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sábado, 18 de maio de 2013

San Simeone

Diego Simeone sorri à toa: ele é o principal nome do atual Atlético de Madrid (AS)

23 de dezembro de 2011. Após uma fraca primeira parte de temporada, que culminou numa eliminação precoce na Copa do Rei diante do modesto Albacete, a diretoria do Atlético de Madrid resolveu demitir Gregório Manzano, que, durante cinco meses, não conseguiu definir uma tática e dar um padrão jogo à equipe. Sem muitos treinadores disponíveis no mercado, o jeito foi recorrer a Diego Simeone, ex-jogador e ídolo do clube. Hoje, quase um ano e cinco meses depois, não há mais dúvidas de que a diretoria acertou em cheio na contratação do argentino.

Ontem, Simeone conseguiu, por tudo que envolveu, o maior título de sua carreira: a Copa do Rei 2012-2013. Diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, um tabu perseguia o Atlético de Madrid: há 14 anos que o clube de Manzanares não vencia o rival de Chamartín. No entanto, numa das melhores apresentações do Atléti em tempos, a equipe manteve a concentração após o gol de Cristiano Ronaldo, empatou ainda no primeiro tempo com Diego Costa e levou o jogo à prorrogação, quando Miranda decretou o fim do pesadelo e o primeiro título de um clube-não-Real-Madrid-e-Barcelona em solo nacional desde a Copa do Rei do Sevilla em 2010, justamente contra o Atlético de Madrid.

Mas os méritos de Simeone vão muito além das taças levantadas (Liga Europa, Supercopa da Uefa e Copa do Rei). A começar pelo sistema defensivo, inconstante há anos, que El Cholo ajustou de maneira brilhante. Com Juanfran, Miranda, Godin e Filipe Luís, o argentino formou uma retaguarda sólida, capaz aguentar a pressão adversária. Coincidência ou não, Miranda e Filipe Luís fizeram suas melhores temporadas na Europa, enquanto a adaptação de Juanfran à lateral direita foi um golpe de mestre do treinador - Juanfran, aliás, chegou até a ser chamado para a seleção espanhola.

O segredo dos bons resultados na atual temporada passa, em partes, pela forte marcação no meio-campo, que desarma à rodo e aciona os contra-ataques. A marcação pressão no campo adversário, principalmente em jogos decisivos, gera um cenário de desconforto ao rival. O Atlético adora jogar sem a bola, mas sabe que tem obrigação. Executa contra-ataques à perfeição e se defende com grande aplicação tática. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

Outro dos acertos de Simeone foi ter conseguido encaixar Diego Costa ao lado de Falcao García sem necessariamente abrir mão dos atributos dos dois jogadores, embora para privilegiar o faro de gol do colombiano o brasileiro tenha cumprido outro papel em 90% da temporada. Sem seu principal armador, Diego, que voltou ao futebol alemão, El Cholo encarregou o cerebral Arda Turan (que mostrou, durante o período que ficou ausente, ser tão essencial quanto Falcao) à função da armação, deslocando Diego Costa ao flanco esquerdo do 4-2-3-1.

Os 34 gols em 40 jogos, sendo 28 na Liga Espanhola, cravam Falcao García como o melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada. E os gritos da torcida de "Falcao, quedate" (especulações o colocam no Monaco, novo rico da Europa) na comemoração do título da Copa do Rei prova isso. Além dos méritos do próprio Falcao, Simeone também tem a ver com a excelente fase do centroavante. Com Manzano, até pela bagunça que era o time, o camisa 9 não se encontrou. Com um time moldado para ele brilhar, El Tigre não decepcionou. Colecionou aparições decisivas (gols na final da Liga Europa e da Supercopa, assistência na final da Copa do Rei) e tornou-se querido pelos aficionados.

