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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O futuro de Osvaldo

Dias de Osvaldo trajando o branco e azul do Espanyol parece estar próximo do fim (cadenaser)

Segurar um jogador que está insatisfeito no elenco é algo bastante difícil. Vimos, nos últimos meses, um dos muitos exemplos disso: Agüero estava disposto a deixar o Atlético de Madrid e fez de tudo para isso acontecer. Resultado: o jogador não se reapresentou no dia pedido pelo Atlético de Madrid e, sem mais opções, a diretoria colchonera não teve outra escolha a não ser vender seu (ex) camisa 10. Na quinta-feira (28), dia da estreia dos rojiblancos na Liga Europa, o Manchester City fez de oficial a contratação de Agüero, desembolsando cerca de 45 milhões de euros.

No outro lado da país, o Espanyol tem vivido situação semelhante à do Atlético de Madrid: os péricos estão brigando para segurar seu artilheiro e destaque na temporada passada, o ítalo-argentino Osvaldo. Ou, em melhores palavras, brigando para vendê-lo por um preço, digamos, decente. O futuro do jogador tem deixado em segundo plano até mesmo a pré-temporada dos blanquiazules e a situação de Kameni, também insatisfeito na equipe e condenado ao "ostracismo". Hoje, quem parece mais próximo de contratar o atacante - e o único clube a dar uma proposta oficial pelo jogador, diga-se de passagem - é o Atlético de Madrid, justamente para suprir a ida de Agüero à Premier League. No entanto, o Espanyol parece não querer facilitar a saída de seu killer: os periquitos já negaram uma proposta de 12 milhões de euros do clube de Manzanarez.

Os dirigentes do Espanyol fixaram em 20 milhões de euros o preço final de Osvaldo. Ou seja: só pagando esse preço que o clube libera o atacante para o Atlético de Madrid. O alto preço estabelecido pelos dirigentes têm uma justificativa: a quantidade daria uma enorme injeção de capital para os cofres da instituição, que está enfraquecida. Caso o Atléti resolva pagar os 20 milhões pedidos, Osvaldo se tornaria a venda mais cara da história do segundo principal clube da Catalunha. Hoje, o Sport publicou que a intenção do Atlético de Madrid é subir a oferta para 16 a 18 milhões de euros mais o passe de dois canteranos. Fontes do clube blanquiazul asseguraram que, se essa oferta for oficial, o Espanyol estaria disposto a vender o jogador.

A provável venda do ítalo-argentino seria ótima para a caixa do clube, mas há quem esteja disposto a não querer a partida de El Matador à capital: os líderes dos ultrás do Espanyol já prometeram um protesto em caso de a negociação se concretizar. Após perder Callejón para o Real Madrid, a diretoria agiu rápido e logo anunciou o bom Albin, ex-Getafe. Mas e no caso de Osvaldo? Qual atacante do quilate dele está à disposição no mercado?

Há, também, de se fazer ressalvas: desses prováveis 20 milhões da venda de Osvaldo, nem tudo iria diretamente para o clube. Quando, no verão passado, o Espanyol o comprou em definitivo junto ao Bologna, incluiu em sua cláusula que, em caso de transferência, ele (junto com seu agente) ganharia 15% do valor da venda. Na melhor das hipóteses, Ramón Planes, novo presidente do Espanyol, teria 8 ou 9 milhões de euros disponíveis para buscar um novo centroavante para o lugar do seu homem-gol.

No caso de ambos os clubes não chegarem a um acordo pela transferência, o Espanyol teria que arcar com alguns problemas. Não só perderia uma bela oportunidade de fazer caixa econômica, como El Killer pediria um aumento de salário. O ex-Bologna já é o jogador com o maior salário do elenco, teve seu cachê aumentando no final da temporada passada e quer que sua nova condição reflita-se em sua remuneração. Com a situação que vive a instituição periquita, este seria o maior problema: agir de uma maneira oposta (aumentar o salário) com a qual vem fazendo (diminuir o salário, devido aos problemas econômicos).

