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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Porque Messi é barcelonista

Barcelona começa temporada do jeito que terminou a última: comemorando título - e com Messi decidindo, de praxe (getty images)

Na temporada passada, logo após a primeira semifinal da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Barcelona, Mourinho soltou uma célebre frase sobre a expulsão de Pepe: "por que expulsaram Pepe se ele não fez nada? Por quê?". De maneira irônica, o "por que" proferido pelo técnico de Setubal virou até cântico da torcida do Barcelona (no ritmo de olé). Ontem, após a vitória do Barcelona contra o Real Madrid no jogo de volta da Supercopa, confirmando o título dos blaugrana, Mourinho novamente deve ter soltado um "por que", seguindo de "eu não entendo como eles nos venceram mesmo jogando um futebol inferior ao nosso". A resposta para a vitória azulgrená tem nome e sobrenome: Lionel Messi.

Ontem, o argentino domou o Real Madrid. Foram, além de dois gols e um assistência genial, muitas jogadas objetivas e boas tabelas com Pedro e Villa. Mesmo com a marcação direta de Khedira e cobertura de Pepe, La Pulga mostrou a raça argentina com a habilidade e maestria em suas conclusões em chutes a gol que lhe é peculiar. Destaque também para Daniel Alves: o brasileiro pouco apareceu nas jogadas ofensivas do Barcelona preocupado com a marcação em Cristiano Ronaldo. Mesmo assim, o lateral baiano anulou o gajo em todo o segundo tempo, e jogando limpo, sempre com carrinhos leais, na bola.

Os blancos começaram a partida marcando em cima, obrigando Piqué, Mascherano e Abidal a darem chutes para frente. A estratégia, utilizada por Mourinho nas semifinais contra a Inter de Milão em 2009/2010, quase deu certo, não fosse por três detalhes: Messi, Iniesta e, como de praxe, posicionamento adiantado de Sergio Ramos. O andaluz voltou a jogar muito em linha e deu condições para que Iniesta não ficasse em impedimento no lance do primeiro gol blaugrana. O lance lembrou muito o segundo tento de Villa no primeiro confronto entre as duas equipes na temporada passada, pela Liga Espanhola. O Real Madrid já vinha por merecer um gol, e chegou a este através de Cristiano Ronaldo (ou Sergio Ramos), após boa jogada de Benzema na esquerda.

Entretanto, o Barcelona continuou exercendo seu futebol ofensivo, não se abalando com a pressão merengue. O gol de desempate mostrou por que o time da Catalunha é o dono do futebol no momento. Após escanteio cobrado por Xavi, Messi dominou na entrada da área e tabelou com Piqué. O zagueiro, por sua vez, mostrou uma categoria enorme ao devolver a bola à Pulga utilizando o calcanhar. Frente a Casillas, Messi, após deixar Pepe, Ricardo Carvalho e Cristiano Ronaldo para trás, tocou por cima do capitão merengue com a direita para (re)colocar o Barcelona à frente do marcador novamente.

O primeiro tempo tão parelho animou Mourinho, que resolveu colocar sua equipe para cima nos quarenta e cinco minutos finais. A entrada de Marcelo no lugar de Khedira deu mais dinamismo ao Real Madrid, que passou a jogar mais pelo meio do campo com o deslocamento de Fabio Coentrão à volância. Com a saída do alemão, Xabi Alonso passou a ficar mais atento a Messi, que passou uma parte do segundo tempo sumido. A opção de jogar mais pelo flancos deu-se pela má partida de Özil. O turco-alemão, que foi substituído por Kaká em meados da segunda etapa, passou batido da partida e, novamente, foi anulado por Busquets.

Disposto a empatar a partida à qualquer custo, Mourinho mexeu novamente e trocou o módulo tático da equipe: saiu Di María (dessa vez bem) e entrou Higuaín, o que fez com que o Real Madrid passasse a jogar no 4-4-2 como na época de Pelegrinni. Logo após a troca, os blancos chegaram ao gol de empate com Benzema. O francês começa a temporada a mil e, somando os gols da pré-temporada, já contabiliza 10 tentos. Como no Bernabéu, Karim foi de novo o melhor em campo pelo lado madrilenho e, com o futebol que Higuaín vem jogando, dificilmente não será titular (a não ser que se lesione) no início do campeonato espanhol.

