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sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E se Guardiola fosse o treinador da seleção brasileira?

 Guardiola e Daniel Alves juntos na seleção brasileira? Usamos a imaginação nessa matéria especial (getty images)

Por Pedro Galindo e Victor Mendes.
Originalmente feito a Doentes Por Futebol

Com o confirmação do nome de Luiz Felipe Scolari como novo comandante da seleção brasileira, acabaram-se de vez as especulações em torno de Josep Guardiola, que corria por fora na disputa pelo cargo. Apesar de apelos de alguns setores da crônica esportiva e dos torcedores, o ex-treinador do Barcelona foi prontamente descartado pela cúpula da CBF. As justificativas para o descarte - mesmo após o rumor de que o técnico catalão teria confidenciado a amigos que aceitaria dirigir a Canarinha - não fugiram de um previsível ufanismo cego e exacerbado: “não precisamos de treinador estrangeiro, nosso futebol é pentacampeão mundial”, entre outros pachequismos e demonstrações de soberba. A realidade - triste para nós, brasileiros - é que se pode contar nos dedos de uma mão os treinadores nacionais que estão no nível do tamanho do desafio. Felipão, a esta altura da carreira, não parece a escolha mais indicada: vem de péssimas temporadas e de um rebaixamento pelo Palmeiras, que a CBF preferiu esquecer e se apegar à mística da “Família Scolari”, que completou uma década em julho deste ano.

Entretanto, a Doentes por Futebol resolveu fazer um exercício de imaginação e especular como agiria Pep Guardiola, propalado por muitos como o mais revolucionário treinador dos últimos anos. Inicialmente, partimos do pressuposto de que Pep, cuja carreira foi construída no futebol europeu, tem pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro - o que já seria um grande obstáculo caso o catalão assumisse a Seleção. Portanto, se Guardiola tivesse sido escolhido pelo Excelentíssimo Sr. Marin, os jogadores brasileiros no futebol europeu certamente se encheriam de esperanças. Exatamente por isso, os que ainda atuam no futebol brasileiro provavelmente se sentiriam motivados a partir para o Velho Continente. Além disso, partimos também de indicações do próprio Pep: atletas brasileiros já elogiados por ele, especulações da imprensa catalã e esquemas táticos adotados pelo treinador.

O primeiro a celebrar seria Diego Alves, que saiu ainda menino do Atlético Mineiro para brilhar no futebol espanhol - antes no modesto Almería e agora, ainda que em menor intensidade, no Valencia. O goleiro, que já vinha tendo oportunidades com Mano Menezes, muito provavelmente seria lembrado por Guardiola, até mesmo por já ter fechado o gol contra o Barcelona treinado pelo próprio. Ponto negativo para Jefferson, Victor e Rafael, que atuam no futebol nacional e vêm recebendo oportunidades na posição. Na linha defensiva, Dani Alves, peça-chave do blaugranas nas últimas temporadas, teria toda a confiança para continuar como dono da camisa #2 da Seleção. Outro que certamente teria vaga no grupo é o multifuncional Adriano, lateral-coringa do Barça, contratado justamente por Guardiola.

Mas é nas laterais que o catalão teria um de seus maiores desafios: seu Barcelona se habitou a jogar com atletas diferentes em cada um dos lados do campo. Abidal, pela esquerda, se posicionava muitas vezes como um zagueiro, fechando o corredor esquerdo para dar a Daniel Alves a liberdade de brilhar na frente. Na Seleção, um “problema” impediria que a mesma estratégia fosse adotada: o Brasil hoje conta, talvez, com os dois melhores laterais do mundo. Marcelo vive grande fase no Real Madrid e Alves segue sendo decisivo pelo Barça. Guardiola dificilmente abriria mão de opções ofensivas deste quilate. A solução seria convocar um volante com mais poder de marcação, para cobrir as subidas dos alas. Esse cenário seria animador para Felipe Melo - feito de bode expiatório em 2010 e inapelavelmente banido da Seleção - e Luiz Gustavo, volante versátil do Bayern de Munique, que construíram suas carreiras no futebol europeu. Paulinho e Ramires, os atuais titulares, teriam que lidar com obstáculos distintos: o primeiro, com a já citada pouca familiaridade do treinador com os atletas atuando por aqui; o Queniano, por sua vez, provavelmente não teria muito espaço com o catalão justamente por seu jogo não ser muito baseado na troca de passes, e sim na condução da bola. Um jogador mais confiável para puxar contra-ataques, que teria que se adaptar ao estilo de jogo de Pep.

Na meia ofensiva, opção é o que não falta. No Barcelona de Guardiola, a espinha-dorsal era o 4-3-3. No entanto, embora a Seleção disponha de jogadores com muita qualidades, nenhum deles tenha, talvez, a técnica que Xavi e Iniesta têm para dominar o meio-campo adversário com tanta naturalidade. Jogadores que ditam o ritmo do jogo, comandam e trabalham a bola com baixíssimo índice de erros. Até por isso, o trabalho dos volantes teria que ser ainda mais especial do que o que Busquets faz no Barça. Dois jogadores brasileiros têm característica semelhantes às da dupla espanhola, mas não vinham tendo muita oportunidade com Mano Menezes: Ganso e Hernanes. O primeiro, aliás, já fora elogiado por Pep Guardiola, que o chamou de "brilhante" às vésperas da final do Mundial. Hernanes, bastante especulado no Barcelona há alguns anos, é outro jogador que teria a simpatia do treinador. Seria bastante possível eles ganharem mais oportunidades caso Guardiola assumisse a Canarinho.