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Balanço Final: Espanyol

No ano de despedida de Iván De La Peña, o Espanyol ficou no quase (getty images)

Campanha: 8ª posição. 38 jogos, 15 vitórias, 4 empates e 19 derrotas. 46 gols pró e 55 gols contra.
Competição europeia: Não participou
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas-de-finais para o Atlético de Madrid
Time-base: Kameni; López, Forlín, Galán, García; Baena, Javi Márquez; Luis García, Verdú, Callejón; Osvaldo.
Os artilheiros: Osvaldo (13 gols), Luis García e Callejón (6), Verdú (5).
O técnico: Mauricio Pochettino
O destaque: Osvaldo
A decepção: Dátolo

O Espanyol chegou a frequentar a zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas despencou na reta final e quase foi alcançado por um grupo de clubes que chegou a lutar contra o rebaixamento. Decepção? Não dá para ser tão duro. O clube catalão teve mais de 40 contusões durante toda a temporada, sendo que vários jogadores importantes perderam quase todo o segundo turno. Com um elenco numérica e tecnicamente limitado, era difícil fazer qualquer coisa melhor nessas circunstâncias. De qualquer modo, fica o alerta para o clube gastar mais na preparação física e no departamento médico. Se essa medida fizer a diferença para classificar o time a uma competição europeia, já terá valido a pena.

A queda de rendimento do Espanyol não chega a ser surpreendente. O elenco é limitado técnica e numericamente (são 28 jogadores apenas) e dificilmente suportaria um ritmo forte de 38 rodadas. O problema é que esse elenco tem sido testado mais que o normal para uma temporada. A quantidade de lesões é tamanha que o atacante Iván Alonso chegou a dizer que só faltava alguém perder o resto da temporada por gravidez. Os espanyolistas já sofreram quase 40 contusões. Quatro jogadores (Forlín e Dátolo) ficarão de fora até o final da temporada. Outros, como Baena e David García, talvez tenham o mesmo destino. Sergio García também tem problemas, mas decidiu adiar uma cirurgia para as férias de modo a terminar o campeonato no sacrifício. Até o momento, só quatro jogadores (Callejón, Luis García, Verdù e Álvaro) não passaram pelo departamento médico. Ainda.

O técnico Mauricio Pochettino procura não jogar a responsabilidade nas lesões, mas a direção do clube já anunciou que vai fazer um estudo para descobrir o que aconteceu de errado para que tanta gente se machucasse. Um clube de recursos limitados não pode se dar ao luxo de ter metade do time na sala de musculação se quiser aspirar o topo da tabela.

domingo, 28 de novembro de 2010

13ª Rodada: Noite ruim para os caseiros

Luis García vibra: em Madrid, seu Espanyol deu um passo largo rumo à Champions (AP Photos)

A abertura da décima terceira rodada não fez bem aos caseiros. Em Aragão, o Zaragoza segue mostrando um futebol decepcionante e não foi páreo para derrotar o Villarreal, que teve Marcos Senna como destaque, como há muito tempo não se via. Em Sevilla, já haviamos alertado de como o Sevilla é um time inconstante e a história se repetiu. Assim como no jogo contra o Mallorca, os sevillistas jogaram um futebol bem abaixo da média na segunda etapa e não seguraram a avalanche do Getafe. E, por fim, em Madrid, num confronto direto pela quarta vaga na Champions, melhor para o Espanyol, que derrotou o Atlético de Madrid, venceu a primeira fora de casa na competição e vai dando passos largos rumo à Champions. Destaque, novamente, para Osvaldo, que definiu a partida com um golaço.

Zaragoza 0x3Villarreal
Na segunda partida de Javier Aguirre no comando dos maños, o Zaragoza novamente decepcionou. Melhor para o Villarreal, que vai recuperando o belo futebol mostrado no início do campeonato. A vitória amarilla foi se contruindo logo no começo da partida. Num tirombaço de Marcos Senna (que até mesmo a câmera da Audiovisual perdeu, quando foram mostrar o banco de reservas do Zaragoza), que voltou a ser destaque de sua equipe, o Villarreal chegou ao primeiro gol, jogando uma ducha de água fria nos torcedores e na equipe aragonesa. Antes do tento do brasileiro naturalizado espanhol, o Zaragoza comandava as ações da partida; mas, ao contrário do que se vê no seu goleiro, parava em Diego López. Numa bola "chutada" da direita por Cazorla, que, em primeiro plano, pareciu até mais um cruzamento à área, Leo Franco mostrou-se bem desprevinido e a bola morreu nas redes. Após isso, o Villarreal jogou bem tranquilo e só passou por - raros - apuros porque sua linha de quatro jogou bem adiantada. Com Bruno jogando de enganche (como Messi no 4-1-2-1-2 de Guardiola) no 4-3-1-2, Nilmar e Rossi têm muita facilidade para criar perigo na frente.

