quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

José Mourinho e os casos de nacionalismo exacerbados

José Mourinho provoca. Dessa vez ele não teve culpa (reuters)

Com as festas de final de ano se aproximando, a Liga BBVA dá uma pausa e entra num recesso de duas semanas. A próxima rodada a ser disputada é apenas no dia 8 de janeiro - nos dias 4 a 5 serão disputados os jogos da Copa do Rei. Para que as atividades do Quatro Tiempos não pare, nada mais justo do que relembrar uma das polêmicas da temporada 2011/2012. E, obviamente, ela não poderia vir de outra pessoa a não ser José Mourinho.

Após a vitória do Real Madrid ante o Espanyol, na 6ª rodada, um repórter que cobria o clube périco fez uma pergunta em catalão para José Mourinho. O técnico pediu para responder em espanhol. Até aí, tudo tranquilo. Até um jornalista estrangeiro fazer uma pergunta em inglês e ter uma resposta em inglês. Pronto: indignação entre os catalães. Por que os ingleses recebem resposta em seu idioma e os catalães não?

José Mourinho adora criar picuinha, adora transformar coisas minúsculas em acidentes diplomáticos irreversíveis. Mas, nesse caso, fica a sensação de que a imprensa quis criar um problema que não existia. Com a solidificação de alguns líderes políticos catalães e a crescente rivalidade entre Barcelona e Real Madrid, a Catalunha começa a viver um clima em que abraçar o catalanismo se torna obrigação. Durante décadas, manter a língua catalã era uma maneira de resistir à dominação castelhana e manter a identidade regional. A cada vitória blaugrana em um superclássico, o povo se enche de orgulho e se sente superior à capital. É como se, exagerando, o Futbol Club Barcelona fosse o motor e o coração de toda uma região. É com ele que, a cada título, os catalães se sentem independentes e o centro do mundo passa a ser a Catalunha, pacificamente a praça de Sant Jordi.

Jovens pró-independência: os "caras-pintadas" da Catalunha (reprodução)

Um processo valioso. Mas, agora, há momentos em que se extrapola. Passa a haver uma exigência de expor isso a todo momento, como se fosse mostrar a força catalã diante do resto do país. Os catalões, que até hoje brigam por uma independência, se consideram uma nação dentro de outra. Possuem uma cultura diferenciada, língua própria e soberania política. O idioma catalão é uma mescla do castelhano com o francês. Mas eles também falam espanhol com o turista. O barcelonense típico não gosta de ser chamado de espanhol. É catalão e ponto final. A própria Polícia Nacional espanhola, em processo gradual, se retirou do território catalão, cedendo lugar aos Mossos d’Escuadra, peculiaríssima designação da polícia local, fundada no nome de uma milícia catalã de dois séculos atrás. Para muitos catalães, porém, esse grau de autonomia parece muito pouco. Em tudo e por tudo, quando se trata da Catalunha se fala em “nação” ou de algo “nacional”. Há em Barcelona um Museu Nacional da Arte Catalã, e um Museu Nacional da História da Catalunha

Esse tema, complicado, já chegou à seleção espanhola. Em uma coletiva, há pouco mais de um ano, a imprensa catalã pediu para Piqué dar uma resposta em catalão. O zagueiro concordou, mas diplomaticamente perguntou se ele próprio se encarregaria de fazer a tradução para o espanhol. Sergio Ramos, que também participava da entrevista, se irritou com a atitude do jornalista e sugeriu ao colega de defesa a traduzir para o andaluz. Nenhum jornalista basco, andaluz, valenciano ou galego fez pergunta na língua de sua região.

Até quem não é catalão já sofreu com isso. Em 2006, quando defendia o Barcelona, Eto’o não entendeu uma pergunta feita em catalão. Foi repreendido pela direção do clube, que disse que providenciaria aulas para o atacante (que aprendeu espanhol quando defendeu o Real Madrid, ainda adolescente). Durante os Jogos Olímpicos de 2008, Rafael Nadal também não compreendeu uma pergunta feita em catalão. Um líder político nacionalista o acusou de não ter consideração com a Catalunha e os jornalistas catalães. Detalhe: o tenista nasceu nas Ilhas Baleares, onde o catalão também é idioma oficial, mas menos difundido que na Catalunha, e só se mudou para Barcelona aos 14 anos. Se Eto’o e Nadal foram morar na Catalunha quando já eram fluentes em espanhol, é cabível que não tenham precisado aprender a língua regional.

A relação dos catalães com a seleção espanhola é dúbia. A maior parte da região torceu pela Fúria na Copa de 2010, mas demonstrar isso poderia levar à discriminação. Por isso, muitos ficaram quietos, ou comemoraram o título com comedimento. Os jogadores catalães da seleção têm de lidar com essas pressões a todo momento. Afirmam e reafirmam o comprometimento com a Espanha, ao mesmo tempo em que afirmam e reafirmam o apego ao catalanismo. Josep Guardiola é o maior exemplo disso. Entusiasta da região espanhola, defendia a criação de uma seleção nacional de futebol catalã, além de fazer questão de comemorar diversos títulos enrolado em uma bandeira da Catalunha.

No geral, o grupo de Vicente Del Bosque mostra um grande desprendimento e compreensão de como é preciso agir com inteligência para aproveitar o momento. Os catalães Xavi, Busquets, Fàbregas, Valdés, Piqué e Puyol formam a melhor seleção nacional dos últimos anos quando se juntam a Xabi Alonso (basco), Javi Martínez (navarro), Casillas (castelhano), Iniesta (manchego), Sergio Ramos (andaluz), David Silva (canário) e David Villa (asturiano). E só passando por cima dos atritos Barça x Madrid criados por Mourinho ou do nacionalismo incitado por parte da imprensa catalã para isso.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Copa envenenada

Autor de um doblete, Pablo Infante foi o responsável pela queda de Garrido no Villarreal (AS)

Lembram dos três treinadores que estavam com suas batatas quase explodindo? Pois bem, uma delas explodiu, por fim. Juan Carlos Garrido não aguentou a mais um vexame do Villarreal e acabou demitido do comando técnico dos amarillos. A derrota no El Madrigal na noite desta quarta talvez foi uma das mais vergonhosas da história do clube da Comunidade Valenciana: 2 a 0 para o pequeno Mirandés, da Segunda Divisão B (referente a, aqui no Brasil, terceira divisão). Garrido sai pelas portas do fundo devido à péssima temporada que o Villarreal faz até o momento, mas seria oportunismo esquecer dos belos trabalhos de outrora. Auxíliar técnico de Ernesto Valverde em 2009/2010, chegou à equipe A após levar o Villarreal B a um acesso histórico: a Liga Adelante, onde a filial milita até hoje.

Curiosa e ironicamente, Garrido chegou ao comando da equipe principal da mesma situação com a qual o Submarino Amarelo vive hoje. Há duas temporada, após um primeiro turno decepcionante, quando chegou a ficar na lanterna por três rodadas, a diretoria resolveu demitir Valverde e apostar em Garrido. Deu certo: o Villarreal fez um segundo turno excelente e, da 20ª colocação, terminou em sétimo, copando uma vaga na Liga Europa. Em 2010/2011, foi responsável por fazer dos amarillos uma equipe com um dos futebol mais bonito da Espanha, lembrando em certas ocasiões o Barcelona. Jogando com muita intensidade, com a bola nos pés e prezando pela posse de bola, terminou a temporada na quarta colocação, o que deu direito a voltar à Champions League após três temporadas, e caiu na Liga Europa para o futuro campeão Porto na semifinal.

O treinador, obviamente, também tem parcelas de culpa pelo momento negro que vive o Villarreal. Não conseguiu, em momento algum da temporada, achar um padrão de jogo semelhante ao da temporada passada e alternativas a Cazorla, homem do meio-campo na temporada passada. Improvisou De Guzmán na posição de Santi, mas foi um desastre. Tentou apostar em Hernán Pérez, mas o jovem não tem metade da qualidade do ex-amarillo. Em alguns pontos, acabou sendo vítima. O DM desta temporada está lotado: mais de treze jogadores do elenco sofreram e/ou sofrem com as lesões. Rossi e Nilmar, os pilares, só jogaram três partidas juntos nesta temporada. O ítalo-americano, vale lembrar, não volta mais em 2011/2012.

Agora, a diretoria corre atrás pelo substituto. Evitar uma tragédia, já que o rebaixamento é provável, é a missão. Um treinador que conheça bem a Liga Espanhola, para que não tenha perca tempo com adaptação, é o objetivo. A situação é preocupante. Luis Aragonés seria o preferido dos diretores, ainda mais agora que o Atlético de Madrid deve acertar com Simeone. Míchel e Víctor Fernández, diretores esportivos amarillos, correm contra o tempo para começar os contatos com o treinador. Em sua despedida, Garrido não mostrou-se magoado com o presidente Fernando Roig. Pelo contrário. "Disse pare ele que entendo sua decisão. Já esperava isso. Fazemos uma temporada ruim e a única coisa que eu tenho a fazer é agradecer a esse maravilhoso clube. Peço desculpas pela forma desastrosa e vergonhosa com a qual caímos na Copa", disse. O treinador aproveitou para dizer que não crê que os jogadores forçaram sua demissão. "Não creio nisso. Eu tinha o grupo na mão, todos éramos muitos amigos. Após o jogo, estavam todos tocados nos vestiários", finalizou.

As outras zebras
Viva a Copa! Fortes emoções reservaram os jogos desta quarta na competição espanhola. Além do Villarreal, Atlético de Madrid, Zaragoza e Bétis deixaram precocemente a competição. Justamente as equipes com os treinador com o alarme disparando. Gregorio Manzano deve seguir Garrido e ser demitido no Atléti. Os rojiblancos decepcionaram e perderam para o Albacete por 1 a 0. Especularam o brasileiro Felipão como substituto, mas talvez o nome mais certo é de Simeone, que já teve passagem pelo clube de Manzanares. Javier Aguirre, por sua vez, faz uma temporada desastrosa, mas tem o apoio dos aficionados. Para eles, o principal responsável pela fase negra do Zaragoza é Agapito Inglesias, presidente maño. O futuro do mexicano, entretanto, é uma incógnita. Os blancos foram eliminados pelo Alcorcón, que havia chamado a atenção do mundo futebolístico ao eliminar o Real Madrid na Copa 2009/2010 com direito a poker.

