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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cenário diferente

 Iniesta e Pedro: o canário, melhor em campo contra a Bielorrúsia, deve começar novamente como titular contra a França (getty images)

Em Donetsk, há quatro meses, a Espanha entrou em campo contra a França sob dúvidas. Após uma fase de grupos onde mostrou um futebol bastante pragmático, a Fúria precisava se desligar dos rótulos. Nos primeiros 30 minutos, a seleção encaminhava-se para tal. Nesse período, o time de Vicente Del Bosque pressionou a França como ainda não havia feito com nenhum adversário nos três primeiros jogos. E abriu o placar, após passe incisivo de Iniesta, arrancada e cruzamento de Alba na medida para Xabi Alonso testar. Depois disso, a Roja voltou ao modo preguiça. Tocou, tocou, tocou, pouco foi ameaçada e achou mais um gol no final do jogo, novamente com Xabi Alonso, convertendo pênalti controverso sofrido em cima de Pedro.

Amanhã, às 16h, as seleções se enfrentam no Vicente Calderón, em Madrid. A partida marca o retorno de Fernando Torres ao estádio onde teve suas primeiras grandes exibições como profissional. El Niño, provavelmente, não será titular, mas o reencontro com a torcida colchonera será emocionante. Os aficionados do Atlético de Madrid prometeram uma homenagem ao seu ídolo antes da bola rolar. Em campo, Del Bosque deve manter Fàbregas como falso nove. O barcelonista se adaptou à posição e sente-se à vontade em campo com uma maior liberdade de movimentação. Mais cedo, na coletiva antecedente ao duelo, Cesc afirmou que a posição é relativa, ainda que prefira atuar de meio-campista. O Marca fez um levantamento afirmando que, nesse sistema, a Fúria marca mais gols.
As prováveis escalações, segundo o Marca

Há quatro meses, o duelo, válido pelas quartas-de-finais da Euro, foi naturalmente estudado durante boa parte da primeira etapa. Amanhã deve ser diferente. Com as duas seleções dividindo o poderio de favoritas do grupo, o confronto tende a ser mais disputado. Ainda mais pelo fato de haver mais uma partida a ser feita entre eles, daqui a um ano, o que mostra que tanto França quanto a Espanha devem ousar mais. Ninguém tem convicção de que a dupla irá superar Geórgia, Finlândia e Bielorrúsia.

As lesões de Piqué e Puyol deixa a defesa espanhola sem seus donos. Del Bosque tem Raúl Albiol à disposição, mas deve optar pela improvisação de Busquets, como no confronto de sexta. O treinador, também, não sabe se irá contar com Sergio Ramos, com desconfortos musculares. Embora o andaluz esteja apto pelo departamento médico, Del Bosque afirmou que só irá se decidir em última hora, pois não pretende forçar seu uso. No ataque, após a ótima atuação com direito a hat-trick ante a Bielorrúsia, Pedro larga na frente de Villa e Jesus Navas para iniciar o jogo. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Sakho é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e PSG pelo fato do gunner não viver boa fase. A capacidade de Pedro de se infiltrar nas defesas adversária  pode ser a chave da vitória espanhola. Xavi, que irá atuar no setor onde mais gosta, provavelmente irá abusar das bolas lançadas às costas de Debuchy.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja desfalque, Matuidi  pode substituí-lo em alto nível. A tendência é o meio-campo francês sentir-se mais "à vontade" em relação ao confronto de junho pelo fato do meio-campo espanhol estar desfalcado de seu principal marcador, Busquets. Com Xabi Alonso, que não é marcador nato, jogando de primeiro volante e organizando o time à frente da defesa, a Fúria fica mais "exposta". O contra-ataque francês exigirá concentração da defesa Roja. Ribéry, à esquerda, deve centralizar para criar jogadas, trocando posição com Benzema, que, assim como contra o Japão, irá jogar no auxílio ao centroavante Giroud. Menéz, à direita, irá dar trabalho extra ao ofensivo Alba, que terá que fazer uma marcação semelhante a que fez em Di María, no superclássico - onde se saiu bem, diga-se de passagem.

A França perdeu para o Japão num lance de azar na última sexta-feira. Os Bleus controlaram a partida, tiveram quase 60% da posse de bola, mas sofreram um contra-ataque fatal que resultou no gol de Kagawa. Amanhã, a equipe de Blanc irá trabalhar como os nipônicos. Vicente Del Bosque sabe disso. A seleção espanhola tem armas mais do que suficientes para levar os três pontos, mas a França, como bem disse Iniesta, promete dificultar e muito a vida dos atuais campeões mundiais e europeus.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

David e Fernando

Juntos novamente? De titular, será difícil (getty images)

Principais jogadores do título europeu de 2008, David Villa e Fernando Torres formaram uma das duplas mais legais e letais de ataque entre 2006 e 2009. Um tem 30 anos, maior goleador da história da seleção, marcou cinco gols na última Copa e um na final da Champions League 2010/2011. O outro tem 28 anos, histórico goleador na Inglaterra, a grife de uma transferência de £50 milhões e um grupo acolhedor e paciente diante de seu fracasso inicial. Seu carisma é enorme e, mesmo não vivendo boa fase, terminou a última Eurocopa com a chuteira de ouro pelos três gols e duas assistências. O que, há três anos, parecia que não iria acontecer, hoje é a realidade: no atual time titular da Espanha, os dois brigam por uma vaga.

Desde que assumiu a Espanha em meados de 2008, Vicente Del Bosque optou por povoar o meio-campo. A ascensão de Busquets no Barcelona caiu como uma luva para o treinador, que também passou a dar mais oportunidades a Xabi Alonso no onze inicial em dentrimento de Marcos Senna. O setor ganhou em passe, mas perdeu em combate. Até hoje, a Fúria entra em pane se sofrer um contra-ataque - a semifinal contra Portugal mostrou o caminho. A atitude teve consequências no ataque e abriu um dilema ao madrilenho: abdicar de Iniesta ou Fernando Torres e Villa? Inicialmente, os três jogaram juntos num 4-2-3-1 que teve o Guaje à esquerda, Iniesta à direita, Xavi centralizado e Fernando Torres como referência, o que já mudou totalmente a parceria entre os dois, que ficaram distantes um do outro.

No entanto, a segunda opção começou a ganhar mais força quando El Niño entrou numa longíqua má fase. A reta final da Copa do Mundo, aliás, teve Pedro como titular e Villa escalado como centroavante, justamente onde menos rendeu na África. O pós-Copa trouxe mais situações desconfortáveis à dupla. Mais pragmática e menos goleadora, a Espanha sentia - e ainda sente, diga-se de passagem - claramente a falta de um artilheiro como Torres, que, a cada jogo, oferecia menos resistência. Llorente, que ganhou algumas chances, mostrou mais trabalho que o canterano colchonero. Como não houve boas respostas em campo, Del Bosque cortou a sequência do camisa nove e abriu, também no ataque, espaço ao que repaginou a Roja e criou armadilhas ao inimigo: as improvisações. Na Euro, Fàbregas foi falso nove durante boa parte da competição. Até David Silva foi centroavante por um dia.

Ainda que tenha bastante moral com o treinador, a lesão de Villa tirou seu status de craque do time. Hoje, ele pertence a Iniesta, melhor jogador da Europa em 2012. El Albino atua cada vez melhor aberto à esquerda do ataque no 4-3-3 e não dá margem a Del Bosque mudá-lo de posição. Na direita, David Silva, que há dois anos reclamou publicamente de não receber chances, é outro que se destaca. Ou seja: atualmente, Villa e Fernando Torres disputam uma das vagas no ataque. Hoje, na estreia da Espanha nas Eliminatórias para a Copa de 2014, o titular, no entanto, foi Soldado, que ficou em campo os noventa minutos e marcou o gol da suada vitória ante a Geórgia, por 1x0. Se Villa, que já deixou claro que prefere jogar numa das pontas, cai de rendimento quando atua centralizado, a lógica é imaginar Fernando Torres largando à frente. Mas Del Bosque é coerente: se Soldado, Llorente ou, seja lá quem for, estiver melhor, ele não terá "vergonha" de deixar a dupla, por mais querida que ela seja, no banco.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aprendeu, Del Bosque?