Os resultados estão aí. O Atlético de Madrid aguentou até onde pôde acompanhar o Barcelona na Liga Espanhola, terminou o primeiro turno em segundo lugar, mas não suportou o pique e acabou ultrapassado pelo Real Madrid. No entanto, soube manter os jogadores em alta e não pressioná-los, porque, apesar do título ter ficado difícil, ainda havia a disputa por uma vaga na Champions em jogo. E, dessa forma, sem ser pressionado por Real Sociedad, Valencia e Málaga, times que disputam o quarto lugar, os rojiblancos confirmaram, com três rodadas de antecedência, o retorno à maior competição de clubes do mundo, após três temporadas disputando Liga Europa.

Agora, Simeone tem novos desafios. Conquistar UCL e Liga é uma missão difícil, porém o Atléti precisa fazer campanhas aceitáveis para ganhar mais força e respeito em âmbito europeu. Por exemplo, o time precisa ir além das oitavas de finais como em 2008/2009 ou de uma queda precoce na fase de grupos como em 2009/2010. Na Liga, a equipe é o melhor time humano e, em CNTP, não deve ter muito trabalho para terminar em terceiro (ou, quem sabe, brigar com Barcelona e Real Madrid novamente). Contudo, o momento agora é de aproveitar a melhor temporada rojiblanca desde 1995-96.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Brasileiros e a Liga Espanhola

 O ex-palmeirense Cicinho caiu nas graças da torcida do Sevilla e é o melhor lateral direito da Liga até o momento (getty images)

Os fãs de futebol europeu, em geral, sabem que a Liga Espanhola é uma das vitrines para os jogadores brasileiros aparecerem positivamente. Recentemente, vimos Ronaldinho Gaúcho conquistar o mundo após atuações mágicas vestindo a camisa do Barcelona. Na mesma época, Ronaldo não cansava de ir às redes pelo Real Madrid - isso sem dizer sua fase fenomenal pelo Barcelona, em 1996. Um pouco antes, Rivaldo e Djalminha viraram reis de Catalunha e Galícia. No entanto, nos últimos dois anos, o número de destaques tornaram-se escassos. À exceção de Daniel Alves e Marcelo, nenhum brasileiro apareceu na mídia europeia recebendo muita atenção. Porém, baseado neste início de temporada, isso está chegando ao fim. Em 2012/2013, praticamente cada setor do campo tem um ou dois brasileiros como destaque de seus times.

A grande exceção é o homem de referência, o que evidencia um problema que o futebol brasileiro passa de maneira geral. Hoje, a maioria dos jogadores de área com poder de decisão atuam no futebol brasileiro. Fred, Luis Fabiano e Leandro Damião, por exemplo, foram os últimos convocados por Mano Menezes para atuar de nove. Até podemos comentar sobre Pato, mas este não vive sua melhor fase no Milan e se lesiona com frequência. Até por isso, o ex-treinador utilizou Neymar de falso nove em suas últimas partidas, até, também, para poder encaixar o santista com Oscar e Kaká na equipe titular. ale comentar sobre Diego Costa, que fez um bom primeiro semestre no Rayo Vallecano atuando de referência, mas no Atlético de Madrid foi "recuado" à posição de segundo atacante por causa de Falcao García.

Mas voltando ao tema central do texto começamos pelo gol. Diego Alves nunca foi titular absoluto do Valencia por causa do sistema de rotação que os ex-treinadores Unai Emery e Mauricio Pellegrino faziam. Contudo, desde a época de Almería, onde chegou a ser especulado com força no Real Madrid, ele vem aparecendo de modo positivo. Nesta temporada, logo na primeira rodada, fechou com o gol contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Exímio pegador de pênaltis, já parou Messi e Cristiano Ronaldo no mano a mano. No último sábado, foi um dos únicos poupados pela exigente torcida valenciana após a goleada sofrida em pleno Mestalla para a Real Sociedad, por 5x2. Os números apontam uma contradição, mas não fosse por Diego Alves o vexame poderia ser muito maior.

