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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Abalando

Em sua segunda temporada à frente do Málaga, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu tirar as mãos dos bolsos. Projeto de transformar o Málaga em potência espanhola dará certo? (futbol_español)

Quando fechou oficialmente por 4 milhões de euros junto ao Hamburgo, da Alemanha, a compra de Ruud van Nistelrooy, o sheikh Abdullah Al Thani, proprietário do Málaga desde julho de 2010, começava para valer um processo definido por ele de "Euro Málaga". Na temporada passada, fez algumas contratações cirúrgicas, e resolveu apostar em uma base que terminou a temporada 2009/2010 em alta. Porém, a equipe não resistiu ao primeiro semestre infernal e o Al-Thani não teve outra opção a não ser reforçar seu elenco. Contratou o técnico Manuel Pellegrini, o zagueiro Demichelis e o meia-atacante Julio Baptista para salvar o clube do rebaixamento. Objetivo nº 1 conquistado, é momento de ir mais fundo para chegar à parte de cima da tabela.

No primeiro dia de venda de carnês para a temporada 2011/2012, 13.400 torcedores já garantiram um lugar em todos os jogos no La Rosaleda. O segundo lote de carnês também fora esgotados rapidamente e, para o terceiro lote, já há 500 pessoas na lista de espera. Mais da metade dos 26 mil lugares disponíveis no estádio (conta que exclui a cota obrigatória dos visitantes). É esse o tamanho da empolgação da torcida malaguenha com as perspectivas dos boquerones para o futuro imediato. Além disso, o número de seguidores do twitter do clube da Andaluzia subiu altamente em relação à temporada passada. Hoje, 55 mil pessoas seguem o clube boquerón na rede virtual.

Segundo dados do Transfermarket, até o presente momento desta janela de transferências, a sociedade boquerona é a que mais gastou com contratações em toda a Europa. Já foram gastos em torno de 60 milhões de euros, uma quantia absurda se levada em consideração o dinheiro gasto na última temporada antes da chegada de Al Thani à presidência do clube: em 2009/2010, ainda com Fernando Sánz, foram apenas 4 milhões de euros gastos no mercado veraneio. O fair-play financeiro não deve ser problema. Hoje em dia, o Málaga é um dos times que mais tem lucrado no futebol espanhol com a venda de ingressos e o número de sócios. Vale lembrar que o clube pagou para jogar com uniformes da Nike nesta temporada. Sim, Al Thani não aceitou ofertas de nenhuma fornecedora menor e comprou um conjunto de uniformes da empresa norte-americana para vestir seus atletas. Para completar, ainda pagou para estampar o logo da Unesco (como mostrado na foto que abre o este texto) no manto, como o Barcelona faz com a Unicef durante anos.

A euforia do sheikh é tão grande que já há planos para a construção de um novo estádio. Em 2010, assim que a Espanha anunciou a candidatura ibérica, junto com Portugal, para sede da Copa do Mundo de 2018, Al Thani ficou interessado e lançou um projeto para um novo estádio do Málaga. Mas mesmo após a derrota para a Rússia, que sediará o torneio, o qatari não abandonou a ideia de ter um moderno caldeirão, com capacidade para 65 mil pessoas. Inicialmente, o projeto "imitaria" o Santiago Bernabéu, que tem espaço para cerca de 80 mil torcedores, mas Al Thani resolveu contactar um dos arquitetos responsáveis pelos novos estádios da Copa do Mundo do Qatar, em 2022, em busca de algo inovador. O chamado "Qatar Stadium" tem um orçamento que gira em torno de 200 milhões de euros, mas segundo o Sur (jornal da Andaluzia), o valor pode aumentar ainda mais. Al Thani também adquiriu uma área próximo ao local onde ficará o estádio para construir a "cidade esportiva do Málaga", um complexo de 120 mil metros quadrados. Na ocasião, o proprietário se mostrou empolgado com o projeto.

O staff do clube também é preocupação para o qatariano. Internamente, houve uma troca geral na diretoria do clube. A contratação mais comentada foi a de Fernando Hierro, novo representante de relações instituicionais do Málaga. Ex-diretor esportivo da seleção espanhola, Hierro ficará responsável por representar o clube em eventos oficiais. Manuel Pellegrini, técnico da equipe, por sua vez, já assinou seu vínculo por mais quatro anos, um prêmio após ter livrado a equipe do rebaixamento na temporada passada.

