quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista: Guilherme Siqueira

Guilherme Siqueira. Foto: Marca

Pela segunda temporada consecutiva, o Granada escapou do rebaixamento nas rodadas finais. Em 2011-2012, uma série de fatores salvaram a equipe da Andaluzia do inferno da Liga Adelante, mesmo com a derrota na última rodada para o Rayo Vallecano. No entanto, em 2012-2013, o time se salvou por conta própria. Ao vencer o Osasuna por 3x0 no Nuevos Los Carménes, o Granada sentenciou sua manuntenção na elite espanhol. E um personagem merece destaque nessa "conquista" do time treinado por Lucas Alcaraz: o lateral esquerdo brasileiro Guilherme Siqueira, autor do terceiro gol da partida contra o Osasuna, após um pênalti batido de cavadinha.

Natural de Florianópolis, Siqueira começa a ganhar respeito no futebol europeu no geral. Eleito uma das revelações do campeonato pelo site da Uefa em 2012, a cada abertura de janela de transferência ele é sempre cogitado para reforçar equipes de tradição como Valencia e Benfica, além de já ter sido sondado pelo Manchester United, mas os dirigentes do clube Filipino renovaram o contrato dele para segurá-lo no elenco do time principal. Guilherme praticamente não jogou no futebol brasileiro. 

Em 2005, quando tinha 18 anos, foi negociado com a Inter de Milão. No futebol italiano, também teve passagens por Lazio e Udinese, antes de chegar ao futebol do país das touradas. O periódico espanhol Ideal, em fevereiro deste ano, publicou uma matéria que a comissão técnica da seleção espanhola estudou a possibilidade de convocá-lo à Fúria, embora Vicente Del Bosque nunca tenha confirmado tal especulação.

O blog entrevistou o jogador, gerenciado pela Assessoria de Imprensa, que intermediou a entrevista. Abaixo, confira a entrevista com Guilherme Siqueira.

Nos últimos anos, os brasileiros Thiago Alcântara e Marcos Assunção se naturalizaram espanhol. Visto que a lateral esquerda é, talvez, uma das lacunas da seleção espanhola, caso aparecesse uma proposta para se naturalizar espanhol, você toparia? 
Guilherme Siqueira: Toparia sim. Estou esperando sair a nacionalidade para ter essa opção. Hoje tenho a nacionalidade italiana. 

Dos quatro laterais convocados por Felipão para a disputa da Copa das Confederações, três atuam no futebol espanhol (Daniel Alves do Barcelona, Marcelo do Real Madrid e Felipe Luís do Atlético de Madrid). Você ainda acredita em vaga na seleção brasileira?
Guilherme Siqueira: Sei que aqui no Brasil poucas pessoas me conhecem. Prefiro ir passo a passo na Europa. Sei que se meu trabalho for bem feito lá fora a recompensa vai chegar. 

Você iniciou sua carreira nas divisões de base do Figueirense e dois anos depois se transferiu ao rival Avaí. Qual foi o motivo dessa mudança? 
Guilherme Siqueira: Eu fui vendido com 16 anos, mas até os meus 18 anos eu não poderia sair do Brasi. Então para estar em atividade e perto da minha família acabou surgindo a possibilidade de assinar com o Avaí. 

Guilherme, até você se estabilizar no Granada, você passou por quatro times no futebol italiano. Qual o grande problema que você encarou para não se adaptar da forma que se adaptou no futebol espanhol na Itália? Pesou a questão do idioma, por exemplo? 
Guilherme Siqueira: O idioma não foi o meu problema. Com três meses de Itália eu já falava o idioma fluentemente. Eu acho que o estilo de jogo e as lesões foram os principais aspectos. 

Guilherme Siqueira ao lado de Marcelo (Divulgação/AV Assessoria de Imprensa)

Na Espanha, por sua vez, você não tardou a cair na graça das torcidas. O que te proporcionou essa adaptação tão fácil ao futebol europeu? 
Guilherme Siqueira: Desde que eu cheguei na Espanha a minha vida mudou completamente. Hoje tenho a felicidade de jogar na primeira divisão do melhor futebol do mundo. Sou feliz e reconhecido. Todo esse meu sucesso atual eu devo ao Granada. Se hoje tenho uma estabilidade é graças a esse clube. 

Ano após ano, seu nome é ligado a uma especulação no Manchester United. Quanto ao futuro: até quando vai seu contrato com o Granada? Você pretende renová-lo? 
Guilherme Siqueira: Eu renovei ano passado com o Granada por cinco temporadas. Tenho ainda mais 4 anos de contrato. Se vou cumprir não sei porque não depende só de mim. Mas acho que se chegar alguma proposta que seja boa para o clube e para mim, eu acredito que seria o momento ideal de aspirar novos objetivos. 

Por mais um ano consecutivo, o Granada conseguiu se salvar e permanecer na primeira divisão. Para você, o Granada pode chegar a brigar por alguma vaga na Liga Europa na próxima temporada? 
Guilherme Siqueira: O Granada a cada ano que passa vem se estabilizando mais na primeira divisão. Acho que falar de Liga Europa ainda é muito cedo. No entanto, com o projeto que os donos desse clube vem fazendo não seria nenhuma loucura eu falar que dentro de dois ou três anos o Granada poderia brigar por essas posições. 

Você costuma enfrentar frequentemente Real Madrid e Barcelona, que conta com dois melhores jogadores do mundo, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Por jogar mais do lado direito do campo, dificilmente você marca individualmente o português. Por outro lado, o combate com o camisa dez do Barcelona é maior. Qual a maior dificuldade em encarar o Messi?
Guilherme Siqueira: O Messi é o jogador mais imprevisível do mundo. Ele pode sair pela sua direita ou esquerda. Então você nunca sabe o que ele pode fazer em determinadas partes do jogo. Além da sua baixa estatura é muito difícil de derrubá-lo. O melhor a ser feito é uma marcação coletiva em cima dele e não deixar ele cômodo dentro de campo. 

E quem é melhor: Messi ou Cristiano Ronaldo? 
Guilherme Siqueira: São os dois melhores do mundo, mas tem características diferentes. Nessa vou ficar em cima do muro (risos).

terça-feira, 18 de junho de 2013

Os melhores da Liga BBVA 2012-2013

Após as revelações, chegou a vez dos melhores. O Quatro Tiempos votou para eleger os melhores da temporada dividido em três categorias: a seleção da temporada, o melhor jogador e o melhor jovem (considerando até 21 anos). Dessa vez, contamos com a colaboração mais do que agradável da equipe do Futebol Espanhol, jornalistas brasileiros e espanhol. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. E se a Liga BBVA entra de férias, não se preocupem: o blog continuará na ativa no período da pré-temporada. Boa leitura.

Isco Román, o Golden Boy europeu e o melhor jovem da Liga BBVA 2012-2013 (UEFA)

Seleção da temporada
Courtois (Atlético de Madrid); Carlos Martínez (Real Sociedad), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Sergio Ramos (Real Madrid), Filipe Luís (Atlético de Madrid); Xabi Alonso (Real Madrid), Iniesta (Barcelona), Özil (Real Madrid); Messi (Barcelona), Falcao García (Atlético de Madrid), Cristiano Ronaldo (Real Madrid). Treinador: Diego Simeone (Atlético de Madrid).

Melhor jovem: Isco Román, do Málaga
O Golden Boy europeu brilhou por mais uma temporada. Pelo segundo ano consecutivo, Isco termina a Liga Espanhola como o melhor jovem. Dessa vez, teve a concorrência de Varane (Real Madrid), Iñigo Martínez (Real Sociedad), Illarramendi (Real Sociedad) e Courtois (Atlético de Madrid), que tiveram seus nomes mencionados entre os votantes. Invertendo posição com Joaquín e ora Eliseu, ora Júlio Baptista na veloz linha de três do Málaga, Isco brilhou. Jogando numa posição em que ficava mais próxima do gol, o espanhol deixou o rótulo de promessa de lado para virar realidade: com apresentações de gente grande contra Real Madrid e Barcelona, além das brilhantes partidas na UCL, ele está sendo disputado por Real Madrid e Manchester City. Em entrevista ao AS no início da semana, Isco afirmou que irá pensar no melhor para o Málaga e para ele na hora da decisão. Hoje, ele tornou-se campeão da Eurocopa Sub-21 com a seleção espanhola e foi consagrado com o troféu  de melhor jogador da competição.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, do Atlético de Madrid
O sucessor de Peter Cech vai construíndo uma carreira de ouro em Manzanares. No topo de seus 21 anos, Courtois é bastante querido pela torcida colchonera, especialmente após a grande partida que fez na final da Copa do Rei contra o Real Madrid. Se o principal rival do Atlético era a pedra no sapato do belga, que costumava falhar perante Cristiano Ronaldo, dessa vez ele parece ter quebrado esse obstáculo. A temporada de ouro de Courtois foi premiada com a conquista do Troféu Zamora, que premia o goleiro menos vazado. Após quatro temporadas, enfim alguém superou Víctor Valdés no troféu dado pelo Marca. Menções honrosas a Caballero, do Málaga, e Diego López, do Real Madrid.

Melhor defensor: Iñigo Martínez
O salto na carreira de Iñigo Martínez foi dado nesta temporada. Um ano depois de ter aparecido na lista das revelações da temporada 2011-2012, o basco, em apenas seu segundo ano como profissional do time A da Real Sociedad, foi um dos principais pilares do time que alcançou a vaga na fase preliminar da Uefa Champions League. Foi, também, por que não, uma temporada de redenção ao jovem, que sofreu uma lesão no menisco em abril do ano passado, retornando apenas em agosto. Bom no jogo aéreo, seguro no mano-a-mano e com um bom arremate de fora da área, ele começa a ter seu nome ligado a uma possível transferência ao Barcelona. Quem também recebeu votos foram Sergio Ramos (Real Madrid), Demichelis (Málaga), Varane (Real Madrid), Miranda (Atlético de Madrid) e Piqué (Barcelona). 

