar ao topo da artilharia da atual edição.

Pontos fracos
Milan: O grande problema do Milan nos jogos contra o Barcelona será a ausência de Thiago Silva. Lesionado na partida de sábado contra a Roma, o zagueiro brasileiro deve fazer falta: é um dos principais nomes da posição na atualidade e seus prováveis substitutos estão bem aquém de sua fase. Bonera é temerário por si só e Nesta, além de atravessar problemas físicos constantes, não joga desde o fim de janeiro. Sem Thiago Silva - e também sem Abate no primeiro jogo -, as chances de a equipe sofrer gols crescem bastante. Pela vulnerabilidade na defesa, o Milan também pode acabar perdendo a verve ofensiva de seus meias, que serão ainda mais exigidos para auxiliar na marcação do que seriam caso a defesa estivesse completa. Sacrifício certo para Ambrosini, Nocerino e Seedorf, que correrão muito durante o jogo. Considerar a participação de Gattuso ao menos em parte da partida poderia fazer a diferença na combatividade no meio-campo.

Barcelona: A fase de Piqué gera desconfiança. Desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O gol contra o Mallorca, no final de semana, pode elevar a moral do catalão, que precisa recuperar a boa fase da temporada passada para ajudar seus companheiros de zaga na difícil missão de marcar Ibrahimovic. O Barcelona da Era Guardiola também costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Outras fraquezas da equipe aparecem quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e também quando Xavi sofre forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal contra a Inter em 2009-2010, José Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: montou um esquema que asfixiou Xavi e não deixou Messi receber bolas perto da área.

Expectativas
Milan: Apesar de todo seu histórico na Liga dos Campeões, o Milan entra praticamente como um franco-atirador contra o Barcelona. A superioridade técnica da equipe de Messi, Xavi, Iniesta e companhia é inegável e, por um lado, dá certa despreocupação ao Milan, já que a obrigação de passar de fase é barcelonista. Se for eliminado, mas permanecer de cabeça erguida, o time rossonero continuará tranquilamente no seu percurso rumo ao bicampeonato nacional, enquanto um vexame poderá atrapalhar o restante da temporada e abrir feridas já latentes, como a do departamento médico da equipe. O Milan Lab não tem conseguido resolver os problemas crônicos de lesão na equipe e foi recentemente criticado por Ibrahimovic. Do sueco, aliás, a torcida espera uma grande exibição. Muito contestado por não fazer grandes atuações em jogos decisivos, Ibra foi o responsável pela classificação ante ao Arsenal e, motivado, tentará vitimar também a sua ex-equipe e dar uma resposta a Guardiola, seu desafeto.

Barcelona: Com a moral elevada após a sobrevida na liga espanhola, o Barcelona chega como favorito para o duelo. Guardiola, contudo, mantém um discurso humilde e tenta tirar o favoritismo de sua equipe. Na coletiva pré-jogo contra o Sevilla, há duas semanas, afirmou que preferia enfrentar outra equipe e citou que serão duas terríveis partidas. Dentro de campo, o catalão tem dúvidas quanto à parte tática. Contra o Mallorca, Pep não gostou nada da atuação de sua linha defensiva no 3-4-3 e viu a equipe deslanchar exatamente após mudar para o usual 4-3-3. Xavi, poupado no final de semana, volta à equipe titular, assim como Daniel Alves. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Milan é um grande europeu, caminha para o bicampeonato italiano e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; Zambrotta (Bonera), Nesta, Mexès, Antonini; Nocerino, Ambrosini, Seedorf; Boateng; Robinho, Ibrahimovic.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Plano B

Em âmbito europeu, o Barcelona é outro. Vitória em Leverkusen colocou os azulgrenás a passo das quartas-de-finais (getty images)

Josep Guardiola colocou em ação o plano B. E tomou corpo. A vitória por 3 x 1 contra o Bayer Leverkusen na Alemanha colocou o Barcelona a um passo das quartas-de-finais. O mais importante: recuperou a faceta vencedora da equipe. A imagem insossa e preguiçosa dos últimos jogos de Liga deu lugar a de uma equipe com ganância. Não foi a melhor versão do Barcelona, aquela que dá show e deixa os telespectadores embelezados. Mas foi um Barcelona diferente. A postura, sobretudo, foi outra.

