Mostrando postagens com marcador Eternas Promessas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eternas Promessas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eternas Promessas: Mario Rosas

"Rosas era o melhor jogador da nossa equipe", disse Xavi sobre o Juvenil A do Barcelona. Hoje, o meia é importante para o Salamanca (superdeporte)

O Castellón é um time espanhol da cidade homônima, vizinha a Valencia. Historicamente oscila entre a segunda e a terceira divisões do país. Já esteve na elite, mas por pouco tempo. Não tem taças importantes em sua sala de troféus. O meio-campista Mario Rosas, de 30 anos, atualmente atleta do Salamanca, é considerado um dos maiores jogadores da história do Castellón.

A honraria é fruto das quatro temporadas em que defendeu o clube, entre 2006 e 2009. Estar no panteão dos ídolos de um time – ainda que pequeno – é algo consagrador para a carreira de qualquer jogador. Mario Rosas poderia dormir tranquilo pelo feito. Não fosse pelas expectativas que ele mesmo gerou no início de sua carreira.

Quando tinha apenas 18 anos, Rosas estreou pelo time principal do Barcelona. O jogo, digamos a verdade, tinha um quê de amistoso – o clube catalão já era campeão nacional e pegou o Salamanca (o mesmo que Rosas defende hoje) em casa, para cumprir tabela. Rosas foi escalado e ali coroava uma trajetória de sucesso nas categorias de base. Sua visão de jogo e qualidade no passe encantavam a todos – até mesmo a alguns que, no futuro, alcançariam triunfos incrivelmente superiores aos obtidos pelo próprio Rosas.

“Ele era o melhor da minha geração”. Quem afirma isso é ninguém menos que Xavi Hernandez, multicampeão pelo Barça e pela seleção espanhola. Xavi e Rosas cresceram juntos no Barcelona e foram, simultaneamente, promovidos para a equipe principal. Mas um deu certo, e o outro não. A razão? Xavi desconhece. Em entrevistas, Rosas diz que o motivo de seu insucesso é o treinamento por ele recebido em La Masia, o centro de formação dos jovens barcelonistas. Diz ele que a filosofia lá imposta é tão adequada ao estilo do Barça que, em outros lugares, quem a segue não consegue ir além.

No Barcelona, segundo Rosas, o estilo de jogo marcado pelos toques rápidos e pela ofensividade que se vê no time principal é apenas um reflexo de algo que é severamente trabalhado desde a base. Iniesta, Xavi e Messi, apenas para citar os três mais estrelados do grupo atual do Barça, estariam simplesmente replicando na atualidade o que aprenderam nos seus tempos de juvenil.

E como o futebol da “vida real” não é tão belo e musical como o do Barça, quem tenta viver desta forma em outros lugares não vai longe. Decerto Cèsc Fábregas, referência do Arsenal e da seleção espanhola, discorda. A aparição de Rosas no time principal do Barcelona, na temporada 1997/8, foi decorrência do destino – o clube achava que ainda não era época de efetivá-lo como atleta do time de cima. Eram duas as explicações para tal: o excesso de bons meio-campistas no grupo (Rivaldo era um deles) e a inexperiência do jovem.

Rosas então voltou ao time B do Barcelona, que disputa a segunda divisão nacional. Permaneceu por lá até a temporada 1999/2000, como um dos principais jogadores do clube. Antes disso, entrou em campo também pela seleção espanhola sub-17, porém sem figurar entre os integrantes das delegações que jogaram o Mundial da categoria.Foi aí então que começou sua peregrinação pelo mundo do futebol.

Em três temporadas, Rosas atuou por três clubes diferentes: Alavés, Salamanca e Numancia. Apenas no primeiro deles disputou a primeira divisão. E neste meio-tempo ainda teve uma incursão não bem-sucedida pelo New York Metrostars (atual Red Bull New York), dos EUA.

Mais dois anos de instabilidade no Cádiz, um no inferno da terceira divisão (pelo Girona) até a chegada ao Castellón, para a temporada 2005/6. Lá se assentou, até chegou a virar ídolo, mas nem sequer foi capaz de levar o simpático clube de volta à elite.