Mais uma vez, o Zaragoza evidênciou os problemas que tem quando joga com a posse de bola. Mostra-se uma equipe ineficaz e fraca, que não consegue criar uma jogada de perigo e que depende de alguns lampejos de Ander Herrera. É um time que precisa urgentemente de reforços em janeiro, começando do gol. Leo Franco não consegue cumprir às expectativas e, a cada rodada, só decepciona e entristece os torcedores Aragoneses. A efetividade do Villarreal é um ponto chave. O conjunto de Juan Carlos Garrido (que renovou seu contrato por mais quatro anos nesta semana) é uma equipe bem certinha, sólida, que sabe matar a partida.

Sevilla 1x3 Getafe
Com o estádio Ramón Sánchez-Pizjuán encharcado pelas fortes chuvas que caíam sobre a região da Andaluzia neste sábado (que chegou a suspender o jogo entre Bétis x Barcelona B, pela Liga Adelante), o Sevilla deu vexame, confirmando a má fase quando joga perante a sua torcida. Há uma semana, a equipe alvirrubra já havia perdido para o Mallorca, por 2 a 1. Melhor para o Getafe, que recuperou a credibilidade. A reação dos azulones veio toda na segunda etapa, ratificando a ideia de que o time tomou um esporro de Míchel nos vestiários. O Sevilla em nenhum momento, nem quando teve o marcador a favor com o gol de Kanouté, mostrou-se uma equipe segura. Não assustou o Getafe, que chegava frágil psicologicamente. A vitória serviu para dar oxigênio a Míchel, que estava com o cargo ameaçado. O gol de Kanouté serviu para o malinês superar Suker e torna-se o quarto maior artilheiro da história do Sevilla em competições nacionais. Já o gol de Manu, o empate, foi o de número 300 do Getafe em La Liga. Após as vaias no final da partida, restou a Manzano apenas pedir desculpas à torcida.

Atlético de Madrid 2x3 Espanyol
A Catalunha abriu 1 a 0 em confrontos contra a capital nesta rodada. Numa grande partida de duas equipes que brigam por Champions, o Espanyol venceu graças a um golaço de Osvaldo no minuto 77. Desta vez, o ítalo-argentino foi mais decisivo que Agüero e Forlán: seu gol valeu três pontos. Os péricos saíram na frente em Madrid com um pênalti polêmico. Luis Garcia cobrou falta na entrada da área a carimbou a barreira. Delgado Ferreira entendeu que a bola bateu na mão de Reyes e marcou a penalidade. O próprio Garcia cobrou e fez. O Atlético de Madrid não se abateu e empatou no último minuto do primeiro tempo. Após escanteio da direita, Tiago cabeceou, Kameni defendeu, Godín pegou o rebote, acertou a trave e, na terceira chance, o português fez. No final do jogo, uma pequena confusão envolvendo Quique Sanchéz Flores e Luis García foi instalada.

domingo, 29 de agosto de 2010

Resumo: 1ª Rodada

Para tirar o Barcelona do topo, o Real Madrid contratou Mourinho. Mas a maneira que o time jogou contra o Mallorca é a mesma da gestão de Pellegrini (getty images)

A primeira rodada da Liga Espanhola não é o melhor momento para se tirar opiniões de o que pode ser a temporada de um clube. Também não é o melhor momento para se tirar satisfações ou elogiar ao extremo uma equipe. Mas o que os torcedores viram do Real Madrid em Palma de Mallorca, contra o Mallorca, requer mais preocupação do que otimismo.

