domingo, 6 de março de 2011

"A moral do Alcorcón é a moral de campeão"

O primeiro onze inicial da história do Alcorcón: fundado em 1971, a equipe teve seu dia mais feliz em outubro de 2009 (adalcorcon.com)

A frase que intitula este texto, verso do hino oficial do Alcorcón, pode não fazer sentido para quem está lendo agora, mas para os aficionados alfareros, é bem sincera. Fanáticos, eles nuncam deixam de jogarem juntos com sua equipe, além de sempre lotarem o pequeno estádio de Santo Domingo, com capacidade para 5000 espectadores. Fundado em 1971, o time passou a ficar mais famoso após a surra imposta ao Real Madrid galáctico, em 2009. À época, o até então desconhecido time do subúrbio da comunidade de Madrid surpreendeu meio mundo ao eliminar os merengues da Copa do Rei, num placar agregado surpreendente: 4 a 1 a favor dos amarillos. Após a partida, o time foi recepcionado por uma multidão na pequena cidade, que fica nos arredores de Madrid. Nas oitavas de finais, porém, a aventura dos alfareros terminou, com a eliminação perante o Racing Santander. Mas o inesquecível dia 27 de outubro de 2009 sempre ficará na cabeça dos pequenos e felizes torcedores amarillos.

A história desse simpático time da Meseta Central começou em 1971. Um grupo de sócios liderados por Dionisio Muñoz Jerez, que havia criado uma equipe para jovens do subúrbio de Madrid, resolveram fundar uma equipe e a batizaram de Juventud de Alcorcón. Em suas primeiras temporadas, o Alcorcón funcionou como uma sociedade amadora e perambulou pelas divisões inferiores do futebol de Madrid. Em 1977, tudo começou a ganhar novos rumos: a equipe conseguiu o tão esperado acesso para disputar a terceira división (o que no Brasil, acreditem, é referente a quarta divisão) e passaram a competir com equipes profissionais. Na sua estreia na terceirona, acabou ficando na 19ª colocação, o que valeu pelo rebaixamento.

Nada que entristeceste o presidente Muñoz, que continuou confiando em sua equipe. Em 1979, o time novamente conseguiu o acesso à terceira divisão, onde permaneceu durante nove temporadadas, com um terceiro lugar na temporada 1980/81. Nos anos 90, a instituição atravessou uma grave crise esportiva, que ameaçou até sua existência. Uma sequência de maus resultados obrigaram a equipe a, constantemente, revezarem entre a Terceira e as divisões inferiores.

Novo proprietário, a passagem pela Segunda B, o "alcorconazo" e o acesso à Liga Adelante

Kaká, ao fundo, parece não acreditar: o pequeno Alcorcón fez a festa em pleno Bernabéu (guardian.uk)

Ao final da temporada 97/98, o clube passou por uma série de mudanças internamente. Para começar, a maior delas: chegou à presidência Esteban Marquez Ponce, empresário de Tornelloso (Cidade Real) e dono da construtora Soncar. Márquez começou um projeto para sanar as dívidas da equipe, que voltara a conseguir o acesso à Terceira divisão na temporada da gestão de Márquez. No ano seguinte, o desejo do novo presidente era permanecer na categoría, mas o time foi além: No ano seguinte, o desejo do novo presidente era permanecer na categoría, mas o time foi além: terminou entre o 2º e o 8º e conseguiu a vaga nos play-offs que classificariam dois time à Segunda B. Na repescagem, deixou para trás o Cd Lealtad, a Baneza e o Xove Lago, conseguindo a tão sonhada vaga na terceira divisão do país. O debut do Alcorcón na segunda b ocorreu na temporada 2000/01 e a equipe se planificou da melhor maneira. Os dirigentes da equipe apostaram em um plantel com futebolístas procedentes das principais equipes de Madrid (Rayo Vallecano, Atlético de Madrid e Real Madrid).

Para resolver a situação econômica do clube, o presidente Márquez oferece salários mais modestos em relação a outros clube, mas fez questão de assegurar a folha de pagamento mensal. Por muitos anos, a equipe terminou no meio da tabela, chegando, inclusive, ao sétimo lugar em 2005/06. Com a economia do clube já sanada, o Alcorcón iniciou a temporada 2008/09 com um novo treinador. O espanhol Juan Antonio Anquela, ex-Albacete, assumiu o comando técnico do time, que quase conseguiu a promoção para disputar a Liga Adelante. Após passar pelos favoritos Sant Andreu e Alcoyano, os alfareros estacionaram na Real Unión, após empatar no Santo Domingo e perder fora de casa. Após ficar no quase na temporada anterior, a diretoria amarilla realizou múltiplas alterações na temporada 2009/10, a melhor da história do Alcorcón. Jogadores como Borja Pérez (que viria a se tornar o carrasco do Real Madrid), Juanma, Diego Cascón e Sérgio Mora passaram a fazer parte do forte plantel dos alfareiros, que saíram como favorito a uma das vagas da Liga Adelante. A força de sua plantilla ficou em evidência nas primeiras rodadas, quando a equipe liderou o campeonato e, com quatro rodadas de antecedências, já havia garantido vaga nos play-offs.

No entanto, a maior glória para esta equipe viria na outra competição que estava disputando. Após eliminar Palencia e Lagun Onak, o sorteio da LFP colocou frente a frente Alcorcón e Real Madrid. Quebrando qualquer tipo de prognósticos, os amarillos impusseram aos galácticos do Real Madrid uma sonora goleada por 4-0 no jogo de ida, o que levou os aficionados que lotaram o Santo Domingo à loucura. O El País batizou a goleada de Alcorconazo. Na volta, a equipe jogou toda atrás e, mesmo contando com Kaká, van Nistelrooy, Raúl, van der Vaart, entre outros (Cristiano Ronaldo não jogou, devido a uma lesão no tornozelo), os blancos não foram capaz de marcar mais de quatro gols. De volta a disputa na segunda b, o Alcorcón teve que enfrentar o forte Granada, numa partida direta pelo acesso. O time de Madrid não conseguiu bater os andaluzes, o que obrigou o Alcorcón a passar por mais uma fase. A Pontevedra não foi páreo para a equipe orquestrada por Borja, que foram para o desafio final ante o Ontinyent.