Perto do final do jogo, e com o marcador marcando 2 a 2, Guardiola promoveu a estreia de Fàbregas, que entrou no lugar de Busquets. Cesc mostrou ter estrela: aos 43 minutos, o ex-Arsenal recebeu de Xavi e tocou para Messi, que, por sua vez, acionou Adriano rapidamente na direita. O brasileiro cruzou na medida para a Pulga, que finalizou com força para vencer Casillas, chegar ao doblete na partida e tornar-se o maior artilheiro da história das Supercopas espanholas com oito gols. Este foi, aliás, o décimo-quarto gol do argentino em cima do goleiro espanhol.

Os minutos finais ficaram reservados para confusão. Após uma tesoura de Marcelo em cima de Fàbregas, que gerou a expulsão a expulsão do brasileiro, os jogadores barcelonistas ficaram furiosos. No meio da confusão, dois lances capitais: a dedada de Mourinho no olho de Tito Villanova, assistente técnico de Guardiola, e a briga entre Özil e Villa, que acabou na expulsão dos dois. Hoje, o turco-alemão, sempre muito reservado e quieto em campo, declarou que o asturiano ofendeu o islamismo, religião de Özil. No caso de Mou, o Barcelona resolveu não denunciá-lo à RFEF.

O título do Barcelona garantiu algumas marcas. Os azulgrenáis chegaram a 77 títulos nacionais e internacionais, igualando a marca do rival da capital. Guardiola e Xavi, por sua vez, fizeram história: o treinador chegou a onze títulos como comandante do Barcelona, igualando a marca de Cruyff. A diferença é que Pep conseguiu isso em quatro temporadas, enquanto o holandês conseguiu em oito. O meio-campista chegou aos 17 títulos como jogador blaugrana, superando Guillermo Amor.

Maior nome da conquista e próximo de conquistar o terceiro prêmio de melhor jogador do mundo, Messi adicionou mais uma marca para seu extenso currículo: com oito gols, superou Raúl como maior artilheiro da Supercopa Espanhola. Mesmo não participando da pré-temporada junto com o grupo e treinando apenas uma vez após a Copa América, La Pulga mostrou que é decisivo e participou diretamente dos cinco gols do Barcelona no torneio que abre a temporada espanhola de futebol. Mesmo não estando no 100% da forma, Messi e o Barcelona começam a temporada à toda, mas o Real Madrid mostrou ser capaz de acabar com hegemonia barcelonista.

Barcelona 3x2 Real Madrid
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Abidal; Busquets (Fàbregas), Xavi, Iniesta; Messi; Pedro (Keita), Villa (Adriano).
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Fabio Coentrão; Xabi Alonso, Khedira (Marcelo); Di María (Higuaín), Özil (Kaká), Cristiano Ronaldo; Benzema).
Árbitro: David Fernández Borbalán
Gols: Iniesta, Messi, Messi (Barcelona); Cristiano Ronaldo, Benzema (Real Madrid).
Cartões amarelos: Khedira, Cristiano Ronaldo, Pepe, Sergio Ramos e Fabio Coentrão (Real Madrid); Xavi, Mascherano e Víctor Valdés (Barcelona).
Cartões vermelhos: Marcelo e Özil (Real Madrid); Villa (Barcelona).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).

quinta-feira, 3 de março de 2011

Presidentes: Joan Laporta

Maior vencedor da história do Barcelona, Laporta ficou oito anos na presidência do clube, que conquistou 54 títulos durante sua gestão - 12 no futebol. (fcbarcelona.cat)

No dia 16 de março de 2010, o Barcelona goleara o Valladolid por 4 a 0 e comemorava o seu 20º título de Liga Espanhola. Foi o último título da gestão de Joan Laporta na presidência do clube blaugrana (o 12º no futebol - 54 contando todos os esportes). Presidente mais vencedor da história do Barcelona, a passagem de Laporta pela presidência azulgrená ficou marcada positivamente, mas teve um momento bem tenso: após a péssima temporada feita pelo Futbol Club Barcelona em 2007-08, a torcida passou a pegar no pé de Joan, com coros de "Laporta demissão" no Camp Nou.

