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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Incontestável

 Campeão: o Real Madrid quebra a sequência de títulos do Barcelona e se sagra campeão espanhol pela 32ª vez em sua história (getty images)

O Real Madrid garantiu nesta quarta-feira seu 32º título espanhol, o primeiro sob o comando de José Mourinho. A vitória maiúscula contra o Athletic Bilbao deixa os merengues com sete pontos de vantagem sobre o Barcelona, exatamente o necessário para a festa. O palco em Cibeles já está montado: a comemoração do título acontecerá amanhã às 19h local. O português chegou a uma marca histórica: o segundo treinador da história do futebol europeu a conquistar pelo menos uma liga em quatro países diferentes. Com o título de hoje, Mourinho adiciona ao seu vasto e vitorioso currículo sua sétima liga nacional.

Com duas rodadas de antecedência, o Real Madrid volta a levar a Liga BBVA, quebrando a sequência de três títulos do Barcelona. A taça consolida o domínio perante o rival azulgrená: são onze campeonatos a mais que os barcelonistas. Agora, cada clube possui 77 títulos em seus palmarés. O blog fala da contribuição de cada jogador para a campanha vitoriosa e mostra quem foram os destaques:

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Cristiano Ronaldo - 36 jogos - 44 gols
Melhor jogador indiscutível da equipe e, ao lado de Messi, do campeonato. Quebrou sua melhor marca de gols na Espanha, mostrou personalidade e atitude nos momentos mais delicados, problemas nos quais sempre era criticado, e decidiu um superclássico no Camp Nou, conquistando definitivamente o respeito da torcida. Cada vez mais maduro, melhor futebolista, menos individualista e, sobretudo, mais frio na hora de tomar as decisões. Um craque.

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Iker Casillas - 36 jogos - 30 gols sofridos
Não foi uma temporada impecável do capitão, até porque o Real Madrid não sofreu à exaustão como em temporadas anteriores. Porém, quando precisava, lá estava Casillas. A defesa num chute de Xavi poderia mudar o rumo do superclássico que decidiu a Liga. É o melhor goleiro do mundo.

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Sergio Ramos - 33 jogos - 3 gols
Mourinho tirou Sergio Ramos da lateral direita e o devolveu à zaga, onde começou na base do Sevilla. Comparado a Hierro, se consolidou. Mostrou segurança, obediência tática e um físico impressionante. É unanimidade que essa foi sua melhor temporada desde que chegou a Chamartín.

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Pepe - 28 jogos - 1 gol
A evolução de Pepe com José Mourinho foi ratificada. Sensacional a temporada do luso-brasileiro, tantas vezes criticadas. Esteve menos explosivo, apesar da pisada desnecessária em Messi no confronto da Copa do Rei, e mais confiante. Rápido e eficaz no jogo aéreo, é xodó de Mourinho, que confirmou que, enquanto treinar o Real Madrid, o clube não irá se desfazer do zagueiro. Sua atuação no superclássico foi um divisor d'águas na carreira do alagoano.

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Karim Benzema - 32 jogos - 20 gols
Temporada de consagração do francês. Classudo, frio e decisivo. Ágil, inteligente e homem-gol, conseguiu um número destácavel de gols na temporada (são 33, por ora) mesmo atuando ao lado de Cristiano Ronaldo. O gol à Van Basten marcado em Pamplona ante o Osasuna foi eleito o mais bonito da temporada espanhola.

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Xabi Alonso - 34 jogos - 1 gol
Maestro. Não há outra característica que define Xabi Alonso. O volante é tratado como especial por Mourinho: é o único jogador do elenco com capacidade de criar o jogo e associar ao rigor defensivo. Imprenscidível para o treinador português, é dele que nasce a maioria dos contra-ataques merengues.

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Mesut Özil - 34 jogos - 1 gol
A qualidade de sua canhota é um tesouro para o futuro do Real Madrid. O arquiteto merengue teve uma nítida progressão em seu futebol a partir de 2012. Aproveitou a lesão de Di María, ganhou mais confiança e não saiu mais da equipe titular. Responsável pela assistência da temporada, é, depois de Casillas, o jogador mais idolatrado pela torcida blanca.