Os blanquiazules ainda têm o mérito de terem evitado gastos nesta temporada, por mais que os números possam parecer dizer o contrário, adicionando qualidade ao plantel, sem que o elenco fosse necessariamente ampliado. Entre os jogadores que estavam fora dos planos de Pellegrini, o Málaga conseguiu negociar Mtiliga, Javi López e Xavi Torres. O bom Quincy, um dos destaque da equipe no primeiro turno, ficou sem espaços após a chegada em demasia de jogadores para o meio-campo e acabou rumando para o Panathinaikos. Só para esse setor foram contratados Toulalan, Joaquín, Isco Román e, por último, Cazorla, a contratação mais cara da história do clube (20 milhões de euros).

Entretanto, há um problema para fechar oficialmente a contratação do promissor Isco. O Valencia, clube que tinha os direitos federativos do jogador, reclama que o Málaga ainda não pagou os 6 milhões de euros da multa rescisória e até ameaça levar o caso à justiça. A pergunta que não quer calar é por que o Valencia ainda não viu um único euro da transferência, se logo após os boquerones pagaram uma enorme quantia pelo meio-campista do Villarreal. Se for levado a sério a denúncia do clube ché, o Málaga não teria como inscrever Cazorla nas competições da LFP. Em contrapartida, sentido-se humilhado, Al Thani decidiu por romper as relações que tinha com Manuel Llorente, presidente do Valencia, e ainda provocou dizendo que "o Valencia está assim porque nós conseguimos levar o tão querido canterano".

Adepto ao 4-2-3-1, Pellegrini terá "problemas" para escalar a equipe na nova temporada. Com muitos jogadores de bom valor no meio-campo, disputas para o time titular estão em aberto. Nas coletivas da pré-temporada, o chileno tem procurado dizer que não há nada em mente para a estreia na Liga - que ironicamente será contra o Barcelona. Nem mesmo Júlio Baptista, grande herói na temporada passada, está com a sua vaga cravada na equipe titular, mesmo após, ao término de 2010/2011, Pellegrini ter dito que seria eternamente grato ao brasileiro. Rondón, artilheiro da equipe na Liga passada, irá disputar uma vaga no ataque com van Nistelrooy, que vem se destacando na pré-temporada.

O elenco já está fechado; as interrogações, abertas. Mesmo com a contratação de Cazorla, que deve jogar mais centralizado na linha de três para armar as jogadas da equipe, em tese ainda falta um fantasista. Pastore e Sneijder chegaram a serem especulado - Al Thani, segundo especulou a imprensa andaluza, poderia oferecer 40 milhões de euros pelo holandês -, mas os clubes não chegaram a um consenso. O plantel está fechado e as contratações tão pedidas pelos aficionados foram conretizadas. O futuro é bastante promissor e, primeiramente, uma vaga na Liga Europa é a primeira coisa para se cavar na próxima temporada. Se o sheikh tiver disposição para investir por muitos anos, o Málaga dificilmente vai virar uma bolha e explodir durante sua gestão. No entanto, todo o clube, a começar pelo proprietário, precisa saber que é preciso ações planejadas, e não impulsivas, para ter sucesso em campo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Balanço Final: Málaga

La Bestia! Júlio Baptista chegou prometendo gols e cumpriu: o Málaga se salvou do rebaixamento muito por causa do brasileiro (e de Rondón) (getty images)

Campanha: 11ª posição. 38 jogos, 13 vitórias, 7 empates, 18 derrotas. 54 gols pró e 68 gols contra.
Competição europeia: Não participou
Copa del Rey: Eliminado nas oitavas-de-finais para o Sevilla
Time-base: Caballero; Gámez, Demichelis, Weligton, Eliseu; Apoño, Recio, Duda, Júlio Baptista; Seba Fernández, Rondón.
Os artilheiros: Rondón (14 gols), Júlio Baptista (9) e Sebá Fernández (7).
O técnico: Jesualdo Ferreira, até a 8ª rodada; Manuel Pellegrini, a partir da 10ª rodada.
Os destaques: Júlio Batista e Rondón
A decepção: Maresca

Em mais da metade das rodadas, o Málaga esteve na zona de rebaixamento. Aliás, o time andaluz era penúltimo na 31ª rodada. Ainda assim, terminou em 11º, a apenas três pontos do Espanyol, que na mesma 31ª rodada brigava por um lugar na Liga Europa. Isso já mostra a impressionante reação dos malaguenhos. Uma reação liderada por Julio Baptista, que saiu do banco de reservas da Roma para marcar 9 gols em 11 partidas em seu retorno à Espanha. Claro, tal recuperação (série de seis vitórias em oito jogos) foi bancada pelo xeique catariano que comprou o clube e fez as contratações necessárias para escapar da segundona. Agora, a segunda parte do plano entrará em ação, que é levar a La Rosaleda jogadores de mais peso para transformar o Málaga em uma força nacional.

