sábado, 24 de abril de 2010

Torneios de Pré-Temporada: Troféu Festa de Elche



O estádio Manuel Martínez Valero recebe todo ano o torneio "Trofeu Festa de Elche" (getty images)


O Troféu Festa de Elche (Festa d'Elx, em catalão) é um torneio amistoso de futebol que se organiza todo ano na cidade espanhola de Elche, (provincia de Alicante) de maneira ininterrumpta desde 1960, sendo o terceiro troféu de verão mais antigo da Espanha, despois do Teresa Herrera e o Ramón de Carranza. Um total de 39 clubes de 13 países diferentes já participaram do torneio, sendo o Elche FC quem disputa como mandante em cada uma das edições. Em 2009 foi disputada a qüinquagésima edição, sendo o Elche FC o atual campeão do torneio.

Em 1969, Elche e Estudiantes se enfrentaram pelo torneio. Os argentinos foram campeões ao ganharem por 2 a 1 (elche.com)

O Troféu Festa de Elche foi criado no ano de 1960 pela Junção de Elche para conmemorar as festas da cidade, em honra à sua padroeira, a Virgem de Assunção, cada 15 de agosto. Em um primeiro momento, o troféu representaria a Palmeira imperial, porém por diversos motivos se propususeram a dar ao troféu o nome de José Esquitino, nome de quem fora presidente em Elche por então, porém o mesmo não concordou.

No jogo desta temporada, o Elche venceu por 2 a 1 o Almería, conquistando, assim, o seu 25º torneio.

Todos os campeões

Elche FC - 25 títulos.

FC Barcelona - 3 títulos.

Real Madrid, Real Múrcia, Vasco da Gama, Indepediente, Estudiantes de La Plata, Real Zaragoza, Valencia, Seleção do Marrocos, Osasuna, Villarreaal, Deportivo, Real Bétis, Mallorca, Espanyol, Ferencvárosi Torna Club - 1 Título.


Você pode saber mais do torneio entrando página especial (em castellano) sobre o Torneio que movimenta a cidade da comunidade valenciana.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A consagração de Raúl

Em Agosto de 1997, o Real Madrid conquistou a Supercopa da Espanha, após derrotar o Barcelona por 5 a 3, com 3 gols da, até então, promessa Raúl. Nessa temporada chegou ao clube, procedente do Real Zaragoza, o jovem atacante Fernando Morientes, que fez junto com Raúl, a dupla de ataque após algumas temporadas. Com seu novo treinador, o alemão Jupp Heynckes, Raúl não teve uma posição "fixa" em campo, devido as suas constantes trocas no time titular.

Na primeiro ocasião, foi posicionado como um meia central, vindo de trás da dupla Suker-Mijatovic, e foi assim até o último caminho da temporada. Apesar da titularidade, não rendeu como suas anteriores temporada, devido a fraca condições físicas provocadas pela pubalgia, que arrastava desde a pré-temporada.

Após ficar alguns meses fora, Raúl voltou as atividades com os merengues, mas não alcançou um bom número de gols na Liga BBVA 1997-98 (apenas 10 gols). Em contraste, fez um boa Uefa Champions League e se consagrou nas classificações do Real contra Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund. O Real Madrid chegara a sua primeira final de Champions em três decadas. No dia 20 de Maio de 1998, Raúl conquistou sua primeiro UCL, sétima do Real Madrid, quando os blancos impulseram 1 a 0 na Juventus, em Amsterdan.

Escalação da final da LC de 97-98, entre Real Madrid e Juventus. Olha o Raúl alí...

No início da nova temporada, os blancos perderam a Supercopa da Europa ante o Chelsea por 1 a 0, em Mônaco, trás a estréia do holandês Guus Hiddink na direção técnica. Contudo, foi no dia 1 de Dezembro de 1998, que Raúl se consagrou de vez para o futebol. O Real Madrid venceu o Mundial Interclubes contra o Vasco da Gama por 2 a 1, e Raúl foi eleito o homem da final. Na partida, Raúl marcou o segundo gol, após uma linda jogada individual, batizada com o “gol de aguanís”. Para o próprio Raúl o gol marcado por ele contra o Vasco, foi um dos mais bonitos de sua carreira futebolística. Nessa temporada, Raúl registrou seu melhor ano até o momento, apesar da irregularidade que a equipe madrileña mostrou durante o campeonato. Com 25 gols em 37 partidas, finalizou a Liga como o pichichi do torneio, superando Rivaldo (24) e o argentino Claudio López (21), do Valencia. Foi o primeiro Trofeu Pichichi que Raúl ganhou em sua carreira. A temporada 98-99 foi, de fato, a da consagração de Raúl pro mundo.

Promessas: Pablo Sarabia

Assediado por Wenger, Sarabia amadureceu e deve render bons frutos para o Real Madrid (realmadrid.com)

Originalmente do site Olheiros

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Os números comprovam: atualmente, a Espanha também é sinônimo de domínio entre as seleções de base do futebol mundial. Dentre os maiores feitos e conquistas, está o bicampeonato europeu na categoria sub-17 de 2007 e 2008, quando Bojan Krkic e Sergio García, respectivamente, comandaram outros jovens rumo ao estrelato. O fato não se repetiu na edição de 2009, quando a Fúria foi eliminada ainda na fase de grupos após três empates sem gols contra Itália, Suíça e França.

No entanto, dentre a disparidade nas atuações coletivas, destacaram-se três jogadores: o artilheiro Borja Bastón, sucessor de Fernando “El Niño” Torres no Atlético de Madrid, Isco Alarcon, meia habilidoso do Valencia, e Pablo Sarabia, canhoto e companheiro de posição que atua nos juvenis do Real Madrid, cujo espaço desta seção está reservado.

Por muito pouco, Sarabia não seguiu os passos dos compatriotas Fran Mérida e Cesc Fabregas, este último um sucesso tanto no Arsenal, quanto na seleção principal da Espanha. Atencioso com o futebol juvenil, Arsène Wenger encontrou em Sarabia mais uma de suas pedras preciosas.

Com boas atuações no Juvenil C do Real Madrid após crescer numa escola de futebol na mesma cidade, o meia já figurava na seleção espanhola sub-15 mesmo sendo um dos mais novos de sua geração. Como de praxe, o relativo sucesso ganhou notoriedade em outros países, como na Inglaterra e, consequentemente, acelerou o processo de “apropriação” pelo qual passam muitos jovens ao se transferirem.

Em 2007, agentes dos Gunners vieram negociar diretamente com os pais de Sarabia. Foram duas tentativas rejeitadas de prontidão. Nem o emprego para os pais e o futuro promissor do jogador no time principal do Arsenal garantiram que a negociação avançasse, por mais que a FIFA só interviesse a partir dos 16 anos, idade que pode proibir a ruptura unilateral de contratos e vínculos maiores do que três anos. Um exemplo à época foi a perda do argentino Gerardo Bruna, que rumou para o Liverpool nos mesmos moldes de negociação. Sarabia optou pela vontade da família e ficou.

Parece ter sido sua melhor decisão. Entre os juvenis, em que é um dos destaques, ocupa um cargo de um dos donos do time. Não à toa provou isso na edição da Eurocopa de 2009, ao classificar a Espanha com um chutaço contra a República Tcheca, na partida que definiu a passagem para a fase de grupos e evitou um desastre – um empate eliminaria a Fúria precocemente na busca do tricampeonato seguido. Antes, o camisa 11 já havia marcado contra Bélgica, Armênia e Estônia.

Outro fato que chama a atenção em Sarabia são os elogios do novo treinador. Ginés Meléndez, ex-técnico da categoria sub-19, substituiu o vencedor e companheiro Juan Santisteban no comando da seleção sub-17. E, mesmo acostumado a um futebol mais encorpado e evoluído de uma geração adiante, não economizou quando o assunto foi Pablo Sarabia.

Titular no Real Madrid? Futuro incerto

Se no Brasil o também jovem Neymar é dono da posição e escolhe camisa no Santos, o panorama é um tanto quanto diferente em Madri. Embora Juande Ramos tenha levado aos merengues uma consistência rara na década – ainda que a anos-luz do rival Barcelona –, o material humano, principalmente no meio-campo, é escasso. Não à toa o lateral de origem Marcelo fora utilizado em muitas rodadas do Campeonato Espanhol mais avançado, ao lado dos holandeses Robben e Sneijder.

Sarabia pode e deve ser a solução em médio prazo. E terá bons testes nos torneios de maior apelo entre as seleções de base. O Real Madrid, hoje um elenco heterogêneo, mediano e sem identificação, necessita dos bons valores da casa. Ele não ficou à toa e merece atenção especial.


Ficha técnica

Nome completo: Pablo Sarabia Garcia

Data de nascimento: 11/05/1992

Local de nascimento: Madrid, Espanha

Clubes que defendeu: Real Madrid

Seleções de base que defendeu: Espanha Sub-17 e Sub-15

O doblete realmente é possível!

Como a torcida colchonera ainda critica Forlán?! O uruguaio novamente decidiu! (AP)

Não foi charmoso e nem heróico. Foi sério e eficaz. Lendo assim, quem não viu o jogo, pensaria numa vitória do Liverpool, mas não, foi do Atlético de Madrid. Um Atléti que aceitou a tática de guerra plantada por Benítez e venceu cada batalha dentro de campo. Foi uma partida muito séria do Atléti. O Liverpool nem deu trabalho direito e De Gea "assistiu o jogo" do gol. Ujfalusi e Perea lideraram uma (pásmem) grande defesa. Reina evitou dois gols. O Calderón não invejou o Anfield.

O primeiro gol saiu logo no começo e, ironicamente, um dos gols mais feios da história do Atléti e do currículo de Forlán será recordado como um dos mais charmosos. A beleza é ampliada em determinados cenários, sejam eles clubes ou semifinais. Aos nove minutos, Roberto Jurado veio com a bola dominada pela esquerda, entrou na área e cruzou. Diego Forlán pegou a bola, e falhou na primeira tentativa de domínio, mas conseguiu retomá-la e tocou fracamente, na saída de Pepe Reina. Daniel Agger ainda tentou tirar a bola das redes, mas fracassou, e o Atlético de Madrid fez 1 a 0. O gol não mudou a abordagem de ninguém e para o resto da noite deu a impressão de que se o árbitro deu-lhes sair imediatamente com esse resultado.