O fato é que Rosas rodou, rodou e rodou e jamais sentiu novamente o gosto de jogar na primeira divisão do futebol espanhol. Nunca foi cogitado para um dos grandes locais e até mesmo os médios e pequenos da elite não se preocuparam em tê-lo em campo. Consolidou-se, mesmo, como um jogador menor. “Passei do ‘menino bonito do Barcelona’ à Segunda Divisão B [a terceirona local]”, declarou o próprio Rosas ao El País em entrevista de 2009.

Hoje, depois de uma passagem pelo Murcia, Rosas está de volta ao Salamanca – o time contra quem estreou pela equipe principal do Barcelona e foi seu segundo destino no início da sua peregrinação pós-Barça. Como se poderia esperar, não está empolgando. O Salamanca faz péssima campanha, ocupando a zona de rebaixamento, e Rosas foi às redes uma única vez. Se permanecer no clube – pouco provável, já que não vem agradando – é possível que Rosas volte a sentir as agruras de jogar a terceira divisão.

Em entrevistas recentes, Rosas comenta que comumente é abordado pelos outros jogadores dos clubes em que atua e é obrigado a falar sobre os insucessos de sua carreira, discutir o “o que não deu certo?”. Tal situação é inevitável. O futebol espanhol passa pelo melhor momento de sua história – quem imaginaria a seleção da Espanha ganhando Eurocopa e Copa do Mundo, e o Barcelona encantando o planeta com sua base formada por atletas revelados pelo próprio clube? – e muitos dos protagonistas deste instante de ouro foram parceiros de Rosas na época de seus inícios no futebol.

Mais que isso: foram fãs dele, já que Rosas era a verdadeira estrela da companhia no final da década passada.

Mario Rosas
Nome completo: Mario Alberto Rosas Montero
Data de nascimento: 22/05/1980
Local de nascimento: Málaga, Espanha
Clubes que defendeu: Barcelona, Alavés, Salamanca, Numancia, Cádiz, Girona, Castellón, Murcia

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eternas promessas: Gabri

O cabelo é parecido com o de Messi, já o futebol... (fcbarcelona.cat)

“Nesta terra, tudo que se planta dá”. A frase escrita pelo escritor português Pero Vaz de Caminha registrou as impressões da terra que seria nomeada de Brasil. Se bem que a carta dirigida ao Rei D. Manuel também poderia fazer referência a um outro endereço: a Avinguda de Joan XXIII, s/nº. Por lá está localizada a famosa “cantera” La Masía, do FC Barcelona. A horta catalã de craques colheu frutos como Guardiola, De la Peña, Puyol, Xavi, Iniesta, Valdés, Messi, Pedro e tantos outros. Apesar da produtiva safra, o grão Gabriel Francisco García de la Torre, o Gabri, não brotou como era esperado, e a semente entrou na lista de uma grande promessa que não foi germinada. Campeão mundial sub 20, em 1999 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, pela seleção espanhola. Campeão da UEFA Champions League na temporada 2005/2006, da Liga 2004/2005 e 2005/2006, pelo Barcelona. Campeão da Copa da Holanda em 2006/2007, além da Supercopa em 2006 e 2007, pelo Ajax. Por que, apesar de tantos títulos, Gabri não conseguiu se destacar como um dos frutos da cantera azul-grená?

Para chegar até a resposta, voltemos ao dia 22 de setembro de 2004, considerado o dia para ser apagado da memória do clube catalão. Mesmo com a vitória de 4 a 1 sobre o Real Zaragoza, duas lesões antes dos 10 minutos inicias de partida deixaram os culés preocupados. O brasileiro Sylvinho, que regressara de uma contusão, não aguentou dois minutos em campo. A avaliação médica havia detectado uma entorse no joelho esquerdo que o deixaria um mês afastado. Contudo, o pior ainda estava por vir.