Ronaldinho é uma questão emblemática. Despedido do Barcelona justamente por Guardiola, a lógica seria imaginar ele não tendo chances nenhuma de retorno à seleção. No entanto, poderia acontecer do catalão ter uma conversa séria com o gaúcho, a mesma que teve quando o demitiu, e tentasse, agora, contar com sua confiança. Aí, justamente, entraria outra questão: como Ronaldinho, Neymar e Kaká jogam no mesmo setor do campo, o santista seria utilizado como falso nove, cumprindo o papel que Messi faz no Barcelona? Muito provavelmente, sim. Embora, à primeira vista, contar com um centroavante seria mais necessário. Talvez Leandro Damião, que chegou a estar na órbita do Barça na temporada passada, ou Luis Fabiano, com passagens pelo futebol espanhol, ou até mesmo Fred.

Outro jogador que também tem a simpatia de Guardiola é Robinho, cotado para ser contratado em 2009/2010, mas que, segundo a imprensa espanhola, não teve a aprovação dos senadores do elenco barcelonista. Como o milanista também se destaca jogando mais do lado direito do campo, provavelmente seria uma opção de banco. Hulk ou Lucas, por ser um jogador capaz de cumprir uma boa função tática, jogariam aberto à direita, com Oscar centralizado tendo liberdade para armar o jogo a partir de sua faixa no campo. Outra probabilidade é o uso de Daniel Alves aberto à direita da linha de três. O baiano chegou a jogar com Guardiola na ponta direita, ao lado de Messi e mais um no ataque. Neste caso, Maicon e Rafael seriam os mais cotados para assumir a lateral direita.

De volta à realidade: como se sabe, Felipão é o novo treinador da seleção. Ao contrário de Pep, ele não vem de bons trabalhos: apesar do título da Copa do Brasil, acaba de ser corresponsável pelo rebaixamento palmeirense e, antes disso, fracassou espetacularmente no Chelsea, cercado de expectativas. Sem dúvida, Scolari não vive mais um bom momento em sua carreira. Seus resultados recentes são reflexo de suas convicções, muitas vezes atrasadas e anacrônicas: o futebol de hoje é bem diferente do de dez anos atrás, quando o treinador gaúcho conquistou seu maior título. Resta a nós, brasileiros, torcer para que sua experiência transmita a confiança que tanto falta à nossa promissora geração.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

7ª rodada: A primeira vez de Marcelo Bielsa

Gols de Llorente dão primeira vitória ao Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa na Liga Espanhola (getty images)

CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Resultado injusto?

Higuain e Messi se abraçam: resultado da partida de ida da Supercopa não condiz com o que foi o jogo (AP Photos)

Real Madrid e Barcelona abiraram oficialmente a temporada 2011/2012 do futebol espanhol decidindo a partida de ida da Supercopa espanhola. O 2 a 2 no Santiago Bernabéu dá ao Barcelona a chance de jogar por uma vitória ou um simples 0 a 0 atuando em seu domínio, no Camp Nou. Entretanto, para quem não viu o jogo, o resultado pode ser considerado mentiroso. Muito mais centrado na partida que seu rival, os merengues atuaram como se estivessem disputando uma final da LC e, desde os primeiro minutos, não deixaram o Barcelona respirar.

A boa preparação física preparada exclusivamente por José Mourinho feita na pré-temporada se sobressaiu durante os noventa minutos. Com uma condição física invejável para quem está retornando de férias, os comandados do português só não saíram do Bernabéu com uma vitória convincente pois faltou mais capricho na hora das finalizações. Cristiano Ronaldo e Benzema levaram muito perigo às redes de Víctor Valdés, mas ora por defesas do goleiro catalão e ora por chutes errados, acabaram não conseguindo marcar.

O francês, entretanto, ainda pode se alegrar de ter sido o jogador mais perigoso do Real Madrid na partida. Benzema, que anotou nove gols na pré-temporada, parece estar deixando de lado a figura de um jogador displicente e, sobretudo, preguiçoso. Ontem, se movimentou com maestria, enlouquecendo a marcação de Abidal, improvisado como zagueiro devido à má condição física de Piqué, no banco. Ponto negativo do Real Madrid na partida foi Di María. Titular por causa da ótima temporada feita em 2010/2011, o argentino parecia cansado por ser o único jogador em campo a ter menos tempo de férias e caiu facilmente na marcação de Adriano, que não se preocupou muito em ficar mais tempo no campo de defesa.

Tanto Adriano quanto Daniel Alves, na direita, subiram muito ao ataque, não balanceando muito a defesa. Vale lembrar que, quando Abidal atua na esquerda, são raros as jogadas ofensivas por aquele lado. O Barcelona sai satisfeito da partida: muito aquém do que pode produzir, os azulgrenás chegaram aos dois tentos graças aos lâmpejos de seus craques. Primeiro Villa, que acertou um feliz chute no ângulo de Casillas, e depois Messi, que aproveitou bobeira de Khedira e Pepe para chutar na saída do goleiro espanhol.

Novo camisa 10 do Real Madrid, Özil está arcando com as novas responsabilidades. O turco-alemão esbanjou, novamente, muita classe em campo e organizou com maestria os merengues. Além disso, marcou pela primeira vez em seis jogos contra o Barcelona, firmando seu primeiro ótimo jogo contra os rivais da Catalunha. Se antes alguma parte dos torcedores ficavam com um pé atrás com o germânico, após a partida a desconfiança caiu por água abaixo: mesmo jogando centralizado - onde seu futebol aparece menos do que na ponta, Özil mostrou-se muito polivalente, correndo por todo o campo e ajudando na marcação.

