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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E se Guardiola fosse o treinador da seleção brasileira?

 Guardiola e Daniel Alves juntos na seleção brasileira? Usamos a imaginação nessa matéria especial (getty images)

Por Pedro Galindo e Victor Mendes.
Originalmente feito a Doentes Por Futebol

Com o confirmação do nome de Luiz Felipe Scolari como novo comandante da seleção brasileira, acabaram-se de vez as especulações em torno de Josep Guardiola, que corria por fora na disputa pelo cargo. Apesar de apelos de alguns setores da crônica esportiva e dos torcedores, o ex-treinador do Barcelona foi prontamente descartado pela cúpula da CBF. As justificativas para o descarte - mesmo após o rumor de que o técnico catalão teria confidenciado a amigos que aceitaria dirigir a Canarinha - não fugiram de um previsível ufanismo cego e exacerbado: “não precisamos de treinador estrangeiro, nosso futebol é pentacampeão mundial”, entre outros pachequismos e demonstrações de soberba. A realidade - triste para nós, brasileiros - é que se pode contar nos dedos de uma mão os treinadores nacionais que estão no nível do tamanho do desafio. Felipão, a esta altura da carreira, não parece a escolha mais indicada: vem de péssimas temporadas e de um rebaixamento pelo Palmeiras, que a CBF preferiu esquecer e se apegar à mística da “Família Scolari”, que completou uma década em julho deste ano.

Entretanto, a Doentes por Futebol resolveu fazer um exercício de imaginação e especular como agiria Pep Guardiola, propalado por muitos como o mais revolucionário treinador dos últimos anos. Inicialmente, partimos do pressuposto de que Pep, cuja carreira foi construída no futebol europeu, tem pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro - o que já seria um grande obstáculo caso o catalão assumisse a Seleção. Portanto, se Guardiola tivesse sido escolhido pelo Excelentíssimo Sr. Marin, os jogadores brasileiros no futebol europeu certamente se encheriam de esperanças. Exatamente por isso, os que ainda atuam no futebol brasileiro provavelmente se sentiriam motivados a partir para o Velho Continente. Além disso, partimos também de indicações do próprio Pep: atletas brasileiros já elogiados por ele, especulações da imprensa catalã e esquemas táticos adotados pelo treinador.

O primeiro a celebrar seria Diego Alves, que saiu ainda menino do Atlético Mineiro para brilhar no futebol espanhol - antes no modesto Almería e agora, ainda que em menor intensidade, no Valencia. O goleiro, que já vinha tendo oportunidades com Mano Menezes, muito provavelmente seria lembrado por Guardiola, até mesmo por já ter fechado o gol contra o Barcelona treinado pelo próprio. Ponto negativo para Jefferson, Victor e Rafael, que atuam no futebol nacional e vêm recebendo oportunidades na posição. Na linha defensiva, Dani Alves, peça-chave do blaugranas nas últimas temporadas, teria toda a confiança para continuar como dono da camisa #2 da Seleção. Outro que certamente teria vaga no grupo é o multifuncional Adriano, lateral-coringa do Barça, contratado justamente por Guardiola.

Mas é nas laterais que o catalão teria um de seus maiores desafios: seu Barcelona se habitou a jogar com atletas diferentes em cada um dos lados do campo. Abidal, pela esquerda, se posicionava muitas vezes como um zagueiro, fechando o corredor esquerdo para dar a Daniel Alves a liberdade de brilhar na frente. Na Seleção, um “problema” impediria que a mesma estratégia fosse adotada: o Brasil hoje conta, talvez, com os dois melhores laterais do mundo. Marcelo vive grande fase no Real Madrid e Alves segue sendo decisivo pelo Barça. Guardiola dificilmente abriria mão de opções ofensivas deste quilate. A solução seria convocar um volante com mais poder de marcação, para cobrir as subidas dos alas. Esse cenário seria animador para Felipe Melo - feito de bode expiatório em 2010 e inapelavelmente banido da Seleção - e Luiz Gustavo, volante versátil do Bayern de Munique, que construíram suas carreiras no futebol europeu. Paulinho e Ramires, os atuais titulares, teriam que lidar com obstáculos distintos: o primeiro, com a já citada pouca familiaridade do treinador com os atletas atuando por aqui; o Queniano, por sua vez, provavelmente não teria muito espaço com o catalão justamente por seu jogo não ser muito baseado na troca de passes, e sim na condução da bola. Um jogador mais confiável para puxar contra-ataques, que teria que se adaptar ao estilo de jogo de Pep.

Na meia ofensiva, opção é o que não falta. No Barcelona de Guardiola, a espinha-dorsal era o 4-3-3. No entanto, embora a Seleção disponha de jogadores com muita qualidades, nenhum deles tenha, talvez, a técnica que Xavi e Iniesta têm para dominar o meio-campo adversário com tanta naturalidade. Jogadores que ditam o ritmo do jogo, comandam e trabalham a bola com baixíssimo índice de erros. Até por isso, o trabalho dos volantes teria que ser ainda mais especial do que o que Busquets faz no Barça. Dois jogadores brasileiros têm característica semelhantes às da dupla espanhola, mas não vinham tendo muita oportunidade com Mano Menezes: Ganso e Hernanes. O primeiro, aliás, já fora elogiado por Pep Guardiola, que o chamou de "brilhante" às vésperas da final do Mundial. Hernanes, bastante especulado no Barcelona há alguns anos, é outro jogador que teria a simpatia do treinador. Seria bastante possível eles ganharem mais oportunidades caso Guardiola assumisse a Canarinho.

Ronaldinho é uma questão emblemática. Despedido do Barcelona justamente por Guardiola, a lógica seria imaginar ele não tendo chances nenhuma de retorno à seleção. No entanto, poderia acontecer do catalão ter uma conversa séria com o gaúcho, a mesma que teve quando o demitiu, e tentasse, agora, contar com sua confiança. Aí, justamente, entraria outra questão: como Ronaldinho, Neymar e Kaká jogam no mesmo setor do campo, o santista seria utilizado como falso nove, cumprindo o papel que Messi faz no Barcelona? Muito provavelmente, sim. Embora, à primeira vista, contar com um centroavante seria mais necessário. Talvez Leandro Damião, que chegou a estar na órbita do Barça na temporada passada, ou Luis Fabiano, com passagens pelo futebol espanhol, ou até mesmo Fred.

Outro jogador que também tem a simpatia de Guardiola é Robinho, cotado para ser contratado em 2009/2010, mas que, segundo a imprensa espanhola, não teve a aprovação dos senadores do elenco barcelonista. Como o milanista também se destaca jogando mais do lado direito do campo, provavelmente seria uma opção de banco. Hulk ou Lucas, por ser um jogador capaz de cumprir uma boa função tática, jogariam aberto à direita, com Oscar centralizado tendo liberdade para armar o jogo a partir de sua faixa no campo. Outra probabilidade é o uso de Daniel Alves aberto à direita da linha de três. O baiano chegou a jogar com Guardiola na ponta direita, ao lado de Messi e mais um no ataque. Neste caso, Maicon e Rafael seriam os mais cotados para assumir a lateral direita.

De volta à realidade: como se sabe, Felipão é o novo treinador da seleção. Ao contrário de Pep, ele não vem de bons trabalhos: apesar do título da Copa do Brasil, acaba de ser corresponsável pelo rebaixamento palmeirense e, antes disso, fracassou espetacularmente no Chelsea, cercado de expectativas. Sem dúvida, Scolari não vive mais um bom momento em sua carreira. Seus resultados recentes são reflexo de suas convicções, muitas vezes atrasadas e anacrônicas: o futebol de hoje é bem diferente do de dez anos atrás, quando o treinador gaúcho conquistou seu maior título. Resta a nós, brasileiros, torcer para que sua experiência transmita a confiança que tanto falta à nossa promissora geração.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prévia: Bayern de Munich x Real Madrid

José Mourinho, atento: português briga pelo terceiro título europeu e verá o Bayern de Munich, adversário da última conquista, pela frente nas próximas semanas (getty images)

Quando voltou à presidência do Real Madrid, Florentino Pérez apostou todo seus milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká, naquilo que batizou de projeto galáticos 2.0. Um ano depois, após mais uma eliminação nas oitavas-de-finais da Champions League, o presidente resolveu ir para o tudo ou nada e gastou mais milhões em José Mourinho. Nesse meio tempo, o treinador foi campeão europeu com a Inter de Milão, desbancou o arquirrival Barcelona na principal competição europeia e conquistou a tríplice coroa, sonho antigo dos merengues.

Mais cedo, logo na introdução à temporada, Florentino Pérez, disposto a minar todos os jogadores comprados à época da gestão de seu antecessor, Ramón Calderón, praticamente chutou Arjen Robben do clube, que o vendeu ao Bayern de Munich. A primeira parte da vingança do holandês foi levar o time de Munich à final da LC justamente no Santiago Bernabéu, onde caiu para os milaneses da Inter. Mas, três anos depois, o destino coloca Robben frente a frente com o ex-clube e com o homem que o vendeu a troco de nada.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 18 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes (saiba mais aqui). O ringue da LC os unirão para o novos combates nos dias 17 e 25 de abril, na Allianz Arena e no Bernabéu respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Munique. A partir de agora, acompanhe o que de melhor e pior as equipes têm, a temporada até aqui da dupla e as expectativas para o eletrizante duelo. Quem escreve sobre os bávaros é Luan Cláudio, do site Bundesliga Brasil, especialista sobre o futebol tri-campeão mundial. Confira a prévia de Bayern de Munich x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura!

A temporada até aqui
Bayern de Munich: Pode-se dizer que a temporada do Bayern é boa e equilibrada: chegamos na reta final e o time está na briga para conquistar a tríplice coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões). Na Bundesliga, ficou distante do título ao perder o confronto direto para o Borussia Dortmund e ver o rival abrir seis pontos de diferença na liderança, faltando quatro rodadas para o fim. Na DFB-Pokal, o time está na final e enfrentará o mesmo Borussia Dortmund, para tentar dar o troco pela provável perda do campeonato e conseguir um título contra o seu maior rival atualmente. Já na Champions, os confrontos contra o Real Madrid deverão ser decididos no detalhe, sendo talvez o duelo mais equilibrado desta edição da LC, onde parecem estar juntos duas equipes praticamente no mesmo nível e as únicas capazes de derrubar o favorito Barcelona no território europeu. O Bayern "dará a vida" nestes jogos para manter o sonho de conquistar o título na Allianz Arena, seu estádio e palco da grande final de 2012.

