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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cenário diferente

 Iniesta e Pedro: o canário, melhor em campo contra a Bielorrúsia, deve começar novamente como titular contra a França (getty images)

Em Donetsk, há quatro meses, a Espanha entrou em campo contra a França sob dúvidas. Após uma fase de grupos onde mostrou um futebol bastante pragmático, a Fúria precisava se desligar dos rótulos. Nos primeiros 30 minutos, a seleção encaminhava-se para tal. Nesse período, o time de Vicente Del Bosque pressionou a França como ainda não havia feito com nenhum adversário nos três primeiros jogos. E abriu o placar, após passe incisivo de Iniesta, arrancada e cruzamento de Alba na medida para Xabi Alonso testar. Depois disso, a Roja voltou ao modo preguiça. Tocou, tocou, tocou, pouco foi ameaçada e achou mais um gol no final do jogo, novamente com Xabi Alonso, convertendo pênalti controverso sofrido em cima de Pedro.

Amanhã, às 16h, as seleções se enfrentam no Vicente Calderón, em Madrid. A partida marca o retorno de Fernando Torres ao estádio onde teve suas primeiras grandes exibições como profissional. El Niño, provavelmente, não será titular, mas o reencontro com a torcida colchonera será emocionante. Os aficionados do Atlético de Madrid prometeram uma homenagem ao seu ídolo antes da bola rolar. Em campo, Del Bosque deve manter Fàbregas como falso nove. O barcelonista se adaptou à posição e sente-se à vontade em campo com uma maior liberdade de movimentação. Mais cedo, na coletiva antecedente ao duelo, Cesc afirmou que a posição é relativa, ainda que prefira atuar de meio-campista. O Marca fez um levantamento afirmando que, nesse sistema, a Fúria marca mais gols.
As prováveis escalações, segundo o Marca

Há quatro meses, o duelo, válido pelas quartas-de-finais da Euro, foi naturalmente estudado durante boa parte da primeira etapa. Amanhã deve ser diferente. Com as duas seleções dividindo o poderio de favoritas do grupo, o confronto tende a ser mais disputado. Ainda mais pelo fato de haver mais uma partida a ser feita entre eles, daqui a um ano, o que mostra que tanto França quanto a Espanha devem ousar mais. Ninguém tem convicção de que a dupla irá superar Geórgia, Finlândia e Bielorrúsia.

As lesões de Piqué e Puyol deixa a defesa espanhola sem seus donos. Del Bosque tem Raúl Albiol à disposição, mas deve optar pela improvisação de Busquets, como no confronto de sexta. O treinador, também, não sabe se irá contar com Sergio Ramos, com desconfortos musculares. Embora o andaluz esteja apto pelo departamento médico, Del Bosque afirmou que só irá se decidir em última hora, pois não pretende forçar seu uso. No ataque, após a ótima atuação com direito a hat-trick ante a Bielorrúsia, Pedro larga na frente de Villa e Jesus Navas para iniciar o jogo. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Sakho é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e PSG pelo fato do gunner não viver boa fase. A capacidade de Pedro de se infiltrar nas defesas adversária  pode ser a chave da vitória espanhola. Xavi, que irá atuar no setor onde mais gosta, provavelmente irá abusar das bolas lançadas às costas de Debuchy.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja desfalque, Matuidi  pode substituí-lo em alto nível. A tendência é o meio-campo francês sentir-se mais "à vontade" em relação ao confronto de junho pelo fato do meio-campo espanhol estar desfalcado de seu principal marcador, Busquets. Com Xabi Alonso, que não é marcador nato, jogando de primeiro volante e organizando o time à frente da defesa, a Fúria fica mais "exposta". O contra-ataque francês exigirá concentração da defesa Roja. Ribéry, à esquerda, deve centralizar para criar jogadas, trocando posição com Benzema, que, assim como contra o Japão, irá jogar no auxílio ao centroavante Giroud. Menéz, à direita, irá dar trabalho extra ao ofensivo Alba, que terá que fazer uma marcação semelhante a que fez em Di María, no superclássico - onde se saiu bem, diga-se de passagem.

A França perdeu para o Japão num lance de azar na última sexta-feira. Os Bleus controlaram a partida, tiveram quase 60% da posse de bola, mas sofreram um contra-ataque fatal que resultou no gol de Kagawa. Amanhã, a equipe de Blanc irá trabalhar como os nipônicos. Vicente Del Bosque sabe disso. A seleção espanhola tem armas mais do que suficientes para levar os três pontos, mas a França, como bem disse Iniesta, promete dificultar e muito a vida dos atuais campeões mundiais e europeus.

sábado, 13 de outubro de 2012

O falso nove Fàbregas

 Fàbregas é o falso nove que Del Bosque tanto tentou achar (Zimbio)

Francesc Fàbregas surgiu no Arsenal como um garoto-prodígio cerebral. Capaz de dar excelentes passes longose e curtos e organizar o jogo, o jogador atuava como segundo volante. Antes, nas canteras do Barcelona, ele era o cérebro da famosa geração 87, tida até hoje como a melhor equipe da base blaugrana. Com o passar do tempo, Arséne Wenger, técnico do Arsenal, adiantou Fàbregas a uma nova posição, mas sem que ele perdesse sua principal característica, a de organizador. Em seus últimos anos em Londres, Cesc passou a atuar centralizado na linha de 3 do 4-2-3-1, com Nasri e Walcott abertos pelos flancos.

