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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Balanço Final: Hércules

"Eu preciso de um companheiro", reclama Trezeguet. Função de salvar o Hércules da degola caiu toda nas mãos do francês, que não deve permanecer para a disputa da Liga Adelante (getty images)

Campanha: 19ª colocação, 38 jogos, 9 vitórias, 8 empates e 21 derrotas. 36 gols pró e 60 gols contra.
Competição europeia: Não participou.
Copa del Rey: Eliminado na terceira fase para o Málaga
Time-base: Calatayud; Abraham Paz, Cortés, Pamarot, Peña; Abel Aguillar, Fritzler; Drenthe, Kiko (Tiago), Haedo Valdez; Trezeguet.
Os artilheiros: David Trezeguet (12 gols), Haedo Valdez (8) e Royston Drenthe (4).
Os técnicos: Esteban Vigo, até a 29ª rodada; Miroslav Djukic, a partir da 30ª rodada.
O destaque: David Trezeguet
A decepção: Royston Drenthe

Nessa temporada, o Hércules foi rebaixado com um elenco que tinha total capacidade de permanecer na Liga BBVA. Após o ótimo mercado de verão, a equipe foi totalmente remodelada para a disputa da Liga BBVA, com nome de peso, como Trezeguet, Haedo Valdez e Drenthe. A defesa não se comportou muito bem, apesar de partidas seguras de Cortés e o goleiro Calatayud. A inexistência de um meio-campo mais coeso foi o ponto crucial para o fracasso retumbante dos blanquiazules. Kiko se consolidou como uma das grandes revelações desta Liga, enquanto Drenthe só foi achar seu futebol na reta final. O holandês foi contratado para ser o principal jogador de meio-campo do time, mas seus problemas extracampos só o atrapalharam. Os principais foram os problemas na apresentação ao clube em janeiro e a multa recebida em setembro. O jogador estava dirigindo pelas ruas de Alicante a 160 quilômetros por hora, e segundo os policiais teria desrespeitado seis semáforos fechados.

Trezeguet foi o grande matador da equipe, como se esperava, com 13 gols. Haedo Valdez, irregular na temporada, aparece em segundo com apenas oito gols. O paraguaio foi contratado com até mais status de estrela do que o veterano francês, mas deixou a desejar na temporada. Seu doblete no Camp Nou na vitória histórica do Hércules ante o Barcelona foi seu melhor momento na temporada. Detalhe: em setembro de 2010. A má pontaria também foi um ponto negativo: os herculinos chegaram a ficar cinco meses sem marcar um único gol fora do Rico Pérez - marcaram apenas sete longe da Comunidade Valenciana. A grandiosa temporada de Kiko no meio-campo está tendo resultado. Especulações crescem a cada noticiando que o Barcelona está atrás do jovem. Kiko, porém, negou algum interesse dos azulgrenás. Na temporada, o jovem de 19 anos foi o autor de oito assistências.

De retorno à Liga Adelante, onde foi campeão em 2009/2010, o Hércules já pensa em voltar para a elite nacional. O novo diretor esportivo da equipe, o ex-jogador Sergio Fernández, pensa em recontratar Juan Carlos Mandiá para a disputa da segundona. Mandiá foi o técnico com o qual o Hércules conseguiu o acesso para a Liga BBVA. Um dos grandes erros, talvez, da diretoria herculana foi não ter dado mais uma chance ao treinador, demitido com problemas na renovação. Esteban Vigo e, depois, Miroslav Djukic não conseguiram em momento algum implementar um padrão de jogo na equipe. Mesmo com o fracasso do 4-2-3-1 de Boquerón, Djukic preferiu apostar no módulo, que privilegiava o ataque, deixando muitos espaços para os adversários chegarem nas redes de Calatayud. A defesa foi o calcanhar de aquiles da equipe: o Hércules sofreu 60 gols na temporada.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Resumo: 35ª rodada

O Barcelona está a um empate de comemorar, oficialmente, seu 21º título de Campeonato Espanhol (getty images)

Se a luta pelo título está praticamente encerrada, a disputa pelo rebaixamento ainda reserva grandes emoções. Foi o que a 35ª rodada nos mostrou no sábado e no domingo. Com uma excelente vitória no La Romareda, o Osasuna saiu da zona de rebaixamento e jogou o Deportivo, que empatou com o Sporting Gijón, para lá. E temos o primeiro veredito da Liga BBVA: o Almería perdeu para o Getafe por 2 a 0 e, após quatro anos na elite, disputará a próxima Liga Adelante. Quem também está próximo do descenso é o Hércules, derrotado pelo Racing Santander em casa.

Na parte de cima, nada mudou. O Valencia venceu a Real Sociedad e assegurou a terceira colocação, enquanto Sevilla e Atlético de Madrid tropeçaram, mas o Espanyol não aproveitou: perdeu o derby barceloní para o Barcelona e, em uma rodada que poderia recolocar os péricos de volta à disputa, muito provavelmente jogará a próxima Liga Europa.

Barcelona 2x0 Espanyol
Um só ponto separa o Barcelona do título nacional da temporada 2010/2011 após o triunfo no dérbi da Catalunha. Sem Puyol, mas com toda a equipe titular no meio para frente, o Barcelona impôs ao seu rival estadual um doblete (vitória no turno e no returno) e só falta levantar uma taça em que já tinha, há algum tempo, as duas mãos. Escalado no 4-2-3-1, o Espanyol começou em um ritmo elevado, querendo dificultar a vida dos blaugranas, mas não resistiram ao ímpeto barcelonista que foi crescendo à medida que os minutos passavam. Apesar da vitória e do consequente título, o Barcelona ainda lamenta por algo: David Villa. El Guaje voltou a perder gols atrás de gols e, muito preso à esquerda, foi anulado por Galán em, praticamente, todo o segundo tempo. Concluiu de maneira displicente uma jogada coletiva linda trabalhada por Iniesta, Messi e Xavi e só marcou apenas um gol nos últimos quatorze jogos.

Messi, por sua vez, vê a briga pelo Pichichi ficar distante: após os quatro gols de Cristiano Ronaldo ante o Sevilla, o argentino entrou em campo, curiosamente, para o gasto, não se esforçando muito e finalizando pouco para as redes de Kameni. Guardiola, na coletiva, deu uma provocada de leve no craque português: "para Messi, não importa ser artilheiro da Liga Espanhola. E sim conquistá-la, além da Champions League". Para o Espanyol, apesar dos elogios de Pochettino aos seus comandados após a partida, fica o pensamento de que a equipe não aproveitou uma rodada excelente para suas pretensões. Agora, quatro pontos atrás do Sevilla, a Liga Europa também está distante e, a cada rodada, a equipe vai se tornando um verdadeiro cavalo paraguaio.

Zaragoza 1x3 Osasuna
No jogo mais esperado da rodada, os jogadores do Zaragoza saíram de campo preocupados. A derrota ante um adversário direto deixa a equipe a dois da zona de rebaixamento a três rodadas para o fim. A equipe teve muitas ocasiões, sobretudo na primeira etapa, onde poderia matar a partida, mas viu um Osasuna avassalador na segunda etapa e sofreu a virada. Antes do gol final de Kike Sola, porém, Uche teve uma excelente oportunidade de empatar a partida, mas jogou na trave de Ricardo. Para o Osasuna, fica de positivo a eficiência da equipe: os rojos só chutaram quatro vezes para o gol e fizeram três gols. Ricardo pode ser considerado herói: o goleiro salvou o Osasuna de tudo que é jeito e, praticamente, garantiu os três pontos mais que essenciais. A entrada de Vadócz condicionou a partida. Jogando à direita no 4-2-3-1 de Mendillibar, o húngaro participou diretamente dos três gols dos navarros no La Romareda.

Atlético de Madrid 0x3 Málaga
Duas bestas devoraram o Atlético de Madrid em pleno Vicente Calderón. Trata-se de Júlio Baptista, que retornou de lesão para ser o herói do Málaga, o Rondón, melhor jogador da partida. Ainda sonhando com Champions League, essa possibilidade, para o Atlético de Madrid, dissiparam-se após a humilhante derrota sofrida em seu domicílio. Outro que merece destaque é o argentino Demichelis. Incrivelmente, o zagueiro vai cumprindo a missão de ser o chefão da zaga blanquiazul e conseguiu, quem diria, anular Agüero, em fase absurda. O argentino, aliás, não foi o único em boa fase a ir mal na partida: Reyes e Diego Costa também sucumbiram à defesa andaluz e pouco produziram nos noventa minutos. Se Demichelis foi bem, o mesmo não se pode dizer de Godín: o zagueiro colchonero teve noite para se esquecer e falhou nos dois primeiros gols, de Rondón e Júlio Baptista. Para Quique, a derrota foi merecida e saiu de três erros individuais de seus comandados.

Sevilla 2x6 Real Madrid
Após a eliminação da Liga dos Campeões, o Real Madrid saiu-se bem de um difícil compromisso contra o Sevilla, que sonhava, minimamente, com Champions League. José Mourinho, suspenso pela Uefa nesta semana por suas declarações após a derrota na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões contra o Barcelona, escalou um time com Kaká, Mesut Özil e Cristiano Ronaldo, além de Karim Benzema como centroavante. O time nem precisou de uma grande atuação no primeiro tempo para marcar seus gols. Aproveitando a fragilidade defensiva do Sevilla, os gols foram saindo naturalmente. Com quatro gols, Cristiano Ronaldo não só ultrapassou Messi no Pichichi como na Bota de Ouro. Com 33 na lista da LFP, CR7 está a apenas mais cinco de igualar o recorde de 38 marcados por Zarra (na temporada 1950-1951) e Hugo Sánchez (1989-1990) em uma só edição da competição. Neste ano, Cristiano tem 46 gols em 51 partidas. E em duas temporadas como jogador do Real, ele marcou 76 vezes em 98 jogos. No lado sevillistas, o grito de "Fora, Manzano!" deve fazer efeito: para a próxima temporada, o Sevilla já iniciou contatos com o chileno Marcelo Bielsa, ex-treinador da seleção nacional.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A briga que interessa

O Málaga, de Júlio Baptista, tem o melhor elenco dentre as equipes que brigam contra o descenso (getty images)

A disputa pelo título da Liga BBVA já chegou ao seu fim há algumas rodadas; da Liga dos Campeões, parece ter se reaberta após a 33ª rodada, mas nada faz pensar que o Villarreal irá perder a quarta vaga; da Liga Europa, Levante e Mallorca brigavam ferranhamente com o Espanyol para roubar uma das vagas de Athletic Bilbao, Sevilla e Atlético de Madrid, mas os dois times tropeçaram no último final de semana e deixaram a briga para o Espanyol, que está se mostrando um verdadeiro cavalo paraguaio. Resta, então, a briga para fugir da zona de rebaixamento, que vem tirando o fôlego dos simpatizantes da liga espanhola nessas últimas rodadas.