Na Comunidade Valenciana, no jogo de ida, as duas equipes fizeram um jogo movimentado, que acabou no 1 a 1. Na volta, o Santo Domingo teve casa cheia para "o jogo da vida", como foi batizado pelos aficionados. Os valencianos começaram com tudo, e abriram 2 a 0 com 30 minutos do primeiro tempo. O filme da temporada anterior começou a passar na cabeça de cada torcedor presente no estádio de Madrid; mas, a partir dos 20 minutos da segunda etapa, o Alcorcón partiu para aquilo que seria uma remontada histórica. Aos 47 minutos, com o jogo empatado em 2 a 2, que garantiria a vaga aos valencianos, pelos gols marcados fora de casa, Iñigo López achou o terceiro gol, para delírio dos torcedores, que fizeram uma festança no Santo Domingo. O gol valeu a vaga na disputa da Liga Adelante da atual temporada.

Hoje o Alcorcón ocupa a 10ª posição da segunda divisão espanhola, com 39 pontos. Com dois a menos que o Barcelona B, último da zona dos play-offs, os alfareiros têm chances reais de disputar, pela primeira vez em sua história, a Liga BBVA. Para encerrar esse texto, nada mais que colocar à disposição o gol e a festa dos jogadores e torcedores no que valeu a promoção para a Liga Adelante 2010/11.

27ª rodada (1ª parte): Para elevar a moral

Com um Reyes inspirado, Atlético de Madrid faz sua melhor partida na temporada e esquenta disputa por competições europeias (reuters)

Na abertura da 27ª rodada, Valencia, Barcelona e Atlético de Madrid conseguiram vitórias providenciais ante adversários perigosos. No Ono Estadi, o Valencia saiu atrás com um gol oriundo de um pênalti irregular, mas soube manter a calma para chegar a virada. No Camp Nou, antes do jogo decisivo pela Champions, o Barcelona jogou para o gasto e venceu pelo placar mínimo o Zaragoza. E, no último jogo do dia, o Atlético de Madrid venceu e convenceu perante o Villarreal, que sofre um duro revés antes de encarar o Bayer pela Liga Europa. Confira a primeira parte do resumo da rodada.

Atlético de Madrid 3x1 Villarreal
Na noite de gols bonitos no Vicente Calderón, o Atlético de Madrid, em sua melhor partida na temporada, contou com Agüero, Forlán e, sobretudo, Reyes inspirados para bater o Villarreal e subir quatro posições na Liga Espanhola. Jogando num compacto 4-3-1-2, os rojiblancos começaram num ritmo intenso e abriram o placar num belíssimo tento de Reyes, que, um pouco antes da meia-lua, acertou um feliz chute no ângulo direito de Diego López. Logo após o gol, o Villarreal passou a acordar na partida, mas Borja Valero, exercendo uma função mais recuada do que costuma fazer, era muito bem marcado pela linha de três do Atlético de Madrid na volância. Aos 34', porém, o Villarreal chegou ao gol de empate numa bela cobrança de falta de Rossi.

Para reforçar sua marcação no meio-campo, Garrido voltou para a segunda etapa com Oriol no lugar de Bruno. Cani, que caiu facilmente na marcação de Filipe Luís, deu lugar a Marco Rúben e os amarillos passaram a jogar num 4-2-1-3. Mesmo com mais um atacante em campo, o Villarreal não conseguia levar perigo à meta De Gea e, à medida que passava o jogo, o Atlético de Madrid era quem levava mais perigo. O gol, então, passou a ser questão de tempo e após boa tabela de Elias e Filipe Luís, o lateral brasileiro achou Agüero livre, e o argentino, com extrema categoria, encobriu Diego López para desempatar a partida. A assistência para Kun não foi o único ponto notável da atuação do ex-Deportivo, que fez sua melhor partida com a camisa rojiblanca. Ele também mostrou muita confiança e anulou Cani, em sua pior partida na temporada. Para completar a festa colchonera em Manzanarez, Forlán desencantou. Aos 27', o uruguaio recebeu bela assistência de Reyes e, com a categoria que lhe é peculiar, também encobriu Diego López, decretando a vitória rojiblanca. O gol deu tranquilidade ao time da casa, que soube se defender bem do assalto amarillo.

Barcelona 1x0 Zaragoza
Claramente com a cabeça no Arsenal, o Barcelona fez uma partida preguiçosa, mas conseguiu mais três pontos fundamentais na luta pelo tri-campeonato. Agora, a vantagem é de dez pontos momentaneamente. Com uma equipe mista em campo, o Barcelona dominou durante os 90 minutos, mas pouco finalizou a gol. O meio-campo formado por Mascherano, Xavi e Keita não deu a mesma mobilidade como dá quando tem Iniesta e Busquets, mas soube ser técnico. O argentino, aliás, fez sua melhor partida desde que chegou a Barcelona, sendo responsável direto pela má partida do jovem Ander Herrera, anulado pelo ex-Liverpool. Javier Aguirre, que já havia dito que iria ao Camp Nou para levar um ponto a Aragão, acabou traído por seus jogadores. Aos 41', Messi fez linda jogada pela direita e cruzou para a área. Lanzaro não cortou e Keita definiu de direita o único gol da partida. Na segunda etapa, embora não tenha conseguido ampliar o marcador, o Barcelona seguiu criando chances, e não sofreu tantos sustos na defesa. No fim das contas, o esperado aconteceu: vitória azul e grená, folga na liderança. O Real Madrid que corra atrás.

Mallorca 1x2 Valencia
Na primeira partida titular de Jonas como jogador do Valencia, os chés venceram o Mallorca na Ilha Balear e voltou a colocar quatro pontos à frente do seu rival, Villarreal. Além disso, eleva a moral dos comandados de Unai para o duelo contra o Schalke 04, na quarta-feira, pela Liga dos Campeões. Artilheiro do último Brasileirão, o ex-gremista ficou em campo até os 26 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Joaquín. O brasileiro, que completou a perfeita semana com a convocação à seleção brasileira, fez uma boa partida, sendo responsável pela assistência para o segundo gol de Pablo Hernández. O espanhol, que havia marcado o gol de empate logo após o gol do Mallorca, marcou seu primeiro doblete com a camisa blanquinegra. Com o resultado, o Valencia vai aos 54 pontos na tabela do Campeonato Espanhol e lidera o segundo escalão da competição, atrás apenas de Real Madrid e do líder Barcelona. O Mallorca segue em décimo com 34 pontos.Na próxima rodada, o Valencia joga novamente fora de casa contra o Zaragoza. O Mallorca encara o Levante também longe de seu estádio.

sábado, 5 de março de 2011

Jogadores: Miroslav Djukic

Djukic foi um zagueiro de técnica elegante, mas o famoso pênalti perdido na Liga de 93/94 marcou sua carreira (canaldeportivo)

Muitos jogadores ficam lembrados por lances que dão vitórias e títulos para seus clubes. Outros já ficam lembrados por verdadeiras “obras de arte”, que não deram títulos ou foram cruciais para momentos ruins de sua equipe. Miroslav Djukic poderia ter entrado na primeira categoria, mas acabou sendo um candidato a entrar na segunda. Tudo porque o ex-técnico da seleção da Sérvia, em um lance, decidiu a vida do Deportivo La Coruña no Campeonato Espanhol da temporada 1993/94, em um lance que contarei daqui a pouco. Antes, o começo de tudo.

