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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os melhores da Liga BBVA 2012-2013

Após as revelações, chegou a vez dos melhores. O Quatro Tiempos votou para eleger os melhores da temporada dividido em três categorias: a seleção da temporada, o melhor jogador e o melhor jovem (considerando até 21 anos). Dessa vez, contamos com a colaboração mais do que agradável da equipe do Futebol Espanhol, jornalistas brasileiros e espanhol. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. E se a Liga BBVA entra de férias, não se preocupem: o blog continuará na ativa no período da pré-temporada. Boa leitura.

Isco Román, o Golden Boy europeu e o melhor jovem da Liga BBVA 2012-2013 (UEFA)

Seleção da temporada
Courtois (Atlético de Madrid); Carlos Martínez (Real Sociedad), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Sergio Ramos (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madrid); Xabi Alonso (Real Madrid), Iniesta (Barcelona), Özil (Real Madrid); Messi (Barcelona), Falcao García (Atlético de Madrid), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Diego Simeone (Atlético de Madrid).

Melhor jovem: Isco Román, do Málaga
O Golden Boy europeu brilhou por mais uma temporada. Pelo segundo ano consecutivo, Isco termina a Liga Espanhola como o melhor jovem. Dessa vez, teve a concorrência de Varane (Real Madrid), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Illarramendi (Real Sociedad) e Courtois (Atlético de Madrid), que tiveram seus nomes mencionados entre os votantes. Invertendo posição com Joaquín e ora Eliseu, ora Júlio Baptista na veloz linha de três do Málaga, Isco brilhou. Jogando numa posição em que ficava mais próxima do gol, o espanhol deixou o rótulo de promessa de lado para virar realidade: com apresentações de gente grande contra Real Madrid e Barcelona, além das brilhantes partidas na UCL, ele está sendo disputado por Real Madrid e Manchester City. Em entrevista ao AS no início da semana, Isco afirmou que irá pensar no melhor para o Málaga e para ele na hora da decisão. Hoje, ele tornou-se campeão da Eurocopa Sub-21 com a seleção espanhola e foi consagrado com o troféu  de melhor jogador da competição.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, do Atlético de Madrid
O sucessor de Peter Cech vai construíndo uma carreira de ouro em Manzanares. No topo de seus 21 anos, Courtois é bastante querido pela torcida colchonera, especialmente após a grande partida que fez na final da Copa do Rei contra o Real Madrid. Se o principal rival do Atlético era a pedra no sapato do belga, que costumava falhar perante Cristiano Ronaldo, dessa vez ele parece ter quebrado esse obstáculo. A temporada de ouro de Courtois foi premiada com a conquista do Troféu Zamora, que premia o goleiro menos vazado. Após quatro temporadas, enfim alguém superou Víctor Valdés no troféu dado pelo Marca. Menções honrosas a Caballero, do Málaga, e Diego López, do Real Madrid.

Melhor defensor: Iñigo Martínez
O salto na carreira de Iñigo Martínez foi dado nesta temporada. Um ano depois de ter aparecido na lista das revelações da temporada 2011-2012, o basco, em apenas seu segundo ano como profissional do time A da Real Sociedad, foi um dos principais pilares do time que alcançou a vaga na fase preliminar da Uefa Champions League. Foi, também, por que não, uma temporada de redenção ao jovem, que sofreu uma lesão no menisco em abril do ano passado, retornando apenas em agosto. Bom no jogo aéreo, seguro no mano-a-mano e com um bom arremate de fora da área, ele começa a ter seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona. Quem também recebeu votos foram Sergio Ramos (Real Madrid), Demichelis (Málaga), Varane (Real Madrid), Miranda (Atlético de Madrid) e Piqué (Barcelona). 

Melhor meio-campista: Andrés Iniesta
Em crescente desde o título da Eurocopa, Iniesta voou na temporada. Bem fisicamente, o espanhol foi o segundo melhor blaugrana no ano e terminou a Liga com sensacionais 16 assistências. Na primeira parte da temporada, foi escalado aberto à esquerda do ataque por Tito Vilanova, numa tentativa de encaixar Fàbregas ao lado de Xavi e Andrés. Deu certo, com os três atuando num nível positivo. No entanto, após as derrotas para Milan e Real Madrid, Tito/Roura resolveram colocar Villa no ataque e atrasar Iniesta à sua posição de origem, onde ele atua melhor. Ao lado de Xavi, Iniesta controla mais a armação das jogadas. Menções honrosas: Xabi Alonso (Real Madrid), Beñat (Bétis), Kondogbia (Sevilla), Illarramendi (Real Sociedad), Xavi (Barcelona), Busquets (Barcelona), Özil (Real Madrid), Isco (Málaga) e Xabi Prieto (Real Sociedad).