Apesar da diferença entre o Levante (10º colocado) para o Osasuna (18º colocado - primeiro da zona de rebaixamento) seja de sete pontos, o grupo de reais candidatos ao descenso diminuiu. Com quinze pontos para serem disputados e levando em conta a boa fase de Levante, Sporting Gijón e Deportivo, a tendência é que a disputa pela duas últimas vagas para a Liga Adelante (levando em consideração que o Almería, lanterna, já está virtualmente rebaixado) seja entre Real Sociedad (38), Deportivo (38), Getafe (37), Racing Santander (37), Zaragoza (36), Màlaga (36), Osasuna (35) e Hércules (33). Os gijoneses vêm de uma boa sequência de vitória e, na última rodada, conseguiram uma essencial vitória diante do Espanyol. Os blanquiazules, por sua vez, têm de ficar com o alerta ligado: para não correr riscos, o Deportivo terá pela frente Atlético de Madrid (c), Sporting Gijón (f), Athletic Bilbao (c), Barcelona (f) e Valencia (f). Uma tabela ingrata para aquele que entrou em sua pior fase na temporada.

O Hércules, penúltimo colocado, ganhou motivos para crer: a troca de treinadores (saiu Esteban Vigo e entrou Miroslav Djukic) foi assimilada com naturalidade pelo elenco, que estão lutando bravamento para escapar da degola. Drenthe, pilar da equipe após Djukic assumir os blanquiazules, recuperou o bom futebol que o levou ao Real Madrid e, a cada jogo, vem fazendo gols importantes para a equipe da Comunidade Valenciana. O grande porém é que, à medida que o Hércules vem somando pontos, seus rivais diretos também o fazem: o Málaga, que era o penúltimo colocado há três rodadas, emplacou uma sequência de três vitórias consecutivas e saiu da zona de rebaixamento após algum tempo dentro dela. Contudo, o time ainda está em alerta: no domingo, num dos jogos mais importantes da rodada (senão o mais importante), os malagueses receberão no La Rosaleda o Hércules, num jogo crucial, principalmente, para os comandados de Djukic. O Málaga não era a equipe mais apropriada para sair lá (frequentaram a zona de rebaixamento desde o começo do campeonato), mas bastou algum sucesso para aproveitar a ineficácia dos outros.

Racing Santander, Getafe e Real Sociedad estão pagando pelo péssimo 2011, sobretudo os bascos. Equipe sensação do primeiro semestre, os txuri-urdins estavam brigando por Europa até o final de janeira, quando tiveram uma queda brusca no rendimento: no segundo turno, foram somados apenas doze pontos de quarenta e cinco disputados, contra os vinte e quatro de cinquenta e sete do primeiro turno. Dedicação ao extremo é o que se fala no ambiente euskara, pois a tabela irá pedir isso: Barcelona (c), Valencia (f), Zaragoza (c), Sevilla (f), Getafe (c) são os adversários da Real Sociedad daqui ao término da rodada. O Getafe tem feito mais feio: foram conquistados apenas sete pontos dos quarenta e cinco disputados. Nas próximas rodadas, o time de Valdebebas fará dois confrontos diretos cruciais: na penúltima rodada irá enfrentar o Osasuna no Coliseum Alfonso Pérez e na última, a Real Sociedad, no Anoeta.

Difícil mesmo é prever melhora para times tão fragilizados ultimamente e sem confiança alguma. Logo, o ideal é apostar nos confrontos diretos, que poderão resolver muita coisa. Nesta rodada, como avisamos há alguns parágrafos, o Málaga irá receber o Hércules; na 35ª, o Getafe recebe o Almería, o Zaragoza joga contra o Osasuna e o Racing Santander vai a Castilla y León enfrentar o Hércules; na 36ª tem Real Sociedad contra Zaragoza; na 37ª, Getafe contra Osasuna; e na 38ª rodada, Getafe contra Real Sociedad.

sábado, 12 de março de 2011

Sem força

10 de janeiro de 2011: a última vez que os aficionados herculinos viram esta cena, dos jogadores comemorando uma vitória, acontecer (uefa)

Quem acessa a página da LFP na internet na seção tabela de classificação, vê o Hércules na penultima posição - e com chances de terminar a rodada na última, caso o Málaga vença a Real Sociedad no Anoeta. O time teve um início promissor, chegou a ganhar do Barcelona no Camp Nou por 2 a 0 e, durante três rodadas, havia tomado conta da sexta posição, que garante o passaporte para próxima Liga Europa. No entanto, os blanquiazules tiveram uma queda brusca de rendimento e, da ambição continental, passou a conviver com o perigo - real - do retorno à Liga Adelante.

O Hércules, que hoje perdeu para o Real Madrid, vem de um ano de 2011 desastroso. Perdeu para Mallorca, Sporting Gijón, Athletic Bilbao, Barcelona, Valencia, Sevilla, Villarreal e Almería e só conquistou apenas três pontos, quando venceu o Atlético de Madrid por 4 a 1, na última vitória da equipe na competição, no dia 10 de janeiro. Muito pela boa atuação de Trezeguet e Valdez, foi a última vez que o time funcionou. Embora a associação da péssima fase à lesão de Trezeguet seja irresistível, não é só isso. Esteban Vigo, que tinha um time competente em suas mãos, viu o poderio ofensivo de sua equipe desaperecer. Primeiro, porque Trezeguet se machucou; segundo, porque Haedo Valdez volta e meia reclama de desconfortos no joelho direito; e terceiro; porque não tem em seu elenco um substituto à altura desses dois jogadores.

Sem alternativas de ataque, Valentín Botella, presidente do clube, reforçou o meio-campo. Comprou o bom volante Abel Aguillar, que tem atuado de maneira criativa ao lado de Farinós, e garantiu o empréstimo de Drenthe. O holandês chegou do Real Madrid querendo recuperar o futebol com o qual fez Valdano depositar toda esperança nele, mas seu futebol até agora é oito e oitenta. Além disso, passou a conviver com alguns problemas extracampos e não fez jus às expectativas de Esteban Vigo no início da temporada, quando, perguntado sobre o empréstimo do jogador merengue, encheu o jogador de elogios. Na temporada passada, quando disputava a Liga Adelante, o Hércules também sofreu muito quando Delibasic esteve indisponível.

Porém, há uma diferença clara daquele time que conseguiu para o de hoje: aquele grupo experiente entendeu bem o que é preciso fazer na segunda divisão: arrancar todos os pontos possíveis em casa e evitar tragédias como visitante. E é isso que o Hércules tem pecado na atual temporada. Hoje o time não consegue utilizar do Rico Pérez um modo de impor medo a seu adversário. Fora de Alicante, então, a situação é mais dramática: em 15 jogos, foram onze derrotas, três empates e apenas uma vitória... sim, aquela contra o Barcelona no início da temporada (agora vocês entendem por que da zebra, né?). O ataque é improduvito longe de seus domínios, e a atual situação comprova este fato: contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, a equipe completou 1000 minutos sem marcar um gol fora de casa na Liga. O último, em outubro, foi marcado por Valdez, contra o Almería, no Juegos Mediterráneos.

A defesa não foge à regra. O bom Pulhac, que foi uma das supresas na lateral no primeiro turno, não manteve o ritmo no segundo. Abraham Paz começou bem no início, mas passou a conviver com as falhas (hoje, uma frente a Benzema que resultou no segundo gol merengue). Os 11 gols sofridos nos últimos seis jogos dizem muito sobre as derrotas. Com tantos problemas, Esteban Vigo, que foi contratado para comandar um grupo maduro, parece ser o menos culpado pela queda de produção. Mesmo assim, a pressão sobre ele pode aumentar. Por bem ou por mal, o status de time promissor após a vitória contra o Barcelona já caiu há tempos. Faltam 10 jogos para o fim da Liga e três confrontos diretos, contra Málaga, Levante e Osasuna sendo que dois serão fora de casa, contra os blanquiazules e os rojones. Portanto, chegou a hora da equipe começar a jogar bem fora de casa, caso queira continuar na primeira divisão espanhola.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eternas promessas: Javier Farinós

Canterano do Valencia, Farinós chegou a disputar uma final de Champions League com os chés (eleganche.es)

Atualmente, Francisco Javier Farinós Zapata defende as cores do Hércules, que está na 18ª colocação do campeonato espanhol. Quem o vê de início, pensa que se trata de um jogador como outro qualquer. Mas não é bem assim. No fim dos anos 90, o meio-campista era considerado um jogador de grande potencial. Não à toa, assumiu a camisa 8 do Valencia com apenas 19 anos. Três anos mais tarde, disputaria sua primeira final de Champions League (derrota de 3x0 para o Real Madrid) e seria vendido à Internazionale. Um salto importante para consolidar sua carreira. Farinós só não contava que sua passagem pela Itália fosse mal-sucedida. Deslumbrou-se com as lojas de Milão, sofreu com as lesões e, desde então, não reencontrou seu futebol.

A temporada 1996/97 foi a primeira de Fari como profissional. O responsável por sua promoção ao elenco principal do Valencia foi o argentino Jorge Valdano. Logo de cara, impressionou por sua mobilidade e por sua capacidade de roubar bola e sair jogando. Comparando com meio-campistas da atualidade, podemos dizer que ele tinha as mesmas características de Xavi Hernández, do Barcelona. Nos dois anos seguintes, mesmo com Gaizka Mendieta, Killy González e Stefan Schwarz na equipe, Farinós conseguiu se manter na equipe titular. Ter nascido na cidade e ser um atleta formado no clube o ajudaram a conquistar a torcida.

A Inter foi o grande divisor de águas para a carreira de Farinós. Contratado no verão de 2000 por 12 milhões de euros, esperava-se muito do volante na Itália. Ele tinha o perfil ideal para triunfar no time nerazzurro: força, técnica e raça. No início, recebeu várias chances. Formava o meio junto com Luigi Di Biagio, Vladimir Jugovic e Clarence Seedorf. Mas não rendeu o que se esperava. Para piorar, uma suposta hérnia (que depois não se confirmou) e lesões no púbis o deixaram afastado dos gramados por um ano, no total. Quando voltou, com Héctor Cúper, passou a ser figura assídua no banco de reservas.

Apesar de insatisfeito com a situação, segurou a onda e acatou as ordens do treinador. Porém, em 2002/03, ao entrar em campo apenas duas vezes durante todo o segundo semestre, acabou emprestado ao Villarreal, onde não se destacou. Também sem ser brilhante no Submarino Amarelo, Farinós não teve seu vínculo renovado. Assim, foi obrigado a voltar à Milão. Não ficou por lá nem duas semanas e acertou um novo empréstimo, desta vez com o Real Mallorca.

Mesmo após uma temporada mediana, o clube espanhol decidiu prolongar seu contrato. Desta vez, o negócio se deu de uma forma um pouco diferente. O vínculo com a Inter havia expirado e, como Moratti não tinha mais interesse em contar com ele, ficou livre para acertar com qualquer outra equipe. O Mallorca lhe deu uma segunda chance e assinou com Fari por um ano. Só que o volante, novamente, não aproveitou. Passou meses longe de seu preparo físico ideal e acabou dispensado em junho de 2006.