Entre os jogadores que estrearam, destaque para o chileno Alexis Sánchez, do Barcelona. Muito tímido no começo (muito por causa da pressão pela estreia no superclássico), El Niño Maravilha foi pouco a pouco entrando na partida e deu muito trabalho a Marcelo, que subiu pouco ao ataque no segundo tempo para ter mais atenção com o camisa nove blaugrana. No lado merengue, Callejón e Fabio Coentrão entraram apenas na segunda etapa e, sobretudo o português, ofereceram boa imagem a José Mourinho. Inicialmente no lugar de Di María, o meia-ofensivo deu mais mobilidade ao setor direito, passando, depois, a atuar ao lado de Xabi Alonso na volância, onde jogou durante boa parte dos amistosos da pré-temporada.

A atuação do Real Madrid foi tão notável, que os números ficaram contra o Barcelona após a partida: os blancos chutaram incríveis 20 vezes à meta de Valdés, enquanto os barcelonistas só o fizeram apenas quatro vezes. A posse de bola, recurso do Barcelona mais elogiado, também não foi as das mais impressionantes: apenas 52% - sendo que, ao término do primeiro tempo, o Real Madrid ficou à frente no quesito. Para o Barcelona, os desfalques fizeram falta, pois as improvisações foram muitas. O meio-campo pesado, com Keita fazendo a função de Busquets e Thiago a de Xavi, não fez diferença como nas outras partidas. Messi, apesar do gol, também esteve abaixo da média. Para a volta, o Barcelona poderá contar com um reforço estrelar: Cesc Fàbregas, que foi confirmado como novo jogador da equipe durante o intervalo da partida. Mas onde Guardiola irá encaixá-lo?

Real Madrid 2x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Callejón); Di María (Fabio Coentrão), Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema (Higuain).
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Piqué); Keita, Thiago Alcântara (Xavi), Iniesta; Messi; Villa (Pedro), Alexis Sánchez.
Árbitro: Teixera Vitienes.
Gols: Mesut Özil e Xabi Alonso (Real Madrid); David Villa e Lionel Messi (Barcelona)
Cartões amarelos: Xabi Alonso, Sami Khedira, Fabio Coentrão (Real Madrid); Daniel Alves e Alexis Sánchez (Barcelona).

sábado, 16 de abril de 2011

Vitória moral

Aplausos para nós: com um a menos, o Real Madrid buscou o empate (em pênalti polêmico) contra o Barcelona. O segundo round é na quarta-feira (getty images)

O que pensar de uma equipe que consegue um empate ante o melhor time do mundo com um a menos? O empate em 1 a 1 no Bernabéu praticamente sacramentou o titulo espanhol a favor do Barcelona, mas mostrou ao mundo que o Real Madrid é capaz de anular a equipe de Guardiola. Na primeira etapa, o 4-3-2-1 de Mourinho sufocou a saída de bola do Barcelona, que teve a posse de bola mas não levaram muito perigo à meta de Casillas. Os espaços, porém, não estiveram totalmente fechados em alguns contra-ataques azulgrenás e Messi acabou desperdiçando duas boas oportunidades. Na primeira, o argentino foi tentar encobrir Casillas e não executou a jogada do jeito que queria; na segunda, fez um carnaval no meio-campo blanco e chutou com força para bela defesa do capitão blanco.

O Real Madrid atuou no 4-3-2-1 que, às vezes, parecia com um 4-1-4-1. Pepe fazia a função de primeiro homem de meio-campo e à frente dele vinha uma linha com Di María, Xabi Alonso, Khedira e Cristiano Ronaldo, este último com mais liberdade para se juntar ao ataque. Na frente Benzema jogava centralizado. O Barcelona veio a campo no seu habitual 4-3-3 (4-2-3-1), com uma surpresa de última hora: Puyol, que não jogava há três meses, foi convocado e, não obstante, iniciou o superclássico como titular. El capitán blaugrana, porém, voltou a sentir dores musculares e saiu na segunda etapa por precaução, segundo o site oficial do Barcelona. Messi, Pedro e Villa compunham o ataque, sempre alternando-se nas funções de homem mais central.

A opção de um meio-campo mais defensivo que o comum deu certo durante todo o primeiro tempo. Porém, no segundo tempo, a entrada de Özil condicionou o jogo: o turco-alemão mudou a característica do Real Madrid e foi importante para que a equipe chegasse ao gol de empate. Na volância, Pepe não deixou passar batido: marcou Messi com solidez na primeira etapa, evitando que o argentino pudesse oferecer resistência ao gol merengue. O argentino pouco fez nos primeiros 45 minutos, mas seu brilhantismo ainda permitiu a criação de boa jogada individual aos 43 minutos, quando Casillas fez bela defesa. Apesar de ceder a posse de bola (que em momentos superou 80%), o Real Madrid também poderia ter aberto o placar: cabeçada de Cristiano Ronaldo salva em cima da linha por Adriano, no último lance da etapa inicial.

Messi comemora: gol no Bernabéu foi o primeiro da Pulga em equipes treinadas por Mourinho (getty images)

O lateral esquerdo brasileiro foi dono de uma grande partida. Marcou Cristiano Ronaldo com contundência quando este bordava pelo seu setor e evitou as subidas de Sergio Ramos ao ataque. O brasileiro, também, evitou por duas vezes um gol do gajo. Além da cabeçada ao fim da primeira etapa, Adriano tirou na hora exata uma bola que o português já preparava para chutar para as redes de Valdés. Cristiano Ronaldo recebeu de Marcelo mas acabou adiantando muito, o que facilitou a chegada de Adriano. Daniel Alves, na outra lateral, também fez boa partida. Apesar do pênalti, muito mal marcado pelo desastrado Muñiz Fernández, o baiano anulou Di María, em péssima noite, e, assim como Adriano na esquerda, praticamente impediu as subidas de Marcelo ao ataque. Porém, Daniel Alves não acrescentou nenhum poder de fogo ao Barcelona quando subiu para o ataque e se preocupou mais na marcação do extremo argentino.

