sábado, 11 de setembro de 2010

2ª Rodada (1ª Parte): Boqueronazo

Haedo Valdez fez sua estreia no Hércules com o pé direito: com direito a um doblete, calou o Camp Nou (Reuters)


Na mitologia grega, Hércules, o maior de todos os heróis gregos, era famoso por sua força, depois de estrangular duas serpentes ainda no berço. Recém-promovido à elite principal do futebol espanhol, seu homônimo mostrou também sua virilidade dentro das quatro linhas. Com o resultado, as duas equipes aparecem com três pontos cada uma na classificação. De olho na estreia da fase de grupos da Liga dos Campeões, na próxima terça-feira, diante do Panathinaikos, o técnico Guardiola decidiu poupar alguns de seus atletas. Xavi, Daniel Alves e Busquets, por exemplo, começaram no banco de reservas. No entanto, Messi e Villa estavam em campo. Mas as duas principais estrelas foram bem marcadas na etapa inicial. Messi ainda levou o Barcelona ao ataque, enquanto que Villa ficava, com frequência, em impedimento. O Barcelona até teve muito mais posse de bola, mas criava poucas oportunidades. Numa das melhores, aos 9min, o brasileiro Maxwell cruzou e viu o jovem Bojan ‘furar’. O Hércules, que tinha em campo o experiente Trezeguet, se preocupava bastante em não sofrer gol. Atingiu seu objetivo e ainda foi eficiente no ataque.

Aos 26min, após confusão dentro da área, o paraguaio Valdez tocou para o fundo da rede e fez um a zero. Guardiola não teve dúvida e voltou para o segundo tempo com Xavi e Pedro nos lugares de Mascherano e Bojan, que esteve nulo no ataque blaugrana. O primeiro, aliás, quase empatou logo aos 2min, num arremate da entrada da área. O problema é que o domínio territorial dos anfitriões não se transformava em chances concretas. E pior: o Hércules era ‘mortal’ no contra-ataque. Aos 13min, Valdez aproveita cruzamento de Thiago Gomes para ampliar dois a zero. O Barcelona tentou diminuir o prejuízo, mas esbarrou na forte marcação rival e conheceu seu primeiro tropeço no Espanhol.

Já a primeira partida de Mascherano pelo Barcelona foi aquém do esperado. Além de receber um cartão amarelo, cometeu a falta que originou o primeiro gol do adversário e acabou substituído no intervalo. Apesar disso, recebeu elogios de Guardiola. O argentino mostrou estar um pouco em ritmo com a tônica do clube azulgrená, a troca de passes. Após a contratação do ex-jogador do Liverpool ser finalizada, um debate foi aberta sobre se Mascherano iria saber entrar na linha do Barcelona.

Enquanto isso, o Valencia confirmou seu bom início de campeonato. Jogando no Mestalla, bateu o Racing Santander por 1 a 0 e chegou aos seis pontos. Até o momento, tem 100% de aproveitamento. O único gol foi anotado por Maduro, aos 47min do primeiro tempo, de cabeça. A vitória dos Chés foi a primeira sobre os Cantábrios no Mestalla em cinco anos. De lá pra cá, foram seis jogos, com três vitórias para o Racing Santander e três empates. O gol no final da primeira etapa foi um golpe duro para os cantábrios. O Racing Santander dominou a primeira etapa, com um futebol valente e uma defesa muito bem postada em campo. Porém, os verdiblancos pecaram muito à meta de César, principalmente Rosenberg, que perdeu, pelo menos, uns dois gols feitos. A defesa do Valencia mostrou fragilidade, principalmente nos flancos, onde atuavam Miguel e Jordi Alba, preterido em última hora por Unai para o lugar de Mathieu. A lesão de Banega, que pediu substituição na metade da primeira etapa, contribuiu demais para que o Valencia não conseguise impor o seu jogo.