Aos 28 anos, estava desempregado. Precisou apelar ao Charlton, da Inglaterra, para que treinasse no clube enquanto procurava uma nova equipe. O tempo foi passando e nada. Nem os ingleses tinham interesse em contar com ele. Até que, quando menos esperava, recebeu um telefonema do Hércules, de Alicante. Não pensou duas vezes e aceitou o desafio de levar o clube de volta à primeira divisão. Além do mais, estaria perto de sua Valencia.

Passados quatro anos da ida para o Hércules, o sonho de Farinós continua o mesmo: lutar para que os blanquiazules permaneçam na Liga BBVA. Além disso, quer mostrar ao público que não é mais um ex-jogador em atividade. Para ele, sair da elite do futebol mundial e acabar na Liga Adelante foi um golpe duro, que só pode ser assimilado há pouco tempo. O segredo de Farinós foi justamente fazer o oposto do que esteve acostumado em suas passagens por Inter, Villarreal e Mallorca: se dedicar ao máximo nos treinamentos e estar focado somente no futebol.

Passagem pela Fúria
No dia 18 de agosto de 1999, Fari recebeu sua primeira oportunidade na seleção espanhola. Foi em um amistoso contra a Polônia, em Varsóvia, quando substituiu Mendieta no intervalo. Receberia mais uma chance no ano seguinte, diante da Holanda, mas nunca mais voltaria ao selecionado principal. Muito em função do futebol apresentado (ou não apresentado, como preferir) na Inter.

Javier Farinós
Nome completo: Francisco Javier Farinós Zapata
Data de nascimento: 29/03/1978
Local de nascimento: Valencia, Espanha
Clubes: Valencia, Internazionale, Villarreal, Mallorca e Hércules
Títulos: 1 Copa do Rei, 1 Supercopa da Espanha, 1 Copa da Itália, 1 Eurocopa Sub-21, 1 Copa Intertoto da Uefa

segunda-feira, 7 de março de 2011

Jogadores Históricos: Edmundo Suárez

Primeiro homem-gol do Valencia, Mundo foi o principal nome dos três primeiros títulos de Liga Espanhola dos ché (sportige.es)

Muito antes de Mário Kempes e David Villa assombrarem as defesas e os goleiros trajando a camisa blanquinegra do Valencia, os aficionados chés já idolatravam um homem-gol, o primeiro da história valenciana. Trata-se de Edmundo Suárez (não confundir com o meia do Barcelona Luis Suárez), ou, como era tratado carinhosamente, Mundo. Oitavo maior artilheiro da Liga BBVA de todos os tempos, com 195 gols em 231 partidas, o que dá uma média de 0,84 por jogo, Mundo jogou no Valencia durante 11 temporadas, onde foi o principal artilheiro da equipe em nove anos (oito vezes consecutiva). Apesar da vencedora carreira em clubes, Suárez disputou apenas seis partidas com a seleção espanhola, onde anotou três tentos.

Mundo é um grande símbolo da história do Valencia, uma vez que é o recordista de gols com a camisa blanquinegra em uma única edição de Liga Espanhola. O atacante basco teve um importante papel na primeira era de ouro do Valencia, onde conquistou três títulos espanhóis e duas Copas do Rei. Nascido em Baracaldo, pequena cidade de Vizcaya, no País Basco, profissionalizou-se no extinto time Vizcaya e, como qualquer jovem na época, sonhava em jogar profissionalmente pelo Athletic Bilbao. O sonho de Mundo quase foi realizado. Em 1938, o Athletic Bilbao contratou o promissor atacante, mas essa contratação não pôde ser concretizada em território republicano, pois não foi considerada válida pelo regime de Franco.

Em 1939, o exército de Franco criou uma equipe, que formaram parte do elenco diversos jogadores que haviam batalhado na região militar de Levante. Essa equipe debutou pela primeira vez contra o Valencia e o jogo marcou, também, a estreia de Suárez no futebol profissional. Vendo Mundo em ação, os dirigentes do Valencia não quiseram dar sopa ao azar: em um processo que durou quase um ano e meio, os chés conseguiram levar o promissor atacante a Paterna, onde, em pouco tempo, tornaria-se um ídolo da torcida. Em função da ditadura de Franco, o clube teve que "castelhanizar" seu nome, que passou a se chamar Valencia Club de Fútbol.

Dotado de grande volume físico e força de caráter que o fez lutar por cada bola, Mundo se tornou um dos grandes artilheiros dos anos 40. Ao lado de jogadores como Peri, Amadeo, Asensi e Gorostiza, formou um quinteto ofensivo vencedor, apelidado de Dianteira Elétrica, que fizeram o Valencia ser bastante temido em cenário nacional. No primeiro título espanhol da história do Valencia, em 1941-42, os naranjas terminaram o campeonato com 40 pontos, sete a mais que o Real Madrid, e com o melhor ataque e a melhor defesa. O quinteto ofensivo do Valencia era tão avassalador, que, ao final da Liga, a equipe teve 85 gols pró, vinte a mais que o segundo melhor ataque, pertencente ao Real Madrid. À época, Mundo foi artilheiro com 21 gols. No ano seguinte, quando duvidava-se da capacidade do espanhol em manter o impressionante número de tentos, Edmundo foi além: 27 gols em 26 jogos para decorar sua prateleira com seu terceiro Pichichi de máximo goleador seguido. O título daquela temporada, porém, acabou ficando com o Athletic Bilbao, do impressionante Telmo Zarra.

Em 1942/43, Mundo novamente quebrou qualquer tipo de prognóstico. Além de comandar o Valencia a mais um título nacional, foi o artilheiro com 28 gols, três a mais que Esteban Echevarria, do Oviedo. Após armagurar um período de quatro temporadas sem títulos da principal competição nacional, mas nunca deixando de anotar gols, Mundo conquistou seu último campeonato espanhol em 1946/47. E de maneira emocionante. O Valencia chegara à última rodada com 31 pontos e na terceira colocação e só uma combinação de resultados improváveis daria-lhe o título. Mas, para delírio dos aficionados valencianos, o Athletic Bilbao tropeçou ante o rebaixado Castellón, numa das maiores zebras da história do futebol espanhol, e o extinto Atlético Aviación ficou no empate contra o Barcelona no Camp Nou, o que fez valer o título do Valencia, que derrotou no Mestalla o Sabadell, que hoje em dia milita na segunda división b. A artilharia, porém, acabara nas mãos de Zarra, pela sexta vez.

A saga de Suárez como jogador do Valencia estava chegando ao fim e, após uma temporada em que disputou apenas seis partidas, o atacante decidiu deixar o clube de Paterna, rumando para o modesto Alcoyano, que também disputava a primeira divisão. No clube de Alicante, permaneceu apenas uma temporada, onde foi rebaixado com o time blanquiazul, e viu Zarra, um monstro, ser artilheiro pela sétiva vez e o Atlético de Madrid, o campeão nacional. Após a péssima temporada com o Alcoyano, decidiu abandonar os gramados e começar uma nova vida.

Como treinador, Mundo não foi tão genial como foi com as bolas nos pés. Numa espécie de Maradona, que foi um gênio nas quatro linhas mas não passa de um simples comum no banco de reservas, debutou no Hércules, que disputava a Liga Adelante, no mesmo ano que se aposentou dos gramados. Pelo time de Alicante, ficou três anos no comando técnico e não conquistou nenhum título de suma importância, assim como não conseguiu fazer a equipe subir à Liga BBVA. Após a campanha mediana com os blanquiazules de Alicante, ficou nove anos no estaleiro, mas retornou ao clube onde obteve sucesso como jogador.

A passagem pelo comando técnico do Valencia pode ser dividido em duas, literalmente: a primeira, durante 1963 a 1965, sem sucesso algum; e a segunda, durante 1966 a 1968, onde conquistou seu único título como comandante técnico: a extinta Copa do Generalíssimo de 1967/1968 (hoje, conhecida como Copa do Rei). Comandados pelo brasileiro Waldo e pelo basco Ansola, os blanquinegros venceram o Athletic Bilbao por 2 a 1 na final e quebraram um incômodo jejum de 14 anos sem títulos. Em 1968, após maus resultados, foi demitido amigavelmente pela diretoria ché. Em 1970, treinou interinamente o Múrcia, mas, logo depois, foi substituído por Pasparini. Após essa aventura como treinador, decidiu desligar-se totalmente do futebol e passou a investir em negócios próprios. Com 52 anos, faleceu em 5 de dezembro 1978, vítima de uma parada cardíaca. Dia D para os valencianistas, que ovacionaram Mundo durante muito tempo. O atacante, com certeza, está guardado na memória de cada torcedor ché.

Edmundo Suárez "Mundo"
Nome completo: Edmundo Suárez de Tabanco
Nascimento: 22 de janeiro de 1916, em Baracaldo
Posição: atacante
Clubes: Valencia e Alcoyano
Seleção espanhola: 6 jogos, 3 gols
Títulos: 3 Campeonato Espanhol, 2 Copa do Rei
Carreira como treinador: Hércules, Valencia, Real Múrcia
Títulos: 1 Copa do Generalíssimo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eternas Promessas: Tote

Contemporâneo de Raúl, Tote encarnou um personagem pelos clubes de Madrid (diariodelfutbol.es)

Apontado ao lado de Raúl como um das principais promessas madridistas dos anos 90, o atacante Jorge Marco López, o Tote, não teve o mesmo sucesso que o colega de base. Hoje, a presença dele em campo é tida como a certeza de muitas trapalhadas e gols perdidos. E se atacante vive de gol, aquele que não possui um aproveitamento minimamente razoável não consegue se manter por muito tempo em clubes de alto nível. Foi o que aconteceu com o espanhol, que completou 32 anos no fim do ano passando, acumulando uma série de fracassos na carreira.

O início
Antes de chegar ao Real, ele passou pelas categorias juvenis do Atlético de Madrid, time do qual é torcedor confesso. Nascido na capital espanhola, o garoto deixou o clube do coração aos 15 anos para terminar sua formação nas categorias de base do Real, em 93. Nos treinamentos, quase sempre se destacava com toques de qualidade e visão de jogo, o que o fez ascender rapidamente aos times C e B do Real.

Na temporada 98/99 pelo Real B, Tote marcou nove gols em 23 jogos e passou a ser visto como uma das principais promessas do futebol espanhol. Em 8 de maio de 99, ele estreou na equipe principal, em jogo contra o Real Sociedad pelo campeonato espanhol. Os galáticos venceram La Real por três a dois, mas Tote não marcou nenhum gol, tendo, na verdade, uma atuação apagada ao lado de Raúl.

O treinador John Benjamin Toshack atribuiu o baixo rendimento à pouca experiência e o atacante acabou emprestado ao Benfica de Portugal por uma temporada. A ideia era de que ele jogasse a primeira divisão em um campeonato de menor pressão, para que sua evolução não fosse prejudicada.

Totti não, Tote
Em 2000, uma confusão da imprensa portuguesa anunciava a chegada de Totti aos encarnados. O atacante italiano que aos 22 anos já era estrela da Roma chegaria ao Benfica por um preço acessível e ficaria uma temporada em Portugal. Como tudo que é bom dura pouco, a euforia benfiquista foi acalmada logo no dia seguinte, quando os jornais desculpavam-se pelo erro e estampavam o rosto de Tote, o promissor atacante espanhol que chegava para ser titular ao lado de Nuno Gomes.