 "Dois gols tá bom ou você quer mais?", poderia ter dito Fernando Torres a Del Bosque (getty images)

Antes da estreia na Eurocopa contra a Itália, Vicente Del Bosque se expressou utilizando todas as palavras: não usaria o modo Barcelona de jogar, com um falso nove. Puro blefe. Abdicou de Llorente, Fernando Torres e Negredo e foi a campo com Fàbregas na referência. O meio-campista do Barcelona (meio-campista, é bom deixar claro) marcou, mas a Roja penou para bater a meta defendida por Buffon. Só marcou porque abusou de seu estilo de jogo na jogada, com troca de passes e triangulação entre Iniesta, David Silva e Fàbregas. Minutos depois, Vicente sacou Cesc e colocou Fernando Torres. Em menos de 30 minutos, El Niño criou três oportunidades claras de gols. 

Não obstante, o treinador campeão mundial recebeu uma chuva de críticas após o duelo. Até José Mourinho e Luis Aragonés trataram de criticar a escalação inicial. O madrilenho manteve a calma e até acenou com a possibilidade de atuar novamente com a mesma escalação ante a Irlanda. Novamente, puro blefe. Dessa vez, positivo. Em relação ao jogo contra os italianos, uma única mudança: saiu Fàbregas e entrou Fernando Torres. Uma troca substancial. Não que Fàbregas seja mau jogador, muito longe disso. Acontece que não há como escalá-lo como centroavante. É abdicar das principais características dele. Fica longe da fluência de jogo no meio-campo, do tiki-taka feito pelo setor e, principalmente, da armação das jogadas, que, a bem da verdade, foi muito bem feita por Xabi Alonso contra a Irlanda.

A seleção de Trapattoni nada pôde fazer para segurar o ímpeto espanhol. Conhecido por armar bem uma boa retranca, como um bom e velho italiano, o treinador vê seus comandados decepcionarem. A Irlanda da Eurocopa é a antítese daquela das Eliminatórias. Sentindo o peso da competição, atua em um baixo nível e não consegue segurar os ataques rivais. Havia sofrido com os contra-ataques da Croácia e perdeu a cabeça ante o jogo de troca de passes espanhol. "Foi um golpe psicológico", como apontou José Capdevila, editor-chefe do Diário Sport. Daniel Leite, colunista de futebol inglês do IG, escreveu bem sobre a seleção e a definiu perfeitamente: Trapattoni prioriza a experiência em detrimento do talento. Em momento algum sabe o que fazer com a bola nos raros momentos em que a tem nos pés. Sai do torneio de forma decepcionante, já que o ferrolho que a caracterizou nas eliminatórias não foi eficiente em momento algum. 

Para a Espanha, valeu por três nomes. David Silva reencontrou seu bom futebol. Marcou uma vez e assistiu duas. Dos cinco gols espanhóis em solo ucraniano, participou de quatro. Ainda pode aparecer mais, mas sua evolução é notória. Há duas semanas, escrevi que ele, junto a Iniesta, seriam os candidatos a destaques da seleção e da competição. Quem começa a entrar nessa galeria é justamente o blaugrana. O melhor em campo contra a Itália voltou a repetir uma exibição positiva. Driblou, tocou, chutou. Para esse colunista, é, ao lado de Schweinsteiger, Pirlo e Dzagoev, o craque dessa edição da Eurocopa. 

O maior destaque, contudo, não poderia ser diferente de Fernando Torres. Há dois meses, tinha sua participação na competição colocada em xeque. Após uma temporada negra no Chelsea, sua reta final teve lampejos do velho Torres. O gol contra o Barcelona em pleno Camp Nou, pelo visto, valeu para recuperar a confiança de um dos melhores matadores dos últimos anos. Dentro das quatro linhas, ratificou a confiança de Del Bosque. Se movimento, saiu de fora da área várias vezes para participar das linhas de passes, abria espaço para as infiltrações de Iniesta, Silva e Xavi e marcou duas vezes. Sua boa partida é uma excelente notícia para a Espanha. Agora, a Roja pode contar com um centroavante de confiança e parar de ver as improvisações de meios-campistas no ataque. Com quatro pontos, joga por um empate contra a Croácia para avançar de fase.

domingo, 10 de junho de 2012

O erro de Del Bosque

 Vicente Del Bosque sério: no momento, não há motivos para risadas (getty images)

Enquanto treinador da seleção brasileira, Dunga fora severamente criticado por abraçar seu grupo e não fazer mudanças nele de jeito nenhum, não importando a fase de outros jogadores. O treinador, também, era bastante criticado por não repensar nos seus ideais, mesmo estando fora de validade. No Hemisfério Norte, há quem viva situação semelhante. A imagem de Vicente Del Bosque com os meios de comunicações espanhóis, antes mesmo da Eurocopa começar, não era das melhores, mas o fato da Fúria vencer, mesmo não convencendo, blindava e escondia as críticas. Bastou uma jogo fora do eixo para isso explodir.

Durante a semana, especulava-se bastante sobre como o treinador madrilenho iria a campo para encarar a Itália. Em sua primeira coletiva em solo ucraniano, Del Bosque chegou a afirmar que o Barcelona é uma de suas inspirações, mas que não copiaria todo o estilo de jogo blaugrana, sobretudo o fato de usar um falso nove (no caso do Barça, Lionel Messi), pois queria um centroavante de velocidade para poder entrar em sincronia com os meio-campistas nos contra-ataques, principalmente. A declaração chamou a atenção e deixou mais dúvidas no ar: se Fernando Torres e Llorente não se encaixam nesse perfil de referência proposta pelo treinador, Negredo, sua última opção, começaria jogando? O Mundo Deportivo chegou a confirmar a escalação da Roja com o andaluz, o que levava a um novo debate: se, no Sevilla, suas atuações mais abaixo do nível foram jogando exatamente como única referência, qual motivo levaria Del Bosque a utilizá-lo nessa posição num jogo importante de Eurocopa? E outra: se a proposta de jogo, a partir de agora, seria essa, por que o corte de Soldado, que se encaixe perfeitamente nesse estilo?

Porém, tudo não passava de um blefe. Mesmo desmentindo, a escalação inicial não teve nenhum atacante. O madrilenho foi a campo com Fàbregas de falso nove, surpreendendo a muitos. Uma escalação bastante controversa, principalmente pelo fato da Espanha ter criado muito poucas ocasiões na primeira etapa. Apesar de ter feito o gol (que, vale comentar, pareceu de um centroavante), Fàbregas parecia perdido. No Barcelona, chegou a ser testado por Pep Guardiola na posição duas vezes, onde não saiu-se bem. O próprio Del Bosque tem o exemplo negativo, quando utilizou David Silva na posição contra a Inglaterra na derrota por 1x0. O "4-6-0 ", dito por Muricy Ramalho, de fato não dá certo na seleção espanhola. Talvez para tentar surpreender Cesare Prandelli, treinador da Itália, Del Bosque tenha optado por essa escalação, que não deve ser iniciada contra a Irlanda.

A imprensa europeia, no geral, foi contra a falta de referência e até personagens como José Mourinho e Luis Aragonés criticaram o futebol exercido pela Roja. " Não é bom só toque de bola entre Xavi, Iniesta e Cesc sem que se crie uma ameaça a Buffon. É claro que houve um grande esforço dos meias espanhóis, mas sem um centroavante a Espanha teve um ataque estéril", disse o português. Para Aragonés, a fórmula de um falso nove funciona no Barcelona porque Messi é o jogador utilizado para desempenhar a função. O treinador campeão com a Fúria foi sintético e claro em suas declarações. Mesmo tendo desperdiçado três oportunidades, o uso de Fernando Torres (ou Llorente) é obrigatório. El Niño pode não ter feito gol, mas a zaga da Itália entrou em apuros depois que ele entrou. Referência ofensiva deixou De Rossi perdido. O jogador da Roma fez um primeiro tempo impecável e foi o melhor em campo ao lado de Iniesta, que recebeu a honraria da Uefa.