Na seleção, ele havia atuado dessa maneira na Eurocopa de 2008. Quando Villa se lesionou e ficou fora da final contra a Alemanha, Aragonés abandonou o 4-4-2 para dar vez ao 4-2-3-1, que teve Fàbregas na armação, com Silva aberto à direita, Iniesta aberto à esquerda e Xavi e Marcos Senna na linha de trás. Ao voltar para o Barcelona, o catalão sabia que disputar posição com Iniesta e Xavi seria tarefa ingrata. Além disso, na equipe de Guardiola, o terceiro meio-campista (Iniesta) tinha (e ainda tem com Tito Vilanova) a função de acelerar a bola, ao contrário do segundo volante (Xavi), que cadencia mais o jogo. Para não ter que tirar a dupla da equipe titular e nem deixar Cesc no banco, Pep resolveu adiantar ainda mais o canterano, que passou seus sete primeiros meses jogando no ataque ao lado de Messi e Alexis Sánchez. Em algumas partidas, chegou a atuar de falso nove.

Essa proposta de jogo foi levada à seleção. No amistoso de novembro passado contra a Inglaterra, Del Bosque testou Fàbregas pela primeira vez como falso centroavante. Não deu certo. Fàbregas sentiu-se perdido em campo e pouco participou do jogo. Para tentar consertar seu erro, o treinador o inverteu com Silva. A tragédia aumentou. Logicamente, Del Bosque desistiu da opção. Temporariamente. A lesão de Villa e a má fase de Torres o obrigou a repensar no assunto. Na estreia da Eurocopa contra a Itália, Fàbregas apareceu na criticada posição. O gol que salvou a Fúria da derrota não isentou o técnico madrilenho das críticas, mas ele não abandonou sua, digamos, "filosofia". Ao final do torneio, Fàbregas não apareceu em momento algum no meio-campo e ainda foi um dos destaques.

Hoje, o barcelonista é um falso nove que caminha para a perfeição que a posição obriga. Durante a Euro, cheguei a comentar que ele era um 12º jogador essencial para uma equipe que estava longe de apresentar o futebol encantador dos últimos anos. No momento, Fàbregas é peça-chave e titular absoluto. É claro que, por ter atacantes confiáveis à disposição, Del Bosque pode variar seu titular; mas, à primeira vista, Cesc está à frente de todos. O treinador já acenou com a possibilidade de utilizá-lo ao lado de Villa, que atua aberto à esquerda, embora seja difícil aparecer os dois num jogo oficial por Iniesta ser o dono da posição.

Contra a Bielorrúsia, Pedro foi o destaque. O canário anotou três gols e assistiu Alba marcar após lindo passe de calcanhar, na vitória por 4x0. Mas Fàbregas merece, novamente, menção honrosa. Ele não marcou, mas deu uma assistência para um dos tentos do atacante culé. Ainda que a qualidade do adversário seja fraca para chegar a uma conclusão definitiva, Cesc caminha para tornar-se um falso centroavante útil. Com liberdade de movimentação, ele participa da incessante troca de passes no meio-campo, cai pelos flancos e chega à área para concluir, como Messi no Barcelona. Há quem diga que, por estar jogando muito bem adiantado, Fàbregas "esqueceu" como atuar no meio-campo. O mal início de temporada em sua posição de origem até dá margem à especulação, mas contra Sevilla, Benfica e o início do segundo contra o Real Madrid joga por água abaixo essa tese. Fàbregas é craque e sabe se adaptar a qualquer função, seja ela meio-campista ou centroavante.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Considerações finais

David Silva aponta para o céu: melhor do jogo, El Mago deverá ser titular na Euro (AP Photos)

A Espanha encerrou hoje a fase eliminatórias para a Eurocopa de 2012. E, assim como no jogo contra a República Tcheca, a Fúria jogou centrada na partida, buscando o resultado mesmo com a classificação à fase final garantida, do jeito que Del Bosque havia pedido na coletiva de quinta-feira. A roja alinhou uma equipe com jogadores diferentes dos habituais, com as estreias oficiais de Jordi Alba, na lateral esquerda, e Víctor Valdés no gol. As outras mudanças em relação ao confronto contra os tchecos foram as entradas de Cazorla, que voltou à Roja, no meio-campo e Pedro e David Villa no ataque. O placar, que interessava mais a Escócia, que entrara em campo com possibilidades de classificação à repescagem, acabou numa boa vitória dos comandados de Del Bosque: 3 a 0, com show de David Silva, autor de um doblete e de uma assistência para Villa.