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Marcelo - 30 jogos - 3 gols
Uma das chaves dos êxitos madrilenhos. Oferece alternativa ao início das jogadas - sempre limitada a Xabi Alonso - e é um sócio perfeito para Cristiano Ronaldo no flanco esquerdo. Ousado, melhorou notoriamente suas prestações defensivas. Caiu de nível na reta final de temporada, mas tem créditos. É um excelente jogador.

Ángel Di María - 21 jogos - 5 gols
Até se lesionar, era o melhor jogador da equipe. Agressivo, vertical, desequilibrante, é ameaça constante para o sistema defensivo adversário. Caiu substancialmente de produção após a segunda lesão, em janeiro, mas não viu em Callejón e Kaká um substituto à altura. Peça-chave no futuro merengue se o estado físico permitir.

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Gonzalo Higuaín - 33 jogos - 22 gols
Apesar de não ter sido titular, possui mais gols até que Benzema na Liga Espanhola. Garantia de gol, é um substituto à altura do francês e concede ao Bernabéu virtudes que os aficionados sempre valorizaram: agressividade, amor à camisa e caráter competitivo. Deve estar de saída para o PSG, mas vai pela porta da frente. Reserva de luxo.

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José Maria Callejón - 24 jogos - 5 gols
Espécie de 12º jogador e trunfo de Mourinho, chegou a ser titular em períodos de dezembro e novembro devido à má fase de Özil e a irregularidade de Kaká. Única contratação de 2011/2012 que merece nota destacável, o canterano mostrou serviço sempre que utilizado e atitude. Irá permanecer para a próxima temporada, pois tem a confiança de Mourinho.

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Sami Khedira - 27 jogos - 2 gols
Primeira opção para acompanhar Xabi na volância, é esforçado, apesar de limitado tecnicamente. Bom recuperador de bola, mostrou na temporada uma maior ofensividade nas jogadas de ataque. Marcou no Camp Nou naquele que talvez foi seu melhor momento desde que foi contratado.

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Kaká - 26 jogos - 5 gols
Irregular durante toda a temporada, ganhou mais oportunidades do que em outros momentos com Mourinho. Seu ciclo em Madrid chegou ao fim e deverá ser apagado da memória do brasileiro. Chegou como esperança e saiu como terceira opção para Mourinho. Teve momentos bons, com lampejos do Kaká melhor do mundo, mas deixou - e muito - a desejar.

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Fábio Coentrão - 19 jogos 
Opção A na Champions; revezamento com Marcelo na Liga. Suas atuações em âmbito europeu não foram das melhores, mas ganhou pontos devido ao objetivo cumprido no Camp Nou: teve atuação sobressaliente três dias após ser duramente criticado por imprensa e torcedores pela desastrosa partida em Munique. Anulou Daniel Alves.

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Esteban Granero - 16 jogos
É reserva, mas sempre que utilizado mostrou serviço. Dá um dinamismo diferente ao meio-campo quando utilizado mais recuado, ao lado de Xabi. Sabe prender a bola e a hora de tocar. Crucial contra adversários com proposta de jogo defensiva. Por pouco não saiu no inverno, mas foi garantido por Mourinho. Seu futuro é uma incógnita.

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Álvaro Arbeloa - 25 jogos
Se recuperou na reta final, mas deixou a desejar em vários momentos. A busca da diretoria merengue por um lateral tem justificativa: Arbeloa não é os dos mais confiáveis. É provável que não seja titular em 2012/2013

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Raphael Varane - 8 jogos - 1 gol
O futuro merengue na zaga passa pelo francês. Está aqui devido a pouca participação, mas mostrou ter futebol. Com 18 anos, não se assustou com a pressão de jogar num dos maiores clubes do mundo. Veloz, obediente taticamente, bom no jogo aéreo, marcou um belo gol contra o Rayo Vallecano, no primeiro turno.

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Lassana Diarra - 17 jogos
Um dos homens de defesa de Mourinho, teve melhor rendimento na lateral direita do que na volância, onde não ajuda nem na criação nem na marcação. Esteve fora em todos os jogos da reta final de temporada e dificilmente permanece no clube para a próxima temporada.

