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domingo, 12 de junho de 2011

Balanço Final: Real Madrid

O dono da bola: super artilheiro do espanhol, Cristiano Ronaldo encerrou uma excelente temporada individualmente. Coletivamente, porém, o Real Madrid ficou devendo (reuters)

Campanha: 2ª colocação. 38 jogos, 29 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. 102 gols pró e 33 gols contra.. Classificado à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Time-base: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Özil, Di María, Cristiano Ronaldo; Benzema.
Os Artilheiros: Cristiano Ronaldo (40 gols), Benzema (15), Higuain (10)
O Técnico: José Mourinho
O Destaque: Cristiano Ronaldo
A decepção: Sergio Canales

A temporada do Real Madrid acabou com uma pergunta no ar: como irá se comportar os comandados de Mourinho na segunda temporada do treinador no clube blanco? Em sua apresentação no clube merengue, Mou deixou claro que a primeira temporada em seus clubes nem sempre é a mais esperada pelos torcedores. Porém, não hesitou em dizer que na segunda a sede de títulos é a maior possível. A temporada do Real Madrid teve aspectos positivos, como a evolução do jogo coletivo em relação às últimas temporadas e a recuperação do espírito conquistador que está no sangue madridista. O time goleou vários adversários, Cristiano Ronaldo bateu recorde histórico de gols em um Campeonato Espanhol e o time passou das oitavas de final da LC. No entanto, ser superado tantas vezes pelo Barcelona não faz bem ao ego merengue e deixa a sensação de que a temporada foi um insucesso.

O ex-técnico da Inter fez o estilo paizão, conquistou os jogadores, conseguiu recuperar a coesão do grupo após a sacolada no primeiro superclássico e incentivou a briga contra o Barcelona. Até deu certo em alguns pontos: na maratona de superclássicos em abril, a equipe mostrou em alguns momentos ser capaz de parar o Barcelona, como na "vitória moral" no jogo da Liga e no título da Copa do Rei. Na Champions League, a solidez do Real Madrid apareceu cedo, como na vitória soberana para cima do Milan, e a equipe avançou para as quartas-de-finais pela primeira vez desde 2003/2004. Porém, contra os blaugrana, a expulsão correta de Pepe jogou por água abaixo todo o esquema de Mourinho, pois o português era responsável diretamente pela marcação em Messi, que, com espaços após o vermelho do zagueiro improvisado de volante, decidiu o jogo com um doblete. Outro momento negativo do Real Madrid na temporada foi a derrota no Santiago Bernabéu para o Sporting Gijón, que além de dar ao Barcelona a oportunidade de abrir sete pontos de vantagens, acabou com uma invencibilidade de nove anos de José Mourinho sem perder em casa por campeonatos nacionais.

No plano individual, alguns nomes brilharam. Ricardo Carvalho e Pepe formaram uma dupla de zaga bastante sólida e sofreram apenas 33 gols no campeonato, sendo a segunda defesa menos vazada da competição. Além disso, o número de gols sofridos foi o menor da equipe da capital em sete temporadas. Marcelo foi o jogador que mais evoluiu com a chegada de Mourinho na equipe de Chamartin. Se antes o brasileiro era constantemente criticado por abusar das subidas ao ataque e deixar o lado esquerdo da defesa madridista exposta, nesta temporada o ex-Fluminense conseguiu balancear tal tipo de jogada. Ainda que continuasse pecando na marcação, os erros foram bem menores em relação às outras temporadas e o brasileiro se consolidou no posto de melhor lateral esquerdo do mundo. Özil e Di María caíram como uma luva no 4-2-3-1 de Mou: o turco-alemão foi o grande maestro da equipe na temporada e terminou-a com 23 assistências, líder máximo no quesito na temporada europeia. O argentino, por sua vez, começou mal, mas rapidamente se adaptou à Liga e foi peça importante em jogos-chaves na temporada.

Mas nenhum jogou como Cristiano Ronaldo. Regular na temporada inteira, o gajo foi o motor da equipe desde as primeiras rodadas do campeonato e, polivalente, atuou em quase todas as funções do meio para frente - chegando a ser escalado como falso nove em alguns jogos de janeiro. Com 53 gols na temporada, sendo 40 na Liga (maior artilheiro da história da LFP), Ronaldo, de praxe, ainda decidiu a Copa do Rei ante o Barcelona. Já são 86 gols em 89 partidas trajando blanco. Para a próxima temporada, já foram confirmadas as contratações de Yuri Sahin e Altintop, além da repatriação de Callejón, que estava no Espanyol. A base para brigar por títulos já está formada e a equipe não precisa ser refundada, como diziam alguns nos piores momentos de 2010.

sábado, 7 de maio de 2011

As melhores contratações da temporada

Di María, Özil e Ricardo Carvalho estão entre as melhores contratações do futebol espanhol nesta temporada (realmadrid.com)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Liga BBVA investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quatro Tiempos selecionou os melhores negócios. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Júlio Baptista, da Roma para o Málaga, por 11 milhões de euros
Ao começar a próxima temporada na primeira divisão, o Málaga saberá que deve muito a Júlio Baptista. O brasileiro foi um dos reforços providenciados pelos novos donos do clube em janeiro, quando a ameaça de descenso era forte, mas a princípio pareceu um tiro pela culatra. Lesionado em fevereiro, teve de passar por uma cirurgia e só retornou dois meses depois. De volta, acabou salvando quase sozinho os andaluzes, que venceram cinco jogos seguidos entre as rodadas 32 e 36, com nada menos que sete gols de Baptista.

Iván Cáceres, emprestado do Barcelona ao Sevilla
Cáceres não convenceu no Barcelona e na Juventus, mas o empréstimo para o clube da Andaluzia o fez bem. Assumiu a responsabilidade no Sevilla e foi uma das poucas apostas de Antonio Álvarez a permanecer na equipe titular. Até aqui, fez todas as partidas do Sevilla na Liga BBVA, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: especulações dizem que Guardiola quer contar com o jogador para a próxima temporada, já que o Barcelona passa por perengues com seus zagueiros. Uma lesão na costela, porém, irá impedi-lo de jogar o restante da temporada e até a Copa América com o Uruguai.

