domingo, 28 de novembro de 2010

13ª Rodada: Noite ruim para os caseiros

Luis García vibra: em Madrid, seu Espanyol deu um passo largo rumo à Champions (AP Photos)

A abertura da décima terceira rodada não fez bem aos caseiros. Em Aragão, o Zaragoza segue mostrando um futebol decepcionante e não foi páreo para derrotar o Villarreal, que teve Marcos Senna como destaque, como há muito tempo não se via. Em Sevilla, já haviamos alertado de como o Sevilla é um time inconstante e a história se repetiu. Assim como no jogo contra o Mallorca, os sevillistas jogaram um futebol bem abaixo da média na segunda etapa e não seguraram a avalanche do Getafe. E, por fim, em Madrid, num confronto direto pela quarta vaga na Champions, melhor para o Espanyol, que derrotou o Atlético de Madrid, venceu a primeira fora de casa na competição e vai dando passos largos rumo à Champions. Destaque, novamente, para Osvaldo, que definiu a partida com um golaço.

Zaragoza 0x3Villarreal
Na segunda partida de Javier Aguirre no comando dos maños, o Zaragoza novamente decepcionou. Melhor para o Villarreal, que vai recuperando o belo futebol mostrado no início do campeonato. A vitória amarilla foi se contruindo logo no começo da partida. Num tirombaço de Marcos Senna (que até mesmo a câmera da Audiovisual perdeu, quando foram mostrar o banco de reservas do Zaragoza), que voltou a ser destaque de sua equipe, o Villarreal chegou ao primeiro gol, jogando uma ducha de água fria nos torcedores e na equipe aragonesa. Antes do tento do brasileiro naturalizado espanhol, o Zaragoza comandava as ações da partida; mas, ao contrário do que se vê no seu goleiro, parava em Diego López. Numa bola "chutada" da direita por Cazorla, que, em primeiro plano, pareciu até mais um cruzamento à área, Leo Franco mostrou-se bem desprevinido e a bola morreu nas redes. Após isso, o Villarreal jogou bem tranquilo e só passou por - raros - apuros porque sua linha de quatro jogou bem adiantada. Com Bruno jogando de enganche (como Messi no 4-1-2-1-2 de Guardiola) no 4-3-1-2, Nilmar e Rossi têm muita facilidade para criar perigo na frente.

Mais uma vez, o Zaragoza evidênciou os problemas que tem quando joga com a posse de bola. Mostra-se uma equipe ineficaz e fraca, que não consegue criar uma jogada de perigo e que depende de alguns lampejos de Ander Herrera. É um time que precisa urgentemente de reforços em janeiro, começando do gol. Leo Franco não consegue cumprir às expectativas e, a cada rodada, só decepciona e entristece os torcedores Aragoneses. A efetividade do Villarreal é um ponto chave. O conjunto de Juan Carlos Garrido (que renovou seu contrato por mais quatro anos nesta semana) é uma equipe bem certinha, sólida, que sabe matar a partida.

Sevilla 1x3 Getafe
Com o estádio Ramón Sánchez-Pizjuán encharcado pelas fortes chuvas que caíam sobre a região da Andaluzia neste sábado (que chegou a suspender o jogo entre Bétis x Barcelona B, pela Liga Adelante), o Sevilla deu vexame, confirmando a má fase quando joga perante a sua torcida. Há uma semana, a equipe alvirrubra já havia perdido para o Mallorca, por 2 a 1. Melhor para o Getafe, que recuperou a credibilidade. A reação dos azulones veio toda na segunda etapa, ratificando a ideia de que o time tomou um esporro de Míchel nos vestiários. O Sevilla em nenhum momento, nem quando teve o marcador a favor com o gol de Kanouté, mostrou-se uma equipe segura. Não assustou o Getafe, que chegava frágil psicologicamente. A vitória serviu para dar oxigênio a Míchel, que estava com o cargo ameaçado. O gol de Kanouté serviu para o malinês superar Suker e torna-se o quarto maior artilheiro da história do Sevilla em competições nacionais. Já o gol de Manu, o empate, foi o de número 300 do Getafe em La Liga. Após as vaias no final da partida, restou a Manzano apenas pedir desculpas à torcida.

Atlético de Madrid 2x3 Espanyol
A Catalunha abriu 1 a 0 em confrontos contra a capital nesta rodada. Numa grande partida de duas equipes que brigam por Champions, o Espanyol venceu graças a um golaço de Osvaldo no minuto 77. Desta vez, o ítalo-argentino foi mais decisivo que Agüero e Forlán: seu gol valeu três pontos. Os péricos saíram na frente em Madrid com um pênalti polêmico. Luis Garcia cobrou falta na entrada da área a carimbou a barreira. Delgado Ferreira entendeu que a bola bateu na mão de Reyes e marcou a penalidade. O próprio Garcia cobrou e fez. O Atlético de Madrid não se abateu e empatou no último minuto do primeiro tempo. Após escanteio da direita, Tiago cabeceou, Kameni defendeu, Godín pegou o rebote, acertou a trave e, na terceira chance, o português fez. No final do jogo, uma pequena confusão envolvendo Quique Sanchéz Flores e Luis García foi instalada.

sábado, 27 de novembro de 2010

A versatilidade de Özil pode barrar a volta de Kaká

Özil não corre muito com a bola, mas faz a bola correr (getty images)

O Real Madrid vai no caminho certo com José Mourinho. Estruturou o time num 4-2-3-1 e fixou jogadores de qualidade para ocupar as posições mais ofensivas. Dentro deste cenário, será que há espaço para Kaká? A única posição do atual sistema do Real que acomodaria Kaká sem necessidade de ajustes é a de Mesut Özil. O alemão é o articulador central da linha de três meias, posição tantas vezes ocupada pelo brasileiro em sua carreira. Di Maria e Cristiano Ronaldo atuam pelos flancos, onde Kaká costuma aparecer esporadicamente, enquanto Higuaín é o centroavante, função que o meia não tem condições de realizar.

Dá para dizer, portanto, que Kaká disputará um lugar no time titular com Mesut Özil. Posso ir além e dizer que ele larga em grande desvantagem em relação ao camisa 23 merengue. A maior versatilidade de Özil pode ser decisiva para que ele mantenha sua titularidade. Kaká é um jogador de velocidade total. Cada toque na bola é objetivo, em direção ao gol. É um jogador perfeito para comandar contra-ataques, por exemplo. O problema começa quando o adversário está fechado atrás e é preciso fazer a bola rodar, cadenciar o ritmo.

Özil não tem este problema. É um jogador cerebral, com extrema visão de jogo. Consegue chamar a bola em seu pé e orquestrar jogadas trabalhadas para romper defesas fechadas. Mais do que isso, ele também sabe comandar contra-ataques. Não chega nem perto de ter a velocidade das arrancadas de Kaká, mas sabe acelerar o jogo tocando a bola sempre de primeira. Özil não corre muito com a bola, mas faz a bola correr.

José Mourinho ficou rotulado por alguns como um simples retranqueiro após a reta final da Champions League passada, rótulo que considero injusto. Os times do português costumam jogar com eficiência trocando de estilo de acordo com a estratégia escolhida para a partida. Se considerarmos que Mourinho pretende continuar assim, Özil, por suas qualidades, larga em vantagem para continuar sendo o maestro do meio-campo merengue, mesmo após a volta de Kaká.

Prévia de “El Clásico”: Barcelona x Real Madrid

O Camp Nou – estádio com média de 76.166 pessoas por partida, em La Liga da atual temporada – receberá o “El Clásico” de número 208 (apenas partidas oficiais). Recentemente, o Barcelona se dá melhor, mas em todos os tempos, o Real é quem lidera as estátisticas. São 85 vitórias merengues contra 81 blaugranas e 42 empates.

Últimos confrontos, com autores dos gols:

Confrontos em 2009/10: Barcelona 1x0 Real Madrid (Ibrahimovic) / Real Madrid 0x2 Barcelona (Messi e Pedro)

Confrontos em 2008/09: Barcelona 2x0 Real Madrid (Eto’o e Messi) / Real Madrid 2x6 Barcelona (Higuaín e Sergio Ramos / Henry, Puyol, Messi, Henry, Messi e Piqué)

Confrontos em 2007/08: Barcelona 0x1 Real Madrid (Júlio Baptista) / Real Madrid 4x1 Barcelona
(Raúl, Robben, Higuaín e Van Nistelrooy / Henry)
Júlio Baptista foi o heroi da última vitória merengue, no Camp Nou - Getty Images

Como podemos ver, a última vitória do Real Madrid longe de seus domínios veio em 23/12/2007, na 17ª rodada de La Liga da temporada 2007/08. O 1x0 à época teve gol de Júlio Baptista, atualmente jogando na Roma.

Além de colocar em campo dois rivais históricos, o dérbi dessa segunda-feira coloca líder e vice-líder do atual Campeonato Espanhol, e caso o Barcelona conquiste os três pontos, os catalães tomam a ponta do time de Mourinho. Por falar no treinador português, que promete ser personagem importante do jogo, sob seu comando o Real Madrid ainda não perdeu. O Barça de Guardiola perdeu apenas duas vezes.

Veja as campanhas dos dois times no ano:

Real Madrid: 19 jogos, 15 vitórias, 4 empates, 0 derrotas, 49 gols marcados, 9 gols sofridos e 40 tentos de saldo.

Barcelona: 21 jogos, 16 vitórias, 3 empates, 2 derrotas, 57 gols marcados, 15 gols sofridos e 42 tentos de saldo.

Os jogadores dos dois lados também estão se destacando, pelo lado merengue Cristiano Ronaldo é o principal nome e com a camisa blaugrana o número um é Messi. A dupla vencedora do prêmio de Melhor do Mundo FIFA nos últimos dois anos, é líder em assistências em La Liga (5 passes decisivos para cada um) e lideram seus times em gols na Liga dos Campeões e também no Campeonato Espanhol.

Veja a artilharia de Barcelona e Real Madrid em 2010/11:
Messi, mais um ano em que ele lidera o Barça, até Daniel Alves sabe que La Pulga é o maior - AP Photo

Messi – 22 gols; Cristiano Ronaldo – 18 gols; Higuaín – 9 gols; Villa – 8 gols; Pedro – 5 gols; Özil, Di María – 4 gols; Iniesta – 3 gols; Daniel Alves, Bojan, Ricardo Carvalho, Benzema – 2 gols; Pedro León, Puyol, Pique, Keita, Xavi, Sergio Busquets, Sergio Ramos, Arbeloa, Ibrahimovic – 1 gol.

