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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E se Guardiola fosse o treinador da seleção brasileira?

 Guardiola e Daniel Alves juntos na seleção brasileira? Usamos a imaginação nessa matéria especial (getty images)

Por Pedro Galindo e Victor Mendes.
Originalmente feito a Doentes Por Futebol

Com o confirmação do nome de Luiz Felipe Scolari como novo comandante da seleção brasileira, acabaram-se de vez as especulações em torno de Josep Guardiola, que corria por fora na disputa pelo cargo. Apesar de apelos de alguns setores da crônica esportiva e dos torcedores, o ex-treinador do Barcelona foi prontamente descartado pela cúpula da CBF. As justificativas para o descarte - mesmo após o rumor de que o técnico catalão teria confidenciado a amigos que aceitaria dirigir a Canarinha - não fugiram de um previsível ufanismo cego e exacerbado: “não precisamos de treinador estrangeiro, nosso futebol é pentacampeão mundial”, entre outros pachequismos e demonstrações de soberba. A realidade - triste para nós, brasileiros - é que se pode contar nos dedos de uma mão os treinadores nacionais que estão no nível do tamanho do desafio. Felipão, a esta altura da carreira, não parece a escolha mais indicada: vem de péssimas temporadas e de um rebaixamento pelo Palmeiras, que a CBF preferiu esquecer e se apegar à mística da “Família Scolari”, que completou uma década em julho deste ano.

Entretanto, a Doentes por Futebol resolveu fazer um exercício de imaginação e especular como agiria Pep Guardiola, propalado por muitos como o mais revolucionário treinador dos últimos anos. Inicialmente, partimos do pressuposto de que Pep, cuja carreira foi construída no futebol europeu, tem pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro - o que já seria um grande obstáculo caso o catalão assumisse a Seleção. Portanto, se Guardiola tivesse sido escolhido pelo Excelentíssimo Sr. Marin, os jogadores brasileiros no futebol europeu certamente se encheriam de esperanças. Exatamente por isso, os que ainda atuam no futebol brasileiro provavelmente se sentiriam motivados a partir para o Velho Continente. Além disso, partimos também de indicações do próprio Pep: atletas brasileiros já elogiados por ele, especulações da imprensa catalã e esquemas táticos adotados pelo treinador.

O primeiro a celebrar seria Diego Alves, que saiu ainda menino do Atlético Mineiro para brilhar no futebol espanhol - antes no modesto Almería e agora, ainda que em menor intensidade, no Valencia. O goleiro, que já vinha tendo oportunidades com Mano Menezes, muito provavelmente seria lembrado por Guardiola, até mesmo por já ter fechado o gol contra o Barcelona treinado pelo próprio. Ponto negativo para Jefferson, Victor e Rafael, que atuam no futebol nacional e vêm recebendo oportunidades na posição. Na linha defensiva, Dani Alves, peça-chave do blaugranas nas últimas temporadas, teria toda a confiança para continuar como dono da camisa #2 da Seleção. Outro que certamente teria vaga no grupo é o multifuncional Adriano, lateral-coringa do Barça, contratado justamente por Guardiola.

Mas é nas laterais que o catalão teria um de seus maiores desafios: seu Barcelona se habitou a jogar com atletas diferentes em cada um dos lados do campo. Abidal, pela esquerda, se posicionava muitas vezes como um zagueiro, fechando o corredor esquerdo para dar a Daniel Alves a liberdade de brilhar na frente. Na Seleção, um “problema” impediria que a mesma estratégia fosse adotada: o Brasil hoje conta, talvez, com os dois melhores laterais do mundo. Marcelo vive grande fase no Real Madrid e Alves segue sendo decisivo pelo Barça. Guardiola dificilmente abriria mão de opções ofensivas deste quilate. A solução seria convocar um volante com mais poder de marcação, para cobrir as subidas dos alas. Esse cenário seria animador para Felipe Melo - feito de bode expiatório em 2010 e inapelavelmente banido da Seleção - e Luiz Gustavo, volante versátil do Bayern de Munique, que construíram suas carreiras no futebol europeu. Paulinho e Ramires, os atuais titulares, teriam que lidar com obstáculos distintos: o primeiro, com a já citada pouca familiaridade do treinador com os atletas atuando por aqui; o Queniano, por sua vez, provavelmente não teria muito espaço com o catalão justamente por seu jogo não ser muito baseado na troca de passes, e sim na condução da bola. Um jogador mais confiável para puxar contra-ataques, que teria que se adaptar ao estilo de jogo de Pep.