O Bétis de Pepe Mel foi a outra equipe danificada pelas zebras na noite copera. A eliminação, entretanto, não parece que será tão dramática nos arredores do Benito Villamarín. Mel quer seus jogadores centrados na Liga, onde a equipe está no meio da tabela. Fica o registro que, na temporada passada, os verdiblancos caíram de cabeça erguida ao ser eliminado pelo vice-campeão Barcelona, derrotando-o na Andaluzia por 3 a 1.

Veja os resultados dos jogos da volta da fase 16 avos da Copa del Rey
Atlético de Madrid 0-1 Albacete (1-2)
Athletic Bilbao 1-0 Oviedo (1-0)
Real Madrid 5-1 Ponferradina (2-0)
Villarreal 0-2 Mirandés (1-1)
Levante 4-1 Deportivo (1-3)
Osasuna 1-1 Almería (3-1)
Espanyol 4-2 Celta Vigo (0-0)
Bétis 1-2 Córdoba (0-1)
Sporting Gijón 0-2 Mallorca (1-0)
Rayo Vallecano 4-3 Racing Santander (2-3)
Málaga 2-2 Getafe (1-0)
Granada 2-1 Real Sociedad (1-4)
Sevilla 2-1 San Roque (1-0)

*Em negrito, todos os classificados
** Entre parênteses, os resultados dos jogos de ida
***Hoje, mais dois jogos encerram esta fase: Valencia-Cádiz e Barcelona-L'Hospitalet. No Mestalla, qualquer empate com gols classifica os amarillos, já que o jogo da ida foi um empate por 0 a 0. No Camp Nou, o Barcelona repleto de canteranos vai mais tranquilo: venceu na ida por 1 a 0.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

É para titular

"Ei, vocês aí, fãs de Kaká e Özil: o titular agora sou eu, beleza?" (getty images)

2011 termina com uma surpresa no onze inicial do Real Madrid. Se a temporada arrancou com o debate entre Özil, Kaká e Di María para formar o tridente ofensivo com Cristiano Ronaldo na linha de três, um jogador foi comendo pelas beiradas. Callejón aproveitou muito bem suas chances na equipe titular e hoje já podemos afirmar que ele é titular. O canterano conseguiu algo que parecia bastante improvável: colocar o turco-alemão e o brasileiro como opções apenas para o segundo tempo.

Nem Özil e muito menos Kaká. O titular é Callejón. Na vitória contra a Ponferradina, voltou a se destacar, marcando dois gols. Menção honrosa a Özil, que também fez boa partida e deu uma assistência para Callejón marcar. Hoje, o camisa 21 sai para o recesso do final de ano com uma sensação muito boa. Ganhou pontos com Mourinho, tem a confiança do chefão e ajuda muito o Real Madrid dentro de campo. Além disso, o encaixe de Callejón ao lado de Di María e Cristiano Ronaldo não tirou o brilho de Di María, melhor merengue na temporada. O jogo contra o Sevilla, no último sábado, é um exemplo. Deslocado para a faixa central do campo, o argentino comandou as ações e deu duas assistências maravilhosas para Cristiano Ronaldo e o espanhol marcarem.

Para Mourinho, Callejón representa o melhor exemplo de jogador com o qual gosta de trabalhar: competente, que mostra muita disposição e entrega para ganhar uma vaga dentre os onze iniciais. O técnico de Setúbal, apesar de negar, tem Özil como seu xodó e, por que não, está decepcionado com o alemão justamente por não mostrar essa garra, vontade que o canterano demonstra. Hoje, Callejón é titular por méritos próprios. Sua vontade de triunfar no clube onde foi revelado é grande. A titularidade é uma recompensa de Mourinho. O jogador de 24 anos atravessa uma fase que impressiona. Para se ter uma noção, é o Pichichi do elenco madridista na Copa del Rey (3 gols), e da Champions, junto com Benzema (4 gols). Tudo isso graças a uma espetacular racha de seis gols nas últimas quatro partidas que disputou - Ponferradina (2), Sevilla e Ajax -, mais os dois que anotou contra o Dínamo Zagreb.

Mourinho vê em Callejón uma espécie de talismã, à Pedro no Barcelona. O surgimento de um canterano com desejo de triunfar e competir com grandes estrelas do plantel blanco. Um garoto formado nas canteras que está exercendo muito bem seu papel, e um rendimento num alto nível. Os aficionados, bastante difíceis de serem conquistados, já confiam em Callejón. Há um mês, foi protagonista por uma imagem na qual Mourinho subia em cima de suas costas para celebrar um gol contra o Valencia. Atualmente, é protagonista porque marca gols importantes. De caballito de Mourinho a jogador ideal do português. Mesmo tornando-se titular apenas nos últimos dois jogos, é o quarto artilheiro da equipe, atrás de Cristiano Ronaldo, Benzema e Di María.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

17ª rodada: Freguesia

Jesus Navas passeou sobre Marcelo em 2009. No final de semana, o brasileiro o anulou em vários momentos da partida (getty images)

Sevilla 2x6 Real Madrid
Há algumas temporadas, o Sevilla ficou marcado por ser uma pedra no sapato do Real Madrid. Atualmente, os sevilistas têm sofrido. No duelo do último sábado, mais uma vitória acachapante dos merengues, repetindo o resultado do confronto da temporada passada. Cristiano Ronaldo, criticado após o superclássico, marcou um hat-trick e distanciou-se de Messi. Após o jogo, desabafou, criticando que o criticou. Di María segue em fase especial. Autor de duas mágicas assistências, deixou o seu e provou mais uma vez ser o principal condutor do Real Madrid na temporada. A ausência de Özil no meio já não é mais tão sentida devido à excelente fase do argentino.

Sporting Gijón 1x2 Espanyol

Num jogo bem movimentado, a vitória do Espanyol ratificou o bom momento vivido pelos péricos. Os nove pontos conquistados nas últimas nove partidas dão uma injeção de ânimo e moral a uma equipe que começou a temporada sob dúvidas. Pochettino, com um elenco alterado em relação àquela da temporada passada, vai achando em definitivo um padrão de jogo à sua equipe. No 4-2-3-1, o menino Thievy, extremo direito, vai se consolidando como uma das maiores promessas blanquiazules nas últimas temporadas. Nas Astúrias, marcou seu - merecido - primeiro gol como profissional. O Sporting Gijón, por sua vez, vira o ano na zona de rebaixamento e as possibilidades de rebaixamento, ao contrário dos últimos anos, são enormes.

Mallorca 1x2 Getafe
O fria que assola Palma de Mallorca foi diametralmente oposto ao jogo no vazio Ono Estadi. O responsável por aquecer a partida foi Abdel Barrada, jovem marroquino responsável pela vitória azulona. Autor de um doblete, foi o melhor em campo e ganhou pontos com Luis García, que resolveu apostá-lo na equipe titular pela primeira vez na temporada. O Mallorca, como destacou Caparrós após o jogo, relaxou após o tento inicial, de Ramis. Depois, principalmente após o gol de empate, viu-se pressionado pelo Getafe e, sem poder de reação, desperdiçou três pontos. Moyá, na segunda etapa, não trabalhou. Foi a primeira vitória do Getafe fora do Coliseum Alfonso Pérez após exatos um ano.

Athletic Bilbao 2x1 Zaragoza

Toquero marcou nos minutos finais, mas o principal nome do jogo foi o árbitro Pérez Monteiro. O colegiado andaluz teve uma atuação bastante controversa, marcada pelo pênalti duvidoso assinalado de Javi Martínez em Postiga, que Ponzio converteu. Para completar a sessão de erros, ainda expulsou o volante improvisado de zagueiro, que, nos vários replays da televisão espanhola, parece ter atingido a bola (ver foto). Na coletiva, Bielsa preferiu não comentar o lance, e destacou a boa partida do Athletic Bilbao. Mais uma vez, De Marcos se destacou. Em grande momento, foi o homem da partida, sendo responsável pela assistência privilegiosa para Toquero marcar e definir a difícil vitória basca. Apesar do placar, o Zaragoza não fez muito para perder apenas de um. A má pontaria rojiblanca e as defesas de Roberto garantiram que o Zaragoza não saísse da Catedral goleado. Lanterna, Aguirre balança.

Atlético de Madrid 0x2 Bétis
Tá cada vez mais complicada a situação de Gregório Manzano no Atlético de Madrid. O treinador coleciona erros e parece disposto a não se ajudar. Logo após o gol de Pozuelo, quando o Atléti necessitava reagir e remontar, Manzano se perdeu e, praticamente, preparou sua cova. Em um ato louco e surpreendente, sacou Arda Turan, melhor rojiblanco na temporada, e Diego, que vinha fazendo uma boa partida, para colocar Salvio e Koke. Os colchoneros, que já o xingavam de tudo que é nome, só faltaram invadir o campo. No momento que Messi sentenciava o Santos e o bi-mundial do Barcelona, um outro sul-americano marcava um gol importante: Roque Santa Cruz voltou a aparecer e definiu a vitória verdiblanca, que saiu da zona de rebaixamento e aliviou a pressão exercida em Pepe Mel.

Granada 2x1 Levante
2011 foi um ano mágico para Los Carménes e os aficionados granadense. O povo da província homônima voltou a sentir um gostinho das grandes tardes de futebol na primeira divisão espanhola, 66 anos depois. Reapareceu na elite com firmeza e merecimento. O mês de dezembro e a vitória bastante comemorada sobre o Levante deixou claro que os filipinos voltaram para continuar. Num primeiro tempo absoluto, construiu a vitória, com Siqueira e Abel Gómez. A derrota na Andaluzia começa a questionar a força do Levante, que, por ora, permanece na zona da LC. O bom futebol mostrado no início da temporada cai a cada jogo e o encanto parece ter acabado. Ainda assim, a pausa para as festas de final de ano pode ser uma boa para os comandados de Juan Ignácio Martínez, que, mesmo com a derrota, comemorou a rodada favorável.

Osasuna 2x1 Villarreal
Seguindo Gregorio Manzano, quem também está com sua situação cada mais vez mais complicada é Juan Carlos Garrido. A derrota no Reyno de Navarra deixa o treinador a um ponto da demissão e o Villarreal, da zona de rebaixamento. Enquanto o Submarino Amarelo naugrafa, o Osasuna vive um sonho. Com 25 pontos, ocupa a quinta colocação e sonha, por que não, com a volta à Champions League. É fato que, tomar 7 do Real Madrid e 8 do Barcelona, diminui o impacto rojillo, mas a campanha é boa e não se pode apagar. O grupo é ambicioso e se mostra infernal atuando em seus domínios. Os treinadores tiveram influências diretas no resultado: enquanto Garrido teve uma postura mais conservadora após o gol de Marco Rúben, Mendillibar mandou sua equipe para frente, variando do 4-2-3-1 para o 4-3-3, e ganhou a partida.