Um pouco de história:
Kubala foi o "presente" do didator Franco ao Barcelona, algo que gerou polêmica - FCBarcelona.com

A rivalidade é enorme e vários fizeram ela apenas aumentar. A época da ditadura de Franco, madrilista, que como os torcedores blancos diziam se aproveitava do Real para fazer propaganda de seu sistema, já os blaugranas afirmavam o contrário, o didator ajudou no crescimento merengue. A resposta que vem da capital atende pelo nome de Kubala, o jogador húngaro chegou ao Barça após um grande trabalho diplomático do regime franquista.

Por mais tenso que seja o clima entre as duas equipes, existem jogadores que ousam trocar sair de um dos dois lados e ir diretamente ao rival. Foram 33 ao todo, a maioria (21 deles) jogou primeiro no Barça para depois jogar no Real e 12 deles primeiro passaram pela capital espanhola para depois irem à capital da Catalunha.

Os casos mais famosos, seguiram a maioria, Figo e Michael Laudrup deixaram o Barcelona e logo viraram estrelas no Santiago Bernabéu. Os culés jamais perdoaram o dinamarquês e português

Declarações:

O ex-primeiro ministro espanhol e conhecido culé, José Luis Rodríguez Zapatero disse que: “O Barcelona vencerá por 4x2”.

Casillas discorda de Mourinho, e como mostra a capa do Marca, o goleiro pensa que "El Clásico" pode decidir La Liga - Marca.com

José Mourinho disse que depois de classificações em Liga dos Campeões eliminando o Barcelona, com Chelsea e Internazionale, ele é odiado pelos torcedores blaugranas: “Sou persona non grata para o barcelonismo”. Mas o treinador português completa: “Se ganharmos segunda, o outro dia será terça, se perdemos também, portanto devemos seguir trabalhando”.

O lateral-esquerdo Marcelo, que constantemente é elogiado por Mourinho, segue a mesma linha do comandante: “Ganhar El Clásico, não é ganhar La Liga”.

Fàbregas, ex-jogador das canteras do Barcelona torce de longe: “Que ganhe o Barça”.

Curiosidades:
Roberto Carlos passou onze anos no Real, e tem um recorde desagradável no dérbi - Getty Images

Roberto Carlos é o único jogador na história a marcar um gol contra e um a favor, em "El Clásico", isso é claro, pois foram onze anos jogando com a camisa blanca, as chances disso ocorrer era muito grande.

Xavi tem o maior número de assistências em um "El Clásico", no 2x6 de 2 de Maio de 2009, o meia cedeu quatro assistências (1 Puyol, 1 Henry e 2 Messi).
Os jogos com mais gols (12), são o empate em 6x6, no Santiago Bernabéu, em 13 de abril de 1916 e a vitória do Real por 11x1, também na casa madrilenha.

O 11x1 é também a maior vitória da história de "El Clásico", porém esse jogo é conhecido por uma polêmica, o Franquismo dominava a Espanha à época e os militares "visitaram" o vestiário blaugrana. Os jogadores do Barça foram ameaçados, esse é um dos motivos da grande margem alcançada pelo Real Madrid.

Desfalques:

O Barcelona deve contar com todo o elenco para a partida, uma ótima notícia para Guardiola.

Já Mourinho têm duas grandes preoucupações: Higuaín e Khedira, titulares absolutos do novo Real Madrid. O volante e o atacante treinaram durante toda a semana em separado, na Cidade do Real Madrid.

Porém, as duas equipes ainda não divulgaram as lista de convocados para o jogo, assim que tivermos acesso à elas, divulgaremos acrescentaremos ao post.

Times:

Guardiola abortou o 4-2-3-1, e voltou a utilizar o 4-3-3, com Messi atuando como falso centroavante. Dessa forma, o Barcelona que vai para o jogo deve ser escalado dessa forma, no 4-3-3: Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Adriano; Sergio Busquets (Mascherano), Xavi, Iniesta; Pedro, Messi e Villa.
Mourinho esteve em foco na última vez em que esteve no Camp Nou, à época com a Internazionale - AFP

Já o Real Madrid se utiliza desde o início da temporada do 4-2-3-1, esquema que José Mourinho passou a utilizar na reta final da última temporada, que com a Internazionale ele conquistou a tríplice coroa. A equipe do português deve jogar da seguinte forma, no 4-2-3-1: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Lass Diarra); Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Higuaín (Benzema).

O jogo está recheado de ingredientes, que nos fazem acreditar em mais um “El Clásico” épico. Não podemos perder a chance de ver a história sendo escrita, portanto nos resta acompanhar esse embate entre Barcelona e Real Madrid, no Camp Nou, segunda-feira às 18h.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Missão cumprida. Agora é superclássico

Real Madrid e Barcelona venceram com facilidades seus adversários pela Champions nesta semana e a partir de agora só terão concentrações para o superclássico do dia 29/11 (Segunda-feira). O Real Madrid, que já havia conseguido a classificação na rodada anterior, só tratou de garantir o primeiro lugar de seu grupo após goleada sobre o Ajax por 4 a 0. Já os blaugranas, na Grécia, impusseram seu ritmo de jogo desde o início para chegar aos 3 a 0 e garantir sua vaga nas oitavas de finais. Outro representante espanhol na Champions, o Valencia goleou o Bursaspor no Mestalla para também garantir vaga nas oitavas.

Em Amsterdam...

"Camp Nou, aí vou eu!", avisa Cristiano Ronaldo (reuters)

... já com a vaga garantinda, Mourinho poupou alguns de seus principais jogadores. Por prevenção, preferiu deixar Higuaín, Ricardo Carvalho e Khedira em Chamartín, para fazer apenas um trabalho especial no CT do clube. Em campo, mandou seu já conhecido 4-2-3-1, mas preteriu Di María para pôr Pedro León na direita. Cristiano Ronaldo, Özil e Benzema mostravam-se bem tímidos e os merengues poucos produziram nos primeiros trinta minutos. Nas tribunas do estádio estava presente Zinédine Zidane, que estreou no início desta semana no cargo de conselheiro de Florentino Pérez. O Real Madrid logo foi dando as caras e, após lançamento de Arbeloa e passe preciso de calcanhar de Özil, Benzema abriu o placar. Nervoso, o Ajax buscava empatar para retornar à partida. Mas quem chegou para o segundo foi o Real Madrid. Cristiano Ronaldo cobrou falta e Arbeloa pegou o rebote. A finalização desviou na zaga e foi para o gol.

No segundo tempo, Mourinho resolveu lançar Di María em campo no lugar de Pedro León. A entrada do argentino favoreçeu para o que o jogo do Real Madrid fluísse mais, e Özil e Cristiano Ronaldo passaram a participar mais da partida. E foi de Di María a assistência para o primeiro de Cristiano Ronaldo. Após erro de Emanuelsson na saída de bola, o argentino deixou o português na cara de Stekelenburg e, de esquerda, chutou no canto do goleiro. Aos 37, Ozil fez grande jogada pela ponta direita e acabou derrubado dentro da área pelo atacante Emanuelson, mais uma vez desastrado, que tentava ajudar na marcação. Cristiano Ronaldo cobrou de forma simples, no meio do gol e à meia altura, para completar a goleada.

Antes, Cristiano Ronaldo já havia levantado o estádio com bela jogada, no início do segundo tempo: recebeu a bola no campo de defesa e tabelou com Benzema no meio-campo para avançar em velocidade rumo ao gol adversário. Ao invadir a área, o camisa 7 bateu com categoria, mas Stekelenburg conseguiu desviar levemente, toque suficiente para fazer a bola tocar no travessão e sair. O Ajax, que tinha como destaque o atacante uruguaio Luis Suarez, em nenhum momento conseguiu incomodar o Real Madrid. A preocupação do time agora é vencer o Milan para garantir o terceiro lugar e disputar a Liga Europa.


Em Atenas...

"O Barcelona, unido, jamais será vencido!" (AP Photos)

... Guardiola escalou o Barcelona sem grandes mudanças com relação à equipe que arrasou o Almería por 8 a 0, no sábado. E, embora a base fosse a mesma, o futebol foi diferente no primeiro tempo – com menos magia, mas ainda assim envolvente o bastante para vencer. Com Messi, Xavi e Iniesta abaixo de seu nível na etapa inicial, dois brasileiros tiveram espaço para brilhar: os laterais Daniel Alves e Adriano tiveram participações importantes, sobretudo no setor ofensivo. Foi de Daniel o passe para o primeiro gol, de Pedro, aos 27 minutos da primeira etapa. Adriano, embora não tenha a tarefa de ser um finalizador, era quem mais levava perigo, em chutes de longa distância.

Na segunda etapa, a tônica foi a mesma. O Barcelona trocava passes, fazia a bola girar e chegava ao gol com facilidade. A boa atuação dos laterais brasileiros ganhou reforço. No meio-campo, Xavi e Iniesta voltaram a mostrar a qualidade de sempre. No ataque, Pedro manteve a boa forma mostrada da goleada sobre o Almería. E Messi resolveu aparecer. Foi do argentino o segundo gol do Barcelona, após uma jogada típica da equipe espanhola. Aos 18 minutos, após uma linda troca de passes entre Messi, Daniel Alves e Xavi, Iniesta tocou para Adriano, que encontrou o camisa 10 na pequena área para tocar a bola rumo ao gol. Com o tento, Messi chegou a marca de 150 gols com a camisa blaugrana em competições oficiais - o mais jovem a chegar a tal feito. Sete minutos depois, aos 25, foi a vez de Daniel Alves encontrar Iniesta. O meia rolou para Pedro coroar seu grande momento na temporada com mais um gol, o terceiro do Barcelona.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Resumo: 12ª Rodada (2ª parte)

Luis Fabiano chegou ao seu centenário de gols com a camisa do Sevilla, mas saiu lesionado de campo e viu o Sevilla perder outra no Ramón Sanchéz Pizjuan (reuters pictures)

Na segunda parte de jogos da décima segunda rodada, vimos um Sevilla cada vez mais incostante e um Mallorca que joga um futebol cada vez mais peculiar. Neste início de temporada, os baleares conseguiram tirar pontos de equipes como Barcelona, Real Madrid e Sevilla, mas também já conseguiu a proeza de perder para Deportivo e Zaragoza. Luis Fabiano marcou pela centésima vez com a camisa do Sevilla, mas, além de ver sua equipe derrotada, saiu de campo lesionado e ficará de fora dos gramados por, no mínimo, três semanas. No Anoeta, a Real Sociedad perdeu para o Atlético de Madrid (num confronto direto por vaga na Champions) e desperdiçou a oportunidade de colar no Espanyol, que venceu o Hércules, aproveitou empate do Valencia no sábado e entrou na zona de Champions.