Real Madrid: Com a atenção mais voltada à Liga dos Campeões e com muita gordura para gastar, o rendimento na Liga Espanhola caiu e o Real Madrid deixou escapar uma larga vantagem que tinha sobre o Barcelona, agora atrás somente 4 pontos e com um superclássico para ser feito no Camp Nou, no próximo sábado, 21. Os blancos, que costumam perseguir os azulgrenás na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem não deixar escapar essa enorme chance de quebrar a sequência de títulos do principal rival. A vitória no dérbi contra o Atlético de Madrid, na melhor partida de Cristiano Ronaldo na temporada, anima os merengues para a disputa de mais um objetivo: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento em âmbito nacional, esta é a mais sólida temporada blanca nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece muita parte dos créditos por isso, está disputando os dois principais títulos no momento. Mesmo após ter caído para o Barcelona na Copa del Rey e não ter a chance da manuntenção do título, a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães.

Pontos fortes
Bayern de Munich: Jupp Heynckes, treinador do Bayern, conseguiu dar ao time um equilíbrio maior nesta temporada, fazendo com que defesa, meio campo e ataque estejam sempre em sintonia. O ponto forte com certeza está no ataque. Os bávaros passaram das oitavas com um 7x1 contra o Basel no placar agregado e nas quartas com um 4x0 contra o Olympique de Marseille. Já são 22 gols marcados na competição, com o artilheiro Mario Gomez sendo protagonista e artilheiro do time com 11 tento, sendo ajudado e muito pelos inspirados Robben e Ribéry, que fazem uma ótima temporada e reencontraram o futebol de alto nível, sem sofrer lesões. Outro ponto forte dos bávaros são as laterais. Lahm efetivou-se como lateral direito por ser destro, tem muita facilidade de atuar no setor e muitos dizem que é melhor na direita do que na esquerda. Na outra lateral, Heynckes tirou da cartola David Alaba. O meia assumiu a posição e se encaixou perfeitamente no esquema do treinador, sendo forte na marcação e bastante efetivo nas chegadas ao ataque.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Acostumado a enfrentar o Bayern na época de Schalke 04 e Werder Bremen e companheiro de seleção alemã de alguns jogadores bávaros, Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 10 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa, enquanto o francês é dono de 30 gols. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Na temporada, são 53 gols, sendo 41 na Liga Espanhola, quebrando seu próprio recorde histórico de gols, alcançado em 2010/2011. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho. O trio Benzema + Cristiano Ronaldo + Higuaín são donos de 108 gols em 2011/2012.

Pontos fracos
Bayern de Munich: Difícil encontrar um ponto fraco em um time tão forte e semifinalista de uma Liga dos Campeões, mas o Bayern de Munique tem os seus. A falta de peças de reposição é grande, principalmente no ataque. Se Mario Gomez não joga, Olic vai pro jogo, ou senão o garoto Petersen. E só. Na defesa, só há três zagueiros à disposição no elenco: Badstuber e Boateng (que jogam com frequência) e Van Buyten, tendo que improvisar por vezes o volante Tymoshchuk. Nas laterais, falta qualidade aos suplentes Rafinha e Contento, que, quando jogam, não vão bem, e em algumas oportunidades o volante Luiz Gustavo atua na lateral esquerda. Outro ponto fraco é a dupla de zaga. Badstuber e Boateng dão muitos sustos no torcedor bávaro e passam insegurança ao goleiro Neuer, apesar da equipe só ter sofrido 7 gols até aqui na UCL.

Real Madrid: O Real Madrid chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando duas competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual os blancos parecem totalmente dedicado. Mas, é bom lembrar, o Bayern de Munich será o primeiro teste real na competição europeia: até agora, os adversários foram de níveis totalmente inferiores, do naipe de Dínamo Zagreb, Lyon, Ajax, CSKA e Apoel. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra o Valencia há duas semanas. O peso de atuar em mais de uma competição cansa também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação do Barcelona. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Bayern pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Expectativas
Bayern de Munich: Quase impossível de se apontar um favorito no duelo, mas o time alemão tem totais possibilidades de passar por esta difícil semifinal e chegar a tão sonhada final em seu estádio, Allianz Arena. "Queremos ganhar o que der e teremos grandes jogos pela frente", disse o treinador Jupp Heynckes. Uma frase que explica tudo sobre o time nesta reta final de temporada, onde só terá jogos decisivos pela frente. É esperar que a dupla "Robbery" mantenha o nível de atuações, Mario Gomez continue marcando e que a defesa esteja sólida e passe segurança ao time e aos torcedores. Assim o Bayern de Munique tem enormes condições de conquistar não só a Liga dos Campeões, como também qualquer competição que disputar, mesmo que, na Bundesliga, não dependa mais de si.

Real Madrid: Em momento crucial na temporada, a comunidade madridista deseja a conquista do doblete, que só pode ser conquistado pelo próprio Real Madrid ou pelo Bayern e o Barcelona, esses dois últimos na disputa pela tríplice coroa. Nos poucos jogos que restam na temporada, o Real Madrid pode ser campeão de tudo ou terminar sem nada. Zero tituli, uma expressão popularizada por José Mourinho em tempos de Inter e que não passa na cabeça de nenhum torcedor ou simpatizante merengue. Na Liga BBVA, a tabela não irá requer muito esforço, mas dois jogos podem colocar em xeque o título blanco: o superclássico contra o Barcelona e o Athletic Bilbao, que já vê seus torcedores cobrando por uma atuação histórica a fim de tirar a taça das mãos do Real Madrid. Os blancos devem apostar tudo nos confrontos contra o Bayern para chegarem à histórica final e à possibilidade de conquistar La Décima. Bayern de Munich e Real Madrid; Real Madrid e Bayern de Munich. Duas das equipes que, segundo muitos, são as únicas capazes de acabar com a hegemonia do Barcelona se enfrentam na briga pela vaga na tão sonhada final. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Provável escalação
Bayern de Munich: Neuer; Lahm, Boateng, Badstuber, Alaba; Luiz Gustavo, Kroos; Ribéry, Muller (Schweinsteiger), Robben; Mario Gomez.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A evolução que impulsiona o Real Madrid

Real Madrid 2.0 de Mourinho atropela seus adversários, faz uma temporada incrível e é taxado por muitos como melhor do mundo (getty images)

"Atualmente, o Real Madrid tem jogado mais até do que o Barcelona", sentenciou Maurício Pochettino. Embora tenha admitido que não sabe em quem apostar num embate entre os gigantes na Liga dos Campeões, o treinador argentino não hesitou em soltar essa após a goleada sofrida pelo seu Espanyol ante os merengues, há duas semanas. Minha intenção não é comparar as duas equipes ao longo desse texto, mas o fato é que a análise de Pochettino, baseada no jogo maximalista dos espanhóis, tem sua validade comprovada. E nem é por causa da vitória contra o CSKA, onde o Madrid jogou pro gasto, mas sim pela temporada num todo.

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador da equipe da capital desde Zidane. O gajo é também o principal goleador do time de José Mourinho na temporada com impressionantes 41 tentos em 37 jogos e no próprio torneio continental com seis em igual número de partidas. No clube, já são 128, também no mesmo número de jogos. Dados históricos. Ainda que falte a Ronaldo participação mais efetiva em jogos contra o Barcelona, o dono da camisa 7 faz mais uma temporada sobrenatural. Além disso, conquistou o coração dos torcedores, que passaram a pegar em seus pés após consecutivas partidas ruins frente ao Barça. Nos últimos jogos, a Ultra Sur tem dedicado músicas em homenagem ao Pichichi da Liga. "É muito bom se sentir querido, amado", disse antes da partida contra o CSKA.

Apesar de ter o segundo melhor jogador do mundo no plantel, o Real Madrid deixa claro que não é dependente dele. Ao contrário da temporada 2009/2010, desde a chegada de Mourinho isso já vem se exemplificando. Ontem, por exemplo, CR7, apesar dos dois gols, não fez uma partida muito inspirada, mas os blancos souberam se saírem bens. O excelente André Rocha, do Olho Tático, explica melhor: acima de tudo, o Real de Mourinho é um time. Ou melhor, um timaço que nem precisa do fulgor de seu craque quando a vantagem técnica e tática sobre o oponente permite. Com Özil e Kaká promovendo com Ronaldo uma intensa movimentação em torno de Higuaín no 4-2-3-1 habitual, atacando pela esquerda com Marcelo e criando espaços para o apoio no lado oposto de Khedira que compensava o posicionamento mais conservador de Arbeloa, o Real Madrid consegue se impor.

A progressão nítida do Real Madrid é fruto de um trabalho que começou em 2009. Atenção especial a Florentino Pérez, que desde que retornou à presidência do Madrid tem feito contratações usuais. À exceção da temporada do retorno, quando gastou à rodo, Florentino tem evitado gastar milhões em estrelas e reforço o plantel com jogadores necessários. O retorno do presidente, aliás, é um divisor d'águas no recente caminho merengue. Jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Benzema, Khedira, todos contratados em sua gestão, são peças-chaves no time de José Mourinho. Antes chacota a âmbito europeu, hoje tão temido quanto o Barcelona. Essa é a evolução que impulsiona o Real Madrid.

