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sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O desafio de Munique

Há quatro anos, o trio Messi-Eto'o-Henry fez o carnaval contra o Bayern de Munich. Agora, no entanto, a fase bávara é outra (BBC)

Após eliminar Milan e PSG, vem aí o Bayern de Munich para o Barcelona, no último passo rumo a Wembley, local onde os blaugranas ganharam duas de suas quatro UCL. Para muitos, o jogo do ano. Nesta terça, às 15h45 (horário de Brasília), a Allianz Arena verá a melhor equipe dos últimos anos contra o melhor time da temporada 2013/14. Nos últimos quatro anos, era automático colocar o Barcelona como o mais      cotado a vencer algum confronto de UCL. Contra o Bayern, o favoritismo é dividido em 50% para cada. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 75 gols – 89 marcados e 14 sofridos. Como mandantes, os bávaros perderam apenas uma vez, para o Bayer Leverkusen, em outubro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular (apesar de que, nesta terça-feira, Gómez irá jogar devido a suspensão de Mandzukic). O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.  Com a lesão de Kroos, Robben recuperou sua titularidade, e será ameaça real a Jordi Alba.

No final de semana, Tito Vilanova usou um time misto contra o Levante. Apesar da partida sonolenta e previsível do Barça, a equipe venceu por 1x0 nos minutos finais, com gol de Fàbregas, após boa jogada de Alexis Sánchez. No entanto, a melhor notícia que Vilanova poderia receber foi o excelente rendimento de Abidal na zaga ao lado de Piqué. O francês passou segurança a um sistema defensivo bastante vulnerável e pela primeira vez desde seu retorno ficou em campo os 90 minutos. É claro que o ritmo dos alemães será outro em relação ao dos levantinos, mas Abidal pode aparecer como um elemento mais confiável do que Bartra ou Song para o duelo de Munique (Adriano está suspenso, e Mascherano e Puyol estão lesionados).

Outra notícia positiva que o treinador barcelonista recebeu é sobre Lionel Messi. O argentino treinou normalmente com os companheiros no domingo e viajou para Munique. Ainda sem alta médica, no entanto, sua participação como titular está 80% confirmada. De acordo com o periódico Mundo Deportivo, o camisa 10 fará exames médicos na Alemanha para poder, enfim, receber a tão esperada liberação. Iniesta e Daniel Alves, que fizeram um trabalho específico após o duelo do final de semana, também estão confirmados.

Daniel Alves é uma questão à parte no duelo. O baiano, autor de uma temporada inconstante, irá combater diretamente Franck Ribéry, um dos melhores jogadores do mundo. Na temporada passada, o francês abusou de Arbeloa e foi um dos caminhos para a classificação bávara sobre o Real Madrid. Contra o Bayern, Daniel Alves irá precisar controlar suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao francês. Precisará ser mais o Daniel Alves de 2009/2011, que anulava Cristiano Ronaldo, e não o de 2013, que deixou espaços para Pastore marcar no Camp Nou.

No meio-campo, talvez o duelo que irá condicionar o jogo: Busquets, Xavi e Iniesta contra Javi Martínez (ou Luiz Gustavo), Schweinsteiger e Müller. Ainda que Iniesta faça uma temporada de ouro, Xavi vive de lampejos e Busquets vem de partida fraca contra o PSG, na qual não conseguiu controlar Verrati. É preciso mais concentração a um meio que já não consegue ditar tanto o ritmo da partida como outrora. Xavi conhece bem Schweinsteiger, que foi anulado pelo espanhol no confronto entre Espanha x Alemanha na Copa do Mundo. Porém, desta vez, Xavi irá encontrar uma versão mais evoluída do alemão.

Os duelos também reservarão outra questão, a mais interessante: a posse de bola. Há cinco anos (ou 301 jogos, se você preferir) que ninguém tem mais posse de bola jogando contra o Barcelona. Os blaugranas lideram todas as estatísticas referentes à manutenção da bola na Liga dos Campeões 2012/13: é o líder de posse e o time que mais acertou passes. Atrás, nos dois quesitos, está exatamente o Bayern de Munich, que tem poderio suficiente para agredir os azulgrenás e fazer eles correrem atrás da bola. Para isso, indico o texto de Marcelo Bechler, da Rádio Globo, falando mais sobre o assunto.

Prováveis escalações.
Bayern: Neuer; Lahm, Dante, Van Buyten, Alba; Javi Martínez (Luiz Gustavo), Schweinsteiger; Robben, Müller, Ribéry; Mário Gómez.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Bartra (Abidal), Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa (Alexis Sánchez)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Prévia: Milan x Barcelona

Na temporada passada, o Milan parou Messi no San Siro e segurou o 0x0 contra o Barcelona com uma pequena retranca. E agora? (AP Photos)

Por mais um ano consecutivo, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona x Milan. Se, nos confrontos da temporada, houve um leve favoritismo ao lado do Barcelona, principalmente depois da lesão de Thiago Silva, que ficou de fora dos dois jogos, atualmente o peso do favoritismo por parte blaugrana é ainda maior. À época, no entanto, o Milan deixou a competição de cabeça erguida, após segurar os azulgrenás no San Siro com uma competente retranca e chegar a assustar os mais de 90 mil torcedores culés presentes no Camp Nou, quando Nocerino empatou a partida por 1x1, resultado que classificava os rossoneros (logo depois, Messi, de pênalti, e Iniesta decidiram a classificação barcelonista).

Pelo lado catalão, o respeito pelo time de Milão é alto. Jordi Roura, na coletiva desta segunda-feira, afirmou ser altamente difícil encarar o Milan em seus domínios. O diretor esportivo Zubizarreta, por sua vez, admitiu não estar 100% confiante na classificação e que os rossoneros merecem respeito não importa a situação. O mesmo disse o capitão Puyol, reconhecidamente um seguidor do Milan.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 20 de fevereiro, às 16h45 (horário de Brasília), e volta no dia 5 de março, contaremos com a colaboração, por mais uma vez, dos parceiros do Quattro Tratti, especializado no calcio italiano. Quem fala sobre o Milan é Arthur Barcelos. Boa leitura.

A temporada até aqui
Milan: Depois de um início tenebroso, com seis derrotas, dois empates e apenas quatro vitórias, gerando um aproveitamento de 33,3%, o time de Massimiliano Allegri vem conseguindo se recuperar na Serie A. Nos últimos 13 jogos pelo campeonato, o Diavolo teve um aproveitamento de 69,2%, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, marcando 26 gols e sofrendo outros 15. Atualmente, o clube de Milanello é o quarto colocado, com 44 pontos em 25 jogos, empatado com a Lazio, a última equipe na zona de classificação para a próxima Champions League. Pela Coppa Italia, o Milan parou nas quartas de finais, contra a Juventus, após ter batido sem dificuldades a Reggina nas oitavas. Já na fase de grupos da Champions, os comandados de Allegri fizeram campanha irregular, surpreendidos pela ótima campanha do Málaga, conseguindo uma vaga no mata-mata apenas na penúltima rodada.

Barcelona: Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foi mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Josep Guardiola, que em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2x1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba. A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3x2 no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça conseguiu boa vantagem ao empatar contra o Real Madrid no Bernabéu por 1x1.

Pontos fortes
Milan: A sequência de bons resultados deve dar um gás a mais para a equipe milanesa, mas são poucos os pontos fortes do atual Milan. Allegri tem no jovem El Shaarawy sua principal arma ofensiva, o artilheiro do time na Serie A e na Champions League, com 15 e 2 gols, respectivamente, contribuindo também com 4 assistências na temporada. Outros destacáveis dos rossoneri são Montolivo, Constant e De Sciglio. O primeiro vem rendendo bem na função de regista, correspondendo as expectativas, enquanto o segundo, por sua vez, talvez seja a grande surpresa na temporada, indo bem na lateral esquerda, e mesmo lhe faltando técnica, compensa com entrega e bom posicionamento. Já o último é a grande revelação do Diavolo, fazendo valer toda a expectativa criada após seu ótimo desempenho na base rossonera, desbancando o antes titularíssimo Abate e conquistando, inclusive, uma lembrança de Prandelli na Nazionale.

