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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobrando na turma

 "Melhor equipe humana" do futebol espanhol, Valencia deve manter o terceiro lugar na atual temporada (getty images)

A cada vez mais polarizada disputa por título entre Barcelona e Real Madrid tem tirado muito glamour da Liga Espanhola, batizada de Liga das Estrelas anos atrás. É evidente que, em questão de qualidade, La Liga hoje está atrás da Premier League e Bundesliga entre os principais campeonatos da Europa. A disparidade da dupla para os restantes das equipes é notório. Na temporada passada, por exemplo, a diferença entre o campeão Real Madrid e o terceiro colocado Valencia terminou em exagerados 39 pontos. Em relação ao Barcelona, vice-colocado, os chés ficaram 30 pontos atrás. E é exatamente essa disputa paralela pela terceira colocação que tem colocado uma emoção a mais na Liga. Há duas temporadas, o Marca apelidou de "campeão humano" quem terminava naquela colocação.

E quem vem mantendo esse status por duas temporadas consecutivas é justamente o Valencia. Em 2010/2011, não teve muito trabalho para desbancar o Villarreal, enquanto teve que suar mais um pouco para jogar o Málaga à quarta colocação em 2011/2012. Os chés possuem uma equipe coesa, segura e consistente o bastante para disputarem um campeonato de 38 rodadas em busca de seu objetivo: conquistar uma vaga na Champions League. Se a equipe viveu um período de ostracismo principalmente entre 2007 e 2009, hoje não tem mais com o que se preocupar: é muito superior aos demais times, o que deve ser ratificado nesta nova temporada que está prestes a começar. Em um período de forte crise na Espanha, a lógica é que os clubes não se reforcem com tanta intensidade em relação aos outros anos.

Entre os que vão disputar as duas vagas na próxima Champions League, apenas Valencia e Atlético de Madrid deram prosseguimento à certeza. O Sevilla ainda é uma incógnita e o Athletic Bilbao pode estar a um passo de perder duas peças-chaves de seu elenco: Javi Martínez e Llorente. Hoje, fontes do Bild e do Transfermarket confirmaram a proposta de 40 milhões de euros feita pelo Bayern de Munich para tirar o zagueiro-volante de Lezama, justamente o preço estabelecido pela diretoria. O Rei Leão, por sua vez, comunicou a Josu Urrutia, presidente do clube, que não irá renovar seu vínculo que termina em janeiro de 2013. Para não sair de graça, deve ser negociado com a Juventus, que, através de seu diretor-geral, Beppe Marota, confirmou o início das negociações.

O Valencia é justamente o mais forte porque soube utilizar bem o dinheiro da venda de Jordi Alba ao Barcelona. Os blanquinegros trouxeram Guardado, Gago, João Pereira e Haedo Valdez. O presidente Manuel Llorente ainda prometeu mais uma contratação para o meio-campo, que deve ser Ali Cissokho, para substituir Pablo Hernández, de provável saída ao Swansea. Com um elenco leve, o Valencia precisava dessa profundidade para se prevenir. O problema mais esdrúxulo da temporada passada foi resolvido. A contratação de João Pereira, ex-Sporting Lisboa, já será o bastante para o irregular Barragán não ser titular absoluto na lateral direita e evitar o deslocamento de Ricardo Costa ao setor. O zagueiro português pode formar uma boa dupla de zaga com o bom Adil Rami, de temporada positiva em 2011/2012. Para a lateral esquerda, Nacho Monreal está muito próximo de chegar. O propósito de Pellegrino é aproveitar bem a polivalência de Mathieu, que atua tanto na lateral esquerda, quanto na extrema esquerda na linha de três.

A chegada de Guardado tem duas importâncias: o acréscimo de mais técnica ao meio-campo e o retorno de Jonas ao ataque. O brasileiro, muito utilizado por Unai Emery centralizado atrás de Soldado, pode não ser tão subutilizado porque hoje não tem a concorrência de Aduriz no ataque. A saída do basco ao Athletic Bilbao abre espaço para o paulista de Bebedouro atuar na posição mais próxima ao gol, onde brilhou no Grêmio. Isso sem contar com Haedo Valdez, que chega prometendo uma disputa saudável com Jonas e Soldado, e Paco Alcácer, promissor atacante das canteras valencianista que se destacou na pré-temporada e teve seu nome cobrado pela torcida para ganhar mais chances ao longo do ano. O jovem é taxado como novo Villa nas divisões de base. Juan Bernat foi outro canterano que se destacou nos jogos amistosos e deve ter uma utilização mais constante no Mestalla. Aliás, o garoto foi titular na estreia do Valencia na Liga passada.