O Liverpool pouco fazia. Sem contar com Torres, N'gog caiu facilmente na marcação de Pérea e Kuyt tentava fazer tudo sozinho, já que era um dos mais lúcidos dos reds. Raúl García e Pablo Assunção cuidaram muito bem de Gerrard e impediram-o de armar o Liverpool, enquanto que Reyes enlouquecia Agger. Restou ao Liverpool tentar atacar pelo empate. Aos 15 minutos, a bola sobrou para Jamie Carragher, que dominou a bola e chegou pela esquerda, mas bateu para fora. Porém, a próxima e última chance do primeiro tempo veio do lado da equipe de Quique Sanchez Flores: aos 41, pela direita, Tomas Ujfalusi entrou pela área, fintando a defesa do Liverpool, mas acabou chutando para fora. A bola ainda tocou a rede de Reina.

No início do segundo tempo, o Atléti correu em busca do segundo gol. Logo aos oito minutos, Forlán recebeu a bola na entrada da área e tentou bater de primeira, mas o arremate saiu muito fraco, ficando fácil para Reina defender. E, aos 12, outra grande chance: Ujfalusi dominou a bola e correu pela direita, cruzando para a área. Na segunda trave, Simão Sabrosa jogou-se para escorar, exigindo grande defesa de Reina, que espalmou por cima do gol.

A partida praticamente morreu com o Atlético de Madrid batendo muitos escanteio e sem sofrer muitos apuros e nem tirando suspiros da torcida. O Atléti ontem parecia uma equipe ingles e isso é méritos de Quique. O 1 a 0 não é magnífica, mas pra volta os rojiblancos terão Agüero. A vantagem é colchonera. Resta apenas um passo para a grande final.

A torcida colchonera que tanto apoiou e deu um show, só restou cantar: "Volveremos, volveremos otra vez, volveremos a ser campeones como en el 96"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Coadjuvantes da LFP: Gonzalo Higuaín

Raça, vontade, artilheiro e amor à camisa. Algumas das características que podemos destacar em Higuaín (corazón blanco)

Gonzalo Higuaín é um jogador de futebol argentino, mas nascido em Brest, na França. Proveniente do River Plate, se transferiu, na janela de inverno da temporada 2006-07, junto com Gago e Marcello, para o Real Madrid. Higuaín é uma das jovens promessas do futebol argentino. É o terceiro filho do famoso defensor Jorge "el Pipa" Higuaín e irmão do jogador Federico Higuaín. Deixou a Franca com apenas 10 meses e não voltou até a Copa do Mundo de 1998. Embora não saiba falar a língua francesa, possui passaporte francês por ter nascido la. Nos últimos meses, há sido comparado pela imprensa com Gabriel Batistuta, artilheiro histórico da seleção argentina.

O franco-argentino estreou na primeira divisãoa argentina no dia 29 de maio de 2005, na derrota do River Plate ante o Gimnasia y Esgrima de La Plata por 2 a 1, pela 15ª rodada do Clausura daquela ano. No dia 8 de outubro de 2006, marcou dois gols frente ao Boca Juniors no superclássico do futebol argentino, onde o River venceu por 3 a 1 sendo o Pipita a figura da partida, junto com seu companheiro Fernando Belluschi. Foi o ápice para o seu treinador, Daniel Passarella, declarar que o franco-argentino tinha um "enorme futuro" e que estava "destinado a ser uma grande estrela".

Em agosto de 2006, o River Plate vendeu 50% de seu passe para o grupo Media Sport Investment (MSI), pertencente ao empresário iraniano Kia Joorabchian. Na Libertadores daquele ano, "calou" todo o Pacaembu, ao marcar 2 gols sobre o Corinthians, na vitória por 1 a 3 do River Plate, em que gerou uma enorme confusão no estádio paulista. Devido as suas grandes atuações, começou a rolar grandes rumores que equipes como Milan, Lazio, Manchester United e Chelsea, o pretendiam. Após a contratação de Marcello, pelo Real Madrid, começou a se especular uma possível contratação de dois jogadores da liga argentina: Fernando Gago, do Boca Juniors, e o próprio Gonzalo Higuaín. Ambos acabaram sendo contratados.

A chegada no Real Madrid
No dia 14 de dezembro de 2006, o River Plate chegou à um acordo com o Real Madrid para a venda do jogador franco-argentino por 12 milhões de euros, segundo cifras oficiais. Após finalizar o Apertura 2006 transferiu-se para o Real Madrid, com um contrato de 6 anos e meio de duração. Suas primeiras declarações como jogador merengue foram: " É genial ter a oportunidade de jogar em um clube tão importante como o Real Madrid. Me sinto orgulhoso de eles terem me contratado".

Sua estreia na equipe madrileña foi no dia 11 de janeiro de 2007, frente ao Real Bétis na Andaluzia, o resultado foi um apático 0 a 0 onde Higuaín foi convocado pra partida, mas não saiu do banco de reservas. Sua estreia oficial chegou três dias depois, no dia 14 de janeiro, contra o Real Zaragoza, no Santiago Bernabéu. Higuaín jogou muito bem e criou inúmeras ocasiões de gol e deu a assistência do único gol da partida, marcado por van Nistelrooy. Seu primeiro gol na Liga BBVA aconteceu no dia 24 de fevereiro do mesmo ano e com grande estilo: no dérbi de Madrid, contra o Atléti, no Vicente Calderón. Ele marcou o gol de empate do time blanco, no jogo que acabou 1 a 1. Seu primeiro gol no Santiago Bernabéu foi inesquecível, afinal, ele marcou nos últimos minutos do jogo contra o Espanyol, na vitória por 4 a 3, que deu a liderança do torneio pro Real Madrid e, rodadas depois, o título.

Na temporada 2007-08, continuou sendo determinando para a equipe madrileña. No jogo que consagrou o Real Madrid campeão pela 31ª vez, o Real Madrid perdia para o Osasuna por 1 a 0, e Higuaín entrou no segundo tempo. Ele viu Robben marcar o gol de empate, foi o autor do gol que culminou a virada do time e, consequentemente, do título do clube. Apesar disso, Higuaín voltou a banco quatro dias depois, quando o Real Madrid jogaria o superclássico do futebol espanhol contra o Barcelona, partida ao qual ficou conhecido pelo o Barcelona ter realizado o passilo ao Real Madrid. O jogo acabou 4 a 1 pro Real Madrid e Higuaín entrou no segundo tempo e deixou sua marca.

Na temporada 2008-09 teve uma grande oportunidade de ser titular devido a grave lesão sofrida pelo holandês van Nistelrooy. Foi um jogador chave dessa temporada e marcou 4 históricos gols contra o Málaga, no Santiago Bernabéu. Ironicamente, a última vez que um jogador merengue tinha conseguido tal feito, foi o próprio van Nistelrooy, em Setembro de 2006. Na atual temporada é o grande destaque do time madrileño, junto com Cristiano Ronaldo, e, contra o Valladolid, anotou o seu segundo hat-trick desde que chegou ao clube.

Na seleção argentina vai cativando seu espaço. Marcou um gol decisivo contra o Peru, nas eliminatórias, e marcou um gol importante contra a Alemanha, num amistoso internacional. Seus únicos gols profissionalmente pela seleção Argentina. Esses gols parecem ter cravado um lugar de titular no ataque na Copa do Mundo de 2010, ao lado de Lionel Messi.

Gonzalo Higuaín
Nome completo: Gonzalo Gerardo Higuaín
Data de nascimento: 10 de dezembro de 1987
Local de nascimento: Brest, França.
Altura: 1,84 m.
Peso: 75 kg.
Apelido: Pipita, El Pipa, Le Pipo.
Títulos: Liga BBVA (2006-07; 2007-08), Supercopa da Espanha (2008)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A missão de Pochettino

Pochettino armou um esquema que anulou os pilares do Barça e consequentemente o próprio Barça (AS)


Uma semana depois de vencer o Real Madrid no Santiago Bernabéu – e ficar com cara de que o título estava no papo –, o Barcelona tropeçou no Espanyol no dérby barceloní e viu a vantagem na ponta cair a um ponto. Não foi um grande negócio sair com o 0 a 0 do Cornellà-El Prat, mas é injusto condenar o Barça. Afinal, os péricos foram perfeitos em anular os blaugranas, de um modo que, talvez, apenas o Rubin Kazan e a Inter de Milão tenha feito.

O Espanyol se fechou. A linha defensiva (Chica, Pareja, Victor Ruiz e Didac) não avançou. Aos quatro se uniram os volantes Baena e Forlín e até o meia Callejón. Com isso, a intermediária ficou congestionada, quebrando a velocidade do Barcelona. Messi não conseguiu se deslocar e Xavi ficou preso no meio. Claro, se fosse tão simples, todo mundo faria isso para segurar o Barça. Mas o time de Mauricio Pochettino contou com outros dois elementos: o Barcelona estava sem jogadas pelas pontas (Pedro não teve uma grande noite, Maxwell ficou de meia ofensivo por falta de opções – Ibrahimovic ainda volta de contusão e só jogou no segundo tempo – e Daniel Alves foi injustamente expulso) e cada jogador espanyolista atuou com a dedicação de quem estava em final de Copa do Mundo. Não houve jogo, na prática. Um time tentou anular o outro e conseguiu. Simples assim.

É compreensível. Considerando que uma vaga para competição europeia era ilusão, o torcedor périco tinha apenas dois desejos para a temporada: não rebaixar e não perder para o Barcelona no primeiro derby barceloní do estádio Cornellà-El Prat. E foi para isso que Pochettino organizou a equipe. Vencer era muito menos importante do que não perder. Até o contra-ataque foi sacrificado em nome de um jogo travado.

Os críticos podem chamar de antijogo. Mas o Espanyol teve seus motivos para elaborar essa estratégia. E o fez com sucesso. Se esse empate tirar o título do Barça, a torcida espanyolista ficará ainda mais satisfeita. E terá valido a pena.

