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domingo, 19 de dezembro de 2010

16ª Rodada (1ª parte): Quem para o Barcelona?

Com 26 gols em 5 partidas, o Barcelona fez de vítima mais um rival. Quem para? (reuters)

Nas temporadas anteriores, o Barcelona sagrou-se bi-campeão, mas sem conseguir vencer os seus rivais (Real Madrid e Espanyol) por quatro vezes consecutivas. Em 2008/09, venceu o Real Madrid duas vezes e o Espanyol apenas uma - na outra, foi derrotado no Camp Nou por 2 a 1. Na temporada passada, a dose se repetiu, com um empate por 0 a 0 no Cornellá El-Prat. Na atual temporada, porém, o Barcelona já conseguiu o mais difícil: depois de vencer o superclássico por 5 a 0, os blaugranas impusseram ao seu rival regional sua maior derrota na temporada. Em uma nova manita, mas dessa vez recebendo um gol, o Barcelona venceu o Espanyol e terminarão 2010 na liderança da competição.

Quem também vem fazendo uma grande campanha é o Villarreal. Com direito a um golaço de Nilmar, o Submarino Amarelo venceu o Mallorca e se consolidou na terceira posição. O Valencia se recuperou do tropeço ante o Osasuna e, contra a Real Sociedad, virou uma partida dificílima para assegurar a quarta posição.

Espanyol 1x5 Barcelona
No derby barceloní, um jogo bem semelhante com o superclássico. O Barcelona terminou o intervalo vencendo por 2 a 0 com gols de Xavi e Pedro, Villa marcou duas vezes, Messi não marcou, mas deu assistência para dois gols. Resultado: Cinco gols a favor dos azulgrenás. As únicas diferenças, foram que Pedro marcou duas vezes e Victor Valdés sofreu um gol. Pela primeira vez na história da competição, uma equipe que vinha de sete vitórias dentro de casa (Espanyol) receberia uma que vinha de sete vitória fora de casa (Barcelona). A nova manita do Barcelona, aliás, é bem expressivo. Até então, o Espanyol havia sofrido apenas dois gols em sete partidas disputadas em seu estádio. Levou mais que o dobro num único jogo.

Messi, assim como contra o Real Madrid, não marcou, mas participou diretamente de quatro dos cinco gols. Pedro, por sua vez, segue numa evolução enorme. O garoto, que em 2009 marcou gols em todas as competições que o Barcelona disputou, foi o melhor em campo no derby e deixou sua marca por duas vezes.

Após abrir 3 a 0, o Barcelona relaxou na partida e Osvaldo, que, até então, estava sendo muito bem marcado por Puyol, diminuiu para os péricos, que impussionados por sua fanática torcida, passaram a sufocar os rivais. Osvaldo ainda teve chance de marcar o segundo e colocar fogo na partida; mas, cara a cara com Valdés, acabou pegando mal na bola. Porém, David Villa tratou de acabar com qualquer chance de reação dos donos da casa nos minutos finais do duelo. Ele anotou o quarto do Barcelona, após passe de Messi, aos 30, e o quinto gol, após passe de Xavi, aos 39, dando números finais ao derby. Mesmo humilhada, a torcida périca deu um gesto de solidariedade. Iniesta foi o único jogador do Barcelona aplaudido. Ele doou à diretoria périca a camisa em homenagem ao Jarque que ele usou na final da Copa. Quando substituido, o meio-campista foi ovacionado por todo o Cornellá El-Prat.

Com os cinco gols, o Barcelona chegou a expressiva marca de vinte e seis gols nas últimas cinco partidas. Feito que não acontecia desde 1959, com o Real Madrid de Di Stefano. Estamos vendo a história ser escrita?

Villarreal 3x1 Mallorca
Sem fazer nada de espetacular, bastou ao Villarreal ser eficiente para vencer o Mallorca. Os gols de Cazorla, Rossi e Nilmar neutralizaram os baleares, que em momento algum - mesmo quando empatou a partida - ofereceram muito perigo aos amarillos. O golaço da partida ficou por conta de Nilmar. O brasileiro recebeu belo passe de Borja Valero, antecipou-se a Ramis e, com categoria, encobriu Aouate, que nada pôde fazer. A de se destacar a bela partida de Rossi. O ítalo-americano foi um perigo à meta de Aouate e participou dos dois primeiros gols. Após o gol de Nilmar, o ritmo da partida diminuiu e ficou bem calma. O Vilarreal encerra 2010 na terceira posição e o Mallorca com três derrotas consecutivas.