Após o início ruim na primeira rodada, o Real Madrid não foi brilhante e ainda não empolgou a torcida. Mas o time de Chamartín mostrou-se autoritário na partida inteira e impediu que a zebra passeasse, vencendo o Osasuna por um a zero, gol de Ricardo Carvalho. De destaque, apenas a bela atuação de Özil, que enche os torcedores blancos de esperanças. Apesar do placar apertado e de não ter mostrado um grande futebol, o Real dominou praticamente toda a partida. As melhores chances de gol foram dos anfitriões. O Osasuna pouco assustou Casillas. No primeiro tempo, Higuaín perdeu duas boas oportunidades, a melhor delas aos 40min, quando recebeu passe de Özil, puxou a jogada para a esquerda e ficou sem ângulo. O chute foi para fora.

Recuperado de lesão, Cristiano Ronaldo teve um dia pouco inspirado. E foi em uma chance desperdiçada pelo português que o compatriota Ricardo Carvalho fez o único gol do jogo. Aos 4min da etapa final, o zagueiro aproveitou passe de Cristiano Ronaldo após rebote do goleiro e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Özil e Higuaín, duas vezes, tiveram oportunidades de ampliar o marcador, mas falharam nas finalizações. O atacante argentino, inclusive, pecou bastante nos arremates. Ricardo, goleiro do Osasuna, trabalhou bem, mas não conseguiu evitar a derrota para a equipe merengue. Os torcedores do Real, porém, chegaram a vaiar a equipe durante o jogo

O Atlético de Madrid ignorou o fator casa e contou com o inspirado atacante Diego Forlán neste sábado para superar o Athletic Bilbao por 2 a 1 e se manter no topo da classificação. A equipe da capital espanhola chegou aos seis pontos, com 100% de aproveitamento. Forlán segue como destaque individual: fez o primeiro gol aos 11min do primeiro tempo e é o principal artilheiro do Campeonato Espanhol com três gols. Eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, o uruguaio ainda reforçou a fama de carrasco do Athletic: já são 12 gols marcados diante do rival, contando suas passagens por Atléti e Villarreal. Superior na partida deste sábado, o Atlético de Madrid foi poucas vezes ameaçado, principalmente na parte final do jogo, quando ampliou a vantagem em gol de Tiago. Aos 42min, Llorente ainda diminuiu, mas a reação do Athletic foi tardia para evitar a derrota.

O título foi uma brincadeira que o El Mundo Deportivo fez em referência ao técnico do Hércules, Esteban Vigo, conhecido como Boquerón e que atuou pelo Barcelona entre 1977 e 1987, tendo conquistado um Espanhol, três Copas do Rei e uma Recopa Europeia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jogadores Históricos: Fernando Morientes

Apesar de apreciado pela torcida, Morientes muitas vezes era relegado à condição de coadjuvante de seu companheiro Raúl e de outros atacantes de mais renome (euromediotempo)

Há duas semanas, Fernando Morientes anunciou sua aposentadoria do futebol. Sempre respeitado por onde passou, Morientes tornou-se um dos grandes ícones do futebol espanhol nos últimos tempos. Quarto maior artilheiro da história da seleção espanhola, Morientes começou sua carreira profissional aos 17 anos, no Albacete Balompié, em 1993. Dois anos depois, fora contratado pelo Zaragoza, com quem já começou a ganhar destaques na Liga Espanhola. Rapidamente, chamou a atenção do Real Madrid, que logo o contratou. Em seu primeiro ano no clube merengue, El Morito conseguiu a façanha de deixar Suker no banco e comandou o ataque do clube de Charmatín, sendo o artilheiro do time com 12 gols.