Sevilla 1x2 Mallorca
Apenas 48 horas se passaram depois de Monchi ter considerado a necessidade de ter um meio de campo renovado e a própria equipe se encarregou de demonstrar que a necessidade é verdadeira. O Sevilla sucumbiu em Nervión ante um grande Mallorca, dando a sensação de vontade de vencer, porém, sem saber fabricar futebol. O que aconteceu nesse domingo foi que o Sevilla voltou a fazer uma de suas piores partidas em casa, dignas da passada campanha, sem o mando de campo e baseando seu jogo em bolas aéreas e chutões, sobretudo no segundo tempo. Dessa vez, Kanouté não funcionou. Mesmo assim, os nervionenses foram capazes de empatar, porém, não deram a impressão de que estavam fazendo as coisas melhor que seu rival. Portanto, acabou entregando a partida em uma das muitas falhas garrafais que cometeram. O pior foi que perderam a chance de subirem para a quarta posição.

Real Sociedad 2x4 Atlético de Madrid
O Atlético de Madrid rompeu sua racha negativa no Anoeta no ritmo de Agüero. Os rojiblancos, que nunca haviam vencido em San Sebastián, fora conduzidos pelo genro de Maradona, que participou diretamente de três dos quatro tentos. Joseba Llorente abriu o placar para os anfitriões, mas Forlán mostrou que seu faro de gol está de volta e empatou no segundo tempo, após culminar linda jogada de Kun. A Real Sociedad deu sobrevida ao time de Quique Sanchéz Flores e desperdiçaram grandes oportunidades de matar logo a partida, antes do show de Agüero começar. A remontada colchonera só foi sair aos 26' da segunda etapa.

Getafe 1x1 Zaragoza
Na estreia de Javier Aguirre no comando dos maños, o Zaragoza até mostrou uma postura diferente em campo, mas não conseguiu levar os três pontos. Porém, ainda há muito o que melhorar. O gol, por exemplo, só saiu porque Codina errou feio na frente de Bertolo. Aguirre trocou do 4-3-2-1 para o 4-2-3-1. A arbitragem do Teixera Vitienes deixou a desejar. Expulsou Ponzio em um lance bastante duvidoso e deixou de apitar um possível pênalti de Marcano sobre Lafita. No Getafe, superior aos colistas na partida, a falta de oportunidades ainda dá dor de cabeça em Míchel González.

Espanyol 3x0 Hércules
A cada dia, este Espanyol dá mais amostras de como é parecido com o Mallorca da temporada passada. Se fora da Catalunha, os péricos mostram um futebol bem inferior aos adversários, dentro do Cornellà del Prat, a atitude é outra. É o Hércules foi a vítima dessa constância. Em seis jogos disputados em seu estádio, foram seis vitória (18 pontos conquistados). Destaque maior para Osvaldo, que voltou a exibir um belo futebol. Depois de um início de temporara tímido, o ítalo-argentino, destaque do time na temporada passada, vai voltando ao velho rumo. Além do gol, foi bem lépido no ataque e passou para Luis García fechar o marcador. Trezeguet até deu trabalhos para Kameni, mas o domínio do Espanyol foi amplo e os ataques dos herculinos foram bem tímidos.

Deportivo 3x0 Málaga
Novamente escalado no 5-3-2, o Deportivo venceu mais uma na competição. Ante o Málaga, os galegos conseguiram uma valiosa vitória num jogo de confronto direto pelo rebaixamento. Os erros da zaga malaguesa nas bolas aéreas e a grande efetividade do ataque blanquiazul foram os caminhos para a vitória.

CRAQUES DA RODADA
Lionel Messi (Barcelona)
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Sergio Agüero (Atlético de Madrid)

domingo, 21 de novembro de 2010

12ª rodada (1ª parte): A noite dos artilheiros

Animado pelo gol contra a seleção brasileiro, Messi marcou três vezes e chegou a 101 gols na Liga com a camisa do Barcelona, na goleada história do Barcelona ante o Almería por 8 a 0 (getty images)

Nos três jogos que abriram a décima segunda rodada de La Liga, gols foram o que não faltaram. Dos 16 gols, oito deles saíram no Juegos Mediterráneos no confronto entre Almería e Barcelona. Mas vale especificar: os oito tentos foram só do Barcelona, em um jogo que os blaugranas não precisaram se esforçarem tanto para chegar aos oito gols. Valencia e Villarreal protagonizaram um confronto direto pela caça aos líderes Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol. As equipes bem que tentaram, mas ficaram no empate por 1 a 1 e frustraram suas pretensões no torneio.

A noite, também, foi dos artilheiros: Cristiano Ronaldo e Messi, artilheiro e vice-artilheiro, respectivamente, marcaram um hat-trick, enquanto Llorente, Rossi e Áduriz deixaram suas marcas. Confira a primeira parte do resumo da décima segunda rodada.

Villarreal 1x1 Valencia
No dérbi da Comunidade Valenciana, Unay Emery surpreendeu ao escalar sua defesa com três zagueiros. O esquema manteve a segurança que o técnico Ché precisava, mas não suportou a pressão exercida pelo Villarreal em quase todo o segundo tempo. O 5-2-2-2 de Emery isolou Áduriz lá na frente, mas nem assim foi capaz de impedir o gol do ex-Mallorca. Joaquín, de volta ao time titular, apareceu como um raio na direita e cruzou preciso para o atacante aparecer entre Marchena e Bruno e, de letra, abrir o placar. Após isso, a equipe valenciana cumpria bem seu papel defensivo e mostrava-se mais objetiva no campo de ataque. Dessa forma, o Villarreal se enrolava para sair do jogo e se atrapalhava para criar alguma jogada.

No segundo tempo, o Villarreal se viu obrigado a ir ao ataque e acordou para o jogo, mesmo sofrendo com a forte marcação. O brasileiro Nilmar e Rossi eram os principais responsáveis pelas jogadas de ataque. A partir da metade do segundo tempo, o Valencia recuou e chamou o adversário para o ataque. Aos 27 minutos, saiu o gol. Rossi recebeu cruzamento vindo da esquerda e desviou do goleiro, colocando no canto direito da meta. Após o tento, o jogo ficou aberto. No entanto, as equipes não conseguiram concretizar suas chances de gol. O empate pode ter sabores mais doce para o Valencia. Com sete desfalques, os Chés foram ao El Madrigal com a pretensão de sair com, pelo menos um ponto.

A partida ficou marcada por um momento especial do volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna. Ele completou 219 partidas pelo Villarreal e igualou a marca do argentino Rodolfo Arruabarrena como o jogador que mais atuou pela equipe na 1ª divisão do Campeonato Espanhol. Senna começou o duelo contra o Valencia no banco de reservas e entrou no jogo aos 25 minutos da segunda etapa, quando substituiu Borja Valero.

Almería 0x8 Barcelona
Antes do duelo contra o Barcelona, a defesa rojiblanca era a terceira menos vazada. Porém, bastou apenas quarenta e cinco minutos para o time de Lillo receber metade dos gols que havia recebido antes da rodada. Logo no primeiro tempo, os comandados de Pep Guardiola conquistaram um feito histórico. A equipe não marcava cinco gols na etapa inicial desde a temporada 2000/2001 quando fez seis em apenas 40 minutos contra o Real Sociedad. Messi segue quebrando recordes atrás de recordes. Ontem, com o hat-trick, chegou a 101 gols com a camisa azulgrená em território nacional. À frente do argentino, apenas Eto'o, Cesar e Kubala. No segundo tempo, o Barcelona não tirou o pé do acelerador e continuou seu massacre. A parceria Messi e Bojan se mostrou afinada, já que eles foram responsáveis por mais três gols. A humilhação serviu para destituir Lillo do comando técnico do time andaluz. No resumo da semana passada, já haviamos alertado que o técnico estava com as cordas bambas. Marcelino Toral, ex-Zaragoza, e Simeone (esse mesmo que vocês estão pensando) são os mais cotado para assumir o Almería. A goleada imposta, fez com que os comandados de Josep Guardiola igualassem a sua maior vitória fora de casa na Liga BBVA, em 1958-59, contra o Las Palmas.

Real Madrid 5x1 Athletic Bilbao
Depois de ficar marcado pela revolta com a cabeçada de Nani que impediu seu golaço no amistoso entre Portugal e Espanha, Cristiano Ronaldo finalmente pôde comemorar seus gols. O atacante português deixou seu hat-trick, ajudou o Real Madrid a voltar à liderança e, de praxe, reassumiu a artilharia da competiçao, que havia perdido para Messi. Como se não bastasse, ainda provocou o Barcelona: "Ganharam de oito, é? Mas eu quero ver marcar oito vezes na segunda-feira que vem", desdenhou o gajo. Antes do superclássico, porém, o Real Madrid irá à Amsterdãm para encarar o Ajax, pela Champions League, com os desfalques de Higuaín e Khedira. O Athletic Bilbao tentou surpreender e teve domínios das jogadas ofensivas logo no início do jogo. Mas durou pouco. O primeiro gol do Real saiu aos 18 minutos. Di María tocou para Higuaín na entrada da área. Ele girou, saiu da marcação e chutou rasteiro para tirar a bola do goleiro. Após isso, os leones tentaram dificultar a vida dos merengues, mas o individualismo dos comandados de Mourinho prevaleceu.

Os números do Real Madrid de Mourinho já são históricos: este é o melhor aproveitamento obtido pela equipe da capital após 12 rodadas de Campeonatos Espanhóis. Com 32 pontos, dez vitórias, dois empates e nenhuma derrota, o Real Madrid jamais começou tão bem uma campanha na competição nacional.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jogadores Históricos: Mario Kempes

Mario Kempes ganhou dois Pichichi's pelos Ches antes de triunfar na Copa de 1978 (somosche.com)

Gol e Mario Alberto Kempes não precisam ser apresentados. Nasceram um para o outro, em uma espécie de ligação extraclasse entre alma e objeto, entre feito e criatura. Argentino da estirpe dos cabeludos de visual rebelde, El Matador gostava - e ainda gosta - das alegrias da vida. E, certamente em função disso, é um dos principais ícones da história do Valencia.

Nascido em Bell Ville, na região de Córdoba na Argentina, Kempes apareceu para o futebol em 1972, quando ajudou o pequeno Instituto de Córdoba a voltar à primeira divisão do Campeonato Argentino. Treze gols em onze jogos levaram Mario, dois anos depois, ao campeão da temporada 1974, o Rosário Central. Com apenas 20 anos, o centroavante rompedor de zagas adversárias já dava mostras de seu potencial. Mesmo sendo muito jovem, Kempes fez parte do grupo argentino que fora a Copa da Alemanha. Não deixou sua marca, mas voltou para seu país disposto a mostrar seu valor como fazedor de gols. Em três anos de Rosário, El Matador marcou 85 vezes - desempenho que chamou atenção da direção dos Ches.