Ángel Di María, do Benfica ao Real Madrid, por 33 milhões de euros.
Destaque do Benfica campeão português, Di María foi a segunda transferência mais cara do futebol espanhol, ficando atrás apenas de David Villa, do Barcelona. No Real Madrid, chegou sob dúvidas após a má Copa do Mundo. E os primeiros jogos como merengues não ajudaram. Sempre aberto à esquerda, o argentino não estava convencendo e era coadjuvante de Özil, que começou voando. Porém, Mourinho tratou de, nas coletivas, injetar ânimos ao meio-campista, que deslanchou. Líder de assistências na UCL, Di María foi eleito em votação do Marca o principal jogador do Real Madrid na maratona de jogos contra o Barcelona. Fato que foi dele o cruzamento para o gol de Cristiano Ronaldo na Copa e a jogadaça para o gol de Marcelo na Champions, que deu esperanças à torcida madridista.

Mesut Özil, do Werder Bremen ao Real Madrid, por 18 milhões de euros
Um dos destaques da Alemanha e da Copa do Mundo, o alemão chegou a Madrid em meio a polêmicas: durante a Copa do Mundo, o meia havia dito, em uma entrevista, que seu time favorito na fora da Alemanha é o Barcelona, grande rival do Real Madrid. Uma semana antes de fechar com os merengues, o nome de Özil parecia certo como um dos reforços dos blaugrana, se não fosse Guardiola, que disse "não" à ida do turco-alemão para a Catalunha. Em Chamartin, Özil se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Real Madrid e foi peça-chave no 4-2-3-1 de Mourinho. Nos últimos jogos, seu futebol caiu um pouco devido ao desgaste físico, mas o primeiro turno do alemão foi digno de nota alta. Com onze assistências, o jogador chegou a ser alcunhado de "novo Zidane" pela imprensa espanhola e tem em Jorge Valdano, dirigente do Real Madrid, seu fã número um no clube.

Ivan Rakitic, do Schalke 04 ao Sevilla, por 2, 500 milhões de euros
Ivan Rakitic era o fantasista que o Sevilla precisava. Grande decepção no primeiro turno, a começar pela eliminação precoce na fase pré da Champions, os sevillistas redimesionaram sua temporada após a chegada do croata. Passador e organizador, Rakitic começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção quando passou a jogar de enganche no 4-4-2 de Gregório Manzano. Fazendo a ligação com o ataque, tornou-se essencial para um Sevilla que parecia morto. Bate bem pro gol de fora da área, fáz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Renato foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima - meia - temporada de Rakitic.

Ricardo Carvalho, do Chelsea ao Real Madrid, por 8 milhões de euros
Alto, forte fisicamente, sério e com bom senso de marcação e antecipação, Ricardo Carvalho era o zagueiro que o Real Madrid necessitava. A emergência na defesa blanca chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Homem de confiança de Mourinho, que teve, à exceção da Inter de Milão, o zagueiro português em todos seus times, o gajo recuperou seus prestígios. Dos 36 jogos até aqui pela Liga BBVA, Ricardo Carvalho só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça "com o coração na ponta da chuteira", nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, o Real Madrid só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Ricardo Carvalho jogou sob o comando de José Mourinho. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Roberto Soldado, do Getafe ao Valencia, por 10 milhões de euros
A saída de David Villa para o Barcelona deixou os torcedores valencianos órfãos de seu principal homem-gol desde Mário Kempes, na década de 80. Entretanto, o canterano logo tratou de ocupar um espaço no coração dos aficionados chés. Nas últimas seis partidas, o centroavante marcou dez gols, uma média de 1,6 por partida - à Messi. Os 16 gols na atual edição da Liga já iguala sua melhor temporada na carreira, que havia sido com o Getafe, em 2008/2009. Desde que estreou na Liga BBVA, em 2005/2006, Soldado vive sua melhor temporada na carreira, sendo referência no ataque blanquinegro. Se, no começo da temporada, havia entre o atacante de nome militaresco e Aritz Áduriz uma disputa para quem seria o titular no 4-3-2-1 de Unai, Soldado logo tratou de vencê-la.

David Villa, do Valencia ao Barcelona, por 40 milhões de euros.

Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona, acertou em cheio em acertar com Villa antes do início da Copa do Mundo: em território africano, El Guaje foi um dos principais nomes - senão o principal - da campeã mundial, sendo responsável por cinco dos oito gols da Fúria na competição. Obviamente, seu preço iria aumentar muito após a Copa, caso Villa não houvesse se transferido ao Barcelona antes. Em campo, Villa chegou como grande esperança para gols, já que em 2009/10 Ibrahimovic não foi o que a torcida do Barcelona esperava e Messi teve que decidir tudo. Nesta temporada, Messi vem decidindo até mais que na temporada passada, mas Villa tem feito seus gols: já são 23 na temporada, três a mais que o sueco, que foi emprestado ao Milan. Passou por seu maior jejum de gols na carreira, é verdade, mas o primeiro turno do asturiano foi digno de listá-lo aqui. De destaque, os jogos contra Real Madrid (5 a 0 ) e Arsenal, no Emirates, onde El Guaje marcou uma vez e foi o melhor barcelonista em campo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Real Madrid

Numa fase extraordinária, Cristiano Ronaldo é o artilheiro da competição e é o trunfo de Mourinho para os objetivos desta temporada (getty images)

Campanha
2ª posição. 16 jogos, 41 pontos. 13 vitórias, 2 empates e 1 derrota. 39 gols pró, 12 gols contra.

Técnico
José Mourinho. Principal contratação do Real Madrid na temporada, Mourinho já está se satisfazendo com o que o Real Madrid vem fazendo até o momento. Tudo bem que a goleada sofrida ante o maior rival Barcelona pode apagar tudo isso, mas não há de se negar que o trabalho que Mou vem fazendo até o momento é brilhante. Além de trocar o 4-3-2-1 de Pellegrini para o seu já conhecido 4-2-3-1, o Real Madrid vem jogando de maneira mais atrativa e super ofensiva, já que os jogadores da linha de três do meio-campo são velozes e fazem a bola correr. Nos bastidores, o português tem cumprido à risca seu discurso de trabalhar pelo futuro do clube e já vem dando chances a canteranos como Morata, que será utilizado com frequência na segunda metade da temporada. Mourinho, sem modéstia alguma, já avisou que o Real Madrid desta temporada será competitivo, mas o da temporada que vem irá beirar a perfeição. É esperar para crer.