Valencia 2x0 Málaga
Não tem jeito, Del Bosque: Soldado tem ganhar chances na seleção espanhola. Três dias após a contusão de Villa, que não é preocupação para a Eurocopa, o atacante formado nas categorias de base do Real Madrid voltou a brilhar. Marcou dois gols importante para o Valencia, que vai cravando a terceira colocação. O Málaga saiu da zona de competições europeias pela primeira vez na temporada e fez uma boa partida. Entretanto, afundou após o segundo gol de Soldado, em jogada de Alba. O lateral esquerdo vive bom momento e, ao contrário do atacante, é nome certo da lista de Del Bosque, aparecendo até como titular, já que Capdevila não vive fase notável no Sporting de Lisboa. Dos ex-jogadores do Valencia que voltaram ao Mestalla, apenas Joaquin brilhou. Jogou com intensidade e deu trabalho a Mathieu, saindo de campo ovacionado. Isco Román, por sua vez, foi anulado por Miguel e saiu vaiado pelos chés.

*Barcelona 4-0 Rayo Vallecano foi antecipado devido à participação dos blaugranas no Mundial de Clubes

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Relação em crise

van Nistelrooy chegou como esperanças de gols, mas, convivendo com as lesões, passou a ser opção para o banco (getty images)

O sheikh Abdullah Al-Thani montou um projeto ambicioso a fim de colocar o Málaga entre os grandes espanhóis. As expectativas em torno do novo Málaga eram enormes antes da temporada começar e o plano era, além de ambicioso, promissor. Na janela de verão foram gastos mais de 50 milhões de euros, o que deixou os blanquiazules atrás apenas de Atlético de Madrid e PSG como os clubes europeus que mais gastaram. Hoje, com o primeiro semestre da temporada chegando ao fim, o sabor é amargo. Em 16 jogos, sete vitórias, três empates e 6 derrotas, totalizando 24 pontos. Com a derrota do último domingo para o Valencia, saiu da zona de competições europeias pela primeira vez: na sétima colocação, viu o Osasuna o ultrapassar após boa vitória contra o Villarreal.

Nos bastidores, o clima é de desconfortos. A maior delas, sem dúvidas, tem a ver diretamente com uma das contratações mais comemoradas pela torcida. van Nistelrooy tem tornado-se terceira opção para Pellegrini nos últimos jogos e, obviamente, não tem estado agradado. O melhor centroavante da primeira década do século XXI, segundo o IFFHS, ficou no banco de reservas nos últimos quatro jogos. Num jogo válido pela Copa do Rei, onde o treinador chileno escalou uma equipe mista, o holandês apareceu como titular, ratificando que, no momento, o seu lugar é o banco de reservas. Especula a imprensa espanhola que o atacante está indignado pelo fato de ter tornado-se reserva.

Nem com o novo esquema com dois atacantes Nistelrooy aparece como titular, o que o deve deixar mais furioso. Os focos estão apontados para Juanmi, grata revelação da Liga, de apenas 18 anos, e Rondón, novamente fazendo boa temporada. A fase negra do ex-merengue já deixa dúvidas quanto a sua renovação. A cada jogo, Pellegrini parece estar "decidido" a não contar com Nistelrooy. Seu contrato acaba em junho de 2012 e o objetivo do clube da Andaluzia, dizem, é buscar um novo nove. Duas razões são contra Nistelrooy: seu baixo rendimento, muito aquém do esperado, e seu distanciamento com o treinador. Há duas semanas, um dia antes da derrota para o Osasuna, adversário, por ora, direto na briga por Liga Europa, o Marca revelou que os dois tiveram uma forte discussão no treinamento. Fontes consultados pelo jornal da capital revelaram que o furo dado pelo periódico é verdadeiro.

Casualidade ou não, Pellegrini o deixou de fora da lista de convocados para o duelo ante os rojillos. Fora as três semanas em que esteve lesionado, foi a primeira vez que o holandês ficou de fora de uma partida na temporada estando apto. O descontentamento de van gol, alcunha dada à época na qual era jogador do Real Madrid, é grande. A origem desse tem a ver diretamente com o ex-clube na Espanha do jogador. Van Nistelrooy passou a frequentar o banco no duelo contra o Real Madrid, em que os blanquiazules perderam de 4 a 0. Naquele dia, quando Cristiano Ronaldo marcou três vezes, Nistelrooy ficou no banco os noventa minutos e, a partir daí, esfriou sua relação de cordialidade com o treinador.

Contra o Getafe, mostrou sua pior versão, sendo totalmente inócuo, o que deixa Pellegrini com mais razão para barrar da equipe titular. Juanmi está voando e Rondón se movimenta com contudência. Os números, sempre amigos do holandês, também não estão ao seu lado. Na temporada, foi titular em 13 de 16 jogos, um total de 782 minutos, e marcou apenas um gol, exatamente contra os azulones, mas numa partida da Liga (marcada pelo golaço de bicicleta de Julio Baptista). Falta muitos jogos ainda, mas, pelo jeito que está, o lugar de van Nistelrooy em 2012/2013 certamente não deve ser a Andaluzia.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O que Bielsa não vê

O Athletic Bilbao 2011/2012 vive de lampejos e ainda não embalou. Para Bielsa, não há motivos para mudanças (AP Photos)

Marcelo Bielsa chegou sob expectativas ao Athletic Bilbao. Cinco meses depois, o argentino vive uma fase inconstante nos bascos. Tenta passar um plano de jogo adequado à equipe, mas não consegue enxergar seus erros para fazer mudanças. A cada jogo na temporada, o Bielsa Team deixa dúvidas quanto à sua capacidade. Desperta elogios da mídia pelo seu jogo valente e uma proposta de jogo atraente, baseada no Barcelona. Mas não corresponde dentro de campo: os resultados são discretos. Isso abre um debate em torno de certas decisões de Bielsa. O rosariano vê coisas que seus comandados não conseguem exercer. Por outro lado, há determinadas ações que o mundo considera evidente, porém Bielsa não consegue enxergar.

Ontem, o Athletic encerrou sua participação na fase de grupos da Liga Europa. Com uma equipe repleta de reservas, perdeu para o PSG na França. Aceitável, até porque já estava classificado. Mas há cinco pontos que, por ora, deixa Bielsa cegamente, insistindo nesses erros.

1) A posição de Javi Martínez

Uma das maiores controversas de Bielsa, e que vem ganhando mais força a cada semana, é a posição em que Javi Martínez tem atuado nesta temporada. O melhor volante da Liga BBVA 2009/2010, o que valeu uma vaga no elenco campeão mundial na África do Sul, vem sendo improvisado inutilmente como zagueiro. Para Bielsa, está perfeito, enquanto muitos reprovam a utilização de Javi na linha defensiva. A cada coletiva, Bielsa insiste em cair em seu erro. "É o melhor jogador da equipe há várias partidas", disse há duas semanas. O jogador não tem falhado diretamente nas derrotas rojiblancas, mas é fato que transborda muita mais qualidade quando jogando em sua posição de origem. Iturraspe, que tem atuado na faixa onde Javi mais gosta, não tem comprometido também, mas é fato que o nível é outro.

2) Desacerto ofensivo
O jogo do Athletic Bilbao é baseado na posse de bola, na criação de jogadas pelo meio (isso explica o fato de Muniain ser o preferido de Bielsa) e nas jogadas aéreas. Entretanto, a conclusão das mesmas, o remate e a definição das jogadas é algo que, por ora, os rojiblancos têm pecado. A equipe gera ocasiões, maiores até que seus adversários, mas a efetividade tem sido zero. Parece, mesmo não sendo, uma equipe pequena que está voltando à elite. Sem a presença de Llorente, então, as oportunidades desperdiçadas são maiores. Mesmo que não esteja em boa fase, o centroavante é indispensável, pelo fato de não haver substituto para suas ausências no elenco. Mas para Bielsa o objetivo está cumprindo se, pelo menos, haver oportunidades de gols. Analisando: se o Athletic Bilbao perder, mas criar mais oportunidades que seu rival (o que, de fato, vem acontecendo), o argentino está "satisfeito".

3) Sem Llorente não há gol
A ausência do 9, que ficou de fora das últimas três partidas, por desconfortos musculares, minimizou o poder ofensivo da equipe, ainda que, para Bielsa, o fato seja esse: "também tínhamos problemas para conseguir gols com Fernando Llorente em campo. Llorente não é aquele jogador especial que poder dar títulos, apesar de seu treinador confiar nele", declarou. Sua proposta é trocar jogador por jogador para tentar achar um substituto para Llorente, mas quem vem sendo improvisado como referência não tem nenhuma característica de homem de área. Acreditem ou não, mas o falso nove rojiblanco é Toquero. Incrível, não?

4) Falta de frescura
É evidente que em uma equipe que aposta, cega e insistentemente, pela criação ofensiva vê-se limitado se os planos não estão claros. Os mais criativos, como Ander Herrera, Iturraspe, Muniain, De Marcos ou Susaeta, à exceção do terceiro, não estão oferecendo suas melhores prestações. A acumulação de esforços e levando em conta que Bielsa não é nada afeito a rotações parece estar deixando os jogadores desgastados mais cedo. O perigo, analisando esse ponto, é os jogadores titulares chegarem à reta final da temporada sem nenhum poderio e, assim, fazendo com que a equipe corra o risco de não disputar nenhuma competição europeia. No entanto, para o argentino, isso é besteira. "Meus jogadores criam oportunidades durante todo jogo. Não falta nenhuma frescura mental", disse após o empate contra o Barcelona.