Sete minutos depois da substituição de Sylvinho, Gabri, que também voltara de uma leve lesão, caiu no gramado após controlar a bola. A baixa era séria, um entorse no joelho direito. "O ligamento cruzado anterior e do ligamento lateral interno do joelho direito foram completamente despedaçados”, avaliou o chefe médico do clube, Jordi Ardevol. A contusão era a mesma que havia afastado o meia brasileiro Thiago Motta, no início daquele mesmo mês de 2004, o deixando longe dos gramados por alguns meses.

A saída precoce de Gabri fez com que a temporada 2004/2005 terminasse naquele instante para o jogador. Para se ter uma ideia, em cinco anos na equipe principal do clube catalão, o jogador tinha uma média de 22 jogos por temporada, e só naquele ano atuou em apenas quatro jogos. Mesmo com a volta aos gramados em 2005/2006, Gabri pouco foi aproveitado, atuando em apenas 11 partidas, até porque a equipe dirigida pelo técnico Frank Rijkaard havia encontrado a formação ideal, tanto que conquistou a Champions League ao final da campanha.

Apesar do título, a ausência das principais partidas fez com que o clube espanhol não renovasse o contrato. Assim, em junho, antes do início da Copa da Alemanha, o Barcelona liberou de graça o jogador para o Ajax, da Holanda. Na Eredivise, Gabri voltou a atuar. Trinta e uma participações na temporada de estreia e com direito a cinco gols. Seria o reencontro com o bom futebol?

Tudo não passou de uma miragem. Com o passar dos anos, o número de jogos declinava. Até que faltando um mês para o término da temporada 2008/2009, atuando no Ajax B, a história se repetiu. Uma ruptura nos ligamentos em um dos joelhos levou o jogador para o departamento médico mais uma vez. Na última temporada, Gabri sequer foi aproveitando como era no início de carreira. Atuou em apenas 13 partidas, e a maioria na equipe de reservas do Ajax. Definitivamente, Gabri não fazia mais parte dos planos da equipe comandada por Martin Jol.

Discriminação?
Lesões à parte, o catalão foi contestado no seu país de origem por apoiar a questão separatista da região da Catalunha com o território espanhol. “Nossa vida seria melhor com a independência. Na Espanha se esmaga o jogador catalão, há discriminação”. Os dizeres, em uma prestigiada revista alemã, deixariam o então técnico da Fúria, Luis Aragonês, que conquistaria a Eurocopa no ano seguinte, chateado. Até porque havia jogadores catalães na seleção espanhola.

Segundo Gabri, tudo não havia passado de uma falha de interpretação, mas ele nunca quis voltar a comentar o assunto. O jogador que havia participado da Eurocopa de 2004 e de todas as seleções de base da Fúria não poderia ter colocado mais lenha na fogueira na “questão separatista”. Tudo era questão de bom senso.

Gabri, que surgiu como uma grata revelação de La Masía, que surpreendeu a todos na equipe de reservas do Barcelona, e logo foi promovido para a equipe principal, hoje se encontra no banco de reservas do clube holandês. A ausência das principais partidas poderá fazer com que a mesma história, ocorrida no Barça, se repita, e Gabri não tenha seu contrato renovado pelo Ajax. Assim, a tão prestigiada colheita catalã terá um dos seus frutos desperdiçados.

Gabri
Nome completo: Gabriel Francisco García de la Torre
Data de nascimento: 10/02/1979
Local de nascimento: Sallent, Espanha
Clubes que defendeu: Barcelona e Ajax

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eternas promessas: Javier Farinós

Canterano do Valencia, Farinós chegou a disputar uma final de Champions League com os chés (eleganche.es)

Atualmente, Francisco Javier Farinós Zapata defende as cores do Hércules, que está na 18ª colocação do campeonato espanhol. Quem o vê de início, pensa que se trata de um jogador como outro qualquer. Mas não é bem assim. No fim dos anos 90, o meio-campista era considerado um jogador de grande potencial. Não à toa, assumiu a camisa 8 do Valencia com apenas 19 anos. Três anos mais tarde, disputaria sua primeira final de Champions League (derrota de 3x0 para o Real Madrid) e seria vendido à Internazionale. Um salto importante para consolidar sua carreira. Farinós só não contava que sua passagem pela Itália fosse mal-sucedida. Deslumbrou-se com as lojas de Milão, sofreu com as lesões e, desde então, não reencontrou seu futebol.