Durante a semana, José Mourinho havia dito que, para jogar contra o Barcelona, estava treinando sua equipe para jogar com um homem a menos, insinuando que sempre alguém era expulso contra a equipe catalã. E, dessa vez, não foi diferente. Xavi lançou com maestria Villa, que ganhou na corrida de Raúl Albiol e acabou empurrado pelo zagueiro. O cartão vermelho, porém, foi mostrado corretamente, já que Villa iria finalizar para as redes de Casillas. Na cobrança, Messi converteu e abriu o placar para o Barcelona. O 49º gol do argentino na temporada destruiu o plano original de Mourinho, e a impressão era de que os dois times aproveitariam a circunstância para se poupar.

Villa, que vem brigado com as redes há alguns jogos, poderia ter matado o jogo, mas não o fez. A atuação do Guaje, e consequentemente sua fase, preocupa. Destaque no primeiro turno, hoje o atacante asturiano foi inoperante caindo às costas de Sergio Ramos, que teve facilidade para marcá-lo. Além disso, não foi por falta de oportunidades que Villa fez uma má partida: o ex-Valencia teve, no mínimo, três ótimas oportunidades de vencer Casillas; mas, na maioria das vezes, por displicência, acabou desperdiçando. Sem contar a falta de domínio na última chance da partida, quando Xavi lançou e o Guaje não conseguiu dominar uma bola, teoricamente, fácil.

Com a expulsão de Albiol, Mourinho refez sua tática com algumas alterações. A princípio, Pepe iria ocupar a vaga de Albiol na defesa, mas com a entrada de Arbeloa (e a de Adebayor, saindo Xabi Alonso e Di María) e o deslocamento de Sergio Ramos para a zaga, o luso-brasileiro voltou à função que vinha exercendo bem. Mas foi a primeira substituição, com a entrada de Özil no lugar de um nulo Benzema, logo após o gol sofrido, que deu novo gás aos merengues na partida. Com participação do turco-alemão, que deu inicio à jogada, Marcelo recebeu de Cristiano Ronaldo e "sofreu" pênalti de Daniel Alves. Com extrema categoria, Cristiano Ronaldo converteu e chegou ao seu primeiro tento contra o Barcelona em sete confrontos.

"Marcelo reconheceu e me disse que tinha que se jogar no lance", disse Daniel Alves após a partida. Fato é que houve falta de critério por parte de Muñiz Fernández. Em um lance bem semelhante, na primeira etapa, Villa foi derrubado por Casillas e caiu na área, mas o árbitro mandou seguir. No fim, o Real Madrid quase chegou à virada. Em jogada iniciada por Özil, que fez o que quis com Keita, Adebayor partiu em velocidade na direita e rolou para Khedira. O alemão, que tinha como opção Cristiano Ronaldo livre na esquerda, arriscou um belo chute de canhota, mas Valdés caiu para defender.

O empate foi justo pela superioridade do Barça e pela entregar do Real Madrid quando estava com um homem a menos. O 1 a 1 foi um bom placar para o primeiro de quatro clássicos. Com o empate, o Barça praticamente se define como o campeão espanhol mantendo a diferença de 8 pontos na ponta da tabela. Para a final da Copa do Rei, quarta-feira, o Barça terá de se preocupar com o possível desfalque de Puyol, que saiu machucado. Porém, Mascherano já estará de volta e, pelo menos contra o Shakthar, foi bem como zagueiro. O Real Madrid pode comemorar: apesar do empate ter selado o tri-campeonato barcelonista, a equipe jogou de igual para igual na primeira etapa e parece ter afastado seus complexos e se convencido de que pode acabar com a seca de vitórias contra o rival.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Resumo: 26ª rodada

Os jogadores do Barcelona comemoram: vitória essencial dos catalães, que seguem sete pontos à frente do Real Madrid (getty images)

A 26ª rodada não teve nenhuma mudança significativa na tabela, mas o jogos foram bastante intenso e disputados. Na cada vez mais disputada briga pela Liga Europa, o Sevilla conseguiu uma importante vitória contra o Sporting Gijón e chegou aos 38 pontos, mesmos do Athletic Bilbao, que perdeu para o Zaragoza. Na disputa pelo título, nenhuma mudança: enquanto o Real Madrid passeou pelo Málaga, o Barcelona penou para sair de Valencia com os três pontos. Os chés, por sua vez, viram a aproximação do Villarreal na luta pela terceira vaga (ou o título do campeonato paralelo): os amarillos não fizeram uma boa partida, mas venceram o Hércules e estão a um ponto do Valencia. Confira o resumo da 26ª rodada.

Valencia 0x1 Barcelona (Victor Mendes)
Pela primeira vez na era Guardiola, o Barcelona derrotou o Valencia atuando no Mestalla. Como de praxe, o jogo foi bem complicado. Sair com os três pontos de Paterna foi trabalho árduo para os blaugranas, que venceram pelo placar mínimo, graças a um tento de Messi após uma linda jogada de Adriano pela esquerda. Além disso o Barça bateu o recorde da Real Sociedad da temporada 1978/79 de invencibilidade fora de casa. O Barcelona tem 20 vitórias fora de seus domínios, contra 19 da equipe basca. Unai Emery surpreendeu em sua escalação: mandou a campo um defensivo 4-5-1 e abdicou de um centroavante de ofício em prol de segurar o empate. Mata jogou como um falso nove, mas muitas vezes recuava e revezava esta função com Joaquín e Pablo Hernández. O esquema teve efeito, pois as principais peças-chaves do Barcelona foram anuladas pelo meio-campo ché, que diminuiu muita a posse de bola dos blaugranas. Messi, apesar das oportunidades desperdiçadas, pedia jogo, assim como o brasileiro Adriano, bem participativo exercendo a função de meio-campo pelo lado esquerdo. Se, na escalação inicial, o Barcelona parecia que jogaria no 4-3-3, em campo, pareceu mais um 4-1-4-1. Iniesta fazia as vezes ora de meio-campista de ligação, ora de volante.

