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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Melhorando

 Messi fez seu melhor jogo na temporada e ilusiona o torcedor culé (getty images)

O Barcelona sofreu o primeiro gol, virou e recebeu o de empate logo em seguida. O empate por 2x2 contra o Real Madrid não foi ruim porque, querendo ou não, ele servia bastante para manter a diferença de oito pontos, mas certamente há o que lamentar. A chance desperdiçada por Pedro no último lance do jogo tirou o gosto de uma vitória que seria mais do que essencial e abasteceria de moral uma equipe que, apesar de estar invicta na Liga e na UCL, tem muitas interrogações para responder.

No entanto, há uma melhora substancial dos blaugranas a cada partida. No meio da semana passada, contra o Benfica, o time de Tito Vilanova passou por alguns apuros, mas soube controlar com contundência os Encarnados. No superclássico do final de semana, a história se repetiu no segundo tempo. Após um primeiro tempo mais a favor do Real Madrid, especialmente até o gol de empate marcado por Messi, o Barcelona teve lampejos do tempo áureo na reta final da primeira etapa e durante 80% do tempo do segundo tempo. O gol de empate merengue, por outro lado, escancarou um erro que vem sendo criticado desde o início de temporada pela imprensa: o mau posicionamento da linha defensiva.

Os problemas do Barcelona, porém, não se resumem apenas a isso. À exceção de Daniel Alves, que atuou menos de 30 minutos, Piqué, Puyol e Abidal, titulares da primeira linha de quatro em condições normais, não foram convocados ao duelo por lesão. O condicionamento físico dos jogadores não é o melhor possível. Um problema que já dura desde a última temporada, quando Josep Guardiola viu-se em meio a grande dor de cabeça com as mais de 103 (!) lesões musculares de seus comandados. Javier Mascherano é o retrato da atual zaga barcelonista. O argentino é perfeito no mano-a-mano e, apesar de acharem o contrário, desarma limpamente em boa parte das jogadas; contudo, se posiciona muito mal e volta e meia deixa um adversário em condições de gol.

Mas há luz no fim do túnel catalão. A jogada construída no lance que terminou em chute na trave de Montoya, no fim da partida, mostrou que os jogadores ainda sabem acelerar a bola e confundir o adversário com ela. Foi de Messi para Iniesta, de Iniesta para Pedro, de Pedro para Xavi, de Xavi para Montoya, que acertou um belo chute no travessão de Casillas. O jovem lateral, vale o adendo, substituiu positivamente Daniel Alves. Mais defensivo do que o baiano, a opção por ganhar mais solvência porque, na esquerda, Alba é um lateral reconhecidamente mais ofensivo. Ainda que seu trabalho de reposição tenha recebido nota 10 na crítica do Diário Sport, Alba, certamente, não terá fôlego para subir e descer toda hora.

A atuação de Messi ilusiona o torcedor culé. Após iniciar a temporada mostrando uma versão menos avassaladora e mais humana, La Pulga, sobretudo no segundo tempo, desempenhou um futebol digno de um dos melhores jogadores da história. Arrancou com a bola, deixou companheiros na cara do gol, espalhou pane a uma defesa que estava sólida e marcou dois gols. Só não saiu como protagonista mór do jogo porque, do outro lado, havia um Cristiano Ronaldo sedento por ir às redes. O Barcelona (e Messi) ainda não retornou à forma perfeita, e dificilmente irá encantar tanto quanto nos últimos quatro anos, mas caminha para uma melhora significativa. Pode ter certeza de que esse time irá brigar por todos os títulos da temporada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Real Madrid aprendeu a lição

 Mourinho e Cristiano Ronaldo são os principais responsáveis pelos recentes resultados positivos do Real Madrid contra o Barcelona (zimbio)

Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema. Há dois anos, 10 desses 11 nomes começaram como titulares na humilhante derrota de 5x0 para o Barcelona. Naquele dia, apenas Arbeloa começou no banco, entrando no segundo tempo. Os blaugranas continuam sendo superiores, mas atualmente o Real Madrid já consegue enfrentá-los de igual para igual. Os resultados dos superclássicos apenas em 2012 evidencia tal evolução madrilenha: duas vitórias barcelonistas, dois empates e duas vitórias merengues. Ontem, mais um capítulo da história do Superclássico foi escrito. Em partida de gala, o 2x2 mostrou as carências das duas equipes na temporada, mas ratificou o novo peso do duelo. 

Atualmente, o Real Madrid sabe como jogar contra o Barcelona sem se acovardar (muito). Nesse cenário, dois personagens merecem destaque: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. O treinador português conseguiu dar um padrão de jogo à equipe que Florentino Pérez tanto tentou achar com Manuel Pellegrini. A lição da manita foi aprendida em peso: para jogar contra o Barcelona, a aplicação tática precisa estar à mil. Após muitos confrontos, Mourinho, estrategista que é, conseguiu encaixar seu jogo ao do rival. Com intensidade, compactação dos setores negando espaços a Messi e velocidade para surpreender a zaga adiantada e em linha do Barça com Cristiano Ronaldo se infiltrando em diagonal, o Real Madrid, hoje, sabe como jogar contra os catalães.

Aí, o craque português tem seus méritos. Sempre taxado por amarelar nos clássicos, ele virou a página. Ao marcar de esquerda o gol que abriu o placar, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador da história da rivalidade a marcar em seis confrontos consecutivos. Quem vê o Ronaldo de 2012 e o Ronaldo das temporadas anteriores sabe que houve uma mudança. O atual não tem medo de ousar. Chuta, dribla, toca, provoca. Aquele Cristiano Ronaldo apagado, com medo e displicente que enfrentava o Barcelona é coisa do passado.

Na parte defensiva, houve mudanças substanciais. Ainda que Pepe saia do sério a todo momento (e, convenhamos, se ele não saísse estranharíamos), ele mantém a cabeça no lugar a ponto de não comprometer. A emblemática expulsão no confronto da Champions League 10/11 mudou seus nervos - ainda que, na ida do jogo da Copa do Rei, ele tenha pisado em Messi. E isso ajuda em seu desempenho em campo. Na vitória de abril, por exemplo, o luso-brasileiro teve atuação de gala.

Quem também merece menção é Özil e Di María. O argentino é a válvula de escape dos blancos, sempre impussionando velocidade na parte esquerda da zaga blaugrana e sendo importante na recomposição. A marcação a Daniel Alves (ou Montoya, como no caso de ontem), anula uma dos trunfos do Barcelona. O alemão, por sua vez, vive cenário semelhante ao de Cristiano Ronaldo. E a parceria entre os dois é alta: em superclássicos, são cinco assistências do camisa dez ao gajo, quatro apenas nos confrontos deste ano.

O cenário é tão favorável ao Real Madrid que o empate foi comemorado do lado barcelonista. Tudo bem que deveria ser mesmo, afinal os oito pontos de vantagem se mantém e os azulgrenás atuaram com a zaga reserva, mas fatalmente isso seria lamentado há um ano, por exemplo. E a volta por cima dos merengues favorecem os fãs do futebol espanhol. A equipe de José Mourinho se concentra em jogar bola e não ficar à base de pancadas. Assim, mesmo sendo inferior, conseguiu achar uma fórmula de encarar o Barcelona.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A assistência da temporada

Özil recuperou sua melhor versão, está mais solto e confiante em campo e é peça-chave do esquema de José Mourinho (getty images)

5 anos. Foi esse o período de jejum do Real Madrid sem vencer o Barcelona no Camp Nou. Os merengues, durante esse tempo, sofreram em suas visitas à Catalunha: perderam de 2x0, de 5x0, de 3x2... Simplesmente o jogo não fluía. A cada partida, o cenário era o mesmo: um Real Madrid acuado, nervoso e antipático perante uma avalanche azulgrená, que só fazia valer sua filosofia de jogo. Porém, é preciso voltar a janeiro deste ano para saber que os blancos já haviam perdido o medo de visitar os barcelonistas. No jogo de volta das quartas-de-finais da Copa do Rei, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer. Empatou, foi eliminado, mas a sensação foi de avanço.

E foi o que ficou comprovado no superclássico deste sábado. A vitória por 2x1que praticamente sentenciou a Liga evidencia que, após anos de derrotas e humilhações, o Real Madrid está disposto a dar a volta por cima. O primeiro passo foi dado. Os merengues não sofreram em momento algum da partida. Dominaram o meio-campo, em partidas destacáveis de Khedira e Xabi Alonso, mostraram uma louvável aplicação tática (Di María se sacrificou em prol de ajudar na marcação de Iniesta) e não deixaram Messi em paz: eram dois marcando na frente e um na cobertura. La Pulga inexistiu, só aparecendo em lampejos (diga-se de passagem foi dele a jogada do gol de Sánchez).

Nesse cenário, dois nomes se destacam: Cristiano Ronaldo e Mesut Özil. O português sempre se viu taxado de amarelão. A própria torcida madridista o criticava justamente por sumir em jogos contra o Barcelona. A torcida culé, por sua vez, o ironizava em cada visita do gajo ao Camp Nou. Mas CR7 nunca abaixou a cabeça e continuou fazendo seu trabalho. O gol e a comemoração de desabafo e ironia é um divisor d'águas em sua carreira no Real Madrid: Ronaldo está pronto para ser ídolo, fazer história e ganhar tudo na capital espanhola.

Entretanto, o personagem do post é o alemão. Özil encerrou 2011 em baixa. Em má fase e relegado ao banco, perdeu moral com José Mourinho. A lesão de Di María abriu espaços para o camisa 10 recuperar os créditos perdidos. E o germânico o faz com louvor. Está mais elétrico e, assim como Cristiano Ronaldo, tem sido peça fundamental em superclássicos. Já havia sido o melhor em campo na Copa del Rey e, dessa vez, foi o responsável pela assistência milimétrica para o tento do gajo. O periódico AS definiu bem: foi a assistência da temporada. O que mais chama a atenção nessa nova versão de Özil é sua regularidade. A irregularidade era justamente o ponto no qual a imprensa sempre batia o martelo.

