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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os melhores da Liga BBVA 2012-2013

Após as revelações, chegou a vez dos melhores. O Quatro Tiempos votou para eleger os melhores da temporada dividido em três categorias: a seleção da temporada, o melhor jogador e o melhor jovem (considerando até 21 anos). Dessa vez, contamos com a colaboração mais do que agradável da equipe do Futebol Espanhol, jornalistas brasileiros e espanhol. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. E se a Liga BBVA entra de férias, não se preocupem: o blog continuará na ativa no período da pré-temporada. Boa leitura.

Isco Román, o Golden Boy europeu e o melhor jovem da Liga BBVA 2012-2013 (UEFA)

Seleção da temporada
Courtois (Atlético de Madrid); Carlos Martínez (Real Sociedad), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Sergio Ramos (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madrid); Xabi Alonso (Real Madrid), Iniesta (Barcelona), Özil (Real Madrid); Messi (Barcelona), Falcao García (Atlético de Madrid), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Diego Simeone (Atlético de Madrid).

Melhor jovem: Isco Román, do Málaga
O Golden Boy europeu brilhou por mais uma temporada. Pelo segundo ano consecutivo, Isco termina a Liga Espanhola como o melhor jovem. Dessa vez, teve a concorrência de Varane (Real Madrid), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Illarramendi (Real Sociedad) e Courtois (Atlético de Madrid), que tiveram seus nomes mencionados entre os votantes. Invertendo posição com Joaquín e ora Eliseu, ora Júlio Baptista na veloz linha de três do Málaga, Isco brilhou. Jogando numa posição em que ficava mais próxima do gol, o espanhol deixou o rótulo de promessa de lado para virar realidade: com apresentações de gente grande contra Real Madrid e Barcelona, além das brilhantes partidas na UCL, ele está sendo disputado por Real Madrid e Manchester City. Em entrevista ao AS no início da semana, Isco afirmou que irá pensar no melhor para o Málaga e para ele na hora da decisão. Hoje, ele tornou-se campeão da Eurocopa Sub-21 com a seleção espanhola e foi consagrado com o troféu  de melhor jogador da competição.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, do Atlético de Madrid
O sucessor de Peter Cech vai construíndo uma carreira de ouro em Manzanares. No topo de seus 21 anos, Courtois é bastante querido pela torcida colchonera, especialmente após a grande partida que fez na final da Copa do Rei contra o Real Madrid. Se o principal rival do Atlético era a pedra no sapato do belga, que costumava falhar perante Cristiano Ronaldo, dessa vez ele parece ter quebrado esse obstáculo. A temporada de ouro de Courtois foi premiada com a conquista do Troféu Zamora, que premia o goleiro menos vazado. Após quatro temporadas, enfim alguém superou Víctor Valdés no troféu dado pelo Marca. Menções honrosas a Caballero, do Málaga, e Diego López, do Real Madrid.

Melhor defensor: Iñigo Martínez
O salto na carreira de Iñigo Martínez foi dado nesta temporada. Um ano depois de ter aparecido na lista das revelações da temporada 2011-2012, o basco, em apenas seu segundo ano como profissional do time A da Real Sociedad, foi um dos principais pilares do time que alcançou a vaga na fase preliminar da Uefa Champions League. Foi, também, por que não, uma temporada de redenção ao jovem, que sofreu uma lesão no menisco em abril do ano passado, retornando apenas em agosto. Bom no jogo aéreo, seguro no mano-a-mano e com um bom arremate de fora da área, ele começa a ter seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona. Quem também recebeu votos foram Sergio Ramos (Real Madrid), Demichelis (Málaga), Varane (Real Madrid), Miranda (Atlético de Madrid) e Piqué (Barcelona). 

