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sábado, 12 de março de 2011

Sem força

10 de janeiro de 2011: a última vez que os aficionados herculinos viram esta cena, dos jogadores comemorando uma vitória, acontecer (uefa)

Quem acessa a página da LFP na internet na seção tabela de classificação, vê o Hércules na penultima posição - e com chances de terminar a rodada na última, caso o Málaga vença a Real Sociedad no Anoeta. O time teve um início promissor, chegou a ganhar do Barcelona no Camp Nou por 2 a 0 e, durante três rodadas, havia tomado conta da sexta posição, que garante o passaporte para próxima Liga Europa. No entanto, os blanquiazules tiveram uma queda brusca de rendimento e, da ambição continental, passou a conviver com o perigo - real - do retorno à Liga Adelante.

O Hércules, que hoje perdeu para o Real Madrid, vem de um ano de 2011 desastroso. Perdeu para Mallorca, Sporting Gijón, Athletic Bilbao, Barcelona, Valencia, Sevilla, Villarreal e Almería e só conquistou apenas três pontos, quando venceu o Atlético de Madrid por 4 a 1, na última vitória da equipe na competição, no dia 10 de janeiro. Muito pela boa atuação de Trezeguet e Valdez, foi a última vez que o time funcionou. Embora a associação da péssima fase à lesão de Trezeguet seja irresistível, não é só isso. Esteban Vigo, que tinha um time competente em suas mãos, viu o poderio ofensivo de sua equipe desaperecer. Primeiro, porque Trezeguet se machucou; segundo, porque Haedo Valdez volta e meia reclama de desconfortos no joelho direito; e terceiro; porque não tem em seu elenco um substituto à altura desses dois jogadores.

Sem alternativas de ataque, Valentín Botella, presidente do clube, reforçou o meio-campo. Comprou o bom volante Abel Aguillar, que tem atuado de maneira criativa ao lado de Farinós, e garantiu o empréstimo de Drenthe. O holandês chegou do Real Madrid querendo recuperar o futebol com o qual fez Valdano depositar toda esperança nele, mas seu futebol até agora é oito e oitenta. Além disso, passou a conviver com alguns problemas extracampos e não fez jus às expectativas de Esteban Vigo no início da temporada, quando, perguntado sobre o empréstimo do jogador merengue, encheu o jogador de elogios. Na temporada passada, quando disputava a Liga Adelante, o Hércules também sofreu muito quando Delibasic esteve indisponível.

Porém, há uma diferença clara daquele time que conseguiu para o de hoje: aquele grupo experiente entendeu bem o que é preciso fazer na segunda divisão: arrancar todos os pontos possíveis em casa e evitar tragédias como visitante. E é isso que o Hércules tem pecado na atual temporada. Hoje o time não consegue utilizar do Rico Pérez um modo de impor medo a seu adversário. Fora de Alicante, então, a situação é mais dramática: em 15 jogos, foram onze derrotas, três empates e apenas uma vitória... sim, aquela contra o Barcelona no início da temporada (agora vocês entendem por que da zebra, né?). O ataque é improduvito longe de seus domínios, e a atual situação comprova este fato: contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, a equipe completou 1000 minutos sem marcar um gol fora de casa na Liga. O último, em outubro, foi marcado por Valdez, contra o Almería, no Juegos Mediterráneos.

A defesa não foge à regra. O bom Pulhac, que foi uma das supresas na lateral no primeiro turno, não manteve o ritmo no segundo. Abraham Paz começou bem no início, mas passou a conviver com as falhas (hoje, uma frente a Benzema que resultou no segundo gol merengue). Os 11 gols sofridos nos últimos seis jogos dizem muito sobre as derrotas. Com tantos problemas, Esteban Vigo, que foi contratado para comandar um grupo maduro, parece ser o menos culpado pela queda de produção. Mesmo assim, a pressão sobre ele pode aumentar. Por bem ou por mal, o status de time promissor após a vitória contra o Barcelona já caiu há tempos. Faltam 10 jogos para o fim da Liga e três confrontos diretos, contra Málaga, Levante e Osasuna sendo que dois serão fora de casa, contra os blanquiazules e os rojones. Portanto, chegou a hora da equipe começar a jogar bem fora de casa, caso queira continuar na primeira divisão espanhola.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eternas promessas: Javier Farinós

Canterano do Valencia, Farinós chegou a disputar uma final de Champions League com os chés (eleganche.es)

Atualmente, Francisco Javier Farinós Zapata defende as cores do Hércules, que está na 18ª colocação do campeonato espanhol. Quem o vê de início, pensa que se trata de um jogador como outro qualquer. Mas não é bem assim. No fim dos anos 90, o meio-campista era considerado um jogador de grande potencial. Não à toa, assumiu a camisa 8 do Valencia com apenas 19 anos. Três anos mais tarde, disputaria sua primeira final de Champions League (derrota de 3x0 para o Real Madrid) e seria vendido à Internazionale. Um salto importante para consolidar sua carreira. Farinós só não contava que sua passagem pela Itália fosse mal-sucedida. Deslumbrou-se com as lojas de Milão, sofreu com as lesões e, desde então, não reencontrou seu futebol.