O final de semana marcou a derrota frente ao Osasuna e a vitória do Real Madrid, que alargou a diferença de pontos entre as duas equipes para 10. A Liga vai se transferindo para Madrid após três anos na Catalunha e Guardiola parece disposto a acreditar que brigar pelo campeonato, atualmente, é algo quase impossível. O fato de, com o placar adverso de dois gols contra o Osasuna, manter Xavi, Iniesta e Fàbregas no banco para colocar dois jovens da base - Telló e Cuenca - evidencia que o plantel já dá a Liga por terminada. Declarações de Piqué, Mascherano e Daniel Alves prova isso. As consecutivas lesões em um elenco curto limita o Barcelona a atuar em alto nível sempre. Há duas semanas, contra a Real Sociedad, o onze inicial foi marcado pelo uso de Jonathan dos Santos, Thiago Alcântara e Sergi Roberto no meio-campo, com Messi, Telló e Cuenca mais à frente. "O Messi voltou para o Barcelona B?", pode se perguntar algum leitor.

A maneira que Guardiola achou para preservar suas principais peças-chaves é blindando-os. Xavi, Iniesta e Fàbregas volta e meia começam entre os reservas e só ratifica que, no momento, o desejo do treinador é brigar pela LC (sem se esquecer da final da Copa do Rei). Um dilema passa pela cabeça de Pep: se desgastar numa Liga onde o rival não dá margem ao erro e passar por um duro inverno em todos os campos, correndo riscos de mais lesões musculares, ou buscar uma solução mais inteligente e abdicar do campeonato, pensando somente na Copa e na LC? A primeira opção, certamente, não garante êxitos.

Os azulgrenás fecharam 2011 adicionando mais três títulos em suas vitrínes do Camp Nou. Duas Supercopas - espanhola e europeia - e um Mundial de Clubes deram ao Barcelona mais moral na tentativa de tirar o Real Madrid da liderança da Liga. Vale lembrar a vitória no Bernabéu por 3 x 1 que, à época, igualou as duas equipes em pontos. Entretanto, enquanto o Barcelona atropela seus adversários no Camp Nou, mas parece sofrer de amnésia futebolística fora dele, o Real Madrid passa por um trator longe ou não do Bernabéu. Os oito tropeços em 21 jogos são demasiados largos. Seis empates e duas derrotas. Números fatais tratando-se de uma Liga tão bipolar quanto a Espanhola. Números irreais tratando-se de um esquadrão histórico como o Barcelona de Guardiola. Por sua vez, o Real Madrid só não deixou de pontuar três vezes em três jogos: um empate e duas derrotas.

Os apenas 18 gols marcados longe de Barcelona são poucos para uma referência mundial como o Barcelona. O Real Madrid marcou 30 vezes longe da capital. Mas por que o Barcelona está custando tanto a definir na Liga Espanhola? Por que será que, à essa altura da temporada, o Real Madrid tá com uma mão e quatro dedos na taça da Liga? Há várias explicações. Motivação, cansaço físico, queda no desempenho de Messi, má sorte, lesões. São milhares os argumentos presentes. O Real Madrid, que nada tem a ver com isso, será provavelmente campeão com muitos méritos. Só uma hecatombe tira hoje a Liga das mãos dos comandados de José Mourinho.

Na parte econômica, Real Madrid e Barcelona seguem liderando o ranking europeu, em tempos de crise mundial. 479, 5 milhões de euros faturou os merengues em 2011; 450,7 milhões de euros, os blaugranas. O acordo de 30 milhões de euros por temporada que firmou com a Qatar Foundation mais os 3,5 milhões de prêmio pelo Mundial de Clubes poderia, segundo o Deloitte, site especializado nessa área, acercar-se ambos os clubes e seguir muito à frente dos concorrentes. Ao cair precocemente na fase de grupos da Champions, é plausível pensar em queda segura do Manchester United.

A saúde econômica é essencial. Se os resultados não são os mais esperados, a melhor forma de trazê-los é indo ao mercado. Mesmo sendo uma equipe reconhecida por utilizar sua base, o Barcelona promete movimentar o próximo mercado de verão. Voltar a conquistar a Liga é, claramente, um dos fatores, junto com alongar seu elenco. Os gigantes espanhóis são privilegiados. Têm dinheiro e contam com os melhores elencos do mundo.

A faceta europeia

Alexis Sánchez marcou um doblete e Messi anotou seu sétimo gol na Champions League. O Barcelona tratou o jogo com paciência. Os alemães se posicionaram com os 10 jogadores, incluindo Schürlle, que jogou na referência do 4-2-3-1, atrás da linha de meio-campo. O treinador Robin Dutt entrou em campo com uma postura totalmente defensiva: um muro foi formado à frente do gol de Leno. Sem Xavi, a criação ficou por conta de Cesc. Demorou até que o camisa 4 se adaptasse à posição. Trabalhando a bola, os azulgrenás precisaram de apenas uma desatenção do esteio defensivo dos anfitriões para marcar. Quando Kadlec saiu jogando errado, a bola caiu nos pés de quem decide: Messi. La Pulga esperou a melhor forma de acionar Alexis Sánchez, que recebeu na frente e chutou entre as pernas do goleiro alemão.

