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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prévia: CSKA Moscou x Real Madrid

Cristiano Ronaldo e José Mourinho: estão nos portugueses as esperanças dos torcedores madridistas na Champions League (gettty images)

O estigma de amarelar nas oitavas-de-finais foi deixado para trás após a chegada de José Mourinho. Após seis anos caindo precocemente, os merengues chegam como máximos favoritos ao lado do Barcelona para copar a orelhuda. Se na temporada passada caíram diante do arquirrival na semifinal, as esperanças dos merengues estão em José Mourinho: o português costuma ter muitos êxitos em suas equipes nas suas segundas temporadas. Foi assim à frente de Porto, Chelsea e Inter, onde, no clube português e no italiano, conquistou a principal competição europeia.

Para seguir adiante no sonho de conquistar La Décima, Cristiano Ronaldo e cia terão pela frente o CSKA Moscou, que passou em segundo colocado num grupo com Inter de Milão e Lille. O Real Madrid fará jus às expectativas e irá avançar de fase? Ou o CSKA irá fazer valer a zebra? Para a prévia do confronto, contamos com ótima colaboração de Gilmar Siqueira, responsável pelo site Futebol Russo e grande entendedor do futebol do Leste Europeu. Confira a prévia de CSKA Moscou x Real Madrid e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Boa leitura.

A temporada até aqui
CSKA: Para adaptar seu calendário ao das outras ligas, a Russian Premier League está passando por uma “temporada de transição”. Em suma, além dos pontos corridos, os times disputarão play-offs pelo título (no caso dos 8 primeiros) e contra o rebaixamento (no caso dos 8 últimos). Durante a “temporada regular”, o CSKA liderou a RPL por várias rodadas e hoje está na segunda colocação com 59 pontos, seis atrás do Zenit. Ainda que se mantenha com boas chances de título, o time não convence dentro de campo. O futebol pragmático e alguns erros defensivos marcaram o CSKA na temporada. O mesmo time que venceu bem o Lokomotiv Moscow sofreu para ganhar de outros times tecnicamente inferiores. Não fossem Seydou Doumbia e Vagner Love se esforçarem ao extremo, a situação seria um pouco mais complicada.

Real Madrid: Após três anos terminando a Liga Espanhola na segunda colocação e tendo que aguentar o maior rival Barcelona comemorar, o Real Madrid parece perto de inverter a situação. Na Liga Espanhola, já é tratado como o virtual campeão e até o próprio Barcelona dá a entender que a Liga está acabada. Os retumbantes 10 pontos de diferença representam bem a temporada das duas equipes até aqui. Os blancos são avassaladores longe ou não do Santiago Bernabéu, enquanto o Barça tem sofrido e desperdiçado muitos pontos fora da Catalunha. Na Copa do Rei, a equipe de José Mourinho não conseguiu a manuntenção do título, caindo justamente para os azulgrenás. Mas a postura e o futebol desempenhados no Camp Nou, na partida da volta, recuperaram o orgulho madridista perante os catalães. Perdendo de 2 x 0, a equipe saiu atrás da classificação no segundo tempo, buscou o empate, ficando a apenas um gol da passagem à semifinal, mas não conseguiu bater a meta de Pinto. A esperança é que esse futebol se sobressaia num apocalíptico confronto contra o Barça na LC.

Pontos fortes
CSKA: Os 24 gols de Seydou Doumbia na temporada dizem tudo. O ponto forte do CSKA é o ataque. O “time do exército” marcou 60 gols -um a menos que o Zenit- e apavora as defesas adversárias. A potência do setor ofensivo –composto do Love e Doumbia- compensou todo o desequilíbrio tático do CSKA, que jogava com 2 volantes fixos e dois meias abertos pelos lados. Destes meias, o que teve maior destaque foi o japonês Keisuke Honda. Atuando pelo lado esquerdo, Honda foi um dos melhores jogadores da RPL na reta inicial da temporada. Sua lesão no joelho o prejudicou demais e o time do exército passou a depender ainda mais da dupla de ataque, que por vezes precisava voltar até o meio-campo para auxiliar na criação.