Barcelona: Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada - 91 no ano. São 48 gols em 36 jogos, uma média de 1.33 por partida. Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Fàbregas é outro grande nome do Barça na temporada. Após um início fulminante, ele caiu de rendimento nos últimos jogos, mas nada de tão impressionante. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com selo Xavi.

Pontos fracos
Milan: Apesar do bom momento dos últimos quatro meses, o time de Allegri não apresenta bom futebol, que, certamente, não enche os olhos dos rossoneri. Suas vitórias geralmente vêm de placares apertados e/ou decididos no final dos 90 minutos, tendo muitas dificuldades contra equipes que jogam mais fechados e que usam contra-ataque e bola longa. O Milan tem a segunda maior média de posse de bola, 57,9%, atrás apenas da Juventus, contudo apresenta problemas quando com a posse, aproveitá-la para abrir espaços na defesa adversária, fazer infiltrações, chutar ao gol e, claro, converter suas chances, mesmo tendo o quarto melhor ataque da Serie A, 34% de gols do menino El Shaarawy, sobrecarregado no ataque. Balotelli, contratado no mercado de inverno, conseguiu amenizar um pouco a situação, marcando quatro gols em três jogos, porém não poderá jogar pelo Diavolo na Champions League, por já ter atuado pelo Manchester City. Não bastasse isso, a defesa segue falha, especialmente os zagueiros. Os veteranos Mexès, Yépes e Bonera não conseguem substituir a altura Nesta e Thiago Silva, e ainda apresentam certa irregularidade, enquanto Zapata não consegue repetir as atuações dos tempos de Udinese, também apresentando irregularidade.

Barcelona: Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova tem exagerado. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Piqué, após bom início de temporada, voltou a falhar em janeiro, mas ganhou moral após anular Cristiano Ronaldo no superclássico de três semanas atrás. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, pelas quartas-de-finais da LC 2011-12, os azulgrenás passaram por dificuldades no San Siro, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi e Xavi. 

Expectativas
Milan: Bom momento, futebol burocrático, as expectativas do Milan contra o líder espanhol e soberano Barcelona não são das melhores. Contra o eficiente time de Tito Vilanova, Allegri já não conta mais com Ibrahimovic e Thiago Silva, além da disposição tática da equipe das últimas duas temporadas, fatores que seriam fundamentais contra o clube catalão, que também vem apresentando problemas na defesa, problemas esses que poderiam ser explorados pelo trio Niang-Balotelli-El Shaarawy, que não poderá se repetir nos dois confrontos pela ausência do camisa 45. Além de tudo isso, o retrospecto da equipe de Milanello contra o Barcelona também pesa contra: nos últimos seis jogos, foram três vitórias dos culés, sendo duas em pleno San Siro, e três empates. Os comandados de Allegri terão de se superar caso ainda sonhem com o avanço para as quartas, mas pelo visto as atenções do time de Berlusconi estão todas voltadas para a Serie A, na briga por uma vaga na próxima Champions.

Barcelona: O Barcelona recuperou o bom futebol dos últimos tempos, após um fraco início quanto ao desempenho em campo, e chega ao confronto com muita confiança e com o peso do favoritismo ao seu lado. 12 pontos à frente do vice-líder Atlético de Madrid, os azulgrenás podem se concentrar com mais atenção à competição europeia. O treinador Tito Vilanova não estará presente nos confrontos devido a uma ida a Nova York para o início da quimioterapia para curar o câncer. O auxiliar Jordi Roura, nos últimos três jogos, tem feito alguns turnovers no time titular especialmente para evitar algumas lesões, principalmente de jogadores "frágeis" fisicamente, casos de Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves, Puyol e Xavi. Em quatro confrontos contra o Milan na temporada passada, o Barcelona venceu dois, enquanto os outros dois terminaram empatados. Por tudo que as equipes vem apresentando na atual temporada, é fácil imaginar os catalães avançando de fase com certa facilidade. Mas uma camisa como a do Milan merece respeito, como frisou Roura na coletiva pós-jogo contra o Granada, no sábado.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; De Sciglio (Abate), Mexès (Zapata), Yépes, Constant; Nocerino, Montolivo, Boateng (Muntari); Niang, Pazzini (Bojan), El Shaarawy. Técnico: Allegri.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Fàbregas; Pedro, Messi, Iniesta. Técnico: Jordi Roura

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E se Guardiola fosse o treinador da seleção brasileira?

 Guardiola e Daniel Alves juntos na seleção brasileira? Usamos a imaginação nessa matéria especial (getty images)

Por Pedro Galindo e Victor Mendes.
Originalmente feito a Doentes Por Futebol

Com o confirmação do nome de Luiz Felipe Scolari como novo comandante da seleção brasileira, acabaram-se de vez as especulações em torno de Josep Guardiola, que corria por fora na disputa pelo cargo. Apesar de apelos de alguns setores da crônica esportiva e dos torcedores, o ex-treinador do Barcelona foi prontamente descartado pela cúpula da CBF. As justificativas para o descarte - mesmo após o rumor de que o técnico catalão teria confidenciado a amigos que aceitaria dirigir a Canarinha - não fugiram de um previsível ufanismo cego e exacerbado: “não precisamos de treinador estrangeiro, nosso futebol é pentacampeão mundial”, entre outros pachequismos e demonstrações de soberba. A realidade - triste para nós, brasileiros - é que se pode contar nos dedos de uma mão os treinadores nacionais que estão no nível do tamanho do desafio. Felipão, a esta altura da carreira, não parece a escolha mais indicada: vem de péssimas temporadas e de um rebaixamento pelo Palmeiras, que a CBF preferiu esquecer e se apegar à mística da “Família Scolari”, que completou uma década em julho deste ano.

Entretanto, a Doentes por Futebol resolveu fazer um exercício de imaginação e especular como agiria Pep Guardiola, propalado por muitos como o mais revolucionário treinador dos últimos anos. Inicialmente, partimos do pressuposto de que Pep, cuja carreira foi construída no futebol europeu, tem pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro - o que já seria um grande obstáculo caso o catalão assumisse a Seleção. Portanto, se Guardiola tivesse sido escolhido pelo Excelentíssimo Sr. Marin, os jogadores brasileiros no futebol europeu certamente se encheriam de esperanças. Exatamente por isso, os que ainda atuam no futebol brasileiro provavelmente se sentiriam motivados a partir para o Velho Continente. Além disso, partimos também de indicações do próprio Pep: atletas brasileiros já elogiados por ele, especulações da imprensa catalã e esquemas táticos adotados pelo treinador.

O primeiro a celebrar seria Diego Alves, que saiu ainda menino do Atlético Mineiro para brilhar no futebol espanhol - antes no modesto Almería e agora, ainda que em menor intensidade, no Valencia. O goleiro, que já vinha tendo oportunidades com Mano Menezes, muito provavelmente seria lembrado por Guardiola, até mesmo por já ter fechado o gol contra o Barcelona treinado pelo próprio. Ponto negativo para Jefferson, Victor e Rafael, que atuam no futebol nacional e vêm recebendo oportunidades na posição. Na linha defensiva, Dani Alves, peça-chave do blaugranas nas últimas temporadas, teria toda a confiança para continuar como dono da camisa #2 da Seleção. Outro que certamente teria vaga no grupo é o multifuncional Adriano, lateral-coringa do Barça, contratado justamente por Guardiola.