A excelente partida de Silva somada, mais uma vez, a escolha pelo 4-3-3 (que hoje pareceu um 4-3-1-2), tática que vai se consolidando e deverá ser usada na Polônia e Ucrânia, no ano que vem, reabre uma uma velha discussão: deverá Fernando Torres ser titular? A grande partida de David Silva, melhor em campo, influi diretamente no uso (ou não) de Fernando Torres, que ficou no banco de reservas durante os noventa minutos. Jogando à Messi no Barcelona e revezando posição com Cazorla, adiantado à ponta pelo lado esquerdo, Silva ratificou seu excelente início de temporada: já são quatro gols e nove assistências. O meio-campista, que havia cobrado publicamente um espaço na Espanha, mostrou estar certo: deverá ser titular na Eurocopa, provavelmente. Com moral no país, Silva vem ganhando a simpatia da imprensa. O Diário Sport, exageradamente, deixou no ar: A Espanha achou o seu Messi, em referência ao fato de El Mago ter jogado como um enganche. Alfredo Relaño, editor-chefe do AS, já cobra a titularidade do mancuniano.

Um dos estreantes da noite, Jordi Alba convenceu e ganhou pontos com Del Bosque. O lateral do Valencia teve um notável debut com a Roja. Sobrio na defesa e incisivo nos ataques, Alba aproveitou a chance dada por Del Bosque. Autor da assistência ao primeiro gol de Silva, certamente o lateral ché deverá figurar em outras convocações do treinador madrileño, visto que Capdevila está em baixa com o treinador desde sua transferência ao Benfica. Víctor Valdés, por outro lado, teve uma atuação digna de nota seis. Pouco acionado, o goleiro cometeu pênalti bobo em Naismith, que Goodwillie converteu. Três minutos depois, o catalão apareceu positivamente, fazendo boa defesa em chute de Smith.

Notícias referente ao pós-jogo devem ter deixado o Barcelona preocupado. Sofrendo com lesões neste início de temporada (já foram 22 em apenas dois meses de competição), os azulgrenás deverão ter mais dois jogadores no estaleiro: Xavi e Piqué foram substituidos por desconfortos e exames médicos que serão feitos amanhã deverão confirmar a gravidade da lesão. Villa, por sua vez, tomou um chute no dedo de Berra, mas não preocupa muito. Se a vitória não mudou muita coisa na tabela do grupo, ao menos serviu para a Fúria alcançar uma nova marca: a Roja igualou o recorde de 14 vitórias consecutivas, que a seleção francesa, em 2004, e a holandesa, em 2010, haviam conseguido antes. A última derrota oficial da seleção espanhola foi justamente na Copa do Mundo de 2010, na estreia contra a Suiça.

sábado, 8 de outubro de 2011

Foco na missão

Fúria mantém o 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2012 (reuters)

Na coletiva antecedente ao jogo contra a República Tcheca, Vicente Del Bosque havia dito que sua equipe iria entrar em campo centrada na partida, mesmo com o objetivo já cumprido, que é se classificar à fase final da Eurocopa. E seus comandados cumpriram à risca o pedido do treinador: com a cabeça no jogo, venceram com tranquilidade os tchecos por 2 a 0, chegando a 21 pontos dos 21 possíveis. A boa notícia foi as notáveis exibições de David Silva e Juan Mata, reservas que vivem excelentes fases em seus clubes na Premier League e aparecem com boas opções para o torneio. Além disso, é só mais uma prova que Del Bosque tem nas mãos um elenco em profundidade, com jogadores reservas que, quando entram no onze inicial, sabem o que fazer.

Jogando em um 4-3-3 que se transformava em um 4-5-1, a Espanha dominou por completo a partida. Tanto é que, com seis minutos, já vencia a partida por um a zero através de Xavi e Mata. O meia blaugrana, que jogou solto no meio-campo, lançou em profundidade e milimetricamente o meia do Chelsea, que chutou no contrapé de Peter Cech para abrir o placar. Com o placar aberto, esperava-se uma Espanha administrando a partida. Mas o bom jogo e a boa disposição em campo duraram por muito mais tempo do que nas outras partidas, quando a Fúria costuma ter uma postura citada acima após abrir o placar.

Muito bem postada em campo, a Espanha continuava com o ímpeto ofensivo enorme. O adversário, desperado pelo empate e pressionado pela torcida, só assistia a troca de passes envolvente da Fúria. Para se ter uma noção maior, a seleção espanhola terminou a partida com uma porcentagem incrível de posse de bola: 81%, com 587 passes certos ao longo dos noventa minutos. O segundo gol não tardou a chegar: após dividir com Kadlec, Fernando Torres passou a bola meio que sem querer para um esforçado Silva, que, inteligentemente, levantou a cabeça e tocou com a parte externa do pé esquerdo para Xabi Alonso, solto no meio da área, bater à direita de Cech para marcar o segundo gol espanhol. Um balde de água fria para os torcedores tchecos que, antes da partida, confiavam na vitória de sua seleção.