A temporada 1996/97 foi a primeira de Fari como profissional. O responsável por sua promoção ao elenco principal do Valencia foi o argentino Jorge Valdano. Logo de cara, impressionou por sua mobilidade e por sua capacidade de roubar bola e sair jogando. Comparando com meio-campistas da atualidade, podemos dizer que ele tinha as mesmas características de Xavi Hernández, do Barcelona. Nos dois anos seguintes, mesmo com Gaizka Mendieta, Killy González e Stefan Schwarz na equipe, Farinós conseguiu se manter na equipe titular. Ter nascido na cidade e ser um atleta formado no clube o ajudaram a conquistar a torcida.

A Inter foi o grande divisor de águas para a carreira de Farinós. Contratado no verão de 2000 por 12 milhões de euros, esperava-se muito do volante na Itália. Ele tinha o perfil ideal para triunfar no time nerazzurro: força, técnica e raça. No início, recebeu várias chances. Formava o meio junto com Luigi Di Biagio, Vladimir Jugovic e Clarence Seedorf. Mas não rendeu o que se esperava. Para piorar, uma suposta hérnia (que depois não se confirmou) e lesões no púbis o deixaram afastado dos gramados por um ano, no total. Quando voltou, com Héctor Cúper, passou a ser figura assídua no banco de reservas.

Apesar de insatisfeito com a situação, segurou a onda e acatou as ordens do treinador. Porém, em 2002/03, ao entrar em campo apenas duas vezes durante todo o segundo semestre, acabou emprestado ao Villarreal, onde não se destacou. Também sem ser brilhante no Submarino Amarelo, Farinós não teve seu vínculo renovado. Assim, foi obrigado a voltar à Milão. Não ficou por lá nem duas semanas e acertou um novo empréstimo, desta vez com o Real Mallorca.

Mesmo após uma temporada mediana, o clube espanhol decidiu prolongar seu contrato. Desta vez, o negócio se deu de uma forma um pouco diferente. O vínculo com a Inter havia expirado e, como Moratti não tinha mais interesse em contar com ele, ficou livre para acertar com qualquer outra equipe. O Mallorca lhe deu uma segunda chance e assinou com Fari por um ano. Só que o volante, novamente, não aproveitou. Passou meses longe de seu preparo físico ideal e acabou dispensado em junho de 2006.

Aos 28 anos, estava desempregado. Precisou apelar ao Charlton, da Inglaterra, para que treinasse no clube enquanto procurava uma nova equipe. O tempo foi passando e nada. Nem os ingleses tinham interesse em contar com ele. Até que, quando menos esperava, recebeu um telefonema do Hércules, de Alicante. Não pensou duas vezes e aceitou o desafio de levar o clube de volta à primeira divisão. Além do mais, estaria perto de sua Valencia.

Passados quatro anos da ida para o Hércules, o sonho de Farinós continua o mesmo: lutar para que os blanquiazules permaneçam na Liga BBVA. Além disso, quer mostrar ao público que não é mais um ex-jogador em atividade. Para ele, sair da elite do futebol mundial e acabar na Liga Adelante foi um golpe duro, que só pode ser assimilado há pouco tempo. O segredo de Farinós foi justamente fazer o oposto do que esteve acostumado em suas passagens por Inter, Villarreal e Mallorca: se dedicar ao máximo nos treinamentos e estar focado somente no futebol.

Passagem pela Fúria
No dia 18 de agosto de 1999, Fari recebeu sua primeira oportunidade na seleção espanhola. Foi em um amistoso contra a Polônia, em Varsóvia, quando substituiu Mendieta no intervalo. Receberia mais uma chance no ano seguinte, diante da Holanda, mas nunca mais voltaria ao selecionado principal. Muito em função do futebol apresentado (ou não apresentado, como preferir) na Inter.