O esquema tático é que anda balançando a cabeça do treinador. Ainda que tenha adotado um discurso de que pretende impor uma nova "filosofia" no clube, a verdade é que com tanto nomes à disposição, sobretudo do meio para frente, o módulo não fuja do 4-2-3-1. Na pré-temporada, ele não ousou em mudá-lo, mas variou durante boas partidas para o 4-3-2-1 que prometeu encaixar. A proposta é um futebol mais pegado no meio-campo, onde Gago seria essencial. A escalação com essa trinca de volantes deve aparecer em confrontos que pedem mais cautela, como contra o Real Madrid (na estreia domingo), Barcelona e até mesmo os rivais pela LC em seus domínios. Fazer bonito em âmbito continental também é uma obrigação. Após cair nas oitavas-de-finais e na fase de grupos nas últimas duas temporadas, o Valencia precisa saber que tem equipe para, a depender de um sorteio acessível, avançar às quartas. Potencialmente, os chés possuem o terceiro melhor conjunto de La Liga.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Hércules

"Eu preciso de um companheiro", reclama Trezeguet. Função de salvar o Hércules da degola caiu toda nas mãos do francês, que não deve permanecer para a disputa da Liga Adelante (getty images)

Campanha: 19ª colocação, 38 jogos, 9 vitórias, 8 empates e 21 derrotas. 36 gols pró e 60 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado na terceira fase para o Málaga
Time-base: Calatayud; Abraham Paz, Cortés, Pamarot, Peña; Abel Aguillar, Fritzler; Drenthe, Kiko (Tiago), Haedo Valdez; Trezeguet.
Os artilheiros: David Trezeguet (12 gols), Haedo Valdez (8) e Royston Drenthe (4).
Os técnicos: Esteban Vigo, até a 29ª rodada; Miroslav Djukic, a partir da 30ª rodada.
O destaque: David Trezeguet
A decepção: Royston Drenthe

Nessa temporada, o Hércules foi rebaixado com um elenco que tinha total capacidade de permanecer na Liga BBVA. Após o ótimo mercado de verão, a equipe foi totalmente remodelada para a disputa da Liga BBVA, com nome de peso, como Trezeguet, Haedo Valdez e Drenthe. A defesa não se comportou muito bem, apesar de partidas seguras de Cortés e o goleiro Calatayud. A inexistência de um meio-campo mais coeso foi o ponto crucial para o fracasso retumbante dos blanquiazules. Kiko se consolidou como uma das grandes revelações desta Liga, enquanto Drenthe só foi achar seu futebol na reta final. O holandês foi contratado para ser o principal jogador de meio-campo do time, mas seus problemas extracampos só o atrapalharam. Os principais foram os problemas na apresentação ao clube em janeiro e a multa recebida em setembro. O jogador estava dirigindo pelas ruas de Alicante a 160 quilômetros por hora, e segundo os policiais teria desrespeitado seis semáforos fechados.

Trezeguet foi o grande matador da equipe, como se esperava, com 13 gols. Haedo Valdez, irregular na temporada, aparece em segundo com apenas oito gols. O paraguaio foi contratado com até mais status de estrela do que o veterano francês, mas deixou a desejar na temporada. Seu doblete no Camp Nou na vitória histórica do Hércules ante o Barcelona foi seu melhor momento na temporada. Detalhe: em setembro de 2010. A má pontaria também foi um ponto negativo: os herculinos chegaram a ficar cinco meses sem marcar um único gol fora do Rico Pérez - marcaram apenas sete longe da Comunidade Valenciana. A grandiosa temporada de Kiko no meio-campo está tendo resultado. Especulações crescem a cada noticiando que o Barcelona está atrás do jovem. Kiko, porém, negou algum interesse dos azulgrenás. Na temporada, o jovem de 19 anos foi o autor de oito assistências.

