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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobrando na turma

 "Melhor equipe humana" do futebol espanhol, Valencia deve manter o terceiro lugar na atual temporada (getty images)

A cada vez mais polarizada disputa por título entre Barcelona e Real Madrid tem tirado muito glamour da Liga Espanhola, batizada de Liga das Estrelas anos atrás. É evidente que, em questão de qualidade, La Liga hoje está atrás da Premier League e Bundesliga entre os principais campeonatos da Europa. A disparidade da dupla para os restantes das equipes é notório. Na temporada passada, por exemplo, a diferença entre o campeão Real Madrid e o terceiro colocado Valencia terminou em exagerados 39 pontos. Em relação ao Barcelona, vice-colocado, os chés ficaram 30 pontos atrás. E é exatamente essa disputa paralela pela terceira colocação que tem colocado uma emoção a mais na Liga. Há duas temporadas, o Marca apelidou de "campeão humano" quem terminava naquela colocação.

E quem vem mantendo esse status por duas temporadas consecutivas é justamente o Valencia. Em 2010/2011, não teve muito trabalho para desbancar o Villarreal, enquanto teve que suar mais um pouco para jogar o Málaga à quarta colocação em 2011/2012. Os chés possuem uma equipe coesa, segura e consistente o bastante para disputarem um campeonato de 38 rodadas em busca de seu objetivo: conquistar uma vaga na Champions League. Se a equipe viveu um período de ostracismo principalmente entre 2007 e 2009, hoje não tem mais com o que se preocupar: é muito superior aos demais times, o que deve ser ratificado nesta nova temporada que está prestes a começar. Em um período de forte crise na Espanha, a lógica é que os clubes não se reforcem com tanta intensidade em relação aos outros anos.

Entre os que vão disputar as duas vagas na próxima Champions League, apenas Valencia e Atlético de Madrid deram prosseguimento à certeza. O Sevilla ainda é uma incógnita e o Athletic Bilbao pode estar a um passo de perder duas peças-chaves de seu elenco: Javi Martínez e Llorente. Hoje, fontes do Bild e do Transfermarket confirmaram a proposta de 40 milhões de euros feita pelo Bayern de Munich para tirar o zagueiro-volante de Lezama, justamente o preço estabelecido pela diretoria. O Rei Leão, por sua vez, comunicou a Josu Urrutia, presidente do clube, que não irá renovar seu vínculo que termina em janeiro de 2013. Para não sair de graça, deve ser negociado com a Juventus, que, através de seu diretor-geral, Beppe Marota, confirmou o início das negociações.

O Valencia é justamente o mais forte porque soube utilizar bem o dinheiro da venda de Jordi Alba ao Barcelona. Os blanquinegros trouxeram Guardado, Gago, João Pereira e Haedo Valdez. O presidente Manuel Llorente ainda prometeu mais uma contratação para o meio-campo, que deve ser Ali Cissokho, para substituir Pablo Hernández, de provável saída ao Swansea. Com um elenco leve, o Valencia precisava dessa profundidade para se prevenir. O problema mais esdrúxulo da temporada passada foi resolvido. A contratação de João Pereira, ex-Sporting Lisboa, já será o bastante para o irregular Barragán não ser titular absoluto na lateral direita e evitar o deslocamento de Ricardo Costa ao setor. O zagueiro português pode formar uma boa dupla de zaga com o bom Adil Rami, de temporada positiva em 2011/2012. Para a lateral esquerda, Nacho Monreal está muito próximo de chegar. O propósito de Pellegrino é aproveitar bem a polivalência de Mathieu, que atua tanto na lateral esquerda, quanto na extrema esquerda na linha de três.

A chegada de Guardado tem duas importâncias: o acréscimo de mais técnica ao meio-campo e o retorno de Jonas ao ataque. O brasileiro, muito utilizado por Unai Emery centralizado atrás de Soldado, pode não ser tão subutilizado porque hoje não tem a concorrência de Aduriz no ataque. A saída do basco ao Athletic Bilbao abre espaço para o paulista de Bebedouro atuar na posição mais próxima ao gol, onde brilhou no Grêmio. Isso sem contar com Haedo Valdez, que chega prometendo uma disputa saudável com Jonas e Soldado, e Paco Alcácer, promissor atacante das canteras valencianista que se destacou na pré-temporada e teve seu nome cobrado pela torcida para ganhar mais chances ao longo do ano. O jovem é taxado como novo Villa nas divisões de base. Juan Bernat foi outro canterano que se destacou nos jogos amistosos e deve ter uma utilização mais constante no Mestalla. Aliás, o garoto foi titular na estreia do Valencia na Liga passada.

O esquema tático é que anda balançando a cabeça do treinador. Ainda que tenha adotado um discurso de que pretende impor uma nova "filosofia" no clube, a verdade é que com tanto nomes à disposição, sobretudo do meio para frente, o módulo não fuja do 4-2-3-1. Na pré-temporada, ele não ousou em mudá-lo, mas variou durante boas partidas para o 4-3-2-1 que prometeu encaixar. A proposta é um futebol mais pegado no meio-campo, onde Gago seria essencial. A escalação com essa trinca de volantes deve aparecer em confrontos que pedem mais cautela, como contra o Real Madrid (na estreia domingo), Barcelona e até mesmo os rivais pela LC em seus domínios. Fazer bonito em âmbito continental também é uma obrigação. Após cair nas oitavas-de-finais e na fase de grupos nas últimas duas temporadas, o Valencia precisa saber que tem equipe para, a depender de um sorteio acessível, avançar às quartas. Potencialmente, os chés possuem o terceiro melhor conjunto de La Liga.

sábado, 24 de março de 2012

Quem quer ser o 9?


A menos de três meses da estreia na Eurocopa 2012 contra a Irlanda, a posição de centroavante no grupo espanhol está mais aberta do que nunca. A disputa mantém uma competência constante entre os cinco principais atacantes espanhóis no momento. A decisão não é facil e as diferenças entre eles são claras. Até o dia 15 de maio, data em que se conhecerá por parte de Vicente Del Bosque a lista definitiva para a competição, David Villa, Fernando Torres, Álvaro Negredo, Roberto Soldado e Fernando Llorente deverão convencer ao treinador nacional que é a melhor opção para ser a referência da Roja.

A lógica é que Del Bosque leve dois atacantes à Euro, mas existem outras opções que não se podem descartar. Esses planos alternativos aos principais terão maior ou menor peso em função do estado físico dos cinco supracitados acima nas semanas prévias ao segundo principal torneio de seleções. As deveras utilizações de Fàbregas como falso nove no Barcelona, as aparições de nomes como Muniain e Adrián e a polivalência de jogadores como Silva e Iniesta poderiam até descartar a opção de jogar com uma óbvia referência. Entretanto, parece improvável que o treinador madrilenho opte por uma dessas opções, embora seja importante lembrar. Há, também, a dúvida quanto a parte tática. Del Bosque não sabe se joga no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo.

Deste modo, e salvo algum imprevisto maiúsculo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid deverá depositar em um desses cinco nomes suas esperanças de gols na busca pelo bi da Eurocopa. A incógnita quanto ao estado de Villa, a desastrosa temporada de Fernando Torres, a falta de experiência de Soldado em competições desse nível, a brusca queda de produção recente de Negredo e o perfil de Llorente levam o treinador a um dilema e abre um debate: quem deverá ser o '9' na Polônia e Ucrânia? Abaixo, o que os candidatos têm contra e a favor para ganhar a disputa.

David Villa
El Guaje vem fazendo um trabalho específico para chegar em forma à competição. Há algumas semanas, declarou que seu maior desejo é disputar a Eurocopa e poder ajudar o Barcelona na reta final da temporada. Na temporada, foram 15 jogos disputados (893 minutos) e 7 gols.

A favor: É o maior goleador da história da seleção, é decisivo em momentos cruciais e, em condições de jogo, sua presença é indiscutível. Unanimidade, não tem nem discussão se será titular ou não caso vá ao torneio.
Contra: Sua lesão no Mundial de Clubes, em dezembro, manteve-o inativo durante quase toda a temporada. Há quem diga que seja bastante difícil que chegue a tempo de disputar a competição.