Lionel Messi: artilheiro da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, o argentino foi o melhor jogador da competição (Getty Images)

Melhor atacante: Lionel Messi
Melhor jogador: Lionel Messi

Mesmo não tendo sido, tecnicamente, a melhor temporada da carreira de Messi, o argentino novamente assombrou. Com 46 gols em 32 jogos, o argentino deixou os rivais bem para trás na disputa pela artilharia. Seu principal rival, o português Cristiano Ronaldo, foi o vice-artilheiro com 34 gols. Mesmo com o título espanhol, o Barcelona viveu uma temporada difícil, com muitos problemas de lesão e Tito Vilanova tendo que sair no meio do campeonato para se tratar de um câncer em Nova Iórque. 

No entanto, nenhuma outra lesão foi tão sentida pelo torcedor como a de Messi, que se lesionou numa partida da Uefa Champions League contra o PSG e, a partir daí, foi utilizado esporadicamente em jogos especiais. Nesse período a Messi-dependência que vem sendo criada desde o fim da era Guardiola foi escancarada. O melhor jogador do mundo também não foi ameaçado na nossa votação: dos oito votantes, seis votaram no argentino como melhor jogador- os outros dois votaram em Cristiano Ronaldo. Na categoria melhor atacante, menção honrosa a Falcao García, que só não recebeu um voto dos oito participantes.

Votantes da seleção dos melhores da Liga BBVA 2012-2013
Josep Capdevila (Diário Sport, Catalunha)
Leonardo Bertozzi (Espn)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Maurício Bonato (Sports +)
Pedro Pedroso (Futebol Espanhol)
Pierre Andrade (Futebol Espanhol)
Vitor Sergio (Esporte Interativo)
Victor Mendes (Quatro Tiempos/Doentes Por Futebol)

sábado, 18 de maio de 2013

San Simeone

Diego Simeone sorri à toa: ele é o principal nome do atual Atlético de Madrid (AS)

23 de dezembro de 2011. Após uma fraca primeira parte de temporada, que culminou numa eliminação precoce na Copa do Rei diante do modesto Albacete, a diretoria do Atlético de Madrid resolveu demitir Gregório Manzano, que, durante cinco meses, não conseguiu definir uma tática e dar um padrão jogo à equipe. Sem muitos treinadores disponíveis no mercado, o jeito foi recorrer a Diego Simeone, ex-jogador e ídolo do clube. Hoje, quase um ano e cinco meses depois, não há mais dúvidas de que a diretoria acertou em cheio na contratação do argentino.

Ontem, Simeone conseguiu, por tudo que envolveu, o maior título de sua carreira: a Copa do Rei 2012-2013. Diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, um tabu perseguia o Atlético de Madrid: há 14 anos que o clube de Manzanares não vencia o rival de Chamartín. No entanto, numa das melhores apresentações do Atléti em tempos, a equipe manteve a concentração após o gol de Cristiano Ronaldo, empatou ainda no primeiro tempo com Diego Costa e levou o jogo à prorrogação, quando Miranda decretou o fim do pesadelo e o primeiro título de um clube-não-Real-Madrid-e-Barcelona em solo nacional desde a Copa do Rei do Sevilla em 2010, justamente contra o Atlético de Madrid.

Mas os méritos de Simeone vão muito além das taças levantadas (Liga Europa, Supercopa da Uefa e Copa do Rei). A começar pelo sistema defensivo, inconstante há anos, que El Cholo ajustou de maneira brilhante. Com Juanfran, Miranda, Godin e Filipe Luís, o argentino formou uma retaguarda sólida, capaz aguentar a pressão adversária. Coincidência ou não, Miranda e Filipe Luís fizeram suas melhores temporadas na Europa, enquanto a adaptação de Juanfran à lateral direita foi um golpe de mestre do treinador - Juanfran, aliás, chegou até a ser chamado para a seleção espanhola.

O segredo dos bons resultados na atual temporada passa, em partes, pela forte marcação no meio-campo, que desarma à rodo e aciona os contra-ataques. A marcação pressão no campo adversário, principalmente em jogos decisivos, gera um cenário de desconforto ao rival. O Atlético adora jogar sem a bola, mas sabe que tem obrigação. Executa contra-ataques à perfeição e se defende com grande aplicação tática. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

Outro dos acertos de Simeone foi ter conseguido encaixar Diego Costa ao lado de Falcao García sem necessariamente abrir mão dos atributos dos dois jogadores, embora para privilegiar o faro de gol do colombiano o brasileiro tenha cumprido outro papel em 90% da temporada. Sem seu principal armador, Diego, que voltou ao futebol alemão, El Cholo encarregou o cerebral Arda Turan (que mostrou, durante o período que ficou ausente, ser tão essencial quanto Falcao) à função da armação, deslocando Diego Costa ao flanco esquerdo do 4-2-3-1.