Em campo, o espanhol não fazia diferença para melhor e com o tempo, foi caindo nas opções do treinador. Ele ainda foi relacionado para algumas partidas por conta do bom rendimento nos treinamentos, mas não conseguiu render o mesmo em campo. Trapalhão nas finalizações, o atacante fez uma temporada desastrosa pelo Benfica, onde jogou sete partidas, marcou três gols e perdeu dezenas deles. Na memória benfiquista ficou o jogo contra o Dínamo Bucareste pela antiga Taça UEFA 99/00, quando Tote perdeu três gols feitos e os encarnados perderam por um a zero em pleno Estádio da Luz.

Aos 21 anos, o atacante sofreu a primeira de muitas baixas e foi mandado de volta ao Real Madrid. Com tempo pela frente e força de vontade de sobra para provar que podia fazer melhor, Tote voltou ao Real, jogou mais três partidas e acabou novamente emprestado, dessa vez, para o Real Valladolid, time que disputa a segunda divisão espanhola atualmente. No início da temporada 01/02 pelo time de Valladolid, Tote esboçou o que seria um recomeço. O jogador participou de 36 jogos e marcou sete gols, acumulando mais um desempenho abaixo do esperado, embora o melhor de sua carreira profissional.

De volta a Madrid, o Real tratou logo de acertar a venda do atacante para o Real Betis. Com a camisa merengue, Tote jogou seis partidas e não marcou um gol sequer. O jogador esteve em Sevilha entre 2003 e 2005, participou de 17 partidas e marcou apenas dois gols. Certos de que a compra do atacante foi um mal negócio, os béticos trataram logo de emprestá-lo ao Málaga, onde Tote jogou nove vezes sem marcar gol algum. Na temporada 05/06, o atacante espanhol voltou ao Valladolid, que o aguentou por mais 30 jogos, nos quais ele marcou apenas três gols. Com a ridícula média de um gol a cada dez jogos, o atacante consagrou-se como eterna promessa aos 28 anos, sendo transferido para o Hércules, onde joga até hoje.

Capitão Hércules
Em Alicante, Tote se destaca pela força de vontade. Os gols continuam poucos - são 145 jogos e apenas 27 gols marcados. Contudo, o atacante acabou se tornando peça-chave do esquema montado pelo treinador Esteban Vigo. Com 1,77m e 75 kg, o diferencial de Tote sempre foi a técnica. Ele é um atacante com bom toque de bola, que dribla bem, mas finaliza terrivelmente. Capitão do Hércules, hoje ele é um dos mais queridos jogadores do time, muito mais pela seriedade profissional do que pelo que demonstra em campo.

Na Espanha, há quem goste e odeie seu futebol, e muitos atribuem o seu fiasco profissional à falta de sorte. Com nenhum título expressivo e poucos gols marcados nesses doze anos como jogador, Tote entrou, definitivamente, para a lista das eternas promessas do futebol.

Originalmente de Clarissa Caramilo, do site olheiros

Jorge López Marco, o "Tote"
Nome completo: Jorge López Marco
Data de nascimento: 23/11/1978
Local de nascimento: Madrid, Espanha
Clubes que defendeu: Atlético de Madrid, Real Madrid, Benfica, Valladolid, Real
Betis, Málaga, Hércules

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pedras no sapato

Haedo Valdez comemora: a única derrota do Barcelona na Liga (diante do Hércules) foi graças a um doblete seu.(AP Photos)

O Barcelona é o indiscutível campeão de inverno do campeonato espanhol (título simbólico dado ao "campeão" do primeiro turno). De 57 pontos disputados nesta primeira metade da temporada, os azulgrenás somaram 52. Os cinco perdidos vieram de dois resultados inesperados: uma derrota ante o Hércules na segunda rodada e um empate ante o Mallorca na sexta rodada, todos eles no Camp Nou. Resultados inesperados que fizeram Valencia e Real Madrid liderar a competição momentâneamente. Porém, os blaugranas recuperaram a liderança após o embate com os dois times.

O time de Alicante foi o único capaz de ganhar com moral o Barcelona. O único, aliás, a ganhar os blaugranas nas três competições que o time de Guardiola disputa (Liga BBVA, Copa del Rey e Uefa Champions League. O Mallorca, por sua vez, merece uma menção honrosa por ter sido o único time a não perder para Barcelona e Real Madrid até o momento da temporada. Os bermellones iniciaram o campeonato sobre pressão e conseguiram, logo de cara, segurar o time redimensionado por José Mourinho. Na sexta rodada, conseguiu tirar dois pontos do Barcelona após sair atrás no marcador. Foi o último ponto perdido pelo Barcelona na competição, até o momento.

Desde que a Era Josep Guardiola começou, há três temporadas, sempre o Barcelona foi campeão de inverno e, no final da temporada, campeão espanhol. Na estreia de Pep no comando azulgrená, as azas negras do campeão na primeira metade da temporada foram o Numancia (derrota), Racing Santander (empate) e Getafe (empate). Na temporada passada, o Barcelona terminou o primeiro turno invicto, mas não com 100% de aproveitamento, graças a três empates fora de casa. Contra o Valencia (0 a 0), Osasuna (1 a 1) e Athletic Bilbao (1 a 1).

Contra o Hércules, os blaugranas entraram em campo com uma equipe mista e sem sua dupla de zaga, graças às lesões de Puyol e Piqué, em compromissos da seleção espanhola. Aproveitando a fragilidade de Abidal na zaga, que mostrou-se bem inseguro na marcação de Haedo Valdez, o paraguaio calou o Camp Nou ao marcar um doblete. Primeiro, Valdez aproveitou um bate e rebate na área azulgrená e chutou para o gol de Valdés para abrir o placar. Depois, no segundo tempo, um gol herculino à Barcelona: após tabela precisa entre Fritzler e Abel Aguilar, o meio-campista tocou na medida para o paraguaio, sem marcação, estufar as redes de Valdés e pôr um ponto final na partida, para surpresa dos torcedores culés e do mundo. Antes disso, o Barcelona ainda assustaria com uma bola na trave de Villa e um chute que passou rente à trave esquerda de Calatayud de Messi. O jogo marcou a estreia de Mascherano, que fez uma má partida e por pouco não foi expulso. Temerário, Guardiola o substituiu na volta do intervalo.

Contra o Mallorca, o Barcelona novamente jogou sem sua dupla de zaga, mas um outro desfalque foi bastante sentido: lesionado, Xavi ficou de fora do jogo e viu das arquibancadas o Barcelona sentir demais a sua presença, já que Keita, seu substituto, não armou o Barcelona à altura do meio-campista de Terrasa. Chegando a estar com 90% da posse de bola, os catalães pecaram nas finalizações e só abriu o placar após um chute colocado de Messi. O resultado da perda de tantos gols veio no fim do primeiro tempo: após dormir no posto, Milito viu Nseu antecipa-se a sua marcação e empatar a partida. Destaque para o nó tático dado por Laudrup em Guardiola. Percebendo o nervosismo do time anfitrião, o dinamarquês postou muito bem sua equipe na segunda etapa, fazendo os volantes auxiliaram o ataque em algum contra-ataque e fechando os espaços dos blaugranas, com uma defesa bem sólida.

Quem também foi inócuo na partida foi Bojan, reabrindo um debate: sem centroavante de ofício, o Barcelona não era aquele time avassalador de antes. Mas o debate logo se encerrou após os resultado conseguidos pelo time nos meses de Novembro e Dezembro. Com uma boa adaptação de Villa e a evolução do futebol de Pedro, o Barcelona não sente muito o peso de não ter um "nove" em seu time titular.

As pedras no sapato do campeão de inverno
2ª rodada: Barcelona 0x2 Hércules (Haedo Valdez - 2).
6ª rodada: Barcelona 1x1 Mallorca (Messi; Nsue).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jogadores Históricos: Mario Kempes

Mario Kempes ganhou dois Pichichi's pelos Ches antes de triunfar na Copa de 1978 (somosche.com)

Gol e Mario Alberto Kempes não precisam ser apresentados. Nasceram um para o outro, em uma espécie de ligação extraclasse entre alma e objeto, entre feito e criatura. Argentino da estirpe dos cabeludos de visual rebelde, El Matador gostava - e ainda gosta - das alegrias da vida. E, certamente em função disso, é um dos principais ícones da história do Valencia.

Nascido em Bell Ville, na região de Córdoba na Argentina, Kempes apareceu para o futebol em 1972, quando ajudou o pequeno Instituto de Córdoba a voltar à primeira divisão do Campeonato Argentino. Treze gols em onze jogos levaram Mario, dois anos depois, ao campeão da temporada 1974, o Rosário Central. Com apenas 20 anos, o centroavante rompedor de zagas adversárias já dava mostras de seu potencial. Mesmo sendo muito jovem, Kempes fez parte do grupo argentino que fora a Copa da Alemanha. Não deixou sua marca, mas voltou para seu país disposto a mostrar seu valor como fazedor de gols. Em três anos de Rosário, El Matador marcou 85 vezes - desempenho que chamou atenção da direção dos Ches.

Mas não foi só isso que fez Kempes trocar Rosário por Valencia. Em 1976, o regime ditatorial militar na Argentina agia com força. O jovem Mario, artilheiro de um dos maiores clubes do país, tinha raízes vinculadas ao Peronismo - o que desagradava os militares. Para fugir desse assédio e da crise econômica que se instalara no país, Kempes fez as malas e levou toda sua família para a Península Ibérica. O primeiro jogo do centroavante no Valencia não teve nada de animador. Em partida válida pelo Troféu Laranja, o argentino perdeu um pênalti. Mario enfrentava o primeiro revés em sua curta carreira até então, mas viria a provar seu valor ainda na primeira temporada no futebol espanhol.

Comandando um ataque de 53 gols em 34 jogos, Kempes foi às redes em 24 oportunidades na temporada 1976/77 de La Liga e conquistou a artilharia do campeonato. No ano seguinte, quando duvidava-se da capacidade do argentino em manter o impressionante número de tentos, El Matador foi além: 28 gols em 34 jogos para decorar sua prateleira com segundo Pichichi de máximo goleador seguido. Para coroar esse início de luxo na Liga Espanhola, Mario Kempes foi o único argentino atuando fora do país a fazer parte do grupo de César Menotti para a Copa de 1978. Envergando a #10, o rompedor de defesas passou em branco na primeira fase. Mas o centroavante brilhou na hora da decisão: foram dois gols diante da Polônia e outros dois contra o Peru na fase semifinal. No embate final, contra o resquício maravilhoso da Laranja Mecânica - a mesma base de 1974, mas sem a genialidade de Johan Cruyff -, Mario fez o gol argentino no tempo normal. No tempo extra, chutou tudo o que via pela frente para deixar os sul-americanos em vantagem, abrindo caminho para o primeiro título de Copa do Mundo dos hermanos.

Curiosamente, a Copa atuando em casa foi também o primeiro título coletivo de Mario Kempes na carreira. Além da Taça Fifa, ele foi o artilheiro da competição com seis gols - até a Copa da África do Sul, em 2010, El Matador era o mais jovem jogador a ser artilheiro de uma edição de Copa do Mundo (o alemão Thomas Müller superou esta marca do argentino após marcar cinco vezes em terras sul-africanas na edição de 2010).