Na meia ofensiva, opção é o que não falta. No Barcelona de Guardiola, a espinha-dorsal era o 4-3-3. No entanto, embora a Seleção disponha de jogadores com muita qualidades, nenhum deles tenha, talvez, a técnica que Xavi e Iniesta têm para dominar o meio-campo adversário com tanta naturalidade. Jogadores que ditam o ritmo do jogo, comandam e trabalham a bola com baixíssimo índice de erros. Até por isso, o trabalho dos volantes teria que ser ainda mais especial do que o que Busquets faz no Barça. Dois jogadores brasileiros têm característica semelhantes às da dupla espanhola, mas não vinham tendo muita oportunidade com Mano Menezes: Ganso e Hernanes. O primeiro, aliás, já fora elogiado por Pep Guardiola, que o chamou de "brilhante" às vésperas da final do Mundial. Hernanes, bastante especulado no Barcelona há alguns anos, é outro jogador que teria a simpatia do treinador. Seria bastante possível eles ganharem mais oportunidades caso Guardiola assumisse a Canarinho.

Ronaldinho é uma questão emblemática. Despedido do Barcelona justamente por Guardiola, a lógica seria imaginar ele não tendo chances nenhuma de retorno à seleção. No entanto, poderia acontecer do catalão ter uma conversa séria com o gaúcho, a mesma que teve quando o demitiu, e tentasse, agora, contar com sua confiança. Aí, justamente, entraria outra questão: como Ronaldinho, Neymar e Kaká jogam no mesmo setor do campo, o santista seria utilizado como falso nove, cumprindo o papel que Messi faz no Barcelona? Muito provavelmente, sim. Embora, à primeira vista, contar com um centroavante seria mais necessário. Talvez Leandro Damião, que chegou a estar na órbita do Barça na temporada passada, ou Luis Fabiano, com passagens pelo futebol espanhol, ou até mesmo Fred.

Outro jogador que também tem a simpatia de Guardiola é Robinho, cotado para ser contratado em 2009/2010, mas que, segundo a imprensa espanhola, não teve a aprovação dos senadores do elenco barcelonista. Como o milanista também se destaca jogando mais do lado direito do campo, provavelmente seria uma opção de banco. Hulk ou Lucas, por ser um jogador capaz de cumprir uma boa função tática, jogariam aberto à direita, com Oscar centralizado tendo liberdade para armar o jogo a partir de sua faixa no campo. Outra probabilidade é o uso de Daniel Alves aberto à direita da linha de três. O baiano chegou a jogar com Guardiola na ponta direita, ao lado de Messi e mais um no ataque. Neste caso, Maicon e Rafael seriam os mais cotados para assumir a lateral direita.

De volta à realidade: como se sabe, Felipão é o novo treinador da seleção. Ao contrário de Pep, ele não vem de bons trabalhos: apesar do título da Copa do Brasil, acaba de ser corresponsável pelo rebaixamento palmeirense e, antes disso, fracassou espetacularmente no Chelsea, cercado de expectativas. Sem dúvida, Scolari não vive mais um bom momento em sua carreira. Seus resultados recentes são reflexo de suas convicções, muitas vezes atrasadas e anacrônicas: o futebol de hoje é bem diferente do de dez anos atrás, quando o treinador gaúcho conquistou seu maior título. Resta a nós, brasileiros, torcer para que sua experiência transmita a confiança que tanto falta à nossa promissora geração.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A noite de Diego Alves

O gol foi de Soldado, mas o principal responsável pelo empate do Valencia contra o Chelsea foi Diego Alves (getty images)

Contratado por 6 milhões de euros junto ao Almería, Diego Alves começou a temporada relegado ao banco de reservas do Valencia. A preferência por Guaita sempre foi clara em Unai Emery, que só havia utilizado o brasileiro apenas uma vez antes (contra o Genk, também pela Champions League). Ontem, Diego Alves foi titular novamente e ganhou, certamente, muitos créditos com o técnico: foi, de fato, El Paredón e parou quase todos os ataques do Chelsea, garantindo o empate do Valencia no Mestalla.

Os ingleses foram os primeiros a assustar, e com um espanhol. Fernando Torres recuperou a bola no ataque, invadiu a grande área, mas foi desarmado por Adil Rami aos três minutos. Pouco depois, aos 14, Frank Lampard em cobrança de falta obrigou o goleiro brasileiro Diego Alves a fazer grande defesa. A primeira chance do Valencia só veio aos 26 minutos, quando Jordi Alba cruzou na área e Pablo Hernández desperdiçou uma ótima oportunidade de gol.

