Mostrando postagens com marcador Gerard Deulofeu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gerard Deulofeu. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de agosto de 2012

Mini-clássico

 No último duelo de filiais de Barcelona e Real Madrid, Xavi e Puyol foram os destaques (Zimbio)

Daqui a pouco, às 16h, o futebol espanhol assistirá ao duelo mais curioso e até esperado da temporada. No estádio Alfredo Di Stéfano, o Real Madrid Castilla recebe o Barcelona B pela segunda rodada da Liga Adelante. Na rodada de estreia, as duas filiais perderam. No melhor jogo da rodada, o Barcelona teve um Deulofeu inspirado, que marcou três gols, mas expôs a carência defensiva e sofreu duas viradas do Almería na derrota por 5x4. Os merengues, por sua vez, deram mais trabalho ao Villarreal, que suou para virar no El Madrigal por 2x1. A partida é especial por, entre outros motivos, ser disputada justamente entre os dois jogos da Supercopa.

Este será o primeiro confronto entre os dois em 15 temporadas. Os últimos precedentes é favorável aos catalães. Em 97/98, à época Barça Atlètic e Real Madrid, as equipes caíram no grupo C da fase de acesso à Segunda Divisão B, o que gerou dois confrontos nas últimas duas rodadas. Os blancos lideravam o grupo com oito pontos, um a mais que os azulgrenás, que viraram o quadro. Liderados por Xavi e Puyol, o Barça Atlètic impussionou uma humilhante goleada ao rival no Mini Estádi, em Barcelona, por 5x0. O zagueiro, aliás, foi o autor do terceiro gol. Nomes conhecidos como Gabri, que também anotou um gol, e Luis García estiveram presente neste duelo. Em Madrid, nova vitória blaugrana: 2x0. A festa nos vestiários foi enorme, e contou com a presença do até então treinador da equipe A Louis van Gaal e o diretor esportivo das divisões de base Llorenç Serra Ferrer.

Atualmente, o mais promissor jogador barcelonista é Gerard Deulofeu (foto, Zimbio). Após a exibição de gala na primeira rodada, o jovem será encarregado de comandar o time B em Madrid. Ao seu lado, terá a companhia de Rafinha Alcântara, que reclamou de desconfortos durante a semanas mas está confirmado para o mini-clássico, e Jean Marie Dongou, o homem-gol de apenas 17 anos e considerado o herdeiro Samuel Eto'o. Se o hispano-brasileiro começar no banco, seu provável substituto é Lobato. A grande novidade e comemorada pelo treinador Eusébio Sacristán é o "reforço" de Sergi Roberto, que treinou com a equipe A durante toda a pré-temporada e foi liberado por Tito Vilanova a disputar o jogo. Sergi se destacou nos amistoso de preparação e ganhou muitos pontos com o treinador da equipe principal, podendo até assinar contrato com a equipe A em janeiro. Juste, machucado, e Carles Planas, expulso ante o Almería, serão desfalques de peso.

O substituto de Planas é o jogador mais jovem da Liga Adelante, o lateral Alejandre Grimaldo (16 anos e 243 dias). Ele terá a missão de ajudar a dissipar as dúvidas que pairam sobre a defesa após a primeira rodada. Grimaldo é uma espécie de Jordi Alba, pois ataca com frequência, mas deixa a desejar na marcação, ao contrário de Planas, mais completo. No meio-campo Illie e Espinosa devem acompanhar Sérgio Roberto. Se não houver mudanças de última hora, o provável é a escalação de Oier; Balliu, Sergi Gómez, Lombán e Grimaldo; Illie, Espinosa e Sergi Roberto; Deulofeu, Dongou e Rafinha.

