sábado, 31 de julho de 2010

Balanço Final: Deportivo La Coruña

No primeiro turno, Filipe Luís era o destaque do Deportivo que parecia disposto a pegar a vaga à Champions League. Quando lesionou-se, o Deportivo caiu... e muito (reuters)

DEPORTIVO LA CORUÑA

Técnico: Miguel Ángel Lotina
Competição europeia: não disputou nenhuma
Copa do Rei: caiu nas quartas de final
Destaque: Filipe Luís (defensor)
Artilheiro: Riki (8 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um time que tem o segundo pior ataque do campeonato precisa contar com a defesa para se salvar. A trajetória do Deportivo deixou isso bastante evidente. No primeiro turno, a defesa foi uma das menos vazadas do campeonato, mascarando a baixa produtividade ofensiva.

Quando os adversários começaram a fazer gols nos galegos, o time despencou e acabou no meio da tabela. A lesão de Filipe Luís tem relação direta com isso, mas o estilo de jogo do time ficou viciado e atacantes como Mista, Bodipo e Adrián decepcionaram.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Jogadores: Raúl Tamudo

Tamudo e o gol, batizado de Tamudazo pelos torcedores do Espanyol, que calou o Camp Nou: tento que tirou o título do Barcelona na temporada 06/07 (reuters)

Sem sombra de dúvidas, as despedidas de Guti e Raúl, no Real Madrid (já previstas desde o embalo da temporada 09/10), causaram um grande impacto na mídia. Mas, entre outras despedidas "melancólicas" que estão rolando na Espanha, um outro grande ícone e ídolo de um clube espanhol também está se despedindo. Ele é Raúl Tamudo, o baixinho atacante do Espanyol. Ao contrário de Guti, Raúl, no Real Madrid, e Baraja, no Valencia, a despedida do El León de Santa Coloma foi um pouco mais triste: o motivo de seu adeus foi uma briga com a diretoria périca, no início do segundo semestre. Um dos grandes motivos para o clube blanquiazul ir até a Itália contratar Osvaldo, do Bologna, que rapidamente supriu a presença de Raúl no ataque périco com alto estilo: em apenas cinco meses, o ítalo-argentino tornou-se o artilheiro dos catalões na temporada.

Pois bem, a história de Tamudo com a Liga Espanhola começou no ano de 1997. Na liga dessa temporada, o Espanyol, em um jogo de vida ou morte contra o Hércules, viajava até a Comunidade Valenciana, mas precisamente na cidade de Alicante, para jogar contra os blanquiazules do Hércules, no estádio José Rico Pérez. Em uma partida direta para decretar o último rebaixado para a Liga Adelante da temporada 97/98, Tamúdo anotou o seu primeiro gol com a camisa blanquiazul, abrindo o placar na partida, rebaixando o Hércules e, assim, salvando o Espanyol do perigo.

Depois de uma temporada revezando entre a equipe A e a filial, o Espanyol resolveu cedê-lo duas temporadas consecutivas para o Deportivo Alavez e o Elche, respectivamente. Após os anos cedidos para clubes diferentes, El León voltou ao Montjuïc totalmente preparado para triunfar. Na temporada 99-00, Tamudo, 3 temporadas depois, voltava a salvar o Espanyol do decenso. Após o feito, o atacante foi promovido à capitão do clube périco, tornando-se, desde então, ídolo do clube de Barcelona.

Em 2001, após tornar-se herói da conquista da Copa del Rey do Espanyol, Tamudo recebeu uma oferta dos escoceses do Glasgow Rangers e, sofrendo uma grave crise interna, o Espanyol resolveu aceitar... o que gerou uma insatisfação enorme da torcida périca, que resolveu fazer um protesto no dia que o acordo foi confirmado. Mas algo que quase ninguém acreditava aconteceu: após fazer exames médicos para o Rangers, o médico do clube escocês disse que o espanhol não teria condições ótimas para fechar com o clube da capital, já que sofreu uma lesão na perna esquerda na final das Olimpíadas. Ironicamente, o autor de sua lesão foi Pierre Wome, jogador que acabaria virando seu companheiro de clube, temporada depois. Dois dias depois de sua contratação ser abortada pelo clube escocês, Tamudo marcava três gols em um jogo pelo Espanyol na Copa da UEFA.

No dia 26 de outubro de 2006, o atacante catalão marcou seu gol de número 100 com a camisa périca, ante o Racing Santander. Gol que rendeu homenagens do clube e da torcida périca. Ainda nessa temporada, mas no ano de 2007, superou Rafa Marañón como maior artilheiro da história do Espanyol, o que o colocou em definitivo na lista dos maiores ídolos do clube. Os dois gols que o fizeram superar essa marca, foram, talvez, os gols mais importantes da carreira de Tamudo. Os tentos foram marcados no mês de junho, em uma partida contra o Barcelona, no Camp Nou, que acabaram tirando o título da liga dessa temporada do clube azulgrená, maior rival do Espanyol.

Em Julho de 2009, Mauricio Pochettino, treinador do Espanyol, anunciou que havia chegado a um acordo com Tamudo para que este, depois de oito temporadas como capitão da equipe, cedesse a braçadeira a Daniel Jarque - que logo após foi repassada para Iván de la Peña, após Jarque falecer precocemente durante a pré-temporada périca. Esse gesto esfriou a relação do futebolista com o clube, que solicitou uma baixa em sua cláusula de rescisão de contrato, para facilitar a sua saída. Apenas no dia 8 de maio, trás uma partida do Espanyol contra o Osasuna, é que o atacante pôde se despedir dos afficcionados, jogando 27 minutos da partida.

Pela Seleção Espanhola, joga desde 2000, tendo disputado as Olimpídas daquele ano, em que foi medalha de prata. Apesar de ser usualmente convocado pela equipe, tendo média de 0,5 gol por jogo (marcou 5 vezes em 10 partidas), não disputou nenhum torneio oficial posteriormente pela Furia - nem as três Copas do Mundo seguintes, nem a Eurocopa 2004. Também ficou de fora da lista de Luis Aragonés para a Eurocopa 2008, embora tenha feito um gol decisivo nas eliminatórias para o torneio, contra a Dinamarca, abrindo caminho para uma vitória por 3 a 1 fora de casa que classificou a Espanha para a competição já na antepenúltima rodada, e da lista de Vicente del Bosque para a Copa de 2010.

