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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Difícil, mas não impossível

Pellegrini fracassou no Real Madrid e alcançou a semifinal com o Villarreal. Agora no Málaga, espera surpreender o Porto (El Desmarque)

O Málaga iniciou a temporada sob dúvidas. Recheados de problemas extracampos provenientes do sheikh Abdullah Al Thani, infestado de dívidas, o clube pouco gastou na recomposição do elenco e esteve a um passo de perder o técnico Manuel Pellegrini. Logo nos dois jogos qualificatórios para a fase de grupos do principal torneio de clubes do mundo, contra o Panathinaikos, a equipe mostrou um amadurecimento fantástico para quem disputava uma competição desse porte pela primeira vez. 

Na fase de grupos, mais duas pedreiras: o reforçado Zenit e o nem tão reforçado mas um gigante que sempre merece respeito Milan, além do Anderletch, que completou o grupo C. E, novamente, atuações mágicas, como no 3x0 ante os russos no La Rosaleda e o 1x0 ante os rossoneros no mesmo estádio. Na Liga Espanhola, a equipe começou a mil nos primeiros dois meses, e a queda recente era esperada. No entanto, a vitória por 1x0 contra o Athletic Bilbao no último sábado pode ter servido para abastecer a moral de um elenco que, há quase dois meses, foi impedido pela UEFA de participar das próximas edições da UCL. Quarto colocado da Liga Espanhola, o Málaga ainda tem esperanças de que a entidade volte atrás na decisão. 

Amanhã, às 16h45, os blanquiazules fazem o primeiro dos dois principais jogos de sua história. Contra o  Porto, principal time de Portugal e líder da Liga Sagres com 43 pontos ao lado do Benfica, é preciso ter bastante cuidado com o colombiano Jackson Martínez, artilheiro máximo do campeonato português com 20 gols. Em grande fase na carreira, o atacante de 26 é ameaça real à defesa andaluza. Quem também precisará ter atenção especial é João Moutinho, o principal articulador de jogadas do time. Há quase um mês, Xavi teve uma de suas principais atuações na temporada exatamente contra o Málaga, quando atuou solto em campo. Não cometer o mesmo erro contra um jogador de característica semelhante ao do catalão é necessário para obter um resultado favorável.

Pelo lado andaluz, o grande destaque fica por conta de Isco Román, que assegurou com perfeição a condição de protagonista deixado por Santi Cazorla, que rumou ao Arsenal. Sobretudo em âmbito europeu, o melhor jovem espanhol da atualidade tem feito excelentes partidas. É nele a aposta dos torcedores para os confrontos. Pelo lado direito do 4-2-3-1 blanquiazul, Joaquín, que renasceu após temporadas opacas, é outra grande ameaça. A defesa, a menos vazada do campeonato espanhol, tem no goleiro Caballero seu principal ponto. Em grande fase na carreira, o arqueiro vem sendo essencial nos últimos jogos. Sua atuação no San Mamés foi louvável. Outro ponto positivo foi o bom retorno de Júlio Baptista. O brasileiro, que ficou parado quase 16 meses, tem sido escalado no auxílio a Saviola ou, como no jogo de sábado, na função do argentino.  

Paradoxalmente, o Málaga tem de lidar com um seu ponto fraco: o lado esquerdo de sua defesa. Desde que Monreal deixou a Costa do Sul rumo a Londres para defender o Arsenal, o treinador Manuel Pellegrini encontrou problemas e muitas dores-de-cabeças. Eliseu foi improvisado, mas passou por apuros. Nos últimos dois jogos, Antunes jogou os 90 minutos, mas a confiança do argentino no português não é das maiores. No último treinamento antes do duelo, a aparição de Jesus Gámez foi a grande surpresa. E é exatamente por esse setor que joga o jogador mais arisco do Porto: o colombiano James Rodríguez. O ponta direita canhoto de extrema habilidade tem uma boa finalização e uma ótima visão de jogo. No entanto, é dúvida para o duelo por conta de uma lesão. Vitor Pereira o irá esperar até a última hora.

Na coletiva de imprensa, Pellegrini mostrou-se confiante, apesar dos elogios aos portugueses. "Demonstramos na atual edição da Champions League que somos capazes de surpreender. Sinceramente, o Porto é uma grande equipe, mas se avançarmos de fase não será nenhuma zebra", disse. Pelas palavras ditas no término da coletiva ("a eliminatória deve ser decidida em Málaga. é meu desejo"), o treinador deve levar a campo uma escalação mais preservada para o confronto desta terça-feira, no estádio do Dragão. Não será surpresa se Pellegrini abdicar de um centroavante (Saviola ou Santa Cruz) e colocar Júlio Baptista de falso nove, escalando Portillo (Eliseu está lesionado), Toulalan e Iturra juntos no meio-campo. 