O preciosismo espanhol na hora da arremate final também foi um ponto negativo. A Espanha foi técnica e envolvente, mas quase sempre preferiu o passe ao chute. Xavi, Iniesta, Fàbregas e Silva entravam tocando e promovendo intensa movimentação, mas demoravam a concluir. Algo que vem chamando a atenção desde a Copa do Mundo, mas que Del Bosque insiste em continuar deixando passar batido. Diante de uma Itália que defendia no 5-3-2 – com De Rossi na sobra da zaga e os laterais Maggio e Giaccherini mais contidos – e só arriscava nos passes longos de Pirlo para Balotelli e Cassano, a campeã europeia e mundial não encontrava soluções ofensivas. Com  Arbeloa e Jordi Alba muito conservadores no apoio e Xabi Alonso organizando de trás, não havia o elemento surpresa para desmontar a marcação. 

Xavi, fora de sua posição no 4-3-3 espanhol, passou despercebido. Quem também decepcionou foi David Silva. Apesar da assistência linda para Cesc marcar, o camisa 21 pode atuar melhor do que ontem. Outro emblema da seleção é o fato de não aproveitar uma das principais jogadas do Barcelona. Enquanto os blaugranas são avassaladores e esmagam seus adversários por aproveitaram, à perfeição, as entradas em diagonais e as infiltrações pelos flancos, na Fúria a jogada inexiste. Para muitos, o principal motivo para os catalães golearem e a Fúria ser mais pragmática. Quinta-feira, a Espanha volta a campo e espera espantar todas as dúvidas colocadas em xeque após o empate na estreia. Enquanto isso, as dúvidas também permanece sobre a escalação. Del Bosque vai fazer jus às palavras e não jogar com um falso nove?

sábado, 24 de março de 2012

Quem quer ser o 9?


A menos de três meses da estreia na Eurocopa 2012 contra a Irlanda, a posição de centroavante no grupo espanhol está mais aberta do que nunca. A disputa mantém uma competência constante entre os cinco principais atacantes espanhóis no momento. A decisão não é facil e as diferenças entre eles são claras. Até o dia 15 de maio, data em que se conhecerá por parte de Vicente Del Bosque a lista definitiva para a competição, David Villa, Fernando Torres, Álvaro Negredo, Roberto Soldado e Fernando Llorente deverão convencer ao treinador nacional que é a melhor opção para ser a referência da Roja.

A lógica é que Del Bosque leve dois atacantes à Euro, mas existem outras opções que não se podem descartar. Esses planos alternativos aos principais terão maior ou menor peso em função do estado físico dos cinco supracitados acima nas semanas prévias ao segundo principal torneio de seleções. As deveras utilizações de Fàbregas como falso nove no Barcelona, as aparições de nomes como Muniain e Adrián e a polivalência de jogadores como Silva e Iniesta poderiam até descartar a opção de jogar com uma óbvia referência. Entretanto, parece improvável que o treinador madrilenho opte por uma dessas opções, embora seja importante lembrar. Há, também, a dúvida quanto a parte tática. Del Bosque não sabe se joga no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 utilizado na reta final da Copa do Mundo.

Deste modo, e salvo algum imprevisto maiúsculo, o treinador campeão europeu com o Real Madrid deverá depositar em um desses cinco nomes suas esperanças de gols na busca pelo bi da Eurocopa. A incógnita quanto ao estado de Villa, a desastrosa temporada de Fernando Torres, a falta de experiência de Soldado em competições desse nível, a brusca queda de produção recente de Negredo e o perfil de Llorente levam o treinador a um dilema e abre um debate: quem deverá ser o '9' na Polônia e Ucrânia? Abaixo, o que os candidatos têm contra e a favor para ganhar a disputa.

David Villa
El Guaje vem fazendo um trabalho específico para chegar em forma à competição. Há algumas semanas, declarou que seu maior desejo é disputar a Eurocopa e poder ajudar o Barcelona na reta final da temporada. Na temporada, foram 15 jogos disputados (893 minutos) e 7 gols.

A favor: É o maior goleador da história da seleção, é decisivo em momentos cruciais e, em condições de jogo, sua presença é indiscutível. Unanimidade, não tem nem discussão se será titular ou não caso vá ao torneio.
Contra: Sua lesão no Mundial de Clubes, em dezembro, manteve-o inativo durante quase toda a temporada. Há quem diga que seja bastante difícil que chegue a tempo de disputar a competição.

Fernando Torres
Sua discreta temporada valeu até pela exclusão na última partida da Espanha, ante a Venezuela. Del Bosque citou que foi um alerta a El Niño, mas deixou claro que, se possível, irá sim deixá-lo de fora da competição. O apelo do povo espanhol já não é tão grande, como em outras ocasiões. Há uma semana, voltou a reconciliar-se com as redes, marcando dois gols contra o Reading, pela Copa da Inglaterra. Na temporada, foram 22 jogos disputados (1232 minutos) e apenas 5 gols.

A favor: Del Bosque o esperou até o último momento na Copa do Mundo e não hesitará em fazê-lo novamente, apesar de suas últimas declarações. Além disso, conta - e muito - com a confiança do treinador.
Contra: Dentre os cinco, é o que tem menos gols. Ficou quase seis meses sem marcar um golzinho sequer

Fernando Llorente
Presente habitualmente nas listas de Del Bosque, faz uma temporada muito boa. Mantém uma relação de amor com as redes e contribui de maneira decisiva para a temporada positiva do Athletic Bilbao. Na temporada, foram 23 jogos disputados (1782 minutos) e 19 gols.

A favor: Provavelmente, é quem faz melhor temporada entre os candidatos. Vive um grande momento, é um homem gol sedento por ir às redes e é presença indiscutível nas listas de Del Bosque.
Contra: Por não ter a velocidade como principal característica, foge do perfil de jogo proposto por Del Bosque. Ironicamente, é quem menos se encaixa no sistema e na forma de jogar da Fúria.

Roberto Soldado
Seu melhor argumento é marcar gols. Tem 20, sendo o atacante espanhol com mais número de gols na temporada. Contra a Venezuela, praticamente garantiu sua vaga no plantel anotando um hat-trick. Na temporada, foram 26 jogos disputados (2150 minutos) e 20 gols.

A favor: É o máximo goleador espanhol na temporada e aproveitou sua única oportunidade que teve com Del Bosque.
Contra: A principal desvantagem de Soldado perante os outros concorrentes é o fato de não ter sido testado outras vezes. A falta de partidas contra seleções de alto nível em seu histórico é bastante relevante.

Álvaro Negredo
Individualmente, o sevillista vinha em boa temporada. Porém, o fato de sua equipe estar fazendo uma temporada muito irregular acaba gerando consequência drásticas no desempenho de Negredo. Nos últimos meses, caiu de produção. Na temporada, foram 20 jogos disputados (1535 minutos) e 6 gols.

A favor: Foi a alternativa habitual nas ausências de Torres ou Villa. É totalmente adaptado ao grupo e ao esquema proposto por Del Bosque.
Contra: Seu recente histórico de lesões provocou uma queda considerável no rendimento. É muito provável que não chegará em seu melhor momento na temporada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Coragem para mudar

Del Bosque lamentou, mas foi obrigado a não convocar Fernando Torres, evidenciando que o jogador não é mais seu plano A na Euro (reuters)

Na Copa do Mundo, Vicente Del Bosque teve medo de constatar a óbvia superioridade de Pedro e Llorente sobre um Fernando Torres para lá de omisso. Em benefício de uma tática que desse mais espaço para Villa jogar pelos flancos do campo, onde mais brilhou na competição da África do Sul, relegou ao banco, injustamente, o centroavante do Athletic Bilbao, que havia feito uma temporada superior a de El Niño e, além disso, havia jogado melhor nos amistosos pré-Copa. A fase negra do à época atacante do Liverpool levou o treinador campeão europeu pelo Real Madrid a fazer algo que não estava em seus planos: mudar o posicionamento de Villa, escalando Pedro, e levando Torres ao banco de reservas.