A temporada 1996/97 foi a primeira de Fari como profissional. O responsável por sua promoção ao elenco principal do Valencia foi o argentino Jorge Valdano. Logo de cara, impressionou por sua mobilidade e por sua capacidade de roubar bola e sair jogando. Comparando com meio-campistas da atualidade, podemos dizer que ele tinha as mesmas características de Xavi Hernández, do Barcelona. Nos dois anos seguintes, mesmo com Gaizka Mendieta, Killy González e Stefan Schwarz na equipe, Farinós conseguiu se manter na equipe titular. Ter nascido na cidade e ser um atleta formado no clube o ajudaram a conquistar a torcida.

A Inter foi o grande divisor de águas para a carreira de Farinós. Contratado no verão de 2000 por 12 milhões de euros, esperava-se muito do volante na Itália. Ele tinha o perfil ideal para triunfar no time nerazzurro: força, técnica e raça. No início, recebeu várias chances. Formava o meio junto com Luigi Di Biagio, Vladimir Jugovic e Clarence Seedorf. Mas não rendeu o que se esperava. Para piorar, uma suposta hérnia (que depois não se confirmou) e lesões no púbis o deixaram afastado dos gramados por um ano, no total. Quando voltou, com Héctor Cúper, passou a ser figura assídua no banco de reservas.

Apesar de insatisfeito com a situação, segurou a onda e acatou as ordens do treinador. Porém, em 2002/03, ao entrar em campo apenas duas vezes durante todo o segundo semestre, acabou emprestado ao Villarreal, onde não se destacou. Também sem ser brilhante no Submarino Amarelo, Farinós não teve seu vínculo renovado. Assim, foi obrigado a voltar à Milão. Não ficou por lá nem duas semanas e acertou um novo empréstimo, desta vez com o Real Mallorca.

Mesmo após uma temporada mediana, o clube espanhol decidiu prolongar seu contrato. Desta vez, o negócio se deu de uma forma um pouco diferente. O vínculo com a Inter havia expirado e, como Moratti não tinha mais interesse em contar com ele, ficou livre para acertar com qualquer outra equipe. O Mallorca lhe deu uma segunda chance e assinou com Fari por um ano. Só que o volante, novamente, não aproveitou. Passou meses longe de seu preparo físico ideal e acabou dispensado em junho de 2006.

Aos 28 anos, estava desempregado. Precisou apelar ao Charlton, da Inglaterra, para que treinasse no clube enquanto procurava uma nova equipe. O tempo foi passando e nada. Nem os ingleses tinham interesse em contar com ele. Até que, quando menos esperava, recebeu um telefonema do Hércules, de Alicante. Não pensou duas vezes e aceitou o desafio de levar o clube de volta à primeira divisão. Além do mais, estaria perto de sua Valencia.

Passados quatro anos da ida para o Hércules, o sonho de Farinós continua o mesmo: lutar para que os blanquiazules permaneçam na Liga BBVA. Além disso, quer mostrar ao público que não é mais um ex-jogador em atividade. Para ele, sair da elite do futebol mundial e acabar na Liga Adelante foi um golpe duro, que só pode ser assimilado há pouco tempo. O segredo de Farinós foi justamente fazer o oposto do que esteve acostumado em suas passagens por Inter, Villarreal e Mallorca: se dedicar ao máximo nos treinamentos e estar focado somente no futebol.

Passagem pela Fúria
No dia 18 de agosto de 1999, Fari recebeu sua primeira oportunidade na seleção espanhola. Foi em um amistoso contra a Polônia, em Varsóvia, quando substituiu Mendieta no intervalo. Receberia mais uma chance no ano seguinte, diante da Holanda, mas nunca mais voltaria ao selecionado principal. Muito em função do futebol apresentado (ou não apresentado, como preferir) na Inter.