No Castilla, a promessa é de apoio total da torcida. O treinador Alberto Toril tratou de convocar os aficionados na coletiva pré-jogo. "É uma partida bonita e única, em uma categoria bastante disputada, entre duas das principais divisões de base do futebol espanhol. Queremos muito que o público possa no ajudar a conseguir os três pontos". Em campo, Toril tem algumas dúvidas. Morata é dúvida por seguir treinando com a equipe A e sua presença no onze inicial só será confirmada às vésperas da bola rolar. José Mourinho, perguntado sobre isso em sua coletiva para o jogo contra o Getafe, não deu uma resposta concreta. A principal estrela do Castilla é Jesé Rodríguez (foto, Mirror), artilheiro e melhor jogador do último Europeu Sub-19 de seleções. Ele deverá ter ao lado no atacante Denis e Borja García, que disputa a posição do flanco esquerdo com Óscar Plano.

Na defesa, o xerifão Casado, que treinou com a equipe principal na pré-temporada, se recuperou dos desconfortoso musculares e está à disposição para formar dupla com Nacho, novidade do banco de reservas na partida de ida da Supercopa no Camp Nou. Sem Carjaval e Joselu, que saíram para Bayer Leverkusen e Hoffenhein, os blancos perdem parte do poderio ofensivo que apresentou na disputa da Segunda B na temporada passada. É provável que o Castilla inicie com Mejias; Fabinho, Nacho, Casado e Mateos; Mosquera, Álex e Juanfran; Jesé, Denis e Borja García. Quem se dará melhor nesse duelo? La Fábrica ou La Masía?

domingo, 15 de julho de 2012

Geração de ouro

 Campeã pela segunda vez consecutiva da Eurocopa Sub-19, Espanha evidencia que o sucesso atual é muito graças ao trabalho feito na base (Marca)

Após um período de recesso, o ritmo de postagem do Quatro Tiempos vai retornando aos poucos, a partir dessa semana, ao normal. Neste domingo, a seleção espanhola sub-19 manteve o troféu da Eurocopa da categoria. Na final contra a Grécia, vitória por 1x0 que valeu para a conquista do sexto título da competição desde o novo formato, que começou em 2000. No ano passado, a vítima havia sido a República Tcheca.  No geral, a Espanha venceu o torneio nove vezes, sendo a  maior vencedora junto com a Inglaterra, que não levou nenhum troféu no novo formato.

O gol de Jesé, que garantiu o título à Roja, foi um retrato da seleção em toda a competição: jogada e assistência de Deulofeu, das canteras do Barcelona, e gol do merengue, que ao final da partida foi premiado com a Chuteira de Ouro (prêmio ao artilheiro) e a Bola de Ouro da competição (prêmio ao melhor jogador), embora há divergências quanto à última premiação - para muitos, o melhor jogador, de fato, foi o barcelonista. Foi uma campanha de vencedor: em cinco jogos, três vitórias (Grécia duas vezes e Estônia) e dois empates (contra Portugal e França - contra os Bleus, vitória no pênalti que garantiu a vaga na final). É um título que ratifica o poderio espanhol em âmbito europeu. A Roja é absoluta em todas as categorias da principal competição de seleções do velho continente: título no sub-19, no sub-21 e no principal. Agora, o futebol espanhol espera fechar a temporada de ouro com o ouro: a medalha nos Jogos Olímpicos de Londres.

Independente de nomes, a Espanha é nos últimos anos quem melhor trabalha a base, provavelmente ao lado da Alemanha. A conexão entre federação e os clubes é um dos principais pontos de sucesso, pois permite às equipes de base sempre ter os melhores jogadores à disposição. Além disso, a mentalidade de jogo é a mesma em todas as gerações, o que facilita a chegada de jogadores jovens ao time de cima. A Espanha, antes tão traumatizada pelas aventuras internacionais, deu o passo em definitivo para ser o que é hoje quando passou a apostar todas as suas fichas no trabalho prolífico feito na base. 

