quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A despedida do herói


A venda de Forlán, concluída nas últimas horas de mercado para a Inter de Milão, irá deixar o Atlético de Madrid sem um de seus maiores jogadores nas últimas temporadas. Após 96 gols, uma chuteira de ouro e dois títulos, o uruguaio parte para Milão para substituir Samuel Eto'o, que saiu da Inter rumo ao Anzhi. Ironicamente, Forlán chega para o lugar daquele com o qual protagonizou um histórico duelo pela artilharia na temporada 2008/09: o camaronês ficou à frente do uruguaio durante boa parte do campeonato; porém, sucumbiu na reta final e viu um Forlán avassalador levar o Pichichi para a casa.

A chegada de Forlán ao Atlético de Madrid foi semelhante com a ida a Milão. Em 2007/2008, logo após a saída de Fernando Torres para o Liverpool, a diretoria colchonera agiu rápida e anunciou o nome do El Brujo por 10 milhões de euros junto ao Villarreal. Após uma passagem ruim no Manchester United e convincente no clube amarillo, Forlán se firmou com um dos melhores atacantes do mundo justamente em Manzanares e não demorou para ouvir muitos gritos de "uruguaio, uruguaio!" vindo dos aficionados rojiblancos logo após um gol seu.

Em sua primeira temporada como jogador do Atléti, Forlán anotou 23 gols, sendo 16 deles na Liga Espanhola, que ajudaram a equipe a se classificar a Champions League pela primeira vez em onze temporadas. Uma cifra aceitável para sua temporada de estreia, mas que fica em segundo plano se comparada com a da temporada posterior, que acabou resultando em sua segunda chuteira de ouro na carreira. Uma reta final de temporada espetacular permitiu terminar com 32 tentos, ficando à frente de Eto'o na artilharia da Liga.

Foi um período em que El Brujo parecia, de fato, um bruxo: tudo que tocava acabava em gol. Seja com a direita, com a esquerda, de cabeça, de pênalti e, até mesmo, de falta: Forlán estava impossível. No fim, seu tremendo final de campeonato escondeu muitas carências de uma equipe para lá de inconstante, e que acabou classificada à LC pela segunda temporada consecutiva. A grande decepção da temporada foi justamente na competição europeia. Não pelo que Forlán fez, mas pelo que deixou de fazer. Em uma atitude para lá de maluca, Javier Aguirre, treinador do Atlético à época, optou por deixar Forlán no banco no jogo decisivo contra o Porto pelas oitavas-de-finais. Resultado: empate por 0 a 0 e eliminação colchonera, já que o jogo de ida, no Vicente Calderón, havia sido 2 a 2.


A terceira temporada de Forlán teve muitos altos e baixos, mas o resultado final não deixou dúvidas: 18 gols na Liga, três na Copa do Rei e sete na Liga Europa, onde foi campeão e melhor jogador. Se, nos numeros, houve uma queda significante em relação à temporada anterior, no plano coletivo a temporada 2009/2010 acabou sendo a melhor de Cavachava quanto jogador atleticano. Para terminar, com chave de ouro, o terceiro lugar na Copa do Mundo com o Uruguai, onde foi eleito o melhor jogador da competição. Autor de dois gols na semifinal da competição europeia contra o Liverpool e também na final contra o Fulham, Forlán será eterno no clube rojiblanco por muitas coisas, mas em especial pelo seu gol ante os Cottagers no minuto 116 da prorrogação. O tento que definiu o título europeu para o Atlético de Madrid tirou os colchoneros de uma fila de 14 anos sem ganhar um título de expressão (46 anos sem título em âmbito continental).

Após esses momentos de glórias, El Brujo viveu muitos momentos duros em sua última temporada. Cavachava não rendeu como em temporada anteriores e sua relação com Quique Sánchez Flores foi bastante controversa. Sua cifra goleadora foi a pior desde que chegou à Espanha: oito gols na liga e dois na Liga Europa. Ao final da temporada, acabou proclamando-se campeão da Copa América com o Uruguai, onde mostrou novamente todo seu poderio decisivo: marcou dois gols na final contra o Paraguai.

Agora, Forlán desembarca na Beneamata com a responsabilidade de ser a grande referência de uma equipe que irá tentar volta a conquistar títulos, após uma temporada decepcionante após a saída de José Mourinho. Os torcedores do Atlético de Madrid jamais esquecerão o uruguaio bastante carismático e seus gols, sobretudo aqueles marcados no fatídico 12 de maio de 2010, em Hamburgo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

2ª rodada: Avassalador

Guardiola mandou a campo um 3-4-3 arriscado, sem zagueiros de ofícios, mas viu seu Barcelona golear com facilidade uma das melhores equipes do futebol espanhol (reuters)

No encerramento da primeira rodada da temporada, um Barcelona avassalador e sem quatro jogadores de defesa goleou facilmente um Villarreal abatido, com cara de desgastado. O resultado, que foi saindo com leveza, deixou o presidente do Villarreal indignado com o atual estado do futebol espanhol. "ou mudamos isso ou iremos matar o futebol espanhol", disparou Fernando Roig, referindo-se à política de cotas televisivas, que pagam um dinheirão aos gigantes da Espanha e uma migalha para os outros clubes. Isso ajuda os dois principais clubes a gastarem fortunas no mercado e montarem elencos superiores a qualquer outros, fazendo com que haja essa disparidade técnica existente no futebol espanhol já há três, quatro temporadas.

Barcelona 5x0 Villarreal
Foi fácil. Mais até do que o esperado. Na estreia do Barcelona no campeonato espanhol, contra o Villarreal, os blaugranas entraram em campo com um esquema tático diferente do habitual e mesmo sem forçar muito golearam o adversário por 5 a 0. Uma vitória barcelonista já era esperada, é verdade; mas não do jeito que aconteceu. A goleada no Camp Nou já cria dúvidas quanto a disputa pelo título da liga bbva: por mais uma temporada, Barcelona e Real Madrid largam muito na frente para disputar o troféu.

O Barcelona entrou em campo na segunda, por causa da partida contra o Porto pela Supercopa na sexta, querendo decidir a partida com rapidez. Sem quatro homens de defesa (Puyol, Piqué, Adriano e Daniel Alves), Guardiola arriscou: mandou a campo um 3-4-3 à Cruyff sem nenhum zagueiro de ofício (Mascherano, Busquets e Abidal) e com a linha de quatro bem ofensiva formada por Keita, que jogou no vértice baixo, Thiago Alcântara, Fàbregas e Iniesta. A admiração de Guardiola pelo esquema utilizado à época do Dream Team vem de longa data: em 2007, após uma partida do Barcelona de Rijkaard contra o Zaragoza, Pep escreveu sobre o módulo tático utilizado pelo holandês no La Romareda naquela noite (o artigo pode ser lido aqui, em castellano).

O Villarreal foi dominado facilmente. Completo, o elenco de Garrido mostrou uma faceta não vista antes: apequenou-se ante o adversário, no qual sempre costumava complicar a vida. Nas últimas cinco temporadas, os amarillos tiraram pontos do Barcelona três vezes no Camp Nou. Dessa vez, foram dominados por completo. Borja Valero atuou muito mal na ligação com o ataque e praticamente não armou nada para Rossi e Nilmar, que passaram nulos no jogo. Cani, atuando pela esquerda, talvez fez sua pior partida em anos: nervoso, não pareceu nem metade daquele jogador que foi um dos destaques da equipe na temporada passada.

No lado blaugrana, destaques para as boas partidas de Thiago e Fàbregas. Os jogadores, que eram incompatíveis para uns antes da chegada de Cesc, atuaram com contudência no meio-campo e mostraram a Guardiola que podem sim atuarem juntos. Keita e Mascherano, por suas vezes, foram bastantes mimados pelo técnico de Santpedor após o jogo, de maneira até estranha: "ninguém pode tocar neles. são minhas menininhas", afirmou o treinador, em um tom até irônico. Enquanto o meio-campo, mesmo desfalcado de Xavi, voltou a envolver o adversário, as principais notícias do pós-jogo foram direcionadas, mais uma vez, a Messi.

Com seis gols e três assistências em apenas quatro jogos na temporada, La Pulga caminha novamente para uma temporada monstruosa. Com o doblete de ontem, o argentino chegou a 186 gols na Liga Espanhola e tornou-se o terceiro maior artilheiro da equipe na história da competição. À frente de Messi, apenas Kubala (194) e César (235). É inegável pensar que, dentro de uma ou duas temporadas, salvo não se lesione gravemente, La Pulga assuma de vez a artilharia história dos catalães na LFP. Valdés também fez história: com 197 partidas, ultrapassou Zubizarreta e tornou-se o goleiro com mais partidas disputadas trajando azulgrená na história do clube da Catalunha.

Leia mais sobre as declarações de Fernando Roig, presidente do Villarreal, e Josep Maria Del Nido, presidente do Sevilla, aqui, em texto de Leonardo Bertozzi
Para ler sobre os jogos de domingo, clique aqui. Para ler sobre os jogos de sábado, clique aqui.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

2ª rodada: Um triplete para começar

Cristiano Ronaldo começa a Liga BBVA do jeito que encerrou a última: marcando gols (reuters)

Na última temporada, Cristiano Ronaldo encerrou uma Liga BBVA de ouro: com 40 gols, tornou-se o maior artilheiro de uma única edição da primeira divisão espanhola. Ontem, na estreia do Real Madrid na nova temporada da la liga, o gajo mostrou que está no mesmo ritmo com o qual terminou o campeonato passado: com um triplete, comandou os merengues à goleada no La Romareda frente ao Zaragoza e, de praxe, assumiu a artilharia ao lado de Soldado, que havia dado show no dia anterior.

Os jogos de domingo também marcaram a primeira polêmica. No Iberostar, o Mallorca venceu o Espanyol com um gol irregular de De Guzmán. Nos novos horários de domingo, os Atléticos decepcionaram: enquanto o Atlético de Madrid sentiu a falta de um atacante de ofício e não passou do zero com o Osasuna, o Athletic Bilbao ficou no 1 a 1 em plena Catedral com o Rayo Vallecano. A expectativa ficou pela estreia do novo Málaga. Entretanto, decepcionados estão aqueles que esperavam uma vitória: contra o rival andaluz do Sevilla, os blanquiazules sucumbiram diante de um inspirado Negredo e perderam por 2 a 1.

Confira, abaixo, a segunda parte do resumo da segunda rodada da liga bbva.

Zaragoza 0x6 Real Madrid
Real Mouravilla. O apelido dado pelo AS após a exibição de gala dos merengues na goleada no La Romareda faz todo o sentido: o Real Madrid de José Mourinho joga bonito e é um dos mais goleadores dos últimos anos. Na temporada passada foram 102 na Liga BBVA - 127 ao total -, enquanto que, na atual, os blancos começam a todo o vapor. O Real Madrid de ontem lembrou um pouco o da gestão de Vicente Del Bosque. Pelo menos nos números: foram 114 jogadas ofensivas, com 490 passes certos e incríveis 39 (!) chutes a gol. Ao Zaragoza, restou se lamentar: para uma equipe que contratou bem no mercado, o trator blanco passou por cima sem piedade. Os aragoneses chutaram apenas seis vezes ao gol.

