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domingo, 27 de novembro de 2011

Ángel de Mourinho

Di María e sua comemoração tradicional: pelo menos neste início de temporada, El Angelito tem sido o melhor jogador do Real Madrid (getty images)

Cristiano Ronaldo continua sendo o grande goleador do Real Madrid. Com 16 gols, o gajo já é o artilheiro da Liga Espanhola, após marcar dois no dérbi de Madrid e Messi não marcar nenhum no tropeço do Barcelona contra o Getafe. Entretanto, engana-se quem acha que, ao contrário da temporada passada, o camisa sete é o melhor jogador do Real Madrid. Esse cargo, pelo menos no momento, é de Di María. O argentino vive fase excepcional na carreira, a ponto de virar peça-chave de Mourinho: o técnico de Setúbal comemorou sua alta publicamente e, mesmo estando fora dos gramados por um mês, o colocou como titular no dérbi vencido novamente pelos merengues.

Ainda que seja reconhecido negativamente pela fama de cai-cai, não se pode negar o talento do argentino. Seu poder de decisão começa a aparecer em jogos importantes para o Real Madrid. Na temporada passada, por exemplo, cruzou na medida a bola que permitiu a Cristiano Ronaldo dar o único título dos blancos em quatro anos. O camisa 22, que havia se lesionado contra o Osasuna, foi novidade da lista e surpreendeu ao ser escalado como titular. Bastou 62 minutos de Di María em campo para Mourinho e os aficionados verem que El Ángelito está de volta: deu o passe para o pênalti sofrido por Benzema, e convertido por Ronaldo, e marcou o gol da virada, que sentenciou os rojiblancos.

Di María é um adicional a uma equipe que joga num ritmo veloz, intenso e com toque de bola. Todas essas características fazem parte do jogo do argentino. Ontem, principalmente na primeira etapa, quando o Real Madrid encontrou-se "perdido", foi um dos poucos, senão o único, a revolucionar os ataques merengues com suas ações. Agudo, encara de frente a marcação adversária, sendo um jogador destacável por, devido à sua habilidade, quebrar retranca adversária. Na atual temporada, marcou apenas três gols, mas lidera o ranking de assistências, com sete passes para gols. Assim, chega afinco e tinindo para o superclássico de daqui a duas semanas, sendo uma das grandes esperanças da torcida.

Provocador, Di Magía, como tem sido apelidado pela imprensa espanhola, "chama" cartões ao adversário. No dérbi, provocou o cartão amarelo de Diego, que dominava o meio-campo blanco. Um cartão que custou a substituição do brasileiro, quando Manzano teve que mexer para colocar Asenjo, na ausência de Courtois, expulso pela inexperiência no lance com Benzema. Ao ser substituído, minutos após seu gol, foi ovacionado pelo Bernabéu. Saiu de campo com a língua para fora, abaixando o meião e com um enorme sorriso. Um sorriso de quem vive grande fase. Um sorriso de quem foi o protagonista da noita. Apertou as mãos de Mourinho, certamente orgulhoso, e sentou no banco de reservas com a sensação de dever cumprido. Di María trabalha em prol do grupo, dando assistências, fazendo gol e, também, ajudando sempre na marcação pelo lado direito. Di Magía é hoje, certamente, o melhor jogador do Real Madrid.

sábado, 26 de novembro de 2011

O dérbi de Mendes

Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo. O dérbi de Madrid é o dérbi de Jorge Mendes, empresário que terá 10 de 22 jogadores seus em campo (UEFA)

Mais tarde, às 17h (brasília), Real Madrid e Atlético de Madrid entrarão no Santiago Bernabéu para fazer um dos dérbis da capital mais quentes dos últimos anos. Durante a semana, José Mourinho e Gregório Manzano, desafetos convictos, trocaram farpas e só colocaram mais panos quentes no jogo de hoje à tarde.

Entretanto, alheio às notícias referentes ao jogo, uma curiosidade marca a partida: o dérbi marca uma vitória de Jorge Mendes, empresário português que verá 10 de 22 jogadores seus em campo mais tarde. Além disso, Mendes ainda é o gerente de José Mourinho. Desde seu espaço privado no Santiago Bernabéu, Jorge Mendes certamente viverá o dérbi como Alejandro Sanz: com o coração partido.

No lado merengue, Mendes representa Pepe, Fabio Coentrão, Ricardo Carvalho, Di María e Cristiano Ronaldo, além de Mourinho. Pelo lado rojiblanco, Tiago, Pizzi, Falcão García, Sílvio Miranda. Sob as luzes do Bernabéu, Jorge Mendes irá compartilhar alguns de seus mais ilustres representados. Para começar, no banco de reservas, José Mourinho, o homem que se tornou sob a sua tutela o treinador de mais sucesso e mídia do mundo. O Special One.

Todavia, o melhor vem no gramado. Oito futebolistas empresariados pela empresa Gestifute sobre o terreno de jogo. Dos seus pupilos, três irão perder o jogo por lesão: os rojiblancos Sílvio e Falcão García não se recuperaram de lesão muscular e estão fora do jogo, assim como o madridista Ricardo Carvalho. No mais, todos os outros, ainda que alguns, como Di María e Pizzi, sintam desconfortos, estão à disposição de seus treinadores.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Complicado, Atlético...