Com sede de títulos, Kempes voltou ao futebol espanhol disposto a levar o Valencia de volta às glórias - os Ches não venciam nenhum torneio oficial desde a Copa do Rei da temporada 1966/67. E foi justamente na copa nacional que os laranjas quebraram esse jejum, conquistando de quebra uma vaga na Recopa Europeia. Na partida final, em Madrid contra os merengues, Kempes foi às redes duas vezes para tirar a Copa do Rei das mãos dos madridistas.

A Recopa de 1979/80 e a Supercopa da temporada seguinte também ilustram a galeria de troféus deste argentino. Entretanto, o título de La Liga não faz parte das conquistas de El Matador. Quando o Valencia teve suas maiores chances, na temporada 19870/81, Kempes passou a maior parte do ano fora da equipe. Mesmo assim, manteve a média perto dos 0,8 gols por jogo: nove em 12 jogos na temporada. Após um período no River Plate - onde rivalizou com o Boca de Maradona -, Kempes voltou à Valencia para mais duas temporadas, antes de transferir-se para o Hércules. Conforme perdia sua imponência dentro da grande área, o argentino foi escondendo-se dos grandes centros do futebol. Após discretas temporadas na Áustria, abandonou os gramados no futebol chileno.

Cabelos esvoaçantes ao vento, Mario Kempes sempre marcou sua posição dentro das grandes áreas adversárias. Na Espanha, é o 33º maior goleador do campeonato nacional, tendo jogado 222 vezes e marcado 126 gols (116 pelos Ches e 10 pelo Hércules). Tirando o genial Alfredo di Stéfano, Mario Kempes é o argentino com maior número de gols na Liga das Estrelas. Centroavante de estilo típico, para alguns trombador em excesso, mas sem nunca esquecer o caminho das redes, Kempes marcou época em Valencia e é referencia de área para atacantes até hoje. Em sua homenagem, o principal estádio da província de Córdoba leva, desde outubro de 2010, o nome de Mario Alberto Kempes - fato que só é igualado na Argentina por Diego Maradona, alcunha do estádio do Argentinos Juniors.

Kempes e o gol ganharam, ao logo dos anos, a companhia do Valencia para fechar a tríade de sucesso que embalou os Ches entre as décadas de 1970/80. O futebol agradece essa história de sucesso ao Regime Ditatorial da Argentina. Pelo menos uma união de sucesso eles concretizaram.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Resumo: 9ª Rodada

Parece repetitivo, mas é bom recordar: após nove rodada, o equilíbrio de La Liga parece ter acabado e, após tropeços inadmissíveis de Atlético de Madrid, Valencia, Sevilla e Villarreal - os dois últimos aceitável -, o campeonato parece ter tomado o rumo antigo, com a disputa polarizada entre os dois gigantes.

Numa rodada posterior às competições europeias, apenas Barcelona e Real Madrid venceram. Antes de seus respectivos compromissos pela Champions, o time de Chamartín teve dificuldades para vencer o promissor Hércules, mas contou com um Cristiano Ronaldo novamente decisivo para bater os herculinos. Já o Barcelona, finalmente mostrou seu poderio e goleou o Sevilla, com grandes atuações de Villa e Messi, autor de um doblete cada. Se os blaugranas eram questionados por não mostrar o mesmo futebol no Camp Nou como vem mostrando longe da Catalunha, isso parece ter sido coisa do passada.

O Valencia, que tem jogo decisivo pela Champions contra o Rangers no Mestalla, parece ter sentido o baque da perda da liderança: após liderar a Liga de maneira invicta nas seis primeiras rodadas, os chés tiveram três resultados adversos (duas derrotas e um empate) consecutivos e o tropeço desta rodada - ante o Zaragoza, lanterna da competição - já começa trazer dúvidas sobre o time. Parece cedo e injusto, mas o cargo de Unai Emery no comando técnico do time já parece ameaçado.

Messi e Villa, com um doblete cada, ajudaram o Barcelona a vencer com autoridade no Camp Nou pela primeira vez na temporada (reuters)

Valencia 1x1 Zaragoza
O Valencia segue caindo. Se, quatro rodadas atrás, o time era líder com uma boa vantagem em relação ao segundo e o terceiro colocado, agora a realidade é outra. Com um tropeço inaceitável diante do lanterna do campeonato, o Zaragoza, os valencianos já se encontram em quarto colocado e a seis pontos do líder Real Madrid. O resultado desta rodada poderia ter causado mais prejuízos se Lanzaro, autor do gol maño, não tivesse marcado contra e, desta forma, empatado o jogo. O gol a favor de Lanzaro logo no início da partida foi apenas o sétimo gol do Zaragoza em nove rodadas. A equipe aragonesa pode comemorar o fato de ter jogado com um a menos desde os 17 do segundo tempo, quando Delgado Ferreira expulso de maneira controversa o jovem Ander Herrera. Edmílson foi chamado para remontar a equipe e o Zaragoza, mesmo com um a menos, acabou crescendo o seu ímpeto ofensivo no jogo, mas não conseguiu voltar à frente. O resultado e a maneira como o Valencia se comportou após a expulsão do meio-campista maño só ratifica a ideia de que o Valencia tem um elenco ineficaz e sem ideias. Fato determinante para a má partida ché foi a também má partida de Banega, que, em dia pouco inspirado, não conseguia criar jogada alguma.

Se o Zaragoza perdeu uma grande chance de ressurgir, o resultado anima José Aurélio Gay. Segundo o técnico madrileño, que está com as cordas bambas, a postura que o time entrou em campo, se repetida nos próximos jogos, faz com que o Zaragoza possa bater de frente com qualquer time no campeonato - até mesmo Barcelona e Real Madrid, acredita o técnico. Por outro lado, o Valencia parece ter entrado em crise. As vaias após o apito final do árbitro ilustra bem o momento que os valencianos vive e, como esse tropeço, o Valencia já chega a sete pontos perdidos em seus domínios.

Hércules 1x3 Real Madrid
"Sem Boquerón". A frase que intitula a capa do El Mundo Deportivo de domingo é em referência óbvia a vitória do Real Madrid sobre o Hércules, que havia derrotado o Barcelona no Camp Nou. O Real Madrid partiu para um jogo que, para o observador menos atento, deveria lhe trazer grandes dificuldades. Mas não se deve esquecer o amistoso válido pelo Troféu Rico Pérez entre as duas equipes, há pouco mais de três meses, na estreia de Özil pela equipe blanca. Antes do começo da Liga, os merengues não tiveram dificuldades para vencer o Hércules por 3 a 1, quando a estrela de Benzema brilhou, com um doblete. Desta vez, Estebán "Boquerón" Vigo mandou a campo um 4-2-3-1 que teve efeito instantâneo logo aos dois minutos, quando Cortéz levantou e Trezeguet, aproveitando inoperância de Pepe pelo alto, cabeceou à esquerda de Casillas. O Hércules seguia criando muito mais na partida, principalmente pela lado direito do campo, onde Sergio Ramos tinha muitas dificuldades para conter as descidas de Cortés e Thomerth.

O Real Madrid ficara sem criação alguma, já que Özil pouco criava, e as articulações das jogadas ficou por conta de Xabi Alonso. Cristiano Ronaldo e Higuaín tentavam, mas o primeiro tempo de Calatayud foi perfeito. Porém, o goleiro herculino falhou logo no início da volta ao segundo tempo: soltou um chute de Cristiano Ronaldo nos pés de Di María, que não desperdiçou. O gol animou o Real Madrid, que voltou com uma postura diametralmente oposta àquela exercida no primeiro tempo. O time de Mourinho mostrou um condicionamente físico invejável e, percebendo isso, Esteban Vigo reforçou seu meio-campo com Rufete. Mas o Real Madrid já havia controlado todas as ações e chegou a virada.

Se Benzema foi muito questionado durante a semana, o jogo serviu para dar a volta por cima: após entrar numa ousada substituição no lugar de Pepe, quando o jogo ainda estava 1 a 1, o francês foi fundamental para que a vitória saísse. Primeiro, foi de um chute dele o rebote de Calatayud no primeiro gol de Cristiano Ronaldo e o segundo dos blancos; e, depois depois de receber belo passe em profundidade de Di María, teve calma e tranquilidade para passar para Cristiano Ronaldo marcar seu doblete e seu 11º na Liga. Mourinho demonstrou nesta partida a diferença que faz um grande treinador. Apostou num 4-1-3-2 com Khedira na defesa para empatar e virar a partida e num 4-3-3 com Marcelo de meia central ao lado de Khedira para segurar o placar e contra-atacar. A ousadia do português contrasta e muito com a covardia que exibia Pellegrini em suas alterações previsíveis.

Barcelona 5x0 Sevilla
"Benzema não está mal. Há jogadores de outras equipes que custaram alto e não estão fazendo gol". Mourinho não precisou citar, mas ficou muito claro que a frase dele na coletiva pré-jogo contra o Hércules foi uma indireta para David Villa. E o Guaje respondeu com o que mais sabe fazer: gols. Além dos tentos, Villa mostrou um posicionamente legível e ficara poucas vezes em impedimento, como em partidas anteriores. Na primeira grande - e esperada - partida de Villa com a camisa azulgrená, Messi novamente brilhou. Marcou dois gols; fez a linda jogada para o também lindo gol de Villa - o primeiro -; e, como sempre, se movimentava com perfeição, dando perplexidade à zaga sevillista. O Barcelona tomou conta do jogo desde o início. Tanto é que, em alguns momentos da partida, o time catalão aparecia com 80% de posse de bola. Mesmo fechada atrás, a defesa do Sevilla não conseguiu impedir as chances de perigo do Barcelona.

Quem também teve participação crucial para a goleada surgir foi Pedro. O tenerifeño eve participação fundamental na esquerda, onde Konko não conseguia pará-lo de jeito nenhum. O francês, aliás, só conseguiu pará-lo de uma maneira: com faltas, que logo teve resultados: expulsão. Manzano até tentou evitar uma nova goleada do Sevilla diante do Barcelona, sacrificando Luis Fabiano para pôr Romaric, recompondo o sistema defensivo. Mas o Barcelona seguia acordado e chegou a mais três gols. O Jogo culé voltou a brilhar. Com uma rápida troca de passes e posse de bola altíssima, o Barcelona construiu mais uma goleada frente ao Sevilla. Com os cinco gols, os blaugranas chegam a doze tentos nos últimos três jogos contra o Sevilla no Camp Nou.

Cáceres, zagueiro emprestado ao Sevilla pelo Barcelona, fez uma boa partida, mas pecou muito na saída de bola. Além de ter tomado um drible de corpo lindo de Messi no primeiro gol do jogo, teve que jogar por dois, porque Alexis estava num péssimo dia. O uruguaio mostrou como sempre a raça e, se houve algum destaque, foi o jogador mais afinco pelo lado andaluz. Sem poder contar com Palop e Navarro por mais um mês, a péssima notícia veio após a goleada: Jesus Navas, que foi descartado da partida, sentiu o tornozelo esquerdo e, provavelmente, ficará de fora de dois a três meses.