RAÚL TAMUDO
Nascimento: 19 de outubro de 1997, em Santa Colona de Gramenet, Barcelona.
Posição: atacante.
Clubes: Espanyol (1992-2010).
Títulos: Copa del Rey (00-01; 06-07). Vice-Olímpico de 200.

Balanço Final: Espanyol

Em mais uma temporada com bastante segurança, o camarones Kameni foi o grande destaque périco na temporada (AP)


ESPANYOL


Técnico: Mauricio Pochettino
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Carlos Kameni (goleiro)
Artilheiro: Osvaldo (7 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um cenário parecido com o do Deportivo (próximo clube da matéria especial). O ataque foi tenebroso, o pior do campeonato. Mas a defesa funcionou e ajudou o segundo clube de Barcelona a ficar longe do rebaixamento.

Verdú foi a principal figura do meio para a frente, mas a queda de rendimento de ícones como Iván de la Peña e Tamudo (esse último teve problemas com Pochettino e já anunciou a saída, mesmo sendo reconhecido como um dos maiores jogadores da história do clube) ainda não foi contornada. Ao menos, a torcida conta com um novo estádio, que deu impulso aos resultados do time em sua casa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Uma vida, um time

Uma história em um único lugar.



Dois jogadores históricos em Chamartín, que surgiram nas categorias de base merengues e têm uma legião de fãs nas arquibancadas e nas tribunas de imprensa. E ambos anunciaram que deixam o clube nesta semana. Bom para todos: o clube e a dupla de jogadores.

A relação dos madridistas com Raúl e Guti sempre foi complexa. Raúl tem fama no Brasil de jogador mediano que só teve destaque por tantos anos por ser queridinho da mídia. Maldade. Ele surgiu como candidato a craque e foi realmente um dos melhores jogadores do Real no início da era dos galáticos (Vasco que o diga). Atuava como meia de armação e como atacante. Depois, se instalou mais no ataque e acabou se tornando um artilheiro importante, sobretudo pelos gols que marcou em Ligas dos Campeões.

Ficou marcado como um dos maiores jogadores da história do clube, mesmo atuando ao lado de craques como Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Figo, Kaká e Cristiano Ronaldo. Não é uma avaliação completamente equivocada. Raúl não tem o mesmo talento dessa turma e teve influência política de valor duvidoso, mas merecia ser considerado um dos galáticos, ainda que uma estrela de brilho menor.



Guti não tem tanto crédito assim. Atacante do Real Madrid B, foi promovido para o time principal em 1995. Nunca foi titular, mas entrava com alguma constância e até fazia seus gols. Entre 1998 e 2001, teve média de 0,33 gol por partida em competições internacionais, um índice para lá de decente para um reserva. Com o início da era do galáticos, o ataque madridista ficou superpovoado e Guti foi recuando até se tornar volante.

A relação de Guti com o Real sempre foi estranha. Seu nome foi cogitado inúmeras vezes para transferência, inclusive para Fluminense e Corinthians. Mas ele sempre ficou, e foi construindo uma grande identificação com os torcedores e a imprensa. Acabavam clamando por mais espaço para o jogador, ainda que, taticamente, fosse difícil encaixá-lo. Como volante, não tem o poder de marcação que uma equipe ofensiva como a dos galáticos sempre precisou. Como meia de armação, não era craque o suficiente para concorrer com as contratações milionárias de Florentino Pérez.




Merecido ou imerecido, o carinho que ambos tinham era incontestável, quase passional. E é inevitável pensar que tamanha consideração se transformava em sombra para quem estivesse no clube. Como o retorno que ambos dão em campo já não é o mesmo do passado, era conveniente para todos a saída. O Real fica sem duas figuras que poderiam criar uma pressão desnecessária sobre elenco e comissão técnica. Os jogadores deixam o clube em alta, com a imagem de ídolos intacta. Já há indícios de que Cristiano Ronaldo pede a camisa sete como sua nova numeração no clube blanco. Não, Ronaldo. Não faça isso. Imortealize-a.

E bola para frente.

domingo, 25 de julho de 2010

Balanço Final: Osasuna

Com o quarto pior ataque da Liga, o Osasuna fez uma boa campanha, mas perdeu o seu principal destaque (getty images)
OSASUNA

Técnico: José Antonio Camacho
Competição europeia:
não participou de nenhuma
Copa do Rei:
caiu nas quartas de final
Destaque:
Azpilicueta (defensor)
Artilheiro:
Walter Pandiani (11 gols)
Nota da temporada:
5

Com Ricardo, Miguel Flaño, Azpilicueta, Monreal e Sergio, o Osasuna teve um setor defensivo bastante confiável. Funciona bem para um clube de recursos limitados que aproveita um pouco o gosto da torcida basca por um futebol mais aguerrido e o estilo de trabalho do técnico Camacho.

Até porque, tecnicamente, o Osasuna anda devendo. Com Camuñas, Juanfran e Puñal, era possível ter um desempenho ofensivo melhor (foi o quarto pior ataque).

Destaque na temporada passada, Azpilicueta despediu-se do rojillos um pouco antes da semifinal da Copa. Agora, Azpi jogará na França, no Olympique de Marseille.

sábado, 24 de julho de 2010

O que a Espanha deve fazer até 2014?

Sergio Canales é a principal promessa da Fúria para a Copa de 2014 (reuters)


Texto de Pedro Venancio

Aparentemente, a seleção espanhola não precisa de uma grande reformulação nesse momento. Afinal de contas, o título mundial foi conquistado com uma equipe repleta de jovens jogadores que terão condições de disputar a Copa do Mundo de 2014. Algumas modificações, porém, serão inevitáveis em função da idade de alguns dos titulares do time atual.