No segundo tempo o Chelsea voltou com tudo, pressionando demais o Valencia. Aos seis e nove minutos, Diego Alves salvou duas finalizações de Fernando Torres. Mas aos 11 não teve jeito: Florent Malouda cruzou na área e Frank Lampard bateu cruzado para fazer 1 a 0. Após levar o gol, os donos da casa melhoraram e passaram a atacar mais, principalmente por conta das entradas de Pablo Piatti e Jonas. E finalmente, aos 42 minutos, o Valencia conseguiu a igualdade: Salomon Kalou cometeu pênalti e Roberto Soldado deixou tudo igual.

Messi à Kubala
O outro representante espanhol a entrar em campo nesta quarta-feira foi o Barcelona. E, apesar da goleada por 5 a 0 frente ao Bate Borisov, da Bielorrúsia, a principal notícia da noite foi o fato de Messi, com um doblete, ter alcançado a marca de 194 gols de Kubala, tornando-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona.

A vitória dos blaugranas foi desenhada com tranquilidade desde o começo da partida. Contra um Bate deveras ingênuo na marcação, incapaz de acompanhar a movimentação de um time que encontra espaços onde não parece existir, o placar ficou até barato para o time da casa. Prova maior da ingenuidade bielorrussa foi o fato de três dos cinco gols terem saído por falha diretas da equipe.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Balanço Final: Almería

Nesta temporada, o Almería teve poucos motivos para comemorar. Rebaixado, a base da equipe deve ser mantida para a disputa da Liga Adelante (AS)

Campanha: 20ª colocação, 38 jogos, 6 vitórias, 12 empates e 20 derrotas. 36 gols pró e 70 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado nas semifinais pelo vice-campeão Barcelona.
Time-base: Diego Alves; Macedo, Marcelo Silva, Carlos García, Luna; Mbami, Bernardello; Piatti, Vargas, Crusat; Ulloa.
Os artilheiros: Pablo Piatti (8 gols), Leonardo Ulloa e Kalu Uche (7), Albert Crusat (3).
Os técnicos: Juan Manuel Lillo, até a 12ª rodada; José Luis Oltra, a partir da 14ª rodada.
O destaque: Pablo Piatti
A decepção: Sofiane Feghouli

Último colocado com louvor, o Almería deu aula de desorganização nessa temporada, sobretudo no segundo semestre. A boa base do campeonato 2009/2010 foi mantida, mas o elenco desgastado e inferior aos adversário do descenso não suportou a carga de jogos (Copa del Rey + Liga BBVA) e caiu com quatro rodadas de antecedência. Com todos os caminhos apontando para o meio da tabela novamente, o clube se sustentou bem no primeiro turno da competição e chegou a dar esperanças para seus torcedores. Porém, o segundo turno foi terrível: apenas três vitórias em dezenove jogos.

Com créditos após uma boa temporada, Lillo permaneceu no cargo até a goleada sofrida ante o Barcelona por 8 a 0. Até o jogo contra os blaugrana, os rojiblancos da Andaluzia faziam um campeonato saudável, onde - acreditem - sua defesa era a terceira menos vazada. Após sua saída, Oltra deixou de usar o 4-3-2-1 e experimentou o time no 4-2-3-1 e, às vezes, no 4-3-1-2, que deixa muitos espaços para os adversários contra-atacarem. Para isso, falaram mais alto o mau desempenho daqueles que deveriam serem os protagonistas. Crusat, Uche e Vargas caíram surpreendentemente de produção no segundo semestre, deixando para Piatti a função de herói - que acabou não concluindo.

Para a disputa da Liga Adelante, o presidente Alfonso García Gabarrón promete uma série de mudanças drásticas na equipe. A começar pela troca de treinador: José Luis Oltra foi demitido logo após o término da Liga BBVA e o ex-jogador argentino Luis Zubeldía foi contratado com a missão de levar a equipe de volta à elite espanhola. O plantel deverá ser formado apenas por jogadores do mercado nacional, muito por causa, também, da economia do clube. Diego Alves , que vai para o Valencia, e Piatti, destaques da equipe na temporada, já assinaram com outros clubes - no caso de Piatti, falta apenas a confirmação do Osasuna - e será difícil achar substitutos à altura no mercado. Outra medida do presidente é tentar, sempre que possível, contratar jogadores a custo zero. Ricardo León, do Tenerife, e Toché, do Cartagena, já foram contratados desta maneira. A boa notícia é que a base da equipe rebaixada (base boa para a disputa da segundona, diga-se de passagem) deve ficar, à exceção dos dois jogadores citados e o lateral-esquerdo Luna.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Almería

Pênalti é com ele: Diego Alves já agarrou onze dos quatorze pênaltis marcados contra o Almería na competição. Vai uma aulinha? (AP Photos)

Campanha
17ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 2 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. 15 gols pró e 25 gols contra.