Mas é nas laterais que o catalão teria um de seus maiores desafios: seu Barcelona se habitou a jogar com atletas diferentes em cada um dos lados do campo. Abidal, pela esquerda, se posicionava muitas vezes como um zagueiro, fechando o corredor esquerdo para dar a Daniel Alves a liberdade de brilhar na frente. Na Seleção, um “problema” impediria que a mesma estratégia fosse adotada: o Brasil hoje conta, talvez, com os dois melhores laterais do mundo. Marcelo vive grande fase no Real Madrid e Alves segue sendo decisivo pelo Barça. Guardiola dificilmente abriria mão de opções ofensivas deste quilate. A solução seria convocar um volante com mais poder de marcação, para cobrir as subidas dos alas. Esse cenário seria animador para Felipe Melo - feito de bode expiatório em 2010 e inapelavelmente banido da Seleção - e Luiz Gustavo, volante versátil do Bayern de Munique, que construíram suas carreiras no futebol europeu. Paulinho e Ramires, os atuais titulares, teriam que lidar com obstáculos distintos: o primeiro, com a já citada pouca familiaridade do treinador com os atletas atuando por aqui; o Queniano, por sua vez, provavelmente não teria muito espaço com o catalão justamente por seu jogo não ser muito baseado na troca de passes, e sim na condução da bola. Um jogador mais confiável para puxar contra-ataques, que teria que se adaptar ao estilo de jogo de Pep.

Na meia ofensiva, opção é o que não falta. No Barcelona de Guardiola, a espinha-dorsal era o 4-3-3. No entanto, embora a Seleção disponha de jogadores com muita qualidades, nenhum deles tenha, talvez, a técnica que Xavi e Iniesta têm para dominar o meio-campo adversário com tanta naturalidade. Jogadores que ditam o ritmo do jogo, comandam e trabalham a bola com baixíssimo índice de erros. Até por isso, o trabalho dos volantes teria que ser ainda mais especial do que o que Busquets faz no Barça. Dois jogadores brasileiros têm característica semelhantes às da dupla espanhola, mas não vinham tendo muita oportunidade com Mano Menezes: Ganso e Hernanes. O primeiro, aliás, já fora elogiado por Pep Guardiola, que o chamou de "brilhante" às vésperas da final do Mundial. Hernanes, bastante especulado no Barcelona há alguns anos, é outro jogador que teria a simpatia do treinador. Seria bastante possível eles ganharem mais oportunidades caso Guardiola assumisse a Canarinho.

Ronaldinho é uma questão emblemática. Despedido do Barcelona justamente por Guardiola, a lógica seria imaginar ele não tendo chances nenhuma de retorno à seleção. No entanto, poderia acontecer do catalão ter uma conversa séria com o gaúcho, a mesma que teve quando o demitiu, e tentasse, agora, contar com sua confiança. Aí, justamente, entraria outra questão: como Ronaldinho, Neymar e Kaká jogam no mesmo setor do campo, o santista seria utilizado como falso nove, cumprindo o papel que Messi faz no Barcelona? Muito provavelmente, sim. Embora, à primeira vista, contar com um centroavante seria mais necessário. Talvez Leandro Damião, que chegou a estar na órbita do Barça na temporada passada, ou Luis Fabiano, com passagens pelo futebol espanhol, ou até mesmo Fred.

Outro jogador que também tem a simpatia de Guardiola é Robinho, cotado para ser contratado em 2009/2010, mas que, segundo a imprensa espanhola, não teve a aprovação dos senadores do elenco barcelonista. Como o milanista também se destaca jogando mais do lado direito do campo, provavelmente seria uma opção de banco. Hulk ou Lucas, por ser um jogador capaz de cumprir uma boa função tática, jogariam aberto à direita, com Oscar centralizado tendo liberdade para armar o jogo a partir de sua faixa no campo. Outra probabilidade é o uso de Daniel Alves aberto à direita da linha de três. O baiano chegou a jogar com Guardiola na ponta direita, ao lado de Messi e mais um no ataque. Neste caso, Maicon e Rafael seriam os mais cotados para assumir a lateral direita.

De volta à realidade: como se sabe, Felipão é o novo treinador da seleção. Ao contrário de Pep, ele não vem de bons trabalhos: apesar do título da Copa do Brasil, acaba de ser corresponsável pelo rebaixamento palmeirense e, antes disso, fracassou espetacularmente no Chelsea, cercado de expectativas. Sem dúvida, Scolari não vive mais um bom momento em sua carreira. Seus resultados recentes são reflexo de suas convicções, muitas vezes atrasadas e anacrônicas: o futebol de hoje é bem diferente do de dez anos atrás, quando o treinador gaúcho conquistou seu maior título. Resta a nós, brasileiros, torcer para que sua experiência transmita a confiança que tanto falta à nossa promissora geração.

terça-feira, 27 de março de 2012

Prévia: Milan x Barcelona

Messi e Xavi já aprontaram no San Siro nesta temporada, quando o Barcelona venceu por 3x2. A torcida culé espera uma nova exibição de seus craques nos próximos dois confrontos contra os rossonero (reuters)

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Zlatan Ibrahimovic com Josep Guardiola, seu desafeto reconhecido. O sueco saiu do Barcelona disparando contra o treinador, a quem apelidou de "destruidor de sonhos". Para Ibrahimovic, Pep foi o principal responsável por seu fracasso no clube no qual ele sempre sonhava em atuar quando criança, quando assistia ao seu ídolo Ronaldo desfilar magia com a camisa azulgrená. Pois bem, a competência de Milan e Barcelona, que eliminaram Arsenal e Bayer Leverkusen respectivamente nas oitavas-de-finais, e novamente o sorteio colocaram Ibrahimovic e Guardiola frente a frente novamente. Entretanto, não será um "mero" confronto de fase de grupos. Os jogos de agora valerão muito mais: está em xeque a classificação para as semifinais do torneio, que terá sua final em Munich, na Allianz Arena.

Ibrahimovic, que marcou no confronto em San Siro, conseguirá liderar o Milan à primeira semifinal de UCL em cinco temporadas ou o Barcelona de um cada vez mais extraterrestre Lionel Messi confirmará o favoritismo e continuará vivo rumo ao penta? Para a prévia deste principal confronto das quartas-de-finais da principal competição de clubes do mundo, contaremos com a excelente colaboração de Nelson Oliveira, do blog Quattro Tratti, especializado em futebol da Itália. Confira a prévia de Milan x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

Temporada até aqui
Milan: O Milan é o atual líder do campeonato, com 63 pontos, vantagem de quatro sobre a Juventus. A ultrapassagem rossonera, que aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, marca o período positivo da equipe, que não perde desde o fim de janeiro, quando saiu derrotada contra a Lazio. No campeonato italiano, a disputa pelo scudetto continua aberta, mas o Milan tem tabela mais simples que a Juve e, ao contrário da rival, não tem perdido pontos contra equipes menores. Na Coppa Italia, o Milan caiu nas semifinais justamente frente à Velha Senhora, na semana passada. Na Liga dos Campeões, a equipe fez seu melhor e seu pior jogo na temporada: respectivamente, a vitória por goleada sobre o Arsenal e a derrota por 3 a 0 no jogo de volta. É o Milan do primeiro jogo contra os ingleses que será necessário para o duelo contra o Barça.

Barcelona: O meio de semana passado marcou um novo rumo na temporada barcelonista. O tropeço do Real Madrid frente ao Villarreal ressuscitou o Barcelona na Liga Espanhola e o discurso agora é outro: a Liga está aberta. Se o vestiário havia jogado a toalha com a vantagem de 10 pontos, afirmando que era praticamente impossível reverter a situação, a atual diferença de 6 pontos aumenta a confiança desse espetacular grupo, que está convicto de que a remontada é possível. Vale citar que a tabela merengue é mais complicada que a blaugrana e que há um superclássico a ser disputado, no Camp Nou. Na Copa do Rei, a equipe se classificou à terceira final em quatro temporadas e é favorita máxima ao confronto contra o Athletic Bilbao, na final de Madrid.

Pontos fortes
Milan: Sem dúvidas, o Milan tem no ataque seu principal ponto forte. O Diavolo tem o melhor ataque do campeonato italiano, com 59 gols marcados (cinco a mais que o Napoli, o segundo colocado no quesito, e 13 a mais que a Juventus), e tem também o artilheiro da competição: Zlatan Ibrahimovic, com 21 tentos. O sueco faz uma de suas melhores temporadas no futebol europeu - comparável com a de 2008-09, pela Inter - e é o grande responsável pela ótima temporada da equipe de Via Turati. No ataque, Robinho tem sido um ótimo coadjuvante e, se não acerta a pontaria nas conclusões, abre muitos espaços e também dá assistências. O meio-campo, sempre participativo, também é uma das chaves para o bom desempenho ofensivo da equipe: Nocerino e Boateng, na melhor fase de suas carreiras, são importantíssimos para a fluência do jogo do Milan e serão fundamentais no confronto, já que é através do toque e da posse de bola que o Barcelona envolve seus adversários.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a lesão de Adriano e a descoberta do novo problema de Abidal, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. A outra probabilidade é a utilização de Puyol na lateral esquerda, como no confronto contra o Real Madrid na semifinal da temporada passada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão. A LC é palco das melhores exibições de Messi, que, contra o Bayer Leverkusen, anotou cinco para chegar ao topo da artilharia da atual edição.