Cristiano Ronaldo não foi o único destaque merengue na partida. Özil e Benzema não marcaram, mas foram os condutores do Real na partida. O turco-alemão foi essencial à medida em que o Real Madrid precisava de seu futebol. Quando o jogo estava zero a zero, enfiou uma bola na medida para Ronaldo abrir o placar. Depois, conduziu com maestria o jogo. O ex-merengue Guti se derreteu de elogio ao novo camisa: "ele é o verdadeiro craque do time", afirmou em sua conta no twitter. O francês, por sua vez, está a cada jogo deixando de lado a figura de preguiçoso. Onipresente, sufocou muito a saída de bola maña na partida. O artilheiro da equipe na pré-temporada, contudo, não balançou as redes. Mas o protagonismo é todo do camisa sete: com os três de ontem, chegou aos 103 com a camisa merengue, sendo 70 na liga espanhola. E isso tudo, vale lembrar, com apenas três temporadas em Chamartin.

Leia o relato do jogo e veja os gols aqui.

Athletic Bilbao 1x1 Rayo Vallecano
Na estreia de Josu Urrutia e Raúl Martín Presa na presidência de Athletic Bilbao e Rayo Vallecano, respectivamente, o resultado não agradou muito o novo presidente basco. Por outro lado, Presa não tem outro motivo para não estar feliz: no regresso do Rayo Vallecano à primeira divisão, os rojiblancos conseguiram arrancar um ponto em um dos campos mais difíceis da Espanha. Coopero, os franjiroyos foram sufocados durante boa parte dos noventa minutos, mas conseguiram achar um gol com Movilla. Ironicamente, o tento do meio-campista veio sete minutos após o gol marcado por Iturraspe. Notícia que animou o treinador Ramón Sandoval foi a boa partida do jovem Lass. Ainda que seja um jogador com ficha de filial, o ganês demonstrou que está à disposição do treinador e pode gozar de mais minutos na temporada. Sua entrada em campo coincidiu com a reação e o empate do Rayo na Catedral.

Marcelo Bielsa, por sua vez, tem uma coisa do que reclamar: a péssima conclusão de seus comandados na hora de finalizar as jogadas. Foram 14 chutes a gol, onde desses apenas nove foram em direção às redes de Dani. Muniain segue em uma grande fase e é, por enquanto, o jogador que mais tem crescido desde a chegada do chileno ao cargo técnico do Athletic. Susaeta, jogando pelo flanco direito, dessa vez não foi bem, assim como Ander Herrera, tímido em sua estreia. Principal jogador da criação rojiblanca, Ander Herrera atuou em uma posição diferente da que está acostumado a jogar. No suporte a Llorente, o jovem passou em branco.

Sevilla 2x1 Málaga
O Sevilla do primeiro tempo agradou muitíssimo. É verdade que tudo ficou fácil de cara com o gol de Negredo na primeira jogada da partida, com a defesa defendendo com ordem e que o meio de campo não teve muitos problemas para dominar seus visitantes. Medel chegava em tudo e Trochowski tinha mais posse de bola do que teve contra o Hannover. No ataque, Navas era um pesadelo para Eliseu, e Perotti enfrentava Gámez. Só Manu Del Moral estava um pouco apagado, o que contrastava com a inspiração de Negredo, iluminado. O madrilenho marcou o um a zero de cabeça, depois de uma cortesia de Navas. Depois, colocou a bola ao lado da trave, disparou duas vezes, assustou Willy Caballero e marcou o dois a zero depois de um repertório amplo de finalizações e tabelas com os seus companheiros, recebendo um passe de Perotti e colocando no gol, sem necessidade de parar a bola. Ele sozinho fez a partida ficar tranqüila para o Sevilla e fez com que as dúvidas aparecessem para um desacertado Málaga.

O Málaga teve a posse de bola; porém, não causava danos. Armado no 4-2-3-1, Toulalan e Apoño não geraram jogo. Bateram cabeça durante boa parte dos noventa minutos e deixaram o Málaga, na maior parte do jogo, sem criação. Joaquin e Cazorla saíram-se bem. O ex-Villarreal deixou sua marca com extrema categoria após boa cobrança de falta. Julio Baptista, é verdade, fez falta. Semo brasileiro, Pelegrinni optou por uma estranha recuada de Rondón para o centro da linha de três. Outra estranha opção do chileno foi a improvisação de Eliseu na lateral esquerda ao invés de Monreal, contratado no verão. Os rojiblancos deram a volta por cima após a eliminação na Liga Europa. Agora, com Perotti e Negredo iluminados, o Sevilla tem quinze dias para recuperar Rakitic e se rearmar com mais uma contratação.

Atlético de Madrid 0x0 Osasuna
Ainda sem Falcão, que não jogou devido a falta de um documento obrigatório para a inscrição na LFP, o Atlético de Madrid sentiu a falta de um centroavante de ofício e não passou de um empate insonso contra o Osasuna no novo horário da RFEF. O sol do meio-dia desgastou um pouco a equipe comandada por Gregório Manzano, que reclamou após o jogo do novo horário, marcado para atingir o mercado asiático. O domínio rojiblanco foi total. O meio-campo formado por Mário Suárez, Gabi e Tiago dominou por completo a partida, mas faltava um algo a mais.

Como bem disse Leandro Colares, "o Atlético dependia basicamente de uma jogada: as infiltrações em velocidade de Reyes. Fora isso, o repertório da equipe era limitado. Apesar da posse de bola, o 4-3-1-2 de Gregorio Manzano não funcionava. A ineficiência do esquema se justificava principalmente pela configuração de seu meio-campo. Os volantes-meias Tiago e Gabi têm pouca capacidade de armação, e raramente chegam ao ataque. Como conseqüência, Reyes ficava sobrecarregado na armação – função onde não se adapta tão bem – e o time criava pouco." Ontem, Reyes jogou à Messi no Barcelona e mostrou para Manzano que ali não é seu lugar. Se o treinador ainda não tinha justificativa para jogar no 4-3-3, o tem após a estreia.

Mallorca 1x0 Getafe
A primeira polêmica referente a arbitragem veio de Palma de Mallorca. No Iberostar, o jogo foi definido por um lance ilegal do Mallorca. Após chute de De Guzmán, a bola desviou em Moreno, que estava impedido, e acabou enganando Cristian Álvarez. Concentrando suas jogadas pelas verticais, o Mallorca mostrou uma clara proposta no jogo de ontem: marcar sob pressão e aproveitar os contra-ataques. Em relação aos blanquiazules, os bermellones já estão mais preparada para a temporada que está se iniciando. O elenco que Laudrup tem à mão é sim limitado, mas se supera na base da vontade. Os balereas mostraram que podem sim jogarem bonito mesmo sendo limitado tecnicamente. Pocchetino, por outro lado, fez o que pôde para buscar o resultado. Colocou Albín, Sergio Garcia e Thievy em campo, mas nenhum dos três melhorou o ímpeto do Espanyol na partida. Hoje os péricos anunciaram dois bons nomes que irão dar um bom upgrade no onze inicial: Vladimir Weiss e Pandiani.

Getafe 1x1 Levante
Com uma equipe titular totalmente diferente em relação à temporada passada, o Getafe mostrou que tem condições de brigar por alguma competição europeia. Apesar do empate contra os granote, inalterado em relação à última temporada, os azulones mostraram um bom futebol durante 70 minutos, quando venciam com contudência por um a zero. O Levante foi bem similar à equipe do segundo semestre de 2010/2011, jogando muito bem taticamente e complicando a vida dos rivais. Sem Caicedo, Ignácio Martín testou o 4-4-2 com Iborra no suporte a Barkero e Valdo. No entanto, só após a entrada de Aranda na segunda etapa, quando trocou o módulo tático para o 4-3-3, que os levantinos reagiram. Luis García, novo treinador do Getafe (e que reencontrou sua ex-equipe) não se mostrou satisfeito com o resultado. Na coletiva pós-jogo, o treinador declarou que, durante a partida, reprovou mais que aprovou algumas atitudes de seus comandados. E adiantou: fará mudança para a partida contra o Real Madrid.

domingo, 28 de agosto de 2011

2ª rodada: Volta em alto estilo

Soldado fez de tudo na estreia do Valencia: hat-trick, gol contra, bola na trave... (getty images)

A nova edição da Liga BBVA começou a todo vapor. Os três jogos que abriram a temporada 2011/2012 da primeira divisão espanhola foram bastante movimentados e intensos. Dos onze gols marcados, sete deles vieram do Mestalla, que presenciou uma estreia eletrizante de Valencia e Racing Santander. O sábado também marcou a reestreia de Granada e Bétis na elite espanhola, em partida vencida pelos verdiblancos, e a vitória de uma Real Sociedad mais vistosa contra o Sporting Gijón no El Molinón.

Por causa da greve dos sindicatos dos jogadores do futebol espanhol, a liga bbva foi iniciada com os jogos da segunda rodada. Vale lembrar que os jogos referentes a primeira rodada ainda serão remarcados, sendo provavelmente disputados no final de dezembro. Confira, abaixo, o resumo dos três primeiros jogos. E, claro, não deixe de ler o guia da competição que o Quatro Tiempos preparou junto com o Futebol Espanhol. Parte 1 (aqui) e parte 2 (aqui).

Valencia 4x3 Racing Santander
No primeiro jogo do Valencia após a saída de Mata, Unai Emery surpreendeu na escalação. Para suprir a ausência de seu ex-camisa 10, o treinador optou por escolher um jogador do Valencia Mestalla, Bernat, em vez de Dani Parejo ou Canales, novas contratações do clube que jogam por esse setor. O jovem fez uma boa partida no suporte a Soldado, mostrando calma e bons passes. Porém, faltou ao jogador ser mais incisivo em algumas jogadas e aparecer mais para a criação do jogo. Até por isso, e pelo resultado adverso ao final da primeira etapa, Unai resolveu substituí-lo na volta do intervalo, colocando Canales em campo.

Unai Emery parece cada vez mais disposto a se render ao 4-2-3-1. Muito adepto do 4-3-3, seu esquema predileto, o treinador sabe que, para uma equipe que sabe jogar em contra-ataque, o esquema atual é o que mais se encaixa. Pablo Hernández, principalmente, e Piatti, os dois meias que jogaram pelo flanco, impusseram muita velocidade aos laterais racinguistas. Piatti, estreando oficialmente com a camisa blanquinegra, até poderia ter aproveitado mais a inexperiência de Samperio pela esquerda com mais contundência, como fez Jonas no segundo tempo: o brasileiro entrou quando o Racing vencia por três a dois e colocou fogo na partida. O ex-Grêmio deu mais dinamismo ao Valencia jogando pela faixa esquerda do campo, além de participar diretamente do terceiro e quarto gol dos chés. Destaque também para Jordi Alba: muito ofensivo, como de costume, o lateral fez toda a jogada do gol da virada, que levou o Mestalla ao delírio.