Özil é o arquiteto - junto com Xabi Alonso - que o Real Madrid não tinha há muito tempo. Özil cumpre uma função tática semelhante a de Figo (não estou comparando os jogadores, hein) na época do título europeu de 2002. São 19 assistências na Liga, 25 na temporada. Seja jogando aberto à direita ou centralizado no auxílio a Benzema ou Higuaín seu futebol continua o mesmo. É o talento somado a regularidade e a naturalidade. Aos 23 anos, ele tem o arranque, o chute e a visão de jogo que o transformam num dos meio-campista mais completo da liga. Mourinho celebra a cada jogo o retorno do futebol e a adaptação de Özil ao estilo de jogo merengue. É evidente que o Real Madrid se sagrará campeão com autoridade e justiça. Assistimos a uma irrefutável demonstração de força dos líderes na temporada e a um concerto do alemão, que cumpre todas as tarefas que você pode esperar de um criador de jogadas. Um timaço, um craque.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Orgulho resgatado

Özil e Cristiano Ronaldo são as imagens do novo Real Madrid. Antes criticados por não renderem contra o Barcelona, deram a volta por cima e saíram de campos exaltados (reuters)

Guardiola assumiu o comando técnico do Barcelona em 2008. Estamos em 2012 e desde que o treinador chegou à equipe principal dos barcelonistas foram disputados 13 superclássicos nesse período. Em 10 deles o Barcelona foi totalmente superior ao Real Madrid, até mesmo quando foi derrotado na final da Copa do Rei 2010/2011. Já teve 5 x 0, 6 x 2, 3 x 1. Em dois deles, os merengues conseguiram neutralizar o poderio azulgrená e fizeram uma partida igualada. Quatro anos depois de ser superior ao rival catalão pela última vez, o Real Madrid voltou a ser o Real Madrid.

O empate por 2 x 2 pelo jogo da volta da Copa classificou o Barcelona à semifinal da competição. Mas se teve uma notícia positiva no lado perdedor foi o fato da equipe ter recuperado a áurea merengue, o sangue de vencedor. Demorou, mas enfim o Real Madrid voltou a se comportar como um gigante num superclássico. Voltou a honrar o clube mais vencedor da história do futebol mundial. Jogou com a dignidade daquele que tem 9 Ligas dos Campeões da Uefa, 31 Campeonatos Espanhóis, 3 Mundiais de Clubes, 18 Copas do Rei. O orgulhou do madridismo foi resgatado. Estavam soterrados, humilhados, cabisbaixos, enterrados. Mas ressuscitaram das cinzas como uma fênix. E, como a mítica ave da mitologia grega, querem dar a volta por cima. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. É o que quer José Mourinho daqui para frente.

A excelente partida do Real Madrid no Camp Nou envia uma mensagem de esperança aos torcedores blancos. Foi confirmado que, por melhor que seja o Barcelona, melhor equipe do mundo, apequenar-se não é o mais indubitável em jogos como esses. Excelência se combate com excelência. Talento se combate com talento. História se combate com história. Foi isso que o Madrid desta quarta-feira fez no Camp Nou. Faltou sorte, também. Um chute perfeito de Özil acertou a trave de Pinto. Um chute perfeito de Daniel Alves, por sua vez, morreu no ângulo direito de Casillas. Uma arrancada de Messi parou perfeitamente nos pés de Pedro, que colocou no contra-pé do capitão merengue para vencê-lo. Uma arrancada de um repentino Kaká caiu no pé esquerdo de Cristiano Ronaldo, mas que acabou carimbando a placa publicitária às costas do gol de Pinto.

Os blancos perderam na soma de resultados, mas ganharam em dignidade. Isso revela uma situação emblemática para José Mourinho: por que arriscar tudo no campo do adversário quando se pode definir um duelo atuando em seus domínios? O 4-3-3 com Altintop na lateral direita, Özil, Callejón e Kaká no banco e Lass, Xabi Alonso e Khedira no meio-campo soa como inacreditável se comparado ao 4-2-3-1 usual utilizado ontem. Teve Özil, Kaká, Cristiano Ronaldo, Arbeloa, Fabio Coentrão. O novo Real Madrid, a equipe do futuro, jogou melhor que seu adversário quando resolveu jogar que um gigante do futebol mundial.

O Real Madrid do futuro tem Mesut Özil, camisa 10 raro, que joga de terno e gravata. Özil tem vocação técnica para ditar o ritmo de jogo do time em que joga. Ontem foi o motor do Real Madrid na partida. A imagem de um meio-campista craque mas displicente deu lugar a um jogador de aura energética. Foi para isso que José Mourinho o contratou. O Real Madrid do futuro tem Cristiano Ronaldo, craque com dna de vencedor. Chegou a ser vaiado pelos torcedores por não render nem 25% do que pode num superclássico. Mas os dois duelos pela Copa foram a rendenção do português, único jogador capaz de rivalizar com Messi o posto de melhor do mundo.

O Real Madrid do futuro tem Benzema, homem-gol sempre sedento por ir às redes. Bate com as duas, cabeceia, se posiciona bem. O Real Madrid do futuro tem Xabi Alonso, meia que marca, arma e finaliza. É o ponto de equilíbrio da equipe, o jogador que faz a bola rodar e que comanda o meio-campo. O Real Madrid do futuro tem Marcelo, lateral-esquerdo arisco, ousado e agudo. O Real Madrid do futuro tem Sergio Ramos, lateral direito que já teve o mundo aos seus pés. Utilizado de zagueiro, como no início da carreira, não tem comprometido. Foram longos quatro anos para o Real Madrid voltar a ser o Real Madrid.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O mau perdedor

Imagem auto-afirmativa. Pepe afirmou que não teve o propósito de pisar em Messi (getty images)

Não existe nada pior no esporte do que um mau perdedor. O mau perdedor não é o que tem espírito vencedor, o que tenta a todo custo buscar o topo, o que quer sempre mais. O mau perdedor não é o que não gosta de perder, o que fica chateado com a derrota, o que passa a noite sem dormir pensando no que podia ter feito de diferente. O mau perdedor é aquele que não compreende que perder faz parte do jogo, que não admite reconhecer-se inferior, que apela quando o insucesso se avizinha.

O bom perdedor transforma a derrota em aprendizado. Aceita, mas não se conforma. Perde, não incita violência, aperta a mão do ganhador, parabeniza, volta para casa e matuta uma forma de superá-lo no jogo seguinte. O bom perdedor não põe o resultado à frente do caráter. Derrota não mancha currículo. Deslealdade mancha. O brasileiro naturalizado português Pepe se encaixa perfeitamente na imagem de mau perdedor.

O zagueiro chegou a Madrid sob expectativas. Até porque foram pagos 30 milhões de euros para tirá-lo do Porto. O preço foi um exagero total da cúpula merengue à época, apesar de Pepe ter futebol. Sim, o português sabe jogar bola. Mas não tem cérebro. Perde a paciência à toa, cai na provocação do adversário facilmente e, sobretudo, não aguenta ser humilhado pelos jogadores do Barcelona. Os ingredientes jogam por água abaixo boas partidas que Pepe faz. Um exemplo claro foi o superclássico do Bernabéu pela ida da Champions League passada. Pepe anulava Messi e o Barcelona não atacava a meta de Casillas com contundência. Mas estava lá Pepe para acabar com o esquema de Mourinho. Uma solada desnecessária em Daniel Alves gerou um cartão vermelho. O suficiente para Messi ficar solto em campo e desfilar genialidade, marcando dois e garantido o Barça na final.

Está paranóico diante do retrospecto negativo de sua equipe frente ao maior rival. Em oito confrontos desde que Mourinho chegou a Chamartín, perdeu cinco, empatou dois e venceu apenas um. Tomou um retumbante 5 a 0 no primeiro duelo, onde quem protagonizou cenas de mau perdedor foi Sergio Ramos. Uma ferida que ainda não cicatrizou. Perdeu Champions, La Liga, Supercopa e, pelo visto, Copa do Rei. Perdeu a razão.

Na derrota da última quarta-feira, por 2 a 1, Pepe apresentou ao mundo, mais uma vez, sua face de mau perdedor. O chute em Busquets, logo no final da primeira etapa, soaria como um gesto de jogo duro se fosse fato único. Representou, contudo, mais um capítulo de mau comportamento e falta de espírito esportivo. O luso-brasileiro criou polêmica desnecessária. Chegou a protagonizar um fingimento de tapa na cara para parar, propositadamente, um ataque azulgrená, quando, na verdade, Cesc Fàbregas utilizou do futebol limpo para desarmá-lo no campo de ataque. Foi vaiado pela torcida após ser substituido. Os aficionados já não o aguentam mais.

Mas o ato de Pepe que mais indignou os fãs de futebol pelo mundo e o barcelonismo envolveu aquele que tem uma imagem dialmetralmente oposta àquela que Pepe mostra a cada partida: Lionel Messi. Após boa jogada do argentino pelo meio, Callejón o derrubou. Até aí, tudo bem. O canterano merengue pediu desculpas e Messi aceitou. Mas Pepe não estava satisfeito. Nunca está. Desnecessariamente, deu um pisão nos dedos do melhor jogador do mundo, em um ato de mau caratismo e sujeira. Isso não é futebol. O zagueiro teve a chance de voltar atrás, mostrar-se um homem de verdade, mas voltou a repetir palavras que balbucia após cada lance violento: "não tive vontade de machucar Messi", disse.

Após ver o atitude de seu colega de equipe, Xabi Alonso correu imediatamente para ver como estava Messi, mostrando-se um sentimento de preocupação. Está aí os valores históricos do Real Madrid, que não precisa de jogadores como Pepe para aparecer na mídia. O descontrole emocional de Pepe e de outros jogadores tem a ver com Mourinho. O português também se encaixa na imagem de mau perdedor. Já criticou a arbitragem, já criticou Guardiola, já criticou a até a parceria do Barcelona com a Unicef. Além disso, até enfiou um dedo nos olhos do auxiliar-técnico azulgrená Tito Villanova. O Real Madrid virou um time truculento, que abusou das faltas e insistiu em jogadas desleais. É uma equipe à beira de um infarto coletivo, que não assimila a ideia, irrefutável até agora, de ser inferior ao Barça.