Pontos fracos
Milan: O grande problema do Milan nos jogos contra o Barcelona será a ausência de Thiago Silva. Lesionado na partida de sábado contra a Roma, o zagueiro brasileiro deve fazer falta: é um dos principais nomes da posição na atualidade e seus prováveis substitutos estão bem aquém de sua fase. Bonera é temerário por si só e Nesta, além de atravessar problemas físicos constantes, não joga desde o fim de janeiro. Sem Thiago Silva - e também sem Abate no primeiro jogo -, as chances de a equipe sofrer gols crescem bastante. Pela vulnerabilidade na defesa, o Milan também pode acabar perdendo a verve ofensiva de seus meias, que serão ainda mais exigidos para auxiliar na marcação do que seriam caso a defesa estivesse completa. Sacrifício certo para Ambrosini, Nocerino e Seedorf, que correrão muito durante o jogo. Considerar a participação de Gattuso ao menos em parte da partida poderia fazer a diferença na combatividade no meio-campo.

Barcelona: A fase de Piqué gera desconfiança. Desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O gol contra o Mallorca, no final de semana, pode elevar a moral do catalão, que precisa recuperar a boa fase da temporada passada para ajudar seus companheiros de zaga na difícil missão de marcar Ibrahimovic. O Barcelona da Era Guardiola também costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Outras fraquezas da equipe aparecem quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e também quando Xavi sofre forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal contra a Inter em 2009-2010, José Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: montou um esquema que asfixiou Xavi e não deixou Messi receber bolas perto da área.

Expectativas
Milan: Apesar de todo seu histórico na Liga dos Campeões, o Milan entra praticamente como um franco-atirador contra o Barcelona. A superioridade técnica da equipe de Messi, Xavi, Iniesta e companhia é inegável e, por um lado, dá certa despreocupação ao Milan, já que a obrigação de passar de fase é barcelonista. Se for eliminado, mas permanecer de cabeça erguida, o time rossonero continuará tranquilamente no seu percurso rumo ao bicampeonato nacional, enquanto um vexame poderá atrapalhar o restante da temporada e abrir feridas já latentes, como a do departamento médico da equipe. O Milan Lab não tem conseguido resolver os problemas crônicos de lesão na equipe e foi recentemente criticado por Ibrahimovic. Do sueco, aliás, a torcida espera uma grande exibição. Muito contestado por não fazer grandes atuações em jogos decisivos, Ibra foi o responsável pela classificação ante ao Arsenal e, motivado, tentará vitimar também a sua ex-equipe e dar uma resposta a Guardiola, seu desafeto.

Barcelona: Com a moral elevada após a sobrevida na liga espanhola, o Barcelona chega como favorito para o duelo. Guardiola, contudo, mantém um discurso humilde e tenta tirar o favoritismo de sua equipe. Na coletiva pré-jogo contra o Sevilla, há duas semanas, afirmou que preferia enfrentar outra equipe e citou que serão duas terríveis partidas. Dentro de campo, o catalão tem dúvidas quanto à parte tática. Contra o Mallorca, Pep não gostou nada da atuação de sua linha defensiva no 3-4-3 e viu a equipe deslanchar exatamente após mudar para o usual 4-3-3. Xavi, poupado no final de semana, volta à equipe titular, assim como Daniel Alves. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Milan é um grande europeu, caminha para o bicampeonato italiano e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; Zambrotta (Bonera), Nesta, Mexès, Antonini; Nocerino, Ambrosini, Seedorf; Boateng; Robinho, Ibrahimovic.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

domingo, 12 de junho de 2011

Balanço Final: Barcelona

No último ato da temporada, o Barcelona conquistou sua quarta Liga dos Campeões da Uefa (AP Photos)

Campanha: Campeão. 38 jogos, 30 vitórias, 6 empates e 2 derrotas. 95 gols pró e 21 gols contra. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol (Mascherano), Abidal (Adriano); Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.
Os Artilheiros: Messi (38 gols), Villa (18), Pedro (13).
O Técnico: Josep Guardiola
O Destaque: Lionel Messi.
A decepção: Bojan Krkic

Em termos de conquistas, a temporada recém-concluída (veja um resumo detalhado da temporada barcelonista aqui) entra para a história do clube como uma das mais gloriosas. Se a chance de conquistar uma nova tríplice coroa parou na derrota na final da Copa do Rei para o Real Madrid, o Barcelona correu atrás para garantir o merecido doblete (Liga + Champions League). Com margem de derrota bem pequena, o Barcelona teve uma tranquilidade maior para ganhar a Liga Espanhola em relação à temporada passada, quando só foi garantir o título na última rodada. Na Liga dos Campeões, o merecimento foi ainda maior: apenas uma derrota em quatorze jogos. Após uma tranquila fase de grupos, o mata-mata reservou embates perigosos e que mereciam, obviamente, muita atenção. Destaque para as classificações ante Arsenal e Real Madrid e o título em cima do Manchester United. A força das conquistas só demostraram que Guardiola tem nas suas mãos um plantel com mentalidade vencedora e sem limite. A pergunta que fica no ar a partir de agora é: como se comportarão os adversários do Barcelona, sobretudo o Real Madrid, na nova temporada?

No grupo vencedor construído por Josep Guardiola, todos os setores tiveram destaque. No ataque, Lionel Messi foi novamente o homem da temporada e o matador da equipe pelo segundo ano consecutivo. La Pulga foi responsável por incríveis 53 gols na temporada, sendo 12 na Liga dos Campeões, onde foi o artilheiro pela terceira vez consecutiva. Entre os mais fundamentais tentos da Pulga, destacam-se os dois na semifinal contra o Real Madrid, o contra o Arsenal na volta da competição europeia, o contra o Manchester United na final da competição e o hat-trick na final da Supercopa ante o Sevilla, além de muitos outros no campeonato espanhol. Villa e Pedro ofereceram cancha e determinação no ataque. Os dois caíram de produção ao longo da temporada, é verdade, mas o início de temporada, sobretudo o período entre outubro e fevereiro, foi perfeito. No meio-campo, como de praxe, Xavi e Iniesta destruíram os adversários, e Busquets se consolidou como volante de nível mundial. Na zaga, Puyol ficou três meses parado devido a uma lesão muscular, enquanto Piqué formou, ora com Abidal, ora com Mascherano, uma zaga aguerrida e muito sólida, auxiliado por um Daniel Alves mais efetivo no ataque. O brasileiro terminou a temporada como o segundo maior assistente da equipe, ficando atrás apenas de Messi. Víctor Valdés protegeu muito bem a retaguarda azulgrená e ganhou pela terceira vez consecutiva o prêmio Zamora de goleiro menos vazado.