Destaque
Cristiano Ronaldo. O gajo está impossível. Marcando 46 gols em 48 jogos - média de 0,96 gol por jogo, Cristiano Ronaldo vem fazendo uma temporada absurda e duela com Lionel Messi pelo posto de melhor do mundo. Se, por causa da má copa, o camisa sete merengue não apareceu entre os três que irão disputar o prêmio deste ano, Cristiano Ronaldo já vai dando passos largos para a premiação da temporada que vem. Na temporada 2010/11 o camisa 7 merengue anotou 26 gols em 25 partidas, sendo 18 pelo Campeonato Espanhol (é o artilheiro da competição), quatro na Liga dos Campeões da Europa e mais quatro na Copa do Rei. Além disso, Ronaldo vem colocando seu nome na história merengue. Com 18 gols na Liga, o craque de Lisboa ultrapassa Hugo Sánchez e Telmo Zarra nas quinze rodadas iniciais desta competição. Segundo o Marca, a velocidade da bola que Cristiano Ronaldo chutou - e marcou - contra o Zaragoza chegou a 105km/h, 10km a menos que a velocidade alcançada pelo animal terrestre mais rápido do mundo, o Guepardo. Outros que merecem destaque são Ricardo Carvalho, Özil, Di María e Marcelo.

Decepção
Canales. Depois de assumir a titularidade no Racing Santander, impressionar o mundo com suas jogadas e ser contratado pelo Real Madrid, Canales contava, meteoricamente, com convocações para a Fúria e o afeto da torcida merengue. Após a bela pré-temporada, onde foi derretido de elogios por parte de Mourinho, o jovem parece ter ficado mais acanhado com a chegada de Özil, que nem precisou de muito esforço para ser titular. Canales ainda não conseguiu evoluir nesta temporada e só jogou apenas cinco partidas na temporada. Partidas em que Canales não mostrou nem 1/3 de seu talento, o suficiente para Mourinho afastá-lo do elenco por uns tempos. Especulações que estão surgindo, diz que Valdano está pensando em emprestar o jovem para ganhar mais experiências, e times como Sampdoria e Lyon já mostram interesse.

Perspectiva
Tríplice Coroa. O Real Madrid vinha apresentando, junto com o Barcelona, o futebol mais bonito e envolvente no mundo antes do dia 29 de novembro. Com o melhor ataque, melhor defesa e time mais regular da competição, os merengues parecem terem sentidos o baque da manita sofrida e tudo caiu por água abaixo. Com Kaká, que volta contra o Getafe, na próxima segunda-feira, e sem Higuaín, Mourinho irá continuar num 4-2-3-1, mas com Cristiano Ronaldo jogando de falso nove. Na única vez que atuou assim na temporada, o português marcou um doblete contra o Valencia. Na Liga dos Campeões, o time de Mourinho ainda está invicto e a expectativa inicial é passar das oitavas, onde não passa desde 2003-04, e encontrará um velho rival: Lyon. Responsável pela eliminação merengue na temporada passada e invicto no Santiago Bernabéu em sua história, Mourinho já avisou que o sentimento não será de vingança, mas o Real Madrid vai para, desta vez, passar de fase.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol, cadê?

A noite foi dele: sumido no confronto da Copa, Cristiano Ronaldo, em apenas 45 minutos em campo, espalhou pane na defesa espanhola (getty images)


Após o inédito título mundial ser festejado com muita empolgação durante quase um mês, já está chegando a hora de a Espanha abrir os olhos. No pós-Copa, foram cinco jogos, com duas derrotas (acachapantes), um empate e duas vitórias. Ainda que as vitórias tenham sido conquistadas em jogos oficiais (contra Liechtenstein e Escócia), as duas derrotas, em amistosos contra Argentina e Portugal, foram as mais comentadas. Não só por causa das goleadas sofridas por 4 a 1 e 4 a 0, mas, sim, pela postura com a qual se comportou a equipe de Vicente Del Bosque. A derrota contra a albiceleste pode se minimizar pelo fato de a Espanha ter jogado com um time misto, e com desfalques significativos à equipe (mas vale lembrar que Villa, Iniesta e Xavi estavam em campo). Porém, hoje contra Portugal não tem desculpas: a atual campeã mundial e europeia foi encurraladas pela rival ibérica e saiu do estádio da Luz humilhada, em uma de suas piores partida nos últimos anos . Desde 1942 que a seleção roja não sofre uma goleada desta maneira.

Se o jogo era de demonstração de união entre Espanha e Portugal em prol da candidatura para receber a Copa de 2018, os cartolas dos dois países esqueceram de avisar os jogadores das duas equipes. Já pilhados pela proximidade do superclássico entre Barcelona e Real Madrid, daqui a dez dias, espanhóis (predominantemente barcelonistas) e portugueses (principalmente Cristiano Ronaldo) jogavam o amistoso como se fosse decisão. O amistoso foi muito pegado, principalmente por conta da rivalidade entre os seis barcelonistas da Espanha e o merengue/português Cristiano Ronaldo, há duas semanas do superclássico no Camp Nou.

O '7' do Real Madrid, aliás, teria feito um gol histórico no primeiro tempo se Nani não tivesse tentado ser coadjuvante da obra-prima, cabeceado a bola em cima da linha e permitido que o gol fosse anulado por impedimento do camisa 17. Pouco depois, Cristiano Ronaldo voltou a brilhar: deu um elástico em Busquets e fez a jogada que deu início ao primeiro gol do jogo, de Carlos Martins. Na segunda etapa, Portugal ainda ampliou com dois gols de Hélder Postiga, o primeiro deles um golaço, de letra. No fim, João Moutinho fez o quarto. Com um ataque leve, os donos da casa, agora comandados por Paulo Bento, em nada lembraram a equipe da Copa, menos criativa, comandada por Carlos Queiroz. O mesmo pode-se dizer da campeã do mundo Espanha, que se acostumou a ter mais posse de bola e impor o seu ritmo de jogo, mas que nesta quarta-feira praticamente só viu os donos da casa jogarem.