O desempenho e o estilo de jogo são foram do comum. Nesse ponto, José Mourinho é o principal responsável. O Real Madrid propõe-se a ser agressivo e com a qualidade técnica de seus jogadores, aliando sempre com velocidade e precisão. A marcação melhora a cada partida. Mais avançada, até Cristiano Ronaldo, Özil e Kaká voltam para ajudar. Em relação a temporada passada, quando ficaram no quase, está aí a principal diferença. Povoado de jogadores, o Real Madrid sempre leva a melhor na batalha do meio-campo e congestiona o jogo do adversário. Os merengues impõem pressão física, praticamente atropelando seu rival. Com a bola, toca rápido, chega em velocidade pelos dois lados ou pela faixa central. Sem ela, marca forte, desarma muito e tem contra-ataque feroz. O título da Liga já está praticamente selado. A Europa é um sonho bastante provável.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prévia: CSKA Moscou x Real Madrid

Cristiano Ronaldo e José Mourinho: estão nos portugueses as esperanças dos torcedores madridistas na Champions League (gettty images)

O estigma de amarelar nas oitavas-de-finais foi deixado para trás após a chegada de José Mourinho. Após seis anos caindo precocemente, os merengues chegam como máximos favoritos ao lado do Barcelona para copar a orelhuda. Se na temporada passada caíram diante do arquirrival na semifinal, as esperanças dos merengues estão em José Mourinho: o português costuma ter muitos êxitos em suas equipes nas suas segundas temporadas. Foi assim à frente de Porto, Chelsea e Inter, onde, no clube português e no italiano, conquistou a principal competição europeia.

Para seguir adiante no sonho de conquistar La Décima, Cristiano Ronaldo e cia terão pela frente o CSKA Moscou, que passou em segundo colocado num grupo com Inter de Milão e Lille. O Real Madrid fará jus às expectativas e irá avançar de fase? Ou o CSKA irá fazer valer a zebra? Para a prévia do confronto, contamos com ótima colaboração de Gilmar Siqueira, responsável pelo site Futebol Russo e grande entendedor do futebol do Leste Europeu. Confira a prévia de CSKA Moscou x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura.

A temporada até aqui
CSKA: Para adaptar seu calendário ao das outras ligas, a Russian Premier League está passando por uma “temporada de transição”. Em suma, além dos pontos corridos, os times disputarão play-offs pelo título (no caso dos 8 primeiros) e contra o rebaixamento (no caso dos 8 últimos). Durante a “temporada regular”, o CSKA liderou a RPL por várias rodadas e hoje está na segunda colocação com 59 pontos, seis atrás do Zenit. Ainda que se mantenha com boas chances de título, o time não convence dentro de campo. O futebol pragmático e alguns erros defensivos marcaram o CSKA na temporada. O mesmo time que venceu bem o Lokomotiv Moscow sofreu para ganhar de outros times tecnicamente inferiores. Não fossem Seydou Doumbia e Vagner Love se esforçarem ao extremo, a situação seria um pouco mais complicada.

Real Madrid: Após três anos terminando a Liga Espanhola na segunda colocação e tendo que aguentar o maior rival Barcelona comemorar, o Real Madrid parece perto de inverter a situação. Na Liga Espanhola, já é tratado como o virtual campeão e até o próprio Barcelona dá a entender que a Liga está acabada. Os retumbantes 10 pontos de diferença representam bem a temporada das duas equipes até aqui. Os blancos são avassaladores longe ou não do Santiago Bernabéu, enquanto o Barça tem sofrido e desperdiçado muitos pontos fora da Catalunha. Na Copa do Rei, a equipe de José Mourinho não conseguiu a manuntenção do título, caindo justamente para os azulgrenás. Mas a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães. Perdendo de 2 x 0, a equipe saiu atrás da classificação no segundo tempo, buscou o empate, ficando a apenas um gol da passagem à semifinal, mas não conseguiu bater a meta de Pinto. A esperança é que esse futebol se sobressaia num apocalíptico confronto contra o Barça na LC.

Pontos fortes
CSKA: Os 24 gols de Seydou Doumbia na temporada dizem tudo. O ponto forte do CSKA é o ataque. O “time do exército” marcou 60 gols -um a menos que o Zenit- e apavora as defesas adversárias. A potência do setor ofensivo –composto do Love e Doumbia- compensou todo o desequilíbrio tático do CSKA, que jogava com 2 volantes fixos e dois meias abertos pelos lados. Destes meias, o que teve maior destaque foi o japonês Keisuke Honda. Atuando pelo lado esquerdo, Honda foi um dos melhores jogadores da RPL na reta inicial da temporada. Sua lesão no joelho o prejudicou demais e o time do exército passou a depender ainda mais da dupla de ataque, que por vezes precisava voltar até o meio-campo para auxiliar na criação.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 8 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Há uma semana, contra o Levante, o português chegou a 120 gols pelo clube, dois a mais do que fez pelo Manchester United. Um detalhe curioso: com 170 jogos a menos. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho.

Pontos fracos
CSKA: Apesar de Ignashevich, Nababkin e os irmãos Berezustki, o principal ponto fraco da equipe moscovita foi a defesa. A situação ficou ainda pior quando o goleiro Akinfeev sofreu uma grave lesão na partida contra o Spartak Moscow. Como já foi mencionado, o CSKA tem um grande desequilíbrio tático e isso também contribuiu para sua oscilação dentro de algumas partidas. Na tentativa de compensar as falhas defensivas, Slutsky vinha utilizando dois volantes de marcação à frente da área: Aldonin e Mamaev. O problema é que nenhum dos dois tem qualidade na saída de bola. Como se não bastasse isso, o jogador com maior potencial técnico do time, Alan Dzagoev, atua deslocado pelo flanco direito. Não é segredo para ninguém que o camisa “10” não rende bem nesta posição e, na maioria das jogadas, corta para o meio.

Real Madrid: Na temporada passada, a zaga gerava confiança em José Mourinho. Atualmente, não. A lesão de Ricardo Carvalho foi sentida, apesar de Sergio Ramos, utilizado como zagueiro durante o período de ausência do zagueiro português, ter saído-se muito bem ao lado de Pepe, este que não vive uma boa fase. Voltou a aparecer negativamente na mídia após o lance em que pisou nos dedos de Messi e falha com frequência. Foi eleito, vale citar, o vilão do futebol atual. Os laterais, antes problemas, contudo, aparecem bem. Marcelo já é uma boa opção de marcação pela esquerda e, contundente, ajuda nas jogadas ofensivas. O maior problema do Real Madrid está no perigo real que representa as bolas aéreas. Só em 2012, Málaga, Granada, Mallorca, Barcelona, Athletic Bilbao, Zaragoza e Levante venceram Casillas com bolas alçadas à área. Taí, por exemplo, uma forma do CSKA, quem sabe, conseguir uma vitória jogando em casa.

Expectativas
CSKA: Já que a RPL está na sua longa pausa de inverno (que já dura 3 meses), o CSKA vem disputando uma série de amistosos pela Europa. Não que os comandados de Leonid Slutsky tenham perdido seu ritmo, mas o fato de não jogarem uma competição séria há algum tempo pode fazer a diferença. Contudo, as maiores expectativas giram em torno da escalação do time. É fato que a perda de Vagner Love foi grande, mas as chegadas do sueco Pontus Wernbloom e do sul-coreano Kim In-Sung podem fazer a diferença. Além disso, Ahmed Musa é um excelente reserva para Doumbia. Na partida coontra o Real Madrid, Slutsky deve seguir os mesmos moldes dos amistosos e armar o time em um 4-2-3-1, com Werbloom ao lado de Aldonin no “doble pivote” e Dzagoev mais centralizado em uma linha de 3 meias. Honda já voltou a treinar, mas ainda não há como garantir sua presença em campo.

Real Madrid: A expectativa não é outra senão avançar de fase e continuar vivo no sonho de voltar a conquistar a Europa 10 anos depois. José Mourinho ainda não falou sobre o confronto, no qual tenta minimizar o favoritismo de sua equipe, em suas coletivas; mas, nas últimas partidas, o sinal de desatenção com a partida ganha parece mostrar que a cabeça do elenco está no jogo de ida, em Moscou. Nos bastidores, rola uma especulação de que o gajo afirmou ao presidente Florentino Pérez que não vai embora de Chamartín sem a orelhuda. Por ora, a campanha blanca em âmbito europeu é perfeita. Literalmente. Na fase de grupos, foram seis jogos e seis vitórias. 18 pontos em 18 possíveis. Desde 2003 não acontecia isso. Na escalação, há algumas dúvidas: Lass Diarra ou Khedira na volância ao lado de Xabi Alonso?; Granero pode aparecer ao lado de Xabi numa proposta ter a bola e decidir a partida no jogo de ida?; Di María, que voltou no final de semana contra o Racing Santander, já irá voltar ao onze inicial? Só saberemos quando a bola rolar.

Prováveis escalações
CSKA: Chepchugov; Nababkin, Vassili Berezutski, Ignashevich, Alexei Berezutski; Aldonin, Wernbloom; Tosic (In-Sung), Dzagoev, Honda (Tosic); Doumbia.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Lass (Khedira; Granero); Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

É para titular

"Ei, vocês aí, fãs de Kaká e Özil: o titular agora sou eu, beleza?" (getty images)

2011 termina com uma surpresa no onze inicial do Real Madrid. Se a temporada arrancou com o debate entre Özil, Kaká e Di María para formar o tridente ofensivo com Cristiano Ronaldo na linha de três, um jogador foi comendo pelas beiradas. Callejón aproveitou muito bem suas chances na equipe titular e hoje já podemos afirmar que ele é titular. O canterano conseguiu algo que parecia bastante improvável: colocar o turco-alemão e o brasileiro como opções apenas para o segundo tempo.

Nem Özil e muito menos Kaká. O titular é Callejón. Na vitória contra a Ponferradina, voltou a se destacar, marcando dois gols. Menção honrosa a Özil, que também fez boa partida e deu uma assistência para Callejón marcar. Hoje, o camisa 21 sai para o recesso do final de ano com uma sensação muito boa. Ganhou pontos com Mourinho, tem a confiança do chefão e ajuda muito o Real Madrid dentro de campo. Além disso, o encaixe de Callejón ao lado de Di María e Cristiano Ronaldo não tirou o brilho de Di María, melhor merengue na temporada. O jogo contra o Sevilla, no último sábado, é um exemplo. Deslocado para a faixa central do campo, o argentino comandou as ações e deu duas assistências maravilhosas para Cristiano Ronaldo e o espanhol marcarem.