Pouco conhecido do grande público, Leo Baptistao (19) é a principal reveleção da temporada. Natural de Santos, jogou salão com Neymar quando garoto (AS)

Na setor defensivo, os colchoneros brilham: Miranda é o melhor zagueiro da temporada e Filipe Luís, no mínimo, aparece no top 3 na lateral esquerda. O ex-são paulino, após um início conturbado, se adaptou à forma de jogo do Atlético de Madrid e principalmente após a chegada de Simeone viu seu futebol crescer bastante. O mesmo vale para Filipe Luís. Atualmente, ele está numa versão semelhante ou superior àquela dos tempos de Deportivo La Coruña, onde foi eleito o melhor lateral esquerdo da Liga 07/08. O polivalente Adriano, que faz as vezes de lateral esquerdo, direto e até zagueiro, também merece uma menção honrosa. Homem de confiança de Tito Vilanova, seu único porém é se lesionar bastante. Apto, tem feito boas partidas. No sábado, saiu de campo aplaudido pelos torcedores presentes no Camp Nou.

Mas o grande destaque é o ex-palmeirense Cicinho. Após um início de temporada a mil, ele tem caído substancialmente de produção nos últimos jogos, mas continua sendo o melhor lateral direito da Liga. Parceria com Jesus Navas pela direita é o principal trunfo do Sevilla. Após tirar onda com Cristiano Ronaldo no duelo da sexta rodada, caiu definitivamente nas graças da torcida. Cicinho é disciplinado taticamente e aparece com sobressaliência nas jogadas ofensivas.

Na parte ofensiva, a grande revelação é Leo Baptistao, jovem de 19 anos do Rayo Vallecano. Natural de Santos, transferiu-se ainda cedo, aos 15 anos, para o clube de Vallecas, mostrando uma progressão madura em seu futebol. Em 2011/2012, passou boa parte da temporada no departamento médico graças a uma grave lesão na clavícula, mas está 100% curado e vê, em 2012/2013, um ano de redenção. Apesar de muleque, tem futebol de gente grande e vem justificando isso nesses primeiros quatro meses de temporada. São sete gols e quatro assistências em 13 jogos, o principal artilheiro brasileiro nas principais ligas europeias. Por outro lado, Jonas, após um suposto atrito com Pellegrino, foi relegado ao banco nos últimos jogos, mas tem moral com a torcida ché e pode voltar à equipe titular com Ernesto Valverde, confirmado como novo treinador do Valencia hoje pela manhã.

Em tempos de mudança de treinador na seleção brasileira, vale a pena ficar de olhos em alguns desses nomes. Diego Alves e Adriano eram figurinhas carimbadas nas convocações de Mano Menezes, e devem continuar fazendo parte das listas de Felipão. Valeria a pena testar os outros?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rayo de orgulho

Os motivos para comemorar são muitos no Rayo Vallecano. Equipe superou adversidades por mais um ano e irá se manter na elite espanhola (getty images)

No complemento da 33ª rodada, o Rayo Vallecano foi derrotado pelo Valencia por 4x1. Um resultado que poderia até ter sido maior devido ao domínio amplo dos chés, impussionados pelo empate conquistado no Santiago Bernabéu. O assunto em questão é o derrotado da noite. Goleado e sem saber o que fazer perante a avalanche ché, os rayistas foram por água abaixo. Entretanto, a temporada feita pela equipe treinada por Ramón Sandoval é digna de orgulho. No último sábado, por exemplo, ao golear o Osasuna por 6x0 chegou a maior vitória de sua história. Apesar da sequência ruim, com apenas duas vitórias em seis jogos, é muito provável que o Rayo se mantenha na elite espanhola. Para isso, basta somar mais três pontos em 15 disputados.