Antes do jogo, em raro momento de amistosidade no estádio da Luz, Cristiano Ronaldo e Casillas, capitães dos dois times, se uniram pela campanha para que os dois países recebam a Copa do Mundo de 2018. “Juntos, vamos todos apoiar a candidatura ibérica”, falaram ao mesmo tempo, cada um em seu idioma. A decisão da Fifa será anunciada no próximo dia 2 de dezembro. Concorrem ainda a Rússia, a Inglaterra e a candidatura conjunta de Holanda e Bélgica.

O jogo
Logo com 6min de jogo, Busquets fez falta dura em Cristiano Ronaldo e foi punido com o amarelo. Na jogada seguinte, o português entrou forte no barcelonista na lateral do campo e também recebeu a advertência. A partida não apenas era pegada como também bem jogada. Sem poupar titulares, como fizeram algumas das principais seleções europeias nesta quarta-feira de amistosos internacionais, Espanha e Portugal fizeram uma partida movimentada desde o seu início. No primeiro ataque, Nani recebeu bom passe de Cristiano Ronaldo, bateu cruzado, e Casillas defendeu. A Espanha compensou com chute de Iniesta que passou rente à trave esquerda de Eduardo. Mas, com Nani e Cristiano Ronaldo em noite inspirada, Portugal era melhor e quase abriu o placar aos 20min. O jogador do Manchester United fez boa jogada e lançou Postiga, que saiu na cara de Casillas e chutou em cima do goleiro.

A um gol de se tornar o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa aparecia pouco e foi David Silva que teve a melhor chance de colocar a Espanha à frente. Capdevilla cruzou e o baixinho cabeceou sozinho no meio da área, mas pegou mal na bola e mandou para fora. Depois, só deu Portugal, que só não abriu o placar com um gol memorável de Cristiano Ronaldo por conta da falta de inteligência de Nani. O craque português deixou Piqué (que nos últimos confrontos - inclusive na Copa do Mundo - levou a melhor sobre o gajo) sentado pela esquerda da área e deu uma linda cavadinha para encobrir Casillas. A bola ia entrando quando o camisa 17 cabeceou para as redes. Alegando impedimento, Antony Gautier anulou erradamente o gol de Portugal – Nani tocou na bola já dentro do gol e Piqué, no chão, lhe dava condição de jogo.

No lance seguinte, Nani e Piqué se redimiram. O português fez ótima jogada pela direita e cruzou na medida para Carlos Martins, que pegou em cheio na bola. O blaugrana, em cima da linha do gol, salvou de cabeça. Aos 44min, não deu mais pra segurar o leve ataque de Portugal. Cristiano Ronaldo deu lindo elástico em Busquets e bateu forte. Casillas defendeu e, no rebote, Carlos Martins abriu o placar. Para o segundo tempo, as duas seleções voltaram muito modificadas. Depois 45min de show, Cristiano Ronaldo deu lugar a Danny. Ricardo Carvalho e o goleiro Eduardo também saíram. Pela Espanha, Xavi, Villa e Piqué saíram e foram substituídos à altura por Fàbregas, Fernando Torres e Marchena

Quem se manteve melhor, porém, foi Portugal, que ampliou aos 3min. Danny lançou João Moutinho pela esquerda. Este cruzou rasteiro para Hélder Postiga, que mostrou categoria, passou pela bola, e marcou de letra. Golaço. Nani também quis fazer um belo gol, até para compensar o que tirou de Cristiano Ronaldo. Saiu na cara de Casillas e tentou a cavadinha, dando a bola na mão do goleiro do Real Madrid. Sempre superior, Portugal fez o terceiro aos 22min, com a mesma sequência do segundo gol. De Danny para João Moutinho e dele para Postiga, que saiu na cara de Casillas e teve sangue frio para tirar do goleiro e ampliar.

Prevendo a impossibilidade de empatar, os espanhóis recuaram, testaram reservas, ouviram muito olé das arquibancadas do estádio da Luz e acabaram levando o quarto gol nos acréscimos, marcado desta vez por João Moutinho, que atravessou todo o campo de ataque com a bola e bateu na saída de Casillas para decretar a goleada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resumo: 11ª rodada (2ª parte)

Gol de Higuaín no final e defesas de Casillas evitaram queda do Real Madrid em Gijón (defensacentral)


CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Resumo: 10ª rodada (2ª parte)

Com mais uma vitória, o Real Madrid vive seu melhor momento nos últimos cinco anos (getty images)

Com uma postura cada vez mais convicente de líder, o Real Madrid fez mais uma vítima atuando no Santiago Bernabéu, onde ainda não perdeu pontos na Liga. Num bom dérbi de Madrid, o Atlético de Madrid não resistiu ao cada vez mais bem armado time de Mourinho, que tem uma base sólida na defesa e joga sem sofrer riscos. Com a derrota, a racha negativa colchonera segue: sem vencer seu maior rival desde 1999, o Atléti caiu mais uma posição e, com o triunfo da Real Sociedad, agora é o oitavo colocado. Mas Barcelona e Villarreal seguem sua caça aos merengues. O Barcelona venceu sem riscos o Getafe e se coloca a um ponto do time da capital. Já os amarillos, também não tiveram dificuldades de baterem o Athletic Bilbao (apesar do susto inicial) e estão a três do Real Madrid. Confira os jogos da décima rodada.

Real Madrid 2x0 Atlético de Madrid
No principal jogo da rodada, os merengues atravessaram sem maiores traumas um dos desafios mais complicados neste primeiro semestre. Apesar de ter levado a melhor nos últimos 18 dérbis, nunca se deve subestimar um rival. Porém, novamente o Atléti foi mal ante o Real Madrid e perdeu a chance de quebrar a racha negativa. Magnífica partida de Ricardo Carvalho, que marcou muito bem Agüero, impedindo o argentino de levar algum perigo à meta de Casillas. Além de anular o camisa 10 rojiblanco, foi do português o primeiro gol da partida, após receber de Di María. Destaque no meio, Özil ampliou a partida, após cobrar diretamente para o gol de um desastrado De Gea. No dia de seu aniversário, o garoto não mostrou o mesmo desempenho mostrado nas últimas partidas e parecia nervoso diante do 70.000 espectadores no Santiago Bernabéu.