A República Tcheca cometeu um erro primário: entregou de graça a bola à Roja. Busquets, Xabi Alonso, Xavi, David Silva e Mata domaram o meio-campo. O ataque foi o problema. Fernando Torres não aproveitou a chance dada por Del Bosque e parece cada vez mais distante da titularidade na Polônia e Ucrânia em 2012. Villa, que entrou no segundo tempo no lugar do Niño, deu mais mobilidade ao ataque, acertando duas bolas na trave. A postura exercida no segundo tempo foi a supracitada acima: a República Tcheca chegou a ensaiar uma reação, mas não passou de um perigoso chute de Baros defendido por Casillas. O lance crucial do segundo tempo aconteceu aos vinte e dois: Hübschmann chegou dividindo com Xabi Alonso e, por pouco, não quebrou a canela do volante. O tcheco foi expulso imediatamente e mostrou-se bastante culpado pelo lance (concordou com a expulsão e pediu desculpas a todos os espanhóis após o jogo).

Xabi imediatamente saiu de campo e ainda não se sabe a profundidade de sua lesão. A imprensa madrilenha especulou que Mourinho teria ligado a Del Bosque pedindo para que não forçe seu jogador na terça-feira, quando a Fúria encara a Escócia em jogo que promete ser pegado. Outros dois merengues também saíram de campo lesionados: Raúl Albiol e Sergio Ramos estarão inaptos para o duelo contra os escoceses. Enquanto isso, Fernando Torres não aproveitou bem sua chance, David Silva o fez com louvor. Após cutucar o treinador há duas semanas, quando havia dito que só não é titular pelo fato de não jogar no Barcelona ou no Real Madrid, El Mago jogou com tranquilidade no meio-campo e ainda deu uma assistência. E é assim que a Espanha vem firme e forte para a manuntenção do título europeu.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Euro é ali

Xavi e Iniesta foram os nomes da Espanha, que conseguiu a classificação à fase final da Euro (reuters)

A Espanha está classificada para a fase final da Eurocopa 2012 - assim como as potenciais favoritas Alemanha, Itália e Holanda. E depois deste ponto final, os espanhóis entrarão no torneio que Polônia e Ucrânia sediarão disposto a brigar firme pela manuntenção do título. Entretanto, o time de Vicente Del Bosque não fez frente àqueles que serão seus principais adversários pela disputa do título. Após o título da Copa do Mundo, a Fúria, é verdade, não perdeu nenhum jogo oficial, mas em amistosos contra seleções de alto nível não venceu nenhum.

Para início de conversa, Del Bosque lançou a campo o 4-3-3 que deveria ter lançado em jogos anteriores. Ao invés de adiantar Iniesta, dessa vez o treinador madrileño optou por colocar na primeira linha de três Xabi Alonso, Xavi e Iniesta. E os blaugranas, que jogam por música, domaram Liechtenstein. Outro blaugrana que ganhou destaque foi Thiago Alcântara. O jogador debutou oficialmente com a camisa Roja e acabou com as -mínimas - chances de jogar um dia pela seleção brasileira.

A nota negativa ficou por conta do corte de Fernando Torres, aparentemente por opção técnica. Em uma má fase longiqua, El Niño Torres vai perdendo moral até com aquele em quem sempre foi uma aposta. Negredo, seu substituto, não deixou a chance escapar: anotou duas vezes, confirmou o ótimo início de temporada e aparece como boa opção para continuar jogando como referência no ataque - apesar de, no Sevilla, atuar mais pelos flancos do campo. David Villa, por sua vez, voltou a marcar após quatro jogos em branco e, além disso, superou Raúl novamente: El Guaje possui uma média goleadora maior que a do ídolo blanco, que marcou 43 vezes em 102 ocasiões. Villa precisou de apenas 78 jogos para marcar 46 gols.

O jogo
Logo aos três minutos, Negredo, que foi o nome do jogo, avançou com total liberdade na fraca defesa adversária, que não esboçou reação. O chute, no entanto, saiu pela linha de fundo. Nos minutos seguintes, a Espanha continuaria mostrando o motivo de merecer a classificação antecipada para a competição continental e chegou perto de abrir o placar aos cinco, aos nove, aos treze e aos vinte, todas não aproveitadas por Villa e Negredo, que se entrosaram com muita facilidade no setor ofensivo da Fúria, que teve calma para abrir o placar.

Xavi buscou uma bola no campo de defesa e muniu Negredo que, aos 34 do primeiro tempo, fuzilou o goleiro Jehle e anotou o primeiro da Espanha. Com a "porteira aberta", como se diz no mundo do futebol, os outros gols saíram sem tanto sofrimento. O próprio Negredo, que participou de chance clara de gol aos 36, aumentou o placar no minuto seguinte. Após passe de Iniesta, sempre com qualidade, Villa não foi "fominha" e muniu o artilheiro.

Ainda no primeiro tempo, Xavi fez o terceiro em cobrança de falta na qual o goleiro Jehle não se mexeu. O quarto gol sairia logo aos sete minutos da segunda etapa, confirmando a fragilidade do adversário. Em troca de passes entre Negredo e Sérgio Ramos, o lateral estava impedido, mas recebeu a bola e marcou o gol, que não foi anulado pela arbitragem. Com o hispano-brasileiro Thiago Alcântara em campo, a Fúria não diminuiu o ritmo e construiu outras chances reais para humilhar Liechtenstein, que só assistia os gênios da bola trocarem passes e aguardarem o momento de surpreender o camisa um.