Nascido em Sabac, na atual Sérvia, Djukic começou no Macva, clube da cidade, se profissionalizando em 1986. Logo começou a fazer fama na pequena equipe, se destacando como um bom líbero, e atraiu os olhares de Partizan e Estrela Vermelha, os dois principais clubes da capital iugoslava. Porém, para a temporada 1989/90, ele preferiu outro rumo. O rumo de Djukic foi o modesto Rad, que havia feito um brilhante campeonato na temporada anterior. Sua estada no clube durou apenas um ano, pois já na temporada seguinte, o zagueiro se transferiu para o La Coruña, então apenas uma equipe da Liga Adelante.

Na Galícia, Djukic se tornaria um dos destaques da equipe que se tornaria uma das potências de La Liga na década de 90. Na temporada seguinte à sua chegada, o Depor subiu para a elite, e logo o então iugoslavo passaria a dividir o foco nos anos seguintes com Donato, Bebeto e cia. Para melhorar, começou a ganhar suas primeiras chances na seleção. O (que deveria ser) ápice dele foi a temporada 1993/94, em que os blanquiazules galegos disputaram pau-a-pau o título espanhol com o super Barcelona de Cruyff. Tudo iria bem se algo não tivesse acontecido naquele fatídico dia 14 de maio de 1994.

Nos acréscimos do jogo final daquela temporada contra o Valencia, a partida se encaminhava para o 0 a 0 (dando a taça para o Barça), quando Nando sofreu pênalti. Bebeto seria o batedor oficial, mas por cobranças desperdiçadas durante a temporada, desistiu - fato que, para os aficionados galegos, foi um ato de pipoqueiro. Donato, o segundo na linha sucessória, já havia sido substituído. Portanto, lá foi Djukic para a cobrança e... Gonzalez defendeu, tirando a chance do primeiro título do Depor. O zagueiro foi ao desespero, assim como os aficionados blanquiazules, que pareciam não acreditar no que estava acontecendo.

O pênalti perdido não alterou muito a rotina de Djukic no La Coruña, continuando no clube até 1997. Então, ironicamente se transferiu para o Valencia, outro clube que se tornaria uma força ibérica nos anos seguintes. Em seu novo clube, Djukic continuou se destacando em sua posição, garantindo uma vaga no grupo da Iugoslávia que foi à Copa de 1998. Só que aquele pênalti perdido em 1994 ainda insistia em ser lembrado. Tanto que, quando os blanquiazules finalmente foram pela primeira vez campeões, em 2000, Miroslav soltou um merecido desabafo: “Deus existe. Eles merecem essa conquista e eu terei agora paz em minha alma”.

O próprio Djukic também teria motivos para comemorar. Em 2002, ele estava lá quando os chés levantaram a taça da Liga, deixando o seu ex-clube na segunda posição, assim como os galáticos do Real Madrid, que, na época, acabava de ganhar a Champions League (pela última vez, até então). Além disso, participou de duas finais da Liga dos Campeões com seu clube, conquistando dois vice-campeonatos. O fim de sua trajetória foi no Tenerife, para onde se transferiu em 2003. Ficou apenas uma temporada no time das Ilhas Canárias, encerrando sua carreira no ano seguinte.

Depois de encerrar a carreira, Djukic trabalhou como comentarista em Valencia, mas logo depois resolver trilhar um caminho comum ao de quase todos os ex-jogadores: virar treinador. Em 2006, assumiu a seleção sub-21 da Sérvia, tornando-se vice-campeão europeu da categoria.

Em 2007, aceitou treinar o Partizan Belgrado, um dos principais times do país. O trabalho agradou tanto que foi premiado como Treinador do Ano no país, e de quebra, assumiu o cargo de treinador das seleções principal e olímpica, no lugar do também ex-jogador Radomir Antic. Hoje, é técnico do pequeno Mouscron, da Bélgica, que foi excluído da Liga Belga graças às dívidas.

Miroslav Djukic
Data de nascimento: 19 de fevereiro de 1966
Posição: Zagueiro
Times como jogador: Sabac, Rad, Deportivo La Coruña, Valencia, Tenerife.
Como treinador: Seleção sérvia, Mouscron
Títulos: 2 Copa do Rei, 1 Campeonato Espanhol, 1 Supercopa da Espanha.

Recomendamos: Aos que desejarem se aprofundar sobre o Campeonato Espanhol de 1993/94 e souber espanhol, vale a pena ver o documentário que foi transmitido pelo Correo Gallego. Parte 1 | Parte 2 | Parte 3.

Jogadores Históricos: Ferenc Puskás


Ídolo genial, de difícil lida e um vencedor, mas que no Real Madrid soube ser o segundo nome, conquistando a simpatia de Di Stéfano (Herald Library)

Baixo (1,70 m) e com o passar da idade gordo, porém gênio, caracteristíca que jamais deixou o futebol de Ferenc Puskás. O Major Galopante era o cérebro da mágica geração húngara dos anos 50, revolucionou o jeito de jogar futebol. Na Espanha, o húngaro fez parte de uma das melhores equipes da história do futebol mundial, o Real Madrid, que ainda tinha Gento, Di Stéfano e Kopa.

Puskás, como a maioria dos futuros craques, começou a jogar cedo e logo se destacou, o que levou ele a fazer algo não muito comum: ganhou dois anos na idade, para poder treinar profissionalmente. E, como tudo na vida do Major Galopante, as convocações vieram à galope. Em 1945, a seleção húngara passou a fazer parte da sua vida.

