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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 1)


 Pela primeira vez em quatro anos, o Real Madrid inicia a Liga Espanhola defendendo o título. Irá conseguir a manuntenção da taça ou sucumbirá ao Barcelona de Tito Vilanova? (reuters)

Neste sábado, dia 18, está previsto o pontapé inicial da Liga BBVA 2012/2013, com o duelo entre Málaga e Celta Vigo. Após a ameaça de boicote de 13 clubes em relação aos direitos televisivos do torneio e à realização de oito partidas das três primeiras rodadas às 23 horas, a federação e as sociedades entraram em acordo para a disputa da rodada. Em campo, nada irá mudar: mais uma vez, Barcelona e Real Madrid irão polarizar o campeonato à parte entre as duas equipes. E, desta vez, de maneira diferente em comparação aos outros anos: quem irá defender o título é a equipe merengue.

A terceira força espanhola continua a cargo do Valencia. Os chés se reforçaram bastante e têm a missão de diminuir a alta vantagem em relação ao segundo colocado. Um pouco atrás aparece o Atlético de Madrid, que pretende incomodar o pelotão de cima e brigar pau-a-pau com o clube valenciano pela terceira colocação. Um Athletic Bilbao prestes a perder Javi Martínez e Llorente pode sofrer, mas ainda sim pretende disputar uma vaga na Champions League, ainda que como azarão. No pelotão intermediário, Deportivo, Osasuna, Celta Vigo, Real Sociedad e Espanyol prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios. E ainda tem o Sevilla, que possui bons jogadores no elenco, mas carece de fantasia. Os andaluzes têm time para brigar pela principal competição europeia de clubes?

Faltando pouco mais de duas semanas para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Real Madrid pode garantir, depois de tantas especulações, o croata Luka Modric. O Barcelona, por sua vez, está a um passo de oficializar a contratação de Alex Song. O Valencia pode completar seu elenco com Monreal e mais um meio-campista, enquanto o Athletic Bilbao tentará investir o dinheiro das prováveis venda de Javi Martínez e Llorente em Antoine Griezmann e Beñat Etxebarria, dois ótimos meio-campistas.

Assim como no ano passado, repetiremos a parceria de enorme sucesso com o Futebol Espanhol de Pierre Andrade. Edgley Lemos, colaborador do site, também embarca nesses dois posts especiais de apresentação das 20 equipes da primeira divisão espanhola. E se você é muito fanático pelo futebol da terra das touradas, não deixe de ler nosso preview da Liga Adelante, clicando aqui. Boa leitura!

Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco
Estádio: Catedral de San Mamés
Em 2011/2012: 10º colocado
O cara: Iker Muniain (meio-campista, foto)
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ruiz de Galarreta (meio-campista)
Principal reforço: Aritz Aduriz (atacante, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Iraizoz; Iraola, Amorebieta, Javi Martínez (Ekiza, San José, Gurpegi), Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente (Aduriz)

Após uma temporada gratificante em 2011/2012, o Athletic Bilbao promete mais. Passada a novela com Marcelo Bielsa, que decidiu renovar por mais um ano, os Leones estão prestes, no entanto, a perder dois de seus principais jogadores: Javi Martínez e Llorente (por isso, o destaque do time ficou nas mãos de Muniain). O zagueiro-volante está bem perto do Bayern de Munich, enquanto o centroavante está de partida para a Juventus. Fato é que o Athletic ainda possui uma boa equipe titular e pode chegar com mais força. O problema é até onde a questão física dos jogadores pode atrapalhar na reta final.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel, assim com Griezmann. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Melhorar o aproveitamento sobretudo em San Mamés é o primeiro passo. Devido ao fato de ter dado mais importância à Liga Europa, os rojiblancos desperdiçaram pontos bobos atuando em seus domínios.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2011/2012: 5º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante, foto)
O treinador: Diego Simeone
A promessa: Olíver Torres (meio-campista)
Principal reforço: Emre (meio-campista, Fenerbahçe)
Principal perda: Diego (meio-campista, Wolfsburg)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luís; Gabi, Mario Suárez; Adrián, Arda Turan, Emre; Falcão Garcia

Nos últimos tempos, o Atlético de Madrid se caracterizou por encher de esperanças a torcida no começo da temporada e decepcioná-la ao término. Todavia, neste ano as coisas tendem a ser diferentes. Com a manutenção da equipe que conquistou o bicampeonato da Europa League, o Atlético entra forte para disputar com o Valencia o terceiro posto da Liga. Porém, com uma importante baixa. Sem participar da Champions League por dois anos consecutivos, os rojiblancos não conseguiram manter Diego, que fez uma temporada impecável pela equipe da Manzanares. O brasileiro era o cérebro do time, posto que deve ser ocupado por Arda Turan, atuando mais centralizando em campo.

No comando da equipe está Simeone, que conta com total apoio da torcida e da direção do clube. Não é para menos. Desde a sua chegada, o Atlético ganhou consistência tática e solidificou sua defesa. Outro que continuará é Falcão Garcia. Com um tremendo faro goleador, El tigre despertou o interesse dos maiores clubes da Europa, mas preferiu continuar. O jovem Olíver Torres atuou bem na pré-temporada e deve entrar gradativamente no time.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2011/2012: 2º colocado
O cara: Lionel Messi (atacante, foto)
O treinador: Tito Vilanova
A promessa: Sergi Roberto (meio-campista)
Principal reforço: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-3-3): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, David Villa (Fàbregas).

Melhor time do mundo? Durante os últimos quatro anos, ninguém ousou em definir o Barcelona dessa forma. No entanto, bastou uma temporada sem os principais títulos para colocarem em xeque o futuro da era vitoriosa de Messi, Xavi e Iniesta na Catalunha. Sem Josep Guardiola, o novo treinador Tito Vilanova tem a dura missão de recolocar os azulgrenás no topo. Elenco para isso, ele tem. Da equipe titular, Vilanova não perdeu ninguém e ainda fechou a contratação de Alba, melhor lateral esquerdo da competição passada e da Eurocopa. A zaga, por outro lado, não teve uma atenção tão forte no mercado. Principal ponto fraco da equipe, os blaugranas sondaram Javi Martínez e Thiago Silva, mas o alto valor pedido pelas suas respectivas equipes fez com que o clube desistisse. 

A profundidade do elenco sempre foi um tema debatido durante a Era Guardiola. Na temporada passada, o treinador encheu a equipe de improvisações devido ao fato de não contar com muitas peças de reposição ou, quando as teves, perdê-las por lesão. Os retornos de Villa e Afellay mais a iminente chegada de Song dará mais qualidade e quantidade ao plantel. Ainda há quem especule Agger. Vilanova tem o carinho dos senadores barcelonistas e está no caminho certo para ter sucesso no Camp Nou. Para isso, precisa rezar, principalmente, para que as lesões não afete o desempenho de seu comandados.
Bétis (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia
Estádio: Benito Villamarín
Em 2011/2012: 13º colocado
O cara: Beñat Etxeberria (meio-campista, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Alejandro Pozuelo (meio-campo)
Principal reforço: Paulão (zagueiro, Saint-Étienne)
Principal perda: Iriney (meio-campo, Granada)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Casto; Nelson, Paulão, Dorado, Nacho; Beñat, Rubén Perez; Agra, Campbell, Juan Carlos; Rubén Castro.

Na última temporada, o Bétis conseguiu se manter no meio da tabela ficando numa posição bem tranquila. Para esta temporada, a expectativa mais otimista deve ser novamente o mesmo lugar. A debandada de alguns jogadores como Ustaritz, que retornou ao Bilbao após o fim do empréstimo à equipe andaluz, e Iriney, meio-campista brasileiro que se transferiu para o Granada, deixa o Bétis de mãos atadas. O dinheiro está mais curto que na última temporada; portanto, as contratações terão de ser pontuais, já que a temporada está batendo à porta.

A defesa é, sem dúvidas, o setor mais necessitado de reforços. A falta de, pelo menos, dois bons zagueiros e um lateral direito não podem deixar de ser sentida. No meio-campo, falta um jogador de criação para substituir Iriney e ser alternativa ao Beñat. Alejandro Pozuelo, cria do Bétis, é uma aposta interessante, mas ainda é jovem. Resta aos “aficionados” torcerem para que a diretoria consiga suprir as necessidades do time para que o início de temporada não seja desastroso, resultando em novo rebaixamento.


Celta Vigo (Pierre Andrade)
Cidade: Vigo, Galícia
Estádio: Balaídos
Em 2011/2012: 2º colocado na Liga Adelante
O cara: Iago Aspas (atacante)
O treinador: Paco Herrera
A promessa: Jonny Castro (lateral-direito)
Principal reforço: Javi Varas (goleiro, Sevilla)
Principal perda: Orellana (meio-campista, Granada)
Objetivo: Meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Javi Varas; Hugo Mallo, Tuñez, Gustavo Cabral, Roberto Lago; Bustos, Obiña; Augusto Fernández, Bermejo, Alex López; Iago Aspas

Apesar de ficar cinco anos longe da elite, o Celta é um dos times mais tradicionais da Espanha, tendo disputado a principal divisão do país em 46 oportunidades. Sendo assim, a direção do clube colocou como meta terminar na parte de cima da tabela, e, se possível, beliscar uma vaga nas competições europeias. Para isso, está se reforçando. Trouxe o goleiro Javi Varas, melhor do primeiro semestre em 2011, por empréstimo junto ao Sevilla, e assinou por quatro anos com o meia Augusto Fernández, que atuava no Velez Sasfield, da Argentina. 