Advogado e político espanhol, Joan Laporta nasceu em 29 de junho de 1962 e, desde criança, sempre foi apaixonado pelo Barcelona. Seu pai sempre o levava para assistir aos jogos do time de futebol e basquete, esporte ao qual Laporta é um grande admirador. Aos 22 anos, formou-se em direito pela Universidade de Barcelona (UB) e, hoje, faz parte da Ordem dos Advogados de Barcelona, assim como do Conselho e da Comissão Executiva da Fundação Ernest Lluch. Pai de Pol, Guim e Joan Jr, Laporta começou a fazer parte dos meios políticos do Barcelona em 1998, quando, com 35 anos, fez parte da candidatura de Ángel Fernández à presidência dos blaugranas, que acabou vencida, novamente, por Josep Lluís Núñez. Dois anos antes, havia declarado-se oficialmente um independista e foi membro do Partir per la Indepedència, grupo criado por Pilar Rahola e Colom Ángel que tinha como objetivo a independência da comunidade autônoma mais conhecida da Espanha. Devido aos fracos resultados eleitorais, o partida extinguiu-se em 2000.

Em 2000, após a má gestão de Gaspat na presidência, Joan decidiu formar um grupo de trabalho próprio, com o objetivo de formar sua própria candidatura. A partir daí, Sandro Rosell tornou-se a mão direita de Laporta e o máximo responsável pela questões esportivas: em caso de vitória, Rosell seria o vice-presidente esportivo. O atual presidente do Barcelona contribuiu demais à equipe de candidatura, chamando diversos emprésarios de nome e de sua confiança, como Jordi Mones e Josep Maria Bartomeu - que está até hoje na política do Barça. Apenas em 2003, porém, que Laporta alcançou seu objetivo: chegar à presidência do principal clube da Catalunha. Após a demissão de Gaspart, numa das maiores crises da história do Barcelona, foram realizadas as eleições - nesse período, Enrique Reyna presidiou a equipe interinamente. Laporta lançou oficialmente sua candidatura em janeiro de 2003, numa eleição recordada por ter um número alto de concorrentes que nunca antes haviam se candidatados à presidência (seis no total - Joan Laporta, Lluís Bassat, Jaume Llauradó, Josep Martínez-Rovira, Josep Maria Minguella e Jordi Majó). Entretanto, todas as pesquisas mostravam Lluis Bassat como o grande favorito, que fora apoiado por figuras de grandes prestígios na sociedad catalã e barcelonesa, como Miquel Roca i Junyent, Salvado Alemany e Judi Mascó.

O programa da equipe Laporta propôs uma ruptura completa com o passado, comprometeu-se a regenerar totalmente o clube, democratizar, trabalhando com os critérios da austeridade econômica e de transparência ao nível da comunicação e, principalmente, seria um Barcelona para os catalães. Finalmente, no dia 15 de junho, chegou o dia das eleições e, apesar de não haver jogo no Camp Nou e o clima ser de intenso calor, um fluxo maciço de membros rodeavam o estádio. Quando a contagem chegara ao fim, uma grata surpresa: Laporta não só ganhou disparado, como quebrou qualquer resultado das enquentes feitas anteriormente. Ao final, os resultados obtidos foram: Joan Laporta: 27.138 (52,57%); Lluís Bassat: 16.412; Jordi Majó: 2.490; Josep Martínez-Rovira: 2.388; Josep Maria Minguella: 1.867; y Jaume Llauradó: 987. Com 41 anos, Laporta tornou-se o quarto mais jovem presidente da história do Barcelona.

