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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Periquitos em baixa

 Cabisbaixo: é a tônica dos jogadores do Espanyol na atual temporada (getty images)

O fã mais afinco do futebol espanhol acostumou-se a, nos últimos anos, presenciar um Espanyol guerreiro, enjoado de derrotar e que gostava de complicar a vida dos gigantes, principalmente seu rival Barcelona. Nesta temporada, tem visto totalmente o contrário. Bastante enfraquecido em relação aos últimos anos, a tendência é os péricos disputarem algo que ainda não haviam encontrado outrora: o rebaixamento. Penúltimo colocado da Liga com nove pontos, a equipe de Maurício Pochettino já convive com o descenso desde cedo, sabendo o rumo que irá tomar.

Ontem, ganhou um fôlego nesta disputa ao derrotar, surpreendentemente, a Real Sociedad no Anoeta por 1x0. Momentaneamente, chegou a sair da zona de rebaixamento, voltando quatro horas depois, após o término de Granada 1x2 Athletic Bilbao, que tirou os bascos de lá. Na quinta-feira, o discurso utilizado por Pochettino após a derrota por 3x1 para o Sevilla, no confronto de ida da Copa do Rei, ratificou o momento negro dos barcelonistas. Perguntado sobre o motivo de ter preservado jogadores como Verdú, Raúl Rodríguez e Christian Alvárez, ele foi claro: "nós precisamos tratar as próximas partidas (da Liga Espanhola) como se fossem finais", disse.

Os últimos três resultados pela competição foram positivos. As vitórias contra Rayo Vallecano e Real Sociedad e o empate contra o Málaga na Andaluzia deram sete pontos importantes, que podem ser o diferencial lá na frente, quando a disputa apertar. Os próximos jogos exigirão mais dos comandados do treinador argentino: Osasuna (casa), Valencia (fora), Getafe (c) e Granada (f). Uma vitória ante o Osasuna, último colocado e outro forte candidato à Liga Adelante, é fundamental por ser, exatamente, um rival direto na disputa. Ganhar do Valencia no Mestalla é difícil, então o jeito é compensar contra Getafe no Cornellà e Granada nos Carménes.

Dentro de campo, os catalães são sofríveis. Um feixe de luz em meio à escuridão atende-se pelo nome de Verdu, que toma total controle do meio-campo e suas ações. A dependência é tanta que todas as jogadas só nascem do seus pés. Algo semelhante ao que aconteceu com o Deportivo há duas temporadas, quando os galegos dependiam à exaustão de Valerón e Adrián. Em Barcelona, Verdu sente a falta de um companheiro de ataque para concluir suas jogadas. O jovem Longo, emprestado pela Inter, é talentoso, mas parece ter não se adaptado ainda. Ao contrário de Philippe Coutinho, que, na temporada passada, precisou de cinco meses para mostrar um futebol decente.

A zaga, um dos principais trunfos do time nos últimos anos, também vive fase negra. A carência no jogo aéreo é enorme. Em Valladolid, num jogo que caminhava para uma vitória blanquiazul, Amat só olhou Nauzet subir e empatar o duelo. As falhas individuas múltiplas evidenciam os problemas na retaguarda. Cabe a Alvarez a missão do milagre, que nem sempre é possível. Na vitória de ontem, ele foi perfeito e saiu como o melhor em campo. Mas não será sempre que isso acontecerá.

Em crise administrativa, com média de público de 70% da capacidade do estádio, um treinador com potencial mas que se vê sem alternativas e elenco enfraquecido, o Espanyol é favorito ao rebaixamento. Mas nem tudo é (ainda) tragédia. Apesar dos resultados recentes, a equipe esboçou uma melhora considerável nas últimas semanas. A diretoria périca se especializou em fazer um mercado de inverno bastante útil nos últimos anos, com capturas positivas ao elenco. Se seguir essa tendência, há uma luz no fim do túnel de Cornellà El-Prat.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minutos negros

O Espanyol tratou a bola com violência durante 84 minutos; mas, em cinco minutos mágicos, viraram o duelo 1 contra o Mirandés (AS)

As crônicas já estavam escritas, a festa preparada e o Cornellà El Prat semi-vazio. A zebra estava pintando novamente e a história, alastrando-se. Pablo Infante era o herói por mais uma vez e a pequena Miranda se vestia para sair bem na foto. A equipe que representa a cidade, o Mirandés, estava com um pé e meio nas semifinais da Copa do Rei. A equipe, que eliminou Racing Santander e Villarreal, já está na história do futebol espanhol. Após sete temporadas, uma equipe da Segunda Divisão B voltou a disputar um jogo de quartas-de-finais da Copa.

O Mirandés, que começa a gerar simpatia à medida que avança de fase, não está satisfeito. Quer mais. Quer igualar o feito do Figueiras, última equipe da divisão inferior a chegar até a semifinal da Copa, em 2002. O Mirandés, mesmo sofrendo a virada nos minutos finais, está a ponto de emular a equipe da Catalunha. Mas quando todos os redatores já começavam a traçar os motivos de uma forte queda do Espanyol atuando em casa, cinco minutos decisivos bastaram para o rumo de todos os textos mudarem. Os blanquiazules perdiam por 2 a 0, mas com gols de Weiss, aos 40 minutos do segundo tempo, Rui Fonte, aos 43, e Verdú, aos 45, recolocaram as esperanças de volta nos demais torcedores que continuaram no Cornellà.