Os 34 gols em 40 jogos, sendo 28 na Liga Espanhola, cravam Falcao García como o melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada. E os gritos da torcida de "Falcao, quedate" (especulações o colocam no Monaco, novo rico da Europa) na comemoração do título da Copa do Rei prova isso. Além dos méritos do próprio Falcao, Simeone também tem a ver com a excelente fase do centroavante. Com Manzano, até pela bagunça que era o time, o camisa 9 não se encontrou. Com um time moldado para ele brilhar, El Tigre não decepcionou. Colecionou aparições decisivas (gols na final da Liga Europa e da Supercopa, assistência na final da Copa do Rei) e tornou-se querido pelos aficionados.

Os resultados estão aí. O Atlético de Madrid aguentou até onde pôde acompanhar o Barcelona na Liga Espanhola, terminou o primeiro turno em segundo lugar, mas não suportou o pique e acabou ultrapassado pelo Real Madrid. No entanto, soube manter os jogadores em alta e não pressioná-los, porque, apesar do título ter ficado difícil, ainda havia a disputa por uma vaga na Champions em jogo. E, dessa forma, sem ser pressionado por Real Sociedad, Valencia e Málaga, times que disputam o quarto lugar, os rojiblancos confirmaram, com três rodadas de antecedência, o retorno à maior competição de clubes do mundo, após três temporadas disputando Liga Europa.

Agora, Simeone tem novos desafios. Conquistar UCL e Liga é uma missão difícil, porém o Atléti precisa fazer campanhas aceitáveis para ganhar mais força e respeito em âmbito europeu. Por exemplo, o time precisa ir além das oitavas de finais como em 2008/2009 ou de uma queda precoce na fase de grupos como em 2009/2010. Na Liga, a equipe é o melhor time humano e, em CNTP, não deve ter muito trabalho para terminar em terceiro (ou, quem sabe, brigar com Barcelona e Real Madrid novamente). Contudo, o momento agora é de aproveitar a melhor temporada rojiblanca desde 1995-96.

sábado, 3 de novembro de 2012

Sequência de fogo

Falcao García, com média de gols tão boas quanto as de Messi e Cristiano Ronaldo, é o principal trunfo de Simeone na sequência que irá mostrar se o Atlético de Madrid é candidato ou não ao título (getty images)

Hoje, às 19h, o Atlético de Madrid irá à Comunidade Valenciana enfrentar o Valencia no Mestalla. É o primeiro de quatro jogos que a equipe treinada por Diego Simeone terá para fazer fora de casa que irá mostrar se é candidata ou não ao título. Invicto na temporada, essa é a "prova final" dos rojiblancos, que ainda são visto com olhares de desconfiança. As próximas visitas são ao Carménes (Granada), Santiago Bernabéu (Real Madrid) e Camp Nou (Barcelona). Em jogo, mais do que provar que pode brigar pelo título. No dérbi de Madrid, o Atléti, pela primeira vez em anos, chega com status para quebrar um tabu que dura 13 anos: vencer o principal rival.

O calendário irá requer bastante concentração. Simeone, atento a isso, tenta tirar o peso da responsabilidade de seus jogadores a cada coletiva. "Podemos brigar pelo título, mas vamos com calma", disse o argentino após a vitória do último domingo, contra o Osasuna. As estatísticas mostram que os colchoneros são capazes. Se derrotar o Valencia hoje, irão chegar ao melhor início de campeonato em sua história. As coincidências também são históricas: assim como em 1996/1997, temporada na qual ganhou a Liga pela última vez, divide a liderança com o Barcelona e está oito pontos à frente do Real Madrid em dez rodadas. A distância para o terceiro colocado Málaga, que começa a dar sinais de cansaço - até por conciliar Liga e Champions -, é de sete pontos.

Acima de tudo, Simeone irá precisar contar com o melhor Falcao, principalmente contra Real Madrid e Barcelona. Na temporada passada, o colombiano marcou dois gols contra a dupla, mas viu sua equipe sucumbir. Atualmente, a fase do Tigre é de outro mundo. Com a mesma média de gols de Messi e Cristiano Ronaldo, ele tem sido cotadíssimo para disputar a Bola de Ouro com os dois principais jogadores do mundo. Vice-artilheiro da Liga ao lado do português, Falcao, com 17 gols nos últimos 11 jogos, superou no final de semana passado o melhor início de temporada de Messi. Em enquete do Marca e do As, consideram o momento do centroavante melhor que do gajo e do argentino.

A defesa, em especial, também irá precisar manter o ritmo elevado que vem mostrando até o momento. Miranda, melhor zagueiro deste início de Liga, é homem de confiança de Simeone. O argentino, aliás, tem bastante méritos por ter ajustado uma defesa bastante criticada há muitos anos. Hoje, a retaguarda é sólida e passa por pouco apuros. Na lateral esquerda, El Cholo conseguiu recuperar o melhor Filipe Luís, em nível semelhante ao apresentado no Deportivo La Coruña, quando foi o melhor lateral esquerdo da Liga Espanhola 07/08.