Real Sociedad 1x2 Valencia
Lasarte temia o espirito cameleónico do Valencia, a sua versatilidade, sua capacidade - e como - de surprender. Já Emery, pressionado, sufocado, liderando uma equipe que é um feixe de nervos, deicidu puxar tudo. A partida em San Sebastian começou com o Real Sociedad mais intenso ofensivamente. Em cobrança de pênalti, o time da casa marcou com o meia Xabi Prieto, aos 23 minutos do primeiro tempo. A partir daí, o Valencia acordou na partida e Tino Costa empatou no último lance do primeiro tempo. Os chés chegaram à virada após erro de Bravo e jogada individual de Áduriz dentro da área, selando a vitória valencianista.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Jogadores: Raúl Tamudo

Tamudo e o gol, batizado de Tamudazo pelos torcedores do Espanyol, que calou o Camp Nou: tento que tirou o título do Barcelona na temporada 06/07 (reuters)

Sem sombra de dúvidas, as despedidas de Guti e Raúl, no Real Madrid (já previstas desde o embalo da temporada 09/10), causaram um grande impacto na mídia. Mas, entre outras despedidas "melancólicas" que estão rolando na Espanha, um outro grande ícone e ídolo de um clube espanhol também está se despedindo. Ele é Raúl Tamudo, o baixinho atacante do Espanyol. Ao contrário de Guti, Raúl, no Real Madrid, e Baraja, no Valencia, a despedida do El León de Santa Coloma foi um pouco mais triste: o motivo de seu adeus foi uma briga com a diretoria périca, no início do segundo semestre. Um dos grandes motivos para o clube blanquiazul ir até a Itália contratar Osvaldo, do Bologna, que rapidamente supriu a presença de Raúl no ataque périco com alto estilo: em apenas cinco meses, o ítalo-argentino tornou-se o artilheiro dos catalões na temporada.

Pois bem, a história de Tamudo com a Liga Espanhola começou no ano de 1997. Na liga dessa temporada, o Espanyol, em um jogo de vida ou morte contra o Hércules, viajava até a Comunidade Valenciana, mas precisamente na cidade de Alicante, para jogar contra os blanquiazules do Hércules, no estádio José Rico Pérez. Em uma partida direta para decretar o último rebaixado para a Liga Adelante da temporada 97/98, Tamúdo anotou o seu primeiro gol com a camisa blanquiazul, abrindo o placar na partida, rebaixando o Hércules e, assim, salvando o Espanyol do perigo.

Depois de uma temporada revezando entre a equipe A e a filial, o Espanyol resolveu cedê-lo duas temporadas consecutivas para o Deportivo Alavez e o Elche, respectivamente. Após os anos cedidos para clubes diferentes, El León voltou ao Montjuïc totalmente preparado para triunfar. Na temporada 99-00, Tamudo, 3 temporadas depois, voltava a salvar o Espanyol do decenso. Após o feito, o atacante foi promovido à capitão do clube périco, tornando-se, desde então, ídolo do clube de Barcelona.

Em 2001, após tornar-se herói da conquista da Copa del Rey do Espanyol, Tamudo recebeu uma oferta dos escoceses do Glasgow Rangers e, sofrendo uma grave crise interna, o Espanyol resolveu aceitar... o que gerou uma insatisfação enorme da torcida périca, que resolveu fazer um protesto no dia que o acordo foi confirmado. Mas algo que quase ninguém acreditava aconteceu: após fazer exames médicos para o Rangers, o médico do clube escocês disse que o espanhol não teria condições ótimas para fechar com o clube da capital, já que sofreu uma lesão na perna esquerda na final das Olimpíadas. Ironicamente, o autor de sua lesão foi Pierre Wome, jogador que acabaria virando seu companheiro de clube, temporada depois. Dois dias depois de sua contratação ser abortada pelo clube escocês, Tamudo marcava três gols em um jogo pelo Espanyol na Copa da UEFA.