Javier Farinós
Nome completo: Francisco Javier Farinós Zapata
Data de nascimento: 29/03/1978
Local de nascimento: Valencia, Espanha
Clubes: Valencia, Internazionale, Villarreal, Mallorca e Hércules
Títulos: 1 Copa do Rei, 1 Supercopa da Espanha, 1 Copa da Itália, 1 Eurocopa Sub-21, 1 Copa Intertoto da Uefa

domingo, 30 de janeiro de 2011

21ª Rodada (1ª parte): Espantando a zebra

Dessa vez não teve zebra. Barcelona vence Hércules em Alicante e abre sete pontos de vantagem sobre o Real Madrid, momentaneamente (EFE)

Seis jogos abriram a vigésima primeira rodada do campeonato espanhol. Entre eles, destaque para o Barcelona, que espantou sua pedra no sapato e venceu o Hércules em Alicante; o Zaragoza, que confirmou o janeiro perfeito e venceu a decepção Málaga; e o Sevilla, que perdia por 2 a 0 para o Deportivo e, mesmo com um a menos, foi buscar a virada. Mas, para infelicidade andaluza, o Deportivo achou um gol no final. Confira a primeira parte do resumo da rodada.

Hércules 0x3 Barcelona
Em um jogo marcado por ataque x defesa, a defesa blanquiazul levava uma clara vantagem sobre o poderoso ataque blaugrana. Bem postada em campo, os defensores herculinos fechavam bem os espaços e marcava sobre pressão, impedindo o Barcelona de, mesmo tendo uma posse de bola bem superior, criar algo perigoso sobre Calatayud. Os blaugranas, que terminaram o primeiro tempo com 73% da posse de bola, não conseguiam capitalizar a posse em ocasiões de gols (até porque, queriam chegar à meta do goleiro trocando passes e evitavam chutes de longa distância) e Guardiola já começava a ficar desesperado. No primeiro turno, quando o Hércules venceu no Camp Nou, a tática de Esteban Vigo foi a mesma; porém, conseguiu matar a partida quando armou um contra-ataque. Ontem, entretanto, o Hércules só se defendia e o elo meio-campo-Trezeguet não funcionou.

Esteban Vigo ia vendo sua equipe parar o Barcelona novamente, mas Xavi e Pedro entraram em ação: em um raro contra-ataque, o meio-campo (que está assumindo a braçadeira de capitão pela ausência de Puyol, lesionado) quebrou a retranca blanquiazul com uma linda assistência para Pedro, que estufou as redes de Calatayud e chegou ao seu gol de número dezenove na temporada (só perdendo para Messi - 37 - e Cristiano Ronaldo - 32- dos que atuam no futebol espanhol). O gol no final da primeira etapa foi um alívio para Guardiola.

No segundo tempo, Messi, até então bem tímido na partida, errando muitos passes bobos, resolveu aparecer para pôr ponto final no marcador. O argentino, que briga pelo pichichi com Cristiano Ronaldo, tentava de todas as maneiras um tento, mas não estava com o pé esquerdo calibrado. Porém, em uma tabela com Daniel Alves, deixou dois para trás e acertou um belo chute à esquerda de Calatayud. Um minuto depois, Daniel Alves, mais uma vez, deu um presente para Messi, que, sem goleiro, só tratou de empurrar a bola para as redes. Daniel Alves, de volta à equipe, mostrou por que é essencial: além de duas assistências para Messi, o que torna o melhor assistente de Messi na carreira profissional do argentino, o brasileiro deu muito trabalho para Peña e Tote. O camisa 10 herculino praticamento anulou seus ataques por preocupação das subidas de Daniel Alves.

E o Barcelona, como de praxe, segue igualando mais marcas. Ontem, chegou à décima-quinta vitória consecutiva, igualando a maior sequência de vitórias no novo formato da liga bbva, pertecente ao Real Madrid de 1960-61, comandado por Di Stefano. De 63 pontos disputados, os blaugranas conseguiram 58, o que vale um aproveitamento de 92%. Messi, por sua vez, segue fazendo história: com o doblete de ontem, o argentino igualou Josep Escolla e passa a ser o quarto maior goleador da história do Barcelona (164 gols). Pelo lado herculino, Esteban Vigo mostrou-se decepcionado. Não só pela forma como sua equipe atual, mas por causa de Farinós. Nove meses depois de sua lesão, o meio-campista voltou a disputar uma partida oficial, mas por apenas 16 minutos. Nesse período, conseguiu receber dois amarelos e foi pro chuveiro mais cedo.

Deportivo 3x3 Sevilla
O Sevilla vai embora de La Coruña com dois pontos a menos porque Manzano passou a Liga rotando quase toda a equipe; porque Ayza Gámez teve um excesso de visões; e porque os nervionenses defendem de forma horrível. Alexis é uma máquina de provocar gols e os demais defensores não são muito melhores que ele. Porém, ao menos o empate veio em um novo lapso de qualidade e pegada. Poucas equipes são capazes de remontar um 2 a 0 fora de casa e com um jogador a menos, expulso em apenas um quarto de hora. O de sempre: a preocupante falta de tensão do Sevilla no começo da partida não tem explicação.

