quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meio termo

 Agüero vs. Real Madrid: à época de Atlético, o argentino marcava, mas não vencia (getty images)

Não foi a melhor tarde para os espanhóis, mas também não foi a pior. É razoável dizer que somente o Barcelona saiu satisfeito do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Também cabeça de chave, o Real Madrid terá que trabalhar para não sofrer sustos. Málaga e Valencia, por suas vezes, não esperavam facilidade mesmo, e caíram em grupos traiçoeiros. Acompanhem.

Grupo C: Milan, Zenit, Anderlecht, Málaga. A primeira experiência do Málaga na Liga dos Campeões será bastante trabalhosa. Os blanquiazules, no pote 4, terão dificuldades no grupo de campeões nacionais como Zenit e Anderlecth e do poderoso Milan, que, mesmo enfraquecido em relação aos outros anos, ainda possui elenco superior as demais equipes. O Málaga, se quiser sonhar em avançar de fase, precisará jogar com agressividade, fazer a lição de casa nos três jogos que fará em La Rosaleda e atuar com paciência na Rússia, Bélgica e Itália. Se possível, ainda que seja difícil, tirar pontos do Milan na Andaluzia. Sonhar é possível. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo D: Real Madrid, Manchester City, Ajax, Borussia Dortmund. O grupo da morte. Ainda que seja a mais forte equipe do grupo, o Real Madrid terá trabalho. O palpite do colunista é a primeira posição ao time de José Mourinho, mas as partidas contra Borussia e Manchester City exigirão um certo desgaste. Até porque a dupla, que foram as decepções da Liga dos Campeões 11/12 ao caírem na fase de grupos, estão mais experientes em âmbito europeu e podem complicar. Para um setor defensivo tão carente neste início de temporada, enfrentar Silva, Agüero, Tévez, Nasri e Reus, Götze e Lewandowski pode complicar. Destaque para o reencontro de José Mourinho com Mário Balotelli. Palpite: termina em primeiro lugar.

Grupo F: Bayern de Munich, Valencia, Lille, Bate Borisov. A briga mais relevante deste grupo será a pelo segundo lugar entre franceses e espanhóis. O Bayern é extremamente superior a Lille, Valencia e Bate e não terá trabalho para conquistar o título desta chave. Por outro lado, a briga do Valencia é tão igual à da temporada passada, quando caiu na fase de grupos ao perder a disputa pelo segundo lugar com o Bayer Leverkusen. Em tese, o Lille é um adversário mais fraco do que o Leverkusen, mas os blanquinegros precisarão entrar em campo concentrados. O que não pode acontecer é perder pontos para a equipe mais fraca, o Bate, assim como na temporada passada, quando perdeu na Bélgica para o Racing Genk. Palpite: termina em segundo lugar.

Grupo G: Barcelona, Benfica, Spartak Moscou, Celtic. Assim como nos últimos anos, o Barcelona novamente encontra um grupo bastante acessível na primeira fase. O grupo parece ainda mais simples que o de 2011/2012, quando o Barcelona teve de enfrentar Milan, Bate e Viktoria Pilsen. Dessa vez, não há um gigante como os rossoneros. Por outro lado, Benfica e Celtic, adversários de mata-mata de LC em temporadas passadas, prometem dificultar a vida barcelonista no Estádio da Luz e no Celtic Park, respectivamente. Vale a história do confronto com os portugueses, campeões da Copa dos Campeões ante os blaugranas em 61. Palpite: termina em primeiro

Todos sobrevivem
Além do quarteto da Champions, a Espanha emplacou todos os representantes na fase de grupos da Liga Europa. Athletic Bilbao e Levante passaram, respectivamente, por Helsinki e Motherwell. Além disso, por ser o atual campeão, o Atlético de Madrid já havia garantido presença anteriormente. A por ellos!

Atualização, sexta-feira, 31/08, às 10h47.
O sorteio da Uefa colocou os espanhóis em chaves acessíveis na Liga Europa. Em manhã movimentada pelo última dia do mercado europeu, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Levante irão encarar, respectivamente, Apoel, Viktória Pilsen, Coimbra; Lyon, Sparta Praga, Apoel Kiryat; Twente, Hannover 96, Heisinborgs. Os granotes terão dificuldades, mas têm tudo para avançarem.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Grande Deportivo

 Bom início do Deportivo é fruto do trabalho feito por José Luis Oltra. Equipe tem condições de conseguir vaga na Liga Europa (getty images)

Dois jogos, uma vitória, um empate, cinco gols marcados, três sofridos. Esses são os números do Deportivo, que mostrou uma grande capacidade de reação no final de semana, contra o Valencia, no Campeonato Espanhol. Os galegos foram para o intervalo perdendo por dois gols de diferença num estádio onde, historicamente, não costuma se dar bem, mas teve méritos e construiu o empate com naturalidade e base na paciência. Um soberbo Abel Aguillar guiou o Depor, que termina a rodada entre os cinco primeiros colocados. A posição favorável e a boa partida em Paterna não surpreende pelo louvável trabalho feito em La Coruña.

Mais do que qualquer um, o consciente técnico José Luis Oltra sabe que, por mais que uma equipe seja dominante na Liga Adelante, ela precisa se reforçar para disputar a elite. O Deportivo sobrou na segundona na temporada passada e voltou à primeirona se reforçando. Foram nove contratações neste verão: Abel Aguillar, Evaldo, Salomão, André Santos, Pizzi, Nelson Oliveira, Roderick, Marchena e Camuñas. Marchena era a principal figura da sólida defesa de dois anos atrás do Villarreal e do Valencia campeão espanhol em 2004. Ironicamente, ele anotou um gol ante a equipe onde foi revelado, mas não comemorou e ainda foi aplaudido pelos torcedores. Abel Aguillar tem se destacado neste início de campanha. Escalado mais recuado do que em relação à época de Hércules, o colombiano dita o ritmo do jogo no Depor ao lado do experiente Valerón.

Os dois reforços ao ataque foram cirúrgicos. Nelson Oliveira e Pizzi, entre outros motivos, são bons concorrentes ao irregular Riki, que tem a confiança de Oltra e iniciou como titular contra Osasuna e Valencia. A revelação portuguesa já deixou o aviso: quer ganhar a vaga de titular. Ele saiu do banco dando outra mobilidade ao ataque nos dois jogos. Na estreia, anotou um golaço no Riazor. Associadas às boas fases dos meio-campistas, as novas caras dão confiança a Oltra para jogar com três homens de meio-campo, o que ele evitava há algum tempo. No entanto, o treinador vive um paradoxo: o 4-2-3-1 não rendeu tanto quanto o 4-4-2. A maior prova disso foi o domínio territorial exercido contra o Valencia na segunda tática.

Se mantiver o 4-4-2 clássico na maior parte dos jogos, Oltra ajuda demais suas estrelas. Abel Aguillar passa a jogar no setor onde mais gosta, aberto pela esquerda e impondo bastante velocidade ao setor. Camuñas, aberto pelo outro flanco, deve mostrar mais serviço quando utilizado. Sua passagem pelo Villarreal não foi positiva devido ao fato da equipe ter virado uma zona, mas o bom futebol mostrado no Osasuna dá margem a confiança. Potencial, ele tem. Pizzi finaliza bem e é mais efetivo com um parceiro. Ao contrário de Adrián López, do Atlético de Madrid, que atua aberto à direita no clube rojiblanco e é improvisado de falso nove na seleção sub-21, o português melhora o rendimento quando adiantado ao ataque.

Com intensidade e consciência do que pode fazer, o Deportivo tem outro objetivos no campeonato: alçar uma vaga à Liga Europa é possível. É a antítese do adversário de estreia, o Osasuna, que está mais enfraquecido em relação aos outros anos e não deve sair do meio da tabela - apesar da boa partida contra o Barcelona. Os blanquiazules, ao contrário, têm os pés no chão e sabem que os pontos podem vir de qualquer lugar: se conseguiu o empate no Mestalla, tem condições, por exemplo, de fazer bonito no Ramón Sanchéz Pizjuan e no Vicente Calderón. É uma equipe que sabe o que fazer com a bola e pode surpreender os gigantes na Galícia, sobretudo o Real Madrid, que venceu lá apenas uma vez em 14 anos. No Riazor é trabalho, meu filho.

Seleção da 2ª rodada
Andréz Fernandez (Osasuna); Valera (Getafe), Marchena (Deportivo), Alexis (Getafe), Miguel Torres (Getafe); Trochowski (Sevilla), Abel Aguillar (Deportivo), Lamah (Osasuna), Jonas (Valencia); Soldado (Valencia), Falcão García (Atlético de Madrid). Treinador: Luis García (Getafe)

sábado, 25 de agosto de 2012

Mini-clássico

 No último duelo de filiais de Barcelona e Real Madrid, Xavi e Puyol foram os destaques (Zimbio)

Daqui a pouco, às 16h, o futebol espanhol assistirá ao duelo mais curioso e até esperado da temporada. No estádio Alfredo Di Stéfano, o Real Madrid Castilla recebe o Barcelona B pela segunda rodada da Liga Adelante. Na rodada de estreia, as duas filiais perderam. No melhor jogo da rodada, o Barcelona teve um Deulofeu inspirado, que marcou três gols, mas expôs a carência defensiva e sofreu duas viradas do Almería na derrota por 5x4. Os merengues, por sua vez, deram mais trabalho ao Villarreal, que suou para virar no El Madrigal por 2x1. A partida é especial por, entre outros motivos, ser disputada justamente entre os dois jogos da Supercopa.