No Ono Estadi, entrava um Mallorca totalmente desacreditado por parte dos acompanhantes da Liga após a péssima pré-temporada e a venda dos principais jogadores. Porém, os baleares jogaram na base da raça, da vontade, do amor à camisa e seguraram o Real Madrid de José Mourinho. Com o 4-3-2-1 prometido, Mourinho surpreendeu ao colocar Canales no lugar de Özil O primeiro tempo foi bem parelho, com chances claras para as duas equipes. O Real Madrid procurava abrir o espaço da zaga bermellona, bem postada em campo, com a habilidade de Cristiano Ronaldo. E foi com o português que os blancos criaram as suas melhores chances na primeira etapa, que ainda viu Gonzalo Castro acertar um belo chute de esquerda rente à trave esquerda de Casillas. No segundo tempo, Mourinho lançou mão do recheado banco de reservas para mudar o jogo. Entraram em campo Karim Benzema, Mesut Özil e Sami Khedira. As alterações melhoraram a equipe, que passou a criar mais jogadas pelos lados do campo e conseguir penetrações, especialmente com os passes de Özil. Apesar da pressão, o time não conseguiu marcar e ficou no empate sem gols.

E quem está sorrindo à toa com o empate do Real Madrid, é, sem dúvidas, o Barcelona. Principal rival do time da capital, os blaugranas não precisaram se esforçar muito para saírem do El Sardinero com uma vitória convincente. Logo aos dois minutos de jogos, Messi recebeu passe de Iniesta, passou por Henrique - jogador do Barcelona cedido ao Racing Santander por uma temporada - e, com a perna direita, deu um sútil toque para encobrir o goleiro Toño. No time titular culé, Guardiola surpreendeu ao colocar Iniesta na direita, dando mais liberdade para o meio-campista. E foi o camisa 8 blaugrana o autor do segundo gol da partida. Após tabela entre Messi e Villa, Messi disputou a bola no alto com Toño, que espalmou pra frente. Percebendo o goleiro adiantado, Iniesta o encobriu fazendo dois a zero. Ainda na primeira etapa, pênalti duvidoso que Delgado Ferreira marcou de Maxwell em Francis. Na cobrança, Valdés pulou firme para pegar o chute de Tchité. Villa ainda iria esperar para marcar o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená. No finalzinho da primeira etapa, o Guaje recebeu belo passe de Xavi e colocou no cantinho de Toño. Quando correu para comemorar, Villa percebeu que teve seu gol - corretamente - anulado pelo bandeirinha. Mas não havia jeito: aos 17 minutos, Messi fez boa jogada pelo meio e abriu para Daniel Alves, que descia pela direita. O brasileiro levantou a cabeça e cruzou na cabeça de Villa, que, sem sair do chão, cabeçeou firme para, enfim, marcar o terceiro do Barcelona e o seu primeiro gol oficial com a camisa azulgrená.

O Barcelona começou bem sua largada rumo ao terceiro título consecutivo, feito que os blaugranas só conseguiram uma vez na história, e com Guardiola como jogador do time ( 1990-91, 1991-92 e 1992-93). Após três anos na Liga Adelante, 25 mil torcedores foram ao estádio Anoeta para prestigiar o retorno da Real Sociedad à primeira divisão da Liga Espanhola. E foram recompensados. Os bascos sofreram um pouco no começo do jogo, quando o Villarreal, embalado pela classificação à fase de grupos da Liga Europa, começou melhor a partida, pressionando. A partir dos 15 minutos do primeiro tempo, o jogo passou a ficar mais equilibrado, com ambas as equipes perdendo boas oportunidades de gol. As coisas começaram a mudar na segunda etapa. A Real Sociedad voltou com mais vontade dos vestiários, e passou a dominar o adversário. Até que aos 12 minutos, Xabi Prieto recebeu belo passe de calcanhar de Joseba Llorente - ex-jogador do Villarreal - e chutou no contra-pé de Diego López para abrir o placar. A entrada do equatoriano Montero no submarino amarelo animou um pouco o time, graças ao perigo que o Villarreal levava com as suas finalizações, mas não alterou o resultado. E da-lhe festa no Anoeta.