Em sua infância, passou quatro anos de sua vida na sua cidade natal em Acehúche, provincia de Cáceres, onde seu pai trabalhava de Guarda Civil. Por motivos de trabalhos, mudou-se junto com a sua família à cidade de Sonseca, em Toledo, onde viveu lá até sua adolescência

A brilhante e vencedora passagem pelo Real Madrid pode ser dividida em duas partes. A primeira, se extendeu do verão de 1997 até Setembro de 2004 e foi a mais importante de sua carreira. Conquistou títulos espanhóis e europeus e até o Mundial de Clubes. Vencedor de três Liga dos Campeões (1998, 2000 e 2001), Morientes foi titular em todas as três e marcou na final da temporada 2000-01, em uma partida contra o Valencia, na primeira final da história a ser disputada por equipes do mesmo país. Durante todos esses anos, formou, junto com Raúl, uma dupla de ataque letal, que, com a chegada de Ronaldo, em 2002, começou a extinguir-se . O então camisa 11 do Real Madrid perdeu a titularidade para o brasileiro e disputou apenas 19 partidas na temporada 2002-03, marcando cinco gols.

A falta de espaço fez com que o Real Madrid, a partir de 2003, passasse a emprestá-lo seguidamente. Na temporada 2003/04, Morientes esteve no Monaco. No time do principado, demonstrou boa fase, sendo decisivo nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da época, quando eliminou nada mais nada menos do que o Real Madrid. O Monaco terminaria vice-campeão e Morientes, artilheiro da Champions daquela temporada, logo voltou aos blancos. Entretanto continuou sem espaço e voltou a ser emprestado pelo clube, desta vez ao Liverpool. Morientes foi mais um dos membros da "colônia espanhola" do time inglês, que contava também com Xabi Alonso, Luis García e o técnico Rafael Benítez. Os Reds foram surpreendemente campeões da Liga dos Campeões numa final épica contra o Milan, mas Morientes não pôde fazer parte do elenco vencedor, uma vez que chegara a jogar pelo Real as partidas iniciais do torneio.

O empréstimo com o Liverpool encerrou-se em 2006 e Morientes voltou à Espanha, comprado pelo Valencia, onde, depois de um começo muito bom, acabou caindo de produção e se lesionando com frequência, o que acabou o tirando do time titular. Na curta passagem pelos Chés, foi campeão da Copa do Rei, título que lhe faltava em cenário nacional, e marcou um tento na final da mesma, em partida disputada contra o Getafe. Embora ainda tenha mostrado que seria o principal centro-avante do Valencia, não foi tão aproveitado e, em 2009, foi contratado pelo Olympique de Marseille.

A temporada 2009-10 pelo Olympique foi vencedora. Campeão do Campeonato Francês e da Copa da Liga Francesa, Morientes apenas participou de 12 jogos pela liga, marcando 1 gol, devido à eficiência e regularidade dos atacantes titulares, Brandão e Niang. Pela Liga dos Campeões, chegou a enfrentar seu tão amado clube, Real Madrid, duas vezes, não obtendo destaque. Reconhecido como um ídolo, foi aplaudido quando substituido no Santiago Bernabéu, na derrota do seu time para o clube amado por três a zero.

Ao fim da temporada, em julho de 2010, rescindiu seu contrato com o clube marselhano e, no dia 31 de agosto de 2010, anunciou sua aposentadoria do futebol profissional. Tinha propostas do Sporting Lisboa e de clubes do México, Catar e Emirados Árabes, mas decidiu encerrar a carreira aos 34 anos de idade. El Morito agora tornou-se comentarista de futebol da Cadena COPE e junta-se aos profissionais da área Paco González e
Pepe Domingo Castaño.

Seleção espanhola
Pela Seleção Espanhola, passou por 4 categorias diferentes: sub-20, sub-21, sub-23 e a principal. Na seleção sub-23, disputou as Olimpíadas de 1996, em Atlanta. Mas foi na seleção principal que conseguiu mais destaque. Foram 3 competições oficiais: Copa do Mundo de 1998, Copa do Mundo de 2002 e a Eurocopa 2004. Na Copa de 2002, ele foi um dos goleadores da Furia, com 3 gols; poderiam ter sido mais, se dois gols seus válidos nas quartas-de-final contra a anfitriã Coreia do Sul não tivessem sido incorretamente anulados pela controversa arbitragem daquela partida, em que a Espanha terminou eliminada nos pênaltis.