Cristiano Ronaldo foi bem aquém do que pode produzir. Além de ter sido bem individualista, o gajo se meteu em confusão no final da partida. Após passe usando as costas no final da partida, o português foi questionado por jogadores colchoneros, que reclamaram com o gajo ainda no gramado por passe de costas: 'Não faz isso com 0 a 0, né?', provocou Raúl García. Outro que não foi bem foi Higuaín. "Desse jeito, Benzema vai acabar titular neste time", disparou Mourinho. O técnico português firmou o terceiro melhor início de La Liga após dez rodadas. Já são oito vitórias e dois empates.

Getafe 1x3 Barcelona (Victor Mendes)
O Barcelona venceu facilmente um Getafe que a cada jogo sente a falta de seu principal jogador, Dani Parejo. No ritmo de seu principal craque, Lionel Messi, os blaugranas não tardaram a dominar as ações da partida. Primeiro, Messi construiu toda a jogada e recebeu de Villa para marcar seu oitavo gol na Liga; depois, deixou Villa na cara do gol para ampliar para os blaugranas; e, por último, aproveitou desespero de Días, ganhou na dividida do zagueiro e a bola sobrou limpa para Pedro mandar às redes. Após o início conturbado, o Barcelona parece ter recuperado a velha identidade. Mesmo após a expulsão de Piqué e o gol de Manu del Moral, os blaugranas continuaram em um ritmo atônito e pareciam mais perto do quarto gol à sofrer o empate do time de Valdebebas.

Víctor Sánchez, que vem jogando muito bem neste início de temporada, queria mostrar para Guardiola que o empréstimo foi coisa errada. Porém, o canterano do Barcelona não conseguiu criar nada e foi impedido de armar qualquer jogada por Mascherano, um leão na partida e que, após críticas sobre o seu desempenho no início de temporada, vem ganhando a confiança dos torcedores. A expulsão boba de Piqué impedirá o zagueiro de jogar contra o Villarreal, no Camp Nou. A grande dúvida que paira no ar é saber quem Guardiola escolherá para atuar ao lado de Puyol na próxima rodada: o mais lógico seria Milito suprir a ausência de Gerard, mas, segundo o o Diário Sport, Guardiola já não tem a mesma confiança no argentino e poderia dar uma chance a algum canterano, dependendo de seus desempenhos no confronto pela Copa del Rey contra o Ceuta. No Getafe, após o desastre pela Liga Europa e o jogo fraco diante do Barcelona, as notícias são animadores: para o mercado de janeiro, os azulones já negociam com o bom atacante Chuchu Dorado, deixado de lado no Bétis

Villarreal 4x1 Athletic Bilbao (Victor Mendes)
No El Madrigal, mais uma bela exibição do Villarreal diante de seus torcedores e a goleada imposta no Athletic Bilbao deixa claro que os amarillos estão vivos na briga pelo título. As chances podem ganhar mais vida se, na próxima rodada, o Villarreal conseguir um triunfo no Camp Nou diante do Barcelona e manter o contato com os líderes. Na era Garrido, o Villarreal mostra-se muito mais afinco dentro de seus domínios. A vitória contra os leones foi a 13ª dos amarillos em 12 jogos desde que o treinador assumiu o cargo no time da Comunidade Valenciana. O técnico castellonense também parece ter construido uma máquina de gols: se a melhor margem do Villarreal à esta altura da competição foram 18 gols na temporada 2008/2009, o time de Garrido deixa para trás os números dos comandados de Pellegrinni: já são 21 gols em 10 partidas (segundo melhor ataque, atrás, apenas, do Real Madrid).

A goleada sofrida frustou as aspirações do Athletic Bilbao. Apesar de ter jogado muito bem nos primeiros trinta minutos, onde chegaram a estar à frente do marcador com Llorente, os euskaras sucumbiram na avalanche amarilla na segunda etapa. Destaque nos últimos jogos, Muniaín desta vez não brilhou. O jovem não conseguiu criar nada pela esquerda e caiu facilmente na marcação de Ángel. Caparrós promoveu a entrada de De Marcos afim de impôr mais velocidade na partida, mas a defesa do Villarreal mostrou-se, mais uma vez, bem sólida, e o garoto nada fez no setor de Capdevilla. Llorente foi um constante perigo, mas Mussachio e Marchena levaram a melhor sobre o atacante da seleção na maioria da vezes.

Quem resolveu colocar a partida no bolso foi Borja Valero. O meio-campista participou diretamente de três dos quatro gols. Com um recital no meio-campo, marcou o ritmo da partida. Passou para Nilmar empatar, fez a jogada do gol de Rossi e, no final, deixou Monteiro na cara de Iraizoz, que, aproveitando-se do fato da zaga euskara ter jogado bem adiantado em relação aos últimos jogos, não conseguiu evitar o tento.

Sevilla 2x0 Valencia
Dois minutos após entrar em campo, o atacante Negredo mudou a cara da partida e marcou o gol que conduziu o Sevilla para a vitória contra o Valencia por 2 a 0 pelo complemento da rodada do Espanhol. Para o Valencia, apesar do triunfo contra o Rangers, já são quatro jogos sem vencer pela Liga, o que levou a uma queda brusca: da primeira à quinta posição. A tarefa do Sevilla foi facilitada pela expulsão de Topal, que entrou muito forte em Cáceres e levou o cartão vermelho direto aos 23min do primeiro tempo. Aniversariante do dia, Luis Fabiano ficou perto de marcar um gol em homenagem aos seus 30 anos de idade, mas parou na trave da meta do Valencia.

Levante 1x2 Deportivo
No 5-3-2, o Deportivo conseguiu mais um triunfo e ratificou a ideia de que parece ter acordado para a competição. Bela partida de Riki e da defesa do depor, que mostrou-se bem sólida no esquema atual de Miguel Ángel Lotina. Fato que desenrolou-se para a vitória galega foram os gols nos inícios de cada tempo, que condicionou a partida, já que o Deportivo ficara mais cômodo e sem o nervosismo para ir em busca da vitória. Porém, o gol do Levante nos quinze minutos finais pôs emoções à partida. O ímpeto ofensivo dos granotas aumentaram e Lotina foi obrigado a dar mais um reforço para seu meio-campo. Emoção não faltou, e o Levante teve que se contentar com um gol anulado de Stuani no última lance da partida. A vitória contra o Levante foi a primeira dos blanquiazules desde novembro de 2009, quando derrotou o Racing Santander no El Sardineiro. Novos ares no Riazor?