A facilidade para cuidar da posse de bola e para explorar a velocidade, sobretudo em jogos fora de casa, pode levar o Málaga a um resultado positivo em Portugal. Se o time de Vítor Pereira adiantar as linhas, haverá o trio de meio-campo mais Júlio Baptista para contra-atacar. Foi exatamente dessa maneira o Villarreal de Pellegrini por um triz não alcançou uma surpreendente final de Champions League em 2005-2006. As classificações do Submarino Amarelo diante de Rangers e Internazionale e a quase classificação perante o Arsenal de Henry se encaixam nas declarações do argentino. Ele quer reviver aquele cenário que quase o levou a glória?

Prováveis escalações
Porto: Helton; Danilo, Otamedi, Mandala, Alex Sandro; Lucho González, Fernando, João Moutinho; James Rodríguez (Atsu), Varela, Jackson Martínez.

Málaga: Caballero; Sérgio Sánchez, Demichelis, Welington, Antunes (Jesus Gámez); Toulalan, Iturra; Joaquín, Isco, Júlio Baptista; Saviola/Santa Cruz (Portillo).

Obs: mantive a escalação habitual do Málaga, apesar de ter deixado claro no texto que não seria surpresa um onze inicial mais preservado com a entrada de Portillo e o deslocamento de Baptista à referência do ataque.

domingo, 16 de setembro de 2012

De bem com a vida

 No Málaga, Saviola tende a ser útil ao time (Zimbio)

O Málaga teve um verão bem complicado, tudo mundo sabe. O meio-campista Santi Cazorla, o atacante Salomón Rondón e o zagueiro Joris Mathijsen criticaram a postura controversa da administração do sheikh Abdullah Al-Thani, colocaram o clube na justiça por atraso no salário (ação que foi voltada atrás semanas depois) e rumaram para outros lugares. A diretoria pouco gastou na recomposição do elenco e esteve a um passo de perder o técnico Manuel Pellegrini. A lógica era imaginar a equipe brigando contra o rebaixamento e nem avançando de fase na Uefa Champions League. Bobagem.

Analisando friamente o elenco blanquiazul, as perdas dos três jogadores, obviamente, são consideráveis, mas não a ponto de criar um estardaçalho. Após quatro jogos, desfruta invencibilidade, a melhor defesa e a segunda posição na Liga BBVA. A péssima reação generalizada ao também péssimo mercado havia ampliado uma pressão que seria naturalmente grande. As respostas a ela, no entanto, são as melhores possíveis. Na fase prévia da LC, os boquerones engoliram o Panathináikos quando ainda nem havia contratado ninguém. A boa partida de Eliseu, sobretudo, deu esperança aos torcedores de que o português poderia ser, em certas ocasiões, um substituto interno de Cazorla.

A falta de um centroavante mais experiente foi preenchida no último dia do mercado, com as contratações de Javier Saviola e Roque Santa Cruz. Juanmi, Portillo e Fabricie (respectivamente, 19, 20 e 16 anos de idade), o trio que vinha sendo utilizado como referência antes do dia 31, são jovens promissores e com faro de gol, mas sem cancha e experiência suficiente para determinados jogos, sobretudo em âmbito europeu, onde os andaluzes irão enfrentar Zenit, Milan e Anderletch. Passar de fase é possível, sobretudo pelo enfraquecimento do Milan. Porém, a disputa, na teoria, ainda é pela segunda posição contra o forte Zenit, campeão da Copa da Uefa em 2007/2008 e que desponta como favorito ao título do campeonato russo. Os milionários, na última semana, fecharam com Hulk e Witsel, dois jogadores que acrescentam mais qualidade ao plantel.

Nesse cenário, Saviola pode ser útil. Ontem, ele anotou um gol e foi o autor da assistência para o tento de Joaquín na vitória por 3x1 contra o Levante. Experiente e acostumado a desafios, o argentino ilusiona Pellegrini, que não tem dúvidas de utilizá-lo como titular na estreia de terça, contra os russos, no La Rosaleda. Estrear com três pontos ante um adversário direto é o primeiro passo rumo às oitavas de finais. A manuntenção de jogadores como Monreal e Toulalan também foi essencial. O espanhol, voando no início de temporada, já desponta como candidato a melhor lateral-esquerdo do campeonato. O francês dá o toque de qualidade na volância.