No dia 26 de outubro de 2006, o atacante catalão marcou seu gol de número 100 com a camisa périca, ante o Racing Santander. Gol que rendeu homenagens do clube e da torcida périca. Ainda nessa temporada, mas no ano de 2007, superou Rafa Marañón como maior artilheiro da história do Espanyol, o que o colocou em definitivo na lista dos maiores ídolos do clube. Os dois gols que o fizeram superar essa marca, foram, talvez, os gols mais importantes da carreira de Tamudo. Os tentos foram marcados no mês de junho, em uma partida contra o Barcelona, no Camp Nou, que acabaram tirando o título da liga dessa temporada do clube azulgrená, maior rival do Espanyol.

Em Julho de 2009, Mauricio Pochettino, treinador do Espanyol, anunciou que havia chegado a um acordo com Tamudo para que este, depois de oito temporadas como capitão da equipe, cedesse a braçadeira a Daniel Jarque - que logo após foi repassada para Iván de la Peña, após Jarque falecer precocemente durante a pré-temporada périca. Esse gesto esfriou a relação do futebolista com o clube, que solicitou uma baixa em sua cláusula de rescisão de contrato, para facilitar a sua saída. Apenas no dia 8 de maio, trás uma partida do Espanyol contra o Osasuna, é que o atacante pôde se despedir dos afficcionados, jogando 27 minutos da partida.

Pela Seleção Espanhola, joga desde 2000, tendo disputado as Olimpídas daquele ano, em que foi medalha de prata. Apesar de ser usualmente convocado pela equipe, tendo média de 0,5 gol por jogo (marcou 5 vezes em 10 partidas), não disputou nenhum torneio oficial posteriormente pela Furia - nem as três Copas do Mundo seguintes, nem a Eurocopa 2004. Também ficou de fora da lista de Luis Aragonés para a Eurocopa 2008, embora tenha feito um gol decisivo nas eliminatórias para o torneio, contra a Dinamarca, abrindo caminho para uma vitória por 3 a 1 fora de casa que classificou a Espanha para a competição já na antepenúltima rodada, e da lista de Vicente del Bosque para a Copa de 2010.

RAÚL TAMUDO
Nascimento: 19 de outubro de 1997, em Santa Colona de Gramenet, Barcelona.
Posição: atacante.
Clubes: Espanyol (1992-2010).
Títulos: Copa del Rey (00-01; 06-07). Vice-Olímpico de 200.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A missão de Pochettino

Pochettino armou um esquema que anulou os pilares do Barça e consequentemente o próprio Barça (AS)


Uma semana depois de vencer o Real Madrid no Santiago Bernabéu – e ficar com cara de que o título estava no papo –, o Barcelona tropeçou no Espanyol no dérby barceloní e viu a vantagem na ponta cair a um ponto. Não foi um grande negócio sair com o 0 a 0 do Cornellà-El Prat, mas é injusto condenar o Barça. Afinal, os péricos foram perfeitos em anular os blaugranas, de um modo que, talvez, apenas o Rubin Kazan e a Inter de Milão tenha feito.

O Espanyol se fechou. A linha defensiva (Chica, Pareja, Victor Ruiz e Didac) não avançou. Aos quatro se uniram os volantes Baena e Forlín e até o meia Callejón. Com isso, a intermediária ficou congestionada, quebrando a velocidade do Barcelona. Messi não conseguiu se deslocar e Xavi ficou preso no meio. Claro, se fosse tão simples, todo mundo faria isso para segurar o Barça. Mas o time de Mauricio Pochettino contou com outros dois elementos: o Barcelona estava sem jogadas pelas pontas (Pedro não teve uma grande noite, Maxwell ficou de meia ofensivo por falta de opções – Ibrahimovic ainda volta de contusão e só jogou no segundo tempo – e Daniel Alves foi injustamente expulso) e cada jogador espanyolista atuou com a dedicação de quem estava em final de Copa do Mundo. Não houve jogo, na prática. Um time tentou anular o outro e conseguiu. Simples assim.

É compreensível. Considerando que uma vaga para competição europeia era ilusão, o torcedor périco tinha apenas dois desejos para a temporada: não rebaixar e não perder para o Barcelona no primeiro derby barceloní do estádio Cornellà-El Prat. E foi para isso que Pochettino organizou a equipe. Vencer era muito menos importante do que não perder. Até o contra-ataque foi sacrificado em nome de um jogo travado.

Os críticos podem chamar de antijogo. Mas o Espanyol teve seus motivos para elaborar essa estratégia. E o fez com sucesso. Se esse empate tirar o título do Barça, a torcida espanyolista ficará ainda mais satisfeita. E terá valido a pena.