Com a experiência de que precisa contratar para ficar no topo (em 2009/2010, uma temporada após a tríplice coroa, fez um mercado cirúrgico e "só" conquistou a Liga Espanhola), a diretoria blaugrana promete ir ao mercado com mais intensidade. Giuseppi Rossi, Aléxis Sánchez e Cesc Fàbregas são nomes que, segundo a imprensa catalã, já podem ser anunciados na próxima semana, enquanto Kiko Femenía, do Hércules, Javier Pastore, do Palermo, e José Ángel, do Sporting Gijón, estão na órbita azulgrená. Os brasileiros Willian, do Shakthar Donetsk, e Neymar também são possibilidades reais. Se continuará no topo do futebol mundial, ainda não sabemos, mas é bom saborear essa equipe que já está na história do futebol mundial.

sábado, 16 de abril de 2011

Vitória moral

Aplausos para nós: com um a menos, o Real Madrid buscou o empate (em pênalti polêmico) contra o Barcelona. O segundo round é na quarta-feira (getty images)

O que pensar de uma equipe que consegue um empate ante o melhor time do mundo com um a menos? O empate em 1 a 1 no Bernabéu praticamente sacramentou o titulo espanhol a favor do Barcelona, mas mostrou ao mundo que o Real Madrid é capaz de anular a equipe de Guardiola. Na primeira etapa, o 4-3-2-1 de Mourinho sufocou a saída de bola do Barcelona, que teve a posse de bola mas não levaram muito perigo à meta de Casillas. Os espaços, porém, não estiveram totalmente fechados em alguns contra-ataques azulgrenás e Messi acabou desperdiçando duas boas oportunidades. Na primeira, o argentino foi tentar encobrir Casillas e não executou a jogada do jeito que queria; na segunda, fez um carnaval no meio-campo blanco e chutou com força para bela defesa do capitão blanco.

O Real Madrid atuou no 4-3-2-1 que, às vezes, parecia com um 4-1-4-1. Pepe fazia a função de primeiro homem de meio-campo e à frente dele vinha uma linha com Di María, Xabi Alonso, Khedira e Cristiano Ronaldo, este último com mais liberdade para se juntar ao ataque. Na frente Benzema jogava centralizado. O Barcelona veio a campo no seu habitual 4-3-3 (4-2-3-1), com uma surpresa de última hora: Puyol, que não jogava há três meses, foi convocado e, não obstante, iniciou o superclássico como titular. El capitán blaugrana, porém, voltou a sentir dores musculares e saiu na segunda etapa por precaução, segundo o site oficial do Barcelona. Messi, Pedro e Villa compunham o ataque, sempre alternando-se nas funções de homem mais central.

A opção de um meio-campo mais defensivo que o comum deu certo durante todo o primeiro tempo. Porém, no segundo tempo, a entrada de Özil condicionou o jogo: o turco-alemão mudou a característica do Real Madrid e foi importante para que a equipe chegasse ao gol de empate. Na volância, Pepe não deixou passar batido: marcou Messi com solidez na primeira etapa, evitando que o argentino pudesse oferecer resistência ao gol merengue. O argentino pouco fez nos primeiros 45 minutos, mas seu brilhantismo ainda permitiu a criação de boa jogada individual aos 43 minutos, quando Casillas fez bela defesa. Apesar de ceder a posse de bola (que em momentos superou 80%), o Real Madrid também poderia ter aberto o placar: cabeçada de Cristiano Ronaldo salva em cima da linha por Adriano, no último lance da etapa inicial.

Messi comemora: gol no Bernabéu foi o primeiro da Pulga em equipes treinadas por Mourinho (getty images)

O lateral esquerdo brasileiro foi dono de uma grande partida. Marcou Cristiano Ronaldo com contundência quando este bordava pelo seu setor e evitou as subidas de Sergio Ramos ao ataque. O brasileiro, também, evitou por duas vezes um gol do gajo. Além da cabeçada ao fim da primeira etapa, Adriano tirou na hora exata uma bola que o português já preparava para chutar para as redes de Valdés. Cristiano Ronaldo recebeu de Marcelo mas acabou adiantando muito, o que facilitou a chegada de Adriano. Daniel Alves, na outra lateral, também fez boa partida. Apesar do pênalti, muito mal marcado pelo desastrado Muñiz Fernández, o baiano anulou Di María, em péssima noite, e, assim como Adriano na esquerda, praticamente impediu as subidas de Marcelo ao ataque. Porém, Daniel Alves não acrescentou nenhum poder de fogo ao Barcelona quando subiu para o ataque e se preocupou mais na marcação do extremo argentino.

Durante a semana, José Mourinho havia dito que, para jogar contra o Barcelona, estava treinando sua equipe para jogar com um homem a menos, insinuando que sempre alguém era expulso contra a equipe catalã. E, dessa vez, não foi diferente. Xavi lançou com maestria Villa, que ganhou na corrida de Raúl Albiol e acabou empurrado pelo zagueiro. O cartão vermelho, porém, foi mostrado corretamente, já que Villa iria finalizar para as redes de Casillas. Na cobrança, Messi converteu e abriu o placar para o Barcelona. O 49º gol do argentino na temporada destruiu o plano original de Mourinho, e a impressão era de que os dois times aproveitariam a circunstância para se poupar.

Villa, que vem brigado com as redes há alguns jogos, poderia ter matado o jogo, mas não o fez. A atuação do Guaje, e consequentemente sua fase, preocupa. Destaque no primeiro turno, hoje o atacante asturiano foi inoperante caindo às costas de Sergio Ramos, que teve facilidade para marcá-lo. Além disso, não foi por falta de oportunidades que Villa fez uma má partida: o ex-Valencia teve, no mínimo, três ótimas oportunidades de vencer Casillas; mas, na maioria das vezes, por displicência, acabou desperdiçando. Sem contar a falta de domínio na última chance da partida, quando Xavi lançou e o Guaje não conseguiu dominar uma bola, teoricamente, fácil.

Com a expulsão de Albiol, Mourinho refez sua tática com algumas alterações. A princípio, Pepe iria ocupar a vaga de Albiol na defesa, mas com a entrada de Arbeloa (e a de Adebayor, saindo Xabi Alonso e Di María) e o deslocamento de Sergio Ramos para a zaga, o luso-brasileiro voltou à função que vinha exercendo bem. Mas foi a primeira substituição, com a entrada de Özil no lugar de um nulo Benzema, logo após o gol sofrido, que deu novo gás aos merengues na partida. Com participação do turco-alemão, que deu inicio à jogada, Marcelo recebeu de Cristiano Ronaldo e "sofreu" pênalti de Daniel Alves. Com extrema categoria, Cristiano Ronaldo converteu e chegou ao seu primeiro tento contra o Barcelona em sete confrontos.

"Marcelo reconheceu e me disse que tinha que se jogar no lance", disse Daniel Alves após a partida. Fato é que houve falta de critério por parte de Muñiz Fernández. Em um lance bem semelhante, na primeira etapa, Villa foi derrubado por Casillas e caiu na área, mas o árbitro mandou seguir. No fim, o Real Madrid quase chegou à virada. Em jogada iniciada por Özil, que fez o que quis com Keita, Adebayor partiu em velocidade na direita e rolou para Khedira. O alemão, que tinha como opção Cristiano Ronaldo livre na esquerda, arriscou um belo chute de canhota, mas Valdés caiu para defender.

O empate foi justo pela superioridade do Barça e pela entregar do Real Madrid quando estava com um homem a menos. O 1 a 1 foi um bom placar para o primeiro de quatro clássicos. Com o empate, o Barça praticamente se define como o campeão espanhol mantendo a diferença de 8 pontos na ponta da tabela. Para a final da Copa do Rei, quarta-feira, o Barça terá de se preocupar com o possível desfalque de Puyol, que saiu machucado. Porém, Mascherano já estará de volta e, pelo menos contra o Shakthar, foi bem como zagueiro. O Real Madrid pode comemorar: apesar do empate ter selado o tri-campeonato barcelonista, a equipe jogou de igual para igual na primeira etapa e parece ter afastado seus complexos e se convencido de que pode acabar com a seca de vitórias contra o rival.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pós-jogo: Shakthar Donetsk 0x1 Barcelona

Se no jogo de ida, Messi foi importante nas assistências, hoje ele decidiu: gol, artilharia isolada da Champions e quebra de marca pessoal (AP Photos)

Se, no jogo de ida das quartas-de-finais da Liga dos Campeões, o Barcelona abriu o placar cedo e suportou uma mini pressão do Shakthar, o confronto de volta só foi decidido no fim do primeiro tempo, com gol de Lionel Messi, que chegou ao seu nono tento nesta edição Champions League. A derrota para o Barcelona sacramentou uma semana negra para Shakhtar Donetsk, que nunca havia sido derrotado atuando no Donbass Arena desde sua inauguração, em 2009. No domingo, porém, os kroty perderam para o Obolon Kiev pelo campeonato ucraniano, dando adeus à invencibilidade caseira. Guardiola, nem um pouco adepto à euforia, não quis poupar ninguém para o superclássico de sábado. À exceção de Iniesta, suspenso, e Puyol, lesionado, o treinador mandou a campo todas as suas forças. Pedro, voltando de recente lesão, deu lugar a Afellay, autor de uma bela partida. O holandês foi importante nas infiltrações pelo lado esquerdo do campo.