Este será o primeiro confronto entre os dois em 15 temporadas. Os últimos precedentes é favorável aos catalães. Em 97/98, à época Barça Atlètic e Real Madrid, as equipes caíram no grupo C da fase de acesso à Segunda Divisão B, o que gerou dois confrontos nas últimas duas rodadas. Os blancos lideravam o grupo com oito pontos, um a mais que os azulgrenás, que viraram o quadro. Liderados por Xavi e Puyol, o Barça Atlètic impussionou uma humilhante goleada ao rival no Mini Estádi, em Barcelona, por 5x0. O zagueiro, aliás, foi o autor do terceiro gol. Nomes conhecidos como Gabri, que também anotou um gol, e Luis García estiveram presente neste duelo. Em Madrid, nova vitória blaugrana: 2x0. A festa nos vestiários foi enorme, e contou com a presença do até então treinador da equipe A Louis van Gaal e o diretor esportivo das divisões de base Llorenç Serra Ferrer.

Atualmente, o mais promissor jogador barcelonista é Gerard Deulofeu (foto, Zimbio). Após a exibição de gala na primeira rodada, o jovem será encarregado de comandar o time B em Madrid. Ao seu lado, terá a companhia de Rafinha Alcântara, que reclamou de desconfortos durante a semanas mas está confirmado para o mini-clássico, e Jean Marie Dongou, o homem-gol de apenas 17 anos e considerado o herdeiro Samuel Eto'o. Se o hispano-brasileiro começar no banco, seu provável substituto é Lobato. A grande novidade e comemorada pelo treinador Eusébio Sacristán é o "reforço" de Sergi Roberto, que treinou com a equipe A durante toda a pré-temporada e foi liberado por Tito Vilanova a disputar o jogo. Sergi se destacou nos amistoso de preparação e ganhou muitos pontos com o treinador da equipe principal, podendo até assinar contrato com a equipe A em janeiro. Juste, machucado, e Carles Planas, expulso ante o Almería, serão desfalques de peso.

O substituto de Planas é o jogador mais jovem da Liga Adelante, o lateral Alejandre Grimaldo (16 anos e 243 dias). Ele terá a missão de ajudar a dissipar as dúvidas que pairam sobre a defesa após a primeira rodada. Grimaldo é uma espécie de Jordi Alba, pois ataca com frequência, mas deixa a desejar na marcação, ao contrário de Planas, mais completo. No meio-campo Illie e Espinosa devem acompanhar Sérgio Roberto. Se não houver mudanças de última hora, o provável é a escalação de Oier; Balliu, Sergi Gómez, Lombán e Grimaldo; Illie, Espinosa e Sergi Roberto; Deulofeu, Dongou e Rafinha.

No Castilla, a promessa é de apoio total da torcida. O treinador Alberto Toril tratou de convocar os aficionados na coletiva pré-jogo. "É uma partida bonita e única, em uma categoria bastante disputada, entre duas das principais divisões de base do futebol espanhol. Queremos muito que o público possa no ajudar a conseguir os três pontos". Em campo, Toril tem algumas dúvidas. Morata é dúvida por seguir treinando com a equipe A e sua presença no onze inicial só será confirmada às vésperas da bola rolar. José Mourinho, perguntado sobre isso em sua coletiva para o jogo contra o Getafe, não deu uma resposta concreta. A principal estrela do Castilla é Jesé Rodríguez (foto, Mirror), artilheiro e melhor jogador do último Europeu Sub-19 de seleções. Ele deverá ter ao lado no atacante Denis e Borja García, que disputa a posição do flanco esquerdo com Óscar Plano.

Na defesa, o xerifão Casado, que treinou com a equipe principal na pré-temporada, se recuperou dos desconfortoso musculares e está à disposição para formar dupla com Nacho, novidade do banco de reservas na partida de ida da Supercopa no Camp Nou. Sem Carjaval e Joselu, que saíram para Bayer Leverkusen e Hoffenhein, os blancos perdem parte do poderio ofensivo que apresentou na disputa da Segunda B na temporada passada. É provável que o Castilla inicie com Mejias; Fabinho, Nacho, Casado e Mateos; Mosquera, Álex e Juanfran; Jesé, Denis e Borja García. Quem se dará melhor nesse duelo? La Fábrica ou La Masía?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superjogo

 No último jogo, Cristiano Ronaldo decidiu e tirou onda... (getty images)

Não poderia haver confronto melhor para "abrir" a temporada de elite espanhola. Tradicionalmente, a disputa da Supercopa é o pontapé inicial para a Liga Espanhola, porém a LFP decidiu inverter os valores e começou a temporada com a primeira rodada da Liga BBVA. O que mais importa, no entanto, é que amanhã, às 17h30, horário de Brasília, o Camp Nou recebe o jogo de ida entre Barcelona e Real Madrid. Pela segunda vez consecutiva, os maiores clubes do futebol espanhol se enfrentam na decisão do torneio. No ano passado, o Barcelona, maior vencedor da competição, teve um Messi mágico e levantou a taça.

Nos bastidores, polêmicas. Expulsos no confronto de 2011, Marcelo, Mesut Özil e David Villa poderão atuar normalmente amanhã. O novo comitê de arbitragem espanhol considerou que a multa paga pelo trio em setembro passado "compensa" a lógica suspensão que eles deveriam cumprir. Na coletiva pré-jogo, José Mourinho e Tito Vilanova se alfinetaram de leve. O português considerou que "não quebrou nenhuma hegemonia ao conquistar a Liga Espanhola porque não há hegemonia alguma quando um time não consegue vencer a Champions League, torneio mais difícil de clubes, duas vezes consecutivas". Irônico, o catalão rebateu: "verdade, não há hegemonia quando você vence 14 de 19 campeonatos".

Com Alex Song, novo contratado junto ao Arsenal, à disposição, o Barcelona parece mais preparado para os duelos. Ao contrário da temporada passada, os blaugranas fizeram uma pré-temporada mais estável que a dos merengues e contam com os retornos de David Villa e Ibrahim Afellay como opções. O Guaje voltou em alto estilo, marcando contra a Real Sociedad, mas é difícil pensar na sua escalação como titular. Com base nos amistosos e na estreia na Liga, existe a tendência de que Pedro comece os 45 minutos iniciais. A dúvida de Tito é o último homem de ataque. Ele ainda não se rendeu à ideia de jogar com Fàbregas mais adiantado - nem Iniesta, por exemplo, que só deve aparecer nesta posição em caso de urgência - e, com o retorno de Alexis Sánchez, pode iniciar com o chileno. Arriscar Tello, titular na derrota de abril, é improvável.

Mourinho esconde, mas sabe o quão importante é começar a temporada desbancando o rival novamente. Ele afirmou que prefere "perder a Supercopa, mas ganhar a Liga BBVA ao final da temporada". Blefe? A depender dessa declaração, o gajo mostra que não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não é improvável a presença da trinca de volantes no meio-campo e o retorno do 4-3-3. Mourinho havia dado mostras de que abdicara dessa tática mais conservadora desde que jogara bem contra o Barcelona no 4-2-3-1. Em janeiro, no confronto da Copa do Rei, o Real Madrid dominou os azulgrenás no Camp Nou e saíram de campo satisfeitos com o empate por 2x2, apesar da eliminação na competição. O resultado foi a vitória no mesmo estádio três meses depois, no jogo que decretou o título espanhol.

A aplicação tática de jogadores como Özil, Di María, Xabi Alonso, Khedira e até Cristiano Ronaldo é essencial para a fluência da tática sem que haja covardias. É claro que há um recuo natural das linhas para se proteger do poderio barcelonista, mas já é bem diferente da proposta utilizada, por exemplo, no confronto de ida da semifinal da Champions League, em 2010/2011. Os merengues são programados para se protegerem com solidez encurtarem o máximo possível os espaços do Barcelona, evitarem a presença de Messi no setor onde ele mais gosta de atuar e saírem com perfeição no contra-ataque. O simbólico gol de Cristiano Ronaldo no último jogo evidencia isso. Foi uma bola roubada no campo de defesa, lançada para Özil e definida pelo português. Tudo como o script manda. O problema será a defesa, que não terá Pepe, lesionado, e sim o inconstante e nada confiável Raúl Albiol.

... mas Messi e o Barcelona pretendem dar a volta por cima. Quem largará na frente? (zimbio)

Apesar de ser cedo para chegar a alguma conclusão, o Barcelona ilusiona. Com um elenco bem mais homogêneo em relação ao de 2011/2012, o triunfo contra a Real Sociedad mostrou uma faceta que há tempos não se via no jogo azulgrená: a utilização em demasia dos ponteiros. As chamadas infiltrações que tanto aterrorizou os adversários durante três temporadas e meia da era Guardiola raramente foi vista no segundo semestre da campanha passada. A escolha de jogar no 3-4-3 por parte de Pep foi o principal responsável pela perda de uma das principais jogadas. Com quatro meio-campistas, o jogo tendia a se concentrar mais pelo centro, o que explica um pouco os mais de 70 gols de Messi.