Se mantiver em seu elenco os cobiçados Hugo Mallo e Iago Aspas, o Celta terá uma bom time para disputar La Liga. Mas o principal reforço do clube vem das arquibancadas do Balaídos. Contentes com a ascensão de divisão, os célticos esgotaram os 22.800 carnês disponibilizados para a venda, garantindo, assim, casa cheia em cada partida do time em Vigo.

Deportivo La Coruña (Victor Mendes)
Cidade: La Coruña, Galícia
Estádio: El Riazor
Em 2011/2012: campeão da Liga Adelante
O cara: Valerón (meio-campista)
O treinador: José Luis Oltra
A promessa: Juan Domínguez (meio-campista)
Principal reforço: Nelson Oliveira (atacante, Benfica)
Principal perda: Guardado (meio-campista, Valencia)
Objetivo: meio da tabela ou vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Aranzubia; Laure; Zé Castro, Aythami, Evaldo; Juan Domínguez, Valerón; Pizzi, Abel Aguillar, Camuñas (Nelson Oliveira); Nelson Oliveira (Pizzi).

A atual fase de Vasco e Corinthians é tão boa que tem quem atribua o rebaixamento das duas equipes a isso. Eles se repaginaram por completo, passaram por uma série drásticas de mudanças e hoje estão disputando títulos. Obviamente, o Deportivo não irá chegar a um nível assim, mas podemos dizer que o rebaixamento não foi "mau" negócio. Os galegos venceram a Liga Adelante com um pé nas costas, tendo uma queda considerável apenas num período entre fevereiro e março, e voltam à elite prometendo uma boa temporada.

O entusiasmo da fanática torcida é grande porque a diretoria age para tal. As contratações de Roderick, Evaldo, Abel Aguillar, André Santos, Salomão, Pizzi e Nelson Oliveira asseguram uma equipe competitiva, que pode até terminar abocanhando uma vaga na Liga Europa, ainda que o objetivo real do treinador José Luis Oltra seja o meio da tabela e a permanência. Hoje, o clube alcançou uma marca de mais de 25 mil sócios, algo que não acontecia desde o Superdepor do final do século passado, que ganhou a Liga Espanhola. A depender do estado físico de Valerón, ele será novamente o cérebro do Deportivo, que promete uma temporada promissora.

Espanyol (Pierre Andrade)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2011/2012: 14º colocado
O cara: Verdú (meio-campista, foto)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Cristian Gómez (meio-campista)
Principal reforço: Colotto (zagueiro, Deportivo)
Principal perda: Philippe Coutinho (meia-atacante, Internazionale)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Cristian Alvaréz; Raúl Rodriguez, Colotto, Héctor Moreno, Capdevila; Raúl Baena, Javi López; Sergio García, Verdú, Sergio Tejera; Álvaro Vázquez.

A crise financeira que assola o mundo inteiro também afeta o futebol, especialmente na Espanha. Uns dos clubes que mais sofrem com a escassez de dinheiro é o Espanyol. Por isso, as contratações chegam de pouco em pouco. O pior é que a equipe tem um plantel enxuto, ainda mais após a saída de dez atletas, entre eles o brasileiro Philippe Coutinho e o eslovaco Vladimir Weiss. A alternativa será, por mais uma temporada, recorrer a jovens promessas das divisões de base. Algo que já é do costume de Mauricio Pochenttino, que está no clube há 18 anos e é conhecido por revelar bons jogadores, especialmente no setor defensivo.

Além da falta de atletas, os periquitos sofrem com as constantes lesões. Raúl Baena, Colloto e Sergio García desfalcarão o time no começo da temporada, algo que certamente será sentido. Para não passar por apuros neste ano, mais uma vez o time fará de Cornellà El-Prat uma fortaleza, e com o apoio da sua torcida, espera conquistar pontos importantes em sua casa.

Getafe (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2011/2012: 11º colocado
O cara: Miku Fedor (atacante, foto)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Xavi Torres (meio-campista, Levante)
Principal perda: Cata Díaz (zagueiro, Atlético de Madrid)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Moyá; Valera Alexis, Abraham, Miguel Torres; Xavi Torres, Míchel; Pedro León, Diego Castro, Lafita; Miku Fedor.·

Após uma temporada 2011/2012 conturbada, a última foi consideravelmente mais tranquila. O Getafe conseguiu fazer uma temporada sólida e se manteve no meio da tabela. Agora, os planos do presidente Angél Torres são de levar o time a uma competição continental, mais precisamente a Liga Europa. Para isso, o time do subúrbio de Madrid precisava manter a base do bom time da última temporada. E foi o que fez. Conseguiu manter seus principais jogadores, renovou os empréstimos de Moyá (Valencia), Alexis (Sevilla) e Pedro León (Real Madrid) e fez contratações pontuais, como o bom meia Xavi Torres, junto ao Levante, e tenta se mover rapidamente para repor a perda de Cata Díaz ao Atlético de Madrid.

O meio-campista Barrada, destaque da última temporada, tem atraído olhares de alguns clubes. Angél Torres, no entanto, já bateu o pé e disse que só vende o marroquino se for pago o valor de sua multa rescisória (24 milhões de euros). Caso consiga manter Barrada, Luis García terá ótimo material humano em mãos e pode até levar os azulones à Liga Europa.


Granada (Edgley Lemos)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Nuevo Los Cármenes.
Em 2011/2012: 17º colocado
O cara: Dani Benítez (atacante, foto)
O treinador: Anquela
A promessa: Gabriel Torje (meio-campista)
Principal reforço: Floro Flores (atacante, Udinese)
Principal perda: Carlos Martins (meio-campista, Benfica)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Roberto; Nyom, Iñigo López, Borja Gomez, Guilherme Siqueira; Mikel Rico, Iriney; Dani Benítez, El-Arabi, Orellana; Floro-Flores.

Após uma campanha de fortes emoções e indefinição, o Granada conseguiu se manter na primeira divisão. Contudo, o antigo treinador, Fabriciano González, não faz mais parte da equipe, dando lugar a Juan Antonio Albacete Anquela. Anquela tem à disposição um time limitado, mas que pode conseguir se manter na elite com a ajuda do ala esquerdo Guilherme Siqueira, que fez boa temporada pela equipe andaluz e continua para a 2012/2013, apesar dos rumores de que se transferiria para o Valencia. Além dele, o novo treinador também conta com o atacante experiente Floro Flores, emprestado pela Udinese, e com o jovem meia romeno Gabriel Torje para evitar o descenso.

No entanto, Anquela não poderá contar com o goleador Dani Benítez, que está suspenso até novembro. Benítez é elemento chave na equipe do Granada. Homem-gol e ídolo da torcida, está, contudo, suspenso pela Federação Espanhola por ter atirado uma garrafa em Clos Gómez, um dos árbitros da partida entre Granada e Real Madrid na penúltima rodada de 2011/2012. Anquela e a torcida do Granada certamente esperam que a garrafada no árbitro não custe caro demais durante a temporada.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia
Estádio: Ciutat de Valencia
Em 2011/2012: 6º colocado
O cara: José Javier Barkero (meio-campista, foto)
O treinador: Juan Ignácio Martínez
A promessa: José Higón (meio-campista)
Principal reforço: Christian Lell (zagueiro,  Hertha Berlin)
Principal perda: Aruna Koné (atacante, Wigan)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Munúa; Lell, Ballesteros, David Navarro, Juanfran; Iborra, Papa Diop; Pedro Rios, Juanlu, Barkero; Gekas.

EuroLevante. Pela primeira vez em 103 anos de história, a equipe azulgrená do leste de Valencia irá disputar uma competição europeia. Sensação do futebol espanhol em 2011/2012 (e, quem sabe, de todo futebol europeu), os granotas conseguiram uma vaga na Liga Europa após ter ficado as 38 rodadas do campeonato entre as oito primeiras posições. Apesar dessa magnífica campanha, o conjunto de Orriols é consciente de suas limitações e da dificuldade em alcançar novamente os postos europeus pelo segundo ano consecutivo. Assim como na temporada passada, o objetivo inicial do Levante é a permanência na elite. O presidente Quico Catalán tratou de dar continuidade ao projeto esportivos que trouxe bastante alegria aos torcedores.

Juan Ignácio Martínez, treinador que se adaptou bem aos vestiários após a ida de Luis García ao Getafe, renovou por mais um ano. A perda irreparável de Koné, autor de 17 gols na temporada passada, foi reposta rápida com a contratação do veterano atacante grego Gekas. A situação não é nova. Há duas temporadas, o Levante perdeu Javi Guerra e encontrou em Caicedo um substituto perfeito. O equatoriano foi o principal jogador azulgrená e acabou vendido ao Lokomotiv Moscou para fazer caixa. Se Gekas der prosseguimento ao faro de gol de Koné, a equipe estará bem sucedida. Assim, o Levante irá tentar fazer um bom papel na Liga Europa e se consolidar como equipe de primeira divisão pelo terceiro ano consecutivo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jogadores Históricos: Juan Arza

Juan Arza e o troféu da Liga Espanhola de 1945/46: maior artilheiro da história do Sevilla (eldesmarque)

No dia 17 de julho deste ano, horas antes do início do segundo amistoso de pré-temporada do Sevilla, uma triste notícia afetou todos os sevillistas: aos 88 anos, Juan Arza, ex-jogador, técnico e dirigente do Sevilla havia acabado de falecer vítima de câncer. Imediatamente, o sevillismo entrara em luto. Maior artilheiro da história do clube andaluz, El Niño de Ouro havia recebido, dois anos antes, das mãos do atual presidente do clube, Josep Maria Del Nido, uma espécie de troféu de maior jogador da história do Sevilla.