Mas não foi só isso que fez Kempes trocar Rosário por Valencia. Em 1976, o regime ditatorial militar na Argentina agia com força. O jovem Mario, artilheiro de um dos maiores clubes do país, tinha raízes vinculadas ao Peronismo - o que desagradava os militares. Para fugir desse assédio e da crise econômica que se instalara no país, Kempes fez as malas e levou toda sua família para a Península Ibérica. O primeiro jogo do centroavante no Valencia não teve nada de animador. Em partida válida pelo Troféu Laranja, o argentino perdeu um pênalti. Mario enfrentava o primeiro revés em sua curta carreira até então, mas viria a provar seu valor ainda na primeira temporada no futebol espanhol.

Comandando um ataque de 53 gols em 34 jogos, Kempes foi às redes em 24 oportunidades na temporada 1976/77 de La Liga e conquistou a artilharia do campeonato. No ano seguinte, quando duvidava-se da capacidade do argentino em manter o impressionante número de tentos, El Matador foi além: 28 gols em 34 jogos para decorar sua prateleira com segundo Pichichi de máximo goleador seguido. Para coroar esse início de luxo na Liga Espanhola, Mario Kempes foi o único argentino atuando fora do país a fazer parte do grupo de César Menotti para a Copa de 1978. Envergando a #10, o rompedor de defesas passou em branco na primeira fase. Mas o centroavante brilhou na hora da decisão: foram dois gols diante da Polônia e outros dois contra o Peru na fase semifinal. No embate final, contra o resquício maravilhoso da Laranja Mecânica - a mesma base de 1974, mas sem a genialidade de Johan Cruyff -, Mario fez o gol argentino no tempo normal. No tempo extra, chutou tudo o que via pela frente para deixar os sul-americanos em vantagem, abrindo caminho para o primeiro título de Copa do Mundo dos hermanos.

Curiosamente, a Copa atuando em casa foi também o primeiro título coletivo de Mario Kempes na carreira. Além da Taça Fifa, ele foi o artilheiro da competição com seis gols - até a Copa da África do Sul, em 2010, El Matador era o mais jovem jogador a ser artilheiro de uma edição de Copa do Mundo (o alemão Thomas Müller superou esta marca do argentino após marcar cinco vezes em terras sul-africanas na edição de 2010).

Com sede de títulos, Kempes voltou ao futebol espanhol disposto a levar o Valencia de volta às glórias - os Ches não venciam nenhum torneio oficial desde a Copa do Rei da temporada 1966/67. E foi justamente na copa nacional que os laranjas quebraram esse jejum, conquistando de quebra uma vaga na Recopa Europeia. Na partida final, em Madrid contra os merengues, Kempes foi às redes duas vezes para tirar a Copa do Rei das mãos dos madridistas.

A Recopa de 1979/80 e a Supercopa da temporada seguinte também ilustram a galeria de troféus deste argentino. Entretanto, o título de La Liga não faz parte das conquistas de El Matador. Quando o Valencia teve suas maiores chances, na temporada 19870/81, Kempes passou a maior parte do ano fora da equipe. Mesmo assim, manteve a média perto dos 0,8 gols por jogo: nove em 12 jogos na temporada. Após um período no River Plate - onde rivalizou com o Boca de Maradona -, Kempes voltou à Valencia para mais duas temporadas, antes de transferir-se para o Hércules. Conforme perdia sua imponência dentro da grande área, o argentino foi escondendo-se dos grandes centros do futebol. Após discretas temporadas na Áustria, abandonou os gramados no futebol chileno.

Cabelos esvoaçantes ao vento, Mario Kempes sempre marcou sua posição dentro das grandes áreas adversárias. Na Espanha, é o 33º maior goleador do campeonato nacional, tendo jogado 222 vezes e marcado 126 gols (116 pelos Ches e 10 pelo Hércules). Tirando o genial Alfredo di Stéfano, Mario Kempes é o argentino com maior número de gols na Liga das Estrelas. Centroavante de estilo típico, para alguns trombador em excesso, mas sem nunca esquecer o caminho das redes, Kempes marcou época em Valencia e é referencia de área para atacantes até hoje. Em sua homenagem, o principal estádio da província de Córdoba leva, desde outubro de 2010, o nome de Mario Alberto Kempes - fato que só é igualado na Argentina por Diego Maradona, alcunha do estádio do Argentinos Juniors.

Kempes e o gol ganharam, ao logo dos anos, a companhia do Valencia para fechar a tríade de sucesso que embalou os Ches entre as décadas de 1970/80. O futebol agradece essa história de sucesso ao Regime Ditatorial da Argentina. Pelo menos uma união de sucesso eles concretizaram.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol, cadê?

A noite foi dele: sumido no confronto da Copa, Cristiano Ronaldo, em apenas 45 minutos em campo, espalhou pane na defesa espanhola (getty images)


Após o inédito título mundial ser festejado com muita empolgação durante quase um mês, já está chegando a hora de a Espanha abrir os olhos. No pós-Copa, foram cinco jogos, com duas derrotas (acachapantes), um empate e duas vitórias. Ainda que as vitórias tenham sido conquistadas em jogos oficiais (contra Liechtenstein e Escócia), as duas derrotas, em amistosos contra Argentina e Portugal, foram as mais comentadas. Não só por causa das goleadas sofridas por 4 a 1 e 4 a 0, mas, sim, pela postura com a qual se comportou a equipe de Vicente Del Bosque. A derrota contra a albiceleste pode se minimizar pelo fato de a Espanha ter jogado com um time misto, e com desfalques significativos à equipe (mas vale lembrar que Villa, Iniesta e Xavi estavam em campo). Porém, hoje contra Portugal não tem desculpas: a atual campeã mundial e europeia foi encurraladas pela rival ibérica e saiu do estádio da Luz humilhada, em uma de suas piores partida nos últimos anos . Desde 1942 que a seleção roja não sofre uma goleada desta maneira.

Se o jogo era de demonstração de união entre Espanha e Portugal em prol da candidatura para receber a Copa de 2018, os cartolas dos dois países esqueceram de avisar os jogadores das duas equipes. Já pilhados pela proximidade do superclássico entre Barcelona e Real Madrid, daqui a dez dias, espanhóis (predominantemente barcelonistas) e portugueses (principalmente Cristiano Ronaldo) jogavam o amistoso como se fosse decisão. O amistoso foi muito pegado, principalmente por conta da rivalidade entre os seis barcelonistas da Espanha e o merengue/português Cristiano Ronaldo, há duas semanas do superclássico no Camp Nou.

O '7' do Real Madrid, aliás, teria feito um gol histórico no primeiro tempo se Nani não tivesse tentado ser coadjuvante da obra-prima, cabeceado a bola em cima da linha e permitido que o gol fosse anulado por impedimento do camisa 17. Pouco depois, Cristiano Ronaldo voltou a brilhar: deu um elástico em Busquets e fez a jogada que deu início ao primeiro gol do jogo, de Carlos Martins. Na segunda etapa, Portugal ainda ampliou com dois gols de Hélder Postiga, o primeiro deles um golaço, de letra. No fim, João Moutinho fez o quarto. Com um ataque leve, os donos da casa, agora comandados por Paulo Bento, em nada lembraram a equipe da Copa, menos criativa, comandada por Carlos Queiroz. O mesmo pode-se dizer da campeã do mundo Espanha, que se acostumou a ter mais posse de bola e impor o seu ritmo de jogo, mas que nesta quarta-feira praticamente só viu os donos da casa jogarem.

Antes do jogo, em raro momento de amistosidade no estádio da Luz, Cristiano Ronaldo e Casillas, capitães dos dois times, se uniram pela campanha para que os dois países recebam a Copa do Mundo de 2018. “Juntos, vamos todos apoiar a candidatura ibérica”, falaram ao mesmo tempo, cada um em seu idioma. A decisão da Fifa será anunciada no próximo dia 2 de dezembro. Concorrem ainda a Rússia, a Inglaterra e a candidatura conjunta de Holanda e Bélgica.

O jogo
Logo com 6min de jogo, Busquets fez falta dura em Cristiano Ronaldo e foi punido com o amarelo. Na jogada seguinte, o português entrou forte no barcelonista na lateral do campo e também recebeu a advertência. A partida não apenas era pegada como também bem jogada. Sem poupar titulares, como fizeram algumas das principais seleções europeias nesta quarta-feira de amistosos internacionais, Espanha e Portugal fizeram uma partida movimentada desde o seu início. No primeiro ataque, Nani recebeu bom passe de Cristiano Ronaldo, bateu cruzado, e Casillas defendeu. A Espanha compensou com chute de Iniesta que passou rente à trave esquerda de Eduardo. Mas, com Nani e Cristiano Ronaldo em noite inspirada, Portugal era melhor e quase abriu o placar aos 20min. O jogador do Manchester United fez boa jogada e lançou Postiga, que saiu na cara de Casillas e chutou em cima do goleiro.

A um gol de se tornar o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa aparecia pouco e foi David Silva que teve a melhor chance de colocar a Espanha à frente. Capdevilla cruzou e o baixinho cabeceou sozinho no meio da área, mas pegou mal na bola e mandou para fora. Depois, só deu Portugal, que só não abriu o placar com um gol memorável de Cristiano Ronaldo por conta da falta de inteligência de Nani. O craque português deixou Piqué (que nos últimos confrontos - inclusive na Copa do Mundo - levou a melhor sobre o gajo) sentado pela esquerda da área e deu uma linda cavadinha para encobrir Casillas. A bola ia entrando quando o camisa 17 cabeceou para as redes. Alegando impedimento, Antony Gautier anulou erradamente o gol de Portugal – Nani tocou na bola já dentro do gol e Piqué, no chão, lhe dava condição de jogo.

No lance seguinte, Nani e Piqué se redimiram. O português fez ótima jogada pela direita e cruzou na medida para Carlos Martins, que pegou em cheio na bola. O blaugrana, em cima da linha do gol, salvou de cabeça. Aos 44min, não deu mais pra segurar o leve ataque de Portugal. Cristiano Ronaldo deu lindo elástico em Busquets e bateu forte. Casillas defendeu e, no rebote, Carlos Martins abriu o placar. Para o segundo tempo, as duas seleções voltaram muito modificadas. Depois 45min de show, Cristiano Ronaldo deu lugar a Danny. Ricardo Carvalho e o goleiro Eduardo também saíram. Pela Espanha, Xavi, Villa e Piqué saíram e foram substituídos à altura por Fàbregas, Fernando Torres e Marchena

Quem se manteve melhor, porém, foi Portugal, que ampliou aos 3min. Danny lançou João Moutinho pela esquerda. Este cruzou rasteiro para Hélder Postiga, que mostrou categoria, passou pela bola, e marcou de letra. Golaço. Nani também quis fazer um belo gol, até para compensar o que tirou de Cristiano Ronaldo. Saiu na cara de Casillas e tentou a cavadinha, dando a bola na mão do goleiro do Real Madrid. Sempre superior, Portugal fez o terceiro aos 22min, com a mesma sequência do segundo gol. De Danny para João Moutinho e dele para Postiga, que saiu na cara de Casillas e teve sangue frio para tirar do goleiro e ampliar.