Pós-Jogo: Inter 3x1 Barcelona

Maicon chuta para vencer Valdés. Merecidamente, a Inter derrotou o Barcelona e está próximo da final (globo.com)


Pelo jogo de ida das semifinais da Uefa Champions League, a Inter de Milão deu um grande passo rumo à final em Madrid ao vencer por 3 a 1 o Barcelona. O resultado também quebrou um tabu de 40 anos entre as duas equipes – desde 1970, quando fez 2 a 1 em partida no Camp Nou, a Inter não vencia o clube catalão. Os principais responsáveis pela quebra do tabu foram Sneijder, Milito, Maicon, Lúcio, Thiago Motta e Júlio César. as duas equipes começaram a partida com formações ofensivas, usando três atacantes. Na Inter, José Mourinho escalou Pandev, Milito e Eto’o; o Barcelona começou com Messi, Pedro e Ibrahimovic, que voltou à equipe.

Nos primeiros minutos da partida, as duas equipes não se acanharam. O Barcelona, dentro de suas características, tentava manter a posse de bola. Já a Inter, em casa, não contentou-se apenas em ficar atrás, e buscou o jogo. Os italianos apostavam demais nos passes longos para Milito e Eto'o, porém, muitas vezes, o argentino, principalmente, ficava em impedimento. Quando a Inter parecia mais próxima do gol, o Barcelona jogou um balde de água fria nos interistas. Em um ataque isolado, Maxwell avançou pela esquerda e cruzou para a área. Pedro, na marca do pênalti, tocou sem chances para Júlio César. Atrás no placar, a Inter mudou de comportamento. A equipe italiana passou a desperdiçar posses de bola em sequência, e recuou a marcação, permitindo que o Barcelona tomasse o controle da partida. Ainda assim, o clube de Milão criou boa oportunidade de empatar. Mas Milito, novamente frente a frente com Valdes, desperdiçou. O Barça não aguentou a pressão interista e acabou sofrendo o empate. Milito fez a jogada de pivô e Sneijder, livre na esquerda, chutou para empatar a partida. Foi o primeiro gol marcado pela Inter sobre o Barcelona desde 1970.

O gol da Inter deixou partida aberta. Enquanto o Barcelona tentava seus ataques pelas laterais, sobretudo com Daniel Alves, já que Messi e Xavi estavam muito marcados pelo meio. O clube italiano buscava suas jogadas sempre pelos pés de Sneijder, que era mais uma vez seu principal jogador ofensivo. O segundo tempo começou com a Inter mais ligada na partida. A marcação sobre Messi continuava intensa, e foi assim que saiu o segundo gol do clube italiano. Thiago Motta roubou a bola do argentino na defesa e achou Diego Milito livre pela direita; depois de entrar na área, o atacante cruzou para Maicon, que colocou a equipe da casa pela primeira vez à frente no placar aos 3 minutos.

Messi, bem marcado, tinha raras chances na partida. Na primeira grande oportunidade, aos 7 minutos, ele recebeu pela direita e chutou de fora da área. A bola fez uma curva e quase enganou o goleiro Júlio César, que se recuperou bem e conseguiu fazer a defesa. Apesar do susto, a Inter não se abalou. O terceiro gol saiu aos 16. Após cruzamento pela direita, Sneijder cabeceou em direção ao gol – a bola iria sair, mas Diego Milito, impedido, tocou para as redes do gol defendido por Valdés. Aos 25 minutos, a Inter levou outro susto: em disputa de bola com Messi, o brasileiro Maicon lesionou o maxilar, e teve de deixar a partida. O brasileiro terá que operar o dente e é dúvida para a volta.

A partir dos 30 minutos, com Messi mais aberto pela direita, o Barcelona voltou a levar perigo. Em busca de um segundo gol, a equipe comandada por Pep Guardiola pressionou. Primeiro, em cobrança de falta de Messi, defendida por Júlio César; depois, em jogada de Daniel Alves, em que o brasileiro caiu após disputa com Sneijder. Entretanto, o árbitro não assinalou pênalti e ainda deu cartão amarelo para o lateral. O Barcelona teve outra grande chance aos 40 minutos. Depois de cruzamento na área, Piqué passou por Júlio César e chutou em direção ao gol. Lúcio, em cima da linha, evitou o que seria o segundo gol dos espanhóis, coroando grande atuação. Já aos 46, o Barcelona teve nova oportunidade de balançar as redes. Depois de jogada de Messi e Piqué, Pedro concluiu de bicicleta, e a bola parou nas mãos do goleiro Júlio César. Após o término da partida, o Barça não reclamou muito da longa viagem, mas reclamou demais da arbitragem. Os jornais catalães abriram um inquérito e descobriram que Olegario Benquerença, o árbitro da partida, e Mourinho são amigos há 10 anos e que haviam sido sócios de um restaurante em Portugal chamado "O Menino".

O Barcelona terá uma missão difícil, mas não impossível. Vale lembrar que na temporada 99/2000, o Barça conseguiu virar para cima do Chelsea, quando, em Londres, perdeu por 3 a 1 e na volta venceu por 5 a 1. Iniesta ainda é dúvida e Puyol não joga por suspensão. De acordo com alguns jornais catalães, a derrota feriu o orgulho de alguns jogadores culés e, na volta, os torcedores farão uma grande festa e prometem lotar os 98.000 lugares do Camp Nou.

Confira também o resumo do jogo feito por Nelson Oliveira, do QuatroTratti


Inter 3x1 Barcelona
Inter: Júlio César; Maicon (Chivu), Lúcio, Samuel, Zanetti; Cambiasso, Thiago Motta; Pandev (Stankovic), Sneijder, Eto'o; Milito (Balotelli).
Barcelona:Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Maxwell; Xavi, Busquets; Keita; Messi, Ibrahimovic (Abidal); Pedro.
Árbitro: Olegário Benquerença, de Portugal.
Gols: Sneijder, Maicon e Milito (Inter); Pedro (Barcelona).
Cartões amarelos: Eto'o e Stankovic (Inter); Busquets, Puyol, Piqué, Keita e Daniel Alves (Barcelona).

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(ATUALIZADO): Após o termino da partida de hoje, sábado 24/04, contra o Xerez, os jogadores do Barcelona colocaram uma camisa com a seguinte frase estampada: "El partido contra el Inter empieza a las 8 de la tarde. Nos dejaremos la piel. A por una remontada histórica".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prévia: Inter x Barcelona

Na fase de grupos, Ibrahimovic sofreu com a defesa interista. Messi também sofrerá? (Associated Press)

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Samuel Eto'o e Zlatan Ibrahimovic com seus antigos companheiros de time e torcidas. Pois bem, a competência de Inter e Barcelona e, mais uma vez o sorteio, colocou Eto'o e Ibrahimovic frente a frente a suas ex-equipes pela segunda vez só nesta temporada. Mas, desta vez, não será um "mero" confronto da fase de grupos. Este jogo vale muito mais: o camaronês pode provar ao Barcelona que fez mal em negociá-lo, enquanto Ibrahimovic pode mostrar a Inter que precisava mesmo deixar o Giuseppe Meazza para conseguir brilhar em âmbito continental. Além dos duelos particulares, está em jogo a classificação para a final do torneio e o provável status de favorito para a final.

Se classificará a renovada Inter de José Mourinho, que aprendeu a jogar na LC ou o implacável e mágico Barcelona comandado por Xavi e Lionel Messi? Para a prévia desta empolgante semifinal, contaremos com a ótima colaboração de Nelson Oliveira, do blog Quattro Tratti, especializado no futebol da Itália. Confira a prévia de Inter x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui
Inter: Com a atenção voltada a Liga dos Campeões, o rendimento na Serie A caiu e a Inter venceu quatro vezes nos últimos dez jogos, deixando escapar uma larga vantagem que tinha para a Roma, nova líder da Serie A. Os nerazzurri, que costumavam ser perseguidos na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem levar a disputa pelo título até a última rodada. A vitória no dérbi contra a Juventus, aberta com um golaço de Maicon, anima os interistas para a disputa de mais um objetivo na temporada: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento na Serie A, esta é a mais sólida temporada nerazzurra nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece boa parte dos créditos por isso, está disputando três títulos até este momento. Além de estar nas semifinais da LC e estar apenas um ponto atrás da Roma na Serie A, a Inter jogará a final da Coppa Italia.

Barcelona: Na Liga BBVA, o Barça é líder da competição com quatro pontos de vantagem para o Real Madrid. Só perdeu uma partida durante o campeonato inteiro, tem a melhor defesa e o artilheiro da competição, Messi. A vitória sobre o Real Madrid, há duas semanas, parece ter dado um ânimo a mais pro Barça. A partir da segunda metade da temporada, Guardiola passou a mudar a tática do time, do 4-1-2-3 para o 4-2-1-2, com Messi vindo de trás de Pedro e Ibrahimovic. No último jogo pela Liga, o Barça jogou o derby barceloní e sofreu para sair do Cornellà-El Prat com um ponto e a tática voltou a ser o 4-1-2-3. Mas, contra a Inter, o esquema a ser utilizado por Guardiola, deve ser o novo. Desde a vitória contra o Schalke 04, pelas quartas da temporada 07/08, o Barça não ganha fora de casa na fase final da LC. Desde lá, foram seis jogos e seis empates. A ambição de Pep e de todo o time era conquistar uma nova tríplice coroa, mas o Barça acabou eliminado da Copa del Rey, contra o Sevilla, em janeiro. Na última partida da Champions, os blaugrana arrasaram o Arsenal, no Camp Nou, com 4 gols do genial Lionel Messi.

Pontos Fortes
Inter: A grande novidade desta LC tem justamente a ver com a campanha da Inter. Após muitas temporadas jogando de maneira medrosa na principal competição europeia, José Mourinho conseguiu transformar a mentalidade dos jogadores nerazzurri. As partidas contra o Chelsea, nas quais a Inter jogou com a faca nos dentes e com enorme inteligência tática já começam a ser identificadas como um divisor de águas na história recente do clube. Parte destes méritos se deve também a mudança feita pelo técnico no esquema tático da equipe, que encontrou no 4-2-3-1 seu módulo mais equilibrado e eficiente. A chance de parar Lionel Messi está no bom desempenho da defesa interista em jogos importantes. Apesar de alguns deslizes contra Roma e Fiorentina, o conjunto de defesa da Inter se portou muito bem contra Milan, Juventus, Chelsea e contra o próprio Barcelona, no primeiro dos jogos das duas equipes na fase de grupos da LC. Messi deverá ser marcado diretamente por Zanetti e Samuel, dois ejogadores experientes e seus companheiros de seleção.

