sexta-feira, 6 de abril de 2012

Onde tudo começou

Iniesta e o gol que marcou um novo rumo na Era Guardiola. O divisor d'águas na história da geração vencedora do Barcelona (telegraph)

O Barcelona já sabe quem será seu rival na semifinal da Liga dos Campeões da Uefa. Após eliminar Bayer Leverkusen e Milan, vem aí o Chelsea, rival do polêmico confronto de três temporadas atrás. Após eliminar o Benfica, os blues chegam com sede de vingança ao confronto contra os azulgrenás. As duas equipes protagonizaram verdadeiras batalhas entre 2005 e 2009, quando José Mourinho (sempre ele) colocava fogo antes das partidas. Com o treinador português, os londrinos venceram duas vezes, empataram duas e perderam duas. Em 2004/2005, avançou de fase após um gol de Terry nos minutos finais. Na temporada posterior, o Barcelona deu o troco com as mesmas moedas, em partidas que mostraram o talento do ainda promissor Messi ao mundo.

Stamford Bridge, palco da partida de ida, é, de alguma maneira, o lugar onde tudo começou para o Barcelona de Josep Guardiola. A partida, o estádio, o momento no qual o barcelonismo foi à euforia e começou a sonhar que tudo era possível. A data 6 de maio de 2009 certamente nunca será esquecida dos corações de cada torcedor culé. Quatro dias depois de praticamente sentenciar a Liga Espanhola ao golear o Real Madrid no Bernabéu por 6x2, o Barcelona escreveu mais um capítulo de sua história vencedora. Um capítulo maior ainda. Na partida de ida no Camp Nou, os blaugranas não foram capazes de furarem a muralha construída por Guus Hiddink e ficaram apenas no 0x0, que trazia olhares de desconfiança de alguns torcedores pelo fato de o cenário ser semelhante ao da eliminação na Champions anterior para o Manchester United de Cristiano Ronaldo.

Assim como a história da atual geração da seleção espanhola está ligada ao triunfo nos pênaltis contra a Itália na Eurocopa de 2008, a do Barcelona está ligado a esses confrontos contra o Chelsea. Foi o divisor d'águas para o esquadrão de Guardiola, que, três anos depois, é taxado por muitos como a melhor equipe da história. No jogo da volta, o Chelsea resolveu jogar para frente. Pressionou o Barcelona, marcou forte, congestionou o meio-campo e, com inteligência, não deixou Messi atuar. Com Rafa Márquez lesionado após lesão no joelho e Puyol suspenso, Guardiola teve que mandar a campo uma defesa totalmente remendada: Piqué e Yaya Touré foram os responsáveis por proteger a retaguarda azulgrená, com o ainda desconhecido Busquets sendo lançado à prova de fogo na volância. Henry, também lesionado, deu a vez a Keita, com Iniesta sendo adiantado à ponta esquerda.

Os piores presságios cumpriram-se após o golaço de Essien logo no começo da primeira etapa. Veio à tona o gol de Scholes uma temporada atrás, também no começo da partida e também no ângulo de Víctor Valdés. Contudo, s sorte, desde o começo, parecia estar ao lado do Barcelona. O Chelsea pressionava atrás do gol, mas esbarravam em um excelente Víctor Valdés, Drogba desperdiçava chances claras frente ao arqueiro catalão e os blues reclamavam de pênaltis não marcados pelo árbitro Tom Henning. Enquanto isso, Xavi era muito bem marcado, Eto'o passava despercebido no ataque e Messi, sempre cercado por Essien e Ashley Cole, que não deixaram-o em paz, tentava fazer algo, ainda que sem sucesso.

Mas apareceu Andrés Iniesta. Com o tempo regulamentar já acabado e os acréscimos sendo computado, El Ilusionista entrou para a história. Após ser desarmado por Lampard no campo defensivo, a bola de Andrés caiu nos pés de Xavi, que acionou Daniel Alves pela direita. O baiano disparou em direção à área e cruzou. Terry cortou, Eto'o dominou mal e Essien não conseguiu chutar para a frente. Messi, apagado, recebeu na perna direita e, sem escolhas, ajeitou para Iniesta, que vinha de trás. Em jogo, uma final, a história. E Iniesta disse presente para entrar na rol de heróis do futebol mundial. Chutou com força, no ângulo de Cech, indefensável para o goleiro tcheco, levando os aficionados culés atrás do gol do goleiro blue à loucura.

O tento agitou a cidade de Barcelona. Nove meses depois, as celebrações pelo passaporte à final colheram frutos. Fontes do Hospital Quirón de Barcelona reconheceram que os partos dispararam e coincidiram com o dia da classificação barcelonista. Iniesta provocou baby booms em Barcelona. As coincidências entre aquela temporada, a primeira de Guardiola sob comando da equipe, e a atual são evidentes. Os azulgrenás têm chances de conquistar a tríplice coroa, encaram o Chelsea na semifinal da Champions League e, além disso, reencontram o Athletic Bilbao na final da Copa do Rei. Até a sequência entre os confrontos contra os londrinos é semelhante: entre a ida e a volta, há um superclássico para ser feito, como há três temporadas.