Prevendo a impossibilidade de empatar, os espanhóis recuaram, testaram reservas, ouviram muito olé das arquibancadas do estádio da Luz e acabaram levando o quarto gol nos acréscimos, marcado desta vez por João Moutinho, que atravessou todo o campo de ataque com a bola e bateu na saída de Casillas para decretar a goleada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resumo: 11ª rodada (2ª parte)

Gol de Higuaín no final e defesas de Casillas evitaram queda do Real Madrid em Gijón (defensacentral)


CONTEÚDO REMOVIDO PELO BLOGGER

sábado, 13 de novembro de 2010

11ª rodada (1ª parte): Bipolaridade

Messi marcou dois contra o Villarreal, já na vigília para o superclássico daqui a duas semanas (reuters)

O Barcelona confirmou hoje contra o Villarreal que as más partidas no Camp Nou no início de temporada é coisa do passado. Após uma ótima exibição na goleada contra o Sevilla, os blaugranas fizeram dos amarillos mais uma vítima em seu estádio. Com o resultado, o Barcelona chega à liderança provisória da competição e conta com um tropeço do rival Real Madrid ante o Sporting Gijón, num jogo que promete muita hostilidade, para continuar na posição.

Também hoje, o Atlético de Madrid derrotou o Osasuna e viu a seca goleadora de Forlán ser quebrada, com um doblete do uruguaio. No San Mamés, o Athletic Bilbao se recuperou da goleada sofrida para o Villarreal e, num jogo bem emocionante, derrotou o Almería por 1 a 0 e subiu duas posições, chegando à oitava colocação, momentâneamente. Confira a primeira parte do resumo da 11ª rodada.

Barcelona 3x1 Villarreal
No jogo mais esperado da rodada, Barcelona e Villarreal fizeram jus às expectativas e protagonizaram um dos duelos mais empolgantes desta edição do Campeonato Espanhol. O Villarreal queria aproveitar os três jogos de invecibilidade no Camp Nou para evitar que a bipolaridade de La Liga se dissipasse. Na 500ª partida de Puyol com a camisa azulgrená, Guardiola, sem Piqué, suspenso, e Milito, lesionado, resolveu improvisar Abidal para a função de quarto zagueiro e escalar Maxwell, a quem rasgou elogios após a partida, na lateral esquerda para fazer a dupla de zaga com o capitán. Num primeiro tempo extremamente parelho, o Villarreal, como o previsto, atacava com efetividade pelo lado esquerdo, onde Abidal mostrava-se inseguro e atrasado na marcação de Nilmar. O Barcelona tomava conta do meio-campo e logo chegou ao primeiro gol, com Villa. O Guaje roubou a bola de Borja Valero, recebeu de Iniesta e tocou na saída de Diego López. Após erro clamoroso do bandeirinha, que anulou gol legal de Pedro, o Villarreal chegou ao empate com Nilmar, em bela jogada individual. Com o jogo empatado, quem cresceu foi Villarreal, que passou a dominar a posse de bola e assumiu a superioridade da partida em pleno Camp Nou. Ainda assim não conseguiu virar até o intervalo.

Na volta para a segunda etapa, mais uma vez na temporada, a mudança na postura do Barcelona foi radical. Enquanto na zaga Abidal já mostrava segurança na marcação do atacante brasileiro; na frente, Messi e Pedro começaram a decidir os rumos da partida. Em uma tabela sensacional dos dois, Messi recebeu na frente e, de direita, tocou por cima de Diego López para ampliar a partida. A partir daí, o Villarreal não aguentou a avalanche blaugrana, orquestrada por Xavi, Iniesta e Messi. Com o passar do tempo, os azulgrenás tocavam com facilidade e calma a bola e chegaram ao terceiro gol, após passe de Pedro e desvio de Messi, que chegou à estratosférica marca de 66 gols em 65 jogos desde agosto de 2009. Vale ressaltar que Messi estava um pouquinho à frente da linha da bola no lance do gol.

Como de praxe, a arbitragem de Delgado Ferreira foi bastante polêmica. Além do gol mal anulado de Pedro no primeiro tempo e gol mal validado de Messi no segunda tempo, o arbitro madrileño deixou de expulsar Maxwell, quando este deu uma entrada dura em Borja Valero na entrada da área. Derrotado em campo, o Villarreal deu praticamente adeus para as - mínimas - chances de título. Num jogo crucial para definir seu futuro, o Submarino Amarelo mostrou-se novamente um time correto, que tem na posse de bola e na velocidade de seus atacantes suas principais virtudes. Entretanto, o time de Garrido não soube reagir diante do ímpeto ofensivo e da volúpia enorme do Barcelona na segunda etapa.

Atlético de Madrid 3x0 Osasuna
Sem marcar desde setembro, Forlán voltou a ser protagonista de uma vitória colchonera na competição. Ainda que Agüero tivesse participado de praticamente todos os lances de perigo, e ter deixado o campo lesionado, não há como não dar uma credêncial maior à participação do uruguaio na partida. Após o oportunismo no primeiro gol, o segundo foi belo: o melhor jogador da última Copa do Mundo recebeu na área, cortou Flaño, puxou para a perna direita e acertou um belo chute no ângulo esquerdo de Ricardo. Com os dois gols, Forlán chegou a marca de 91 gols com a camisa rojiblanca desde que chegou ao clube, em Julho de 2007. Além de alcançar este feito em 171 jogos no time de Manzanarez, o uruguaio chegou ao mesmo números de gols de um dos jogadores mais emblemáticos da história recente do Atléti: Fernando Torres. Porém, a média de gols de Forlán em relação a de El Niño é melhor: 0,53 gols por partida do uruguaio contra 0, 36 do atacante da Fúria.

O jogo serviu para mostrar que o brilho dos rojiblancos diante de sua torcida voltou. Tudo bem que o Osasuna não foi um adversário à altura e a expulsão de Monreal serviu para que o jogo se desenvolve-se a favor do Atlético de Madrid, mas há de se elogiar a postura do time de Quique Sanchéz Flores na partida. Nas dez primeiras rodadas, o atual campeão da Liga Europa só havia brilhado na primeira, quando goleou o Sporting Gijón. Depois, revezou atuações medianas em que foi salvo por uma de suas estrelas, e jogos abaixo da crítica. Entre eles, a derrota no clássico madrileño na rodada passada, por 2 a 0.

Athletic Bilbao 1x0 Almería
No jogo que abriu a rodada, o Athletic Bilbao abriu os trabalhos cedo com o gol de Llorente, mas teve que defender a vantagem no marcador durante 45 minutos com nove em campo. Pior para Caparrós, que, com as expulsões, perdeu Koikili e Castillo, dois laterais esquerdos, para o jogo da próxima rodada contra o Real Madrid, no Bernabéu. Vale lembrar que Aurtenetxe, dono da posição, deve ficar de fora dos gramados por no mínimo três semanas por lesão. O gol dos Leones não poderia ser de outro a não ser de Llorente. El Rey León aproveitou cruzamento da direita de Muniaín, pegou de primeira e fez o seu sétimo no Espanhol, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi na tábua de artilheiros da Liga.

Com as expulsões, o jogo, que estava fácil para o time da casa, acabou se complicando, mas, bem fechado atrás, o time basco conseguiu segurar o empate. Noite bem fraca por parte de Piatti e Crusat, que deveriam puxar a responsabilidade no time andaluz. Ulloa, isolado no ataque no 4-3-2-1 de Lillo, pouco pegou na bola e acabou anulado por San José. Com a derrota, o técnico dos rojiblancos está com a corda bamba no cargo do time. O presidente do time, Alfonso García, se reunirá com a direção do clube ainda hoje para decidir se o técnico continua ou não no comando do clube. Nas últimas horas não pararam de surgir nomes na órbita do Almería. Entre eles, o mais especulado é o de Marcelino Garcia Toral, ex-Zaragoza.

Craques da LFP: Sergio Busquets

Busquets em ação pelo Barcelona. Começo da sua afirmação (Getty)

Sergio Busquets Burgos ( Sergio como gosta de ser chamado*) é um daqueles jogadores que geram desconfiança, muito desconfiança por partes de todos, principalmente porque quando ele começou a atuar no time principal do Barcelona, Pep Guardiola preteriu Yaya Toure, considerado um dos melhores do mundo na posição, para lançar uma jóia catalã no time. Podem ser inúmerados vários fatores para essa desconfiança, mas três principais são: Ser catalão, da base do Barcelona e porque é filho do ex-goleiro blaugrana Carlos Busquets, que hoje é o treinador de goleiros do Barcelona.

Nem um, nem outro: Sergio conseguiu a titularidade pela qualidade do seu futebol. Desde as canteras do Barcelona ele vinha se destacando na posição. Quando chegou ao clube, em 2005, foi campeão com o juvenil A, conquistando a tríplice coroa, e no ano seguinte chegou ao Barça Atlètic, treinado por Guardiola, e foram campeões da segunda divisão B - terceira divisão aqui no Brasil -, conseguindo o acesso para a segunda divisão espanhola. Antes disso, Sergio já tinha atuado pelo time principal comandado pelo Frank Rijkaard na Copa da Catalunha, onde ele jogou alguns minutos da final em que o Barcelona venceu seu rival Espanyol.

Mesmo na temporada 08/09 com Pep Guardiola no comando e ele jogando constantemente como titular, Sergio era muito cobrado, por deixar Yaya no banco e muitas vezes criticado por não atuar à altura, mesmo após os seis títulos do Barcelona, onde ele jogou boa parte das partidas. Sua afirmação veio durante a Copa do Mundo em que a Espanha faturou o título. Sergio foi o homem que protegia a defesa espanhola, que dava o primeiro combate. Duramente criticado no primeiro jogo, assim como toda seleção, até porque ele substituia Marcos Senna, um dos principais jogadores da Eurocopa. Sergio ganhou confiança e conseguiu melhorar seu rendimento nos jogos seguintes. Sua recompensa veio na semi final contra a Alemanha, quando conseguiu anular o meio campo alemão que vinha de duas goleadas sobre Inglaterra e Argentina - mas vale ressaltar que fez boas partidas contra Portugal, Paraguai e Holanda -. Essa foi sua melhor partida na Copa, um grande reconhecimento para um dos "carregadores de piano" do Barcelona e da Espanha.

Sergio não é uma unanimidade, não é o melhor da posição, mas quem sabe é um dos principais volantes, porém fica atrás de muita gente boa, mas podemos dizer que é um volante ideal para o Barcelona. Quando precisa bater, ele bate; chegar mais duro, ele chega; mas quando necessário, sabe jogar leve, com toque de bola rápido e sair com qualidade, da forma que o time joga, da forma que o treinador quer. Sergio tem muito futebol e competições pela frente, é um jogador jovem, tem apenas 22 anos.