Melhor meio-campista: Andrés Iniesta
Em crescente desde o título da Eurocopa, Iniesta voou na temporada. Bem fisicamente, o espanhol foi o segundo melhor blaugrana no ano e terminou a Liga com sensacionais 16 assistências. Na primeira parte da temporada, foi escalado aberto à esquerda do ataque por Tito Vilanova, numa tentativa de encaixar Fàbregas ao lado de Xavi e Andrés. Deu certo, com os três atuando num nível positivo. No entanto, após as derrotas para Milan e Real Madrid, Tito/Roura resolveram colocar Villa no ataque e atrasar Iniesta à sua posição de origem, onde ele atua melhor. Ao lado de Xavi, Iniesta controla mais a armação das jogadas. Menções honrosas: Xabi Alonso (Real Madrid), Beñat (Bétis), Kondogbia (Sevilla), Illarramendi (Real Sociedad), Xavi (Barcelona), Busquets (Barcelona), Özil (Real Madrid), Isco (Málaga) e Xabi Prieto (Real Sociedad).

Lionel Messi: artilheiro da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, o argentino foi o melhor jogador da competição (Getty Images)

Melhor atacante: Lionel Messi
Melhor jogador: Lionel Messi

Mesmo não tendo sido, tecnicamente, a melhor temporada da carreira de Messi, o argentino novamente assombrou. Com 46 gols em 32 jogos, o argentino deixou os rivais bem para trás na disputa pela artilharia. Seu principal rival, o português Cristiano Ronaldo, foi o vice-artilheiro com 34 gols. Mesmo com o título espanhol, o Barcelona viveu uma temporada difícil, com muitos problemas de lesão e Tito Vilanova tendo que sair no meio do campeonato para se tratar de um câncer em Nova Iórque. 

No entanto, nenhuma outra lesão foi tão sentida pelo torcedor como a de Messi, que se lesionou numa partida da Uefa Champions League contra o PSG e, a partir daí, foi utilizado esporadicamente em jogos especiais. Nesse período a Messi-dependência que vem sendo criada desde o fim da era Guardiola foi escancarada. O melhor jogador do mundo também não foi ameaçado na nossa votação: dos oito votantes, seis votaram no argentino como melhor jogador- os outros dois votaram em Cristiano Ronaldo. Na categoria melhor atacante, menção honrosa a Falcao García, que só não recebeu um voto dos oito participantes.

Votantes da seleção dos melhores da Liga BBVA 2012-2013
Josep Capdevila (Diário Sport, Catalunha)
Leonardo Bertozzi (Espn)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Maurício Bonato (Sports +)
Pedro Pedroso (Futebol Espanhol)
Pierre Andrade (Futebol Espanhol)
Vitor Sergio (Esporte Interativo)
Victor Mendes (Quatro Tiempos/Doentes Por Futebol)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que esperar da Real Sociedad na Uefa Champions League?

Na despedida de Montannier, a Real Sociedad rebaixou o Deportivo e conseguiu uma vaga na fase prévia da Uefa Champions League (Marca)

Após muito drama, a Real Sociedad vai jogar a fase preliminar da Uefa Champions League. Um prêmio à equipe que desempenhou um futebol agradável durante toda a temporada e não mudou sua forma de atuar nos momentos turbulentos. Depois de um segundo turno de ouro, os bascos cambalearam na reta final ao empatar com o Granada e um desinteressado Real Madrid no Anoeta e perder para o inócuo Getafe em Madrid, mas contaram com a ajuda do Sevilla (e de Negredo, autor de quatro gols na vitória sevillista ante o Valencia por 4-3) e venceram o Deportivo na Galícia, sepultando os galegos e confirmando a ida à fase preliminar da maior competição de clube da Europa.

A vaga consolida a melhor temporada da Real Sociedad desde 2002-2003, quando o time comandado pelo francês Raynald Denoueix e com Nihat e Kovacevic formando a dupla de ataque terminou a Liga com o vice-campeonato. Além disso, dá continuidade ao bom momento do futebol basco nos últimos anos. Em 2011-2012, a Europa ficou encantada com a temporada do Athletic Bilbao, finalista da Copa do Rei e da Liga Europa. O País Basco forma bons jogadores e agora começa a ver seus principais representantes nas competições europeias.