Fernando Torres
Sua discreta temporada valeu até pela exclusão na última partida da Espanha, ante a Venezuela. Del Bosque citou que foi um alerta a El Niño, mas deixou claro que, se possível, irá sim deixá-lo de fora da competição. O apelo do povo espanhol já não é tão grande, como em outras ocasiões. Há uma semana, voltou a reconciliar-se com as redes, marcando dois gols contra o Reading, pela Copa da Inglaterra. Na temporada, foram 22 jogos disputados (1232 minutos) e apenas 5 gols.

A favor: Del Bosque o esperou até o último momento na Copa do Mundo e não hesitará em fazê-lo novamente, apesar de suas últimas declarações. Além disso, conta - e muito - com a confiança do treinador.
Contra: Dentre os cinco, é o que tem menos gols. Ficou quase seis meses sem marcar um golzinho sequer

Fernando Llorente
Presente habitualmente nas listas de Del Bosque, faz uma temporada muito boa. Mantém uma relação de amor com as redes e contribui de maneira decisiva para a temporada positiva do Athletic Bilbao. Na temporada, foram 23 jogos disputados (1782 minutos) e 19 gols.

A favor: Provavelmente, é quem faz melhor temporada entre os candidatos. Vive um grande momento, é um homem gol sedento por ir às redes e é presença indiscutível nas listas de Del Bosque.
Contra: Por não ter a velocidade como principal característica, foge do perfil de jogo proposto por Del Bosque. Ironicamente, é quem menos se encaixa no sistema e na forma de jogar da Fúria.

Roberto Soldado
Seu melhor argumento é marcar gols. Tem 20, sendo o atacante espanhol com mais número de gols na temporada. Contra a Venezuela, praticamente garantiu sua vaga no plantel anotando um hat-trick. Na temporada, foram 26 jogos disputados (2150 minutos) e 20 gols.

A favor: É o máximo goleador espanhol na temporada e aproveitou sua única oportunidade que teve com Del Bosque.
Contra: A principal desvantagem de Soldado perante os outros concorrentes é o fato de não ter sido testado outras vezes. A falta de partidas contra seleções de alto nível em seu histórico é bastante relevante.

Álvaro Negredo
Individualmente, o sevillista vinha em boa temporada. Porém, o fato de sua equipe estar fazendo uma temporada muito irregular acaba gerando consequência drásticas no desempenho de Negredo. Nos últimos meses, caiu de produção. Na temporada, foram 20 jogos disputados (1535 minutos) e 6 gols.

A favor: Foi a alternativa habitual nas ausências de Torres ou Villa. É totalmente adaptado ao grupo e ao esquema proposto por Del Bosque.
Contra: Seu recente histórico de lesões provocou uma queda considerável no rendimento. É muito provável que não chegará em seu melhor momento na temporada.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Perigo

Cara feia: momento do Valencia não é dos melhores (getty images)

Em janeiro, o Valencia dava passos largos para cravar o 3º lugar da Liga Espanhola e conquistar o campeonato dos humanos pela segunda vez consecutiva. Atualmente, embora mostre uma imagem melhor em âmbito europeu, a queda de rendimento representou a posição na tabela antes visto como seu à perigo. O desastroso empate no último domingo frente ao Mallorca, quando vencia por dois a zero e deixou os visitantes empatarem num intervalo de 15 minutos, liga o alerta valenciano: Málaga, Levante, Espanyol, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e até o Osasuna não estão para brincadeira.

O 2012 dos chés tem sido bastante irregular. No primeiro semestre, chegou a largar da candidatura do título mais tarde em relação à temporada anterior. Em pelo menos três vezes, emplacou quatro ou mais vitórias consecutivas. No novo ano, o máximo que conseguiu chegar foi a duas vitórias seguidas em duas ocasiões diferentes. Sporting Gijón e Stoke City; Granada e PSV. A queda de rendimento de algumas peças-chaves tem sido um fator negativo. Soldado estacionou nos 12 gols na Liga BBVA (apesar do belo amistoso que praticamente sepultou sua vaga à Eurocopa), Mathieu não tem atuado com tanta contundência na esquerda e Topal não demonstra a segurança necessária para suportar o meio-campo.

A lesão - infantil, diga-se de passagem - de Banega também foi bastante sentida. O argentino, um dos três principais jogadores da equipe na temporada, não tem sido substituído à altura. Contra o Mallorca, aliás, Unai Emery tomou uma decisão para lá de questionável: preferiu utilizar Dani Parejo mais recuado ao invés de Albelda ou até mesmo Barragán. A zaga, por sua vez, tem deixado a desejar. Víctor Ruíz, em especial, não é mais aquele jogador seguro visto na primeira metade da temporada. Apontado como culpado da derrota em Stamford Bridge para o Chelsea, que culminou na eliminação na Champions League, o catalão parece ter esquecido o futebol naquela fatídica noite de Londres. Até Adil Rami, alternativa do Barcelona em caso de falha nas negociações por Thiago Silva, segundo a imprensa catalã, tem atuado num nível inferior ao apresentado outrora. Apesar da progressão nítida de Feghouli, em um 2012 especial, e Tino Costa, a boa fase dos suportes deste Valencia tem feito falta. O Mestalla, antes uma arma, já não faz mais muito efeito: em 13 jogos, três derrotas e três empates.

Unai Emery nunca foi unanimidade em Paterna. Um possível fracasso na tentativa do Valencia ir à Champions pela terceira vez consecutiva pode levá-lo a demissão. Aliás, não é besteira pensar em um novo treinador no Mestalla na próxima temporada mesmo com a vaga na LC confirmada. Após a partida contra os malloquíns, aliás, o treinador reuniu-se com o presidente Manuel Llorente, que não ficou contente com a atitude da equipe frente ao PSV e Mallorca. A presença de Unai na coletiva até foi atrasada. Llorente, dizem, deixou claro: quer a vaga na LC. Time por time, o do Valencia é sim superior aos dos adversários nessa emocionante disputa pela principal competição europeia (até Athletic Bilbao e Atlético de Madrid). Mas os somentes 4 pontos de vantagem em relação ao 4º colocado (Málaga) assustam. A vantagem, vale lembrar, já chegou a ser de 13 pontos.

Twitter da discórdia
À noite, Tino Costa fechou seu domingo negro. Expulso frente ao Mallorca, pagou um mico dos grandes. Um fã-clube do Valencia denominado de @valencianista100% mandou uma mensagem para o volante com os seguintes dizeres: "ajude-nos a chegar ao TT (Trendings Topics)): #llorentedimision, "unaiveteya". Por erro (ou não), o jogador acabou dando RT no tweet (ver imagem), o suficiente para espalhar nas redes sociais e virar notícia, ficando visível para seus 22 mil seguidores. Por ironia, quem acabou no TT foi ele mesmo. Pouco depois, se desculpou: "houve um erro no meu twitter e eu peço desculpas. Jamais na minha vida apoiaria algo desse tipo. Não creio que siga com isso, a não ser que seja seguro", referindo-se a conta dos torcedores.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Passaporte para a Euro

Os 3 gols de Soldado carimbam seu passaporte à Eurocopa (getty images)

Foi bem simples. Estreando roupa nova, a Espanha goleou uma frágil Venezuela por 5x0, com gols de Silva, Iniesta e Soldado (3). Envolvido pela posse de bola e pelas contundentes jogadas ofensivas espanholas, a vinotinto pouco lembrou aquela seleção promissora que, há pouco menos de quatro meses, derrotou a Argentina de Messi e é uma das favoritas a copar uma vaga na próxima Copa do Mundo. Relembramos: em junho passado, a mesma Venezuela foi derrotada pela Espanha por 3 x 0, em jogo disputado em Nova York. Com a manita, a Fúria de Del Bosque torna-se a mais goleadora da história. Os 131 gols em 52 partidas ultrapassam os 126 tentos em 62 partidas da Espanha de Javier Clemente, atual técnico do Sporting Gijón que treinou a seleção entre 1992 e 1998. Outro feito, talvez até mais destacável, envolve o capitão. Casillas chegou a 72 partidas sem sofrer gols, igualando o feito do holandês Van Der Sar. A excelente atuação roja em Málaga deixa cinco certezas.

1) Sem Villa, vai predominar o 4-2-3-1. A escalação inicial que contou com Busquets protegendo a defesa e Xabi Alonso ajudando na criação numa linha atrás de Silva aberto à direita; Iniesta, à esquerda, e Fàbregas, centralizado, ratificou a ideia de que o 4-3-3 visto nas Eliminatórias só será utilizado no retorno de Villa. No momento é a ideal sem a presença do Guaje e contando com o retorno de Xavi. Mas Del Bosque terá problemas. Xavi e Iniesta são titulares absolutos, mas quem vai deixar o onze inicial: David Silva ou Fàbregas?