Por fim, vou traduzir uma frase que Vicente Del Bosque falou quando chegou à Espanha para saudar seus torcedores em um momento que ele citava todos seus jogadores:
"Todo time precisa ter um jogador como o Sergio, tanto dentro de campo como fora, pois é um craque e tamb'm um motivador, apesar de um menino, tem cabeça e futebol de gente grande." - Vicente Del Bosque.

*Ele prefere ser chamado de Sergio justamente para não ser lembrado pelo futebol de seu pai, e sim pelo seu.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Resumo: 10ª rodada (2ª parte)

Com mais uma vitória, o Real Madrid vive seu melhor momento nos últimos cinco anos (getty images)

Com uma postura cada vez mais convicente de líder, o Real Madrid fez mais uma vítima atuando no Santiago Bernabéu, onde ainda não perdeu pontos na Liga. Num bom dérbi de Madrid, o Atlético de Madrid não resistiu ao cada vez mais bem armado time de Mourinho, que tem uma base sólida na defesa e joga sem sofrer riscos. Com a derrota, a racha negativa colchonera segue: sem vencer seu maior rival desde 1999, o Atléti caiu mais uma posição e, com o triunfo da Real Sociedad, agora é o oitavo colocado. Mas Barcelona e Villarreal seguem sua caça aos merengues. O Barcelona venceu sem riscos o Getafe e se coloca a um ponto do time da capital. Já os amarillos, também não tiveram dificuldades de baterem o Athletic Bilbao (apesar do susto inicial) e estão a três do Real Madrid. Confira os jogos da décima rodada.

Real Madrid 2x0 Atlético de Madrid
No principal jogo da rodada, os merengues atravessaram sem maiores traumas um dos desafios mais complicados neste primeiro semestre. Apesar de ter levado a melhor nos últimos 18 dérbis, nunca se deve subestimar um rival. Porém, novamente o Atléti foi mal ante o Real Madrid e perdeu a chance de quebrar a racha negativa. Magnífica partida de Ricardo Carvalho, que marcou muito bem Agüero, impedindo o argentino de levar algum perigo à meta de Casillas. Além de anular o camisa 10 rojiblanco, foi do português o primeiro gol da partida, após receber de Di María. Destaque no meio, Özil ampliou a partida, após cobrar diretamente para o gol de um desastrado De Gea. No dia de seu aniversário, o garoto não mostrou o mesmo desempenho mostrado nas últimas partidas e parecia nervoso diante do 70.000 espectadores no Santiago Bernabéu.

Cristiano Ronaldo foi bem aquém do que pode produzir. Além de ter sido bem individualista, o gajo se meteu em confusão no final da partida. Após passe usando as costas no final da partida, o português foi questionado por jogadores colchoneros, que reclamaram com o gajo ainda no gramado por passe de costas: 'Não faz isso com 0 a 0, né?', provocou Raúl García. Outro que não foi bem foi Higuaín. "Desse jeito, Benzema vai acabar titular neste time", disparou Mourinho. O técnico português firmou o terceiro melhor início de La Liga após dez rodadas. Já são oito vitórias e dois empates.

Getafe 1x3 Barcelona (Victor Mendes)
O Barcelona venceu facilmente um Getafe que a cada jogo sente a falta de seu principal jogador, Dani Parejo. No ritmo de seu principal craque, Lionel Messi, os blaugranas não tardaram a dominar as ações da partida. Primeiro, Messi construiu toda a jogada e recebeu de Villa para marcar seu oitavo gol na Liga; depois, deixou Villa na cara do gol para ampliar para os blaugranas; e, por último, aproveitou desespero de Días, ganhou na dividida do zagueiro e a bola sobrou limpa para Pedro mandar às redes. Após o início conturbado, o Barcelona parece ter recuperado a velha identidade. Mesmo após a expulsão de Piqué e o gol de Manu del Moral, os blaugranas continuaram em um ritmo atônito e pareciam mais perto do quarto gol à sofrer o empate do time de Valdebebas.

Víctor Sánchez, que vem jogando muito bem neste início de temporada, queria mostrar para Guardiola que o empréstimo foi coisa errada. Porém, o canterano do Barcelona não conseguiu criar nada e foi impedido de armar qualquer jogada por Mascherano, um leão na partida e que, após críticas sobre o seu desempenho no início de temporada, vem ganhando a confiança dos torcedores. A expulsão boba de Piqué impedirá o zagueiro de jogar contra o Villarreal, no Camp Nou. A grande dúvida que paira no ar é saber quem Guardiola escolherá para atuar ao lado de Puyol na próxima rodada: o mais lógico seria Milito suprir a ausência de Gerard, mas, segundo o o Diário Sport, Guardiola já não tem a mesma confiança no argentino e poderia dar uma chance a algum canterano, dependendo de seus desempenhos no confronto pela Copa del Rey contra o Ceuta. No Getafe, após o desastre pela Liga Europa e o jogo fraco diante do Barcelona, as notícias são animadores: para o mercado de janeiro, os azulones já negociam com o bom atacante Chuchu Dorado, deixado de lado no Bétis

Villarreal 4x1 Athletic Bilbao (Victor Mendes)
No El Madrigal, mais uma bela exibição do Villarreal diante de seus torcedores e a goleada imposta no Athletic Bilbao deixa claro que os amarillos estão vivos na briga pelo título. As chances podem ganhar mais vida se, na próxima rodada, o Villarreal conseguir um triunfo no Camp Nou diante do Barcelona e manter o contato com os líderes. Na era Garrido, o Villarreal mostra-se muito mais afinco dentro de seus domínios. A vitória contra os leones foi a 13ª dos amarillos em 12 jogos desde que o treinador assumiu o cargo no time da Comunidade Valenciana. O técnico castellonense também parece ter construido uma máquina de gols: se a melhor margem do Villarreal à esta altura da competição foram 18 gols na temporada 2008/2009, o time de Garrido deixa para trás os números dos comandados de Pellegrinni: já são 21 gols em 10 partidas (segundo melhor ataque, atrás, apenas, do Real Madrid).

A goleada sofrida frustou as aspirações do Athletic Bilbao. Apesar de ter jogado muito bem nos primeiros trinta minutos, onde chegaram a estar à frente do marcador com Llorente, os euskaras sucumbiram na avalanche amarilla na segunda etapa. Destaque nos últimos jogos, Muniaín desta vez não brilhou. O jovem não conseguiu criar nada pela esquerda e caiu facilmente na marcação de Ángel. Caparrós promoveu a entrada de De Marcos afim de impôr mais velocidade na partida, mas a defesa do Villarreal mostrou-se, mais uma vez, bem sólida, e o garoto nada fez no setor de Capdevilla. Llorente foi um constante perigo, mas Mussachio e Marchena levaram a melhor sobre o atacante da seleção na maioria da vezes.

Quem resolveu colocar a partida no bolso foi Borja Valero. O meio-campista participou diretamente de três dos quatro gols. Com um recital no meio-campo, marcou o ritmo da partida. Passou para Nilmar empatar, fez a jogada do gol de Rossi e, no final, deixou Monteiro na cara de Iraizoz, que, aproveitando-se do fato da zaga euskara ter jogado bem adiantado em relação aos últimos jogos, não conseguiu evitar o tento.

Sevilla 2x0 Valencia
Dois minutos após entrar em campo, o atacante Negredo mudou a cara da partida e marcou o gol que conduziu o Sevilla para a vitória contra o Valencia por 2 a 0 pelo complemento da rodada do Espanhol. Para o Valencia, apesar do triunfo contra o Rangers, já são quatro jogos sem vencer pela Liga, o que levou a uma queda brusca: da primeira à quinta posição. A tarefa do Sevilla foi facilitada pela expulsão de Topal, que entrou muito forte em Cáceres e levou o cartão vermelho direto aos 23min do primeiro tempo. Aniversariante do dia, Luis Fabiano ficou perto de marcar um gol em homenagem aos seus 30 anos de idade, mas parou na trave da meta do Valencia.

Levante 1x2 Deportivo
No 5-3-2, o Deportivo conseguiu mais um triunfo e ratificou a ideia de que parece ter acordado para a competição. Bela partida de Riki e da defesa do depor, que mostrou-se bem sólida no esquema atual de Miguel Ángel Lotina. Fato que desenrolou-se para a vitória galega foram os gols nos inícios de cada tempo, que condicionou a partida, já que o Deportivo ficara mais cômodo e sem o nervosismo para ir em busca da vitória. Porém, o gol do Levante nos quinze minutos finais pôs emoções à partida. O ímpeto ofensivo dos granotas aumentaram e Lotina foi obrigado a dar mais um reforço para seu meio-campo. Emoção não faltou, e o Levante teve que se contentar com um gol anulado de Stuani no última lance da partida. A vitória contra o Levante foi a primeira dos blanquiazules desde novembro de 2009, quando derrotou o Racing Santander no El Sardineiro. Novos ares no Riazor?

Zaragoza 3x2 Mallorca
Os três primeiros pontos do Zaragoza na competição foi em um jogo muito emocionante. Após sair perdendo no La Romareda por 2 a 0, teve fôlego para ir em busca do empate e, no último minuto, empatar numa cobrança de pênalti de Gabi. Pênalti, aliás, para lá de duvidoso. Os rojones controlaram a partida desde o início, mas dormiram nos últimos vinte minutos, permitindo a reação maña. Apesar da vitória, o time de José Aurélio Gay continua demonstrando os mesmos erros e carências. Espantou a maneira como o técnico madrileño escalou o Zaragoza. Em um 5-4-1 inédito, Gabi teve que auxiliar Bráulio, bem isolado na frente como o previsto. Ponto para a torcida fánatica dos blancos, que não deixa de lotar o estádio e perder a confiança no time. Com o triunfo, os maños saíram a lanterna da competição, que agora pertence ao Málaga.

Para relembrar os jogos de sábado, clique aqui

Craques da rodada
Borja Valero (Villarreal)
Lionel Messi (Barcelona)
Mesut Özil (Real Madrid)
Ricardo Carvalho (Real Madrid)

Escalação da rodada
Bravo (Real Sociedad); Daniel Alves (Barcelona), Marchena (Villarreal), Ricardo Carvalho (Real Madrid), Cáceres (Sevilla); Mascherano (Barcelona), Khedira (Real Madrid), Borja Valero (Villarreal), Mesut Özil (Real Madrid), Lionel Messi (Barcelona), Negredo (Sevilla)

sábado, 6 de novembro de 2010

10ª Rodada (1ª parte): Brigas acirradas por competições europeias

Um golaço de Javi Márquez logo aos 50 segundos fez com que o Espanyol assumisse a quarta posição. Os péricos definitivamente estão na briga por uma vaga na próxima Champions (getty images)

Na abertura da 11ª rodada, foram realizados dois jogos. Apesar de apenas dois gols, os dois jogos foram bastante intensos e a tônica foi o equilíbrio. No Anoeta, a Real Sociedad confirmou o bom momento que vive jogando em casa, chegou a mais três pontos e assumiu a sexta posição, provisoriamente. Terceira vitória consecutiva dos Donostiarras, que sonham com alguma competição europeia para a próxima temporada. No Cornellà El-Prat, um golaço de Javi Márquez garantiu a vitória périca e, consequentemente, a quarta colocação, provisoriamente.