É preciso voltar a meados da temporada passada, quando os vallecanos disputavam a Liga Adelante. A primeira demonstração de que esse time poderia além foi vencer as adversidades e conquistar uma vaga no grupo de acesso à Liga BBVA. Durante a disputa da Liga Adelante as dívidas chegaram a estar entre 40 e 80 milhões de euros, fora o quase um ano de salários atrasados — a ponto de torcedores terem organizado movimentos para arrecadar dinheiro e ajudar no pagamento de jogadores, garotos da base e funcionários do clube. Em matéria ao site da Trivela, Lincoln Chaves escreveu com palavras certas a situação dos franjiroys.

"Para complicar, em fevereiro do ano passado, a Nueva Rumasa, conglomerado de empresas (dentre as quais fazia parte o Rayo) presidido por José Maria Ruiz-Mateos, entrou na fase que antecede ao que os espanhois chamam de Ley Concursal — em linhas gerais, é quando a gestão fiscal da agremiação passa a ocorrer sob intervenção jurídica. Mas a situação ainda ficaria mais complicada. Em maio, Ruiz-Mateos se desfez de quase 99% das ações dos Franjirrojos e jogou a bomba para o empresário Raúl Martín Presa. Embora inicialmente receoso, o novo dono viu que o buraco era grande demais e solicitou a entrada do Rayo na etapa seguinte da Ley Concursal, confiando que isso deixaria a adminstração mais tranquila para tocar o dia-a-dia do clube, ainda que sem a completa autonomia de outrora.

Com um elenco limitado até para a disputa da segundona espanhola, viria a parte mais preocupante de todo o processo da volta à elite: o pouco dinheiro para reforçar o plantel. O clube iniciou a temporada diante de gravíssima crise financeira. Diversas tentativas de renegociação de salários e dívidas foram buscadas, com reduções de ordenados que chegavam a 80%. Havia o risco até mesmo de que vários jogadores e membros da comissão técnica — dentre eles o próprio técnico José Ramón Sandoval (que até chegou a pedir demissão, mas acabou permanecendo) — fossem liberados. Tudo isso semanas antes da estreia na Liga contra o Athletic Bilbao. Não a toa, pouquíssimos imaginavam que o Rayo tivesse alguma chance de escapar do rebaixamento. Aliás, havia dúvidas até mesmo das condições do clube sobreviver até o fim do campeonato.Assim como na temporada anterior, se administrativamente a crise persistia, em campo as coisas caminharam muito melhor que a encomenda".

Após 33 rodadas, o Rayo Vallecano não figurou uma única vez na zona de rebaixamento. A manuntenção de jogadores como Casado, Movilla e Michu tem sido um golpe na manga da diretoria. Michu, por exemplo, faz Liga incontestável: autor de 15 gols, é o artilheiro da equipe e tem um repertório maior de jogadas e de finalizações Dos reforços, quem mais chama atenção é Diego Costa. Contratado sob dúvidas após um ano e meio parado devido a uma lesão séria no joelho, o brasileiro tem estado acima das expectativas. Tornou-se peça chave do esquema de Sandoval e conquistou a torcida. O Marca já especula a contratação definitiva do atacante, que pertence ao Atlético de Madrid.

No segundo turno, o Rayo mostrou uma faceta mais impressionante: seguro, pressionando o adversário com e sem a bola e criando chances incotáveis de gols. A maior demonstração de poderio foi na, ironicamente, derrota para o Real Madrid. O dérbi levou os merengues a um cenário de desconforto pouco visto na temporada, mas um tento de calcanhar de Cristiano Ronaldo decidiu o jogo (sem esquecer dos possíveis pênaltis não marcados). Se a Europa, há algumas rodadas, chegou a ser um sonho possível, atualmente é improvável uma vaga na Liga Europa. Mas o importante é que os rayistas estão a um passo da salvação, o que pode ser comemorado como um título pela fanática torcida.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Resumo: 31ª Rodada (2ª parte)

Espetacular. Digno de aplausos, o Valencia enfiou uma impiedosa manita em seu rival Villarreal e se consolidou na terceira colocação (getty images)