Apoiado por uma parte do conselheiros de Johan Cruyff e, principalmente, do novo vice-presidente esportivo, Sandro Rosell, Laporta cumpriu à risca todas as promessas feitas durante sua candidatura: primeiramente, mudou radicalmente a estrutura esportiva do clube e fichou como secretário técnico o ex-jogador Txiki Begiristain. Demitiu o treinador Radomir Antic e, antes de contratar Frank Rijkaard, tentou Guus Hiddink, que recusou a oferta, e Ronaldo Koeman, que acabou não sendo contratado pois o Ajax cobrava uma taxa que Laporta não estava disposto a pagar. Sem muitas opções, optou por Rikjaard, embora o treinador tivesse pouca experiência no meio. Quanto aos jogadores, Laporta, que havia prometido David Beckham durante a campanha, não pôde assinar com mancuniano, pois Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, já havia sido mais rápido. O que Laporta pouco esperava é que, no final das contas, a não-contratação de Beckham acabou sendo o melhor para o Barcelona: sem o inglês, o presidente recorreu a Ronaldinho Gaúcho, que tornou-se, como todos sabem, um dos maiores ídolos da história do Barcelona, sendo responsável pelo título de Champions League em 2005-06, que já não vinha desde de 1992. Em entrevista ao Jornal Nacional, na época, Ronaldinho disse ter assinado com o Barcelona em vez do Manchester United por causa de sua amizade com Sandro Rosell, ex-executivo da Nike no Brasil e vice-presidente dos culés. Na sua primeira temporada, investiu 44,4 milhões de euros em sete incorporações.

O Barcelona, que havia terminado em segundo na Liga em 2003-04, não conquistou nenhum título, mas voltou a recuperar sua credibilidade, e, em 2004-05, veio o primeiro título de sua gestão: a Liga BBVA. Apesar do troféu, o segundo ano da gestão de Laporta ficou marcado pelas controvérsias. A partir de meados da temporada, a relação de amizade entre Laporta e Rosell encurtou-se. O divórcio dos dois veio à tona, e os principais programas de esportes de rádio e televisão falaram abertamente sobre as desavenças dentro da sociedad. Um dos maiores motivos do rompimento dos dois foi pelo fato de Joan ter nomeado o ex-treinador da equipe de Handeball, Valero Rivera, como novo diretor-geral dos profissionais do esporte. Em 2005-06, Laporta viu o Barcelona voltar a conquistar a Europa e tornar-se bi-espanhol, mas o mandato do presidente estava chegando ao fim. Porém, em junho de 2006, durante a nova eleição, o nome de Laporta foi o único a se candidatar e o presidente continuara no comando do Barça.

Em 2008, após viver sua maior crise durante sua gestão, Laporta se mostrou disposto a iniciar um processo de renovação no clube. Para começar, Rijkaard foi demitido e, para seu lugar, Guardiola foi "contratado" (subiu do time B ao A). Nomes com prestígios em baixa, como Deco e Ronaldinho, também foram descartados, e Messi passou a ser o principal ponto de referência da equipe. Após a Eurocopa de 2008, conquistada pela Espanha, jogadores como Xavi e Iniesta recuperaram o brilho de jogar futebol e, assim como Eto'o e Henry, foram essenciais para o time se consolidar ao final da temporada, a: pela primeira vez na história do Barcelona - e do futebol espanhol -, os blaugranas conquistaram a tríplice coroa, coroada com o título da Champions League em Roma, ante o Manchester United, a segunda da gestão de Laporta. Ao final de 2010, o feito foi maior: os azulgrenás conquistaram todos os seis títulos possíveis, feito que, até então, nenhuma equipe havia alcançado.