2) Iniesta merece um capítulo à parte. Já ficou comprovado que quanto atua aberto à esquerda mas na última linha ofensiva seu futebol é burocrático. No meio-campo, auxiliando o atacante, sempre dá espetáculo. Marcou um gol e ofereceu, mais uma vez, mostras de sua qualidade. Saiu de campo ovacionado por um povo que o tem como herói. É verdade que a temporada 2011/2012 de El Albino, muito por causa das lesões, tem sido abaixo da média, mas o bom futebol mostrado hoje pode elevar sua moral. Silva foi seu principal sócio.

3) Há três semanas, em uma entrevista ao site da Uefa, Fàbregas afirmou que sente um pouco a pressão de ser o sucessor de Xavi tanto no Barcelona quanto na Espanha. Cesc disse que não tem a "paciência" que o camisa oito blaugrana tem para armar uma equipe e aproveitou para deixar claro que "não sabe a hora" de tocar para o lado ou lançar para o atacante. Guardiola, de fato, não tem escalado muito Fàbregas na posição de Xavi, mesmo no momento de ausência, optando por Thiago Alcântara. Mas a sensação é de evolução. Quando escalado contra o Valencia, pela Copa do Rei, fez uma partida nota 5,5. Contra o Bayer Leverkusen, já foi melhor, dando até uma assistência preciosa para Alexis Sánchez marcar vinda do setor do campo onde Xavi mais gosta de atuar. Hoje, contudo, Fàbregas ditou o ritmo da partida. Ficou só na distribuição, à Xavi, onde todas as bolas passavam pelo seu pé. Resultado: duas assistências.

4) A lateral esquerda tem novo dono: Jordi Alba. Com a preferência de Capdevila de ir se "esconder" em Portugal, Del Bosque fechou as portas da seleção para o ex-Villarreal. Azpilicueta e até Arbeloa passaram pela lateral nos primeiros jogos, mas quem mais aproveitou-se do fato foi o jogador ché. Já havia sido elogiado pela imprensa após o jogo contra a Inglaterra, mas hoje confirmou que, salvo algum imprevisto, vai à competição europeia como dono da posição. Hoje, apareceu em, praticamente, todos os ataques pelo setor esquerdo.

5) O nome mais falado após o amistoso foi o de Roberto Soldado. Seu debut com Del Bosque não poderia ter sido melhor. O hat-trick representa não só o primeiro jogador da história da seleção espanhola a sair do banco de reservas e marcar três gols, mas sim que foi lhe dado o passaporte para a Eurocopa. Só não vai à Euro por lesão ou algum outro imprevisto. A depender do estado de Villa, pode chegar até como titular: se, por um lado, Llorente não aproveitou a chance que lhe foi dada, Soldado, além de marcar três gols, se movimentou com contundência, batalhou pela bola mesmo com a partida já ganha, tabelou com os meio-campistas. "Del Bosque pediu para que eu jogasse como no Valencia", revelou na zona mista. Seus companheiros estão felizes por ele. Enquanto isso, quem se lamenta é Fernando Torres. Já discutimos, mas é bom lembrar: há espaços para El Niño Torres na Eurocopa?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Coragem para mudar

Del Bosque lamentou, mas foi obrigado a não convocar Fernando Torres, evidenciando que o jogador não é mais seu plano A na Euro (reuters)

Na Copa do Mundo, Vicente Del Bosque teve medo de constatar a óbvia superioridade de Pedro e Llorente sobre um Fernando Torres para lá de omisso. Em benefício de uma tática que desse mais espaço para Villa jogar pelos flancos do campo, onde mais brilhou na competição da África do Sul, relegou ao banco, injustamente, o centroavante do Athletic Bilbao, que havia feito uma temporada superior a de El Niño e, além disso, havia jogado melhor nos amistosos pré-Copa. A fase negra do à época atacante do Liverpool levou o treinador campeão europeu pelo Real Madrid a fazer algo que não estava em seus planos: mudar o posicionamento de Villa, escalando Pedro, e levando Torres ao banco de reservas.

Foi assim contra Alemanha e Holanda, nos dois jogos finais da Fúria no caminho à taça. Villa, antes com mais liberdade, passara a ser a referência de Xavi, Iniesta e Xabi Alonso, enquanto Pedro passara a atuar à Villa. O canário não decepcionou (excluindo o fato do lance individualista e com um toque de inexperiência contra a Alemanha - que, ironicamente, poderia acabar em gol de Fernando Torres, que acabara de entrar no lugar do Guaje), mas não fora tão decisivo quanto o camisa sete, autor do gol da classificação contra Paraguai e Portugal. O barcelonista, por sua vez, teve uma queda no rendimento. Muito preso aos zagueiros adversários, não marcou em nenhuma das duas partidas, tendo uma chance real de comemorar um tento somente na final.

Hoje, ao revelar a lista de convocados para o amistoso contra a Venezuela, que será disputada na quarta que vem, em Málaga, Del Bosque evidencia que Fernando Torres não é mais seu plano A. E, também, que o medo de não escalá-lo já passou: se for preciso, como contra Inglaterra, República Tcheca e Escócia, em 2011, até improvisar David Silva e Fàbregas como falso nove vale mais a pena. Na coletiva, comentou a não convocação do atacante do Chelsea. "Torres não está bem. Me doeu deixar de fora, mas não posso ser injusto com quem está melhor no momento e merece convocação", disse, referindo-se a Llorente, que já é convocado, e Soldado, este convocado pela primeira vez em cinco anos, a primeira com Del Bosque.

O treinador deixou claro que "a lista é uma base para a Euro, mas não é definitiva". Ou seja: a volta de Torres é plausível, mas El Niño terá que suar. Soldado e Llorente, atualmente, fazem temporadas totalmente superiores a um atacante de clube top que marcou apenas 3 gols na temporada. A moral com a torcida, que o idolatrava tanto, também está caindo por água abaixo. Em enquete do Marca, 89% concordaram com a ação do treinador de não convocar Torres. É a primeira vez que o jogador fica fora, sem ser por lesão, desde 2006, quando o técnico ainda era Luis Aragonés. Com 91 jogos pela seleção, Fernando Torres tem rendimento baixo no Chelsea, onde perdeu a posição de titular mais uma vez. O atacante está há 24 partidas consecutivas sem marcar um gol.

É cedo para projetar com exatidão o futuro do canterano colchonero na seleção, mas alguns pontos têm que ser destacados. A seleção parece não ter se adaptado ao 4-3-3 com Iniesta aberto pela esquerda, Villa na referência e Silva à direita; Busquets, Xabi Alonso e Xavi não emplacaram e sentiram a ausência de Iniesta no setor; e as improvisações de Fàbregas e Silva como falso centroavante não deu certo quando a Fúria enfrentou uma seleção de nível maior (Inglaterra). Um Torres em condições faz falta. A partida contra a Venezuela vai servir para Vicente Del Bosque testar Llorente. A indefinição tática ainda prossegue. Mesmo insistindo no 4-3-3, a tática que mais deu retorno no pós-Copa foi o 4-2-3-1. Sem Villa, Llorente seria o nome perfeito para fazer a função de referência numa tática com a qual está acostumada.

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), Victor Valdés (Barcelona), Pepe Reina (Liverpool-ING);
Defensores: Álvaro Arbeloa (Real Madrid), Sergio Ramos (Real Madrid), Gerard Piqué (Barcelona), Carles Puyol (Barcelona), Jordi Alba (Valencia), Andoni Iraola (Athletic Bilbao), Javi Martinez (Athletic Bilbao);
Meio-campistas: Xabi Alonso (Real Madrid), Thiago Alcântara (Barcelona), Cesc Fàbregas (Barcelona), Sergio Busquets (Barcelona), Santi Cazorla (Malaga), Xavi (Barcelona), Andrés Iniesta (Barcelona);
Atacantes: David Silva (Manchester City-ING), Iker Muniain (Athletic Bilbao), Roberto Soldado (Valencia), Fernando Llorente (Athletic Bilbao), Juan Mata (Chelsea-ING), Jesus Navas (Sevilla), Alvaro Negredo (Sevilla).