No segundo tempo, Unai resolveu atacar e lançou em campo Soldado e, mais tarde, Jonas. O Valencia, que já jogava bem mas faltava ser incisivo, passou a ter mais ímpeto, mas o Barcelona também cresceu de produção. Messi e Adriano, melhores do Barcelona na partida, resolveram a questão em um lance e decidiram a partida, após jogada do brasileiro e finalização do argentino. Após o jogo, Unai Emery lamentou a falta de sorte de sua equipe, "que jogava melhor, mas, num momento crucial, apareceu Messi para decidir". Do lado blaugrana, a preocupação fica por conta de Guardiola, que, com hérnia de disco, foi internado após a partida, mas deve receber alta amanhã. O triunfo suado e comemorado foi um golpe duro na imprensa de Madrid, que parece ter jogado a toalha: o Marca publicou que o tento de Messi valeu um campeonato.

Real Madrid 7x0 Málaga

Contra o Málaga, o Real Madrid teve 20 minutos de Real Madrid e os outros 70 dignos de Barcelona. E nem precisou se esforçar muito para fazer 7 a 0 no Málaga. E se o Barça pulveriza recordes, os merengues podem se orgulhar da espetacular campanha no Santiago Bernabéu: alcançou sua 20 vitória em 20 jogos disputados no estádio na temporada. Melhor marca entre os maiores campeonatos europeu. O começo do jogo foi sonolento. A equipe dirigida por José Mourinho parecia estar em marcha lenta, como no empate sem gols com o La Coruña. Mas aos poucos encontrou seu melhor jogo, com Özil e Di María exuberantes, e o lateral-esquerdo Marcelo em destaque.

Convocado por Mano Menezes, o jogador fez uma partida espetacular, e acabou premiado com um gol em passe de Di María. Deve ser titular da Seleção Brasileira. O argentino também deixou sua marca. Benzema fez dois, e Cristiano Ronaldo, com três gols, empatou com Messi na artilharia com 27 gols. Não adianta nem querer explicar o que foi o jogo. O placar diz tudo. Casillas foi um mero observador do que aconteceu no Bernabéu. Mas apesar do placar, a distância para o Barcelona a 12 jogos do fim do Espanhol é preocupante para a torcida do Real. Só um milagre tira o título do Barça. Mas se o obstinado Mourinho resolver que quer a Liga dos Campeões, os rivais brancos que se cuidem.

Sevilla 3x0 Sporting Gijón
O Sevilla continua com a sua escalada ligueira até a consolidação de uma vaga nas competições européias depois de ter ganhado do Sporting Gijón com muita facilidade, por 3 a 0. A equipe segue ganhando firmeza atrás com a dupla Fazio e Escudé e no meio de campo com os inquestionáveis Medel e Rakitic. Na frente, Luís Fabiano e Negredo estão motivados e se dispõem de ocasiões graças às crescentes de produção de Navas e Perotti. Se com a evidente melhora experimentada somarmos a jogada chave do pênalti e a expulsão de Eguren, podemos explicar que o jogo ante o Sporting se converteu num autêntico monólogo. A princípio, não parecia ser o dia do Sevilla. Apesar de ter uma clara chance de gol perdida por Luis Fabiano, o Sporting causava danos, pressionando muito acima e obrigando Dabo a rifar a bola desde a sua zona. Porém, aos 25 minutos, chegava a jogada decisiva: o próprio Luís Fabiano chegou a uma bola na área antes de Eguren, e este o derrubou. Pênalti e expulsão.

O brasileiro marcou e os asturianos se viam obrigados a jogar com um a menos todo o resto da partida. A lógica conseqüência era o decorrer do jogo. Após poucos minutos, Fazio finalizou de cabeça na trave, e no minuto 34, Perotti fez o 2 a 0 depois de chutar de primeira um rebote dentro da área. Faltava desfrutar do futebol, pela primeira vez depois de tanto tempo. Não havia sinais de que o Sporting voltaria a entrar na partida, mas sim de uma possível goleada sevillista. A promessa do segundo tempo era adormecer a partida, e de tanto fazer isso, o Sevilla quase dormiu e levou um susto. Porém, no minuto 64, Rakitic conectou-se com Negredo, deixando o atacante cara a cara com o goleiro pra fazer o 3 a0. A atitude do Sevilla não mudou em nada, e sabendo que o seu calendário será complicado, chegou mais algumas vezes, mais por obrigação do que por qualquer coisa, fazendo, sem dúvida, a partida mais cômoda da temporada.

Villarreal 1x0 Hércules
O Submarino Amarelo aproveitou o tropeço do Valencia para encostar nos blanquinegros. A diferença, agora, é de um ponto, mas Garrido deve estar preocupado: num momento crucial na temporada, os amarillos parecem estar bem desgastado fisicamente, e penaram para derrotar um adversário, Hércules, que, fora de casa, marcou apenas três gols na temporada - ironicamente, dois desses três tentos foram no Camp Nou. Garrido, que havia sido criticado por abdicar de alguns jogadores titulares para o jogo contra o Racing Santander e comandou a equipe nas arquibancadas, pois estava suspenso, foi a campo sem nenhuma surpresa: no típico 4-4-2 a rombo, o Villarreal dominou o jogo nos primeiros 45 minutos, mantendo seu velho estilo de toque de bola e velocidade pelos flancos.