Foi assim contra Alemanha e Holanda, nos dois jogos finais da Fúria no caminho à taça. Villa, antes com mais liberdade, passara a ser a referência de Xavi, Iniesta e Xabi Alonso, enquanto Pedro passara a atuar à Villa. O canário não decepcionou (excluindo o fato do lance individualista e com um toque de inexperiência contra a Alemanha - que, ironicamente, poderia acabar em gol de Fernando Torres, que acabara de entrar no lugar do Guaje), mas não fora tão decisivo quanto o camisa sete, autor do gol da classificação contra Paraguai e Portugal. O barcelonista, por sua vez, teve uma queda no rendimento. Muito preso aos zagueiros adversários, não marcou em nenhuma das duas partidas, tendo uma chance real de comemorar um tento somente na final.

Hoje, ao revelar a lista de convocados para o amistoso contra a Venezuela, que será disputada na quarta que vem, em Málaga, Del Bosque evidencia que Fernando Torres não é mais seu plano A. E, também, que o medo de não escalá-lo já passou: se for preciso, como contra Inglaterra, República Tcheca e Escócia, em 2011, até improvisar David Silva e Fàbregas como falso nove vale mais a pena. Na coletiva, comentou a não convocação do atacante do Chelsea. "Torres não está bem. Me doeu deixar de fora, mas não posso ser injusto com quem está melhor no momento e merece convocação", disse, referindo-se a Llorente, que já é convocado, e Soldado, este convocado pela primeira vez em cinco anos, a primeira com Del Bosque.

O treinador deixou claro que "a lista é uma base para a Euro, mas não é definitiva". Ou seja: a volta de Torres é plausível, mas El Niño terá que suar. Soldado e Llorente, atualmente, fazem temporadas totalmente superiores a um atacante de clube top que marcou apenas 3 gols na temporada. A moral com a torcida, que o idolatrava tanto, também está caindo por água abaixo. Em enquete do Marca, 89% concordaram com a ação do treinador de não convocar Torres. É a primeira vez que o jogador fica fora, sem ser por lesão, desde 2006, quando o técnico ainda era Luis Aragonés. Com 91 jogos pela seleção, Fernando Torres tem rendimento baixo no Chelsea, onde perdeu a posição de titular mais uma vez. O atacante está há 24 partidas consecutivas sem marcar um gol.

É cedo para projetar com exatidão o futuro do canterano colchonero na seleção, mas alguns pontos têm que ser destacados. A seleção parece não ter se adaptado ao 4-3-3 com Iniesta aberto pela esquerda, Villa na referência e Silva à direita; Busquets, Xabi Alonso e Xavi não emplacaram e sentiram a ausência de Iniesta no setor; e as improvisações de Fàbregas e Silva como falso centroavante não deu certo quando a Fúria enfrentou uma seleção de nível maior (Inglaterra). Um Torres em condições faz falta. A partida contra a Venezuela vai servir para Vicente Del Bosque testar Llorente. A indefinição tática ainda prossegue. Mesmo insistindo no 4-3-3, a tática que mais deu retorno no pós-Copa foi o 4-2-3-1. Sem Villa, Llorente seria o nome perfeito para fazer a função de referência numa tática com a qual está acostumada.

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), Victor Valdés (Barcelona), Pepe Reina (Liverpool-ING);
Defensores: Álvaro Arbeloa (Real Madrid), Sergio Ramos (Real Madrid), Gerard Piqué (Barcelona), Carles Puyol (Barcelona), Jordi Alba (Valencia), Andoni Iraola (Athletic Bilbao), Javi Martinez (Athletic Bilbao);
Meio-campistas: Xabi Alonso (Real Madrid), Thiago Alcântara (Barcelona), Cesc Fàbregas (Barcelona), Sergio Busquets (Barcelona), Santi Cazorla (Malaga), Xavi (Barcelona), Andrés Iniesta (Barcelona);
Atacantes: David Silva (Manchester City-ING), Iker Muniain (Athletic Bilbao), Roberto Soldado (Valencia), Fernando Llorente (Athletic Bilbao), Juan Mata (Chelsea-ING), Jesus Navas (Sevilla), Alvaro Negredo (Sevilla).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Considerações finais

David Silva aponta para o céu: melhor do jogo, El Mago deverá ser titular na Euro (AP Photos)

A Espanha encerrou hoje a fase eliminatórias para a Eurocopa de 2012. E, assim como no jogo contra a República Tcheca, a Fúria jogou centrada na partida, buscando o resultado mesmo com a classificação à fase final garantida, do jeito que Del Bosque havia pedido na coletiva de quinta-feira. A roja alinhou uma equipe com jogadores diferentes dos habituais, com as estreias oficiais de Jordi Alba, na lateral esquerda, e Víctor Valdés no gol. As outras mudanças em relação ao confronto contra os tchecos foram as entradas de Cazorla, que voltou à Roja, no meio-campo e Pedro e David Villa no ataque. O placar, que interessava mais a Escócia, que entrara em campo com possibilidades de classificação à repescagem, acabou numa boa vitória dos comandados de Del Bosque: 3 a 0, com show de David Silva, autor de um doblete e de uma assistência para Villa.

A excelente partida de Silva somada, mais uma vez, a escolha pelo 4-3-3 (que hoje pareceu um 4-3-1-2), tática que vai se consolidando e deverá ser usada na Polônia e Ucrânia, no ano que vem, reabre uma uma velha discussão: deverá Fernando Torres ser titular? A grande partida de David Silva, melhor em campo, influi diretamente no uso (ou não) de Fernando Torres, que ficou no banco de reservas durante os noventa minutos. Jogando à Messi no Barcelona e revezando posição com Cazorla, adiantado à ponta pelo lado esquerdo, Silva ratificou seu excelente início de temporada: já são quatro gols e nove assistências. O meio-campista, que havia cobrado publicamente um espaço na Espanha, mostrou estar certo: deverá ser titular na Eurocopa, provavelmente. Com moral no país, Silva vem ganhando a simpatia da imprensa. O Diário Sport, exageradamente, deixou no ar: A Espanha achou o seu Messi, em referência ao fato de El Mago ter jogado como um enganche. Alfredo Relaño, editor-chefe do AS, já cobra a titularidade do mancuniano.

Um dos estreantes da noite, Jordi Alba convenceu e ganhou pontos com Del Bosque. O lateral do Valencia teve um notável debut com a Roja. Sobrio na defesa e incisivo nos ataques, Alba aproveitou a chance dada por Del Bosque. Autor da assistência ao primeiro gol de Silva, certamente o lateral ché deverá figurar em outras convocações do treinador madrileño, visto que Capdevila está em baixa com o treinador desde sua transferência ao Benfica. Víctor Valdés, por outro lado, teve uma atuação digna de nota seis. Pouco acionado, o goleiro cometeu pênalti bobo em Naismith, que Goodwillie converteu. Três minutos depois, o catalão apareceu positivamente, fazendo boa defesa em chute de Smith.