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Classificação possível

Jogadores do Valencia comemoram o gol de Soldado, que decretou a virada ché: classificação às oitavas-de-finais é possível (getty images)

O Valencia entrou em campo para enfrentar o Bayer Leverkusen com a real perspectiva de que, em caso de derrota, daria adeus às possibilidades de avançar de fase. mas bastou o primeiro toque de um jogador ché na bola para a tensão dar lugar a euforia. Com um gol de Jonas aos onze segundos de jogo (segundo gol mais rápido da história da Champions League), o Valencia saiu na frente dos alemães, que chegariam ao empate ainda na primeira etapa, com Kiessling. Os gols da vitória valenciana, contudo, sairiam apenas na segunda etapa, com Soldado e Rami.

Logo após o apito inicial do sueco Jonas Erlkson, o placar foi inaugurada: após saída de bola errada do goleiro Leno, Jonas chutou de esquerda, à direita do alemão, para colocar o Valencia na frente e tranquilizar a situação blanquinegra. Uma má notícia, contudo, assolou a boa partida que o Valencia vinha fazendo. Destaque da equipe nos últimos jogos, Banega sofreu um traumatismo no joelho direito e saiu de campo chorando, ao mesmo tempo em que era ovacionado pelos aficionados chés, para a entrade de Tino Costa. Exames médicos feitos hoje de manhã em Paterna revelaram que o argentino será baixa por um mês e meio.

O episódio deu uma desanimada no ímpeto valenciano, que diminuiu e resultou no gol de empate do Bayer. Após receber na esquerda, Ballack levantou na medida para Kissling, até então muito bem marcado por Víctor Ruíz, cabecear firme às redes de Diego Alves. O ex-Chelsea foi um dos melhores em campo no confronto, sempre ditando o ritmo de sua equipe. Se movimentando com inteligência e jogando centralizado na linha de três, foi um pesadelo para o meio-campo blanquinegro.

Na segunda etapa, o reencontrou o equilibrou e a calma para chegar ao resultado. O Leverkusen manteve um ritmo de jogo rápido e procurou manter o controle do jogo, já que o momentâneo empate era favorável. Contudo, a estratégia do treinador Dutt caiu por água abaixo logo aos 10' da segunda etapa. Mathieu, um dos melhores em campo, desceu em velocidade pela esquerda e cruzou rasteiro para o artilheiro Soldado desviar de calcanhar e desempatar a partida. Depois foi a vez de entrar em cena Tino Costa. O substituo de Banega cruzou na medida para Rami, que subiu mais toda a defesa alemã e cabeceou firme à meta de Leno, sentenciando a vitória do Valencia.

Agora, a sorte está do lado do Valencia. Se o Chelsea, que empatou com o Racing Genk por 1 a 1, derrotar o Leverkusen e, na mesma rodada, o Valencia derrotar o Genk no Mestalla, um empate entre blues e chés, na última rodada, classificaria as duas equipes. Agora, os comandados de Unai Emery se preparam para o dérbi que farão contra o Levante, no domingo, pela Liga Espanhola.

Em Praga...

... Messi marcou mais três, garantiu a classificação blaugrana e seguiu fazendo história: 202 gols com o uniforme azulgrená (reuters)

O resultado do duelo em Camp Nou se repetiu na República Tcheca pelo simples fato de que o Viktoria impôs a mesma dificuldade que no outro confronto, mas não teve qualidade técnica suficiente para derrotar o time espanhol e, mesmo assim, não lamentou. Perderam para os melhores do mundo. O gol saiu aos 23', após o Barça pressionar muito e o Viktória ter tido uma grande oportunidade de abrir o placar, em cobrança de pênalti precisa de Messi, que havia sofrido a infração no minuto anterior. O argentino recebeu na área e foi derrubado por Cisovsky, que acabou devidamente expulso. Na batida, Messi deslocou Pavlik e abriu a contagem, naquele que foi seu gol de número 200 pelo Barcelona. Depois de muito pressionar e detendo quase 70% da posse de bola, o Barcelona aumentaria o placar aos 46', após boa tabela com Adriano, que deixou Messi na cara do gol, para bater na saída do goleiro e aumentar a vantagem.

As limitações do Viktoria eram visíveis e com um a menos ficou ainda mais complicado para o time de Pilsen reagir na partida. Sem sair do campo de defesa, os anfitriões ficaram reféns do ímpeto azulgrená, que quase resultou em gol aos dois minutos, com Fabregas, aos nove com Messi e aos 21', com Thiago Alcântara, que acertou o travessão em cabeceada. O Barça seria premiado aos 26', com o eficiente Fabregas, que recebeu cruzamento preciso no meio da área depois de jogada armada por Cuenca. O camisa 4 cabeceou no canto e selou a vitória da equipe espanhola que, depois disso, lançou mão até mesmo de Aléxis Sánchez, que ficou dois meses afastado dos gramados. Sem que o chileno pudesse mudar o panorama da partida, o Barcelona manteve a absoluta posse de bola e só tocou de lado esperando o apito final. Entretanto, Messi é imprevisível, do mesmo modo que o Barcelona. Com toque de calcanhar do zagueiro Piqué, o argentino marcou o quarto e fechou a conta.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A noite de Diego Alves

O gol foi de Soldado, mas o principal responsável pelo empate do Valencia contra o Chelsea foi Diego Alves (getty images)

Contratado por 6 milhões de euros junto ao Almería, Diego Alves começou a temporada relegado ao banco de reservas do Valencia. A preferência por Guaita sempre foi clara em Unai Emery, que só havia utilizado o brasileiro apenas uma vez antes (contra o Genk, também pela Champions League). Ontem, Diego Alves foi titular novamente e ganhou, certamente, muitos créditos com o técnico: foi, de fato, El Paredón e parou quase todos os ataques do Chelsea, garantindo o empate do Valencia no Mestalla.

Os ingleses foram os primeiros a assustar, e com um espanhol. Fernando Torres recuperou a bola no ataque, invadiu a grande área, mas foi desarmado por Adil Rami aos três minutos. Pouco depois, aos 14, Frank Lampard em cobrança de falta obrigou o goleiro brasileiro Diego Alves a fazer grande defesa. A primeira chance do Valencia só veio aos 26 minutos, quando Jordi Alba cruzou na área e Pablo Hernández desperdiçou uma ótima oportunidade de gol.

No segundo tempo o Chelsea voltou com tudo, pressionando demais o Valencia. Aos seis e nove minutos, Diego Alves salvou duas finalizações de Fernando Torres. Mas aos 11 não teve jeito: Florent Malouda cruzou na área e Frank Lampard bateu cruzado para fazer 1 a 0. Após levar o gol, os donos da casa melhoraram e passaram a atacar mais, principalmente por conta das entradas de Pablo Piatti e Jonas. E finalmente, aos 42 minutos, o Valencia conseguiu a igualdade: Salomon Kalou cometeu pênalti e Roberto Soldado deixou tudo igual.

Messi à Kubala
O outro representante espanhol a entrar em campo nesta quarta-feira foi o Barcelona. E, apesar da goleada por 5 a 0 frente ao Bate Borisov, da Bielorrúsia, a principal notícia da noite foi o fato de Messi, com um doblete, ter alcançado a marca de 194 gols de Kubala, tornando-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona.

A vitória dos blaugranas foi desenhada com tranquilidade desde o começo da partida. Contra um Bate deveras ingênuo na marcação, incapaz de acompanhar a movimentação de um time que encontra espaços onde não parece existir, o placar ficou até barato para o time da casa. Prova maior da ingenuidade bielorrussa foi o fato de três dos cinco gols terem saído por falha diretas da equipe.

domingo, 28 de agosto de 2011

2ª rodada: Volta em alto estilo

Soldado fez de tudo na estreia do Valencia: hat-trick, gol contra, bola na trave... (getty images)

A nova edição da Liga BBVA começou a todo vapor. Os três jogos que abriram a temporada 2011/2012 da primeira divisão espanhola foram bastante movimentados e intensos. Dos onze gols marcados, sete deles vieram do Mestalla, que presenciou uma estreia eletrizante de Valencia e Racing Santander. O sábado também marcou a reestreia de Granada e Bétis na elite espanhola, em partida vencida pelos verdiblancos, e a vitória de uma Real Sociedad mais vistosa contra o Sporting Gijón no El Molinón.