Apesar da virada, Unai Emery tratou de acalmar um pouco os ânimos da torcida e deixou claro, na coletiva pós-jogo: "temos que melhorar o nosso sistema defensiva, porque, apesar da vitória, o jogo de hoje foi um aviso", declarou o treinador. Na volta de Héctor Cúper - ovacionado pelos torcedores valencianista - ao Mestalla, seu atual time mostrou uma certa "volta por cima". Com um onze inicial repleto de jogadores jovens, os verdiblancos por pouco não saíram da Comunidade Valenciana com uma vitória para lá de convincente.

Leia o relato do jogo (aqui) e veja os melhores momentos (aqui)

Sporting Gijón 1x2 Real Sociedad (Victor Mendes)
Em sua apresentação como novo treinador da Real Sociedad, em substituição a Martin Lasarte, Philippe Montanier, que é conhecido como "Guardiola francês", prometeu uma Real Sociedad com um estilo mais vistoso, com uma proposta de jogo mais ofensiva. Ofensivamente, os donostiarras até têm jogadores para isso, mas a defesa nunca foi as das mais confiáveis. Ontem, no entanto, a Real Sociedad venceu o Sporting Gijón sem passar por sustos atrás e com um futebol atraente.

Escalado no habitual 4-2-3-1, os euskaras tiveram duas novidades que fizeram a diferença ao final da partida: na meia-esquerda, o recém-contratado Vela começou como titular, enquanto que, no ataque, Montanier optou por Agirretxe ao invés de Llorente. A titularidade do mexicano em dentrimento de Griezmann pode começar a dar dor de cabeça ao treinador francês: o jovem foi um dos melhores em campo e está disposto a brigar pau a pau com Griezmann por uma vaga na equipe titular. O atacante, por sua vez, foi o autor dos dois gols dos txuri-urdins na partida e deve continuar como única referência. Vela não foi o único jovem a se sair bem na estreia: Iñigo Martínez e Illarramendi jogaram como verdaderos senadores e anularam qualquer tipo de jogada ofensiva dos gijoneses na primeira etapa.

Os gijoneses, pela terceira temporada consecutiva, estreiam com derrota. A teimosia de Preciado custou caro: Rivera, que começou como reserva, entrou ao longo do segundo tempo e adicionou um gás a mais para o Sporting, que sufocou a Real nos minutos finais. Talvez se o volante tivesse em campo desde os primeiros minutos o resultado poderia ter sido outro.

Granada 0x1 Bétis
No confronto entre as duas equipes que voltaram à primeira divisão espanhola, melhor para o Bétis. Quando jogo encaminhava para um zero a zero injusto, o Granada deu um balde de água fria em seus torcedores: Lucena recuou errado e Jonathan Pereira, esperto, pegaou a bola e cruzou na medida para Castro desviar e sacramentar a vitória verdiblanca. A postura exercida pela equipe treinada por Pepe Mel foi bastante elogiada: jogando à Barcelona - trocando passes e mantendo a posse de bola, o Bétis foi superior ao rival andaluz o jogo inteiro.

À espera de Santa Cruz, Ruben Castro não decepcionou: deu bastante trabalho à zaga rojiblanca e marcou um gol que fez justiça ao que foi a partida. A defesa verdiblanca mostrou-se bem sólida no Los Carménes: Mario e Chica passaram segurança e experiência e anularam Ighalo. O Granada, por sua vez, mostrou-se muito dependente de seu craque: Dani Benítez passou ausente durante os noventa minutos e não ajudou nas jogadas ofensivas. Além do meio-campista, Ighalo e Martíns também decepcionaram. De volta à primeira divisão após longínquos 35 anos, o Granada terá que contratar mais caso queira permanecer na elite.

sábado, 27 de agosto de 2011

Pagando o preço

Texto de Pierre Andrade, do Futebol Espanhol.

Era começo de tarde, e o radialista Juan Prieto se dirigia ao Los Carménes para, 35 anos depois, voltar a narrar um jogo do Granada na primeira divisão espanhola. Ao chegar aos portões do estádio com sua equipe de transmissão foi prontamente barrado pelos seguranças e impedido de entrar.

Isso porque, tentando arrumar formas de pagar suas enormes dívidas, os clubes, juntamente com a LFP e Mediapro, canal de Tv que detêm os direitos de transmissão, decidiram começar a cobrar das rádios uma taxa para a difusão dos jogos. Estipularam valores que vão de 1,5 milhões de euros até 4 milhões de euros por rádio, a depender da sua audiência.

Ou seja, a emissora que não pagar a taxa não poderá transmitir os jogos de dentro do estádio. É a primeira vez em oitenta anos que isso acontece. Para burlar esse tipo de censura, as empresas radiofônicas farão as transmissões através das imagens da Tv. E os repórteres irão ao estádio munidos de telefone celular para passar as informações da tribuna de honra.

Sem as rádios para transmitir os jogos, mais pessoas irão procurando os canais a pago da Mediapro para assinar o pay-per-view e ver seu time de coração em campo. Não à toa, essa atitude coincide com a diminuição do número de partidas televisionadas nos canais abertos do país. É a tentativa dos clubes de jogar a conta final das suas dívidas em cima dos torcedores e das rádios.

Porém, essa batalha tem motivos para não se estender por muito tempo. E ela deve pender a favor das emissoras. Isso porque o artigo 20 da Constituição Espanhola estabelece o direito fundamental à informação, direito de obter e disseminá-las livremente, sem restrições. Além disso, Sevilla e Zaragoza, duas equipes que lutam por uma repartição mais justas dos direitos de Tv entre os clubes, se recusaram a aderir ao movimento. Assim, quando essas equipes jogarem em casa, qualquer rádio poderá transmitir suas partidas, como irá acontecer no duelo entre Zaragoza-Real Madrid e Sevilla-Málaga nesta rodada.

Pelo menos por enquanto, Juan Prieto terá uma espera mais agônica para narrar os jogos do estádio, que a de ver o Granada definhar pelas divisões inferiores da Espanha.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Guia: Liga BBVA, parte 2

O Real Madrid é a única equipe capaz de acabar com a hegemonia do Barcelona. Enquanto isso, o Málaga está pronto para brigar por LC (AP Photos)

Abaixo, a segunda parte do guia da Liga BBVA, feito em parceria com Pierre Andrade, editor-chefe do site Futebol Espanhol. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!


Osasuna (Claudio Araujo)
Cidade: Pamplona, Navarra.
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2010/2011: 9º colocado
O cara: Nekounam (meio-campista, foto)
O treinador: José Luis Mendilibar
A promessa: Andrés Fernández (goleiro)
Principal reforço: Raúl García (Atlético de Madrid)
Principal perda: Pandiani (sem clube)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Ricardo; Miguel Flaño, Damiá, Roversio, Bertrán; Masoud, Nekounam, Vadócz, Raúl García; Lekic, Kike Sola.

O Osasuna nunca foi de fazer um mercado competente e, de umas temporadas para cá, vem terminando o campeonato em alta. O desta temporada não poderia ter sido diferente, mas os rojillos prometem novamente darem bastante trabalho para equipes que forem visitar o Reyno de Navarra. Em 2010/2011, só perdeu para o Barcelona atuando em seus domínios dentre as equipes que terminaram nas quatro primeiras colocações. O grande ponto de interrogação desta equipe até o momento é o ataque: Pandiani e Aranda, ex-titulares, não renovaram seus contratos e saíram para outros clubes (Pandiani está próximo de um retorno ao Uruguai).

A dupla de ataque que deve estrear contra o Atlético de Madrid não é esperança de muitos gols. Kike Sola, que renovou por mais três anos, passou a pré-temporada inteira sem marcar, enquanto Lekic marcou apenas três vezes em seis jogos. No banco, aparecem duas boas opções para Mendillibar: Ibrahima Baldé e Nino, artilheiro do Tenerife há duas temporadas. O meio-campo continua como o setor mais forte da equipe: além de manter a base da temporada passada, ainda chegou, por empréstimo junto ao Atlético de Madrid, Raúl García. Com um meio-campo forte e um ataque nem tanto, é de esperar que Mendillibar mude o esquema do Osasuna para um 4-2-3-1, que possa unir Puñal, Vadócz e Raúl García na linha de três.

Racing Santander (Pierre Andrade)
Cidade: Santander, Cantabria
Estádio: El Sardinero
Em 2010/2011: 12º colocado
O cara: Pedro Munitis (atacante)
O treinador: Héctor Cuper
A promessa: Julián Luque (meio-campista)
Principal reforço: Acosta (Sevilla)
Principal perda: Giovanni dos Santos (Tottenham)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-5-1): Toño; Francis, Torrejón, Álvaro González, Cisma; Kennedy, Colsa, Adrian, Acosta, Munitis; Ariel

Quando o empresário indiano Ahsan Ali Syed se tornou proprietário do Racing, no começo do ano, a torcida se esperançou por dias melhores. Mas não demorou muito para o sonho virar pesadelo. Ali Syed não investiu em contratações e não cumpriu com a promessa da quitação dos débitos. Além disso, deixou de pagar os salários dos jogadores. Afundado em dívidas, o clube teve que recorrer a ley concursal para não fechar as portas.

Os racinguistas ainda viram sua situação piorar quando, ao término da temporada passada, perderam o treinador Marcelino Toral, responsável pela recuperação do clube no campeonato. Os jogadores Henrique e Giovanni dos Santos, dois dos principais atletas do elenco, também abandonaram as dependências do El Sardinero. Os torcedores agora depositam em Munitis suas esperanças de permanecer na elite do futebol espanhol.


Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Madrid
Estádio: Vallecas
Em 2010/2011: 2º colocado da Liga Adelante
O cara: Raúl Tamudo (atacante, foto)
O treinador: José Ramón Sandoval
A promessa: Provencio (meio-campista)
Principal reforço: Raúl Tamudo (Real Sociedad)
Principal perda: Armenteros (Sevilla)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Cobeño; Juan Carlos, Arriba, Carlos, Casado; Javi Fuego, Michel; Movilla, Daniel Pacheco, Rafa García; Tamudo.

Até a última segunda-feira, o Rayo Vallecano voltava à elite espanhola sem nenhuma ambição. Porém, bastou anunciar a contratação por empréstimo de Raúl Tamudo e, em menor quilate, Daniel Pacheco para os aficionados franjiroyos sonharem na permanência na Liga BBVA. A princípio, o promissor atacante deve jogar mais recuado pela esquerda, aparecendo, às vezes, no meio para armar jogadas para o veterano atacante, ex-Espanyol e Real Sociedad. Os rayistas chegaram a sonhar com Roque Santa Cruz, mas o dinheiro pedido pelo Manchester City foi alto demais e os blanquirojos não tem caixa para pagar.

A crise interna que assolou o clube na temporada passada ainda continua. Enquanto que, na disputa da Liga Adelante, o elenco do Rayo era superior a maioria de seus adversário, conviver com uma situação como essa na primeira divisão será bastante ingrato. José Ramón Sandoval, técnico do Rayo Vallecano, chegou a pedir demissão durante as voltas das férias, mas o pedido foi negado pelo presidente do clube, Raúl Martín Presa. Fato é que o Rayo Vallecano inicia sua volta à primeira divisão de maneira bem negativa.