No futebol não há verdades absolutas. Mourinho, competente que é, pode encontrar em breve uma fórmula mágica de dobrar este Barcelona. Mas antes precisará entender que, pra saber vencer, tem que primeiro aprender a perder. Mais cedo, o Marca especulou que a diretoria blanca, com o aval de Mourinho, teria pensado na ideia de afastar o luso-brasileiro por 15 dias, o que o tiraria do jogo da volta contra o Barcelona, no Camp Nou. A ideia central de Mourinho, que teria ficado indignado com a falha de posicionamento de Pepe no gol de Puyol, é evitar que seu jogador passa por um inferno que pretende ser o estádio blaugrana com o jogador.



domingo, 11 de dezembro de 2011

A vítima da vez

Arriba. Variações táticas de Guardiola durante o jogo deram um nó tático em Mourinho (reuters)

Após Juande Ramos e Manuel Pellegrini, um novo treinador do Real Madrid caiu nas mãos de Guardiola: em um de seus raros momentos de "derrotas individuais", Mourinho recebeu um nó tático do catalão na derrota de ontem. Vitor Sergio, blogueiro e comentarista do Esporte Interativo, definiu muito bem o superclássico: o craque do jogo foi Josep Guardiola. Do banco, mudou a história do clássico alterando o posicionamento tático de seu time no meio do primeiro tempo.

Inicialmente, não inventou. Mandou a campo o 4-3-3 usual, com Puyol e Piqué na zaga. Ao longo da semana, muitas dúvidas foram aparecendo quanto à escalação de Villa, Sánchez, Pedro ou Fàbregas para fazer companhia a Messi. E, na frente, o treinador optou pela fase, mostrando que foi o melhor a fazer: Alexis Sánchez e Fàbregas começaram entre os titulares e marcaram uma vez cada. Cuenca, que também aparecia como opção, acabou cortado, e nem no banco de reservas ficou. Guardiola afirmou após a partida que preferiu deixar à sua disposição apenas os jogadores da equipe A.

O plano de Guardiola caiu por água abaixo em questão de segundos, com o gol de Benzema aos 25. Puyol marcava Cristiano Ronaldo, Busquets colava em Özil, Piqué cercava Benzema e Abidal vigiava Di María. A pressão provocada pelo Real Madrid nos primeiros quinze minutos não deu a Pep a chance de pensar duas vezes: para sair da armadilha de Mourinho, só mudando o módulo tático. Após o Real Madrid dar uma desafogada na marcação pressão, Pep repaginou o Barcelona: recuou Busquets para jogar com zagueiro, deslocou Puyol para marcar no mano a mano Cristiano Ronaldo e deixou Daniel Alves mais à vontade.

Os dois Barcelona do primeiro tempo. O primeiro (4-3-3), antes dos 30 minutos, e o segundo (4-4-2), após os 30 minutos (clique na imagem para ampliar)

Fábregas e Iniesta passaram a alternar na esquerda, enquanto mais à frente Messi voltava e flutuava às costas dos volantes adversários, com Alexis Sánchez alternando pelos flancos e o centro. O gol de Sánchez nasceu após Messi arrancar na zona morta, como quis Guardiola. Deixou Özil, Xabi Alonso e Lass para trás e tocou para o chileno, com calma, esperar a hora certa para finalizar e empatar.

No segundo tempo, a mudança que marcou a primeira vitória definitiva de Guardiola sobre Mourinho: um 3-4-3 com Puyol, Piqué e Abidal fixos na linha de três, não avançando em nenhum momento. Daniel Alves, como ala direita, pôde ter mais facilidade para avançar devido a Puyol sempre estar na cobertura de seu setor. O brasileiro era o principal revés do esquema, porque avançava muito e ninguém ficava em sua cobertura. O gol de Fàbregas ratificou bem o poderio do esquema. Messi avançou novamente e tocou para Daniel Alves cruzar como um ponta na medida para Cesc sentenciar o superclássico.

football formations
O 3-4-3 da segunda etapa que engoliu os merengues. Daniel Alves, sem preocupação com a marcação, fez ótima partida, cruzando para Fàbregas marcar

Se a primeira etapa foi marcada pelo equilíbrio das ações, com o Real Madrid levando um pouco de vantagem, o segundo tempo deixou bem claro quem -continua sendo - é a melhor equipe do mundo. O Barcelona simplesmente engoliu o time de Mourinho nos 45 minutos finais. Técnica, tática, psicologica e fisicamente. O primeiro nítido triunfo estratégico de Guardiola sobre Mourinho.

Os blaugranas soubera se adequarem às circunstâncias da disputa. Apesar da fase inconstante, ainda sobra em grandes jogos e reforça o favoritismo absoluto no Japão para fechar 2011 com mais um título e nas demais competições. Mourinho ainda terá muito tempo para trabalhar, mas pelo visto tanto em âmbito espanhol, quanto em solo europeu, o dono do futebol no momento continuará copando as taças.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mandamentos mal cumpridos

Mandamentos de Mourinho não foram cumpridos à risca. Faltou o principal: orar (getty images)

O cenário não era dos mais animadores para o Barcelona. A fase do Real Madrid, realmente, é (ou era?) melhor que a dos blaugranas e, com 25 segundos de jogo, já perdiam a partida por um a zero. Mas a equipe se ajustou e foi buscar o resultado, virando para 3 a 1. Uma vitória que coloca, provisoriamente, a equipe de Josep Guardiola na liderança da Liga BBVA (vale lembrar que o Real Madrid tem um jogo a menos). A visão barcelonista do confronto ficará para amanhã. Hoje, a análise do Real Madrid.

Mourinho fez um planejamento especial para o confronto. Ao longo da semana, o Marca revelou que o técnico nascido em Setúbal preparou dez mandamentos para os seus jogadores. Os mandamentos foram levados a sério, até o primeiro gol barcelonista, que desanimou o Real Madrid e fez com que o plano de jogo de Mourinho caísse por água abaixo. Abaixo, uma análise de cada mandamento durante o jogo

1) Não levar gol ou, pelo menos, o primeiro
Tudo certo, em parte. Benzema, após bobeira de Valdés, marcou o primeiro gol da partida aos 25 segundos. O Real Madrid não levou o primeiro gol, mas sofreu depois a virada. No primeiro gol, Messi veio carregando a bola desde um pouco atrás do campo defensivo, fez o carnaval e deixou Alexis Sánchez em condições para empatar a partida. No segundo, Iniesta, até então sumido, fez boa jogada e, num bate e rebate, Xavi chutou e a bola desviou em Marcelo, enganando Casillas. No terceiro, Messi novamente veio carregando a bola pelo meio, ninguém deu o bote e La Pulga abriu na direita para Daniel Alves livre. O baiano, muito bem hoje, cruzou na medida para Fàbregas ganhar de Coentrão no alto facilmente e sacramentar o jogo.

2) Que o público faça de todo o Bernabéu um inferno
E fez. Mas, como nos outros jogos, desanimou ao longo do jogo. Até o gol de Sánchez, fazia um barulho ensurdecedor. O Barcelona empatou e a festa continuou, ainda que em outro nível. Despencou após o gol de Xavi. O Barcelona começou a tocar a bola, não deixou o Real Madrid jogar e a torcida desapareceu. Ao fundo, a festa era dos 435 culés que viajaram à capital para assistir à partida. Ah, sim: o único gesto de barulho da torcida merengue após o terceiro gol foram as vaias, ainda que pequena, a Cristiano Ronaldo, novamente terrível em um superclássico.

3) Esqueçam o árbitro, olho nos cartões
Ok. Nada a comentar. Só uma observação: os blancos abriram a caixa de ferramentas nos minutos finais, principalmente Sergio Ramos.

4) Aproveitar a força do jogo aéreo merengue
O pior deles. Todas as bolas que Di María, Marcelo ou Özil tentaram levantar à área azulgrená foram erradas ou desviaram e saíram. Nos escanteios, Piqué e Busquets ganharam todas, quando Valdés não saia e defendia. Apenas uma bola pelo alto levou perigo: no final da partida, Cristiano Ronaldo errou incrivelmente uma cabeçada cara-a-cara com Víctor Valdés. Este ponto poderia ser aproveitado muito mais, já que o Barcelona, volta e meia, falha pelo alto.

5) Não se pode perder a bola de vista nem sequer por um minuto

6) Fechar bem os espaços
7) Esforço extremo e mobilidade para acuar o Barça
8) Intensidade, pressão, verticalidade e muito ritmo
Esses quatro serão analisados juntos. Até os primeiros 30 minutos do clássico, o Real Madrid jogou com o sangue nos olhos. Fechou bem os espaços, não deixou Iniesta jogar, Messi tinha a vida dificultada e Piqué e Valdés eram obrigados a darem chutões para frente. Mas, volto a bater na tecla: tudo isso desabou após o gol de Sánchez. No segundo tempo, após o terceiro gol, o Barcelona ficou mais solto e o Real Madrid tentou buscar a virada mais na base da vontade.

Verticalidade também deveria ser mais usada. Di María tentou e, ainda que não estivesse em seu melhor dia, deu trabalho a Abidal. Correu o campo inteiro e cansou, sendo substituído por Higuaín. Cristiano Ronaldo é um capítulo à parte: mais uma vez, sai de um superclássico com uma nota negativa. Omisso, parecia estar com a cabeça distante do Bernabéu. O gol perdido no primeiro tempo não foi digno do segundo melhor jogador do mundo.

Özil é armador. Ou seja, sua função é armar. Só deixou Benzema em condições de gol apenas uma vez, no segundo tempo. Viveu de lampejos, como vem na temporada. Se "destacou" mais pela vontade e na entrega. Disposição não faltou. Faltou futebol, que todos sabem que o turco-alemão tem.

9) Concentração e coordenação de movimentos

Aqui, ok também. Os jogadores manteram-se concentrados o jogo inteiro, até mesmo após o baque que foi o gol de Xavi. Não houve falha nos gols barcelonistas (Fàbregas ganhou de Coentrão no terceiro gol por ser mais alto que o gajo).