5) Estratégia inútil
Em 2010/2011, o Athletic foi a equipe que mais soube usar as jogadas aéreas. Hoje, passou do melhor a um dos piores. Desperdiça praticamente quase todas as faltas alçadas à área e os escanteios têm sido inúteis. Na temporada passada, foi o líder nesse quesito. Além disso, a zaga sofre com essas jogadas. Os euskaras perderam três jogos com gols sofridos pelo alto. O curioso é que, nos três, foi faltando cinco minutos para o término.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

16ª rodada: O triunfo de Barcelona

Espanyol repetiu o Barcelona e venceu um rival de Madrid (reuters)

Espanyol 4x2 Atlético de Madrid
Engana-se quem pensa que o Barcelona foi o principal nome da rodada ao derrotar o Real Madrid. Seu primo pobre, Espanyol, é quem chamou mais a atenção. Com uma vitória convincente ante o Atlético de Madrid, deu um upgrade na tabela, subindo três posições e ocupando a 8ª colocação. Os péricos, vale lembrar, não venciam há cinco rodadas. Em campo, a vitória foi construída cedo, com Verdú marcando dois gols nos primeiros sete minutos. O Atlético de Madrid, por sua vez, não se entende fora de casa: em 21 pontos disputados jogos, apenas um obtido. Dessa vez, os rojiblancos nem viram a cor da bola em determinado momento do jogo.

Real Madrid 1x3 Barcelona

Na capital, no principal embate entre catalães e madrilenhos, o resultado não podia ser diferente a não ser uma vitória do Barcelona. A última vitória merengue em jogos pela Liga faz tempo: 2008. No último sábado, os aficionados ficaram animados com o gol aos 25 segundos, mas logo desanimaram com o passeio blaugrana, que passou a acordar no jogo à medida que Guardiola variava taticamente, deixando Mourinho sem reação no banco blanco. Lembram dos 10 mandamentos de Mourinho para o superclássico? Mal cumpridos, não fizeram efeito e, muito menos, cócegas no Barcelona, que viaja ao Japão com a moral elevada.

Levante 1x0 Sevilla
O Sevilla não fez, evidentemente, uma boa partida ante o Levante. Tampouco foi nefasto. Porém, sai de Valencia com a sua primeira derrota fora de casa e com os postos de Liga dos Campeões mais distantes, a cinco pontos. O conjunto nervionense fez ante o Levante coisas boas e ruins; porém, o que realmente desnivelou a partida foi a sua falta de eficácia. Três ocasiões claríssimas (Trochowski, Kanouté e Spahic) puderam mudar o decorrer da partida antes e depois do gol de Nano, prata da casa, entre Negredo e Javi Varas, que ante a dúvida ficaram desnorteados e propiciaram a derrota de sua equipe ao ceder um gol que irrita qualquer treinador.

Real Bétis 2x1 Valencia

Dois gols nos minutos finais de Rúben Castro, melhor jogador do Bétis na temporada, iluminaram o Bétis e esfriaram a batata de Pepe Mel, que começava a ter seu cargo em ameaça. A entrada de Juanma no lugar de Jonathan Pereira, há dez minutos do final, também foi importantíssima: o camisa sete colocou fogo pelo lado esquerdo do ataque e, além disso, foi o autor das assistências para o doblete de Castro. O Valencia, por sua vez, desperdiçou ótima oportunidade de ficar a quatro pontos da dupla Barcelona-Madrid, fazendo uma partida horrível. Sem ambição, até mesmo quando estava favorável no marcador, levou uma remontada merecida.

Villarreal 1x1 Real Sociedad

O jogo das decepções não poderia ter outro resultado a não ser um empate. No El Madrigal, um 1 a 1 que não cura feridas: amarillos e txuri-urdins seguem a postos do rebaixamento. À Real, o empate pode até ter caído ruim. Os bascos dominavam a partida e tinha o Villarreal nas mãos, até a expulsão de Ellustondo, substanciando o domínio basco. Até chegar ao empate, o Villarreal mostrava uma outra faceta. Sem um plano B, os comandados de Garrido não encontraram nenhuma solução quando o rival fechou seus espaços, impedindo a posse de bola e os contra-ataques. Falta ideias no Submarino Amarelo, que o treinador, momentaneamente, não consegue achar alternativas.

Athletic Bilbao 1x1 Racing Santander
47 minutos do segundo tempo. Bola alçada à área e Álvaro sobe mais que a zaga athleticana para testar e empatar a partida. O San Mamés ensurdece. A 10 pontos da Champions, uma vaga na principal competição europeia começa a ficar distante. Mesmo que esteja em má fase, Llorente é essencial para a equipe. Fora do jogo por desconfortos, viu Toquero ser improvisado estranhamente de referência, um mais uma das ideias malucas de Bielsa. Até quando isso irá continuar?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alarme disparando

O Zaragoza de Javier Aguirre é o lanterna da Liga. O mexicano fracassa no futebol espanhol novamente (getty images)

O resumo completo da 16ª rodada você só lerá amanhã. Hoje, iremos adiantar uma breve síntese sobre a jornada baseada no momento ruim de três treinadores. Com as festas de fim de ano aproximando-se, o momento é de pausa e reflexão. Após mais uma rodada ruim para Zaragoza, Atlético de Madrid e Villarreal, os três respectivos treinadores não sabem se comerão o panettone: Javier Aguirre, Gregório Manzano e Juan Carlos Garrido estão vendo suas batatas a ponto de explodirem.

O domingo foi nefastos para o trio, que sabiam que seus adversários diretos haviam sido favorecidos na rodada. Desde Aguirre, que vê o Zaragoza colista (lanterna, em espanhol) após um novo esperpento contra o Mallorca, até Manzano, que chegou ao segundo revés na semana e o enésimo na temporada, jogando em Barcelona contra o Espanyol. Aguirre já não sabe mais o que fazer. O Zaragoza tem um elenco para, sem dúvidas, ficar no meio da tabela, e não brigar por rebaixamento. Fez um bom mercado, repatriando alguns bons jogadores e contratando à custo zero valores que adicionam talento ao plantel. Mas o momento é negro. Apenas duas vitórias em 15 jogos. A lanterna é merecida, ainda mais com o Racing Santander ensaiando uma reação após a saída de Héctor Cúper.

Para piorar a situação, saíram os exames médicos de Rúben Micael, um dos nomes que escaparam das vaias da torcida após o apito final do árbitro no último domingo. O lateral sofreu uma lesão de grau 1 nos ligamentos do tornozelo direito e não volta mais neste ano. A previsão é voltar aos gramados apenas no final de janeiro. Os aficionados parecem estar ao lado do treinador mexicano, em dentrimento do presidente Agapito Inglesias. Um grupo de torcedores maños protestaram contra o presidente após a partida contra o Mallorca. "Zaragoza sim; Agapito não!", Agapito demissão" e "Não volte nunca mais, Apagapito", gritaram.

Garrido preocupado. É para estar (getty images)

Na Comunidade Valenciana, Juan Carlos Garrido, por sua vez, não tem o apoio da torcida do Villarreal. Uma temporada catastrófica, com direito a eliminação da Champions com seis derrotas em seis jogos, o Submarino Amarelo naufraga a cada jogo. No fim de semana, empataram com a Real Sociedad no El Madrigal por 1 a 1. O treinador afirmou na coletiva pós-jogo ter visto melhoria no desempenho de sua equipe. A realidade, entretanto, é diametralmente oposto àquela que pensa Garrido. Os amarillos somam apenas três vitórias em 15 jogos, com seis empates e seis derrotas. A zona de rebaixamento está próxima: na 17ª colocação, têm a mesma pontuação do Sporting Gijón, primeiro da zona. "Estamos em uma dinâmica de recuperação", afirmou.

Os problemas do Villarreal estão por todo lado. Apesar de, na última semana, ter recuperado Nilmar, Garrido perdeu Borja Valero, melhor jogador da equipe na temporada, e Cani. Os dois não estiveram no vexame contra o Napoli e, mesmo que a fase de Cani não seja das melhores, o meio-campo inexistiu. Rossi continua fazendo falta, já que Rúben, ao contrário da temporada passada quando supria as ausências do ítalo-americano com boas partidas, não tem aparecido positivamente. Após passar mais de dois meses no 4-2-3-1, o castellonense voltou ao 4-4-2 que foi a fórmula do sucesso na temporada passada. Mas, analisamos: a linha de quatro na temporada passada era formada por Marchena, Cazorla, Borja Valero e Cani. Ontem, tinha Marcos Senna, Bruno, De Guzmán e Hernán Pérez. A diferença é enorme.

Gregório Manzano está prestes a repetir a ação de Di María: cair (getty images)

A semana de Manzano foi tão negra quanto a de Garrido. Ainda que o Atlético de Madrid se mantenha entre os dez primeiros colocados e continua brigando, ainda que poucas forças, por uma vaga na Liga dos Campeões, a planificação feita pela diretoria no verão não admite vaga na Liga Europa como prêmio de consolação. E o pior: hoje, os rojiblancos estão distante até da zona da segunda principal competição europeia. O Málaga, 6º colocado e último da zona, tem 24 pontos, contra 19 do 10º, que é o Atlético de Madrid. Na última quinta-feira, Manzano "subestimou" o Albacete, da segunda divisão B, pela Copa do Rei e mandou a campo uma equipe B, repleta de jovens das canteras. O resultado foi uma derrota por 2 a 0 e a pressão sobre o treinador aumentando a cada jogo. Ainda que seja improvável (o Atlético de Madrid gosta de dar vexames, mas este seria fora do comum), a torcida exige o time titular no jogo da volta para evitar a eliminação precoce na Copa, que Manzano, antes da temporada começar, havia dado atenção especial. "Vamos pela Copa", disse.

Nos próximos três jogos do Atlético de Madrid (Rennes, Bétis e Albacete), Manzano continuará no banco de reservas. O clube, após gastar 40 milhões de euros com Falcão, não tem dinheiro para demiti-lo e confirmou, pelo seu site oficial, que não tomará nenhuma decisão até a parada para as festas. Os colchoneros não têm em mente um substituto pelo treinador, apesar da torcida implorar, a cada jogo, pela volta de Aragonés. Manzano, definitivamente, ganhou uma nova chance de dar a volta por cima.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A vítima da vez

Arriba. Variações táticas de Guardiola durante o jogo deram um nó tático em Mourinho (reuters)

Após Juande Ramos e Manuel Pellegrini, um novo treinador do Real Madrid caiu nas mãos de Guardiola: em um de seus raros momentos de "derrotas individuais", Mourinho recebeu um nó tático do catalão na derrota de ontem. Vitor Sergio, blogueiro e comentarista do Esporte Interativo, definiu muito bem o superclássico: o craque do jogo foi Josep Guardiola. Do banco, mudou a história do clássico alterando o posicionamento tático de seu time no meio do primeiro tempo.