Para Mourinho, Callejón representa o melhor exemplo de jogador com o qual gosta de trabalhar: competente, que mostra muita disposição e entrega para ganhar uma vaga dentre os onze iniciais. O técnico de Setúbal, apesar de negar, tem Özil como seu xodó e, por que não, está decepcionado com o alemão justamente por não mostrar essa garra, vontade que o canterano demonstra. Hoje, Callejón é titular por méritos próprios. Sua vontade de triunfar no clube onde foi revelado é grande. A titularidade é uma recompensa de Mourinho. O jogador de 24 anos atravessa uma fase que impressiona. Para se ter uma noção, é o Pichichi do elenco madridista na Copa del Rey (3 gols), e da Champions, junto com Benzema (4 gols). Tudo isso graças a uma espetacular racha de seis gols nas últimas quatro partidas que disputou - Ponferradina (2), Sevilla e Ajax -, mais os dois que anotou contra o Dínamo Zagreb.

Mourinho vê em Callejón uma espécie de talismã, à Pedro no Barcelona. O surgimento de um canterano com desejo de triunfar e competir com grandes estrelas do plantel blanco. Um garoto formado nas canteras que está exercendo muito bem seu papel, e um rendimento num alto nível. Os aficionados, bastante difíceis de serem conquistados, já confiam em Callejón. Há um mês, foi protagonista por uma imagem na qual Mourinho subia em cima de suas costas para celebrar um gol contra o Valencia. Atualmente, é protagonista porque marca gols importantes. De caballito de Mourinho a jogador ideal do português. Mesmo tornando-se titular apenas nos últimos dois jogos, é o quarto artilheiro da equipe, atrás de Cristiano Ronaldo, Benzema e Di María.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

10ª rodada: Encantando

Jogando bonito, o Real Madrid encanta: contra o Villarreal, o resultado foi construído com meia hora de jogo (getty images)

Real Madrid 3x0 Villarreal
Encantador é a palavra que define o futebol do Real Madrid. Jogando numa intensidade bem alta, os merengues passaram com facilidade pelo Villarreal. O resultado foi construído nos primeiros 31 minutos de jogo, quando o Real Madrid, marcando sob pressão, não deixou o Villarreal tocar a bola e sair para o jogo. Di María, melhor em campo, lançou Benzema a mais de 30 metros para o francês fazer o primeiro gol, tocou entre Musacchio e Bruno para Kaká ampliar e, após um contra-ataque perfeito, deixou o seu e carimbou o resultado. A velha incógnita sobre os três homens titulares da linha de três parece estar chegando ao fim com a bela partida do argentino e do brasileiro. Özil, pelo visto, deve deixar de vez a titularidade, embora Mourinho, após a partida, voltara a afirmar que, nesse Real Madrid, não há jogadores titulares e reservas: com talento à disposição, todos irão jogar.

Derrota e na antepenúltima colocação, a palavra rebaixamento já começa a virar realidade no ambiente do Villarreal. Jogando um futebol feio, totalmente oposto aos dos últimos anos, o Villarreal não consegue emplacar e, principalmente, fazer seu jogo de passes fluir com naturalidade. Falta um Cazorla, que De Guzmán, inexplicavelmente adiantado, obviamente não consegue suprir. E, quando a fase não é boa, nada vai bem. Substituido por Marco Rúben logo na volta do intervalo, Rossi rompeu os ligamentos do tendão direito e foi operado na quinta-feira. Resultado: o ítalo-americano estará de quatro a seis meses de baixa. Sem Nilmar, também lesionado, Garrido, com a batata muito quente, terá que abrir a cabeça para escalar o ataque para enfrentar o Rayo.

Athletic Bilbao 3x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Na melhor partida do Athletic Bilbao desde a chegada de Marcelo Bielsa, os bascos convenceram. O time do País Basco foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu aproveitar as chances que teve. As melhores foram do centroavante Fernando Llorente, que não conseguia transformá-las em gols. A segunda etapa foi mais movimentada, com o Athletic voltando a desperdiçar oportunidades. Até que aos 22 minutos, Llorente finalmente abriu o placar, em boa jogada individual. Logo depois, aos 25', o artilheiro voltou a marcar, dessa vez após receber belo cruzamento de Toquero. Com o jogo caminhando para o fim, Diego fez falta perigosa perto da área do Atlético, que Ander cobrou e Toquero tratou de colocar para o fundo do gol, fazendo 3 a 0.

Enquanto o Athletic Bilbao bai dando boas vindas à boa fase, no Atlético de Madrid o clima é quente nos bastidores. Após ser substituido por Manzano, Reyes insultou o treinador no banco de reservas. Arrependido, o jogador pediu desculpas publicamente na sexta-feira, justificando que estava de cabeça quente no momento. De cabeça quente devem estar os aficionados colchoneros. Quem acompanha futebol pelos números estão preocupados com a situação do Atléti. No ano do rebaixamento rojiblanco, o Atléti apresentava números similares aos que apresenta hoje. Nas primeiras 10 rodadas da Liga, logrou 3 vitórias, um empate e cinco derrotas, tendo os mesmos 10 pontos que atualmente. A diferença é que, à essa altura da temporada, aquele Atlético apresentava uma vitória a mais (mas vale lembrar que este Atlético tem um jogo a menos).

Levante 3x2 Real Sociedad (Claudio Araujo)
O líder da Liga BBVA também vence com emoções. A Real Sociedad precisou de apenas três minutos para abrir o placar diante do Levante, que entrou em campo brigando pela liderança, mas encontrou muitas dificuldades diante dos visitantes, que impuseram forte ritmo nos primeiros minutos de bola rolando. Após a batida de Aranburu, Munúa espalmou para frente e o Estrada pegou o rebote para converter. Depois de ver o mesmo Aranburu dos primeiros minutos de jogo errar o cabeceio no início da segunda etapa, o Levante conseguiu igualar o placar apenas aos 11 minutos, quando Nano arrematou e o zagueiro Demidov desviou contra as próprias redes. Menos de cinco minutos depois, a glória foi encontrada pela cabeça de Valdo, que recebeu grande lançamento de Barkero e saltou mais alto que De La Bella para virar a favor do Levante que, a partir de então, só administrou o resultado.

A questão é que o time se acuou demais no campo de defesa e deixou o Real Sociedad fazer seu jogo com cruzamentos na área e muita movimentação. O resultado não podia ser diferente: aos 41, depois de exercer certa pressão, Iñigo Martínez voltou a deixar o placar igualado. E foi justamente Rúben, que entrou para cadenciar o jogo no meio-de-campo, o homem do gol da vitória do Levante sobre o Real Sociedad. Em cobrança de falta a mais de 40 metros de distância, o time da casa conseguiu se sobrepor ao adversário e anotou o tento da vitória, para a festa da torcida de Valencia, que levantou das cadeiras e comemorou a vitória e a liderança da Liga Espanhola.

Granada 0x1 Barcelona (Claudio Araujo)
O Barcelona não encontrou a facilidade esperada para bater o Granada. Com Iniesta e Villa no banco, Guardiola começou com Fàbregas e Cuenca, grande novidade do onze inicial. O canterano saiu-se bem em seu debut como titular da equipe blaugrana e, certamente, ganhou pontos com Guardiola. Dentrou de campo, a equipe de Guardiola tinha dificuldades de invadir a área adversária, mas não demorou para abrir o placar devido à falta de pontuaria e ao goleiro Roberto. O gol só veio aos 33 minutos, quando Xavi cobrou falta com perfeição. Acuado, o Granada pouco produziu durante o primeiro tempo. Foram só dois chutes de fora da área que pouco incomodaram Valdés. Os anfitriões voltaram com uma postura ainda mais defensiva para a etapa final, que se intensificou com a expulsão de Romero Gómez, aos cinco minutos. O Barça continuava a construir as jogadas, porém pecava nas finalizações. Keita, Iniesta e David Villa entraram em campo, mas não conseguiram mudar o panorama da partida. Antes do apito final, o Granada ainda perdeu mais um jogador expulso: González Benítez.

Sevilla 2x2 Racing Santander
É curioso e paradoxal que em um começo de Liga tão cheio de obstáculos, um calendário complicado, repleto de rivais diretos, com um Sánchez-Pizjuán lotado em um dia de semana contra o lanterna, foi ele mesmo quem roubou os primeiros pontos sevillistas em Nervión. E resulta curioso, além disso, que seja a única equipe, junto com o Villarreal, que conseguira fazer mais de um gol em Javi Varas. É curioso, ou talvez nem tanto. Porque esse Sevilla que já deixou claro que quando quer defender, defende como ninguém,t ambém evidenciou nesses nove primeiros encontros de Liga que atacar é complicado. Custa a encontrar fórmulas, vias de penetração nas zagas rivais. Tem pouca clareza para fazer o gol e, até o momento, os gols conseguidos pelos nervionenses foram rentabilizados no máximo em pontos. Se a isso for somado o cansaço (nove dos onze titulares no Camp Nou jogaram novamente), a equipe nervionense esteve com ausência de idéias. Portanto, foi mais lógico o empate. O Sevilla conseguiu ao menos se manter invicto, após nove partidas, o que não é pouco. Porém, perdeu uma chance de ouro para começar a fazer uma gordura e se estabilizar nas posições mais altas da tabela. Talvez isso dependa da margem de melhora do Sevilla no ataque. Porque é evidente que para os objetivos planejados, o time precisará atacar, e bem.

domingo, 16 de outubro de 2011

8ª rodada: Criando problemas

Higuaín, reverenciado: boa fase do argentino cria problemas para Mourinho (AS)


Real Madrid 4x1 Bétis
No jogo que abriu a rodada, o Bétis até ensaiou surpreender o Santiago Bernabéu, mas a noite inspirada de Higuaín e a nova boa partida de Kaká não deixaram. O primeiro tempo insonsso dos merengues deixaram dúvidas quanto se a vitória viria. O Bétis, ousado e à espera de um contra-ataque, não se intimidou com a visita à capital. Pepe Mel jogou num super-ofensivo 4-3-3, quebrando qualquer tipo de especulação que dizia que, pelo menos contra o Real Madrid, o técnico adotaria uma postura mais defensiva. O resultado, pode-se dizer, foi um pouco "mentiroso". Porém, o gol de Higuaín no primeiro suspiro do segundo tempo fez com que o Real Madrid voltasse à realidade.