A partir dos 15 minutos, era a vez do outro artilheiro dar as caras. David Villa foi premiado duas vezes pela bela atuação. O segundo gol do camisa sete e sexto da Espanha, aos 34, sairia dos pés de Xabi Alonso, que cobrou falta e o deixou livre para marcar. Sem dar qualquer chance de reação aos liechtensteinianos, a Fúria foi superior do início ao fim, venceu por 6 a 0 e coroou sua classificação para a Eurocopa de 2012, em que pretende defender o título.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

100%

Em seu jogo de número 101 com a camisa roja, Xavi marcou e aproximou a Fúria da fase final da Euro (reuters)

Atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo, a Espanha vem repetindo as boas campanhas nas eliminatórias para a Eurocopa 2012. Mesmo sem dar show, a "Fúria" foi à Lituânia nesta terça-feira e bateu os donos da casa por 3 a 1, garantindo assim os 100% de aproveitamento e a liderança isolada do grupo I. Por outro lado, os lituanos se mantiveram com quatro pontos, na quarta colocação.

A partida, que ocorreu na cidade de Kaunas, quase não ocorreu devido ao mau estado do gramado do estádio Steponas Darius e Stasys Girenas. Porém, após a autorização da Uefa e da arbitragem, os espanhóis superaram as adversidades para o seu jogo de toque de bola e conseguiram o triunfo com gols de Xavi, Kijankas (contra) e Mata (Stankevicius diminuiu para a Lituânia).

Apesar de prejudicada pelo mau estado do campo de jogo, a seleção espanhola tomou a iniciativa ofensiva nos primeiros minutos de jogo e começou a impor a sua característica de toque de bola. Assim, não demorou muito para a Fúria abrir o placar. Aos 19 minutos, Xavi recebeu de David Villa e bateu para o gol de fora da área. Após um desvio na zaga lituana, a bola encobriu o goleiro Karcemaskas, que não conseguiu evitar o tento adversário.

Ainda no primeiro tempo, a Espanha teve a chance de ampliar a sua vantagem. Aos 40 minutos, Cazorla cruzou para Llorente, que recebeu sozinho na grande área e chutou para o gol. No reflexo, Karcemaskas defendeu com o pé e afastou o perigo da meta lituana.

No segundo tempo, incentivada pela sua torcida, a Lituânia chegou ao empate em pouco tempo. Aos 12 minutos, após um bate-rebate na entrada da área, a bola sobrou Stankevicius, que chutou rasteiro da intermediária no canto direito do goleiro Casillas.

Mesmo com o gol sofrido, a Espanha não se abalou na partida e conseguiu recuperar a dianteira no placar pouco depois, quando Mata recebeu lançamento na esquerda e cruzou para a área. Tentando se antecipar ao atacante Llorente, o lituano Kijankas acabou pegando errado na bola e marcou um gol-contra.

Tranquila com a vantagem, a Espanha ainda chegou ao seu terceiro gol, na jogada mais bonita da partida. Após uma triangulação pelo lado direito, Silva tocou para Mata dentro da área, e o meia só teve o trabalho de deslocar o goleiro lituano com a perna esquerda, para garantir a vitória espanhola e mais três pontos nas Eliminatórias para a Euro 2012.

Momento várzea

Camisa que Llorente usou na Lituânia foi a mesma utilizada na Copa do Mundo: ainda sem a estrela de campeã mundial (AP Photos)

Não era só o campo do estádio de Kaunas, capital da Lituânia, que remetia ao Desafio ao Galo na partida entre os donos da casa e a Espanha na terça. Um fato curioso – e, até certo ponto, bizarro – foi o destaque da partida. Lloriente entrou em campo com o uniforme que a seleção espanhola utilizou na Copa do Mundo, cujos detalhes são bem diferentes do atual. De fato, é estranho ver tal erro num jogo oficial da Uefa, ainda mais quando se trata da atual campeã mundial; mas, de fato, essas coisas acontecem também com as "melhores famílias".

sábado, 26 de março de 2011

Na raça

Em dia histórico para Xavi e Villa, foi o atacante do Barcelona quem garantiu a virada na raça da Espanha e os 100% nas eliminatórias para a Euro 2012 (reuters)

Em dia histórico para Xavi e, principalmente, Villa, o Guaje garantiu a vitória espanhola em Granada ante a República Tcheca. O 2 a 1 dá tranquilidade à atual campeã mundial e europeia, que segue 100% nas eliminatórias (quatro vitórias em quatro jogos) e põe um pé e meio na fase final do torneio, onde a seleção tentará a manutenção da taça.

A Espanha começou o jogo querendo esquecer as más partidas feitas nos últimos jogos e exerceu uma grande pressão no campo defensivo dos tchecos. Porém, um velho erro era cometido: a Fúria tinha uma posse de bola na casa dos 77%, mas só foram dados dois chutes a gol - nenhum deles de fora da área. A cega insistência de Del Bosque no 4-3-3 é o principal ponto para o péssimo primeiro tempo da roja, e chegou a seu ápice aos 29 minutos, quando o ex-Osasuna Plasil aproveitou bobeira de Arbeloa e, de canhota, acertou um belo chute no canto esquerdo de Casillas para pôr a República Tcheca na frente em Los Carménes.