O Atlético de Madrid 2012/2013 joga menos tempo com a bola, mas sabe se virar sem ela. Dificilmente eles terão uma maior posse de bola contra Valencia, Real Madrid e, sobretudo, Barcelona, mas não se enganem com isso. Simeone gosta de cedê-la para, num escape, sair no contra-ataque, outra característica dessa equipe. O Atléti, também, busca o resultado até o último minuto, uma marca registrada do clube historicamente. Há duas semanas, um gol de falta de Falcao no último lance da partida deu uma vitória suada à equipe contra a Real Sociedad, em San Sebastian, rival que irá dar trabalho aos grandes em casa. Se o Atlético é ou não capaz de, após anos, brigar pelo título com Real Madrid e Barcelona, saberemos nas próximas semanas. Mas os colchoneros mostraram que são capazes de desafiar os gigantes espanhóis.

Próximos jogos do Atlético de Madrid
Valencia - Atlético
Atlético - Getafe
Granada - Atlético
Atlético - Sevilla
Real Madrid - Atlético
Atlético - Deportivo
Barcelona - Atlético

domingo, 23 de setembro de 2012

Yes, we can

 Falcão García e Diego Simeone: os responsáveis pelo momento mágico vivido pelo Atlético de Madrid (getty images)

Não há como negar: a demissão de Gregório Manzano em janeiro deste ano fez muito bem ao Atlético de Madrid, que balançou com o treinador, viveu um período negativo durante o primeiro período da temporada passada e ainda por cima engoliu uma eliminação precoce na Copa do Rei para o pequeno Albacete. Manzano, durante sua pequena estadia em Manzanares, demonstrou uma grande indefinição tática, que variava a cada jogo. Além disso, ele nunca conseguiu achar uma escalação ideal.

O argentino Diego Simeone, campeão da Liga e da Copa com o clube em 1996, mudou o rumo dos colchoneros. Com o mesmo elenco de Manzano, El Cholo não só conquistou títulos relevantes como Liga Europa e Supercopa da Uefa como conseguiu dar um padrão de jogo à equipe. Um dos principais êxitos da gestão do ex-volante é privilegiar o futebol de Falcão García, que cresceu absurdamente de rendimento de janeiro para cá. Hoje, o Atléti derrotou o Valladolid por 2x1 e chegou aos 11 pontos no campeonato. Na quinta colocação, ainda tem um jogo adiado para cumprir contra o Bétis na próxima quarta-feira. Caso vença, os rojiblancos assumirão a vice-liderança, ficando dois pontos atrás do líder Barcelona. A fase é tão boa que a última derrota foi em abril, para o Rayo Vallecano. São 15 partidas consecutivas sem conhecer um revés.

Em campo, é fácil explicar o motivo da boa fase atleticana. O forte e combatente meio-campo é essencial na proposta de jogo de Simeone. As estatísticas mostram que o seu Atlético não joga com a bola nos pés. O Chelsea, no confronto da Supercopa, teve 62% da posse de bola, e perdeu por 4x1. Há uma semana, durante a estreia na Liga Europa, o Apoel teve o domínio territorial com 68% da posse. O resultado? 3x0 para o Atléti. Ironicamente, o único jogo na temporada em que teve mais posse de bola que o adversário terminou empatado: 1x1 contra o Levante, quando teve 58%. Os colchoneros adoram jogar sem a bola, mas sabem que tem obrigação. Têm méritos de armarem contra-ataques à perfeição e se defenderem com solidez, um problema crônico do time nos últimos anos. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

O futebol desempenhado lembra muito o do rival Real Madrid (cultura de Madrid, lembram?). A vitória na final da Liga Europa contra o Athletic Bilbao ratificou essa comparação, quando os rojiblancos executaram uma tática à merengues contra o Barcelona. A marcação pesada gera ao adversário um cenário de desconforto. Além disso, o setor ofensivo não deixam a desejar. Arda Turan, Adrián López e Falcão García, principalmente, são provas cabais disso. Ao perder Diego, Simeone ficou sem seu principal articulador, mas vê em Koke, o Xavi rojiblanco, um bom substituto. Cebolla Rodríguez, contratado para esta temporada, tem entrado bem durante as partidas.