Sua trajetória como futebolista começou cedo. Aos 11 anos, o jovem Arza ingressou às categorias de base do Izarra, pequeno clube de sua cidade natal, Navarra. Após uma breve passagem por Alavés e Málaga, foi contratado pelo Sevilla em 1943. Os rojiblancos da Andaluzia entraram em um acordo com o Málaga: 90 mil pesetas mais duas partidas amistosas e o empréstimo de três jogadores da base para ter o centroavante em seu elenco.

Aos 20 anos, estreou com a camisa do Sevilla destacando-se pela boa forma física e a capacidade de chutar bem com as duas pernas. Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a habilidade goleadora com a qual Arza tinha. Em sua estreia, anotou um hat-trick ante o Sabadell. A chegada de Arza marcou um divisor d'águas na história do clube sevillistas: a era de ouro dos hispalenses. Na temporada 45/46, o Sevilla conquistou pela primeira (e única, até então) vez a Liga Espanhola, com El Niño de Ouro sendo o destaque da equipe. Porém, à época, a artilharia ficou com o monstro Telmo Zarra, seguido de Edmundo Suárez, homem-gol do Valencia.

Nas temporadas seguintes, o Sevilla conquistou apenas uma única Copa del Rey, em 1947/48. Na final contra o Celta, como não poderia deixar de ser, Arza anotou o gol do título, na partida que terminou 1 a 0 para os hispalenses. Na Supercopa (à época chamada de Copa Eva Duarte), derrota para o Barcelona por 1 a 0. A chance do bi-campeonato da Liga veio em 1951/52; porém, o vice-campeonato teve um gosto bastante amargo: necessitando apenas de um empate para tornar-se campeão, o Sevilla foi até a capital jogar contra o Atlético de Madrid de Adrián Escudero. Entretanto, o árbitro da partida anulou um gol legal de Arza aos 44 minutos do segundo tempo, e os rojiblancos acabaram vencendo por 1 a 0 e, consequentemente, ficando com o título.

Entre 1953 e 1957, Helenio Herrera chegou ao Sevilla para comandar a equipe. Com o argentino, Arza passou a jogar com mais liberdade no ataque, mas o jejum de títulos se prolongou. De destaque, apenas mais um vice-campeonato de Liga e Copa. Em 5 de dezembro de 1954, Arza anotou o gol de número mil do Sevilla em campeonatos nacionais. Na Copa dos Campeões, o Sevilla passou por Benfica e Roma antes de cair para o campeão Real Madrid, liderado por Di Stéfano e Puskás, nas quartas-de-finais.

Após a era de ouro do Sevilla, Arza resolveu disputar sua última temporada como profissional no Almería, clube pelo qual torcia seu pai e era treinador por seu amigo Diego Villalonga. Em 1960, aposentou-se dos gramados em um amistoso entre Sevilla e Barcelona de seu amigo Kuballa. O jogo marcou a inauguração do estádio Ramón Sánchez Pizjuan e os rojiblancos venceram por 3 a 2, com um doblete do centroavante. Aposentado, El Niño de Ouro tentou a carreira, sem sucesso, como treinador, chegando a treinar equipes como Deportivo La Coruña e Celta Vigo e retornando ao Sevilla, onde ficara por seis meses.

Juan Arza
Nome Completo: Juan Arza Íñigo
Data de nascimento: 18 de junho de 1923 em Navarra, Espanha.
Posição: atacante
Clubes: Alavés, Málaga, Sevilla e Almería
Títulos: Liga Espanhola 1945/46, Copa del Rey 1947/48
Clubes como treinador: Celta Vigo, Deportivo La Coruña e Sevilla

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Campeones Del Mundo: David Silva

El Mago: David Silva teve um importante papel na conquista da Eurocopa da Espanha e é um dos jogadores mais idolatrados pelos torcedores (superdeporte)

Um líder silencioso, que fala com os pés. Para Vicente Del Bosque, este é David Silva, um dos meio-campistas de melhor visão de jogo no futebol mundial. Com uma enorme eficácia em seus passes e lançamentos, além de dribles de corpo muito úteis no meio de campo, constrói o jogo com relativa facilidade. Seu futebol preciso sempre o ligou a clubes como Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Mas, em agosto de 2010, foi o Manchester City que ofereceu a melhor proposta para o tirar o Mago do Valencia e levá-lo à Premier League.

Pela seleção espanhola, David Silva viveu dois momentos distintos nas maiores glórias de sua carreira: enquanto teve um papel importante no título da Eurocopa, onde fez um gol na semifinal contra a Rússia, passou a maior parte da Copa do Mundo no banco de reservas, sendo preterido por Del Bosque na partida contra a Alemanha, quando o treinador preferiu colocar Pedro no lugar de Fernando Torres ao invés do ex-Valencia. Trajando a camisa roja, sempre fez sucesso: foi vice-campeão europeu sub-17 e campeão europeu sub-19, quando foi eleito o melhor jogador e líder de assistências da competição. Em 2003, no Mundial Sub-17 da Finlândia, foi vice-campeão ao perder para o Brasil de Nilmar na final, mas deixou o torneio com três gols e quatro assistências.

Na cidade de Manchester, a cada dia tem se tornado o xodó da torcida. Jogador do mês do Manchester City em outubro, novembro e dezembro de 2010, David Silva não demorou para se adaptar ao futebol inglês. Campeão da Copa da Inglaterra com seu novo clube, que não ganhava algo desde 1968, terminou a temporada com quinze assistências, líder máximo do quesito no elenco e na Premier League. Antes de sua aventura no futebol inglês, entretanto, Silva conquistou os aficionados do Valencia. É verdade que demorou até que El Mago fixasse seu espaço no elenco ché: o clube de Paterna o havia emprestado a outras equipes duas vezes no início de sua carreira (ao Eibar e ao Celta Vigo).

No Eibar, disputou todos os jogos da equipe granote na Liga Adelante 2004/2005, marcando seis vezes e dando quatro assistências. No clube da Galícia, Silva começou a despontar. Em 2005/2006, foram seis gols e seis assistências e o "prêmio" de jogador mais importante da temporada do Celta, que terminou em oitavo e, por dois pontos, não conquistou a vaga na Copa da Uefa 2006/2007. Após deixar boa imprensão nos celestes, a diretoria ché resolveu apostar no Mago e o trouxe de volta à Comunidade Valenciana.

Seu primeiro ano trajando blanquinegrou foi fundamental. Titular incontestável do meio-campo da equipe treinada por Quique Sánchez Flores, fez uma dupla letal com o artilheiro David Villa. Na Champions League, mostrou seu lado mais decisivo ao marcar gols importante contra Inter de Milão e Chelsea. Nessa temporada, o Valencia acabou caindo nas quartas-de-finais da competição europeia, sendo o espanhol mais bem colocado do torneio. A temporada 2007/2008 foi complicada para o Valencia, que, por pouco, não foi rebaixado, caiu na fase de grupos da LC e teve que se concentrar na Copa del Rey para conseguir uma vaga na Copa da Uefa posterior. E deu certo: o Valencia ganhou a competição e Silva conquistou seu primeiro - e único, diga-se de passagem - título com os Chés.

Após a Eurocopa, sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo e ficou três meses parado, voltando apenas em dezembro de 2009. Àquela altura da temporada, o Valencia era terceiro colocado de La Liga, mas não aguentou o desgaste pelo plantel curto e terminou o campeonato em sexto, ficando, mais uma vez, de fora da Champions League. Em sua última temporada trajando blanquinegro, Silva formou junto com Villa e Mata um grande trio ofensivo, responsável por 71% dos pontos do Valencia na Liga. Como premio pela ótima temporada do trio, os blanquinegros conseguiram voltar à Champions, que David Silva acabou não disputando devido a transferência para o Manchester City.

David Silva
Nome completo: David Josué Jiménez Silva
Data de nascimento: 8 de janeiro de 1986, em Las Palmas, Espanha
Posição: Meia-atacante
Clubes: Eibar, Celta Vigo, Valencia e Manchester City
Títulos: Copa del Rey 2007/2008, FA Cup 2010/2011, Eurocopa Sub-19 2005, Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010

domingo, 5 de junho de 2011

Liga Adelante: Tempo de decisão

Peleteiro e Dani Abalo comemoram: o Celta Vigo é o favorito para conseguir a última vaga para a próxima Liga BBVA (AS)

Começa na próxima semana uma das fases mais interessantes da temporada espanhola: os play-offs da Liga Adelante, fase que entrou em vigor nesta temporada. Com o campeão Real Bétis e o Rayo Vallecano já promovidos à Liga BBVA, Elche, Granada, Celta e Valladolid lutam pela última vaga. A disputa desperta a torcida de muita gente. Enquanto alguns querem ver o tradicional Celta Vigo de volta à primeira divisão, outros esperam ver Elche ou Granada, que há tempos não disputam a elite nacional.

O Celta Vigo esteve na Liga BBVA pela última vez em 2006/2007, quando fora rebaixado na última rodada. Nesta temporada, uma acesso à elite serviria para descarregar nos torcedores rivais do Deportivo toda a euforia pela volta e, também, pelo descenso dos blanquiazules. Os pucelanos do Valladolid foram rebaixados na última rodada, após ter uma inglória chance de se salvar diante do Barcelona no Camp Nou. Detalhe: os blaugrana precisavam da vitória para sagrarem-se campeões. O resultado foi o esperado: goleada e com show de Messi, que garantiu um doblete, a artilharia da Liga e o bicampeonato barcelonista. O Elche já não disputa a Liga BBVA há 23 anos, enquanto o Granada tentará um acesso para disputar uma competição que já não disputa há mais de 30 anos.