A Roja precisa aproveitar como puder as oportunidades de desenvolver um grupo habituado a decidir. Esses jogadores têm a chance de guiar a seleção a glórias maiores, como a geração de Casillas, Xavi, Iniesta e Villa vem fazendo nos últimos quatro anos. O exemplo germânico está aí. Quando os garotos da Alemanha esmagaram a Inglaterra por 4 a 0 na decisão da Euro sub-21 de 2009, ensaiavam uma inesquecível Copa com a seleção principal no ano seguinte. Neuer, Jerome Boateng, Khedira e Özil, titulares na África do Sul, arrebentaram no torneio.

Jesé e Deulofeu (17), os destaques do título: Jesé foi eleito o melhor jogador do torneio (uefa)
Um dado chama atenção nisso tudo: nos últimos dois anos, a Espanha só não foi a final do Europeu Sub-17 em 2011. Nos demais quatro campeonatos, quatro decisões, dois títulos e dois vice-campeonatos. No "biênio" 2008/09, a Fúria já havia chegado à etapa final de todas as competições, mas fez menos finais: "apenas" uma, a do Europeu Sub-17 de 2008, vencida sob a regência de Koke e Thiago Alcântara, que viria a ser o principal jogador da equipe sub-21 na conquista da Eurocopa de 2011. Nas demais, a equipe parou na fase de grupos, sempre no terceiro lugar de sua chave. Mas ainda assim, as seleções de base espanholas já demonstravam regularidade e apontavam para um futuro promissor. Um processo gradual, de amadurecimento semelhante ao que se passou com a própria equipe principal.

Aliás, a ligação entre a seleção de base e a de cima são muito prezadas na Espanha. Vicente Del Bosque tem contatos constante com os treinadores das seleções menores, que, por sua vez, trabalham essencialmente para que os meninos, do sub-17 ao sub-21, entrosem-se e sejam integrados ao estilo de toques rápidos e de valorização de posse de bola. Até por isso, se o garoto não acompanha o processo desde os 16, 17 anos, será difícil conquistar um espaço nas seleções seguintes. E para dar sequência aos trabalhos e preparar as devidas reposições em cada categoria, ocorre até do treinador ser promovido com os jogadores. Caso de Luís Milla, que comandou os sub-19 em 2010 e logo depois assumiu o time sub-21. É ele que vai comandar a seleção olímpica em Londres, após ser campeão europeu com a equipe da categoria.

Olhar tanto a equipe sub-19 como a sub-21 do país é comprovar que dos "pequenos" aos "grandes", o padrão do tiki-taka já foi introduzido, tanto aos jogadores mais habilidosos aos meninos sem tanta qualidade, o que evidencia a valorização do fator "grupo", tal qual o técnico. Além disso, ao marcar presença nas fases finais e  - principalmente - nas decisões europeias como vem sendo feito, a garotada começa a ganhar cancha para lidar com todo o aspecto emocional de uma final ou de um jogo crucial, que envolve o equilíbrio para que o padrão de jogo não se altere por ser uma decisão, o saber administrar o resultado positivo e aprendizado de se lidar com um gol sofrido sem que o desespero afete a forma como se está atuando.

Há pouco tempo, quando ainda exercia a função de diretor das seleções de base da Espanha, Fernando Hierro declarou que o futuro da Fúria estava assegurado. Mais do que pela existência de uma série de novos potenciais craques (que até existe), a Espanha acredita ter encontrado a fórmula ideal para a transição dos meninos à seleção principal. A julgar pelos resultados e pelo que se vê em campo, tanto pelo projeto desenvolvido entre as equipes principal e menores do país como pela qualidade técnica das safras que têm surgido na nação ibérica, Hierro não está nada equivocado. Assim, com alguns titulares da equipe principal chegando ou passando da casa dos trinta anos, o envelhecimento da safra campeã do Mundo e bi da Eurocopa não deve ser motivos de preocupação ao torcedor espanhol. A transição já está bem encaminhada.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A rotina da Roja

Foi difícil, mais do que era imaginado. Mas no fim a Espanha levantou seu oitavo título europeu sub-19 (Sportsfile)

A Espanha chegou à final contra a República Tcheca embalada por uma ótima campanha, que apresentou apenas uma derrota na fase final do Europeu sub-19, disputada na Romênia – contra a Turquia, quando jogaram com o time reserva. Além disso, a Furinha contou com um ataque irresistível, autor 16 gols em 5 jogos.