Javier Farinós
Nome completo: Francisco Javier Farinós Zapata
Data de nascimento: 29/03/1978
Local de nascimento: Valencia, Espanha
Clubes: Valencia, Internazionale, Villarreal, Mallorca e Hércules
Títulos: 1 Copa do Rei, 1 Supercopa da Espanha, 1 Copa da Itália, 1 Eurocopa Sub-21, 1 Copa Intertoto da Uefa

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eternas Promessas: Tote

Contemporâneo de Raúl, Tote encarnou um personagem pelos clubes de Madrid (diariodelfutbol.es)

Apontado ao lado de Raúl como um das principais promessas madridistas dos anos 90, o atacante Jorge Marco López, o Tote, não teve o mesmo sucesso que o colega de base. Hoje, a presença dele em campo é tida como a certeza de muitas trapalhadas e gols perdidos. E se atacante vive de gol, aquele que não possui um aproveitamento minimamente razoável não consegue se manter por muito tempo em clubes de alto nível. Foi o que aconteceu com o espanhol, que completou 32 anos no fim do ano passando, acumulando uma série de fracassos na carreira.

O início
Antes de chegar ao Real, ele passou pelas categorias juvenis do Atlético de Madrid, time do qual é torcedor confesso. Nascido na capital espanhola, o garoto deixou o clube do coração aos 15 anos para terminar sua formação nas categorias de base do Real, em 93. Nos treinamentos, quase sempre se destacava com toques de qualidade e visão de jogo, o que o fez ascender rapidamente aos times C e B do Real.

Na temporada 98/99 pelo Real B, Tote marcou nove gols em 23 jogos e passou a ser visto como uma das principais promessas do futebol espanhol. Em 8 de maio de 99, ele estreou na equipe principal, em jogo contra o Real Sociedad pelo campeonato espanhol. Os galáticos venceram La Real por três a dois, mas Tote não marcou nenhum gol, tendo, na verdade, uma atuação apagada ao lado de Raúl.

O treinador John Benjamin Toshack atribuiu o baixo rendimento à pouca experiência e o atacante acabou emprestado ao Benfica de Portugal por uma temporada. A ideia era de que ele jogasse a primeira divisão em um campeonato de menor pressão, para que sua evolução não fosse prejudicada.

Totti não, Tote
Em 2000, uma confusão da imprensa portuguesa anunciava a chegada de Totti aos encarnados. O atacante italiano que aos 22 anos já era estrela da Roma chegaria ao Benfica por um preço acessível e ficaria uma temporada em Portugal. Como tudo que é bom dura pouco, a euforia benfiquista foi acalmada logo no dia seguinte, quando os jornais desculpavam-se pelo erro e estampavam o rosto de Tote, o promissor atacante espanhol que chegava para ser titular ao lado de Nuno Gomes.

Em campo, o espanhol não fazia diferença para melhor e com o tempo, foi caindo nas opções do treinador. Ele ainda foi relacionado para algumas partidas por conta do bom rendimento nos treinamentos, mas não conseguiu render o mesmo em campo. Trapalhão nas finalizações, o atacante fez uma temporada desastrosa pelo Benfica, onde jogou sete partidas, marcou três gols e perdeu dezenas deles. Na memória benfiquista ficou o jogo contra o Dínamo Bucareste pela antiga Taça UEFA 99/00, quando Tote perdeu três gols feitos e os encarnados perderam por um a zero em pleno Estádio da Luz.

Aos 21 anos, o atacante sofreu a primeira de muitas baixas e foi mandado de volta ao Real Madrid. Com tempo pela frente e força de vontade de sobra para provar que podia fazer melhor, Tote voltou ao Real, jogou mais três partidas e acabou novamente emprestado, dessa vez, para o Real Valladolid, time que disputa a segunda divisão espanhola atualmente. No início da temporada 01/02 pelo time de Valladolid, Tote esboçou o que seria um recomeço. O jogador participou de 36 jogos e marcou sete gols, acumulando mais um desempenho abaixo do esperado, embora o melhor de sua carreira profissional.