Para não passarmos em branco, o Quatro Tiempos apresenta breves considerações sobre as semifinais dos play-offs. Quem aparece à esquerda joga primeiro em casa.

Valladolid (7º, 66) x Elche (4º, 69)
Elche e Valladolid se enfrentaram em vinte e oito ocasiões em largo de suas respectivas histórias esportivas, com um retrospecto bastante parelho tanto na primeira divisão quanto na segunda. São doze vitórias do Elche, dez vitórias do Valladolid e seis empates. Na atual temporada, o Valladolid levou a melhor ante os alicantinos: foram quatro de seis pontos somados, com uma vitória no José Zorilla e um empate em Alicante. Na 26ª rodada, o Valladolid venceu com tentos de Nauzet e Jofre, em um encontro marcado pela expulsão de Baraja pelo lado pucelano. Para o duelo, o Valladolid contará mais uma vez com os gols decisivos do artilheiro Javi Guerra. Javi é o vice-artilheiro da competição, com 26 gols, média de 0,65 por jogo.

No lado verdiblanco, a esperança está a cargo de Ángel. Com 12 gols e referência no compacto 5-4-1 de José Bordalás, o atacante é dono de uma excelente Liga Adelante. Certamente, será visto como um herói em caso de um provável acesso dos ilicitanos. O habilidoso Kike Mateo, extremo esquerdo, também é aposta, sendo sempre perigoso em bolas paradas. Mas as duas equipes, certamentes, entrarão como azarões na final. Inferiores tecnicamente a Celta e Granada, Valladolid e Elche apostarão suas respectivas temporadas nesta semifinal.

Celta Vigo (6º, 67) x Granada (5º, 68)
Final antecipada. Celta Vigo e Granada, donos de um excelente primeiro turno, caíram de produção ao longo do segundo semestre, perderam contato com os líderes, sobretudo o Celta Vigo (que queda!), e, para fãs do futebol espanhol, infelizmente jogarão as semifinais dos play-offs. Fabri González, treinador do Granada, tentou tirar um pouco a pressão jogada na equipe: "eles [Celta Vigo] têm a obrigação de voltarem a primeira divisão após o rebaixamento do Deportivo". A frase foi mal intepretada pelos aficionados filipinos: há 35 temporadas sem saber o que é disputar a elite espanhola, os torcedores rojiblancos esperam dedicação total dos jogadores, já que a equipe nunca esteve tão próxima do acesso à Liga BBVA nesses últimos anos quanto neste anos. Um provável acesso premiará, principalmente, González, que, em três temporadas, levou a equipe da Segunda B aos play-offs da Liga Adelante. Alex Geijo, emprestado pela Udinese ao Granada, é a principal aposta dos granotes: o suiço já marcou 24 vezes e chama a atenção de vários clubes da liga bbva.

A favor do Celta, o ataque com Juan Rodríguez, artilheiro da equipe com 16 gols, e Juan Tomás, promissor atacante de 20 anos, e a experiência de grande parte do time, como Ander Murillo, Peleteiro e Papadopoulos. O 12º jogador Dani Abalo também está à disposição do técnico Paco Herrera, que varia do 4-4-2 ao 4-3-3. Temerário, deve ir para a partida de ida com força total e, dependendo do resultado, se fechar ao máximo para parar a veloz equipe do Granada.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jogadores Históricos: Santiago Cañizares

Cañizares foi símbolo de um dos melhores time da história do Valencia, clube com o qual mais se identificou (superdeporte)

Posicionamento perfeito, ótimo nas saídas de bola e goleiro de bom reflexo, Cañizares era garantia de segurança sob a baliza. Canterano do Real Madrid, foi campeão europeu e bi espanhol pelo time de Chamartin, mas foi destaque mesmo no Valencia. Em Paterna, Santi ganhou credibilidade nacional, assumiu a titularidade da Fúria e, além disso, colecionou mais dois espanhóis para seu palmarés. Antes de chegar ao auge de sua carreira, Cañizares passou por três clubes diferentes antes de se firmar em um: em 1992, após passagens sem sucessos por Elche, Córdoba e Merida, o goleiro se firmou na equipe titular do Celta Vigo, que disputava a Liga BBVA daquela época.

Nascido em Puertollano, província de Ciudad Real, em 1969, Santi começou a jogar futebol no
Severo Ochoa, pequeno clube de seu bairro. Embora tenha atuado em três posições diferentes durante sua juventude, foi no gol que o pequeno Cañizares sentia-se melhor. Em 1987, Eduardo Caturla, seu treinador à época, o encorajou para que fizesse testes nas canteras do Real Madrid, mas, apesar de ter sido revelado pelo clube merengue, Santi não tardou muito em sua primeira passagem no clube da capital. Em 1990, acertou sua transferência para o Elche, onde não durou muito tempo: em 1991, transferiu-se para o Mérida e um depois, para o Celta.

Porém, apesar de não ter sido titular nos dois primeiros clubes, El Dragón foi convocado para defender a seleção olímpica que iria disputar a medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona. A Espanha acabou campeã, mas Cañizares foi banco de Toni durante toda campanha vitoriosa da seleção espanhola, que na final derrotou a Polonia por 3 a 2, com o gol da vitória vindo aos 45 minutos do segundo tempo a partir de Kiko. A história da carreira de Santi ganharia um novo rumo no clube de Vigo: em setembro de 1992, Cañizares enfim fez sua estreia na primeira divisão espanhola, em uma partida contra o Salamanca que terminou empatada em 0 a 0. Uma temporada depois, Cañizares assumiu a camisa um dos célticos e foi premiado por Javier Clemente, técnico da Fúria, que o convocou pela primeira vez à equipe principal da roja.

A partida, decisiva para o futuro da fúria, que brigava pela classificação à Copa do Mundo de 1994, marcou a estreia do goleiro com a camisa roja. Zubizarreta, o goleiro titular, acabou se envolvendo em confusão com o atacante norueguês e foi expulso. Sem alternativas, Clemente sacou Luis Enrique para colocar Cañizares, que, em apenas vinte minutos em campo, fez defesas essencias, que garantiu o 1 a 0 espanhol e a vaga direta ao Mundial. Na Copa dos Estados Unidos, viu do banco a eliminação diante da Itália de Baggio, autor de um doblete. Na volta à Galícia, uma grata surpresa: o goleiro acertou seu retorno ao Real Madrid, que queria desbancar a hegemonia barcelonista. No entanto, a segunda passagem do goleiro pelo clube merengue foi bem semelhante à primeira: Cañizares nunca conseguiu se firmar na porteira blanca e, após a ida de Capello ao comando técnico, ficou com a credibilidade baixa.

Foi do banco de reservas do Bernabéu que El Dragón somou seus primeiros títulos espanhol e a Liga dos Campeões da Uefa de 1997/98, competição na qual o Real Madrid não vencia havia 33 temporadas . No clube da capital, Cañizares também ganhou a Supercopa de 1998, onde foi titular nas duas vitórias em cima do rival Atlético de Madrid. No verão de 1998, logo depois de mais um fracasso da Espanha em Mundiais - Santi foi banco de Zubizarreta novamente -, que caiu na primeira fase em grupo que tinha Nigéria, Paraguai e a surpresa de 1994 Bulgária, após as primeiras propostas do Valencia, Cañizares não pensou duas vezes e rumou a Paterna. Em sua primeira temporada trajando blanquinegro, o Valencia conseguiu a classificação para a Champions League de 1999/2000 e El Dragón foi o terceiro goleiro menos vazado do torneio, atrás apenas de Carlos Roa, do Mallorca, e Toni Jiménez, do Espanyol. Santi sofreu 39 gols em 38 partidas, uma média de 1, 03 gols sofridos por jogo.

Se disputar o título com Barcelona e Real Madrid foi bastante difícil no campeonato nacional, restou ao Valencia concentrar suas forças na Copa do Rei. E, na competição, o Valencia teve sucesso sobre as duas equipes. Nas quartas-de-finais, eliminou o Barcelona de Figo e Rivaldo num placar agregado de 7 a 5 (3 a 2 no Mestalla e 4 a 3 no Camp Nou). Nas semifinais, um duelo histórico contra o Real Madrid: no jogo de ida, o Valencia impôs aos merengues um impiedoso 6 a 0, em show de Cláudio López e Mendieta. Na final, os valencianos teriam pela frente uma grande potência à época: o Atlético de Madrid de Juninho Paulista e Solari. No La Cartuja, em Sevilla, o Valencia não deu chance ao azar e derrotou os colchoneros por 3 a 0, sagrando-se campeão da Copa do Rei.

Pelo clube valenciano, Cañizares ainda viria a se tornar campeão nacional por duas vezes: em 2001/02 e 2003/04, desbancando o Real Madrid galáctico. Mas o pior momento da carreira de Cañizares aconteceria logo após a conquista da primeira taça com os chés: cotado para ser o goleiro titular da Fúria na Copa de 2002, que a Espanha chegava com uma das favoritas, Cañete acabou cortando o pé em um acidente doméstico e, sem escolha, teve que ser cortado Iñaki Sáez. O goleiro titular foi Casillas, à época grande revelação do Real Madrid campeão europeu, que não pôde evitar a eliminação diante da anfitriã Coréia do Sul, em um jogo marcado pela péssima arbitragem que prejudicou a seleção espanhola. Em 2007, após adicionar a seu currículo uma Supercopa da Espanha, Copa da Uefa e Supercopa Europeia, Ronaldo Koeman assumiu o comando técnico do Valencia e resolveu afastar Cañizares do elenco, dando mais chances ao jovem Moyà.