Na sua despedida da presidência do Barcelona, Laporta se emocionou ao citar Ronaldinho Gaúcho, Lionel Messi, Josep Guardiola e as canteras: "foi o sorriso do Barça e o jogador que, em 2003, mais ajudou a mudar a mentalidade da equipe. Foi fundamental para nosso crescimento. Acho que na fase final aprendemos a conviver bem. Em 2006, ele merecia uma oportunidade de seguir. Nos assegurou, como Deco, que voltaria a ser o melhor, mas vimos que não foi assim", disse sobre Ronaldinho. Sobre Messi, os elogios continuaram: "é nosso Messias, o homem que deu o verdadeiro valor à formação do Barcelona. Junto com Cruyff e Maradona, Leo está entre os melhores de todos os tempos e é do Barça dese os 13 anos, um mérito para todos que participaram de sua formação e crescimento".

Hoje Joan Laporta, que fundou um novo partido político na Catalunha, segue lutando pela independência da região. Na página oficial de Laporta na internet, porém, o lema oficial é "agora é a hora de servir a Catalunha". De acordo com o ex-presidente do Barça, o partido é formado por "cidadãos de todos os setores, que compartem a premissa de que, em pleno século 21 e dentro de uma só Europa, não há razão para que a Catalunha não possa ser um estado mais inserido na União." Para isso, Laporta defende a administração de "100% dos recursos e ter voz própria na Europa e em todo o mundo", e para "faz falta uma Catalunha que seja um Estado, e o único caminho para isso é através da via política e democrática." Por fim, ele fez questão de colocar que todas "as iniciativas do Governo Espanhol de encaixar a Catalunha no Estado Espanhol são legítimas e democráticas, mas que têm falhado reiteramente".

Joan Laporta i Estruch
Nascimento: 29 de junho de 1962
Ocupação: político e advogado
Títulos do FC Barcelona durante sua gestão: 4 Campeonato Espanhol, 2 Liga dos Campeões, 2 Supercopa da Espanha, 1 Supercopa da Uefa, 1 Copa do Rei, 1 Mundial de Clubes

domingo, 22 de agosto de 2010

Ritmo de treino

Em jogo de um time só, o Barcelona comemora seu oitavo título em um período de um ano (AP)


Quando no primeiro jogo o Sevilla derrotou um Barcelona recheados de jogadores jovens, Guardiola e Rosell começaram a ser questionados sobre o porquê de não contratar mais. Javier Gascón, colunista do Mundo Deportivo, chegou a fazer um texto muito interessante sobre esse assunto (Contratar ou não contratar: O 3-1 do Sevilla realimenta o debate no Barcelona) que pode ser lido aqui (em castellano). Quase uma semana depois de todas as perguntas serem feitas, finalmente Guardiola apareceu para responde-las. Em tom meio que irônico, Pep disse que confia demais nos jogadores da cantera e que irá usá-los se não contratar mais ninguém. Além disso, Pep falou também que confia no seu time titular (dando a entender que não precisa mais de contratações). E provou que está certo... certíssimo.

O Sevilla praticamente não viajou para Barcelona. Talvez a equipe que Álvarez treina não chegou a descer do ônibus com a intenção de disputar a Supercopa, ou já tinha dado tudo por perdido desde que o Sporting Braga causou danos à equipe na ida da prévia da Champions. Diretores, jogadores e técnicos falavam da importância do título e da necessidade de não pensar no que aconteceria no meio da semana que vem. Porém, a equipe demonstrou sobre o campo que não tinha a mente onde deveria ter.

Os sevillistas saíram distraídos e se encontraram com a genialidade e a qualidade de uma grande equipe. O Barça não tardou em dominar e chegar com perigo, ante a permissividade e a tolerância de um Sevilla que defendia sem vontade, sem tensão, e que oferecia uma imagem muito pobre. Após boa troca de passes do Barcelona, Pedro recebeu de Xavi e partiu para uma jogada individual. Na corrida, deixou Capel para trás e driblou Fernando Navarro, para, logo em seguida, cruzar para área. Para infelicidade dos rojiblancos, Konko, que fez uma partida para se esquecer, mandou para as próprias redes. Era o primeiro gol do Barcelona aos 12 minutos. Cedo, como não queria Álvarez. Daí pra frente, um passeio dos catalães que sentenciaram no primeiro tempo ante o atônito olhar de Álvarez, que via como a sua equipe desmanchava sem fazer nada. Messi, no minuto 24 e antes do descanso, aproveitou mais duas falhas defensivas para selar a goleada antes de ir para o vestiário.