10) Autoestima. Não se pode jogar com ansiedade
A autoestima merengue foi para longe depois da virada. Antes disso, os jogadores acreditavam sim que poderiam vencer o Barcelona. Mas não com muita ansiedade. Concentrados e buscando o segundo gol, foram para cima do Barcelona no primeiro tempo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Casa de maternidade

No histórico Real Madrid 2-6 Barcelona, Guardiola usou pela primeira vez como Messi de falso nove. E deu muito certo (getty images)

2 de maio de 2009. Josep Guardiola chegava pela primeira vez ao Bernabéu como técnico. Em jogo, uma Liga: a diferença entre Barcelona e Real Madrid, faltando quatro rodadas para o término, era de um ponto. Quem vencesse levaria o título para casa, praticamente. Uma competição que adquiriu maior valor após o empate de 0 a 0 entre os blaugranas e o Chelsea, quatro dias antes, no Camp Nou, pela semifinal da Champions League (o Real Madrid havia sido eliminado nas oitavas-de-finais para o Liverpool). Messi, contra os blues, foi anulado por Bosingwa e não apareceu no jogo. Assim, Guardiola teve três dias para preparar sua equipe para o grande duelo. E, com uma carta na manga, preparou uma surpresa para o até então treinador do Real Madrid Juande Ramos.

Admirador confesso de Johan Cruyff, com quem havia sido campeão europeu como jogador, Guardiola novamente se inspirou no holandês, que sempre buscava alguma mudança tática em suas visitas à capital. Entretanto, a diferença era clara. Cruyff, por um lado, fazia mudanças defensivas, com o objetivo de neutralizar o ataque blanco, enquanto que Guardiola introduziu uma variação ofensiva a fim de favorecer e dar mais otimismo ao jogo de sua estrela máxima, Lionel Messi, que, segunda havia especulado a imprensa à época, havia saído de campo contra o Chelsea bastante triste pelo mau jogo.

Guardiola, então, mudou a definição de seus jogadores de ataque do 4-3-3. Puxou Eto'o para fazer a ponta direita, tarefa que não deve ter sido fácil, e situou Messi numa linha à frente de Xavi e Iniesta e atrás de Eto'o e Henry, mais ou menos como um enganche, que ora criava jogadas para os dois atacantes e ora ficava entre os zagueiros merengues para receber passes da dupla de meio-campista. Após o jogo, Messi foi sintático na definição de sua posição naquela tarde: "joguei como um nove mentiroso", disse La Pulga, rindo. Messi teve liberdades de movimentos para buscar entradas em uma zona ou outra. O nó tático de Guardiola em Juande Ramos foi tão grande que, vez ou outra, Marcelo e Heinze, que invertiam posições e, inicialmente, marcariam diretamente Messi, chegaram a seguir o argentino no meio deixando espaços suficientes para Eto'o marcar. Um sinal claro de desespero.

Em Roma 2009, na decisão de Champions League, Messi marcou um gol digno de centroavante, decidindo o título azulgrená (zimbio)

O resultado foi um inesquecível 6 a 2, que deu uma injeção de ânimo monstruosa para os azulgrenás irem a Londres buscar a vaga na final. Na capital inglesa, Iniesta achou o gol da classificação aos 49 minutos do segundo tempo, numa partida marcada pela controversa arbitragem de Tom Ovrebo. Na final, Guardiola voltou a repetir a fórmula do sucesso em Madrid. Eto’o e Messi foram invertidos novamente e, dessa vez, foram deles os gols da vitória em Roma. Se na última decisão da Champions League Ferguson tomava café da manhã pensando em como parar o argentino pelo meio, naquela época ele esperava um embate com Evra, que chegou, assim como Heinze e Marcelo, a persegui-lo fora de seu setor em claro sinal de que o United não sabia o que fazer defensivamente. La Pulga sentenciou o tri-campeonato europeu aos blaugranas após cruzamento de Xavi e uma cabeçada digno de um centroavante.

Um mês depois da conquista da tríplice coroa, o Barcelona estaria de centroavante novo: em uma negociação com a Inter de Milão, pagou 45 milhões de euros aos nerazzuris mais Eto'o por Ibrahimovic, em excelente fase. Na ocasião, Guardiola escalou durante o primeiro semestre inteiro Ibrahimovic de centroavante e Messi aberto à direita, como em outrora. Não importa onde você coloca Messi, pois ele sempre vai brilhar. O problema foi quando Ibrahimovic, que após sair do Barcelona declarou não gostar de jogar como referência, esqueceu seu futebol, a partir do segundo turno. Muito parado, estragando as jogadas ofensivas rápidas barcelonistas e desperdiçando gols importante, o sueco perdeu a confiança que Guardiola havia depositado nele, a ponto de deixar Eto'o, um centroavante de origem, ir embora como se fosse nada.

Pep se deu conta que o melhor a fazer era deixar Messi como falso nove. E tornou-se definitivo. O camisa 10 fez uma sequência de três partidas geniais na posição e Guardiola não teve mais dúvidas que ali era seu lugar. Contra Valencia, Stuttgart e Zaragoza foram seis gols do argentino. Um mês depois, quatro contra o Arsenal. Messi, então, passou a pulverizar qualquer tipo de recordes. Marcou 32 gols na Liga Espanhola dessa temporada, sendo o artilheiro da competição; 53 gols na temporada passada; tornou-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona; e vem, há três temporadas consecutivas, firmando a artilharia da Champions League (8 gols em 2008/2009 e 2009/2010 e 12 gols em 2010/2011).

O segundo nó tático

Pellegrini, com um sorriso amarelo. Ele também sofreu nas mãos de Guardiola (AP Photos)

Após Juande Ramos 2009, Guardiola fez mais um treinador merengue de vítima. Em 2009/2010, Real Madrid e Barcelona voltaram a fazer mais um jogo decisivo pela Liga. Aos merengues, só restavam a conquista do título nacional, já que havia sido eliminado da Champions (Lyon) e da Copa do Rei (Alcorcón) novamente. O fracasso de uma temporada bastante promissora, com as contratações de Kaká, Cristiano Ronaldo e Benzema, havia sido retumbante. No lado barcelonista, sem Ibrahimovic e com Henry em péssima fase, Guardiola armou novas variações táticas: um 3-5-2 que deixou todos surpresos. Mandou a campo três zagueiros (Milito, Piqué e Puyol) e dois alas bastante ofensivos (Maxwell e Daniel Alves, um pouco mais temerário pelas aparições de Cristiano Ronaldo em seu setor), apostando em Messi e Pedro na frente. Xavi, Keita e Busquets completaram a linha de cinco, que só teve Iniesta na segunda etapa.

O Barcelona venceu por 2 a 0 e sacramentou o bi-campeonato espanhol, com gols de Messi e Pedro, que, vale lembrar, foi mais um acerto do treinador. Pelegrinni, durante o jogo, não soube o que fazer para sair da armadilha de Guardiola e, de fato, passou vergonha perante o catalão. 20 meses depois, as dúvidas voltam a rondar o ambiente blaugrana antes de um superclássico. Não se sabe se Pep entrará em campo no contestado 3-4-3 ou no usual 4-3-3. Fato é que jogar na primeira tática é um risco elevado contra o Real Madrid, que sabe jogar muito bem pelos flancos.

Aliás, isso seria cair num dos erros de Cruyff, que fazia suas trocas na parte defensiva, como citado, mas, vez ou outra, dava errado. Um erro notável do treinador do Dream Team tem a ver diretamente com Guardiola. Em um superclássico de 95, o comandante inexplicavelmente recuou Pep para a linha de três defensiva para fazer a marcação no então veterano Butragueño. Na defesa, Guardiola nunca se destacou e tomou um baile de El Buitre, na manita blanca no Bernabéu (5 a 0).

Apesar de destacarem apenas as dúvidas quanto ao módulo tático, as mudanças de Guardiola para a partida de sábado deve estar novamente na parte ofensiva. Villa, Alexis Sánchez, Pedro e Fàbregas disputam duas vagas no ataque. O chileno e o catalão têm se saído bem nos últimos duelos e podem começar no onze inicial. Guardiola pode mudar o esquema tático por mais uma vez e, quem sabe, aparecer num 4-4-2, com Fàbregas, Busquets, Xavi e Iniesta no meio-campo e Messi e Sánchez à frente, apesar de parecer bem improvável.

Lembram da Operação Blindagem de Mourinho?
A torcida merengue não ficou muito satisfeita com a provável escalação. Em uma enquete promovida pelo Marca, 62.08% dos votantes foram contra Mourinho, querendo que o português saia mais para o jogo e ataque o Barcelona. Lembrando que, na temporada passada, quando Mourinho "atacou" o Barcelona o resultado foi um 5 a 0 histórico para os catalães.


Vídeo-resumo da atuação excelente de Messi contra o Real Madrid em 2009, nos 6 a 2. Reparem como os zagueiros merengues ficam perplexos com a mudança de posicionamento do argentino com Eto'o, dando muito espaços aos dois

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Operação blindagem

Como parar Messi? Mourinho quebrou a cabeça e achou uma fórmula. Dará certo? (marca)

Na maratona de superclássicos no fim da temporada passada, o mundo achou que Mourinho havia, novamente, achado um antídoto para parar o Barcelona. No primeiro jogo, o português surpreendeu ao abdicar de Özil para colocar Pepe na volância e jogar num 4-3-2-1. Os merengues paravam o Barcelona, mas um erro de Raúl Albiol, que cometeu pênalti em Villa, jogou por água abaixo o plano do treinador. Messi converteu e, a partir disso, o Barcelona, com um jogador a mais, se soltou e começou a fazer a famosa roda de bobo. Na Copa do Rei, o Real Madrid novamente foi organizada no combate, mas deu o passo que faltava: ousadia e objetividade com a posse de bola, especialmente no primeiro tempo e na prorrogação. O resultado foi a vitória na prorrogação com gol de Cristiano Ronaldo.

Eis que, enfim, chegara o grande dia: a semifinal da Uefa Champions League. Com a moral elevada após o título, a equipe da capital chegara ao confronto levemente favorita. Apesar do mando de campo, ficou bem claro desde o início que o plano dos blancos em Madrid era primeiro não sofrer o “gol qualificado” e depois tentar a vitória. Além do 4-3-2-1, que dessa vez teve Özil como titular e Cristiano Ronaldo atuando como falso nove, os merengues mantiveram a estratégia com e sem a bola: na defesa, muita pressão e imposição física na ocupação das intermediárias, onde flui o jogo catalão; ofensivamente, bolas esticadas para os lados do campo, especialmente pela esquerda com Marcelo e Di María. À direita, Arbeloa ficou mais preso e Cristiano Ronaldo alternou com Özil pelo flanco e no centro.