Por causa da greve dos sindicatos dos jogadores do futebol espanhol, a liga bbva foi iniciada com os jogos da segunda rodada. Vale lembrar que os jogos referentes a primeira rodada ainda serão remarcados, sendo provavelmente disputados no final de dezembro. Confira, abaixo, o resumo dos três primeiros jogos. E, claro, não deixe de ler o guia da competição que o Quatro Tiempos preparou junto com o Futebol Espanhol. Parte 1 (aqui) e parte 2 (aqui).

Valencia 4x3 Racing Santander
No primeiro jogo do Valencia após a saída de Mata, Unai Emery surpreendeu na escalação. Para suprir a ausência de seu ex-camisa 10, o treinador optou por escolher um jogador do Valencia Mestalla, Bernat, em vez de Dani Parejo ou Canales, novas contratações do clube que jogam por esse setor. O jovem fez uma boa partida no suporte a Soldado, mostrando calma e bons passes. Porém, faltou ao jogador ser mais incisivo em algumas jogadas e aparecer mais para a criação do jogo. Até por isso, e pelo resultado adverso ao final da primeira etapa, Unai resolveu substituí-lo na volta do intervalo, colocando Canales em campo.

Unai Emery parece cada vez mais disposto a se render ao 4-2-3-1. Muito adepto do 4-3-3, seu esquema predileto, o treinador sabe que, para uma equipe que sabe jogar em contra-ataque, o esquema atual é o que mais se encaixa. Pablo Hernández, principalmente, e Piatti, os dois meias que jogaram pelo flanco, impusseram muita velocidade aos laterais racinguistas. Piatti, estreando oficialmente com a camisa blanquinegra, até poderia ter aproveitado mais a inexperiência de Samperio pela esquerda com mais contundência, como fez Jonas no segundo tempo: o brasileiro entrou quando o Racing vencia por três a dois e colocou fogo na partida. O ex-Grêmio deu mais dinamismo ao Valencia jogando pela faixa esquerda do campo, além de participar diretamente do terceiro e quarto gol dos chés. Destaque também para Jordi Alba: muito ofensivo, como de costume, o lateral fez toda a jogada do gol da virada, que levou o Mestalla ao delírio.

Apesar da virada, Unai Emery tratou de acalmar um pouco os ânimos da torcida e deixou claro, na coletiva pós-jogo: "temos que melhorar o nosso sistema defensiva, porque, apesar da vitória, o jogo de hoje foi um aviso", declarou o treinador. Na volta de Héctor Cúper - ovacionado pelos torcedores valencianista - ao Mestalla, seu atual time mostrou uma certa "volta por cima". Com um onze inicial repleto de jogadores jovens, os verdiblancos por pouco não saíram da Comunidade Valenciana com uma vitória para lá de convincente.

Leia o relato do jogo (aqui) e veja os melhores momentos (aqui)

Sporting Gijón 1x2 Real Sociedad (Victor Mendes)
Em sua apresentação como novo treinador da Real Sociedad, em substituição a Martin Lasarte, Philippe Montanier, que é conhecido como "Guardiola francês", prometeu uma Real Sociedad com um estilo mais vistoso, com uma proposta de jogo mais ofensiva. Ofensivamente, os donostiarras até têm jogadores para isso, mas a defesa nunca foi as das mais confiáveis. Ontem, no entanto, a Real Sociedad venceu o Sporting Gijón sem passar por sustos atrás e com um futebol atraente.

Escalado no habitual 4-2-3-1, os euskaras tiveram duas novidades que fizeram a diferença ao final da partida: na meia-esquerda, o recém-contratado Vela começou como titular, enquanto que, no ataque, Montanier optou por Agirretxe ao invés de Llorente. A titularidade do mexicano em dentrimento de Griezmann pode começar a dar dor de cabeça ao treinador francês: o jovem foi um dos melhores em campo e está disposto a brigar pau a pau com Griezmann por uma vaga na equipe titular. O atacante, por sua vez, foi o autor dos dois gols dos txuri-urdins na partida e deve continuar como única referência. Vela não foi o único jovem a se sair bem na estreia: Iñigo Martínez e Illarramendi jogaram como verdaderos senadores e anularam qualquer tipo de jogada ofensiva dos gijoneses na primeira etapa.

Os gijoneses, pela terceira temporada consecutiva, estreiam com derrota. A teimosia de Preciado custou caro: Rivera, que começou como reserva, entrou ao longo do segundo tempo e adicionou um gás a mais para o Sporting, que sufocou a Real nos minutos finais. Talvez se o volante tivesse em campo desde os primeiros minutos o resultado poderia ter sido outro.

Granada 0x1 Bétis
No confronto entre as duas equipes que voltaram à primeira divisão espanhola, melhor para o Bétis. Quando jogo encaminhava para um zero a zero injusto, o Granada deu um balde de água fria em seus torcedores: Lucena recuou errado e Jonathan Pereira, esperto, pegaou a bola e cruzou na medida para Castro desviar e sacramentar a vitória verdiblanca. A postura exercida pela equipe treinada por Pepe Mel foi bastante elogiada: jogando à Barcelona - trocando passes e mantendo a posse de bola, o Bétis foi superior ao rival andaluz o jogo inteiro.

À espera de Santa Cruz, Ruben Castro não decepcionou: deu bastante trabalho à zaga rojiblanca e marcou um gol que fez justiça ao que foi a partida. A defesa verdiblanca mostrou-se bem sólida no Los Carménes: Mario e Chica passaram segurança e experiência e anularam Ighalo. O Granada, por sua vez, mostrou-se muito dependente de seu craque: Dani Benítez passou ausente durante os noventa minutos e não ajudou nas jogadas ofensivas. Além do meio-campista, Ighalo e Martíns também decepcionaram. De volta à primeira divisão após longínquos 35 anos, o Granada terá que contratar mais caso queira permanecer na elite.

sábado, 11 de junho de 2011

Balanço final: Valencia

Que dupla! Soldado e Mata deram o tom no Mestalla e fizeram com que a torcida mal sentisse a falta de David Villa e David Silva (UEFA.com)

Campanha: 3ª colocação. 38 jogos, 71 pontos, 21 vitórias, 8 empates e 9 derrotas. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Guaita; Miguel (Bruno), Ricardo Costa, David Navarro, Mathieu; Topal, Tino Costa, Banega; Joaquín (Pablo Hernández), Juan Mata; Soldado.
Os Artilheiros: Roberto Soldado (18 gols), Aduriz (10) e Juan Mata (8)
O Técnico: Unai Emery
O Destaque: Roberto Soldado
A decepção: Alejandro Domínguez

A temporada 2009-10 terminou e uma incerteza se instalou no Mestalla: como o Valencia iria se virar sem Villa e Silva? O time reagiu bem, Mata e Pablo Hernández cresceram, Soldado chegou muito bem e, com isso, os valencianistas repetiram o terceiro posto, diminuindo a distância para o segundo colocado Real Madrid. Neste ano, a classificação direta à fase de grupos da LC foi ainda melhor, pois foi o rival Villarreal, que ficou pra trás. A 32ª rodada, que marcou o dérbi da comunidade valenciana, praticamente definiu a disputa do terceiro posto e deu muita moral aos ches, pois aplicaram uma manita no grande adversário, com show do centroavante Soldado. O camisa nove, que veio do Getafe, marcou 18 vezes e poderia ter feito mais, caso não tivesse se machucado durante a campanha.

O outrora coadjuvante Juan Mata foi o jogador que ficou por mais minutos em campo pelos ches, marcou oito vezes e cedeu 12 assistências, chamando a responsabilidade em momentos difíceis. Ao seu lado, ora Hernández ora Joaquín, pois nenhum dos dois teve a constância do camisa dez. O ex-jogador do Bétis subiu de produção mais para o meio do campeonato, já Pablo Hernández largou muito bem e voltou à seleção. Depois, ele caiu de nível, mas terminou o ano em alta e contribuiu ao todo com seis passes decisivos e cinco gols. O sistema defensivo também se comportou bem e ficou entre os quatro melhores de La Liga, sendo vazada apenas 44 vezes. Para o ano seguinte, a defesa terá dois reforços de muito peso: Diego Alves, goleiro que caiu com o Almería, mas que novamente mostrou seu valor e Adil Rami, zagueiro campeão francês pelo Lille e titular da seleção francesa de Blanc.