De retorno à Liga Adelante, onde foi campeão em 2009/2010, o Hércules já pensa em voltar para a elite nacional. O novo diretor esportivo da equipe, o ex-jogador Sergio Fernández, pensa em recontratar Juan Carlos Mandiá para a disputa da segundona. Mandiá foi o técnico com o qual o Hércules conseguiu o acesso para a Liga BBVA. Um dos grandes erros, talvez, da diretoria herculana foi não ter dado mais uma chance ao treinador, demitido com problemas na renovação. Esteban Vigo e, depois, Miroslav Djukic não conseguiram em momento algum implementar um padrão de jogo na equipe. Mesmo com o fracasso do 4-2-3-1 de Boquerón, Djukic preferiu apostar no módulo, que privilegiava o ataque, deixando muitos espaços para os adversários chegarem nas redes de Calatayud. A defesa foi o calcanhar de aquiles da equipe: o Hércules sofreu 60 gols na temporada.

sábado, 12 de março de 2011

Sem força

10 de janeiro de 2011: a última vez que os aficionados herculinos viram esta cena, dos jogadores comemorando uma vitória, acontecer (uefa)

Quem acessa a página da LFP na internet na seção tabela de classificação, vê o Hércules na penultima posição - e com chances de terminar a rodada na última, caso o Málaga vença a Real Sociedad no Anoeta. O time teve um início promissor, chegou a ganhar do Barcelona no Camp Nou por 2 a 0 e, durante três rodadas, havia tomado conta da sexta posição, que garante o passaporte para próxima Liga Europa. No entanto, os blanquiazules tiveram uma queda brusca de rendimento e, da ambição continental, passou a conviver com o perigo - real - do retorno à Liga Adelante.

O Hércules, que hoje perdeu para o Real Madrid, vem de um ano de 2011 desastroso. Perdeu para Mallorca, Sporting Gijón, Athletic Bilbao, Barcelona, Valencia, Sevilla, Villarreal e Almería e só conquistou apenas três pontos, quando venceu o Atlético de Madrid por 4 a 1, na última vitória da equipe na competição, no dia 10 de janeiro. Muito pela boa atuação de Trezeguet e Valdez, foi a última vez que o time funcionou. Embora a associação da péssima fase à lesão de Trezeguet seja irresistível, não é só isso. Esteban Vigo, que tinha um time competente em suas mãos, viu o poderio ofensivo de sua equipe desaperecer. Primeiro, porque Trezeguet se machucou; segundo, porque Haedo Valdez volta e meia reclama de desconfortos no joelho direito; e terceiro; porque não tem em seu elenco um substituto à altura desses dois jogadores.

Sem alternativas de ataque, Valentín Botella, presidente do clube, reforçou o meio-campo. Comprou o bom volante Abel Aguillar, que tem atuado de maneira criativa ao lado de Farinós, e garantiu o empréstimo de Drenthe. O holandês chegou do Real Madrid querendo recuperar o futebol com o qual fez Valdano depositar toda esperança nele, mas seu futebol até agora é oito e oitenta. Além disso, passou a conviver com alguns problemas extracampos e não fez jus às expectativas de Esteban Vigo no início da temporada, quando, perguntado sobre o empréstimo do jogador merengue, encheu o jogador de elogios. Na temporada passada, quando disputava a Liga Adelante, o Hércules também sofreu muito quando Delibasic esteve indisponível.

Porém, há uma diferença clara daquele time que conseguiu para o de hoje: aquele grupo experiente entendeu bem o que é preciso fazer na segunda divisão: arrancar todos os pontos possíveis em casa e evitar tragédias como visitante. E é isso que o Hércules tem pecado na atual temporada. Hoje o time não consegue utilizar do Rico Pérez um modo de impor medo a seu adversário. Fora de Alicante, então, a situação é mais dramática: em 15 jogos, foram onze derrotas, três empates e apenas uma vitória... sim, aquela contra o Barcelona no início da temporada (agora vocês entendem por que da zebra, né?). O ataque é improduvito longe de seus domínios, e a atual situação comprova este fato: contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, a equipe completou 1000 minutos sem marcar um gol fora de casa na Liga. O último, em outubro, foi marcado por Valdez, contra o Almería, no Juegos Mediterráneos.

