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segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que esperar da Real Sociedad na Uefa Champions League?

Na despedida de Montannier, a Real Sociedad rebaixou o Deportivo e conseguiu uma vaga na fase prévia da Uefa Champions League (Marca)

Após muito drama, a Real Sociedad vai jogar a fase preliminar da Uefa Champions League. Um prêmio à equipe que desempenhou um futebol agradável durante toda a temporada e não mudou sua forma de atuar nos momentos turbulentos. Depois de um segundo turno de ouro, os bascos cambalearam na reta final ao empatar com o Granada e um desinteressado Real Madrid no Anoeta e perder para o inócuo Getafe em Madrid, mas contaram com a ajuda do Sevilla (e de Negredo, autor de quatro gols na vitória sevillista ante o Valencia por 4-3) e venceram o Deportivo na Galícia, sepultando os galegos e confirmando a ida à fase preliminar da maior competição de clube da Europa.

A vaga consolida a melhor temporada da Real Sociedad desde 2002-2003, quando o time comandado pelo francês Raynald Denoueix e com Nihat e Kovacevic formando a dupla de ataque terminou a Liga com o vice-campeonato. Além disso, dá continuidade ao bom momento do futebol basco nos últimos anos. Em 2011-2012, a Europa ficou encantada com a temporada do Athletic Bilbao, finalista da Copa do Rei e da Liga Europa. O País Basco forma bons jogadores e agora começa a ver seus principais representantes nas competições europeias.

No entanto, a Real sabe que a tarefa de ir à fase de grupos é um tanto árdua. A realidade é que o time está mais para Sevilla 2010-2012 (aquele que caiu na fase prévia para o Braga) do que para o Málaga 2012-2013, que não só avançou à fase de grupos como só foi parado (e nos minutos finais) para o vice-campeão Borussia Dortmund. Muito porque o Málaga deu continuidade ao projeto mantendo Pellegrini no comando técnico, apesar das vendas Cazorla, Mathijsen e Rondón para sanar as dívidas. A diretoria basca já começou errado deixando Phillipe Montánier, responsável pelo excelente futebol desempenhado pela equipe, voltar ao futebol francês.

Ainda que este que vos escreve já tenha elogiado a atual geração da Real em outras colunas (aliás, fui um dos primeiros a apostar no sucesso desse time, só não esperava que fosse tão cedo), é difícil acreditar na Real fazendo boa campanha em âmbito europeu. Contra Arsenal, Milan, Schalke, Lyon ou Zenit, os possíveis adversários dos blanquiazules de San Sebastian, a Real larga em desvantagem. Pela fraca condição financeira, capturar bons valores no mercado doméstico deve ser algo a ser pensado. Para a próxima temporada, o clube pode estar próximo de fechar com Marc Muniesa, considerado durante muito tempo o "substituto natural de Puyol" no Barcelona. O basco Beñat cairia como uma luva na volância ao lado do ótimo Illaramendi, mas deve estar próximo de um retorno ao Athletic Bilbao.

O grande fruto do sucesso da Real na temporada foi deixar de depender exclusivamente de Xabi Prieto. Com Vela em temporada de ouro, Griezmann retornando à boa fase e Agirretxe comprovando por que é o atacante mais confiável do Anoeta desde Nihat e Kovacevic, o time de Montanier ganhou um leque de opções decisivas. Por mais que Xabi Prieto continue sendo o jogador mais respeitado do elenco, foi de Vela a melhor temporada individual de um jogador da Real Sociedad. Quando Vela ou Griezmann estiveram indisponíveis, Zurutuza e Chory Castro foram boas reposições. Zurutuza, aliás, é subestimado. Na zaga, Iñigo Martínez provou a cada jogo estar deixando para trás o rótulo de promessa. A principal revelação da Liga 2011-2012 é, hoje, realidade. Ele, que sofreu uma grave lesão no menísco em abril de 2012, retornou com saliência.