Em uma temporada muito boa, com todos os setores se comportando bem, a grande dúvida dos ches seguiu sendo a mesma: Alejandro Domínguez, que chegou credenciado por ser um dos líderes do Rubin Kazan campeão russo em 2009, mas é apenas mais um no futebol espanhol. Se a diretoria valencianista seguir acreditando no argentino, ele poderá “virar” e, finalmente, ser o reforço contratado no final de 2009. A crise financeira segue, por isso, o Valencia não deve fazer “loucuras” para qualificar o elenco, que terá três competições pela frente. Assim, Emery deverá voltar seus olhos para os jovens. Jordi Alba e Isco Román já apareceram timidamente nesta temporada e deverão ter mais minutos no ano que vem.

sábado, 7 de maio de 2011

As melhores contratações da temporada

Di María, Özil e Ricardo Carvalho estão entre as melhores contratações do futebol espanhol nesta temporada (realmadrid.com)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Liga BBVA investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quatro Tiempos selecionou os melhores negócios. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Júlio Baptista, da Roma para o Málaga, por 11 milhões de euros
Ao começar a próxima temporada na primeira divisão, o Málaga saberá que deve muito a Júlio Baptista. O brasileiro foi um dos reforços providenciados pelos novos donos do clube em janeiro, quando a ameaça de descenso era forte, mas a princípio pareceu um tiro pela culatra. Lesionado em fevereiro, teve de passar por uma cirurgia e só retornou dois meses depois. De volta, acabou salvando quase sozinho os andaluzes, que venceram cinco jogos seguidos entre as rodadas 32 e 36, com nada menos que sete gols de Baptista.

Iván Cáceres, emprestado do Barcelona ao Sevilla
Cáceres não convenceu no Barcelona e na Juventus, mas o empréstimo para o clube da Andaluzia o fez bem. Assumiu a responsabilidade no Sevilla e foi uma das poucas apostas de Antonio Álvarez a permanecer na equipe titular. Até aqui, fez todas as partidas do Sevilla na Liga BBVA, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: especulações dizem que Guardiola quer contar com o jogador para a próxima temporada, já que o Barcelona passa por perengues com seus zagueiros. Uma lesão na costela, porém, irá impedi-lo de jogar o restante da temporada e até a Copa América com o Uruguai.

Ángel Di María, do Benfica ao Real Madrid, por 33 milhões de euros.
Destaque do Benfica campeão português, Di María foi a segunda transferência mais cara do futebol espanhol, ficando atrás apenas de David Villa, do Barcelona. No Real Madrid, chegou sob dúvidas após a má Copa do Mundo. E os primeiros jogos como merengues não ajudaram. Sempre aberto à esquerda, o argentino não estava convencendo e era coadjuvante de Özil, que começou voando. Porém, Mourinho tratou de, nas coletivas, injetar ânimos ao meio-campista, que deslanchou. Líder de assistências na UCL, Di María foi eleito em votação do Marca o principal jogador do Real Madrid na maratona de jogos contra o Barcelona. Fato que foi dele o cruzamento para o gol de Cristiano Ronaldo na Copa e a jogadaça para o gol de Marcelo na Champions, que deu esperanças à torcida madridista.

Mesut Özil, do Werder Bremen ao Real Madrid, por 18 milhões de euros
Um dos destaques da Alemanha e da Copa do Mundo, o alemão chegou a Madrid em meio a polêmicas: durante a Copa do Mundo, o meia havia dito, em uma entrevista, que seu time favorito na fora da Alemanha é o Barcelona, grande rival do Real Madrid. Uma semana antes de fechar com os merengues, o nome de Özil parecia certo como um dos reforços dos blaugrana, se não fosse Guardiola, que disse "não" à ida do turco-alemão para a Catalunha. Em Chamartin, Özil se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Real Madrid e foi peça-chave no 4-2-3-1 de Mourinho. Nos últimos jogos, seu futebol caiu um pouco devido ao desgaste físico, mas o primeiro turno do alemão foi digno de nota alta. Com onze assistências, o jogador chegou a ser alcunhado de "novo Zidane" pela imprensa espanhola e tem em Jorge Valdano, dirigente do Real Madrid, seu fã número um no clube.

Ivan Rakitic, do Schalke 04 ao Sevilla, por 2, 500 milhões de euros
Ivan Rakitic era o fantasista que o Sevilla precisava. Grande decepção no primeiro turno, a começar pela eliminação precoce na fase pré da Champions, os sevillistas redimesionaram sua temporada após a chegada do croata. Passador e organizador, Rakitic começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção quando passou a jogar de enganche no 4-4-2 de Gregório Manzano. Fazendo a ligação com o ataque, tornou-se essencial para um Sevilla que parecia morto. Bate bem pro gol de fora da área, fáz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Renato foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima - meia - temporada de Rakitic.

Ricardo Carvalho, do Chelsea ao Real Madrid, por 8 milhões de euros
Alto, forte fisicamente, sério e com bom senso de marcação e antecipação, Ricardo Carvalho era o zagueiro que o Real Madrid necessitava. A emergência na defesa blanca chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Homem de confiança de Mourinho, que teve, à exceção da Inter de Milão, o zagueiro português em todos seus times, o gajo recuperou seus prestígios. Dos 36 jogos até aqui pela Liga BBVA, Ricardo Carvalho só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça "com o coração na ponta da chuteira", nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, o Real Madrid só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Ricardo Carvalho jogou sob o comando de José Mourinho. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Roberto Soldado, do Getafe ao Valencia, por 10 milhões de euros
A saída de David Villa para o Barcelona deixou os torcedores valencianos órfãos de seu principal homem-gol desde Mário Kempes, na década de 80. Entretanto, o canterano logo tratou de ocupar um espaço no coração dos aficionados chés. Nas últimas seis partidas, o centroavante marcou dez gols, uma média de 1,6 por partida - à Messi. Os 16 gols na atual edição da Liga já iguala sua melhor temporada na carreira, que havia sido com o Getafe, em 2008/2009. Desde que estreou na Liga BBVA, em 2005/2006, Soldado vive sua melhor temporada na carreira, sendo referência no ataque blanquinegro. Se, no começo da temporada, havia entre o atacante de nome militaresco e Aritz Áduriz uma disputa para quem seria o titular no 4-3-2-1 de Unai, Soldado logo tratou de vencê-la.

David Villa, do Valencia ao Barcelona, por 40 milhões de euros.

Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona, acertou em cheio em acertar com Villa antes do início da Copa do Mundo: em território africano, El Guaje foi um dos principais nomes - senão o principal - da campeã mundial, sendo responsável por cinco dos oito gols da Fúria na competição. Obviamente, seu preço iria aumentar muito após a Copa, caso Villa não houvesse se transferido ao Barcelona antes. Em campo, Villa chegou como grande esperança para gols, já que em 2009/10 Ibrahimovic não foi o que a torcida do Barcelona esperava e Messi teve que decidir tudo. Nesta temporada, Messi vem decidindo até mais que na temporada passada, mas Villa tem feito seus gols: já são 23 na temporada, três a mais que o sueco, que foi emprestado ao Milan. Passou por seu maior jejum de gols na carreira, é verdade, mas o primeiro turno do asturiano foi digno de listá-lo aqui. De destaque, os jogos contra Real Madrid (5 a 0 ) e Arsenal, no Emirates, onde El Guaje marcou uma vez e foi o melhor barcelonista em campo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Resumo: 31ª Rodada (2ª parte)

Espetacular. Digno de aplausos, o Valencia enfiou uma impiedosa manita em seu rival Villarreal e se consolidou na terceira colocação (getty images)

O domingo prometia na Liga BBVA. A noite espanhola seria fechada com um incrível dérbi valenciano entre Valencia e Villarreal, que há tempos não disputavam uma partida com um importante valor. Em campo, o Valencia fez uma de suas melhores partidas em anos e garantiu uma manita histórica para cima de seu rival, colocando seis pontos de vantagem para cima dos amarillos e garantindo, praticamente, a vaga direta na próxima Champions League. Antes, às 14h, o Atlético de Madrid também fez uma de suas melhores partidas em anos e venceu a Real Sociedad, chegando à sétima colocação. O Espanyol, que só empatou com o Hércules, "conseguiu" o que "queria": saiu da disputa pela Liga Europa. Confira a segunda parte do resumo da trigésima primeira rodada. Boa leitura!