A defesa não foge à regra. O bom Pulhac, que foi uma das supresas na lateral no primeiro turno, não manteve o ritmo no segundo. Abraham Paz começou bem no início, mas passou a conviver com as falhas (hoje, uma frente a Benzema que resultou no segundo gol merengue). Os 11 gols sofridos nos últimos seis jogos dizem muito sobre as derrotas. Com tantos problemas, Esteban Vigo, que foi contratado para comandar um grupo maduro, parece ser o menos culpado pela queda de produção. Mesmo assim, a pressão sobre ele pode aumentar. Por bem ou por mal, o status de time promissor após a vitória contra o Barcelona já caiu há tempos. Faltam 10 jogos para o fim da Liga e três confrontos diretos, contra Málaga, Levante e Osasuna sendo que dois serão fora de casa, contra os blanquiazules e os rojones. Portanto, chegou a hora da equipe começar a jogar bem fora de casa, caso queira continuar na primeira divisão espanhola.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pedras no sapato

Haedo Valdez comemora: a única derrota do Barcelona na Liga (diante do Hércules) foi graças a um doblete seu.(AP Photos)

O Barcelona é o indiscutível campeão de inverno do campeonato espanhol (título simbólico dado ao "campeão" do primeiro turno). De 57 pontos disputados nesta primeira metade da temporada, os azulgrenás somaram 52. Os cinco perdidos vieram de dois resultados inesperados: uma derrota ante o Hércules na segunda rodada e um empate ante o Mallorca na sexta rodada, todos eles no Camp Nou. Resultados inesperados que fizeram Valencia e Real Madrid liderar a competição momentâneamente. Porém, os blaugranas recuperaram a liderança após o embate com os dois times.

O time de Alicante foi o único capaz de ganhar com moral o Barcelona. O único, aliás, a ganhar os blaugranas nas três competições que o time de Guardiola disputa (Liga BBVA, Copa del Rey e Uefa Champions League. O Mallorca, por sua vez, merece uma menção honrosa por ter sido o único time a não perder para Barcelona e Real Madrid até o momento da temporada. Os bermellones iniciaram o campeonato sobre pressão e conseguiram, logo de cara, segurar o time redimensionado por José Mourinho. Na sexta rodada, conseguiu tirar dois pontos do Barcelona após sair atrás no marcador. Foi o último ponto perdido pelo Barcelona na competição, até o momento.

Desde que a Era Josep Guardiola começou, há três temporadas, sempre o Barcelona foi campeão de inverno e, no final da temporada, campeão espanhol. Na estreia de Pep no comando azulgrená, as azas negras do campeão na primeira metade da temporada foram o Numancia (derrota), Racing Santander (empate) e Getafe (empate). Na temporada passada, o Barcelona terminou o primeiro turno invicto, mas não com 100% de aproveitamento, graças a três empates fora de casa. Contra o Valencia (0 a 0), Osasuna (1 a 1) e Athletic Bilbao (1 a 1).

Contra o Hércules, os blaugranas entraram em campo com uma equipe mista e sem sua dupla de zaga, graças às lesões de Puyol e Piqué, em compromissos da seleção espanhola. Aproveitando a fragilidade de Abidal na zaga, que mostrou-se bem inseguro na marcação de Haedo Valdez, o paraguaio calou o Camp Nou ao marcar um doblete. Primeiro, Valdez aproveitou um bate e rebate na área azulgrená e chutou para o gol de Valdés para abrir o placar. Depois, no segundo tempo, um gol herculino à Barcelona: após tabela precisa entre Fritzler e Abel Aguilar, o meio-campista tocou na medida para o paraguaio, sem marcação, estufar as redes de Valdés e pôr um ponto final na partida, para surpresa dos torcedores culés e do mundo. Antes disso, o Barcelona ainda assustaria com uma bola na trave de Villa e um chute que passou rente à trave esquerda de Calatayud de Messi. O jogo marcou a estreia de Mascherano, que fez uma má partida e por pouco não foi expulso. Temerário, Guardiola o substituiu na volta do intervalo.

