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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista: Guilherme Siqueira

Guilherme Siqueira. Foto: Marca

Pela segunda temporada consecutiva, o Granada escapou do rebaixamento nas rodadas finais. Em 2011-2012, uma série de fatores salvaram a equipe da Andaluzia do inferno da Liga Adelante, mesmo com a derrota na última rodada para o Rayo Vallecano. No entanto, em 2012-2013, o time se salvou por conta própria. Ao vencer o Osasuna por 3x0 no Nuevos Los Carménes, o Granada sentenciou sua manuntenção na elite espanhol. E um personagem merece destaque nessa "conquista" do time treinado por Lucas Alcaraz: o lateral esquerdo brasileiro Guilherme Siqueira, autor do terceiro gol da partida contra o Osasuna, após um pênalti batido de cavadinha.

Natural de Florianópolis, Siqueira começa a ganhar respeito no futebol europeu no geral. Eleito uma das revelações do campeonato pelo site da Uefa em 2012, a cada abertura de janela de transferência ele é sempre cogitado para reforçar equipes de tradição como Valencia e Benfica, além de já ter sido sondado pelo Manchester United, mas os dirigentes do clube Filipino renovaram o contrato dele para segurá-lo no elenco do time principal. Guilherme praticamente não jogou no futebol brasileiro. 

Em 2005, quando tinha 18 anos, foi negociado com a Inter de Milão. No futebol italiano, também teve passagens por Lazio e Udinese, antes de chegar ao futebol do país das touradas. O periódico espanhol Ideal, em fevereiro deste ano, publicou uma matéria que a comissão técnica da seleção espanhola estudou a possibilidade de convocá-lo à Fúria, embora Vicente Del Bosque nunca tenha confirmado tal especulação.

O blog entrevistou o jogador, gerenciado pela Assessoria de Imprensa, que intermediou a entrevista. Abaixo, confira a entrevista com Guilherme Siqueira.

Nos últimos anos, os brasileiros Thiago Alcântara e Marcos Assunção se naturalizaram espanhol. Visto que a lateral esquerda é, talvez, uma das lacunas da seleção espanhola, caso aparecesse uma proposta para se naturalizar espanhol, você toparia? 
Guilherme Siqueira: Toparia sim. Estou esperando sair a nacionalidade para ter essa opção. Hoje tenho a nacionalidade italiana. 

Dos quatro laterais convocados por Felipão para a disputa da Copa das Confederações, três atuam no futebol espanhol (Daniel Alves do Barcelona, Marcelo do Real Madrid e Felipe Luís do Atlético de Madrid). Você ainda acredita em vaga na seleção brasileira?
Guilherme Siqueira: Sei que aqui no Brasil poucas pessoas me conhecem. Prefiro ir passo a passo na Europa. Sei que se meu trabalho for bem feito lá fora a recompensa vai chegar. 

Você iniciou sua carreira nas divisões de base do Figueirense e dois anos depois se transferiu ao rival Avaí. Qual foi o motivo dessa mudança? 
Guilherme Siqueira: Eu fui vendido com 16 anos, mas até os meus 18 anos eu não poderia sair do Brasi. Então para estar em atividade e perto da minha família acabou surgindo a possibilidade de assinar com o Avaí. 

Guilherme, até você se estabilizar no Granada, você passou por quatro times no futebol italiano. Qual o grande problema que você encarou para não se adaptar da forma que se adaptou no futebol espanhol na Itália? Pesou a questão do idioma, por exemplo? 
Guilherme Siqueira: O idioma não foi o meu problema. Com três meses de Itália eu já falava o idioma fluentemente. Eu acho que o estilo de jogo e as lesões foram os principais aspectos. 

Guilherme Siqueira ao lado de Marcelo (Divulgação/AV Assessoria de Imprensa)

Na Espanha, por sua vez, você não tardou a cair na graça das torcidas. O que te proporcionou essa adaptação tão fácil ao futebol europeu? 
Guilherme Siqueira: Desde que eu cheguei na Espanha a minha vida mudou completamente. Hoje tenho a felicidade de jogar na primeira divisão do melhor futebol do mundo. Sou feliz e reconhecido. Todo esse meu sucesso atual eu devo ao Granada. Se hoje tenho uma estabilidade é graças a esse clube. 