Real Madrid: O meio-campo. Seja quem for o companheiro de Cristiano Ronaldo na linha de três, a ofensividade merengue é avassaladora. Atualmente, Kaká e Özil têm começado mais entre os titulares, mas a volta de Di María, que até então apto era o melhor jogador da equipe na temporada, pode abrir uma nova disputa. Sem falar no coringa Callejón, que sempre entra muito bem em campo. Özil recuperou a boa forma do primeiro semestre de 2011 e já é um jogador imprescindível no esquema de Mourinho. Ao lado de Kaká, seu futebol fica menos sobrecarregado e, assim, o camisa 8 consegue ditar o ritmo da partida. Benzema e Xabi Alonso também merecem destaques. O volante espanhol vive uma fase de gala às vésperas da Eurocopa. Mas, claro, o destaque maior é para o craque: Cristiano Ronaldo. Há uma semana, contra o Levante, o português chegou a 120 gols pelo clube, dois a mais do que fez pelo Manchester United. Um detalhe curioso: com 170 jogos a menos. Ele dribla, arranca, pede bola, chama a responsabilidade, dá assistência, ajuda na marcação pelo setor esquerdo e marca gols. Polivalente, ainda pode ser deslocado para a função de falso nove numa emblemática postura voltada à defesa de Mourinho.

Pontos fracos
CSKA: Apesar de Ignashevich, Nababkin e os irmãos Berezustki, o principal ponto fraco da equipe moscovita foi a defesa. A situação ficou ainda pior quando o goleiro Akinfeev sofreu uma grave lesão na partida contra o Spartak Moscow. Como já foi mencionado, o CSKA tem um grande desequilíbrio tático e isso também contribuiu para sua oscilação dentro de algumas partidas. Na tentativa de compensar as falhas defensivas, Slutsky vinha utilizando dois volantes de marcação à frente da área: Aldonin e Mamaev. O problema é que nenhum dos dois tem qualidade na saída de bola. Como se não bastasse isso, o jogador com maior potencial técnico do time, Alan Dzagoev, atua deslocado pelo flanco direito. Não é segredo para ninguém que o camisa “10” não rende bem nesta posição e, na maioria das jogadas, corta para o meio.

Real Madrid: Na temporada passada, a zaga gerava confiança em José Mourinho. Atualmente, não. A lesão de Ricardo Carvalho foi sentida, apesar de Sergio Ramos, utilizado como zagueiro durante o período de ausência do zagueiro português, ter saído-se muito bem ao lado de Pepe, este que não vive uma boa fase. Voltou a aparecer negativamente na mídia após o lance em que pisou nos dedos de Messi e falha com frequência. Foi eleito, vale citar, o vilão do futebol atual. Os laterais, antes problemas, contudo, aparecem bem. Marcelo já é uma boa opção de marcação pela esquerda e, contundente, ajuda nas jogadas ofensivas. O maior problema do Real Madrid está no perigo real que representa as bolas aéreas. Só em 2012, Málaga, Granada, Mallorca, Barcelona, Athletic Bilbao, Zaragoza e Levante venceram Casillas com bolas alçadas à área. Taí, por exemplo, uma forma do CSKA, quem sabe, conseguir uma vitória jogando em casa.

Expectativas
CSKA: Já que a RPL está na sua longa pausa de inverno (que já dura 3 meses), o CSKA vem disputando uma série de amistosos pela Europa. Não que os comandados de Leonid Slutsky tenham perdido seu ritmo, mas o fato de não jogarem uma competição séria há algum tempo pode fazer a diferença. Contudo, as maiores expectativas giram em torno da escalação do time. É fato que a perda de Vagner Love foi grande, mas as chegadas do sueco Pontus Wernbloom e do sul-coreano Kim In-Sung podem fazer a diferença. Além disso, Ahmed Musa é um excelente reserva para Doumbia. Na partida coontra o Real Madrid, Slutsky deve seguir os mesmos moldes dos amistosos e armar o time em um 4-2-3-1, com Werbloom ao lado de Aldonin no “doble pivote” e Dzagoev mais centralizado em uma linha de 3 meias. Honda já voltou a treinar, mas ainda não há como garantir sua presença em campo.