O plano de Mourinho novamente estava dando certo, não tivesse mais um erro individual. Dessa vez de Pepe, que estava fazendo uma notável partida. Um marcador com fama de violento e compleição física avantajada não pode ser tão imprudente numa disputa de bola. Talvez Daniel Alves tenha exagerado na reclamação e o árbitro alemão Wolfgang Stark na interpretação, mas o luso-brasileiro foi, no mínimo, truculento e pouco inteligente. A expulsão de Pepe deu ao Barcelona e a Messi os espaços que foram negados por Mourinho e seus comandados nas duas partidas anteriores. Aí, brilhou a estrela do gênio argentino, que marcou um doblete e despachou os blancos.

Ainda havia espaço para um quarto e último jogo. Sem alternativas, restou a Mourinho sair para o jogo e atacar. O técnico de Setubal voltou ao Real ao 4-2-3-1, como nos traumáticos 5 a 0, com Lass Diarra e Xabi Alonso permitindo que Messi trabalhasse às suas costas, quase sempre partindo da direita para o centro. Mas desta vez a experiência dos confrontos anteriores ajudou a equipe do gajo. A última linha defensiva soube bloquear as diagonais de Pedro e Villa na maior parte do tempo e o meio-campo trancou a intermediária com organização e pressão sobre a bola. A postura dos jogadores ofensivos era diferente das partidas anteriores: dessa vez, marcaram sob pressão, pressionando Piqué, Puyol e Mascherano. O resultado foi um 1 a 1, que, apesar de ter classificado o Barcelona à final, deixou Mourinho "satisfeito".

É com essa proposta de jogo que o Real Madrid 2011/2012 tem atuado: marcando sob pressão desde o campo de adversário, adiantado as linhas defensivas e jogando com paciência. Nos dois jogos da Supercopa da Espanha, o Real Madrid foi infinitamente superior (até pela pré-temporada mais concentrada do que a bagunçada do Barcelona). Entretanto, a estrela de Messi brilhou mais uma vez e o Barcelona acabou campeão. Mourinho deve coçar a cabeça todo o dia para tentar achar uma fórmula de parar Messi. Só resta uma escolha: repetir Milão 2010 e congestionar o meio-campo blaugrana, asfixiando Iniesta e, principalmente Xavi, evintando que a bola chegue em condições ao argentino.

Dessa maneira, especula o Marca, o Real Madrid irá jogar no sábado. Enquanto Guardiola tem dúvidas no lado barcelonista, Mourinho já está ciente do que fazer. O técnico de Setubal está convencido que vencerá a partida aquele que dominar o meio-campo. Para isso, trocará de módulo novamente. O 4-2-3-1 dará vez o 4-3-3, visto no confronto contra o Valencia no Mestalla. Xabi Alonso, Khedira e Lass formarão o triângulo de pressão alta. Reforçar a zona de atuação onde os blaugranas mais gostam de jogar é a ideia de Mourinho. Jogando nesse esquema e com o trio o Real Madrid ganhou os seis jogos que fez desde que Mourinho chegou ao clube.

Na frente a aposta é nos contra-ataques e no poderio de Cristiano Ronaldo e Di María. O português e o argentino, entretanto, deverão construir suas jogadas. Özil, em má fase, e Kaká, voltando de lesão, deverão ser banco. Sem o turco-alemão, principalmente, a fluência de jogo não haverá, já que Xabi Alonso estará mais preocupado com Xavi. Será um jogo psicológico. Apesar das últimas derrotas, os jogadores merengues estão convencidos de que podem sim vencerem. Lembram da declaração de Mourinho logo após o seu primeiro jogo como treinador do Real Madrid? "Minhas equipes são melhores na segunda temporada", afirmou. Por enquanto, a declaração é plausível. Mas fará fundamento após o jogo de sábado. Em caso de vitória, o Real Madrid estará, enfim, preparado para ganhar tudo que disputar nesta temporada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De volta ao lugar da consagração

O Barcelona comemorou, de uma vez só, a passagem para a final e a volta de Abidal aos gramados (reuters)

A Liga dos Campeões desta temporada já reservou partidas memoráveis. Depois do duelo entre Arsenal e Barcelona e Bayern Munique e Inter, Barcelona e Real Madrid protagonizaram um confronto que entrou para a história da competição. A intensidade do confronto era tão grande que mesmo após a absoluta vantagem obtida na ida, o Barcelona ainda não era cravado por boa parte da crítica como um dos finalistas. Após parar no muro de José Mourinho e sua Inter, os blaugranas voltam a ter grande dimensão europeia e irá encarar um velho conhecido na final: o Manchester United, adversário de seu último título de Champions League, em 2008-2009. Dezenove anos depois de comemorar seu primeiro título europeu contra a Sampdoria de Vialli e Roberto Mancini, com gol de Ronaldo Koeman de falta, o Barcelona volta ao estádio de sua consagração: o mítico Wembley, em Londres, será o palco de Barcelona x Manchester United.

A partida de ontem já seria histórico "apenas" por isso, mas a forma como os blaugranas se classificaram ante o Real Madrid impõe ainda mais peso à conquista: precisando tirar uma vantagem de dois gols para ir à final, o Real Madrid entrou em campo totalmente ofensivo, mas não conseguiu chegar com muito perigo à meta de Valdés nos primeiros quarenta e cinco minutos. Pelo contrário: foram os azulgrenás quem atacaram como se estivessem precisando do resultado. Até por isso, Casillas foi o grande nome dos primeiro tempo, quando parou Messi, duas vezes, e Villa. Durante todo o primeiro tempo, o ímpeto do Barcelona foi claramente maior do que o Real Madrid, que, acanhado, apenas rezou para Casillas parasse os frequentes ataques do Barcelona. Os blancos começaram a partida marcando a saída de bola do Barcelona, empurrando o adversário para o campo defensivo e forçando erros de passe pouco característicos da equipe catalã. Mesmo com a forte pressão inicial, a equipe merengue não conseguiu traduzir o domínio territorial em chances claras de gol.

O Barça desta temporada tem mostrado, em algumas partidas, que tem a capacidade de ser atacado a exaustão, oferecendo poucas oportunidades para seus adversários, já que deixa poucos espaços para que a bola seja trabalhada pelos adversários. Especialmente ontem, foi essencial a participação de Puyol, que mais uma vez atuou com o coração na mão na lateral esquerda. Por ali, Di María, na primeira etapa, e Cristiano Ronaldo, na segunda etapa, pouco fizeram para levar perigo pelo setor. Kaká, mais centralizado, foi figura tão anulada quanto Özil, que substituiu o brasileiro no segundo tempo. Ontem, a expectativa era de que o alemão começasse a partida como titular. Entretanto, depois de uma reunião entre José Mourinho e o presidente Florentino Pérez teria sido decidido que Kaká seria escalado.

No final do jogo, Guardiola ainda deu chances para Abidal, que substituiu el capitán. O francês, que entrou ovacionado pelos aficionados culés em campo, voltou aos gramados menos de dois meses depois de se recuperar de um tumor no fígado. Guardiola, mais uma vez, esteve em foco: após vencer o confronto contra José Mourinho, que não assistiu à partida em um hotel, o treinador não teve nem muito tempo para comemorar, pois partiu em um voo rumo a Manchester, para acompanhar o Manchester United encarar o Schalke 04. A mentalidade vencedora do Barcelona no campeonato espanhol ampliou-se em solo nacional e também se mostra presente em solo continental: em quatro temporadas, os blaugranas estiveram em quatro semifinais e, contando com essa, duas finais. Os merengues ainda ensaiaram pressionar como fizeram no início dos dois tempos, mas logo o Barça se assentou e passou a administrar o jogo longe de seu próprio gol. As longas trocas de passes foram provocando faltas e mantinham a equipe segura na defesa para garantir o resultado favorável.

Se, na eufórica vitória barcelonista, Guardiola e Messi podem ter saído como os principais artífices e vencedores, certamente há também o principal perdedor do lado merengue. Cristiano Ronaldo, que passou a ser cobrado pela torcida blanca por uma atuação convincente na Champions, novamente foi figura decepcionante contra o Barcelona e, além de ser eliminado, certamente deixou o caminho livre para o extraterrestre Messi poder comemorar o seu terceiro título de melhor jogador do mundo. Embora a postura defensiva de Mourinho não ajudou para que o futebol de Cristiano Ronaldo aparecesse, em cinco jogos contra os blaugranas na temporada o meio-atacante português foi nulo (à exceção da final da Copa, quando marcou o gol do título).

Enquanto Cristiano Ronaldo fracassa em superclássicos, Messi só brilha: após os dois gols no jogo de ida, La Pulga foi um verdadeiro demônio para a defesa remendada do Real Madrid ontem, sendo responsável pelo cartão amarelo a Ricardo Carvalho e Lassana Diarra, que não "tiraram os pés" das divididas. O maior artilheiro europeu da temporada não ajuda sua equipe apenas com gols, mas com o coletivo: na temporada, já são vinte e duas assistências - poderia ser vinte e três, se Casillas não tivesse feito uma defesaça em chute de Villa, no primeiro tempo. No 4-3-1-2 de Guardiola, o argentino desempenha uma função mais cerebral e mais preocupada com a armação das jogadas: se com Frank Rijkaard e o 4-3-3, Messi ficava mais preso à direita, com Guardiola é notável que seu futebol cresceu, passando a assumir mais a função de homem-gol da equipe, principalmente após a saída de Eto'o.