Notícias referente ao pós-jogo devem ter deixado o Barcelona preocupado. Sofrendo com lesões neste início de temporada (já foram 22 em apenas dois meses de competição), os azulgrenás deverão ter mais dois jogadores no estaleiro: Xavi e Piqué foram substituidos por desconfortos e exames médicos que serão feitos amanhã deverão confirmar a gravidade da lesão. Villa, por sua vez, tomou um chute no dedo de Berra, mas não preocupa muito. Se a vitória não mudou muita coisa na tabela do grupo, ao menos serviu para a Fúria alcançar uma nova marca: a Roja igualou o recorde de 14 vitórias consecutivas, que a seleção francesa, em 2004, e a holandesa, em 2010, haviam conseguido antes. A última derrota oficial da seleção espanhola foi justamente na Copa do Mundo de 2010, na estreia contra a Suiça.

sábado, 8 de outubro de 2011

Foco na missão

Fúria mantém o 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (reuters)

Na coletiva antecedente ao jogo contra a República Tcheca, Vicente Del Bosque havia dito que sua equipe iria entrar em campo centrada na partida, mesmo com o objetivo já cumprido, que é se classificar à fase final da Eurocopa. E seus comandados cumpriram à risca o pedido do treinador: com a cabeça no jogo, venceram com tranquilidade os tchecos por 2 a 0, chegando a 21 pontos dos 21 possíveis. A boa notícia foi as notáveis exibições de David Silva e Juan Mata, reservas que vivem excelentes fases em seus clubes na Premier League e aparecem com boas opções para o torneio. Além disso, é só mais uma prova que Del Bosque tem nas mãos um elenco em profundidade, com jogadores reservas que, quando entram no onze inicial, sabem o que fazer.

Jogando em um 4-3-3 que se transformava em um 4-5-1, a Espanha dominou por completo a partida. Tanto é que, com seis minutos, já vencia a partida por um a zero através de Xavi e Mata. O meia blaugrana, que jogou solto no meio-campo, lançou em profundidade e milimetricamente o meia do Chelsea, que chutou no contrapé de Peter Cech para abrir o placar. Com o placar aberto, esperava-se uma Espanha administrando a partida. Mas o bom jogo e a boa disposição em campo duraram por muito mais tempo do que nas outras partidas, quando a Fúria costuma ter uma postura citada acima após abrir o placar.

Muito bem postada em campo, a Espanha continuava com o ímpeto ofensivo enorme. O adversário, desperado pelo empate e pressionado pela torcida, só assistia a troca de passes envolvente da Fúria. Para se ter uma noção maior, a seleção espanhola terminou a partida com uma porcentagem incrível de posse de bola: 81%, com 587 passes certos ao longo dos noventa minutos. O segundo gol não tardou a chegar: após dividir com Kadlec, Fernando Torres passou a bola meio que sem querer para um esforçado Silva, que, inteligentemente, levantou a cabeça e tocou com a parte externa do pé esquerdo para Xabi Alonso, solto no meio da área, bater à direita de Cech para marcar o segundo gol espanhol. Um balde de água fria para os torcedores tchecos que, antes da partida, confiavam na vitória de sua seleção.

A República Tcheca cometeu um erro primário: entregou de graça a bola à Roja. Busquets, Xabi Alonso, Xavi, David Silva e Mata domaram o meio-campo. O ataque foi o problema. Fernando Torres não aproveitou a chance dada por Del Bosque e parece cada vez mais distante da titularidade na Polônia e Ucrânia em 2012. Villa, que entrou no segundo tempo no lugar do Niño, deu mais mobilidade ao ataque, acertando duas bolas na trave. A postura exercida no segundo tempo foi a supracitada acima: a República Tcheca chegou a ensaiar uma reação, mas não passou de um perigoso chute de Baros defendido por Casillas. O lance crucial do segundo tempo aconteceu aos vinte e dois: Hübschmann chegou dividindo com Xabi Alonso e, por pouco, não quebrou a canela do volante. O tcheco foi expulso imediatamente e mostrou-se bastante culpado pelo lance (concordou com a expulsão e pediu desculpas a todos os espanhóis após o jogo).

Xabi imediatamente saiu de campo e ainda não se sabe a profundidade de sua lesão. A imprensa madrilenha especulou que Mourinho teria ligado a Del Bosque pedindo para que não forçe seu jogador na terça-feira, quando a Fúria encara a Escócia em jogo que promete ser pegado. Outros dois merengues também saíram de campo lesionados: Raúl Albiol e Sergio Ramos estarão inaptos para o duelo contra os escoceses. Enquanto isso, Fernando Torres não aproveitou bem sua chance, David Silva o fez com louvor. Após cutucar o treinador há duas semanas, quando havia dito que só não é titular pelo fato de não jogar no Barcelona ou no Real Madrid, El Mago jogou com tranquilidade no meio-campo e ainda deu uma assistência. E é assim que a Espanha vem firme e forte para a manuntenção do título europeu.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A noite de Diego Alves

O gol foi de Soldado, mas o principal responsável pelo empate do Valencia contra o Chelsea foi Diego Alves (getty images)

Contratado por 6 milhões de euros junto ao Almería, Diego Alves começou a temporada relegado ao banco de reservas do Valencia. A preferência por Guaita sempre foi clara em Unai Emery, que só havia utilizado o brasileiro apenas uma vez antes (contra o Genk, também pela Champions League). Ontem, Diego Alves foi titular novamente e ganhou, certamente, muitos créditos com o técnico: foi, de fato, El Paredón e parou quase todos os ataques do Chelsea, garantindo o empate do Valencia no Mestalla.

Os ingleses foram os primeiros a assustar, e com um espanhol. Fernando Torres recuperou a bola no ataque, invadiu a grande área, mas foi desarmado por Adil Rami aos três minutos. Pouco depois, aos 14, Frank Lampard em cobrança de falta obrigou o goleiro brasileiro Diego Alves a fazer grande defesa. A primeira chance do Valencia só veio aos 26 minutos, quando Jordi Alba cruzou na área e Pablo Hernández desperdiçou uma ótima oportunidade de gol.

No segundo tempo o Chelsea voltou com tudo, pressionando demais o Valencia. Aos seis e nove minutos, Diego Alves salvou duas finalizações de Fernando Torres. Mas aos 11 não teve jeito: Florent Malouda cruzou na área e Frank Lampard bateu cruzado para fazer 1 a 0. Após levar o gol, os donos da casa melhoraram e passaram a atacar mais, principalmente por conta das entradas de Pablo Piatti e Jonas. E finalmente, aos 42 minutos, o Valencia conseguiu a igualdade: Salomon Kalou cometeu pênalti e Roberto Soldado deixou tudo igual.

Messi à Kubala
O outro representante espanhol a entrar em campo nesta quarta-feira foi o Barcelona. E, apesar da goleada por 5 a 0 frente ao Bate Borisov, da Bielorrúsia, a principal notícia da noite foi o fato de Messi, com um doblete, ter alcançado a marca de 194 gols de Kubala, tornando-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona.

A vitória dos blaugranas foi desenhada com tranquilidade desde o começo da partida. Contra um Bate deveras ingênuo na marcação, incapaz de acompanhar a movimentação de um time que encontra espaços onde não parece existir, o placar ficou até barato para o time da casa. Prova maior da ingenuidade bielorrussa foi o fato de três dos cinco gols terem saído por falha diretas da equipe.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Euro é ali

Xavi e Iniesta foram os nomes da Espanha, que conseguiu a classificação à fase final da Euro (reuters)

A Espanha está classificada para a fase final da Eurocopa 2012 - assim como as potenciais favoritas Alemanha, Itália e Holanda. E depois deste ponto final, os espanhóis entrarão no torneio que Polônia e Ucrânia sediarão disposto a brigar firme pela manuntenção do título. Entretanto, o time de Vicente Del Bosque não fez frente àqueles que serão seus principais adversários pela disputa do título. Após o título da Copa do Mundo, a Fúria, é verdade, não perdeu nenhum jogo oficial, mas em amistosos contra seleções de alto nível não venceu nenhum.

Para início de conversa, Del Bosque lançou a campo o 4-3-3 que deveria ter lançado em jogos anteriores. Ao invés de adiantar Iniesta, dessa vez o treinador madrileño optou por colocar na primeira linha de três Xabi Alonso, Xavi e Iniesta. E os blaugranas, que jogam por música, domaram Liechtenstein. Outro blaugrana que ganhou destaque foi Thiago Alcântara. O jogador debutou oficialmente com a camisa Roja e acabou com as -mínimas - chances de jogar um dia pela seleção brasileira.