E foi a seleção do leste europeu que deu notoriedade mundial ao atacante e cérebro da equipe. Ao lado de Zoltan Czibor, Sándor Kocsis (vitíma da ira de Puskás e segunda maior estrela da compania), József Bozsik (vizinho e amigo desde a infância) e Nándor Hidegkuti, “Os Mágicos Magiares” marcaram época. O título olímpico de 1952 começava a mostrar a força da Hungria, que ainda foi a primeira seleção a vencer a Inglaterra, no Wembley lotado, em 1953: um 6 a 3 pra ninguém colocar defeito. E ainda a mágica campanha na Copa do Mundo de 1954, que, só por um detalhe, não acabou nas mãos de Puskás e cia.

O Real Madrid teve sorte. Era muito difícil que um dos atletas magiares saísse do país, mas com Ferenc Puskás foi diferente. Major do exército, ele estava fora da Hungria durante o levante de outubro de 1956 e resolveu nunca mais voltar. Assim acabou considerado desertor. A federação húngara foi à FIFA e conseguiu que o Major Galopante ficasse suspenso por 18 meses. Durante esse tempo, Puskás engordou, passou por vários países da Europa e América do Sul, e treinou na Inter, mas ao final da supensão, o Real Madrid se tornou a casa do craque do leste europeu. A sua contração gerou desconfiança, pois estava com 31 anos e muitos quilos a mais; porém, ele provou seu valor em campo.

Puskás chegou e já foi muito importante para o quarto título em sequência da Liga dos Campeões. O húngaro marcou duas vezes nos três jogos da semifinal frente ao Atlético de Madrid, mas acabou ficando de fora da final contra o Stade Reims. Na quinta conquista merengue, foi artilheiro com 12 gols, sendo quatro deles anotados na final frente ao Eintracht Frankfurt. Em 1961-62, mais uma decisão pela taça das grandes orelhas, mas mesmo com o hat-trick anotado contra o Benfica de Eusébio, o título ficou com os portugueses. Pancho (apelido dado pela torcida merengue) anotou sete tentos ao longo da competição, sendo novamente o artilheiro.

Na Espanha, o Major Galopante também colecionava feitos. E em duas temporadas consecutivas, o húngaro foi artilheiro de La Liga tendo média de um gol ou mais. Em 1963-64, Puskás novamente alcançou a artilharia do torneio, mas a Inter parou o Real na final. No sexto título dos blancos, em 1966, Pancho fez parte da equipe campeã, mas longe de ter o destaque anterior. Durante o sucesso no Real Madrid, Puskás teve a proposta para se naturalizar espanhol. À época, o processo era muito mais fácil e juntamente a Di Stéfano (também naturalizado), o húngaro vestiu rojo na Copa de 1962. Porém a campanha espanhola foi péssima e a furia acabou eliminada na primeira fase.

Em 1966-67, o Major Galopante fez sua última temporada vestindo blanco, onde acabou jogando apenas amistosos. Puskás ainda tinha problemas no seu país, portanto demorou a retornar para lá. Isso ocorreu apenas em 1981, mas só pôde fixar residência na Hungria em 1993. Quando finalmente todos os processos contra ele foram retirados pelo novo governo, Puskás assumiu o comando da seleção húngara. Antes de voltar à terra natal, Puskás tentou seguir como técnico. Até conseguiu alguns títulos na Grécia, Austrália e Paraguai, mas jamais repetiu o sucesso dos tempos de jogador.

O Major Galopante morreu em 17 de novembro de 2006, em Budapeste, já muito debilitado por uma Arteriosclerose e um Mal de Alzheimer descoberto em 2000. Porém, uma Pneumonia parou o craque Puskás. Após a morte, em 2009 ele recebeu da FIFA a honra de ter seu nome no prêmio de gol mais bonito na temporada.

Ferenc Puskás
Nascimento: 2 de abril de 1927, em Budapeste, Hungria
Falecimento: 17 de novembro de 2006, em Budapeste, Hungria
Posição: Atacante
Clubes como jogador: Kispest (1943-49), Budapeste Honvéd (1949-55) e Real Madrid (1958-66)
Clubes como treinador: São Francisco Golden Gate Gales (1967), Vancouver Royals (1968), Alavés (1968-69), Panathinaikos (1970-74), Murcia (1975), Colo-Colo (1975-76), Arábia Saudita (1976-77), AEK Atenas (1978-79), Al-Masry (1979-82), Sol de América (1985-86), Cerro Porteño (1989-92), South Melbourne Hellas (1989-92) e Hungria (1993)
Títulos: 5 Campeonatos Húngaro (1949-50, 1950, 1952, 1954 e 1955), 5 La Liga (1960-61, 1961-62, 1962-63, 1963-64 e 1964-65), Copa del Rey (1961-62), Mundial de Clubes (1959-60), 3 Ligas dos Campeões (1958-59, 1959-60 e 1965-66), Olimpíada (1952), 3 Campeonatos Grego (1970-71, 1971-72 e 1978-79), Campeonato Paraguaio (1986), Campeonato Australiano (1990-91) e Copa da Austrália (1989-90)
Seleção húngara: 85 jogos e 84 gols
Seleção espanhola: Quatro jogos e nenhum gol

sexta-feira, 4 de março de 2011

Resumo: 26ª rodada

Os jogadores do Barcelona comemoram: vitória essencial dos catalães, que seguem sete pontos à frente do Real Madrid (getty images)

A 26ª rodada não teve nenhuma mudança significativa na tabela, mas o jogos foram bastante intenso e disputados. Na cada vez mais disputada briga pela Liga Europa, o Sevilla conseguiu uma importante vitória contra o Sporting Gijón e chegou aos 38 pontos, mesmos do Athletic Bilbao, que perdeu para o Zaragoza. Na disputa pelo título, nenhuma mudança: enquanto o Real Madrid passeou pelo Málaga, o Barcelona penou para sair de Valencia com os três pontos. Os chés, por sua vez, viram a aproximação do Villarreal na luta pela terceira vaga (ou o título do campeonato paralelo): os amarillos não fizeram uma boa partida, mas venceram o Hércules e estão a um ponto do Valencia. Confira o resumo da 26ª rodada.