Valencia 5x0 Villarreal (Pedro Spiacci)
O Mestalla recebeu o clássico da comunidade valenciana, envolvendo Valencia e Villarreal. Antes da bola rolar, o palco da final da Copa del Rey homenageou Guaita, goleiro reserva do time da casa, que perdeu o pai nessa semana. Ao ver os cartezes com imagens suas e do patriarca, o goleiro se emocionou muito. Unai Emery armou os ches no 4-3-2-1, com Pablo Hernández cirando à direita e Mata fazendo o mesmo papel pela esquerda. No ataque, apenas o homem de 11 gols em La Liga, Soldado. Já o Villarreal veio no 4-1-3-2. Marchena era o “1” que funcionava muitas vezes como um terceiro zagueiro; no ataque, a ótima dupla Nilmar e Rossi. Mesmo atuando com praticamente cinco defensores, o Submarino Amarelo não conseguia conter Soldado, que recebendo passes de Hernández e Mata aparecia na cara de Diego López. Em uma das jogadas, Miguel recebeu do camisa 19 e descobriu o centroavante, que aproveitou a chance para abrir o placar.

Os ches “transpiravam” muito e não davam espaço para os visitantes. Com isso, na primeira etapa, Nilmar e Rossi pouco fizeram. O Valencia ainda perdeu Tino Costa, por lesão. A saída do volante e a entrada do zagueiro Dealbert resultou em uma mudança tática: saiu o 4-3-2-1 e entrou em ação o 5-4-1. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, o Villarreal cresceu e deu sinais de que poderia dificultar a vida dos donos da casa. Porém, quando parecia que se complicaria na partida, o Valencia explorou os contra-ataques e matou a partida. Primeiro, através de muitas trocas de bolas, Mata recebeu livre e fez o segundo. O gol foi um balde de água fria nos visitantes. O submarino amarelo sumiu em campo após o 2 a 0, e Nilmar e Rossi sofriam muito com isso, pois não recebiam bolas em condições de criar chances de gols.

Depois Banega fez o terceiro, Mata o quarto e Soldado recebeu de Topal para fazer o quinto, garantindo a manita para os mandantes. O 5 a 0 agora é a maior vitória alcançada pelo Valencia no clássico da região. E hoje, o resultado não poderia ser diferente, pois os ches controlaram as ações durante praticamente todos os 90 minutos. Com os três pontos de hoje, a diferença entre as duas equipes na classificação pulou para seis. Assim, o Villarreal não tem muito o que fazer e deve ficar mesmo com a quarta vaga à Liga dos Campeões 2011-12 e terá que jogar os Play-offs.

Atlético de Madrid 3x0 Real Sociedad (Pedro Spiacci)
Antes do jogo, a torcida colchonera que lotou o Vicente Calderón, prostestou contra a gestão do presidente Enrique Cerezo e da família Gil, que controla as ações do clube. Mas durante a partida, os donos da casa não deixaram a torcida reclamar. Diego Costa, após o triplete na última rodada, deixou Diego Forlán no banco. Quique Sánchez Flores armou o Atlético de Madrid no 4-4-2 ortodoxo, com Suárez e Tiago na volância e Reyes e Koke mais à frente encostando na dupla de ataque Diego Costa e Agüero. Do outro lado, a Real Sociedad veio no tradicional 4-2-3-1, tendo apenas Tamudo no ataque. O Atléti decidiu o jogo cedo. Sem receber pressão alguma, o time controlou a posse de bola, pressionou e atacou muito até Filipe Luís abrir o placar. A bela jogada iniciada com ótimo lançamento de Agüero, que teve a assistência de Diego Costa, resultou no primeiro gol do brasileiro com a camisa rojiblanca.

O Atlético podia ter feito mais gols nos 45 minutos iniciais; porém, o segundo tento só saiu no final da primeira etapa. Reyes fez o que quis com Martínez pelo lado esquerdo da área, passou pelo marcador e rolou para trás, onde Suárez apareceu para marcar o seu primeiro gol em La Liga 2010-11. No segundo tempo, a Real Sociedad ameaçou nos minutos iniciais. Mas não levou muito tempo para o Atlético retomar o domínio total da partida. Bravo, o goleiro rival, teve que se virar para impedir que colchoneros fizessem o terceiro. Porém, o Atléti tinha Agüero, que conseguiu o terceiro tento em um contra-ataque que puxou sozinho. Forlán também foi destaque no segundo tempo. O uruguaio entrou aos 70 minutos de partidas sob vaias e pouco participou do jogo. Cada vez fica mais claro que o tempo do Cachavacha no atléti já está se esgotando. Com os três pontos, o Atlético alcança a sétima colocação, que hoje lhe garantiria a vaga à Liga Europa.

Hércules 0x0 Espanyol
Na segunda partida de Miroslav Djukic no comando técnico do Hércules, um avanço. O empate com o Espanyol no Rico Pérez não tirou os herculinos da zona de rebaixamento, mas já é um grande passo segurar uma equipe da parte de cima da tabela, mesmo que esta esteja em clara má fase. Os blanquiazules atuaram com contudência e até poderiam sair com os três pontos, mas a falta de pegada e a boa partida de Kameni impediram isso. Drenthe parece ser mesmo o pilar da equipe de Djukic. Hoje o holandês chamou para si a responsabilidade e deu muito trabalho a Galán. No lado do Espanyol, Pochettino está preocupado. E não é para menos: há dois meses, o Espanyol estava brigando pela terceira posição. Hoje, a equipe está na oitava posição, fora da zona de Liga Europa e faz na próxima rodada uma final: irá receber no Cornellà o Atlético de Madrid, sétimo colocado. A sete rodadas do fim, os blanquiazules ainda receberão até o término do campeonato, além do Atléti, o Athletic Bilbao e o Sevilla, dois adversário diretos. A vantagem é que irá disputar as partidas em casa, com o apoio da torcida.

Málaga 0x0 Deportivo La Coruña
Num La Rosaleda com mais de trinta mil espectadores, o Málaga não conseguiu furar o bloqueio galego, que jogou com um a menos durante quarenta e cinco minutos finais, e deu continuidade ao inferno do descenso. De volta ao 5-3-2, os comandados de Garrido saíram de campo com a noção de que o ponto conquistado pode ter sido importante para o futuro da equipe, a cinco da zona de rebaixamento. Mesmo após a expulsão de Lopo, os jogadores continuaram exercendo um muro à frente da meta de Aranzubia e abafaram os constantes ataques malagueses, que tiveram uma posse de bola na casa dos 73%. Os acontecimentos desta tarde na Andaluzia só refletem como o Málaga está sem confiança. Manuel Pelegrinni se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time com bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. Contra o Hércules, na 33ª rodada, o La Rosaleda voltará a presenciar um confronto direto, mas, desta vez, o peso será outro: só a vitória interessa para o conjunto de Pelegrinni, que irá encarar uma equipe que subiu de produção após a ida de um novo técnico.

Racing Santander 1x1 Levante
No jogo das duas equipes que mais subiram de produção no segundo semestre, um empate com sabor de derrota para o Racing. O gol de empate dos levantinos, marcado por Rafa Jordá, saiu aos 44 minutos do segundo tempo e após erro clamoroso de Torrejón. Os racinguistas também podem lamentar as oportunidades perdidas e a grande jornada de Reina. O catalão fez, pelo menos, três defesas providenciais quando o Racing mais atacava em busca do gol da vitória. A má notícia que fica é a lesão de Bolado, que provavelmente o tira dos gramados por dois meses. O atacante foi o que mais cresceu após o retorno de Marcelino Toral ao comando técnico dos verdiblancos. Para o Levante, que fez uma má partida, fica a notícia de que a invencibilidade de um mês e meio ainda dura. Desde a derrota para o Real Madrid, em fevereiro, a equipe disputou sete jogos e não perdeu nenhum (dois empates e cinco vitórias).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Adeus, Europa

Cara feia para o Valencia. Chés jogaram bem, mas pecaram nas finalizações e deram adeus à principal competição europeia (getty images)

Pelo jogo de volta das oitavas-de-finais da Liga dos Campeões, Schalke 04 e Valencia entraram na Veltins-Arena em um duelo sem favorito. Apesar do 1 a 1 no jogo da ida, o momento vivido pelas duas equipes em seus respectivos campeonatos nacionais são bem distintos. Enquanto que o Valencia veio de vitória importante ante o Mallorca e está com a faca e o queijo nas mãos para assumir uma das quatro vagas espanholas para a próxima Champions League, o Schalke 04 aparece na décima posição na Bundesliga, com 17 pontos atrás do Hannover 96, último da zona de Champions League.