A nota negativa ficou por conta do corte de Fernando Torres, aparentemente por opção técnica. Em uma má fase longiqua, El Niño Torres vai perdendo moral até com aquele em quem sempre foi uma aposta. Negredo, seu substituto, não deixou a chance escapar: anotou duas vezes, confirmou o ótimo início de temporada e aparece como boa opção para continuar jogando como referência no ataque - apesar de, no Sevilla, atuar mais pelos flancos do campo. David Villa, por sua vez, voltou a marcar após quatro jogos em branco e, além disso, superou Raúl novamente: El Guaje possui uma média goleadora maior que a do ídolo blanco, que marcou 43 vezes em 102 ocasiões. Villa precisou de apenas 78 jogos para marcar 46 gols.

O jogo
Logo aos três minutos, Negredo, que foi o nome do jogo, avançou com total liberdade na fraca defesa adversária, que não esboçou reação. O chute, no entanto, saiu pela linha de fundo. Nos minutos seguintes, a Espanha continuaria mostrando o motivo de merecer a classificação antecipada para a competição continental e chegou perto de abrir o placar aos cinco, aos nove, aos treze e aos vinte, todas não aproveitadas por Villa e Negredo, que se entrosaram com muita facilidade no setor ofensivo da Fúria, que teve calma para abrir o placar.

Xavi buscou uma bola no campo de defesa e muniu Negredo que, aos 34 do primeiro tempo, fuzilou o goleiro Jehle e anotou o primeiro da Espanha. Com a "porteira aberta", como se diz no mundo do futebol, os outros gols saíram sem tanto sofrimento. O próprio Negredo, que participou de chance clara de gol aos 36, aumentou o placar no minuto seguinte. Após passe de Iniesta, sempre com qualidade, Villa não foi "fominha" e muniu o artilheiro.

Ainda no primeiro tempo, Xavi fez o terceiro em cobrança de falta na qual o goleiro Jehle não se mexeu. O quarto gol sairia logo aos sete minutos da segunda etapa, confirmando a fragilidade do adversário. Em troca de passes entre Negredo e Sérgio Ramos, o lateral estava impedido, mas recebeu a bola e marcou o gol, que não foi anulado pela arbitragem. Com o hispano-brasileiro Thiago Alcântara em campo, a Fúria não diminuiu o ritmo e construiu outras chances reais para humilhar Liechtenstein, que só assistia os gênios da bola trocarem passes e aguardarem o momento de surpreender o camisa um.

A partir dos 15 minutos, era a vez do outro artilheiro dar as caras. David Villa foi premiado duas vezes pela bela atuação. O segundo gol do camisa sete e sexto da Espanha, aos 34, sairia dos pés de Xabi Alonso, que cobrou falta e o deixou livre para marcar. Sem dar qualquer chance de reação aos liechtensteinianos, a Fúria foi superior do início ao fim, venceu por 6 a 0 e coroou sua classificação para a Eurocopa de 2012, em que pretende defender o título.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nada a temer

Italianos celebram o gol da vitória diante da Campeã Mundial. Apesar do revés, a seleção de Vicente Del Bosque continua firme no caminho certo (uefa.com)

O estádio San Nicola, casa do Bari, foi palco de um dos principais amistosos dessa quarta-feira de data FIFA. Com a pré-temporada na sua fase final e os jogadores ainda pregados fisicamente por causa dos inúmeros testes físicos, o Itália x Espanha de hoje não deixou a desejar. Para a campeã do mundo, nada que possa assustar. Para a Itália, a confirmação de que o caminho a seguir é este mesmo.

Vicente Del Bosque, respeitando acordos com Barcelona e Real Madrid, que disputam no próximo final de semana a Supercopa Espanhola, optou por uma escalação mista no início dos 90 minutos, abdicando de seu 4-3-3 utilizado após a Copa do Mundo para jogar no 4-2-3-1. Já Cesare Prandelli montou a Azurra em um 4-3-1-2, apostando em Montolivo, da Fiorentina, como trequartista.

A primeira etapa começou com amplo domínio dos donos da casa. Cassano, que jogava no estádio da cidade onde nasceu e que pertence ao clube que o projetou, investia forte em cima de Arbeloa pela esquerda defensiva da Fúria. Do outro lado, David Silva não acompanhava as subidas de Criscito ao ataque. E foi do quatro italiano a primeira real chance de gol, logo aos quatro minutos, quando Casillas viu tremer sua meta após um chutaço na trave vindo da entrada d'área. A Azurra era melhor e, em jogada pela esquerda, Criscito deixou o meia Montolivo cara a cara com o camisa um espanhol e o jogador da Fiorentina tocou por cima do goleiro, abrindo o placar para a Itália.

Quatro minutos depois, Fernando Torres - isolado no ataque e sem tocar na bola - aparentemente sentiu uma lesão muscular e deixou o gramado para a entrada de Fernando Llorente. Mas nada parecia fazer voltar o ritmo natural do jogo da Fúria, que acusava a falta de Xavi na meia cancha. A solução que Del Bosque achou para igualar o jogo foi pedir para o time marcar pressão o campo todo, o que gerou a primeira chance de gol espanhola com Cazorla, que chutou por cima do gol aos 33 minutos após jogada de Iniesta.

Logo em seguida, em jogada pela esquerda do próprio Cazorla, Llorente foi agarrado pelo braço por Chiellini: pênalti. Bola no meio do gol, Buffon caído para o lado esquerdo e gol de Xabi Alonso: 1 a 1. Ainda na primeira etapa, o selecionado italiano perdeu duas boas chances, uma com cada atacante: primeiro Rossi, depois Cassano pararam em grandes intervenções de Casillas. No último minuto, mais uma baixa na Fúria: Piqué sentiu desconforto muscular e deu lugar a Sergio Busquets. Problemas maiores para o Barcelona, porque o volante, ao término da partida, também deixou o estádio com problemas musculares.

Para a segunda etapa, Vicente Del Bosque continuou a poupar algumas de suas estrelas: saíram Iniesta, Casillas e Iraola para as entradas de David Villa, Victor Valdés e a tão aguardada estreia do menino Thiago Alcântara. As mudanças acarretaram algumas improvisações na equipe espanhola, nada que fosse alterar o 4-2-3-1 idealizado pelo comandante: Busquets, mostrando mais uma vez sua polivalência, jogou na lateral direita. Javi Martinez formou dupla de zaga com Albiol, enquanto Thiago jogou ao lado de Xabi Alonso na volância.

O ritmo italiano diminuiu na segunda etapa, o que facilitou o domínio dos campeões do mundo. David Villa e, principalmente, David Silva obrigaram Buffon a fazer pelo menos três boas defesas. Juan Mata, que entrou no lugar de Cazorla durante o segundo tempo, protagonizou o lance mais curioso do jogo: após centro da esquerda de Silva, o camisa treze conseguiu volear a bola, mas Llorente, que tentava sair da linha da bola ao jogar-se no chão, impediu a bola de chegar ao gol italiano.

Mas o castigo para o bom segundo tempo espanhol veio no final por intermédio de dois suplentes. Pazzini recebeu a bola na grande área e rolou para trás onde estava Aquilani, que chutou de primeira e contou com o desvio em Javi Martinez para enganar Valdés e dar a vitória para a Azurra. Balotelli e Bonucci ainda desperdiçaram chances de ampliar o marcador, cuja justiça apontaria para uma igualdade, já que os italianos começaram melhor, mas os espanhóis dominaram a segunda metade do amistoso.