O terceiro hat-trick em três semanas de Higuaín (o segundo consecutivo com o Madrid) ratifica sua excelente fase. Se, na temporada passada, La Pipita voltou de lesão muito mal e, ainda por cima, viu Benzema jogar muito bem, na atual temporada a disputa por uma vaga no ataque promete: Benzema realizou uma pré-temporada excelente e começou a liga espanhola em alta estilo, contrabalanceando com o fato de Higuaín começar a desencantar. Mesmo negando que não terá problemas, Mourinho sabe que terá. Possibilidades de rodízios? "Para mim, não existe essa de jogador titular quando se tem tanto talento disponível", disse Mourinho após o jogo. A fase de Higuaín é excelente: já são nove gols no mês de outubro, uma média de um gol a cada 38 minutos.

Não é só no ataque que Mourinho terá problemas. No meio-campo, setor mais forte da equipe, Kaká voltou a atuar com sobressaliência, marcando um belo gol, e Di María, que entrou no segundo tempo, deu duas assistências. Özil, que ontem foi titular, também fez boa partida, apesar de não ter feito nenhum gol e não ter dado nenhuma assistência. O turco-alemão ganha pontos com Mourinho por ser essencial para o esquema do português. Já vimos, por exemplo, na partida contra o Rayo os blancos quebrarem a cabeça para criar alguma situação de gol sem a presença de Özil no meio-campo, fato totalmente diferente quando o camisa dez entrou em campo. Em uma enquete do Marca, a torcida foi clara: hoje, do meio para frente, os titulares seriam Kaká, Özil, Cristiano Ronaldo e Higuaín.

Barcelona 3x0 Racing Santander
Dez minutos. Esse foi o período em que o Racing Santander conseguiu aguentar o Barcelona. Os blaugranas, que não costumam se dar bem após a Data Fifa, superaram as adversidades do vírus e venceram com contundência os cantabrianos. A grande notícia que Guardiola poderia receber após a partida foi a volta em alto estilo de Iniesta. O meio-campista, que recebeu alta antes do previsto, se entendeu muito bem com Messi, não sentiu a falta de ritmo por ter ficado um mês fora dos gramados e participou, diretamente, de dois gols - os dois da Pulga. Guardiola, aliás, voltou ao 4-3-3 ontem, mas com uma curiosidade: os três homens do meio-campo foram Xavi, Thiago e Iniesta, um setor sem nenhum volante de marcação.

Quem também fez grande partida foi Messi. La Pulga, pichichi do campeonato, anotou um doblete (sendo um deles um golaço) e não lembrou nem um pouquinho aquele Messi apático visto no duelo da Argentina contra a Venezuela. Mas nem tudo são flores no paraíso de Guardiola. As lesões, mais precisamente o bíceps femoral, voltaram a assolar o vestiário dos catalães. Ontem, foi Piqué: o zagueiro, que já havia pedido substituição por precaução no duelo da seleção espanhola contra a Escócia, se lesionou no início do primeiro tempo e será baixa por 15 dias. O Racing Santander de Héctor Cúper continua vivendo num pesadelo: já são seis jogos sem vencer, e a possibilidade de rebaixamento já é real em Santander.

Granada 0x0 Atlético de Madrid (Claudio Araujo)
Será mais uma temporada decepcionante do Atlético de Madrid? O jogo contra o Granada, antepenúltimo colocado, seria uma excelente oportunidade de afastar qualquer resquício de crise em Manzananares. Entretanto, os rojiblancos não jogaram melhor que os anfitriões e, pela partida, saíram satisfeito dos Los Carménes. Ante a ausência de Silvio e o jat-leg de Perea, Manzano optou por colocar Juanfran de lateral direito. Pouco acostumado à função, sofreu com Dani Benítez, melhor jogador da partida.

A falta de gols assusta: apesar do início promissor de Falcão García, o colombiano caiu de rendimento e, junto ao Atlético de Madrid, já não marca há cinco partidas seguidas. Adrián teve uma boa oportunidade no final da segunda etapa, mas acabou desperdiçando frente a Roberto. O goleiro esteve em uma boa noite: parou, além da defesa no chute de Adrián, Reyes e Diego em duas oportunidades. Se há uma boa notícia para Manzano, esta é Courtois: o goleiro vem substituindo De Gea à altura e, apesar da juventude, parece um veterano em campo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

7ª rodada: A primeira vez de Marcelo Bielsa

Gols de Llorente dão primeira vitória ao Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa na Liga Espanhola (getty images)

CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Redenção

Kaká comemora e os torcedores atrás aplaudem: a redenção do brasileiro, vaiado há algumas temporadas (getty images)

Esqueça a vitória do Real Madrid contra o Ajax por 3 a 0 pela segunda rodada da fase de grupos da Uefa Champions League. A melhor notícia que os torcedores e, principalmente, José Mourinho poderia receber foi a melhor partida de Kaká desde que chegou ao clube, em julho de 2009. E mais: ao lado do brasileiro no meio-campo, além de Cristiano Ronaldo, esteve Özil, que também fez boa partida, jogando por água abaixo o argumento de alguns, que falavam que os dois não eram compatíveis.

Kaká chegou do Milan com status de ídolo. Os 50 mil torcedores que lotaram o Santiago Bernabéu em sua apresentação depositaram no craque brasileiros suas maiores esperanças de ver o Real Madrid levantar a orelhuda pela décima vez. À época, o assunto não era outro senão ser campeão europeu no Santiago Bernabéu e, consequentemente, levantar a tríplice coroa. O objetivo maior, contudo, era vencer o Barcelona, que estava - ainda está, diga-se de passagem - maravilhando o mundo após a histórica temporada 2008/2009. Entretanto, o brasileiro não cumpriu as expectativas.

Chegou a fazer boas partidas, é verdade, como no dérbi ante o Atlético de Madrid e no superclássico contra o Barcelona, mas o estopim da paciência dos aficionados foi a partida contra o Lyon, pelas oitavas-de-finais da LC. O brasileiro foi muito mal em campo e saiu vaiado para a entrada de Raúl. Kaká voltou apenas na temporada posterior, vindo de uma infeliz Copa do Mundo, mas voltou a deixar a desejar. "Foi minha pior temporada na carreira", disse o brasileiro em entrevista recente ao Marca. O camisa oito ensaiou uma triunfal volta aos gramados, com boas partidas diante do Villarreal, Atlético de Madrid e Real Sociedad. Mas as dores no púbis voltaram a atrapalhar a carreira do jogador.

A redenção de Kaká pouco a pouco vai acontecendo. Após ser incógnita no mercado, José Mourinho admitiu publicamente que contaria com o brasileiro no plantel, dizendo que um jogador como ele não poderia ter o talento disperdiçado assim. Em uma enquete do Marca após a partida de ontem, 74% dos internautas querem continuar vendo o brasileiro na equipe titular. Os mesmos 74%, há uma temporada, preferiram Özil e Di María para formar a linha de três com Cristiano Ronaldo. "Ricardo passou por um período muito ruim para um jogador de seu nível. É muito importante para nós que agora ele esteja feliz. Ele sofreu muito com as lesões, e o primeiro que merece estar se sentindo assim é ele" ressaltou Karanka ao site oficial da Uefa.

Contra o Ajax, Kaká ratificou o ensaio do último sábado, quando já havia atuado muito bem. Participou diretamente dos três gols, com uma assistência e um tento, e se movimentou com contudência no campo, revertendo sempre posição com Özil. "Pouco a pouco vou demonstrando minha qualidade. Foi uma partida boa minha e da equipe. Mais uma vez digo que quero triunfar no Real Madrid", afirmo. O certo é que com a recuperação do futebol de Kaká, que está disposto a brilhar novamente, o poder de decisão de Cristiano Ronaldo e a "disputa" sadia de Özil e Di María por uma vaga no meio-campo, o Real Madrid vem forte rumo à décima.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

6ª rodada: Noite dos artilheiros

Artilheiro da Liga, Messi fez chover no Camp Nou. Literalmente (AP Photos)

Cristiano Ronaldo e Messi, artilheiro e vice, respectivamente, da liga passada, foram os protagonistas da rodada. Cada um marcou um triplete e foram os principais responsáveis pelas goleadas de Real Madrid e Barcelona, ratificando que, novamente, a disputa pelo Pichichi será polarizado pelos dois. A rodada também marcou a primeira derrota de Valencia e Bétis e, como supracitado, a recuperação do Real Madrid. Athletic Bilbao e Villarreal continuam mal e só empataram no País Basco. Confira o resumo da sexta rodada.

Barcelona 5x0 Atlético de Madrid
Quando o Barcelona vence e dá show é porque parte teve Messi em campo e inspirado. Isso já tem virado clichê, e não foi diferente contra o Atlético de Madrid. A boa fase vivida pelo rojiblancos, somado à segurança da defesa atleticana, fez com que o 3-4-3 escalado por Guardiola fosse dito como bastante arriscado antes do jogo. A bola na trave de Tiago logo no início do jogo quase justificou isso. Porém, bastou Xavi lançar milimetricamente Villa para tudo ir por água abaixo. O guaje deixou Miranda e Courtrois para trás e chutou firme à esquerda do goleiro para abrir o placar. Daí em diante foi só show. Messi, até então tímido, marcou três belíssimos gols, chegando a oito no campeonato com apenas cinco rodadas disputadas. Na temporada, contabilizando os gols das supercopas, La Pulga já balançou as redes doze vezes. Os colchoneros inexistiram frente ao furação azulgrená: Reyes, Diego e, sobretudo, Falcão García foram anulados por Mascherano, Busquets e Abidal.