Na segunda partida das semifinais da Champions League, o Barcelona teve 64% de posse de bola, contra apenas 36% do rival. Desde que Guardiola treina a equipe, há dois anos e meio, o Barça sempre tem mais posse que seus adversários. Mas foi outro dado que chamou mais a atenção: juntos, os três jogadores da linha de três do meio-campo do Barcelona – Xavi, Busquets e Iniesta – acertaram 263 passes. Mais do que todo o time do Real Madrid, que acertaram 261. Xavi acertou 123 dos 134 passes dados na partida, com 92% de aproveitamento. O jogador do Real Madrid que acertou mais passes foi Lass Diarra, com 37. Xavi também aparece em destaque na lista dos jogadores que mais correram. O ‘motor’ do Barcelona percorreu 11.417 metros em campo. Na segunda colocação, ficou Xabi Alonso, do Real Madrid, por 11.154 metros. O atacante Pedro Rodríguez, autor do gol do Barcelona, percorreu 10.695 metros e ficou em terceiro lugar na lista.

Com a moral em alta após a classificação para Wembley e a calorosa festa feita por cinco mil torcedores em Canaletes, centro da cidade de Barcelona, em plena madrugada, o Barcelona receberá o rival Espanyol no final de semana para comemorar o provável primeiro título da temporada: no derby barceloní, basta uma simples vitória ante os péricos e uma derrota do Real Madrid para o Sevilla na Andaluzia para a festa do tri-campeonato ser feita. Agora, mais do que tudo, é fato que os comandados de Guardiola se concentrarão na grande final, em que entrará em campo, ao contrário de Roma 2009, como favorito. Sonhar tão alto é possível.

Barcelona 1x1 Real Madrid
Barcelona
: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol (Abidal); Xavi, Busquets e Iniesta; Pedro (Afellay), David Villa (Keita) e Lionel Messi. Técnico: Josep Guardiola.
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Ricardo Carvalho, Albiol e Marcelo; Lass Diarra; Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo, Kaká (Özil) e Di María; Higuaín (Adebayor). Técnico: José Mourinho.
Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Gols: Pedro (Barcelona); Marcelo (Real Madrid)
Cartões Amarelos: Pedro (Barcelona); Ricardo Carvalho, Lass Diarra, Xabi Alonso, Marcelo, Adebayor (Real Madrid)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pós-jogo: Real Madrid 0x2 Barcelona

Treinadores em foco: Guardiola preferiu responder a Mourinho em campo e provou estar certo. O Barcelona, com a vitória, está mais próximo que nunca da final em Wembley (reuters)

O dia 27 de abril de 2011 já pode ser inscrito na história do Barcelona. Se, de uma hora para outra, o Real Madrid invertou o outro lado da moeda, ao chegar "favorito" para o confronto da Champions, o Barcelona mostrou por que não deve ser "subestimado". Ontem, Josep Guardiola demonstrou estar certo ao afirmar, na coletiva, para José Mourinho que a resposta ao gajo seria dado em campo. Mesmo com a notícia de que jogaria sem o lesionado Iniesta, que caiu como uma bomba em Barcelona, Guardiola recuperou Puyol e armou seu Barcelona com maestria para o terceiro dos quatro confrontos contra o rival Real Madrid. Assim, os azulgrenás jogaram muito bem contra os blancos e impusseram ao Real Madrid uma dura derrota por 2 a 0, dando um sólido passo rumo à final em Wembley.

Sem Ricardo Carvalho, melhor zagueiro merengue na temporada, Mourinho voltou a escalar Pepe na volância e deu mais uma chance a Raúl Albiol, que havia cometido pênalti infantil no confronto da Liga. Na parte ofensiva, Cristiano Ronaldo voltou a atuar como falso nove, enquanto Özil e Di María jogavam no suporte ao gajo. O camisa sete merengue, assim como o turco-alemão, fez uma péssima partida e pouco contribuiu para que sua equipe levasse perigo ao gol de Víctor Valdés, a não ser em um chute de longa distância ao final da primeira etapa. O Real Madrid começou a partida repetindo a marcação agressiva da final da Copa do Rei. Só que depois de cinco minutos de desarmes no início das jogadas do Barça, o time catalão passou a não arriscar bolas em profundidade e apenas trocou passes laterais para não correr riscos, esfriando o ímpeto merengue.

Villa, que no último final de semana, contra o Zaragoza, havia quebrado um incômodo jejum de onze partidas sem marcar, foi o primeiro a ameaçar as redes de Casillas. Caindo pelo lado direito, El Guaje deixou Marcelo e Raúl Albiol para trás e chutou de canhota rente à trave direita do capitão blanco. Dois minutos depois, Xavi arriscou de fora da área para defesa de Casillas. A linha de meio-campo do Real Madrid então recuou e o Barça passou a implementar seu toque de bola paciente e cadenciado. O time de Guardiola tinha dificuldades para encontrar espaços na bem organizada defesa do Real, mas aos poucos a movimentação de Messi passou a dar alternativas aos meio-campistas responsáveis pela transição da defesa para o ataque

Aos 24 minutos, Messi começou a aparecer e deu passe dentro da área para Xavi, que bateu no canto esquerdo para boa defesa do goleiro merengue. Messi participava do jogo ativamente recebendo a bola na região da intermediária, mas se a primeira linha de marcação dos blancos já haviam se mostrado difícil de quebrar, a última também resistia bravamente. Assim, o Barcelona conseguiu várias vezes cercar a área merengue, mas só penetrou na área com perigo uma vez. Aos 38 minutos, a primeira grande confusão no gramado em Madri: Pedro foi derrubado por Arbeloa e Daniel Alves foi caçado por Özil, enquanto Piqué e Sérgio Ramos discutiram rispidamente. Sobrou para Arbeloa, que recebeu cartão amarelo. A tensão voltou a tomar conta de todos na saída para os vestiários, com Keita, Pinto, Valdés e Milito discutindo com o delegado do Real Madrid, o ex-jogador Chendo. O goleiro reserva do Barcelona acabou sendo expulso pelo árbitro alemão Wolfgang Stark.

Na segunda etapa, Mourinho resolveu mudar seu 4-3-2-1 sem um centroavante de ofício para colocar Adebayor no lugar de um apagada Özil. Dessa forma, Cristiano Ronaldo voltou à sua função original, mas seu futebol continuou sem aparecer. O Real Madrid exerceu uma pequena função e parecia perto do 1 a 0, porém Pepe jogou tudou por água abaixo. Daniel Alves foi afastar a bola da defesa e Pepe entrou com a sola da chuteira em sua canela. Cartão vermelho direto para o luso-brasileiro e expulsão também do técnico José Mourinho, pela reclamação. Aos 17 minutos da segunda etapa, o Barça tinha um jogador a mais. A saída de Pepe teve efeito imediato sobre o jogo, com o Barcelona bem mais confortável nas trocas de passes e fazendo a bola chegar aos seus homens de flanco em boa posição para a jogada individual. Foi assim que o Barça chegou à abertura do marcador.

Aos 31 minutos, Afellay, que havia entrado no lugar de Pedro, deixou Marcelo, que escorregou no lance, para trás e cruzou para Messi, que antecipou-se a Sergio Ramos e finalizou por debaixo das pernas de Casillas para inaugurar o marcador. O holandês, autor da jogada do gol, mudou a cara da partida ao entrar em campo e, já há algum tempo, vem merecendo a vaga na equipe titular. Autor de boas partidas, Afellay, tímido (literalmente) quando chegou à Catalunha, parece ter se adaptado ao esquema de Guardiola e sempre entra bem quando o treinador o coloca em campo. Depois do gol, o Real Madrid chegou a esboçar uma reação com muita correria e pouca criatividade, mas logo o Barça voltou a controlar a partida e trocar passes para administrar o placar. Ainda houve tempo para Messi mostrar sua genialidade em um grande lance que ampliou a vantagem blaugrana.

Aos 43 minutos, Messi arrancou da intermediária, passou por Lass Diarra, Sérgio Ramos, Raúl Albiol e Marcelo e tocou na saída de Casillas, sacramentando o superclássico e colocando o Barcelona a um passo de Wembley. Nos minutos finais, Guardiola promoveu a estreia do canterano Sergi Roberto no lugar de um onipresente Villa, que passou a jogar mais aberto pela esquerda na segunda etapa. Com os gols sofridos no Santiago Bernabéu, o Real Madrid não igualará a marca do Milan campeão de 1992/1993, que não tinha levado gols em casa pela Liga dos Campeões.

Dos que decidiram
Messi foi o autor dos gols vitoriosos, quebrando a maldição de nunca ter marcado em jogos de semifinais de Champions e chegando a onze tentos na atual edição da Champions League, artilheiro isolado. Pela terceira vez consecutiva, é de se esperar que, ao final do ano, La Pulga ganhe o prêmio de melhor jogador do mundo novamente. Artilheiro da Liga Espanhola, da Copa do Rei e da principal competição europeia, o argentino a cada ano se supera: na atual temporada, La Pulga já marcou 52 gols, superando uma marca surreal de Ferenc Puskás e tornando-se o único jogador de uma temporada espanhola a chegar em tal casa de gols. São, além de 52 gols, 23 assistências em 50 jogos, totalizando uma participação direta em 75 gols do Barcelona nesta temporada. Como bem definiu Wágner Sarmento, Messi é um adjetivo. Sinônimo de maior.

Messi que com apenas 23 anos figura para ser o melhor (e, por que não, o maior), da história, superou o número de gols de um mito do barcelonismo, Samitier, com o doblete ante o Real Madrid. Com 175 gols, apenas Kubala e César estão à frente do argentino na artilharia do Barcelona. Outra marca magistral de Messi é ter sido o único jogador da história do superclássico a marcar pelo menos um gol em quatro jogos consecutivos na casa do rival. No total, são onze gols contra o Real Madrid, sendo seis no Bernabéu. Segundo Ronaldo, o segundo gol marcado por Messi ante o Real Madrid foi algo de PlayStation. Já Szczesny, que também já sofreu com Messi, mostrou não ter mágoas do argentino e, forçando um pouco a barra, escreveu no twitter: "é o melhor da história".