Mantendo o esquema sem um centroavante de referência na área, Messi mantinha uma função de muita movimentação no ataque, dificultando a marcação ucraniana. Sem poder contar com Iniesta e Puyol, ainda lesionado, Guardiola optou por Mascherano na zaga, com Busquets de volante. Na frente, Afellay entrou na vaga de Iniesta, enquanto Keita ocupava o setor de meio-campo. O Shakhtar veio a campo com o mesmo esquema do jogo de ida: o 4-2-3-1. Utilizando uma nova dupla de laterais (Kobin e Shevchuk), Mircea Lucescu manteve a base do seu time. Os brasileiros do ataque continuavam com a responsabilidade ofensiva do clube ucraniano. O Shakhtar tinha consciência da dificuldade do jogo, uma vez que seria necessário aplicar uma goleada histórica sobre um time que perdeu apenas três vezes na temporada.

Willian e Douglas Costas, os dois meias que jogam pelos flancos da linha de três, deveriam orientar o ritmo do Shakthar na busca do quase impossível resultado, mas não conseguiram superar a marcação azulgrená. Jadson, o criador da equipe, passou nulo nos dois jogos, e foi apenas uma presa da marcação de Mascherano, na partida de ida, e Busquets, hoje. Dessa maneira, sem seus três principais jogadores de meio-campo, Luis Adriano ficou vulnerável a Piqué e Mascherano, que hoje inverteu de posição com Busquets. Suspenso para o superclássico, o argentino fez partida impecável na zaga e - quem diria - será desfalque sentido no jogo. Sem a mínima confiança em Gabriel Milito, que entrou no segundo tempo e, um minuto depois, foi amarelado, o treinador terá dor-de-cabeça para montar a equipe titular. Em enquete realizada pelo Sport, o nome do canterano Fontás aparece entre os primeiros para suprir a ausência dos lesionados e suspensos.

Após as primeira investidas do Shakhtar, o Barcelona tomou, por completo, o controle do jogo. Se, no início, o Barça tinha dificuldades para trocar passes, na última meia hora do primeiro tempo, o clube espanhol conseguia jogar no seu estilo próprio: posse de bola superior e controle da partida, ditando o ritmo. Após os primeiros trinta minutos do primeiro tempo, o Barcelona já conseguia chegar com mais perigo à meta de Pyatov em chutes de fora da área, em especial com Messi, Xavi e Afellay. Porém, foi em uma tabela característica do clube catalão que o placar foi aberto. Aos 43 minutos, Messi tabelou com Daniel Alves e recebeu na entrada da área. A Pulga já dominou a bola invadindo a área e após deixar Rakitskiy para trás e ganhar na dividida de Shevchuk, chutou consciente à esquerda de Pyatov, chegando ao gol de número 48 na temporada e superando a melhor marca de sua carreira – em 2009-10, balançou as redes 47 vezes. O maior artilheiro de um clube espanhol por temporada é o húngaro Ferenc Puskas, que marcou 49 vezes no Real Madrid, em 1959-60.

No segundo tempo, o Barcelona ainda era superior, cadenciando o jogo como queria. À medida que os azulgrenáis cozinhavam o jogo, Guardiola, preocupado com as questões físicas de seus jogadores, começou a poupar seus comandados. Lucescu também alterava o seu time, colocando-o mais à frente. Qualquer tipo de reação do Shakhtar era inútil, já que, além de a vantagem espanhola ser grande, o Barcelona era superior. Os ucranianos ainda chegaram em algumas oportunidades, mas sempre parando no goleiro Valdés, que realizou uma bela partida. Nos minutos finais, o domínio do Barça continou e Messi ainda se deu ao luxo de tentar lances de efeito, como chutes de cavadinha, buscando encobrir Pyatov. É importante ressaltar que o time de Lucescu, em momento algum, parou de atacar, só que o Barcelona era muito superior e tinha conhecimento da sua grande vantagem. A classificação às semifinais e a vitória em Donetsk pôs fim à seca do Barcelona de Guardiola em não ganhar fora de casa em confrontos de mata-mata da Champions: em oito confrontos, cinco empates (Lyon, Bayern, Chelsea, Stuttgart e Arsenal), duas derrotas (Internazionale de Milão e Arsenal) e a vitória de hoje na Donbass Arena.

A classificação para as semifinais foi a quarta em quatro anos, o que põe o Barcelona num grupo de times históricos: antes, apenas três equipes havia conseguido tal feito.
O feito do Barcelona mereceu comemoração especial de Guardiola na coletiva pós-jogo. “É algo muito grandioso. O Barcelona jamais havia conseguido isso. É um grande prazer estar nesta equipe”, disse. Com o gol marcado, Messi caminha para ser o mais artilheiro da Champions League. Em uma rápida comparação, Raúl, o maior artilheiro da competição, chegou à marca dos 34 tentos (número de gols de Messi) com 24 anos e 322 dias, um ano a mais que Messi. A espera agora é pelo Real Madrid e uma maratona de superclássico está pronta para começar. Sábado será realizado o primeiro round, no Santiago Bernabéu, seguido de quarta-feira, no Mestalla, pela final da Copa do Rei. Quem levará a melhor?

Shakthar Donetsk 0x1 Barcelona
Shakthar Donestk:
Pyatov; Kobin, Ishchenko, Rakitskiy e Shevchuk; Hubschmann (Fernandinho), Mkhitaryan, Jadson, Douglas Costa (Eduardo) e Willian; Luiz Adriano (Marcelo Moreno).
Barcelona: Victor Valdés; Daniel Alves, Piqué (Gabriel Milito), Busquets e Adriano; Mascherano, Xavi (Pedro Rodríguez) e Keita; Afellay, Messi e David Villa (Jeffren).
Árbitro: Florian Mayer (ALE)
Gol: Messi, aos 43' do primeiro tempo.
Cartão Amarelo:
Mkhitaryan e Ishchenko (Shakhtar); Gabriel Milito (Barcelona)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pós-jogo: Barcelona 5x1 Shakthar Donetsk

Dono do jogo, Iniesta marcou o primeiro gol da goleada e homenageou sua filha, recém-nascida (getty images)

O Barcelona saiu do Camp Nou, palco da primeira partida das quartas-de-finais da Liga dos Campeões, com a convicção de que vem por aí mais dois superclássicos pela frente. A vitória acachapante contra o Shakhtar Donetsk, somado ao triunfo também acachapante do Real Madrid ante o Tottenham, facilitou a vida dos blaugranas na competição e já pode fazer os comandados de Guardiola pensarem nas semifinais e na final da Copa do Rei, também contra o arquirrival, Real Madrid. Se confirmado, as duas equipes farão quatro superclássicos em menos de vinte dias, em jogos que irão parar o mundo.

Contra os ucranianos, o dever de casa começou cedo. Aos dois minutos de jogo, Messi tentou tocar para Villa na entrada da área, mas, por sorte, a bola acabou chegando aos pés de Iniesta, que chutou na direita de Pyatov. O gol levantou o astral de Guardiola, que estava bem "pessimista" na coletiva pré-jogo. Os visitantes, porém, não se abalaram e criaram muitas oportunidades de gol. Willian era a principal válvula de escape do Shakthar e era o que mais levava perigo à meta de Valdés. O brasileiro levou clara vantagem sobre o compatriota Daniel Alves, que parecia sem sintonia durante os primeiros trinta minutos.