O domingo prometia na Liga BBVA. A noite espanhola seria fechada com um incrível dérbi valenciano entre Valencia e Villarreal, que há tempos não disputavam uma partida com um importante valor. Em campo, o Valencia fez uma de suas melhores partidas em anos e garantiu uma manita histórica para cima de seu rival, colocando seis pontos de vantagem para cima dos amarillos e garantindo, praticamente, a vaga direta na próxima Champions League. Antes, às 14h, o Atlético de Madrid também fez uma de suas melhores partidas em anos e venceu a Real Sociedad, chegando à sétima colocação. O Espanyol, que só empatou com o Hércules, "conseguiu" o que "queria": saiu da disputa pela Liga Europa. Confira a segunda parte do resumo da trigésima primeira rodada. Boa leitura!

Valencia 5x0 Villarreal (Pedro Spiacci)
O Mestalla recebeu o clássico da comunidade valenciana, envolvendo Valencia e Villarreal. Antes da bola rolar, o palco da final da Copa del Rey homenageou Guaita, goleiro reserva do time da casa, que perdeu o pai nessa semana. Ao ver os cartezes com imagens suas e do patriarca, o goleiro se emocionou muito. Unai Emery armou os ches no 4-3-2-1, com Pablo Hernández cirando à direita e Mata fazendo o mesmo papel pela esquerda. No ataque, apenas o homem de 11 gols em La Liga, Soldado. Já o Villarreal veio no 4-1-3-2. Marchena era o “1” que funcionava muitas vezes como um terceiro zagueiro; no ataque, a ótima dupla Nilmar e Rossi. Mesmo atuando com praticamente cinco defensores, o Submarino Amarelo não conseguia conter Soldado, que recebendo passes de Hernández e Mata aparecia na cara de Diego López. Em uma das jogadas, Miguel recebeu do camisa 19 e descobriu o centroavante, que aproveitou a chance para abrir o placar.

Os ches “transpiravam” muito e não davam espaço para os visitantes. Com isso, na primeira etapa, Nilmar e Rossi pouco fizeram. O Valencia ainda perdeu Tino Costa, por lesão. A saída do volante e a entrada do zagueiro Dealbert resultou em uma mudança tática: saiu o 4-3-2-1 e entrou em ação o 5-4-1. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, o Villarreal cresceu e deu sinais de que poderia dificultar a vida dos donos da casa. Porém, quando parecia que se complicaria na partida, o Valencia explorou os contra-ataques e matou a partida. Primeiro, através de muitas trocas de bolas, Mata recebeu livre e fez o segundo. O gol foi um balde de água fria nos visitantes. O submarino amarelo sumiu em campo após o 2 a 0, e Nilmar e Rossi sofriam muito com isso, pois não recebiam bolas em condições de criar chances de gols.

Depois Banega fez o terceiro, Mata o quarto e Soldado recebeu de Topal para fazer o quinto, garantindo a manita para os mandantes. O 5 a 0 agora é a maior vitória alcançada pelo Valencia no clássico da região. E hoje, o resultado não poderia ser diferente, pois os ches controlaram as ações durante praticamente todos os 90 minutos. Com os três pontos de hoje, a diferença entre as duas equipes na classificação pulou para seis. Assim, o Villarreal não tem muito o que fazer e deve ficar mesmo com a quarta vaga à Liga dos Campeões 2011-12 e terá que jogar os Play-offs.

Atlético de Madrid 3x0 Real Sociedad (Pedro Spiacci)
Antes do jogo, a torcida colchonera que lotou o Vicente Calderón, prostestou contra a gestão do presidente Enrique Cerezo e da família Gil, que controla as ações do clube. Mas durante a partida, os donos da casa não deixaram a torcida reclamar. Diego Costa, após o triplete na última rodada, deixou Diego Forlán no banco. Quique Sánchez Flores armou o Atlético de Madrid no 4-4-2 ortodoxo, com Suárez e Tiago na volância e Reyes e Koke mais à frente encostando na dupla de ataque Diego Costa e Agüero. Do outro lado, a Real Sociedad veio no tradicional 4-2-3-1, tendo apenas Tamudo no ataque. O Atléti decidiu o jogo cedo. Sem receber pressão alguma, o time controlou a posse de bola, pressionou e atacou muito até Filipe Luís abrir o placar. A bela jogada iniciada com ótimo lançamento de Agüero, que teve a assistência de Diego Costa, resultou no primeiro gol do brasileiro com a camisa rojiblanca.