Como podemos notar pela ausência no texto, a estreia de Thiago Alcântara na Fúria foi bem discreta. Atuando ao lado de Xabi Alonso, mais recuado que o de costume no Barcelona, e tendo que auxiliar a marcação pelo lado do improvisado Busquets no setor mais forte de ataque adversário, o jovem talento participou pouco das ações ofensivas espanholas. Ao que tudo indica, ele deverá ter uma continuidade no grupo de Vicente Del Bosque e pode receber chances na linha ofensiva que abstece o isolado atacante do esquema 4-2-3-1 da Fúria.

Outro destaque dos campeões do mundo no jogo foi David Silva, que parece estar disposto a recuperar seu futebol da época de Valencia. Silva merece menção pelo grande segundo tempo, quando trocou sistematicamente de posição com Cazorla e Mata, confundindo a marcação adversária.

A campanha tranquila nas Eliminatórias da Euro 2012 deve ter sequência no mês que vem sem maiores dificuldades. Apesar de não superar nenhuma seleção das chamadas "de grande porte" após vencer a Copa do Mundo, a Fúria deve fazer o dever de casa e patrolar a fraca seleção de Liechtenstein.

sábado, 4 de setembro de 2010

Recuperando-se

Contra Liechtenstein, Fernando Torres voltou a mostrar o seu faro de artilheiro, após gravas problemas físicos (getty images)

Ante a partida contra Liechtenstein, vencida pela Fúria por quatro a zero, Fernando Torres marcou dois gols e igualou a marca de Emilio Butragueño como quinto maior goleador da seleção espanhola. El Niño soma agora 26 gols é superado por Raúl, Villa, Hierro e Morientes. Com os tentos, Fernando Torres rompeu uma seca goleadora que já durava mais de um ano - 15 meses, pra ser mais exato. Desde que marcou um hat-trick contra a Nova Zelândia na Copa das Confederações, El Niño não havia mais marcado com a seleção espanhola em partidas oficiais.

O atacante do Liverpool abriu um placar com um belo gol de cobertura e marcou o terceiro gol com um chute forte após passe de Fàbregas. Em declarações concedidas à TVE Espanhola, Torres disse que "segue querendo recuperar sua verdadeira forma e que marcar gols ajuda-te a ter mais confiança". Para Torres, "a Espanha teve uma boa atuação contra Liechtenstein, e alcançou seu objetivo, que era a vitória na estreia pelas Eliminatórias".

Tudo bem que a partida de ontem não foi grande teste tanto pra Fernando Torres, quanto pra Espanha, já que os liechtensteiniano não ofereceram nenhum grande perigo à meta de Casillas, mas o importante foi ver um jogador tão querido pela torcida espanhola recuperando-se de graves problemas. Agora, Fernando Torres só pensa na partida contra a Argentina, na próxima terça-feira, em Buenos Aires. A seleção espanhola viaja amanhão para a capital argentina.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mantendo o ritmo

Sem precisar se esforçar e contando com o "retorno" de Fernando Torres, a Espanha goleou Liechtenstein na estreia nas eliminatórias p/Euro 2012 (marca)

Fernando Torres decepcionou no Mundial da África do Sul. Com uma séria lesão no joelho, virou icógnita e reserva e sequer fez um gol no torneio conquistado pela Espanha. Mas seu faro de artilheiro voltou seleção. O atacante fez dois gols na tranquila goleada da Fúria diante de Liechtenstein por 4 a 0, em Vaduz, na estreia das duas seleções no grupo I das eliminatórias da Euro-2012. Além disso, com os dois tentos de hoje, El Niño igualou a marca de 26 gols de Butragueño com a camisa roja e tornou-se o quinto maior artilheiro da seleção espanhola. Vale lembrar que, curiosamente, a primeira partida da Espanha após o fiasco de 2006 foi exatamente contra Liechtenstein, em Badajoz. Àquela época, a equipe treinada por Aragonez estava cheias de dúvidas e renovada.

A partida de hoje foi o que todos já previam: jogo de uma equipe só. Liechtenstein provou ser uma das piores seleções da Europa e transformou o goleiro Casillas num verdadeiro espectador durante o confronto. Para piorar, tinha pela frente as atuais campeãs mundiais e da Eurocopa. A Espanha entrou com sua base que levantou o título na África do Sul. Xavi, Xabi Alonso, Iniesta, David Villa e Torres começaram como titulares. Diante disso, o gol era questão de tempo. O goleiro Jahle até fez duas boas defesas com menos de 5min, num chute de Iniesta e numa cabeçada de Villa.

No entanto, nada pode fazer para evitar o primeiro, aos 17min, quando Torres foi lançado e tocou com classe. 1 a 0. Os espanhóis não aceleravam a partida. Quando faziam isso, os anfitriões não conseguiam para os visitantes. Aos 26min, David Villa arriscou uma bomba de fora da área e fez um golaço. Com a marca, o Guaje chegou ao seu gol de número 43 com a camisa da seleção espanhola, um a menos que o maior artiheiro da Fúria, Raúl.

O panorama era o mesmo. Espanha atacava e criava inúmeras chances, enquanto Liechtenstein quase não passava do meio campo. Pouca coisa mudou no segundo tempo. Aos 8min, Torres recebeu de Fàbregas e bateu forte para ampliar o duelo. Pouco tempo depois, Torres deu lugar a Silva. E, aos 16min, o atleta do Manchester City fez o quarto dos visitantes. A partir daí, a equipe de Vicente Del Bosque diminuiu sua intensidade. Mesmo assim, criou outras boas oportunidades, como um chute de Villa no travessão.

Ainda nesta sexta-feira, Lituânia e Escócia, outras seleções do grupo da Fúria, empataram sem gols. A segunda rodada da chave ocorre na próxima terça-feira, dia 7 de setembro. A Espanha folga e fará um amistoso contra a Argentina de Lionel Messi.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A primeira estrela

Iniesta e o gol que o colocou na história do futebol espanha. Após bater na trave várias vezes, a Espanha é campeã do mundo (AP)

Iniesta pega a bola, falta. Xavi é acionado, falta. Pedro recebe um passe, falta. Xabi Alonso domina... bem, você já sabe. A Holanda abusou das faltas contra a Espanha. Foram 28, algumas delas bastante violentas. Mas isso não foi um retrato de uma equipe descontrolada ou desesperada. Era uma estratégia de jogo. Pode não ser a mais louvável, mas é algo permitido pela regra. E, a bem da verdade, ela até foi bem sucedida do ponto de vista defensivo. O problema é que serviu para tirar os próprios holandeses da partida.

Bert van Marwijk é um técnico inteligente, que conhece futebol, está determinado a levar seu time à vitória e sabe como fazer o elenco se unir em torno de uma ideia. Foi assim que fez a Holanda jogar focada no Mundial – e perder o foco é um antigo vício das seleções holandesas – e priorizar a vitória à beleza do jogo. Na final, ele sabia que as chances laranjas aumentariam se o time quebrasse a posse de bola da Espanha.

Para viabilizar sua estratégia, os holandeses fizeram duas coisas: congestionaram o setor de armação da Espanha, tirando espaço para movimentação, e partiram para uma marcação agressiva, atacando como fosse possível quem estivesse com a bola. Quando o desarme não se concretizava, uma “falta tática” era bem-vinda. E assim a Holanda não teve pudor em derrubar Iniesta, Xavi, Pedro, Xabi Alonso...

Funcionou parcialmente. A Espanha não conseguiu impor tanto sua posse de bola, sobretudo no primeiro tempo e em parte do segundo. Alem disso, os ibéricos ficaram irritados com as faltas sofridas e eles próprios fizeram das suas. Os lances ríspidos tornaram o jogo interessante pela tensão. A qualquer momento, um time poderia perder a cabeça e atirar pela janela o título.

Mas os espanhóis estavam mais conscientes do que era preciso fazer para vencer a partida. Os holandeses, não. No desejo de anular o oponente a qualquer custo, a Holanda não tinha opções de ataque. A única estratégia era lançar Robben e torcer para o meia-atacante conseguir um gol em jogada individual. Duas vezes o jogador ficou na cara de Casillas, mas não dá para dizer que os laranjas estavam realmente construindo algo.