No total, foram 47 jogos e 27 gols. Encerrou a carreira na seleção em 2007, devido à falta de espaço no time, que já havia lhe custado um lugar na Copa do Mundo de 2006.

Fernando Morientes
Nome completo: Fernando Morientes Sánchez
Data de nascimento: 5 de abril de 1976
Local de Nascimento: Cáceres, Extremadura, Espanha
Clubes: Albacete, Real Zaragoza, Real Madrid, Monaco, Liverpool, Valencia, Olympique de Marseille
Títulos: 3 Liga dos Campeões, 2 Campeonato Espanhol, 3 Supercopa da Espanha, 1 Copa do Rei, 1 Copa da Inglaterra, 1 Supercopa da Inglaterra, 1 Copa da Liga Francesa, 1 Campeonato Francês

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Craques da LFP: Diego Forlán

Considerado o "artilheiro dos gols bonitos" na Espanha, Forlán teve de 2010 um ano perfeito (getty images)

De quatro em quatro anos, o mundo do futebol volta os olhos exclusivamente para a Copa do Mundo. Não é para menos, pois lá estão os maiores craques e selecionados do planeta. Mas em 2010, em especial, ocorreu uma particularidade que pegou o torcedor de surpresa. Contrariando todas as expectativas, que colocavam Messi, Cristiano Ronaldo, Sneijder, Kaká e Robben como principais candidatos ao prêmio de craque do Mundial, Diego Forlán brilhou e levou a desacreditada seleção uruguaia às semifinais da competição.

O resultado não poderia ser outro: prêmio de melhor jogador do torneio para o atacante da Celeste e do Atlético de Madrid. Diante da concorrência tão qualificada, certamente foi um feito inesperado, mas para quem acompanha a carreira dele, sobretudo nos últimos anos no futebol espanhol, a conquista é uma grande recompensa para um jogador que sempre batalhou por sua seleção e pelos clubes que passou, e que conseguiu dar a volta por cima quando foi bastante contestado no Manchester United, primeiro clube europeu a apostar em seu talento.

Aos 22 anos, Forlán desembarcou em Old Trafford com uma grande expectativa, mas em pouco tempo passou a ser perseguido pelos torcedores. Pressionado, Forlán não conseguiu corresponder às expectativas criadas sobre ele durante os dois anos e meio em que esteve na Inglaterra. Apesar disso, ele ainda levantou três troféus: a Premier League de 2002/03, e, em 2003/04, a FA Cup e Community Shield. Sua passagem em Manchester findou com apenas 17 gols em 98 partidas. Mas foi na Espanha, a partir da temporada 2004/05, que Forlán virou de fato o goleador nato que todos projetavam. Depois de assinar contrato com o Villarreal, o uruguaio não perdeu tempo e descambou a fazer gols na Liga Espanhola, transformando-se no artilheiro do campeonato e da Europa (ao lado de Henry, do Arsenal), com 25 tentos.

No ano seguinte, a média já não foi a mesma, mas ao lado do argentino Riquelme, Forlán comandou o submarino amarelo na inédita campanha na Liga dos Campeões em 2005/06, onde a equipe chegou até a semifinal. Um ano mais tarde, em sua última temporada pelo Villarreal, Diego voltou a aumentar o aproveitamento, e com os 19 gols marcados, se tornou o maior goleador da história do Villarreal na primeira divisão com 54 gols. Suas excelentes marcas o credenciaram, em 2007, para ser o substituto de Fernando Torres no Atlético Madrid, após o espanhol se transferir para o Liverpool.

