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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os pecados da Espanha nas Olimpíadas

 É, Mata, difícil de entender a eliminação da Espanha na fase de grupos das Olimpíadas (Zimbio)

Espanha 0x1 Japão. Espanha 0x1 Honduras. Espanha 0x0 Marrocos. Em três jogos, nenhuma vitória e nenhum gol marcado. A Espanha que deixa Londres sai pelas portas do fundos. Favorita ao ouro, a equipe em momento algum brilhou, mostrou uma faceta negativa e um futebol diametralmente opostou àquele que deveria ser exercido e que já é costume na seleções de base espanhola. A geração, formada por jogadores como Jordi Alba, Javi Martínez e Juan Mata, campeões europeu com a principal há cerca de um mês, não pode ser totalmente crucificada, mas a falha é inadmissível. O blog tenta traçar alguns motivos da vergonhosa queda precoce da Fúria.

O melhor de Ander Herrera. Em maio, discutimos a forma física de Ander Herrera. Essencial para o Athletic Bilbao, o jovem foi bastante desgastado numa temporada em que a equipe disputou três torneios até o limite. O basco viveu um dilema e teve a opção de operar no final da temporada e perder os Jogos Olímpicos. Preferiu esperar e chegou em Londres totalmente abalado fisicamente. O resultado foi a presença no banco de reservas nos dois primeiros jogos, que culminaram na eliminação da Roja. Koke, seu substituto, assim como toda a Espanha, não brilhou e em momento algum foi o armador de jogadas que se esperava.

Thiago Alcântara. Cortado dos Jogos Olímpicos devido a uma lesão nas costas sofrida no final da temporada passada, o hispano-brasileiro foi a ausência mais sentida. Principal jogador na conquista do Europeu Sub-21 em 2011, o culé não viu em Isco, Rodrigo e Tello substitutos à altura. O senso de liderança do meia, seus dribles e, principalmente, seus passes fizeram a falta na hora da decisão. Faltou o dinamismo que Thiago dava ao meio-campo e suas mágicas jogadas tiradas da cartola.

"Ausências" dos melhores Mata e Adrián. Centralizado para criar jogadas devido a ausência de Thiago, Mata ficou sobrecarregado e naufragou junto à equipe, quando deveria puxar a responsabilidade. Faltou mais vontade do camisa 10, que, mesmo marcando na final da Eurocopa, convive com uma má fase vista desde a reta final da temporada passada com o Chelsea. Indiretamente ao mau torneio do jogador blue, Adrián nada fez. Dependente das enfiadas de bola dos meio-campistas, o colchonero tentou muitas vezes sair da área para construir as jogadas, mas em vão. Acostumado a jogador aberto à direita no Atlético de Madrid, não rendeu dessa vez de falso nove.

Má forma dos titulares. Mesmo se avançasse de fase demonstrando esse futebol, a Espanha dificilmente conquistaria o ouro. À exceção de Jordi Alba, Javi Martínez e David De Gea, que evitou um desastre maior na estreia contra o Japão, todo o resto do grupo mostrou-se abaixo da média. As participações fracas de Botía, Iñigo Martínez, Montoya, Muniain, Tello, Rodrigo, Oriol Romeu e dos já comentados Mata e Adrián fazem a gente recordar da Eurocopa de 2004, quando a Espanha também caiu na fase de grupos: peças-chaves apáticas e alegadamente cansadas. Houve várias decepções, que resultaram nessa queda tão cedo.

O oba-oba pré-Jogos. O clima de "já ganhei" afetou o vestiário. Ainda que Luis Milla ratificasse a cada coletiva que o grupo não estava com a cabeça na medalha de ouro, os jogadores fizeram questão de evidenciar isso nas diversas coletivas pré-Olimpíadas. De Gea, Mata, Azpilicueta e Adrián discursavam como se a Espanha já tivesse conquistado a medalha. O amistoso de preparação feito contra Senegal (perdido por 3x0) mostrou que o buraco seria mais embaixo e no final pode ser interpretado como uma tragédia anunciada. Acabou que a falta de humildade pesou. A bola puniu.