Inicialmente, não inventou. Mandou a campo o 4-3-3 usual, com Puyol e Piqué na zaga. Ao longo da semana, muitas dúvidas foram aparecendo quanto à escalação de Villa, Sánchez, Pedro ou Fàbregas para fazer companhia a Messi. E, na frente, o treinador optou pela fase, mostrando que foi o melhor a fazer: Alexis Sánchez e Fàbregas começaram entre os titulares e marcaram uma vez cada. Cuenca, que também aparecia como opção, acabou cortado, e nem no banco de reservas ficou. Guardiola afirmou após a partida que preferiu deixar à sua disposição apenas os jogadores da equipe A.

O plano de Guardiola caiu por água abaixo em questão de segundos, com o gol de Benzema aos 25. Puyol marcava Cristiano Ronaldo, Busquets colava em Özil, Piqué cercava Benzema e Abidal vigiava Di María. A pressão provocada pelo Real Madrid nos primeiros quinze minutos não deu a Pep a chance de pensar duas vezes: para sair da armadilha de Mourinho, só mudando o módulo tático. Após o Real Madrid dar uma desafogada na marcação pressão, Pep repaginou o Barcelona: recuou Busquets para jogar com zagueiro, deslocou Puyol para marcar no mano a mano Cristiano Ronaldo e deixou Daniel Alves mais à vontade.

Os dois Barcelona do primeiro tempo. O primeiro (4-3-3), antes dos 30 minutos, e o segundo (4-4-2), após os 30 minutos (clique na imagem para ampliar)

Fábregas e Iniesta passaram a alternar na esquerda, enquanto mais à frente Messi voltava e flutuava às costas dos volantes adversários, com Alexis Sánchez alternando pelos flancos e o centro. O gol de Sánchez nasceu após Messi arrancar na zona morta, como quis Guardiola. Deixou Özil, Xabi Alonso e Lass para trás e tocou para o chileno, com calma, esperar a hora certa para finalizar e empatar.

No segundo tempo, a mudança que marcou a primeira vitória definitiva de Guardiola sobre Mourinho: um 3-4-3 com Puyol, Piqué e Abidal fixos na linha de três, não avançando em nenhum momento. Daniel Alves, como ala direita, pôde ter mais facilidade para avançar devido a Puyol sempre estar na cobertura de seu setor. O brasileiro era o principal revés do esquema, porque avançava muito e ninguém ficava em sua cobertura. O gol de Fàbregas ratificou bem o poderio do esquema. Messi avançou novamente e tocou para Daniel Alves cruzar como um ponta na medida para Cesc sentenciar o superclássico.

football formations
O 3-4-3 da segunda etapa que engoliu os merengues. Daniel Alves, sem preocupação com a marcação, fez ótima partida, cruzando para Fàbregas marcar

Se a primeira etapa foi marcada pelo equilíbrio das ações, com o Real Madrid levando um pouco de vantagem, o segundo tempo deixou bem claro quem -continua sendo - é a melhor equipe do mundo. O Barcelona simplesmente engoliu o time de Mourinho nos 45 minutos finais. Técnica, tática, psicologica e fisicamente. O primeiro nítido triunfo estratégico de Guardiola sobre Mourinho.

Os blaugranas soubera se adequarem às circunstâncias da disputa. Apesar da fase inconstante, ainda sobra em grandes jogos e reforça o favoritismo absoluto no Japão para fechar 2011 com mais um título e nas demais competições. Mourinho ainda terá muito tempo para trabalhar, mas pelo visto tanto em âmbito espanhol, quanto em solo europeu, o dono do futebol no momento continuará copando as taças.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mandamentos mal cumpridos

Mandamentos de Mourinho não foram cumpridos à risca. Faltou o principal: orar (getty images)

O cenário não era dos mais animadores para o Barcelona. A fase do Real Madrid, realmente, é (ou era?) melhor que a dos blaugranas e, com 25 segundos de jogo, já perdiam a partida por um a zero. Mas a equipe se ajustou e foi buscar o resultado, virando para 3 a 1. Uma vitória que coloca, provisoriamente, a equipe de Josep Guardiola na liderança da Liga BBVA (vale lembrar que o Real Madrid tem um jogo a menos). A visão barcelonista do confronto ficará para amanhã. Hoje, a análise do Real Madrid.

Mourinho fez um planejamento especial para o confronto. Ao longo da semana, o Marca revelou que o técnico nascido em Setúbal preparou dez mandamentos para os seus jogadores. Os mandamentos foram levados a sério, até o primeiro gol barcelonista, que desanimou o Real Madrid e fez com que o plano de jogo de Mourinho caísse por água abaixo. Abaixo, uma análise de cada mandamento durante o jogo

1) Não levar gol ou, pelo menos, o primeiro
Tudo certo, em parte. Benzema, após bobeira de Valdés, marcou o primeiro gol da partida aos 25 segundos. O Real Madrid não levou o primeiro gol, mas sofreu depois a virada. No primeiro gol, Messi veio carregando a bola desde um pouco atrás do campo defensivo, fez o carnaval e deixou Alexis Sánchez em condições para empatar a partida. No segundo, Iniesta, até então sumido, fez boa jogada e, num bate e rebate, Xavi chutou e a bola desviou em Marcelo, enganando Casillas. No terceiro, Messi novamente veio carregando a bola pelo meio, ninguém deu o bote e La Pulga abriu na direita para Daniel Alves livre. O baiano, muito bem hoje, cruzou na medida para Fàbregas ganhar de Coentrão no alto facilmente e sacramentar o jogo.

2) Que o público faça de todo o Bernabéu um inferno
E fez. Mas, como nos outros jogos, desanimou ao longo do jogo. Até o gol de Sánchez, fazia um barulho ensurdecedor. O Barcelona empatou e a festa continuou, ainda que em outro nível. Despencou após o gol de Xavi. O Barcelona começou a tocar a bola, não deixou o Real Madrid jogar e a torcida desapareceu. Ao fundo, a festa era dos 435 culés que viajaram à capital para assistir à partida. Ah, sim: o único gesto de barulho da torcida merengue após o terceiro gol foram as vaias, ainda que pequena, a Cristiano Ronaldo, novamente terrível em um superclássico.

3) Esqueçam o árbitro, olho nos cartões
Ok. Nada a comentar. Só uma observação: os blancos abriram a caixa de ferramentas nos minutos finais, principalmente Sergio Ramos.

4) Aproveitar a força do jogo aéreo merengue
O pior deles. Todas as bolas que Di María, Marcelo ou Özil tentaram levantar à área azulgrená foram erradas ou desviaram e saíram. Nos escanteios, Piqué e Busquets ganharam todas, quando Valdés não saia e defendia. Apenas uma bola pelo alto levou perigo: no final da partida, Cristiano Ronaldo errou incrivelmente uma cabeçada cara-a-cara com Víctor Valdés. Este ponto poderia ser aproveitado muito mais, já que o Barcelona, volta e meia, falha pelo alto.

5) Não se pode perder a bola de vista nem sequer por um minuto

6) Fechar bem os espaços
7) Esforço extremo e mobilidade para acuar o Barça
8) Intensidade, pressão, verticalidade e muito ritmo
Esses quatro serão analisados juntos. Até os primeiros 30 minutos do clássico, o Real Madrid jogou com o sangue nos olhos. Fechou bem os espaços, não deixou Iniesta jogar, Messi tinha a vida dificultada e Piqué e Valdés eram obrigados a darem chutões para frente. Mas, volto a bater na tecla: tudo isso desabou após o gol de Sánchez. No segundo tempo, após o terceiro gol, o Barcelona ficou mais solto e o Real Madrid tentou buscar a virada mais na base da vontade.

Verticalidade também deveria ser mais usada. Di María tentou e, ainda que não estivesse em seu melhor dia, deu trabalho a Abidal. Correu o campo inteiro e cansou, sendo substituído por Higuaín. Cristiano Ronaldo é um capítulo à parte: mais uma vez, sai de um superclássico com uma nota negativa. Omisso, parecia estar com a cabeça distante do Bernabéu. O gol perdido no primeiro tempo não foi digno do segundo melhor jogador do mundo.

Özil é armador. Ou seja, sua função é armar. Só deixou Benzema em condições de gol apenas uma vez, no segundo tempo. Viveu de lampejos, como vem na temporada. Se "destacou" mais pela vontade e na entrega. Disposição não faltou. Faltou futebol, que todos sabem que o turco-alemão tem.

9) Concentração e coordenação de movimentos

Aqui, ok também. Os jogadores manteram-se concentrados o jogo inteiro, até mesmo após o baque que foi o gol de Xavi. Não houve falha nos gols barcelonistas (Fàbregas ganhou de Coentrão no terceiro gol por ser mais alto que o gajo).

10) Autoestima. Não se pode jogar com ansiedade
A autoestima merengue foi para longe depois da virada. Antes disso, os jogadores acreditavam sim que poderiam vencer o Barcelona. Mas não com muita ansiedade. Concentrados e buscando o segundo gol, foram para cima do Barcelona no primeiro tempo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Casa de maternidade

No histórico Real Madrid 2-6 Barcelona, Guardiola usou pela primeira vez como Messi de falso nove. E deu muito certo (getty images)

2 de maio de 2009. Josep Guardiola chegava pela primeira vez ao Bernabéu como técnico. Em jogo, uma Liga: a diferença entre Barcelona e Real Madrid, faltando quatro rodadas para o término, era de um ponto. Quem vencesse levaria o título para casa, praticamente. Uma competição que adquiriu maior valor após o empate de 0 a 0 entre os blaugranas e o Chelsea, quatro dias antes, no Camp Nou, pela semifinal da Champions League (o Real Madrid havia sido eliminado nas oitavas-de-finais para o Liverpool). Messi, contra os blues, foi anulado por Bosingwa e não apareceu no jogo. Assim, Guardiola teve três dias para preparar sua equipe para o grande duelo. E, com uma carta na manga, preparou uma surpresa para o até então treinador do Real Madrid Juande Ramos.

Admirador confesso de Johan Cruyff, com quem havia sido campeão europeu como jogador, Guardiola novamente se inspirou no holandês, que sempre buscava alguma mudança tática em suas visitas à capital. Entretanto, a diferença era clara. Cruyff, por um lado, fazia mudanças defensivas, com o objetivo de neutralizar o ataque blanco, enquanto que Guardiola introduziu uma variação ofensiva a fim de favorecer e dar mais otimismo ao jogo de sua estrela máxima, Lionel Messi, que, segunda havia especulado a imprensa à época, havia saído de campo contra o Chelsea bastante triste pelo mau jogo.