Iniesta, adiantado para função de um atacante aberto pelo lado esquerdo, passou o primeiro tempo nulo, enquanto Jesus Navas, aberto à direita, pouco fazia pelo setor de Kadlec. Villa era o que mais tentava, mas Cech parou o atacante do Barcelona de maneira espetacular por, pelo menos, três vezes nos primeiros quarenta e cinco minutos. O módulo utilizado por Del Bosque nos últimos jogos é ineficaz pelo simples fato de não conter um meio-campista driblador na linha de três. Esse jogador poderia ser Iniesta, mas o técnico de Madrid prefere adiantá-lo para jogar ao lado de Villa na frente. David Silva e Mata, em ótimas fases, eram bons nomes à disposição no banco de reservas para exercer tal função, mas sequer entraram na partida. Busquets, Xabi Alonso e Xavi são jogadores técnicos e criativos, que enlouquecem o adversário com a excelente troca de passe no meio de campo, mas não dribladores.

Pressionado após a insatisfação dos torcedores após o término da primeira etapa, Del Bosque resolveu mudar: tirou um de seus homens de meio-campo, Xabi Alonso, e colocou Fernando Torres em campo, deslocando Iniesta à sua posição original. Dessa forma, como se esperava, a Fúria voltou melhor e, com um ímpeto maior ao apresentado no primeiro tempo, chegou mais vezes ao gol de Cech. Fernando Torres, porém, foi muito mal nos quarenta e cinco minutos finais, e confirmou sua má fase desde que trocou o Liverpool pelo Chelsea: el Niño está há dois meses sem comemorar um temto, o suficiente para Del Bosque colocar em xeque sua titularidade e dar um ultimato ao jogador blue.

A Espanha continuava pressionando, mas ainda sem ser muito incisiva. Del Bosque, que soube ler muito bem o jogo, se redimiu do erro inicial: sacou Capdevilla para pôr Cazorla, mudando a seleção para um 3-5-2. A mudança na postura espanhola, que passou a levar mais perigo à meta do goleiro do Chelsea, foi clara, e o gol passou a ser questão de tempo. Aos 23 minutos, Villa recebeu de Iniesta pela direita, puxou para a canhota, deixou Sivok no chão ao ameçar o chute e bateu no único espaço possível, acertando o canto esquerdo de Peter Cech. Dois minutos mais tarde, Iniesta foi derrubado por Rezek na área e a arbitragem marcou pênalti que Villa bateu bem, desta vez no canto direito de Cech.

Jogo em risco
Com 12 pontos em 12 disputados, a seleção espanhola praticamente sacramentou sua vaga à próxima fase da Eurocopa. Na quarta, contra a Lituânia, entrará em campo para confirmar mais três pontos, visto que o adversário não deverá passar nenhum perigo. O jogo, porém, está sob suspeita de acontecer, devido às más condições climáticas na ilha Bálticas. A preocupação de Del Bosque com seus jogadores é máxima e o treinador pediu a seu assistente, Paco Jiménez, que assistisse à partida amistosa entre Lituânia e Polônia para contar mais sobre o estado do gramado.

A federação lituana, demonstrando inocência, publicou em sua página na web uma foto do gramado em condições péssimas para uma partida oficial (ver imagem), o que gerou insatisfação da comissão técnica espanhola, que já pediu à UEFA para que uma inspensão fosse realizada na terça-feira, um dia antes do jogo, avaliando o estado do gramado. Além disso, durante a partida contra a Polônia graves incidentes nas arquibancadas deixaram alguns feridos, entre eles um guarda policial, e dez torcedores acabaram presos.

Os 10 maiores artilheiros da seleção espanhola
1) David Villa – 46 gols (72 partidas)
2) Raúl Gonzalez – 44 gols (102 partidas)
3) Fernando Hierro – 29 gols (89 partidas)
4) Fernando Morientes – 27 gols (47 partidas)
5) Fernando Torres – 26 gols (83 partidas)
6) Emilio Butragueño – 26 gols (69 partidos)
7) Alfredo Di Stefano – 23 gols (31 partidas)
8 ) Julio Salinas – 22 gols (56 partidas)
9) Michel – 21 gols (66 partidas)
10) Telmo Zarra – 20 gols (20 partidas)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Novamente Llorente

Llorente: preterido por Vicente del Bosque, El Rey León entrou e decidiu (getty images)

Se contra a Lituânia a Espanha já havia mostrado certo excesso de preciosismo isso ficou bem claro na partida em Glasgow, contra a Escôcia. Após abrir dois a zero, os espanhóis desligaram-se da partida e acordaram os escoceses, empolgados e empurrados pela fanática torcida. O duelo ainda ficou marcado por um momento histórico. Com o pênalti convertido no primeiro tempo, David Villa empatou com Raúl na artilharia da seleção espanhola, com 44 gols feitos. O ex-merengue, porém, precisou de 102 partidas para alcançar esta marca, enquanto Villa chegou apenas ao seu 69º jogo com a camisa da Fúria.