O treinador é o principal responsável por esse momento. Outro de seu grande trunfo foi ter acertado uma defesa inconstante há anos. Miranda e Godín formam uma dupla segura e Juanfran (que é improvisado como lateral, outro granda escolha do treinador) e Filipe Luís, pelos lados, são boas opções ofensivas. Eles também são importantes na recomposição porque voltam para marcar. O brasileiro vive sua melhor fase desde que saiu do Deportivo. Após uma temporada sábatica, o lateral-esquerdo, que chegou a ser pedido pela imprensa para ser convocado por Dunga à Copa, é muito importante nas infiltrações pelo flanco esquerdo. Hoje, o Atlético de Madrid é candidato real a uma vaga na próxima Champions League e o caminho é tomar do Valencia, que começou a temporada tímido, o posto de melhor equipe humana da Espanha. Após tanto errar, o presidente Enrique Cerezo acertou em cheio ao fechar com Diego Simeone.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Real Madrid inspirou o Atlético de Madrid

 Em Neptuno, a festa é do Atléti. Bi-campeão da Liga Europa, colchoneros se inspiraram o rival merengue para bater Athletic Bilbao (getty images)

Há três semanas, o Real Madrid foi ao Camp Nou para vencer o Barcelona e sentenciar o campeão espanhol da temporada. Ao vencer por 2x1, os merengues, paralelamente, deixaram uma lição ao rival Atlético de Madrid. Para parar um futebol baseado na troca de passes, é preciso inteligência, aplicação tática e acerto na hora do contra-ataque. Foi assim que os principais clubes de Madrid conseguiram seus maiores resultados na temporada. Os colchoneros, jogando de maneira semelhante, conquistaram o bi-campeonato da Liga Europa ao derrotar o Athletic Bilbao, equipe espanhola que mais próxima chega do estilo de jogo barcelonista.

Embora diga bastante sobre as equipes, a estatística menos relevante do confronto foi a posse de bola, que, claro, ficou com o conjunto basco em 63% do tempo. O número não significa que o Athletic Bilbao, segundo time que mais troca passes na Liga BBVA, tenha sido melhor, pelo contrário. O Atlético de Madrid simplesmente abdicou da bola e apostou na força da trinca do meio-campo formado por Diego, Adrián e Arda Turan, que impusseram aos rojiblancos de Bilbao uma avalanche futebolística que a equipe de Bielsa ainda não havia presenciado na Liga Europa. Na frente, bola para Falcão que ele decide. Foram dois gols que ratificaram a artilharia da competição pela segunda temporada consecutiva. Também pela segunda temporada consecutiva, El Tigre marca na final e é campeão. Literalmente, o Mister Europe League, como é chamado.

A estratégia dos colchoneros, executada à perfeição, era evidente: desarmar e acionar os meio-campistas pelo flanco ou o artilheiro no comando do ataque, já que o Athletic Bilbao descia ao ataque desesperado, deixando a retaguarda desprotegida. Porém, assim como o Real Madrid no Camp Nou, o Atléti jamais se limitou a ficar apenas na defesa. Com a bola, o time de Simeone sabia o que fazer. Gabi e Suárez foram perfeitos na volância, combatendo Iturraspe e Ander Herrera. A dupla do Bilbao, aliás, ficara extremamente preocupado com Diego, Arda Turan e Adrián López em determinados momentos do jogo.

Por exemplo, o estilo de jogo dos Leones passa necessariamente pelo encaixe de seus meio-campistas. Em Bucareste, Ander foi decepção, pois não criou nada, mostrou-se nervoso, errou finalizações bobas e foi substituído cedo. Assim, Llorente passou despercebido e foi presa fácil para Miranda, que, talvez, fez sua melhor partida na temporada e na carreira no Atlético de Madrid. Susaeta, pela direita, foi anulado por um Filipe Luís que cada vez parece mais com aquele do Deportivo La Coruña que quase acabou contratado pelo Barcelona. Apenas Muniain tentou e teve (pouco) sucesso. A entrada de Ibai Gómez e Iñigo Pérez no segundo tempo foi uma alternativa de Bielsa para colocar velocidade pelos flancos do campo. Com o meio-campo congestionado, as inflitrações seriam necessárias para bater a meta de Courtois.

A escolha da postura e sua execução do Atlético de Madrid foram ótimas. Méritos para Simeone, que pegou uma equipe eliminada na Copa do Rei para o pequeno Albacete (no Vicente Calderón, vale lembrar) e a transformou na campeã da Liga Europa pela segunda vez em três anos. É um time totalmente diferente da época de Manzano. Simeone ajustou a defesa, soube usar o jogo de seus laterais e, sobretudo, apostar no contra-ataque, talvez maior mérito de El Cholo desde seu retorno a Manzanares. A jogada, que inexistiu com Manzano, foi, para muitos, a principal responsável pelo título. Agora, como bem avisou Simeone, é hora de esquecer um pouco o título e seguir adiante na Liga. Contra o Villarreal, na última rodada, os rojiblancos entram em campo necessitando da vitória e torcendo para uma derrota do Málaga para fechar a temporada com chave de ouro: a vaga na Liga dos Campeões da Uefa.