Os velhos problemas na retaguarda voltaram a aparecer. É uma preocupação a mais para Guardiola. Obrigado a sair para o jogo, o Bayer levou perigo quando atacou o Barcelona. Pelo menos em três tentativas na segunda etapa, chegou com facilidade e contado com erros de Mascherano, Puyol ou Busquets. Se especularam uma possível crise e até mesmo o fim de uma era, o Barcelona mostrou hoje que os críticos são o que mais gosta de calar. Enquanto a Liga vai para o brejo, a manunteção da Champions League é algo muito real.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Prévia: Bayer Leverkusen x Barcelona

Mesmo numa fase não tão boa, os torcedores do Barcelona depositam em Iniesta, Xavi e Messi suas esperanças para manter o título europeu em suas mãos (AP Photos)

A Champions League está de volta. A principal competição de clubes do mundo retorna com a fase mata-mata, onde os jogos começam a esquentar e o clima de tensão é sempre maior. Na próxima terça-feira, Lyon x Apoel e Bayer Leverkusen entram em campo para os jogos de ida da fase oitavas-de-finais. O atual 6º colocado do Campeonato Alemão tem uma tarefa ingrata: enfrenta o atual campeão da competição, que apesar de não viver um ano tão bom, sempre se destaca na LC. O Barcelona, vice-colocado da Liga Espanhola, a dez pontos do líder do Real Madrid, quer a manuntenção da orelhuda e começa sua caminhada rumo a Munich. Contra equipes alemães, os azulgrenás têm saído-se excelentes: nas últimas 20 partidas, 16 vitórias, incluindo classificações na Champions ante Bayern de Munich e Schalke 04, e apenas uma derrota, justamente para o rival desta terça, Bayer Leverkusen.

Se classificará o atual campeão Barcelona, que passa por uma fase incomum, ou o surpreendente Bayer Leverkusen, que já deixou para trás uma equipe espanhola (Valencia) nesta edição da Champions? Para a prévia deste confronto de oitavas de finais, contaremos com a ótima colaboração de Luan Claudio, do site Bundesliga Brasil, especializado no futebol da Alemanha. Confira a prévia de Bayer Leverkusen x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui

Bayer Leverkusen: Para um time com um elenco bastante limitado no que diz respeito ao número de peças de reposição, o Bayer Leverkusen até que vem conseguindo conciliar as competições que disputa na atual temporada. Na Bundesliga, é o atual 6º colocado e até aqui não está na briga pelo título, estando 12 pontos atrás do líder Borussia Dortmund. Na Champions League, a equipe comandada pelo treinador Robin Dutt passou sem sustos pela fase de grupos, com a segunda colocação em um grupo que contava também com Chelsea (passou em primeiro), Valencia e Genk. O Leverkusen chegou a última rodada com a liderança, mas acabou perdendo-a com um empate péssimo na Bélgica, contra o eliminado Genk, e com a vitória do Chelsea sobre o Valencia. Passar de fase já era até esperado na Alemanha, mas a equipe deu um grande azar no sorteio, ao enfrentar o atual campeão e melhor time da atualidade, o Barcelona. Passar das oitavas será uma missão difícil, ou quase impossível, mas caso seja eliminado, ainda há tempo para o Leverkusen buscar algo melhor na Bundesliga.

Barcelona: O momento é de incerteza. A Era Guardiola passa pelo seu pior momento nos últimos anos e o plano de jogo vem caindo consideravelmente nos últimos jogos. Após um domínio de três anos na Espanha, o Real Madrid parece muito próximo de quebrar a sequência de títulos azulgrená: a distância entre as duas equipes é de 10 pontos e, vivendo fases opostas, os merengues não dão chance ao erro. Não há motivos para raciocínios apocalípticos ou o prenúncio do fim de uma era. O time é favorito na Copa do Rei e o duelo com na Liga dos Campeões não parece tão complicado. Contudo, fica apenas a impressão de que Guardiola tem motivos para começar a ficar preocupado. O declínio de uma equipe que jogou futebol em alto nível durante 4 anos era esperado, mas o Barcelona já provou outras vezes o porquê de não ser subestimado.