Barcelona: O ataque do Barça não é tão avassalador como o da temporada passada, mas mesmo assim, continua passando medo aos adversários. Messi vem fazendo uma temporada genial e é o artilheiro da Liga BBVA (26 gols) e da LC (8 gols), além de ser o líder de assistências da Liga BBVA (9 assistências). Ibrahimovic vive de altos e baixos, mas tem a confiança da torcida: ele marcou gols em todos os jogos de maior importância para o Barça na temporada (em que disputou), além de, pela primeira vez na carreira, ter marcado gols nas fases decisivas da Champions. Pedro foi uma aposta de Guardiola que deu certo. Ele marcou pelo menos um gol nas seis competições que o Barça disputou na temporada 09/10 e foi o herói das conquistas da Supercopa da UEFA, fazendo o gol do título no último minuto da prorrogação, e do Mundial, quando marcou aos 44 minutos do segundo tempo o gol de empate. Contra a Inter, pela 5ª rodada da fase de grupos, fez sua melhor partida pelo Barça e deixou a sua marca. E ainda tem a brilhante dupla de meio campo Xavi, o maestro, e Iniesta, o motor do time, que não jogará a ida e ainda é dúvida pra volta.


Pontos Fracos
Inter: A Inter chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando três competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual a Inter parece totalmente dedicada. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra a Fiorentina no último sábado. Claro, o peso de atuar em três frentes diferentes não cansa apenas o cerébro, mas também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação - e depois ultrapassagem - da Roma. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Barcelona pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Barcelona: Talvez a defesa do Barcelona seja o ponto “menos forte” do time. A temporada de Piqué é muito boa, mas a de Puyol vem sendo um pouco abaixo da média. O capitão já chegou a fazer partidas impecáveis, como as duas contra o Real Madrid, mas vem falhando demais, principalmente nesta segunda metade da temporada. Abidal faz sua melhor temporada desde que chegou ao clube azulgrená, porém, de um tempo pra cá, vem se lesionando com frequência e, dependendo de como estiver, poderá ser reserva na ida. O titular então seria Maxwell, que apoia muito bem, mas é fraco defensivamente. O brasileiro tem certas dificuldades em marcar jogadores velozes, vide Walcott, no Emirates, e poderia ser um ponto positivo, caso jogue, pra Inter.

Expectativas
Inter: Em momento crucial na temporada, a comunidade interista deseja a conquista da tríplice coroa, que só pode ser conquistada pela própria Inter ou pelo Bayern de Munique. Nos poucos jogos que restam na temporada, a Inter pode ser campeã de tudo ou terminar com zero tituli, para usar uma expressão popularizada por José Mourinho. Como a Coppa Italia não é muito valorizada e a tabela nos últimos quatro jogos da Serie A não é difícil, reservando os esforços em secar a Roma, a Inter deve apostar tudo nos dois confrontos contra o Barcelona. Por mais que os catalães sejam favoritos por todo o futebol que tem mostrado nos últimos anos, a Inter já mostrou que é possível eliminar o time favorito no confronto e que é possível parar Messi. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Barcelona: O que anima (e muito) o Barça é o fato de a final da LC ser realizada no estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu. Uma conquista do Barça no campo do maior rival entraria para história da rivalidade entre Barcelona e Madrid. Além disso, o Barcelona tentará, se chegar a final, quebrar a marca de que nenhum time consegue ganhar dois títulos consecutivos do campeonato desde o Milan do fim da década de oitenta, que abocanhou os títulos de 1988-89 e 1989-90. Nos últimos três confrontos entre nerazzurri e blaugranas, o Barcelona venceu duas vezes e houve um empate: Barcelona 5 a 0 Inter, na temporada 2007-08 pelo Trofeu Joan Gamper - com um gol de Thiago Motta, hoje jogador interista -; Inter 0 a 0 Barcelona, pela primeira rodada da fase de grupos da atual LC, e Barcelona 2 a 0, pela quinta rodada.


Prováveis escalações
Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti; Thiago Motta (Stankovic), Cambiasso; Pandev, Sneijder, Eto'o; Milito.

Barcelona: Victor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Maxwell (Abidal); Busquets (Touré), Xavi, Keita; Messi, Ibrahimovic, Pedro.

sábado, 17 de abril de 2010

Um título, dois times

O Barcelona tem, na tabela, três pontos de vantagem em relação ao Real Madrid no Campeonato Espanhol. Na prática, são quatro pontos. Como ganhou os dois jogos contra o Real e o primeiro critério de desempate na Espanha é o confronto direto, o Barcelona pode acabar empatado com o maior rival na tabela para ser bicampeão.

A esperança do Real Madrid reside em dois fatores. Uma tabela mais fácil e o fato de o Barcelona dividir as atenções com a disputa na Champions League - nos dias 20 e 28, o time enfrenta a Inter de Milão nas semifinais da competição europeia.

O Real, portanto, pega rivais com melhores campanhas. Mas os times mais encardidos, Valencia, Osasuna e Athletic, o Real recebe em casa, no Bernabéu, onde venceu todos os jogos exceto o de sábado passado. O mais complicadinho é o Mallorca fora. Sinceramente, não vejo o Real Madrid perdendo pontos em nenhum destes sete jogos. Como disse Manuel Pellegrini, o time fará o Barcelona ganhar todos os seus pontos.

Para o Barça, a boa notícia é que o Xerez, praticamente rebaixado e no Camp Nou, será o rival entre os jogos contra a Inter. Dá para colocar 11 reservas e ganhar do Xerez do mesmo jeito. Mas os adversários mais complicados o Barcelona vai enfrentar fora de casa: Espanyol (uma derrota em nove jogos, rival da cidade), Villarreal (em franca ascenção) e Sevilla (brigando por Champions).

Segundo Guardiola, serão "jogos terríveis em campos difíceis". Ele tem razão. Caso o Real ganhe todos os seus jogos, e Guardiola está certamente contando com isso, o Barcelona poderá ter só um tropeço. Não pode ter dois. Na teoria, a tabela do Real Madrid é, sim, mais fácil que a do Barcelona. Ou melhor, mais tranquila.

Os jogos restantes para Barça e Madrid

Real Madrid: Valencia (casa), Zaragoza (f), Osasuna (c), Mallorca (f), Athletic Bilbao (c) e Málaga (f). No total, esses times somam no campeonato 292 pontos ganhos.

Barcelona: Espanyol (fora), Xerez (c), Villarreal (f), Tenerife (c), Sevilla (f) e Valladolid (c). No total, esses times somam 251 pontos.

Jogadores Históricos: Ricardo Zamora

Zamora foi um dos maiores goleiros da história do futebol (elpaís)

Em setembro, completou-se 30 anos da morte de um dos maiores goleiros de todos os tempos. Trata-se do espanhol Ricardo Zamora, que é, talvez, o nome que mais rivalize com o de Lev Yashin como o maior da posição na história. Zamora, que é uma lenda em seu país, ganhou os apelidos de “El Mago” e “El Divino” pelos milagres que costumava fazer debaixo das traves, apesar de ter apenas 1,77 metro de altura. Vestia sempre uma camisa de lã com gola olímpica e nunca se separava de seu boné de flanela. Apesar das grossas joelheiras e caneleiras, dizia-se que Zamora voava de um lado a outro da meta.

Nascido em 1901 em Barcelona, ele ganhou projeção atuando nos clubes da cidade. Iniciou a carreira no Barça, em 1919. Lá ganhou duas Copas do Rei, em 1920 e 22. Depois foi jogar no Espanyol, onde ficou por oito anos e venceu a Copa do Rei de 1929. Mas foi no Real Madrid que Zamora mais se destacou. Diz a lenda que a equipe da capital teria desembolsado 150 mil pesetas para tirá-lo do Espanyol, em 1930. Naquela época essa quantia seria suficiente para comprar cinco times inteiros. Mas o Real Madrid nunca se arrependeu do investimento. Afinal , foi com o arqueiro que o clube conquistou os seus dois primeiros campeonatos nacionais de sua história, em 1932 e 1933.

Pela seleção espanhola Zamora atuou entre 1920 e 1936. Jogou 47 jogos, dos quais perdeu apenas sete, sendo que em 21 saiu sem sofrer gols. Sua estréia com a camisa da seleção ocorreu nas Olimpíadas de 1920, na Antuérpia. A Espanha ficou com a medalha de prata após perder para a Bélgica na final. Porém, a competição em que ele mais se destacou foi a Copa do Mundo de 1934, na Itália. O primeiro jogo foi contra o Brasil. A Espanha venceu por 3 a 1 e Zamora defendeu um pênalti cobrado por Waldemar de Britto, que ficaria mais famoso por ser o descobridor de Pelé.

A partida seguinte foi as quartas-de-final contra a Itália. A Espanha saiu na frente mas os donos da casa empataram. Na prorrogação o goleiro espanhol garantiu o empate e a realização de um novo jogo no dia seguinte. Zamora e mais cinco titulares, vítimas da violência italiana no dia anterior, ficaram fora do jogo e a Itália venceu por 1 a 0, para a alegria de Mussolini.