Espanyol 1x0 Málaga
Após a demissão de Jesualdo Ferreira, a cúpula blanquiazul foi rápida e anunciou horas depois o nome de Manuel Pellegrini. Para o jogo, o ex-técnico do Real Madrid preferiu assistir ao confronto das tribunas de honras e viu que terá um grande trabalho à frente. Ainda que demonstrasse nos primeiros minutos uma pressão em busca do gol, os andaluzes voltaram a cometer os erros dos jogos anteriores. O time mostrou-se muito dependente dos lampejos de Apoño e Quincy, que foram anulados por Javi Márquez e Baena, respectivamente. Nas quatro linhas, o Espanyol não tardou a definir a partida. Aos 50 segundos, um tirombaço de Javi Márquez foi fatal para definir o rumo da partida. Com o resultado a favor, a equipe de Pochettino mostrou-se bem dinâmica e fria, que sempre tinha em mente a portería rival. Osvaldo bem que tentou deixar o seu, mas Arnau impedia os tentos do ítalo-argentino. Na segunda etapa, o Espanyol veio com menos intensidade, chamando o Màlaga para a partida. Rafa Gil, técnico das canteras do clube, promoveu as entradas de Portillo e Quincy e mudou o time para um 4-2-2-2, mas o Espanyol mostrara ser um time bem sólido e as mudanças feitas pelo técnico sevillista nada alterou no resultado da partida.

Real Sociedad 1x0 Racing Santander
A Real Sociedad garantiu mais três pontos no Anoeta após ganhar com justiça, mas também passando por apuros, o Racing Santander. O gol veio cedo, após bela jogada de Xabi Prieto e conclusão de Joseba Llorente (que marcou três vezes nos últimos três jogos), o que fez os txuri-urdin se confortarem na partida a ponto de tomarem sufoco do Racing em boa parte do jogo. No segundo tempo, brilhou a estrela de Bravo, que parou os constantes ataques de Rosenberg e Ariel. Há de se elogiar a grande partida de Griezzman. Mais uma vez, o jovem meio-campista francês mostrou personalidade, e não quis nem saber de Francis, que não o encontrou durante a partida e só conseguia pará-lo com faltas. No comando do ataque verdiblanco, Bolado destoava. Facilmente marcado por Labaka, foi trocado por Ariel, que jogou muito bem os 25 minutos que esteve em campo. Foi o necessário para espalhar pânico na defesa da Real Sociedad.

Antes da partida, a Ertzaintza, polícia do País Basco, apreenderam cerca de 60 torcedores do Racing Santander, que foram impedidos de assisterem ao jogo por, supostamente, terem provocados danos nos carros de alguns torcedores bascos. Após serem banidos do estádio, voltaram à Cantábria antes mesmo do início da partida.

Jogadores Históricos: Evaristo de Macedo

Evaristo, jovem atacante carioca, fez parte de um grande esquadrão catalão. (blaugranas.com)

Pode alguém ser ídolo em Real Madrid e Barcelona mas não ter o mesmo sucesso em seu próprio país? Este dilema pauta a carreira, enquanto jogador, de Evaristo de Macedo Filho, carioca criado na base do Madureira no início da década de 1950 e que fez parte dos grandes esquadrões formados pelos maiores rivais espanhóis entre 1957 e 1965.

Após dois anos no tricolor suburbano, o atacante transferiu-se para o Flamengo, onde fez parte da equipe tricampeã carioca em 1953/54/55, em um ataque que tinha Zagallo como seu principal expoente. Ficou até 1957 no rubro-negro, período que fez também seus únicos jogos pela seleção brasileira: foram 14 partidas e oito gols com a camisa canarinho – Evaristo é o único atleta a fazer cinco gols num mesmo jogo pela seleção nacional, no 9x0 diante da Colômbia durante a preparação para a Copa da Suécia, em 1958.

Ao chegar em terras catalãs, Evaristo via o cenário futebolístico europeu começar a ser dominado pelos madridistas, impulsionados pelos geniais Alfredo di Stéfano e Ferenc Puskás. Os blaugranas tiveram de investir para formar um time competitivo, capaz de desbancar os merengues do topo. Ao misturar o faro de gol do artilheiro espanhol Luis Suárez com a genialidade do trio de origem húngara – Ladislao Kubala, Zoltán Czibor e Sándor Kocsis -, sob o comando do argentino Helenio Herrera, a malemolência brasileira de Evaristo foi o encaixe final para o sucesso da esquadra catalã.

Nesse time de craques, era difícil não se consagrar. E Evaristo destacou seu nome: foram cinco temporadas, onde atuou em 226 partidas e marcou 178 vezes – o que gera a impressionante média de 0.78 gols por jogo com a camisa do Barça. Esses números dão a Evaristo, até hoje, a alcunha de maior artilheiro brasileiro com a camisa blaugrana, onde jogaram outros grandes fenômenos futebolísticos tupiniquins, como Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho e Romário.

Porém, não se pode considerar Evaristo como o representante maior desta época no Camp Nou. O galego Luis Suárez saiu do Barcelona para a Inter de Milão – junto com o treinador Helenio Herrera – como o jogador mais caro do futebol e melhor jogador do Mundo em 1960. Kubala, Czibor e Kocsis fizeram parte, ao lado de Puskás, do fantástico selecionado húngaro que encantou o mundo da bola na Copa de 1954. Evaristo, apesar de ser um talento nato, um goleador sem pudor das defesas adversárias, era uma parte de um âmbito grandioso, um time espetacular que os culés exaltavam a cada final de semana.

Tudo levava a crer em uma continuidade do sucesso de Evaristo na Catalunha. Foram dois títulos de La Liga (1958/59 e 59/60), uma Copa do Rei (1958/59) e duas Copas da Uefa (1958 e 1960). Mas em 1962, os rumos da sua carreira na Espanha mudaram drasticamente. Aos 29 anos, após rejeitar a proposta de naturalização feita pelo Barcelona, Evaristo desembarcou diretamente no Santiago Bernabéu, chocando os adeptos e reforçando ainda mais o já poderoso time merengue.

No Madrid, Evaristo sagrou-se tricampeão nacional (1962/63, 1963/64 e 1964/65). Entretanto, não foi determinante a ponto de se considerar fundamental para a conquista. Em clara decadência física, já que beirava os 30 anos quando chegou ao Real, jogou apenas 17 vezes pelos merengues. Mesmo assim, marcou 15 gols, mantendo a excelente média de tentos em terras espanholas.

De fato, a importância do pioneirismo de Evaristo no futebol europeu é muito desvalorizada aqui no Brasil. Atleta em uma época onde as transferências internacionais eram exceção – e não regra, como hoje –, Evaristo fez parte de um grande esquadrão blaugrana e teve êxito no gigante da capital Madrid. O feito do atacante brasileiro só é comparável com as carreiras do português Luís Figo, do Brasileiro Ronaldo e do dinamarquês Michael Laudrup, craques de exceção que fizeram relativo sucesso entre merengues e culés.

A Espanha respeita Evaristo até hoje de uma forma que os brasileiros não o fazem. Porém, a defesa disso não é feita de forma justa, já que sempre é criado o mito do astro que duelava com Di Stéfano. O contexto geral era muito maior que isso, o que não significa uma diminuição da importância do atacante brasileiro. Só penso ser preciso mudar o enfoque nessa abordagem.

Evaristo de Macedo Filho
Nascimento: 22 de junho de 1933 – Rio de Janeiro
Posição: Atacante
Clubes: Madureira, Flamengo, Barcelona e Real Madrid
Seleção brasileira: 14 Jogos e 8 Gols
Títulos: Três Campeonatos Cariocas (1953, 1954 e 1955); Duas Copas da UEFA (1958 e 1960); Cinco Campeonatos Espanhóis (1958/59 e 1959/60 – Barcelona; 1962/63, 1963/64 e 1964/65 – Real Madrid)
Honrarias pessoais: Maior artilheiro brasileiro do Barcelona (78 gols); Único brasileiro a fazer cinco gols em um mesmo jogo pela seleção (9x0 Colômbia em 1957).

Liga Adelante: Bétis em alta

Mesmo com a perda de Sergio García para o Espanyol, o Bétis tem o melhor ataque e retorno para a Liga BBVA é questão de tempo (getty images)

Se na temporada passada o Real Bétis ficou no quase após um início de temporada fraco e, com os mesmos 71 pontos de Hércules e Levante, não conseguiu o acesso à Liga BBVA, a tônica desta temporada é diferente: líder isolado da competição com 25 pontos, melhor ataque e a melhor defesa, o time de Pepe Mel já dá passos largos rumo à primeira divisão espanhola. Fazendo uma rápida comparação com a campanha da temporada anterior, os verdiblancos mostram-se um time bem superior àquele. Prova maior disso é lembrar que, na temporada passada, o time andaluz terminou o primeiro turno com apenas 30 pontos, cinco a menos do que tem hoje, na liderança da Liga Adelante e com apenas 10 rodadas. Nessas 10 rodadas, o Bétis venceu oito vezes, empatou uma e só perdeu uma única vez, para o Albacete na sétima rodada.

Internamente, a equipe também passou por mudanças. O Conselho Administrativo do clube verde passou por reformas e Rodríguez Sacristán comprou as ações do clube, passando a ser o novo presidente, em substituição a Pepe León (o Bétis é um clube empresa, ou seja, Pepe León só iria embora se alguém comprasse as ações do clube). Nomes como o de Joaquín Zulategui, Luis Rementería e Juan Carlos Roldán também passaram a integrar o Conselho do clube. O estádio do clube também mudou de nome, passando a se chamar Benito Villamarín, denominação que teve antes de 1997, após uma votação de sócios. O nome Benito Villamarín obteve 6.107 votos, que preferiram esta denominação à Heliópolis (2786) e Cidade do Betis (655). O estádio do Bétis já se chamou Benito Villamarín, antes de ser rebatizado em 1997 com o nome daquele que foi presidente e acionista majoritário na época, Manuel Ruíz de Lopera. Benito Villamarín, falecido em 1966, foi presidente do clube entre 1955 e 1965.