Autor do único gol da partida, após boa assistência de Cani, Rossi chegou ao seu tento de número 13 na Liga, o que confirma sua ótima temporada: desde que chegou ao Villarreal (em 2007), o ítalo-americano nunca havia feito 12 ou mais gols na Liga Espanhola. Esteban Vigo foi a campo com um inédito 4-1-2-3, a fim de encurralar os amarillos. Portillo, Trezeguet e Tote passaram a dar bastante trabalho a dupla de zaga castelonense a partida segunda etapa. À medida que os minutos iam passando, os blanquiazules de Alicante sufocavam cada vez mais o Villarreal. Atrás ,Pamarot e Calatayud, nos 15 minutos finais, evitavam os costantes ataques amarillo, que passou a acordar com a entrada de Rúben no lugar de um tímido Nilmar, em noite de péssima finalização. A situação do lado alicantino é preocupante: já são 953 minutos sem marcar um golzinho sequer fora do Rico Pérez e a ameaça rebaixamento já está em alerta. Com 26 pontos, o Hércules está um ponto à frente do Sporting, 18º colocado e primeiro da zona de rebaixamento.

Espanyol 1x2 Mallorca
Carlos Kameni é um grande ídolo da torcida périca. Goleiro de alto nível, está no Espanyol há sete temporadas, e sempre resistiu aos assédios de grandes equipes. Na atual temporada, porém, é notável o declínio do camaronês, que está convivendo com as falhas. Contra o Mallorca, entretanto, o arqueiro deu mostras de que ainda está em forma, defendendo pênalti de Gonzalo Castro, entre outras grandes defesas, mas o Espanyol sucumbiu diante dos boquerones e desperdiçaram uma nova oportunidade de encostar mais na dupla de Castilla e León, Villarreal e Valencia, na briga por uma das vagas na próxima Champions. Ainda por cima, ainda viu a aproximação do Sevilla, que chegou aos 38 pontos, dois a menos que os blanquiazules de Barcelona. Ficou claro que, na falta de Osvaldo, as opções para suprir a ausência do argentino ainda não são suficientemente boa. Ainda que Alvaro e Sergio García estejam em boa fase, o ex-Bologna é essencial em tipo de jogos como esse, em que o Espanyol praticamente inexistiu na segunda etapa. No lado malloquín, destaco para Webó. O camaronês voltou a ser protagonista do Mallorca na temporada. Além de marcar o gol de empate, foi dele a jogada para o gol de Nsue, que decretou a virada mallorquina. Com 34 pontos, o time de Palma de Mallorca ainda sonha com uma vaga na próxima Liga Europa.

Zaragoza 2x1 Athletic Bilbao (Victor Mendes)
O Zaragoza respirou fundo após derrotar o Athletic Bilbao no La Romareda por 2 a 1. Remontada essencial dos maños, que voltaram a sair do fundo das profundezas graças a um ótimo segundo tempo de seus jogadores de frente, sobretudo Uche, autor do tento da virada e principal responsável pelo responsável. Além do gol, Uche, que jogou isolado no 4-2-3-1 de Aguirre, foi bastante participativo no ataque e deu trabalho em dobro para Ekiza, jovem da base que sentiu o peso da estreia. Além disso, a linha de frente do Zaragozamuito mais afinco do que nas partidas anteriores: Bertolo, Boutahar, Ander Herrera e Uche imprimiram muita velocidade pelo flancos e pelo meio e criaram bastante perigo à meta de Iraizoz. A atitude covarde de Caparrós teve resultado em campo: após o gol de Llorente, o técnico andaluz, numa ação sem explicação, recuou sem time, que ficou sem pode armar um contra-ataque, e chamou o Zaragoza à partida. Os comandados de Aguirre, cultivados pela remontada, passaram a ter dificuldades apenas em acalmar o jogo nos minutos finais, e Doblas ainda saiu de campo como um herói após evitar um gol de Llorente aos 45 minutos.

Getafe 1x1 Atlético de Madrid (Claudio Araújo)
No Coliseum Alfonso Pérez, o Atlético de Madrid achou um ponto no final da partida graças a um tento do brasileiro Elias, seu primeiro com a camisa rojiblanca. O brasileiro, aliás, deu mais movimentação após entrar na partida. O canterano Koke, que vem fazendo ótima Liga, não conseguiu imprimir um ritmo de jogo aos colchoneros. Novamente, De Gea fez uma partida de alto nível: o jovem arqueiro fez uma defesa crucial em uma cabeçada de Dani Parejo no final da partida. O Getafe começou a partida a mil por hora: logo aos 2', Miku fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Manu Del Moral, que recebeu, girou e chutou. A bola, que desviou em Godín, acabou enganando De Gea, que nada pôde fazer. O meio-campista azulone estabeleceu um recorde na tarde de quarta (noite em Madrid): com 153 partidas disputadas com a camisa azulona, tornou-se o jogador com mais números de jogos na primeira divisão espanhola pelo Getafe. No segundo tempo, Forlán resolveu aparecer, e fez toda a jogada do gol de Elias, que, após a partida, desabafou: "queria mostrar para todos o porquê do Atlético de Madrid ter me contratado".

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Missão cumprida. Agora é superclássico

Real Madrid e Barcelona venceram com facilidades seus adversários pela Champions nesta semana e a partir de agora só terão concentrações para o superclássico do dia 29/11 (Segunda-feira). O Real Madrid, que já havia conseguido a classificação na rodada anterior, só tratou de garantir o primeiro lugar de seu grupo após goleada sobre o Ajax por 4 a 0. Já os blaugranas, na Grécia, impusseram seu ritmo de jogo desde o início para chegar aos 3 a 0 e garantir sua vaga nas oitavas de finais. Outro representante espanhol na Champions, o Valencia goleou o Bursaspor no Mestalla para também garantir vaga nas oitavas.

Em Amsterdam...