Zamora se despediu da seleção em 1936, com uma derrota para a Alemanha por 2 a 1. No mesmo ano ele trocou o Real Madrid pelo Nice, da França, onde encerrou a carreira em 1938. O ex-goleiro virou técnico e dirigiu, entre outros times, o próprio Real Madrid, o Espanyol e até a seleção espanhola. Faleceu em 18 de setembro de 1978. No dia seguinte o jornal espanhol El País estampou em sua manchete: “Morreu o maior goleiro da história do futebol”. Em sua homenagem foi criado o Troféu Zamora, entregue todos os anos ao goleiro menos vazado do Campeonato Espanhol.

domingo, 11 de abril de 2010

Resumo: 31ª Rodada

Messi e Pedro comemoram: com a ajuda de Xavi os dois brilharam (getty images)


Barcelona, Sevilla, Mallorca e Athletic Bilbao: os quatro times conseguiram vitórias importantíssimas na liga. O Sevilla conseguiu uma grande vitória contra o Málaga, no La Rosaleda, e deu um passo importante para ir à próxima Champions League. O time rojiblanco parece ter ressuscitado pro campeonato, após a eliminação não muito aceitável na Champions. O Málaga se encontrou com um gol polêmico. Porém, o inexperiente Estrada Fernández validou o tento. Caicedo arrastou desde o chão uma bola que Palop já tinha defendido. Na teoria, falta de ataque do Málaga. Mas na prática, 1 a 0. O Sevilla fez pouco para reagir, e pouco soube fazer. No segundo tempo, Cala aproveitou pra empatar. Esse gol, também em circunstâncias similares às de Caicedo, mudou a cara da partida de forma definitiva. A equipe de Alvarez confiou em si mesma e tudo se concretizou com o gol de Lolo, de cabeça, no minuto 84. Um gol que ele mesmo poderia ter marcado antes. Um gol que devolve confiança ao Sevilla, que começa a recuperar seu rumo.

Mas o grande jogo da rodada, sem dúvidas, foi o que todos esperaram. Real Madrid e Barcelona entraram para, ao contrário do que os jogadores dos dois times falaram durante a semana, decidir o campeonato. No post de ontem, o antecedente, a partida em si e o pós-jogo da vitória catalã. O sábado também viu o empate insonso entre Valladolid e Tenerife (0 a 0), dois times que parecem disposto a jogar à Liga Adelante. O outro time que, de umas rodadas para cá vem em busca de uma reação, parece disposto a cair, o Xerez, entrou em campo no sábado também. Jogando no Chapín e podendo aproveitar o empate entre Valladolid e Tenerife e alcançar 26 pts, sendo assim, chegar à 18ª posição e tentar se salvar, o time de Jerez de la Fronteira acabou perdendo pro Getafe, em um jogo muito aberto e com oportunidades claras para as duas equipes, mas os azulones aproveitaram uma bola parada para chegar a vitória, com Rafa. O Getafe jogou no toque de bola e com sua qualidade técnica; o Xerez, apostava nos seus pilares Míchel e Bermejo. Para Míchel, técnico do Getafe, o time madrileño tem grandes chances de chegar a Europa.

E para fechar os jogos de sábado, o Villarreal fez seu papel e vê as chances de pegar uma vaga na Liga Europa continuar viva. Desta forma o Villarreal acumulou sua terceira vitória seguida. O Sporting Gijón se mostrou muitos inocentes e sem pegadas, e volta a ver o abismo de perta. A primeira etapa fui de claro domínio do Villarreal, que desde o princípio teve uma maior posse de bola. O Gijón tentava pressionar a saída de bola castellonense e, em algum roubo de bola no meio-campo, sair para o contra ataque. O único gol da partida saiu logo no começo da partida, aos 15 minutos. Após Kiki Matheo desperdiçar ótima chance para os visitantes, Cani soltou a bomba e Juan Pablo fez uma defesaça mandando pra escanteio. Na cobrança, Diego Godín subiu mais alto que todos e fez o importante gol do Villarreal.

Já no Domingo, o Deportivo continuou sua derrocada na temporada. Os galegos só empataram em casa com o Racing Santander por 1 a 1. O empate diminuiu as pretensões do Deportivo de disputar a próxima Liga Europa. O time tem 43 pontos e está na 9ª posição da liga. O Racing Santander tem 32 e está na 15ª posição. Riki botou os galegos na frente mas Manu del Moral, no finalzinho, empatou para os cantábrios. Diferentemente do Deportivo, o Athletic Bilbao vem firme e forte na luta por vaga em competições europeias. Liderados por Javi Martínez, autor de um golaço, os euskaras não tiveram dificuldades para golear o Almería. Se há algum destaque no Almería, o goleado, esse é Diego Alves. O goleiro brasileiro pegou seu sétimo pênalti na temporada, a vítima da vez foi Llorente. Javi Martinez foi o dono do jogo no San Mamés: ele marcou dois gols, sendo o segundo dele - o terceiro do Athletic - um belíssimo gol. Ele recebeu uma bola na área, e deixou Acasiete e Bernadello para trás e deu um sútil toque sem chances para Diego Alves. Os outros gols foram de Gabilondo, num chutaço, e Llorente, com Piatti diminuindo pro Almería.

Contando com o apoio da torcida périca, o Espanyol conseguiu uma importante vitória contra o Atlético de Madrid. Essa foi a 13ª derrota rojiblanca em toda à Liga. O Espanyol perdeu uma grande chance de golear, graças a mais uma atuação de gala de De Gea. Na segunda etapa, contudo, o espanhol não conseguiu conter a pressão dos catalães. Logo aos dois minutos, Callejon cruzou pela direita para o meio da área. Caído, o zagueiro Victor Ruiz se enrolou com o companheiro Luis García, mas conseguiu tocar antes do colega a bola para o gol de De Gea. O gol embalou o Espanyol dentro do gramado. Enfrentando um adversário apático, os donos da casa ampliaram aos 23 minutos, quando Osvaldo desviou de cabeça outro cruzamento de Callejon e aumentou a diferença. Nos acréscimos, os donos da casa ainda tiveram outro motivo para comemorar: Iván Alonso recebeu cruzamento de Luís Garcia e acertou a trave, mas, no rebote, completou para as redes e sacramentou a vitória.

No jogo de encerramento, o Mallorca manteve vivo o sonho de retorna à disputar uma Champions League. Castro fez o primeiro gol do Mallorca aos seis minutos do jogo. Webo ampliou aos 21. No segundo tempo, o Valencia diminuiu logo no primeiro minuto, com Jordi Alba. Mas um gol contra aumentou a vantagem do Mallorca aos 18 minutos. Pablo Hernández diminuiu mais uma vez aos 41 minutos. Mas, aos 44, Fernandes, que tinha marcado o gol contra, foi expulso. E o Valencia não conseguiu empatar. A nota negativa ficou por conta de Banega, que ao ser substituido, se desetendeu com o técnico Unai Emery e deu um "chega pra lá" no técnico. O técnico ché não gostou nada da atitude do argentino e já pensa em multá-lo.

Promessas: Iker Muniaín


São 25 anos de espera. E nada. Nenhum título, nenhuma taça. As mais recentes, os jovens só viram no museu. O Athletic Bilbao comemorou pela última vez em 1984. E foi logo em dose tripla. Liga BBVA, Copa do Rei e Super Copa. Desde então, se livrar do rebaixamento já é motivo de foguetório pelos lados do Estádio San Mamés. A queda de rendimento nas duas últimas décadas justifica-se. Os adversários evoluíram e atravessam o Atlântico atrás dos craques, enquanto o Athletic se atrasou. O clube não aceita jogadores nascidos ou criados fora do País Basco. Daí tanta dificuldade em crescer. É complicado até surgir uma promessa da base.

Entretanto, essa longa e maldita fase esboça ir embora. Em 2005, chegou aos juvenis um garoto franzino e baixo, mas habilidoso. Passou em todos os testes e foi subindo. Aterrissou nos profissionais em julho último. Tem três gols. Tornou-se sensação e o centro dos holofotes. Os torcedores que até 2008/09 iam ao estádio apenas para torcer (e para não perder) agora vão para vê-lo jogar. O atacante Iker Muniain, 16, é a esperança do clube 94 anos mais velho. Muniain deu os primeiros chutes com a perna direita na cidade em que nasceu, Pamplona (País Basco), no pequeno Unión Deportiva Chantrea, da quarta divisão. Como sobrava em relação aos demais da sua idade, embarcou, aos 13 anos, para Bilbao, onde é lapidado desde 2005.

A ascensão vem sendo meteórica. Nas avaliações que faz costumeiramente nas categorias de base, o técnico da equipe principal, Joaquin Caparrós, grudou o olho no menino. Rápido, dono de um bom passe e chute seco. Abusado. Do tipo que humilha os zagueiros. Caparrós pediu aos assistentes atenção redobrada com Muniain. Poucos meses depois, já era o melhor do time sub-17. Com 14 anos. Compensava a falta de força física com os dribles e correria. As convocações para as seleções da Espanha só confirmavam o talento. Cada vez mais surpreendido, Caparrós o levou junto para a pré-temporada 2007/08. Mesmo não podendo escalá-lo na Liga, queria proporcionar um convívio entre os profissionais e acelerar o processo de amadurecimento.

Quebrando recordes
Em 2009, o Athletic, enfim, julgou, ser o momento ideal para lançar, aos poucos, o atacante. Antes, a seleção sub-17 o levou para o campeonato europeu da categoria, em maio. Afinal, era preciso ir bem para se classificar ao Mundial, na Nigéria.

Muniain voltou direto para a pré-temporada. Era, definitivamente, um profissional. O primeiro jogo foi pela Liga Europa, no fim de julho, quando se tornou o jogador mais novo a vestir a camisa do clube numa partida oficial. Saiu do banco para reverter o 1 a 0 a favor do suíço BSC Young Boys, em casa. Não deu. Os visitantes seguraram o resultado.

Na semana seguinte, no jogo da volta, qualquer vitória (exceto o 1 a 0, que levava aos pênaltis) mandava o Athletic à fase de grupos. Hora de Muniain brilhar. Fez o segundo dos 2 a 1. Explodiu o País Basco e derrubou mais um recorde: o mais jovem a marcar pela equipe.

Veio a Liga e o ritmo seguiu o mesmo. O gol no Real Valladolid o colocou na história do campeonato por ser o mais novo a balançar as redes da primeira divisão.

FICHA TÉCNICA
Nome completo: Iker Muniain Goñi
Data de nascimento: 19/12/1992
Posição: Atacante
Local de nascimento: Pamplona, Espanha

Jogadores Históricos: Fernando Redondo

Como jogador do Real Madrid, Redondo conquistou 3 liga dos campeões e é um dos maiores idolos do clube (wordpress)

Historicamente, os volantes argentinos sempre tiveram uma fama ruim ao redor do mundo, acusados de serem jogadores violentos e desleais dentro de campo. É claro que houve muitos atletas que confirmavam essa fama, mas também tiveram exceções. A principal delas foi Fernando Redondo, considerado por muitos o melhor volante argentino de todos os tempos e, também, um dos maiores de todo o mundo. Com seu estilo clássico e elegante, Redondo marcou época nos anos 90, principalmente no Real Madrid, e poderia ter tido uma carreira ainda mais brilhante se não fossem as contusões que sempre o acompanharam.