Ano após ano, seu nome é ligado a uma especulação no Manchester United. Quanto ao futuro: até quando vai seu contrato com o Granada? Você pretende renová-lo? 
Guilherme Siqueira: Eu renovei ano passado com o Granada por cinco temporadas. Tenho ainda mais 4 anos de contrato. Se vou cumprir não sei porque não depende só de mim. Mas acho que se chegar alguma proposta que seja boa para o clube e para mim, eu acredito que seria o momento ideal de aspirar novos objetivos. 

Por mais um ano consecutivo, o Granada conseguiu se salvar e permanecer na primeira divisão. Para você, o Granada pode chegar a brigar por alguma vaga na Liga Europa na próxima temporada? 
Guilherme Siqueira: O Granada a cada ano que passa vem se estabilizando mais na primeira divisão. Acho que falar de Liga Europa ainda é muito cedo. No entanto, com o projeto que os donos desse clube vem fazendo não seria nenhuma loucura eu falar que dentro de dois ou três anos o Granada poderia brigar por essas posições. 

Você costuma enfrentar frequentemente Real Madrid e Barcelona, que conta com dois melhores jogadores do mundo, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Por jogar mais do lado direito do campo, dificilmente você marca individualmente o português. Por outro lado, o combate com o camisa dez do Barcelona é maior. Qual a maior dificuldade em encarar o Messi?
Guilherme Siqueira: O Messi é o jogador mais imprevisível do mundo. Ele pode sair pela sua direita ou esquerda. Então você nunca sabe o que ele pode fazer em determinadas partes do jogo. Além da sua baixa estatura é muito difícil de derrubá-lo. O melhor a ser feito é uma marcação coletiva em cima dele e não deixar ele cômodo dentro de campo. 

E quem é melhor: Messi ou Cristiano Ronaldo? 
Guilherme Siqueira: São os dois melhores do mundo, mas tem características diferentes. Nessa vou ficar em cima do muro (risos).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Cristiano Ronaldo de Vallecas*

Grande revelação da Liga Espanhola na temporada, o brasileiro Léo Baptistão caiu nas graças da fanática torcida do Rayo Vallecano (foto: site oficial do Rayo Vallecano)

Durante a primeira parte da Liga Espanhola, um jovem despontou como candidato máximo à revelação do campeonato. Trata-se de Léo Baptistão, um brasileiro pouco conhecido pela mídia e pelo povo brasileiro. Natural de Santos, ele desembarcou em Vallecas aos 15 anos, após passagem pela base da Portuguesa Santista. Ainda no Brasil, ele chegou a jogar com Neymar, de quem era bastante amigo. Em uma de suas recentes publicações no “Instagram”, o craque do Santos postou a foto dos dois quando criança ( Léo é o da esquerda). 

Logo após passar nos testes para o Rayo Vallecano, o brasileiro passou por um grave problema de saúde, sendo obrigado a retornar ao Brasil para tratar da doença (seu pai é médico). Ao retornar, já curado e no meio da temporada, a Federação Espanhola não aceitou a inscrição do jogador no time juvenil, o que acabou fazendo com que o Rayo o emprestasse ao San Fernando de Henares para não ficar muito parado e aprimorar a parte física. 

Na temporada seguinte, Léo retornou e foi adicionado à lista da equipe sub-17 do Rayo que iria disputar a Divisão de Honra Juvenil, o maior torneio de base espanhol, ao lado de outra grande promessa franjiroya, o ganês Lass Bangoura. Os rayistas fizeram boa campanha, mas não passaram à fase seguinte (conhecida como Copa dos Campeões) pois pararam no Real Madrid (apenas uma equipe por região se classifica à fase final). 