"Camp Nou, aí vou eu!", avisa Cristiano Ronaldo (reuters)

... já com a vaga garantinda, Mourinho poupou alguns de seus principais jogadores. Por prevenção, preferiu deixar Higuaín, Ricardo Carvalho e Khedira em Chamartín, para fazer apenas um trabalho especial no CT do clube. Em campo, mandou seu já conhecido 4-2-3-1, mas preteriu Di María para pôr Pedro León na direita. Cristiano Ronaldo, Özil e Benzema mostravam-se bem tímidos e os merengues poucos produziram nos primeiros trinta minutos. Nas tribunas do estádio estava presente Zinédine Zidane, que estreou no início desta semana no cargo de conselheiro de Florentino Pérez. O Real Madrid logo foi dando as caras e, após lançamento de Arbeloa e passe preciso de calcanhar de Özil, Benzema abriu o placar. Nervoso, o Ajax buscava empatar para retornar à partida. Mas quem chegou para o segundo foi o Real Madrid. Cristiano Ronaldo cobrou falta e Arbeloa pegou o rebote. A finalização desviou na zaga e foi para o gol.

No segundo tempo, Mourinho resolveu lançar Di María em campo no lugar de Pedro León. A entrada do argentino favoreçeu para o que o jogo do Real Madrid fluísse mais, e Özil e Cristiano Ronaldo passaram a participar mais da partida. E foi de Di María a assistência para o primeiro de Cristiano Ronaldo. Após erro de Emanuelsson na saída de bola, o argentino deixou o português na cara de Stekelenburg e, de esquerda, chutou no canto do goleiro. Aos 37, Ozil fez grande jogada pela ponta direita e acabou derrubado dentro da área pelo atacante Emanuelson, mais uma vez desastrado, que tentava ajudar na marcação. Cristiano Ronaldo cobrou de forma simples, no meio do gol e à meia altura, para completar a goleada.

Antes, Cristiano Ronaldo já havia levantado o estádio com bela jogada, no início do segundo tempo: recebeu a bola no campo de defesa e tabelou com Benzema no meio-campo para avançar em velocidade rumo ao gol adversário. Ao invadir a área, o camisa 7 bateu com categoria, mas Stekelenburg conseguiu desviar levemente, toque suficiente para fazer a bola tocar no travessão e sair. O Ajax, que tinha como destaque o atacante uruguaio Luis Suarez, em nenhum momento conseguiu incomodar o Real Madrid. A preocupação do time agora é vencer o Milan para garantir o terceiro lugar e disputar a Liga Europa.


Em Atenas...

"O Barcelona, unido, jamais será vencido!" (AP Photos)

... Guardiola escalou o Barcelona sem grandes mudanças com relação à equipe que arrasou o Almería por 8 a 0, no sábado. E, embora a base fosse a mesma, o futebol foi diferente no primeiro tempo – com menos magia, mas ainda assim envolvente o bastante para vencer. Com Messi, Xavi e Iniesta abaixo de seu nível na etapa inicial, dois brasileiros tiveram espaço para brilhar: os laterais Daniel Alves e Adriano tiveram participações importantes, sobretudo no setor ofensivo. Foi de Daniel o passe para o primeiro gol, de Pedro, aos 27 minutos da primeira etapa. Adriano, embora não tenha a tarefa de ser um finalizador, era quem mais levava perigo, em chutes de longa distância.

Na segunda etapa, a tônica foi a mesma. O Barcelona trocava passes, fazia a bola girar e chegava ao gol com facilidade. A boa atuação dos laterais brasileiros ganhou reforço. No meio-campo, Xavi e Iniesta voltaram a mostrar a qualidade de sempre. No ataque, Pedro manteve a boa forma mostrada da goleada sobre o Almería. E Messi resolveu aparecer. Foi do argentino o segundo gol do Barcelona, após uma jogada típica da equipe espanhola. Aos 18 minutos, após uma linda troca de passes entre Messi, Daniel Alves e Xavi, Iniesta tocou para Adriano, que encontrou o camisa 10 na pequena área para tocar a bola rumo ao gol. Com o tento, Messi chegou a marca de 150 gols com a camisa blaugrana em competições oficiais - o mais jovem a chegar a tal feito. Sete minutos depois, aos 25, foi a vez de Daniel Alves encontrar Iniesta. O meia rolou para Pedro coroar seu grande momento na temporada com mais um gol, o terceiro do Barcelona.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descapitalização do Sevilla

Jose Maria del Nido, presidente do Sevilla (reuters)

Após a eliminação para o fraco Braga(POR) na fase preliminar da LC, o Sevilla se vê em uma grande descapitalização. O time que Antonio Alvarez levou a campo nessa partida em relação ao time que Juande Ramos colocou em campo há cinco anos atrás contra o Celta, em Balaídos, é um grande exemplo do que se convertiria a equipe andaluz. Ao final do texto, podem ser comaparadas ambas as escalações.

A primeira coisa que mais chama atenção é a renovação extrema do time, em um período de um lustro - cinco temporadas -, ou seja, um período não tão grande para um clube que viveu um ciclo triunfador, só sobraram como titular Palop e Jesus Navas, e no plantel Drago, Renato, Kanouté e Luis Fabiano. Ao inverso, dos que jogaram contra o Braga, e fora os mencionados, somente Julien Escudé coincidiu com aquele time de 2005. Houve bastante mudanças, desde então.