Real Madrid (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2010/2011: 2º colocado
O cara: Cristiano Ronaldo (meio-campista)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Álvaro Morata (atacante)
Principal reforço: Nuri Sahin (Borussia Dortmund)
Principal perda: Adebayor (Manchester City)
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Sahin); Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

José Mourinho vai para sua segunda temporada à frente do Real Madrid com uma única e clara ambição: desbancar o Barcelona do topo do futebol mundial. Novo manager do Real Madrid, Mourinho teve todos os seus pedidos de contratação atendido e só está à espera de Neymar para fechar de vez o Real Madrid 2011/2012, apesar de o brasileiro só chegar, provavelmente, em janeiro de 2012, no mercado de inverno. Campeão da Copa del Rey na temporada passada, Mourinho tem o que se preocupar: a perda do título de Supercopa para o Barcelona, jogando muito melhor e estando numa condição física acima da média, é um dor-de-cabeça para o técnico de Setubal, que, de pouco em pouco, vai achando uma estratégia de parar os blaugrana.

Cristiano Ronaldo continuará sendo o cara do Real Madrid, mas um coadjuvante de luxo está disposto a repartir o protagonismo com o português: Benzema, criticado durante boa parte da temporada passada, é, até o momento, o grande nome do início de temporada merengue e promete disputar a artilharia pau a pau com o português e com Messi. O Real Madrid desta temporada promete ser mais ofensivo em relação à 2010/2011. Dos cinco contratados, três deles têm estilo de jogo ofensivo. A aposta de Mou é Sahin: o português é fã declarado do turco e já é de se esperar que Sahin entre na vaga de Khedira quando voltar de lesão.


Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco.
Estádio: Anoeta
Em 2010/2011: 15º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista, foto)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo
Principal reforço: Carlos Vela (Arsenal)
Principal perda: Raúl Tamudo (Rayo Vallecano)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Bravo; Carlos Martínez, Iñigo Martínez, Demidov, De la Bella; Elustondo, Aranburu; Zurutuza, Xabi Prieto, Griezmann; Llorente.

Em seu retorno a principal categoria do futebol espanhol, a Real Sociedad só conseguiu se livrar do rebaixamento para a Liga Adelante na última rodada. Isso se deu, principalmente, pelo bom primeiro turno que os txuri-urdin realizaram, quando chegaram a namorar com os postos de classificação para as competições européias.

Para esta temporada, a direção do clube surpreendeu ao demitir Martín Lasarte, treinador responsável pelo acesso a elite, e contratar o desconhecido Philippe Montanier. Em seu país, costumam-lhe chamar de "o Guardiola francês", uma vez que gosta que seus times retenham a posse de bola. Outra aposta é a contratação de Carlos Vela, eterna promessa mexicana, e que chega emprestado pelo Arsenal. Porém, será do meia-atacante Xabi Prieto a missão de ser a referência do time em campo.

Sevilla (Pierre Andrade)
Cidade: Sevilha, Andaluzia
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2010/2011: 5º colocado
O cara: Negredo (atacante)
O treinador: Marcelino Toral
A promessa: Luna (atacante)
Principal reforço: Trochowski (Hamburgo)
Principal perda: Capel (Sporting Lisboa)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-4-2): Palop; Coke, Cárceres, Escudé, Fernando Navarro; Medel, Trochowski, Jesus Navas, Rakitic; Kanouté, Negredo.

Um ataque devastador e uma defesa insegura. Assim pode ser definida a temporada passada do Sevilla, que viu um forte poder ofensivo de nada vale se não tem garantias na retaguarda. Sendo assim, natural que o setor mais reforçado para o vigente ano fosse a defesa. Chegaram o lateral direito Coke e o zagueiro Spahic. Além disso, Del Nido não hesitou em pagar €3 milhões ao Barcelona pela aquisição definitiva do defensor Martin Cáceres.

Porém, vários jogadores deixaram o Ramón Sánchez Pizjuán. Entre eles, Luís Fabiano e Diego Capel. Talvez por isso, a escolha de Marcelino Garcia Toral como treinador. Famoso por trabalhar com times fracos e transformá-los em clubes de meio de tabela, Marcelino terá sua primeira chance em um clube grande. Mas terá que lidar com um elenco curto no Sevilla. Volta e meia trará atletas das divisões de base para repor ausências como as de Jesus Navas, Rakitic e Kanouté, frequentadores assíduos do departamento médico do clube. Negredo continuará como a esperança de gols do time.


Valencia (Pedro Spiacci)
Cidade: Valencia, Comunidade Valenciana
Estádio: Mestalla
Em 2010/2011: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Unai Emery
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Adil Rami (Lille)
Principal perda: Juan Mata (Chelsea)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1): Diego Alves; Bruno Saltor, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Banega, Parejo; Pablo Hernández, Piatti, Dani Parejo; Soldado.

O Valencia alcançou o terceiro posto na última Liga Espanhola, garantindo vaga à fase de grupos da Liga dos Campeões 2011-12. Os ches ganharam ótimos reforços para a disputa de La Liga nesta temporada. A defesa recebeu o campeão francês Rami e o goleiro Diego Alves, destaque do Almería nos últimos anos. O meio-campo foi o setor que recebeu mais atenção da diretoria, Dani Parejo (Getafe), Feghouli (Almería), Canales (emprestado pelo Real) e Piatti (Almería) vêm para compor o setor, que sofreu com as baixas importantes: Joaquín foi para o Málaga e Juan Mata, autor de 12 assistências na última liga, para o Chelsea – os mais de 30 milhões arrecadados,não foram utilizados para contratações.

Porém, a permanência de Soldado, artilheiro do time, com 18 gols é a notícia mais animadora para os taronja. O atacante ainda declarou durante a pré-temporada, que vê “a equipe com muita gana de vitória”. O clube conta com bons talentos em sua cantera, que devem ajudar na composição do plantel principal para a temporada, que oferece três competições. O recém-chegado Parejo afirmou que os valencianistas: “vão com tudo nas três frentes”.


Villarreal (Pedro Spiacci)
Cidade: Villarreal, Comunidade Valenciana
Estádio: El Madrigal
Em 2010/2011: 4º colocado
O cara: Giuseppe Rossi (atacante, foto)
O treinador: Juan Carlos Garrido
A promessa: Joselu (meia-atacante)
Principal reforço: Cristian Zapata (Udinese)
Principal perda: Santi Cazorla (Málaga)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-1-2): Diego López; Mario Gaspar, Gonzalo, Zapata, Catalá; Cani, Marchena (Marcos Senna), Bruno; Borja Valero; Giuseppe Rossi, Nilmar.

A rivalidade na região de Valencia nunca foi tão grande. Com a queda do Sevilla e do Atlético de Madrid, a briga pela terceira colocação fica polarizada entre Valencia e Villarreal. A grande notícia para o submarino amarillo é a permanência da dupla Nilmar e Rossi, que marcaram 50 dos 91 gols do time na última temporada. A grande perda é a do meia Santi Cazorla, que foi vendido por 21 milhões de euros ao milionário Málaga. Cani e Borja Valero, os outros meio-campistas com mais chegada ao ataque, seguem jogando no Villarreal. Quem também segue nos amarillos é o treinador Juan Carlos Garrido e, com ele, o esquema deve seguir sendo o mesmo 4-3-1-2, onde sempre um homem atua muito preso na meia-cancha.

O comandante disse que ainda esperar mais reforços. Um bom reforço chega para a quarta melhor defesa de La Liga 2010-11: Zapata, que chega da Udinese para ser titular. O plantel segue parecendo curto para um time que disputará três competições nesta temporada. Após eliminar o dinamarquês Odense, pela última eliminatória da Liga dos Campeões, Garrido avisou: “jogar a LC é a ilusão de nossas vidas”.

Zaragoza (Claudio Araujo)
Cidade: Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2010/2011: 13º colocado
O cara: Lafita (meio-campista)
O treinador: Javier Aguirre
A promessa: Languardia (zagueiro)
Principal reforço: Barrera (West Ham)
Principal perda: Gabi (Atlético de Madrid)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Leo Franco; Juárez, Da Silva, Meira, Obradovic; Ponzio, Zuculini; Barrear, Rúben Micael, Lafita; Uche.

A permanência de Javier Aguirre no banco foi o primeiro acerto da diretoria neste mercado, junto com a manunteção de Uche e Lafita. Segurar Gabi e Ander Herrera, no entanto, não foi possível, mas as peças de resposição ficaram de bom tamanho: Zuculini e Barrera chegam para suprir a ausência dos principais jogadores maños na temporada passada. O bom trabalho de Aguirre no segundo semestre da última temporada, salvando os blancos do rebaixamento, mereceu o apoio da diretoria e pode dar boa sequência ao time.

Para reforçar a equipe que passou por maus bocados no primeiro turno no campeonato passado, chegam nove jogadores: além dos citados acima, Mateos, Abraham, Edu Oriol, Carlos, Juárez, Roberto e Ruben Micael foram as principais aquisições. Ainda assim, os torcedores aragoneses não podem se empolgar muito. Uma posição intermediária na tabela deve ser mesmo o destino do time

Vergonha na Andaluzia

Marcelino Toral inicia a temporada pressionado: o seu Sevilla caiu precocemente na Liga Europa (reuters)

Texto baseado na crônica do El Desmarque

O primeiro tempo não foi ruim, futebolisticamente falando. O Sevilla dominou todos os aspectos do jogo, menos o da efetividade. De sete finalizações, o mais certeiro (de Negredo) bateu na trave. Os alemães sim tiveram mais pegada. Dispararam duas vezes e Palop levou um gol. O tento sevillista, inclusive, foi um gol contra de Pogatetz.

Desde o princípio estava notório que o ímpeto sevillista era total. Kanouté e Negredo recebiam bolas e só Navas estava desaparecido no ataque. Inclusive Perotti, falhando muito, por sinal, teve mais presença no ataque do que o de Los Palacios. A equipe de Marcelino dominava incessantemente. Até que veio uma jogada pela esquerda, desorientando Coke e Alexis. Após um cruzamento para a pequena área, Abdellaoue se adiantou diante de Escudé e Palop, lentíssimos, para fazer o um a zero.

O impacto foi enorme, porém, o Sevilla não caiu e atacou até conseguir o afortunado empate, depois de um cruzamento de Perotti. Alguns minutos restavam até o intervalo e o Sevilla seguiu tentando, porém, nada mais aconteceu.

O segundo tempo foi um querer e não poder que expôs todas as carências da equipe. Aparte de um lamentável estado físico por parte de muitos jogadores, que vinham treinando desde o começo de julho, a defesa esteve nervosa, o meio de campo foi incapaz de dar fluidez à equipe, e na frente, só Perotti, apesar de muito falho, foi raçudo. Foram 45 minutos de peleja ante uma defesa muito ordenada que só deixava migalhas para os atropelados jogadores sevillistas. Escudé e Negredo chegaram perto do gol, e não houve muito mais do que isso.