A primeira delas provavelmente será na lateral esquerda, pois Capdevilla já tem 32 anos e dificilmente manterá o bom nível do presente. Puyol, que tem a mesma idade, se aposentou da seleção e pode ser substituído pelo jovem Mikel San José, do Athletic Bilbao. Entre os candidatos à vaga na lateral, figuram nomes como Roberto Canella, Nacho Monreal, Didac e Sergio Escudero.

No meio-campo, a expectativa é pela permanência de Xavi, que terá 34 anos em 2014 e poderá se despedir da seleção espanhola no Brasil, e Xabi Alonso, que terá 33 primaveras completadas. O risco de mantê-los é o de, obviamente, envelhecer a seleção e impedir a progressão de nomes como Sergio Canales, Thiago Alcântara, Fran Mérida e Koke, estrelas das seleções de base. No ataque, uma eventual saída de David Villa poderia ser suprida pela ascensão de Iker Muniaín, ou mesmo Bojan, enquanto que no gol, Casillas ainda reina soberano, mas terá o excelente David De Gea como “sombra” nos próximos anos.

Independente de nomes, a Espanha é nos últimos anos quem melhor trabalha a base, provavelmente ao lado da Alemanha. A conexão entre federação e os clubes é o razoável, o que permite às equipes de base sempre ter os melhores jogadores à disposição. Além disso, a mentalidade de jogo é a mesma em todas as gerações, o que facilita a chegada de jogadores jovens ao time de cima.

Nota da seleção: 10
Necessidade de renovar: 1.5
Cinco promessas: David De Gea, Mikel San José, Sergio Canales, Thiago Alcântara e Iker Muniaín
O que deve melhorar na base: ainda aperfeiçoar a relação entre clubes e seleções

Retrospecto recente: Copa do Mundo (campeã), Europeu Sub-21 (eliminada na fase final), Mundial Sub-20 (eliminada nas oitavas), Europeu Sub-19 (eliminada na fase final [ tem um campeonato em andamento]), Mundial Sub-17 (eliminada na semifinal), Europeu Sub-17 (vice-campeã)

Balanço Final: Almería

A segurança de Diego Alves no gol rojiblanco foi um dos pontos altos da temporada do Almería (udalmería.com)
ALMERÍA

Técnico: Hugo Sánchez e Juan Manuel Lillo
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Diego (goleiro)
Artilheiro: Kalu Uche (10 gols)
Nota da temporada: 5,5

Mais um ano que o Almería sobrevive na elite sem tantas dificuldades, um feito considerável para quem investe pouco em jogadores de nome e nem conta com um estádio tão intimidador aos visitantes.

A arma dos andaluzes é um futebol relativamente ousado, com até três atacantes – Uche, Crusat e Piatti – para compensar a defesa pouco confiável. Já começa a ficar famoso na Espanha pela capacidade de sobreviver com pouco. Destaca-se também a (novamente) grande temporada de Diego Alves no gol do Almería.

Passando pelo Juegos Mediterráneos, apenas o Real Madrid e o Sevilla (em um jogo épico), do "G-4" espanhol, conseguiram levar os três pontos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Balanço Final: Zaragoza

Contando com os gols de Adrián Colunga, o Zaragoza conseguiu escapar do rebaixamento (reuters)

ZARAGOZA


Técnicos: Marcelino García Toral e José Aurélio Gay
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Humberto Suazo (atacante)
Artilheiro: Adrián Colunga (7 gols)
Nota da temporada: 4

Começou a temporada com uma estrutura pesada, custosa, cheia de jogadores de alguma projeção e responsabilidade de disputar a metade de cima da tabela. Não suportou o peso dela e rondou a zona de rebaixamento todo o primeiro turno.

Quando José Aurélio Gay assumiu e deu espaço a mais garotos – tendo Ponzio e Edmílson como pontos de experiência –, os maños cresceram. Passaram a praticar um futebol mais veloz e aguerrido, compatível com a disputa das últimas posições. Ponto alto da reviravolta do Zaragoza na temporada, foi a contratação de "Chupete" Suazo, que deu um upgrade tremendo no clube blanco

Com consecutivas vitórias, finalmente o clube de Zaragoza conseguiu viver livre do rebaixamente, em sua volta à Liga BBVA.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Balanço Final: Sporting Gijón

Em sua primeira temporada completa na Liga, Miguel de las Cuevas foi o grande destaque da mediana campanha do Sporting Gijón (getty images)

SPORTING GIJÓN


Técnico: Manolo Preciado
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Miguel de las Cuevas (meia)
Artilheiro: Diego Castro (11 gols)
Nota da temporada: 5

Outro clube que tem conseguido tirar muito de pouco. De las Cuevas foi a revelação em sua primeira temporada completa na primeira divisão, mas a equipe esteve longe de ser espetacular. Teve no experiente goleiro Juan Pablo uma figura importante e fez em casa os pontos que precisou contra equipes mais fracas. Beneficou-se da fragilidade geral dos times pequenos nesta temporada.

Para piorar, os asturianos estão perto de perder o seu artilheiro, Diego Castro, para o Getafe; fontes nossas (seguras) dizem que falta apenas o 'ok' de ambas os clubes e a oficialização do acordo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Balanço Final: Racing Santander

O promissor Canales foi o grande jogador do Racing na temporada. Agora, ele irá atuar ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid (getty images)

RACING SANTANDER


Técnicos: Juan Carlos Mandiá e Miguel Ángel Portugal
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu nas semifinais
Destaque: Sergio Canales (meia)
Artilheiro: Mohammed Tchité (11 gols)
Nota da temporada: 4,5

Uma das grandes armas do Racing de Santander para sobreviver na primeira divisão foi usar as (acanhadas) dimensões do estádio El Sardinero. Pois, nesta temporada, o Racing foi a única equipe a terminar com melhor campanha como visitante do que como anfitrião.

Sinal de como tem faltado consistência à equipe. Há bons sinais, como o histórico Munitis seguindo entre os principais assistentes da liga e o talento explosivo de Canales (cotado para ir ao Real Madrid). Mas a falta de um trabalho mais racional minou a campanha de um time que caiu tanto no segundo turno que quase foi rebaixado.

domingo, 18 de julho de 2010

Guia: Pré-Temporada

O Quatro Tiempos apresenta para você, leitor, um guia de jogos da pré-temporada dos 20 clubes que disputarão a Liga BBVA 10/11.