Nascido no dia 6 de julho de 1969, na cidade de Adrogué, na Argentina, Fernando Redondo iniciou a carreira no Argentinos Juniors, em 1985, com apenas 16 anos. Na época, o pequeno clube de Buenos Aires vivia a sua fase mais gloriosa: era o atual campeão nacional e da Copa Libertadores. Mas Redondo só começou a aparecer como titular da equipe em 1988. O meio-campista logo se destacou e em 1990 foi vendido para o Tenerife, da Espanha, sem sequer passar por um time grande da Argentina, algo raro para a época.

Com a camisa do Tenerife, Redondo começou a ganhar destaque na Espanha, mesmo com a equipe sendo apenas coadjuvante no campeonato nacional. Mas na temporada 91/92 o Tenerife acabou decidindo o título espanhol. O time terminou a competição na 13ª colocação, mas na última rodada recebeu o Real Madrid, que precisava de uma vitória para ser campeão. O time madrileno vencia por 2 a 0 e estava com o título nas mãos. Mas, no segundo tempo, o Tenerife conseguiu a impressionante virada para 3 a 2 e ajudou o Barcelona, que venceu o Athletic Bilbao, a garantir a taça.

Na temporada 92/93 o Tenerife contratou o argentino Jorge Valdano para ser o treinador da equipe. E a aposta deu resultado: o time acabou o Campeonato Espanhol em 5° lugar, naquela que foi a melhor campanha da história do clube. Redondo era o grande destaque da equipe e ganhou a admiração de Valdano, que o levaria para o Real Madrid em 1994. O sucesso no Tenerife também valeu para Redondo as primeiras convocações para a seleção argentina, comandada na época por Alfio Basile. O volante participou da conquista da Copa das Confederações, em 1992 e, também, do título da Copa América de 1993. Este, aliás, foi o último torneio conquistado pela seleção principal da Argentina.

Em 1994, Redondo já era titular absoluto da seleção que disputou a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Ele fez uma grande Copa, mas acabou ofuscado pelo escândalo de doping que tirou Maradona da competição. A Argentina foi eliminada nas oitavas-de-final após perder por 3 a 2 para a Romênia, em um dos melhores jogos daquele mundial.

Após a Copa, Daniel Passarella assumiu o comando da seleção argentina. Com ele, Redondo nunca teve oportunidades. Alguns dizem que era por causa de seus cabelos longos. Outros falavam que Passarella queria que Redondo jogasse pelo lado esquerdo do campo. O fato é que os dois nunca tiveram um relacionamento amigável e Redondo ficou de fora da Copa do Mundo de 1998, na França. Cláudio Cannigia, outro cabeludo, também ficou de fora. Já Gabriel Batistuta foi convocado, mas com o cabelo devidamente aparado.

Redondo só voltou a jogar pela seleção em 1999, quando o treinador já era Marcelo Bielsa, mas não disputou nenhuma competição oficial. Seu último grande momento com a camisa da Argentina foi em setembro daquele ano, em um amistoso diante do Brasil, em Buenos Aires, quando os donos da casa venceram por 2 a 0 e Redondo anulou Rivaldo. Três dias depois houve a revanche no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Dessa vez o Brasil venceu por 4 a 2 e Redondo não conseguiu evitar o show de Rivaldo, que marcou três gols.

O “Príncipe de Madri”, contusões e o fim da carreira

No início da temporada 94/95, Redondo foi contratado pelo Real Madrid por cerca de 5 milhões de dólares a pedido do técnico Jorge Valdano. E foi no Santiago Bernabéu que ele viveu a sua melhor fase. Apesar de um início complicado devido a uma contusão, Redondo conquistou espaço no meio-campo da equipe assim que se recuperou e foi figura importante na conquista do título espanhol daquela temporada, que acabou com a sequência de quatro títulos seguidos do rival Barcelona.

Com um futebol de muita qualidade, Redondo se tornou o melhor volante do mundo e ídolo no Real Madrid na segunda metade dos anos 90, o que lhe valeu o apelido de “Príncipe de Madri”. Na temporada 96/97, o Real Madrid conquistou mais um Campeonato Espanhol, dessa vez sob o comando do italiano Fabio Capello. Enquanto o Barcelona encantava e aplicava goleadas frequentemente, com Ronaldo, Giovanni e Figo em grande fase, o Real Madrid, sem muito alarde, vencia seus jogos, muitos deles por 1 a 0, e ficava com a taça.

Em 1998 Redondo entrou de vez para a história do clube. O Real Madrid conquistou a Liga dos Campeões, após um jejum de 32 anos sem o maior troféu do continente. No fim daquele ano, o time madrileno ainda conquistou o Mundial Interclubes, vencendo o Vasco, por 2 a 1, em Tóquio. Ao lado do holandês Seedorf, Redondo teve uma atuação magnífica naquela partida.

Mas, talvez, a melhor temporada de Redondo tenha sido a de 1999/2000. O Real Madrid venceu novamente a Liga dos Campeões e Redondo foi eleito o melhor jogador da competição. O jogo mais marcante daquela campanha foi contra o Manchester United, em Old Trafford, pelas quartas-de-final. Após empatar por 0 a 0 no jogo de ida, o Real Madrid venceu o então atual campeão europeu por 3 a 2. Em um dos gols, Redondo fez grande jogada pela esquerda, deu um drible espetacular no zagueiro Berg e presenteou Raul, que só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol. Na final, a equipe venceu o Valencia por 3 a 0, em outra grande atuação de Redondo, e garantiu o título.

Em junho de 2000, Redondo se transferiu para o Milan. Mas na Itália ele jamais repetiu as atuações dos tempos de Real Madrid. Isso porque antes mesmo de estrear pela nova equipe ele rompeu os ligamentos do joelho durante um treinamento e ficou mais de dois anos parado. Mesmo quando se recuperou, o argentino não conseguiu ter uma sequência de jogos, pois sofreu seguidas lesões. Apesar de pouco jogar, Redondo acrescentou ao seu currículo os títulos da Liga dos Campeões e da Copa da Itália de 2003, além do Campeonato Italiano de 2004. Mas o seu momento mais marcante com a camisa do Milan foi no dia 12 de março de 2003, quando o Milan enfrentou o Real Madrid no Santiago Bernabéu, pela Liga dos Campeões. Os espanhóis venceram por 3 a 1 mas as atenções ficaram voltadas para Redondo, que foi aplaudido de pé por todo o estádio ao ser substituído no segundo tempo.

Em novembro de 2004, Redondo encerrou a carreira. No ano passado, em eleição realizada no site oficial do Real Madrid, o volante foi eleito o 13° maior ídolo da história do clube.


FICHA TÉCNICA

Nome completo: Fernando Carlos Redondo Neri

Data de nascimento: 06/07/1969

Posição: Volante

Clubes que defendeu: Argentinos Juniors, Tenerife-ESP, Real Madrid-ESP e Milan-ITA

Títulos: 2 Liga BBVA, 1 Supercopa da Espanha, 3 Liga dos Campeões da Uefa, 1 Mundial Interclubes, 1 Campeonato Italiano, 1 Copa da Itália, 1 Copa Juvenil Sul-americana, 1 Copa América

O título está mais perto

Jogadores do Barça comemoram: é bí-campeão? (marca)

Durante a semana, os principais jornais da Espanha davam o confronto entre Real Madrid e Barcelona, como o "confronto do milênio". Alguns torcedores dizem que o Barcelona foi fazer o reconhecimento do gramado do Santiago Bernabéu, palco da grande final da Liga dos Campeões desta temporada.

Os dois times vieram a campo com a escalação, na prática, bem fraca. Pelo lado merengue, Pelegrinni optou por van der Vaart no lugar de Kaká, novamente fora por lesão. Como companheiro de Xabi Alonso, o chileno preferiu o criticado Gago do que um dos Diarra (Lassana e Mahamadou). Na frente, a dupla que vem encantando os torcedores madridistas não decidiu. O Barcelona entrou com uma tática e uma escalação bem diferente da que vem jogando. Durante este semestre, o Barça passou do 4-1-2-3 para o 4-1-2-1-2, com Messi vindo de trás dos atacantes. Ontem, Guardiola entrou com um "defensivo" 4-1-4-1, com Pedro e Messi revenzando no ataque. A tática, que tinha tudo para dar errado, deu muito certo.

Busquets, Keita e Xavi, principalmente, acabaram com o meio-campo blanco. Maxwell anulou Higuaín na primeira etapa, quando jogou de lateral esquerdo, e Puyol na segunda, quando jogou na posição do brasileiro, que foi adiantado pra frente. Piqué e Daniel Alves tiveram um pouco de trabalho, mas cuidaram direitinho de Cristiano Ronaldo. E Messi e Pedro fizeram o que Guardiola queria dos dois: bola na rede.

Quem resolveu colocar a partida no bolso desta vez não foi Messi, mas Xavi. O jogador de Terrasa comandou todas as ações culés. Além das duas assistências para os gols de Messi e Pedro, respectivamente, o catalão deixou o melhor jogador do mundo duas vezes na cara de Casillas para marcar o terceiro e o fechar o caixão madrileño.

O jogo começou bem parelho, com o Real Madrid apostando na velocidade de Cristiano Ronaldo e Marcello, que deu um trabalho a mais para Daniel Alves, mas chegava sem sucesso no gol de Victor Valdés. O Barcelona começou a aparecer pro jogo e Mejuto González deixou de marcar um pênalti de Albiol em cima de Messi. Em um lance isolado no meio, Mejuto errou novamente ao deixar de dar o segundo cartão amarelo para Xabi Alonso, que botou a bola na mão mascaradamente, e, ainda por cima, amarelou Xavi por reclamação. Na jogada seguinte, Pedro bateu falta rápida para Messi, que saiu correndo pelo meio, tabelou com Xavi, dominou na área cortando Albiol e esperou Casillas cair para chutar de direita e abrir o placar. Na comemoração, Messi saiu mostrando o escudo do Barça para os ultrás madridistas que estavam atrás do gol.