Para sermos justos, o árbitro, seguindo a cartilha da UEFA, foi conivente com muitas faltas e catimba dos alemães, perdoou um pênalti clamoroso em uma incursão de Palop na área, que deixou o valenciano em evidência novamente. A Europa chega ao fim nas primeiras partidas e isso, caso o Sevilla não se levante na Liga, pode ser um golpe muito forte.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Reencontros, sorte e azar

Guardiola e Ibrahimovic irão se reencontrar no dia 13 de setembro. Sairá faísca? (reuters)

O dia de hoje foi bastante cheio para o futebol espanhol. O fato mais importante, obviamente, foi o sorteio da Liga dos Campeões, que reservou aos clubes espanhóis um gostinho de dèjá vu. Enquanto Barcelona e Real Madrid caíram em grupos bastantes acessíveis, Valencia e Villarreal não tiveram tanta sorte: os amarillos estão no grupo mais equilibrado da Champions, junto com Manchester City, Napoli e Bayern de Munich; enquanto os chés jogarão contra Chelsea e Bayer Leverkusen, além do Genk, campeão belga, para tentar avançar de fase.

O grande motivo de prazer geral é que a competição terá, na primeira rodada, o jogaço entre Barcelona e Milan, que caíram no mesmo grupo, o H. Adversários de uma semifinal há seis temporadas, o jogo irá marcar o tão esperado reencontro entre Ibrahimovic e Guardiola. O sueco considera o treinador o grande responsável pelo seu fracasso no clube blaugrana e, volta e meia, dispara contra Pep, taxando-o e ironizando-o de filósofo. A disputa entre as duas equipes será "apenas" para definir o primeiro colocado do grupo: os outros dois times do grupo, BATE e Viktoria Plzen, não irão requer tanto para rossoneris quanto para blaugranas um esforço maior.

O Real Madrid, outro cabeça-de-chave espanhol, também teve sorte no sorteio: pegou um grupo acessível, com Lyon - em uma fase não tão boa -, Ajax e Dínamo Zagreb. Os merengues irão encarar novamente o Lyon, após dois confrontos de oitavas-de-finais consecutivos. As duas equipes irão se enfrentarem pela décima vez em menos de oito temporada, com uma vantagem clara para o Lyon: foram três vitórias em oito confrontos, além de quatro empates e apenas uma vitória merengue, na temporada passada. As partidas também irão marcar um novo reencontro entre Benzema e a torcida lionesa.

O Valencia está num grupo traiçoeiro, junto com o Chelsea, que deve terminar em primeiro, e Bayer Leverkusen, que irá disputar com os chés a segunda vaga do grupo. Tanto Valencia quanto o Bayer perderam seus principais jogadores no mercado: enquanto Vidal se transferiu para a Juventus, o Valencia viu Mata se transferir justamente para o Chelsea. Porém, os blanquinegros largam na frente por ter um elenco já mais experientes em competições europeias e que podem até surpreender o poderoso clube londrino. Por ironia do destino, Mata irá se reencontrar com o Valencia logo após ter se transferido para os blues.

Dentre todas as equipes espanholas, o Villarreal foi a que menos pôde sorrir. Junto com Bayern de Munich, Manchester City e Napoli, os castellonenses vão ter que jogar à toda caso queira sonhar em avançar de fase. Em tese, a equipe treinada por Juan Garrido irá disputar a terceira colocação - que dá uma vaga na Liga Europa como prêmio de consolação - com o Napoli. Na temporada passada, as duas equipes se enfrentaram pela semifinal da Liga Europa e, com um empate na Itália e uma vitória na Espanha, o Submarino Amarelo levou a melhor, avançando de fase. Rossi ainda é uma incógnita no mercado, pois a Juventus tem muito interesse em levá-lo de volta à Itália. Entretanto, o italiano já começou a temporada decidindo, e muito dificilmente Fernando Roig irá liberá-lo, já que não precisa fazer mais caixa após a classificação à fase de grupos da Champions.

Liga Europa
O dia também reservou os jogos da Liga Europa. Enquanto o Athletic Bilbao não precisou jogar porque seu adversário, Trabzonspor, herdou a vaga do Fenerbachçe, eliminado pela federação turca por corrupção, na Champions League, Atlético de Madrid e Sevilla entraram em campo para disputar os jogos de volta. O Atlético de Madrid bateu com facilidade o Vitória de Guimarães: 4-0, com mais dois gols de Adrián López e um de Salvio, um dos extracomunitários do clube, que terá que se livrar de um após a chegada de Falcão García ter limitado a cota.

O Sevilla, por sua vez, decepcionou: após ter perdido na Alemanha por 2 a 1, bastava uma simples vitória por 1 a 0 para avançar de fase. Os rojiblancos, entretanto, decepcionaram: empataram por 1 a 1 jogando no Ramón Sánchez Pizjuan e deram adeus precocemente à Liga Europa, assim como, há um ano, foram eliminados nos play-offs da Champions League para o Braga, de Portugal. O jogo será mais detalhado daqui a pouco, em um texto de Claudio Araujo. Amanhã, a Uefa irá sortear os grupos da segunda principal competição europeia. O Atlético de Madrid será um dos cabeças-de-chaves, enquanto o Athletic Bilbao fica no pote 2.

Confira todos os grupos da Liga dos Campeões da Uefa
Grupo A: Bayern de Munique, Villarreal, Manchester City e Napoli
Grupo B: Inter, CSKA Moscou, Lille e Trabzonspor
Grupo C: Manchester United, Benfica, Basel e Otelul Galati
Grupo D: Real Madrid, Lyon, Ajax e Dínamo Zagreb
Grupo E: Arsenal, Marseille, Olympiacos e Borussia Dortmund
Grupo F: Porto, Shakhtar Donetsk, Zenit e APOEL
Grupo G: Chelsea, Valencia, Bayer Leverkusen e Racing Genk
Grupo H: Barcelona, Milan, BATE Borisov e Viktoria Plzen

Guia: Liga BBVA, parte 1

Atual tricampeão, o Barcelona segue como favorito para mais um título espanhol (reuters)

Se a AFE e a LFP entrarem em acordo, a greve do futebol espanhol irá chegar ao fim e, enfim, a Liga BBVA irá dar seu pontapé. Se confirmado o fim da huelga, Sporting Gijón e Real Sociedad entrarão no El Molinón, nas Astúrias, para abrir oficialmente a temporada 2011/2012 da primeira divisão espanhola. A novidade nos bastidores em relação às temporadas passadas está nos horários da partida. A fim de mais atenção no mercado asiático, a RFEF preparou o domingo de Liga BBVA com cinco horários diferentes (todos no horário de brasília: 07h, 11h, 13h, 15h e 17h), além de partida as segundas.

Em campo, na parte de cima, algo não muda: Barcelona e Real Madrid seguem como máximo favoritos ao título da competição. Enquanto o Barcelona manteve a base tricampeã espanhola e campeão europeu na temporada passada, Mourinho, novo manager do Real Madrid, teve todos os pedidos de contratações atendido e tem em mãos um Real Madrid mais forte em relação à temporada passada.

Em tese, a terceira força espanhola nesta temporada é o Málaga, bastante reforçado, que não jogará nenhuma competição europeia e se dedicará inteiramente ao campeonato. Segunda equipe que mais contratou no mercado, os blanquaizules prometem brigar pau-a-pau com Valencia, Villarreal, Sevilla e Atlético de Madrid por uma das vagas na Champions League. Este último também promete uma temporada melhor: após perder De Gea e Agüero, a cúpula colchonera não perdeu tempo e, com o dinheiro da venda dos dois, reforçou o Atléti com Falcão García e Rúben Micael, além do brasileiro Diego, que chega para ser o armador que a equipe necessitava. Alguém aposta no Athletic Bilbao surpreendendo?

Assim como para a Liga Adelante, o Quatro Tiempos montou um preview do campeonato, dividido em duas partes, e com um convidade especial: Pierre Andrade, editor-chefe do site Futebol Espanhol. A segunda parte entra ao ar amanhã. Recomendamos também o guia da Trivela, dividido em duas partes, que foi produzido por Ubiratan Leal. Para ver o preview da Liga Adelante, escrito por Victor Mendes, clique aqui (parte 1) e aqui (parte 2). Boa leitura!

Atualizado: A LFP e a AFE chegaram a um acordo e a greve está terminada. Teremos rodada no final de semana.


Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco.
Estádio: San Mamés (Catedral)
Em 2010/2011: 6º colocado, classificado à Liga Europa.
O cara: Fernando Llorente (atacante, foto).
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ibai Gómez (atacante)
Principal reforço: Ander Herrera (Zaragoza)
Principal perda: Ustaritz (Real Bétis)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-4-2): Iraizoz; Iraola, Mikel San José, Amorebieta, Gabilondo; Gurpegui, Javi Martínez, Ander Herrera, Susaeta; Toquero, Llorente.

O novo presidente do clube, Josu Urrutia, resolveu apostar na base que vem de bons resultados nas últimas duas temporadas e que conquistou a vaga na Liga Europa em 2010/2011. No mercado de reposição, apenas um jogador chegou: o bom volante Ander Herrera, destaque do Zaragoza na temporada passada e autor de um excelente europeu sub-21. Entretanto, o Athletic Bilbao é uma incógnita. Os leones vêm de trabalhos consistentes sob o comando de Joaquín Caparrós, mas mudou a diretoria e a filosofia do departamento de futebol, além de Marcelo Bielsa chegar ao comando técnico para substituir Caparrós.

Com o chileno, há quem especula que os euskaras possam jogar no 3-4-3, tática preferida do treinador. Entretanto, no primeiro teste da temporada, contra o Trabzonspor, o 4-4-2 da época de Caparrós foi mantido. A força da equipe continuará concentrada no meio-campo e no ataque, onde Fernando Llorente será mais uma vez a referência. Após muitas investidas da Premier League (principalmente do Tottenham), El Rey León decidiu ficar. Atenção também para Muniain: com ficha especial para a equipe A, El Principe irá aparecer mais vezes na equipe titular nesta temporada. Aurtenetxe e Borja Ekiza foram os outros jovens inseridos no elenco principal.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2010/2011: 7º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante)
O treinador: Gregório Manzano
A promessa: Pedro Martí (atacante)
Principal reforço: Falcão Garcia (Porto)
Principal perda: Kun Agüero (Manchester City)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-3): Joel; Silvio, Godín, Dominguez, Filipe Luís; Mario Suárez, Gabi, Tiago; Reyes, Arda Turan, Falcão

Entra ano, sai ano, o Atlético de Madrid começa a temporada como possível terceiro colocado e termina de forma surpreendente. Positivamente ou não. E nesta não deve ser diferente. José Luis Caminero assumiu o cargo de Secretário Esportivo do clube e decidiu implantar uma reformulação. Para isso, investiu em jogadores novos e com potencial. E é assim que o Atlético tem reconstruído o time desde que Agüero, Forlán e De Gea decidiram deixar a ribeira de Manzanares rumo a voos maiores.