À exceção do Bétis, não está fácil apostar em que equipes irão subir para a Liga BBVA nesta temporada. Geralmente, a Liga Adelante é uma competição extremamente nivelada, mas a atual edição está se desenvolvendo de maneira bastante peculiar: a diferença de pontos entre o Valladolid, 6º colocado e último classificado para os play-offs, para o Huesca, 18º e primeiro acima da zona de rebaixamentos, é de apenas seis pontos. Isso sem falar que a Ponferradina, 19ª colocada e primeira da zona de rebaixamento, está a apenas 7 pontos da equipe pucelana. A tônica do torneio é a incostância. A irregularidade de equipes que lutariam para subir, como Recreativo, Numancia, Tenerife e Gimnàstic, contrasta com a campanha acima da média de alguns times que há algum tempo não sonhavam em jogar a Liga BBVA, como Rayo Vallecano, Granada, Las Palmas e Cartagena.

Voltando a ser feliz

A torcida do Celta Vigo voltou a lotar o Balaídos e o time nunca esteve tão próximo de retornar à elite do futebol espanhol (eldesmarque)

Hoje, fora o Bétis, quem estaria classificado diretamente para a próxima Liga BBVA seria o Celta Vigo (o sistema de classificação mudou. A partir desta temporada os 2 primeiros sobem e do 3º ao 6º jogam play-offs). Caso confirme a classificação, o time de Balaídos voltaria a jogar a Liga BBVA desde 2006-07. Após a 12ª colocação na temporada anterior, os celestes, desta vez, já brigam por título. Após manter a liderança nas primeiras cinco rodadas, o time do técnico Paco Herrera parece ter chegado, em tão pouco tempo, a má fase. Com um time jovem - média de idade de apenas 22 anos - os célticos somaram nas últimas três rodadas apenas três pontos - empataram três vezes - e viram o Bétis confirmar o favoritismo e abrir quatro pontos de diferença. Neste domingo, a equipe da Galícia faz o seu jogo de maior importância neste primeiro semestre: no Balaídos, o Celta receberá o Bétis tentando diminuir a vantagem dos verdiblancos. A torcida celeste sabe mais do que nunca da importância desta partida: com todos os ingressos já vendidos, o estádio registrou sua melhor venda de ingressos desde junho de 2009, quando o Celta jogara para não cair à Segunda B. Esperam-se 31.820 espectadores para o estádio que só comporta 32.50.

E o que dizer da campanha do Barcelona B? A filial do clube blaugrana não vive uma fase tão boa desde que conseguiu o acesso à Segunda B em 2007-08, no time que era treinado por Josep Guardiola. A campanha dos comandados de Luis Enrique é histórica: nunca na história da filial, o time brigou pelas pontas. Apesar de não poder jogar a Liga BBVA (apenas se o Barcelona for rebaixado - coisa que, convenhamos, é muito difícil) o discurso de Luis Enrique é continuar jogando da mesma maneira. Na quarta posição, o duelo desta rodada é bastante atrativo: os azulgrenás enfrentarão, no Mini Estadí, o Villarreal B, no duelo da únicas filiais nesta edição da Liga Adelante. Porém, ao contrário dos rivais da Catalunha, a realidade é outra: na 16ª colocação com 13 pontos, o Submarino Amarelo se encontra a 4 do descenso.

A de se destacar o lance que chocou o mundo. Duas rodadas atrás, no jogo entre Bétis x Salamanca, o meia Miguel García, do Salamanca, teve uma parada cardíaca dentro de campo (ver vídeo), ficou desacordado e foi salvo pelos médicos do clube com o uso de um desfibrilador. Alguns atletas chegaram a chorar achando que o coleta estava morto. Apesar de salvo, o meio-campista não poderá voltar a jogar futebol. A informação foi dada por médicos que atenderam o atleta e divulgada pela emissora BBC. De acordo com o último boletim médico, García poderá deixar a UTI do Hospital Clínico Universitário, onde foi internado, na próxima terça-feira.

Quem encabeça a zona de rebaixamento e é a grande decepção é a Ponferradina. Os blanquiazules foi a equipe que mais trouxe jogadores da Liga BBVA no mercado, mas sucumbe diante de uma nova oportunidade de disputar a Liga Adelante. Com um time recheado de jogadores experientes que poderiam fazer com que o clube ficasse pelo menos no meio da tabela, nada deu certo para os ponfe, que devem retornar para a Segunda B.

A partir de agora, o Quatro Tiempos trará uma coluna mensal sobre a Liga Adelante.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Liga Europa: Dúvidas antes do dérbi de Madrid

O gol de Tiago amenizou, mas as dúvidas quanto a este time do Atlético de Madrid ainda são grande (AP)

Nesta edição da Liga Europa os espanhóis têm mostrado certa irregularidade. Em quatro rodadas, nenhum dos quatro times do país da Europa Meridional venceram, juntos, em uma mesma rodada. Nesta rodada, Atlético de Madrid e Sevilla saíram dos seus respectivos confrontos com os três pontos, enquanto que Villarreal e Getafe foram derrotados. No estádio Lerkendal, na Noruega, o Atlético de Madrid (2º, 7) venceu pela segunda vez consecutiva o Rosenborg (4º, 3). Porém, ao contrário do jogo no Vicente Calderón, o triunfo de hoje deixou muitas dúvidas e um golaço de Tiago nos últimos cinco minutos não deixaram-as explodirem. No jogo que antecede o dérbi contra o Real Madrid, Quique Sanchéz Flores fez algumas rotações e, com Forlán no banco, foi a campo com um inédito e estranho 4-3-3, com Simão e Agüero nos flancos. Na zaga, preferiu poupar Valera e deslocou Ujfalusi à lateral, com Domínguez fazendo a dupla com Perea. Com Forlán em má fase, a missão de mandar as bolas às redes fica por conta de Aguero, e o genro de Maradona não tem desapontado. Com três gols nos últimos três jogos, Kun marcou logo no início de jogo, após culminar jogada de Simão. O gol deu mais tranquilidade para os rojiblancos, que passaram a priorizar a posse de bola.

No segundo tempo, invertendo a alteração que mudou no duelo entre as duas equipes há duas semanas, Quique Florés tirou o atacante argentino e lançou a campo Forlán. Entretanto, a mudança na postura dos dois time foi clara. O Atlético de Madrid passou a praticar um futebol infâme, enquanto que o Rosenborg crescia a cada minuto. Aí, passou a brilhar a estrela de De Gea, que, mesmo falhando no gol de empate, a cada dia torna-se ídolo da torcida. Individualmente, o Rosenborg foi tomando conta do jogo, orquestrados por Henriksen, que empatou o jogo após receber passe de Iversen e aproveitar falha de Antonio López, que não estava na cobertura. O Rosenborg chegava sempre com perigo pelo meio, onde Paulo Assunção esteve em noite infeliz, e pela esquerda, com Antonio López sempre chegando atrasado. Porém, valeu o ditado de que quem não faz, leva. Tiago roubou a bola de Sare, passou por Demidov e, ao invés de tocar para Forlán que estava livre, acertou um chutaço no ângulo de Orlund. Quique segurou o time, trocando Diego Costa por Camacho, e, nos minutos finais, trocou a tática para um 4-3-2-1. Com a vitória, basta um triunfo contra o Áris, no Vicente Calderón, para os colchoneros passarem de fase.

Na Grécia, a torcida de Salônica lotou o estádio de Toumbas para ver seu time, Paok (2º, 7) vencer o Villarreal (3º, 6) e complicar a vida dos Amarillos, que terão que entrar nos dois últimos jogos restantes com a obrigação de somar seis pontos. O Villarreal começou o jogo com muita intensidade, e, em menos de doze minutos, teve pelo menos três chances de abrir o placar, com Altidore e Borja Valero. Garrido resolveu poupar Cazorla e Rossi e os seus substitutos, Cani e Altidore não cumpriram o mesmo papel. Nilmar, bem marcado por Cirillo, não teve muitas chances e praticou um futebol muito aquém do mostrado na Liga Espanhola. Na volta à segunda etapa, o cenário mudou: se o PAOK havia mostrado uma postura defensiva na primeira etapa, os gregos voltaram com um futebol dessemelhante ao mostrado na primeira etapa, e o ímpeto ofensivo cresceu. Percebendo isso, Garrido resolveu colocar Rossi em campo, mas de nada adiantou. Após cobrança de escanteio, Vierinha, de apenas 1,73m, subiu mais alto que Mussachio e Capdevilla para abrir o placar e definir a vitória grega. Garrido arriscou, colocando Monteiro no lugar de Mussachio e alterando a tática para um 3-2-2-3, mas Kresic fechava na porteira anfitriã. No último minuto, Capdevilla ainda arriscou um chute da entrada da área, que passou à direita do gol de Kresic.

Pelo Grupo J, o Sevilla (1º, 9) deu um passe importantíssimo rumo à fase de 16 avos. Aproveitando-se do empate entre Borussia (3º, 4) e PSG (2º, 8), os sevillistas golearam o saco de pancadas do grupo, Karpaty (4º, 0). O time de Gregório Manzano voltou a vencer no Ramón Sanchéz Pizjuan por competições europeias após três derrotas. Em campo, querendo esquecer a derrota humilhante sofrida para o Barcelona na última rodada da Liga, o Sevilla começou aniquilador. Num 4-2-2-2, com Negredo e José Carlos na frente, auxiliados por Alfáro e Diego Capel, o Sevilla chegou ao primeiro gol em menos de dez minutos. Após falha de Milosevic, Negredo cruzou pontualmente na cabeça de Alfáro, que testou firme para as redes. O ex-Tenerife sofreu a falta do segundo gol, de Cigarini e marcou o seu doblete, mostrando ser uma boa opção para Manzano no período que Jesus Navas se encontrar fora, por lesão. A de se destacar a bela partida do canterano José Carlos. O garoto participou muito bem das infiltrações pela lado direito e Fedetskyiv não conseguia pará-lo.

A Europa está trágica para o Getafe (4º, 3). Com uma derrota humilhante diante do Stuttgart (1º, 12), as chances dos azulones avançaram de fase são mínimas. Num Coliseum Alfonso Pérez vazio - apenas 2.300 espectadores - o Getafe sucumbiu diante de Marica e não mostrou nem 25% do futebol que tem mostrado neste início de Liga Espanhola. Com o 4-2-3-1 de sempre, Colunga foi facilmente marcado por Tasci e Gebhart, enquanto que Arizmendí e Albín pouco produziram para cima de Molinaro e Funk, respectivamente. A derrota alemã faz com que o Getafe só tenha olhos para o Campeonato Espanhol a partir de agora, mas resta saber como será o baque depois de uma provável eliminação. Boateng, em noite trágica, além do erro no primeiro gol dos die-roten, não conseguiu parar os constantes ataques de Kuzmanovic pelo meio. Sem Dani Parejo, Víctor Sánchez vem assumindo papel importante neste time do Getafe, porém, improvisado de lateral direito, o canterano do Barcelona foi motivo de carnaval de Boka e a falha de posicionamento no gol de Gebhart demonstrou isso.