O gol foi sentido pelo Real Madrid. Com Higuaín isolado e Cristiano Ronaldo pouco inspirado, os madrileños sofreram novamente com o talento da equipe rival. As chances do Real Madrid eram raras e não deixaram Victor Valdés assustado.

Mais um gol e festa

Pedro, o coadjuvante, marcou o segundo e liquidou a fatura (EFE)


A segunda etapa não foi muito diferente. As principais oportunidades de mudar os números do placar era blaugrana. Pelegrinni demorou muito para mexer no time, e colocar Guti em campo. O Barça ficou um bom tempo trocando passes e colocando os merengues, até que Busquets, pressionado por Gago e Xabi Alonso, perdeu a bola e o Real Madrid saiu em um contra ataque. O argentino virou na esquerda para Cristiano Ronaldo, que invadiu a área e bateu em cima de Victor Valdés. Após a chance clara de empate do Real Madrid, o Barça foi pro ataque e matou a partida. Aos 11 minutos, Xavi deu passe longo para Pedro, que ganhou na velocidade de Arbeloa e com a canhota chutou cruzado sem chances para Casillas: 2 a 0.

Foi aí que Pelegrinni resolveu mudar e botou Guti em campo no lugar de Marcello. Com o espanhol, o toque de bola do Real Madrid melhorou muito e por pouco Higuaín não diminuiu em um chute cruzado. Com a vantagem de dois gols, o Barcelona apenas segurou a posse de bola e esperou o tempo passar. Em contrapartida, o Real Madrid abusou da virilidade para tentar parar as jogadas de velocidade do arquirrival. Messi ainda teve duas oportunidades para transformar o placar em goleada, no entanto, desperdiçou. Pelegrinni ainda botou Benzema, no lugar de um Higuaín muito apagado, e Raúl. O francês demonstrou que está muito fora de forma e ficava em impedimento quase sempre. No final, Raúl ainda marcou um gol, mas Benzema tinha dominado a bola com as mãos.

Pós-jogo
Após o jogo, os jogadores do Real Madrid mesmo desanimados ainda mostraram confiança em tentar vencer a 32ª liga. Albiol foi sincero e falou que o Barça é superior ao Madrid. Pep Guardiola manteu um pouco a euforia e manteu um discurso humilde: O Barça ganhou uma partida e não um campeonato. Já Messi deixou claro: O Barça é superior a qualquer time! A imprensa madrileña, só restou reconhecer a superioridade catalã.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ressureição Sevillista?

Jogadores comemoram: seria uma ressureição rojiblanca? (as)


Que ninguém pense que voltou aquele Sevilla excelente de Juande Ramos. Sequer trata-se de um Sevilla à altura do time dos primeiros meses dessa temporada. Porém, trata-se de um Sevilla com boa atitude e com vontade, e isso já é uma mudança. Luís Fabiano e Kanouté querem jogar e os demais jogadores os buscam. Só com isso, o Sevilla já começa a ser temível. Se a isso adicionarmos o comando de Drago, a inspiração de Palop e uma pequena melhora de Renato, só será necessário esperar a volta de Navas, Zokora e Perotti para que não escape o quarto lugar.

Desde o início se notava que o Sevilla era outro. Sem muitas ocasiões claras, porém, muito mais alegre. Luís Fabiano estava com vontade de jogar, Kanouté tinha tirado muitos anos das suas costas e Renato aparecia por muitas zonas do campo. Capel era mais ativo. Com esses fatores, o gol chegou já na terceira tentativa: controle de Luís Fabiano, manobra de imensa qualidade e passe para Kanouté, que aproveitou a ruim linha de impedimento do Tenerife e definiu rasteiro para o gol.

A partida era um toma lá dá cá constante, com o Sevilla sofrendo na defesa e com o Tenerife tentando empatar. Nem tudo era bom, porém, ao menos os chutões passaram a ser convertidos em um recurso, ao invés de ser um modo de jogo. Os visitantes tiveram uma ocasião claríssima, e Luís Fabiano finalizou uma cobrança de falta na trave, o que poderia ter sido o segundo gol, próximo do intervalo. Porém, minutos depois, Renato controlou a bola e passou para o Fabuloso, que matou com o peito e girou, batendo cruzado. Golaço. Luís Fabiano era disparado o homem da partida.

O Tenerife não tinha outra alternativa a não ser atacar muito mais no segundo tempo. Os jogadores de Oltra tinham a posse de bola e o Sevilla esperava o contra-ataque que mataria a partida. As melhores chances foram dos visitantes. Dinei e Nino viram como Palop se virava enquanto eles quase comemoravam gols. Os minutos se passavam, o Sevilla não chegava e isso animava o Tenerife. Mas era só engordar para morrer: o ponto final foi colocado por um canterano: José Carlos. Cobrou uma falta na gaveta e fez o terceiro gol.

Coadjuvantes da LFP: Pedro Rodríguez

Pedro conseguiu um feito que nem Messi, o protagonista, conseguiu: marcar pelo menos um gol em seis competições diferentes (getty images)

Ao fazer o terceiro gol da vitória do Barcelona contra o Atlante, no Mundial, o atacante blaugrana Pedro, tornou-se o primeiro jogador a marcar gols em seis competições diferentes numa mesma temporada: Supercopa da Espanha, Supercopa da UEFA, Liga BBVA, Copa del Rey e Uefa Champions League. O atacante, nascido em Santa Cruz de Tenerife, chegou ao futebol de base azulgrená, procedido do CD San Isidro, no dia 1 de agosto de 2004, para jogar no juvenil A do clube.

Depois de três anos no futebol de base, Pedro ganhou alguns minutos em duas partidas da Liga, com a equipe A, na temporada 2007/08, ambas no Camp Nou, contra o Murcia, pela 19ª Rodada, e contra o Valladolid, pela 29ª. Mesmo tendo alguns minutos com o plantel A, no entanto, Pedro jogou mais com o Barça B, em que foi o destaque do ascesso à Segunda B. Disputou 36 partidas e marcou 6 gols. Guardiola, já como técnico da primeira equipe, seguiu contando e confiando bastante no jovem. Na verdade, Pedro foi um dos jogadores mais utilizados na pré-temporada 2008/09 da equipe A. Já na temporada regular, Pedro participou prontamente das três competições e inclusive disputou minutos finais das finais da Copa del Rey e da Uefa Champions League. No total, disputou 14 partidas, porém não marcou nenhum gol. Já na temporada 2009/10, pela Supercopa da Espanha, marcou o segundo gol do time e o primeiro dele profissionalmente.

No dia 20 de agosto de 2009, Pedro firmou seu primeiro contrato como jogador da primeira equipe, depois de se converter no artilheiro do time na pré-temporada. Embora geralmente conduza a bola com a perna esquerda, originalmente Pedro é destro. Esta habilidade com ambas às pernas, permite-lhe ocupar os dois lados do ataque.

Pedro Rodríguez
Nome completo: Pedro Rodríguez Ledesma
Data de nascimento: 28 de julho de 1987
Local de nascimento: Santa Cruz de Tenerife, Espanha
Altura: 1, 69
Peso: 64 kg
Pé: Ambidestro, originalmente destro
Títulos: Liga BBVA (2008-09), Copa del Rey (2008-09), Uefa Champions League (2008-09), Supercopa da Espanha (2009), Supercopa da UEFA (2009), Mundial de Clubes FIFA (2009)

Promessas: Antoine Griezmann




As grandes estrelas estão nas grandes equipes, isso é fato. Desfilam pelos principais palcos e estão sempre em evidência. Diferentemente das grandes promessas. Nem todas elas estão nas principais equipes do mundo, muitas jogam em divisões inferiores, para adquirir mais experiência, sejam emprestadas pelos grandes clubes ou criadas na base de times menores.

É o caso de Antoine Griezmann. Na segunda divisão espanhola, o jovem francês vem roubando a cena. Convocado para a seleção sub-19, já desperta interesse das grandes forças, mas enquanto só há especulação, ele se destaca na Real Sociedad. Para ser ter ideia de como está no início de carreira, no site oficial do clube ainda consta o nome do jogador nas camadas jovens, não no time principal.

Griezman chegou ao clube txuri-urdin com apenas 13 anos. Foi descoberto por um olheiro do clube, Eric Olhatas, quando o Montpellier, antigo clube do jogador, foi disputar um torneio amistoso em Paris. O clube francês decidiu não aproveitar o jogador e como os espanhóis gostaram da participação do atleta, o convidaram a jogar pela Real. Com destaque nas divisões inferiores, o treinador uruguaio Lasarte decidiu depositar suas fichas neste jovem, já que o clube, na divisão de acesso, estava sem dinheiro para contratar nomes mais conhecidos, com maior bagagem. O técnico do time juvenil, Meho Kodro, influenciou bastante na subida do jogador.

O francês é um jogador polivalente. Pode fazer a função de segundo atacante, jogando pelos flancos do campo, e também pode atuar como meia, armando o jogo e criando assistências. Tem habilidade e velocidade, porém é franzino. Gosta de jogar pelo lado esquerdo. O jovem marcou seu primeiro gol na quinta jornada, contra o Huesca, no final de setembro. Ocupando a vaga do colombiano Jonathan Estrada. Em sua partida de estreia como titular, o jovem marcou o gol solitário que deu a vitória ao clube.

Suas boas atuações com a equipe de San Sebastián colocaram o garoto em evidência. Alex Ferguson e Rafa Benitez seguem o atleta de perto, Bordeaux e Lyon também estão tentando repatriar o jogador, que saiu cedo da França, e aos poucos está sendo reconhecido em seu país. Com a provável subida da Real será difícil manter o atleta, mas se conseguir, o time deve ganhar um bom dinheiro com o jogador futuramente.

Griezman foi convocado pela primeira vez para a seleção sub-19, para dois amistosos contra a Ucrânia, se valorizando ainda mais, porém o clube acertou nas últimas semanas a renovação de contrato com atleta, mesmo tendo outras propostas. Bom sinal para o clube, mas não se sabe por quanto tempo.