Ambiente tenso: com mais uma derrota em um dérbi, Quique Sanchéz Flores começa a ficar com as cordas bambas (getty images)

Como deixar de confiar em um time que tem em seu plantel jogadores como Agüero, Forlán, Reyes, De Gea, Filipe Luís, Juanfran? Mas como confiar em um time que, ano após ano, se planifica da melhor maneira possível, gasta muito dinheiro com contratações e, principalmente, não vence o seu maior rival a 35 partidas (12 anos, para exemplificar melhor)? Este dilema pauta o Atlético de Madrid. Os rojiblancos são, sem sombra de dúvidas, um dos times mais difícil de entender em cenário espanhol (e, quem sabe, mundial). Vindos de uma derrota acachapante ante o Hércules, o Atlético de Madrid chegou para o dérbi de ontem pressionado - mais uma vez, diga-se de passagem.

Quando Forlán abriu o placar aos sete minutos, parecia que o tabu estaria prestes a cair. Só parecia. Em nenhum momento o Real Madrid "ajudou" para que a racha negativa colchonera pudesse acabar. Com Cristiano Ronaldo e Özil em dia inspirado, os merengues enlouqueceram a zaga rival, e De Gea era obrigado a fazer grandes defesas para evitar um resultado maior. O jovem goleiro, aliás, só não foi o melhor jogador da partida porque o português e o turco-alemão tiveram um destaque maior. De Gea fez defesas de tudo que é jeito e sem tem alguém a se elogiar neste Atlético de Madrid é o arqueiro. Agüero e Forlán também deram trabalhos à defesa blanca, mas no todo da partida, Sergio Ramos - deslocado para função de zagueiro - e Ricardo Carvalho souberam conter bem os ataques da dupla sul-americana.

O time de José Mourinho se manteve bem ofensivo no primeiro tempo. Teve quase 70%de posse de bola e finalizou oito vezes, contra apenas uma dos visitantes. Na segunda etapa, o ímpeto merengue aumentou mais e orquestrados por Özil, que, até então, fazia uma partida tímida, o Real Madrid virou. A saída de Benzema e a entrada de Kaká também foi um dos fatores da virada merengue. Não que o brasileiro tenha tido participação nos gols, mas a movimentação da equipe mudou e ficou mais veloz, já que Benzema estava muito parado. Antes do gol da virada, porém, Forlán jogou na trave a chance de desempatar o marcador. Um minuto depois, Özil partiu para jogada individual pela direta, deixou Filipe Luís para trás e cruzou na medida para Cristiano Ronaldo aumentar.

No final da partida, Özil fez um de seus gols mais fáceis, mas que serviu para consagrar o melhor jogador da partida. O turco-alemão tabelou com Cristiano Ronaldo e a bola acabou batendo em Filipe Luís e voltando para a canhota mágica do meio-campista, que jogou no canto esquerdo de De Gea para definir a partida. "Falha feia do Filipe Luís, que parece ter ficado na Galícia e mandado um irmão gêmeo pra Chamartín", bem definiu o amigo Leonardo Bertozzi. O lateral brasileiro ainda não se encontrou em Manzanares e parece ter esquecido aquele futebol que quase o levou ao Barcelona.

Sobrou para Quique Sanchéz Flores. O treinador se reuniu com Jesus García Pitarch, diretor esportivo rojiblanco, por duramente uma hora. Quem também não gostou nada da postura dos seus jogadores em campo foi o presidente do clube, Enrique Cerezo. Nas palavras do presidente "os seus jogadores não têm nada do que reclamar do árbitro e que já está cansado de ver a mesma postura exercida em jogos contra o Real Madrid". Apesar de Quique Sanchéz Flores ter mudado totalmente o discurso, ao falar que o Atlético tem chances de classificação por ser "supercompetitivo" em jogos eliminatórios, o ambiente rojiblanco está muito conturbado. E só uma classificação pode inverter a situação, além de dar uma grande injeção de ânimo para a continuidade da temporada.

Na Andaluzia...
Pela primeira vez em sua história, o Almería entrava a campo disputando uma quarta-de-final de Copa del Rey. Disposto a levar o jogo para o Riazor, Lotina montou seu Deportivo no 5-4-1. Porém, não contava com a má sorte de Rindaroy, que marcou o único gol da partida. Um gol contra. Em uma partida bem fraca tecnicamente, as emoções que tomaram o restanta da Copa del Rey não deram as caras no Juegos Mediterráneos por ao menos um minuto. Apenas cinco chutes ao gol em 90 minutos explica porque de uma partida tão fraca. De destaque, apenas Piatti. Presente em todas as ocasiões de perigos do time rojiblanco, o argentino foi o nome da partida, já na vigília para o jogo contra o Real Madrid, no domingo.

Veja também:
Villarreal 3x3 Sevilla
Barcelona 5x0 Real Bétis