Apatia nas conclusões. O defeito que mais chatou a atenção. Contra a Honduras, um show de horror. Só Mata desperdiçou três claras chances na primeira etapa. Se a seleção principal é criticada justamente por não chutar a gol, ao menos a Sub-21 usa e abusa das finalizações. No entanto, mostrou ao longo do torneio muitas falhas na hora das conclusões. As múltipas chances jogadas para fora fizeram falta. Contra o Marrocos, a falta de contudência para derrotar a seleção mais fraca do grupo resumiu bem a vergonhosa campanha olímpica da Espanha em Londres, que deve ser apagada da recente história vencedora do futebol do país.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Decepcionante

Luis Milla iniciou com uma escalação mais tímida do que a habitual e começa a ser criticado pela imprensa espanhola (getty images)

A estreia da Espanha nos Jogos Olimpícos foi a mais decepcionante possível. A derrota para o Japão por 1x0 foi um duro golpe no psicológico de uma seleção que era taxada por muitas como favorita. Se o povo já temia o Brasil antes mesmo da abertura dos jogos, agora isso ganha mais força: o provável é que, se a Fúria avance, encare a seleção brasileira nas quartas-de-finais. Luis Milla, treinador da seleção, já tem um grupo em mente. A seleção sub-23 da Roja é base da equipe vencedora da Eurocopa Sub-21 há um ano e treina junto há praticamente três anos. Porém, para a partida contra o Japão, foi montada às pressas e evidenciou o peso dos desfalques, como Thiago Alcântara, Iker Muniain, Botía e Ander Herrera, que começou no banco. A esperança é que, com o retorno de três dos quatro nomes acima - o único, de fato, fora do torneio é o hispano-brasileiro -, a Espanha convença ante o Marrocos, em jogo que virou a primeira final para essa seleção.

É preciso entender que a formação espanhola foi ocasional. Luis Milla, que começa a ter seu nome criticado pela opinião pública, porém, contribuiu para o baile japonês, que poderia ter ganhado de mais de três gols. A defesa, exposta, sentiu a falta de Víctor Ruíz, um de seus pilares na competição europeia. O corte do catalão até agora não foi bem explicado. O meio-campo, que pouco criou, não teve em Isco e Rodrigo substitutos à altura de Muniain e Thiago Alcântara. Isso sobrecarregou Mata, que teve uma atuação abaixo da média. Pelo posicionamento de Isco e Rodrigo e o fato de Mata ter começado, durante boa parte dos ataques, a construção das jogadas atrás da linha de meio-campo, a Espanha pareceu ter atuado no 4-3-3.

Nesse módulo tático, Mata deveria desempenhar um papel semelhante ao de Iniesta no Barcelona, mas teve que ser Xavi: Koke, o encarregado de armar as jogadas para a seleção, foi outro que passou batido e não aproveitou a ausência de Ander Herrera para ganhar pontos com o treinador espanhol. O meio-campo teve bom controle de bola, mas foi muito pressionado pelos nipônicos, que fizeram uma marcação implacável nos 90 minutos do jogo. Além disso, com a bola, a seleção mostrou uma faceta negativa, sem objetividade nenhuma. O maior exemplo é o fato de Adrián não ter dado um chute a gol. A expulsão infantil de Iñigo Martínez, a maior revelação da Liga BBVA passada, só serviu para deixar o meio-campo ausente de um ladrão natural, porque Javi Martínez teve que ser recuado. Na hora do desespero, Milla deixou em campo apenas jogadores de centro do campo, retirando os ponteiros - tirou Rodrigo e Isco e colocou Ander e Oriol Romeu.

Mas o fator mais preocupante do jogo foi a defesa. Exposta e, sobretudo, lenta, foi o ponto de festa do Japão, que impôs muita velocidade pelo centro e ocasionou um surto na retaguarda espanhola. Álvaro Domínguez, Iñigo Martínez, Montoya e Jordi Alba não se entenderam e bateram cabeça. Talvez, apenas o novo barcelonista mostrou do que é capaz, mas foi bastante prejudicado pela partida abaixo da média dos companheiros. Botía não é muito melhor que Iñigo, mas já estava acostumado com Domínguez. Quem teve que segurar a barra pela fragilidade defensiva foi De Gea, que salvou a Roja de uma goleada histórica nessa estreia.