Valencia 0x1 Barcelona (Victor Mendes)
Pela primeira vez na era Guardiola, o Barcelona derrotou o Valencia atuando no Mestalla. Como de praxe, o jogo foi bem complicado. Sair com os três pontos de Paterna foi trabalho árduo para os blaugranas, que venceram pelo placar mínimo, graças a um tento de Messi após uma linda jogada de Adriano pela esquerda. Além disso o Barça bateu o recorde da Real Sociedad da temporada 1978/79 de invencibilidade fora de casa. O Barcelona tem 20 vitórias fora de seus domínios, contra 19 da equipe basca. Unai Emery surpreendeu em sua escalação: mandou a campo um defensivo 4-5-1 e abdicou de um centroavante de ofício em prol de segurar o empate. Mata jogou como um falso nove, mas muitas vezes recuava e revezava esta função com Joaquín e Pablo Hernández. O esquema teve efeito, pois as principais peças-chaves do Barcelona foram anuladas pelo meio-campo ché, que diminuiu muita a posse de bola dos blaugranas. Messi, apesar das oportunidades desperdiçadas, pedia jogo, assim como o brasileiro Adriano, bem participativo exercendo a função de meio-campo pelo lado esquerdo. Se, na escalação inicial, o Barcelona parecia que jogaria no 4-3-3, em campo, pareceu mais um 4-1-4-1. Iniesta fazia as vezes ora de meio-campista de ligação, ora de volante.

No segundo tempo, Unai resolveu atacar e lançou em campo Soldado e, mais tarde, Jonas. O Valencia, que já jogava bem mas faltava ser incisivo, passou a ter mais ímpeto, mas o Barcelona também cresceu de produção. Messi e Adriano, melhores do Barcelona na partida, resolveram a questão em um lance e decidiram a partida, após jogada do brasileiro e finalização do argentino. Após o jogo, Unai Emery lamentou a falta de sorte de sua equipe, "que jogava melhor, mas, num momento crucial, apareceu Messi para decidir". Do lado blaugrana, a preocupação fica por conta de Guardiola, que, com hérnia de disco, foi internado após a partida, mas deve receber alta amanhã. O triunfo suado e comemorado foi um golpe duro na imprensa de Madrid, que parece ter jogado a toalha: o Marca publicou que o tento de Messi valeu um campeonato.

Real Madrid 7x0 Málaga

Contra o Málaga, o Real Madrid teve 20 minutos de Real Madrid e os outros 70 dignos de Barcelona. E nem precisou se esforçar muito para fazer 7 a 0 no Málaga. E se o Barça pulveriza recordes, os merengues podem se orgulhar da espetacular campanha no Santiago Bernabéu: alcançou sua 20 vitória em 20 jogos disputados no estádio na temporada. Melhor marca entre os maiores campeonatos europeu. O começo do jogo foi sonolento. A equipe dirigida por José Mourinho parecia estar em marcha lenta, como no empate sem gols com o La Coruña. Mas aos poucos encontrou seu melhor jogo, com Özil e Di María exuberantes, e o lateral-esquerdo Marcelo em destaque.

Convocado por Mano Menezes, o jogador fez uma partida espetacular, e acabou premiado com um gol em passe de Di María. Deve ser titular da Seleção Brasileira. O argentino também deixou sua marca. Benzema fez dois, e Cristiano Ronaldo, com três gols, empatou com Messi na artilharia com 27 gols. Não adianta nem querer explicar o que foi o jogo. O placar diz tudo. Casillas foi um mero observador do que aconteceu no Bernabéu. Mas apesar do placar, a distância para o Barcelona a 12 jogos do fim do Espanhol é preocupante para a torcida do Real. Só um milagre tira o título do Barça. Mas se o obstinado Mourinho resolver que quer a Liga dos Campeões, os rivais brancos que se cuidem.

Sevilla 3x0 Sporting Gijón
O Sevilla continua com a sua escalada ligueira até a consolidação de uma vaga nas competições européias depois de ter ganhado do Sporting Gijón com muita facilidade, por 3 a 0. A equipe segue ganhando firmeza atrás com a dupla Fazio e Escudé e no meio de campo com os inquestionáveis Medel e Rakitic. Na frente, Luís Fabiano e Negredo estão motivados e se dispõem de ocasiões graças às crescentes de produção de Navas e Perotti. Se com a evidente melhora experimentada somarmos a jogada chave do pênalti e a expulsão de Eguren, podemos explicar que o jogo ante o Sporting se converteu num autêntico monólogo. A princípio, não parecia ser o dia do Sevilla. Apesar de ter uma clara chance de gol perdida por Luis Fabiano, o Sporting causava danos, pressionando muito acima e obrigando Dabo a rifar a bola desde a sua zona. Porém, aos 25 minutos, chegava a jogada decisiva: o próprio Luís Fabiano chegou a uma bola na área antes de Eguren, e este o derrubou. Pênalti e expulsão.

O brasileiro marcou e os asturianos se viam obrigados a jogar com um a menos todo o resto da partida. A lógica conseqüência era o decorrer do jogo. Após poucos minutos, Fazio finalizou de cabeça na trave, e no minuto 34, Perotti fez o 2 a 0 depois de chutar de primeira um rebote dentro da área. Faltava desfrutar do futebol, pela primeira vez depois de tanto tempo. Não havia sinais de que o Sporting voltaria a entrar na partida, mas sim de uma possível goleada sevillista. A promessa do segundo tempo era adormecer a partida, e de tanto fazer isso, o Sevilla quase dormiu e levou um susto. Porém, no minuto 64, Rakitic conectou-se com Negredo, deixando o atacante cara a cara com o goleiro pra fazer o 3 a0. A atitude do Sevilla não mudou em nada, e sabendo que o seu calendário será complicado, chegou mais algumas vezes, mais por obrigação do que por qualquer coisa, fazendo, sem dúvida, a partida mais cômoda da temporada.

Villarreal 1x0 Hércules
O Submarino Amarelo aproveitou o tropeço do Valencia para encostar nos blanquinegros. A diferença, agora, é de um ponto, mas Garrido deve estar preocupado: num momento crucial na temporada, os amarillos parecem estar bem desgastado fisicamente, e penaram para derrotar um adversário, Hércules, que, fora de casa, marcou apenas três gols na temporada - ironicamente, dois desses três tentos foram no Camp Nou. Garrido, que havia sido criticado por abdicar de alguns jogadores titulares para o jogo contra o Racing Santander e comandou a equipe nas arquibancadas, pois estava suspenso, foi a campo sem nenhuma surpresa: no típico 4-4-2 a rombo, o Villarreal dominou o jogo nos primeiros 45 minutos, mantendo seu velho estilo de toque de bola e velocidade pelos flancos.