Técnico
Juan Manuel Lillo, até a décima segunda rodada; José Luis Oltra, a partir da décima quarta. Na Espanha, quando se fala em Lillo, a primeira coisa que vem à cabeça é o feito do técnico de Tolosa em tirar o até então desconhecido Salamanca da segunda B e, em duas temporadas consecutivas, levá-la à Liga BBVA. Lillo, também, é conhecido por ser o treinador mais jovem da história do futebol espanhol a debutar em uma competição (29 anos). O técnico, então, foi encarregado de, em 2009-10, tirar o Almería da zona de rebaixamento, e começou sua nova "aventura". Trás conseguir a permanência na Liga BBVA, teve seu contrato prorrogado até 20 de maio de 2011, uma temporada a mais. Porém, em novembro desse ano, o Almería tinha um time eficaz e uma defesa bem sólida, mas tudo foi por água abaixo quando acabou goleado pelo Barcelona por 8 a 0, o que acabou valendo a demissão de Lillo. Para seu lugar, foi chamado José Luís Oltra, que ainda não achou o módulo necessário para fazer o Almería voltar a jogar futebol de verdade, desde aquela fatídico 20 de novembro.

Destaque
Diego Alves. O goleiro vai mostrando o porquê de ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol espanhol. Pela terceira temporada consecutiva, vai sendo o destaque de um time com pouca criatividade no meio-campo. Nesta temporada, foram marcados contra o Almería quatorze pênaltis, onde somente três deles entraram: os outro nove foram tudos pegos pelo o goleiro brasileiro, que vai mostrando sua principal virtude por mais uma temporada - em 2009-10, o goleiro acabou o campeonato como o maior pegador de pênaltis. Piatti também segue se destacando no ataque e é o artilheiro da equipe com cinco gols. A sua dupla, Uche, vive uma fase muito boa, com 0,36 gols por partida. Antes da partida contra o Barcelona, a defesa andaluza era bem sólida e só ficava atrás apenas das defesas de Real Madrid e Barcelona, como as menos vazadas da competição.

Decepção
Ulloa. Quando Lillo utilizou o 4-1-2-3, era por um único motivo: unir Piatti, Uche e Ulloa. Os dois primeira seguem à risca do treinador, mas o terceiro "parou no tempo". Ulloa ainda não achou o futebol da temporada passada, o que já fez Oltra ficar revezando entre o 4-2-2-2 e 4-3-1-2. A paciência do técnico reflete-se fora de campo: o jogador passou a conviver com problemas extracampos, que estão minando seu futebol. O diretor esportivo do clube, Alberto Benito, já avisou que poderá dar uma multa ao jogador caso os problemas voltem a acontecer e também já avisou que o time não irá se reforçar no mercado de inverno.

Perspectiva
Permanecer na Liga BBVA. Após a demissão de Lillo, o time teve uma queda brusca de rendimento, que o colocou na décima sétima posição e com os mesmos pontos do Málaga, que já vai crescendo no campeonato e é o primeiro da zona. A defesa precisa voltar a ser a mesma desde o jogo contra o Barcelona, quando era a terceira melhor do campeonato. O ataque não tem nada a se queixar, porém o meio-campo carece de criatividade. A esperança é que Piatti não saia na janela de transferências de janeira e continue fazendo boa dupla com Uche.

domingo, 12 de dezembro de 2010

15ª Rodada (1ª parte): Papéis invertidos

Agüero, como sempre, brilhou contra o Deportivo e fez Quique Flores respirar aliviado (AS)


Antes da rodada começar, o momento vivido por Atlético de Madrid e Deportivo La Coruña eram bem diferentes. Enquanto o Atlético de Madrid vinha de sucessivas derrotas e já se encontravam em uma pequena crise, o Deportivo, remodelado no 5-3-2-, espantou a zona de rebaixamento e, não só apenas, já vai em busca da Liga Europa. Ontem, porém, como não podia deixar de ser, o Deportivo sucumbiu diante dos rojiblancos no Vicente Calderón e a freguesia continuou, dando uma pausa em sua reação. Também ontem, o Sevilla deu continuação à sua crise e, dessa vez, sofreu um vexame ao perder para o Almería, penúltimo colocado até então, em pleno Ramón Sanchéz Pizjuan. Em Madrid, o Villarreal sofreu e, mesmo com um a mais, perde para o Getafe, dando adeus às chances de título.