Mesmo sem ser convocado às principais partida, Cañizares não se desvinculou do clube, mas viu de longe a extrema má fase que passava sua equipe. Após o titulo de Copa do Rei do Valencia, que venceu o Getafe em Madrid por 3 a 1, Koeman resolveu utilizar o goleiro numa partida contra o Atlético de Madrid, que marcou sua despedida dos gramados. Os blanquinegros venceram por 3 a 1 e, ao término da partida, Santi foi ovacionado por todo o Mestalla. Após rejeitar propostas da MLS e da Premier League, Cañizares decidiu mesmo se aposentar dos gramados, rumando para a televisão. Hoje, El Dragón é comentarista esportivo da Cadena Ser, onde estreou, justamente, num embate entre suas duas ex-equipes: pelo jogo de ida da Supercopa da Espanha de 2008, o Valencia derrotou o Real Madrid por 2 a 1. Em 2009, foi acusado de pedofilia, mas o acusado resolveu tirar todas as queixas.

Santiago Cañizares
Nome completo: José Santiago Cañizares Ruiz
Data de nascimento: 18 de dezembro de 1968, em Puertollano, Espanha
Clubes que defendeu: Elche, Mérida, Córdoba, Real Madrid, Celta Vigo, Valencia
Títulos: Medalha de ouro da Olimpiada de Barcelona 92, 4 Campeonato Espanhol, 2 Copa do Rei, 2 Supercopa da Espanha, 1 Liga dos Campeões, 1 Copa da Uefa, 1 Supercopa da Uefa

domingo, 17 de abril de 2011

Craques da LFP: Savo Milosevic

Milosevic foi um dos principais nomes do Osasuna vice-campeão da Copa do Rei e semifinalista da Copa Uefa (ESPN Soccernet)

Nascido em Bijeljina, cidade do extremo nordeste da Bósnia, “Cabo”, como se pronuncia seu nome, foi encontrado em 1989, com apenas 16 anos, na base do pequeno Radnik. Com características ofensivas assaz destacáveis, foi fisgado pelo Partizan Belgrado — arqui-rival do Estrela Vermelha, clube com o qual Milosevic (o assassino) tinha tênue relação, especialmente com a torcida. Pelos Grobari, conquistou o bicampeonato nacional em 1993/94 e 1994/95, e levou, em duas oportunidades (sendo a primeira com apenas 19 anos) o posto de artilheiro do nacional. O então menino Savo fez incríveis 74 gols em 98 partidas, ganhando as primeiras chances na seleção iugoslava, estreando, contra o Brasil, em 1994.

Após ser o grande nome do Partizan em duas das três temporadas em que atuou, foi comprado pelo Aston Villa por 3,5 milhões de euros. Em Birmingham, aos 21 anos, Milosevic veio com a missão de substituir um dos ídolos do time, o galês Dean Saunders. No primeiro momento, mostrou estar apto a tentar cumprir a missão, assinalando 14 gols em sua temporada de estreia, ajudando a equipe a terminar a Premier League em 4° lugar e a se sagrar campeã da Copa da Liga Inglesa de 1996, marcando um dos gols da vitória por 3 a 0 frente o Liverpool na decisão. No entanto, o desempenho nos dois anos seguintes foi pífio, com apenas 15 gols em 53 jogos. Com isso, além de Savo ser enxotado para o Real Zaragoza pelo mesmo valor de compra e obter o desagradável apelido de “miss-a-lot-evic” — em alusão ao número de gols que estava perdendo —, foi listado como uma das dez piores contratações estrangeiras da liga inglesa em todos os tempos. Antes de ir para a Espanha, disputou a Copa de 1998, embora, dando prosseguimento à fase negativa, não tenha marcado gols.

Pelos blanquillos, Milosevic demonstrou que poderia recuperar o ritmo que o fez ser matador no Partizan, assumindo a titularidade e assinalando 17 gols em sua primeira temporada pelo clube. Na seguinte, o número de bolas na rede aumentou para 21, sendo, inclusive, o quinto colocado na artilharia da liga espanhola. Uma volta por cima que teria as pinceladas mais firmes com o início da Eurocopa, em 2000. Não que os iugoslavos tivessem feito grande campanha na competição (apenas uma vitória em quatro jogos, com um empate e duas derrotas). No entanto, para Savo, o momento foi único. Logo na estreia da competição, no confronto contra a Eslovênia, tudo parecia que ia dar errado, já que, com 12 minutos da segunda etapa, os iugoslavos já perdia por 3 a 0. Foi quando o atacante entrou em cena. E na partida que, para muitos, é considerada uma das mais inesquecíveis daquela Eurocopa, o avante de naturalidade bósnia fez chover em Charleroi. Com dois gols em sete minutos, ressuscitou a Iugoslávia na partida, que terminou empatada em 3 a 3.

Com moral, “Cabo” se tornaria o principal jogador da seleção nas partidas que se sucederam, mesmo tendo, como companheiros de equipe, nomes então mais bem reconhecidos, como Dejan Stankovic, Sinisa Mihajlovic e, principalmente, o ídolo do Real Madrid, Predag Mijhatovic. Contra a Noruega, na rodada seguinte, precisou de apenas oito minutos para decretar a primeira — e única! — vitória da seleção no torneio. No jogo contra a Espanha, derrota dramática por 4 a 3, e Milosevic, antes criticado pela falta de tentos, fez o seu. Mesmo na goleada sofrida para a Holanda, por 6 a 1, Savo deixou sua marca de matador. Com cinco gols em quatro jogos, alcançou uma inesperada artilharia, ao lado de Patrick Kluivert (um jogo a mais). ). Era o momento mais importante da carreira do atacante, segundo o próprio atleta, que, em boa fase, recebeu nova chance em um time de maior panorama, sendo negociado, por 16 milhões de euros, com o Parma. No entanto, a forte pressão da diretoria gialloblu e a modesta quarta posição em sua temporada de estreia fizeram com que fosse emprestado ao futebol espanhol, voltando ao Zaragoza.

Savo não repetiu as boas atuações em seu retorno aos Blanquillos. Além disso, nos demais times em que esteve emprestado — Espanyol e Celta de Vigo —, os desempenhos foram apenas regulares. Em 71 jogos, somando-se as atuações por ambas as equipes, foram 26 gols. Parecia que a Espanha, seu reduto de sucesso de outrora, já não lhe fazia tão bem para seu faro de gol como antes. Apenas parecia. Foi quando veio o Osasuna, onde descobriria — mais tarde, talvez? — que poderia ser mais do que um matador.

Milosevic nunca foi um artilheiro nato pelos Rojillos. Por exemplo: em sua primeira temporada, em 2004/05, fez apenas sete gols em 27 partidas. No entanto, até pela experiência que adquiriu, foi o cabeça do time que alcançaria, de maneira espetacular, a decisão da Copa do Rei e, posteriormente, uma vaga para a Copa da UEFA. Começava ali, aliás, o principal momento da equipe vermelha e azul nos últimos anos, já que, no campeonato seguinte, alcançaria o 4º lugar (Savo fez 11 gols).

Após uma temporada 2006/07 apagada — e apenas quatro gols em 23 jogos — Milosevic chegou ao final de seu contrato, e o fim de sua carreira, até pela idade — já tinha seus 34 anos —, eminente. Porém, recebeu um último convite, para atuar no Rubin Kazan, da Rússia. Entrou apenas 16 vezes em campo, mas o suficiente para fazer o gol mais importante da história do clube, que assegurou o primeiro título russo à equipe, na vitória sobre o Saturn.

Pela seleção, por sua vez, mesmo com a divisão da Iugoslávia em Sérvia e Montenegro, o jogador bósnio tem seu nome escrito na história. É quem mais atuou e marcou pelo país, com 101 jogos e 32 gols. Teve, ainda, a oportunidade de encerrar a carreira em grande estilo pela seleção sérvia (após nova divisão com os montenegrinos), na goleada por 6 a 1 sobre a Bulgária. Mostrando que, mesmo às portas da aposentadoria e já atuando de maneira mais contida em campo, não esqueceu como fazer gols. Foi quando o maior artilheiro da Iugoslávia fez seus dois últimos tentos em sua vida futebolística.

Savo Milosevic
Local de nascimento: Bijeljina, Bósnia
Data de nascimento: 02/09;1973
Clubes que defendeu: Radnik (BOS), Partizan, Aston Villa, Real Zaragoza, Parma, Espanyol, Celta Vigo, Osasuna, Rubin Kazan

domingo, 13 de março de 2011

Liga Adelante: O bom trabalho das filiais

Nolito é um dos destaques do Barcelona B e, como premiação, já apareceu no time comandando por Pep Guardiola (abola.pt)

A atual edição da Liga Adelante tem três times brigando ferrenhamente pelo título (Rayo Vallecano, Bétis e Celta Vigo), mas dois têm chamado a atenção. Trata-se das duas únicas filiais disputando a competição, Villarreal B e Barcelona B. De maneira surpreendente, as duas equipes estão entre os oito primeiro times e, caso fosse permitido, estariam disputando os play-offs, se o campeonato acabasse hoje. O Barcelona B, aliás, vai além: com jogadores que já marcaram presença em jogos de menos importância na Champions e Copa del Rey, tem o melhor ataque da competição (56 gols) e o vice-artilheiro, Jonathan Soriano (17 gols), ao lado de Quini, do Granada.