Ao Athletic Bilbao, resta levantar a cabeça. A base é boa, promissora e mostrou ao mundo um dos mais belos futebol da temporada. O País Basco, certamente, está orgulhoso do time. Cair é permitido, claro, mas se levantar é essencial. O choro dos jogadores ao término da partida foi comovente, mas tem mais final pela frente, ainda que seja difícil derrotar o Barcelona, que vem à todo na despedida do Guardiola. Ainda não era hora de título, entretanto a taça pode estar próxima de Gabarra. "Voltamos já", disse Marcelo Bielsa, que deve ter seu contrato renovado. A Liga Europa o espera, Athletic.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos a Bucareste

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid garantiram seus bilhetes para Bucareste ao eliminarem, respectivamente, Sporting de Lisboa e Valencia. No Mestalla, os colchoneros atuaram com inteligência, foram atacados à exaustão na primeira etapa, mas mataram a partida e esfriaram os ânimos chés no segundo tempo, num balaço de Adrián. Por sua vez, o Athletic Bilbao teve mais trabalho. Derrotado no jogo de ida, abriu o placar, mas viu os lisboetas empatarem e deixarem a Catedral de San Mamés numa situação tensa. Mas Llorente, nome do jogo, apareceu nos minutos finais para explodir o estádio, fazer a festa e chorar de emoção ao levar os Leones à grande final. Veja por que você deve assistir à final da Liga Europa, em 9 de maio.

 Dramático: Athletic Bilbao conseguiu classificação à final da Liga Europa aos 44 minutos do segundo tempo (getty images)

Prêmio ao futebol arte. É unanimidade a todos que a equipe que mais desempenha o dito futebol arte na competição é o Athletic Bilbao. A equipe mostrou duas virtudes irrefutáveis ao longo do torneio. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta, Ander Herrera e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

Para entrar para a história. Marcelo Bielsa, em sua primeira temporada no clube, tem tornado-se um ídolo na cidade de Bilbao. Além da elogiável concepção de futebol, El Loco é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. A oportunidade de disputar duas finais logo de cara é o passaporte que o argentino recebeu para entrar para a história do clube rojiblanco.

Um título para Llorente. El Rey León. O jogador preferido dos aficionados bascos vem se mostrando decisivo há bastante tempo. Suas belas atuações chamaram a atenção de Del Bosque, e o centroavante esteve no elenco campeão mundial. Dois anos depois, é cotado até para ser titular na Eurocopa. Porém, falta preencher uma lacuna: ser campeão pelo seu clube. Em terras de Real Madrid e Barcelona, essa missão é quase impossível, mas Llorente nunca desistiu. Recusou convites de clubes ingleses e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Seu choro após o término do jogo contra o Sporting revela o árduo caminho que percorreu até que chegasse esse dia.

Jogando com inteligência, Atlético de Madrid despacha Valencia novamente e vai atrás do bicampeonato da Liga Europa (reuters)

Falcão García e Adrián López. Se do lado bilbaíno há El Rey León, no madrilenho tem El Tigre. Falcão García já havia entrado para a história da Liga Europa na temporada passada. Campeão com o Porto, foi artilheiro com 17 gols, superando a marca história de Klinsmann. O melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada tem a oportunidade de ser bicampeão e conquistar de vez o coração dos torcedores colchoneros. Seu grande companheiro é Adrián López, artilheiro da atual edição da Liga Europa. Campeão europeu com a Espanha Sub-21, Adrián tem números bons e pode conquistar seu primeiro título na carreira em clubes. Será uma final especial para o atacante.

Não subestime o Atlético de Madrid. Os holofotes estão voltados ao Athletic Bilbao, pelo motivo explicado no primeiro tópico. Mas não cometam o erro de subestimar o Atlético de Madrid e, num provável título rojiblanco, levar propensão à zebra. Os colchoneros sabem como jogar a Liga Europa. Em âmbito europeu, estão invictos há 11 jogos, onde ganharam todos, e conquistaram a competição há duas temporadas. É time de chegada, tem um meio-campo forte e aguerido capaz de parar a troca de passes bilbaína e um contra-ataque fatal. Na Liga Espanhola, no último confronto entre as equipes, ganhou por 2x0.

Simeone merece. A chegada de El Cholo ao comando técnico do Atléti foi um divisor d'águas para o time. Fadado ao fracasso com Manzano, os rojiblancos se recuperaram de maneira espetacular e chegam a segunda final europeia em três anos. O argentino, que foi campeão com o Atlético de Madrid como jogador, vê que o status de ídolo do clube permanece intacto As comemoração efusiva do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cultura de Madrid

O Mister Liga Europa: mais uma vez decisivo, Falcão García marcou dois e colocou o Atlético de Madrid próximo da final da segunda principal competição de clubes da Europa (AP Photos)

O Valencia sucumbiu ao Atlético de Madrid, no jogo de ida da semifinal da Liga Europa. Querendo uma revanche pela eliminação na mesma competição duas temporadas atrás, os chés só viram pela frente uma avalanche de cores vermelha e branca e, não bastasse, estão muitos próximos de uma nova eliminação. O discursso em Paterna, contudo, é de confiança. E há motivos para isso: as estatísticas mostram que o Valencia costuma marcar mais de um gol jogando no Mestalla na temporada. Além disso, o gol marcado por Ricardo Costa no final deu sobrevida à equipe.