Contra o Mallorca, o Barcelona novamente jogou sem sua dupla de zaga, mas um outro desfalque foi bastante sentido: lesionado, Xavi ficou de fora do jogo e viu das arquibancadas o Barcelona sentir demais a sua presença, já que Keita, seu substituto, não armou o Barcelona à altura do meio-campista de Terrasa. Chegando a estar com 90% da posse de bola, os catalães pecaram nas finalizações e só abriu o placar após um chute colocado de Messi. O resultado da perda de tantos gols veio no fim do primeiro tempo: após dormir no posto, Milito viu Nseu antecipa-se a sua marcação e empatar a partida. Destaque para o nó tático dado por Laudrup em Guardiola. Percebendo o nervosismo do time anfitrião, o dinamarquês postou muito bem sua equipe na segunda etapa, fazendo os volantes auxiliaram o ataque em algum contra-ataque e fechando os espaços dos blaugranas, com uma defesa bem sólida.

Quem também foi inócuo na partida foi Bojan, reabrindo um debate: sem centroavante de ofício, o Barcelona não era aquele time avassalador de antes. Mas o debate logo se encerrou após os resultado conseguidos pelo time nos meses de Novembro e Dezembro. Com uma boa adaptação de Villa e a evolução do futebol de Pedro, o Barcelona não sente muito o peso de não ter um "nove" em seu time titular.

As pedras no sapato do campeão de inverno
2ª rodada: Barcelona 0x2 Hércules (Haedo Valdez - 2).
6ª rodada: Barcelona 1x1 Mallorca (Messi; Nsue).

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Hércules

Como um bom vinho, Trezegol continua melhorando com o passar dos anos (AP Photo)

Campanha
12ª posição. 16 jogos, 19 pontos. 5 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. 18 gols pró e 22 gols contra.

Técnico
Esteban "Boquerón" Vigo. Esteban foi o responsável por devolver o Hércules à elite do futebol espanhol. Criado nas bases do Barcelona, Esteban Vigo é conhecedor de muitos canteranos do Barcelona ou, pelo menos, da forma como se cria. Com isso, preparou de forma muito inteligente o confronto contra os blaugranas na segunda rodada da Liga. O técnico fez o Hércules jogar com paciência e em contra-ataques, e bastarem duas chances para Valdez matar a partida. Após isso, Esteban Vigo virou unanimidade em Alicante e a palavra demissão praticamente não existe em sem dicionário. O técnico mudou o 4-3-2-1 que fez sucesso contra o Barcelona para o 4-2-3-1 e conseguiu manter o bom rendimento da equipe. E, por enquanto, o desempenho dos blanaquizules é melhor do que se imaginava: para quem começou o campeonato pensando em não ser rebaixado, a décima segunda colocação está de bom tamanho

Destaque
Trezeguet. Artilheiro do Hércules no campeonato, ele ainda é o cara. Após muito tempo no futebol italiano, David adaptou-se facilmente ao futebol esapnhol. Com a mesma sagacidade e o mesmo oportunismo de um garoto, cabe aos herculanos o agradecimento ao atacante por não ter renovado seu contrato com a Juventus. Também há outros destaques nesse Hércules: o francês Pamarot vai muito bem em sua segunda temporada no clube de Alicante, enquanto Pulhac tem crescido bastante na ala direita. Ainda assim, o maior destaque é Trezeguet, principalmente se acompanhado de Kiko, principal meio-campista do time e líder de assistências do Hércules. Não há dúvidas de que a dupla garante um nível bem mais alto à equipe.

Decepção

Haedo Valdez. As expectativas em torno do atacante paraguaio eram enormes. A boa Copa do Mundo somada a boa pré-temporada fizeram com que os torcedores blanquiazules tivessem esperança de ver um Hércules mais avalassador. Em sua primeira partida, Valdez calou o Camp Nou com um doblete para cima do Barcelona, numa vitória que pôs o mundo futebolístico boquiaberto. E é só disso que vive Valdez na competição. Após isso, o paraguaio fez mais dois gols e vem cometendo faltas bobas, que lhe custaram cinco cartões amarelo - é o jogador com mais cartões no time.