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Ricardo Carvalho - 7 jogos
Só jogou até novembro. Depois, se lesionou e sumiu. Nota 8,0 em 2010/2011, mas, dessa vez, não conseguiu jogar por conta das lesões. Não irá permanecer na capital.

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Nuri Sahin - 3 jogos
A grande decepção da temporada. Não pelo o que jogou, e sim pelo o que não jogou. Pouco utilizado por Mourinho, foi castigado pelas lesões. Chegou com pompa até de titular, mas ficou nas expectativas Mostrou trabalho quando utilizado na LC contra o Apoel, mas muito pouco. Deve retornar ao Borussia Dortmund.

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Raúl Albiol - 3 jogos
Aos 26 anos, perdeu espaço para zagueiros e laterais mais jovens

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José Mourinho
Novamente preciso, o técnico português sempre tomou as decisões certas nos momentos importantes. Merece inteiramente sua primeira Liga Espanhola. Montou uma equipe forte fisicamente, letal no contra-ataque e goleadora. São 112 gols na Liga Espanhola, maior marca da história do futebol espanhol. Conseguiu quebrar a hegemonia blaugrana e fica em Chamartín para a missão mais ambiciosa de Florentino: dar uma Champions League ao Real Madrid.

sábado, 14 de maio de 2011

Resumo: 36ª rodada (2ª parte)

Com a confirmação do título espanhol, o Barcelona agorá só irá se concentrar na final da Champions League (reuters)

Foi jogando no Ciutat de Valencia que o Barcelona confirmou seu 21º título de Liga Espanhola. O 1 a 1 com o Levante proporcionou ao time de Guardiola o título antecipado de La Liga e dá agora mais conforto para a equipe que está na final da Champions League.

A segunda parte da 36ª rodada reservou também muitas emoções na briga para fugir do rebaixamento. Em jogo emocionante no Anoeta, a Real Sociedad venceu o Zaragoza por 2 a 1, chegou aos 44 pontos e está a um empate de conseguir a manuntenção na primeira divisão espanhola. O Zaragoza, por sua vez, vive um drama: com a derrota (e a vitória do Deportivo no dia anterior), os maños voltaram a frequentar a zona de rebaixamento uma rodada após conseguir sair e, a partir de agora, não tem mais espaços para tropeços: só a vitória importa. Conhecemos, também, o segundo rebaixado para a Liga Adelante: o Hércules abriu 2 a 0 no Mallorca, mas não suportou a pressão dos baleares e sofreu o empate, que resultou na queda dos blanquiazules à segunda divisão.

Levante 1x1 Barcelona
Enfim, o Barcelona pode ser considerado, oficialmente, campeão espanhol. Após pouquíssimas tristezas e muitas alegrias, o Barcelona foi até o Ciutat de Valencia para, assim como em 2004/05, confirmar seu título nacional. Em campo, uma equipe pouco centrada (confirmando especulações que dizem que, obviamente, a final de Wembley não sai da cabeça dos blaugrana) saiu na frente dos levantinos, com gol de Keita, mas, pressionado, acabou sofrendo o empate com Caicedo, após erros de Piqué e Víctor Valdés. Guardiola preferiu poupar Iniesta, Pedro e Puyol, que não treinaram com a equipe durante a semana. Porém, tratou de dizer na coletiva que os três não preocupam e estão confirmado para o embate contra o Manchester United. Com ambas as equipes com seus objetivos já cumpridos, o segundo tempo reservou poucas emoções. Messi, que vê Cristiano Ronaldo se distanciar no Pichichi, chegou a acertar a trave de Munúa em um dos raros lances de perigo dos quarenta e cinco minutos finais.

Com o campeonato já decidido, Guardiola ainda tem objetivos a traças para a equipe: terminar com a melhor defesa e melhor ataque da competição (dando, consequentemente, o título do Zamora a Valdés e do Pichichi a Messi). O técnico chegou a declarar que Messi se importa mais em ser campeão da Champions League à ganhar o troféu de artilheiro, mas está na cara que o técnico quer que seu comandante seja o artilheiro, uma tarefa que está contornos árduos. Na coletiva, o técnico explicou que só quer começar a pensar na próxima temporada após a final de Wembley, mas as especulações vão aparecendo a cada dia: Rossi, do Villarreal, e Aléxis Sánchez, da Udinese, são os nomes mais especulados pela imprensa catalã para defender o uniforme azulgrená na próxima temporada.