Porém, nas quatro linhas, o Schalke 04 não foi melhor que os Chés, não. Mas soube aproveitar as chances que tiveram para avançar de fase. Atrás, Neuer foi um paredão, sobretudo no segundo tempo, quando parou a parte ofensiva blanquinegra. Unai escalou o Valencia no já tradicional 4-2-3-1, mas abdicou de Soldado e Jonas para colocar Aduriz, que está recém recuperado de lesão. O ex-Mallorca fez uma má partida, talvez sua pior desde que chegou a Paterna, e perdeu uma série de gols importantes que fizeram falta no final. Outros jogadores que estão em ótimas temporadas, decepcionaram no jogo mais importante da temporada valenciana: Banega e, principalmente, Mata raramente foram notados na partida e o Valencia passou a ficar sem criação, já que os dois são responsáveis por tal jogada.

Pablo Hernández, caindo pela esquerda, também não fez boa partida e acabou anulado por Uchida. O jogador acabou sacado no segundo tempo, quando o Schalke já havia virado a partida, para a entrada de Soldado. A partir daí, os morcegos passaram a joga no 4-4-2 e sufocaram mais os Azuis Reais. Gavranovic, numa bela jornada, passou a entrar mais na partida e, ao lado de Raúl, deram trabalho a Ricardo Costa e David Navarro. O ídolo merengue, aliás, deu fim à seca de seis temporadas consecutivas caindo nas oitavas de finais da Champions (resta saber, agora, se o Real Madrid irá avançar de fase).

Na tentativa desesperada de achar o gol de empate, o Valencia se lançou todo ao ataque e deixou a retaguarda aberta. O bastante para, após um cruzamento mal executado, Sarpei lançar Farfán e o peruano, sem marcação alguma, caminhar sozinho e, com extrema categoria, encobrir Guaita, que nada pôde fazer. A torcida, que já fazia muita festa, foi à loucura após o apito final, enquanto que os jogadores faziam a festa dentro de campo. Aos comandados de Unai Emery, restaram-se apenas lamentar pelas oportunidades não concluidas com êxitos. E, também, reclamar do sueco Jonas Erikson, árbitro da partida. Em declaração reproduzida pela Trivela, Ricardo Costa reclamou de dois pênaltis não assinalados em cada tempo. Segundo Ricardo Costa, houve um lance no primeiro tempo em que um jogador do Schalke colocou a mão na bola e na segunda etapa Jérémy Mathieu teria sido derrubado na área.

Agora, resta ao Valencia concentrar seu foco na Liga BBVA, onde a equipe tem um compromisso contra o Zaragoza, no final de semana. Com quatro pontos à frente do Villarreal, é difícil imaginar a equipe não disputando a próxima Champions, mas o exemplo está dado: primeiro, aproveitar o fator casa; segundo, aproveitar as chances que têm para matar a classificatória. Pelo lado alemão, agora é torcer para um sorteio favorável no próximo dia 18, pois dependendo do adversário, o baile poderá existir. O sistema defensivo do Schalke é um terror, fortes emoções a todo momento.

Schalke 04 3x1 Valencia
Schalke 04: Neuer; Uchida, Howedes, Metzelder e Escudero; Kluge (Sarpei), Matip (Papadopoulos), Farfán e Jurado (Draxler); Raúl e Gavranovic.
Valencia: Guaita; Bruno Saltor, David Navarro, Ricardo Costa e Mathieu; Banega (Costa), Topal, Joaquín, Pablo Hernández (Soldado) e Mata; Aduriz (Jonas).
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE).
Cartão amarelo: Escudero e Kluge (Schalke).

Veja também

Barcelona 3x1 Arsenal

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pós-jogo: Valencia 1x1 Schalke 04

Os companheiros agradecem, pois sabem que, na Europa, o cara é Raúl (Reuters)

Casa cheia para receber o Schalke 04. O ambiente era hostil para Raúl, ídolo do Real Madrid, e de volta à Espanha para encarar o Valencia, maior carrasco do ex-capitão blanco. Antes do jogo, todos imaginavam os Ches jogando no 4-3-3; porém, bastou o apito inicial para ver que o time da casa não atuaria de forma tão ousada. Unai Emery escalou a equipe no 4-3-1-2, com Domínguez fazendo a ligação para a letal dupla Aduriz e Soldado. Os alemães vieram no tradicional 4-4-2 ortodoxo, mas em muitos casos Raúl recuava para ajudar na criação de jogadas para Huntelaar.

O Mestalla foi o motor dos valencianitas nos minutos iniciais, que com 16 minutos abriram o placar. A combinação saiu pelo lado esquerdo, Mathieu – muito bem no jogo –, recebeu passe de Aduriz e cruzou para Soldado antecipar a zaga e marcar o primeiro tento do jogo. Com a vantagem de um gol, a confiança dos Ches aumentou e o placar também poderia ter sido mais elástico. Porém, Neuer mais uma vez era brilhante sob a baliza do Schalke.

Os 60% de posse de bola para o Valencia refletiram o que foi o primeiro tempo. A grande, e única, alternativa ofensiva dos azuis-reias era Farfán, que atuava aberto pela direita. Muito pouco para quem deseja alcançar as quartas de final da Liga dos Campeões. O time de Gelsenkirchen além de ter ausência da criação no meio, teve a dupla ofensiva totalmente ineficiente.

Porém o Valencia cometeu um erro infantil e muito comum em times que saem vencendo partidas: abdicou de jogar e “sentou” na pequena vantagem conquistada. O Schalke, através de Felix Magath, percebeu a falha dos donos da casa. E com isso foi a vez de Guaita aparecer, com defesas importantes, que garantiam a vitória parcial. Porém, do outro lado, Raúl ainda estava em campo. Mesmo caçado, sem grandes chances e perseguido pela torcida, ele apareceu. Na hora da decisão, o camisa sete resolveu. Jurado (ex-Atlético de Madrid) descobriu o atacante dentro da área, que ganhou da zaga e bateu cruzado rasteiro; dessa vez Guaita nada pôde fazer. A leitura errada de jogo pode fazer falta para o Valencia, que ao sofrer um tento em casa, não vai à Alemanha como favorito para vaga. Unai Emery ainda tentou soltar o time após sofrer o empate, passando o Valencia para o 4-4-2, com Vicente e Joaquín. Porém, o Schalke estava mais ligado e mesmo com a melhora dos Ches, o empate não saiu do placar. Nos minutos finais, Schmitz ainda foi expulso.

Jogando na Veltins-Arena, a vantagem será toda azul-real. E o que mais deixa tranquila a torcida alemão é saber que Raúl joga no Schalke, pois competição europeia é com ele. O tento de hoje foi o 69
° na LC e 70° ao todo na Europa, número que faz ele ultrapassar Gerd Müller (o antigo líder) na lista de maiores goleadores das competições europeias. Este foi o 17º gol de Raúl contra o Valencia. Dos outros 16, marcados pelo Real Madrid, foram 12 pelo Campeonato Espanhol, três na Copa do Rei e um na Champions League, em 2000, quando os clubes espanhóis se enfrentaram na final.

No lado valenciano, apesar do empate não ter sido muito digerido pelos seus aficionados, que sonhavam em um bom resultado pelo momento vivido pela equipe, Unai Emery e os jogadores mostraram-se otimistas na coletiva pós-jogo, com expressões bem calmas e tranquilas. Apesar do gol sofrido, o Valencia desta temporada costuma mostrar um melhor futebol atuando fora do Mestalla. Portanto, o confronto segue aberto, mas com um certa vantagem para o Schalke 04 pelo critério de desempate

Valencia 1x1 Schalke 04
Valencia:
Guaita; Miguel, David, Ricardo Costa e Mathieu (Alba); Banega (Vicente) Topal e Costa; Domínguez (Joaquín), Soldado e Aduriz.
Schalke 04: Neuer; Uchida, Howedes, Metzelder e Schmitz; Farfán (Draxler), Kluge, Matip e Jurado (Edu); Raúl e Huntelaar (Junmin).
Árbitro: Aleksei Nikolaev
Cartões amarelos: Ricardo Costa (VAL); Neuer, Schmitz, Jurado e Matip (SCH)
Cartões Vermelhos: Schmitz (SCH)