ALMERÍA:
27/07: Almería x Cieza
29/07: Almería x Yeclano
03/08: Almería x Cartagena
08/08: Almería x Albacete
10/08: Almería x Tenerife
14/08: Almería x Granada
18/08: Almería x Real Bétis
21/08: Almería x Real Bétis

ATHLETIC BILBAO:
18/07: Athletic Bilbao x Olhanense
21/07: Athletic Bilbao x Braga
28/07 Athletic Bilbao x Alavés
31/07: Athletic Bilbao x Lens
07/08: Athletic Bilbao x x Wolverhampton
13/08: Athletic Bilbao x Genoa

ATLÉTICO DE MADRID
24/07: Atlético de Madrid x Real Bétis
06-08/08: Trofeo Carranza
18/08: Atlético de Madrid x Sporting Gijón
19/08: Atlético de Madrid x Recreativo/Bolton

BARCELONA:
29/07: Barcelona x Valerenga
04/08: Barcelona x K-League
08/08: Barcelona x Guoan
25/08: Barcelona x Milan

DEPORTIVO:
20/07: Deportivo x Young Boys
23/07: Deportivo x Twente/Stuttgart
25/07: Deportivo x Unión Berlín
31/07: Deportivo x Cardiff
03/08: Deportivo x Newclaste
07/08: Deportivo x West Ham

ESPANYOL:
24/07: Espanyol x Palamós
28/07: Espanyol x Peralada
31/07: Espanyol x Sampdoria

GETAFE
24/07: Getafe x Germinal Beerschot
27/07: Getafe x Twente
28/07: Osnabruck x Getafe
30/07: Getafe x Roda
31/07: Getafe x Bochum
12/08: Getafe x Levante

HÉRCULES:
14/08: Hércules x Elche
21/08: Hércules x Alcoyano x Levante

LEVANTE:
23/07: Levante x Benasque
26/07: Levante x Binefar
30/07: Levante x Teruel
12/08: Levante x Getafe
15/08: Benidorm x Bétis x Levante
21/08: Hércules x Alcoyano x Levante

MÁLAGA:
17 julho: Málaga x Atlético Malagueño
23 julio: Málaga x Estepona
28 julio: Málaga x Determinar
31 julio: Málaga x Real Bétis
8 agosto: Málaga x Mainz
10 agosto: Málaga x Determinar
12 agosto: Málaga x Wiesbaden
18 agosto: Málaga x Granada
21 agosto: Málaga x Determinar

OSASUNA:
31 de Julio al 1 de agosto: Torneo Maspalomas
6 de agosto: Osasuna x Bolton
7 de agosto: Osasuna x West Bromwich
11 de agosto: Osasuna x Numancia
15 de agosto: Osasuna x Rayo Vallecano
18 de agosto: Osasuna x Real Valladolid
22 de agosto: Osasuna x Real Sociedad

RACING SANTANDER
25/07: Racing Santander x Werder Bremen
27/07: Racing Santander x Eintracht
30/07: Racing Santander x St.Pauli
31/07: Racing Santander x Holstein Kiel
05/08: Racing Santander x Parma
10/08 Racing Santander x Lazio
16/08: Racing Santander x Sporting Gijón
21/08: Racing Santander x Salamanca

REAL MADRID:
31/07-04/08: Tour USA
07/08: Real Madrid x Los Ángeles Galaxy
13/08: Real Madrid x Bayern de Munich
17/08: Real Madrid x Standard
21/08: Hércules x Real Madrid
24/08: Real Madrid x Corinthians (a confirmar)

REAL SOCIEDAD
30/07: Real Sociedad x Elgoibar
11/08: Real Sociedad x Eibar
14/08: Real Sociedad x Sporting Gijón
18/08: Real Sociedad x Real Unión
22/08: Real Sociedad x Osasuna

SEVILLA:
23/07: Sevilla x San Fernando
31/08: Sevilla x Atalanta
06-08-10/08: Trofeo Ramón de Carranza

SPORTING GIJÓN:
21/07: Sporting Gijón x Torrelavega
24/07: Sporting Gijón x Sporting Gijón B
28/07: Sporting Gijón x Barakaldo
31/07: Marino de Luanco x Sporting Gijón
04/08: Sporting Gijón x Logroñes
07/08: Sporting Gijón x Ponferradina
11/08: Sporting Gijón x Espanyol
14/08: Sporting Gijón x Real Sociedad
16/08: Sporting Gijón x Racing Santander
18/08: Sporting Gijón x Atlético de Madrid

VALENCIA:
25/07: Valencia x Al Hilal
28/07: Valencia x Celje
31/07: Valencia x Hannover 96
01/08: Valencia x Olympique de Marseille
06/08: Valencia x Aston Villa
07/08: Valencia x Manchester City
12/08: Valencia x Palermo
18/08: Valencia x Fiorentina

VILLARREAL:
24/07: Villarreal x Athlone Town
26/07: Villarreal x Saint Patricks
28/07: Villarreal x Tottenham
31/07: Villarreal x Lechia Gdansk

ZARAGOZA:
18/07: Zaragoza x Navaleno
21/07: Zaragoza x Atlético Calatayud
24/07: Zaragoza x Alavés
04/08: Zaragoza x Wigan
08/08: Zaragoza x Tenerife
14/08: Zaragoza x Numancia

sábado, 17 de julho de 2010

Pré-Temporada: Primeiras movimentações

Nova contratação do clube andaluz, Guarente foi o destaque na estreia do clube na temporada (eldelmarques)

O Sevilla jogou essa noite em Chiclana a primeira partida amistosa da pré-temporada. A equipe de Antonio Álvarez, que todavia padece de falta de ritmo, se impos por 5 a 1 com gols de Rodri, Perotti e Kanouté no primeiro tempo, e de Escudé e Negredo, que fizeram no segundo tempo.