Na defesa, Puyol oferece segurança a quaisquer parceiros. Em forma fisicamente, o capitão iniciou muito bem a temporada e deve ser acompanhado de Mascherano ou Piqué, o que só será definido em última hora. Alba, na esquerda, não é um marcador nato e precisa balancear as investidas ao ataque com a defesa. Se, com Daniel Alves, o lado direito fica mais vulnerável, com o Alba o setor esquerdo também ficará bastante exposto, o que pode ser um perigo para Vilanova: é exatamente os ponteiros merengues (Cristiano Ronaldo e Di María) que fazem a diferença nesse tipo de jogo. Busquets, que costuma fazer a cobertura do lado direito para deixar o baiano livre para subir, terá que se redobrar nos dois flancos.

No confronto das principais estrelas, o momento é inverso. Cristiano Ronaldo, sempre cobrado por atuações positivas no superclássico, vem de três jogos consecutivos marcando gols contra o Barcelona, enquanto Lionel Messi já não marca há quatro partidas contra o Real Madrid. A média do argentino, que era praticamente de um gol por partida, diminuiu. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada e mostrar um estado físico melhor nesta abertura da temporada, o Barcelona parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do Madrid em surpresa. Os blancos sabem o caminho para a vitória.

Málaga
Os blanquiazules fizeram a lição de casa e venceram o Panathinaikos por 2x0 no jogo de ida da última fase classificatória da Uefa Champions League. Atuando com sobresaliência, os boquerones não deram espaços para o time grego e mereceram sair com a vitória. Marcaram sob pressão desde o campo de ataque, tiveram o controle da posse de bola e levaram muito perigo nos ataques. A movimentação do trio de meio-campistas foi o segredo da vitória. Isco, Eliseu e Joaquín - até ele, veja bem - se revezaram bastante e levaram a zaga rival à loucura. A vantagem é considerável, mas Manuel Pellegrini precisa abrir o olho, pois o Panathinaikos costuma atuar muito bem em Athenas. Assim, os andaluzes estão a 90 minutos de alcançarem a fase de grupos da principal competição de clubes do mundo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dias de luta, dias de glória

 Fabrice Olinga, de 16 anos, deu a vitória ao Málaga em seu primeiro jogo pelo clube blanquiazul (El Desmarque)

O destino, segundo dados do Wikipédia, é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar. Concepção antiga, é presente em algumas mitologias, como, por exemplo, na mitologia grega, através das Moiras, mas também em correntes filosóficas, como é o caso do fatalismo. Muitas vezes, vários episódios do futebol foram atribuídos ao destino. E ele apareceu mais um vez nesse final de semana.

No jogo de abertura da Liga BBVA 12/13, o Málaga foi a Vigo visitar o Celta no Balaídos. Os blanquizules, cheios de ponto de interrogações para responderem, não atuaram bem. Foram pressionados pelos celestes, que tomaram a iniciativa desde o começo do jogo, e sentiram a falta de Cazorla e Rondón na frente. Improvisado como falso nove, Sebá pouco apareceu e mostrou que ainda não está adaptado à nova função. Pellegrini sabe que precisa de um atacante de ofício caso queira disputar vaga em alguma competição europeia e ir mais longe na Uefa Champions League*. O fato de ter barrado Juanmi, único nove de ofício do elenco, só prova que ele não tem confiança no garoto. As especulações sobre Saviola fazem sentindo. De acordo com o Málaga, só falta o "ok" do argentino.

No banco de reservas, o chileno tinha à disposição o jovem Fabrice Olinga. Olinga tem as características de um segundo atacante, mas faz as vezes de centroavante. Ele entrou em campo no lugar de Sebá e deu outra mobilidade ao ataque boquerón. Aportou velocidade e levou perigo nas tabelas com Isco. O prêmio veio com o gol que deu a vitória ao Málaga na Galícia. Surpreende, no entanto, a idade do camaronês: 16 anos e 98 dias. Assim, Olinga estabeleceu um novo recorde: o mais jovem jogador a marcar um gol na Liga BBVA, superando Iker Muniain. Atrás do gesto de raiva na comemoração, havia uma vida de luta, esforço e pedras no caminho. A última, há uma semana. 

Em meio a grande confusão que vive a entidade, Olinga percebeu que o clube não havia renovado seu visto de trabalho. Em outras palavras, ele estava na Espanha, naquele momento, de forma irregular. Devido a pouca idade, Fabrice não tem contrato laboral para viver em solo espanhol, embora esteja no país com um visto de estudante que o obriga a renovar periodicamente. Oriundo do trabalho feito pela fundação Samuel Eto'o no país, tudo mudou no último momento. Na quarta-feira, três dias antes de estrear na Liga, Pellegrini avisou que levaria o jovem ao duelo de Vigo. Dessa maneira, o clube teve que agilizar tudo para renovar seu visto. Assim, a sorte começava a mudar de lado.

Olinga aterrissou no país das touradas há três anos. O Mallorca procurava por jovens promessas na África. Marcos Martínez, um dos responsáveis pelas canteras da equipe bermellona, se impressionou com o garoto, à época com 13 anos. No entanto, a intenção, ao princípio, de Javier Cordón, diretor-esportivo das divisões de base mallorquína, era levar a Palma de Mallorca o meio-campista Leuko, que o impressionou durante a disputa do torneio juvenil de seleções Costa Blanca em 2008. Porém, o Valencia foi mais rápido e conseguiu levar Leuko a Paterna, onde está até hoje na equipe B dos chés. O jeito foi optar pelo plano B, Olinga, que fez bonito nas Ilhas Baleares: durante dois anos e meio, foi campeão mirim da Copa do Rei e eleito o melhor jogador da competição.

As exibições positivas chamaram a atenção de José Manuel Casanova, responsável pela cantera do Espanyol durante mais de 25 anos e desde de 2011 no Málaga. Como o contrato com o Mallorca previa um vínculo de três anos, Casanova agilizou o plano para levá-lo à Andaluzia. E conseguiu. No Atlético Malagueño, time sub-20 do Málaga, novamente se destacou na Copa do Rei, dessa vez a juvenil. Contudo, graças a uma suspensão, não pôde estar presente na final, quando os blanquiazules caíram para o Espanyol. Sua batalha para estrear profissionalmente foi comparada à de Messi. Elogiado pela imprensa malaguesa após o gol da vitória e o recorde, Olinga sabe que foi do inferno ao céu. O desejo de Pellegrini e da comissão técnica é blindá-lo e utilizá-lo na temporada aos poucos, apenas para pegar experiência. Com 16 anos, Fabrice tem uma longa estrada para percorrer. E sabe que é questão de tempo para firmar seu primeiro contrato com o clube A. De uma forma ou outra, ele já é um vencedor.

Seleção da 1ª rodada
Diego Alves (Valencia); João Pereira (Valencia), Puyol (Barcelona), San José (Athletic Bilbao), Jordi Alba (Barcelona); Beñat (Bétis), Abel Aguillar (Deportivo La Coruña), Jesus Navas (Sevilla); Messi (Barcelona), Hemed (Mallorca), Tello (Barcelona). Treinador: Mauricio Pellegrino (Valencia).

*Uefa Champions League
E amanhã, pela primeira vez em sua história, La Rosaleda irá receber um jogo de Champions League. Pela fase prévia, o Málaga encara o Panatinaikos de Jesualdo Ferreira pelo jogo de ida. A expectativa é a maior possível. De acordo com o Desmarque, os aficionados pretendem fazer uma bela festa antes da bola rolar e prometem um mosaico para dar forças à equipe. A grande surpresa foi o corte de Sebá, por questões técnicas. Há grandes oportunidades de Fabrice começar de titular, embora o mais provável seja o uso de Juanmi na posição. A outra novidade pode ser o aparecimento de Maresca na equipe titular, em dentrimento de Camacho. Fazer um bom resultado é o dever do Málaga, que tem muitas oportunidades de alcançar a fase de grupos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ritmo leve

 Pepe pede calma: logo você, cara? (getty images)

O Santiago Bernabéu recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto um Real Madrid bem abaixo da condição física e sem nenhum reforço mostrou pouca objetividade, o Valencia já com Gago e Guardado teve em Jonas, coadjuvante de luxo, seu principal destaque. Por outro lado, o empate por 1x1 nada teve de estranho. O Valencia costuma dificultar para o Real Madrid em Chamartín e emplaca sua segunda temporada sem perder na capital espanhola. José Mourinho, na coletiva pré-jogo, havia avisado: encarar uma equipe como o Valencia logo na primeira rodada seria complicado.

Além das peças, os times mantiveram os seus estilos. No entanto, o Real Madrid, posicionado no 4-2-3-1, teve problemas para bater a retaguarda protegida por Diego Alves. O aspecto positivo foi a capacidade de infiltração de Di María e a demonstração de vontade de Higuaín, destaques da parte ofensiva dos merengues. O meio-campista argentino, por mais uma temporada, começa voando fisicamente e foi o responsável pela bela assistência para Pipita anotar. O atacante, por sua vez, promete uma disputa mais igualada com Benzema pelo posto de centroavante. José Mourinho ratificou essa "briga saudável" entre a dupla, e aproveitou para dizer que isso é importante para toda a equipe, já que eles dão o melhor de si.

O Valencia evidenciou que é a melhor equipe humana do futebol espanhol. Os chés atuaram sem medo, não ficaram nervosos após o gol de Higuaín e tiveram coragem para empatar. A postura exercida no segundo tempo foi semelhante a que Unai Emery utilizou no confronto da temporada passada. Maurício Pellegrino deu uma recuada natural na sua equipe e tentou vencer o jogo apostando nos contra-ataques. Num desses ataques, Soldado saiu na cara de Casillas e anotou, mas teve o gol invalidado. Não obstante, o lance gerou bastante polêmica. A TVE, responsável pela transmissão e geração das imagens, não mostrou a jogada num ângulo favorável. O Super Deporte afirma que Soldado estava em condição legal, enquanto o Marca nega.