Apesar da eliminação ainda na primeira fase, a boa participação do brasileiro no torneio chamou a atenção de José Ramon Sandoval, à época treinador da equipe A do Rayo. Ele convidou Léo Baptistão para um período de treino com o elenco principal durante a pré-temporada. Sandoval se rendeu ao talento do jovem e o elogiou com frequência. No entanto, o destino mais uma vez influenciou negativamente sua carreira. Naquele que seria, ainda que não oficialmente, sua estreia pelo time principal, Leo Baptistão acabou lesionando a clavícula durante um amistoso contra o Sporting Gijón válido pelo Troféu de Vallecas. O resultado: Léo só iria voltar aos gramados em sete meses, perdendo assim 90% da temporada. 

Sem Sandoval, que acabou demitido ao término da temporada, o esperado era Léo ter que reconquistar a confiança do novo treinador ao longo da temporada pelo Rayo B. Porém, Paco Jemez não exitou em dar continuidade à ideia do antigo treinador, que iria promover a estreia profissional do brasileiro. Logo no retorno dos jogadores das férias, Paco teve uma conversa com Baptistão, que novamente faria a pré-temporada com o time A. Dessa vez, felizmente, tudo ocorreu bem. A melhor notícia viria há uma semana da estreia do Rayo na Liga Espanhola 2012-2013, contra o Bétis na Andaluzia: Léo viria a ser convocado para esse duelo. 

E a estreia foi a melhor possível. A confiança de Paco no jogador era tanta que ele começou com Léo entre os titulares. E o jovem não se acanhou dentro de campo. Aberto pelo lado esquerdo do surpreendente 3-4-3 rayista, ele realizou a melhor estreia possível. Logo no começo, fez uma bela jogada e assistiu Piti marcar. No segundo tempo, após o empate verdiblanco, Léo decidiu o jogo: um chutaço que garantiu a vitória do Rayo e sua estreia de ouro pelo time A. Foi o suficiente para ratificar a confiança de Paco Jémez, que o efetivou na equipe titular. 

A ascensão de Léo Baptistão foi meteórica. Em cinco meses, ele se tornou o principal jogador do time ao lado de Piti. Por seu estilo de jogo, foi apelidado de “Cristiano Ronaldo de Vallecas”* (o título do texto é  em clara alusão a esse apelido) pela fanática torcida franjiroya. Apesar de também fazer as vezes de centroavante, atua com mais saliência na ponta esquerda, onde aproveita a velocidade, o bom drible e a louvável disciplina tática. O belo início de temporada (sete gols e quatro assistências em 13 jogos) deu lugar a uma queda de rendimento natural nos últimos jogos. Uma lesão na coxa direita o afastou dos gramados por três semanas em janeiro, mas ele retornou há uma semana.

A imprensa espanhola não demorou a especular uma possível convocação à equipe de base espanhola. De cidadania espanhola, italiana e brasileira, ele nunca comentou sobre isso. Nos últimos meses, foi especulado com força no Atlético de Madrid, o segundo maior clube da capital espanhola. Os colchoneros, de acordo com o Marca, podem desembolsar seis milhões de euros por sua contratação no próximo verão. É perfeitamente plausível imaginá-lo no Atléti, já que Simeone recua Diego Costa para fazer o lado esquerdo do 4-2-3-1. No início do mês, Léo deu mais força às especulações ao ser flagrado acompanhando uma partida dos rojiblancos no Vicente Calderón. 

No Rayo Vallecano ou no Atlético de Madrid, fato é que Léo Baptistão, aos 20 anos, é um dos brasileiros que mais se destacam nos quatros cantos do mundo na atualidade. Onde quer que haja futebol, terá um brasileiro jogando.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

domingo, 7 de agosto de 2011

O samba de volta à Fúria

Melhor jogador do Barcelona na pré-temporada, Thiago Alcântara foi convocado para o amistoso da seleção espanhola contra a Itália (reuters)

Vicente Del Bosque deu a conhecer na sexta-feira (5) a lista de convocados para o amistoso contra a Itália, nesta quarta-feira (10). A grande - e já esperada - novidade foi o nome do barcelonista Thiago Alcântara, dono de uma excelente pré-temporada pelos blaugrana. Seu caso é ainda mais especial porque o jogador poderia optar pela seleção brasileira (local onde passou sua infância e uma pequena parte da juventude) ou pela Roja. Porém, a revelação do Barcelona nunca foi procurado pela CBF para vestir a amarelinha e dificilmente deixará de fazer parte do grupo campeão mundial em 2010

Convocado para defender a Fúria desde as primeiras divisões das categorias de base, Thiago Alcântara sempre deu a entender que a Espanha seria sua escolha. O amistoso contra a Itália, aliás, será em Bari, justamente no local onde nasceu. Campeão europeu sub-23, o filho do tetracampeão Mazinho torna-se, portanto, o quinto brasileiro a ser convocado para disputar uma partida trajando o uniforme da seleção espanhola. Abaixo, um pequeno comentário sobre os outros hispanos-brasileiros. Por Fernando Vives.