Guarente demonstrou personalidade e vontade de dirigir o jogo da equipe sendo o homem com mais posse de bola no Sevilla, junto com José Carlos.

O Sevilla começou com: Palop, Konko, Cala, Escudé, Luna, Alfaro, Guarente, José Carlos, Perotti, Kanouté e Rodri. No segundo tempo entraram Dabo, Fernando Navarro, Acosta, Campaña, Renato, Capel, Negredo e Luis Alberto. Precisamente, o canterano teve de ser substituído por causa de moléstias quando já levava 41 minutos sobre o campo.

Amanhã haverá o segundo amistodo da pré temporada: ás 21:30 horas (horário espanhol), ante o Vila de Rota.

Atlético de Madrid goleia

Também hoje, o Atlético de Madrid entrou em campo pela primeira vez na temporada 10/11. Contando com um mistão, os rojiblancos golearam os anfitriões do Alcalás, da Segunda Divisão B, por 8 a 2. Destaque para as atuações de alguns canteranos e de Fran Mérida, principal, até agora, contratação dos colchoneros para a próxima temporada. Mérida foi o autor de dois gols, entre eles, um golaço de fora da área aos 4 minutos do segundo tempo.

Das notas negativas, apenas a de que Ruben Pérez, canterano autor do gol que abriu o placar, saiu lesionado no minuto 38. A partida foi disputado no estádio Virgen del Val, localizado na cidade madrileña de Alcalá de Henares.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Enfim o MUNDO!!!

Iniesta e o gol que o colocou na história do futebol espanha. Após bater na trave várias vezes, a Espanha é campeã do mundo (AP)


Iniesta pega a bola, falta. Xavi é acionado, falta. Pedro recebe um passe, falta. Xabi Alonso domina... bem, você já sabe. A Holanda abusou das faltas contra a Espanha. Foram 28, algumas delas bastante violentas. Mas isso não foi um retrato de uma equipe descontrolada ou desesperada. Era uma estratégia de jogo. Pode não ser a mais louvável, mas é algo permitido pela regra. E, a bem da verdade, ela até foi bem sucedida do ponto de vista defensivo. O problema é que serviu para tirar os próprios holandeses da partida.

Bert van Marwijk é um técnico inteligente, que conhece futebol, está determinado a levar seu time à vitória e sabe como fazer o elenco se unir em torno de uma ideia. Foi assim que fez a Holanda jogar focada no Mundial – e perder o foco é um antigo vício das seleções holandesas – e priorizar a vitória à beleza do jogo. Na final, ele sabia que as chances laranjas aumentariam se o time quebrasse a posse de bola da Espanha.

Para viabilizar sua estratégia, os holandeses fizeram duas coisas: congestionaram o setor de armação da Espanha, tirando espaço para movimentação, e partiram para uma marcação agressiva, atacando como fosse possível quem estivesse com a bola. Quando o desarme não se concretizava, uma “falta tática” era bem-vinda. E assim a Holanda não teve pudor em derrubar Iniesta, Xavi, Pedro, Xabi Alonso...

Funcionou parcialmente. A Espanha não conseguiu impor tanto sua posse de bola, sobretudo no primeiro tempo e em parte do segundo. Alem disso, os ibéricos ficaram irritados com as faltas sofridas e eles próprios fizeram das suas. Os lances ríspidos tornaram o jogo interessante pela tensão. A qualquer momento, um time poderia perder a cabeça e atirar pela janela o título.

Mas os espanhóis estavam mais conscientes do que era preciso fazer para vencer a partida. Os holandeses, não. No desejo de anular o oponente a qualquer custo, a Holanda não tinha opções de ataque. A única estratégia era lançar Robben e torcer para o meia-atacante conseguir um gol em jogada individual. Duas vezes o jogador ficou na cara de Casillas, mas não dá para dizer que os laranjas estavam realmente construindo algo.

O pior é que, atrás, o sistema defensivo foi trincando aos poucos. De tantas faltas cometidas, muitas delas desleais, a Holanda ficou carregada de cartões amarelos (sete, seriam mais se Howard Webb estivesse mais rigoroso). Sob o risco de perder jogadores, Van Marwijk tirou nomes importantes como De Jong e Van Bronckhorst e abriu espaço, pois teve de improvisar Van der Vaart como volante e usar o inexperiente Braafheid.

O que era um jogo tenso e travado se transformou em domínio espanhol, ainda mais depois da expulsão de Heitinga. Claro, continuava faltando mais poder de decisão dos ibéricos. Villa não conseguia receber em condições de finalizar, Iniesta e Xavi hesitavam antes de um arremate, Navas só caía pela ponta e Fernando Torres fazia falta na frente. Mas a Espanha já era hegemônica e o gol poderia sair a qualquer momento.

E saiu. Justamente onde a Holanda se fragilizou. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Jesús Navas avançou pela direita, onde Braafheid deixava espaço, tocou para o meio, onde Iniesta e Fábregas articulavam sem o combate de um volante (Van Bommel virou zagueiro para tapar o buraco deixado por Heitinga e Van der Vaart não tem intimidade com a função). Da troca de passes, Iniesta recebeu na cara do gol, e chutou no canto direito de Stekelenburg.

A Espanha não teve sua noite mais inspirada, até porque expôs nervosismo e tensão. Ainda que o placar e o sofrimento da decisão não retrate a diferença técnica entre as equipes, o título foi merecido. E quem mais demonstrou isso foi a Holanda com sua estratégia defensiva. Pois há elogio maior do que o medo do adversário?

Algumas partes extraídas da matéria de Ubiratan Leal. Contribuição de Victor Mendes.

domingo, 11 de julho de 2010

La Liga na Copa

O trio culé está perto de fazer história com a conquista inédita de Copa do Mundo pra Espanha (getty images)


Com as atenções voltadas à Copa do Mundo, o rítmo de postagens do Quatro Tiempos caiu muito. Fizemos uma pausa na nossa matéria especial sobre o Balanço Final dos 20 clubes da Liga BBVA 09/10 (iremos continuar após o término do Mundial) para voltarmos a nossa atenção para a competição que pára o Mundo.