O resultado foi ruim, mas não é um desastre total. Honduras e Marrocos empataram no outro jogo do grupo e oferecem à Espanha a maior forma possível de se recuperar. Acontece que dificilmente esse selecionado japonês, que mostrou-se bastante contundente apesar dos deveras erros na hora da conclusão, irá tropeçar, o que coloca a Espanha no caminho do Brasil na segunda fase, sem dúvidas a seleção mais temida pelos espanhóis. Se quiser ganhar o ouro ainda, a seleção espanhola deve ser mais agressiva, nos mesmos moldes da equipe de um ano atrás. É claro que a sagacidade de Thiago Alcântara, que mandava e desmandava no meio-campo, faz falta, mas é precisa achar outros meios. Isco precisa atuar melhor do que foi hoje, porque tem futebol para isso. O retorno de Muniain e Ander Herrera deve dar mais liberdade a Mata, que não deveria se preocupar muito com a marcação como aconteceu hoje. Para pensar em medalha, a Espanha será obrigada a criar soluções.

domingo, 8 de julho de 2012

Missão Londres

 Campeã Europeu Sub-21 em 2011, a Espanha Olímpica vem aí para tentar sua segunda medalha de ouro (getty images)

Passada a Eurocopa, o futebol espanhol se prepara para mais uma competição importante: os Jogos Olímpicos 2012. Dessa vez, contudo, quem irá representar a Espanha são os garotos da equipe sub-21, campeã do europeu da categoria no ano passado. Na última quinta-feira, o técnico Luis Milla deu a conhecer os nomes que irão a Londres tentar a conquista da medalha de ouro pela segunda vez. Na única e primeira vez, em 1992, em Barcelona, o grupo liderado por Guardiola, Luis Enrique, Ferrer e Cañizares passou por Colômbia, Gana, Itália e, na final, Polônia para conquistar a inédita medalha. A última aparição da Roja em Olimpíadas havia sido em 2000, na Austrália, quando a geração de Puyol, Xavi, Tamudo, Luque, Marchena e Albelda foi prata para Camarões de Samuel Eto'o.

Ao contrário do que muitos pensam, a medalha de ouro olímpica está sendo tratada como prioridade. Quando assinou contrato com a RFEF, em 2009, Milla começou a construir todo seu trabalho em função das Olimpíadas. Uma base que vem sendo trabalhada há três anos para chegar em forma em Londres.  Chama a atenção o fato de não haver nenhum jogador acima de 24 anos no elenco. O mais velho? Mata, justamente com 24 anos. Muitos se perguntam sobre por que nomes como Xavi, Iniesta e Villa não foram chamados para ser os jogadores acima de 23 anos. A resposta é simples: para Milla, seu trabalho não deve ser misturado com o de Vicente Del Bosque. Ele possui seu grupo e Del Bosque, o dele. Por isso as convocações de Mata, Adrián e Javi Martínez como os nomes acima de 23 anos. Os três trabalham com Milla desde 2009 e, logicamente, estiveram na conquista da Eurocopa Sub-21 em 2011.

A influência do Barcelona no momento espanhol é inegável. Todos os já tão debatidos valores barcelonistas foram devidamente absorvidos pela seleção principal, incluindo um dos principais deles: a preparação cuidadosa e atenta daqueles que estarão no time A em alguns anos. A Fúria Olímpica não é diferente. Joga com a bola nos pés, tratando-a com paciência e fazendo um jogo psicológico com o adversário.  Aprimorar essa fidelidade ao modus operanti que se estabilizou na Fúria adulta foi um dos marcos do trabalho de Milla. Um grupo bastante coeso e disciplinado tecnicamente. O Brasil, por exemplo, é o maior favorito por ter em Neymar, um dos principais jogadores do mundo, seu principal destaque individual, enquanto a Roja se dá ao luxo de manter uma equipe muito forte coletivamente. Incisiva, utiliza a exaustão seus jogadores ofensivos do lado do campo. Jogando num 4-2-3-1 que varia para um 4-3-3 em determinadas jogadas, Mata e Muniain se juntam a Adrián no ataque para ludibriar os adversários.

A Espanha, entretanto, terá um desfalque de peso. Principal jogador da equipe no Europeu, Thiago Alcântara não estará presente em Londres. Uma lesão nas costas na reta final da temporada passada o deixará de fora dos gramados por mais um mês. É inegável que a ausência de seu principal cérebro fará falta, mas a temporada de Isco, seu provável substituto, poderá não deixar cair a qualidade do meio-campo. Se confirmar mesmo a entrada do jogador do Málaga, Mata deverá ser centralizado para articular as jogadas junto de Ander Herrera. Apesar de jogar mais pelos flancos do campo, o jogador do Chelsea tem talento o suficiente para armar as jogadas no centro do meio-campo. Vale lembrar que ele foi, com 13 assistências, o segundo maior assistente da Premier League passada, perdendo somente para seu compatriota David Silva.