Para a partida contra o Deportivo, Guardiola já acenou com a possibilidade de testar alguns jogadores do Barcelona B na equipe. Para a próxima temporada, a cantera continuará ganhando prestígios com o treinador: Thiago e Fontás, que vem ganhando oportunidades neste final de temporada, já são alguns dos nomes que farão parte exclusivamente da equipe A em 2011/12. Jonathan dos Santos e Nolito, bastante assediado pelo Benfica, também poderão assinar contrato. Jogadores como Villa, Mascherano, Adriano e Afellay, todos contratados pelo clube neste temporada, garantiram seus primeiros títulos espanhóis e nacionais (no caso de Mascherano, na Europa). Xavi segue fazendo história com a camisa azulgrená: garantiu seu sexto título de Liga - único do plantel com tal quantidade - e é, ao lado de Josep Guardiola, o jogador que mais tem títulos nacionais na história do clube.

Real Sociedad 2x1 Zaragoza
Com enorme sofrimento, a Real Sociedad se impôs ante ao Zaragoza, chegou ao gol da vitória aos 89' com Aranburu e, enfim, pode comemorar o fato de permanecer na primeira divisão espanhola. Curiosamente, Tamudo foi um dos grandes nomes da partida. O jogador, que no início da semana havia dito que não renovaria com os txuri-urdins, abriu o placar aos 24 minutos e levou muito perigo à meta de Doblas no restante da partida. Tamudo também acenou positivamente com uma possível aposentadoria, a quem se referiu que deveria ser "em alto estilo". Dia negativo a Toni Doblas: além de ver o Zaragoza retornar à zona de rebaixamento, a duas rodadas do fim, falhou no gol do centroavante catalão e deixou o campo lesionado para a entrada de Leo Franco, que fez pior: conseguiu tomar um gol bobo de Aranburu dois minutos após entrar no gramado do Anoeta.

Espanyol 2x2 Valencia
A cada dia, o Espanyol dá mostras que a Europa é um sonho obviamente desejado mas complicado. Se não bastasse as novas derrotas de Atlético de Madrid e Sevilla, os péricos novamente não aproveitaram os tropeços dos rivais e só empataram com um já satisfeito Valencia, que entrou em campo apenas para assegurar a terceira colocação e a vaga direta na próxima Champions League.

domingo, 3 de abril de 2011

Resumo: 30ª rodada

Derrota para o Sporting Gijón, e consequentemente fim da invencibilidade caseira em campeonatos nacionais que já durava nove anos, deixou Mourinho boquiaberto (AP Photos)

A rodada que poderia confirmar o retorno do Real Madrid à disputa pelo título acabou saindo totalmente contrária aos planos de José Mourinho. Com um confronto teoricamente mais fácil do que os rivais blaugranas, que visitariam o El Madrigal para encarar o Villarreal, o Real Madrid sentiu a falta de Cristiano Ronaldo, perdeu para o Sporting Gijon e deu, praticamente, adeus às chances de título.

Se a disputa pelo título parece ter acabado, a disputa por Liga Europa e para fugir do descenso continuam intensas. Nesta rodada, o Sevilla deu um enorme passe para cravar sua vaga na competição, enquanto que o Espanyol tropeçou em casa contra o Racing Santander e vê sua vaga ficar ameaçada. Na disputa para fugir do inferno do rebaixamento, tudo embolado. O Hércules venceu na estreia de Djukic com treinador e largou a última posição, enquanto que a Real Sociedad é a nova candidata ao descenso. O Deportivo respirou ao vencer o Mallorca, numa ótima partida de Valerón, e agora está a cinco da zona de rebaixamento. Confira o resumo da trigésima rodada do campeonato espanhol.