Para reforçar o elenco, chegaram Falcão, Arda Turan, Adrián, Gabi, Silvio, Courtois, Miranda e Salvio. Quase um time inteiro. E ainda pode chegar mais alguns. Mesmo assim, a torcida anda bem pessimista para a próxima temporada. Após sonhar com Rafa Benítez no comando do time, Gregorio Manzano não foi bem digerido, e tentará a todos custo apaga a má impressão deixada na temporada 2003/04, quando dirigiu a equipe a uma modesta sétima colocação.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2010/2011: 1º colocado, campeão
O cara: Lionel Messi
O treinador: Josep Guardiola
A promessa: Thiago Alcântara (meio-campista)
Principal reforço: Francesc Fàbregas (Arsenal)
Principal perda: Bojan Krkic (Roma)
Objetivo: título
Time base (4-3-1-2): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Villa, Pedro.

Melhor equipe do mundo, o Barcelona continua o time a ser batido tanto em âmbito nacional quanto na Europa. A base campeã europeia foi mantida e dois jogadores de nível chegaram para brigar por uma vaga na equipe titular: Alexis Sánchez e Cesc Fàbregas. Com o fim da novela Fàbregas, Guardiola está, fatalmente, com uma dor de cabeça enorme para encaixá-lo no onze inicial. A ascensão de Thiago também dará uma versatilidade maior no setor de armação. Já falamos sobre a possibilidade de uma mudança tática, mas nos primeiros jogos da temporada, Guardiola não pareceu muito adepto a trocar uma fórmula que ele mesmo construiu.

A zaga, entretanto, não teve uma atenção maior no mercado: com Puyol e Piqué passando por muitos problemas físicos, as improvisações de Abidal e Mascherano (vista com frequência no final da temporada passada) continuarão acontecendo. Thiago Silva foi especulado com força e chegou, inclusive, a noticiar que estava negocionado com os blaugrana, mas o Milan não liberou o brasileiro. Fontás foi promovido à equipe principal, mas Milito deixou a equipe rumo ao Indepediente. No mais, o estilo de jogo continua o mesmo. É favorito a qualquer competição que venha a disputar.


Bétis (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Sevilha, Andaluzia.
Estádio: Benito Villamarín.
Em 2010/2011: campeão da Liga Adelante
O cara: Jonathan Pereira (atacante, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Ezequiel Calvente (meio-campista)
Principal reforço: Ustaritz (Athletic Bilbao)
Principal perda: Emana (Al-Hillal)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Casto; Isidoro, Chica, Ustaritz, Nelson; Aruz, Iriney, Mario, Momo; Jonathan Pereira, Molina.

Após duas temporadas no purgatório, o Bétis volta à Liga BBVA de ares renovados e sem muitas ambições. O mercado verdiblanco foi bastante elogiado: com a grana muito curta e tendo que vender algumas peças-chaves do título da Liga Adelante, o Bétis soube contratar e trouxe bons valores, sobretudo para a zaga, setor não muito confiável na temporada passada. As chegadas de Ustaritz e Chica para formar a dupla de zaga titular dará um bom upgrade na equipe andaluz. Jogadores de nome – e que tinham muito peso na folha salarial – finalmente deixaram o clube, como Emana, Belenguer e Odonkor.

Para o ataque, Jonathan Pereira irá substituir Emana como principal referência na frente. Para fazer dupla com o camisa nove, três nomes irão disputar uma vaga: o recém-chegado Jefferson Monteiro, além de Molina e Ruben Casto. Molina larga na frente por ter sido o segundo principal artilheiro do elenco na temporada passada, mas o baixinho abusado e o veloz equatoriano estão firme na disputa. Resta aos torcedores a esperança de que o elenco encontre um padrão de jogo rapidamente para se consolidar no meio da tabela.

Espanyol (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2010/2011: 8º colocado
O cara: Luis García (atacante)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Thievy (atacante)
Principal reforço: Albín (Getafe)
Principal perda: Osvaldo (Roma)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Kameni; Galán; Dídac Vila, Forlín, Mattioni; Baena, Javi López; Dátolo, Verdú, Albín; Luis García.

Após falhar na hora que não poderia na temporada passada, o Espanyol jogou fora a tentativa de chegar a uma competição europeia. Na atual temporada, as notícias não são tão animadoras. Callejón e Osvaldo, principais jogadores da equipe, não estavam muito satisfeito com a situação econômica do clube e rumaram para Real Madrid e Roma, respectivamente. A base da equipe titular em 2010/2011 foi mantida, mas o elenco ainda continua bastante curto. A falta de reposição sabotou a campanha passada quando o departamento médico começou a ficar cheio, um risco que continua forte em Cornellà-El Prat.

A defesa é inexperiente, mas tem nomes promissores como Felipe Mattioni, Héctor Moreno, Dídac (emprestado pelo Milan) e Raúl Rodríguez. Verdù e Dátolo estruturam o meio-campo e o ataque tem capitão Luis García. Albín, principal contratação do clube no verão, chega com a responsabilidade de ser o substituto natural de De La Peña, que se aposentou, e Callejón. Se a condição física do time seguir boa durante o ano todo, os pericos darão trabalho aos grandes.

Getafe (Rodrigo Zuckerman)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2010/2011: 16º colocado
O cara: Guiza (atacante)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Guiza (Fenerbahçe)
Principal perda: Dani Parejo (Valencia)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Codina; Cata Díaz, Lopo, Mané, Miguel Torres; Casquero, Juan Rodríguez; Diego Castro, Lacen, Pedro Ríos; Guiza.

Após uma temporada infernal, a diretoria do Getafe agiu bem para que a equipe volte a brigar por Liga Europa. As perdas de Dani Parejo e Albín serão consideráveis em campo, é claro, mas as peças de reposições tem tudo para substituir à altura a dupla. Guiza, confirmado nesta semana, chega para ser titular e com promessas de gols. Artilheiro da Liga BBVA em 2007/2008, o atacante quer voltar à Fúria e, provavelmente, auxiliado por um ótimo Diego Castro, tem tudo para balançar muitas vezes as redes adversárias.

O meio-campo é o setor mais forte da equipe: totalmente reformulado, conta com nove jogadores à disposição de Luis García. O presidente Ángel López tem bastante méritos no bom mercado feito pela equipe do subúrbio Madrid: dos dez jogadores contratados no verão, metade deles foram a custo zero. As promessas Sarabia (Real Madrid) e Albertazzi (Milan) chegam para brigar por vaga na equipe titular, o que pode fazer Luis García pensar em uma mudança de módulo. O 4-4-2 pode ser uma opção, com Arizmendí ou Adrián Colunga fazendo dupla com Guiza.


Granada (Cláudio Araujo)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Los Carménes
Em 2010/2011: campeão dos play-offs de acesso da Liga Adelante
O cara: Alex Geijo (atacante, foto)
O treinador: Fabriciano González
A promessa: Nyom (zagueiro)
Principal reforço: Pamarot (Hércules)
Principal perda: Jonathan Mensah (Arles-Avignon)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-4-2): Figueiras; Cortés, Pamarot, Mainz, Guilherme; Romero, Lucena, Abel Gómez, Benítez; Geijo, Mollo.

Depois do título dos play-offs da Liga Adelante, o Granada de Geijo retorna à primeira divisão espanhola após 44 anos com ambições em médio prazo, mas para isso terá antes de se safar de voltar de onde veio. Fabriciano já tem o elenco em suas mãos e agora terá trabalho para encaixar nomes que chegam para o time titular.

Pamarot e Cortés (vindos do Hércules) chegam para serem titulares na zaga, enquanto na frente Alex Geijo continuará sendo a esperança de gols. O promissor Molo faz Fabriciano apostar num esquema diferente do utilizado na Liga Adelante: o 4-4-2, em dentrimento do 4-5-1 utilizado na temporada passada. Os andaluzes jogaram um dos futebol mais vistoso da segunda divisão espanhola em 2010/2011, mas precisa de um algo a mais para a disputa da elite. Um bom meia para jogar pelo flanco direito seria uma opção.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia, Comunidade Valenciana
Estádio: Ciudad de Valencia
Em 2010/2011: 15º colocado
O cara: Barkero (meio-campista)
O treinador: Juan Ignacio Martinez
A promessa: El-Zhar (atacante)
Principal reforço: Barkero (Numancia)
Principal perda: Caicedo (Lokomotiv de Moscou)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Munúa; Ballesteros, Javi Venta, Nano, Del Horno; Farinós, Barkero, Pallardó, Xavi Torres; Rubén Suárez, Aranda.

Em 2010/2011, após um excelente segundo turno, o Levante conseguiu a manunteção na elite espanhola. Os gols de Caicedo foram extremamente necessários para o objetivo dos blaugrana, até então treinados por Luis García. Entretanto, os dois principais nomes da campanha valenciana na temporada passada já não integram mais a concentração da equipe. Para o lugar de Caicedo, o bom Aranda (Osasuna) chega para assumir a vaga de titular no ataque.

O franco-marroquino El Zhar (Liverpool) e o atacante brasileiro Wellington (18 anos, revelado no Fluminense, com passagem pelas categorias de base do Arsenal) podem ser boas surpresas. A política de contratação do clube segue a mesma tendência dos anos anteriores: a contratação de jogadores mais experientes. Se repetir o bom futebol do segundo turno da temporada passada, os granotes conseguirão pela segunda vez consecutiva a permanência na Liga BBVA.


Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2010/2011: 11º colocado
O cara: Júlio Baptista (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrini
A promessa:Isco Román (atacante)
Principal reforço: Van Nistelrooy (Hamburgo)
Principal perda: Quincy (Al-Sadd)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1): Caballero; Gamez, Demichelis, Mathijsen, Monreal; Camacho, Toulalan; Joaquín, Cazorla, Júlio Baptista; Van Nistelrooy.

60 milhões de euros foram gastos pelo sheikh Abdullah Al-Thani para reforçar o Málaga, equipe que mais chamou a atenção no mercado. Na temporada passada, recebeu uma onda de investimentos para escapar do rebaixamento. Agora, chegaram jogadores no atacado para buscar a Liga dos Campeões. E é preciso se dar um crédito aos malaguistas: escolheram bons nomes. Cazorla, Toulalan e Buonanotte dão talento e juventude ao meio-campo. A defesa, com Demichelis e Mathijsen, é um pouco pesada, mas o time tem elementos para brigar no segundo escalão do Campeonato Espanhol.

Adepto do 4-2-3-1, Pellegrini terá "problemas" para escalar a equipe na nova temporada. Com muitos jogadores de bom valor no meio-campo, disputas para o time titular estão em aberto. Nas coletivas da pré-temporada, o chileno tem procurado dizer que não há nada em mente para a estreia na Liga - que ironicamente será contra o Barcelona. Nem mesmo Júlio Baptista, grande herói na temporada passada, está com a sua vaga cravada na equipe titular, mesmo após, ao término de 2010/2011, Pellegrini ter dito que seria eternamente grato ao brasileiro. Rondón, artilheiro da equipe na Liga passada, irá disputar uma vaga no ataque com van Nistelrooy, que vem se destacando na pré-temporada. O elenco já está fechado; as interrogações, abertas.