Ficou claro que o Real Madrid ainda precisa contratar. É louvável a aposta em Luka Modric para melhorar a qualidade da volância, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há meio-campistas em demasia (Callejón, Kaká, Granero), porém poucas opções para a lateral e nenhuma alternativa confiável a Pepe. O zagueiro se lesionou após choque com Casillas e teve que ser substituído por Raúl Albiol. Fora de forma, o ex-valenciano não comprometeu, mas vacilou na jogada que poderia ter dado a vitória ao Valencia caso não tivesse sido anulada. Mourinho, que ainda não sabe se terá Pepe contra o Barcelona no jogo de ida da Supercopa quinta-feira, será obrigado a utilizar Albiol. Aposta totalmente arriscada. Hoje, ao contrário da temporada passada, quem está em melhor condição física é o Barcelona, que fez uma pré-temporada mais saudável.

No Valencia, só alegria. As linhas retraídas e o trivote defensivo no meio-campo para segurar o ímpeto madridista na reta final da segunda etapa confirmou que Pellegrino ainda não abandonou a ideia de propor uma filosofia mais defensiva - porém segura - ao elenco. Ele iniciou o duelo no 4-2-3-1, mas não teve vergonha de variar ao 4-3-2-1 tirando de campo Soldado e colocando Piatti, adiantando Jonas à referência, e depois Guardado para colocar Dani Parejo. Gago não foi o que o treinador espera dele e deu espaços suficiente para Di María raciocinar e assistir Higuaín marcar. O ponto conquistado em Madrid dá uma moral relevante ao Valencia. Pellegrino avisou: o empate não foi casualidade. Talvez não. Daqui a duas semanas, ele irá ao Camp Nou visitar o Barcelona. É a chance de comprovar isso.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 2)

Na segunda parte do nosso guia para a temporada feito em parceria com Pierre Andrade e Edgley Lemos, do site Futebol Espanhol, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Liga BBVA 2012/2011. Hoje, falaremos do atual campeão Real Madrid, que quebrou a hegemonia do Barcelona após três anos, além do Valencia, o "humano" mais forte, e da dupla andaluza Sevilla, incógnita total, e Málaga, abalado por uma crise interna e externa que durou o verão inteiro. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!

Málaga (Victor Mendes)
Cidade: Málaga, Andaluzia
Estádio: La Rosaleda
Em 2011/2012: 4º colocado
O cara: Isco Román (meio-campista, foto)
O treinador: Manuel Pellegrinni
A promessa: Juanmi (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: Santi Cazorla (meio-campista, Arsenal)
Objetivo: vaga em alguma competição europeia
Time base (4-2-3-1): Caballero; Jesus Gámez, Demichelis, Weligton, Monreal; Maresca, Toulalan; Joaquín, Isco, Portillo; Seba Fernández.

Maio de 2012. O Málaga derrota o Sporting Gijón no La Rosaleda por 1x0, gol de Rondón, e sacramenta a quarta vaga para a Uefa Champions League. Nenhum torcedor presente no estádio naquela festa histórica imaginaria que, menos de quatro meses depois, a situação seria dialmetralmente oposto àquela vivida em 2011/2012. Após um ano para firmar na história do clube, a entidade andaluza viveu um verão terrível: o sheikh Abdullah-Al Thani deixou de investir, chegou a, segundo fontes do El Desmarque, colocar o clube à venda, viu quatro jogadores denunciarem o clube à AFE por atraso no salários e, ainda por cima, foi acusado por Villarreal, Osasuna e River Plate por falta do pagamento das compras de Cazorla, Monreal e Buonanotte, respectivamente. A instituição feriu.

As saídas de Cazorla, Rondón e Mathijsen e a péssima pré-temporada é uma tragédia anunciada. Toulalan e Júlio Baptista, lesionados, serão reforços urgentes quando voltarem, mas Pellegrinni sabe o quanto farão falta neste início de temporada: daqui a uma semana, os blanquiazules encaram o Panathinaikos pelo jogo de ida da pré-UCL. O momento é tão ruim que não houve nenhuma aquisição no mercado. Atualmente, falta um zagueiro confiável, um criador de jogadas e um atacante com faro de gol, justamente onde os três que saíram se encaixam. Ou seja, não há alternativas a eles. Pensar em rebaixamento é exagero, mas o objetivo da equipe hoje é uma vaga na Liga Europa, pois está muito abaixo dos candidatos à Champions.

Mallorca (Edgley Lemos)
Cidade: Palma de Mallorca
Estádio: Iberostar
Em 2011/2012: 8º colocado
O cara: José Luís Martí (meio-campista, foto)
O treinador: Joaquín Caparrós
A promessa: Nsue (atacante)
Principal reforço: Antonio López (lateral-esquerdo, Atlético de Madrid)
Principal perda: Gonzalo Castro (meia-atacante, Real Sociedad)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Aouate; Nsue, Nunes, Bigas, Antonio López; Martí, Javi Márquez; Pereira, Hemed, Alfaro; Víctor.

O Mallorca sofreu um grande êxodo de jogadores ao fim da última temporada: os três principais zagueiros da equipe (Ramis, Chico e Martí Crespí) foram embora. No meio-campo, Tissone, De Guzmán, Chori Castro e Sérgio Tejera deixaram o clube. E como se já não fosse o bastante, a crise econômica que assola a Espanha ainda dificulta as movimentações da equipe no mercado. Apesar da situação caótica, o presidente Serra Ferrer conseguiu contratar Antonio López, lateral esquerdo que estava no Atlético de Madrid, o atacante Arizmendi, vindo do Getafe, e o meio-campista Javi Márquez, cria das canteras do Espanyol. Ferrer ainda prometeu dois zagueiros e um atacante antes da estreia do clube no campeonato.

Caparrós está consciente de que o dinheiro está curtíssimo e de que terá um elenco enxuto para o resto da temporada, por isso improvisou o canterano Pedro Bigas na zaga junto com o lateral Nelson, durante a pré-temporada da equipe. Os torcedores esperam que ao menos se possa ficar no meio da tabela e não ter de passar a angustia de lutar contra o rebaixamento. Solidez e experiência são as palavras que definem a nova versão do Mallorca.

Osasuna (Edgley Lemos)
Cidade: Pamplona, Navarra
Estádio: Reyno de Navarra
Em 2011/2012: 7º
O cara: Puñal (meio-campo)
O treinador: José Luis Mendilíbar
A promessa: Sisi (meio-campo)
Principal reforço: Joseba Llorente (atacante, Real Sociedad)
Principal perda: Raul García (meio-campista, Atlético de Madrid)
Objetivo: Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Fernández; Bertrán, Flaño, Rubén, Echaide; Nekounam, Puñal; Sisi, Cejudo, Armenteros; Kike Sola.

Há pelo menos duas temporadas o Osasuna vem fazendo temporadas de meio de tabela para cima. Um dos responsáveis por isso é o treinador Mendilíbar e o outro é o estádio Reyno de Navarra. O técnico faz bom trabalho com os rojillos, que têm um elenco limitado, mas que jogando em seus domínios são praticamente impossível de se bater. No entanto, para esta temporada, a equipe perdeu um dos elementos chave da equipe. Raul García retornou ao Atlético de Madrid, após o término de seu contrato de empréstimo. 

Para repor a saída do meio-campista o Osasuna trouxe Sisi, ex-meio-campo do Valladolid, e Armenteros, meia que estava no Rayo Vallecano. Para o ataque chegou Joseba Llorente, da Real Sociedad, atacante experiente e que pode até fazer dupla com Kike Sola, num 4-4-2. Mendilíbar dificilmente conseguirá substituir Raul García à altura, mas ao menos reforça bem o meio-campo e a defesa, para que a temporada seja tão sólida quanto à última. O objetivo é a Liga Europa, certamente, que escapou por pouco na última temporada.

Rayo Vallecano (Victor Mendes)
Cidade: Vallecas, Madrid
Estádio: Teresa Rivero
Em 2011/2012: 15º colocado
O cara: Javi Fuego (volante, foto)
O treinador: Paco Jémez
A promessa: José Manuel Alcañiz (zagueiro)
Principal reforço: Adrián (volante, Racing Santander)
Principal perda: Michu (meia-atacante, Swansea)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Rubén; Tito, Amat, Gálvez, Casado; Javi Fuego, Adrián; Lass, José Carlos, Piti; Nicki Bille.

Paco Jémez estreia como treinador de um time de primeira divisão com a árdua tarefa de repetir o milagre que operou Sandoval na temporada passada, na qual o Rayo conseguiu a permanência na elite na última rodada graças a um gol de Tamudo no último piscar da bola. Agora, o buraco é mais embaixo: o elenco é inferior em relação ao que sofreu em 2011/2012 e várias peças-chaves saíram, como Diego Costa, Armenteros, Arribas, Movillas e Michu, principal jogador franjiroyo por dois anos. As continuidades de Javi Fuego e Lass, por outro lado, é a melhor notícia que Paco pôde receber no verão.