Zaragoza 3x2 Mallorca
Os três primeiros pontos do Zaragoza na competição foi em um jogo muito emocionante. Após sair perdendo no La Romareda por 2 a 0, teve fôlego para ir em busca do empate e, no último minuto, empatar numa cobrança de pênalti de Gabi. Pênalti, aliás, para lá de duvidoso. Os rojones controlaram a partida desde o início, mas dormiram nos últimos vinte minutos, permitindo a reação maña. Apesar da vitória, o time de José Aurélio Gay continua demonstrando os mesmos erros e carências. Espantou a maneira como o técnico madrileño escalou o Zaragoza. Em um 5-4-1 inédito, Gabi teve que auxiliar Bráulio, bem isolado na frente como o previsto. Ponto para a torcida fánatica dos blancos, que não deixa de lotar o estádio e perder a confiança no time. Com o triunfo, os maños saíram a lanterna da competição, que agora pertence ao Málaga.

Para relembrar os jogos de sábado, clique aqui

Craques da rodada
Borja Valero (Villarreal)
Lionel Messi (Barcelona)
Mesut Özil (Real Madrid)
Ricardo Carvalho (Real Madrid)

Escalação da rodada
Bravo (Real Sociedad); Daniel Alves (Barcelona), Marchena (Villarreal), Ricardo Carvalho (Real Madrid), Cáceres (Sevilla); Mascherano (Barcelona), Khedira (Real Madrid), Borja Valero (Villarreal), Mesut Özil (Real Madrid), Lionel Messi (Barcelona), Negredo (Sevilla)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Classificação mais próxima

Texto de Rodrigo Antonelli, dos parceiros do Quattro Tratti.

Na fotos, os personagens do jogo: Pedro León, com o gol salvador; Howard Webb, e uma arbitragem bastante polêmica; e Ricardo Carvalho, um muro na zaga merengue (getty images)

Mesmo com o empate (que só saiu nos acréscimos da partidas), a situação do Real Madrid no grupo G da Champions League é bem confortável. Ainda invicto na temporada, os merengues partiram mais uma vez para o confronto contra o Milan (já são quatro em duas temporadas). Agora são sete jogos entre as duas equipes no San Siro. E o que caminhava para ser a primeira vitória merengue em território milanês, terminou em um empate histórico e agradável de assistir. Graças ao brilho do artilheiro Filippo Inzaghi, que marcou dois gols hoje, os rossoneri se mantiveram invictos na disputa: cinco vitórias e dois empates. Além assegurar o tabu, Inzaghi alcançou também mais dois recordes pessoais: ultrapassou Van Basten na lista de artilheiros do Milan e tornou-se o maior goleador da história das copas europeias.

Mas antes de o atacante de 37 anos entrar para fazer história e virar capa de todos os sites especializados, o Milan passou por maus momentos. O Real Madrid entrou em campo com postura bem ofensiva e não tomou conhecimento dos donos da casa. Como se jogasse em seu estádio, partiu para cima do Milan e deu trabalho ao goleiro Abbiati durante toda a primeira etapa. Ao final do tempo acumulava 18 chutes a gol, contra apenas seis do time de Milão. E também um gol a favor. Dí Maria aproveitou mau posicionamento da zaga e enfiou boa bola para o conterrânero Higuaín abrir o placar.

Do outro lado, viu-se os mesmo erros de sempre. Pato, Ronaldinho e Ibrahimovic não voltam para ajudar na marcação e o time italiano passa aperto sempre que enfrenta um adversário mais rápido e criativo. Nas estatísticas, a supremacia física madrilenha também aparece. Enquanto o time do Milan percorreu pouco mais de 102 quilômetros, o Real chegou a quase 108 quilômetros. É quase como ter um jogador a mais. Para ordem de comparação, Ronaldinho correu 5,8 quilômentros durante seus 60 minutos em campo. O brasileiro, aliás, foi protagonista nos dois lances de maior perigo do Milan no primeiro tempo. Apesar de não ter feito grande partida, colocou Ibrahimovic em condições de marcar duas vezes.

As alterações que mudaram o jogo
No segundo tempo, o Real Madrid entrou com a mesma intensidade e tudo indicava que logo o time de Mourinho marcaria mais gols e definiria a partida. Porém, o favoritismo espanhol não durou muito. Aos 14', em uma alteração questionável do técnico Allegri, Inzaghi entrou e mudou totalmente o ritmo do jogo. Se a maioria pensava que a entrada do atacante no lugar de Ronaldinho acabaria com qualquer chance de ligação entre meio-campo e ataque, a alteração serviu exatamente para dar uma sobrevida ao Milan. Com a correria e raça características, Inzaghi contaminou seus companheiros e o time mudou de postura. Mourinho já sabia. Na véspera do primeiro duelo, o técnico português afirmou que Pippo era o único atacante milanista que lhe dava medo.

Aos 23', Pepe, que fez primeiro tempo perfeito, vacilou e deixou Ibrahimovic ir ao fundo cruzar. Cassillas também cooperou e não conseguiu tirar a bola, que sobrou fácil para Inzaghi marcar. Dez minutos mais tarde, o atacante marcaria mais um, dessa vez em posição irregular que o bandeira não viu. O lançamento foi de Gattuso, que saiu de campo aplaudido de pé, mais tarde. A recuperação do jogador impressiona. Desde o título mundial na Copa de 2006 ele não joga tão bem. Méritos para Allegri.

Pontos positivos também para Mourinho, que não se deixou abalar com o clima de euforia no estádio e teve coragem de tirar o zagueiro Pepe e colocar o ofensivo Pedro León em campo. O jovem meio campista foi o autor do gol de empate, aos 94', após boa jogada com Benzema, pela direita do ataque. O resultado estragou a noite perfeita para os milanistas, mas fez justiça ao que os dois times apresentaram ao longo do jogo. Assim, o Real Madrid garantiu antecipadamente sua classificação para as oitavas de final da competição e o Milan continuou na segunda colocação do grupo, uma vez que o Auxerre venceu o Ajax no outro jogo do grupo.

sábado, 11 de setembro de 2010

2ª Rodada (1ª Parte): Boqueronazo

Haedo Valdez fez sua estreia no Hércules com o pé direito: com direito a um doblete, calou o Camp Nou (Reuters)