O Atlético podia ter feito mais gols nos 45 minutos iniciais; porém, o segundo tento só saiu no final da primeira etapa. Reyes fez o que quis com Martínez pelo lado esquerdo da área, passou pelo marcador e rolou para trás, onde Suárez apareceu para marcar o seu primeiro gol em La Liga 2010-11. No segundo tempo, a Real Sociedad ameaçou nos minutos iniciais. Mas não levou muito tempo para o Atlético retomar o domínio total da partida. Bravo, o goleiro rival, teve que se virar para impedir que colchoneros fizessem o terceiro. Porém, o Atléti tinha Agüero, que conseguiu o terceiro tento em um contra-ataque que puxou sozinho. Forlán também foi destaque no segundo tempo. O uruguaio entrou aos 70 minutos de partidas sob vaias e pouco participou do jogo. Cada vez fica mais claro que o tempo do Cachavacha no atléti já está se esgotando. Com os três pontos, o Atlético alcança a sétima colocação, que hoje lhe garantiria a vaga à Liga Europa.

Hércules 0x0 Espanyol
Na segunda partida de Miroslav Djukic no comando técnico do Hércules, um avanço. O empate com o Espanyol no Rico Pérez não tirou os herculinos da zona de rebaixamento, mas já é um grande passo segurar uma equipe da parte de cima da tabela, mesmo que esta esteja em clara má fase. Os blanquiazules atuaram com contudência e até poderiam sair com os três pontos, mas a falta de pegada e a boa partida de Kameni impediram isso. Drenthe parece ser mesmo o pilar da equipe de Djukic. Hoje o holandês chamou para si a responsabilidade e deu muito trabalho a Galán. No lado do Espanyol, Pochettino está preocupado. E não é para menos: há dois meses, o Espanyol estava brigando pela terceira posição. Hoje, a equipe está na oitava posição, fora da zona de Liga Europa e faz na próxima rodada uma final: irá receber no Cornellà o Atlético de Madrid, sétimo colocado. A sete rodadas do fim, os blanquiazules ainda receberão até o término do campeonato, além do Atléti, o Athletic Bilbao e o Sevilla, dois adversário diretos. A vantagem é que irá disputar as partidas em casa, com o apoio da torcida.

Málaga 0x0 Deportivo La Coruña
Num La Rosaleda com mais de trinta mil espectadores, o Málaga não conseguiu furar o bloqueio galego, que jogou com um a menos durante quarenta e cinco minutos finais, e deu continuidade ao inferno do descenso. De volta ao 5-3-2, os comandados de Garrido saíram de campo com a noção de que o ponto conquistado pode ter sido importante para o futuro da equipe, a cinco da zona de rebaixamento. Mesmo após a expulsão de Lopo, os jogadores continuaram exercendo um muro à frente da meta de Aranzubia e abafaram os constantes ataques malagueses, que tiveram uma posse de bola na casa dos 73%. Os acontecimentos desta tarde na Andaluzia só refletem como o Málaga está sem confiança. Manuel Pelegrinni se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time com bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. Contra o Hércules, na 33ª rodada, o La Rosaleda voltará a presenciar um confronto direto, mas, desta vez, o peso será outro: só a vitória interessa para o conjunto de Pelegrinni, que irá encarar uma equipe que subiu de produção após a ida de um novo técnico.