Na coletiva pós-jogo, como não deveria deixar de ser, Mourinho ironizou a expulsão de Pepe e o cartão amarelo de Sergio Ramos, que o tira da partida de volta e ainda colocou em xeque o último título europeu do Barcelona, o que causou revolta dos barcelonistas: "por que expulsaram Pepe, Thiago Motta e Van Persie e deram um cartão a Sergio Ramos, sendo que eles não fizeram nada? Eu tenho dois títulos europeus conquistados no esforço, e teria vergonha se tivesse conquista um igual Guardiola conquistou em 2009". As palavras do técnico de Setubal, que chegou a falar da parceria do Barcelona com a Unicef, foram interpretadas com indignação no mundo barcelonista, que denunciaram o técnico ao Comitê Disciplinar da Uefa. Apesar de Mourinho não ter aceitado a derrota, Guardiola provou que fez certo ao falar, na coletiva, que daria a resposta ao português em campo. Faltando sete jogos para o fim da temporada (seis, caso o Barcelona seja eliminado pelos merengues), a equipe blaugrana pode ter o gostinho de comemorar o doblete: LC e Liga BBVA.

Se o sonho da Tríplice Coroa se dizimou após a perda da Copa do Rei, os aficionados culés seguem eufóricos com a provável chance de ver o Barcelona ser tetracampeão europeu. Neste momento, antes mesmo de a temporada acabar, há de se reconhecer novamente o fantástico trabalho de Guardiola, que desmentiu estar com seu ciclo no Barcelona chegando ao fim, após uma entrevista a um jornalista da emissora italiana RAI. Um treinador que, pouco tempo atrás, antes mesmo de assumir a equipe principal do Barcelona, já mostrava seus dotes de bom técnico ao levar o Barcelona à Segunda División B. Agora, com um time desenhado taticamente por ele; com um 4-3-1-2 montado por ele para dar, especialmente, liberdade para Messi criar; com jogadores que atuam com seu perfil, dedicando-se inteiramente a um jogo de sacrifício pelo coletivo, Josep Guardiola continua firme para conquistar sua segunda Liga dos Campeões em menos de três temporadas. E, também, não há dúvidas de que este Barcelona foi construído por ele. Como bem definiu Pedro Venancio, "há quem diga que Guardiola não faria em outro clube o que faz no Barcelona. Mas não precisa. Mesmo que perca a vaga para a decisão, o que é muito improvável, Pep já está na história".

Real Madrid 0x2 Barcelona
Real Madrid: Casillas; Arbeloa, Sérgio Ramos, Albiol e Marcelo; Pepe, Lass Diarra e Xabi Alonso; Özil (Adebayor), Cristiano Ronaldo e Di María. Técnico: José Mourinho.
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol; Xavi, Busquets e Keita; Pedro (Afellay), David Villa (Sergi Roberto) e Lionel Messi. Técnico: Josep Guardiola.
Árbitro: Wolfgang Stark (ALE)
Gols: Messi e Messi (Barcelona).
Cartões Amarelo: Arbeloa, Sérgio Ramos, Adebayor (Real Madrid); Daniel Alves, Mascherano (Barcelona).
Cartões vermelho: Pepe, José Mourinho (Real Madrid); José Manuel Pinto (Barcelona).

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quem não faz leva

Real Madrid comemora em Valencia: moral para a semifinal da Liga dos Campeões elevou-se (getty images)

No sábado, o Real Madrid saiu de campo com a convicção de que havia parado o Barcelona. Na final da Copa do Rei, os merengues fizeram um primeiro tempo perfeito, mas sucumbiram na segunda etapa e fora engolidos pelos blaugranas. Porém, de certa forma, o Barcelona não chegou a ser tão incisivo e quando chegavam com perigo ao gol de Casillas, o capitão merengue afastava o perigo. Na prorrogação, quando o Real Madrid parecia morto e o Barcelona perto do gol, Marcelo e Di María tabelaram e o argentino cruzou na medida para Cristiano Ronaldo, que até então estava apagado, cabecear firme para as redes de Pinto e decretar o primeiro título da era Mourinho na capital.

O primeiro tempo foi todo marcado pela superioridade do Real Madrid e o sucesso do time de Mourinho no bloqueio ao toque de bola do Barcelona. Marcando o primeiro passe da trama ofensiva, o time merengue matava as jogadas no início e partia em velocidade para supreender uma defesa adiantada e sem muitos resguardos. Mourinho escalou o Real Madrid no 4-1-4-1. Xabi Alonso era o jogador à frente da linha defensiva e atrás de uma segunda linha de quatro jogadores, esta formada por Özil na direita, Khedira e Pepe centralizados e Di Maria do lado esquerdo. Foram esses jogadores os responsáveis por quebrar o sempre fluente toque de bola do Barça.

O
grande segredo para o domínio merengue estava em sua segunda linha de quatro jogadores, que formava um paredão na marcação a laterais e volantes do Barça, os jogadores que geralmente iniciam a trama ofensiva catalã. Sem opções para o passe curto, já que a pressão merengue era forte, o Barcelona recorreu às inversões longas de um lado ao outro, sem conseguir surpreender um Real bem posicionado. Quando recuperava a bola, os comandados de Mourinho disparavam em direção ao campo ofensivo, aproveitando o espaço por trás da linha defensiva do Barça. A velocidade de Cristiano Ronaldo era essencial para a bola em profundidade, executada com perfeição principalmente por Özil. Assim, além de controlar o ataque catalão, o Real ameaçou o gol blaugrana em várias oportunidades na primeira etapa. E foi em jogada dos dois que, após cruzamento de Özil, Pepe carimbou a trave de Pinto, que só ficou olhando e torcendo para a bola não entrar.

N
o início da segunda etapa, ficou claro que a partida seria bem diferente dos primeiros 45 minutos. Xavi, Iniesta e Messi passaram a se movimentar com maior intensidade para ultrapassar a feroz marcação dos blancos sobre o primeiro passe do Barça. Assim, o time catalão tomou o controle do jogo da equipe merengue. Com o Barcelona chegando cada vez mais próximo da área, a linha de meio-campo do Real recuou para proteger a entrada da área e a partida ficou caracterizada com o Barça rodando a bola e eventualmente acelerando as jogadas. O Real ficou acuado em seu campo, sem muitas opções de contra-ataque. Nos minutos finais do tempo normal, a equipe madrilenha passou a sair em velocidade nos contra-ataques, o que abriu completamente a partida. O Barça seguia perigoso em suas tramas cadenciadas, enquanto o Real Madrid respondia do outro lado do campo com arrancadas em velocidade.

A prorrogação seguiu com o Barça com maior iniciativa ofensiva, mas a eficiência defensiva do Real Madrid e sua velocidade nas saídas de contra-ataque eram evidentes. Em um lance trabalhado pelo lado esquerdo, o time merengue chegou ao gol do título, aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação. Marcelo e Di Maria trocaram passes rente à linha lateral. O brasileiro acionou o argentino próximo à linha de fundo e ele levantou para a área, onde Cristiano Ronaldo estava marcado pelo baixo Adriano. O gajo aproveitou e subiu para testar firme para o gol. Dali até o apito final, o Barça pressionou demonstrando claro nervosismo, enquanto a equipe merengue se segurou com extrema competência e chegou a ter boas chances para ampliar o placar. Em um contra-ataque puxado por Adebayor, Cristiano Ronaldo preferiu chutar de esquerda à tocar para Di María, sem marcação na esquerda, que certamente faria o gol.

Por mais que o cansaço tenha feito com que a estratégia de Mourinho durasse apenas 45 minutos, é preciso louvar o feito de o Real ter conseguido "quebrar" o toque de bola do Barça matando-o na raiz, quando o primeiro de muitos passes é executado. A equipe pode até não aguentar fazer isso por um jogo inteiro, mas essa certamente será uma arma valiosa para os confrontos de Liga dos Campeões que vem por aí. No lado barcelonista, é hora de esquecer a final e se reerguer para os confrontos mais importantes. Certamente, a competição europeia será o tira-teima entre essas duas fantásticas equipes.

sábado, 16 de abril de 2011

Vitória moral

Aplausos para nós: com um a menos, o Real Madrid buscou o empate (em pênalti polêmico) contra o Barcelona. O segundo round é na quarta-feira (getty images)

O que pensar de uma equipe que consegue um empate ante o melhor time do mundo com um a menos? O empate em 1 a 1 no Bernabéu praticamente sacramentou o titulo espanhol a favor do Barcelona, mas mostrou ao mundo que o Real Madrid é capaz de anular a equipe de Guardiola. Na primeira etapa, o 4-3-2-1 de Mourinho sufocou a saída de bola do Barcelona, que teve a posse de bola mas não levaram muito perigo à meta de Casillas. Os espaços, porém, não estiveram totalmente fechados em alguns contra-ataques azulgrenás e Messi acabou desperdiçando duas boas oportunidades. Na primeira, o argentino foi tentar encobrir Casillas e não executou a jogada do jeito que queria; na segunda, fez um carnaval no meio-campo blanco e chutou com força para bela defesa do capitão blanco.

O Real Madrid atuou no 4-3-2-1 que, às vezes, parecia com um 4-1-4-1. Pepe fazia a função de primeiro homem de meio-campo e à frente dele vinha uma linha com Di María, Xabi Alonso, Khedira e Cristiano Ronaldo, este último com mais liberdade para se juntar ao ataque. Na frente Benzema jogava centralizado. O Barcelona veio a campo no seu habitual 4-3-3 (4-2-3-1), com uma surpresa de última hora: Puyol, que não jogava há três meses, foi convocado e, não obstante, iniciou o superclássico como titular. El capitán blaugrana, porém, voltou a sentir dores musculares e saiu na segunda etapa por precaução, segundo o site oficial do Barcelona. Messi, Pedro e Villa compunham o ataque, sempre alternando-se nas funções de homem mais central.

A opção de um meio-campo mais defensivo que o comum deu certo durante todo o primeiro tempo. Porém, no segundo tempo, a entrada de Özil condicionou o jogo: o turco-alemão mudou a característica do Real Madrid e foi importante para que a equipe chegasse ao gol de empate. Na volância, Pepe não deixou passar batido: marcou Messi com solidez na primeira etapa, evitando que o argentino pudesse oferecer resistência ao gol merengue. O argentino pouco fez nos primeiros 45 minutos, mas seu brilhantismo ainda permitiu a criação de boa jogada individual aos 43 minutos, quando Casillas fez bela defesa. Apesar de ceder a posse de bola (que em momentos superou 80%), o Real Madrid também poderia ter aberto o placar: cabeçada de Cristiano Ronaldo salva em cima da linha por Adriano, no último lance da etapa inicial.