Real Madrid 0x1 Sporting Gijón
Na partida que marcou homenagens a Ronaldo Fenômeno, 150 jogos depois (ou nove anos, se você preferir), uma equipe treinada por Mourinho voltou a perder em casa por campeonatos nacionais. A derrota teve um sabor mais do que azedo: ainda que não matematicamente, as chances do Barcelona ser tricampeão só aumentaram, já que os blaugranas abriram oito pontos de vantagem. Para Manuel Preciado, técnico do Sporting Gijón, a vitória teve um sabor especial: além de ter tirado a invencibilidade histórica de Mourinho, seu desafeto, Preciado fez Mou engolir as palavras ditas antes do confronto no primeiro turno de uma maneira cruel. Sem Cristiano Ronaldo, o Real Madrid mostrou-se dependente de seu melhor jogador. Özil, Di María e Granero bateram cabeça durante boa parte do jogo, e Adebayor parece estar sofrendo do mal que Benzema sofria. O francês, quem diria, fez falta à equipe comandada por José Mourinho, que ainda lançou Higuaín, recuperado de lesão, em campo, mas La Pipita mostrou-se fora de sintonia com o grupo. Ao final da partida, Preciado afirmou que Mourinho foi até os vestiários para parabenizar os jogadores pela vitória.

Villarreal 0x1 Barcelona
A comemoração em êxtase dos jogadores ao término da partida mostrou o que a vitória blaugrana significou: em outras palavras, a essencial vitória em um dos campos mais difíceis da Espanha, a larga vantagem de oito pontos a oito rodadas do fim e com uma tabela, teoricamente, mais fácil, colocou o Barcelona mais próximo possível do tricampeonato. Ainda que tenha assegurada a euforia, Piqué não pode esconder: o triunfo na Comunidade Valenciana tirou o peso do superclássico de duas semanas, já que as duas equipes passarão a concentrar as suas forças na Champions League e na final da Copa do Rei, porque a Liga, como diz Mourinho, está praticamente sentenciada. Com uma equipe extramente remendada (desfalcada de Xavi, Messi, Puyol e Pedro), o Barcelona passou por apuros nos primeiros quarenta e cinco minutos. Rossi e Marco Rúben tiveram ótimas oportunidades para abrirem o placar, mas, ora por displicência, ora por defesas de Valdés, melhor da partida, acabaram desperdiçando. No segundo tempo, a mudança na postura blaugrana foi nítida e, após tanta pressão, Piqué acabou fuzilando as redes de Diego López. No final, Valdés ainda iria aparecer para fazer uma defesa espetacular num chute de Cazorla, melhor amarillo em campo.

Getafe 2x4 Valencia
Em dia de luto pelo falecimento Francisco Guaita, pai do goleiro Vicente Guaita, o Valencia esqueceu os problemas extracampos para vencer o Getafe em Valdebebas e recuperar a terceira colocação. O jogo teve sabor doce para Soldado: de volta à equipe onde passou uma de suas melhores fases na carreira, o canterano do Real Madrid foi o autor dos quatro gols do Valencia na partida. O feito vai além quando você para para analisar e vê que o último jogador ché a conseguir anotar quatro gols numa mesma partida de Liga foi Mario Kempes, em 1978. A má notícia fica por conta de Mathieu, que sofreu uma arritmia e foi levado às pressas para um hospital mais próximo. Os primeiros boletins foram positivos, mas está mais do que claro que o lateral desfalcará a equipe no duelo decisivo contra o Villarreal, na rodada que vem. O Getafe, decepção total em 2011, vê o perigo do rebaixamento ficar mais real a cada rodada: a equipe de Míchel está a cinco pontos do Málaga, primeiro da zona de rebaixamento e só venceu uma partida das últimas quatorze realizada.

Sevilla 3x1 Zaragoza
O Sevilla deu continuidade à boa fase e bateu o Zaragoza, num confronto marcado por um pênalti muito mal assinalado por Inglesias Villanueva de Ponzio em Cáceres, em um momento no qual o Zaragoza era melhor que os rojiblancos. Jogando no 4-4-2 a rombo, Rakitic exerceu a função de um enganche, mas não fora brilhante como das outras vezes. Quem merece destaque hoje, além de Kanouté e Negredo, autores dos gols, é o chileno Gary Medel, que chegou junto com Rakitic no inverno. El León, como já vem sendo apelidado pela imprensa espanhola, fez uma partida impecável, sendo responsável direta pela marcação dura em Ander Herrera, principal criador do Zaragoza. Hoje atuou de volante, função que deve exercer até o final da temporada. Manzano já testou o chileno como zagueiro, lateral direito/esquerdo, e meia-ofensiva, mas parece ter achado na volância o principal lugar para o chileno raçudo. Os próximos jogos dos andaluzes podem definir o futuro do time na temporada: a oito rodadas do fim, terá três confrontos diretos para fazer - Mallorca, Villarreal e Espanyol. O Zaragoza, por sua vez, está ameaçado: a um ponto do descenso, Javier Aguirre já começa a ficar com as cordas no pescoço.