Em uma situação econômica delicada, o clube de Vallecas fez um mercado acessível. As contratações de Jordi Amat e Galvez darão segurança à zaga, enquanto Adrián e José Carlos oferecerão qualidades ao meio-campo. A referência é o problema. Sem Diego Costa e Michu, a diretoria fechou com Nickie Billie, que não é uma resposta à altura a perda da dupla. O elenco não é homogêneo, sem muitas opções, foi a pedra do sapato do Rayo na temporada passada e certamente irá voltar a incomodar. Paco, por exemplo, só conta com cinco jogadores à disposição para a defesa. 

Real Madrid (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Santiago Bernabéu
Em 2011/2012: campeão
O cara: Cristiano Ronaldo (meia-atacante, foto)
O treinador: José Mourinho
A promessa: Morata (atacante)
Principal reforço: -
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso; Di María, Özil, Cristiano Ronaldo; Benzema.

Com o título da última temporada, o Real Madrid tem novamente a pressão sobre os ombros. Dessa vez o desafio é manter-se como campeão. Para isso, Mourinho manteve a base do time e se desfez apenas dos jogadores que “ocupavam espaço” no elenco. Pedro Léon, Gago e Altintop deixaram o clube. Dos três, apenas Gago ainda poderia ter chances no elenco, pois, se Khedira se lesionar, Lass sofre com problemas físicos e pode não estar em forma para substituí-lo à altura. Com a provável chegada de Modric, Sahin deve perder mais espaço e também seguir caminho longe de Madrid, mais próximo de Londres (Arsenal) ou Liverpool. Morata, atacante da base, foi promovido ao time principal e é bom ficar de olho, pois o jovem fez boa temporada pelo Real Madrid Castilla (que irá disputar a Liga Adelante) e deseja se firmar no elenco principal.

Mourinho tem consciência de que o título da Liga dos Campeões lhe escapou pelos dedos e que para voltar a competição com chances de ser campeão é preciso ter um time forte. O Real Madrid, junto ao Barcelona, é o time mais forte a disputar a Champions, então basta manter a base da última temporada e reforçar as posições carentes.  E a única posição carente é a lateral direita, que Mourinho delega a Arbeloa, seu jogador de confiança para a posição. O lateral se valorizou com o treinador após a Eurocopa e continua firma na equipe titular. Seu substituto é caseiro: o gajo teria se interessado pela ideia de efetivar Lass à posição após boas partidas do francês em 2011/2012. Com o elenco atual, o Madrid tem condições para ser novamente campeão espanhol e europeu nesta temporada.

Real Sociedad (Pierre Andrade)
Cidade: San Sebastián, País Basco
Estádio: Anoeta
Em 2011/2012: 12º colocado
O cara: Xabi Prieto (meio-campista)
O treinador: Philippe Montanier
A promessa: Rubén Pardo (meio-campista)
Principal reforço: Carlos Vela (meia-atacante, Arsenal)
Principal perda: Mikel Aranburu (aposentado)
Objetivo: Vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Claudio Bravo; Carlos Martínez, Mikel González, Iñigo Pérez, José Ángel; Illarramendi, Zurutuza; Xabi Prieto, Carlos Vela, Griezmann; Agirretxe.

Com a base do time que encantou a Espanha no primeiro turno da La Liga, a Real Sociedad larga como uma das grandes apostas para temporada. Apresentando um futebol ofensivo e de qualidade no toque de bola, os comandados de Philippe Montanier esperam um ano mais estável, passando distante da zona de rebaixamento para a Liga Adelante. O ponto forte da equipe continuará sendo o meio de campo, liderado pelo experiente Xabi Prieto. Carlos Vela, contratado em definitivo junto ao Arsenal, e Agirretxe certamente levarão perigo às defesas adversárias. 

Outra aquisição importante do clube foi o lateral esquerdo José Angel, ex-Roma. Titular no time italiano, Ángel perdeu espaço com a saída de Luis Enrique e decidiu retornar ao seu país natal. Mesmo com essas contratações, se quiser almejar algo a mais do que o meio da tabela, os txuri-urdin terão que se preparar bem fisicamente para aguentar toda a temporada. Nos últimos anos, o time tem caído de rendimento na reta final, deixando escapar as chances de conquistar vagas nas competições européias.

Sevilla (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia.
Estádio: Ramón Sánchez Pizjuán
Em 2011/2012: 9º colocado
O cara: Álvaro Negredo (atacante, foto)
O treinador: Michel
A promessa: Geoffrey Kondogbia (meio-campista)
Principal reforço: Diego López (goleiro, Villarreal)
Principal saída: Romaric (volante, Zaragoza)
Objetivo: vaga em uma competição europeia
Time base (4-4-2): Diego López; Cicinho, Botía, Spahic, Fernando Navarro; Trochowski, Medel, Jesus Navas, Perotti; Reyes, Negredo.

A instabilidade defensiva custou caro ao Sevilla na última temporada, por isso Del Nido deixou claro que reforçar bem a defesa era prioridade. Trouxe para a atual temporada o ótimo goleiro Diego López, proveniente do Villarreal. Chegaram, ainda, o zagueiro Botía, ex-Sporting Gijón, e o volante Maduro, vindo do Valencia. Além de Cicinho, ex-lateral direito do Palmeiras, que vem sendo chamado pela torcida de “novo Dani Alves”. No entanto, reforçar apenas a defesa não basta para o Sevilla, visto que o time sofre com a falta de um armador. 

Apesar de Rakitic ter muita qualidade, a última temporada foi tenebrosa. Por isso é importante, para o Sevilla, contratar alguém como opção ao croata. Michel, durante os amistosos de pré-temporada, ensaiou uma mudança no esquema tático da equipe para um 4-3-3, explorando as investidas de Návas e Reyes pelas pontas. A falta de um meio-campo armador, no entanto, deve pesar durante a temporada, caso Rakitic não atue bem. A realidade é outra em Nervión: pela primeira vez em oito anos, o Sevilla não irá disputar uma competição europeia.

Valencia (Pierre Andrade)
Cidade: Valencia
Estádio: Mestalla
Em 2011/2012: 3º colocado
O cara: Roberto Soldado (atacante, foto)
O treinador: Mauricio Pellegrino
A promessa: Paco Alcácer (atacante)
Principal reforço: Andrés Guardado (meio-campista, Deportivo)
Principal perda: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Barcelona)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Guaita; João Pereira, Rami, Ricardo Costa, Mathieu; Gago, Banega; Feghouli, Jonas, Guardado; Soldado.

Campeão da “outra liga” de forma consecutiva desde a temporada 2009/10, o Valencia começa esta edição do campeonato tendo sofrido algumas mudanças em seu elenco. A principal delas é à saída de Unai Emery, técnico que ajudou o clube a consolidar-se no terceiro posto da tabela. Para o seu lugar, chega Mauricio Pellegrino. Ex-jogador do clube, El Flaco conta com a experiência de ter sido o auxiliar de Rafa Benítez no Liverpool e Internazionale de Milão, mas nunca dirigiu um time profissional.

Outra ausência que certamente será sentida é a de Jordi Alba. O lateral, revelação da Euro 2012, acertou sua ida para o Barcelona e deixou carente o lado esquerdo da defesa ché. Pro seu lugar, o clube chegou a acertar a contratação de Dídac Vilà, mas uma contusão grave no púbis fez o time desistir da transação. Dos que assinaram com o Valencia, ganham destaque o meia Guardado, ex-Deportivo, e o volante Fernando Gago, ex-Roma e Real Madrid. Além deles, Jonathan Vieira, que veio do Cádiz, e Paco Alcácer, prata da casa, demonstraram na pré-temporada uma ótima qualidade técnica e devem atuar durante o certame.

Valladolid (Victor Mendes)
Cidade: Valladolid, Castilla e Leão
Estádio: José Zorilla
Em 2011/2012: campeão dos play-offs da Liga Adelante
O cara: Javi Guerra (atacante, foto)
O treinador: Miroslav Djukic
A promessa: Javi Navas (meia-atacante)
Principal reforço: Rukavina (lateral-direito, 1860 Munich)
Principal perda: Nauzet (Las Palmas)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Jaime; Rukavina, Marc Valiente, Rueda, Balenziaga; Álvaro Rubio, Víctor Pérez; Ebert, Óscar, Omar; Javi Guerra.

O vencedor dos play-offs de acesso da Liga Adelante foi a equipe que mais encantou durante a competição. O Valladolid conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a melhor da Liga Adelante ao lado do Celta Vigo). Djukic já prometeu não mudar a filosofia que tanto deu certo na segundona no retorno à elite. O plantel renovado ajudará muito na briga contra o rebaixamento. As contratações são interessantes. Rukavina e Ebert, provenientes dos alemães Munich 1860 e Hertha Berlim, chegam para oferecerem qualidade às laterais. Apesar de atuar na lateral-direita, Rukavina tem sido testado na zaga nos amistosos de pré-temporada. Ebert, por outro lado, pode atuar também mais à frente, na linha de três. É provável que ele seja titular na extrema direita.

Se o Valladolid fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Óscar armando as jogadas e Lolo impondo velocidade pela esquerda pode dar samba. Na frente, Javi Guerra é garantia de gol. O calendário prevê dificuldades nos cinco primeiros jogos: Zaragoza (fora), Levante (casa), Athletic Bilbao (f), Bétis (c) e Atlético de Madrid (f). Se, de fato, Djukic honrar as palavras, o Valladolid promete agradar os telespectadores nesta nova temporada.