Jogadores Históricos: Hristo Stoichkov

Stoichkov formou com Romário uma das melhores dupla de ataque dos anos 90 (tvecatalunha.cat)

Hristo Stoichkov nasceu em Plovdiv, segunda maior cidade da Bulgária, em 8 de fevereiro de 1966. Sua carreira teve início no ano de 1981, na modesta equipe do Maritsa Plovdiv, clube de sua cidade, que disputava a segunda divisão do campeonato nacional. Desde a mais tenra idade, o menino canhoto que demonstrava enorme habilidade e visão de jogo se notabilizava pelas confusões que arranjava. Sabendo dos problemas disciplinares do filho, seu pai o levou para treinar no CSKA Sofia. Sua esperança era de que no time do Exército, o garoto conseguiria desenvolver seu autocontrole e com isso, amadurecer.

Na primeira vez que disputou um título, a Copa da Bulgária de 1985, fez o gol da vitória. No entanto, o jogo contra o aqui rival Levski Sofia terminou numa briga generalizada e Stoichkov acabou envolvido na confusão. As imagens do jogo foram tão contundentes que o Comitê Central do Partido Comunista Búlgaro viu-se na obrigação de conclamar uma reunião entre seus membros, para deliberar algumas sanções aos clubes e aos jogadores. Resultado: alguns jogadores, dentre eles o jovem Stoichkov, foram banidos do futebol. O órgão também determinou que a Copa da Bulgária daquele ano ficaria sem campeão e que os dois times seriam extintos.

Um ano depois, porém, a situação se reverteria. Uma anistia foi concedida e Stoichkov voltou a jogar, não a tempo de disputar aquela que seria sua primeira Copa do Mundo. O craque retornou aos gramados na temporada 1986/87 e conduziu o CKSA – que passou a se chamar Vitosha, uma das punições impostas - ao título no campeonato nacional e na Copa da Bulgária, conquistando a famosa “dobradinha” .

Mais um título da copa foi conquistado em 1988. Também naquele ano, a punição aos clubes foi atenuada e o CSKA retomou seu antigo nome. No ano seguinte o time conseguiu mais uma “dobradinha”. A década de 80 chegava ao fim e a carreira de Hristo Stoichkov ia de vento em popa: além dos títulos em seu clube, ele foi eleito o melhor jogador do país em 1987, 1988 e 1989. Na seleção porém, a história era outra e amargava repetidos insucessos. Situação que se reverteria no Mundial dos Estados Unidos, em 1994.Em 1990, ganhou novamente o campeonato búlgaro e foi o artilheiro do continente. O feito despertou o interesse do Barcelona , que não mediu esforços para contrata-lo.
Apogeu e queda

Com a camisa blaugrana, não tardou para que seus lançamentos precisos e seus potentes arremates de esquerda contribuíssem para agregar mais títulos à vitoriosa galeria de troféus do clube. Em sua primeira temporada, o time quebrou a série de cinco títulos seguidos do Real Madrid no campeonato nacional. Um detalhe: em seu primeiro clássico contra os Blancos, sua faceta craque-problema deu as caras. Um pisão no juiz lhe rendeu seis meses de suspensão. Contra outro time madrilenho, o Rayo Vallecano, conseguiu a proeza de ser expulso após receber dois cartões amarelos no intervalo de seis minutos.

Na temporada seguinte, veio o bi espanhol e o mais importante: o primeiro título do Barcelona na Uefa Champions League. E posteriormente, Stoichkov emendou mais dois campeonatos espanhóis, em 1993 e 1994. Nesses anos, aliás, protagonizou belos momentos ao lado de Romário. Curioso é que a princípio, Stoichkov, não gostou da chegada do brasileiro, uma vez que as regras da época só permitiam três estrangeiros por time em campo e o clube já tinha outros dois: o holandês Koeman e o dinamarquês Michael Laudrup. Por isso, o treinador se via forçado a realizar um rodízio que não agradaria a ninguém. Apesar desses problemas aparentes, Stoichkov não demorou a se tornar amigo do Baixinho.

Em 1994, o Barcelona teve a oportunidade de ser novamente campeão continental, tendo chegado à decisão contra o Milan na posição de favorito. Não contava, porém que a equipe italiana aplicaria um sonoro 4 a 0. Apesar de ter feito, semanas depois uma estupenda Copa do Mundo pela Bulgária, aquela derrota marcou o início de uma decadência para Stoichkov. Na temporada seguinte, a de 94/95, o Barcelona perderia Romário, não conseguiria títulos e veria o seu arqui rival ser novamente campeão. Em meio à campanha, o jogador bateu de frente com o igualmente temperamental técnico do clube,o holandês Cruijff, que acabou vencendo o búlgaro na queda de braço.

Stoichkov então acertou com o Parma, emergente equipe italiana. Foi o começo de uma verdadeira peregrinação por diversos clubes. Na Itália, ficou apenas uma temporada, retornando ao Barcelona em 1996, após a queda de seu desafeto declarado, Johan Cruijff. Só que os tempos já eram outros, e os holofotes ficaram centralizadas em Ronaldo, na temporada 1996/97 e em Rivaldo, na de 1997/98.

Deixou de vez o Barça em 1998, ano em que esteve noutras três equipes: o CSKA, o Al-Nassr e o Kashiwa Reysol . No retorno ao país natal, não deixou tantas marcas. No Al-Nassr, mesmo ficando pouco tempo, ajudou a equipe a conquistar dois troféus. A Supercopa da Ásia e a Copa dos Vencedores da Copa Asiática, tendo aliás, anotado um gol na decisão. No Japão, conquistou uma Copa Nabisco.

Em 1999, decidiu encerrar a carreira para ser assistente técnico da Seleção búlgara. Mas voltou atrás, seduzido pelos dólares da Major League Soccer. Nos Estados Unidos, jogou dois anos no Chicago Fire e outros dois no DC United, onde pendurou de vez as chuteiras, em 2004.

Texto de Luís Filipe Pereira

Hristo Stoichkov
Nome completo: Hristo Stoichkov
Data de nascimento: 03/02/1966
Posição:Atacante
Clubes: Hebros Harmani (1982 a 84), CSKA Sofia (1984 a 90 e 98), Barcelona (1990 a 95 e 96 a 98), Parma (1995 a 96), Al-Nassr (1998), Kashiwa Reysol (1998 a 99), Chicago Fire (2000 a 02) e DC United (2003 a 04)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Final feliz

Rossi, mais uma vez, foi o cara do Villarreal, que garantiu a classificação à fase de grupos da LC (getty images)

A magia de Giuseppe Rossi, autor de um doblete crucial contra o Odense no jogo de volta dos play-offs da Liga dos Campeões da Uefa, foi suficiente para garantir que o hino da Champions volte a tocar por mais vezes no El Madrigal nesta temporada. Após um primeiro tempo sofrido e um início de segundo com cara de desespero, os dois gols do ítalo-argentino e um de Marchena garantiram a vitória amarilla por 3 a 0 e a classificação à fase de grupos do principal torneio do velho continente.

Precisando da vitória para se classificar, Juan Carlos Garrido mandou a campo um Villarreal extremamente ofensivo. No 3-4-3 em forma de losângo, com Nilmar e Camunãs no flanco e Rossi mais centralizado, o Submarino Amarelo começou o jogo da mesma forma que jogou a ida. Marcando sobre pressão e jogando muito em cima, o Villarreal chegava com facilidade à área rival, mas parava em Wessels. Ao Odense, sufocado, restou apenas se defender; porém, a velocidade com a qual Nilmar e Rossi implantavam deixaram os laterais dinarmaqueses enlouquecidos.

O ítalo-americano foi o que mais tentou: foram, além dos gols, sete chutes à meta de Wessels. Apesar da boa partida de Rossi e Nilmar, a opção pelo 3-4-3 com Camuñas mais adiantado pela direita não foi boa. O ex-Osasuna passou batido da partida e, jogando nesta posição, deixa de lado sua principal característica: a criatividade. Substituto natural de Cazorla, Camuñas deve aparecer mais na equipe titular na temporada, mas em sua posição original, alternando com Borja Valero no centro como fazia Cazorla.

Wessels foi de herói a vilão. As falhas nos gols de Rossi (o primeiro) e Marchena foram cruciais para a classificação amarilla, que chegaram a ter 76% da posse de bola. No final da partida, Borja Valero protagonizou um lance infantil. O meio-campista deu uma cabeçada em Andreas Johansson e foi expulso, ficando, assim, suspenso para a primeira rodada da fase de grupos. ashkin Kadrii, de Odense, também foi expulso, ao levar o segundo cartão amarelo por falta em Zapata. Vilão no jogo da ida, o colombiano dessa vez não comprometeu em nada e apareceu como boa opção em bolas aéreas e nas jogadas ofensivas.

Com a classificação, o Villarreal irá inserir em seus cofres cerca de 20 milhões de euros. Esse montante corresponde ao valor pago pela UEFA pelos direitos de imagem e transmissão de seus jogos. Além disso, justamente pelas boas campanhas em Liga Europa/Copa da Uefa e Champions Leagues passadas, o Submarino Amarelo irá aparecer no pote de número 2 no sorteio da Uefa que irá definir a fase de grupos do torneio.

Villarreal 3x0 Odense
Villarreal: Diego López, Mateo Musacchio, Cristián Zapata e Joan Oriol; Marcos Senna, Bruno Soriano, Cani (Gonzalo Rodríguez aos 41´/2T) e Borja Valero; Giuseppe Rossi, Nilmar (Marco Rubén aos 40´/2T) e Javier Camuñas (Carlos Marchena aos 30´/2T).
Odense: Stefan Wessels, Espen Ruud, Moller Christensen, Toren Reginiussen e Bernard Mendy (Chris Sorensen aos 35´/2T); Eric Djemba-Djemba, Kalilou Traoré (Peter Utaka aos 35´/2T), Bashkin Kadrii e Andreas Johansson; Hans Henrik Andreasen e Rurik Gislason (Rasmus Falk aos 12´/2T).
Gols: Giuseppe Rossi aos 5´/2T e aos 21´/2T e Carlos Marchena aos 36´/2T (Villarreal)
Árbitro: Craig Thomson (ESC
Cartões amarelos: Marcos Senna, Mateo Musacchio, Javier Camuñas, Gonzalo Rodríguez e Cani (Villarreal); Kalilou Traoré, Bernard Mendy, Eric Djemba-Djemba, Andreas Johansson e Bashkin Kadrii (OB)
Cartão vermelho: Borja Valero (Villarreal) e Bashkin Kadrii (OB)

domingo, 21 de agosto de 2011

Amigos e rivais

Pablo Sarabia foi o último jogador das canteras do Real Madrid a chegar no Getafe (getafecf.es)

A rivalidade existente entre Real Madrid e Getafe não é das mais intensas. A começar pelas relações extracampo. O Getafe, vale lembrar, foi fundado por parte de sócios do Real Madrid que estavam insatisfeito com a gestão do clube merengue à época. Algo que vem se tornando comum na política de contratação azulona é a compra (ou empréstimo em alguns casos) de jogadores das divisões de base do Real Madrid. Em uma lista levantada pelo Marca, nada mais nada menos que 11 jogadores saíram de Valdebebas rumo a Getafe nas últimas seis temporadas.