Sporting Gijón 1x1 Villarreal
Já acostumado a jogar pressionado pela impossibilidade de perder para não se afastar dos líderes Real e Barcelona, o Villarreal jogou ofensivamente contra o Gijón, mesmo fora de casa. Com Nilmar tendo liberdade para buscar o jogo em todo o campo, o Submarino Amarelo jogava em velocidade e controlava a bola no setor ofensivo. Com o brasileiro abusando dos dribles, criou pelo menos quatro boas chances, mas em duas delas Nilmar preferiu simular pênalti e acabou atrapalhando o ataque. O Gijón descontava em contra-ataques e o primeiro tempo acabou mesmo em 0 a 0, apenas de as duas equipes merecerem ter feito pelo menos um gol cada.

A superioridade na posse de bola foi ainda mais visível na segunda etapa, com o Gijón aceitando a pressão do Villareal. Porém, Iglesias Villaneva viu pênalti em bola que tocou na mão de Gonzalo após cruzamento da direita. Diego Castro deslocou o goleiro e abriu o placar. Pouco depois, o mesmo Gonzalo, que havia recebido amarelo no lance do pênalti, fez falta boba em Barral, levou a segunda advertência e acabou expulso. Para recompor o time, Nilmar deixou o campo para a entrada de Mussachio. Sem seu principal jogador neste início de temporada e com Rossi pouco inspirado, o Villarreal ia aceitando a derrota até que o árbitro voltou a interferir no resultado. Aos 46min, Eguren, ex-Villarreal, segurou Marchena na área em lance comum. O árbitro assinalou pênalti. Rossi então apareceu, cobrou com paradinha e empatou, chegando ao seu centésimo gol na Liga Espanhola.

Deportivo 3x0 Espanyol
Após esta vitória, muitos torcedores blanquiazules se perguntaram: "por que Miguel Ángel Lotina abandonou o 5-3-2 que dava resultados para colocar um 4-2-3-1?" Pois bem, após o início horrível, onde sua defesa era constantemente ameacaçada, Lotina resolveu voltar com o 5-3-2, que deu resultado. Com uma defesa sólida, com três zagueiros e poucas vezes ameaçada, o Deportivo chegou à primeira vitória na competição e abandonou a lanterninha (agora, do Zaragoza). Outro ponto alto da vitória galega foi efetividade para concluir as jogadas de bola parada. Dois dos três gols saíram em jogadas de escanteio. A goleada ante o Espanyol dá confiança e a sensação de recuperação para o Deportivo. Os péricos nunca foi ameaça e perdeu uma enorme chance de ultrapassar o Valencia e chegar à zona de Liga dos Campeões.

Málaga 1x2 Real Sociedad
O Málaga segue decepcionando em seu estádio e contra a Real Sociedad não foi diferente. As duas equipes vieram a campo de maneira oposta. Enquanto que o Málaga ainda não venceu em casa na competição, a Real Sociedad ainda não havia vencido nenhum jogo fora do Anoeta. A partida escancarou os problemas crônicos na defesa malaguesa. Fato que evidência isso foi a falha de Weligton no gol de Griezzman - que a cada dia mais mostra um futebol brilhante - e o espaço deixado por Kris no gol de Xabi Prieto. Com os dois gols sofridos já chega a marca negativa de 21 gols em 9 partidas - pior defesa do campeonato. A de se destacar o belo trabalho de Lasarte no time donostiarra, que está oscilando neste início de temporada, mas mostrou que voltou à Liga BBVA para ficar.

Atlético de Madrid 1x1 Almería (Claudio Araujo)
O grande nome do jogo foi o goleiro Diego Alves, responsável direto pelo empate graças as, pelo menos, cinco defesas difíceis que fez, parando o ataque de Forlán - títular após ser incógnita toda a semana -, Agüero e Reyes no primeiro tempo. Na segunda etapa, o Atléti, desorganizado, levou pouco perigo ao gol do brasileiro. Nos vinte primeiros minutos de jogo no Vicente Calderón, o Atlético de Madri cansou de perder gols. Logo no primeiro ataque, Forlán tentou fazer de cobertura e mandou por cima do travessão. Depois, Reyes bateu falta e Diego Alves espalmou no canto. Agüero tentou chute rasteiro, no meio da área, e também foi parado pelo goleiro brasileiro. Quando Agüero abriu o placar, parecia que a vitória viria... parecia. O Almería empatou aos 45min. Piatti pegou rebote e emendou um belo chute de primeira de fora da área, acertando o canto direito de De Gea.

Forlán segue mal. Sem marcar desde a 2ª rodada, contra o Athletic Bilbao, o charrua chega a 50 dias sem comemorar um gol e vive sua pior fase desde que chegou a Manzanares. O Atlético de Madrid chega pressionado para o dérbi de semana que vem contra o Real Madrid. Perea, suspenso, e Godín, com apendicite, já são baixas confirmadas. Reyes tornou-se incógnita. O meio-campista foi substituido ainda no primeiro tempo por contratura na perna direita. Os primeiros boletins médicos afirmaram que Reyes estaria, sim, apto para o jogo contra o Real Madrid, porém, Quique já afirmou que não quer arriscá-lo no jogo contra o Rosenborg.

Athletic Bilbao 3x0 Getafe
O Athletic Bilbao fez seu melhor jogo na temporada no ritmo do promissor Muniaín. Com habilidade, velocidade e atrevimento, o jovem municiou os leones na fantástica vitória ante o Getafe, que mais uma vez jogou mal fora de casa. Com o triunfo, os bascos se mantêm a um ponto da zona de Liga Europa e 4 de Liga dos Campeões. Sem Dani Parejo, o Getafe mostra-se um time bem opaco, onde apenas Víctor Sánchez (o melhor do Getafe depois de Parejo) e Pintos se salvaram.

CRAQUES DA RODADA
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Lionel Messi (Barcelona)
David Villa (Barcelona)
Iker Muniaín (Athletic Bilbao)

Escalação da rodada
Diego Alves (Almería); Cortés (Hércules), Colotto (Deportivo), Puyol (Barcelona), Rindaroy (Deportivo); Rosenberg (Racing Santander); Iraola (Athletic Bilbao), Cristiano Ronaldo (Real Madrid); Lionel Messi (Barcelona), David Villa (Barcelona), Iker Muniaín (Athletic Bilbao).

domingo, 26 de setembro de 2010

Resumo: 5ª Rodada (2ª Parte)

A cara feia de Acosta (de vermelho, à direita) representa o momento do Sevilla: em mais um tropeço na temporada, sobrou para Álvarez, demitido após o jogo (eldesmarque.es)
Hércules 2x0 Sevilla
Dessa vez não teve jeito. Na primeira derrota no Campeonato Espanhol - somados a dois empate e apenas uma vitória - Antonio Álvarez não aguentou e foi demitido pela direção sevillista ao término da rodada. Ao novo cargo, os andaluzez agora contarão com Gregório Manzano, um dos técnicos mais reconhecidos no futebol espanhol. O time da gestão de Álvarez dava pena. Hoje, foi só mais uma amostra de um Sevilla irreconhecível, com Luis Fabiano isolado no ataque e um estranho 4-5-1. Um único lance aos 5min representou tudo que o Sevilla fez no primeiro tempo. A jogada teve início nos pés de Luís Fabiano, que se livrou de um adversário no meio campo e deu ótimo passa para Acosta. O meia avançou com a bola até a área e bateu cruzado, de esquerda, para boa defesa do goleiro Calatayud. Depois, só deu Hércules. Isolado no ataque, Luis Fabiano sofria com a falta de criatividade de sua equipe. A falta de criatividade do clube rojiblanco, aliás, é o ponto mais preocupante. E, estranhamente, Álvarez deixou de fora da partida Perroti e Konko, os dois melhores sevillistas neste início de temporada. Aliás, como se estivesse sobrando de nível futebolísticos e de resultados, o técnico de Marchena não para(va) de fazer rotações. Tal panorama resultou em dois gols do Hércules ainda no primeiro, ambos do experiente atacante Trezeguet. O primeiro saiu de pênalti, após falta infantil de Zokora em Tiago Gomes, aos 20min. No segundo, tudo começou com uma linda jogada pela esquerda de Drenthe, que passou como quis pelo defensor e cruzou na segunda trave; Kiko bateu cruzado e Trezeguet, de joelho, conseguiu desviar para as redes.

A parte de Crônicas do Eldesmarque - jornal que cobre o Sevilla e as outras equipes andaluzes - tocou em um ponto importante: a plantilla do Sevilla só piora ao passar do anos. E isso se deve, principalmente, pelas contratações ruins que a cúpula rojiblanca faz (um dos motivos para a queda na Champions). Empatar com Deportivo e Racing e não ganhar do Hércules é uma boa prova disso.

Atlético de Madrid 1x0 Zaragoza
Um Atlético jogando mais na base da vontade resistiu ante um Zaragoza sem pegada. O conjunto colchonero voltou a somar três pontos após derrota para o Barcelona e empate contra o Valencia.O único gol da partida nasceu nos pés de Filipe Luis, que só foi fazer sua estreia no clube rojiblanco somente hoje. O brasileiro fez bela jogada invidual pela esquerda e cruzou para Diego Costa concluir ao gol de Leo Franco. O lateral esquerdo, aliás, foi muito bem e, possivelmente, sendo o melhor em campo: além da assistência para o único gol da partida, ajudou muito a defesa quando o Atléti foi pressionado no segundo tempo e foi muito importante e incisivo nas infilitrações pelo lado esquerdo. Após jogar por "diversão" e dominar o primeiro tempo inteiro, o conjunto de Quique se difuminaram e o jogo passou a zer dos maños, que acabaram não convertendo em gols as suas chances, muito por causa da falta de pegada do ataque alarmante. A árbitragem de Muñiz Fernández foi bastante controversa. O árbitro não assinalou um pênalti em Diego Costa e expulsou - desta vez de maneira correta - Reyes, após este agredir Contini.

Espanyol 1x0 Osasuna
A noite foi boa para os estreantes. Após Filipe Luis comandar o Atlético de Madrid, um pouco mais cedo, Álvarez Vázquez foi o autor do único tento da vitória dos péricos, que fazem uma boa campanhia, apesar da derrota para o Real Madrid. O garoto, de apenas 19 anos, recem-chegado à Liga BBVA, foi o destaque: além do gol, provocou a expulsão de Lolo, aos 20 minutos. Os rojones foram vítima do talento e da ilusão de Vázquez, um atacante "elétrico", formado nas canteras do Espanyol desde a categoria cadete (aqui no Brasil, pré-mirim). Talentoso e com fome de jogou, disputou sua primeira partida como titular na Liga, depois de jogar pouco menos de meia-hora no Santiago Bernabéu. A aposta de Pochettino rompeu a partida aos 25': após chute de Luis Garcia afastado pela zaga basca, Vázquez dominou, enganou os marcadores após fingir que iria chutar de direita, ajeitou para a canhota e, com extrema categoria, finalizou às redes de Ricardo. Após o gol, o Espanyol se acomodou um pouco na partida, mas se manteve intacto, com uma defesa sólida, praticamente formada por becários (Chica, Amat, Víctor Ruiz e Dídac) e sustentadas por Javi Márquez e Duscher na volância. A equipe navarra adiantou as linhas e, por pouco, não empatou, em uma cabeçada de Damia, defendida por Kameni. A equipe catalã joga com ráfagas e brilha por momentos, mas a falta de constância e de maturidade é necessária para fechar uma partida.