Para completar a festa que vive o País Basco, o Athletic Bilbao derrotou o Hércules, no jogo que abriu a Liga BBVA 10-11. Contando com o apoio da fanática torcida, o Hércules, de volta à Liga BBVA depois de 13 anos, não pôde contar com Haedo Valdéz, principal contratação dos blanquiazules para a temporada, que ficou de fora da partida por lesão. Velthuizen, Sarr e Pulhac tampouco foram pro jogo, por estarem sem ritmo de jogo. O jogo também foi uma nostalgia para os torcedores herculanos: o último jogo de Liga BBVA que o estádio Rico Pérez havia presenciado, há 13 anos, foi exatamente uma partida contra o Athletic Bilbao - que terminou empatada por um a um. Na partida, vimos um Hércules pecando demais nas finalizações. Aos 25 minutos, Portillo recebeu belo passe de Abel Aguilar e, cara a cara com Iraizoz, bateu em cima do arqueiro basco. Com Javi Martínez pouco participativo, a criação do Athletic Bilbao se via nula e os leones foram acurraçados pelos blanquiazules. O Athletic fez um péssimo primeiro tempo, mas voltou à segunda etapa letal: na saída de jogo, Llorente, aproveitando falta cruzada à área por Susaeta, abriu o placar para os Leones. Apesar de saírem vencedores, o Athletic Bilbao levou uma péssima notícia para casa: após choque violento com Sendoa, Toquero acabou levando a pior. Fritzler, um dos reforços do time de Alicante, que fez boa partida, acabou sendo expulso, após fazer falta boba em Javi Martínez. Inicio ruim do Hércules, que na próxima rodada enfrenta o Barcelona, no Camp Nou. Derrota à vista?

O sábado também viu as estreias de Valencia e Sevilla. Os chés, cheios de dúvidas para uma temporada que não terá Silva e Villa e que terá que contar, sobretudo, com uma ótima temporada de Mata e Pablo Hernández, aproveitaram os numerosos erros da defesa do Málaga para conseguir o triunfo por três a um. Excelente partida de Joaquín, autor de dois gols, que pareceu voltar aos melhores tempos, levando a sete de Villa em suas costas. Em campo, um Valencia aniquilador e em busca da vitória. Logo aos 40 segundos de partida, Banega e Albelda tiveram chance de estrear o marcador. Os dois deram bastante dificuldades para Sandro Silva e Fernando, que não estavam conseguindo acompanhá-los. Nos flancos, Vicente e Joaquín ganhavam todas de seus marcadores. E o primeiro gol logo saiu. Em uma de suas maiores virtudes, o cabeçeio, Áduriz aproveitou cruzamento de Banega para testar firme às redes de Munúa. O Málaga viria a dar um duro golpe nos chés no final da primeira etapa: em cobrança de falta, Sebastián Fernández, um dos estreantes da noite, venceu César para igualar o marcador. O gol do Málaga mudou o rumo da partida, e o início da segunda etapa foi bem distinto daquele visto no primeiro tempo. Quando o Valencia era sufocado, eis que apareceu Joaquín para decidir. Primeiro, o espanhol fez linda jogada pela esquerda, ao melhor estilo Villa, para marcar o segundo gol do Valencia; depois, recebeu de Áduriz para chutar firme e pôr pontos finais na vitória valenciana.

No jogo de encerramento do sábado, entrava um Sevilla pressionado pelos vexames sofridos nos últimos jogos - mais precisamente, um Antonio Álvarez pressionado. Os rojiblancos se recuperaram da duríssima semana vivida a base de gols ante o Levante, rival ideal para esses momentos. Pelo menos isso foi o que foi visto na noite de sábado. E o fez se sobrepondo ao duro golpe de levar um gol sem ao menos merecer, graças ao controle de jogo no meio de campo e ao oportunismo goleador de Konko, que marcou duas vezes. Os jogadores de Álvarez se dispõem de tempo suficiente a partir de agora para se reajustarem e esquecerem definitivamente do desastre europeu e da horrível imagem no Camp Nou.