Pontos fortes
Bayer Leverkusen: Sem muito a se fazer diante do Barcelona, melhor equipe do mundo e temida por todos, o Bayer Leverkusen apostará na partida em casa para construir um bom resultado diante de sua apaixonada torcida. Para a primeira partida, o time terá os desfalques importantes do meia Sidney Sam e do artilheiro Derdiyok. Robin Dutt armará a equipe no tradicional 4-2-3-1, onde a maior esperança está nos meias Andre Schürlle e no brasileiro Renato Augusto, que voltou a jogar após longo período lesionado. Na defesa, destaque para o jovem goleiro Bernd Leno, que vem sendo um dos melhores no Campeonato Alemão e se destacou na partida contra o Chelsea, onde o Bayer venceu por 2 a 1.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Fàbregas e Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária, em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a volta de Iniesta para o jogo na Alemanha, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão, e é palco das melhores exibições de Messi.

Pontos fracos
Bayer Leverkusen: Com lesões importantes para o confronto, identifica-se um dos pontos fracos do time alemão: a falta de reservas à altura. Apesar de Sam e Derdiyok serem substituídos por Renato Augusto e Derdiyok, que são de ótimo nível, a equipe terá pouquíssimas opções no banco de reservas que possam "mudar o jogo". Outro problema na equipe é a defesa, que sofreu oito gols em seis jogos até aqui na Champions League e vem sendo constantemente modificada por Dutt, que muda as peças e, em certas ocasiões, até o esquema tático. Além de todos esses problemas, o jogador de maior "nome" do time, Michael Ballack, pouco vem produzindo na temporada, fica no banco em muitas partidas e cogita-se que ele deixará o clube em julho. O meio-campista já é baixa no jogo da ida devido a uma lesão.

Barcelona: Nos últimos jogos, a zaga não tem passado confiança. Piqué, em especial, passa por uma fase negra: desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O nome de Mascherano já é pedido por alguns torcedores para fazer dupla com Puyol (ou trio, com o capitão e Abidal no 3-4-3), que, paralelamente à fase de Piqué, faz uma temporada incrível. As lesões também é um fator negro na temporada azulgrená. Guardiola passa por uma experiência negativa que pode servir de aprendizado: lesões à profusão redimensionando uma temporada que tinha tudo para ser perfeita (os 14 jogadores à disposição para uma semifinal de Copa do Rei é a prova). Jogadores-chaves como Busquets, Xavi e Alexis Sánchez têm atuado sentindo dores, enquanto Iniesta e Fàbregas volta e meia se lesionam. Isso sobrecarrega Messi, que, mesmo sem se lesionar, é utilizado em todos os jogos e dá mostras clara de cansaço.

Expectativas
Bayer Leverkusen: Na Alemanha, assim como em todo o mundo talvez, todos consideram mínimas as chances de o Bayer Leverkusen eliminar o Barcelona e avançar às quartas de finais da Liga dos Campeões. Mas a equipe alemã tem condições de conseguir uma vitória (ao menos por 1 a 0) na Bay Arena, e jogar fechado, no contra ataque, no Camp Nou, para tentar surpreender, assim como muitos já fizeram contra o Barça. Claro que se for para apostar em alguém, vá no Barcelona, mas um classificação do Bayer não é impossível. Existem pequenas, mas verdadeiras chances.

Barcelona: Eliminação precoce não passa pela cabeça de Guardiola. Vencer com autoridade e espantar a má fase, sim. É o que o Barcelona necessita no momento: uma vitória notória. A derrota para o Osasuna no final de semana afastou mais o Barcelona do tetra espanhol, fato esse que serve para os catalães se concentrarem mais na Champions League, como afirmou o treinador catalão na coletiva pós-jogo em Navarra, no sábado. A volta de Iniesta será um adicional positivo à equipe: junto com Fàbregas, Xavi e Messi, espera-se que o futebol vistoso de 2011 volte. Se na Liga a equipe tem se mostrado preguiçosa, não há dúvidas de que na principal competição de clubes do mundo a raça e a disposição prevalecerá. As únicas incógnitas quanto a escalação ficam por conta de Busquets e a indefinição tática. O volante foi convocado para a partida, mas ainda não recebeu alta médica. Se não for escalado, a vaga será disputada entre Mascherano e Thiago Alcântara.

Prováveis escalações
Bayer Leverkusen: Leno; Corluka (Schwaab), Friedrich, Reinartz (Toprak), Kadlec; Rolfes, Lars Bender; Gonzalo Castro, Renato Augusto (Ballack), Schürrle; Kiessling.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Mascherano (Busquets/Thiago Alcântara), Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).