Real Madrid 6x2 Rayo Vallecano
A goleada imposta pelos merengues não condiz com o que foi o jogo: o Rayo Vallecano jogou muito. Logo aos 15 segundos, já vencia, após erro de Lass e gol de Pichu. Com Özil no banco e Cristiano Ronaldo bem marcado, os blancos sofreram para criar algo no meio-campo. Kaká jogava bem, mas faltava ser mais incisivo. Sem opção, restou a Mourinho mexer em sua equipe ainda na primeira etapa: aos 30', tirou Lass e colocou Özil, que teve seu nome gritado pela torcida logo após o primeiro gol rayista. A alteração teve resultado: além de mudar para o 4-1-4-1, o Real Madrid passou a jogar com mais notoriedade e chegou à virada restando quinze pro término da primeira etapa. Soberba a partida de Kaká: com algumas arrancadas que lembrou aquele pré-2008, o brasileiro participou diretamente dos três primeiros gols, e saiu de campo ovacionado. O camisa oito começou a temporada em alta e a expectativa é de que seja titular no jogo contra o Ajax, no meio da semana.

Sevilla 1x0 Valencia
Caiu a invencibilidade do Valencia na temporada. Com alguns dos principais jogadores poupados para o jogo contra o Chelsea, quarta-feira, pela LC, os chés jogaram abaixo do rendimento, apesar do sufoco dado aos nervionenses nos minutos finais, e caíram para a sétima colocação. O Sevilla, por sua vez, continua com um joguinho mixuruca, mas, ironicamente, permanece invicto. A equipe de Marcelino Toral passa por sérios problemas na criação, problema totalmente oposto ao da época de Manzano, e sente bastante a falta de Rakitic quando este não joga. A defesa, por outro lado, passa segurança, enquanto o ataque decide. Se não é Negredo, é Kanouté, autor do gol da vitória sevillista após boa jogada de Jesus Navas na direita. No Valencia, Unai Emery preferiu jogar com Aduriz ao invés de Jonas no lugar de Soldado. E o ex-Mallorca perdeu pontos com o treinador: foi expulso infantilmente no momento no qual o Valencia mais pressionava. Após o jogo, Unai não comentou o lance, mas é fato que deve ter ficado extremamente aborrecido.

Getafe 1x0 Bétis
Não existe mais equipe com 100% de aproveitamento na Liga Espanhola. Em uma boa partida, os azulones, que saíram mais concentrado do que os béticos, dominaram durante boa parte dos noventa minutos e venceram com gol de Diego Castro. A primeira vitória do Getafe na liga veio em hora certa: foi uma rodada favorável aos madrileños, que viram Granada, Athletic Bilbao, Racing Santander e Sporting Gijón não vencerem na rodada. A defesa esteve muito bem em campo. Segura e ordenada, contarma com uma ótima partida de Cata Díaz e Lopo, que frearam as investidas béticas. Moyá também esteve em bom dia. O Bétis, que ainda permanece na liderança, sentiu a falta de Beñat. O meio-campista começou no banco por causa de um desconforto na coxa esquerda, mas entrou no segundo tempo, adicionando um grande upgrade à equipe verdiblanca.

Athletic Bilbao 1x1 Villarreal
El Loco segue sem cura e com muitos problemas. O Athletic Bilbao demonstrou melhora na fluência do jogo, mas não foi o suficente para conseguir os três pontos. Llorente segue muito mal: passou batido durante os noventa minutos e ratificou que começou a temporada abaixo do nível. Fato é que o Athletic Bilbao e sobretudo Bielsa precisam dos gols do atacante. Enquanto isso, Rossi e Nilmar, principalmente, é só alegria. O gol do brasileiro foi oriundo de uma jogada do ítalo-americano. Com apenas dois pontos, é inegável pensar que o Athletic Bilbao não vai ser rebaixado, mas a penúltima colocação assusta, principalmente para uma equipe que vem de uma excelente temporada e conta com bons valores em seu plantel.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

4ª rodada: Surpresas

Irritado, Mourinho soltou o verbo na coletiva e não digeriu a derrota para o Levante (getty images)

Os jogos de domingo pela quarta rodada foram marcados pelas surpresas. Em seis jogos, três deles tiveram resultados que, antes da bola rolar, poucas pessoas apostariam. A principal, é claro, veio de Valencia: o Real Madrid de José Mourinho caiu para o Levante em um jogo polêmico e perdeu a invencibilidade na Liga Espanhola. Rayo Vallecano e Real Bétis, duas equipes vindas da Liga Adelante, também surpreenderam seus adversários: longe de seus domínios, venceram Getafe e Athletic Bilbao, respectivamente. A vitória no San Mamés garantiu à equipe verdiblanca a liderança da Liga Espanhola ao lado do Valencia.

Levante 1x0 Real Madrid
"Isento de culpa pela derrota apenas Kaká. O restante, incluindo eu, foram abaixo da média". As palavras de José Mourinho após o jogo no Ciutat de Valencia deixou claro que o Real Madrid fez sua pior partida na temporada. No meio da semana, contra o Dínamo Zagreb, já haviam atuado bastante mal, mas conseguiram sair com a vitória. Com Cristiano Ronaldo e Özil poupados (o português por sentir dores no tornozelo), o Real Madrid voltou a demonstrar muitos defeitos. E, pela terceira vez em seis jogos, teve um expulso. O cartão vermelho dado a Khedira tirou Mourinho do sério: "eles provocaram e Khedira caiu", disse o treinador, visivelmente irritado na coletiva pós-jogo.

O mal início dos jogadores da volância (Xabi Alonso, Khedira e Fabio Coentrão) já fazem Mourinho sentir falta daquele que nem estreou, mas é dado pelo treinador como a principal contratação no verão: Sahin. Contra o Levante, não houve jogo por esse setor e Kaká muitas vezes teve que recuar para fazer a bola chegar a Benzema. A opção por poupar Özil foi inexplicável: sem o turco-alemão e com a má partida de Xabi, os merengues bateram cabeça durante todo o jogo. O Levante pode se dar satisfeito não só pela vitória. Além de ganhar mais três pontos e parar o Real Madrid, os blaugrana chegaram à vitória através de Koné, contratado para substituir Caicedo, artilheiro da equipe na temporada passada e que rumou ao Lokomotiv. Se a grande incógnita da pré-temporada era saber que se a diretoria iria achar um substituto natural ao equatoriano, a resposta veio com um pouco de atraso, é verdade, mas em alto estilo.

Athletic Bilbao 2x3 Bétis
Antes do jogo, Marcelo Bielsa havia comentado que o crescimento do Athletic Bilbao após a vitória em Bratislava, pela Liga Europa, seria testado, de verdade, no duelo contra o Bétis. Acertou em cheio, ironicamente, o treinador argentino: os bascos foram sufocados pelos verdiblancos e perderam em plena Catedral. O 3-1-3-3 que El Loco tanto insiste novamente deu errado e os euskaras foram um caos. Os aficionados já têm demonstrado impaciência: após o término da primeira etapa e do jogo, vaiaram o treinador, a quem havia creditado muita confiança. Muniain e Llorente foram os únicos que se salvaram da "ira" da torcida. O jovem, diga-se de passagem, a cada dia tem deixado de se tornar o xodó da torcida para tornar-se um ídolo.

A vitória no País Basco ratificou que o Bétis não voltou à elite à toa: segundo palavras de seu treinador, Pepe Mel, após o jogo, os andaluzes vão brigar por alguma competição europeia. O Bétis jogou como quis na Catedral: inteligente, marcou sob pressão e não deixou a bola rodar no meio-campo rojiblanco. Jonathan Pereira foi um demônio na esquerda e impediu que Iraola subisse para ajudar o ataque. Na frente, Santa Cruz, apesar de não ter marcado, teve papel importante. Contudo, Pepe Mel ainda tem algo a corrigir em sua equipe: nos minutos finais, o Bétis passou por apuros justamente por não ter matado a partida. Foram, na segunda etapa, mais de cinco ocasiões para sentenciar a partida. No mais, início verdiblanco é digno de aplausos e boa fase pode continuar. Os próximos cinco jogos não irão requer mais esforço dos comandados de Mel.

Atlético de Madrid 4x0 Racing Santander
De pouco em pouco o Atlético de Madrid vai se encontrando na temporada. Após deixar uma imagem positiva no jogo contra Valencia e Celtic, o Atléti enfim convenceu. Escalado no 4-2-3-1 tornava-se um 4-3-3 nas jogadas de ataque, os rojiblancos parecem, após muito tempo, ter um meio-campo de respeito. Reyes, à direita, Diego, centralizado, e, principalmente, Arda, à esquerda deram um recital. À frente, Falcão García decidiu e confirmou sua fama de goleador: triplete e promessa de briga pela artilharia. A consistência defensiva também começa a aparecer. Já adaptado à equipe, Mirando brilha a cada jogo e Álvaro Domínguez é um bom companheiro de zaga. Se, por um lado, Manzano comemora o aparecimento do bom futebol de sua equipe, por outro lado Héctor Cúper começa a se preocupar. O Racing Santander foi inócuo no Vicente Calderón. Não criou nenhuma oportunidade de perigo e mostrou bastante insegurança defensiva. Desse jeito, como disse o treinador, vai ser bastante complicado.