Messi comemora: gol no Bernabéu foi o primeiro da Pulga em equipes treinadas por Mourinho (getty images)

O lateral esquerdo brasileiro foi dono de uma grande partida. Marcou Cristiano Ronaldo com contundência quando este bordava pelo seu setor e evitou as subidas de Sergio Ramos ao ataque. O brasileiro, também, evitou por duas vezes um gol do gajo. Além da cabeçada ao fim da primeira etapa, Adriano tirou na hora exata uma bola que o português já preparava para chutar para as redes de Valdés. Cristiano Ronaldo recebeu de Marcelo mas acabou adiantando muito, o que facilitou a chegada de Adriano. Daniel Alves, na outra lateral, também fez boa partida. Apesar do pênalti, muito mal marcado pelo desastrado Muñiz Fernández, o baiano anulou Di María, em péssima noite, e, assim como Adriano na esquerda, praticamente impediu as subidas de Marcelo ao ataque. Porém, Daniel Alves não acrescentou nenhum poder de fogo ao Barcelona quando subiu para o ataque e se preocupou mais na marcação do extremo argentino.

Durante a semana, José Mourinho havia dito que, para jogar contra o Barcelona, estava treinando sua equipe para jogar com um homem a menos, insinuando que sempre alguém era expulso contra a equipe catalã. E, dessa vez, não foi diferente. Xavi lançou com maestria Villa, que ganhou na corrida de Raúl Albiol e acabou empurrado pelo zagueiro. O cartão vermelho, porém, foi mostrado corretamente, já que Villa iria finalizar para as redes de Casillas. Na cobrança, Messi converteu e abriu o placar para o Barcelona. O 49º gol do argentino na temporada destruiu o plano original de Mourinho, e a impressão era de que os dois times aproveitariam a circunstância para se poupar.

Villa, que vem brigado com as redes há alguns jogos, poderia ter matado o jogo, mas não o fez. A atuação do Guaje, e consequentemente sua fase, preocupa. Destaque no primeiro turno, hoje o atacante asturiano foi inoperante caindo às costas de Sergio Ramos, que teve facilidade para marcá-lo. Além disso, não foi por falta de oportunidades que Villa fez uma má partida: o ex-Valencia teve, no mínimo, três ótimas oportunidades de vencer Casillas; mas, na maioria das vezes, por displicência, acabou desperdiçando. Sem contar a falta de domínio na última chance da partida, quando Xavi lançou e o Guaje não conseguiu dominar uma bola, teoricamente, fácil.

Com a expulsão de Albiol, Mourinho refez sua tática com algumas alterações. A princípio, Pepe iria ocupar a vaga de Albiol na defesa, mas com a entrada de Arbeloa (e a de Adebayor, saindo Xabi Alonso e Di María) e o deslocamento de Sergio Ramos para a zaga, o luso-brasileiro voltou à função que vinha exercendo bem. Mas foi a primeira substituição, com a entrada de Özil no lugar de um nulo Benzema, logo após o gol sofrido, que deu novo gás aos merengues na partida. Com participação do turco-alemão, que deu inicio à jogada, Marcelo recebeu de Cristiano Ronaldo e "sofreu" pênalti de Daniel Alves. Com extrema categoria, Cristiano Ronaldo converteu e chegou ao seu primeiro tento contra o Barcelona em sete confrontos.

"Marcelo reconheceu e me disse que tinha que se jogar no lance", disse Daniel Alves após a partida. Fato é que houve falta de critério por parte de Muñiz Fernández. Em um lance bem semelhante, na primeira etapa, Villa foi derrubado por Casillas e caiu na área, mas o árbitro mandou seguir. No fim, o Real Madrid quase chegou à virada. Em jogada iniciada por Özil, que fez o que quis com Keita, Adebayor partiu em velocidade na direita e rolou para Khedira. O alemão, que tinha como opção Cristiano Ronaldo livre na esquerda, arriscou um belo chute de canhota, mas Valdés caiu para defender.

O empate foi justo pela superioridade do Barça e pela entregar do Real Madrid quando estava com um homem a menos. O 1 a 1 foi um bom placar para o primeiro de quatro clássicos. Com o empate, o Barça praticamente se define como o campeão espanhol mantendo a diferença de 8 pontos na ponta da tabela. Para a final da Copa do Rei, quarta-feira, o Barça terá de se preocupar com o possível desfalque de Puyol, que saiu machucado. Porém, Mascherano já estará de volta e, pelo menos contra o Shakthar, foi bem como zagueiro. O Real Madrid pode comemorar: apesar do empate ter selado o tri-campeonato barcelonista, a equipe jogou de igual para igual na primeira etapa e parece ter afastado seus complexos e se convencido de que pode acabar com a seca de vitórias contra o rival.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

As armas para o superclássico

Neste sábado, 16 de abril, será realizado o primeiro de quatro jogos decisivos entre Real Madrid e Barcelona num pequeno período de dezoito dias. O deste final de semana parece ser o de menos expressão, visto que o Barcelona está oito pontos à frente do Real Madrid e com uma tabela muito mais fácil em relação a dos merengues. Na quarta-feira, 20 de abril, o confronto já irá valer: as duas equipes entrarão no Mestalla em jogo que irá decidir o campeão da Copa do Rei. Nas duas semanas seguintes (terça-feira, 26 de abril; e quarta-feira, 5 de maio), um confronto histórico que irá definir um dos finalistas da Uefa Champions League.

Desde 1916 que a dupla não disputavam quatro superclássicos consecutivos, em partidas que poucos dados na internet ou nos sites oficiais dos dois clubes são disponíveis. Portanto, dá para dizer claramente que esta temporada será a maior da história da rivalidade entre as duas equipes. Por enquanto, o Quatro Tiempos não toma partida. Mas deixa, logo abaixo, alguns motivos pelos quais cada um pode se dizer favoritos. Quem leva? Boa leitura!

Real Madrid

"Quem rir por último, rir melhor", disse Cristiano Ronaldo. Será?

1 - Desde aquele fatídico 5 a 0, os jogadores merengues estão com um nó na garganta com os blaugranas. Ao contrário dos dias antecedentes ao primeiro superclássico, provocações do lado catalão é o que não falta, apesar de poucas. Mourinho, estrategista do jeito que é, pode usar isso como um fator para o seu lado, e seus jogadores podem entrar em campo mais engasgados do que já estão.

2 - Enquanto o Barcelona "sofre" com um elenco curto, o Real Madrid pode comemorar: opções boas é o que não falta para Mourinho, que recuperou um bom Kaká e um onipresente Benzema, além de Higuaín. Se o Barcelona deve ir com o mesmo time nos quatro jogos, muito por causa de lesões, Mourinho pode alterar algumas peças e, com isso, não desgastar muito sua equipe.

3 - José Mourinho é a prova de como um treinador pode mudar o ambiente. Em apenas uma temporada, conseguiu classificar a equipe para a final da Copa e, o mais importante, à semifinal da Champions, o que já não acontecia desde o último título do Real Madrid. Além disso, Mourinho já parou o Barcelona quando este estava em seu melhor momento no passado e, por que não, pode pará-lo novamente.

4 - Cristiano Ronaldo. O português é a maior esperança dos aficionados merengues para os embates. Em ótima temporada, o camisa sete merengue duela com Messi pela artilharia da Liga, da Copa e da LC (está em desvantagem nas três). Apesar de ter passado em branco em todas as partidas contra o Barcelona, o português voltou a balançar as redes e já provocou - como de praxe: "quem rir por último, rir melhor". Sempre que Cristiano marca, o clube merengue vence.

5 - Adebayor se reencontrou com os gols e marcou dois contra o Tottenham. A auto-estima do togolês se elevou e, como aponta o AS, há uma probabilidade enorme de ele ser titular. Além disso, Roberto Mancini, treinador do Manchester City, já deu carta branca para que o togolês fique em Chamartin em definitivo.

Barcelona (Victor Mendes)

Messi: sete gols em nove jogos contra o Real Madrid (La Presse)

1 - São oito pontos de vantagem sobre o Real Madrid, a sete rodadas para o fim. Ainda há muita estrada a percorrer, mas chegar ao confronto direto, na Liga, sem o nervosismo de poder perder ali a liderança pode ser a grande ajuda. A tabela, teoricamente mais fácil que a dos blancos, também ajuda e é muito difícil pensar que a taça espanhola escapará das mãos dos comandados de Josep Guardiola.

2 - Há o efeito freguesia: desde 2008 que o Real Madrid não vence um superclássico, seja no Bernabéu ou no Camp Nou. De lá para cá, foram cinco jogos e cinco vitórias azulgrená, entre elas, os acachapantes 6 a 2 no Bernabéu e a inesquecível manita (5 a 0) no Camp Nou.

3 - Em última hora, Guardiola confirmou Puyol, que não estaria apto nem para a final da Copa, para a partida de amanhã. El Capitán não é um oásis de habilidade como seu companheiro Piqué, mas dá a vida em um superclássico e é pé-quente. Além disso, o zagueiro não sente mais as dores que o incomodavam e, se os torcedores barcelonistas temiam pela titularidade de Milito, há grandes chances de ser titular.

4 - Jogadores como Xavi e Iniesta crescem em clássicos como este. No primeiro turno, os dois ditaram o ritmo da partida, participaram de três gols e colocaram os comandados de José Mourinho, definitivamente, na roda. Além disso, há Villa: são nove gols em onze jogos contra o Real Madrid.

5 - Lionel Messi. Em temporada absurda, o argentino é o nome do Barcelona. Contra o Shakthar Donetsk, o argentino bateu seu próprio recorde e de Ronaldo Fenômeno: Messi tem 48 gols na temporada, em 46 partidas, com uma média de 1,06 gols por jogo. Quando o melhor jogador do mundo não marcou estando no campo do Barça, a equipe desperdiçou cinco pontos de trinta (16%). Messi, também, ajuda sua equipe com assistências: já são dezoito na temporada, uma marca nunca vista antes em Barcelona. Além disso, La Pulga gosta de marcar contra o Real Madrid: são sete gols em nove jogos, incluindo um hat-trick com apenas 19 anos.