Atlético de Madrid 2x0 Deportivo
Um brilhante Agüero fez com o que o Atléti voltasse a sorrir. Com uma grande atuação do argentino, o Atlético de Madrid encerrou sua racha negativa de quatro jogos sem vencer e agora já são dez jogos sem sofrer uma derrota do rival galego. No começo do jogo, parecia que a maré de má sorte dos colchoneros continuaria. Diego Forlán, que após o mau início de campeonato já começa a mostrar serviço, desperdiçou uma cobrança de pênalti. O Deportivo até tentou se segurar, mas foi por pouco tempo. Após a penalidade desperdiçada pelo uruguaio, Agüero começou seu ‘show particular’. O atacante argentino recebeu passe em profundidade pela direita, invadiu a área, livrou-se de dois marcadores e tocou no canto esquerdo de Aranzúbia, marcando um belo gol. Depois, Kun tabelou com Raúl García na meia direita e recebeu a bola com liberdade dentro da área. Na saída do goleiro, tocou com estilo para marcar seu sétimo gol na competição. Na volta do intervalo, o time da casa demorou um pouco para entrar no jogo e deu impressão de que o La Coruña iria crescer na partida. Puro engano.

Os anfitriões voltaram a pressionar e por pouco não ampliaram, primeiro com Reyes finalizando cruzamento de Simão, e depois em cabeceada perigosa do zagueiro Álvaro Domínguez, aproveitando cobrança de escanteio. Aos 30min, em rápido contra—ataque, Reyes chutou colocado após receber de Simão e tirou tinta da trave, mas ficou nisso.

Getafe 1x0 Villarreal
Apesar de pequena, o Villarreal ainda tinha esperanças de títulos. Porém, com a derrota sofrida diante dos azulones, as chances podem ter se encerrada. O Villarreal começou pressionando bastante, mas não concluiu bem contra a meta adversária, nem mesmo quando teve vantagem numérica em campo. Assim, o Getafe se aproveitou bem das poucas chances que teve e sacramentou sua vitória no finalzinho do jogo. Albin recebeu passe de cabeça quase na marca do pênalti e, com um belo chute de esquerda, marcou para a equipe local. Ao tirar a camisa na comemoração do gol, o uruguaio recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Nilmar deu bastante trabalho ao Getafe, finalizou três vezes e causou a expulsão de Cata Diaz, que deu uma entrada dura no atacante brasileiro por trás e prejudicou sua equipe.

Sevilla 1x3 Almería
A cada rodada, o mesmo comentário sobre o Sevilla: um time sofrível de se acompanhar. Se já não bastasse os três jogos sem ganhar em casa, a façanha desta rodada foi pior: derrotado pelo fraco Almería, que não vencia havia nove rodadas - e que, em uma delas, perdeu de oito a zero para o Barcelona. Gregório Manzano mal tem três meses de clube e já passa a ter seu cargo ameaçado. Na terceira partida após assumir o comando técnico do Almería, José Luis Oltra mandou seu tradicional 4-2-3-1 a campo, com Piatti jogando de enganche. E foi o argentino o principal responsável pela vitória rojiblanca.

Após abrir o placar, os anfitriões ficaram mais tranquilos, e tiveram paciência para ter a posse de bola. Nervoso e inseguro, o Sevilla errava muitos passes e pouco ameaçava a meta de Diego Alves, que, de quebra, ainda defendeu mais um pênalti, o seu nono na competição (contra o Almería, foram marcados 14 pênaltis. Dois entraram, três foram para fora e nove foram pegos pelo goleiro brasileiro). Manzano ainda poderia ter evitado um resultado maior, pois adiantou muito sua defesa, que passou a ser facilmente ameaçada por Piatti e cia.

sábado, 24 de julho de 2010

Balanço Final: Almería

A segurança de Diego Alves no gol rojiblanco foi um dos pontos altos da temporada do Almería (udalmería.com)
ALMERÍA

Técnico: Hugo Sánchez e Juan Manuel Lillo
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Diego (goleiro)
Artilheiro: Kalu Uche (10 gols)
Nota da temporada: 5,5

Mais um ano que o Almería sobrevive na elite sem tantas dificuldades, um feito considerável para quem investe pouco em jogadores de nome e nem conta com um estádio tão intimidador aos visitantes.

A arma dos andaluzes é um futebol relativamente ousado, com até três atacantes – Uche, Crusat e Piatti – para compensar a defesa pouco confiável. Já começa a ficar famoso na Espanha pela capacidade de sobreviver com pouco. Destaca-se também a (novamente) grande temporada de Diego Alves no gol do Almería.

Passando pelo Juegos Mediterráneos, apenas o Real Madrid e o Sevilla (em um jogo épico), do "G-4" espanhol, conseguiram levar os três pontos.