No entanto, a Real sabe que a tarefa de ir à fase de grupos é um tanto árdua. A realidade é que o time está mais para Sevilla 2010-2012 (aquele que caiu na fase prévia para o Braga) do que para o Málaga 2012-2013, que não só avançou à fase de grupos como só foi parado (e nos minutos finais) para o vice-campeão Borussia Dortmund. Muito porque o Málaga deu continuidade ao projeto mantendo Pellegrini no comando técnico, apesar das vendas Cazorla, Mathijsen e Rondón para sanar as dívidas. A diretoria basca já começou errado deixando Phillipe Montánier, responsável pelo excelente futebol desempenhado pela equipe, voltar ao futebol francês.

Ainda que este que vos escreve já tenha elogiado a atual geração da Real em outras colunas (aliás, fui um dos primeiros a apostar no sucesso desse time, só não esperava que fosse tão cedo), é difícil acreditar na Real fazendo boa campanha em âmbito europeu. Contra Arsenal, Milan, Schalke, Lyon ou Zenit, os possíveis adversários dos blanquiazules de San Sebastian, a Real larga em desvantagem. Pela fraca condição financeira, capturar bons valores no mercado doméstico deve ser algo a ser pensado. Para a próxima temporada, o clube pode estar próximo de fechar com Marc Muniesa, considerado durante muito tempo o "substituto natural de Puyol" no Barcelona. O basco Beñat cairia como uma luva na volância ao lado do ótimo Illaramendi, mas deve estar próximo de um retorno ao Athletic Bilbao.

O grande fruto do sucesso da Real na temporada foi deixar de depender exclusivamente de Xabi Prieto. Com Vela em temporada de ouro, Griezmann retornando à boa fase e Agirretxe comprovando por que é o atacante mais confiável do Anoeta desde Nihat e Kovacevic, o time de Montanier ganhou um leque de opções decisivas. Por mais que Xabi Prieto continue sendo o jogador mais respeitado do elenco, foi de Vela a melhor temporada individual de um jogador da Real Sociedad. Quando Vela ou Griezmann estiveram indisponíveis, Zurutuza e Chory Castro foram boas reposições. Zurutuza, aliás, é subestimado. Na zaga, Iñigo Martínez provou a cada jogo estar deixando para trás o rótulo de promessa. A principal revelação da Liga 2011-2012 é, hoje, realidade. Ele, que sofreu uma grave lesão no menísco em abril de 2012, retornou com saliência.

Na coletiva de despedida, Montannier aproveitou para dizer que uma parte de seu coração estará com a Real na UCL. A diretoria irá pensar no substituto após a Copa das Confederações. E o futuro treinador já sabe que igualar a grande temporada de Montannier será difícil. Ainda que caia na fase prévia da Champions, no entanto, o próximo treinador da Real com certeza terá em mãos um brilhante elenco e jogadores capacitados para ao menos terminar o próximo campeonato espanhol na zona de Liga Europa deixado por Phillipe Montanier, o Josep Guardiola francês.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Decepcionante

Luis Milla iniciou com uma escalação mais tímida do que a habitual e começa a ser criticado pela imprensa espanhola (getty images)

A estreia da Espanha nos Jogos Olimpícos foi a mais decepcionante possível. A derrota para o Japão por 1x0 foi um duro golpe no psicológico de uma seleção que era taxada por muitas como favorita. Se o povo já temia o Brasil antes mesmo da abertura dos jogos, agora isso ganha mais força: o provável é que, se a Fúria avance, encare a seleção brasileira nas quartas-de-finais. Luis Milla, treinador da seleção, já tem um grupo em mente. A seleção sub-23 da Roja é base da equipe vencedora da Eurocopa Sub-21 há um ano e treina junto há praticamente três anos. Porém, para a partida contra o Japão, foi montada às pressas e evidenciou o peso dos desfalques, como Thiago Alcântara, Iker Muniain, Botía e Ander Herrera, que começou no banco. A esperança é que, com o retorno de três dos quatro nomes acima - o único, de fato, fora do torneio é o hispano-brasileiro -, a Espanha convença ante o Marrocos, em jogo que virou a primeira final para essa seleção.