Autor do único gol da partida, após boa assistência de Cani, Rossi chegou ao seu tento de número 13 na Liga, o que confirma sua ótima temporada: desde que chegou ao Villarreal (em 2007), o ítalo-americano nunca havia feito 12 ou mais gols na Liga Espanhola. Esteban Vigo foi a campo com um inédito 4-1-2-3, a fim de encurralar os amarillos. Portillo, Trezeguet e Tote passaram a dar bastante trabalho a dupla de zaga castelonense a partida segunda etapa. À medida que os minutos iam passando, os blanquiazules de Alicante sufocavam cada vez mais o Villarreal. Atrás ,Pamarot e Calatayud, nos 15 minutos finais, evitavam os costantes ataques amarillo, que passou a acordar com a entrada de Rúben no lugar de um tímido Nilmar, em noite de péssima finalização. A situação do lado alicantino é preocupante: já são 953 minutos sem marcar um golzinho sequer fora do Rico Pérez e a ameaça rebaixamento já está em alerta. Com 26 pontos, o Hércules está um ponto à frente do Sporting, 18º colocado e primeiro da zona de rebaixamento.

Espanyol 1x2 Mallorca
Carlos Kameni é um grande ídolo da torcida périca. Goleiro de alto nível, está no Espanyol há sete temporadas, e sempre resistiu aos assédios de grandes equipes. Na atual temporada, porém, é notável o declínio do camaronês, que está convivendo com as falhas. Contra o Mallorca, entretanto, o arqueiro deu mostras de que ainda está em forma, defendendo pênalti de Gonzalo Castro, entre outras grandes defesas, mas o Espanyol sucumbiu diante dos boquerones e desperdiçaram uma nova oportunidade de encostar mais na dupla de Castilla e León, Villarreal e Valencia, na briga por uma das vagas na próxima Champions. Ainda por cima, ainda viu a aproximação do Sevilla, que chegou aos 38 pontos, dois a menos que os blanquiazules de Barcelona. Ficou claro que, na falta de Osvaldo, as opções para suprir a ausência do argentino ainda não são suficientemente boa. Ainda que Alvaro e Sergio García estejam em boa fase, o ex-Bologna é essencial em tipo de jogos como esse, em que o Espanyol praticamente inexistiu na segunda etapa. No lado malloquín, destaco para Webó. O camaronês voltou a ser protagonista do Mallorca na temporada. Além de marcar o gol de empate, foi dele a jogada para o gol de Nsue, que decretou a virada mallorquina. Com 34 pontos, o time de Palma de Mallorca ainda sonha com uma vaga na próxima Liga Europa.

Zaragoza 2x1 Athletic Bilbao (Victor Mendes)
O Zaragoza respirou fundo após derrotar o Athletic Bilbao no La Romareda por 2 a 1. Remontada essencial dos maños, que voltaram a sair do fundo das profundezas graças a um ótimo segundo tempo de seus jogadores de frente, sobretudo Uche, autor do tento da virada e principal responsável pelo responsável. Além do gol, Uche, que jogou isolado no 4-2-3-1 de Aguirre, foi bastante participativo no ataque e deu trabalho em dobro para Ekiza, jovem da base que sentiu o peso da estreia. Além disso, a linha de frente do Zaragozamuito mais afinco do que nas partidas anteriores: Bertolo, Boutahar, Ander Herrera e Uche imprimiram muita velocidade pelo flancos e pelo meio e criaram bastante perigo à meta de Iraizoz. A atitude covarde de Caparrós teve resultado em campo: após o gol de Llorente, o técnico andaluz, numa ação sem explicação, recuou sem time, que ficou sem pode armar um contra-ataque, e chamou o Zaragoza à partida. Os comandados de Aguirre, cultivados pela remontada, passaram a ter dificuldades apenas em acalmar o jogo nos minutos finais, e Doblas ainda saiu de campo como um herói após evitar um gol de Llorente aos 45 minutos.

Getafe 1x1 Atlético de Madrid (Claudio Araújo)
No Coliseum Alfonso Pérez, o Atlético de Madrid achou um ponto no final da partida graças a um tento do brasileiro Elias, seu primeiro com a camisa rojiblanca. O brasileiro, aliás, deu mais movimentação após entrar na partida. O canterano Koke, que vem fazendo ótima Liga, não conseguiu imprimir um ritmo de jogo aos colchoneros. Novamente, De Gea fez uma partida de alto nível: o jovem arqueiro fez uma defesa crucial em uma cabeçada de Dani Parejo no final da partida. O Getafe começou a partida a mil por hora: logo aos 2', Miku fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Manu Del Moral, que recebeu, girou e chutou. A bola, que desviou em Godín, acabou enganando De Gea, que nada pôde fazer. O meio-campista azulone estabeleceu um recorde na tarde de quarta (noite em Madrid): com 153 partidas disputadas com a camisa azulona, tornou-se o jogador com mais números de jogos na primeira divisão espanhola pelo Getafe. No segundo tempo, Forlán resolveu aparecer, e fez toda a jogada do gol de Elias, que, após a partida, desabafou: "queria mostrar para todos o porquê do Atlético de Madrid ter me contratado".

quinta-feira, 3 de março de 2011

Presidentes: Joan Laporta

Maior vencedor da história do Barcelona, Laporta ficou oito anos na presidência do clube, que conquistou 54 títulos durante sua gestão - 12 no futebol. (fcbarcelona.cat)

No dia 16 de março de 2010, o Barcelona goleara o Valladolid por 4 a 0 e comemorava o seu 20º título de Liga Espanhola. Foi o último título da gestão de Joan Laporta na presidência do clube blaugrana (o 12º no futebol - 54 contando todos os esportes). Presidente mais vencedor da história do Barcelona, a passagem de Laporta pela presidência azulgrená ficou marcada positivamente, mas teve um momento bem tenso: após a péssima temporada feita pelo Futbol Club Barcelona em 2007-08, a torcida passou a pegar no pé de Joan, com coros de "Laporta demissão" no Camp Nou.