O processo de mudança do Barcelona B e a mudança da mentalidade dos jovens começou há algum tempo. Houve reestruturação do Atlètic, a começar pela designação de uma figura identificada com a instituição para comandar o projeto. Guardiola assumiu, foi terceiro colocado na Tercera División (a quarta), conseguiu a promoção da equipe e acabou confirmado para treinar o time principal na temporada seguinte. Guardiola tem sido vitorioso, como todo mundo deve saber. Mas o Barcelona Atlètic (em 2010 voltou a ser apenas “Barcelona B”) também vai bem, obrigado. O time já retornou à Segundona (onde não aparecia desde 1998-99) e briga pela ponta desde as primeiras rodadas. O estopim da má fase do ex-líder Bétis foi justamente contra os blaugrana, onde, atuando no Benito Villamarín, as duas equipes fizeram um dos melhores jogos da competição. O 1 a 1 foi bastante comemorado por Luis Enrique, técnico do Barcelona B, que viu que tem um promissor plantel em suas mãos.

O trabalho de Luis Enrique tem agradado aos dirigentes e o presidente Sandro Rosell, que chegou a afirmar que o ex-jogador pode ser um substituto de Guardiola no comando do time principal. Durante o início da competição, El Tourero teve seu contrato renovado pela diretoria culé, que demonstrou satisfação com o trabalho do treinador. A base do treinado tem sido Miño (Oier); Montoya, Bartra, Fontàs, Muniesa; Oriol, Carmona, Sergi Roberto, Jonathan dos Santos; Nolito, Soriano. Desses, Fontàs, Sergi Gómez, Oriol, Nolito, Victor Vázquez, Jonathan do Santos e Bartra já defenderam o time principal nesta temporada, por Liga dos Campeões, Campeonato Espanhol, Copa do Rei ou Supercopa da Espanha. Mas os nomes de mais destaque é do mexicano Jonathan, irmão de Giovanni dos Santos, e do atacante Nolito, que vem sendo assediado pelo Benfica. O Barcelona já ofereceu ao bom jogador um contrato exclusivo com o time A para a próxima temporada, mas segundo Josep Maria Bartomeu, vice-presidente do clube, o jogador não deseja seguir no time.

O Villarreal B, por sua vez, aparece na oitava colocação, com 44 pontos, mesmos de Elche e Cartagena, na sexta e sétima colocação, respectivamente. Na rodada, calou os 13.000 espectadores presentes no Balaídos, onde derrotou o então líder Celta Vigo por 1 a 0. O principal jogador do clube é o promissor Iago Falqué, que, ironicamente, começou na base do Barcelona (passou pela Juventus e Bari também). Outro que vem recebendo bastante elogios é o volante Gullón e o extremo direito Cristóbal, que apareceram no time A como titulares no empate ante o Racing Santander. A boa campanha das duas filiais tem servido de exemplo na Espanha.

Depois de muito tempo, um time B consegue mostrar como ele pode ser importante para o irmão rico. Os jogadores não apenas têm uma boa formação técnica na cantera (como tinha o Real Madrid Castilla de 2005/06), mas podem também visualizar como o caminho ao topo está desobstruído. É só olhar para Xavi, Iniesta, Messi, Sergio, Valdés, Pedro, Puyol e Bojan para perceber que haverá oportunidades para os melhores. É só olhar para o modo como Thiago Alcântara (filho de Mazinho) já vem aparecendo nos jogos do Barcelona A.

E os líderes?
Continuam bem, obrigado. Desde nossa última coluna temática sobre a competição, houve três trocas de lideranças. Após viver uma mini-má fase e ver Celta e Rayo Vallecano se distanciarem, o Bétis se recuperou na competição e emplacou uma sequência de quatro vitórias consecutivas, para retornar à briga pelo título. Os verdiblancos, na segunda posição com 56 pontos, terão dois jogos em sequência que poderá decidir seu rumo na temporada: na 31ª e 32ª rodada, respectivamente, irá enfrentar Rayo Vallecano e Celta Vigo, em duelos que poderão decidir o torneio.

A má fase do Bétis parece ter passado ao Celta Vigo. O time da Galícia perdeu três em consecutivas, sendo duas em seus domínios, e quem aproveitou foi o Rayo Vallecano: apesar do tropeço nesta rodada contra o bom e veloz time do Granada, os franjiroios vem em ascensão em 2011 e, pela primeira vez na temporada, assumiram a liderança da competição. Em 2011, foram 10 vitórias em 12 jogos, o que justifica a liderança. O big match contra o Real Bétis será decisivo e certamente o Teresa Rivero estará lotado.

Para saber mais da Liga Adelante, os artilheiros, a classificação, as estatísticas, clique aqui

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Craques da LFP: Valery Karpin

Karpin foi, ao lado do também russo Aleksandr Mostovoi, a estrela do "EuroCelta", nome criado para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus(halacelta.es)

Observando a classificação da segunda divisão espanhola nas últimas temporadas, fica evidente que o Celta de Vigo se tornou um frequentador habitual da metade inferior da tabela. Trata-se, portanto, de uma realidade bastante diferente quando comparada aos feitos que a equipe da Galícia conquistou num passado ainda recente, entre o fim dos anos noventa e o início da década seguinte.

Neste período glorioso, além da manutenção constante na divisão principal, os celestes emplacaram seguidas classificações para a Copa da UEFA, um título na Copa Intertoto e um vice na Copa do Rei. EuroCelta foi o nome criado pela imprensa espanhola para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus, como Liverpool, Benfica e Juventus. Entre os nomes que fizeram parte desta era histórica para os galegos, estão os franceses Dutruel e Makélélé, os argentinos Gustavo López e Fernando Cáceres, os brasileiros Mazinho e Catanha, o espanhol Míchel Salgado e o israelense Revivo.

Entretando, as estrelas da companhia sempre foram russas: Aleksandr Mostovoi e Valery Karpin. Os meias formavam uma dupla perigosa e entrosada, que se conhecia desde os tempos de Spartak Moscou, quando a União Soviética ainda existia. Enquanto Mostovoi construiu praticamente toda sua carreira espanhola com a camisa celeste do Celta, Karpin destacou-se também com as cores da Real Sociedad, além de uma passagem pelo Valencia.

Valery Georgievich Karpin nasceu em 1969, em Narva. Apesar de fazer parte do território estoniano, a cidade possui mais de 80% de russos ou descendentes, além de se localizar na fronteira entre os dois países - o que explica sua origem étnica. Iniciou sua carreira no Sport Tallin e teve passagens rápidas por CSKA Moscou e Fakel Voronezh, antes de chegar ao Spartak Moscou, em 1990, aos 21 anos. Em cinco temporadas pelo time moscovita (duas pela antiga Liga Soviética), firmou-se como um dos principais jogadores da geração pós-URSS, conquistando seguidamente os três primeiros campeonatos russos disputados.

Coube a Karpin a honra de marcar o primeiro gol da novíssima seleção russa, num amistoso diante do México, em agosto de 1992, numa vitória por 2 a 0. Sua estréia aconteceu ainda pela CIS (sigla do inglês Commonwealth of Independent States - Comunidade dos Estados Independentes), durante a fase de transição entra a extinta União Soviética e a formação das novas seleções. Era só o começo de sua longa tragetória de onze anos, 72 jogos e 17 gols com a camisa nacional. Esteve nas Copas de 1994 e 2002 e na Eurocopa de 1996, se despedindo em 2003. Apesar da origem genuinamente russa, Karpin foi o primeiro jogador de futebol nascido na Estônia a disputar uma Copa do Mundo.

Após o Mundial do Estados Unidos, o meia transferiu-se para a Real Sociedad. Após dois anos de destaque pelos bascos, foi reforço do Valencia para 1996-1997. A campanha dos morcegos foi decepcionante, mas Karpin jogou boa parte das partidas e anotou meia dúzia de gols. Entretanto, a regularidade não foi suficiente para sua manutenção e, na temporada seguinte, já estava no Celta. Em Vigo, reencontrou-se com Mostovoi e viveu o melhor momento de sua carreira, sendo eleito o melhor jogador russo de 1999.

Depois de mais cinco temporadas na Galícia, acertou seu retorno à Sociedad. Em sua segunda passagem pela equipe de San Sebastián, liderou o time surpreendente que disputou, ponto a ponto, o título espanhol de 2002-2003 com o galático Real Madrid. Os merengues, de Figo, Zidane, Raúl e Ronaldo, levaram a melhor em cima do bom elenco basco, que contava também com Xabi Alonso, De Pedro, Kovacevic e Nihat. A Karpin, restou o consolo de poder disputar a Champions League seguinte.

Apesar de ainda se manter como um dos jogadores mais frequentes da equipe, o russo se aposentou após o término da temporada 2004-2005.

Vida como ex-jogador
Fora dos gramados, Karpin fixou residência em Vigo e tornou-se empresário no ramo imobiliário, em sociedade com o ex-companheiro Míchel Salgado. Além disso, passou patrocinar equipes de ciclismo, vôlei e rúgbi. Em seu último ano na cidade, recebeu fortes críticas por ser considerado um dos grandes responsáveis pela especulação imobiliária crescente na cidade galega.

Em 2008, retornou ao Spartak, como diretor Geral. Em 2009, assumiu o comando do time interinamente, como substituto do demitido Michael Laudrup. O bom desempenho naquele ano e o vice-campeonato provocaram sua efetivação. Entretanto, os fracos resultados na atual temporada do futebol russo (cinco vitórias em quinze jogos) fazem do ex-ídolo Krasno-belye um sério candidato a conhecer sua primeira demissão como treinador.

