sábado, 12 de fevereiro de 2011

Jogadores Históricos: Quini

Quini despejou um caminhão de gols nas defesas espanholas (gentblaugrana.com)

Nos dias de hoje, o Barcelona tem em seu tridente ofensivo um asturiano goleador, destaque principal da seleção campeã na última Copa do Mundo, capaz de fazer gols como o de hoje, encobrindo o goleiro de seu ex-clube, o Sporting Gijón. Na Fórmula 1, o príncipe das Astúrias consegue suprir a falta do melhor carro com uma grande dose de talento natural. Mas a história futebolística mostra que um outro asturiano teve grande importância no esporte espanhol: Enrique Castro González, ou simplesmente Quini, El Brujo.

Goleador nato, Quini faturou, ao longo de seus 20 anos de carreira, sete vezes o prêmio Pichichi de máximo goleador - cinco vezes em La Liga - feito que o faz o maior vencedor do prêmio, apesar de Telmo Zarra, segundo na lista com seis conquistas, ter levado todos seus troféus na primeira divisão.

O jovem Quini estreou profissionalmente pelo pequeno Ensidesa, time absorvido pelo Real Avilés em 1983, que disputava a terceira divisão espanhola na temporada 1967/68. Mas atuando como ponteiro direito, não rendia o esperado, já que chegara ao time de cima com respaldo de ser artilheiro nas divisões de base.

Com a chegada de um novo treinador - José Luis Molinuevo - ao Ensidesa, El Brujo passou a alinhar como centroavante e descambou a marcar gols. Só contra a equipe B do Sporting Gijón foram quatro em um mesmo jogo, desempenho que chamou atenção do próprio Sporting e do Real Oviedo.

Acertou com o Gijón em novembro de 1968, fazendo seu primeiro gol na segunda partida na segunda divisão, de cabeça contra o Rancing de Ferrol. Seu primeiro Pichichi veio na temporada seguinte: 24 gols que acompanharam o acesso à La Liga e a convocação para a seleção espanhola de base - com quem venceu o Campeonato Europeu após marcar quatro gols na final contra a Itália.


Quini, no Sporting, ao lado da lenda Johan Cruyff (lacomunidad.as.com)

Pelo Sporting, Quini venceu o troféu de maior goleador de La Liga mais duas vezes na primeira divisão: 1973/74 e 1975/76 - esta última com 20 gols em uma campanha que levou o time de Gijón ao descenso. Seu absurdo faro de gol levou o Barcelona a pensar na contratação de Quini para fazer dupla com o holandês Johan Cruyff. Mas as 40 milhões de pesetas não seduziram a direção do Sporting Gijón.

A transação fora ocorrer só quatro temporadas depois, quando o Barça depositou 82 milhões de pesetas na conta dos Asturianos. Mas logo na primeira temporada, apesar da artilharia da Liga e da Copa do Rei, foi o extracampo que marcou a temporada de El Brujo. Após dois gols na goleada de 6-0 contra o Hércules, em primeiro de março de 1981, o camisa 14 blaugrana fora sequestrado por duas pessoas, mantido em cativeiro por 25 dias - período onde o Barcelona jogou três vezes, perdendo duas e empatando um jogo - e libertado após a polícia prender os sequestradores depois deles terem mexido no dinheiro do resgate - 100 milhões de pesetas depositadas em um banco suíço.

Quini iria aposentar-se após o final da temporada 1983-84. Inclusive realizou um jogo de despedida que teve as presenças de Mario Kempes, Johan Cruyff, Charles Rexach e Jose Antonio Camacho, entre outros ilustres à época. Mas com 35 anos e um convite para voltar pra casa, El Brujo voltou a atuar. E por mais três anos defendeu seu Sporting, encerrando a carreira de vez após um jogo diante, é claro, do outro time de sua vida: o Barça.

Se pela seleção o centroavante não fez muito sucesso - 35 jogos e oito gols, tendo jogado duas Eurocopas e duas Copas do Mundo, uma delas em casa, onde a Fúria fez somente figuração -, nos clubes onde atuou, "Quinigol" fez que se espera de um #9 clássico: gols, muitos gols. Mesmo que a camisa tenha sido #14, o asturiano é ícone da centroavância, presença constante em listas dos melhores da sua época.

Quini
Nome completo: Enrique González Castro
Data de nascimento: 23 de setembro de 1949
Local de nascimento: Oviedo, Astúrias, Espanha
Clubes que defendeu: Ensidesa, Barcelona, Sporting Gijón
Títulos: 3 Copa del Rey, 1 Copa da Liga, 1 Supercopa da Espanha, 1 Recopa Europeia

2 comentários:

  1. caramba, já ouvi falar muito desse cara, mas nunca da história do sequestro.... que coisa...

    abraço!

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  2. Ouvi falar do seqüestro, mas não tão detalhado. Parabéns, Bruno.

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