O domingo viu dois empates insonsos e sonolentos entre Almería e Osasuna e Deportivo e Zaragoza. Os dois por zero a zero. Na Catalunha, Osvaldo, que teve seu empréstimo renovado pelo Espanyol por mais uma temporada, deu show! O ítalo-argentino continua fazendo gols providenciais para o esquecimento de Tamudo, que transferiu-se à Real Sociedad. Dessa vez, um doblete na bela vitória dos péricos sobre o Getafe por três a um. O outro gol foi marcado por Dátolo, jogador contratado para dar o upgrade no meio-campo que Nakamura não deu. No encerramento da rodada, um super Atléti! A despedida de Jurado, que fez boa partida, foi marcado por uma goleada dos rojiblancos por quatro a zero.

Pelo resultado, os Colchoneros lideram La Liga, por terem ficado sem sofrer gols. A vitória começou a ser construída ainda no primeiro tempo. O primeiro gol surgiu logo aos 11 minutos: após escanteio, Raúl García ajeitou com o pé para o chute forte de José Manuel Jurado, que foi no ângulo direito do goleiro Juan Pablo. Depois, Diego Forlán ampliou, aos 40, completando jogada de Sergio Agüero. O próprio Forlán ampliou a vitória, marcando aos 17 minutos do segundo tempo. Jurado fez jogada individual pela direita, e tocou a Tomas Ujfalusi, que cruzou rasteiro para que o uruguaio completasse, com o gol vazio. E, finalmente, nos acréscimos, aos 48 minutos, Simão Sabrosa completou a goleada, ao cortar para o meio e bater da meia-lua, no ângulo esquerdo de Juan Pablo, marcando belo gol.

CRAQUES DA RODADA:
Diego Forlán (Atlético de Madrid)
Lionel Messi (Barcelona)
Osvaldo (Espanyol)
Joaquín (Valencia)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Jogadores: Raúl Tamudo

Tamudo e o gol, batizado de Tamudazo pelos torcedores do Espanyol, que calou o Camp Nou: tento que tirou o título do Barcelona na temporada 06/07 (reuters)

Sem sombra de dúvidas, as despedidas de Guti e Raúl, no Real Madrid (já previstas desde o embalo da temporada 09/10), causaram um grande impacto na mídia. Mas, entre outras despedidas "melancólicas" que estão rolando na Espanha, um outro grande ícone e ídolo de um clube espanhol também está se despedindo. Ele é Raúl Tamudo, o baixinho atacante do Espanyol. Ao contrário de Guti, Raúl, no Real Madrid, e Baraja, no Valencia, a despedida do El León de Santa Coloma foi um pouco mais triste: o motivo de seu adeus foi uma briga com a diretoria périca, no início do segundo semestre. Um dos grandes motivos para o clube blanquiazul ir até a Itália contratar Osvaldo, do Bologna, que rapidamente supriu a presença de Raúl no ataque périco com alto estilo: em apenas cinco meses, o ítalo-argentino tornou-se o artilheiro dos catalões na temporada.

Pois bem, a história de Tamudo com a Liga Espanhola começou no ano de 1997. Na liga dessa temporada, o Espanyol, em um jogo de vida ou morte contra o Hércules, viajava até a Comunidade Valenciana, mas precisamente na cidade de Alicante, para jogar contra os blanquiazules do Hércules, no estádio José Rico Pérez. Em uma partida direta para decretar o último rebaixado para a Liga Adelante da temporada 97/98, Tamúdo anotou o seu primeiro gol com a camisa blanquiazul, abrindo o placar na partida, rebaixando o Hércules e, assim, salvando o Espanyol do perigo.

Depois de uma temporada revezando entre a equipe A e a filial, o Espanyol resolveu cedê-lo duas temporadas consecutivas para o Deportivo Alavez e o Elche, respectivamente. Após os anos cedidos para clubes diferentes, El León voltou ao Montjuïc totalmente preparado para triunfar. Na temporada 99-00, Tamudo, 3 temporadas depois, voltava a salvar o Espanyol do decenso. Após o feito, o atacante foi promovido à capitão do clube périco, tornando-se, desde então, ídolo do clube de Barcelona.