Ao começar a próxima temporada na primeira divisão, o Málaga saberá que deve muito a Júlio Baptista. O brasileiro foi um dos reforços providenciados pelos novos donos do clube em janeiro, quando a ameaça de descenso era forte, mas a princípio pareceu um tiro pela culatra. Lesionado em fevereiro, teve de passar por uma cirurgia e só retornou dois meses depois. De volta, acabou salvando quase sozinho os andaluzes, que venceram cinco jogos seguidos entre as rodadas 32 e 36, com nada menos que sete gols de Baptista. Isso sem esquecer de Rondón: foram 14 gols e três assistências.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Inexplicável

Após um péssimo primeiro turno, o sheikh Abdullah Al Thani resolveu abrir o bolso. Mas a situação só piorou, com a equipe entrando na zona de rebaixamento e assumindo a lanterna (getty images)

Nas aulas de história, sempre se ouve falar que o Emirado de Granada era fortemente comandado por árabes, incluindo a capital Ghanarnatah e o importante porto de Malaqah. Mas faltava uma região, ao sul de Al-Andalus. Apenas entre as décadas de 1480 e 1490 que os espanhóis completaram a reconquista de toda a península. A cidade portuária caiu em 1487. Levou mais cinco anos para a capital moura ceder definitivamente. Mais de 500 anos depois, os árabes voltaram à região. Ela não se chama mais Al-Andalus, e sim Andaluzia. O Emirado de Granada é mais lembrado pelas joias artísticas e arquitetônicas que deixou como legado. Malaqah já teve o nome latinizado para Málaga, e seu porto não provoca mais tanto interesse. A cidade foi berço de artistas como Pablo Picasso e Antonio Banderas, mas o que chama a atenção dos neomouros é o futebol.

A mentalidade revolucionária do conterrâneo está, desde junho de 2010, de volta à região. Quando a atual temporada se iniciava, o sheikh Abdullah Al Thani anunciou o processo definitivo de compra do Málaga, após comprar as ações do clube de Fernando Sanz. Foi o primeiro caso de time de futebol da Espanha a pertencer a um árabe. A partir daí, cresceu as expectativas para ver como seria o mercado blanquiazul. No verão, porém, a cúpula foi ao mercado, mas não trouxe nenhum grande nome. Das onze contratações feitas, apenas três deram certo e acabaram tornando-se os destaques da equipe até o momento. O português Eliseu, artilheiro da equipe; o venezuelano Rondón, ponto de equilíbrio; e o ganês Quincy Owusu-Abeyie, extremo direito sempre elogiado por jogar em velocidade pelos flancos.

O jeito foi abrir o bolso. O técnico português Jesualdo Ferreia, contratado devido a seu bom trabalho com orçamento limitado no Porto, foi demitido em novembro. Em seu lugar foi contratado Manuel Pellegrini. A movimentação no mercado de inverno também é intensa: já foram contratados Demichelis (ex-Bayern e seleção argentina), Júlio Baptista (que chegou com ares de ídolo da torcida, provavelmente se baseando no desempenho do brasileiro no também andaluz Sevilla), Asenjo (promissor goleiro que perdeu espaço no Atlético de Madrid com a ascensão de de Gea), Camacho (jovem volante formado no Atlético de Madrid) e Maresca. Um goleiro, um zagueiro, um volante, um meia e um atacante. Ou seja, uma nova base.

Porém, já se passou um turno do Campeonato Espanhol e o Málaga não fez nada que desse grandes alegrias a seu novo dono. Mesmo com todos suas contratações à disposição, os blanquiazules têm uma campanha medíocre, com apenas 17 pontos em 21 partidas. E, acreditem: o time, que antes de seus investimentos era o décimo sexto colocado, hoje é o lanterna da competição.

O que acontece, no fim das contas e com tantas mudanças, é que não se constrói continuidade. O ambiente atribulado, de pura impaciência e busca por resultados positivos, que impera dentro do clube faz com que Pelegrinni pouco insista nos mesmos jogadores. Entretanto, um voto de confiança foi dado aos jogadores. O diretor esportivo dos - hoje - colistas (como são chamados os lanternas na Espanha), Antonio Fernández, já encarregou de dizer que esse plantel é extremamente competente e deve sair da zona de rebaixamento tranquilamente.