Melhor meio-campista: Andrés Iniesta
Em crescente desde o título da Eurocopa, Iniesta voou na temporada. Bem fisicamente, o espanhol foi o segundo melhor blaugrana no ano e terminou a Liga com sensacionais 16 assistências. Na primeira parte da temporada, foi escalado aberto à esquerda do ataque por Tito Vilanova, numa tentativa de encaixar Fàbregas ao lado de Xavi e Andrés. Deu certo, com os três atuando num nível positivo. No entanto, após as derrotas para Milan e Real Madrid, Tito/Roura resolveram colocar Villa no ataque e atrasar Iniesta à sua posição de origem, onde ele atua melhor. Ao lado de Xavi, Iniesta controla mais a armação das jogadas. Menções honrosas: Xabi Alonso (Real Madrid), Beñat (Bétis), Kondogbia (Sevilla), Illarramendi (Real Sociedad), Xavi (Barcelona), Busquets (Barcelona), Özil (Real Madrid), Isco (Málaga) e Xabi Prieto (Real Sociedad).

Lionel Messi: artilheiro da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, o argentino foi o melhor jogador da competição (Getty Images)

Melhor atacante: Lionel Messi
Melhor jogador: Lionel Messi

Mesmo não tendo sido, tecnicamente, a melhor temporada da carreira de Messi, o argentino novamente assombrou. Com 46 gols em 32 jogos, o argentino deixou os rivais bem para trás na disputa pela artilharia. Seu principal rival, o português Cristiano Ronaldo, foi o vice-artilheiro com 34 gols. Mesmo com o título espanhol, o Barcelona viveu uma temporada difícil, com muitos problemas de lesão e Tito Vilanova tendo que sair no meio do campeonato para se tratar de um câncer em Nova Iórque. 

No entanto, nenhuma outra lesão foi tão sentida pelo torcedor como a de Messi, que se lesionou numa partida da Uefa Champions League contra o PSG e, a partir daí, foi utilizado esporadicamente em jogos especiais. Nesse período a Messi-dependência que vem sendo criada desde o fim da era Guardiola foi escancarada. O melhor jogador do mundo também não foi ameaçado na nossa votação: dos oito votantes, seis votaram no argentino como melhor jogador- os outros dois votaram em Cristiano Ronaldo. Na categoria melhor atacante, menção honrosa a Falcao García, que só não recebeu um voto dos oito participantes.

Votantes da seleção dos melhores da Liga BBVA 2012-2013
Josep Capdevila (Diário Sport, Catalunha)
Leonardo Bertozzi (Espn)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Maurício Bonato (Sports +)
Pedro Pedroso (Futebol Espanhol)
Pierre Andrade (Futebol Espanhol)
Vitor Sergio (Esporte Interativo)
Victor Mendes (Quatro Tiempos/Doentes Por Futebol)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

As revelações da Liga BBVA 2012-2013

Uma das revelações da temporadas, Varane foi excepcional na marcação contra Messi (AP Photos)

A temporada 2012-2013 da Liga BBVA não foi tão farta em revelações, diferentemente da temporada passada, quando tivemos poucos jovens se destacando. Entre os jovens jogadores que tiveram algum destaque neste ano, a grande maioria deles já vinha sendo observada com atenção por grandes clubes e confirmaram expectativas ou já havia tido destaque em anos anteriores em alguma competição de base.

Nomes como Varane e Bartra, por exemplo, foram titulares de Real Madrid e Barcelona nas semifinais da Uefa Champions League. Leo Baptistao, Campbell e Ruben García apareceram com protagonismo em determinados momentos das temporadas de Rayo Vallecano, Bétis e Levante, respectivamente. Enquanto isso, Oliver Torres, do Atlético de Madrid, deu seus primeiros passos. O mais promissor canterano rojiblanco tem toda a confiança de Simeone para brilhar nos próximos anos.

O Barcelona, conhecido por sua excepcional cantera, revelou aquém do esperado. Pelo o time B estar na disputa da Liga Adelante, o clube blaugrana concentrou suas promessas na segunda divisão espanhola. Não foi dessa vez que Deulofeu, tratado há anos como novo Messi, ganhou múltiplas chances. Por outro lado, o Athletic Bilbao ratificou a força de sua cantera, com o aparecimento de Laporte e Jonas Ramalho.

Confira, abaixo, a lista das revelações da Liga BBVA 2012-2013, em ordem alfabética. Boa leitura.

Aymeric Laporte
Idade: 19 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Athletic Bilbao
Na temporada conturbada do Athletic Bilbao, Laporte não deixou a desejar. Ele, que já havia estreado pelo clube basco ainda na época de Joaquín Caparrós, enfim ganhou mais oportunidade e mostrou suas qualidades. Bom no jogo aéreo, o zagueiro francês renovou seu contrato com o Athletic até 30 de junho de 2016 com uma cláusula firmada em 27,5 milhões de euros.

Álvaro Morata aproveitou positivamente as chances dadas por Mourinho e ganhou pontos com o treinador português (Marca)

Álvaro Morata
Idade: 20 anos
Posição: Centroavante
Clube: Real Madrid
Centroavante genuíno, Morata surge como uma esperança para o ataque merengue no futuro. Em 2012-2013, ele aproveitou positivamente o período em que Cristiano Ronaldo e Benzema se lesionaram. O jovem começou a ganhar pontos com José Mourinho após decidir uma partida difícil contra o Levante em Valencia, anotando o gol da vitória por 2x1. Titular num superclássico contra o Barcelona, Morata não sentiu o peso da partida, cruzando para Benzema anotar um dos gols da vitória merengue ante o maior rival. De acordo com o Marca, Florentino Pérez está esperando definir o novo treinador do Real Madrid para propôr um novo contrato ao centroavante de 20 anos.

Joel Campbell
Idade: 20 anos
Posição: Atacante
Clube: Bétis
O costa-riquenho que deixou más impressões no Arsenal de um up em sua curta carreira na Andaluzia. Emprestado pelo clube londrino ao Bétis, Campbell substituiu à altura Jorge Molina e Rubén Castro em determinada partidas. Forte fisicamente, ele se destaca pelo bom chute. Após a boa temporada, o treinador do Arsenal, Arséne Wenger, resolveu dar uma nova chance ao atacante, que irá retornar ao Emirates Stadium. No Benito Villamarín, Campbell certamente não desapontou os torcedores verdiblancos.

José Campaña
Idade: 20 anos
Posição: Meio-campista
O cerebral meio-campista andaluz é tratado há anos como o canterano mais promissor da cantera do Sevilla. Um dos principais responsáveis pelo título da Espanha na Eurocopa Sub-19 em 2011, Campaña deu um passo importante para se firmar no clube nervionense. Dono de um passe apurado e uma ótima visão de jogo, ganhou moral com Unai Emery, que o efetivou ao elenco principal e pretende utilizá-lo com mais frequência a partir da próxima temporada. Campaña é mais um nome da escola espanhola que tem formado excelente meio-campistas nos últimos anos.

Jonas Ramalho
Idade: 20 anos
Posição: Lateral direito
Clube: Athletic Bilbao
Filho de pai angolês e mãe basca, Ramalho tornou-se, no final de 2011, o primeiro jogador negro a estrear com o uniforme do Athletic Bilbao. Sua temporada de afirmação, no entanto, foi 2012-2013, o que lhe rendeu uma convocação à seleção sub-19 da Espanha. Lateral que apoia o campo ofensivo a todo momento, ele foi elogiado por Bielsa, responsável pela sua estreia no time A. Com o argentino, que não irá mais treinar o Athletic, Ramalho chegou a aparecer na linha de três do meio-campo em alguns jogos.

Leo Baptistao: apelidado de Cristiano Ronaldo de Vallecas, ele chamou a atenção do Atlético de Madrid, que desembolsou 7 milhões de euros para contratá-lo (getty images)

Idade: 19 anos
Posição: Meia-atacante
Clube: Atlético de Madrid
Novo contratado do Atlético de Madrid para a temporada 2012-2013, Leo Baptistao se destacou, no entanto, no Rayo Vallecano. Após passar por um pesadelo e ter sua carreira em xeque, graças a uma lesão na clavícula, o brasileiro natural de Santos viveu sua redenção. Apelidado de Cristiano Ronaldo de Vallecas pela torcida franjiroya, Leo deu uma pequena mostra do que poderia fazer logo na primeira rodada, quando entrou no decorrer do jogo e marcou o gol da vitória contra o Bétis. Nas primeiras sete rodadas, Baptistao chegou ao incrível número de sete gols e quatro assistências, algo que nem Messi havia conseguido aos 19 anos anos.

Marc Bartra
Idade: 22 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Barcelona
Tratado há anos como a joia de ouro das canteras blaugranas, Bartra finalmente teve as chances que esperava em 2012-2013. Principalmente por ter visto um sistema defensivo desfalecido na reta final da temporada, Tito Vilanova teve que se render ao central nascido em Tarragona. Ele colheu bons frutos com a bom posicionamento e categoria na saída de bola. Um ano antes, foi eleito o melhor zagueiro da Liga Adelante pelo Barça B. Mas na Uefa Champions League não foi páreo para o super ataque do Bayern de Munich. Durante a temporada, ele ganhou a ficha exclusiva de um jogador do time A, renovando seu contrato até 2015.

El Índio: tratado como a maior promessa do Atlético de Madrid desde Fernando Torres, Oliver Torres tem animado a torcida colchonera (Mirror)

Oliver Torres
Idade: 18 anos
Posição: Meio-campista
Clube: Atlético de Madrid
Um dos jogadores sub-19 mais promissores do futebol espanhol, Oliver Torres é bastante querido da torcida colchonera. Por suas ótimas exibições nas categorias inferiores, ele começou a ser tratado como uma futura estrela. E não é para menos: há tempos que o Atlético não revela um nome tão promissor como Torres. Habilidoso, a tendência é que ele apareça com mais saliência na próxima temporada, quando o time treinador por Simeone terá que dividir suas atenções entre Liga, Copa e Uefa Champions League.