O setor esquerdo do campo será o principal trunfo de ataque. Com Jordi Alba, que foi liberado pelo Barcelona a disputar a competição, e Muniain colocando velocidade, é dali que sairão as principais chances de gols. Se, na Euro, o lateral foi a principal revelação, a lógica é que, com um grupo onde ele joga junto há mais tempo, as Olimpíadas seja seu playground. De acordo com o Diário Sport, Tito Vilanova não teria ficado muito satisfeito com o fato de Alba perder a maior parte da pré-temporada, mas foi convecido a aceitar isso. Em 2008, Messi viveu situação semelhante. Porém, Joan Laporta, à época presidente, declarou que é o sonho de qualquer atleta ganhar uma medalha olímpica.

Além de Alba, a defesa é bastante segura e passa por poucos apuros. No gol, De Gea foi sempre seguro. Não à toa, a maturidade apresentada na Euro Sub-21 atestou as virtudes para que o Manchester United acertasse os últimos trâmites de seu contrato. À sua frente, no miolo de zaga, a dupla formada por Domínguez e Botía é discreta mas sóbria. Na lateral direita, Montoya sobe tanto quanto Alba, mas é possível que se contenha mais um pouco e fique mais na cobertura. Independente das escolhas, existe uma única certeza: com ou sem força máxima, a Fúria é candidatíssima ao título olímpico. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Rumo ao ouro

Mata e Thiago disputarão a Euro e já afirmaram que estão à disposição de Luis Milla para jogar as Olimpíadas (telegraph)

No calendário da Federação Espanhola de Futebol há duas datas marcadas em negrito. A primeira é o dia 1 de julho, a final da Eurocopa. A segunda, o 11 de agosto. Às vésperas do encerramento dos Jogos Olímpicos, o ouro olímpico no futebol estará em disputa. Conquistar a medalha não é uma obsessão como no Brasil, quando a seleção sempre entra pressionada a ganhar algo nunca conquistado antes em sua história. Até pelo fato de já estar no currículo espanhol uma conquista em Olimpíadas (Barcelona 92'). Mas a seleção que vai a Londres é ambiciosa e chega, talvez, como máxima favorita, ao lado do Brasil.

Chegar à medalha irá requer bastante trabalho e mais futebol. Apesar do título Sub-21 europeu, os comandados de Luis Milla passaram por alguns apuros não previsto antes do torneio. A vitória suada na semifinal ante a Bielorússia evidenciou algums problemas da Rojinha. A marcação pressão feita pelos bielorrussos atrapalhou muito a saída de jogo; Javi Martínez ficou sobrecarregado; e a bola pouco chegou em Adrián. A vitória veio no talento. Quando nervosa e em situação de adversa, a seleção olímpica mostra-se frágil. Hoje, Milla terá pela frente um amistoso para definir e ajustar a equipe. Contra o Egito, são duas as importancias do confronto: o adversário é um dos que estarão em Londres e não há muitas datas específicas para se trabalhar o elenco. Daqui até a estreia nas Olimpíadas, há, além do jogo de hoje, apenas mais uma data FIFA disponível.

Quase todos os adeptos do futebol recordam o gol de Kiko naqueles dias loucos de Barcelona em 1992, mas não tanto que a Fúria leva 12 anos sem participar dos Jogos. A última participação, em 2000, acabou em medalha de prata, após derrota para Camarões na final. A vantagem da seleção hoje é o fato de contar com um grupo forte, coeso e que atua juntos já há algum tempo. Jogadores como Mata, Javi Martínez e Muniain são os principais em suas equipes e Thiago Alcântara é um dos canteranos mais promissores do Barcelona. Os craques do elenco já estão acostumados a lidar com a pressão e os jogos grandes. Há de se destacar que o regulamento do torneio permite levar três futebolistas maiores de 23 anos. A ideia da comissão técnica é não chamar nenhuma estrela da seleção principal, e sim o winger do Chelsea, o zagueiro-volante do Athletic Bilbao e Adrián López, artilheiro do Sub-21. Para Milla, não há de misturar seu trabalho com o de Del Bosque. Outro nome que não está descartado é Capel, sempre com boas apresentações pelas seleções de base e em boa temporada no Sporting de Lisboa.