Em 2001, após tornar-se herói da conquista da Copa del Rey do Espanyol, Tamudo recebeu uma oferta dos escoceses do Glasgow Rangers e, sofrendo uma grave crise interna, o Espanyol resolveu aceitar... o que gerou uma insatisfação enorme da torcida périca, que resolveu fazer um protesto no dia que o acordo foi confirmado. Mas algo que quase ninguém acreditava aconteceu: após fazer exames médicos para o Rangers, o médico do clube escocês disse que o espanhol não teria condições ótimas para fechar com o clube da capital, já que sofreu uma lesão na perna esquerda na final das Olimpíadas. Ironicamente, o autor de sua lesão foi Pierre Wome, jogador que acabaria virando seu companheiro de clube, temporada depois. Dois dias depois de sua contratação ser abortada pelo clube escocês, Tamudo marcava três gols em um jogo pelo Espanyol na Copa da UEFA.

No dia 26 de outubro de 2006, o atacante catalão marcou seu gol de número 100 com a camisa périca, ante o Racing Santander. Gol que rendeu homenagens do clube e da torcida périca. Ainda nessa temporada, mas no ano de 2007, superou Rafa Marañón como maior artilheiro da história do Espanyol, o que o colocou em definitivo na lista dos maiores ídolos do clube. Os dois gols que o fizeram superar essa marca, foram, talvez, os gols mais importantes da carreira de Tamudo. Os tentos foram marcados no mês de junho, em uma partida contra o Barcelona, no Camp Nou, que acabaram tirando o título da liga dessa temporada do clube azulgrená, maior rival do Espanyol.

Em Julho de 2009, Mauricio Pochettino, treinador do Espanyol, anunciou que havia chegado a um acordo com Tamudo para que este, depois de oito temporadas como capitão da equipe, cedesse a braçadeira a Daniel Jarque - que logo após foi repassada para Iván de la Peña, após Jarque falecer precocemente durante a pré-temporada périca. Esse gesto esfriou a relação do futebolista com o clube, que solicitou uma baixa em sua cláusula de rescisão de contrato, para facilitar a sua saída. Apenas no dia 8 de maio, trás uma partida do Espanyol contra o Osasuna, é que o atacante pôde se despedir dos afficcionados, jogando 27 minutos da partida.

Pela Seleção Espanhola, joga desde 2000, tendo disputado as Olimpídas daquele ano, em que foi medalha de prata. Apesar de ser usualmente convocado pela equipe, tendo média de 0,5 gol por jogo (marcou 5 vezes em 10 partidas), não disputou nenhum torneio oficial posteriormente pela Furia - nem as três Copas do Mundo seguintes, nem a Eurocopa 2004. Também ficou de fora da lista de Luis Aragonés para a Eurocopa 2008, embora tenha feito um gol decisivo nas eliminatórias para o torneio, contra a Dinamarca, abrindo caminho para uma vitória por 3 a 1 fora de casa que classificou a Espanha para a competição já na antepenúltima rodada, e da lista de Vicente del Bosque para a Copa de 2010.

RAÚL TAMUDO
Nascimento: 19 de outubro de 1997, em Santa Colona de Gramenet, Barcelona.
Posição: atacante.
Clubes: Espanyol (1992-2010).
Títulos: Copa del Rey (00-01; 06-07). Vice-Olímpico de 200.

Balanço Final: Espanyol

Em mais uma temporada com bastante segurança, o camarones Kameni foi o grande destaque périco na temporada (AP)


ESPANYOL


Técnico: Mauricio Pochettino
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Carlos Kameni (goleiro)
Artilheiro: Osvaldo (7 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um cenário parecido com o do Deportivo (próximo clube da matéria especial). O ataque foi tenebroso, o pior do campeonato. Mas a defesa funcionou e ajudou o segundo clube de Barcelona a ficar longe do rebaixamento.

Verdú foi a principal figura do meio para a frente, mas a queda de rendimento de ícones como Iván de la Peña e Tamudo (esse último teve problemas com Pochettino e já anunciou a saída, mesmo sendo reconhecido como um dos maiores jogadores da história do clube) ainda não foi contornada. Ao menos, a torcida conta com um novo estádio, que deu impulso aos resultados do time em sua casa.