Derrotado mais uma vez em jogo decisivo, não é unanimidade dizer que Unai Emery está balançado no comando técnico valenciano. Hoje, notícias do periódico Superdeporte, que cobre os clubes de Valencia (acima de tudo o Valencia), informou que o treinador teria revelado ao plantel que não irá permanecer sob comando da equipe para a próxima temporada (como a imprensa espanhola vem especulando há tempos) e deixou uma última mensagem: "quero sair pela porta da frente. Vamos em busca do terceiro lugar na Liga e do título europeu", teria dito Unai Emery.

Enquanto isso, no lado capitolino, Simeone esbanja prestígio. Após sua chegada, em janeiro, a temporada atleticana ganhou uma nova dimensão. O plantel era forte, mas o psicológico estava derrubado. Simeone, mestre nessa função, consegue tirar o melhor de cada jogador independente da partida. El Cholo, para começar, definiu uma tática. Se, por um lado, Manzano mexia no módulo tático rojiblanco a cada jogo e sempre mudava o onze inicial, um dos motivos para seu mau trabalho, o argentino estacionou no 4-2-3-1, variando sempre durante a partida para o 4-3-3 ou 4-4-2 em linha. Dá certo porque Adrián e Arda Turan, que compõe a linha de três ofensivo atrás de Falcão García inicialmente, se movimentam muito e recompõe bem na marcação, sobretudo o turco, quando atacado. Adrián, artilheiro da Espanha no Europeu Sub-21 e do Atléti no primeiro turno, tem se sacrificado em prol do time: joga mais aberto à direita e ajuda na marcação pelo seu setor em dentrimento de uma disputa de gols sadia com Falcão García. Não que isso bloqueie o faro de gol do "atacante": são 20 na temporada.

A vitória sobre o Valencia serve para alimentar esperanças de mais um título em solo europeu. Os colchoneros jogaram com muita intensidade, pressão e agressividade. Lembrando o futebol desempenhado pelo maior rival Real Madrid. É um estilo de jogo muito físico, mas os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. Filipe Luís enfim encontrou seu futebol após a saída do Deportivo. O lateral, que chegou a ser vaiado no Calderón, ataca com contudência e tem sido importante na marcação pela esquerda. O AS, em sua crônica do jogo, definiu como "cultura de Madrid". Fato é que o Atléti foi bastante superior aos blanquinegros e não abaixaram a cabeça após o gol de empate de Jonas.

Simeone tem dois jogadores em ótima fase no meio: Arda Turan e Diego. O primeiro, instável durante a temporada, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Falcão García no gol que abriu o marcador ontem. Diego é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. Após uma passagem apagada pelo Wolfsburg, o brasileiro tem feito valer a confiança depositada nele pela cúpula rojiblanca. Ele orquestra o meio-campo e arma as jogadas para Adrián ou Falcão. Diego sabe que é essencial para o esquema de El Cholo e voltou melhor após a lesão que o deixou fora dois meses. 

O colombiano, por sua vez, merece um parágrafo à parte. Que temporada fenomenal faz El Tigre. Dono de 30 gols na temporada, Falcão mostra-se mais uma vez decisivo em âmbito europeu. Campeão e artilheiro com o Porto na temporada passada, quando superou o recorde goleador de Klinsmann, com 17 gols. Em 2011/2012, são 13. A vitória também estabeleceu dois recordes para a segunda principal equipe da capital espanhola. O Atlético de Madrid tornou-se o primeiro clube a chegar a 15 vitórias numa única temporada em competições europeias e o segundo que ganha 10 jogos consecutivos, atrás apenas do Barcelona (11) de 2002/2003. Individualmente, Falcão e Adrián tornaram-se a primeira dupla a produzir 10 gols um um ano na Europa. Isso é o Atlético, a equipe que, pelo visto, abrangiu a cultura madrilenha de jogar futebol.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um bom filho à casa torna

Fadado ao sucesso, Simeone está de volta ao Atlético de Madrid. A torcida está ao seu lado e as expectativas são grandes (getty images)

Em 1995/1996, o Atlético de Madrid conquistou, pela última vez em sua história, a Liga Espanhola. Foi um título que colocou fim definitivo à época de ouro do Barcelona, que havia formado o primeiro dream team de sua história. Os blaugranas, que viam de quatro títulos espanhóis consecutivos e uma Liga dos Campeões, foram sentenciados pelos colchoneros, que aplicaram, naquela campanha, um doblete no rival, com direito a 6 a 2 na soma dos dois jogos (3 a 1 para o Atléti nas duas partidas). Além disso, à época, o Atlético de Madrid também pôde comemorar a Copa do Rei, derrotando na final justamente os catalães. Não havia mais dúvidas de que, na Espanha, havia um novo dono, e ele trajava vermelho e branco.