Trata-se de dar prioridade àqueles que estiveram no título continental. Como a referência da UEFA é o início das eliminatórias, quem nasceu a partir de janeiro de 1988 pode ser chamado. Naturalmente, Milla aproveitou para incluir veteranos no grupo parcial. O treinador convocou seis jogadores que atuaram na principal para o torneio: Azpilicueta, Capel, Javi Martínez, Mata, Thiago Alcântara e Montoya. A Espanha precisa aproveitar como puder as oportunidades de desenvolver um grupo habituado a decidir para suceder a geração vitoriosa de Casillas, Xavi, Iniesta e Villa. Esses jogadores têm a chance de guiar a seleção a mais conquistas futuramente. E, passo a passo, levar o bi olímpico já seria um belo início.

O exemplo germânico está aí. Quando os garotos da Alemanha esmagaram a Inglaterra por 4 a 0 na decisão da Euro sub-21 de 2009, ensaiavam uma inesquecível Copa com a seleção principal no ano seguinte. Neuer, Jerome Boateng, Khedira e Özil, titulares na África do Sul, arrebentaram no torneio. O fato é que a seleção espanhola da categoria é muito boa. E pensar no ouro é algo real.

Time do colunista: De Gea (Manchester United); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Didac Villà (Espanyol); Javi Martínez (Athletic Bilbao), Ander Herrera (Zaragoza); Mata (Chelsea), Thiago Alcântara (Barcelona), Muniain (Athletic Bilbao); Adrián (Atlético de Madrid).

Atualização 18h33
A Seleção Sub-21 acabou de vencer o Egito por 3x1. Enquanto a seleção de Mano suava para virar contra a Bósnia, a remontada roja saiu com tranquilidade e paciência. Álvaro Vázquez (duas vezez) e Koke marcaram. Curiosidade: a dupla é um dos bons valores da equipe Sub-20, a mesma que caiu para o Brasil no Mundial da categoria no ano passado. É difícil pensar nos dois como titular, mas é um plus de nível ao elenco. Milla iniciou o jogo num 4-3-3 ofensivo com Mariño (Villarreal B); Montoya (Barcelona B), Botía (Sporting Gijón), Álvaro Domínguez (Atlético de Madrid), Dídac Villà (Espanyol); Oriol Romeu (Chelsea), Ander Herrera (Athletic Bilbao), De Marcos (Athletic Bilbao); Cuenca (Barcelona), Adrián (Atlético de Madrid), Capel (Sporting Lisboa).

domingo, 26 de junho de 2011

A cereja do bolo

Excelente geração espanhola deixou boa imprensão na Euro Sub-21, coroada com o título invicto da competição (AS)

Após garantir a vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, restava à Espanha a cereja do bolo: conquistar o título da competição após treze anos. Mantendo seu estilo e sem levar sustos como na semifinal, a Espanha não teve muita dificuldade para bater a Suiça por 2 a 0 e conquistar o tri-europeu da categoria sub-21. Após a decepção contra a Inglaterra, a euforia ante República Tcheca e Ucrânia, e o sofrimento ante a Bielorrúsia, a Roja não quis experimentar um novo tipo de ânimo frente a Suiça, seleção que chegava à final invicta e sem sofrer nenhum gol.

A seleção alpina chegava à final com múltiplas possibilidades de criar problemas à Espanha. Afinal, a base desta seleção, que promete dificultar a vida das principais seleções nas Olimpíadas, é a mesma que ganhou o Mundial Sub-17 em 2009. Porém, a qualidade espanhola praticamente anulou as peças-chaves da seleção suiça. Javi Martínez e Mata, primeiros jogadores da história da competição a ganhar a Copa do Mundo antes da Euro, lideraram uma equipe com bastante jogadores promissores: Thiago Alcântara, Muniain, Ander Herrera, Adrián López - artilheiro e eleito o melhor do torneio -, Montoya e Didac deixaram o campeonato com boas imprensões.

O título é uma premiação ao excelente trabalho de Luis Milla, que não ousou em mexer na equipe até achar o módulo e a escalação perfeita. O 4-4-2 - esquema muito priorizado pelo treinador - da fase eliminatória e da estreia do campeonato não deu certo na competição, e Milla optou por um compacto 4-2-3-1 que variava para um 4-1-4-1 nas jogadas de ataque. Com Ander Herrera dando equilíbrio no meio, uma linha de três letal formada por Mata, Thiago e Muniain e Adrián saindo-se muito bem como única referência na frente, a Fúria desempenhou o futebol mais bonito da Euro e mostrou que a geração campeão europeia e mundial está bem servida para as próximas copas. O corte de Canales, um dos principais jogadores da primeira fase, no final de contas, acabou não fazendo tanta falta, apesar da equipe perder um pouco no drible para ganhar mais na priorização da posse de bola com a entrada de mais um meio-campista (no caso, Muniain).