Para isso, basta fugir das pressões por grandes resultados e vencer os confrontos diretos (não é tão difícil, até porque receberá Zaragoza, Gijón e Almería em La Rosaleda). Com isso, é possível se estabelecer no meio da tabela, logo abaixo dos times grandes e médios. Se isso acontecer, o primeiro capítulo dessa versão futebolística do retorno árabe ao sul da Espanha terá sucesso. Aí, ficará a expectativa por quais passos Al Thani tentará dar em seguida. Se ficará satisfeito com seu time médio ou tentará uma reconquista de todo o país.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Análise do primeiro turno: Málaga

O sheik Abdullah Al Thani pretendia transformar o Málaga na terceira força do futebol Espanhol, mas o time ainda não andou (reuters)


Campanha
18ª posição. 16 jogos, 13 pontos. 4 vitórias, 1 empate, 11 derrotas. 20 gols pró, 35 gols contra.

Técnico
Jesualdo Ferreira, até a nona rodada; Manuel Pellegrini, a partir da décima primeira rodada. O sheik Abdullah Al Thani comprou o time no início da temporada e, até hoje, pretendia transformar o Málaga em terceira força do futebol espanhol. Com isso, anunciou o português Jesualdo Ferreira para treinar os blanquiazules. Jesualdo, porém, não conseguiu liderar o time que mais se reforçou no mercado e não conseguiu implantar aos boquerones o padrão de jogo necessário para que o desejo de Al Thani tornasse realidade. Com apenas duas vitórias em nove jogos, Ferreira não durou muito tempo no cargo técnico dos boquerones e foi demitido. A cúpula andaluza foi rápida e, horas depois da demissão do português, anunciou o nome de Pellegrini, que já havia feito um ótimo trabalho no Villarreal e um bom trabalho no Real Madrid, onde foi o técnico com maior pontuação em uma única temporada na história do clube merengue. Em oito jogos, porém, Pellegrini só conseguiu duas vitórias e vem de seis derrotas consecutivas. Entretanto, Pellegrini avisou que só começará a trabalhar de "verdade" a partir de janeiro, quando já pediu muitos reforços - principalmente para a defesa - para o time, que promete ser promissor.

Destaque
Quincy Owusu-Abeyie. O jogador, que procedeu do Al Sadd, adaptou-se rapidamente ao esquema utilizado pelos dois técnico. Um extremo direito que se destaca pela velocidade e inteligência. Disputou todas as 16 partidas do Málaga na competição, onde apenas foi reserva em somente duas delas. Se tiver mais companheiros de boa qualidade no meio-campo, pode se tornar mais peça-chave ainda deste Málaga. Rondón também vem se destacando no ataque: após dois meses fora por lesão, voltou para ser o artilheiro da equipe no campeonato, com cinco gols. Apoño era o grande distribuidor da equipe, com uma média de 65% de acertos. Porém, se lesionou e só volta em fevereiro, o que mostra como o Málaga perdeu um pouco do ímpeto com a lesão do meio-campista.

Decepção
A defesa. Com trinta e cinco gols contra, a defesa é a menos vazada da competição. Ponto mais temerário do Sheik e, principalmente, de Pellegrini, que já pediu muitos reforços para o setor. Demichelis, do Bayern de Munich, já chegou com um empréstimo com direito de compra e Asenjo, para o gol, e Camacho estão próximos. Duda, destaque na temporada passada, ainda não encontrou o futebol que o fez ganhar destaque e pouco produziu neste primeiro semestre de Liga.

Perspectiva
Livra-se do rebaixamento e ir mais longe na Copa del Rey. A segunda ficou mais complicada, com a derrota para o atual campeão, Sevilla, por 5 a 3, quando tinha a partida nas mãos - vencia por 3 a 2. Quando Al Thani comprou o time, no início do semestre, parecia que as coisas melhorariam - vale lembrar que o time se salvou do rebaixamento na última rodada da temporada passada, com um empate ante o Real Madrid por 1 a 1 -, mas não foi o que aconteceu. O time tem a defesa mais vazada e o time que mais perdeu. Com os reforços chegando, espera-se que o time salva-se novamente do rebaixamento e que chegue em uma competição europeia, menos provável.