Advogado e político espanhol, Joan Laporta nasceu em 29 de junho de 1962 e, desde criança, sempre foi apaixonado pelo Barcelona. Seu pai sempre o levava para assistir aos jogos do time de futebol e basquete, esporte ao qual Laporta é um grande admirador. Aos 22 anos, formou-se em direito pela Universidade de Barcelona (UB) e, hoje, faz parte da Ordem dos Advogados de Barcelona, assim como do Conselho e da Comissão Executiva da Fundação Ernest Lluch. Pai de Pol, Guim e Joan Jr, Laporta começou a fazer parte dos meios políticos do Barcelona em 1998, quando, com 35 anos, fez parte da candidatura de Ángel Fernández à presidência dos blaugranas, que acabou vencida, novamente, por Josep Lluís Núñez. Dois anos antes, havia declarado-se oficialmente um independista e foi membro do Partir per la Indepedència, grupo criado por Pilar Rahola e Colom Ángel que tinha como objetivo a independência da comunidade autônoma mais conhecida da Espanha. Devido aos fracos resultados eleitorais, o partida extinguiu-se em 2000.

Em 2000, após a má gestão de Gaspat na presidência, Joan decidiu formar um grupo de trabalho próprio, com o objetivo de formar sua própria candidatura. A partir daí, Sandro Rosell tornou-se a mão direita de Laporta e o máximo responsável pela questões esportivas: em caso de vitória, Rosell seria o vice-presidente esportivo. O atual presidente do Barcelona contribuiu demais à equipe de candidatura, chamando diversos emprésarios de nome e de sua confiança, como Jordi Mones e Josep Maria Bartomeu - que está até hoje na política do Barça. Apenas em 2003, porém, que Laporta alcançou seu objetivo: chegar à presidência do principal clube da Catalunha. Após a demissão de Gaspart, numa das maiores crises da história do Barcelona, foram realizadas as eleições - nesse período, Enrique Reyna presidiou a equipe interinamente. Laporta lançou oficialmente sua candidatura em janeiro de 2003, numa eleição recordada por ter um número alto de concorrentes que nunca antes haviam se candidatados à presidência (seis no total - Joan Laporta, Lluís Bassat, Jaume Llauradó, Josep Martínez-Rovira, Josep Maria Minguella e Jordi Majó). Entretanto, todas as pesquisas mostravam Lluis Bassat como o grande favorito, que fora apoiado por figuras de grandes prestígios na sociedad catalã e barcelonesa, como Miquel Roca i Junyent, Salvado Alemany e Judi Mascó.

O programa da equipe Laporta propôs uma ruptura completa com o passado, comprometeu-se a regenerar totalmente o clube, democratizar, trabalhando com os critérios da austeridade econômica e de transparência ao nível da comunicação e, principalmente, seria um Barcelona para os catalães. Finalmente, no dia 15 de junho, chegou o dia das eleições e, apesar de não haver jogo no Camp Nou e o clima ser de intenso calor, um fluxo maciço de membros rodeavam o estádio. Quando a contagem chegara ao fim, uma grata surpresa: Laporta não só ganhou disparado, como quebrou qualquer resultado das enquentes feitas anteriormente. Ao final, os resultados obtidos foram: Joan Laporta: 27.138 (52,57%); Lluís Bassat: 16.412; Jordi Majó: 2.490; Josep Martínez-Rovira: 2.388; Josep Maria Minguella: 1.867; y Jaume Llauradó: 987. Com 41 anos, Laporta tornou-se o quarto mais jovem presidente da história do Barcelona.

Apoiado por uma parte do conselheiros de Johan Cruyff e, principalmente, do novo vice-presidente esportivo, Sandro Rosell, Laporta cumpriu à risca todas as promessas feitas durante sua candidatura: primeiramente, mudou radicalmente a estrutura esportiva do clube e fichou como secretário técnico o ex-jogador Txiki Begiristain. Demitiu o treinador Radomir Antic e, antes de contratar Frank Rijkaard, tentou Guus Hiddink, que recusou a oferta, e Ronaldo Koeman, que acabou não sendo contratado pois o Ajax cobrava uma taxa que Laporta não estava disposto a pagar. Sem muitas opções, optou por Rikjaard, embora o treinador tivesse pouca experiência no meio. Quanto aos jogadores, Laporta, que havia prometido David Beckham durante a campanha, não pôde assinar com mancuniano, pois Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, já havia sido mais rápido. O que Laporta pouco esperava é que, no final das contas, a não-contratação de Beckham acabou sendo o melhor para o Barcelona: sem o inglês, o presidente recorreu a Ronaldinho Gaúcho, que tornou-se, como todos sabem, um dos maiores ídolos da história do Barcelona, sendo responsável pelo título de Champions League em 2005-06, que já não vinha desde de 1992. Em entrevista ao Jornal Nacional, na época, Ronaldinho disse ter assinado com o Barcelona em vez do Manchester United por causa de sua amizade com Sandro Rosell, ex-executivo da Nike no Brasil e vice-presidente dos culés. Na sua primeira temporada, investiu 44,4 milhões de euros em sete incorporações.

O Barcelona, que havia terminado em segundo na Liga em 2003-04, não conquistou nenhum título, mas voltou a recuperar sua credibilidade, e, em 2004-05, veio o primeiro título de sua gestão: a Liga BBVA. Apesar do troféu, o segundo ano da gestão de Laporta ficou marcado pelas controvérsias. A partir de meados da temporada, a relação de amizade entre Laporta e Rosell encurtou-se. O divórcio dos dois veio à tona, e os principais programas de esportes de rádio e televisão falaram abertamente sobre as desavenças dentro da sociedad. Um dos maiores motivos do rompimento dos dois foi pelo fato de Joan ter nomeado o ex-treinador da equipe de Handeball, Valero Rivera, como novo diretor-geral dos profissionais do esporte. Em 2005-06, Laporta viu o Barcelona voltar a conquistar a Europa e tornar-se bi-espanhol, mas o mandato do presidente estava chegando ao fim. Porém, em junho de 2006, durante a nova eleição, o nome de Laporta foi o único a se candidatar e o presidente continuara no comando do Barça.

Em 2008, após viver sua maior crise durante sua gestão, Laporta se mostrou disposto a iniciar um processo de renovação no clube. Para começar, Rijkaard foi demitido e, para seu lugar, Guardiola foi "contratado" (subiu do time B ao A). Nomes com prestígios em baixa, como Deco e Ronaldinho, também foram descartados, e Messi passou a ser o principal ponto de referência da equipe. Após a Eurocopa de 2008, conquistada pela Espanha, jogadores como Xavi e Iniesta recuperaram o brilho de jogar futebol e, assim como Eto'o e Henry, foram essenciais para o time se consolidar ao final da temporada, a: pela primeira vez na história do Barcelona - e do futebol espanhol -, os blaugranas conquistaram a tríplice coroa, coroada com o título da Champions League em Roma, ante o Manchester United, a segunda da gestão de Laporta. Ao final de 2010, o feito foi maior: os azulgrenás conquistaram todos os seis títulos possíveis, feito que, até então, nenhuma equipe havia alcançado.