Levante 3x1 Málaga
Nem o mais fanático torcedor do Levante esperava ver a equipe numa fase perfeita como que o time está vivendo. Para se ter uma noção da fase do time azulgrená de Valencia, se computados apenas os pontos conquistado no segundo turno, o Levante estaria atrás na tabela apenas de Barcelona e Real Madrid. Ou seja: seria o líder do campeonato paralelo a Barcelona-Real Madrid. A vitória ganha contornos mais espetaculares pelo fato de o Levante ter ido a campo sem oito titulares. Portanto, para não passar por apuros, Plaza mandou sua equipe para frente desde os primeiros minutos. E obteve resultado: em oito minutos, os levantinos já mandavam no marcador, com gols de Stuani, melhor em campo, e Rúben. O Málaga trabalhou muito a bola, mas não conseguiu ser tão incisivo para chegar com perigo na meta de Munúa, um dos fatores citados por Pelegrinni na coletiva. O Málaga segue inconstante e o perigo de um rebaixamento é real: hoje a equipe caiu mais uma posição, assumiu a penúltima colocação e terá três confrontos diretos na próxima rodada. Se, nos últimos jogos, o fator casa tem sido importante, o otimismo é grande: contra Hércules e Deportivo, o Málaga jogará no La Rosaleda, em jogos que definirão o futuro da equipe de Pelegrinni. Pelo lado do Levante, se a fase é tão boa, por que não sonhar com Liga Europa? A quatro pontos da zona da competição europeia, os levantinos irão encarar Atlético de Madrid e Athletic Bilbao até o término da Liga. A boa notícia é que Caicedo deve ser reforço para essas duas finais.

Osasuna 2x3 Atlético de Madrid
E o Atlético de Madrid convenceu. Ainda que tenha saído atrás no marcador, a reação e o futebol apresentado, sobretudo no segundo tempo, colocaram os rojiblancos cada vez mais próximos da Liga Europa. Diego Costa foi o grande nome do duelo, com um hat-trick. O triplete foi o primeiro de um jogador do Atlético de Madrid desde Forlán em 2009. Para o feito do brasileiro, a zaga roja colaborou: nos três gols, três erros de saída de bola totalmente infantil, sendo duas delas de Puñal. Outro que merece destaque é De Gea. Como tem se tornado praxe, o goleiro foi crucial no momento em que o Osasuna imprimiu um ritmo à procura do gol de empate, no momento em que o Atlético de Madrid caiu de produção. O desligamento da partida é um dos erros que o Atlético de Madrid tem que concertar para querer continuar com suas aspirações na temporada. O Osasuna, com 35 pontos, dificilmente cairá para a Liga Adelante, e, a partir de agora, jogará apenas para ficar perto dos oito primeiros colocados, como definiu Camacho após a partida. Com os mesmos 42 pontos do Athletic Bilbao, o Atlético de Madrid fará contra os bascos, daqui a um mês, o duelo decisivo pela terceira e última vaga na Liga Europa.