Um anos antes da temporada histórica, chegou a Manzanarez um argentino que chamava a atenção do mundo futebolístico. Proveniente do Sevilla, Simeone assinou com o time do Vicente Calderón e não demorou muito a cair nas graças da torcida. Ganhando ou perdendo, a feição nunca mudou. Frio, centrado sempre e, sobretudo, raçudo, Simeone encantou os torcedores. Não por sua habilidade. E sim por sua disposição a cada jogo, não importava o adversário. De nível inferior ou superior, El Cholo levava sempre a sério. Foi assim que o argentino seduziu o mundo. Peça-chave do Atlético de Madrid de 96, formou um excelente quarteto de meio-campo ao lado do sérvio Pantic e dos espanhóis Caminero e Viscaíno. Em 1997, transferiu-se para o futebol italiano, deixando uma lacuna no coração de cada torcedor colchonero. A camisa 14 nunca mais fora a mesma.

O natal na Espanha não é tão comemorada como aqui no Brasil, mas os aficionados atleticanos receberam um presentão. Após mais um vexame, ao ser eliminado da Copa do Rei para o modesto Albacete, a paciência da cúpula rojiblanca com Gregório Manzano esgotou-se e o técnico acabou demitido. Um dia depois, o presente do Dia de Reyes foi antecipado. O novo nome foi anunciado: Simeone estaria de volta à capital, dessa vez como treinador. O desafio não é simples: recolocar os Índios entre os grandes espanhóis novamente. "A responsabilidade é enorme, mas isso, em vez de me aterrorizar, serve para me motivar a ajudar a equipe, pouco a pouco, a recuperar o que já teve há tempos", afirmou em sua apresentação. Na 10ª colocação atualmente, copar uma vaga na Champions League parece uma missão ingrata. As atenções, portanto, voltam-se a conquistar uma vaga na Liga Europa e, por que não, tentar o bi da competição, onde os colchoneros enfrentam a Lazio, onde o argentino fez bastante sucesso, na fase 16 avos.

Em sua primeira coletiva, El Cholo deixou claro como irá querer o seu Atlético. Avisou que pretende montar um time agressivo, forte, aguerridos, que tenha como principal característica o contra-ataque. Seria um dèja vú de 95/96? Com Manzano, a última característica inexistiu. O módulo tático ainda é uma incógnita, embora Simeone goste de usar o 4-4-2 em suas equipes. A efetividade do sistema está na pressão constante sobre o adversário e na ocupação dos espaços do campo. Para isso, o bom condicionamento físico do time é essencial. Na zaga, não deve haver nenhuma mudança. Recuperar o bom futebol de Antonio López, entretanto, é o principal desafio. O ex-capitão não começou bem a temporada e vem armagurando o banco de reservas há tempos. O mesmo vale para Filipe Luís, que ainda não justificou sua ida à capital. Titular da lateral esquerda, o brasileiro ainda não se destacou como no Deportivo.

Está no meio-campo as dores-de-cabeças. Como Manzano alternava esquemas, a volância foi o principal problema durante sua pequena passagem. Com Simeone, a lógica leva a crer que Gabi e Paulo Assunção formarão a dupla com o objetivo de transbordar a segurança no meio. À frente, Diego e Arda Turan deverão jogar no suporte a Adrián e Falcão García. Nesse caso, Sálvio, que era constantemente titular com o ex-treinador, deve aparecer no banco com frequência. A não ser que o módulo tático seja um 4-1-3-2, que foi o que mais teve bons resultados na atual temporada. Diego centralizado, na armação à dupla de ataque, e Arda Turan e o argentino abertos pelos flancos é uma opção que, se bem trabalhada, pode levar perigo no contra-ataque.

Pouco mais de cinco mil pessoas acompanharam o primeiro treino comandado por El Cholo no estádio. Os torcedores ocuparam parte da arquibancada inferior e receberam Simeone com muita festa. O argentino ainda dedicou cerca de 25min após o treino para distribuir autógrafos. Não há garantia de que a escolha de Simeone para o comando do time é a certa, mas que é uma boa aposta poucos negam. O ex-jogador sabe o tamanho do Atléti e carrega consigo uma mentalidade que falta ao clube há alguns anos. É esperar para ver. A estreia é no próximo dia 8, contra o Málaga, na Andaluzia. Um bom teste para um dos melhores e mais queridos aluno rojiblancos nos últimos anos.