Deportivo 0x2 Almería
Depois de cinco rodadas, o Almería finalmente conquistou sua primeira vitória no campeonato. Com uma atuação segura de Diego Alves, a equipe do brasileiro venceu o La Coruña fora de casa por 2 a 0, com dois gols do nigeriano Kalu Uche, e deixou a zona de rebaixamento da Liga das Estrelas. Os andaluzes se encontraram muito pronto para a partida com o primeiro gol, que deu-lhe mais tranquilidade para controlar o resto da partida, que foi mais ajudado após a expulsão de Colotto, antes mesmo do intervalo. As duas equipes, e seus respectivos técnicos, chegaram ao Riazor pressionados, já que não conheciam a vitória em quatro rodadas e estavam na boca do decenso. O Deportivo, derrotado, segue mal: apenas três pontos em quinze disputados. Após lutar tanto para não cair, o Deportivo fez uma temporada anterior mediana, mas e agora? Quando será que os galegos abrirão os olhos para o campeonato? Ainda dá tempo, já que estamos apenas na quinta rodada. Um bom exemplo para os blanquizules buscarem inspiração é o Villarreal da temporada passada, que começou desta maneira, mas recuperou-se e conseguiu uma vaga na Liga Europa.

Mallorca 2x0 Real Sociedad
Dois gols do experiente argentino Fernando Cavenaghi, um em cada período de tempo, selaram a vitória do Mallorca frente a Real Sociedad em um jogo frouxo em Palmo de Mallorca. A Real Sociedad, após a ótima estreia, não ganha mais: em quatro rodadas, três derrotas e um único empate. Já os baleares se reergueram após o tropeço no País Basco. O Mallorca demonstrou no primeiro tempo o mesmo tipo de jogo mostrado em boa parte da temporada passada: que quando joga em casa, a coisa é outra. Diferentemente do futebol inútil e hesitantes mostrado longe da Ilhas Baleares. Ante a Real Sociedad, foi um conjunto muito sério, aplicado, disciplinado e, acima de tudo, muito vertical. O primeiro gol de Cavenaghi foi o principal ponto para o desenrolar da partida. O Mallorca mostrou-se mais confiante, enquanto que a Real Sociedad mostro um futebol opaco e imprevisível. Raúl Tamudo, que fez do Mallorca sua vitima predileta em sua passagem pelo Espanyol, teve sua sorte abandonada. Não ajudou em nada. O meio-campo dos donostiarra naufragou e seus jogadores cometeram muitos erros. Quando jogava melhor, a Real Sociedad tomou um banho de água fria: após Griezzman desperdiçar a chance de empatar, Cavenaghi foi fatal e, aproveitando erro da zaga euskara, marcou seu doblete, sentenciando a partida.

Para saber dos três jogos de Sábado, clique aqui. Amanhã, encerraremos o resumo desta rodada com o jogo isolado entre Villarreal x Málaga, os craques da rodada e a escalação da rodada.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resumo: 3ª Rodada (2ª Parte)

Messi e Piqué, autores dos gols da vitória blaugrana, comemoram: o zagueiro saiu de campo intacto, já Messi, lesionado (AP)

Como todos esperavam, foi no Vicente Calderón que saiu o jogaço da terceira rodada. Em campo, um brilhante Barcelona tirou do Atlético de Madrid a sua invencibilidade na competição. Em um primeiro tempo de futebol digno e parelho, as duas equipes iniciaram o jogo com ocasiões de gol. Aos 12, Messi lançou Villa, que carimbou a trave. No rebote, Pedro encontrou Messi entre Godín e Dominguez para a Pulga abrir o placar em Manzanares. Perto dos 30 minutos, Raúl García empatou a partida após saída desastrosa de Victor Valdés pôr o Vicente Calderón em festa. A alegria rojiblanca durou apenas sete minutos, pois Piqué desempatou a partida aproveitando cruzamente de Messi e remantando com extrema categoria às redes de De Gea. Na segunda etapa, a partida continua parelha, com a mesma tônica. Foi aí que apareceu De Gea para salvar os anfitriões. Para David Villa - que fez uma partida apagada, apesar da bola na trave no lance oriundo do primeiro gol blaugrana - o jovem goleiro foi perfeito e foi o melhor em campo. No final de jogo, o Barça recebeu um péssima notícia. Após partir em contra-ataque, Messi foi parado "violentamente" por Ujfalusi, que o acertou em seu tornozelo. O argentino saiu de campo chorando e sobre maca, e fazendo gestos de dores. Para animar o clube blaugrana, Messi já deve voltar para o jogo da semana que vem contra o Rubin, pela Champions; já Ujfalusi foi suspenso pela CEDD por duas partidas.

O Barcelona deixou para trás a péssima imagem deixada após a derrota para o Hércules e está, junto com o Atlético de Madrid, a três pontos do líder Valencia. Nesta rodada, os herculinos encararam o próprio Valencia no "mini-dérbi" da Comunidade Valenciana. Os Chés tiveram pela primeira vez na temporada Mata e Pablo Hernández como protagonistas. No jogo, vimos um Valencia partindo para cima e querendo construir o resultado cedo e teve uma ótima oportunidade no começinho, mas Soldado desperdiçou. O que não conseguiu Soldado, conseguiu Mata, que não desperdiçou um bom passe de Pablo para chutar cruzado, com a perna direita, fazendo um a zero Valencia, com apenas dois minutos de jogo. Com o marcado a seu favor, o Valencia acomodou-se. Cedeu a pelota ao Hércules, que não conseguia levar perigo em suas jogada. Assim, o Valencia chegou ao segundo gol aos vinte minutos. Depois de um belo passe de Joaquín, Pablo Hernández completou a bela jornada com um chute colocado no ângulo de Calatayud. O conjunto de Alicante, enfim, entrou na partida no final do primeiro tempo, depois que Ramírez Domínguez assinalou um pênalti trás David Navarro usar as maõs para bloquear cruzamento de Kiko. A ação existiu, entretanto a voluntariedade foi mais duvidosa. Trezeguet não desperdiçou a pôs mais emoção à partida. No segundo tempo, o controle da partida foi, como previsto, do Hércules, que teve perto do empate em uma cabeçada de Valdez, antes do paraguaio sair por lesão. Os minutos finais foram de emoção, com o Hércules pressionando em busca do empate - Trezeguet perdeu duas chances de pôr dois a dois na partida -, mas o Valencia segurou-se e manteve-se invicto na competição.

No duelo Andaluz, o Sevilla amenizou a pequena crise que havia se instalado no Ramón Sanchéz Pizjuan após as más partida contra Deportivo e PSG. O Málaga renegava sua condição de anfitrião e cedeu a posse de bola ao Sevilla. Os jogadores de Alvarez dominavam o jogo e tinham mais chances de gol, porém, não tão claras como as da equipe malaguenha. Os sevillistas fizeram algumas aproximações perigosas, porém com pouca pólvora, enquanto as poucas chegadas do Málaga eram venenosas. Talvez por isso, os jogadores de Ferreira abriram o placar: cobrança de escanteio, defesa de Palop e posterior finalização de Rondon para abrir o placar ante um Sevilla ameaçado, depois do que houve ante o PSG. Porém, surgiu a figura de Perotti para tirar da cartola uma jogada de gol pela esquerda, que Alfaro só teve de empurrar com a cabeça. Em vinte minutos de partida, dois gols e muitas chances. O Sevilla se encontrava cômodo no papel de dominador, apesar de não ter levado isso pra frente... E para fazer isso, teve que esperar uma defesa de Palop e mais tarde, uma subida ao ataque de Cáceres. Foi tarde, porém, a tempo: o Sevilla virou o placar no finalzinho e foi para os vestiários vencendo. Nesses primeiros 45 minutos, o Sevilla estava melhor e ganhava. Inclusive, teve um pênalti não assinalado a seu favor, depois de um toque de mão claríssimo.

No outro jogo envolvendo times da Comunidade Valencia, a qualidade do Villarreal foi o ápice para a vitória do Submarino Amarelo. Em um primeiro tempo de domínio do Levante, o Villarreal chegou ao seus gols - dois de Nilmar -, enquanto que no segundo tempo, a tônica foi inversa: o Villarreal controlava mais a partida, comandando as acões no centro do campo, mas o Levante chegou ao gol do Caicedo, de cabeça. Porém, o próprio Caicedo viria a perder uma ótima chance de empatar o marcado. No fim, o Levante não conseguiu levar o que seria mais justo, o empate, por sua luta, entrega e intensidade, ante um rival na qual a qualidade esteve por cima do bom jogo.

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Craques da rodada
Lionel Messi (Barcelona)
David De Gea(Atlético de Madrid)
Pablo Hernández (Valencia)
Nilmar (Villarreal)

Escalação da rodada: De Gea (Atlético de Madrid); Daniel Alves (Barcelona), Piqué (Barcelona), Cáceres (Sevilla), Marcelo (Real Madrid); Busquets (Barcelona), Di María (Real Madrid), Mata (Valencia), Pablo Hernández (Valencia); Nilmar (Villarreal), Messi (Barcelona).

sábado, 11 de setembro de 2010

2ª Rodada (1ª Parte): Boqueronazo

Haedo Valdez fez sua estreia no Hércules com o pé direito: com direito a um doblete, calou o Camp Nou (Reuters)


Na mitologia grega, Hércules, o maior de todos os heróis gregos, era famoso por sua força, depois de estrangular duas serpentes ainda no berço. Recém-promovido à elite principal do futebol espanhol, seu homônimo mostrou também sua virilidade dentro das quatro linhas. Com o resultado, as duas equipes aparecem com três pontos cada uma na classificação. De olho na estreia da fase de grupos da Liga dos Campeões, na próxima terça-feira, diante do Panathinaikos, o técnico Guardiola decidiu poupar alguns de seus atletas. Xavi, Daniel Alves e Busquets, por exemplo, começaram no banco de reservas. No entanto, Messi e Villa estavam em campo. Mas as duas principais estrelas foram bem marcadas na etapa inicial. Messi ainda levou o Barcelona ao ataque, enquanto que Villa ficava, com frequência, em impedimento. O Barcelona até teve muito mais posse de bola, mas criava poucas oportunidades. Numa das melhores, aos 9min, o brasileiro Maxwell cruzou e viu o jovem Bojan ‘furar’. O Hércules, que tinha em campo o experiente Trezeguet, se preocupava bastante em não sofrer gol. Atingiu seu objetivo e ainda foi eficiente no ataque.