Perspectiva

Meio da tabela ou briga por Liga Europa. Pelo que fez até aqui, o risco de rebaixamento parece ter ficado para trás. Com a defesa bem arrumada e o meio-campo compacto e preparado para contra-atacar, o Hércules conquistou alguns bons resultados no primeiro turno. Porém, não dá para sonhar com muito mais do que isso. A Liga Europa está perto, mas tem times mais bem preparados e com elencos superiores para conseguir as vagas. Nomes como Haedo Valdez e Abel Aguilar precisam mostrar mais futebol para ajudar o Hércules a brigar por uma competição europeia. O preparo físico também precisa melhorar, já que o Hércules mostra-se avalassador quando tem fôlego e um time sem ambição quando este acaba - vide o jogo contra o Real Madrid.

domingo, 12 de setembro de 2010

Resumo: 2ª Rodada (2ª Parte)

Aproveitando a fragilidade da zaga maña, Quincy Owusu-Abeyie deu show e conduziu o Málaga à goleada contra o Zaragoza (El Mundo Deportivo)


Se os jogos de sábados foram sonolentos e com poucos gols, apesar da surpreendente vitória do Hércules contra o Barcelona, nada a reclamar dos jogos de Domingo. Só nos três jogos das 12h, 15 gols. Parte deles saíram no La Romareda, na surpreendente vitória do Málaga em cima do Zaragoza. A vitória dos Andaluzes aconteceram muito por causa da fragilidade da zaga do Zaragoza - mais precisamente de Leo Franco e Jarosik - e da letalidade nos contra-ataques. Os blanquiazules balançaram cinco vezes as redes do goleiro Léo Franco em 35 minutos. Ainda mais curioso é que o Zaragoza, com exceção à sua defesa, não jogava mal e até criava chances para marcar, tendo inclusive mais posse de bola que o adversário e parando nas boas defesas do goleiro Galatto. Aos 41min, Edmilson, batendo ‘de chapa’, marcou um lindo gol de fora da área. No segundo tempo, Marco Perez e Ander Herrera fizeram mais dois gols a favor do time da casa, mas já era tarde para uma reação.

O Sporting Gijón somou hoje os seus três primeiros pontos na Liga com muito sofrimento. Encarando um Mallorca mais confiante após o empate contra o Real Madrid na primeira rodada, os asturianos mostraram muita fragilidade defensiva e foram salvos pelo goleiro Juan Pablo. Preciado, técnico do Sporting Gijón, preteriu De Las Cuevas na meia pelo lado esquerdo, ratificando que confia mais nele do que em Carmelo, apesar deste ter realizado uma boa pré-temporada, e Nacho Novo para a volância. Após um primeiro tempo bem parelho, os gols só foram sair na segunda etapa. Logo no início, os asturiano foram para cima e Lora sofreu falta. Na cobrança, Riva mandou à área e a defesa roja afastou. A bola chegou até Lora, que não tocou para Botía encher o pé de direita sem chancer para Aouate e abrir o placar, anotando o primeiro gol do Sporting Gijón na temporada. Após pênalti discutível de Nunes - no qual o português acabou expulso - em Carmelo, que entrou no decorrer da partida, Diego Castro foi para a cobrança e não desperdiçou, pondo pontos finais na partida.

Uma grande atuação de Adrián Colunga e Gavilán bastou para o Getafe derrotar o Levante no Coliseum Alfonso Pérez. Colunga foi contratado junto ao Zaragoza para ser o substituto de Soldado, autor de 16 gols na temporada passada. Colunga assumiu esse posto com perfeição e hoje demostrou sua capacidade à torcida. Já o outro protagonista da noite, Gavilán, parece ter recuperado o nível de anos atrás, quando chegou a ser convocado para a seleção espanhola. O Levante foi um digno rival para o Getafe e soube explorar os flancos do time de Madrid. O primeiro tempo foi movimentado e logo aos quatro minutos, Gavilán, aproveitando cruzamento de Dani Parejo, cabeçeou para abrir o placar para o Getafe. O segundo gol do Getafe foi sair dos pés de Colunga, após nova participação de Gavilán. Após distração, o Levante aproveitou e chegou ao gol com Rafa Jordà, recolocando-se de volta à partida. Na segunda etapa, o Levante foi incapaz de criar alguma coisa, enquanto que os azulones deixaram o tempo passar com inteligência, mantendo a posse de bola. No final, ainda deu tempo de, em duas arrancadas do Getafe, Gavilán e Arizmendí marcaram mais dois para os donos da casa.