Raphael Varane
Idade: 19 anos
Posição: Zagueiro
Clube: Real Madrid
Anular o melhor jogador do mundo uma vez pode ser considerado sorte. Mas e quando isso acontece mais de uma vez? O responsável por esse feito é Varane, que simplesmente não deixou a vida de Messi em paz nos duelos da Copa do Rei. Indicado por Zidane, o francês chamou a atenção dos fãs de futebol após os confrontos contra o Barcelona. Sua capacidade para recuperar bolas é louvável, além do excelente vigor físico. Rápido e excelente na disputa pelo alto, Varane tem a faca e o queijo nas mãos para fazer história em Chamartín.

Ruben García
Idade: 19 anos
Posição: Meio-atacante
Clube: Levante
É outro jogador que tem se destacado nas divisões de base da seleção espanhola. Proporcionalmente, Rubén García é a mais grata surpresa da temporada. Atuou em 28 jogos, anotou cinco gols e deu quatro assistências. Rápido, técnico bom passador e com muito fôlego, Rúben esteve a um passo de acertar com o principal rival do Levante, o Valencia, mas desistiu e resolveu ficar no clube azulgrená. Com Caparrós, que adora trabalhar com jovens, é provável que seu belo futebol evolua mais.

Samuele Longo
Idade: 21 anos
Posição: Atacante
Clube: Espanyol
Presença constante nas seleções de base da Itália, Longo foi emprestado ao Espanyol pela Inter para ganhar mais experiência. Ele fez três gols em 16 jogos (dez como titular), mas passou boa impressão aos péricos. Atacante completo, Longo joga em todas as posições do ataque e tem ótimo chute com os dois pés. Um jogador em formação, que deve explodir nos próximos anos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que esperar da Real Sociedad na Uefa Champions League?

Na despedida de Montannier, a Real Sociedad rebaixou o Deportivo e conseguiu uma vaga na fase prévia da Uefa Champions League (Marca)

Após muito drama, a Real Sociedad vai jogar a fase preliminar da Uefa Champions League. Um prêmio à equipe que desempenhou um futebol agradável durante toda a temporada e não mudou sua forma de atuar nos momentos turbulentos. Depois de um segundo turno de ouro, os bascos cambalearam na reta final ao empatar com o Granada e um desinteressado Real Madrid no Anoeta e perder para o inócuo Getafe em Madrid, mas contaram com a ajuda do Sevilla (e de Negredo, autor de quatro gols na vitória sevillista ante o Valencia por 4-3) e venceram o Deportivo na Galícia, sepultando os galegos e confirmando a ida à fase preliminar da maior competição de clube da Europa.

A vaga consolida a melhor temporada da Real Sociedad desde 2002-2003, quando o time comandado pelo francês Raynald Denoueix e com Nihat e Kovacevic formando a dupla de ataque terminou a Liga com o vice-campeonato. Além disso, dá continuidade ao bom momento do futebol basco nos últimos anos. Em 2011-2012, a Europa ficou encantada com a temporada do Athletic Bilbao, finalista da Copa do Rei e da Liga Europa. O País Basco forma bons jogadores e agora começa a ver seus principais representantes nas competições europeias.

No entanto, a Real sabe que a tarefa de ir à fase de grupos é um tanto árdua. A realidade é que o time está mais para Sevilla 2010-2012 (aquele que caiu na fase prévia para o Braga) do que para o Málaga 2012-2013, que não só avançou à fase de grupos como só foi parado (e nos minutos finais) para o vice-campeão Borussia Dortmund. Muito porque o Málaga deu continuidade ao projeto mantendo Pellegrini no comando técnico, apesar das vendas Cazorla, Mathijsen e Rondón para sanar as dívidas. A diretoria basca já começou errado deixando Phillipe Montánier, responsável pelo excelente futebol desempenhado pela equipe, voltar ao futebol francês.

Ainda que este que vos escreve já tenha elogiado a atual geração da Real em outras colunas (aliás, fui um dos primeiros a apostar no sucesso desse time, só não esperava que fosse tão cedo), é difícil acreditar na Real fazendo boa campanha em âmbito europeu. Contra Arsenal, Milan, Schalke, Lyon ou Zenit, os possíveis adversários dos blanquiazules de San Sebastian, a Real larga em desvantagem. Pela fraca condição financeira, capturar bons valores no mercado doméstico deve ser algo a ser pensado. Para a próxima temporada, o clube pode estar próximo de fechar com Marc Muniesa, considerado durante muito tempo o "substituto natural de Puyol" no Barcelona. O basco Beñat cairia como uma luva na volância ao lado do ótimo Illaramendi, mas deve estar próximo de um retorno ao Athletic Bilbao.

O grande fruto do sucesso da Real na temporada foi deixar de depender exclusivamente de Xabi Prieto. Com Vela em temporada de ouro, Griezmann retornando à boa fase e Agirretxe comprovando por que é o atacante mais confiável do Anoeta desde Nihat e Kovacevic, o time de Montanier ganhou um leque de opções decisivas. Por mais que Xabi Prieto continue sendo o jogador mais respeitado do elenco, foi de Vela a melhor temporada individual de um jogador da Real Sociedad. Quando Vela ou Griezmann estiveram indisponíveis, Zurutuza e Chory Castro foram boas reposições. Zurutuza, aliás, é subestimado. Na zaga, Iñigo Martínez provou a cada jogo estar deixando para trás o rótulo de promessa. A principal revelação da Liga 2011-2012 é, hoje, realidade. Ele, que sofreu uma grave lesão no menísco em abril de 2012, retornou com saliência.

Na coletiva de despedida, Montannier aproveitou para dizer que uma parte de seu coração estará com a Real na UCL. A diretoria irá pensar no substituto após a Copa das Confederações. E o futuro treinador já sabe que igualar a grande temporada de Montannier será difícil. Ainda que caia na fase prévia da Champions, no entanto, o próximo treinador da Real com certeza terá em mãos um brilhante elenco e jogadores capacitados para ao menos terminar o próximo campeonato espanhol na zona de Liga Europa deixado por Phillipe Montanier, o Josep Guardiola francês.

domingo, 26 de maio de 2013

Por que o Barcelona é a melhor opção para Neymar

Futuro parceiro de Messi, Neymar será importante para o argentino (getty images)

Neymar é do Barcelona. Uma das novelas mais demoradas do futebol brasileiro chegou ao fim ontem, quando o (ex) craque do Santos confirmou em seu Instagram a ida ao clube catalão na próxima temporada. Os valores ainda não foram oficialmente divulgados, mas é provável que tenha sido algo em torno de 32-35 milhões de euros.

A ida de Neymar ao futebol europeu chega em excelente hora, já que ele estava estagnado e sem nada a fazer no futebol brasileiro. Agora, num time totalmente oposto ao desorganizado e bagunçado taticamente Santos, o brasileiro começará uma nova história em sua carreira. Abaixo, os motivos que mostram por que a escolha pelo Barcelona foi a melhor que Neymar poderia ter feito.

Menos pressão
Apesar da expectativa alta, a torcida do Barcelona não é tão exigente com seus jogadores. O maior exemplo é Alexis Sánchez, contratado em 2011, que nunca mostrou sua versão Udinese no Camp Nou. Nem por causa disso os torcedores deixam de apoiar. E no caso de Neymar, em que haverá todo um tempo para se adaptar a um estilo de futebol novo, a torcida certamente será paciente. Em Madrid, por outro lado, os torcedores costumam pegar no pé. Cristiano Ronaldo só foi ganhar respeito máximo após ser o protagonista do título da Liga 2011-2012. Por suas frequentes fracas apresentações diante do Barcelona, o gajo era criticado por uma parte da torcida.

Questão tática
De acordo com um dossiê que o clube vinha preparando desde 2009, "Neymar é um jogador que irá se encaixar de forma perfeita no lado esquerdo do ataque". Só do brasileiro ter a garantia que, inicialmente, é opção para jogar no setor do campo onde mais gosta de atuar já é uma grande vantagem. No Real Madrid, por exemplo, ele esbarraria na presença de Cristiano Ronaldo pelo lado do campo. Aberto à esquerda do 4-3-3, com Messi se aproximando para tabelar, e Iniesta e Xavi armando atrás, Neymar tem tudo para brilhar.

Ser o parceiro ideal de Messi
Num time onde 80% dos gols são concentrados em um jogador, Neymar chega para "dividir essa responsabilidade", com bem frisou Daniel Alves. Com 138 gols em 228 jogos, o brasileiro é um exímio finalizador. É claro que o cargo de protagonista vai continuar com Messi, mas em situações onde o argentino é anulado pelo esquema adversário (em outras palavras: contra retranca como as do Milan, Chelsea ou Inter) Neymar pode servir para dar liberdade ao camisa dez, até mesmo trocando de posição e aparecendo como falso nove, função que já desempenhou em alguns jogos com Mano Menezes na seleção brasileira.

Local onde brasileiros brilham
Nos últimos anos, os torcedores do Barcelona se acostumaram a ver os brasileiros se destacaram vestindo a camisa azulgrená. Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho ganharam títulos e foram Bola de Ouro. Lá atrás, Evaristo de Macedo virou ídolo da torcida culé. O mais supersticioso acredita que Neymar dará continuidade aos grandes brasileiros que brilharam no clube. Além disso, o Barcelona já está pensando em fazer uma versão em português de seu site oficial.

Filosofia
O Barcelona tem uma filosofia de jogo simples e direta: privilegiar o futebol ofensivo, baseado na troca de passes. Num time que em situação nenhuma vai optar por um esquema defensivo, Neymar vai se sentir em casa. Com o plus de ganhar uma disciplina tática que dificilmente ganharia no futebol brasileiro. Ainda que Pedro cumpra o papel de marcar o lateral adversário no lado direito, Neymar terá que fazer isso em algumas situações para desafogar Alba.

sábado, 18 de maio de 2013

San Simeone

Diego Simeone sorri à toa: ele é o principal nome do atual Atlético de Madrid (AS)

23 de dezembro de 2011. Após uma fraca primeira parte de temporada, que culminou numa eliminação precoce na Copa do Rei diante do modesto Albacete, a diretoria do Atlético de Madrid resolveu demitir Gregório Manzano, que, durante cinco meses, não conseguiu definir uma tática e dar um padrão jogo à equipe. Sem muitos treinadores disponíveis no mercado, o jeito foi recorrer a Diego Simeone, ex-jogador e ídolo do clube. Hoje, quase um ano e cinco meses depois, não há mais dúvidas de que a diretoria acertou em cheio na contratação do argentino.