Espanyol 1x2 Racing Santander
Uma derrota para o Racing Santander, no Cornellá El Prat, definitivamente não estavam nos planos de Pochettino. A derrota para os cantabrianos colocaram em xeque a participação do clube de Barcelona na próxima edição da Liga Europa, já que a equipe caiu uma posição e viu as vitórias de Atlético de Madrid e Sevilla, além da ascensão dessas duas equipes a oito rodadas do fim. A derrota evidenciou - novamente - a fragilidade da zaga périca desde as saídas de Didac e Víctor Ruíz. Colsa e Giovanni dos Santos, autores dos gols, cabecearam livre para as redes de Kameni, sacramentando a virada verdiblanca. Pochettino ainda tentou buscar o resultado, colocando Álvaro e Iván Alonso nos lugares de Verdú e Luis García, mas a equipe não foi incisiva o bastante. No final, Osvaldo ainda carimbou a trave de Toño, que beijou a baliza salvadora. De destaque, apenas a bela partida de Callejón, que nesta semana teve seu nome ligado a uma possível repatriação para o Real Madrid. O meio-campista ditou o ritmo do Espanyol na partida e sofreu o pênalti convertido por Osvaldo. No lado vencedor, fica o destaque para, principalmente, Giovanni dos Santos. O mexicano mudou a cara dos verdiblancos desde que chegou à Cantábria e toda desconfiança dos torcedores racinguistas quanto à sua contratação passaram. Após a vitória, o rebaixamento ficou bem distante.

Real Sociedad 1x3 Hércules
Já é possível detectar que a troca de treinadores foi o melhor para o Hércules. Na primeira partida de Miroslav Djukic no comando técnico dos herculinos, o Hércules voltou a comemorar uma vitória e logrou um triunfo importante para suas pretensões daqui para a frente. Nome do jogo, Drenthe ganhou todos os elogios do treinador após a partida. Autor de um doblete providencial, o holandês será o pilar do Hércules na tentativa de fuga do descenso. Drenthe foi o nome da partida, mas o gol mais comentado foi o de Portillo. O chute seco do meio-campista, à esquerda de Bravo, quebrou uma sequência para lá de negativa que rondava sobre o Hércules: a equipe ficou 1.113 minutos sem marcar um gol fora do Rico Pérez (desde outubro de 2010, para ser mais preciso, quando Haedo Valdez marcou contra o Almería). A Real Sociedad só decepciona: depois de deixar de brigar por competições europeias, os txuri-urdins veem a ameaça do rebaixamento se aproximar a cada rodada. Os donostiarras perderam o rumo do campeonato estão numa dinâmica muito complicada. Sem jogo e sem pegada, o momento no Anoeta é tenso e as vaias durante e após o término do jogo representa muito bem isso.

Deportivo 2x1 Mallorca
Juan Carlos Valerón. Desde 1999/2000 no Deportivo, Valerón é o único remanescente da equipe campeã espanhola naquela temporada e sempre teve papel importante nos jogos da equipe galega. Xodó da torcida, El Mago deu duas assistências que podem, ao final da temporada, fazer toda a diferença para o Deportivo: os blanquiazules viraram um difícil jogo contra o Mallorca e chutaram para longe a ameaça do rebaixamento. Além de Valerón, outros dois merecem destaque. Guardado, que reencontrou o caminho das redes no último compromisso da seleção mexicana, e Lassad, autor do gol que culminou a virada blanquiazul. O Riazor inflamou após o gol do camisa oito e os aficionados não paravam de gritar "o Deportivo é da primeira, da primeira!". A figura negativa ficou por conta de Webó. O camaronês, que vinha fazendo grande partida (foi o autor do gol malloquín), acabou cometendo falta extremamente boba e, por consequência, foi expulso pelo árbitro Teixera Vitienes, num momento que o Mallorca pressionava em busca do empate. Com a derrota, as chances de pegar uma vaga na próxima Liga Europa diminuíram, mas Laudrup mantém o otimismo: a diferença não é grande e há um confronto direto para fazer - contra o Atlético de Madrid, no Ono Estadi.

sábado, 1 de maio de 2010

Pode carimbar

Após a vitória no dérbi contra o Real Madrid, eu usei como título da matéria do jogo, que "o título está mais perto". Mas não "estava" como "todos" esperavam. Duas rodada após o superclássico, o Barcelona disputou o derby barceloní e tropeçou na tática de Mauricio Pochettino. O clube azulgrená só empatou por 0 a 0 e viu o Real Madrid voltar a encostar, ao vencer o Valencia pelo placar de 2 a 0.

Neste sábado, o Barcelona viajou até a Comunidade Valenciana para disputar um dos jogos mais difíceis da reta final de campeonato: os blaugranas iriam enfrentar o Villarreal, no El Madrigal.