Além da surpreendente escalação de Manzano, os jogadores que não jogam habitualmente têm, no mínimo, a obrigação de saírem motivados. E não foi isso o que aconteceu. Aí, quando quiseram despertar, o Depor já tinha marcado e dominava claramente a partida em somente quatorze minutos. A partir daí, o Sevilla reivindicou a posse de bola, esticou os espaços do campo e tentou. Sempre em vão. É certo que o Deportivo apenas cercou, mas o Sevilla fechou os primeiros 45 minutos sem nenhuma chance de gol. Lassad marcou um golaço, bem semelhante ao de Juan Rodríguez no ano passado. Mesmo com uma reação elogiável, o quimérico objetivo da Champions está cada vez mais distante, jornada a jornada.

Málaga 1x2 Zaragoza
E o que falar do Málaga? O time que foi elogiado por fazer uma ótimo mercado de inverno -a equipe que mais gastou no mercado - não consegue emplacar uma sequência de vitórias e, para piorar, terminará a rodada na última posição. Pelegrinni experimento um 4-2-3-1 com Júlio Batista jogando mais pelo meio (antes, jogava de centroavante) e conseguiu encaixar Rondón junto com o brasileiro, que o auxiliava. Porém, sem Demichelis, suspenso, que vinha fazendo boas partidas desde que chegou à Andaluzia, o Málaga voltou a sofrer com a carência defensiva. Kris, substituto do argentino, não conseguiu parar Sinama-Pongolle, que voltou a mostrar um bom futebol.

O francês foi o autor da assistência para o gol de Bertollo e o autor do gol da virada maña. A má fase vivida pelo Málaga após os gastos do Sheik é diretamente proporcional à fase do Zaragoza. Os blancos confirmaram contra os blanquiazules o janeiro perfeito: no mês, foram cinco jogos disputados, com quatro vitórias e apenas uma derrota, o que já valeu para o time sair da zona de rebaixamento e assumir a décima-quinta posição. Os maños, porém, podem estarem perto de perderem o seu principal jogador. Segundo o AS, o jovem promissor Ander Herrera já teria acertado com o Athletic Bilbao para a próxima temporada. Pelo lado malaguesa, não é momento de sorrir. Porém, Duda, autor do tento de ontem, comemorou contra o Zaragoza seu jogo de número 200 na Liga Espanhola.

Real Sociedad 2x0 Almería
Na vitória dos txuri-urdins, palmas para um velho conhecido: Raúl Tamudo. Com o gol, o ex-jogador do Espanyol superou Joaquín Murillo como maior goleador catalão da história da Liga BBVA (133 gols). Voltando a titularidade, Tamudo fez jus à confiança de Lasarte. Foi um verdadeiro pesadelo para a defesa rojiblanca e, além de um gol magnífico, teve um papel importante na hora de segurar a bola. Outro que merece destaque é o jovem Zurutuza. Jogando de auxiliar a Tamudo no 4-2-3-1 de Lasarte, o camisa 17 teve um papel semelhante ao que faz Özil no Real Madrid. Cadenciou o jogo e foi importante nas infiltrações pelo flanco, quando revezava com Griezzman e Xabi Prieto. A qualidade do meio-campo blanquiazul é dialmetramente oposta ao do time da Andaluzia. A dupla de volante, Bernadello e M'Bani, bateram cabeça durante boa parte do jogo e não conseguiram criar jogadas de perigos para Ulloa, muito isolado na frente. Na linha de três, Crusat e Piatti foram anulados por Estrada e De La Bella, respectivamente.

Levante 2x0 Getafe
Importante vitória do Levante ante um Getafe que não se encontra mais. Os valencianos aproveitaram os tropeços de Almería e Málaga para sair da lanterna da competição. Caicedo voltou a ter papel importante. Autor do gol que setenciou o marcador, o equatoriano deu muito trabalho à defesa azulona. Outro que merece destaque é Juanlu, autor das assistências para os dois gols. O Getafe segue sofrendo da síndrome de ter uma alta posse de bola, mas não saber o que fazer com ela. Outro problema que evidencia o momento do Getafe é a má fase de Dani Parejo. O canterano do Real Madrid, que está próximo de voltar ao clube de Chamartín, parece estar desgastado e não apresenta um belo futebol como mostrou no primeiro semestre de la Liga. A notícia ruim fica por conta do lateral Juanfran, que teve sair direto para o hospital. O lateral levantiano sofreu um duro golpe de Pedro Ríos que caiu agonizando de dor. O meio-campista do Getafe recebeu apenas um cartão amarelo.