A final
A primeira chance real de gol aconteceu aos 29 minutos de jogo. Depois de receber um cruzamento, Xherdan Shaqiri pegou de primeira e mandou uma bomba contra as metas espanholas. David de Gea espalmou e a pelota foi para escanteio. A Espanha respondeu sete minutos depois, em uma boa finalização de fora da área de Thiago Alcântara. Mas a bola passou à direita do goleiro Yann Sommer. Aos 41 minutos, a Roja abriu o placar. Didac Villà cruzou na medida para Ander Herrera, que cabeceou e fez o primeiro gol da partida.

No segundo tempo, aos seis minutos, Innocent Emeghara ficou frente a frente de David de Gea. O suíço deu um chute fraco e rasteiro e o goleiro não teve dificuldades para segurar a bola. A Espanha tentou fazer o segundo gol, aos 17 minutos, em chute alto de Javi Martínez, depois que este recebeu de Thiago Alcântara. Os suíços quase igualaram o marcador aos 33. Shaqiri cobrou falta e Timm Klose cabeceou. A pelota passou a direita de David de Gea. Aos 36,' a Roja aumentou o marcador, em um golaço de Thiago Alcântara. O filho do ex-jogador Mazinho cobrou falta e não deu chance de defesa para o goleiro suíço.

Com 2 a 0 no placar final, a Espanha se sagrou tricampeã do Europeu sub-21. A Roja já tinha conquistado a competição em 1986 e 98. A Suíça, por outro lado, nunca tinha alcançado a final do sub-21.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fúria olímpica

É festa: Espanha bate Bielorrúsia na prorrogação e, onze anos depois, garante vaga nas Olimpíadas (AS)


Custou mais que o previsto, mas a Espanha deu a volta por cima e assegurou a vaga para a final da Eurocopa Sub-21 e para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Onze anos após a última participação em uma Olimpíadas, quando acabou ganhando a medalha de prata após perder para Camarões na final, a Fúria está de volta a competição para tentar a segunda medalha de ouro de sua história (a primeira, em 1992, em Barcelona). Os comandados de Luis Milla começaram perdendo, mas Adrián, com gois gols, e Jeffren viraram para a roja.

Durante os primeiros 90 minutos, a Bielorrúsia dificultou muito a vida da fúria. No momento em que a Espanha jogava melhor, Voronkov acertou um belo chute para vencer De Gea e abrir o placar para os bielorrussos. Daí em diante, a Fúria teve que jogar com a paciência, uma das principais virtudes da seleção sub-21 no torneio. No segundo tempo, a Roja cresceu um pouco de produção. Contudo, não levava muito perigo às redes de Gutor devido a boa defesa da Bielorrúsia.

Para abrir mais o jogo e explorar os lados do campo, Luis Milla optou por sacar Muniain e Ander Herrera, bem abaixo da média na partida, para colocar em campo Jeffren e Capel nos flancos. Com isso, trocou o módulo espanhol para um 4-1-4-1, com Javi Martínez como único jogador atrás da linha de quatro. Jeffren, entretanto, parecia nervoso e entrou errando tudo que tentava. Didac, pela esquerda, deu boas opções ofensivas ao subir bastante e Mata começou a subir de produção.

Antes dos 40', Milla optou por uma nova troca e uma nova formação: Alvaro Domínguez deu vez a Bojan e a seleção espanhola mudou para um 3-1-4-2. Com mais um atacante com presença de área, Adrián passou a se movimentar mais na zaga adversária e cresceu na partida. Aos 43', o novo jogador do Atlético de Madrid recebeu de Jeffren e bateu firme para igualar o marcador e fazer Milla respirar aliviado.

Na prorrogação, a Bielorrúsia mostrou-se claramente cansada, e a Fúria aproveitou para selar a classificação à final. Jeffren e Capel passaram a participar mais da partida e Javi Martínez foi boa opção para o ataque. Aos 15 minutos do primeiro tempo extra, Diego Capel chutou de voleio e Adrián cabeceou e marcou o gol da virada. Jeffrén Suárez balançou as redes para os espanhóis aos oito do segundo tempo da prorrogação. O meia-atacante do Barcelona fez um golaço depois de pegar o rebote. Agora, a seleção de Luis Milla irá encarar a Suiça, que venceu seus quatro jogos na competição. Porém, a concentração na final fica para depois: após doze anos, a seleção espanhola está de volta aos Jogos Olímpicos.