No El Madrigal, o Villarreal, enfim, mostrou seu futebol. O Espanyol comandou as ações da partida durante os primeiros 30 minutos de jogo, mas pecou muito nas finalizações. Apesar da goleada imposta, o Villarreal demorou um pouco para se acertar na partida. Nilmar recuperou o posto de titular da equipe, após ter iniciado a primeira rodada no banco de reservas, e marcou o quarto gol da equipe, que novamente teve o equatoriano Monteiro como destaque. Mesmo tendo entrado na segunda etapa, o jogador puxou muitos contra-ataques, fez a jogada no gol do brasileiro e ainda cavou a expulsão de Chica. Rossi balançou as redes duas vezes, enquanto Valero fez o outro do Villarreal. Ao Espanyol, fica a péssima notícia de que Osvaldo pode ficar parado por três semanas.

Por fim, no Ramón Sanchez Pizjuán o pior jogo da rodada - e do campeonato, até agora. Os Galegos começaram a partida de maneira mais organizada e teve a chance de abrir o placar nos minutos iniciais, mas não aproveitaram e viram o Sevilla crescer no jogo. Zokora e Negredo levaram perigo ao gol do La Coruña, mas desperdiçaram. A pressão dos anfitriões ficou ainda mais forte pouco antes do intervalo, mas novamente as finalizações foram erradas. Negredo e Navas erraram. Negredo, inclusive, atuou no lugar do brasileiro Luís Fabiano por opção de Álvarez, que gostou da semana de treinos do reserva. Neste domingo, porém, Negredo não estava nada inspirado nas finalizações. O atacante apareceu bem, mas perdeu pelo menos três boas chances para o Sevilla, superior na etapa final.

CRAQUES DA RODADA:
Quincy Owusu-Abeyie (Málaga)
Haedo Valdez (Hércules)
Diego Forlán (Atlético de Madrid)
Mesut Özil (Real Madrid)

Para saber sobre os jogos de Sábado, clique aqui

sábado, 11 de setembro de 2010

2ª Rodada (1ª Parte): Boqueronazo

Haedo Valdez fez sua estreia no Hércules com o pé direito: com direito a um doblete, calou o Camp Nou (Reuters)


Na mitologia grega, Hércules, o maior de todos os heróis gregos, era famoso por sua força, depois de estrangular duas serpentes ainda no berço. Recém-promovido à elite principal do futebol espanhol, seu homônimo mostrou também sua virilidade dentro das quatro linhas. Com o resultado, as duas equipes aparecem com três pontos cada uma na classificação. De olho na estreia da fase de grupos da Liga dos Campeões, na próxima terça-feira, diante do Panathinaikos, o técnico Guardiola decidiu poupar alguns de seus atletas. Xavi, Daniel Alves e Busquets, por exemplo, começaram no banco de reservas. No entanto, Messi e Villa estavam em campo. Mas as duas principais estrelas foram bem marcadas na etapa inicial. Messi ainda levou o Barcelona ao ataque, enquanto que Villa ficava, com frequência, em impedimento. O Barcelona até teve muito mais posse de bola, mas criava poucas oportunidades. Numa das melhores, aos 9min, o brasileiro Maxwell cruzou e viu o jovem Bojan ‘furar’. O Hércules, que tinha em campo o experiente Trezeguet, se preocupava bastante em não sofrer gol. Atingiu seu objetivo e ainda foi eficiente no ataque.

Aos 26min, após confusão dentro da área, o paraguaio Valdez tocou para o fundo da rede e fez um a zero. Guardiola não teve dúvida e voltou para o segundo tempo com Xavi e Pedro nos lugares de Mascherano e Bojan, que esteve nulo no ataque blaugrana. O primeiro, aliás, quase empatou logo aos 2min, num arremate da entrada da área. O problema é que o domínio territorial dos anfitriões não se transformava em chances concretas. E pior: o Hércules era ‘mortal’ no contra-ataque. Aos 13min, Valdez aproveita cruzamento de Thiago Gomes para ampliar dois a zero. O Barcelona tentou diminuir o prejuízo, mas esbarrou na forte marcação rival e conheceu seu primeiro tropeço no Espanhol.