Guardiola, então, mudou a definição de seus jogadores de ataque do 4-3-3. Puxou Eto'o para fazer a ponta direita, tarefa que não deve ter sido fácil, e situou Messi numa linha à frente de Xavi e Iniesta e atrás de Eto'o e Henry, mais ou menos como um enganche, que ora criava jogadas para os dois atacantes e ora ficava entre os zagueiros merengues para receber passes da dupla de meio-campista. Após o jogo, Messi foi sintático na definição de sua posição naquela tarde: "joguei como um nove mentiroso", disse La Pulga, rindo. Messi teve liberdades de movimentos para buscar entradas em uma zona ou outra. O nó tático de Guardiola em Juande Ramos foi tão grande que, vez ou outra, Marcelo e Heinze, que invertiam posições e, inicialmente, marcariam diretamente Messi, chegaram a seguir o argentino no meio deixando espaços suficientes para Eto'o marcar. Um sinal claro de desespero.

Em Roma 2009, na decisão de Champions League, Messi marcou um gol digno de centroavante, decidindo o título azulgrená (zimbio)

O resultado foi um inesquecível 6 a 2, que deu uma injeção de ânimo monstruosa para os azulgrenás irem a Londres buscar a vaga na final. Na capital inglesa, Iniesta achou o gol da classificação aos 49 minutos do segundo tempo, numa partida marcada pela controversa arbitragem de Tom Ovrebo. Na final, Guardiola voltou a repetir a fórmula do sucesso em Madrid. Eto’o e Messi foram invertidos novamente e, dessa vez, foram deles os gols da vitória em Roma. Se na última decisão da Champions League Ferguson tomava café da manhã pensando em como parar o argentino pelo meio, naquela época ele esperava um embate com Evra, que chegou, assim como Heinze e Marcelo, a persegui-lo fora de seu setor em claro sinal de que o United não sabia o que fazer defensivamente. La Pulga sentenciou o tri-campeonato europeu aos blaugranas após cruzamento de Xavi e uma cabeçada digno de um centroavante.

Um mês depois da conquista da tríplice coroa, o Barcelona estaria de centroavante novo: em uma negociação com a Inter de Milão, pagou 45 milhões de euros aos nerazzuris mais Eto'o por Ibrahimovic, em excelente fase. Na ocasião, Guardiola escalou durante o primeiro semestre inteiro Ibrahimovic de centroavante e Messi aberto à direita, como em outrora. Não importa onde você coloca Messi, pois ele sempre vai brilhar. O problema foi quando Ibrahimovic, que após sair do Barcelona declarou não gostar de jogar como referência, esqueceu seu futebol, a partir do segundo turno. Muito parado, estragando as jogadas ofensivas rápidas barcelonistas e desperdiçando gols importante, o sueco perdeu a confiança que Guardiola havia depositado nele, a ponto de deixar Eto'o, um centroavante de origem, ir embora como se fosse nada.

Pep se deu conta que o melhor a fazer era deixar Messi como falso nove. E tornou-se definitivo. O camisa 10 fez uma sequência de três partidas geniais na posição e Guardiola não teve mais dúvidas que ali era seu lugar. Contra Valencia, Stuttgart e Zaragoza foram seis gols do argentino. Um mês depois, quatro contra o Arsenal. Messi, então, passou a pulverizar qualquer tipo de recordes. Marcou 32 gols na Liga Espanhola dessa temporada, sendo o artilheiro da competição; 53 gols na temporada passada; tornou-se o segundo maior artilheiro da história do Barcelona; e vem, há três temporadas consecutivas, firmando a artilharia da Champions League (8 gols em 2008/2009 e 2009/2010 e 12 gols em 2010/2011).

O segundo nó tático

Pellegrini, com um sorriso amarelo. Ele também sofreu nas mãos de Guardiola (AP Photos)

Após Juande Ramos 2009, Guardiola fez mais um treinador merengue de vítima. Em 2009/2010, Real Madrid e Barcelona voltaram a fazer mais um jogo decisivo pela Liga. Aos merengues, só restavam a conquista do título nacional, já que havia sido eliminado da Champions (Lyon) e da Copa do Rei (Alcorcón) novamente. O fracasso de uma temporada bastante promissora, com as contratações de Kaká, Cristiano Ronaldo e Benzema, havia sido retumbante. No lado barcelonista, sem Ibrahimovic e com Henry em péssima fase, Guardiola armou novas variações táticas: um 3-5-2 que deixou todos surpresos. Mandou a campo três zagueiros (Milito, Piqué e Puyol) e dois alas bastante ofensivos (Maxwell e Daniel Alves, um pouco mais temerário pelas aparições de Cristiano Ronaldo em seu setor), apostando em Messi e Pedro na frente. Xavi, Keita e Busquets completaram a linha de cinco, que só teve Iniesta na segunda etapa.

O Barcelona venceu por 2 a 0 e sacramentou o bi-campeonato espanhol, com gols de Messi e Pedro, que, vale lembrar, foi mais um acerto do treinador. Pelegrinni, durante o jogo, não soube o que fazer para sair da armadilha de Guardiola e, de fato, passou vergonha perante o catalão. 20 meses depois, as dúvidas voltam a rondar o ambiente blaugrana antes de um superclássico. Não se sabe se Pep entrará em campo no contestado 3-4-3 ou no usual 4-3-3. Fato é que jogar na primeira tática é um risco elevado contra o Real Madrid, que sabe jogar muito bem pelos flancos.

Aliás, isso seria cair num dos erros de Cruyff, que fazia suas trocas na parte defensiva, como citado, mas, vez ou outra, dava errado. Um erro notável do treinador do Dream Team tem a ver diretamente com Guardiola. Em um superclássico de 95, o comandante inexplicavelmente recuou Pep para a linha de três defensiva para fazer a marcação no então veterano Butragueño. Na defesa, Guardiola nunca se destacou e tomou um baile de El Buitre, na manita blanca no Bernabéu (5 a 0).

Apesar de destacarem apenas as dúvidas quanto ao módulo tático, as mudanças de Guardiola para a partida de sábado deve estar novamente na parte ofensiva. Villa, Alexis Sánchez, Pedro e Fàbregas disputam duas vagas no ataque. O chileno e o catalão têm se saído bem nos últimos duelos e podem começar no onze inicial. Guardiola pode mudar o esquema tático por mais uma vez e, quem sabe, aparecer num 4-4-2, com Fàbregas, Busquets, Xavi e Iniesta no meio-campo e Messi e Sánchez à frente, apesar de parecer bem improvável.

Lembram da Operação Blindagem de Mourinho?
A torcida merengue não ficou muito satisfeita com a provável escalação. Em uma enquete promovida pelo Marca, 62.08% dos votantes foram contra Mourinho, querendo que o português saia mais para o jogo e ataque o Barcelona. Lembrando que, na temporada passada, quando Mourinho "atacou" o Barcelona o resultado foi um 5 a 0 histórico para os catalães.


Vídeo-resumo da atuação excelente de Messi contra o Real Madrid em 2009, nos 6 a 2. Reparem como os zagueiros merengues ficam perplexos com a mudança de posicionamento do argentino com Eto'o, dando muito espaços aos dois

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pagando pela incompetência

Stamford Bridge tem sido um pesadelo para o Valencia nos últimos anos. Chés perdem para o Chelsea e não vão às oitavas da Champions (getty images)

O Valencia deu adeus à Uefa Champions League. A derrota para o Chelsea em Stamford Bridge condicionou a classificação ché, que necessitava apenas de um empate para avançar de fase pela segunda vez consecutiva. Junto com o Villarreal, que já havia sido eliminado da competição há duas rodadas, o Valencia deixa para Barcelona e Real Madrid a representação da Espanha no principal torneio do velho continente. Pela primeira vez desde 2004/2005 apenas duas equipes espanholas seguem vivas na primeira fase fase do mata. Na ocasião, Deportivo e Valencia caíram em seus grupos. Ao Valencia, fica o prêmio de consolação: a vaga na Liga Europa, pela terceira colocação do grupo.

Mesmo tendo quase 69% da posse de bola, perder em Londres é aceitável. A sensação, correta, é de que o Valencia falhou além da conta nos três jogos diante de Chelsea, Genk e Bayer Leverkusen, nas primeiras três rodadas, que acabaram por eliminar da Champions a terceira melhor equipe da Espanha. No entanto, a "lerdeza" futebolística na Bélgica, as falhas capitais na Alemanha e os muitos descuidos defensivos no jogo de ontem não devem sacrificar um trabalho que, de forma geral, tem sido muito bem administrado. O que vai ficar marcado nesta campanha valencianista é a maneira com a qual, principalmente, a equipe perdeu pontos contra Genk e Bayer Leverkusen. Não se pode empatar por 0 a 0 com uma equipe que foi o saco de pancadas do grupo e, na visita ao Mestalla, perdeu de 7 a 1, o que deixa mais claro a incompetência blanquinegra.

O que parece, também, é que alguns jogadores sentiram o peso de uma "final". Ontem, todo o sistema defensivo que, até então, estava bastante sólido pareceu estar em um outro mundo. Já havia sido assim contra Barcelona e Real Madrid, nos dois principais jogos dos comandados de Unai Emery na Liga. Víctor Ruíz, principalmente, falhou quando não poderia: deixou Ramírez se antecipar à marcação e marcar um gol que praticamente sentenciou a classificação londrina. Na frente, mais decepções: Soldado foi um zero à esquerda e caiu levemente na marcação de Terry, muito por causa das partidas desastrosas daqueles que o dão suporte. Feghouli e Jonas erraram tudo que tentaram e não levaram perigo à meta de Cech.

O sorteio impôs aos valencianos um Bayer que mostra-se uma verdadeira incógnita e um Chelsea forte, dedicado e repleto de referências ofensivas treinado pelo competente Andrés Villas Boas. Talvez, algumas ideias de Unai continuam sendo bastantes erradas. Poupar Pablo Hernández em dentrimento de centralizar Jonas, não acostumado à posição, é uma delas. Sem qualidade no passe, o brasileiro foi, de fato, mal improvisado na linha de três. Jordi Alba e Mathieu têm ido muito bem na esquerda, mas o fato de Unai deixar com lateral um garoto franzino ao invés do francês, mais experiente, também é um erro. Por ali, Sturridge deu trabalho, apesar de estar em um mal dia. Mata, mais centralizado, foi um inferno para Tino Costa e Albelda e Drobga deu show contra o esteio defensivo ché. O ex-Valencia só fez valer a lei do ex por completo: deu duas assistências para os gols de Drogba.