Na mitologia grega, Hércules, o maior de todos os heróis gregos, era famoso por sua força, depois de estrangular duas serpentes ainda no berço. Recém-promovido à elite principal do futebol espanhol, seu homônimo mostrou também sua virilidade dentro das quatro linhas. Com o resultado, as duas equipes aparecem com três pontos cada uma na classificação. De olho na estreia da fase de grupos da Liga dos Campeões, na próxima terça-feira, diante do Panathinaikos, o técnico Guardiola decidiu poupar alguns de seus atletas. Xavi, Daniel Alves e Busquets, por exemplo, começaram no banco de reservas. No entanto, Messi e Villa estavam em campo. Mas as duas principais estrelas foram bem marcadas na etapa inicial. Messi ainda levou o Barcelona ao ataque, enquanto que Villa ficava, com frequência, em impedimento. O Barcelona até teve muito mais posse de bola, mas criava poucas oportunidades. Numa das melhores, aos 9min, o brasileiro Maxwell cruzou e viu o jovem Bojan ‘furar’. O Hércules, que tinha em campo o experiente Trezeguet, se preocupava bastante em não sofrer gol. Atingiu seu objetivo e ainda foi eficiente no ataque.

Aos 26min, após confusão dentro da área, o paraguaio Valdez tocou para o fundo da rede e fez um a zero. Guardiola não teve dúvida e voltou para o segundo tempo com Xavi e Pedro nos lugares de Mascherano e Bojan, que esteve nulo no ataque blaugrana. O primeiro, aliás, quase empatou logo aos 2min, num arremate da entrada da área. O problema é que o domínio territorial dos anfitriões não se transformava em chances concretas. E pior: o Hércules era ‘mortal’ no contra-ataque. Aos 13min, Valdez aproveita cruzamento de Thiago Gomes para ampliar dois a zero. O Barcelona tentou diminuir o prejuízo, mas esbarrou na forte marcação rival e conheceu seu primeiro tropeço no Espanhol.

Já a primeira partida de Mascherano pelo Barcelona foi aquém do esperado. Além de receber um cartão amarelo, cometeu a falta que originou o primeiro gol do adversário e acabou substituído no intervalo. Apesar disso, recebeu elogios de Guardiola. O argentino mostrou estar um pouco em ritmo com a tônica do clube azulgrená, a troca de passes. Após a contratação do ex-jogador do Liverpool ser finalizada, um debate foi aberta sobre se Mascherano iria saber entrar na linha do Barcelona.

Enquanto isso, o Valencia confirmou seu bom início de campeonato. Jogando no Mestalla, bateu o Racing Santander por 1 a 0 e chegou aos seis pontos. Até o momento, tem 100% de aproveitamento. O único gol foi anotado por Maduro, aos 47min do primeiro tempo, de cabeça. A vitória dos Chés foi a primeira sobre os Cantábrios no Mestalla em cinco anos. De lá pra cá, foram seis jogos, com três vitórias para o Racing Santander e três empates. O gol no final da primeira etapa foi um golpe duro para os cantábrios. O Racing Santander dominou a primeira etapa, com um futebol valente e uma defesa muito bem postada em campo. Porém, os verdiblancos pecaram muito à meta de César, principalmente Rosenberg, que perdeu, pelo menos, uns dois gols feitos. A defesa do Valencia mostrou fragilidade, principalmente nos flancos, onde atuavam Miguel e Jordi Alba, preterido em última hora por Unai para o lugar de Mathieu. A lesão de Banega, que pediu substituição na metade da primeira etapa, contribuiu demais para que o Valencia não conseguise impor o seu jogo.

Após o início ruim na primeira rodada, o Real Madrid não foi brilhante e ainda não empolgou a torcida. Mas o time de Chamartín mostrou-se autoritário na partida inteira e impediu que a zebra passeasse, vencendo o Osasuna por um a zero, gol de Ricardo Carvalho. De destaque, apenas a bela atuação de Özil, que enche os torcedores blancos de esperanças. Apesar do placar apertado e de não ter mostrado um grande futebol, o Real dominou praticamente toda a partida. As melhores chances de gol foram dos anfitriões. O Osasuna pouco assustou Casillas. No primeiro tempo, Higuaín perdeu duas boas oportunidades, a melhor delas aos 40min, quando recebeu passe de Özil, puxou a jogada para a esquerda e ficou sem ângulo. O chute foi para fora.

Recuperado de lesão, Cristiano Ronaldo teve um dia pouco inspirado. E foi em uma chance desperdiçada pelo português que o compatriota Ricardo Carvalho fez o único gol do jogo. Aos 4min da etapa final, o zagueiro aproveitou passe de Cristiano Ronaldo após rebote do goleiro e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Özil e Higuaín, duas vezes, tiveram oportunidades de ampliar o marcador, mas falharam nas finalizações. O atacante argentino, inclusive, pecou bastante nos arremates. Ricardo, goleiro do Osasuna, trabalhou bem, mas não conseguiu evitar a derrota para a equipe merengue. Os torcedores do Real, porém, chegaram a vaiar a equipe durante o jogo

O Atlético de Madrid ignorou o fator casa e contou com o inspirado atacante Diego Forlán neste sábado para superar o Athletic Bilbao por 2 a 1 e se manter no topo da classificação. A equipe da capital espanhola chegou aos seis pontos, com 100% de aproveitamento. Forlán segue como destaque individual: fez o primeiro gol aos 11min do primeiro tempo e é o principal artilheiro do Campeonato Espanhol com três gols. Eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, o uruguaio ainda reforçou a fama de carrasco do Athletic: já são 12 gols marcados diante do rival, contando suas passagens por Atléti e Villarreal. Superior na partida deste sábado, o Atlético de Madrid foi poucas vezes ameaçado, principalmente na parte final do jogo, quando ampliou a vantagem em gol de Tiago. Aos 42min, Llorente ainda diminuiu, mas a reação do Athletic foi tardia para evitar a derrota.

O título foi uma brincadeira que o El Mundo Deportivo fez em referência ao técnico do Hércules, Esteban Vigo, conhecido como Boquerón e que atuou pelo Barcelona entre 1977 e 1987, tendo conquistado um Espanhol, três Copas do Rei e uma Recopa Europeia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O trabalho de Mourinho

Os pedidos de contratações de Mourinho já foram atendidos. E agora? (getty images)

A Internazionale era um projeto de Real Madrid. Sem querer ser maldoso com nenhum dos dois. É que ambos têm dinheiro no bolso e ânsia desenfreada por um título da Liga dos Campeões “para ontem”. Assim, gastavam todo jogador caro e de grife que estivesse à disposição para fazer barulho e pintar como candidato ao título europeu. A diferença é que o Real estava nesse universo há mais tempo e contratava reforços mais badalados. E, no final das contas, ambos acabavam vendo o maior rival conquistar o continente.