Zaragoza (Pierre Andrade)
Cidade: Zaragoza, Aragão
Estádio: La Romareda
Em 2011/2012: 16º colocado
O cara: Roberto (goleiro, foto)
O treinador: Manolo Jimenez
A promessa: Jorge Ortí (atacante)
Principal reforço: Romaric (volante, Espanyol)
Principal perda: Lafita (atacante, Getafe)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-4-2): Roberto; Lanzaro, Loovens, Álvaro, Abraham; Apoño, Romaric, Edu Oriol, Montañes; Aranda, Helder Postiga.

Temporada nova, vida nova. Este será o lema do Zaragoza nesta edição do Campeonato Espanhol. Manolo Jimenez continuará no comando da equipe e não tinha como ser diferente. Quando assumiu o posto de treinador, substituindo Javier Aguirre, o Zaragoza se encontrava na última colocação da Liga. Jimenez conseguiu uma sequência de bons resultados, entre elas uma vitória contra o Athletic Bilbao por 2x0, e salvou a equipe do rebaixamento na última rodada.

Para esta temporada, a equipe tende a crescer tecnicamente com as contratações do zagueiro Álvaro Gonzalez, ex- Racing Santander, e do volante Romaric, que veio do Espanyol, mas que pertencia ao Sevilla. Outro que deve se destacar é o arqueiro Roberto, que conseguiu deixar de lado as más atuações e se firmou no gol maño, relegando ao banco o experiente Leo Franco. Aliado a isso, o clube ganhou 8 anos para quitar a dívida de €82 milhões e atualmente se encontra em uma situação financeira estável, o que deve garantir um ambiente mais leve para trabalhar.

Palpites para temporada
Victor Mendes
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid
Liga Europa: Sevilla, Athletic Bilbao e Osasuna
Rebaixados: Rayo Vallecano, Granada e Celta Vigo
Copa do Rei: Real Madrid

Pierre Andrade
Campeão: Real Madrid
Uefa Champions League: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Valencia
Liga Europa: Real Sociedad, Sevillae Athletic Bilbao
Rebaixados: Valladolid, Rayo Vallecano, Bétis
Copa do Rei: Real Madrid

Edgley Lemos 
Campeão: Barcelona
Uefa Champions League: Barcelona, Real Madrid, Sevilla e Atlético de Madrid
Liga Europa: Valencia, Getafe e Athletic Bilbao
Rebaixados: Mallorca, Rayo Vallecano e Granada
Copa do Rei: Real Madrid

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Guia: Liga BBVA (parte 1)


 Pela primeira vez em quatro anos, o Real Madrid inicia a Liga Espanhola defendendo o título. Irá conseguir a manuntenção da taça ou sucumbirá ao Barcelona de Tito Vilanova? (reuters)

Neste sábado, dia 18, está previsto o pontapé inicial da Liga BBVA 2012/2013, com o duelo entre Málaga e Celta Vigo. Após a ameaça de boicote de 13 clubes em relação aos direitos televisivos do torneio e à realização de oito partidas das três primeiras rodadas às 23 horas, a federação e as sociedades entraram em acordo para a disputa da rodada. Em campo, nada irá mudar: mais uma vez, Barcelona e Real Madrid irão polarizar o campeonato à parte entre as duas equipes. E, desta vez, de maneira diferente em comparação aos outros anos: quem irá defender o título é a equipe merengue.

A terceira força espanhola continua a cargo do Valencia. Os chés se reforçaram bastante e têm a missão de diminuir a alta vantagem em relação ao segundo colocado. Um pouco atrás aparece o Atlético de Madrid, que pretende incomodar o pelotão de cima e brigar pau-a-pau com o clube valenciano pela terceira colocação. Um Athletic Bilbao prestes a perder Javi Martínez e Llorente pode sofrer, mas ainda sim pretende disputar uma vaga na Champions League, ainda que como azarão. No pelotão intermediário, Deportivo, Osasuna, Celta Vigo, Real Sociedad e Espanyol prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios. E ainda tem o Sevilla, que possui bons jogadores no elenco, mas carece de fantasia. Os andaluzes têm time para brigar pela principal competição europeia de clubes?

Faltando pouco mais de duas semanas para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Real Madrid pode garantir, depois de tantas especulações, o croata Luka Modric. O Barcelona, por sua vez, está a um passo de oficializar a contratação de Alex Song. O Valencia pode completar seu elenco com Monreal e mais um meio-campista, enquanto o Athletic Bilbao tentará investir o dinheiro das prováveis venda de Javi Martínez e Llorente em Antoine Griezmann e Beñat Etxebarria, dois ótimos meio-campistas.

Assim como no ano passado, repetiremos a parceria de enorme sucesso com o Futebol Espanhol de Pierre Andrade. Edgley Lemos, colaborador do site, também embarca nesses dois posts especiais de apresentação das 20 equipes da primeira divisão espanhola. E se você é muito fanático pelo futebol da terra das touradas, não deixe de ler nosso preview da Liga Adelante, clicando aqui. Boa leitura!

Athletic Bilbao (Victor Mendes)
Cidade: Bilbao, País Basco
Estádio: Catedral de San Mamés
Em 2011/2012: 10º colocado
O cara: Iker Muniain (meio-campista, foto)
O treinador: Marcelo Bielsa
A promessa: Ruiz de Galarreta (meio-campista)
Principal reforço: Aritz Aduriz (atacante, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Iraizoz; Iraola, Amorebieta, Javi Martínez (Ekiza, San José, Gurpegi), Aurtenetxe; Iturraspe, Ander Herrera; Susaeta, De Marcos, Muniain; Llorente (Aduriz)

Após uma temporada gratificante em 2011/2012, o Athletic Bilbao promete mais. Passada a novela com Marcelo Bielsa, que decidiu renovar por mais um ano, os Leones estão prestes, no entanto, a perder dois de seus principais jogadores: Javi Martínez e Llorente (por isso, o destaque do time ficou nas mãos de Muniain). O zagueiro-volante está bem perto do Bayern de Munich, enquanto o centroavante está de partida para a Juventus. Fato é que o Athletic ainda possui uma boa equipe titular e pode chegar com mais força. O problema é até onde a questão física dos jogadores pode atrapalhar na reta final.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura. O Bilbao precisa de peças de reposição para possíveis lesões e alternativa a Llorente. Aduriz foi repatriado e se identifica com o clube a torcida. O bom Beñat, do Bétis, foi especulado e seria uma excelente aquisição para o já brilhante meio-campo, mas nada saiu do papel, assim com Griezmann. O certo é que o Bilbao precisar ir além de uma boa temporada em copas. Melhorar o aproveitamento sobretudo em San Mamés é o primeiro passo. Devido ao fato de ter dado mais importância à Liga Europa, os rojiblancos desperdiçaram pontos bobos atuando em seus domínios.

Atlético de Madrid (Pierre Andrade)
Cidade: Madrid
Estádio: Vicente Calderón
Em 2011/2012: 5º colocado
O cara: Falcão Garcia (atacante, foto)
O treinador: Diego Simeone
A promessa: Olíver Torres (meio-campista)
Principal reforço: Emre (meio-campista, Fenerbahçe)
Principal perda: Diego (meio-campista, Wolfsburg)
Objetivo: Vaga na Champions League
Time base (4-2-3-1): Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luís; Gabi, Mario Suárez; Adrián, Arda Turan, Emre; Falcão Garcia

Nos últimos tempos, o Atlético de Madrid se caracterizou por encher de esperanças a torcida no começo da temporada e decepcioná-la ao término. Todavia, neste ano as coisas tendem a ser diferentes. Com a manutenção da equipe que conquistou o bicampeonato da Europa League, o Atlético entra forte para disputar com o Valencia o terceiro posto da Liga. Porém, com uma importante baixa. Sem participar da Champions League por dois anos consecutivos, os rojiblancos não conseguiram manter Diego, que fez uma temporada impecável pela equipe da Manzanares. O brasileiro era o cérebro do time, posto que deve ser ocupado por Arda Turan, atuando mais centralizando em campo.

No comando da equipe está Simeone, que conta com total apoio da torcida e da direção do clube. Não é para menos. Desde a sua chegada, o Atlético ganhou consistência tática e solidificou sua defesa. Outro que continuará é Falcão Garcia. Com um tremendo faro goleador, El tigre despertou o interesse dos maiores clubes da Europa, mas preferiu continuar. O jovem Olíver Torres atuou bem na pré-temporada e deve entrar gradativamente no time.

Barcelona (Victor Mendes)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Camp Nou
Em 2011/2012: 2º colocado
O cara: Lionel Messi (atacante, foto)
O treinador: Tito Vilanova
A promessa: Sergi Roberto (meio-campista)
Principal reforço: Jordi Alba (lateral-esquerdo, Valencia)
Principal perda: -
Objetivo: título
Time base (4-3-3): Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, David Villa (Fàbregas).

Melhor time do mundo? Durante os últimos quatro anos, ninguém ousou em definir o Barcelona dessa forma. No entanto, bastou uma temporada sem os principais títulos para colocarem em xeque o futuro da era vitoriosa de Messi, Xavi e Iniesta na Catalunha. Sem Josep Guardiola, o novo treinador Tito Vilanova tem a dura missão de recolocar os azulgrenás no topo. Elenco para isso, ele tem. Da equipe titular, Vilanova não perdeu ninguém e ainda fechou a contratação de Alba, melhor lateral esquerdo da competição passada e da Eurocopa. A zaga, por outro lado, não teve uma atenção tão forte no mercado. Principal ponto fraco da equipe, os blaugranas sondaram Javi Martínez e Thiago Silva, mas o alto valor pedido pelas suas respectivas equipes fez com que o clube desistisse. 