Dentre todos os brasileiros a atuar pela Espanha, Marcos Senna foi o que mais teve sucesso. Campeão europeu, poderia ter ido à Copa do Mundo, mas foi cortado (AP Photos)

Marcos Senna
Paulista, o volante passou por Rio Branco-SP, América-SP, Corinthians e Juventude até desencantar no São Caetano, em 2002, com o vice da Copa Libertadores. Arrumou uma transferência para o Villarreal no mesmo ano, e cresceu junto com o time, que passou a ser respeitado na Espanha. As boas atuações e sua impressionante regularidade fizeram com que fosse convocado para a seleção espanhola em 2006, disputando a Copa do Mundo no mesmo ano. Senna se firmou na equipe e foi campeão da Eurocopa 2008, sendo um dos melhores jogadores da seleção. Acabou não indo para o Mundial da África do Sul, e não tem sido convocado por Vicente Del Bosque.

Catanha
Pernambucano, o atacante perambulou por equipes pequenas de Brasil, Portugal e Espanha até chegar ao Málaga, em 1998. No clube blanquiazul, cansou de fazer gols e ajudou o time a voltar à primeira divisão. Na temporada seguinte, manteve a boa fase e anotou 24 vezes em La Liga, ficando a apenas três da artilharia. O brilho fez com que ele conseguisse passaporte espanhol para atuar pela seleção. Ele disputou três jogos pela “Fúria” (duas partidas foram pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, contra Israel e Áustria), e não marcou gols. Não deixou saudades.

Campeão espanhol com o Deportivo, Donato chegou a disputar a Eurocopa de 1996 com a Fúria (uol)

Donato
Carioca, o zagueiro começou a carreira no Vasco, ganhando três Estaduais (82, 87 e 88). Transferiu-se para o Atlético de Madrid, clube pelo qual também fez sucesso (foi bi da Copa do Rei, em 91 e 92). Em seguida, foi para o Deportivo La Coruña, vivendo sua melhor fase, ganhando três Supercopas da Espanha, duas Copas do Rei e um Campeonato Espanhol. Naturalizou-se em 1994 e disputou 12 partidas pela Roja, jogando até mesmo a Eurocopa de 1996.

Heraldo Becerra
Gaúcho, o ponta esquerda começou a carreira no Cruzeiro de Porto Alegre. Após boa passagem pelo Newell’s Old Boys, da Argentina, foi para o Atlético de Madri, onde se consagrou, sendo campeão espanhol nas temporadas 72/73 e 76/77, bi da Copa do Rei em 1972 e 1976 e campeão do Mundial Interclubes em 74. O sucesso fez com que se naturalizasse espanhol e fosse convocado para a Roja, estreando em um empate contra a Turquia, em 73. Após a passagem pela Europa, transferiu-se para o Boca Juniors, mas jogou pouco, já que faleceu em um acidente de carro. Tinha apenas 31 anos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jogadores: Djalminha

Djalminha foi brilhante no Deportivo, onde foi eleito o jogador mais espetacular da história do clube (canaldeportivo)

A carreira de Djalminha no mundo futebolístico começou nas categorias de base do Flamengo, mais especificamente durante a Copa São Paulo de 1990. Em um time formado por garotos, que viriam a se tornar ícones futebolísticos, como Júnior Baiano, Marcelinho e Paulo Nunes, o então jovem Djalminha conquistaria o primeiro, e até hoje, o único título da Copinha para o rubro-negro carioca.