Iniesta seguia com os passes afinados e, em uma bola genial, conseguiu um lançamento extraordinário para Daniel Alves, que se redimiu dos seus erros iniciais, ganhou de Pyatov e chutou para as redes, marcando o segundo dos azulgrenás na partida. O camisa oito blaugrana, melhor em campo ontem, acabou recebendo um amarelo e estará fora do jogo de volta, mas em compensação, voltará tinindo no primeiro jogo da semifinal. Os Kroty, entretanto, não diminuiram o ritmo após o gol de Dani Alves e continuaram levando perigo ao gol de Valdés. Douglas Costa, na esquerda, dava um trabalho redobrado a Adriano, mas Luis Adriano, o único atacante do ofensivo 4-2-3-1 de Lucescu, estava em péssimo dia: o ex-Inter teve em seus pés três chances claras de gols, mas acabou desperdiçando todas por displicência.

Na segunda etapa, o ritmo do Shakhtar diminuiu e do Barcelona aumentou. Aos oito minutos, em cobrança de escanteio ensaiada, Daniel Alves rolou rasteiro para Piqué, que chutou firme para marcar o terceiro dos catalães. Na comemoração, homenagem a Abidal e Shakira, sua namorada. O zagueiro culé, que não conseguia acompanhar o ritmo de Douglas Costa na primeira etapa, melhorou muito nos quarenta e cinco minutos finais e anulou o brasileiro que caia pelo seu setor. Messi, que quase foi desfalque, queria marcar o seu gol, mas foi impedido por Pyatov. Para Guardiola, o fato de Messi e Villa terem passado em branco não o preocupa: os dois estão se reservando para os jogos mais importante. O Shakthar diminuiu aos quinte com Rakitiskiy, após desvio em cobrança de falta oriunda de lance cometido por Iniesta. Porém, um minuto depois, o Barcelona forçou e Messi fez toda a jogada pela direita, ajeitando para Keita pegar firme no ângulo de Pyatov.

Com a goleada, a torcida barcelonista começou a provocar Mourinho, provável adversário na semifinal. Um dos gritos xingava a mãe do técnico de Setubal, além de vários torcedores terem sidos flagrados com uma máscara do português. O Barcelona tratou de administrar o tempo, fazer a bola rodar. O técnnico Mircea Lucescu não desisitiu e tratou de mandar a campo Alex Teixeira e Fernandinho, nas vagas de Willian e Jadson. O volume de jogo melhorou ligeiramente, e o Shakhtar ainda esteve muito perto de diminuir, mas Luiz Adriano carimbou a trave e viu a bola cruzar a boca do gol e não entrar. Aos 41 minutos, após bela jogada de Daniel Alves, Xavi selou a manita blaugrana e homenageou Abidal.

Para a volta, Guardiola já avisou que não irá diminuir o ritmo, mesmo com a boa vantagem obtida na Catalunha. Se o Barcelona não se cansou na partida de ida, o jogo da volta promete ser mais intenso, pois a torcida ucraniana promete inflamar o estádio Donbass Arena, local onde a equipe ainda não perdeu nenhum jogo desde de sua inauguração, em 2009. O confronto, porém, já está dizimado e o Barcelona terá as voltas de Puyol e Pedro para o confronto. Mircea Lucescu, técnico do Shakhtar, jogou a toalha após o jogo: "gostaria de parabenizar o Barcelona por estarem nas semifinais.".

Barcelona 5x1 Shakthar Donetsk
Barcelona: Váldes; Dani Alves, Piqué, Busquets e Adriano (Maxwell); Mascherano, Keitá, Xavi e Iniesta; Messi e Villa (Pedro).
Shakthar Donetsk: Pyatov; Srna, Ishchenko, Rakitskiy e Rat; Hubschman (Eduardo), Mhkhitaryan, Douglas Costa, Jadson (Fernandinho) e William (Alex Teixeira); Luiz Adriano
Árbitro: Craig Thomson (ESC)
Cartão amarelo: Iniesta (BAR) Rat, Rakitskiy e Fernandinho (SHA)

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Real Madrid 4x0 Tottenham

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Resumo: 19ª Rodada

Barcelona goleia Málaga, aproveita empate do Real Madrid e ensaia primeira fuga na competição (getty images)

Com o empate pouco digerido do Real Madrid ante o lanterna Almería, o Barcelona ensaia sua primeira fuga nesta Liga BBVA, abrindo quatro pontos de vantagens para o Real Madrid e tendo a vantagem nos critérios de desempate pela goleada no superclássico. Com o empate merengue e uma nova goleada perante o Málaga, o Barcelona encerra o primeiro turno na primeira posição, tornando-se o campeão de inverno. O que anima mais os torcedores culés é saber que, dos últimos nove campeões de inverno, apenas dois não tornaram-se campeões no final (Real Sociedad de 2002-03 e o próprio Barcelona, em 2006-07. Confira o resumo dos jogos da rodada.

Barcelona 4x1 Málaga
No dia que estreava Júlio Batista, o Málaga foi apenas mais uma presa do cada vez mais mágico time de Josep Guardiola. Sem querer levar sustos, Guardiola foi a campo com o que tinha de melhor e repetiu as escalações das manitas contra Real Madrid e Espanyol. Pellegrini, por outro lado, tinha todos os seus jogadores à disposição, mas surpreendeu ao deixar Rondón e Eliseu no banco por dentrimento de uma melhor colocação de Júlio Batista em campo. O brasileiro, de volta ao lugar onde teve sua maior glória no futebol espanhol, entretanto, não cumpriu às expectativas e não deu nenhum poder de fogo aos blanquiazules. Jogando um pouco mais avançado do que de costume, pegou na bola poucas vezes e, no resto da partida, foi anulado por Busquets e Puyol.

A partida serviu para mostrar que Villa está totalmente adaptado ao estilo de jogo do Barcelona (que facilitou por ser semelhante ao da seleção espanhola). Apesar de ainda continuar pecando no mau posicionamento, o que faz ficar em impedido com frequência, El Guaje parece estar tomando cuidado com isso. Além disso, foi responsável por um doblete, chegando a quatorze gols na temporada e ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi. La Pulga, por sua vez, não marcou, mas o jogo serviu para se consolidar no ranking de assistências: com uma para o primeiro gol de Villa, Messi chegou a quatorze, isolando-se no quesito. Messi poderia chegar a quinze, mas Iniesta acabou desperdiçando uma ótima oportunidade, cara a cara com Asenjo. Porém, no rebote, Pedro, como sempre na hora certa, apareceu para completar.

No feliz e calmo ambiente blaugrana, uma má notícia: Daniel Alves lesionou o músculo da perna direita, podendo ficar de 10 a 15 dias, e seu substituto, Adriano, não foi bem. Lateral direito de origem, mas mais acostumado a jogar na esquerda, Adriano não deu a mesma mobilidade no lado direito do ataque azulgrená e pode ser uma incógnita para Guardiola. Como lateral esquerdo, se consagrou no Sevilla e chegou a fazer boas partidas com os catalães, mas ainda deve na direita. A outra opção para Guardiola é a improvisação de Puyol, abrindo espaço para Milito, que resolveu ficar no Barcelona, jogar no lugar do capitán na zaga.

Este Barcelona segue quebrando recordes atrás de recordes: com a vitória sobre os malagueses, e consequentemente o título simbólico de inverno, os azulgrenás tornaram-se o maior campeão de inverno desde o novo formato da liga bbva. São incríveis 52 pontos, 17 vitórias e 28 partidas invictas. Foram apenas cinco pontos perdidos, na derrota para o Hércules e no empate contra o Mallorca (curiosamente, os dois no Camp Nou).

Almería 1x1 Real Madrid
Após quatro partidas seguidas entrando no segundo tempo, Kaká ganhou sua primeira chance como titular do Real Madrid na temporada neste domingo. Porém, o brasileiro teve atuação apagada e viu o time de José Mourinho sofrer para empatar em 1 a 1 com o Almería, lanterna do Campeonato Espanhol, e que levou de oito do Barcelona neste mesmo estádio. A escolha por jogar sem um centroavante de ofício "irritou" Valdano, além de fazer o Real Madrid pouco assustar o lanterna do campeonato. No meio-campo, Özil e Kaká bateram cabeça durante boa parte da primeira etapa, e os blancos não criaram quase nada. Na frente, a opção por Cristiano Ronaldo como falso centroavante não fez certo, desta vez. Apesar de marcar sete vezes em três jogos nessa posição nesta temporada, o português pouco pegou na bola enquanto exercia essa função e só passou a aparecer para a partida após voltar à posição original, quando Mourinho sacou Kaká para colocar Benzema e retornar ao 4-2-3-1 "original".