A profundidade do elenco sempre foi um tema debatido durante a Era Guardiola. Na temporada passada, o treinador encheu a equipe de improvisações devido ao fato de não contar com muitas peças de reposição ou, quando as teves, perdê-las por lesão. Os retornos de Villa e Afellay mais a iminente chegada de Song dará mais qualidade e quantidade ao plantel. Ainda há quem especule Agger. Vilanova tem o carinho dos senadores barcelonistas e está no caminho certo para ter sucesso no Camp Nou. Para isso, precisa rezar, principalmente, para que as lesões não afete o desempenho de seu comandados.
Bétis (Edgley Lemos)
Cidade: Sevilla, Andaluzia
Estádio: Benito Villamarín
Em 2011/2012: 13º colocado
O cara: Beñat Etxeberria (meio-campista, foto)
O treinador: Pepe Mel
A promessa: Alejandro Pozuelo (meio-campo)
Principal reforço: Paulão (zagueiro, Saint-Étienne)
Principal perda: Iriney (meio-campo, Granada)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Casto; Nelson, Paulão, Dorado, Nacho; Beñat, Rubén Perez; Agra, Campbell, Juan Carlos; Rubén Castro.

Na última temporada, o Bétis conseguiu se manter no meio da tabela ficando numa posição bem tranquila. Para esta temporada, a expectativa mais otimista deve ser novamente o mesmo lugar. A debandada de alguns jogadores como Ustaritz, que retornou ao Bilbao após o fim do empréstimo à equipe andaluz, e Iriney, meio-campista brasileiro que se transferiu para o Granada, deixa o Bétis de mãos atadas. O dinheiro está mais curto que na última temporada; portanto, as contratações terão de ser pontuais, já que a temporada está batendo à porta.

A defesa é, sem dúvidas, o setor mais necessitado de reforços. A falta de, pelo menos, dois bons zagueiros e um lateral direito não podem deixar de ser sentida. No meio-campo, falta um jogador de criação para substituir Iriney e ser alternativa ao Beñat. Alejandro Pozuelo, cria do Bétis, é uma aposta interessante, mas ainda é jovem. Resta aos “aficionados” torcerem para que a diretoria consiga suprir as necessidades do time para que o início de temporada não seja desastroso, resultando em novo rebaixamento.


Celta Vigo (Pierre Andrade)
Cidade: Vigo, Galícia
Estádio: Balaídos
Em 2011/2012: 2º colocado na Liga Adelante
O cara: Iago Aspas (atacante)
O treinador: Paco Herrera
A promessa: Jonny Castro (lateral-direito)
Principal reforço: Javi Varas (goleiro, Sevilla)
Principal perda: Orellana (meio-campista, Granada)
Objetivo: Meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Javi Varas; Hugo Mallo, Tuñez, Gustavo Cabral, Roberto Lago; Bustos, Obiña; Augusto Fernández, Bermejo, Alex López; Iago Aspas

Apesar de ficar cinco anos longe da elite, o Celta é um dos times mais tradicionais da Espanha, tendo disputado a principal divisão do país em 46 oportunidades. Sendo assim, a direção do clube colocou como meta terminar na parte de cima da tabela, e, se possível, beliscar uma vaga nas competições europeias. Para isso, está se reforçando. Trouxe o goleiro Javi Varas, melhor do primeiro semestre em 2011, por empréstimo junto ao Sevilla, e assinou por quatro anos com o meia Augusto Fernández, que atuava no Velez Sasfield, da Argentina. 

Se mantiver em seu elenco os cobiçados Hugo Mallo e Iago Aspas, o Celta terá uma bom time para disputar La Liga. Mas o principal reforço do clube vem das arquibancadas do Balaídos. Contentes com a ascensão de divisão, os célticos esgotaram os 22.800 carnês disponibilizados para a venda, garantindo, assim, casa cheia em cada partida do time em Vigo.

Deportivo La Coruña (Victor Mendes)
Cidade: La Coruña, Galícia
Estádio: El Riazor
Em 2011/2012: campeão da Liga Adelante
O cara: Valerón (meio-campista)
O treinador: José Luis Oltra
A promessa: Juan Domínguez (meio-campista)
Principal reforço: Nelson Oliveira (atacante, Benfica)
Principal perda: Guardado (meio-campista, Valencia)
Objetivo: meio da tabela ou vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Aranzubia; Laure; Zé Castro, Aythami, Evaldo; Juan Domínguez, Valerón; Pizzi, Abel Aguillar, Camuñas (Nelson Oliveira); Nelson Oliveira (Pizzi).

A atual fase de Vasco e Corinthians é tão boa que tem quem atribua o rebaixamento das duas equipes a isso. Eles se repaginaram por completo, passaram por uma série drásticas de mudanças e hoje estão disputando títulos. Obviamente, o Deportivo não irá chegar a um nível assim, mas podemos dizer que o rebaixamento não foi "mau" negócio. Os galegos venceram a Liga Adelante com um pé nas costas, tendo uma queda considerável apenas num período entre fevereiro e março, e voltam à elite prometendo uma boa temporada.

O entusiasmo da fanática torcida é grande porque a diretoria age para tal. As contratações de Roderick, Evaldo, Abel Aguillar, André Santos, Salomão, Pizzi e Nelson Oliveira asseguram uma equipe competitiva, que pode até terminar abocanhando uma vaga na Liga Europa, ainda que o objetivo real do treinador José Luis Oltra seja o meio da tabela e a permanência. Hoje, o clube alcançou uma marca de mais de 25 mil sócios, algo que não acontecia desde o Superdepor do final do século passado, que ganhou a Liga Espanhola. A depender do estado físico de Valerón, ele será novamente o cérebro do Deportivo, que promete uma temporada promissora.

Espanyol (Pierre Andrade)
Cidade: Barcelona, Catalunha
Estádio: Cornellà El-Prat
Em 2011/2012: 14º colocado
O cara: Verdú (meio-campista, foto)
O treinador: Maurício Pochettino
A promessa: Cristian Gómez (meio-campista)
Principal reforço: Colotto (zagueiro, Deportivo)
Principal perda: Philippe Coutinho (meia-atacante, Internazionale)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-2-3-1): Cristian Alvaréz; Raúl Rodriguez, Colotto, Héctor Moreno, Capdevila; Raúl Baena, Javi López; Sergio García, Verdú, Sergio Tejera; Álvaro Vázquez.

A crise financeira que assola o mundo inteiro também afeta o futebol, especialmente na Espanha. Uns dos clubes que mais sofrem com a escassez de dinheiro é o Espanyol. Por isso, as contratações chegam de pouco em pouco. O pior é que a equipe tem um plantel enxuto, ainda mais após a saída de dez atletas, entre eles o brasileiro Philippe Coutinho e o eslovaco Vladimir Weiss. A alternativa será, por mais uma temporada, recorrer a jovens promessas das divisões de base. Algo que já é do costume de Mauricio Pochenttino, que está no clube há 18 anos e é conhecido por revelar bons jogadores, especialmente no setor defensivo.

Além da falta de atletas, os periquitos sofrem com as constantes lesões. Raúl Baena, Colloto e Sergio García desfalcarão o time no começo da temporada, algo que certamente será sentido. Para não passar por apuros neste ano, mais uma vez o time fará de Cornellà El-Prat uma fortaleza, e com o apoio da sua torcida, espera conquistar pontos importantes em sua casa.

Getafe (Edgley Lemos)
Cidade: Madrid
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez
Em 2011/2012: 11º colocado
O cara: Miku Fedor (atacante, foto)
O treinador: Luis García
A promessa: Pablo Sarabia (meio-campista)
Principal reforço: Xavi Torres (meio-campista, Levante)
Principal perda: Cata Díaz (zagueiro, Atlético de Madrid)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-2-3-1): Moyá; Valera Alexis, Abraham, Miguel Torres; Xavi Torres, Míchel; Pedro León, Diego Castro, Lafita; Miku Fedor.·

Após uma temporada 2011/2012 conturbada, a última foi consideravelmente mais tranquila. O Getafe conseguiu fazer uma temporada sólida e se manteve no meio da tabela. Agora, os planos do presidente Angél Torres são de levar o time a uma competição continental, mais precisamente a Liga Europa. Para isso, o time do subúrbio de Madrid precisava manter a base do bom time da última temporada. E foi o que fez. Conseguiu manter seus principais jogadores, renovou os empréstimos de Moyá (Valencia), Alexis (Sevilla) e Pedro León (Real Madrid) e fez contratações pontuais, como o bom meia Xavi Torres, junto ao Levante, e tenta se mover rapidamente para repor a perda de Cata Díaz ao Atlético de Madrid.

O meio-campista Barrada, destaque da última temporada, tem atraído olhares de alguns clubes. Angél Torres, no entanto, já bateu o pé e disse que só vende o marroquino se for pago o valor de sua multa rescisória (24 milhões de euros). Caso consiga manter Barrada, Luis García terá ótimo material humano em mãos e pode até levar os azulones à Liga Europa.