Zaragoza 2x1 Espanyol
No primeiro jogo entre Luis García e o Espanyol, o meio-campista deitou e rolou para cima de seu ex-clube. Além do doblete providencial, sendo o gol da vitória aos 49 da segunda etapa, o veterano esbanjou classe jogando aberto à esquerda na linha de quatro. Apesar da derrota, o Espanyol sai de campo com a cabeça erguida: fez um primeiro muito bom, mas não teve muita sorte na finalização. Javier Aguirre, treinador do Zaragoza, admitiu que "um empate seria o resultado mais justo". O Zaragoza, por sua vez, teve de positivo o poder de reação: após a expulsão de Javi López e a lesão de Verdú, melhor em campo, o Espanyol recuou, chamando mais os maños para seu campo. Quando parecia que o um a um seria o placar final, eis que apareceu Luis García para decretar a vitória maña, que se recupera no campeonato após a má estreia. Os aragoneses ainda não convenceram, mas já deram um passo à frente. Os catalões, por outro lado, vão de mal a pior a cada rodada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De volta ao lugar da consagração

O Barcelona comemorou, de uma vez só, a passagem para a final e a volta de Abidal aos gramados (reuters)

A Liga dos Campeões desta temporada já reservou partidas memoráveis. Depois do duelo entre Arsenal e Barcelona e Bayern Munique e Inter, Barcelona e Real Madrid protagonizaram um confronto que entrou para a história da competição. A intensidade do confronto era tão grande que mesmo após a absoluta vantagem obtida na ida, o Barcelona ainda não era cravado por boa parte da crítica como um dos finalistas. Após parar no muro de José Mourinho e sua Inter, os blaugranas voltam a ter grande dimensão europeia e irá encarar um velho conhecido na final: o Manchester United, adversário de seu último título de Champions League, em 2008-2009. Dezenove anos depois de comemorar seu primeiro título europeu contra a Sampdoria de Vialli e Roberto Mancini, com gol de Ronaldo Koeman de falta, o Barcelona volta ao estádio de sua consagração: o mítico Wembley, em Londres, será o palco de Barcelona x Manchester United.

A partida de ontem já seria histórico "apenas" por isso, mas a forma como os blaugranas se classificaram ante o Real Madrid impõe ainda mais peso à conquista: precisando tirar uma vantagem de dois gols para ir à final, o Real Madrid entrou em campo totalmente ofensivo, mas não conseguiu chegar com muito perigo à meta de Valdés nos primeiros quarenta e cinco minutos. Pelo contrário: foram os azulgrenás quem atacaram como se estivessem precisando do resultado. Até por isso, Casillas foi o grande nome dos primeiro tempo, quando parou Messi, duas vezes, e Villa. Durante todo o primeiro tempo, o ímpeto do Barcelona foi claramente maior do que o Real Madrid, que, acanhado, apenas rezou para Casillas parasse os frequentes ataques do Barcelona. Os blancos começaram a partida marcando a saída de bola do Barcelona, empurrando o adversário para o campo defensivo e forçando erros de passe pouco característicos da equipe catalã. Mesmo com a forte pressão inicial, a equipe merengue não conseguiu traduzir o domínio territorial em chances claras de gol.

O Barça desta temporada tem mostrado, em algumas partidas, que tem a capacidade de ser atacado a exaustão, oferecendo poucas oportunidades para seus adversários, já que deixa poucos espaços para que a bola seja trabalhada pelos adversários. Especialmente ontem, foi essencial a participação de Puyol, que mais uma vez atuou com o coração na mão na lateral esquerda. Por ali, Di María, na primeira etapa, e Cristiano Ronaldo, na segunda etapa, pouco fizeram para levar perigo pelo setor. Kaká, mais centralizado, foi figura tão anulada quanto Özil, que substituiu o brasileiro no segundo tempo. Ontem, a expectativa era de que o alemão começasse a partida como titular. Entretanto, depois de uma reunião entre José Mourinho e o presidente Florentino Pérez teria sido decidido que Kaká seria escalado.

No final do jogo, Guardiola ainda deu chances para Abidal, que substituiu el capitán. O francês, que entrou ovacionado pelos aficionados culés em campo, voltou aos gramados menos de dois meses depois de se recuperar de um tumor no fígado. Guardiola, mais uma vez, esteve em foco: após vencer o confronto contra José Mourinho, que não assistiu à partida em um hotel, o treinador não teve nem muito tempo para comemorar, pois partiu em um voo rumo a Manchester, para acompanhar o Manchester United encarar o Schalke 04. A mentalidade vencedora do Barcelona no campeonato espanhol ampliou-se em solo nacional e também se mostra presente em solo continental: em quatro temporadas, os blaugranas estiveram em quatro semifinais e, contando com essa, duas finais. Os merengues ainda ensaiaram pressionar como fizeram no início dos dois tempos, mas logo o Barça se assentou e passou a administrar o jogo longe de seu próprio gol. As longas trocas de passes foram provocando faltas e mantinham a equipe segura na defesa para garantir o resultado favorável.

Se, na eufórica vitória barcelonista, Guardiola e Messi podem ter saído como os principais artífices e vencedores, certamente há também o principal perdedor do lado merengue. Cristiano Ronaldo, que passou a ser cobrado pela torcida blanca por uma atuação convincente na Champions, novamente foi figura decepcionante contra o Barcelona e, além de ser eliminado, certamente deixou o caminho livre para o extraterrestre Messi poder comemorar o seu terceiro título de melhor jogador do mundo. Embora a postura defensiva de Mourinho não ajudou para que o futebol de Cristiano Ronaldo aparecesse, em cinco jogos contra os blaugranas na temporada o meio-atacante português foi nulo (à exceção da final da Copa, quando marcou o gol do título).

Enquanto Cristiano Ronaldo fracassa em superclássicos, Messi só brilha: após os dois gols no jogo de ida, La Pulga foi um verdadeiro demônio para a defesa remendada do Real Madrid ontem, sendo responsável pelo cartão amarelo a Ricardo Carvalho e Lassana Diarra, que não "tiraram os pés" das divididas. O maior artilheiro europeu da temporada não ajuda sua equipe apenas com gols, mas com o coletivo: na temporada, já são vinte e duas assistências - poderia ser vinte e três, se Casillas não tivesse feito uma defesaça em chute de Villa, no primeiro tempo. No 4-3-1-2 de Guardiola, o argentino desempenha uma função mais cerebral e mais preocupada com a armação das jogadas: se com Frank Rijkaard e o 4-3-3, Messi ficava mais preso à direita, com Guardiola é notável que seu futebol cresceu, passando a assumir mais a função de homem-gol da equipe, principalmente após a saída de Eto'o.

Na segunda partida das semifinais da Champions League, o Barcelona teve 64% de posse de bola, contra apenas 36% do rival. Desde que Guardiola treina a equipe, há dois anos e meio, o Barça sempre tem mais posse que seus adversários. Mas foi outro dado que chamou mais a atenção: juntos, os três jogadores da linha de três do meio-campo do Barcelona – Xavi, Busquets e Iniesta – acertaram 263 passes. Mais do que todo o time do Real Madrid, que acertaram 261. Xavi acertou 123 dos 134 passes dados na partida, com 92% de aproveitamento. O jogador do Real Madrid que acertou mais passes foi Lass Diarra, com 37. Xavi também aparece em destaque na lista dos jogadores que mais correram. O ‘motor’ do Barcelona percorreu 11.417 metros em campo. Na segunda colocação, ficou Xabi Alonso, do Real Madrid, por 11.154 metros. O atacante Pedro Rodríguez, autor do gol do Barcelona, percorreu 10.695 metros e ficou em terceiro lugar na lista.

Com a moral em alta após a classificação para Wembley e a calorosa festa feita por cinco mil torcedores em Canaletes, centro da cidade de Barcelona, em plena madrugada, o Barcelona receberá o rival Espanyol no final de semana para comemorar o provável primeiro título da temporada: no derby barceloní, basta uma simples vitória ante os péricos e uma derrota do Real Madrid para o Sevilla na Andaluzia para a festa do tri-campeonato ser feita. Agora, mais do que tudo, é fato que os comandados de Guardiola se concentrarão na grande final, em que entrará em campo, ao contrário de Roma 2009, como favorito. Sonhar tão alto é possível.

Barcelona 1x1 Real Madrid
Barcelona
: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol (Abidal); Xavi, Busquets e Iniesta; Pedro (Afellay), David Villa (Keita) e Lionel Messi. Técnico: Josep Guardiola.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Ricardo Carvalho, Albiol e Marcelo; Lass Diarra; Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Kaká (Özil) e Di María; Higuaín (Adebayor). Técnico: José Mourinho.
Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Gols: Pedro (Barcelona); Marcelo (Real Madrid)
Cartões Amarelos: Pedro (Barcelona); Ricardo Carvalho, Lass Diarra, Xabi Alonso, Marcelo, Adebayor (Real Madrid)

sábado, 23 de abril de 2011

33ª rodada: Pasillo e passeio

Trio ternura: Kaká, Higuain e Benzema deram show no Mestalla e estão à disposição de Mourinho para os duelos contra o Barcelona na Champions League (reuters)

Com o título da Liga praticamente definido, as atenções da primeira parte da 33ª rodada ficaram voltadas para o derby vasco. Em campo, um Athletic Bilbao (5º, 51) que briga por competições europeias contra uma Real Sociedad (13º, 38) que vive seu pior momento na temporada, lutando contra o rebaixamento. Nas quatro linhas, vimos uma Real Sociedad diametralmente inferior ao seu rival e praticamente não ofereceu resistência ao Athletic Bilbao, que ainda teve o luxo de "dar" um gol aos blanquiazules, através de Javi Martínez, que mandou para as próprias redes um cruzamento vindo da esquerda de Griezmann. O francês, aliás, foi derrotado também no duelo dos dois melhores jovens da atual edição da Liga Espanhola. Muniain, que pôde jogar devido a um recurso apresentado pelo Athletic Bilbao à CEDD, conduziu sua equipe à vitória.

A opção de Caparrós de adiantar Muniain para o flanco esquerdo, e consequentemente a troca para o 4-3-3, tem dado certo. Veloz e inteligente, Muniain não sente mais a necessidade de ajudar sua equipe na marcação e fica concentrado apenas nas jogadas de ataques. Hoje, deu muito trabalho a Martínez e saiu de campo merecidamente ovacionado para a entrada de Susaeta. Llorente, que fez apenas um gol em oito partidas, continuou sem marcar, mas teve papel importante na vitória: participou diretamente do gol de Muniain e de Toquero. No gol do jovem, El Rey León ganhou no alto de Ansotegi e Rivas e Muniain só teve o trabalho de empurrar para as redes. No gol do camisa dois, dominou entre dois marcadores e, rapidamente, lançou Toquero na direita, que chegou batendo e venceu Bravo. A vitória contra o maior rival colocou o Athletic Bilbao a um passo da próxima Liga Europa e a comemoração pode se extender ao término da rodada: seus adversários diretos farão confrontos difíceis no complemento da rodada. Para a Real Sociedad a situação é crítica: até o fim da rodada, a equipe cair duas posições e tem uma tabela bem complicada até o término do campeonato. A cinco rodadas do fim, os txuri-urdins terá pela frente Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c).