Ontem, Simeone conseguiu, por tudo que envolveu, o maior título de sua carreira: a Copa do Rei 2012-2013. Diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, um tabu perseguia o Atlético de Madrid: há 14 anos que o clube de Manzanares não vencia o rival de Chamartín. No entanto, numa das melhores apresentações do Atléti em tempos, a equipe manteve a concentração após o gol de Cristiano Ronaldo, empatou ainda no primeiro tempo com Diego Costa e levou o jogo à prorrogação, quando Miranda decretou o fim do pesadelo e o primeiro título de um clube-não-Real-Madrid-e-Barcelona em solo nacional desde a Copa do Rei do Sevilla em 2010, justamente contra o Atlético de Madrid.

Mas os méritos de Simeone vão muito além das taças levantadas (Liga Europa, Supercopa da Uefa e Copa do Rei). A começar pelo sistema defensivo, inconstante há anos, que El Cholo ajustou de maneira brilhante. Com Juanfran, Miranda, Godin e Filipe Luís, o argentino formou uma retaguarda sólida, capaz aguentar a pressão adversária. Coincidência ou não, Miranda e Filipe Luís fizeram suas melhores temporadas na Europa, enquanto a adaptação de Juanfran à lateral direita foi um golpe de mestre do treinador - Juanfran, aliás, chegou até a ser chamado para a seleção espanhola.

O segredo dos bons resultados na atual temporada passa, em partes, pela forte marcação no meio-campo, que desarma à rodo e aciona os contra-ataques. A marcação pressão no campo adversário, principalmente em jogos decisivos, gera um cenário de desconforto ao rival. O Atlético adora jogar sem a bola, mas sabe que tem obrigação. Executa contra-ataques à perfeição e se defende com grande aplicação tática. Personalidade e raça são as principais características da equipe.

Outro dos acertos de Simeone foi ter conseguido encaixar Diego Costa ao lado de Falcao García sem necessariamente abrir mão dos atributos dos dois jogadores, embora para privilegiar o faro de gol do colombiano o brasileiro tenha cumprido outro papel em 90% da temporada. Sem seu principal armador, Diego, que voltou ao futebol alemão, El Cholo encarregou o cerebral Arda Turan (que mostrou, durante o período que ficou ausente, ser tão essencial quanto Falcao) à função da armação, deslocando Diego Costa ao flanco esquerdo do 4-2-3-1.

Os 34 gols em 40 jogos, sendo 28 na Liga Espanhola, cravam Falcao García como o melhor jogador do Atlético de Madrid na temporada. E os gritos da torcida de "Falcao, quedate" (especulações o colocam no Monaco, novo rico da Europa) na comemoração do título da Copa do Rei prova isso. Além dos méritos do próprio Falcao, Simeone também tem a ver com a excelente fase do centroavante. Com Manzano, até pela bagunça que era o time, o camisa 9 não se encontrou. Com um time moldado para ele brilhar, El Tigre não decepcionou. Colecionou aparições decisivas (gols na final da Liga Europa e da Supercopa, assistência na final da Copa do Rei) e tornou-se querido pelos aficionados.

Os resultados estão aí. O Atlético de Madrid aguentou até onde pôde acompanhar o Barcelona na Liga Espanhola, terminou o primeiro turno em segundo lugar, mas não suportou o pique e acabou ultrapassado pelo Real Madrid. No entanto, soube manter os jogadores em alta e não pressioná-los, porque, apesar do título ter ficado difícil, ainda havia a disputa por uma vaga na Champions em jogo. E, dessa forma, sem ser pressionado por Real Sociedad, Valencia e Málaga, times que disputam o quarto lugar, os rojiblancos confirmaram, com três rodadas de antecedência, o retorno à maior competição de clubes do mundo, após três temporadas disputando Liga Europa.

Agora, Simeone tem novos desafios. Conquistar UCL e Liga é uma missão difícil, porém o Atléti precisa fazer campanhas aceitáveis para ganhar mais força e respeito em âmbito europeu. Por exemplo, o time precisa ir além das oitavas de finais como em 2008/2009 ou de uma queda precoce na fase de grupos como em 2009/2010. Na Liga, a equipe é o melhor time humano e, em CNTP, não deve ter muito trabalho para terminar em terceiro (ou, quem sabe, brigar com Barcelona e Real Madrid novamente). Contudo, o momento agora é de aproveitar a melhor temporada rojiblanca desde 1995-96.

sábado, 11 de maio de 2013

O título da regularidade

O abraço entre Messi e Iniesta, os protagonistas do título de Liga Espanhola do Barcelona 2012-13 (getty images)

Soa como clichê dizer que o campeão de um torneio de pontos corridos se destaca pela regularidade apresentada durante a competição. Mas essa é a palavra que mais se encaixa ao Barcelona de Tito Vilanova, campeão espanhol em sua primeira temporada como treinador profissional e líder do início ao fim. Em temporada inconstante e com alguns problemas extracampos, a equipe não deu sopa ao azar e capitalizou positivamente os tropeços de Atlético de Madrid e Real Madrid, seus principais rivais durante boa parte da Liga. 

Com um primeiro turno de alto nível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, os blaugranas puderam atuar com mais tranquilidade na segunda parte, onde a queima de gordura foi permitida. Mais concentrado na parte decisiva da Uefa Champions League, o Barça caiu naturalmente de rendimento, mas nada que assustasse bastante: apenas duas derrotas (Real Sociedad e Real Madrid) em 15 jogos, até o momento. Ainda que não tenha derrotado o Real Madrid nos dois superclássicos, não há do que reclamar da campanha catalã.

Taticamente, Tito Vilanova deixou a desejar. O treinador manteve o 4-3-3 natural da filosofia azulgrená, mas não o utilizou em essência. Sem marcação pressão, poucas infiltrações dos ponteiros e uma recomposição mais lenta em relação ao time de Guardiola, a defesa ficou vulnerável aos contra-ataques. Outro problema foi as jogadas aéreas, sempre um Deus nos acuda ao sistema defensivo. A bem da verdade, o aparecimento repêntino de um câncer na glândula paródita acabou por colocar em xeque seu trabalho. É injusto julgar negativamente Tito Vilanova e esquecer do bom futebol que o Barcelona parecia estar recuperando até sua ida a Nova Iórque para o tratamente de quimioterapia. A vitória contra o Málaga por 1x3 na Andaluzia, com 74% da posse de bola e um tiki-taka ao fino, é a prova disso. Com Jordi Roura, os blaugranas viveram seu pior momento em 2012-2013.

Dos personagens, dois se destacaram: Andrés Iniesta e Lionel Messi. Apesar dos números assustadores do argentino, o espanhol talvez tenha se destacado tanto quanto. Em fevereiro, num momento crucial da temporada, Messi padeceu, enquanto o meio-campista (que atuou durante 60% da temporada aberto à esquerda do ataque) manteve-se bem. Até esse período, a temporada de Iniesta era de outro mundo. Para muitos críticos, foi o melhor ano do jogador de Albacete, que vem mantendo a boa fase desde a Eurocopa, quando foi campeão e melhor jogador. 

Mas o camisa 10 não pode se esquecido. Pichichi da Liga pela segunda vez consecutiva e terceira em sua carreira, Messi alcançou, mais uma vez, registros sobrenaturais. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em 19 rodadas consecutivas, o que dá, em outras palavras, um turno inteiro indo às redes. Além disso, marcou pelo menos um gol em todas as equipes da competição (à exceção do Barcelona, óbvio), feito que só Cristiano Ronaldo, na temporada passada, havia conseguido. Com 46 gols em 34 rodadas, La Pulga está a quatro de igualar seu recorde de 50 anotados em 2011-2012.

Com o título, o Barcelona se torna o clube espanhol com o maior número de títulos oficiais (79), dois à frente do Real Madrid, que disputa a final da Copa do Rei na próxima sexta-feira. Esse é o título de número 24 da carreira de Xavi, o jogador espanhol com mais títulos em toda a história. Em campo, no entanto, foi uma temporada atípica do maestro catalão, que já não foi tão dominante no meio-campo quanto nos últimos anos. Ainda que em janeiro e fevereiro tenha tido uma excelente sequência, o camisa seis barcelonista fez sua pior temporada desde 2008.

Agora, a diretoria começa a se planificar visando a próxima temporada. Principalmente pela eliminação acachapante na Uefa Champions League para o Bayern de Munique, com direito a 4x0 na Alemanha e 0x3 na Catalunha, o elenco precisa de uma renovação, sobretudo na retaguarda. Com Piqué inconstante e Puyol dando sinais claros de decadência, é necessário contratar, ao menos, dois zagueiros. Dentre os especulados, o nome de Hummels, do Borussia Dortmund, aparece com mais força, embora o preferido de Tito Vilanova e Andoni Zubizarreta seja o brasileiro Thiago Silva, sonho antigo dos espanhóis. 

No gol, o clube vive um dilema: Víctor Valdés revelou não querer renovar seu contrato, que se encerra em julho de 2014, e o desejo do corpo técnico é contratar um novo arqueiro já na próxima temporada. Ter Stegen, Guaita, Handanovic e De Gea são os que têm o nome ligado a uma possível transferência ao Camp Nou. Nas laterais, Daniel Alves mostrou-se irregular, enquanto Alba se adaptou perfeitamente ao time titular. Do meio para frente, o nome mais desejado é o de Neymar. O santista, que parece estar com um pé e meio em Barcelona, voltou a ser atacado pelo Real Madrid, de acordo com a imprensa espanhola, embora seu desejo seja o de atuar com Messi e cia. Além de Neymar, Tito prefere contar com mais um atacante de lado do campo.

Abaixo, os principais jogos, em ordem de acontecimento, que marcaram o título barcelonista. Para ver os gols, clique em cima do resultado.

Barcelona 5x1 Real Sociedad, 1ª rodada. Gols de Messi (2), Puyol, Pedro e Villa.
Nada melhor começar o campeonato goleando. No retorno (e com gol) de Villa, a Real assustou nos primeiros minutos, mas Messi deu seu cartão de visita à temporada com um doblete.