Na sua despedida da presidência do Barcelona, Laporta se emocionou ao citar Ronaldinho Gaúcho, Lionel Messi, Josep Guardiola e as canteras: "foi o sorriso do Barça e o jogador que, em 2003, mais ajudou a mudar a mentalidade da equipe. Foi fundamental para nosso crescimento. Acho que na fase final aprendemos a conviver bem. Em 2006, ele merecia uma oportunidade de seguir. Nos assegurou, como Deco, que voltaria a ser o melhor, mas vimos que não foi assim", disse sobre Ronaldinho. Sobre Messi, os elogios continuaram: "é nosso Messias, o homem que deu o verdadeiro valor à formação do Barcelona. Junto com Cruyff e Maradona, Leo está entre os melhores de todos os tempos e é do Barça dese os 13 anos, um mérito para todos que participaram de sua formação e crescimento".

Hoje Joan Laporta, que fundou um novo partido político na Catalunha, segue lutando pela independência da região. Na página oficial de Laporta na internet, porém, o lema oficial é "agora é a hora de servir a Catalunha". De acordo com o ex-presidente do Barça, o partido é formado por "cidadãos de todos os setores, que compartem a premissa de que, em pleno século 21 e dentro de uma só Europa, não há razão para que a Catalunha não possa ser um estado mais inserido na União." Para isso, Laporta defende a administração de "100% dos recursos e ter voz própria na Europa e em todo o mundo", e para "faz falta uma Catalunha que seja um Estado, e o único caminho para isso é através da via política e democrática." Por fim, ele fez questão de colocar que todas "as iniciativas do Governo Espanhol de encaixar a Catalunha no Estado Espanhol são legítimas e democráticas, mas que têm falhado reiteramente".

Joan Laporta i Estruch
Nascimento: 29 de junho de 1962
Ocupação: político e advogado
Títulos do FC Barcelona durante sua gestão: 4 Campeonato Espanhol, 2 Liga dos Campeões, 2 Supercopa da Espanha, 1 Supercopa da Uefa, 1 Copa do Rei, 1 Mundial de Clubes

quarta-feira, 2 de março de 2011

Resumo: 25ª rodada (2ª parte)

Jonas entrou no segundo tempo e marcou um gol importantíssimo para o Valencia, seu primeiro com a camisa naranja (reuters)

Nos dois principais jogos de domingo, brasileiros foram responsáveis pelo resultado de suas equipe: na Cantábrio, um gol de Nilmar aos 89' evitou uma queda do Villarreal perante o Racing Santander, enquanto que no País Basco, Jonas marcou o gol que decretou a virada do Valencia ante o Athletic Bilbao. Confira a segunda parte do resumo da rodada.

Athletic Bilbao 1x2 Valencia
O Valencia conquistou três pontos fundamentais na luta pela terceira posição (ou campeonato paralelo a Barcelona-Real Madrid, como já está sendo apelidado). Com o triunfo, o Valencia chegou a 51 pontos, enquanto que o Athletic estacionou nos 38. Unai mandou a campo um 4-2-3-1, até um certo ponto surpreendente, já que havia elogiado Jonas no meio da semana e resolveu preterí-lo em última hora. O jogo começou bem truncado e, aos 13', Llorente abriu o placar, após dividir e levar a melhor sobre Navarro. O zagueiro ché, aliás, foi o nome negativo da partida. Além de sofrer verdadeiro carnaval de Llorente, Navarro resolveu apelar na segunda etapa: o defensor desceu o sarrapo nos jogadores leones, principalmente em Llorente, que criticou ferrenhamente Muniz Fernández, o árbitro da partida. Aos 37', mais polêmica: Bruno cometeu pênalti claríssimo em cima de Susaeta, não assinalado por Muñiz, para desespero dos aficionados presentes na Catedral.

No segundo tempo, Unai lançou Jonas e Tino Costa e simplificou as coisas: a entrada dos dois jogadores foi providencial para a virada ché chegar. Após tanto pressionar, o Valencia chegou ao empate. Após toque de calcanhar de Soldado, Joaquín recebeu em profundidade na direita e cruzou à área. A zaga basca, em um lance de infelicidade, não cortou, e a bola sobrou limpa na esquerda para Mata só ter o trabalho de empurrar às redes. Dez minutos mais tarde, a virada: Tino Costa arriscou um chute de longe e, após Iraizoz dar rebote, Jonas apareceu completamente livre para decretar a vitória naranja, bem comemorada ao término da partida. Na quarta, o Valencia tem um desafio bem complicado ante o Barcelona, no Mestalla. Nas coletivas, Unai dá a entender que ainda não é a hora de Jonas ser titular - é provável que Mata seja utilizado estranhamente de falso nove.

Racing Santander 2x2 Villarreal
Valeu o ditado de que quem não faz leva no El Sardinero. Os anfitriões tiveram o jogo nas mãos por duas vezes, mas não souberam segurar. Pior: pecaram ao extremo nas finalizações e viram Nilmar castigar aos 89'. Por outro lado, Marcelino Toral segue invicto no comando técnico dos verdiblancos, mas desperdiçou uma boa oportunidade de lograr sua terceira vitória consecutiva. Pelo lado amarillo, Garrido revolucionou no seu onze inicial: Nilmar, Cazorla, Capdevilla e Gonzalo ficaram no banco e o técnico deu oportunidades a alguns canteranos (como o promissor Gulón, que sentiu o peso da estreia e não foi bem). A zaga amarilla esteve em noite bem infeliz. No primeiro gol dos cantabrianos, por exemplo, a linha burra foi feita e Ariel chutou no contra-pé de Diego López. No segundo, erro de posicionamento de Musacchio, que deixou Giovanni dos Santos livre. O mexicano, principal contratação do Racing no inverno, finalmente deu as caras e, com categoria, chutou no canto esquerdo do arqueiro amarillo. É de se elogiar a bela partida de Diego López, verdadeiro paredão nas redes do Villarreal. O ataque do Racing pecou, mas muitas vezes o goleiro evitou o gol.