No Mestalla, o Valencia (3º, 63) recebeu o Real Madrid (2º, 80), que entrou em campo com seu time B. Em campo, uma atuação de gala do trio Benzema, Kaká e Higuain, que participaram dos seis gols merengues. Higuain, com um hat-trick, voltou a marcar depois de cinco meses e deixou o campo com uma sensação de que ainda pode brigar pela vaga no ataque do time. Assim como Kaká, autor de dois gols (sendo um golaço) e duas assistências, que está disponível para a vaga no meio-campo blanco. Desde os primeiros minutos o Real Madrid tomou conta da partida. Escalado no 4-3-3 da vitória contra o Getafe, o Valencia parecia com medo e tomou um banho ainda no primeiro tempo. Benzema e Kaká eram os mais ligados na partida e tomaram conta do meio-campo. A partir dos 22 minutos, o Real Madrid foi começando a matar a partida. Primeiro, Higuain cruzou da direita, Guaita passou batido e Benzema completou para as redes. Aos 30, Mathieu falhou gravemente na frente de Higuain, que se esticou todo e venceu Guaita, que já estava batido. Aos 38, Benzema fez o carnaval na zaga ché, abriu na direita para Higuain, que novamente serviu de garçom e Kaká marcou o terceiro. Para completar, aos 41, Kaká retribuiu a gentileza e tocou para Higuain marcar o quarto e silenciar um Mestalla dominado pela ira.

Para fechar, o Barcelona (1º, 88) entrou em campo para esquecer a derrota na Copa e recuperar a confiança para os duelos finais contra o seu maior rival. Com a cabeça na semifinal da Champions e, por que não, preguiçoso, o Barcelona jogou para o gasto contra o Osasuna (16º, 35). Sem Messi, no banco, Guardiola voltou ao 4-3-3 de outrora, com Jeffren e Afellay nos flancos e Villa enfiado entre os zagueiros adversários. El Guaje, que vive sua pior fase na carreira, espantou a fase negra para longe: após cruzamento de Jeffren, Villa se esticou todo para abrir o placar para o Barcelona e quebrar um incômodo jejum de onze jogos sem marcar. Vendo sua equipe jogando de maneira insonssa, Guardiola promoveu as entradas de Iniesta, Messi e Xavi na segunda etapa, o que melhorou na forma de jogo blaugrana. E, aos 46 minutos, Messi recebeu bom passe de Daniel Alves e, cara a cara com Ricardo, tocou na saída do português chegando ao seu 50º gol, superando uma marca histórica de Puskas: La Pulga é o primeiro jogador numa temporada espanhola a chegar em tal marca e, além disso, caminha para ser o chuteira de ouro pela segunda vez consecutiva. Vale lembrar que, além de ser o pichichi da Liga BBVA, Messi é o artilheiro da LC e terminou empatado na artilharia da Copa do Rei (sete gols) ao lado de Cristiano Ronaldo. Qual o limite de Messi?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pós-jogo: Tottenham 0x1 Real Madrid

Mourinho cumprimenta Cristiano Ronaldo: os portugueses são as bases do Real Madrid semifinalista da Champions League (getty images)

Texto de Leandrus, do Ortodoxo e Moderno

Sabendo que reverter a diferença de quatro era uma missão bem difícil, o Tottenham entrou em campo tentando ao menos manter a sua honra na Liga dos Campeões. Os ingleses até buscaram o gol e dificultaram a tarefa do Real Madrid; porém, não conseguiram evitar a derrota, que veio através de uma grande falha de Gomes que calou a maior parte do White Hart Lane.

Necessitando de muitos gols para passar de fase mas sem ter muito o que mudar no time, por sempre escalar uma equipe ofensiva, Harry Redknapp apenas trocou Sandro pelo experiente Huddlestone, recuperado de contusão, ao mesmo tempo em que preferiu Pavlyuchenko ao invés de Defoe, em má fase, para substituir Crouch, expulso no primeiro jogo. Já José Mourinho, sem precisar se arriscar, foi um pouco mais cauteloso do que de costume: o treinador colocou Arbeloa na lateral esquerda, avançou Marcelo para o meio e deixou Di María no banco. Em tese, a alteração tinha o objetivo de dar maior segurança para aquele setor, por onde o veloz Lennon ataca. Mas havia uma peça a ser ainda mais temida.

Bale, jogando pela esquerda, é a principal arma ofensiva do Tottenham, e todos sabem muito bem disso. Não à toa, os Spurs começaram a partida armando suas jogadas exatamente por ali, forçando o galês a se confrontar contra Sergio Ramos. O winger até se saiu bem no duelo; porém, suas jogadas não deram em muita coisa. Devido a isso, os principais lances do início do jogo foram dois pênaltis cavados pelos londrinos – um por Bale, outro por Modric - e acertadamente não marcados pela arbitragem.

Embora Cristiano Ronaldo tentasse levar certo perigo em cima de Assou-Ekotto e Özil, geralmente livre por causa dos espaços deixados pelo Tottenham no meio, buscasse puxar alguns ataques, a proposta do Real Madrid era clara. Os espanhóis procuravam não se arriscar tanto e cadenciar o jogo trocando o maior número de passes seguros possíveis, para manter a posse de bola e não dar muitas chances ao perigoso ataque do adversário. A estratégia deu certo, fazendo com que a equipe inglesa tivesse seu ímpeto ofensivo contido em diversos momentos; porém, também tornou os merengues um time pragmático e sem brilho, apenas esperando os contra-ataques para matar o jogo. A tática, no entanto, poderia ter dado certo já nos primeiros minutos, se os comandados de Mourinho tivessem maior capricho.

Ao mesmo tempo em que Bale tentava ser útil para o Tottenham, o time sofria com as exibições apagadas de Lennon e van der Vaart. Porém, quando estes finalmente apareceram, criaram a jogada de maior perigo dos Spurs, aos 25 minutos, que terminou com uma bola isolada por Pavlyuchenko, livre de marcação, num raro momento de vacilo dos espanhóis. Os Spurs chegaram ao gol já no final da primeira etapa, quando Modric ajeitou de cabeça para Bale acertar uma bela finalização, mas o gol foi corretamente invalidado devido ao fato do croata estar impedido.

O placar final da primeira etapa, sem gols, havia sido incômodo para o Tottenham, que, com a dura missão de marcar pelo menos quatro gols na forte e concentrada equipe de Mourinho, precisaria praticamente de um milagre para se classificar. Porém, as pretensões dos anfitriões foram por água abaixo logo aos cinco minutos do segundo tempo: Cristiano Ronaldo arriscou seu típico chute com certa curva de muito longe, e Gomes, na tentativa de fazer uma fácil defesa com rapidez para já dar início a uma nova jogada, acabou deixando a bola escapar de suas mãos e engolindo um grande frango. O brasileiro se firmou no Tottenham há um tempo, mas provou porque é conhecido por ser um arqueiro de defesas fantásticas e de inesperadas falhas terríveis, até mesmo em jogos em que era o melhor do time.

O gol, obviamente, foi como um baque para os londrinos, que precisariam de incríveis seis gols em menos de 40 minutos. A princípio, o time da casa até tentou esboçar uma reação. Porém, aos 12 minutos, após outro bom lance de van der Vaart (curiosamente, as duas únicas jogadas do holandês resultaram nas melhores chances dos Spurs) Pavlyuchenko errou uma cabeçada fácil, na frente de Casillas. Naquela que foi a sua segunda chance desperdiçada, o russo, mal na tentativa de substituir Crouch, decretou: o milagre era impossível, até porque o Tottenham deveria ter uma eficácia que não estava tendo na partida. Redknapp ainda tirou o apagado Lennon e colocou Defoe, deixando o time com dois atacantes, mas isso não foi o suficiente.

A partir daí, o que se viu foi um Real Madrid ainda mais tranquilo, apenas tocando a bola e acelerando o jogo quando o Tottenham cedia contra-ataques, que não foram poucos – porém, todos foram desperdiçados devido ao preciosismo dos merengues. José Mourinho acertadamente tirou seus principais jogadores que estavam pendurados, entre eles Cristiano Ronaldo, e aproveitou a oportunidade para dar ritmo de jogo a Kaká e Benzema. Aliás, o brasileiro, em um perigoso chute de fora da área, quase foi responsável por outra falha de Gomes, inseguro desde o gol sofrido. Enquanto isso, os londrinos foram se apagando cada vez mais, principalmente quando Bale sumiu do jogo, e deram seu último suspiro num chute de van der Vaart aos 41 minutos.

Enquanto o Real Madrid comemorava a classificação para as semifinais (algo que não conseguiam desde a temporada 2002/03), os jogadores do Tottenham eram aplaudidos pelos seus torcedores. Não era para menos. Uma das sensações da atual edição, o clube teve uma campanha fantástica na Liga dos Campeões, com grandes jogos e vitórias – principalmente contra a Inter em White Hart Lane e o Milan em San Siro – que entraram para história do clube. Devem celebrar a sua passagem pelo torneio, ao mesmo tempo em que os espanhóis devem agradecer a José Mourinho pelos feitos que estão sendo conquistados ultimamente.

Tottenham 0 x 1 Real Madrid
Tottenham:
Gomes, Corluka, Dawson, Gallas e Assou-Ekotto; Huddlestone (Sandro), Modric (Kranjcar), Lennon (Defoe) e Bale; van der Vaart; Pavlyuchenko.
Real Madrid:
Casillas, Sergio Ramos (Granero), Ricardo Carvalho, Albiol e Arbeloa; Xabi Alonso (Benzema), Khedira, Özil, Cristiano Ronaldo (Kaká) e Marcelo; Adebayor.
Árbitro:
Nicola Rizzoli (ITA)
Cartões Amarelos:
Ricardo Carvalho e Granero (MAD)