De volta a Madrid, o Real tratou logo de acertar a venda do atacante para o Real Betis. Com a camisa merengue, Tote jogou seis partidas e não marcou um gol sequer. O jogador esteve em Sevilha entre 2003 e 2005, participou de 17 partidas e marcou apenas dois gols. Certos de que a compra do atacante foi um mal negócio, os béticos trataram logo de emprestá-lo ao Málaga, onde Tote jogou nove vezes sem marcar gol algum. Na temporada 05/06, o atacante espanhol voltou ao Valladolid, que o aguentou por mais 30 jogos, nos quais ele marcou apenas três gols. Com a ridícula média de um gol a cada dez jogos, o atacante consagrou-se como eterna promessa aos 28 anos, sendo transferido para o Hércules, onde joga até hoje.

Capitão Hércules
Em Alicante, Tote se destaca pela força de vontade. Os gols continuam poucos - são 145 jogos e apenas 27 gols marcados. Contudo, o atacante acabou se tornando peça-chave do esquema montado pelo treinador Esteban Vigo. Com 1,77m e 75 kg, o diferencial de Tote sempre foi a técnica. Ele é um atacante com bom toque de bola, que dribla bem, mas finaliza terrivelmente. Capitão do Hércules, hoje ele é um dos mais queridos jogadores do time, muito mais pela seriedade profissional do que pelo que demonstra em campo.

Na Espanha, há quem goste e odeie seu futebol, e muitos atribuem o seu fiasco profissional à falta de sorte. Com nenhum título expressivo e poucos gols marcados nesses doze anos como jogador, Tote entrou, definitivamente, para a lista das eternas promessas do futebol.

Originalmente de Clarissa Caramilo, do site olheiros

Jorge López Marco, o "Tote"
Nome completo: Jorge López Marco
Data de nascimento: 23/11/1978
Local de nascimento: Madrid, Espanha
Clubes que defendeu: Atlético de Madrid, Real Madrid, Benfica, Valladolid, Real
Betis, Málaga, Hércules

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eternas promessas: José Mari

Com tantas lesões, José Mari viu seu futuro promissor virar pó e já agoniza aos 32 anos. Hoje, no Xerez, tem o carinho da torcida e é visto com um líder dentro de campo (AS)

Imagine se um jovem e promissor atacante como, por exemplo, o Thiago Ribeiro, se machuca e passa o resto da carreira pulando de time em time? É difícil, mas não impossível. Um exemplo é o atacante José Mari, sevilhano que foi apontado como a grande promessa do futebol espanhol em 1997, mas que não foi muito longe nos grandes clubes do futebol europeu.

O problema é que José Mari parece ter sido escolhido a dedo pelo azar e hoje, aos 32 anos, figura na lista dos eternos lesionados, um futuro inimaginável para quem o viu em início de carreira. Forte fisicamente, rápido e brigador, ninguém poderia crer que uma série de lesões fosse afastá-lo da elite do futebol tão rapidamente.

O começo e o auge
Formado nas categorias de base do Sevilla, ele estreou nos profissionais em 02 de fevereiro de 97, aos 18 anos. No Rámon Sánchez Pizjuán, o jovem atacante andaluz marcou sete gols nos 21 jogos em que teve alguma participação. Ele acabou convocado para a seleção sub-18 da Espanha, onde jogou sete partidas e anotou seis gols. Com isso, o garoto ganhou visibilidade e a cobiça de vários clubes. O vencedor da briga foi o Atlético de Madrid, que conseguiu levá-lo para o Vicente Calderón ainda em 97. O ambiente no clube era tranquilo, já que a pressão por títulos havia sido apaziguada com a conquista da nona taça nacional pelos colchoneros, na temporada 95/96. Por lá, o garoto ficou três temporadas, de 97 a 2000. No primeiro ano, foram 44 partidas disputadas e nove gols marcados. No segundo, 51 partidas e 19 gols. E no terceiro ano, 16 partidas e apenas 3 gols anotados.