Racing Santander 1x1 Levante
No jogo das duas equipes que mais subiram de produção no segundo semestre, um empate com sabor de derrota para o Racing. O gol de empate dos levantinos, marcado por Rafa Jordá, saiu aos 44 minutos do segundo tempo e após erro clamoroso de Torrejón. Os racinguistas também podem lamentar as oportunidades perdidas e a grande jornada de Reina. O catalão fez, pelo menos, três defesas providenciais quando o Racing mais atacava em busca do gol da vitória. A má notícia que fica é a lesão de Bolado, que provavelmente o tira dos gramados por dois meses. O atacante foi o que mais cresceu após o retorno de Marcelino Toral ao comando técnico dos verdiblancos. Para o Levante, que fez uma má partida, fica a notícia de que a invencibilidade de um mês e meio ainda dura. Desde a derrota para o Real Madrid, em fevereiro, a equipe disputou sete jogos e não perdeu nenhum (dois empates e cinco vitórias).

domingo, 22 de agosto de 2010

Cumprir às expectativas

O Atlético de Madrid conseguiu segurar os seus dois principais jogadores, e ainda trouxe mais dois de enorme qualidade. Resta saber se finalmente os rojiblancos vão almejar algo maior para a nova temporada (elatleticodemadrid.com)

O Atlético de Madrid vem ganhando ao longos desses últimos 10 anos a fama de ser um time perdedor. E não é por enorme zuação dos torcedores rivais, não. Incrivelmente, o Atlético de Madrid sempre montou grandes times, que ganhavam ar de favoritos às competições que disputasse, mas sempre pecava em alguns pontos. Times bons, mas que fracassavam e mostravam uma cara perdedora. Até a temporada passada, quando conquistou a Liga Europa, o Atlético de Madrid estava há 14 anos sem vencer uma única competição qualquer - 46 sem vencer uma competição europeia. Algo que explica o porquê da fama de time perdedor.

Para a nova temporada, o Atlético de Madrid começou muito bem. O Atléti conseguiu se livrar de Pablo, conseguiu segurar a sua ótima dupla de ataque - Forlán e Agüero - e trouxe um lateral esquerdo de altíssima qualidade - Filipe Luís - , para ser titular em uma das posições mais carente do clube. Com a chegada do promissor Fran Mérida, o Atlético segue como uma das equipes mais fortes da Espanha. O problema é que a defesa - leia-se, zagueiros - continua fraca, pois é difícil imaginar que apenas a chegada de Godín resolva os crônicos problemas da retaguarda colchonera. Falta contratar mais um zagueiro e um lateral direito, para evitar as improvisações - ridículas - de Perea e Ujfalusi. O time precisa que o jovem goleiro De Gea amadureça e Simão, Ujfalusi e Antonio López joguem um futebol compatível com a esperança que a diretoria tem neles para dar passos adiantes.

Para o meio-campo, a ótima notícia é que o clube conseguiu mais um ano de empréstimo do português Tiago, que se encaixou perfeitamente no esquema colchonero. Além do gajo, está de retorno a Manzanarez, Mário Suárez, um dos destaques da bela temporada do Mallorca. Mais amadurecido do que na primeira vez que jogou no Atléti, Suárez, caso mostre o seu "verdadeiro" futebol, deve ser titular da meiuca rojiblanca. Diego Costa é outro que está de retorno. Ainda que seja uma icógnita (boatos do Marca dizem que o brasileiro deve retornar ao Valladolid, porém dessa vez em definito), Diego foi um dos destaques da ótima pré-temporada do Atléti e pode até figurar no time titular, caso Quique volte com o 4-3-3 - o que é difícil.

Ainda que este time seja o melhor nos últimos anos, sempre tem alguém que fique com o pé atrás. Os colchoneros podem acabar com essa dúvida no primeiro grande teste na temporada: o jogo da Supercopa da Uefa na sexta, contra a toda poderosa Inter de Milão. Caso vença, o time pode começar a ter uma mentalidade vencedor. Se perder, a fama de perdedora irá continuar, mas ainda terá três campeonatos inteiros para provar o contrário.