O pior é que a iminente eliminação mal tem um lado positivo. Uns dizem que o Valencia pode se dedicar mais à Liga Espanhola e se concentrar para terminar em terceiro novamente. Os chés podem, também, dar mais atenção à Copa do Rei, competição onde não chega ao menos na semifinal há cinco temporadas, e à Liga Europa, para tentar ganhar um dinheiro bom em caso de título (Unai afirmou ontem após a partida que vai, sim, buscar o título europeu). Até vai, mas o elenco é grande e homogêneo o bastante para anular qualquer problema de cansaço. Unai erra, mas não tem outro técnico competente no mercado - talvez Rafa Benítez, que já aprovou uma possível volta ao Mestalla. Os chés não devem maximizar o fracasso, porém tem muito a lamentar.

Lá em Barcelona...
... se alguém falasse que o Barcelona B disputou um jogo de Champions pela primeira vez em sua história não seria nenhuma mentira. Do 11 inicial, mais da metade dos jogadores fazem parte da equipe que disputa a Liga Adelante. Jonathan dos Santos, Sergi Roberto, Marc Bartra, Rafinha Alcântara, Martin Montoya e Isaac Cuenca começaram como titulares e ganharam bastante pontos com Guardiola. Principalmente Cuenca, que volta e meia aparece como titular da equipe A e é, curiosamente, o líder de assistências dos blaugranas na Champions.

A vitória por 4 a 0 ante o BATE foi uma boa para Pedro, que marcou duas vezes e ganhou uma injeção de ânimos. "Ele liderou uma equipe repleta de jovens. Foi magnífico", disse Guardiola na coletiva pós-jogo. Pedro dificilmente será titular no superclássico de sábado, mas começa a reconquistar a confiança do treinador, que, hoje, tem Alexis Sánchez, Villa e até mesmo Cuenca à frente do canário como escolhas para fazer parte do onze inicial da partida no Bernabéu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

15ª rodada: Tinindo antes do superclássico

Real Madrid e Barcelona venceram seus adversário antes do superclássico (EFE)

Sporting Gijón 0x3 Real Madrid
O Real Madrid passou com facilidades do duelo em Gijón. Os aficionados gijoneses certamente ficaram decepcionados com a sua equipe: se alguém esperou uma postura diferente dos rojiblancos na partida, até pelos fatos negativos nos jogos passado e pelo triunfo no Bernabéu, enganou-se. Acuados, os asturianos foram presas da equipe de José Mourinho, que chega numa excelente fase para o superclássico. Di María, mais uma vez, foi o nome da partida: com um gol e uma assistência primorosa para o gol de Cristiano Ronaldo, o argentino é a principal esperança da torcida no jogo contra o Barcelona. Özil, por sua vez, ainda está opaco na temporada. Após começar fazendo boas partidas, o turco-alemão vive de lampejos e, muito provavelmente, será banco semana que vem.

Barcelona 5x0 Levante
Quem também deu show foi o Barcelona. E um show com sabor de alívio: foi uma vitória convincente dos azulgrenás, que vinham de partidas insossas e decididas mais pelos craques do que pelo coletivo, que é o que Guardiola preza. Ao Levante, fica a sensação de atenção: com 26 pontos, ainda está dentro da zona de Champions, mas seus adversários diretos já começam a se aproximar na tabela. Agora, o Barcelona se concentra no jogo da semana que vem. Pelo menos nos números, os catalães não têm dado-se bem fora de casa. Em seis jogos distante do Camp Nou, o Barça venceu apenas duas vezes, contra Sporting Gijón e Granada, com magros 1 a 0. Nas outras partidas, três empates (Real Sociedad, Valencia e Athletic Bilbao), e a derrota para o Getafe, que quebrou a invencibilidade que o time carregava desde abril. Ao todo, apenas oito gols marcados e sete sofridos.

Valencia 2x1 Getafe
No dia em que o Valencia homenageou Mário Kempes, o atual homem-gol da equipe emulou o matador argentino da década de 1980. Contra sua ex-equipe, novamente o atacante fez valer a lei do ex: após quatro gols no confronto da temporada passada, marcou um gol decisivo que valeu três pontos importantíssimo para os chés. Após começar no banco, entrou em um momento crucial do jogo: o Espanyol havia acabado de empatar. Um levantamento feito pelo Superdeporte chegou à conclusão que Soldado já foi responsável por 13 dos 30 pontos do Valencia na competiçaõ. No lado blanquiazul, a boa notícia são as boas partidas do canterano Thievy, que fez a jogada do gol de Héctor Moreno.

Racing Santander 1x0 Villarreal
O Villarreal continua num pesadelo interminável. Com 14 pontos, o Submarino Amarelo está a dois da zona de rebaixamento e perdeu para um adversário direto na briga pelo descenso. A carência de um meio-campista criativo fica claro a cada jogo, mas exagerou na Cantábria. Borja Valero, praticamente sozinho, ainda tenta, mas é difícil jogar pelo meio-campo inteiro. Cani, por sua vez, parece ter esquecido o bom futebol da temporada passada. Vitorioso, o Racing Santander conseguiu uma valiosa vitória, mas ainda permanece na zona de rebaixamento. Todavia, de grão em grão o bom futebol dos verdiblancos começa a aparecer. No primeiro jogo após a demissão de Héctor Cúper, o Racing fez sua melhor partida na temporada. Sinal de que boas notícias poderão aparecer.

Atlético de Madrid 3x1 Rayo Vallecano
O Atlético de Madrid deu prova de qualidade ao bater o Rayo com extrema facilidade no mini dérbi de Madrid. O jogo ratificou a tese de que quando Falcão García está inspirado, dificilmente os rojiblancos não triunfarão. Em campo, quem também se destacou foi Diego, deixando claro que o resultado do dérbi de semana passada poderia até ser outro caso o brasileiro não fosse substituído. Sua jogada no gol de Gabi foi uma pura demonstração de inteligência. A mudança no módulo tático proposto por Manzano também ajudou. Jogando num 4-4-2 bem compacto, Falcão não ficara muito isolado na frente, com a presença de Adrián ao seu lado. Manzano tem em mãos um bom elenco, que ainda está na briga pela busca da vaga na Champions League.

Real Sociedad 3x2 Málaga
Decepção. É a palavra que define o Málaga até o momento. Os blanquiazules têm jogado bem e ainda não saíram das oito primeiras colocações, mas tem falhado nos momentos decisivos. Pela terceira vez no campeonato tiveram a chance de entrar na zona de LC. Mas, pela terceira vez, não aproveitaram os resultados adversos de seus rivais diretos e também desperdiçaram pontos. Contra a Real Sociedad, sofreraram uma dura virada nos minutos finais: Vela, aos 43 minutos, e Ifrán, aos 48, definiram a vitória txuri-urdin, que vai recuperando o brilho das rodadas iniciais, quando chegaram a parar o Barcelona. Sem Cazorla e Rondón, Pelegrinni ainda perdeu Júlio Baptista, por fratura em um osso do pé direito. O brasileiro será baixa por dois meses.

Mallorca 1x1 Athletic Bilbao
Quem também coleciona decepções é o Athletic Bilbao. Os leones ainda não embalara sob o comando de Marcelo Bielsa e começam a ver uma vaga na Champions League distante. No reencontro com Joaquín Caparrós, o ex-treinador bilbaense deu um nó tático no argentino, que pôde "respirar aliviado" com o gol de Amorebieta no final de jogo que decretou um resultado injusto. Num jogo bastante pegado, a proposta de jogo de Caparrós quase deu certo: se defender dos ataques velozes do Athletic e, aproveitando os espaços dados pela zaga rojiblanca, contra-atacar para vencer a partida. Nasceu assim o gol de Álvaro, logo no começo da segunda etapa. Contudo, Caparrós não contava com o gol de Amorebieta, aquele que, por ironia do destino, fora mais elogiado pelo treinador antes da partida.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Operação blindagem

Como parar Messi? Mourinho quebrou a cabeça e achou uma fórmula. Dará certo? (marca)

Na maratona de superclássicos no fim da temporada passada, o mundo achou que Mourinho havia, novamente, achado um antídoto para parar o Barcelona. No primeiro jogo, o português surpreendeu ao abdicar de Özil para colocar Pepe na volância e jogar num 4-3-2-1. Os merengues paravam o Barcelona, mas um erro de Raúl Albiol, que cometeu pênalti em Villa, jogou por água abaixo o plano do treinador. Messi converteu e, a partir disso, o Barcelona, com um jogador a mais, se soltou e começou a fazer a famosa roda de bobo. Na Copa do Rei, o Real Madrid novamente foi organizada no combate, mas deu o passo que faltava: ousadia e objetividade com a posse de bola, especialmente no primeiro tempo e na prorrogação. O resultado foi a vitória na prorrogação com gol de Cristiano Ronaldo.

Eis que, enfim, chegara o grande dia: a semifinal da Uefa Champions League. Com a moral elevada após o título, a equipe da capital chegara ao confronto levemente favorita. Apesar do mando de campo, ficou bem claro desde o início que o plano dos blancos em Madrid era primeiro não sofrer o “gol qualificado” e depois tentar a vitória. Além do 4-3-2-1, que dessa vez teve Özil como titular e Cristiano Ronaldo atuando como falso nove, os merengues mantiveram a estratégia com e sem a bola: na defesa, muita pressão e imposição física na ocupação das intermediárias, onde flui o jogo catalão; ofensivamente, bolas esticadas para os lados do campo, especialmente pela esquerda com Marcelo e Di María. À direita, Arbeloa ficou mais preso e Cristiano Ronaldo alternou com Özil pelo flanco e no centro.

O plano de Mourinho novamente estava dando certo, não tivesse mais um erro individual. Dessa vez de Pepe, que estava fazendo uma notável partida. Um marcador com fama de violento e compleição física avantajada não pode ser tão imprudente numa disputa de bola. Talvez Daniel Alves tenha exagerado na reclamação e o árbitro alemão Wolfgang Stark na interpretação, mas o luso-brasileiro foi, no mínimo, truculento e pouco inteligente. A expulsão de Pepe deu ao Barcelona e a Messi os espaços que foram negados por Mourinho e seus comandados nas duas partidas anteriores. Aí, brilhou a estrela do gênio argentino, que marcou um doblete e despachou os blancos.