Na matéria de hoje, traremos uma compilação com uma avaliação do desempenho de cada jogador que atua na Espanha e participou da Copa do Mundo da África do Sul. Boa leitura!

David Villa, Xavi Hernandez e Andrés Iniesta
Os três jogadores é a base do sucesso espanhol na Copa do Mundo. Um decide; o outro organiza de modo perfeito o meio-campo; o terceiro outro dá uma maior movimentação na meiuca roja. O trio do Barcelona 10/11 vêm fazendo grandes jogos e são candidatíssimos ao título de melhor da Copa e do Mundo.

Na estreia da Espanha na Copa, a fama de "amarelona" - que, após a classificação à final, já foi esquecida por alguns - voltou à tona novamente. A derrota da Suiça, num jogo onde a Espanha foi bem, trouxe um pouco de dúvidas sobre os "pilares" espanhóis. Tanto Xavi quanto Iniesta não chegavam no ápice de sua forma, e Villa estava muito sobrecarregado após uma temporada em que pouco foi poupado no Valencia. Veio a segunda rodada, e Villa começou a decidir. Na vitória por 2 a 0 sobre Honduras, o Guaje foi autor de um doblete providencial para o resultado da partida e poderia ter feito um hat-trick se não tivesse desperdiçado uma cobrança de pênalti.

Só na terceira rodada, na partida decisiva contra o Chile, que os três protagonistas rojo começaram a aparecer. A Espanha venceu por 2 a 1, e tanto Villa como Iniesta marcaram os gols da vitória espanhola. Na final contra a Holanda, Villa, Xavi e Iniesta terão dois concorrentes direto na briga pelo título de melhor da Copa: os craques Robben e Sneijder.

Robben e Sneijder

Por incrível que pareça, Florentino Pérez deve estar coçando a cabeça neste momento. "Chutados" do Real Madrid pelo seu novo presidente, Robben e Sneijder tornaram-se protagonistas de seus novo clubes e levaram-o a uma final de Champions League - desejo incontrolável de Florentino Pérez -, vencida pela Inter de Sneijder e Diego Milito.

Sneijder é um dos poucos craques que brilharam durante 2009-10 e mantém o alto nível na África do Sul: se boa parte dos grandes jogadores não fizeram a diferença para suas seleções, a campanha da Holanda tem sua marca. Com Arjen Robben indisponível no início da Copa, o interista decidiu os primeiros jogos para sua seleção e, mesmo após a volta do ponta do Bayern de Munique, continua sendo o principal jogador holandês no torneio: fez os gols decisivos contra Eslováquia e Brasil, é um dos vice-artilheiros da Copa (com quatro gols) e já foi eleito como melhor em campo por três vezes no torneio.

Caso leve a Holanda ao título mundial e alcance um feito que três fantásticas gerações da Oranje - a de Johan Cruyff e Johan Neeskens; a de Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard; e a de Dennis Bergkamp, dos irmãos De Boer e van der Sar - não conseguiram, Sneijder entra em outro patamar na história do futebol de seu país. Com o fracasso da Argentina de Messi e com a consagração com seu clube, já é taxado como favorito ao primeiro prêmio unificado entre Fifa e France Football de melhor jogador do mundo, que será concedido no dia 10 de janeiro de 2011: o Bola de Ouro Fifa.

Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo e Higuaín
Os três primeiros foram uma das grandes decepções da Copa. Kaká encerra uma temporada totalmente pífia. Sem títulos, com lesões, com altas críticas, etc. Cristiano Ronaldo foi bem na temporada pelo Real Madrid, mas pouco fez na Copa do Mundo. Já Lionel Messi fez uma boa primeira fase de Copa, mas saiu da competição vendo a Argentina ser goleada e sem ter feito um gol. Como prêmio de consalação pro gênio argentino, fica que ele encabeçou a lista de melhores jogadores da Copa - que deve ser vencida pelos protagonistas dos primeiros tópicos da matéria.

Higuaín foi, em boa parte da Copa, 8 e 80. Fez uma estreia péssima, onde perdeu gols incríveis, e marcou um hat-trick contra a Coreia do Sul, na segunda rodada. Poupado contra a Grécia, voltou contra o México e fez mais um. Na eliminaçao albioceleste, contra a Alemanha, sumiu, assim como o time todo.

Forlán
Forlán foi, sem dúvidas, um dos maiores jogadores desta Copa. Levou o Uruguai a uma mítica semifinal de Copa - 40 anos depois de sua última participação nesta fase.. O ídolo da torcida colchonera é um dos artilheiros da competições e também está cotado para ser o melhor da competição. Com a eliminação do Uruguai nas semifinais pra Holanda, as chances de Diego Forlán ser eleito o melhor da Copa abaixou demais. Para alguns, mesmo com o não título da seleção uruguaia, o uruguaio é, sim, o melhor jogador desta Copa do Mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A um passo da história!

Dessa vez, foi Puyol quem decidiu. Com um meio-campo perfeito, a Espanha está a um passo de fazer história (getty images)


Predadores são animais espertos. A prática da caça diária, a necessidade de vencer combates diários para se alimentar, formaram um arsenal de técnicas para abater o adversário. O leigo pode achar que basta ter força, mas até um espinossauro ou um velociraptor sabia como explorar as fraquezas de sua presa. É parte do metiê de um predador.

Era essa a filosofia alemã desde que teve início o mata-mata da Copa. É uma equipe bastante técnica, com meio-campo poderoso e contra-ataque mortal. Mas que cresceu muito ao saber como atacar os pontos frágeis do oponente. Uma Inglaterra confusa e com linha defensiva desconexa viu tabelas rápidas. Uma Argentina com meio-campo ralo encarou uma marcação sólida e com saída de bola. Só que a Espanha, mesmo com todos os problemas que enfrentou durante a campanha, é uma equipe consistente e organizada. Aí, a semifinal da Copa virou briga de predadores do mesmo tamanho. Vencer era questão de se adaptar às circunstâncias do momento.