Granada (Edgley Lemos)
Cidade: Granada, Andaluzia.
Estádio: Nuevo Los Cármenes.
Em 2011/2012: 17º colocado
O cara: Dani Benítez (atacante, foto)
O treinador: Anquela
A promessa: Gabriel Torje (meio-campista)
Principal reforço: Floro Flores (atacante, Udinese)
Principal perda: Carlos Martins (meio-campista, Benfica)
Objetivo: luta contra o rebaixamento
Time base (4-2-3-1): Roberto; Nyom, Iñigo López, Borja Gomez, Guilherme Siqueira; Mikel Rico, Iriney; Dani Benítez, El-Arabi, Orellana; Floro-Flores.

Após uma campanha de fortes emoções e indefinição, o Granada conseguiu se manter na primeira divisão. Contudo, o antigo treinador, Fabriciano González, não faz mais parte da equipe, dando lugar a Juan Antonio Albacete Anquela. Anquela tem à disposição um time limitado, mas que pode conseguir se manter na elite com a ajuda do ala esquerdo Guilherme Siqueira, que fez boa temporada pela equipe andaluz e continua para a 2012/2013, apesar dos rumores de que se transferiria para o Valencia. Além dele, o novo treinador também conta com o atacante experiente Floro Flores, emprestado pela Udinese, e com o jovem meia romeno Gabriel Torje para evitar o descenso.

No entanto, Anquela não poderá contar com o goleador Dani Benítez, que está suspenso até novembro. Benítez é elemento chave na equipe do Granada. Homem-gol e ídolo da torcida, está, contudo, suspenso pela Federação Espanhola por ter atirado uma garrafa em Clos Gómez, um dos árbitros da partida entre Granada e Real Madrid na penúltima rodada de 2011/2012. Anquela e a torcida do Granada certamente esperam que a garrafada no árbitro não custe caro demais durante a temporada.

Levante (Victor Mendes)
Cidade: Valencia
Estádio: Ciutat de Valencia
Em 2011/2012: 6º colocado
O cara: José Javier Barkero (meio-campista, foto)
O treinador: Juan Ignácio Martínez
A promessa: José Higón (meio-campista)
Principal reforço: Christian Lell (zagueiro,  Hertha Berlin)
Principal perda: Aruna Koné (atacante, Wigan)
Objetivo: permanência na elite
Time base (4-2-3-1): Munúa; Lell, Ballesteros, David Navarro, Juanfran; Iborra, Papa Diop; Pedro Rios, Juanlu, Barkero; Gekas.

EuroLevante. Pela primeira vez em 103 anos de história, a equipe azulgrená do leste de Valencia irá disputar uma competição europeia. Sensação do futebol espanhol em 2011/2012 (e, quem sabe, de todo futebol europeu), os granotas conseguiram uma vaga na Liga Europa após ter ficado as 38 rodadas do campeonato entre as oito primeiras posições. Apesar dessa magnífica campanha, o conjunto de Orriols é consciente de suas limitações e da dificuldade em alcançar novamente os postos europeus pelo segundo ano consecutivo. Assim como na temporada passada, o objetivo inicial do Levante é a permanência na elite. O presidente Quico Catalán tratou de dar continuidade ao projeto esportivos que trouxe bastante alegria aos torcedores.

Juan Ignácio Martínez, treinador que se adaptou bem aos vestiários após a ida de Luis García ao Getafe, renovou por mais um ano. A perda irreparável de Koné, autor de 17 gols na temporada passada, foi reposta rápida com a contratação do veterano atacante grego Gekas. A situação não é nova. Há duas temporadas, o Levante perdeu Javi Guerra e encontrou em Caicedo um substituto perfeito. O equatoriano foi o principal jogador azulgrená e acabou vendido ao Lokomotiv Moscou para fazer caixa. Se Gekas der prosseguimento ao faro de gol de Koné, a equipe estará bem sucedida. Assim, o Levante irá tentar fazer um bom papel na Liga Europa e se consolidar como equipe de primeira divisão pelo terceiro ano consecutivo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobrando na turma

 "Melhor equipe humana" do futebol espanhol, Valencia deve manter o terceiro lugar na atual temporada (getty images)

A cada vez mais polarizada disputa por título entre Barcelona e Real Madrid tem tirado muito glamour da Liga Espanhola, batizada de Liga das Estrelas anos atrás. É evidente que, em questão de qualidade, La Liga hoje está atrás da Premier League e Bundesliga entre os principais campeonatos da Europa. A disparidade da dupla para os restantes das equipes é notório. Na temporada passada, por exemplo, a diferença entre o campeão Real Madrid e o terceiro colocado Valencia terminou em exagerados 39 pontos. Em relação ao Barcelona, vice-colocado, os chés ficaram 30 pontos atrás. E é exatamente essa disputa paralela pela terceira colocação que tem colocado uma emoção a mais na Liga. Há duas temporadas, o Marca apelidou de "campeão humano" quem terminava naquela colocação.

E quem vem mantendo esse status por duas temporadas consecutivas é justamente o Valencia. Em 2010/2011, não teve muito trabalho para desbancar o Villarreal, enquanto teve que suar mais um pouco para jogar o Málaga à quarta colocação em 2011/2012. Os chés possuem uma equipe coesa, segura e consistente o bastante para disputarem um campeonato de 38 rodadas em busca de seu objetivo: conquistar uma vaga na Champions League. Se a equipe viveu um período de ostracismo principalmente entre 2007 e 2009, hoje não tem mais com o que se preocupar: é muito superior aos demais times, o que deve ser ratificado nesta nova temporada que está prestes a começar. Em um período de forte crise na Espanha, a lógica é que os clubes não se reforcem com tanta intensidade em relação aos outros anos.

Entre os que vão disputar as duas vagas na próxima Champions League, apenas Valencia e Atlético de Madrid deram prosseguimento à certeza. O Sevilla ainda é uma incógnita e o Athletic Bilbao pode estar a um passo de perder duas peças-chaves de seu elenco: Javi Martínez e Llorente. Hoje, fontes do Bild e do Transfermarket confirmaram a proposta de 40 milhões de euros feita pelo Bayern de Munich para tirar o zagueiro-volante de Lezama, justamente o preço estabelecido pela diretoria. O Rei Leão, por sua vez, comunicou a Josu Urrutia, presidente do clube, que não irá renovar seu vínculo que termina em janeiro de 2013. Para não sair de graça, deve ser negociado com a Juventus, que, através de seu diretor-geral, Beppe Marota, confirmou o início das negociações.

O Valencia é justamente o mais forte porque soube utilizar bem o dinheiro da venda de Jordi Alba ao Barcelona. Os blanquinegros trouxeram Guardado, Gago, João Pereira e Haedo Valdez. O presidente Manuel Llorente ainda prometeu mais uma contratação para o meio-campo, que deve ser Ali Cissokho, para substituir Pablo Hernández, de provável saída ao Swansea. Com um elenco leve, o Valencia precisava dessa profundidade para se prevenir. O problema mais esdrúxulo da temporada passada foi resolvido. A contratação de João Pereira, ex-Sporting Lisboa, já será o bastante para o irregular Barragán não ser titular absoluto na lateral direita e evitar o deslocamento de Ricardo Costa ao setor. O zagueiro português pode formar uma boa dupla de zaga com o bom Adil Rami, de temporada positiva em 2011/2012. Para a lateral esquerda, Nacho Monreal está muito próximo de chegar. O propósito de Pellegrino é aproveitar bem a polivalência de Mathieu, que atua tanto na lateral esquerda, quanto na extrema esquerda na linha de três.

A chegada de Guardado tem duas importâncias: o acréscimo de mais técnica ao meio-campo e o retorno de Jonas ao ataque. O brasileiro, muito utilizado por Unai Emery centralizado atrás de Soldado, pode não ser tão subutilizado porque hoje não tem a concorrência de Aduriz no ataque. A saída do basco ao Athletic Bilbao abre espaço para o paulista de Bebedouro atuar na posição mais próxima ao gol, onde brilhou no Grêmio. Isso sem contar com Haedo Valdez, que chega prometendo uma disputa saudável com Jonas e Soldado, e Paco Alcácer, promissor atacante das canteras valencianista que se destacou na pré-temporada e teve seu nome cobrado pela torcida para ganhar mais chances ao longo do ano. O jovem é taxado como novo Villa nas divisões de base. Juan Bernat foi outro canterano que se destacou nos jogos amistosos e deve ter uma utilização mais constante no Mestalla. Aliás, o garoto foi titular na estreia do Valencia na Liga passada.

O esquema tático é que anda balançando a cabeça do treinador. Ainda que tenha adotado um discurso de que pretende impor uma nova "filosofia" no clube, a verdade é que com tanto nomes à disposição, sobretudo do meio para frente, o módulo não fuja do 4-2-3-1. Na pré-temporada, ele não ousou em mudá-lo, mas variou durante boas partidas para o 4-3-2-1 que prometeu encaixar. A proposta é um futebol mais pegado no meio-campo, onde Gago seria essencial. A escalação com essa trinca de volantes deve aparecer em confrontos que pedem mais cautela, como contra o Real Madrid (na estreia domingo), Barcelona e até mesmo os rivais pela LC em seus domínios. Fazer bonito em âmbito continental também é uma obrigação. Após cair nas oitavas-de-finais e na fase de grupos nas últimas duas temporadas, o Valencia precisa saber que tem equipe para, a depender de um sorteio acessível, avançar às quartas. Potencialmente, os chés possuem o terceiro melhor conjunto de La Liga.