A relação de Valdano e Mourinho nunca foi as das mais animadoras e se azedou mais ainda após declaração dada pelo dirigente após a partida. Perguntado sobre a busca por um "nove", Valdano disparou: "havia no banco de reservas um nove hoje e o que fazem com Benzema é injustiça". Conhecido por sempre revidar, até agora Mourinho não deu nenhuma declaração diretamente a Valdano, mas é fato que a relação entre os dois está conturbada.

O empate suado foi muito comemorado pelos jogadores do Almería. E com razão. Numa semana em que disputou pela primeira vez na sua história as quartas de finais da Copa del Rey, e saiu com o resultado a favor, o empate, ainda que não o tire da lanterna, pode dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada. Ainda que não seja unanamidade, José Luis Oltra começa a cair nas graças da torcida: seu 4-3-1-2, agredindo o Real Madrid, quase deu certo, tendo em vista que a missão de Oltra era sair com os trê pontos (apesar de improvável), mas o time cometeu um erro primário: boa parte de seus jogadores foram para frente e, assim, acabou dando espaços para o Real Madrid contra-atacar, onde acabou fatal: Benzema rolou e Granero soltou a bomba no ângulo de Diego Alves, definindo o empate. No final da partida, Cristiano Ronaldo ainda jogaria uma bola no travessão, após suposto pênalti de M'Bani, mas o jogo acabou 1 a 1, satisfazendo o Barcelona.

Atlético de Madrid 3x0 Mallorca
Querendo esquecer o mal momento na temporada, o Atlético de Madrid foi para o jogo disposto a ganhar e concentrar suas forças para a volta da Copa del Rey. O objetivo aconteceu e, mesmo sem empolgar, o Atlético de Madrid ganhou bem do Mallorca, conseguindo sua primeira vitória em 2011 pela Liga. O Mallorca pode-se dar totalmente insatisfeito com o resultado por saber que poderia ter saído do Vicente Calderón com os três pontos. O time de Laudrup teve duas chances claras de gols, mas viu o Atlético de Madrid sair na frente com Valera.

O gol do lateral direito (o primeiro pelo Atlético de Madrid desde 2006) também abre um debate: nos últimos jogos, a defesa roja, sempre elogiada por transbordar segurança, vem falhando com frequência, o que já preocupa Michael Laudrup. No segundo gol rojiblanco, a mesma tônica: o Mallorca pressionava, mas em um contra-ataque, Mérida achou Forlán entre Rúben e Nunes e o uruguaio deixou Aouate para trás para chegar ao seu sétimo gol na Liga, empatando com Agüero. No segundo tempo, De Gea viria a aparecer, defendendo um pênalti de Webó, e Reyes matou a partida em um novo contra-ataque fulminante dos anfitriões.

Elias jogou apenas quarenta e cinco minutos e causou boa imprensão. Apesar de atuar pouco tempo (foi substituido na volta do intervalo para a entrada de Juanfrán), Elias foi bem seguro na marcação do meio-campo e sempre levava perigo quando atacava. Em seu melhor estilo, o brasileiro recebeu de Tiago e acertou um belo chute cruzado, que acabou sendo impedido de entrar nas redes por Aouate. Antes do dérbi, o Atlético de Madrid finalmente encontra paz, mas a missão de remontar para cima do seu maior rival continua difícil, mesmo após os resultados conseguidos pelas duas equipes nesta rodada.

Valencia 2x0 Deportivo
No Mestalla, quando o jogo encaminhava para um 0 a 0 insonso, Mathieu apareceu na esquerda e soltou um belo chute praticamente sem ângulo para colocar o Valencia no caminho das trilhas. Numa partida onde foi claramente superior, o Valencia encontrou algumas dificuldades para cerrar a defesa blanquiazul, novamente escalada com cinco zagueiros. A de se destacar a partida de Tino Costa. Preterido por Unai, o argentino entrou na segunda etapa e foi um dos principais responsáveis pela vitória ché. Importante nas infiltrações pelos flancos e na organização de jogo, foi dele, por exemplo, a assistência para o gol de Pablo Hernández, que fechou o marcador. Antes da entrada do argentino, o Valencia voltou a mostrar sua carência quanto a criação. Aproveitando-se disso, o Depor dominou o meio-campo, mas não conseguiu capitalizar a posse de bola em oportunidades de gols. Após o jogo, Lotina voltou a lamentar a falta de pegada de sua equipe. Segundo o técnico blanquiazul, oportunidades foram criados; porém, faltou mais cuidados para concluí-las com exitos.

Sevilla 1x2 Espanyol
O Sevilla voltou a decepcionar. Juventude, muitas ganas, inteligência e boa colocação no terreno de jogo. Qualidade pouca. Quase nenhuma alteração desde a comissão técnica. Pegada... pouca, porque o atacante titular se lesionou para dois meses. Só com esses adjetivos, o Espanyol venceu o Sevilla. Há algum tempo isso não teria acontecido de forma alguma. A imagem não foi tão ruim como nas apresentações ante o Getafe, Mallorca e Almería, porém, isso não deve esconder os gravíssimos problemas dessa equipe, que agora é dependente de jogadores como Romaric. Não se pode dizer que o Espanyol foi melhor no primeiro tempo, apesar do gol. Tampouco pode se falar de uma clara superioridade sevillista. Os jogadores de Manzano tiveram mais posse de bola, chegaram mais e foram superiores em quase todos os atributos de um jogo, porém, possuem carências e os rivais exploram isso. O Sevilla sofre até mesmo quando parece estar dominando a partida. Atrás é um desastre.

O segundo tempo foi uma cópia do primeiro. Domínio e posse de bola sevillista com pouca pegada e dúvidas no meio de campo, onde Romaric ficava sem gasolina. A zaga também era insegura. Todas as chegadas eram geradas pelas laterais e Kameni detinha os poucos chutes que Luís Fabiano e Kanouté eram capazes de tentar. O Espanyol mandou uma bola nas costas da defesa para Callejón e Martín Cáceres se fez de louco e falhou de forma imperdoável. Logicamente, Callejón fuzilou a Javi Varas com prazer e chegou ao doblete. Foi aí que a partida morreu para o Sevilla, jogo que não poderia perder se quisesse seguir alimentando o sonho de conseguir os seus objetivos na temporada. O seguinte gol de Negredo foi muito bonito, porém, não houve tempo para mais.

Villarreal 4x2 Osasuna
Com direito a um "gol que Pelé não fez" de Cani , o Villarreal bateu o Osasuna por 3 a 1 e concentra suas forças no confronto contra o Sevilla pela copa del rey. A vitória também serviu para reafirmar que, faltando um turno para o fim do campeonato, parece difícil alguém tirar a terceira colocação do Villarreal, que vai assegurando o título do "campeonato paralelo". Ante o Osasuna, o Villarreal voltou a mostrar sua qualidade ofensiva. Velozes e bem entrosados, Rossi e Marco Rúben infernizaram a vida dos zagueiros rojos. Prova de maior intesidade do ataque amarillo é ver que, nos últimos quatro jogos, o time marcou treze gols. Porém, se há uma ótima qualidade ofensiva, a defesa recompensa: nesses últimos quatro jogos, recebeu dez gols. Essa incostância acontece muito por causa da exposição que vive a defesa amarilla. Como os volantes e os laterais sobem demais, os zagueiros ficam sempre sobrecarregados caso o time sofra algum contra-ataque.

Na estreia de Cicinho, que fez uma partida segura, palmas para Cani. Na volta para o intervalo, o meio-campista acertou um lindo chute desde o meio-campo encobrindo Ricardo, que estava bem adiantado. Se há o que se destacar no Osasuna esse é a sua persistência. O time de Navarra não se rende nunca e, mesmo não tendo um time bom tecnicamente, a intesidade é a mesma.