Para resistir à Alemanha, os espanhóis precisariam tapar seus buracos. Ou, pelo menos, o mais visível. Depois de muito insistir com um Fernando Torres fora de sua melhor forma, Vicente del Bosque fez o óbvio e colocou mais um jogador no meio-campo. Com um trio de armadores, teria mais facilidade para articular jogadas e intensificar seu estilo de troca de passes curtos, rápidos e pacientes. David Villa é um grande artilheiro, mas não é o centroavante dos sonhos para se ter como referência, pois se movimenta muito. Era um problema menor.

O meio-campo com cinco homens deu à Espanha o domínio do setor, até porque Sergi Busquets e Xabi Alonso estavam sempre atentos para qualquer tentativa de saída de jogo da Alemanha. Era uma marcação agressiva, que tomava a iniciativa do desarme ao invés de esperar o movimento do adversário. Os alemães não conseguiam usar sua velocidade, até porque a entrada de Trochowski tirou um pouco do poder criativo do time, mais concentrado em Özil. Schweinsteiger era um leão nas funções defensivas, mas a forte presença ibérica a seu redor inibiu os avanços.

Mesmo com um cenário positivo para a campeã europeia, o primeiro tempo foi equilibrado. As duas equipes jogaram no máximo de sua concentração, ciente de que enfrentavam um oponente que não dava margem para erros. As defesas prevaleciam e poucas jogadas surgiram.

Depois do intervalo, a Espanha pareceu entender o momento histórico pelo qual passava. Empurrar o jogo para a prorrogação, e eventualmente aceitar uma disputa de pênaltis, era um risco grande para quem não podia admitir uma eliminação. A Furia nunca teve um time tão competitivo, tão técnico, com comprovada capacidade de vencer e que já tivesse ido tão longe em um Mundial. Talvez a seleção espanhola demore a ter outra oportunidade de ser campeã do mundo. Então, eram 45 minutos para mostrar que tinha virado grande, um grande predador capaz de abater outro.

A organização tática não se alterou, mas os ibéricos avolumaram seu jogo. Passaram a empurrar a Alemanha, usaram Pedro (grande sacada de Del Bosque) para explorar Boateng, o ponto mais fraco da defesa germânica, e usaram arremates de longa distância para ameaçar o gol – já que entrar na área estava difícil devido às monstruosas atuações de Friedrich e Mertesacker.

Não havia um bombardeio, mas já estava evidente que, se a partida seguisse naquele ritmo, o gol espanhol surgiria em algum momento. Acabou ocorrendo em uma bola parada, com um salto impressionantes de Puyol para superar sua falta de estatura e cabecear ao gol de Neuer.

Os alemães adiantaram seu time e buscaram o empate, claro. Ante um time muito compacto como o espanhol, a Alemanha abusou do jogo aéreo. E Puyol, Piqué e Sergio Ramos venceram todas pelo alto. Casillas teve pouco trabalho e a Espanha até teve boas oportunidades para ampliar sua vantagem no contra-ataque.

O jogo ficou mesmo no 1 a 0, mas o placar mais justo até teria margem maior. Sinal que a Espanha está aprendendo a ser grande. Não deu possibilidade de o adversário praticar seu futebol e impôs seu estilo até que a vitória surgisse com alguma naturalidade. A Alemanha não deixa de ser uma grande predadora, mas sucumbiu diante de outro predador.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pra frente!

Pela primeira vez em sua história nas semifinais, a Espanha quer fazer mais história (AP)


Iniesta é craque. E merece ser levado em conta na eleição da seleção ideal da Copa. Ele pegou a bola no meio-campo, tabelou com um companheiro, driblou dois adversários e deixou Pedro na cara do gol. O arremate foi na trave, mas David Villa aproveitou o rebote para fazer o único gol de Espanha x Paraguai. Um jogo que coloca a Furia entre as quatro melhores do mundo pela primeira vez desde 1950. Um jogo que, independemente do aque possa acontecer, já coloca a Fúria na história.

Foi uma das poucas jogadas em que a Espanha conseguiu imprimir seu estilo, sua principal arma. Sorte dos espanhóis que foi suficiente para garantir a vitória. Exatamente o que havia ocorrido contra Portugal. Os paraguaios reforçaram o combate no meio-campo – com momentos em que até adiantaram a linha de marcação – e deixaram o setor criativo asfixiado. Xavi e Iniesta ficaram distantes, Villa e Fernando Torres caíam pelos lados e não havia articulação das jogadas.

Esse problema se arrasta desde a partida contra Honduras, na segunda rodada, quando Vicente del Bosque passou a escalar a equipe no 4-4-2. O sistema de jogo não tem funcionado bem, pois deixa o time mais marcável, sem poder de troca de passes envolventes na entrada da área. Os espanhois continuam dominando a posse de bola, mas agora com mais toques na intermediária, onde o ataque é estéril.

Já se tornou um problema crônico. Mas há bons sinais. Del Bosque parece cada vez menos compelido a manter Torres como titular. Sem o melhor de sua forma física, o atacante perde capacidade de movimentação e de explosão muscular. Torna-se um peso no ataque, que poderia ser substituído por alguém que desse mais força na frente ou consistência no meio-campo.

Contra o Paraguai, o técnico colocou Fàbregas. Ele entrou em cinco minutos malucos, com um pênalti desperdiçado de cada lado, mas, depois disso, ajudou a dar corpo a uma Espanha mais dominante. Foi desse meio-campo com figuras mais próximas uma da outra que saiu a tabela do gol. E foi de Pedro, que entrou no final para abrir mais o jogo pela direita, que quase saiu o segundo. Ou seja, Del Bosque já admite mudar a equipe.

Mas não é apenas essa a boa notícia para os espanhois. Melhor ainda foi chegar às semifinais e pegar uma seleção contra a Alemanha. Contra suíços, hondurenhos, chilenos, portugueses e paraguaios, a Furia entrou em campo como favorita. Essa condição obrigou o time a fazer mais do que precisava, a vencer e convencer, a zerar os erros. A Espanha não soube conviver com isso. Classificou-se porque é tecnicamente muito boa, mas foi muito para o time.