A partida também mostrou o começo de temporada frustrante que Piqué vem fazendo. O excelente zagueiro blaugrana ainda não mostrou aquele futebol que o consolidou como um dos melhores (senão o melhor) das últimas duas temporadas (principalmente na temporada do triplete). Gerard vem mostrando falhas que não costuma errar e, após uma partida desastrosa em Glasgow com nervossismos e atrasos na marcação de Miller, Piqué ainda levou para casa um gol contra de brinde, que poderia ter efeitos muito pior se Llorente não marcasse o gol da vitória. Preterido por Vicente del Bosque para ser titular ao lado de Villa, o atacante do Atlhetic Bilbao já provou que pode ser titular a qualquer momento, já que, vira e mexe, Fernando Torres está lesionado. Se o 4-5-1 inicial emparelhou-se com um Villa muito isolado, a entrada de Llorente, centro-avante de ofício, facilitou muito para que a tática andasse. Seus números não enganam: marca um gol com a camisa espanhola a cada sete minutos.

O jogo
Mesmo enfrentando a pressão e as vaias da torcida escocesa desde o apito inicial, a Espanha tomou conta do jogo e pressionou o adversário na primeira etapa. O gol, porém, saiu apenas aos 44min, e de pênalti. David Villa bateu rasteiro no canto direito e abriu o placar. Logo no início da etapa final, Iniesta recebeu no meio da área e chutou forte, fazendo 2 a 0. Foi quando a seleção anfitriã finalmente acordou na partida, com um certo preciosismo da Fúria, como dito no início do texto.

Com duas jogadas pelo setor direito ofensivo, a Escócia conseguiu empatar com a Espanha em menos de dez minutos. Primeiro, Naismith recebeu cruzamento de Kenny Miller e, livre, cabeceou para o gol, aos 13min. Aos 20min, em novo cruzamento pela direita, Fletcher avançou em velocidade e bateu forte para o meio da área. Piqué, em noite trágica, foi infeliz no lance e acabou mandando contra a própria meta.

O duelo seguiu bastante equilibrado. A Espanha mantinha a maior posse de bola e chegava com perigo, enquanto a Escócia também assustava em rápidos contra-ataques. Na metade do segundo tempo, Vicente del Bosque começou a fazer mudanças no time, e deu certo. Fernando Llorente, que havia entrado há três minutos, aproveitou falha da zaga após cruzamento da esquerda e completou de cabeça para as redes, garantindo a vitória.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bem, mas pode melhorar

Llorente e Sergio Ramos foram os donos do jogo de hoje. Substituindo Fernando Torres, o atacante marcou duas vezes (getty images)

Em um jogo de equipes totalmentes opostas, a Espanha conseguiu somar seu segundo triunfo nas Eliminatórias à Eurocopa de 2012. Sem Fernando Torres, Vicente Del Bosque usou do mistério para escalar o companheiro de Villa no ataque: se Áduriz vive uma grande fase no Valencia e foi convocado pela primeira vez para defender a Espanha, Del Bosque resolveu dar uma chance a Llorente, que começou mal a temporada no Atlhetic Bilbao, para substituir El Niño (mais uma vez lesionado) . A aposta "arriscada" fez valer a escalação: autor de dois gols, foi nome da partida ao lado de Sergio Ramos.

Reserva na Copa do Mundo, ele chegou a ser cogitado como titular contra Alemanha, mas foi Pedro quem entrou no lugar de Fernando Torres. Mas após o título mundial vem galgando seu espaço, e hoje foi só mais uma prova disso. Sergio Ramos, muito ativo na partida e autor do passe para o gol de Silva, teve uma noite especial: no estádio Helmántico de Salamanca, o andaluz fez contra a Lituânia a sua partida de número 70 com a camisa roja, superando nomes como o de Emilio Burtragueño, e tornando-se o jogador mais jovem (24 anos) a atingir esta marca. O estádio é mais especial ainda a Sergio Ramos porque foi nele que o lateral direito merengue fez sua estreia na seleção. Contra a China, em 2005, na vitória por 3 a 0.

Apesar da ausências da Espanha serem de pesos, apenas três jogadores do time titular que iniciaram a final da Copa ficaram de fora - Xabi Alonso, Xavi e Pedro. Cazorla, Llorente e David Silva entraram em seus respectivos lugares. A saída de Xabi Alonso, porém, fez com que Vicente Del Bosque alterasse o esquema tático da equipe, que passou do, cada vez mais tradicional, 4-2-3-1 ao 4-1-4-1.

Na coletiva pré-jogo, o técnico de Salamanca (que foi homenageado pela torcida) havia avisado àqueles que esperavam uma vitória tranquila para repensarem o prognóstico e, de fato, a Lituânia apresentou-se bem organizada. Por duas vezes, nos primeiros 17 minutos, Silva desferiu fortes chutes com a sua canhota, mas Karcemarskas deteve-os sem problemas. Nesses primeiros trinta minutos de partidas, viu-se uma falta de eficácia rara da seleção espanhola. Villa, que completara 68 jogos com a camisa roja e segue em busca de ultrapassar Raúl e se tornar o maior artilheiro da seleção espanhola, ainda perdeu um gol incrível, inacreditável, no final do primeiro tempo.