Texto de Rodolfo Zavati

Valery Karpin
Nome completo: Valery Georgievich Karpin
Data de nascimento: 02/02/1969
Clubes como jogador: Sport Tallin-EST (1986 a 1988), CSKA Moscou (1988), Fakel Voronezh-RUS (1989), Spartak Moscou (1990 a 1994), Real Sociedad (1994 a 1996), Valencia (1996 a 1997), Celta de Vigo (1997 a 2002) e Real Sociedad (2002 a 2005)
Clubes como técnico: Spartak Moscou (desde 2009)
Títulos: Campeonato Russo (1992, 93 e 94), Copa da Rússia (1992) e Copa Intertoto (2000)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Liga Adelante: Novidades e clichês na ponta da tabela

Cara feia para o ex-líder Bétis: após uma sequência de cinco derrotas consecutivas, os verdiblancos abandonaram a liderança (eldesmarque)

Na Liga BBVA, alguns clubes tiveram de janeiro um mês oposto. Enquanto uns fizeram do mês perfeito, como o Barcelona, o Zaragoza e o Athletic Bilbao, outros viram uma decepção. Como foi o caso do Real Madrid, que viu o Barcelona colocar sete pontos na frente; o Deportivo La Coruña, que voltou para a disputa pela zona de rebaixamento; o Málaga, que investiu demais mas assumiu a última posição; e a Real Sociedad, que começou a sentir o desgaste físico de seu pequeno plantel e viu uma vaga na Liga Europa ficar bem distante. Na Liga Adelante, a situação não foi diferente.

Há um mês, na nossa última coluna temática sobre a segunda divisão espanhola, já havíamos cravado a vaga do Bétis na próxima Liga BBVA. Mas queimamos a língua: o verdiblancos (3º 46), até então líderes isolado, tiveram uma queda brusca de rendimento e perderam não só a liderança para o Rayo Vallecano (1º, 49) como sairam da zona direta à Liga BBVA. De oito jogos disputados no mês de janeiro, o Bétis venceu apenas um, contra o Nàstic (21º, 21), penúltimo colocado, no primeiro compromisso de 2011. A racha negativa de derrotas firmou a pior sequência dos andaluzes na competição desde 1929-30. O mais curioso da fase negra do ex-líder é saber que ela veio justamente quando o Bétis fez duas partidas em alto nível contra o Barcelona - onde, inclusive, chegou a vencer os blaugranas atuando no Benito Villamarín.

Ontem, na Andaluzia, o clube verdiblanco sofreu a sua maior derrota na competição. Contra o Elche (12º, 32), o Bétis perdeu por 4 a 1 em casa, contrariando todas as expectativas ao lutar por uma vaga na próxima Liga BBVA após cinco derrotas consecutivas. Os aficionados, desta vez não perdoaram: os poucos mais de três mil torcedores presentes no estádio vaiaram a equipe, que saiu de campo cabisbaixo. Na semana passada, o Bétis já havia perdido para o Recreativo Huelva (16º, 26) atuando no Benito Villamarín.

Quem aproveitou a fase negra vivida no ambiente bético foi o Rayo Vallecano e o Celta Vigo (2º, 48). Os franjirrojos emplacaram uma sequência de cinco vitórias consecutivas alcançando o topo do torneio. A boa fase vivida pelo time de Madrid pode ser muito bem credenciada ao argentino Armenteros, empresto pelo Sevilla, que é o vice-artilheiro do campeonato, autor de cinco dos oito gols da equipe no mês de janeiro. Quem também merece destaque é o técnico José Ramón Sandoval, que mostrou competência para trabalhar com elencos econômicos (em 2009/10, levou o Rayo B da quarta para a terceira divisão), transformando um time simples em concorrente viável ao título.

O grande "porém" dos rayistas é a falta de experiência de alguns jogadores. Tanto que, em partidas fundamentais para a campanha, a equipe sucumbiu e perdeu os confrontos diretos com Betis, 4 a 0, e Celta, 3 a 1, atuando em pleno Teresa Rivero. Se a houver igualdade em pontos, provavelmente o time do bairro de Vallecas estará em desvantagem no confronto direto, o primeiro critério de desempate.

O Celta ganha força por sua solidez. Não é uma equipe espetacular, mas perdeu apenas duas partidas (Betis e Rayo o fizeram quatro vezes cada) e tem a segunda melhor defesa da competição. Não perde há dez rodadas, o que dá segurança aos torcedores de que a série de temporadas na segundona pode estar acabando, e pode assumir a liderança hoje, caso vença o Cordoba, em Cordoba (atualizaremos esse post caso isso aconteça). Os destaques são o goleiro Falcón (ex-Atlético de Madrid), o meia De Lucas e o atacante David Rodríguez.

Em teoria, Betis e Celta aparecem como equipes mais fortes e confiáveis, mas a Liga Adelante é muito dada a surpresas. Na temporada passada, por exemplo, o Hércules tinha o título praticamente assegurado e teve de suar para conseguir a promoção, um esforço que envolveu até manobras suspeitas de seus dirigentes. E, quem ficar de fora do acesso automático terá de se virar em um mata-mata cheio de franco-atiradores, com equipes como Xerez (6º, 38), Granada (4º, 40), Cartagena (7º, 35), que disputaria os play-offs se o campeonato acabasse hoje, pois o Villarreal B (5º,40) não pode disputar.

Atualizado (16:07): O Celta só empatou com o Cordoba (0 a 0) e perdeu a oportunidade de liderar a competição. Portanto, Rayo segue líder.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Liga Adelante: Sem definição

Líder do torneio, o Bétis é o time a ser batido na competição e recuperou a credibilidade em âmbito nacional, com a classificação para as quartas-de-finais da Copa del Rey (eldesmarque)

Desde a última coluna temática sobre Liga Adelante, um mês atrás, foram disputados seis rodadas do campeonato, que sem amplamente indefinido. Os resultados dos últimos seis jogos embolaram a zona dos play-offs, que agora tem, mais do nunca, quatro times brigando de forma parelha por uma vaga direta para a Liga BBVA. Vocês devem ser estarem perguntando no momento: "como assim uma?". Sim, apenas uma. O líder Bétis segue em uma enorme margem de crescimento e, nesse período, venceu quatro partidas, empatando duas vezes. O que contabiliza um total de 14 pontos somados em 18 possíveis. O segundo colocado Celta (39) também segue firme e forte na busca pela segunda vaga direta e deu um passo importantíssimo: na primeira rodada de 2011, o galegos venceram um confronto direto contra Rayo Vallecano (3º, 37).

No Tereso Rivero de Madrid, emoção foi o que não faltou no jogo que abriu o ano de 2011. Invicto, até então, jogando em casa, os franjirrojos não conseguiram superar o seu principal adversário pela vaga direta na primeira divisão espanhola e, após abrir o placar, jogaram de uma maneira apática, contribuindo para a remontada céltica. Boa parte dos méritos vão para os atacantes David Rodríguez e Arribas, que em sua primeira temporada como protagonistas, marcaram 25 dos 39 gols da equipe no campeonato. Rodríguez, aliás, foi o principal responsável pela vitória do Celta ante o Rayo, com um doblete providêncial.

Na liderança, o Bétis (1º, 43) não só vem bem na Liga Adelante, como em cenário nacional vai recuperando sua credibilidade: na Copa del Rey, os verdiblancos tornaram-se o único time a passar às quartas-de-finais da competição, onde agora terá um duro desafio contra o Barcelona, que disputa a Liga Adelante. No último jogo, o Bétis perdeu a chance de colocar sete pontos de vantagens para o Celta Vigo ao empatar com o fraco Huesca (15º, 22) por 1 a 1. A fase atual dos verdolagas, embalada pelas ótimas perfomances do experiente Emaná, os coloca como o time a ser batido na competição.

Na briga dos que querem escapar da segunda división B, o Las Palmas (16ª, 22) de Lunas Eslava conseguiu uma vitória importante fora de casa contra o Rayo Vallecano, onde fez o time ganhar mais esperanças e sonhar de verdade com a permanência. Tarefa que parece difícil para Recreativo (19ª, 19), Gimnástic (20ª, 16) e Ponferradina (21ª, 16) e impossível para o lanterna Tenerife (11), que, em duas temporadas, pode sair da Liga BBVA direto para a segunda división b. A diretoria do clube canário demitiu Mandiá e efetivou Antonio Hernández, chegando a cota de quatro técnicos na mesma temporada.

sábado, 6 de novembro de 2010

Liga Adelante: Bétis em alta

Mesmo com a perda de Sergio García para o Espanyol, o Bétis tem o melhor ataque e retorno para a Liga BBVA é questão de tempo (getty images)

Se na temporada passada o Real Bétis ficou no quase após um início de temporada fraco e, com os mesmos 71 pontos de Hércules e Levante, não conseguiu o acesso à Liga BBVA, a tônica desta temporada é diferente: líder isolado da competição com 25 pontos, melhor ataque e a melhor defesa, o time de Pepe Mel já dá passos largos rumo à primeira divisão espanhola. Fazendo uma rápida comparação com a campanha da temporada anterior, os verdiblancos mostram-se um time bem superior àquele. Prova maior disso é lembrar que, na temporada passada, o time andaluz terminou o primeiro turno com apenas 30 pontos, cinco a menos do que tem hoje, na liderança da Liga Adelante e com apenas 10 rodadas. Nessas 10 rodadas, o Bétis venceu oito vezes, empatou uma e só perdeu uma única vez, para o Albacete na sétima rodada.