Habilidade e precisão nos passes e lançamentos, além de muitos gols, já que a dupla ofensiva formada por Rodrigo e Nélio não era das mais convincentes, eram as marcas de Djalminha. A cada jogo, o meia encantava os espectadores da Copinha, e no duelo de semifinal com o Corinthians, onde o Flamengo venceu por 7 a 1, marcou um belíssimo gol do meio-campo, ao melhor estilo “aquele que Pelé não fez”. Não só o gol lhe deu destaque naquele jogo, mas a sua atuação como um todo, foi, talvez, a melhor de um garoto na competição. Após a goleada sobre o Corinthians veio o duelo final contra o Juventus. E como era de se esperar, Djalminha recebeu uma atenção especial, mas foi de seus pés que saiu o passe para o gol de Júnior Baiano, que garantiu o título aos cariocas.

Ainda em 1990, Djalminha participou da equipe flamenguista que conquistou a primeira Copa do Brasil para o clube. De tão talentoso, se imaginou que ele pudesse ser o substituto de Zico, que deixara o Flamengo em 1989 para desbravar o futebol japonês. No ano seguinte da Copinha, o meia já ganhava oportunidades no time principal durante o Campeonato Brasileiro.

Mas a sua coroação veio somente em 1992, quando participou do time que levantou a taça do Campeonato Brasileiro. A equipe daquele ano, que mesclou experiência e juventude, principalmente da garotada da época de Djalminha, conquistou o Brasil sob o comando do veterano Júnior no meio-campo. No ano seguinte à conquista do Brasileirão, Djalminha se despediu do Flamengo. Confusões internas, que culminaram com troca de empurrões com o companheiro Renato Gaúcho, forçaram a sua saída da Gávea.

Com a saída do Flamengo, Djalminha rumou para o futebol paulista, onde foi defender as cores do Guarani. Diferentemente da passagem campeã no rubro-negro carioca, a primeira ida ao time de Campinas não rendeu muitos frutos, apesar de ter sido o principal jogador do time. Por causa disso, em 1994, o meia transferiu-se para o futebol japonês, onde defenderia o Shimizu S. Pulse. Apesar de ter marcado 13 gols em 11 jogos, ele não se adaptou ao Oriente e retornou ao Bugre no mesmo ano.

Em seguida, Djalminha apenas trocou de time, já que continuaria vestindo o verde, mas desta vez do Palmeiras, que com o patrocínio da Parmalat, montava um elenco de respeito, com nomes como Cafu, Flávio Conceição, Rivaldo, Muller e Luizão. Foram apenas dois anos no Verdão, mas tempo suficiente para voltar a conquistar títulos: o Paulistão de 1996. No ano seguinte, veio a sua primeira convocação para a seleção brasileira que disputaria a Copa América. Na competição continental, Djalminha ajudou o Brasil a conquistar seu quinto título da competição.

Este feito valorizou o jogador, que partiu para o Deportivo La Coruña. No clube espanhol, Djalminha levou algum tempo para se adaptar, mas quando já estava entrosado não demorou a virar ídolo. Sua melhor temporada com a camisa do Depor foi em 1999/2000, quando ajudou a equipe a conquistar o inédito título do Campeonato Espanhol, desbancando os Galácticos do Real Madrid.

Além deste título, o brasileiro ainda foi fundamental ao La Coruña nas conquistas da Supercopa da Espanha, em 2000 e 2002, e da Copa do Rei de 2002. Apesar das conquistas, a carreira de Djalminha na Espanha foi abreviada por uma confusão com o técnico Javier Irureta. O meia desferiu uma cabeçada contra o treinador, que teve, como um de seus desdobramentos, a sua saída do clube espanhol para o futebol austríaco, onde foi por empréstimo para o Austria Viena. De quebra, perdeu a vaga na seleção de Luiz Felipe Scolari para a Copa 2002. Em fevereiro de 2005, o meia anunciou sua aposentadoria dizendo que não tinha mais motivação no futebol profissional.

Djalminha
Nome completo: Djalma Feitosa Dias
Data de nascimento: 09/12/1970
Local de nascimento: Santos, São Paulo
Clubes que defendeu: Flamengo, Guarani, Palmeiras, La Coruña, Austria Viena e América do México