É preciso entender que a formação espanhola foi ocasional. Luis Milla, que começa a ter seu nome criticado pela opinião pública, porém, contribuiu para o baile japonês, que poderia ter ganhado de mais de três gols. A defesa, exposta, sentiu a falta de Víctor Ruíz, um de seus pilares na competição europeia. O corte do catalão até agora não foi bem explicado. O meio-campo, que pouco criou, não teve em Isco e Rodrigo substitutos à altura de Muniain e Thiago Alcântara. Isso sobrecarregou Mata, que teve uma atuação abaixo da média. Pelo posicionamento de Isco e Rodrigo e o fato de Mata ter começado, durante boa parte dos ataques, a construção das jogadas atrás da linha de meio-campo, a Espanha pareceu ter atuado no 4-3-3.

Nesse módulo tático, Mata deveria desempenhar um papel semelhante ao de Iniesta no Barcelona, mas teve que ser Xavi: Koke, o encarregado de armar as jogadas para a seleção, foi outro que passou batido e não aproveitou a ausência de Ander Herrera para ganhar pontos com o treinador espanhol. O meio-campo teve bom controle de bola, mas foi muito pressionado pelos nipônicos, que fizeram uma marcação implacável nos 90 minutos do jogo. Além disso, com a bola, a seleção mostrou uma faceta negativa, sem objetividade nenhuma. O maior exemplo é o fato de Adrián não ter dado um chute a gol. A expulsão infantil de Iñigo Martínez, a maior revelação da Liga BBVA passada, só serviu para deixar o meio-campo ausente de um ladrão natural, porque Javi Martínez teve que ser recuado. Na hora do desespero, Milla deixou em campo apenas jogadores de centro do campo, retirando os ponteiros - tirou Rodrigo e Isco e colocou Ander e Oriol Romeu.

Mas o fator mais preocupante do jogo foi a defesa. Exposta e, sobretudo, lenta, foi o ponto de festa do Japão, que impôs muita velocidade pelo centro e ocasionou um surto na retaguarda espanhola. Álvaro Domínguez, Iñigo Martínez, Montoya e Jordi Alba não se entenderam e bateram cabeça. Talvez, apenas o novo barcelonista mostrou do que é capaz, mas foi bastante prejudicado pela partida abaixo da média dos companheiros. Botía não é muito melhor que Iñigo, mas já estava acostumado com Domínguez. Quem teve que segurar a barra pela fragilidade defensiva foi De Gea, que salvou a Roja de uma goleada histórica nessa estreia.

O resultado foi ruim, mas não é um desastre total. Honduras e Marrocos empataram no outro jogo do grupo e oferecem à Espanha a maior forma possível de se recuperar. Acontece que dificilmente esse selecionado japonês, que mostrou-se bastante contundente apesar dos deveras erros na hora da conclusão, irá tropeçar, o que coloca a Espanha no caminho do Brasil na segunda fase, sem dúvidas a seleção mais temida pelos espanhóis. Se quiser ganhar o ouro ainda, a seleção espanhola deve ser mais agressiva, nos mesmos moldes da equipe de um ano atrás. É claro que a sagacidade de Thiago Alcântara, que mandava e desmandava no meio-campo, faz falta, mas é precisa achar outros meios. Isco precisa atuar melhor do que foi hoje, porque tem futebol para isso. O retorno de Muniain e Ander Herrera deve dar mais liberdade a Mata, que não deveria se preocupar muito com a marcação como aconteceu hoje. Para pensar em medalha, a Espanha será obrigada a criar soluções.