Osasuna 1x2 Barcelona, 2ª rodada. Gols de Messi (2).
Em um jogo extremamente difícil em Navarra, onde o Barcelona sempre encontra dificuldades, o time de Tito Vilanova não se encontrava em campo. Mas eis que Messi, como de praxe, decidiu marcando os gols da virada aos 31 e 35 minutos do segundo tempo. Na mesma rodada, o Real Madrid perdeu para o Getafe por 1x0 e os azulgrenás abriram distância na tabela.

Sevilla 2x3 Barcelona, 6ª rodada. Gols de Fàbregas (2) e David Villa.
A uma semana do primeiro superclássico contra o Real Madrid, o Barcelona iria à Andaluzia encarar o Sevilla, que à época viveu sua melhor fase na temporada. Com uma marcação forte, perigoso nos jogos aéreos e um contra-ataque fatal, os nervionenses abriram 2x0 e, indiretamente, ressuscitavam os merengues. Mas aí o Barcelona acordou, impulsionado por Fàbregas, autor de um doblete providencial. No último suspiro do jogo, Villa mostrou estar recuperado ao tabelar com Messi e anotar o gol da remontada.

Barcelona 2x2 Real Madrid, 7ª rodada. Gols de Messi (2).
No Camp Nou, tanto Barcelona quanto Real Madrid chegavam ao superclássico rodeado de dúvidas. E Cristiano Ronaldo e Messi, que anotaram dois gols cada, trataram de mascarar os problemas das duas equipes, num jogo não tão espetacular tecnicamente.

Barcelona 4x1 Atlético de Madrid, 16ª rodada. Gols de Adriano, Busquets e Messi (2)
À época, o confronto do líder contra o vice-líder. O Atlético de Madrid de Simeone chegava ao Camp Nou  com uma grande campanha e a segunda colocação. Dentro de campo, nos primeiros 45 minutos, os rojiblancos se comportaram muito bem e chegaram a abrir o placar com Falcao García. O golaço de Adriano trouxe o Barcelona de volta ao jogo e, depois, o Atléti inexistiu.

Málaga 1x3 Barcelona, 19ª rodada. Gols de Messi, Fàbregas e Thiago Alcântara.
O Málaga vivia um ótimo momento, era o quarto colocado e havia derrotado o Real Madrid um mês antes. Era um compromisso bastante difícil ao Barcelona. No entanto, o que se viu em campo foi um time à Guardiola, com muita pegada na marcação, infiltrações pelos lados do campo e belas trocas de passes.

Barcelona 2x1 Sevilla, 16ª rodada. Gols de Messi e Villa
Era o jogo depois da derrota em Milão para o Milan e antes do confronto decisivo pela Copa do Rei contra o Real Madrid. A virada marcou uma espécie de mudança na equipe titular: Villa aproveitou a chance dada por Roura, marcou o gol do empate e ganhou a vaga de Fàbregas no onze inicial, com Iniesta sendo recuado à sua posição original, no meio-campo.

Barcelona 4x2 Bétis, 34ª rodada. Gols de Alexis Sánchez, Villa e Messi (2)
Os blaugranas acabavam de sair da eliminação humilhante na Champions para o Bayern e pareciam estar sentindo a queda em âmbito europeu. Messi, que começou no banco, teve que entrar para decidir: no primeiro toque na bola, sofreu uma falta. No segundo, cobrou com perfeição. Com uma nova postura, o Barcelona virou e aliviou a relação com a torcida, que acabou o primeiro tempo vaiando a equipe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O desafio de Munique

Há quatro anos, o trio Messi-Eto'o-Henry fez o carnaval contra o Bayern de Munich. Agora, no entanto, a fase bávara é outra (BBC)

Após eliminar Milan e PSG, vem aí o Bayern de Munich para o Barcelona, no último passo rumo a Wembley, local onde os blaugranas ganharam duas de suas quatro UCL. Para muitos, o jogo do ano. Nesta terça, às 15h45 (horário de Brasília), a Allianz Arena verá a melhor equipe dos últimos anos contra o melhor time da temporada 2013/14. Nos últimos quatro anos, era automático colocar o Barcelona como o mais      cotado a vencer algum confronto de UCL. Contra o Bayern, o favoritismo é dividido em 50% para cada. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 75 gols – 89 marcados e 14 sofridos. Como mandantes, os bávaros perderam apenas uma vez, para o Bayer Leverkusen, em outubro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular (apesar de que, nesta terça-feira, Gómez irá jogar devido a suspensão de Mandzukic). O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.  Com a lesão de Kroos, Robben recuperou sua titularidade, e será ameaça real a Jordi Alba.

No final de semana, Tito Vilanova usou um time misto contra o Levante. Apesar da partida sonolenta e previsível do Barça, a equipe venceu por 1x0 nos minutos finais, com gol de Fàbregas, após boa jogada de Alexis Sánchez. No entanto, a melhor notícia que Vilanova poderia receber foi o excelente rendimento de Abidal na zaga ao lado de Piqué. O francês passou segurança a um sistema defensivo bastante vulnerável e pela primeira vez desde seu retorno ficou em campo os 90 minutos. É claro que o ritmo dos alemães será outro em relação ao dos levantinos, mas Abidal pode aparecer como um elemento mais confiável do que Bartra ou Song para o duelo de Munique (Adriano está suspenso, e Mascherano e Puyol estão lesionados).

Outra notícia positiva que o treinador barcelonista recebeu é sobre Lionel Messi. O argentino treinou normalmente com os companheiros no domingo e viajou para Munique. Ainda sem alta médica, no entanto, sua participação como titular está 80% confirmada. De acordo com o periódico Mundo Deportivo, o camisa 10 fará exames médicos na Alemanha para poder, enfim, receber a tão esperada liberação. Iniesta e Daniel Alves, que fizeram um trabalho específico após o duelo do final de semana, também estão confirmados.

Daniel Alves é uma questão à parte no duelo. O baiano, autor de uma temporada inconstante, irá combater diretamente Franck Ribéry, um dos melhores jogadores do mundo. Na temporada passada, o francês abusou de Arbeloa e foi um dos caminhos para a classificação bávara sobre o Real Madrid. Contra o Bayern, Daniel Alves irá precisar controlar suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao francês. Precisará ser mais o Daniel Alves de 2009/2011, que anulava Cristiano Ronaldo, e não o de 2013, que deixou espaços para Pastore marcar no Camp Nou.

No meio-campo, talvez o duelo que irá condicionar o jogo: Busquets, Xavi e Iniesta contra Javi Martínez (ou Luiz Gustavo), Schweinsteiger e Müller. Ainda que Iniesta faça uma temporada de ouro, Xavi vive de lampejos e Busquets vem de partida fraca contra o PSG, na qual não conseguiu controlar Verrati. É preciso mais concentração a um meio que já não consegue ditar tanto o ritmo da partida como outrora. Xavi conhece bem Schweinsteiger, que foi anulado pelo espanhol no confronto entre Espanha x Alemanha na Copa do Mundo. Porém, desta vez, Xavi irá encontrar uma versão mais evoluída do alemão.

Os duelos também reservarão outra questão, a mais interessante: a posse de bola. Há cinco anos (ou 301 jogos, se você preferir) que ninguém tem mais posse de bola jogando contra o Barcelona. Os blaugranas lideram todas as estatísticas referentes à manutenção da bola na Liga dos Campeões 2012/13: é o líder de posse e o time que mais acertou passes. Atrás, nos dois quesitos, está exatamente o Bayern de Munich, que tem poderio suficiente para agredir os azulgrenás e fazer eles correrem atrás da bola. Para isso, indico o texto de Marcelo Bechler, da Rádio Globo, falando mais sobre o assunto.

Prováveis escalações.
Bayern: Neuer; Lahm, Dante, Van Buyten, Alba; Javi Martínez (Luiz Gustavo), Schweinsteiger; Robben, Müller, Ribéry; Mário Gómez.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Bartra (Abidal), Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa (Alexis Sánchez)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

PSG x Barcelona

Pela segunda vez consecutiva, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona contra Zlatan Ibrahimovic, que teve uma pequena passagem pelo clube blaugrana, de onde saiu de maneira controversa. Se na temporada passada seu Milan não conseguiu parar o tetracampeão europeu, dessa vez cabe ao sueco tentar levar o Paris Saint Germain à semifinal da principal competição europeia de clubes. Nas oitavas de finais, o clube da capital francesa eliminou um clube espanhol: vitória, no agregado, por 3x2 contra o Valencia. Mas os confrontos não teve um Ibrahimovic protagonista, muito pelo contrário. Expulso na partida de ida, quando ele passou em branco, coube a Pastore, Lavezzi e Lucas liderar os parienses.

Especialmente após eliminar o Milan, o Barcelona parece ter retornado à velha forma. O futebol total, que andava em modo lento, dá mostras que voltou com maestria e, como bem deixou claro o brasileiro Leonardo, diretor técnico do PSG, os azulgrenás são os favoritos para avançar de fase. Na última sexta-feira, o representante do Parc des Princes jogou para o gasto e derrotou o Montpellier por 1x0, gol de Gameiro. A derrota do Lyon para o Souchaux, no domingo, por 1x2, dá total liberdade à equipe de Carlo Ancelotti se concentrar nos confrontos contra o Barça.

Ao contrário dos catalães, o PSG não é um primor coletivo. A maioria das vitórias tem saído à base da invidualidade de seus principais jogadores, sobretudo Ibrahimovic, artilheiro do time na temporada com 31 gols. A velocidade de Lucas pela direita do 4-2-3-1 é uma arma importante da equipe, que costuma ter no brasileiro uma válvula de escape para a armação dos contra-ataques. No outro flanco, Ezequiel Lavezzi tem se destacado em âmbito europeu, onde é o principal goleador do PSG na LC, com cinco gols. No auxílio a Ibrahimovic, Javier Pastore, após um início opaco, atua mais à vontade, como nos tempos de Palermo.