Na coletiva de despedida, Montannier aproveitou para dizer que uma parte de seu coração estará com a Real na UCL. A diretoria irá pensar no substituto após a Copa das Confederações. E o futuro treinador já sabe que igualar a grande temporada de Montannier será difícil. Ainda que caia na fase prévia da Champions, no entanto, o próximo treinador da Real com certeza terá em mãos um brilhante elenco e jogadores capacitados para ao menos terminar o próximo campeonato espanhol na zona de Liga Europa deixado por Phillipe Montanier, o Josep Guardiola francês.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O time do futuro

 Real Sociedad derrotou Athletic Bilbao e ratificou apelido de time do futuro (AS)

Nos últimos anos, a alcunha "time do futuro" sempre foi associada ao Arsenal. Os Gunners, treinados pelo francês Arséné Wenger, se destaca por, a cada ano, montar uma equipe formada por jogadores, em sua maioria, jovens. Na Espanha, duas equipes em especial podem receber esse apelidos: os rivais bascos Real Sociedad e Athletic Bilbao. Na temporada passada, os Leones chamaram a atenção por mostrar um futebol bonito, ofensivo e de resultados. Mesmo sendo vice-campeão da Copa do Rei e da Liga Europa, os meninos de Marcelo Bielsa foram aplaudidos pela temporada surpreendente.

No entanto, o assunto do texto de hoje é justamente o rival de San Sebastian. Assim como o Athletic, a Real Sociedad aposta nas canteras. Ainda que em menor plano, os Donostiarras procuram a identidade com o País Basco. Por muito tempo, a entidade só admitia jogadores bascos ou estrangeiros de origens bascas no elenco. Aos jogadores de nacionalidade espanhola, a restrição se mantém na atualidade, mas o clube admite estrangeiros livremente. O primeiro não-basco a disputar uma partida oficial com o uniforme branco e azul da Real foi o irlandês John Aldridge, em 1989.

Desde que voltou à elite espanhola, em 2011, ainda sob período de Martin Lasarte, o clube tenta rejuvenescer o elenco. Ao contrário do Arsenal, que nos últimos anos tem formado jogadores e vendido a outros clubes, eles preparam uma equipe visando o futuro. Os promissores jogadores já sentem desde cedo o sabor de disputar jogos importantes na primeira divisão. O maior exemplo deles é o francês Antoine Griezmann, de 21 anos. Há três anos, ele havia sido o principal nome da Real Sociedad campeã da Liga Adelante. Um ano depois, foi a principal reveleção da Liga BBVA. Em abril, falamos que o fato da equipe ficar na Liga BBVA era algo muito mais que apenas uma permanência. E é, realmente.

Desde o ano passado, o elenco é treinador pelo competente Philippe Montanier. Após uma magnífica campanha com o Valenciennes na Ligue One 2010/2011, quando o time terminou em 10º lugar, sua melhor posição na história, o técnico foi apelidado pela imprensa francesa de Guardiola francês. Em campo, ele se espelha bastante no catalão. O 4-3-3 é seu esquema tático preferido (embora para encaixar alguns jogadores tenha utilizado bastante o 4-2-3-1 desde que chegou ao Anoeta) e suas equipes sempre tentam jogar com a bola nos pés, valorizando a posse de bola.

Os nove pontos conquistados nas primeiras seis rodadas não traduzem perfeitamente a situação da Real Sociedad. É cedo para rótulos, mas a equipe continua fazendo jus aos elogios que tem recebido. Nos dois últimos anos, a questão física fez diferença no segundo turno, onde era natural uma queda livre. Esta temporada não deve ser diferente, provavelmente. O mercado de verão foi bem trabalhado. Chori Castro, Ruben Pardo, Sarpong, José Ángel e Javi Ros foram contratados. Mas a melhor notícia foi a contratação em definitiva do meio-campista mexicano Vela, de ótima fase desde 2011/2012.

Xabi Prieto, jogador mais subestimado do futebol espanhol, manda no meio-campo. Ele é o cérebro do time e todas as bolas passam por seus pés. No último sábado, completou 300 jogos com a Real, na importante vitória ante o Athletic Bilbao, que quebrou uma sequência negativa diante do maior rival. Montanier também comemora o fato do bom futebol de Griezmann ter retornado. Após uma temporada bem opaca, o promissor extremo-esquerdo tem atuado bem neste começo de Liga. Foi dele o gol que sacramentou a vitória ante os rojiblancos bascos. No comando do ataque, Agirretxe é o atacante mais confiável desde a mágica dupla Nihat-Kovacevic. Dessa forma, os blanquiazules agradam os fãs do futebol espanhol, mas deixam um aviso: essa atual geração, num futuro próximo, irá dar muito mais trabalho.