Aos 26min, após confusão dentro da área, o paraguaio Valdez tocou para o fundo da rede e fez um a zero. Guardiola não teve dúvida e voltou para o segundo tempo com Xavi e Pedro nos lugares de Mascherano e Bojan, que esteve nulo no ataque blaugrana. O primeiro, aliás, quase empatou logo aos 2min, num arremate da entrada da área. O problema é que o domínio territorial dos anfitriões não se transformava em chances concretas. E pior: o Hércules era ‘mortal’ no contra-ataque. Aos 13min, Valdez aproveita cruzamento de Thiago Gomes para ampliar dois a zero. O Barcelona tentou diminuir o prejuízo, mas esbarrou na forte marcação rival e conheceu seu primeiro tropeço no Espanhol.

Já a primeira partida de Mascherano pelo Barcelona foi aquém do esperado. Além de receber um cartão amarelo, cometeu a falta que originou o primeiro gol do adversário e acabou substituído no intervalo. Apesar disso, recebeu elogios de Guardiola. O argentino mostrou estar um pouco em ritmo com a tônica do clube azulgrená, a troca de passes. Após a contratação do ex-jogador do Liverpool ser finalizada, um debate foi aberta sobre se Mascherano iria saber entrar na linha do Barcelona.

Enquanto isso, o Valencia confirmou seu bom início de campeonato. Jogando no Mestalla, bateu o Racing Santander por 1 a 0 e chegou aos seis pontos. Até o momento, tem 100% de aproveitamento. O único gol foi anotado por Maduro, aos 47min do primeiro tempo, de cabeça. A vitória dos Chés foi a primeira sobre os Cantábrios no Mestalla em cinco anos. De lá pra cá, foram seis jogos, com três vitórias para o Racing Santander e três empates. O gol no final da primeira etapa foi um golpe duro para os cantábrios. O Racing Santander dominou a primeira etapa, com um futebol valente e uma defesa muito bem postada em campo. Porém, os verdiblancos pecaram muito à meta de César, principalmente Rosenberg, que perdeu, pelo menos, uns dois gols feitos. A defesa do Valencia mostrou fragilidade, principalmente nos flancos, onde atuavam Miguel e Jordi Alba, preterido em última hora por Unai para o lugar de Mathieu. A lesão de Banega, que pediu substituição na metade da primeira etapa, contribuiu demais para que o Valencia não conseguise impor o seu jogo.

Após o início ruim na primeira rodada, o Real Madrid não foi brilhante e ainda não empolgou a torcida. Mas o time de Chamartín mostrou-se autoritário na partida inteira e impediu que a zebra passeasse, vencendo o Osasuna por um a zero, gol de Ricardo Carvalho. De destaque, apenas a bela atuação de Özil, que enche os torcedores blancos de esperanças. Apesar do placar apertado e de não ter mostrado um grande futebol, o Real dominou praticamente toda a partida. As melhores chances de gol foram dos anfitriões. O Osasuna pouco assustou Casillas. No primeiro tempo, Higuaín perdeu duas boas oportunidades, a melhor delas aos 40min, quando recebeu passe de Özil, puxou a jogada para a esquerda e ficou sem ângulo. O chute foi para fora.

Recuperado de lesão, Cristiano Ronaldo teve um dia pouco inspirado. E foi em uma chance desperdiçada pelo português que o compatriota Ricardo Carvalho fez o único gol do jogo. Aos 4min da etapa final, o zagueiro aproveitou passe de Cristiano Ronaldo após rebote do goleiro e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Özil e Higuaín, duas vezes, tiveram oportunidades de ampliar o marcador, mas falharam nas finalizações. O atacante argentino, inclusive, pecou bastante nos arremates. Ricardo, goleiro do Osasuna, trabalhou bem, mas não conseguiu evitar a derrota para a equipe merengue. Os torcedores do Real, porém, chegaram a vaiar a equipe durante o jogo

O Atlético de Madrid ignorou o fator casa e contou com o inspirado atacante Diego Forlán neste sábado para superar o Athletic Bilbao por 2 a 1 e se manter no topo da classificação. A equipe da capital espanhola chegou aos seis pontos, com 100% de aproveitamento. Forlán segue como destaque individual: fez o primeiro gol aos 11min do primeiro tempo e é o principal artilheiro do Campeonato Espanhol com três gols. Eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, o uruguaio ainda reforçou a fama de carrasco do Athletic: já são 12 gols marcados diante do rival, contando suas passagens por Atléti e Villarreal. Superior na partida deste sábado, o Atlético de Madrid foi poucas vezes ameaçado, principalmente na parte final do jogo, quando ampliou a vantagem em gol de Tiago. Aos 42min, Llorente ainda diminuiu, mas a reação do Athletic foi tardia para evitar a derrota.

O título foi uma brincadeira que o El Mundo Deportivo fez em referência ao técnico do Hércules, Esteban Vigo, conhecido como Boquerón e que atuou pelo Barcelona entre 1977 e 1987, tendo conquistado um Espanhol, três Copas do Rei e uma Recopa Europeia.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Caçula sujo

Problemas grave para o Hércules. A comemoração pode ter sido à toa (AS)

Contratação do serviço de coleta de lixo nas cidades é motivo comum de escândalo de corrupção ou mau uso de dinheiro público. Por isso, não chega a ser inusitado ver um empresário como Ángel Fenoll acusar a concorrente Urbaser de suborno a vereadores e ao prefeito de Orihuela (cidade vizinha à Alicante). Era março de 2006. A polícia começou a investigar e descobriu um esquema muito maior, no que ficou conhecido como Caso Brugal (de “Basuras Rurales Gestión Alicante”).

Mais de quatro anos depois do escândalo estourar, as autoridades seguiam prendendo responsáveis e revelando fatos novos. E um deles causou surpresa: na gravação de uma conversa telefônica, um jogador do Hércules – principal clube alicantino – estaria subornando o Córdoba, que se deixaria vencer na partidas que as equipes fariam na 36ª rodada da segunda divisão 2009/10. O Hércules precisava dos três pontos para não perder terreno diante de Levante e Cartagena, o que ocorreu após a vitória por 4 a 0. Em outra parte das gravações, os herculanos também dariam uma “mala preta” para incentivar o Gimnàstic contra o Betis, concorrente direto na competição. O time de Tarragona perdeu por 1 a 0.

Ao final das 42 rodadas, o Hércules ficou na segunda posição, empatado em pontos com Levante e Betis (este último não subiu por perder no confronto direto entre os três times). O Córdoba ficou na décima colocação, sem risco de cair para a terceira divisão. O Nàstic foi 18º, um ponto acima da zona de rebaixamento.

O Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana (onde está Alicante) decidiu não considerar as gravações que comprometeriam o time blanquiazul. No último dia 3, o Hércules publicou um comunicado em que nega as acusações, além de apontar para a possibilidade de plantação de provas. O Gimnàstic negou ter aceitado “mala preta”, apontando o fato de ter perdido para o Betis e vencido o Hércules como evidência. O Córdoba reclama do dano à imagem de Raúl Navas, seu goleiro e apontado como responsável pela intermediação ao lado de Tote (ex-Real Madrid e atacante herculano).

Aí o Betis resolveu entrar no caso, exigindo reabertura do caso de olho em uma punição, que daria a ele a vaga na elite espanhola. A torcida do Cádiz também reclamou, organizando manifestação pela punição aos envolvidos (os canários ficaram na 19ª posição e, se alguma equipe for rebaixada, ela recuperaria a vaga na Segundona). O Conselho Superior de Esportes (CSD) concorda com a dupla andaluz e pediu que a Justiça lhe entregue as gravações para analisar o caso.

Abraham Paz, um dos líderes do Hércules, diz aceitar uma investigação do CSD, mas desafia as autoridades a fazer um pente fino nas últimas 15 temporadas. “É preciso ver como subiram as equipes na temporada passada, e na outra, e na outra. Ou investigar todas as partidas da última rodada da segunda divisão da última temporada, porque, aos 30 minutos, já havia muita gente ganhando por três ou quatro a zero”, insinua.

Por enquanto, só Betis e Cádiz falam em mudar a relação de participantes da primeira e da segunda divisão. Como faltam apenas três semanas para o início da liga, talvez falte tempo para investigar e julgar o caso, mesmo com intervenção mais agressiva do CSD. De qualquer modo, os fatos levantados – inclusive a acusação de Paz – joga uma luz sobre o modo como nem tudo é glamouroso como Real Madrid e Barcelona no futebol espanhol.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um giro pela Liga Adelante

A Real Sociedad perdeu uma grande chance de assumir a primeira posição (realsociedad.com)

No último final de semana, foi realizada a rodada de número 23. A grande disputa pelo título da divisão esta entre Hércules, Real Sociedad e Cartagena, os dois primeiros principalmente. Nesse último final de semana, as duas equipes vacilaram e só conquistaram um ponto. A Real Sociedad foi até a província de Múrcia, encarar o Real Múrcia e só empatou por um a um. Bueno marcou para os pimenterones e Bruno empatou para os bascos.

Já sabendo do empate da Real Sociedad e querendo aumentar a vantagem, o Hércules foi encarar o Real Bétis no Manuél Ruiz de Lopera, na Andalúzia. Porém o clube da cidade de Alicante, só empatou com os béticos, também por um a um. Os gols do jogo foram marcados por Sérgio García (Bétis) aos 24 do primeiro tempo e Farínos (Hércules) aos 16 da segunda etapa.

Na terceira posição e correndo por fora pela dísputa do título, aparece o Cartagena. Jogando fora de casa contra o Rayo Vallecano, no Teresa Rivero, o clube da cidade de Múrcia, aproveitou os tropeços dos dois líderes e derrotou o clube anfitrião por três a dois. O jogo foi emocionante do começo até o fim. Aos 24 e 30, da primeira etapa, respectivamente, Lafuente e Toché marcaram para o Cartagena. O Rayo Vallecano, empurrados pela sua fanática torcida, empatou em dois minutos. Primeiro aos 37 com Arribas e depois aos 39 com Tito. Mas na segunda etapa, Txiki deu o golpe final no clube da casa e marcou o gol da importante vitória do clube de Múrcia.

Apenas cinco times lutam para tirar a terceira vaga da Liga BBVA do Cartagena. Numancia, Levante, Villarreal B, Real Bétis e Gimnàstic, nas respectivas, quarta, quinta, sexta, sétima e oitava posição. O destaque entre esses cinco times é o Villarreal B, que tem o segundo melhor ataque da competição com 35 tentos. Porém, caso termine em terceiro e, de fato, consiga a vaga na Liga BBVA, o time B do Villarreal continuará na liga adelante. Isso porque não pode haver dois times da mesma filial em umma só divisão. Como o Villarreal "A" não está nem perto da zona de rebaixamento da liga bbva, a tarefa de disputar a principal divisão do clube B dificulta.

Na luta contra o descenso aparecem nove clubes: Castellón (último colocado), Real Unión (21º colocado), Real Múrcia (20º colocado), Cádiz (19º colocado), Girona (18º colocado), Celta Vigo (17º colocado), Huesca (16º colocado), Albacete (15º colocado) e Las Palmas (16º colocado). Entre eles, o Real Múrcia conseguiu um "bom" resultado, ao empatar com a Real Socidad, como citado no início do texto.