Hoje, há sinais de que o Real Madrid é um projeto de Internazionale. Na temporada passada, José Mourinho resolveu mudar um pouco a política da equipe. Os interistas contrataram grandes jogadores, mas por valores e de grife abaixo do que estavam acostumados. Com Sneijder, Lúcio, Eto’o, Pandev e Thiago Motta se juntando aos bons jogadores que já tinha, a Inter gastou pouco e ganhou muito, o suficiente para conquistar a tripletta.

Agora, em Chamartín, o português caminha no mesmo sentido. É verdade que um clube dirigido por Florentino Pérez sempre tentará gastar algumas dezenas de milhões de euros por jogadores não tão necessários. Faz parte da estratégia de marketing dos merengues. Mas os pedidos de reforços de “Mou” têm outro perfil. Nada de Rooney, Ronaldinho, Drogba, Lampard ou Ribéry, nomes que agradariam o chefe por vender milhares de camisas e exigiriam alguma engenharia financeira da qual os madridistas se orgulhariam muito.

Os nomes indicam outra filosofia. Entre os reforços especulados, apenas Fàbregas e Gerrard entrariam na cota “galáticos” de Florentino. De resto, vejamos: já chegaram os promissores Canales e León, além dos ascendentes Di María e Khedira, e o já consagrado Ricardo Carvalho. Também estão na lista de compras, de acordo com a exagerada imprensa espanhola, Maicon, Thiago Silva, De Rossi, Javi Martinez, Özil, Schweinsteiger e Ashley Cole. Alguns desses nomes só vão a Madri em troca de uma fortuna, mas é inegável que nenhum deles têm grife e que todos cairiam perfeitamente para tapar os buracos que há no elenco do Real.

O time perdeu Cannavaro, Metzelder, Raúl e Guti. Assim, sem contar as altas de mercado, a formação titular seria Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho e Arbeloa (Marcelo); Lassana Diarra, Gago, Cristiano Ronaldo, Kaká e Granero (Benzema); Higuaín. Falta uma dupla de zaga – as respostas seriam Thiago Silva e Maicon, considerando que o lateral empurraria Sergio Ramos para o miolo da defesa –, falta um volante de saída de bola – Khedira foi contratado, e Schweinsteiger, De Rossi e Javi Martinez estão nos planos –, falta um lateral esquerdo mais confiável – alguém falou em Ashley Cole? – e talvez um meia para ajudar Kaká e Cristiano Ronaldo – que tal Özil?.

Se a vontade de Mourinho prevalecer e alguns desses jogadores efetivamente forem contratados, o Real fica com uma equipe talentosa, homogênea e sólida coletivamente. Como a Internazionale campeã de tudo na temporada passada.

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ATUALIZADO

O Real Madrid confirmou hoje à tarde a contratação do turco-alemão Mesut Özil. A imprensa espanhola especula algo em torno de 15 milhões de euros.

sábado, 14 de agosto de 2010

San Iker

Após uma exibição no amistoso contra o Bayern, Casillas virou o homem de fé de Mourinho (reuters)

Que Casillas é um goleiraço, isso ninguém tem mais dúvidas. O novo capitão do Real Madrid já é uma lenda viva. Só ele foi capaz de fazer uma partida de alto nível com apenas uma semana de treino. Ontem, num amistoso internacional contra o Bayern de Munich, na Alemanha, Casillas parou os alemães com dezenas de defesas e foi o principal responsável pela vitória - nos pênaltis - dos blancos. Pegou três pênaltis (um no tempo normal e outro nas cobranças de pênaltis), deu um voo sensacional em um chute de Sosa, aos 30 minutos do primeiro tempo, foi um muro perante a Klose. Casillas é hoje, sem dúvidas, o melhor goleiro do mundo. E já faz os olhos de Mourinho brilhar.

Fora os elogios a Casillas, o Real Madrid passou longe de ter feito sua melhor partida. Pecando demais nas finalizações e mostrando certa deficiência quando atacado, é fato você pensar que o resultado seria outro (quem sabe até uma goleada) se Casillas não estivesse em campo. Com exceção de Casillas, outro que esteve em uma boa noite foi Cristiano Ronaldo. O gajo puxou a responsabilidade e teve duas grandes oportunidades de marcar, mas foi parado pelo o também bom goleiro Kraft.

Depois do tempo normal, Cristiano Ronaldo, Van der Vaart, Xabi Alonso e Benzema converteram as quatro cobranças de pênalti do Real com sucesso. Ottl e Badstuber também marcaram para os rivais, mas Altintop e Braadhief tiveram seus chutes defendidos por Casillas.

Mercado

Para tentar tirar o Barcelona do topo, o Real Madrid segue contratando. Nesta semana, os merengues confirmaram a contratação do zagueiro Ricardo Carvalho, que estava no Chelsea. Após tantas especulações envolvendo Mesut Özil, Mourinho resolveu dar um tempo no turco-alemão e pediu como prioridade a contratação de um zagueiro. Pedido atendido. Mourinho já deixou bem claro que Ricardo Carvalho é um jogador com que gosta de trabalhar - lembrando que Mourinho já havia treinado o zagueiro em tempos de Chelsea.

Até o momento, as contratações são bem pensadas e muito boas. Graças a elas, a notícia de que Kaká ficará quatro meses parados não surtiu como um ato de tensão no mundo madridista. Di María, Pedro León e Canales fizeram uma boa temporada e podem substituir à altura o brasileiro. Khedira e Ricardo Carvalho fizeram sua estreia no amistoso. O alemão foi bem, com boa marcação no meio-campo e grande auxílio com o ataque. Já o português (a principal contratação, até o momento) deveu. Tido como o principal marcador de Klose, o gajo aparecia sempre atrasado na marcação do atacante alemão, e se mostrou fora de forma.

A era Mourinho está apenas começando, e, até agora, os torcedores estão, sim, ansiosos pelo o início das competições oficiais.