Ainda que a zaga assuste em certos momentos, o setor ofensivo tende a desequilibrar um confronto. Melhor jovem da temporada passada, Isco assume com contundência neste início de temporada a responsabilidade de ser o melhor jogador da equipe. Joaquín, aberto à direita, é confiável quando está em forma. Com apoio da diretoria e dos torcedores, Pellegrini é novamente o responsável por fazer a equipe fluir. O revezamento incessante dos três meio-campistas de seu 4-2-3-1 é a chave do triunfo inicial. No próximo sábado, o Málaga viaja a Bilbao para encarar o Athletic Bilbao, que, enfim, começa a entrar com competividade na temporada. Se tem condições ou não de manter esse pique até o final da temporada e novamente conquistar uma vaga na Champions League, isso só saberemos depois. Mas a conquista de uma vaga na Liga Europa representaria, sim, um inesperado sucesso do projeto que, por pouco, não caiu por ladeira abaixo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Inexplicável

Após um péssimo primeiro turno, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu abrir o bolso. Mas a situação só piorou, com a equipe entrando na zona de rebaixamento e assumindo a lanterna (getty images)

Nas aulas de história, sempre se ouve falar que o Emirado de Granada era fortemente comandado por árabes, incluindo a capital Ghanarnatah e o importante porto de Malaqah. Mas faltava uma região, ao sul de Al-Andalus. Apenas entre as décadas de 1480 e 1490 que os espanhóis completaram a reconquista de toda a península. A cidade portuária caiu em 1487. Levou mais cinco anos para a capital moura ceder definitivamente. Mais de 500 anos depois, os árabes voltaram à região. Ela não se chama mais Al-Andalus, e sim Andaluzia. O Emirado de Granada é mais lembrado pelas joias artísticas e arquitetônicas que deixou como legado. Malaqah já teve o nome latinizado para Málaga, e seu porto não provoca mais tanto interesse. A cidade foi berço de artistas como Pablo Picasso e Antonio Banderas, mas o que chama a atenção dos neomouros é o futebol.

A mentalidade revolucionária do conterrâneo está, desde junho de 2010, de volta à região. Quando a atual temporada se iniciava, o sheikh Abdullah Al Thani anunciou o processo definitivo de compra do Málaga, após comprar as ações do clube de Fernando Sanz. Foi o primeiro caso de time de futebol da Espanha a pertencer a um árabe. A partir daí, cresceu as expectativas para ver como seria o mercado blanquiazul. No verão, porém, a cúpula foi ao mercado, mas não trouxe nenhum grande nome. Das onze contratações feitas, apenas três deram certo e acabaram tornando-se os destaques da equipe até o momento. O português Eliseu, artilheiro da equipe; o venezuelano Rondón, ponto de equilíbrio; e o ganês Quincy Owusu-Abeyie, extremo direito sempre elogiado por jogar em velocidade pelos flancos.

O jeito foi abrir o bolso. O técnico português Jesualdo Ferreia, contratado devido a seu bom trabalho com orçamento limitado no Porto, foi demitido em novembro. Em seu lugar foi contratado Manuel Pellegrini. A movimentação no mercado de inverno também é intensa: já foram contratados Demichelis (ex-Bayern e seleção argentina), Júlio Baptista (que chegou com ares de ídolo da torcida, provavelmente se baseando no desempenho do brasileiro no também andaluz Sevilla), Asenjo (promissor goleiro que perdeu espaço no Atlético de Madrid com a ascensão de de Gea), Camacho (jovem volante formado no Atlético de Madrid) e Maresca. Um goleiro, um zagueiro, um volante, um meia e um atacante. Ou seja, uma nova base.

Porém, já se passou um turno do Campeonato Espanhol e o Málaga não fez nada que desse grandes alegrias a seu novo dono. Mesmo com todos suas contratações à disposição, os blanquiazules têm uma campanha medíocre, com apenas 17 pontos em 21 partidas. E, acreditem: o time, que antes de seus investimentos era o décimo sexto colocado, hoje é o lanterna da competição.

O que acontece, no fim das contas e com tantas mudanças, é que não se constrói continuidade. O ambiente atribulado, de pura impaciência e busca por resultados positivos, que impera dentro do clube faz com que Pelegrinni pouco insista nos mesmos jogadores. Entretanto, um voto de confiança foi dado aos jogadores. O diretor esportivo dos - hoje - colistas (como são chamados os lanternas na Espanha), Antonio Fernández, já encarregou de dizer que esse plantel é extremamente competente e deve sair da zona de rebaixamento tranquilamente.

Para isso, basta fugir das pressões por grandes resultados e vencer os confrontos diretos (não é tão difícil, até porque receberá Zaragoza, Gijón e Almería em La Rosaleda). Com isso, é possível se estabelecer no meio da tabela, logo abaixo dos times grandes e médios. Se isso acontecer, o primeiro capítulo dessa versão futebolística do retorno árabe ao sul da Espanha terá sucesso. Aí, ficará a expectativa por quais passos Al Thani tentará dar em seguida. Se ficará satisfeito com seu time médio ou tentará uma reconquista de todo o país.