Polêmico

Enquanto os jogadores do Valencia reclamam, aos do Atléti só restavam comemorar (AS)

Pelo jogo de volta da Liga Europa, desta vez, foi a vez do Valencia visitar o Atlético de Madrid. O Valencia foi o único time que não venceu jogando em casa no jogo de ida das quartas de final. E isso custou caro. O empate por 2 a 2 em Valencia favoreceu o Atlético de Madrid, que jogou em casa com a possibilidade até de empatar por 0 a 0 para seguir no torneio.

A resposta do Valencia veio em dose dupla. Primeiro, aos 20 minutos, Mata recebeu passe de Joaquín e finalizou perto do gol. Oito minutos mais tarde, foi a vez de David Villa tentar, mas seu chute também foi para fora, mantendo zerado o placar da primeira etapa.

A segunda etapa começou com grande superioridade de dos donos da casa, que tiveram grande chance de inaugurar o marcador aos dez minutos. Forlán tentou encobrir César, mas pegou muito embaixo da bola e mandou por cima do gol. Pouco depois, o goleiro adversário apareceu para fazer bela defesa e evitar tento de Ujfalusi. Vendo sua equipe completamente dominada em campo, o técnico Unai Emery realizou duas substituições ao mesmo tempo, sacando Joaquín e Mata para as entradas de Zigic e Vicente. Porém, o Atléti continuou melhor, e Forlán acertou a trave aos 30 minutos.

Zigic sofreu um pênalti claríssimo, mas o árbitro mandou seguir. O que gerou raiva nos jogadores chés (reuters)

Mas aí, O Valencia foi morto pelo árbitro alemão Floryan Meyer. Ele deixou de marcar um pênalti claríssimo de Juanito em Zigic, que teve, até, a sua camisa rasgada pelo defensor. A resposta do Valência veio na mesma moeda, com David Villa mandando a bola no travessão do goleiro De Gea. Os chés seguiram pressionando, mas o placar não foi alterado. No final, Agüero tomou um cartão bobo por ficar fazendo cera e não jogará a ida.

Ao final da partida, os jogadores do Valencia foram em cima do árbitro reclamar pelo pênalti não marcado, mas de nada adiantou. E foi isso o que os colchoneros fizeram. Sem dar tantas chances para o Valencia marcar, o time de Madrid se satisfez com o empate sem gols e está classificado para disputar às semifinais do torneio continental diante do Liverpool

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pós-Jogo: Barcelona (Messi) 4x1 Arsenal

Messi foi extraterrestre no jogo contra o Arsenal e o mundo se rendeu, de vez, ao seu futebol (getty images)

No primeiro confronto entre as duas equipes, o Barcelona foi soberbo na partida, abriu dois a zero, mas vacilou e permitiu o empate da equipe londrina no final. Ontem, no jogo da volta, o Barça contou com uma noite mais que inspirada de Lionel Messi e despachou os gunners, com quatro gols da fera argentina. O Barça enfrentará nas semifinais a Inter de Milão, que eliminou os russos do CSKA. Esta será a 11ª semifinal de Liga dos Campeões do Barcelona. Na fase de grupos, Barcelona e Inter se enfrentaram duas vezes pelo grupo F: empate sem gols no Meazza e vitória blaugrana no Camp Nou (2 a 0).

A primeira boa oportunidade de gol do Barcelona saiu logo aos quatro minutos de partida. Keita cruzou para a área, Sagna tentou o desvio, e a bola sobrou para Xavi, que arriscou mesmo de costas para o gol e mandou para fora. Aos 11 minutos, Lionel Messi recebeu a bola na entrada da área, livre de marcação, e tentou surpreender o goleiro Almunia, mas a bola passou rente à trave direita do gol do Arsenal.

Mas as primeiras grandes emoções da partida nãoo demorariam a aparecer. O Arsenal surpreendeu os anfitriões e abriu o placar aos 18 minutos: após bobeada do meio-de-campo do Barçaa, Walcott foi lançado pela direita, livre, e cruzou para Bendtner na área. O jogador chutou, foi travado, Valdés fez a primeira defesa, mas no rebote o próprio Bendtner tocou para as redes e fez 1 a 0 para os Gunners.

A resposta do Barcelona veio apenas dois minutos depois, aos 20, em mais uma obra-prima assinada pelo melhor jogador do mundo. Lionel Messi recebeu na entrada da área e, com muita categoria, acertou um chute forte no ângulo superior direito do gol de Almunia: 1 a 1. O segundo de Messi veio logo depois. O argentino recebeu passe de Pedro e tocou na saída de Almunia. O show do craque argentino não pararia por aí. Aos 41 minutos, após ótimo lançamento de Keita, Messi invadiu a área pela esquerda e, com muita categoria, encobriu o goleiro do Arsenal para fazer Barcelona 3 x 1 Arsenal.

Na etapa complementar, a primeira boa oportunidade foi novamente do Barcelona. Pedro cruzou rasteiro na área em direção a Messi, mas o argentino deu um carrinho e não conseguiu alcançar a bola. No minuto seguinte, Pedro, mais uma vez, acionou Daniel Alves pela direita, mas o brasileiro foi travado pela zaga do time londrino. A partir daí o Barcelona passou a administrar o resultado que lhe daria a classificação às semifinais da Champions, tocando muito a bola no meio-de-campo e segurando bem as tentativas de ataque do Arsenal.

Aos 26 minutos, os azulgrenás quase chegaram ao quarto gol: Messi cobrou falta rapidamente pela esquerda e acionou Pedro, que encobriu o goleiro Almunia, mas a bola, caprichosamente, passou à esquerda do gol dos gunners. Até o final da partida, o Barcelona controlou a posse de bola e fez o suficiente para sair de campo com a classificação garantida às semifinais da Liga dos Campeões. Mas deu tempo para mais um: aos 42 minutos, Messi, mais uma vez, fez ótima jogada individual, invadiu a área, driblou três adversários e foi às redes. Na comemoração, a pulga foi até José Manuel Pinto, goleiro reserva, e cumpriu a promessa de que iria comemorar com o goleiro. O show estava concluído.

De nota negativa, apenas a de que Abidal voltou a sentir fortes dores na coxa e será baixa de 10 dias, perdendo, assim, o superclássico.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Nas vésperas do clássico

Higuaín é a maior referencia no ataque do Real Madrid...

O primeiro tempo de Arsenal x Barcelona, na última quarta pela Liga dos Campeões, terminou em 0 a 0. No entanto, depois daqueles 45 minutos, era legítimo pensar: “é impossível ganhar do Barcelona se eles estiverem ligados e inspirados”. Algo que poderia causar temor no Real Madrid, que tem confronto direto pelo título espanhol no próximo fim de semana. Mas não há motivos para ser assim. Simplesmente porque a impossibilidade de ganhar de um Barça inspirado é verdadeira, mas se você for o Arsenal.

O clássico contra o Real Madrid deve ter uma dinâmica diferente. Nada que um time que tem Messi, Xavi, Ibrahimovic e, talvez, Iniesta possa superar. Mas é uma partida com outros elementos, o que dá margem para os madridistas projetarem a vitória decisiva. Um triunfo bastante importante, porque o empate deixaria o Barcelona na liderança pelo confronto direto.

O que o Real Madrid pode fazer?

O Real Madrid tem um time pesado, em comparação com o Barcelona. Higuaín sabe o que fazer com a bola nos pés, mas usa bastante seu físico para cavar espaço na defesa adversária. Cristiano Ronaldo não deixa de ter bastante força. O meio-campo tem quatro jogadores de técnica, mas de futebol mais compassado: Van der Vaart, Granero, Xabi Alonso e Gago.

Desse modo, os merengues precisam impor um jogo mais cadenciado, para quebrar o ritmo barcelonista e deixar seus jogadores mais confortáveis para construir suas jogadas. É preciso paciência para tocar a bola quando necessário e ter confiança para tentar empurrar os catalães para seu campo. É difícil, claro, mas não impossível. No primeiro turno, no Camp Nou, os madridistas dominaram boa parte do jogo, criaram problemas para Valdés e não mereceram sair do gramado com a derrota.

O Real ainda tem de se preocupar com os lados do campo. Seus laterais não são dos mais seguros e, principalmente no caso de Marcelo, avançam em demasia. Para os catalães não aproveitarem esses espaços, é importante os defensores, contando os volantes, realizarem um trabalho cuidadoso e atento de cobertura. Jogar com a linha de zagueiros avançadas também é algo a se evitar, pois o Barcelona se especializou em encontrar espaço nas costas da defesa oponente.

Se conseguirem anular os blaugranas, os merengues terão mais condições de usar seu potencial. Cristiano Ronaldo e Higuaín podem romper a defesa catalã, sobretudo se explorarem o lado esquerdo, o mais fraco (ou menos forte, depende do ponto de vista) da defesa visitante.

... e Messi, melhor do mundo e artilheiro da competição, o maior perigo do Barcelona


O que o Barcelona pode fazer?

Em teoria, o Barcelona pode ficar mais tranquilo na partida e explorar a necessidade merengue da vitória. Com o contra-ataque à disposição, usaria sua velocidade para construir a vitória. Essa é a solução mais normal, e que, claro, pode funcionar. Mas não tem muito a cara do Barça de Guardiola.

Os blaugranas têm mais sorte quando surpreendem pela ousadia, quando ignoram as adversidades e se impõem pelo bom futebol. Foi o que ocorreu contra o Arsenal, partida em que os barcelonistas realizaram uma blitz nos 15 minutos iniciais. E foi como o atual campeão mundial fez um humilhante 6 a 2 no Real no Santiago Bernabéu, pelo segundo turno do Campeonato Espanhol 2009/10.

Se o Real precisa cadenciar o jogo para ter vantagem sobre o Barça, é meio evidente que o Barça se beneficia de um duelo acelerado. Trocas de bolas rápidas e lançamentos em profundidade podem quebrar o trabalho de marcação e cobertura dos defensores madridistas.

Defensivamente, o Barcelona precisa impedir que Higuaín e Cristiano Ronaldo recebam a bola com liberdade. Asfixiar Granero e Van der Vaart e evitar lançamentos de Xabi Alonso são as maneiras mais diretas de fazê-lo. O Real pode tentar cruzamentos na área, mas Puyol e Piqué são bons pelo alto e teriam boas chances de suportar esse tipo de pressão.

De Ubiratan Leal, da trivela.