É quando se começa a analisar as trocas quando percebes que algo há mudado demais, e não para um lado bom, mudança na estrutura da equipe. Com certeza, a baixa que mais chama atenção e mais sentida foi a de Daniel Alves, que é um super jogador e foi um ótimo negócio, com certeza se encontra entre os melhores jogadores do mundo. Seu substituto, Konko, não demonstrou muito nos dois anos e meio que está no clube, e apenas disputou metade das partidas. Não pode se esperar que cada ano venha um jogador por menos de um milhão de euros que se torne um craque mundial, mas se deve reconhecer que faz tempo que não chega a Nervión um futebolista da qualidade comparável a de Kanouté ou Luis Fabiano - o primeiro quem sabe jogou suas melhores partidas pelo Sevilla, enquanto o segundo faz tempo que tem a mente do outro lado, fora de Sevilla -, e nem mesmo da importância de Renato ou Adriano Correa. Do onze inicial da partida contra o Braga, raramente imaginamos um jogador dos "novos" em uma equipe de nível mundial. Talvez com a honrosa exceção de Perotti. Parecia também que Negredo até ano passado. Zokora é um meio campo útil, e um pouco mais e só.

Outra categoria que parece ter sumido de uma escalação para outra é um jogador rodado ou veterano de grande rendimento. Nessa categoria podemos colocar Javi Navarro que se converteu no símbolo do Sevilla após chegar do Valencia; Enzo Maresca que recordamos de sua excepcional prestação ao time na final de Eindhoven, que chegou depois de más atuações na Juve; ou o Pep Martí, meio campo de notável rendimento que atuou até os 33 anos como um dos pilares do meio campo. Esse tipo de futebolista parece ter desaparecido das escalações "modernas", em que só encontramos germes do conceito, como Alexis ou Fernando Navarro.

Finalmente, para não extender muito, apontamos algo sobre o potencial caminho percorrido dos jogadores de cada equipe. No de 2005, no mínimo sete jogadores da escalação titular se pode garantir uma grande carreira por vários anos, sem medo de se equivocar em demasia; e assim foi, todos eles no Sevilla, exceto Daniel Alves e Adriano, hoje no Barcelona. A quantos da escalação principal desejamos, realismo em mãos, um futuro tão promissor? Com certeza muito menos, e as razões dessa resposta é o que está levando muita gente a se perguntar o que há mudado nesses anos no exemplar secretariado técnico do Sevilla? No que Mochi passou de milagroso a discutido. A mudança foi notável.

Sevilla (setembro 2005): Palop; Alves, Javi Navarro, Dragutinovic, David; Jesús Navas, Maresca, Martí, Renato (Kanoute, m. 46); Adriano (Saviola, m. 46) y Luis Fabiano (Kepa, m. 64).

Sevilla (setembro 2010): Palop; Konko, Alexis, Escudé, Fernando Navarro; Alfaro (Acosta, m.80), Zokora, Guarente, Navas, Perotti; Cigarini (José Carlos, m.69) y Negredo (Luis Fabiano)


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Menos contratações e mais promoções

Canteranos das últimas duas temporadas vitoriosas do Barça (Elmundodeportivo)

Que o Barcelona é um dos principais times com poder financeiro da Europa ninguém tem dúvida; que a contratação de David Villa é uma das principais do mercado europeu e a principal do mercado de transferências do futebol espanhol também não se tem nenhuma dúvida. Por outro lado que Sandro Rosell iria assumir o Barcelona com um déficit grandioso era outra coisa que ninguém sabia.

O Barcelona tem planos de títulos e planos grandes para a temporada que está prestes a se iniciar, tentando buscar todos os títulos na temporada com um ataque que pode ser fulminante com a chegado do Guaje, mas também vai apostar alto, muito alto. O clube deve apostar mais de metade de suas fichas em sua base, a famosa cantera, base que, por sinal ,vem dando certo, considerada hoje em dia uma das melhores do mundo, com uma formação de jogadores de alto nível. Contudo, isso pode ser um problema: o clube tem um "onze incial" de uma qualidade de dar inveja em qualquer time do mundo, todavia, o time tem poucas peças de reposição à altura.

O projeto do clube blaugrana é o seguinte: Basicamente contratar dois jogadores por temporada e ser for possível subir quatro jogadores do Barça Atlètic - a filial do clube -, sendo assim, com os jogadores que se desligam do clube, o Barcelona sempre terá reposições de qualidade, mas toda regra foge a sua exceção - ainda pode-se ter alguma contração para essa temporada -. Consequentemente ai que pode vir um futuro problema: Nem todo jogador da cantera é um Piqué, Puyol, Xavi ou Iniesta, sem comparações com Messi, a qualidade é grande, mas é inevitável não pensar em jogadores de outros clubes, de renome, são essenciais para um clube do porte do Barcelona.

Nesta temporada atual se chegar alguém a mais será apenas um para repor alguma posição que necessite de qualidade imediata, no caso, seria para a reserva de Sérgio Busquets, na volância. De fato, outros quatro jogadores que ingressarão ao time principal serão da filial e já temos os seus nomes: o zagueiro Andreu Fontàs, o volante Oriol Romeu e os meio campistas Jonathan dos Santos e Thiago Alcantâra, todos esses jogadores tem um potencial enorme a ser explorado, mas tem que ser explorado aos poucos, e ninguém melhor que Pep Guardiola para fazer isso. Ele sabe como transformar os jogadores jovens e com potencial em verdadeiros craques. No mais, é necessário dar tempo a eles e principalmente experiência no time principal e em jogos importantes.

Canteranos nos treinamentos do time principal (sport)

Sem dúvida nenhuma o Barcelona tem muita credibilidade em relação aos seus jogadores jovens, não é por acaso que tem o melhor jogador do mundo e sete jogadores formado em casa campeões mundias com a fúria. Além da chegada do Villa, o versátil Adriano (ex-Sevilla) chegou ao clube, dois jogadores que junto com os novos jovens que serão promovidos irão ajudar o Barcelona na busca por títulos.

Os blaugranas continuam como os favoritos aos títulos que disputarem e quem sabe uma nova jóia do futebol mundial possa estar aparecendo nos próximos meses.