Dizer que Ibrahimovic é uma ameaça real à zaga barcelonista é chover no molhado. Sem Puyol, que pode ficar de fora do restante da temporada, cabe a Piqué e Mascherano total atenção. Aliás, o argentino está a um cartão amarelo da suspensão, que poderia complicar a vida barcelonista visando o jogo da volta. Na esquerda, Jordi Alba irá precisar ser preciso como contra Di María no superclássico de outubro para encarar Lucas. Até por ser um lateral ofensivo, ele terá, acima de tudo, que contrabalancear suas subidas ao ataque para não deixar espaços ao brasileiro, que, certamente, também precisará marcar o espanhol nas jogadas ofensivas barcelonista.

Outra peça-chave para o Barça será Iniesta. O camisa oito jogará no setor do mapa da mina dos parienses: o lado direito da zaga, onde atua o fraco Christophe Jallet. Além dele, Villa é outro que cumprirá função importante. A versatilidade do Guaje oferece flexibilidade ao Barcelona. Tito pode orientá-lo a centralizar e puxar a marcação de Thiago Silva e Alex para Messi entrar em diagonal (um dos caminhos para a vitória contra o Milan) ou fechar o lado esquerdo do ataque. Na direita, Tello, com moral alta após a excelente partida na Galícia contra o Celta, deve ganhar a vaga de Alexis Sánchez e substituir Pedro, suspenso.

Contra dois jogadores velozes pela ponta e um dos melhores centroavantes do mundo, o Barcelona não pode deixar os franceses contra-atacarem. Trabalhar a bola com mais velocidade, acionar os ponteiros (para isso, Xavi on fire será primordial), aproveitando-se da carência do adversário na marcação pela bandas, é a chave para a vitória.

O pesadelo de todo o elenco do PSG certamente atende-se por Lionel Messi. Ibrahimovic, Thiago Silva, Lucas, Pastore e Lavezzi rasgaram elogios ao argentino antes do duelo. É provável que Ancelloti repita a "fórmula Inter-Chelsea-Celtic-Milan", com duas linhas de quatro protegendo a retaguarda de Sirigu para ilhar o camisa dez. Trocar de posição com frequência com Tello e cair pelo lado direito é essencial. A marcação frouxa do ex-blaugrana Maxwell não deve aguentar nem o catalão e muito menos o argentino. Com 56 gols na temporada, Messi voltou aos melhores momentos e deixou claro que "está animado e com boas sensações para enfrentar o PSG". Que o virtual campeão francês se cuide.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A hora da verdade

Na coletiva, Vicente Del Bosque mostrou-se confiante. O treinador afirmou que só irá forçar Xavi se o catalão estiver 100% (AS)

Na última quinta-feira, na coletiva pré-jogo contra a Finlândia, Vicente Del Bosque havia afirmado que seria necessário concentrar seus jogadores para o duelo contra os finlandeses antes de ir a Paris para o jogo decisivo contra a França. Para o treinador, os dois jogos teriam valores iguais. Ele parecia adivinhar do que viria pela frente. Na sexta-feira, a Fúria pecou por aquilo em que mais é criticada: o preciosismo. Durante o primeiro tempo, encarou uma super-retranca montada pelo técnico Paatelainen, que fixou duas linhas de quatro protegendo a retaguarda do arqueiro Menp. No entanto, em relação ao Barcelona quando encara retrancas, a Roja apostou nos chutes de fora da área, especialmente de Iniesta e Villa, mas sem resultados. 

O gol de Sérgio Ramos no início do segundo tempo jogou por água abaixo o esquema de Paatelainen. Obrigada a sair ao jogo, a Finlândia deixou espaços, não aproveitado pela Espanha, que preferiu cadenciar o jogo. O castigo veio a dez minutos do fim, quando Arkivuo aproveitou a lacuna deixado por Arbeloa na direita e cruzou para Pukki marcar. O lance gerou uma pequena discussão entre o lateral do Real Madrid e Piqué, que teve que cobrir a lateral direita, deixando espaço suficiente para o atacante finlandês anotar seu gol.

Amanhã, às 17h, horário de Brasília, a Fúria irá precisar emular, acima de tudo, seus melhores momentos nos últimos anos para sair do Saint-Denis com três preciosos pontos. No confronto em Madrid, há quatro meses, uma cínica França relegou a bola aos espanhóis durante 90% do tempo e levou perigo ao gol de Casillas em contra-ataques. Deve repetir a estratégia que serviu para tirar dois pontos da seleção de Del Bosque no Vicente Calderón, quando Giroud silenciou o estádio do Atlético de Madrid aos 47 minutos do segundo tempo.

Antes de encarar a Roja, os Bleus fizeram o dever de casa. Contra a Geórgia, uma tranquila vitória por 3×1, que teve Paul Pogba como destaque. O volante de 20 anos é autor de uma grande temporada pela Juventus e começa a mostrar desempenho positivo pela seleção. Ele dominou o meio-campo e fez excelente dupla com Valbuena, autor de um gol e uma assistência para Ribéry marcar. Por outro lado, Didier Deschamps vive um dilema com Benzema. Sem marcar pela França há 10 jogos, o atacante merengue, ainda por cima, foi cobrado por um grupo de extrema direita francês por não cantar o hino nacional do país. Em entrevista à Rádio Marca, Deschamps deixou em evidência sua confiança em Benzema, que “vem jogando bem, mas está dando azar de não ir às redes”.

Na Espanha, Vicente Del Bosque irá esperar por Xavi até o último momento. Com desconfortos musculares, ele foi poupado na última sexta e tem sua participação colocada em xeque. O treinador madrilenho afirmou não querer forçar o uso do meio-campista catalão: se ele não estiver em condições, não irá jogar. Se Xavi não jogar, é provável que Iniesta continue no meio-campo e Mata e Fàbregas disputem uma posição no ataque. À exceção de um apagão que gerou o gol de empate da Finlândia, os defensores têm se comportado bem. Mas encarar uma França que irá apostar no contra-ataque irá requer mais atenção de Arbeloa, que deixa muitos espaços às suas costas. Monreal, pela esquerda, terá que ser tão incisivo quanto Alba, fora da partida por lesão. Del Bosque tende a insistir com Villa no ataque, pois Silva, suspenso, é desfalque confirmado. 

Os espanhóis têm a vantagem da alta posse de bola. Mas há a ressalva de que especialmente amanhã será necessário mais profundidade e rapidez na troca de passes para desgastar o meio-campo francês. Diminuir o jogo pelo centro a fim de procurar mais os pontas será crucial. Com Pedro, de fato, a Espanha irá ganhar em incisão pelo flanco. A França, por sua vez, trocou o esquema nos dois últimos jogos contra o selecionado de Del Bosque. Ainda com Laurent Blanc, os Bleus entraram com uma trinca de volantes, abdicando de um meio-campista de ligação. Líder do grupo com 10 pontos, uma vitória colocará os franceses a um passo e meio da Copa. 

Para os mais supersticiosos, Paris costuma ser o local de glórias para o esporte espanhol. O maior exemplo é Rafael Nadal, heptacampeão de Roland Garros na capital francesa. Além dele, o ciclista Alberto Contador ganhou duas etapas do Tour da França em Paris, Manuel Maldonado foi medalha de ouro da prova de 1.500 no Europeu de pista coberta de atletismo em 2011 e o Barcelona de Puyol, Xavi e Iniesta voltou a ganhar uma Uefa Champions League no Saint-Denis, palco do clássico desta terça-feira. 

Prováveis escalações, de acordo com o Marca. 
FRANÇA: Lloris; Jallet, Varane, Sakho, Clichy; Pogba, Matuidi, Valbuena; Benzema, Giroud, Ribery.

ESPANHA: Víctor Valdés; Arbeloa, Piqué, Sergio Ramos, Monreal; Busquets, Xabi Alonso, Iniesta; Villa, Fàbregas (Mata), Pedro.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A redenção de Villa

Messi e Villa acabaram com o Rayo Vallecano. O Guaje, após viver um pequeno inferno astral, recuperou sua moral na Catalunha (getty images)

David Villa viveu um período infernal no Barcelona. Após retornar de uma lesão que o tirou dos gramados por quase oito meses, o Guaje se viu rebaixado à terceira opção do ataque barcelonista, sendo muitas vezes preterido por Alexis Sánchez e Tello. Não obstante, ele ainda voltou a sofrer uma lesão muscular no final de janeiro, justamente no período no qual parecia restabelecer sua moral com Tito Vilanova (ou Jordi Roura, se preferir). A saída dele era iminente. De acordo com a imprensa espanhola, houve muito assédio de Arséne Wenger, treinador do Arsenal, para levá-lo a Londres ainda em janeiro.

No entanto, de grão em grão, o treinador percebeu a necessidade de ter um atacante como Villa em seu esquema, que contava com um meio-campista deslocado ao setor mais ofensivo do 4-3-3. Com Pedro em má fase, a Messi-dependência ficou clara. E, após as derrotas para Milan e Real Madrid, o nome do Guaje passou a ser cobrado. Em enquete promovida pelo Diário Sport logo após a eliminação na Copa do Rei para o maior rival, quase 87% dos votantes queriam Villa de titular nos jogos seguintes. E ele mostrou por que ainda tem bola para figurar no onze inicial pelas próximas temporadas.

Na partida seguinte, contra o Sevilla, o camisa sete foi essencial para a construção da vitória apertada. Primeiro porque, escalado como centroavante, testou firme um cruzamento de Daniel Alves e empatou a partida. Segundo porque, de acordo com as estatísticas pós-jogo, ele foi quem mais chutou às redes de Beto. Estava claro que para furar retrancas semelhante à que a equipe andaluza montou (mas não tão feroz quanto a do Milan no San Siro), Villa seria necessário.

O Guaje ratificou sua volta à boa fase na Catalunha na partida decisiva contra o Milan. Roura optou por centralizá-lo, deslocando Messi à ponta direita do ataque, mas com liberdade para concluir as jogadas no centro, como o seu primeiro gol mostrou. Villa foi importante taticamente, puxando os defensores rossoneros para longe do camisa 10 e dando liberdade ao argentino. Faltava um gol, que saiu na segunda etapa. Após recuperação de Mascherano, Xavi acionou o Guaje, que chutou com categoria no ângulo de Abbiatti. A comemoração com raiva foi um sinal de redenção para quem parecia muito próximo de ir embora do Barcelona.