Ángel Torres, presidente do Getafe, e Toni Muñoz, diretor esportivo, são os principais responsáveis por isso: desde que chegaram aos respectivos cargos que o clube tem investido nesse tipo de contratação. A mais recente é uma das maiores promessas do futebol espanhol: Pablo Sarabia. Um dos principais nomes da campanha da Espanha no título do europeu sub-19, o jovem de 19 anos assinou um contrato pelas próximas cinco temporadas com o Getafe. O Real Madrid, no entanto, colocou na cláusula do meio-campista uma opção que tem se tornado comum em negociações como esta: a recompra. Se pagar seis milhões de euros, os blancos poderão ter Sarabia de volta já na próxima temporada.

O meio-campista canhoto não deverá ser, a princípio, titular em seu novo time. As saídas de Manu Del Moral e Dani Parejo a Sevilla e Valencia, respectivamente, tiraram uma das principais espinhas-dorsais do Getafe nos últimos anos, mas a diretoria acertou com Lacen (Racing Santander) e Rodríguez (Deportivo), além de Sarabia, para suprir a ausência dos dois jogadores. Na prática, Sarabia irá brigar por uma vaga de titular com três jogadores mais experientes e que custaram alguns euros a mais.

A primeira aposta de sucesso veio com Riki (hoje no Deportivo), em 2004/2005. O atacante chegou a custo-zero após boa campanha com o Real Madrid Castilla na Segunda División B. Em duas temporadas, e apenas uma como títular incontestável, foram 25 gols, bom número àquele que chegou sem pressão alguma e de graça. Em 2006/2007, Augusto César Lendoiro, presidente do Deportivo, desembolsou 3 milhões de euros para levá-lo à Galícia. Nesta mesma temporada, o Getafe pagou 1,5 milhões de euros ao Real Madrid pelo lateral do Castilla, Javier Paredes. Ficou apenas uma temporada e, pelo mesmo preço, rumou ao Zaragoza.

Dos que vingaram
Ángel Torres voltou a evidenciar seu olfato pelas canteras blanca em 2007/2008. Naquela temporada, após boa campanha na temporada 2006/2007 (confirmada após a virada espetacular na Copa do Rei para cima do Barcelona), chegaram ao Coliseum Álfonso Pérez Esteban Granero e Rúben De La Red. Por ambos, a diretoria pagou 3 milhões de euros. A aposta deu certo: os dois viraram os principais nomes do Getafe na temporada, sendo os principais responsáveis pela excelente campanha na Copa da Uefa e pelo vice-campeonato da Copa do Rei. A De La Red, rendeu até uma convocação à Fúria, onde fez parte do plantel campeão da Eurocopa, e a volta ao Real Madrid, por 5 milhões de euros.

Porém, como todos sabem, a volta de De La Red ao principal clube da capital não foi as das mais sonhadas: após alguns jogos como titular, Rúben desmaiou em campo em um jogo pela Copa do Rei contra o Real Unión devido a um problema cardíaco e nunca mais voltou a disputar uma partida oficial, aposentando-se do futebol. Hoje, o ex-jogador faz parte da equipe técnica do Real Madrid. “Este é o clube que me viu crescer e hoje anuncio minha retirada dos gramados. Um problema me obriga a parar, mas meu coração continua batendo pelo Real Madrid”, afirmou De La Red, entre lágrimas, no dia que anunciou sua aposentadoria.

Um ano depois da volta e do problema de De La Red, Florentino Pérez voltou a presidência do Real Madrid e pagou 4 milhões de euros para repatriar Granero. Inicialmente, El Pirata surpreendeu ao deixar, em meados da temporada, Kaká, que havia custado 57 milhões de euros a mais, no banco. Porém, após a chegada de Özil, Granero viu o banco de reservas por muitas vezes na temporada. No entanto, o meio-campista afirmou em entrevista ao Marca que Mourinho confia em seu futebol e que não pensa em sair do clube. Dani Parejo chegou a ser especulado com força para voltar, mas o Valencia ofereceu uma proposta melhor e El Niño de Ouro acabou acertando com os Chés.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Porque Messi é barcelonista

Barcelona começa temporada do jeito que terminou a última: comemorando título - e com Messi decidindo, de praxe (getty images)

Na temporada passada, logo após a primeira semifinal da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Barcelona, Mourinho soltou uma célebre frase sobre a expulsão de Pepe: "por que expulsaram Pepe se ele não fez nada? Por quê?". De maneira irônica, o "por que" proferido pelo técnico de Setubal virou até cântico da torcida do Barcelona (no ritmo de olé). Ontem, após a vitória do Barcelona contra o Real Madrid no jogo de volta da Supercopa, confirmando o título dos blaugrana, Mourinho novamente deve ter soltado um "por que", seguindo de "eu não entendo como eles nos venceram mesmo jogando um futebol inferior ao nosso". A resposta para a vitória azulgrená tem nome e sobrenome: Lionel Messi.

Ontem, o argentino domou o Real Madrid. Foram, além de dois gols e um assistência genial, muitas jogadas objetivas e boas tabelas com Pedro e Villa. Mesmo com a marcação direta de Khedira e cobertura de Pepe, La Pulga mostrou a raça argentina com a habilidade e maestria em suas conclusões em chutes a gol que lhe é peculiar. Destaque também para Daniel Alves: o brasileiro pouco apareceu nas jogadas ofensivas do Barcelona preocupado com a marcação em Cristiano Ronaldo. Mesmo assim, o lateral baiano anulou o gajo em todo o segundo tempo, e jogando limpo, sempre com carrinhos leais, na bola.

Os blancos começaram a partida marcando em cima, obrigando Piqué, Mascherano e Abidal a darem chutes para frente. A estratégia, utilizada por Mourinho nas semifinais contra a Inter de Milão em 2009/2010, quase deu certo, não fosse por três detalhes: Messi, Iniesta e, como de praxe, posicionamento adiantado de Sergio Ramos. O andaluz voltou a jogar muito em linha e deu condições para que Iniesta não ficasse em impedimento no lance do primeiro gol blaugrana. O lance lembrou muito o segundo tento de Villa no primeiro confronto entre as duas equipes na temporada passada, pela Liga Espanhola. O Real Madrid já vinha por merecer um gol, e chegou a este através de Cristiano Ronaldo (ou Sergio Ramos), após boa jogada de Benzema na esquerda.

Entretanto, o Barcelona continuou exercendo seu futebol ofensivo, não se abalando com a pressão merengue. O gol de desempate mostrou por que o time da Catalunha é o dono do futebol no momento. Após escanteio cobrado por Xavi, Messi dominou na entrada da área e tabelou com Piqué. O zagueiro, por sua vez, mostrou uma categoria enorme ao devolver a bola à Pulga utilizando o calcanhar. Frente a Casillas, Messi, após deixar Pepe, Ricardo Carvalho e Cristiano Ronaldo para trás, tocou por cima do capitão merengue com a direita para (re)colocar o Barcelona à frente do marcador novamente.

O primeiro tempo tão parelho animou Mourinho, que resolveu colocar sua equipe para cima nos quarenta e cinco minutos finais. A entrada de Marcelo no lugar de Khedira deu mais dinamismo ao Real Madrid, que passou a jogar mais pelo meio do campo com o deslocamento de Fabio Coentrão à volância. Com a saída do alemão, Xabi Alonso passou a ficar mais atento a Messi, que passou uma parte do segundo tempo sumido. A opção de jogar mais pelo flancos deu-se pela má partida de Özil. O turco-alemão, que foi substituído por Kaká em meados da segunda etapa, passou batido da partida e, novamente, foi anulado por Busquets.

Disposto a empatar a partida à qualquer custo, Mourinho mexeu novamente e trocou o módulo tático da equipe: saiu Di María (dessa vez bem) e entrou Higuaín, o que fez com que o Real Madrid passasse a jogar no 4-4-2 como na época de Pelegrinni. Logo após a troca, os blancos chegaram ao gol de empate com Benzema. O francês começa a temporada a mil e, somando os gols da pré-temporada, já contabiliza 10 tentos. Como no Bernabéu, Karim foi de novo o melhor em campo pelo lado madrilenho e, com o futebol que Higuaín vem jogando, dificilmente não será titular (a não ser que se lesione) no início do campeonato espanhol.

Perto do final do jogo, e com o marcador marcando 2 a 2, Guardiola promoveu a estreia de Fàbregas, que entrou no lugar de Busquets. Cesc mostrou ter estrela: aos 43 minutos, o ex-Arsenal recebeu de Xavi e tocou para Messi, que, por sua vez, acionou Adriano rapidamente na direita. O brasileiro cruzou na medida para a Pulga, que finalizou com força para vencer Casillas, chegar ao doblete na partida e tornar-se o maior artilheiro da história das Supercopas espanholas com oito gols. Este foi, aliás, o décimo-quarto gol do argentino em cima do goleiro espanhol.

Os minutos finais ficaram reservados para confusão. Após uma tesoura de Marcelo em cima de Fàbregas, que gerou a expulsão a expulsão do brasileiro, os jogadores barcelonistas ficaram furiosos. No meio da confusão, dois lances capitais: a dedada de Mourinho no olho de Tito Villanova, assistente técnico de Guardiola, e a briga entre Özil e Villa, que acabou na expulsão dos dois. Hoje, o turco-alemão, sempre muito reservado e quieto em campo, declarou que o asturiano ofendeu o islamismo, religião de Özil. No caso de Mou, o Barcelona resolveu não denunciá-lo à RFEF.

O título do Barcelona garantiu algumas marcas. Os azulgrenáis chegaram a 77 títulos nacionais e internacionais, igualando a marca do rival da capital. Guardiola e Xavi, por sua vez, fizeram história: o treinador chegou a onze títulos como comandante do Barcelona, igualando a marca de Cruyff. A diferença é que Pep conseguiu isso em quatro temporadas, enquanto o holandês conseguiu em oito. O meio-campista chegou aos 17 títulos como jogador blaugrana, superando Guillermo Amor.

Maior nome da conquista e próximo de conquistar o terceiro prêmio de melhor jogador do mundo, Messi adicionou mais uma marca para seu extenso currículo: com oito gols, superou Raúl como maior artilheiro da Supercopa Espanhola. Mesmo não participando da pré-temporada junto com o grupo e treinando apenas uma vez após a Copa América, La Pulga mostrou que é decisivo e participou diretamente dos cinco gols do Barcelona no torneio que abre a temporada espanhola de futebol. Mesmo não estando no 100% da forma, Messi e o Barcelona começam a temporada à toda, mas o Real Madrid mostrou ser capaz de acabar com hegemonia barcelonista.

Barcelona 3x2 Real Madrid
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Abidal; Busquets (Fàbregas), Xavi, Iniesta; Messi; Pedro (Keita), Villa (Adriano).
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Fabio Coentrão; Xabi Alonso, Khedira (Marcelo); Di María (Higuaín), Özil (Kaká), Cristiano Ronaldo; Benzema).
Árbitro: David Fernández Borbalán
Gols: Iniesta, Messi, Messi (Barcelona); Cristiano Ronaldo, Benzema (Real Madrid).
Cartões amarelos: Khedira, Cristiano Ronaldo, Pepe, Sergio Ramos e Fabio Coentrão (Real Madrid); Xavi, Mascherano e Víctor Valdés (Barcelona).
Cartões vermelhos: Marcelo e Özil (Real Madrid); Villa (Barcelona).