Para desafiar os tchecos na final, o técnico Ginés Meléndez manteve a estrutura tática roja, o 4-2-3-1. Mas a linha de armadores do meio-campo estava organizada de forma diferente: o capitão Sarabia à direita, Juanmi centralizado e Deulofeu à esquerda, com Morata sendo o centroavante. O artilheiro da competição com seis gols, porém, não estava bem e sua presença de área fez falta aos companheiros.

A Espanha tentou tomar da partida desde seu início, com o seu camisa dez, Sarabia, comandando as ações. Mas o jogador do Real Madrid (emprestado ao Getafe) sentia falta de uma melhor presença de seus companheiros de setor ofensivo e também esbarrava na marcação rival, pois os tchecos envolviam, praticamente, seus dez jogadores de linha nela.

Para tentar fazer o jogo espanhol fluir melhor, o treinador mexeu na furinha, colocando o atacante Paco Alcácer e o volante José Campaña. Quem também mudou foram os tchecos, que passaram a jogar de forma mais agressiva. A alteração na postura fez a diferença, pois logo saiu o gol da seleção centro-europeia. O habilidoso meia-esquerda Krejci fez bela jogada pelo flanco canhoto e finalizou cruzado.

Os espanhóis demoraram a se reencontrar em campo, mas conseguiram e passaram a pressionar muito a equipe adversária. Com a saída do esgotado Sarabia, Deulofeu, agora à direita, tomou conta da partida. Porém, o jogador blaugrana esbarrava muitas vezes em seu excessivo individualismo. O empate saiu aos 83 minutos. Campaña fez ótima enfiada para Alcácer, que parou no goleiro Koulbec. Mas no escanteio, após o bom zagueiro Kalas afastar a bola, Pardo chutou bem e contou com o desvio de Aurtenetxe para empatar o jogo.

Assim a partida encontrou a prorrogação, onde uma nova surpresa apareceu: gol tcheco aos 7 minutos. Lacha completou para o gol após mais uma boa jogada de Krejci. A partir daí, a República Tcheca se focou ainda mais na marcação e a Espanha passou a controlar totalmente as ações da partida. O jogo já era dramático, mas, aos 18 minutos da prorrogação, Campaña lançou e o aéreo Morata antecipou a zaga, fazendo passe de cabeça. A bola encontrou Alcácer, que marcou.

A vitória foi alcançada faltando apenas cinco minutos para o apito final. Desta vez, o passe partiu do ótimo volante Pardo, que achou o peito de Alcácer, que colocou a bola no chão e bateu na saída do goleiro tcheco. 3 a 2, muita emoção e a Espanha novamente campeã, algo que virou comum nos últimos anos. A seleção principal levantou a Eurocopa 2008 e a Copa do Mundo 2010; a Sub-21 ergueu a Eurocopa da categoria neste ano; e agora a Sub-19 venceu o europeu, após ser vice no ano passado para a França de Griezmann.

Além disso, a geração campeã promete dar bons frutos para o futuro. Os principais nomes foram o volante Rubén Pardo, da Real Sociedad, o centroavante Álvaro Morata, do Real Madrid, o meia-atacante Pablo Sarabia, do Real Madrid emprestado ao Getafe, e o também meia-atacante Gerard Deulofeu, do Barcelona, assim como Paco Alcácer (Valencia) e Sergi Gómez (Barcelona). Josep Guardiola ficou tão satisfeito com o desempenho dos jogadores blaugranas que imediatamente os chamou para se integrar ao plantel A, que está em turnê nos Estados Unidos. O futuro da roja promete ser realmente brilhante.