Ontem, contra o Rayo Vallecano, no fechamento da rodada 28, ele fez sua melhor partida na temporada. À esquerda do ataque, Villa se movimentou com louvor, mostrou uma letal conexão com Messi, a quem assistiu duas vezes, e deixou sua marca, após assistência do argentino. Messi à parte, foi o melhor em campo e saiu do Camp Nou ovacionado pelos culés ao término da partida. Em momento de fase decisiva na Champions League, onde os blaugranas irão enfrentar o PSG de Ibrahimovic, Tito Vilanova, que retorna na próxima semana, sabe que poderá contar com Villa, a cada jogo mais confiante e de volta ao seus melhores momentos.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Unidos

Contra o Barcelona, Varane marcou seu gol abraçado com José Mourinho (AS)

Entre dezembro e fevereiro, o Real Madrid viveu uma grave crise nos vestiários. A divisão entre espanhóis e portugueses era clara e o estopim foi a titularidade de Adán em um difícil confronto contra o Málaga na Andaluzia, quando Mourinho optou por deixar Casillas no banco por questão técnica. Para piorar a situação merengue, o goleiro acabou se lesionando numa disputa de bola com Arbeloa, o que resultou num período de três meses fora dos gramados. O jeito foi contratar um goleiro novo, que acabou sendo o canterano Diego López.

No início de fevereiro, Sara Carbonero, a namorada de Casillas, confirmou a um canal de televisão espanhol os consecutivos atritos dos jogadores com o treinador nascido em Setúbal. Até com Cristiano Ronaldo o bi-campeão da Champions League discutiu de maneira áspera. Em campo, o desempenho era bastante abaixo da média se comparado com a equipe da temporada passada. O reflexo disso era a abissal diferença para o Barcelona, que chegou a estar 18 pontos à frente na liderança, e até para o Atlético de Madrid.

Era difícil imaginar os merengues saindo dessa crise. Ainda mais porque o calendário ingratamente colocou dois confrontos consecutivos contra o Barcelona e um decisivo contra o Manchester United no Old Trafford, pelas oitavas de finais da Uefa Champions League. No entanto, paradoxalmente, o melhor que poderia ter acontecido para os blancos foram esses confrontos contra o maior rival. A começar porque, de maneira merecida, a vitória por 1x3 no Camp Nou marcou a reconciliação dos jogadores com Mourinho. O gol que sacramentou a passagem à final da Copa do Rei, marcado por Varane, teve de especial a comemoração do francês, que, ao lado de seus companheiros, abraçou o treinador português.

Não bastasse a vitória em Barcelona, o Real Madrid se abasteceu de moral para encarar o líder da Premier League em seus domínios ao voltar a derrotar o Barcelona utilizando uma equipe mista. Novamente, os merengues neutralizaram o jogo do rival e soube o que fazer nos momentos que tiveram a bola. Pepé foi claro após a partida: "necessitávamos de vitórias desse jeito para enfrentar o United em Manchester".

A sequência de vitórias diante dos azulgrenás serviram para ratificar o retorno da melhor versão de Cristiano Ronaldo, autor de dois gols no Camp Nou. O contra-ataque também está fino. O segundo gol contra o Barcelona pela Copa foi demonstração de como a transição madridista é letal. Messi errou passe no ataque e, dez segundos depois, viu seu time sofrer o gol. Di María desconcertou Puyol e Ronaldo concluiu. No setor defensivo, Varane e Sergio Ramos formaram uma sólida dupla de zaga na Catalunha, mas Pepe teve atuação especial no confronto de sábado. Mourinho pode deslocar Ramos à lateral direita e deixar francês e português no comando da retaguarda, com Fábio Coentrão, em boa fase, na lateral esquerda.

Por mais que encarar o Manchester United seja tarefa árdua (os merengues não fizeram boa partida na ida), o Real Madrid recuperou a auto-estima necessária para o duelo decisivo em busca do título europeu. Se a taça da Liga Espanhola dificilmente escapará das mãos do Barcelona, a orelhuda é um sonho possível. E impulsionado por um mágico Cristiano Ronaldo, os blancos são capazes de levarem o troféu ao Santiago Bernabéu.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Cristiano Ronaldo de Vallecas*

Grande revelação da Liga Espanhola na temporada, o brasileiro Léo Baptistão caiu nas graças da fanática torcida do Rayo Vallecano (foto: site oficial do Rayo Vallecano)

Durante a primeira parte da Liga Espanhola, um jovem despontou como candidato máximo à revelação do campeonato. Trata-se de Léo Baptistão, um brasileiro pouco conhecido pela mídia e pelo povo brasileiro. Natural de Santos, ele desembarcou em Vallecas aos 15 anos, após passagem pela base da Portuguesa Santista. Ainda no Brasil, ele chegou a jogar com Neymar, de quem era bastante amigo. Em uma de suas recentes publicações no “Instagram”, o craque do Santos postou a foto dos dois quando criança ( Léo é o da esquerda). 

Logo após passar nos testes para o Rayo Vallecano, o brasileiro passou por um grave problema de saúde, sendo obrigado a retornar ao Brasil para tratar da doença (seu pai é médico). Ao retornar, já curado e no meio da temporada, a Federação Espanhola não aceitou a inscrição do jogador no time juvenil, o que acabou fazendo com que o Rayo o emprestasse ao San Fernando de Henares para não ficar muito parado e aprimorar a parte física. 

Na temporada seguinte, Léo retornou e foi adicionado à lista da equipe sub-17 do Rayo que iria disputar a Divisão de Honra Juvenil, o maior torneio de base espanhol, ao lado de outra grande promessa franjiroya, o ganês Lass Bangoura. Os rayistas fizeram boa campanha, mas não passaram à fase seguinte (conhecida como Copa dos Campeões) pois pararam no Real Madrid (apenas uma equipe por região se classifica à fase final). 

Apesar da eliminação ainda na primeira fase, a boa participação do brasileiro no torneio chamou a atenção de José Ramon Sandoval, à época treinador da equipe A do Rayo. Ele convidou Léo Baptistão para um período de treino com o elenco principal durante a pré-temporada. Sandoval se rendeu ao talento do jovem e o elogiou com frequência. No entanto, o destino mais uma vez influenciou negativamente sua carreira. Naquele que seria, ainda que não oficialmente, sua estreia pelo time principal, Leo Baptistão acabou lesionando a clavícula durante um amistoso contra o Sporting Gijón válido pelo Troféu de Vallecas. O resultado: Léo só iria voltar aos gramados em sete meses, perdendo assim 90% da temporada. 

Sem Sandoval, que acabou demitido ao término da temporada, o esperado era Léo ter que reconquistar a confiança do novo treinador ao longo da temporada pelo Rayo B. Porém, Paco Jemez não exitou em dar continuidade à ideia do antigo treinador, que iria promover a estreia profissional do brasileiro. Logo no retorno dos jogadores das férias, Paco teve uma conversa com Baptistão, que novamente faria a pré-temporada com o time A. Dessa vez, felizmente, tudo ocorreu bem. A melhor notícia viria há uma semana da estreia do Rayo na Liga Espanhola 2012-2013, contra o Bétis na Andaluzia: Léo viria a ser convocado para esse duelo. 

E a estreia foi a melhor possível. A confiança de Paco no jogador era tanta que ele começou com Léo entre os titulares. E o jovem não se acanhou dentro de campo. Aberto pelo lado esquerdo do surpreendente 3-4-3 rayista, ele realizou a melhor estreia possível. Logo no começo, fez uma bela jogada e assistiu Piti marcar. No segundo tempo, após o empate verdiblanco, Léo decidiu o jogo: um chutaço que garantiu a vitória do Rayo e sua estreia de ouro pelo time A. Foi o suficiente para ratificar a confiança de Paco Jémez, que o efetivou na equipe titular. 

A ascensão de Léo Baptistão foi meteórica. Em cinco meses, ele se tornou o principal jogador do time ao lado de Piti. Por seu estilo de jogo, foi apelidado de “Cristiano Ronaldo de Vallecas”* (o título do texto é  em clara alusão a esse apelido) pela fanática torcida franjiroya. Apesar de também fazer as vezes de centroavante, atua com mais saliência na ponta esquerda, onde aproveita a velocidade, o bom drible e a louvável disciplina tática. O belo início de temporada (sete gols e quatro assistências em 13 jogos) deu lugar a uma queda de rendimento natural nos últimos jogos. Uma lesão na coxa direita o afastou dos gramados por três semanas em janeiro, mas ele retornou há uma semana.

A imprensa espanhola não demorou a especular uma possível convocação à equipe de base espanhola. De cidadania espanhola, italiana e brasileira, ele nunca comentou sobre isso. Nos últimos meses, foi especulado com força no Atlético de Madrid, o segundo maior clube da capital espanhola. Os colchoneros, de acordo com o Marca, podem desembolsar seis milhões de euros por sua contratação no próximo verão. É perfeitamente plausível imaginá-lo no Atléti, já que Simeone recua Diego Costa para fazer o lado esquerdo do 4-2-3-1. No início do mês, Léo deu mais força às especulações ao ser flagrado acompanhando uma partida dos rojiblancos no Vicente Calderón. 

No Rayo Vallecano ou no Atlético de Madrid, fato é que Léo Baptistão, aos 20 anos, é um dos brasileiros que mais se destacam nos quatros cantos do mundo na atualidade. Onde quer que haja futebol, terá um brasileiro jogando.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Prévia: Milan x Barcelona

Na temporada passada, o Milan parou Messi no San Siro e segurou o 0x0 contra o Barcelona com uma pequena retranca. E agora? (AP Photos)

Por mais um ano consecutivo, o sorteio da Uefa Champions League colocou frente a frente Barcelona x Milan. Se, nos confrontos da temporada, houve um leve favoritismo ao lado do Barcelona, principalmente depois da lesão de Thiago Silva, que ficou de fora dos dois jogos, atualmente o peso do favoritismo por parte blaugrana é ainda maior. À época, no entanto, o Milan deixou a competição de cabeça erguida, após segurar os azulgrenás no San Siro com uma competente retranca e chegar a assustar os mais de 90 mil torcedores culés presentes no Camp Nou, quando Nocerino empatou a partida por 1x1, resultado que classificava os rossoneros (logo depois, Messi, de pênalti, e Iniesta decidiram a classificação barcelonista).