Os catalães, adormecidos em 84 minutos, praticavam um futebol irreconhecível, feio. A bola era tratada com violência pelos anfitriões. Mas, em um toque de mágica, os péricos resolveram despertar. Jogaram tudo para o alto. Foram buscar o resultado e dar a volta por cima. O que estava sendo uma partida história para os comandados de Carlos Pouso, treinador do Mirandés que, na coletiva antecedente à partida, havia qualificado como missão impossível uma provável vaga na semifinal, virou o pior dos pesadelos. Dominaram a partida, iam surpreendendo uma equipe da Liga BBVA, e já estava com a cabeça nas semifinais. Mas o preço por ter lutado ferozmente durante todo o duelo contra seus próprios pulmões não foi o esperado.

Os jabatos entrarão no jogo da volta, no estádio Anduva, com esperanças. Mas sabem que perderam uma oportunidade de ouro. A sensação é essa. Quando dormirem e acordarem, quando lerem e pensarem de novo, darão de conta que nem tudo está perdido. E, de fato, não está. Mas o estado nervoso de Pablo Infante, artilheiro da Copa com seis gols, é compreensível. Uma chance como essa não se pode ser desperdiçada de maneira alguma. Seja você sendo o Mirandés ou seja você sendo o Barcelona.

Apesar da remontada espetacular, o treinador blanquiazul Maurício Pochettino tem o que lamentar. Sérgio García lesionou o joelho esquerdo e será operado amanhã, podendo ficar de dois a quatro meses de fora do gramado. A promessa Álvaro Vázquez, em excelente fase, sentiu uma lesão muscular na coxa direita ainda no primeiro tempo e pediu substituição. Exames feitos imediatamente após a partida revelaram que o atacante sofreu uma ruptura no bíceps femoral, que o deixará inutilizado por quatro semanas. Novos exames serão feitos nesta quinta-feira. Vale lembrar que Pandiani já estava fora dos gramados por dois meses. O uruguaio chegou a ser convocado para a partida contra o Mirandés, mas voltou a reclamar de dores no quadríceps da perna direita e foi descartado. No momento, o treinador só tem à disposição Thievy de centroavante, embora o francês tenha sido utilizado mais recuado, jogando no lado esquerdo da linha de três.

Para os próximos confrontos, o ideal seria Rui Fonte, que entrou muito bem no jogo da Copa, começar como titular e Thievy ser deslocado à sua função de origem, jogando na referência. É a opção mais plausível, embora o canterano venha se destacando jogando nos flancos, utilizando da velocidade, um de seus principais atributos. Quando perdeu Sérgio García e Álvaro Vázquez, Pochettino apostou por improvisar Albín e continuar com o francês na esquerda, o que pode ser uma opção. Mas o ponto negativo foi que, não acostumado a jogar de centroavante, o ex-Getafe passou despercebido e "estragou" muitas das jogadas ofensivas do Espanyol. Para a partida contra o Granada, pela rodada do final de semana da Liga, o treinador périco terá que quebrar a cabeça.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Balanço Final: Espanyol

No ano de despedida de Iván De La Peña, o Espanyol ficou no quase (getty images)

Campanha: 8ª posição. 38 jogos, 15 vitórias, 4 empates e 19 derrotas. 46 gols pró e 55 gols contra.
Competição europeia: Não participou
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas-de-finais para o Atlético de Madrid
Time-base: Kameni; López, Forlín, Galán, García; Baena, Javi Márquez; Luis García, Verdú, Callejón; Osvaldo.
Os artilheiros: Osvaldo (13 gols), Luis García e Callejón (6), Verdú (5).
O técnico: Mauricio Pochettino
O destaque: Osvaldo
A decepção: Dátolo

O Espanyol chegou a frequentar a zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas despencou na reta final e quase foi alcançado por um grupo de clubes que chegou a lutar contra o rebaixamento. Decepção? Não dá para ser tão duro. O clube catalão teve mais de 40 contusões durante toda a temporada, sendo que vários jogadores importantes perderam quase todo o segundo turno. Com um elenco numérica e tecnicamente limitado, era difícil fazer qualquer coisa melhor nessas circunstâncias. De qualquer modo, fica o alerta para o clube gastar mais na preparação física e no departamento médico. Se essa medida fizer a diferença para classificar o time a uma competição europeia, já terá valido a pena.

A queda de rendimento do Espanyol não chega a ser surpreendente. O elenco é limitado técnica e numericamente (são 28 jogadores apenas) e dificilmente suportaria um ritmo forte de 38 rodadas. O problema é que esse elenco tem sido testado mais que o normal para uma temporada. A quantidade de lesões é tamanha que o atacante Iván Alonso chegou a dizer que só faltava alguém perder o resto da temporada por gravidez. Os espanyolistas já sofreram quase 40 contusões. Quatro jogadores (Forlín e Dátolo) ficarão de fora até o final da temporada. Outros, como Baena e David García, talvez tenham o mesmo destino. Sergio García também tem problemas, mas decidiu adiar uma cirurgia para as férias de modo a terminar o campeonato no sacrifício. Até o momento, só quatro jogadores (Callejón, Luis García, Verdù e Álvaro) não passaram pelo departamento médico. Ainda.

O técnico Mauricio Pochettino procura não jogar a responsabilidade nas lesões, mas a direção do clube já anunciou que vai fazer um estudo para descobrir o que aconteceu de errado para que tanta gente se machucasse. Um clube de recursos limitados não pode se dar ao luxo de ter metade do time na sala de musculação se quiser aspirar o topo da tabela.