Real Madrid: A expectativa não é outra senão avançar de fase e continuar vivo no sonho de voltar a conquistar a Europa 10 anos depois. José Mourinho ainda não falou sobre o confronto, no qual tenta minimizar o favoritismo de sua equipe, em suas coletivas; mas, nas últimas partidas, o sinal de desatenção com a partida ganha parece mostrar que a cabeça do elenco está no jogo de ida, em Moscou. Nos bastidores, rola uma especulação de que o gajo afirmou ao presidente Florentino Pérez que não vai embora de Chamartín sem a orelhuda. Por ora, a campanha blanca em âmbito europeu é perfeita. Literalmente. Na fase de grupos, foram seis jogos e seis vitórias. 18 pontos em 18 possíveis. Desde 2003 não acontecia isso. Na escalação, há algumas dúvidas: Lass Diarra ou Khedira na volância ao lado de Xabi Alonso?; Granero pode aparecer ao lado de Xabi numa proposta ter a bola e decidir a partida no jogo de ida?; Di María, que voltou no final de semana contra o Racing Santander, já irá voltar ao onze inicial? Só saberemos quando a bola rolar.

Prováveis escalações
CSKA: Chepchugov; Nababkin, Vassili Berezutski, Ignashevich, Alexei Berezutski; Aldonin, Wernbloom; Tosic (In-Sung), Dzagoev, Honda (Tosic); Doumbia.

Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Lass (Khedira; Granero); Di María (Kaká), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

É para titular

"Ei, vocês aí, fãs de Kaká e Özil: o titular agora sou eu, beleza?" (getty images)

2011 termina com uma surpresa no onze inicial do Real Madrid. Se a temporada arrancou com o debate entre Özil, Kaká e Di María para formar o tridente ofensivo com Cristiano Ronaldo na linha de três, um jogador foi comendo pelas beiradas. Callejón aproveitou muito bem suas chances na equipe titular e hoje já podemos afirmar que ele é titular. O canterano conseguiu algo que parecia bastante improvável: colocar o turco-alemão e o brasileiro como opções apenas para o segundo tempo.

Nem Özil e muito menos Kaká. O titular é Callejón. Na vitória contra a Ponferradina, voltou a se destacar, marcando dois gols. Menção honrosa a Özil, que também fez boa partida e deu uma assistência para Callejón marcar. Hoje, o camisa 21 sai para o recesso do final de ano com uma sensação muito boa. Ganhou pontos com Mourinho, tem a confiança do chefão e ajuda muito o Real Madrid dentro de campo. Além disso, o encaixe de Callejón ao lado de Di María e Cristiano Ronaldo não tirou o brilho de Di María, melhor merengue na temporada. O jogo contra o Sevilla, no último sábado, é um exemplo. Deslocado para a faixa central do campo, o argentino comandou as ações e deu duas assistências maravilhosas para Cristiano Ronaldo e o espanhol marcarem.

Para Mourinho, Callejón representa o melhor exemplo de jogador com o qual gosta de trabalhar: competente, que mostra muita disposição e entrega para ganhar uma vaga dentre os onze iniciais. O técnico de Setúbal, apesar de negar, tem Özil como seu xodó e, por que não, está decepcionado com o alemão justamente por não mostrar essa garra, vontade que o canterano demonstra. Hoje, Callejón é titular por méritos próprios. Sua vontade de triunfar no clube onde foi revelado é grande. A titularidade é uma recompensa de Mourinho. O jogador de 24 anos atravessa uma fase que impressiona. Para se ter uma noção, é o Pichichi do elenco madridista na Copa del Rey (3 gols), e da Champions, junto com Benzema (4 gols). Tudo isso graças a uma espetacular racha de seis gols nas últimas quatro partidas que disputou - Ponferradina (2), Sevilla e Ajax -, mais os dois que anotou contra o Dínamo Zagreb.