*Por questão de saúde, não pude atualizar o blog na última semana. Peço desculpas. As atividades voltaram ao normal.

sábado, 14 de abril de 2012

Algo mais que a permanência

Por mais uma temporada consecutiva, Real Sociedad tem queda livre monstruosa no segundo turno e despenca na tabela (reuters)

Philippe Montanier, segundo ele próprio, está se divertindo na Liga Espanhola. A mentalidade ofensiva e corajosa que a Real Sociedad adota entretém não só ele e os torcedores do clube como os fãs do futebol espanhol. Porém, a verdade é que a diversão foi ficando cada vez mais sem graça à medida que a temporada passa. Após completar 2010 no meio da tabela e com aspirações à Liga Europa, os donostiarras vêm sofrendo uma queda de rendimento. Pesa a irregularidade demonstrada mais uma nessa altura da temporada. Assim como em 2010/2011, quando chegou a terminar o primeiro turno na 5ª colocação, a reta final reserva a parte baixa da tabela.

O empate na última quarta-feira ante o Bétis deixou um sabor amargo. Os bascos não irão cair, até porque faltam somar apenas dois pontos em 15 disputados para confirmar a classificação, mas o sentimento foi novamente de queda de produção. Montanier, apelidado de Guardiola francês pela imprensa francesa em sua época de Valencienes, tem plena convicção disso. Um exemplo notório foi a visita ao Santiago Bernabéu, quando abdicou de toda sua proposta de jogo para jogar com cinco zagueiros. O resultado foi decepcionante em dose dupla, porque os blanquiazules saíram do Bernabéu goleados por 5 a 0.

Em 2012, sobretudo, as deficiências da Real Sociedad ficaram bem evidentes. A equipe, por exemplo, é dependente demais de Xabi Prieto, que organiza o todo o jogo e é o cérebro do meio-campo. Mesmo que Vela faça temporada destacável e Agirretxe seja o principal homem-gol da equipe de San Sebastián desde os tempos de Nihat e Kovacevic, quando Xabi não consegue aparecer muito para o jogo, a produção dentro das quatro linhas cai escancaradamente. O estilo ofensivo, de certa forma, também ficou manjado. Depois de serem surpreendidos por verem um time trocar passes rápido e sempre em direção ao gol, a característica dos adversários a partir de agora é sempre avançar a marcação e congestionar o meio-campo a fim de quebrar a posse de bola txuri-urdin.

Um defeito da Real Sociedad que passou a ficar escancarado é a fragilidade defensiva. Os comandados de Montanier defendem muito mal. Ao descobrirem que era preciso um pouco mais de cautela para combater os euskaras, os rivais também perceberam que a defesa da equipe era muito fraca, desorganizada, insegura e, sobretudo, péssima no jogo aérea. Só de bolas oriundas de jogadas pelo alto foram 11 gols sofridos. Enquanto o rival de Bilbao é mestre em jogadas do tipo, os de San Sebastian costumam sofrer com bolas alçadas à área. Em momentos cruciais da temporada, os blanquiazules também sofreram com ausências. Seja por lesão ou suspensão, afetaram diretamente na produção da equipe. Além disso, a falta de um Griezmann mais ousado e divertido em relação ao da temporada passada também faz falta pelos flancos do campo, infernizando a vida do lateral adversário.

Gonzalo Arconada, jogador da Real Sociedad nos anos 90, definiu bem a temporada 2011/2012 do time. São futebolistas de talento, fato evidenciado em campo, que adquirem experiência a cada partida disputada. Além disso, o projeto atual é para ter relevância no futuro, assim como, há duas temporadas, por exemplo, falávamos dessa forma da atual geração do Athletic Bilbao, que começa a colher frutos só agora em 2012. A fórmula do sucesso sempre foi formar pratas da casa e os torcedores estão se deparando com uma geração promissora. Atualmente, como disse Daniel Estrada na última quarta-feira, o objetivo é selar a permanência. Mas quem sabe daqui a três temporadas as aspirações sejam mais relevantes e os donostiarras construam uma nova era de ouro no futebol do País Basco?