Primeiro, a Pulga aproveitou um passe genial dado por Xavi - antes mesmo do meio-campo - para, com extrema frieza, tocar na saída de Palop. O terceiro gol foi, quem sabe, o mais bonito da partida. Numa troca de passes que começou lá na zaga com Piqué, Pedro recebeu do zagueiro e acionou Daniel Alves. O brasileiro desceu rapidamente pela direita, fez a finta em Capel e tocou nas costas Escudé para Messi, que saiu de marcação de um desastroso Konko e, com a perna direita, mandou no ângulo de Palop. Já nesse momento, muitos torcedores sevillistas perguntavam por Luís Fabiano e Kanouté, e quando iria vir um zagueiro para suprir a baixa de Squillaci, que provavelmente será negociado com o Arsenal.

Depois do intervalo, engana-se quem pensou que o Sevilla iria mudar. A tônica continuou a mesma. Álvarez demorou mais de quinze minutos para mexer no time, minutos de ouro. Os “olés” eram escutados ns arquibancadas a cada interminável toque de bola do Barcelona, enquanto os visitantes assistiam a partida como meros espectadores. Para felicidade dos torcedores, Guardiola resolveu colocar em campo Iniesta e o estreante da noite David Villa. O Guaje entrou com uma vontade enorme, vontade de quem quer ser ídolo dos culés. Poucas opções claras dos jogadores de Guardiola (exceto uma de Iniesta), que já tinham a partida controlada, e nenhuma oportunidade para os nervionenses. O último gol de Messi, com o tempo de partida quase cumprido, depois de um passe de Iniesta, selou a humilhação e revelou as vergonhas e carências sevillistas.

Acabo este texto falando sobre o perdedor da noite. Em resumo, uma imagem tão pobre quanto preocupante. O Sevilla esteve nulo na defesa. Perdendo deste jeito e mostrando erros faceis de serem explorados, o Sevilla chega de uma maneira ruim para o jogo decisivo de terça, contra o Braga, onde jogará tudo na temporada. Ontem, atirou o título pela janela no Camp Nou e o mais preocupante é que pareceu não se importar. Onde está a ambição desse clube?

Barcelona 4x0 Sevilla
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Keita, Xavi (Adriano, m.88) Busquets; Bojan (Iniesta, m.56), Pedro (Villa, m.56), Messi.
Sevilla: Palop; Dabo, Escudé, Konko, Fernando Navarro; Jesus Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.60), Capel (Luis Fabiano, m.60); Alfaro (Perotti, m.60) e Negredo.
Árbitro: Teixera Vitienes
Gols: Konko (contra), Messi (três vezes)
Cartões Amarelos: Piqué (Barcelona) e Romaric (Sevilla)

sábado, 14 de agosto de 2010

Pós-jogo: Sevilla 3x1 Barcelona

Num grande segundo tempo, o Sevilla abriu uma boa vantagem perante o Barcelona e obriga os blaugranas a tentarem a sua primeira remontada na temporada (reuters)


Sevilla e Barcelona abriram oficialmente a temporada 2010-11 do futebol espanhol. Em um bom jogo de futebol no Ramón Sánchez Pizjuan, na Andaluzia, o Sevilla saiu na frente na busca de seu segundo título de Supercopa. Aproveitando-se do fato de o Barcelona ter escalado um time recheado de jogadores da filial, o Sevilla fez o que o seu técnico pediu: a lição de casa para cima dos blaugranas.

Segundo palavras do técnico sevilista Antonio Álvarez, na coletiva oficial de pré-jogo, se há uma maneira de o time andaluz vencer esta competição é derrotando - e bem - o Barça jogando em seus domínios. Extremamente desfalcado, o Barça começou melhor a partida, tentando impor sua principal característica sobre o adversário: a posse de bola. Melhor no primeiro tempo da decisão, o time catalão criou sua primeira grande chance logo aos 17 minutos, quando o jovem atacante Bojan não aproveitou a falha do zagueiro Dabo para vencer Palop. Por outro lado, o Sevilla, apostando na velocidade pelos flancos, respondeu em seguida: Jesús Navas obrigou Miño a fazer grande defesa.