Mourinho vê em Callejón uma espécie de talismã, à Pedro no Barcelona. O surgimento de um canterano com desejo de triunfar e competir com grandes estrelas do plantel blanco. Um garoto formado nas canteras que está exercendo muito bem seu papel, e um rendimento num alto nível. Os aficionados, bastante difíceis de serem conquistados, já confiam em Callejón. Há um mês, foi protagonista por uma imagem na qual Mourinho subia em cima de suas costas para celebrar um gol contra o Valencia. Atualmente, é protagonista porque marca gols importantes. De caballito de Mourinho a jogador ideal do português. Mesmo tornando-se titular apenas nos últimos dois jogos, é o quarto artilheiro da equipe, atrás de Cristiano Ronaldo, Benzema e Di María.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ataque invejável

Higuaín e Benzema se abraçam: sociedade entre os dois no ataque madridista tem dado certo (AP Photos)

Na temporada passada, Cristiano Ronaldo polarizou os gols no Real Madrid. O português (53 gols) terminou a campanha com 23 gols a mais que o vice-artilheiro da equipe, Benzema (30). O francês só começou a vingar a partir de fevereiro, após a chegada de Adebayor. A lesão de Higuaín, que vinha seguindo de perto o gajo, condicionou o ataque merengue, que chegou a ter Cristiano Ronaldo atuando como falso nove, numa tentativa de Mourinho evitar a gastança no inverno. Na atual temporada, para felicidade de Mourinho, La Pipita e o francês têm feito bonito: os dois, juntos, já marcaram 24 gols (12 para cada) e seguem de perto Cristiano Ronaldo, que tem 18. O diferencial para o português estar à frente dos dois é que, no sistema de rotações imposto por Mourinho do meio para frente, ele não entra, jogando a maioria dos jogos.

Ontem, com a classificação à fase mata-mata da Champions League já garantida, e tendo um adversário de nível inferior pela frente (Dínamo Zagreb), Mourinho testou algo que já estava aguardado há tempos: Benzema e Higuaín juntos no ataque desde o início. Sem Cristiano Ronaldo, o técnico de Setubal foi a campo num inédito 4-4-2 (que já havia sido utilizado outras duas vezes). O resultado foi positivo: os blancos não deram chances ao rival, golearam por 6 a 2 e tanto Benzema quanto Higuaín deixaram suas marcas. O francês marcou duas vezes, enquanto Higuaín, que marcou uma vez, ficou com o prêmio de gol mais bonito da noite. A sociedade Benzema-Higuaín tem dado muito certo desde que passara a ser utilizada. Em 211 minutos juntos, já foram sete gols.

Mourinho tem à disposição uma artilharia pesada em plena forma. O tridente goleador do Madrid, formado por Benzema, Higuaín e Cristiano Ronaldo, é uma maquina de gols. Já são 42 gols em 19 partidas oficiais, o que representa o melhor trio ofensivo da Europa no momento. Aliás, vale lembrar, contra o Dínamo Zagreb os dois atuaram até o fim. A outra boa notícia que Mourinho recebeu foram as boas partidas de Özil e Callejón. O turco-alemão não andava muito bem e vivia de lampejos do Özil 2010/2011, um dos destaques da temporada. O grito, no quarto gol merengue, representou um desabafo. O espanhol, por sua vez, já havia sido o protagonista do jogo em Valencia mesmo sem ter sido ao menos utilizado nos noventa minutos: Mourinho subiu em suas costas no gol de Ronaldo, numa espécie de cavalinho.