O pior é que, atrás, o sistema defensivo foi trincando aos poucos. De tantas faltas cometidas, muitas delas desleais, a Holanda ficou carregada de cartões amarelos (sete, seriam mais se Howard Webb estivesse mais rigoroso). Sob o risco de perder jogadores, Van Marwijk tirou nomes importantes como De Jong e Van Bronckhorst e abriu espaço, pois teve de improvisar Van der Vaart como volante e usar o inexperiente Braafheid.

O que era um jogo tenso e travado se transformou em domínio espanhol, ainda mais depois da expulsão de Heitinga. Claro, continuava faltando mais poder de decisão dos ibéricos. Villa não conseguia receber em condições de finalizar, Iniesta e Xavi hesitavam antes de um arremate, Navas só caía pela ponta e Fernando Torres fazia falta na frente. Mas a Espanha já era hegemônica e o gol poderia sair a qualquer momento.

E saiu. Justamente onde a Holanda se fragilizou. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Jesús Navas avançou pela direita, onde Braafheid deixava espaço, tocou para o meio, onde Iniesta e Fábregas articulavam sem o combate de um volante (Van Bommel virou zagueiro para tapar o buraco deixado por Heitinga e Van der Vaart não tem intimidade com a função). Da troca de passes, Iniesta recebeu na cara do gol, e chutou no canto direito de Stekelenburg.

A Espanha não teve sua noite mais inspirada, até porque expôs nervosismo e tensão. Ainda que o placar e o sofrimento da decisão não retrate a diferença técnica entre as equipes, o título foi merecido. E quem mais demonstrou isso foi a Holanda com sua estratégia defensiva. Pois há elogio maior do que o medo do adversário?

*Contribuição de Victor Mendes.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Craques da LFP: Fernando Torres

Fernando Torres quando jogava no Atlético de Madrid. Tempo bons para os colchoneros (footballwallpapers)

El Niño, The Kid, F9T, El Potro de Fuenlabrada. Todos esses apelidos descrevem um pouco o craque, um ídolo que passou pelo Atlético de Madrid. Fernando José Torres Sanz, mais conhecido como Fernando Torres.

El Niño nasceu em Madrid, e começou a se interessar por futebol como uma criança normal, e juntou a sua primeira equipe, Parque 84, com cinco anos de idade. Seu avô não era apaixonado por futebol, mas orgulhou-se de que ele fosse torcedor do Atlético de Madrid e, desde então, Torres desenvolveu o seu amor pelo clube madrilenho. Iniciamente Torres quis ser um goleiro, posição de seu irmão no futebol. No entanto, quando tinha sete anos, ele quebrou alguns dentes, como um resultado a sua mãe lhe disse para mudar de posição, ou não jogar mais futebol. Ele começou a jogar regularmente, portanto, como um atacante em uma clube da liga do interior do seu bairro, Mario’s Holland. Três anos mais tarde, ele impressionou os olheiros, e com apenas onze anos, foi para as categorias de base do Atlético de Madrid em 1995.

Depois de se fomar nas categorias de base do Atlético, Torres ganhou seu primeiro título importante na juventude em 1998. O Atlético de Madrid enviou uma equipe sub-15para competir na Copa Nike, tanto a nível nacional e europeu, para jogar com as jovens equipes do continente europeu, no qual o Atlético venceu o torneio. Logo após a competição, ele foi eleito o melhor jogador na Europa para essa faixa etária

A carreira no Atlético de Madrid

Em 1999, com 15 anos de idade, Torres assinou seu primeiro contrato profissional com o Atlético de Madrid. Ele passou seu primeiro ano jogando na equipe reserva e quando fez 16 anos foi para a equipe principal.

A temporada 2000-01 havia começado mal, como Torres sofreu uma lesão que o manteve fora dos gramados até dezembro. Já formado e sem lesões Torres foi para a pré-temporada, e finalmente fez sua estréia pela equipe em 27 de maio de 2001, no Vicente Calderón, contra o Leganés. Uma semana depois, ele marcou o seu primeiro gol para o clube contra o Albacete e terminou a temporada com o Atlético de Madrid caindo para a Segunda Divisão. No final da temporada 2001-02, o Atlético ganhou a Segunda Divisão e conseqüentemente a volta a La Liga. A temporada foi um ruim para Torres, durante o qual ele marcou apenas seis gols em 36 jogos da na Segunda Divisão. Já na temporada 2002-03, disputou a La Liga, onde conseguiu marcar 12 gols em 29 jogos e com o Atlético terminado em 11º.

Na temporada 2003-04, a segunda temporada na La Liga, Torres deu passos mais largos, marcando 19 gols na liga em 35 jogos, conseguindo se o terceiro maior artilheiro da competição naquela temporada. Ele formou uma parceria com o atacante grego Demis Nikolaidis, com quem se destacou no ataque. Os dois complementaram no ataque, criando espaços e oportunidades e conseguiram marcaram 26 gols entre eles. Com apenas dezenove anos, foi também nomeado o capitão do Atlético.

O Atlético perdeu a classificação para a Copa UEFA, mas por ter terminado a competição em 7º lugar em 2003-04, se classificou para a Copa Intertoto de 2004, dando a Torres primeiro gosto de disputar um campeonato europeu. Ele marcou dois gols nos dois jogos contra o OFK Belgrado. O Atléti chegou à final, mas perdeu para o Villarreal. O Chelsea acreditava que podeiam contratar Torres, em 2005, mas o presidente do Atlético Enrique Cerezo disse que eles tinham "nenhuma chance" de contratá-lo. Em janeiro de 2006, o clube estava disposto a ouvir ofertas por Torres, e Torres alegou que o Newcastle United havia feito uma proposta.

Depois da Copa do Mundo de 2006, Torres, que participou do elenco da Seleção Espanhola, admitiu que tinha rejeitado a possibilidade de jogar no Chelsea no final da temporada 2005-06. Na sequência da temporada 2006-07, na qual ele marcou 14 gols na La Liga, o futuro de Torres no Atlético foi novamente alvo de especulações após a equipe não conseguir ir deretamente para a Copa UEFA, com relatos na imprensa inglesa afirmando que Torres foi é a principal transferência para o Liverpool. Os rumores chegaram a um ponto que o presidente Enrique Cerezo do Atlético fez uma declaração dizendo: "Nós não recebemos nenhuma proposta do Liverpool ou de qualquer outro clube ou por algum jogador."

No entanto, alguns dias mais tarde, novos rumores diziam que o Atlético teria fechado um acordo com o Liverpool por Torres; rumores eram de que o Liverpool pagaria £25 milhões pela transferência de Torres, e com Luis García iria para o Atlético de Madrid, em uma transferência separada. Então, em 30 de junho de 2007, o Atlético anunciou um acordo com o Villarreal por Diego Forlán, que era visto como o jogador a substituir Torres na equipe, antes da sua saída havia se tornado oficial. Em 2 de Julho, foi comunicado que Torres tinha um curto feriado para voar de volta para Madrid para finalizar a transferência para o Liverpool.

No dia seguinte, Torres passou no médico do Liverpool e foi anunciado que teria uma despedida em Madrid, em 4 de julho de 2007, e ele se despediu do fãs . A Taxa de transferência é o mais alto pago na história do Liverpool e, em março de 2008, o treinador Rafa Benítez confirmou ao The Times que Torres foi contratado por cerca de £20 milhões, embora este valor conte com a transferência de Luis García ao Atlético. Ao final de sua carreira no clube colchonero jogou 284 vezes e marcou 48 gols.

Ficha Técnica

Nome completo: Fernando José Torres Sanz
Data de nascimento: 20 de março de 1984
Altura: 1,85
Posição: Atacante
Títulos: Liga Adelante (2001-2002) Eurocopa (2008)
Prêmios: 3º lugar da Bola de Ouro da France Football (2008), 3º melhor jogador do Mundo (2008) e Seleção da Eurocopa (2008).