Ibrahimovic, autor do passe para Bojan, segue em busca de afirmação na Catalunha. Os jogos da Supercopa pode ser uma prova de que o sueco pode, sim, dar a volta por cima. Envolvidos em especulações que o colocam em Manchester City, Chelsea e Milan, o sueco fez hoje uma boa partida. E o primeiro gol da partida foi exatamente dele. Aos 20 minutos, Maxwell, atuando como um verdadeiro ponta-esquerda, fez grande jogada e encontrou Ibrahimovic dentro da área. O sueco venceu Palop para abrir o marcador e deixar sua equipe em uma situação muito favorável na competição.

Na volta para a segunda etapa, Álvarez resolveu pôr em campo a principal contratação do Sevilla para a temporada: Gigarini (ao lado de Guarente, que não jogou hoje). O italiano foi um dos principais responsáveis pelo revéz sevillista no jogo de ida. O ex-jogador do Napoli descolou um ótimo lançamento para o Luís Fabiano, que ganhou na velocidade de Sérgi Gomez e bateu de esquerda, na saída de Miño, para colocar o Sevilla de volta à partida. Antes do tento, o Sevilla ainda viria a perder uma ótima oportunidade com Renato, após cruzamento de um apagado Jesus Navas, homenageado pelo presidente Del Nido antes da partida.

Guardiola: No jogo em que comemorava dois anos à frente do Barcelona, Pep foi questionado (getty images)

A partir do empate, o Barcelona não se encontrou mais em campo. Mesmo com Messi, que entrou aos seis minutos do segundo tempo, o time da Catalunha sofreu com as jogadas pelas laterais do Sevilla. E, desta forma, os donos da casa construíram a grande vantagem para a partida fora de casa.

Aos 29 minutos, Negredo fez grande jogada pela esquerda e cruzou na medida para Kanouté, que havia entrado em campo dois minutos antes. Oportunista como sempre, o atacante da seleção de Mali finalizou com precisão para colocar o Sevilla à frente no marcador, em novo atraso na marcação do canterano Sérgi Gomez. Nove minutos depois, o africano apareceu novamente, desta vez após desviar de cabeça o cruzamento de Perotti, para marcar o terceiro e sacramentar o resultado.

Após o final de jogo, Guardiola foi questinado sobre o porquê de não ter colocado em campo os jogadores campeões do mundo. O treinador foi sintático e claro na sua resposta. Segundo ele, nem todos os jogadores estão no ápice de sua forma e não poderia arriscá-los em campo. O certo é que todos eles estarão de volta para o jogo no Camp Nou, no Sábado 21. Com Iniesta, Xavi, Villa, Piqué, Puyol, Valdés e Pedro, mais Lionel Messi, o Barcelona tem totais condições de remontar.

Veja aqui a coletiva pós-jogo completa de Guardiola (em castellano).O jogo da volta acontece no Sábado que vem; dessa vez, no Camp Nou.

Sevilla 3x1 Barcelona
Sevilla: Palop; Konko, Escudé, Fazio, Dabo; Jesús Navas, Zokora, Romaric (Cigarini, m.45), Perotti; Renato (Kanouté, m.64) , Luis Fabiano (Negredo, m.70).
Barcelona: Miño; Alves, Sergi Gómez, Milito (Adriano, m.80), Abidal; Maxwell, Keita, Oriol, Dos Santos; Bojan, Ibrahimovic (Messi, m.52).
Árbitro: Muñiz Fernández, das Asturias.
Gols: Luís Fabiano, Kanouté e Kanouté (Sevilla); Ibrahimovic (Barcelona).
Cartões Amarelos: Zokora, Dabo e Cigarini (Sevilla); Daniel Alves (Barcelona).