Como a Alemanha vem atropelando ex-favoritos como Inglaterra e Argentina, o favoritismo é germânico. Além disso, o fato de já ter chegado às semifinais deixa a equipe de Del Bosque consciente de que já fez uma de suas obrigações: estar entre as quatro melhores depois de 60 anos. Mesmo se perder, a Espanha pode voltar para casa dizendo que já superou as campanhas anteriores.

Esses dois fatores dão leveza psicológica à campeã europeia. Se ela souber usar isso e mexer nos problemas táticos que persistem desde o início da Copa, é perfeitamente cabível imaginar uma inédita final para a Furia. Por melhor e mais eficiente que esteja jogando a Alemanha, ela não é barbada na decisão do Mundial.

sábado, 3 de julho de 2010

Guerra Ibérica vencida

Villa decide mais uma vez, e Espanha derrota Portugal (getty images)

Os pontas sumiram do futebol por um tempo, mas voltaram nesta década. Com uma função diferente, voltando mais para compor a marcação, mas voltaram. E é isso que o torcedor espanhol deve pensar quando vê sua seleção sofrer na Copa do Mundo. O time dá sinais de evolução: não tem a fluidez de meses atrás, mas já deixou para trás o fantasma de uma trágica eliminação prematura. Além disso, já descobriu um homem que pode decidir os duelos em seu favor, fator fundamental em um torneio traiçoeiro como o Mundial. Só que não consegue jogar pelas pontas.

Contra Portugal, isso ficou muito claro, sobretudo no primeiro tempo. Carlos Queiroz repetiu a receita usada contra o Brasil. Congestionou o meio-campo e tirou o espaço para os homens de criação do adversário trocarem passes. Os portugueses ainda tinham boas saídas para contra-ataques e, se tivesse alguém mais incisivo para fazer companhia a Cristiano Ronaldo, poderiam ter aberto o marcador.

(Obs. 1: de diferente para a partida contra os brasileiros era a predisposição ao jogo físico. O espírito de competição mais acirrado, algo quase sul-americano, não foi visto contra os vizinhos espanhóis, ainda que tenha marcado o duelo com a ex-colônia.)

O problema é que Vicente del Bosque monta a Espanha no 4-4-2 com meio-campo em linha. No entanto, o setor é formado por dois centrais mais marcadores (Sergi Busquets e Xabi Alonso) e dois “alas” na armação (Xavi e Iniesta). Para permitir as tabelas que marcam a equipe, a dupla de criação se aproxima, fechando em direção ao meio. Com isso, os lados do campo ficam desocupados, até porque os laterais claramente estão instruídos a avançar pouco. Vez ou outras, os atacantes caíam para os cantos, mas, aí, ficava sem ninguém para concluir no meio.

Não é difícil resolver esse problema, desde que Del Bosque se disponha a voltar um pouco no tempo. Uma possibilidade é tirar um dos volantes e colocar outro meia de armação (Fàbregas, David Silva ou mesmo Jesús Navas). Com um volante mais atrás e três meias, é possível posicionar um aberto por cada lado sem desarticular o setor de armação. Silva e Iniesta caem bem pela esquerda e Navas é insinuante pela direita. Ficaria um 4-1-3-2, sistema vencedor da Eurocopa. O mesmo pode ser feito com a entrada de um desses jogadores de armação para a saída de um dos atacantes (formando um 4-2-3-1, usado na estreia contra a Suíça, uma derrota que não se deveu ao sistema de jogo, mas ao preciosismo no momento da finalização).

(Obs. 2: uma possibilidade mais radical ainda seria tirar um volante e um atacante para a entrada de dois meias, no 4-1-4-1 que foi usado com sucesso nas Eliminatórias para a Euro 2008 e na final desta competição - Villa estava suspenso)

Nesta terça, Del Bosque tentou buscar alternativas no time que tinha em campo. Assim, Sergio Ramos teve liberdade para subir mais, criando alguns problemas para Coentrão (um dos destaques da partida). Além disso, Villa se aproximou um pouco mais de Xavi e Iniesta. O sucesso foi parcial. As jogadas pelos lados continuaram raras, mas houve uma em que Xavi, Iniesta e Villa conseguiram realizar uma tabela curta e rápida. Resultado: gol do atacante. Estava impedido, é verdade, mas foi resultado da primeira vez em que a Espanha completou sua jogada mais característica na partida.

A partir daí, Portugal teve de se abrir. Aí o jogo mudou. Bastou à Espanha trocar passes nos espaços que surgiram. E trocar passes é algo tão natural para esses jogadores quanto comer uma butifarra ou beber uma sangria. Até teve oportunidades de ampliar a vantagem, mas parou no goleiro Eduardo (um dos melhores desta Copa).

O time português cresceu no jogo e passou a criar mais chances, mesmo tendo menos a bola do que a Espanha. No intervalo, a estatística de posse de bola era de 62% para a Espanha, 38% para Portugal, mesmo o time português tendo sido mais incisivo na última parte do primeiro tempo.

O segundo tempo começou como o primeiro: Espanha com posse de bola, Portugal com contra-ataques. E aos seis minutos, Hugo Almeida foi lançado pela esquerda e jogou para a área, a bola desviou em Carles Puyol, enganou Casillas, mas saiu.

Fernando Llorente, aos 15, deu cabeçada perigosa aos 15 e obrigou Eduardo a grande defesa, três minutos depois de entrar em campo. Na continuação do lance, a bola sobrou para David Villa, que bateu de fora da área e vi a bola passar perto.

Aos 17, Portugal não escapou. Em bola trabalhada na entrada da área, Andrés Iniesta tocou para Xavi, que, de calcanhar, deixou Villa na cara do gol e em posição ilegal. Ele bateu, Eduardo defendeu e no rebote mandou para a rede: 1 a 0, Espanha.

No final das contas, a Espanha deu uma demonstração de força, pois soube contornar um problema e vencer demonstrando superioridade técnica. É uma equipe em evolução, que chega como favorita contra o Paraguai e pode perfeitamente vencer Argentina ou Alemanha nas semifinais (ainda que argentinos e alemães tenham apresentado futebol melhor até o momento). No entanto, ainda há ajustes a fazer. E um deles é usar melhor os lados do campo.