Pelo lado catalão, o respeito pelo time de Milão é alto. Jordi Roura, na coletiva desta segunda-feira, afirmou ser altamente difícil encarar o Milan em seus domínios. O diretor esportivo Zubizarreta, por sua vez, admitiu não estar 100% confiante na classificação e que os rossoneros merecem respeito não importa a situação. O mesmo disse o capitão Puyol, reconhecidamente um seguidor do Milan.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 20 de fevereiro, às 16h45 (horário de Brasília), e volta no dia 5 de março, contaremos com a colaboração, por mais uma vez, dos parceiros do Quattro Tratti, especializado no calcio italiano. Quem fala sobre o Milan é Arthur Barcelos. Boa leitura.

A temporada até aqui
Milan: Depois de um início tenebroso, com seis derrotas, dois empates e apenas quatro vitórias, gerando um aproveitamento de 33,3%, o time de Massimiliano Allegri vem conseguindo se recuperar na Serie A. Nos últimos 13 jogos pelo campeonato, o Diavolo teve um aproveitamento de 69,2%, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, marcando 26 gols e sofrendo outros 15. Atualmente, o clube de Milanello é o quarto colocado, com 44 pontos em 25 jogos, empatado com a Lazio, a última equipe na zona de classificação para a próxima Champions League. Pela Coppa Italia, o Milan parou nas quartas de finais, contra a Juventus, após ter batido sem dificuldades a Reggina nas oitavas. Já na fase de grupos da Champions, os comandados de Allegri fizeram campanha irregular, surpreendidos pela ótima campanha do Málaga, conseguindo uma vaga no mata-mata apenas na penúltima rodada.

Barcelona: Líder isolado e virtual campeão da Liga Espanhola, nem tudo foi mil maravilhas para o Barcelona no início da temporada. Sem Josep Guardiola, que em abril, logo após a eliminação para o Chelsea, havia anunciado que não renovaria seu contrato para 2012-13, a equipe demorou a engrenar. Em campo, Tito Vilanova não mexeu na filosofia de jogo de Pep, dando continuidade ao estilo do ex-treinador. No entanto, o jogo encantandor dos últimos quatro anos não fluia. Especialmente na Uefa Champions League, o Barcelona não convencia. O estopim foram dois jogos muito abaixo da média contra o Celtic, que resultou em uma derrota por 2x1 e uma vitória pelo mesmo placar com o gol da vitória aos 47 minutos do segundo tempo, através de Jordi Alba. A perda da Supercopa para o Real Madrid, quando foi amplamente dominado pelo time de Mourinho, foi moralmente absorvida pela campanha louvável em âmbito doméstico: enquanto os merengues iniciaram a temporada pecando na busca pela manuntenção do título, os blaugranas, por sua vez, firmaram o melhor início de um time em toda história do campeonato, vindo a perder sua invencibilidade apenas na primeira rodada do returno (derrota para a Real Sociedad por 3x2 no País Basco). Pela Copa do Rei, o Barça conseguiu boa vantagem ao empatar contra o Real Madrid no Bernabéu por 1x1.

Pontos fortes
Milan: A sequência de bons resultados deve dar um gás a mais para a equipe milanesa, mas são poucos os pontos fortes do atual Milan. Allegri tem no jovem El Shaarawy sua principal arma ofensiva, o artilheiro do time na Serie A e na Champions League, com 15 e 2 gols, respectivamente, contribuindo também com 4 assistências na temporada. Outros destacáveis dos rossoneri são Montolivo, Constant e De Sciglio. O primeiro vem rendendo bem na função de regista, correspondendo as expectativas, enquanto o segundo, por sua vez, talvez seja a grande surpresa na temporada, indo bem na lateral esquerda, e mesmo lhe faltando técnica, compensa com entrega e bom posicionamento. Já o último é a grande revelação do Diavolo, fazendo valer toda a expectativa criada após seu ótimo desempenho na base rossonera, desbancando o antes titularíssimo Abate e conquistando, inclusive, uma lembrança de Prandelli na Nazionale.

Barcelona: Lionel Messi e Andrés Iniesta vivem estados de graça. O primeiro, eleito pela quarta vez consecutiva o melhor jogador do mundo pela Fifa e France Football no início de janeiro, caminha para registrar sua melhor temporada nos números, após assombrosos 72 gols na temporada passada - 91 no ano. São 48 gols em 36 jogos, uma média de 1.33 por partida. Iniesta, por sua vez, é o motor do time. Adaptado ao setor esquerdo do ataque, em uma tentativa de encaixar Fàbregas no meio-campo, o espanhol, segundo muitos especialistas, faz a melhor temporada de sua carreira. Impulsionado pelo título e o troféu de MVP da Eurocopa, o camisa 8 é fundamental para o esquema do treinador, fazendo ótima parceria com Jordi Alba pelo lado esquerdo. Fàbregas é outro grande nome do Barça na temporada. Após um início fulminante, ele caiu de rendimento nos últimos jogos, mas nada de tão impressionante. Por outro lado, quem cresceu consideravelmente na temporada foi Xavi. O camisa 6 começou de maneira tímida, não tão dominante no meio-campo, mas desde dezembro tem feito partidas com selo Xavi.

Pontos fracos
Milan: Apesar do bom momento dos últimos quatro meses, o time de Allegri não apresenta bom futebol, que, certamente, não enche os olhos dos rossoneri. Suas vitórias geralmente vêm de placares apertados e/ou decididos no final dos 90 minutos, tendo muitas dificuldades contra equipes que jogam mais fechados e que usam contra-ataque e bola longa. O Milan tem a segunda maior média de posse de bola, 57,9%, atrás apenas da Juventus, contudo apresenta problemas quando com a posse, aproveitá-la para abrir espaços na defesa adversária, fazer infiltrações, chutar ao gol e, claro, converter suas chances, mesmo tendo o quarto melhor ataque da Serie A, 34% de gols do menino El Shaarawy, sobrecarregado no ataque. Balotelli, contratado no mercado de inverno, conseguiu amenizar um pouco a situação, marcando quatro gols em três jogos, porém não poderá jogar pelo Diavolo na Champions League, por já ter atuado pelo Manchester City. Não bastasse isso, a defesa segue falha, especialmente os zagueiros. Os veteranos Mexès, Yépes e Bonera não conseguem substituir a altura Nesta e Thiago Silva, e ainda apresentam certa irregularidade, enquanto Zapata não consegue repetir as atuações dos tempos de Udinese, também apresentando irregularidade.

Barcelona: Desde a Era Guardiola a zaga não inspirava confiança. Com Tito Vilanova tem exagerado. Os erros são múltiplos e cruciais. A recomposição é feita com muita lentidão, o que gera muitas bolas nas costas, sobretudo pelo lado de Daniel Alves, lateral que ataca com mais frequência que Alba, o lateral esquerdo. O catalão, talvez, seja o grande destaque desse sistema defensivo. Inteligente taticamente, ele comete poucos erros e ajuda substancialmente o ataque. Com Puyol apto, a melhoria é considerável, porém não garante 100% de confiança. Piqué, após bom início de temporada, voltou a falhar em janeiro, mas ganhou moral após anular Cristiano Ronaldo no superclássico de três semanas atrás. Outro ponto fraco conhecido desse time do Barça é a dificuldades de encarar retrancas. A eliminação para o Chelsea ratificou essa deficiência. Contra o próprio Milan, pelas quartas-de-finais da LC 2011-12, os azulgrenás passaram por dificuldades no San Siro, quando os rossoneros retraíram as linhas e diminuiram os espaços de Messi e Xavi. 

Expectativas
Milan: Bom momento, futebol burocrático, as expectativas do Milan contra o líder espanhol e soberano Barcelona não são das melhores. Contra o eficiente time de Tito Vilanova, Allegri já não conta mais com Ibrahimovic e Thiago Silva, além da disposição tática da equipe das últimas duas temporadas, fatores que seriam fundamentais contra o clube catalão, que também vem apresentando problemas na defesa, problemas esses que poderiam ser explorados pelo trio Niang-Balotelli-El Shaarawy, que não poderá se repetir nos dois confrontos pela ausência do camisa 45. Além de tudo isso, o retrospecto da equipe de Milanello contra o Barcelona também pesa contra: nos últimos seis jogos, foram três vitórias dos culés, sendo duas em pleno San Siro, e três empates. Os comandados de Allegri terão de se superar caso ainda sonhem com o avanço para as quartas, mas pelo visto as atenções do time de Berlusconi estão todas voltadas para a Serie A, na briga por uma vaga na próxima Champions.

Barcelona: O Barcelona recuperou o bom futebol dos últimos tempos, após um fraco início quanto ao desempenho em campo, e chega ao confronto com muita confiança e com o peso do favoritismo ao seu lado. 12 pontos à frente do vice-líder Atlético de Madrid, os azulgrenás podem se concentrar com mais atenção à competição europeia. O treinador Tito Vilanova não estará presente nos confrontos devido a uma ida a Nova York para o início da quimioterapia para curar o câncer. O auxiliar Jordi Roura, nos últimos três jogos, tem feito alguns turnovers no time titular especialmente para evitar algumas lesões, principalmente de jogadores "frágeis" fisicamente, casos de Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves, Puyol e Xavi. Em quatro confrontos contra o Milan na temporada passada, o Barcelona venceu dois, enquanto os outros dois terminaram empatados. Por tudo que as equipes vem apresentando na atual temporada, é fácil imaginar os catalães avançando de fase com certa facilidade. Mas uma camisa como a do Milan merece respeito, como frisou Roura na coletiva pós-jogo contra o Granada, no sábado.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; De Sciglio (Abate), Mexès (Zapata), Yépes, Constant; Nocerino, Montolivo, Boateng (Muntari); Niang, Pazzini (Bojan), El Shaarawy. Técnico: Allegri.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Fàbregas; Pedro, Messi, Iniesta. Técnico: Jordi Roura