Já a primeira partida de Mascherano pelo Barcelona foi aquém do esperado. Além de receber um cartão amarelo, cometeu a falta que originou o primeiro gol do adversário e acabou substituído no intervalo. Apesar disso, recebeu elogios de Guardiola. O argentino mostrou estar um pouco em ritmo com a tônica do clube azulgrená, a troca de passes. Após a contratação do ex-jogador do Liverpool ser finalizada, um debate foi aberta sobre se Mascherano iria saber entrar na linha do Barcelona.

Enquanto isso, o Valencia confirmou seu bom início de campeonato. Jogando no Mestalla, bateu o Racing Santander por 1 a 0 e chegou aos seis pontos. Até o momento, tem 100% de aproveitamento. O único gol foi anotado por Maduro, aos 47min do primeiro tempo, de cabeça. A vitória dos Chés foi a primeira sobre os Cantábrios no Mestalla em cinco anos. De lá pra cá, foram seis jogos, com três vitórias para o Racing Santander e três empates. O gol no final da primeira etapa foi um golpe duro para os cantábrios. O Racing Santander dominou a primeira etapa, com um futebol valente e uma defesa muito bem postada em campo. Porém, os verdiblancos pecaram muito à meta de César, principalmente Rosenberg, que perdeu, pelo menos, uns dois gols feitos. A defesa do Valencia mostrou fragilidade, principalmente nos flancos, onde atuavam Miguel e Jordi Alba, preterido em última hora por Unai para o lugar de Mathieu. A lesão de Banega, que pediu substituição na metade da primeira etapa, contribuiu demais para que o Valencia não conseguise impor o seu jogo.

Após o início ruim na primeira rodada, o Real Madrid não foi brilhante e ainda não empolgou a torcida. Mas o time de Chamartín mostrou-se autoritário na partida inteira e impediu que a zebra passeasse, vencendo o Osasuna por um a zero, gol de Ricardo Carvalho. De destaque, apenas a bela atuação de Özil, que enche os torcedores blancos de esperanças. Apesar do placar apertado e de não ter mostrado um grande futebol, o Real dominou praticamente toda a partida. As melhores chances de gol foram dos anfitriões. O Osasuna pouco assustou Casillas. No primeiro tempo, Higuaín perdeu duas boas oportunidades, a melhor delas aos 40min, quando recebeu passe de Özil, puxou a jogada para a esquerda e ficou sem ângulo. O chute foi para fora.

Recuperado de lesão, Cristiano Ronaldo teve um dia pouco inspirado. E foi em uma chance desperdiçada pelo português que o compatriota Ricardo Carvalho fez o único gol do jogo. Aos 4min da etapa final, o zagueiro aproveitou passe de Cristiano Ronaldo após rebote do goleiro e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Özil e Higuaín, duas vezes, tiveram oportunidades de ampliar o marcador, mas falharam nas finalizações. O atacante argentino, inclusive, pecou bastante nos arremates. Ricardo, goleiro do Osasuna, trabalhou bem, mas não conseguiu evitar a derrota para a equipe merengue. Os torcedores do Real, porém, chegaram a vaiar a equipe durante o jogo

O Atlético de Madrid ignorou o fator casa e contou com o inspirado atacante Diego Forlán neste sábado para superar o Athletic Bilbao por 2 a 1 e se manter no topo da classificação. A equipe da capital espanhola chegou aos seis pontos, com 100% de aproveitamento. Forlán segue como destaque individual: fez o primeiro gol aos 11min do primeiro tempo e é o principal artilheiro do Campeonato Espanhol com três gols. Eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, o uruguaio ainda reforçou a fama de carrasco do Athletic: já são 12 gols marcados diante do rival, contando suas passagens por Atléti e Villarreal. Superior na partida deste sábado, o Atlético de Madrid foi poucas vezes ameaçado, principalmente na parte final do jogo, quando ampliou a vantagem em gol de Tiago. Aos 42min, Llorente ainda diminuiu, mas a reação do Athletic foi tardia para evitar a derrota.

O título foi uma brincadeira que o El Mundo Deportivo fez em referência ao técnico do Hércules, Esteban Vigo, conhecido como Boquerón e que atuou pelo Barcelona entre 1977 e 1987, tendo conquistado um Espanhol, três Copas do Rei e uma Recopa Europeia.