Internamente, a equipe também passou por mudanças. O Conselho Administrativo do clube verde passou por reformas e Rodríguez Sacristán comprou as ações do clube, passando a ser o novo presidente, em substituição a Pepe León (o Bétis é um clube empresa, ou seja, Pepe León só iria embora se alguém comprasse as ações do clube). Nomes como o de Joaquín Zulategui, Luis Rementería e Juan Carlos Roldán também passaram a integrar o Conselho do clube. O estádio do clube também mudou de nome, passando a se chamar Benito Villamarín, denominação que teve antes de 1997, após uma votação de sócios. O nome Benito Villamarín obteve 6.107 votos, que preferiram esta denominação à Heliópolis (2786) e Cidade do Betis (655). O estádio do Bétis já se chamou Benito Villamarín, antes de ser rebatizado em 1997 com o nome daquele que foi presidente e acionista majoritário na época, Manuel Ruíz de Lopera. Benito Villamarín, falecido em 1966, foi presidente do clube entre 1955 e 1965.

À exceção do Bétis, não está fácil apostar em que equipes irão subir para a Liga BBVA nesta temporada. Geralmente, a Liga Adelante é uma competição extremamente nivelada, mas a atual edição está se desenvolvendo de maneira bastante peculiar: a diferença de pontos entre o Valladolid, 6º colocado e último classificado para os play-offs, para o Huesca, 18º e primeiro acima da zona de rebaixamentos, é de apenas seis pontos. Isso sem falar que a Ponferradina, 19ª colocada e primeira da zona de rebaixamento, está a apenas 7 pontos da equipe pucelana. A tônica do torneio é a incostância. A irregularidade de equipes que lutariam para subir, como Recreativo, Numancia, Tenerife e Gimnàstic, contrasta com a campanha acima da média de alguns times que há algum tempo não sonhavam em jogar a Liga BBVA, como Rayo Vallecano, Granada, Las Palmas e Cartagena.

Voltando a ser feliz

A torcida do Celta Vigo voltou a lotar o Balaídos e o time nunca esteve tão próximo de retornar à elite do futebol espanhol (eldesmarque)

Hoje, fora o Bétis, quem estaria classificado diretamente para a próxima Liga BBVA seria o Celta Vigo (o sistema de classificação mudou. A partir desta temporada os 2 primeiros sobem e do 3º ao 6º jogam play-offs). Caso confirme a classificação, o time de Balaídos voltaria a jogar a Liga BBVA desde 2006-07. Após a 12ª colocação na temporada anterior, os celestes, desta vez, já brigam por título. Após manter a liderança nas primeiras cinco rodadas, o time do técnico Paco Herrera parece ter chegado, em tão pouco tempo, a má fase. Com um time jovem - média de idade de apenas 22 anos - os célticos somaram nas últimas três rodadas apenas três pontos - empataram três vezes - e viram o Bétis confirmar o favoritismo e abrir quatro pontos de diferença. Neste domingo, a equipe da Galícia faz o seu jogo de maior importância neste primeiro semestre: no Balaídos, o Celta receberá o Bétis tentando diminuir a vantagem dos verdiblancos. A torcida celeste sabe mais do que nunca da importância desta partida: com todos os ingressos já vendidos, o estádio registrou sua melhor venda de ingressos desde junho de 2009, quando o Celta jogara para não cair à Segunda B. Esperam-se 31.820 espectadores para o estádio que só comporta 32.50.

E o que dizer da campanha do Barcelona B? A filial do clube blaugrana não vive uma fase tão boa desde que conseguiu o acesso à Segunda B em 2007-08, no time que era treinado por Josep Guardiola. A campanha dos comandados de Luis Enrique é histórica: nunca na história da filial, o time brigou pelas pontas. Apesar de não poder jogar a Liga BBVA (apenas se o Barcelona for rebaixado - coisa que, convenhamos, é muito difícil) o discurso de Luis Enrique é continuar jogando da mesma maneira. Na quarta posição, o duelo desta rodada é bastante atrativo: os azulgrenás enfrentarão, no Mini Estadí, o Villarreal B, no duelo da únicas filiais nesta edição da Liga Adelante. Porém, ao contrário dos rivais da Catalunha, a realidade é outra: na 16ª colocação com 13 pontos, o Submarino Amarelo se encontra a 4 do descenso.

A de se destacar o lance que chocou o mundo. Duas rodadas atrás, no jogo entre Bétis x Salamanca, o meia Miguel García, do Salamanca, teve uma parada cardíaca dentro de campo (ver vídeo), ficou desacordado e foi salvo pelos médicos do clube com o uso de um desfibrilador. Alguns atletas chegaram a chorar achando que o coleta estava morto. Apesar de salvo, o meio-campista não poderá voltar a jogar futebol. A informação foi dada por médicos que atenderam o atleta e divulgada pela emissora BBC. De acordo com o último boletim médico, García poderá deixar a UTI do Hospital Clínico Universitário, onde foi internado, na próxima terça-feira.

Quem encabeça a zona de rebaixamento e é a grande decepção é a Ponferradina. Os blanquiazules foi a equipe que mais trouxe jogadores da Liga BBVA no mercado, mas sucumbe diante de uma nova oportunidade de disputar a Liga Adelante. Com um time recheado de jogadores experientes que poderiam fazer com que o clube ficasse pelo menos no meio da tabela, nada deu certo para os ponfe, que devem retornar para a Segunda B.

A partir de agora, o Quatro Tiempos trará uma coluna mensal sobre a Liga Adelante.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Copa del Rey: Semifinais definidas

Áduriz, no alto disputando bola com Ustari, fez o único gol do jogo, porém, não foi o suficiente para o Mallorca, que se despede da Copa do Rei (As)

No Coliseum Alfonso Pérez, subúrbio de Madri, o Getafe recebeu o Mallorca. Após construir uma boa vantagem no jogo da ida, quando derrotou os rojones por 1x2, o Getafe iniciou o jogo bem tranquilo e se defendendo dos já previstos ataques do clube de Palma de Mallorca. Jogando numa linha de três, com Castro, Borja Valero e Keita, e Áduriz isolado lá na frente, o Mallorca queria mesmo a classificação e começou atônito na partida. Antes do início do jogo, Contra entrou em campo para a sua despedida oficial do clube e foi saudado pela sua ex-torcida. Agora o romeno jogará no Timisoara, que é de seu país. 

Com a bola rolando, o Mallorca começou pressionando e, aos 12', Valero obrigou Ustari a fazer grande defesa. Ma, a primeira grande chance do Mallorca no jogo foi aos 29. O zagueiro Rafa derrubou "Chori" Castro dentro da área: pênalti. Na cobrança, porém, Ustari salvou novamente o time de Madrid ao defender o petardo de Áduriz. Logo após a cobrança, foi a vez do Getafe chegar com perigo pela primeira vez no jogo. Albín deu um grande passe para Miku, que acabou pegando muito debaixo da bola. E no último lance do primeiro tempo, Áduriz se "desculpou" pelo pênalti perdido: após escanteio cobrado por Borja Valero, o atacante mandou a bola para o fundo da rede. Ustari, que vinha fazendo grandes defesas, saiu mal do gol, dessa vez. 

Na volta para o segundo tempo, o Mallorca tomou um susto. Logo aos 2 minutos, Albín recebeu na frente e encobriu, com muita categoria, Aouate. Porém o bandeirinha assinalou, corretamente, o impedimento. O tempo foi passando, e o Mallorca, que só precisava de um golzinho para se classificar, demonstrava perder as forças. Quase tomou um gol aos 46, quando Pedro León rematou de primeira um cruzamento da vindo da esquerda e foi parado pela exuberante defesa de Aouate. 

Mesmo com a derrota, o Getafe avançou para as semifinais pela terceira vez em quatro temporadas. Finalistas em 2007 e 2008 (e derrotado em ambas as vezes - por Sevilla e Valencia, respectivamente), os azulones enfrentarão seus algozes da final de 06/07: o Sevilla. 

Em Vigo... 

No jogo de encerramento das quartas, o Atlético de Madrid foi até Vigo visitar o Celta Vigo. Após conseguir uma virada quase que improvável nas oitavas de finais contra o Recreativo, ninguém mais duvidava do time na Copa, mesmo tendo empatado em casa na ida, no Vicente Calderón.

Forlán, machucado e sem ter treinado desde o começo da semana, decidiu (Reuters)

Com o time totalmente titular em campo, com exceção do goleiro De Gea, os rojiblancos tiveram a primeira boa chance real de jogo aos 13 minutos. Paulo Assunsão meteu bom passe na esquerda para Forlán, que rapidamente tocou para Agüero. O argentino, com o gol a sua frente, foi travado na hora do remate. Treze minutos mais tarde o Atlético, que vinha bem no jogo, foi recompensado. Noguerol errou, Forlán roubou a bola, deu uma arrancada e bateu rasteiro no canto de Yoel. O uruguaio, mesmo lesionado e sem ter treinado uma vez sequer na semana, foi o herói da classificação colchonera. 

No final da primeira etapa por pouco não saiu o segundo. Reyes fez um lançamento milimétrico para Forlán. Ele partiu livre na esquerda, cortou para o meio e chutou, forte, em cima de Yoel, Aguero quase pegou o rebote, porém o goleiro foi mais rápido. No segundo tempo, Sacristán foi para o tudo ou nada e tirou Aspas para pôr Joselu. De nada adiantou, e o Celta foi eliminado em pleno Balaidos para o Atléti. Agora o time madrileño irá encarar o Racing Santander. 

Para saber como foi a classificação de Racing e Sevilla clique aqui