Após um primeiro tempo sem gols, a etapa final foi movimentada. A Espanha abriu o placar aos 2 minutos do segundo tempo. Llorente recebeu cruzamento de Sergio Ramos e, dentro da pequena área, desviou de cabeça para o fundo das redes. Pouco depois, a Lituânia chegou ao empate aos 8 minutos. Sernas foi lançado entre a defesa da Espanha e tocou na saída de Casillas para deixar tudo igual. A seleção se empolgou com o gol e ainda tentou trabalhar a bola pela esquerda, mas tinha pouca criatividade diante da defesa da Espanha. Mais bem postada em campo, os espanhóis ampliaram assim que Llorente foi substituído. Aos 33 minutos, David Silva recebeu levantamento de Sergio Ramos na marca do pênalti e cabeceou no ângulo direito da meta, sem chances de defesa para fechar o placar.

Após o último gol, a torcida de Salamanca foi à loucura. Em parte feliz, mas também aliviado, depois de uma noite difícil que se transformou num tributo à capacidade de luta da campeã europeia. A Espanha volta a campo nesta terça-feira, quando encara a Escócia, em Glasgow. Sergio Ramos, que gerou preocupação à torcida, já deve estar apto para a partida após pedir substituição por lesão. Se o Real Madrid já se mostra preocupado com o seu jogador, Del Bosque já avisou que não irá força-lo caso o Departamento Médico vete-o à partida de Glasgow. Se não poder jogar, a entrada mais lógica seria a de Arbeloa, que o substituiu hoje. Vicente Del Bosque também comentou a má partida de Villa, morferizada após o gol perdido. Segundo o técnico de Salamanca, talvez a ansiedade de passar Raúl é um dos pontos principais que justifica a partida ruim do Guaje.

Clique aqui e relembre como foi a estreia da Espanha contra Liechtenstein.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mantendo o ritmo

Sem precisar se esforçar e contando com o "retorno" de Fernando Torres, a Espanha goleou Liechtenstein na estreia nas eliminatórias p/Euro 2012 (marca)

Fernando Torres decepcionou no Mundial da África do Sul. Com uma séria lesão no joelho, virou icógnita e reserva e sequer fez um gol no torneio conquistado pela Espanha. Mas seu faro de artilheiro voltou seleção. O atacante fez dois gols na tranquila goleada da Fúria diante de Liechtenstein por 4 a 0, em Vaduz, na estreia das duas seleções no grupo I das eliminatórias da Euro-2012. Além disso, com os dois tentos de hoje, El Niño igualou a marca de 26 gols de Butragueño com a camisa roja e tornou-se o quinto maior artilheiro da seleção espanhola. Vale lembrar que, curiosamente, a primeira partida da Espanha após o fiasco de 2006 foi exatamente contra Liechtenstein, em Badajoz. Àquela época, a equipe treinada por Aragonez estava cheias de dúvidas e renovada.

A partida de hoje foi o que todos já previam: jogo de uma equipe só. Liechtenstein provou ser uma das piores seleções da Europa e transformou o goleiro Casillas num verdadeiro espectador durante o confronto. Para piorar, tinha pela frente as atuais campeãs mundiais e da Eurocopa. A Espanha entrou com sua base que levantou o título na África do Sul. Xavi, Xabi Alonso, Iniesta, David Villa e Torres começaram como titulares. Diante disso, o gol era questão de tempo. O goleiro Jahle até fez duas boas defesas com menos de 5min, num chute de Iniesta e numa cabeçada de Villa.

No entanto, nada pode fazer para evitar o primeiro, aos 17min, quando Torres foi lançado e tocou com classe. 1 a 0. Os espanhóis não aceleravam a partida. Quando faziam isso, os anfitriões não conseguiam para os visitantes. Aos 26min, David Villa arriscou uma bomba de fora da área e fez um golaço. Com a marca, o Guaje chegou ao seu gol de número 43 com a camisa da seleção espanhola, um a menos que o maior artiheiro da Fúria, Raúl.

O panorama era o mesmo. Espanha atacava e criava inúmeras chances, enquanto Liechtenstein quase não passava do meio campo. Pouca coisa mudou no segundo tempo. Aos 8min, Torres recebeu de Fàbregas e bateu forte para ampliar o duelo. Pouco tempo depois, Torres deu lugar a Silva. E, aos 16min, o atleta do Manchester City fez o quarto dos visitantes. A partir daí, a equipe de Vicente Del Bosque diminuiu sua intensidade. Mesmo assim, criou outras boas oportunidades, como um chute de Villa no travessão.

Ainda nesta sexta-feira, Lituânia e Escócia, outras seleções do grupo da Fúria, empataram sem gols. A segunda rodada da chave ocorre na próxima terça-feira, dia 7 de setembro. A Espanha folga e fará um amistoso contra a Argentina de Lionel Messi.