Contra o Villarreal, Pep Guardiola optou por Bojan no lugar de Ibrahimovic. E o garoto brilhou, ao lado de Messi (getty images)

A semana do Barcelona não era nada favorável para o confronto difícil contra o Villarreal. Na quarta-feira, o time havia sido eliminado em pleno Camp Nou da UCL. A participação de Xavi pro jogo contra o Villarreal foi uma icógnita. Ele se recuperou à tempo e entrou na lista de final, mas com dúvidas sobre se começaria ou não como titular.

Como disse Júlio Gomes, no blog dele, a escalação do técnico do Villarreal, José Garrido, contribuiu muito para a vitória do Barça. Ele escalou um time com Ibagaza, Cani, Cazorla, Nilmar e Rossi. Todos jogadores ofensivos. Jogar assim contra o Barcelona é a mesma coisa que se auto suicidar.

A ideia do Villarreal era surpreender, agredir e, claro, ganhar do Barcelona. Nilmar teve duas chances claríssimas nos primeiros minutos, perdeu as duas. E aí o Barça passou a dominar o meio-de-campo. Com uma diferença básica: contra um time sem jogadores pegadores, sem marcação dura. O resultado foram os três gols no primeiro tempo, todos eles saindo dos pés do melhor meio-campista do mundo: Xavi. A "icógnita", como citado no meio do post, brilhou muito e contribui veementemente para o resultado. Primeiro ele deixou Messi na cara do gol. Depois fez um golaço de falta. E ainda deu outra assistência, para Bojan marcar um que também foi um primor. Em um tempo, jogo decidido. Não à toa uma das chaves de Mourinho foi justamente anular Xavi. O Villarreal não passou nem perto de fazer isso.

No segundo tempo, os amarillos se acertaram. Entrou em campo Marcos Senna para deixar o meio mais sólido. Com a acomodação do Barça, o time da casa passou a jogar melhor e veio o gol. No momento de maior pressão, Xavi resolveu de novo, dando um passe magnífico para Daniel Alves cruzar e Messi marcar. No meio disso tudo, uma lambança do árbitro, que deu dois amarelos e não expulsou Busquets (vai dar uma polêmica danada). Segundo o jornal sport, Teixera Vitienes computou o cartão na súmula como dado para Llorente, que reclamou com o árbitro por causa da "cera" de Busquets. O Barça terá na reta final, apenas um jogo de risco, que é contra o Sevilla, no Ramon Sanchéz-Pizjuan, na próxima semana. Além deste confronto, irá encarar Tenerife, na terça-feira, e Valladolid, daqui a duas semanas, no Camp Nou.


Decidindo

Bojan: como titular no lugar de Ibrahimovic, marcou novamente (AP)

A escalação de Bojan no time titular não surtiu como um ato de surpresa no mundo barcelonista. Parte da torcida culé parece ter perdido a paciência com Ibrahimovic. Numa votação do Mundo Deportivo em que pedia o time titular ante o Villarreal, os mais votados foram: Valdés; Dani Alves, Puyol, Piqué, Maxwell; Touré, Busquets, Xavi; Pedro, Messi, Bojan. Com exceção de Keita no lugar de Touré, todos os outros 10 nomes eleitos na votação foram à campo.

Hoje, além do gol, Bojan participou diretamente de muitas jogadas de perigo do Barcelona. O garoto, que quase foi heroi da classificação do Barça na UCL, mas teve seu gol anulado, já soma, com o tenho de hoje, 9 gols na temporada. Todos no Camp Nou. Bojan parece ter recuperado o bom futebol que o mesmo apresentou na pré-temporada e no início da temporada, quando se lesionou e ficou de fora por 3 semanas.

Marcou o primeiro gol do Barça nesta Liga Espanhola, contra o Sporting Gijón, no dia 31 de agosto; marcou 2 gols contra o Cultural Leonesa pela Copa del Rey, no dia 10 de novembro; voltou a marcar durante muito tempo na vitória contra o Stuttgart, no dia 17 de março; 1 contra o Osasuna, no dia 24 de março; 2 contra o Athletic Bilbao, no dia 3 de abril; 1 contra o Deportivo, no dia 14 de abril; e por fim 1 no jogo de hoje contra o Villarreal.