A boa partida da dupla de ataque dá mais opções a Mourinho, que não é nada afeito a rodízios, mas se vê obrigado a mudar sempre, devido a qualidade de seu elenco. Com a lesão de Di María, que segue como dúvida para o superclássico, e a ainda inconstância de Özil, o português pode testar, em maiores desafios, o 4-4-2 utilizado contra o Dínamo, com Cristiano Ronaldo, Kaká, Higuaín e Benzema juntos. Na parte defensiva, Sergio Ramos e Pepe vêm formando uma defesa sólida, com Arbeloa fazendo partidas notáveis (ainda que seja o ponto fraco da equipe merengue) e Marcelo e Coentrão em ótima fase na lateral esquerda. Assim, Mourinho vai, a cada jogo, encontrado a equipe ideal para o confronto da temporada contra o Barcelona, no dia 10 de dezembro.

Vergonha espanhola
O Villarreal entrou na Allianz Arena eliminado, mas com chances de conseguir ao menos uma classificação à Liga Europa. O resultado, contudo, foi mais uma catastrófica derrota: 3 a 1 contra o poderoso Bayern de Munich, que aparece como opções a Real Madrid e Barcelona na briga pelo título. Com cinco derrotas em cinco jogos, o Villarreal vai fazendo uma campanha pior até que a do Atlético de Madrid há duas temporadas. Para piorar, o departamento médico amarillo recebeu mais um jogador para sua extensa lista. Com uma lesão muscular, Catalá será baixa por seis semanas. Páreo duro para o Submarino Amarelo, que recebe o Napoli na última rodada com a pretensão de somar ao menos um pontinho, e terminar a pior campanha de uma equipe espanhola em competições europeias nos últimos anos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Balanço Final: Espanyol

No ano de despedida de Iván De La Peña, o Espanyol ficou no quase (getty images)

Campanha: 8ª posição. 38 jogos, 15 vitórias, 4 empates e 19 derrotas. 46 gols pró e 55 gols contra.
Competição europeia: Não participou
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas-de-finais para o Atlético de Madrid
Time-base: Kameni; López, Forlín, Galán, García; Baena, Javi Márquez; Luis García, Verdú, Callejón; Osvaldo.
Os artilheiros: Osvaldo (13 gols), Luis García e Callejón (6), Verdú (5).
O técnico: Mauricio Pochettino
O destaque: Osvaldo
A decepção: Dátolo

O Espanyol chegou a frequentar a zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas despencou na reta final e quase foi alcançado por um grupo de clubes que chegou a lutar contra o rebaixamento. Decepção? Não dá para ser tão duro. O clube catalão teve mais de 40 contusões durante toda a temporada, sendo que vários jogadores importantes perderam quase todo o segundo turno. Com um elenco numérica e tecnicamente limitado, era difícil fazer qualquer coisa melhor nessas circunstâncias. De qualquer modo, fica o alerta para o clube gastar mais na preparação física e no departamento médico. Se essa medida fizer a diferença para classificar o time a uma competição europeia, já terá valido a pena.

A queda de rendimento do Espanyol não chega a ser surpreendente. O elenco é limitado técnica e numericamente (são 28 jogadores apenas) e dificilmente suportaria um ritmo forte de 38 rodadas. O problema é que esse elenco tem sido testado mais que o normal para uma temporada. A quantidade de lesões é tamanha que o atacante Iván Alonso chegou a dizer que só faltava alguém perder o resto da temporada por gravidez. Os espanyolistas já sofreram quase 40 contusões. Quatro jogadores (Forlín e Dátolo) ficarão de fora até o final da temporada. Outros, como Baena e David García, talvez tenham o mesmo destino. Sergio García também tem problemas, mas decidiu adiar uma cirurgia para as férias de modo a terminar o campeonato no sacrifício. Até o momento, só quatro jogadores (Callejón, Luis García, Verdù e Álvaro) não passaram pelo departamento médico. Ainda.

O técnico Mauricio Pochettino procura não jogar a responsabilidade nas lesões, mas a direção do clube já anunciou que vai fazer um estudo para descobrir o que aconteceu de errado para que tanta gente se machucasse. Um clube de recursos limitados não pode se dar ao luxo de ter metade do time na sala de musculação se quiser aspirar o topo da tabela.