Ainda havia espaço para um quarto e último jogo. Sem alternativas, restou a Mourinho sair para o jogo e atacar. O técnico de Setubal voltou ao Real ao 4-2-3-1, como nos traumáticos 5 a 0, com Lass Diarra e Xabi Alonso permitindo que Messi trabalhasse às suas costas, quase sempre partindo da direita para o centro. Mas desta vez a experiência dos confrontos anteriores ajudou a equipe do gajo. A última linha defensiva soube bloquear as diagonais de Pedro e Villa na maior parte do tempo e o meio-campo trancou a intermediária com organização e pressão sobre a bola. A postura dos jogadores ofensivos era diferente das partidas anteriores: dessa vez, marcaram sob pressão, pressionando Piqué, Puyol e Mascherano. O resultado foi um 1 a 1, que, apesar de ter classificado o Barcelona à final, deixou Mourinho "satisfeito".

É com essa proposta de jogo que o Real Madrid 2011/2012 tem atuado: marcando sob pressão desde o campo de adversário, adiantado as linhas defensivas e jogando com paciência. Nos dois jogos da Supercopa da Espanha, o Real Madrid foi infinitamente superior (até pela pré-temporada mais concentrada do que a bagunçada do Barcelona). Entretanto, a estrela de Messi brilhou mais uma vez e o Barcelona acabou campeão. Mourinho deve coçar a cabeça todo o dia para tentar achar uma fórmula de parar Messi. Só resta uma escolha: repetir Milão 2010 e congestionar o meio-campo blaugrana, asfixiando Iniesta e, principalmente Xavi, evintando que a bola chegue em condições ao argentino.

Dessa maneira, especula o Marca, o Real Madrid irá jogar no sábado. Enquanto Guardiola tem dúvidas no lado barcelonista, Mourinho já está ciente do que fazer. O técnico de Setubal está convencido que vencerá a partida aquele que dominar o meio-campo. Para isso, trocará de módulo novamente. O 4-2-3-1 dará vez o 4-3-3, visto no confronto contra o Valencia no Mestalla. Xabi Alonso, Khedira e Lass formarão o triângulo de pressão alta. Reforçar a zona de atuação onde os blaugranas mais gostam de jogar é a ideia de Mourinho. Jogando nesse esquema e com o trio o Real Madrid ganhou os seis jogos que fez desde que Mourinho chegou ao clube.

Na frente a aposta é nos contra-ataques e no poderio de Cristiano Ronaldo e Di María. O português e o argentino, entretanto, deverão construir suas jogadas. Özil, em má fase, e Kaká, voltando de lesão, deverão ser banco. Sem o turco-alemão, principalmente, a fluência de jogo não haverá, já que Xabi Alonso estará mais preocupado com Xavi. Será um jogo psicológico. Apesar das últimas derrotas, os jogadores merengues estão convencidos de que podem sim vencerem. Lembram da declaração de Mourinho logo após o seu primeiro jogo como treinador do Real Madrid? "Minhas equipes são melhores na segunda temporada", afirmou. Por enquanto, a declaração é plausível. Mas fará fundamento após o jogo de sábado. Em caso de vitória, o Real Madrid estará, enfim, preparado para ganhar tudo que disputar nesta temporada.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dúvidas

Guardiola pensativo: Barcelona voltou a jogar bem, mas a uma semana do superclássico o treinador ainda tem dúvidas, principalmente na parte tática (getty images)

O Barcelona que venceu o Levante convenceu. Ao fazer 5 a 0 na sensação da temporada, os blaugranas devolveram a confiança de outrora aos aficionados, que já começavam a aparentar olhares de desconfiança devido as últimas apresentações, muito abaixo da média. A equipe de Guardiola passou por cima do rival de Valencia, justamente aquele que, na temporada passada, o sufocou nas duas partidas do campeonato. Em Barcelona, venceu porque Pedro foi feliz em dois arremates; em Valencia, empate com sabor de vitória para o catalães, que conquistaram oficialmente o título, e para o granotes, que se livraram do rebaixamento.

Em campo, o Barcelona não deu espaço para a perda de pontos. Pressionando o adversário desde o início, a goleada foi construída cedo, com Fàbregas, aproveitando passe genial de Iniesta. Cesc chega ao superclássico em ótima fase e coloca Guardiola em um dilema. No 4-3-3, Fàbregas é banco, diferentemente no 3-4-3. Entretanto, a segunda opção não caiu nas graças da torcida até o momento, muito por causa das falhas corriqueiras mostradas nos principais jogos da temporada. Contra o Milan, tanto no Camp Nou quanto no San Siro, os azulgrenás passaram por apuros. A tática tem deixado o Barcelona mais avassalador ofensivamente, pelo fato de deixar o meio-campo mais cheio e, assim, aproveitar mais a posse de bola. Entretanto, na parte defensiva, tem deixado a desejar.

Sobretudo no setor direito, onde Daniel Alves tem liberdade para subir ao ataque, os espaços são grandes. E, vale lembrar, é ali o setor de atuação de Cristiano Ronaldo. Contra o Valencia, no Mestalla, Mathieu passeou e uma goleada ché só não saiu pelo péssimo dia de Soldado. Outro fator contra a tática que é defendida a cada coletiva pelo treinador é o fato da defesa jogar em linha e deixar margem para o contra-ataque da equipe adversária. Aí, tocamos em um novo ponto: no mundo, não há equipe que saiba usar melhor esse atributo do que o Real Madrid - fato reconhecido até por Guardiola. Contra o Milan, na estreia da Champions League, um gol de Pato aos 24 segundos escancarou esse problema. Lembrando que o Real Madrid tem três pontos a mais que o Barcelona e um jogo a menos. Valeria a pena arriscar uma tática que, pelo visto, ainda não foi totalmente adaptada? Perder em Madrid e, consequentemente, ficar a nove pontos da liderança é dar adeus às chances do tetracampeonato, principalmente num campeonato onde os gigantes não costuma tropeçar muito.

Individualmente, Pep pôde comemorar as excelentes partidas de Alexis Sánchez e Iniesta, além de Fàbregas. El Niño Maravilha marcou 3 vezes em uma semana e chega com a moral alta para o confronto no Santiago Bernabéu. No jogo de ida da Supercopa, Sánchez foi titular e fez uma partida notável, principalmente para quem estreara justamente num superclássico. Pedro, principal "adversário" pela posição, não voltou bem desde que se lesionou e, especula a imprensa catalã, estaria brigado com o treinador. Curiosamente, o canário não voltou mais à equipe titular após ter criticado publicamente o 3-4-3, ao se referir como "uma tática arriscada em que não está adaptado".

Iniesta, por sua vez, chega tinindo. Após perder o jogo contra o Milan, há duas semanas, por lesão, El Albino já está totalmente 100% fisicamente e, em campo, desfila seu talento. Ontem, fora duas assistências magníficas, para os tentos de Fàbregas e Cuenca, respectivamente. Mesmo sofrendo com a maior diferença de pontos para o Real Madrid desde que Guardiola assumiu o comando técnico do clube, os jogadores barcelonistas não desanimaram. Pelo contrário. Para eles, é um desafio a mais a tentativa de tirar a diferença merengue. Cesc, após a partida, declarou que o Barcelona vai ao Bernabéu sem medo.

Amanhã, resumo completo da rodada e texto sobre a estratégia de Mourinho para o jogão de sábado

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A pedra no sapato de José Mourinho

Manolo Preciado foi o único, até o momento, que conseguiu tirar Mourinho do sério na Espanha (cadenaser)

Amanhã, Sporting Gijón e Real Madrid abrem a décima-quinta rodada da Liga BBVA. Mais do que isso, a partida do El Molinón marcará um novo capítulo da guerra particular entre Manolo Preciado, técnico dos gijoneses, e José Mourinho, técnico merengue. Tudo começou quando, em setembro do ano passado, Mourinho acusou o treinador rival de colocar equipes reservas contra o Barcelona. Pronto. Preciado engoliu seco às declarações do gajo, mas explodiu dois meses depois, na visita do Real Madrid ao El Molinón. "É um canalha! Espero que seja recebido muito mal aqui nas Astúrias. Colocaria-0, pelo menos por uma vez, nos ultràs do Sporting Gijón", disparou o treinador rojiblanco.

Na ocasião, o Sporting Gijón fez um jogo brilhante, como se estivesse disputando uma final de Copa do Mundo, mas, em um descuido, recebeu o gol de Higuaín, no final da partida, e saiu de campo derrotado. Mourinho, claro, não deixou de provocar e fez sinal de vitorioso em direção a Preciado. Mal sabia o português que seu desafeto triunfaria meses depois. No jogo do returno, Preciado repetiu a proposta de jogo visto outrora e, dessa vez, conseguiu a vitória, que tornou inesquecível: o 1 a 0 no Bernabéu jogou por água abaixo as chances de título do Real Madrid, que ficara a oito pontos do Barcelona ao término da rodada, e acabou com uma invecibilidade caseira de Mourinho que já durava nove anos (150 partidas). Restou ao técnico de Setúbal se render. Foi até os vestiários e cumprimentou o seu inimigo, numa "postura digna de um homem", disse Preciado.

A rixa, provavelmente, acabou, mas a pedra no sapato ficou. Desde que Florentino Pérez retornou à presidência do clube da capital, formando a nova geração dos galáticos, o Sporting Gijón de Manolo Preciado tirou pelo menos dois pontos do Real Madrid em seis disputados. Além do 1 a 0 citado acima, na temporada 2009/2010 os gijoneses seguraram os merengues nas Astúrias, resultando no 0 a 0 que começou a colocar em xeque o cargo de Pelegrinni. No returno, entretanto, com uma equipe repleta de jogadores reservas, devido à quantidade de lesão, não deu para os rojiblancos, que perderam em Madrid por 3 a 1.

Acabada rixa, uma nova polêmica foi instalada. Durante a apresentação da biografia de Iker Casillas, um microfone aberto revelou uma conversa captada por câmeras da TV Antena 3 entre o capitão blanco e o presidente madrilenho. "Jogar ali é de alto risco. Aquela torcida é um terror", disse o presidente. As Peñas do Sporting qualificaram as declarações do treinador como desafortunadas. Preciado não gostou nada das palavras de Florentino. Afirmou, na coletiva pré-jogo, não dar a mínima ao madrilenho e que, entre as armas de sua equipe, não estão o uso da violência. Ainda recordou que, no momento, o Sporting Gijón é a quarta equipe que menos recebeu cartão amarelo na competição. "Será uma partida duro, mas nobre", sentenciou.