4 comentários:

  1. Inesquecível. El ilusionista

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  2. As vezes eu me pego lembrando sobre aquela semana. Me pego lembrando daqueles dias, ou de 30 dias, pra começar dia 02 de Maio, a histórica goleada Culé sobre os Merengues, 6 a 2 eu ouvindo pelo rádio tamanha piaba que o Madrid tomava enquanto eu trabalhava. Durante a semana apostei com alguns colegas que o Barça classificaria, e eles simplesmente imaginaram que eu estava louco. E sai do trabalho ouvindo o jogo, sabendo que já estava 1 a 0 Chelsea, assisti boa parte da segunda etapa numa banca de jornal, com um sujeito até gente boa que assisti a partida até os 36 minutos. O resto segui num ônibus cheio ouvindo pelo rádio. O jogo acabando, outras pessoas também ouvindo a partida, e o gol do Iniesta, confesso me arrepiei pela dramaticidade que a partida teve. Fiquei ainda mais impressionado quando já em casa, vi o gol. O futebol é um esporte incrível, pelos dramas e superações presentes e envolvidas em 90 minutos, já havia tido sensação parecida (guardadas as devidas proporções) do jogo entre Colo Colo e Palmeiras, num gol (guardadas as devidas proporções) muito parecido com o gol do Cleiton Xavier aos 41 minutos da segunda etapa. Após o gol do Iniesta, imaginei quantos torcedores poderiam estar sentindo aquela emoção como eu senti uma semana antes... O quanto choraram de alegria, o quanto gritaram, o quanto transaram (haja vista o numero gigante de partos descritos no post 9 meses depois dessa partida). Uma semana mais tarde, meu coração foi posto a prova contra o Sport, na Copa Libertadores, emoção a toda a prova, algo que não aconteceria em grande dramaticidade. Mas aquilo era Libertadores, e o Palmeiras era massacrado, mas havia um ilusionista, ou mágico, mas um santo pegando tudo o que se imaginava ser gol. Tomou um mas manteve o nível fora de série nas penalidades, pegando três e replicando a mesma emoção que os torcedores de Barcelona sentiram. 15 dias depois, o Barcelona venceu o Manchester e eu imaginei a emoção daqueles "culés" que foram a Roma, lembrando de cada instante daquela temporada gloriosa, das vitórias consistentes sobre o Atlético de Madrid, da fantástica goleada sobre o Real e principalmente: o gol de Iniesta!!! Ah, o futebol!!!

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  3. Douglas Muniz da Silva11 de abril de 2012 20:07

    As vezes eu me pego lembrando sobre aquela semana. Me pego lembrando daqueles dias, ou de 30 dias, pra começar dia 02 de Maio, a histórica goleada Culé sobre os Merengues, 6 a 2 eu ouvindo pelo rádio tamanha piaba que o Madrid tomava enquanto eu trabalhava. Durante a semana apostei com alguns colegas que o Barça classificaria, e eles simplesmente imaginaram que eu estava louco. E sai do trabalho ouvindo o jogo, sabendo que já estava 1 a 0 Chelsea, assisti boa parte da segunda etapa numa banca de jornal, com um sujeito até gente boa que assisti a partida até os 36 minutos. O resto segui num ônibus cheio ouvindo pelo rádio. O jogo acabando, outras pessoas também ouvindo a partida, e o gol do Iniesta, confesso me arrepiei pela dramaticidade que a partida teve. Fiquei ainda mais impressionado quando já em casa, vi o gol. O futebol é um esporte incrível, pelos dramas e superações presentes e envolvidas em 90 minutos, já havia tido sensação parecida (guardadas as devidas proporções) do jogo entre Colo Colo e Palmeiras, num gol (guardadas as devidas proporções) muito parecido com o gol do Cleiton Xavier aos 41 minutos da segunda etapa. Após o gol do Iniesta, imaginei quantos torcedores poderiam estar sentindo aquela emoção como eu senti uma semana antes... O quanto choraram de alegria, o quanto gritaram, o quanto transaram (haja vista o numero gigante de partos descritos no post 9 meses depois dessa partida). Uma semana mais tarde, meu coração foi posto a prova contra o Sport, na Copa Libertadores, emoção a toda a prova, algo que não aconteceria em grande dramaticidade. Mas aquilo era Libertadores, e o Palmeiras era massacrado, mas havia um ilusionista, ou mágico, mas um santo pegando tudo o que se imaginava ser gol. Tomou um mas manteve o nível fora de série nas penalidades, pegando três e replicando a mesma emoção que os torcedores de Barcelona sentiram. 15 dias depois, o Barcelona venceu o Manchester e eu imaginei a emoção daqueles "culés" que foram a Roma, lembrando de cada instante daquela temporada gloriosa, das vitórias consistentes sobre o Atlético de Madrid, da fantástica goleada sobre o Real e principalmente: o gol de Iniesta!!! Ah, o futebol!!!

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