Enquanto isso, Mari continuou sendo convocado para as categorias de base da seleção. Na sub-21, ele jogou 12 partidas e marcou cinco gols. Com a sub-23, ele disputou os Jogos Olímpicos de Sydney e foi titular na conquista da medalha de prata da competição. A Espanha acabou perdendo a taça para Camarões após empatar em dois a dois na final e perder nos pênaltis por cinco a três. Com três gols marcados nos jogos olímpicos, o garoto se tornou uma das sensações do futebol europeu e acabou transferindo-se para o Milan, ainda em 2000. O que seria só o começo para muitos, hoje é visto como o auge da carreira de José Mari, já que a partir dali ele não conseguiu ir muito longe.

A carreira de José Mari seria interrompida em vários momentos por conta de lesões e contusões seguidas. A primeira delas foi enquanto esteve no Milan, onde ficou no estaleiro por muito tempo. Antipatizado, ele voltou ao Atlético em 2002 por empréstimo de um ano. Pelo Milan, foram duas temporadas, de 2000 a 2002, e um histórico de apenas cinco gols marcados em 52 jogos. Na volta ao Atlético, os números também não foram animadores, apenas seis gols em 31 partidas.

Chateado pelas terríveis atuações do time no ano do centenário do clube, em 2003, o presidente do clube, Jesús Gil, disse ao anunciar a saída do atacante que “cada um tem o final que merece. Ele não vai seguir aqui, mas lhe desejo todo o melhor, não lhe desejo nenhum mal”. Questionado, o atacante andaluz passou a procurar novos ares. Uma proposta do Villarreal em 2003 pareceu-lhe a mais adequada naquele momento. Aos 25 anos, Mari ainda precisava provar muita coisa para ser para não ser lembrado como uma eterna promessa.

Reação e nova queda
No submarino amarelo, as coisas melhoraram. A rapidez e o bom posicionamento de outrora pareciam ter voltado e, novamente, foi difícil marcar os cabeceios quase sempre certeiros de José Mari. No ano de sua chegada ao El Madrigal, ele foi campeão da Copa Intertoto de 2003 e garantiu, com isso, uma vaga para o Villarreal na disputa da antiga Copa da UEFA, hoje Liga Europa. A reação, porém, esbarrou em várias lesões na perna esquerda, que o tiravam dos gramados por longos períodos. A concorrência com Giuseppe Rossi também ajudava a mantê-lo afastado dos campos. Em 2007, com 113 jogos e apenas 15 gols marcados, José Mari acabou voltando para Sevilha para atuar pelo Real Betis, time que atualmente disputa a segunda divisão espanhola.

Desde então, o atacante nunca mais voltou a atuar por um grande clube e passou a acumular uma série de passagens e números sem expressividade alguma. No Real Betis, ele marcou o primeiro gol um ano após sua chegada. Ao todo, foram 21 jogos e apenas um gol marcado, o que ocasionou na sua transferência para o Gimnàstic de Tarragona, em 2008. No Nàstic, ele ficou mais um ano, jogando 42 vezes e marcando 8 gols.

Hoje, no Xerez, finalmente José Mari tem o carinho da torcida e é visto com um líder dentro de campo. O time está em sexto lugar na Liga Adelante e parece ter força para lutar pelo acesso à série A espanhola. Aos 32 anos, não dá mais tempo de José Mari buscar consagração. Para novas conquistas, porém, enquanto a bola estiver rolando, nada está perdido.

Texto de Clarissa Carramilo

José Mari
Nome completo: José María Romero Jiménez Poyón
Data de nascimento: 10/12/1978
Local de nascimento: Sevilha, Espanha
Clubes que defendeu: Atlético de Madrid, Milan, Villarreal, Real Betis, Gimnastic de Tarragona, Deportivo Xerez
Seleções de base que defendeu: Espanha sub-19, Espanha sub-21 e Espanha sub-23