Mais uma vez, Forlán não decepcionou. Somando-se os jogos pela La Liga e por competições europeias, ele atingiu a marca de 23 gols. Um prenúncio do que aconteceria temporada seguinte. Em 2008/09, ele “abusou” de marcar gols. Foi o goleador disparado da Liga Espanhola com 32 gols em 33 jogos, e ainda assinalou mais três tentos em outras competições, tornando-se desta vez o artilheiro maior da Europa de forma isolada. Forlán ainda se ressentia, porém da falta de conquistas coletivas. Tal feito só veio em maio deste ano e contou com sua participação decisiva. Nos jogos finais, contra Valencia, Liverpool e Fulham, Forlán foi o responsável por cinco dos seis gols que o Atléti marcou, sendo que dois deles foram na final que terminou 2 a 1 para os Colchoneros.

Copa 2010: a consagração
Depois de uma atuação tímida na estreia contra os franceses, Forlán foi decisivo em praticamente todos os jogos. Contra a África do Sul, marcou duas vezes, na vitória que deixou os uruguaios muito próximos das oitavas de final. No dois jogos seguintes, passou em branco, mas participou ativamente das jogadas que deram a vitória por 1 a 0 e 2 a 1 contra México e Coreia do Sul.

A partir daí, Forlán fez três jogos perfeitos, com gols em todos os jogos. Primeiro, foi autor do gol de empate contra Gana nas quartas, na memorável classificação por pênaltis. Depois, na semifinal e na decisão de terceiro lugar, marcou nas derrotas por 3 a 2 contra a Holanda e Alemanha, sendo este último uma obra-prima de voleio, considerado o mais belo gol da competição, fechando com chave de ouro uma participação brilhante da desacreditada seleção uruguaia.

Por todos esses ingredientes, o prêmio de melhor jogador do torneio não poderia ter ficado em outras mãos, pois Forlán, além de desequilibrar em campo, foi o principal responsável pela recuperação da auto-estima de um futebol que, nos últimos 40 anos, estava completamente desacreditado. Os uruguaios agradecerão para sempre.

Diego Forlán
Nome completo
: Diego Forlán Corazo
Data de nascimento: 19/05/1979
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes: Peñarol, Danubio/URU, Independiente/ARG, Manchester United, Villarreal e Atlético Madrid

sábado, 4 de setembro de 2010

Jogadores Históricos: Emilio Butragueño

Butragueño foi, sem dúvidas, um dos maiores jogadores espanhóis de todos os tempos. Canterano do Real Madrid, fez sucesso no clube de Chamartín (madridcf.wordpress)

Emilio Butragueño nasceu e cresceu na capital espanhola, sendo um dos grandes símbolos do Real Madrid, que representou ao mais alto nível durante mais de uma década. Apelidado de "el buitre" e fazendo parte da famosa geração que dominou o futebol espanhol na década de 1980 e que ficou conhecida no clube como a "quinta del buitre", Butragueño ajudou o Real Madrid a conquistar a Liga espanhola em cinco anos consecutivos, entre 1986 e 1990, festejando a conquista do sexto título em 1995. Jogou sua vida quase inteira no Real Madrid, até que, em 1995, transferiu-se ao Atlético Celaya, do México, onde atuou até 1998. Atualmente é vice-presidente esportivo do Real Madrid e diretor geral de estudos universitarios do Real Madrid - Universidad Europea de Madrid.

Butragueño começou no time do Castilla, da segunda divisão espanhola, onde foi campeão pela temporada de 1983-1984. Transferiu-se para o Real Madrid, conquistando seis vezes o título de campeão da liga (1986-89 e 1995), duas vezes a Copa (1989 e 1993) e duas vezes a Copa da UEFA (1985 e 1986). Na seleção espanhola, fez 26 gols em 69 partidas, quebrando o recorde de Alfredo Di Stefano. Quinto maior artilheiro da Fúria, teve sua marca igualada por Fernando Torres, no último confronto da Espanha. Apareceu na lista "FIFA 100", elaborada em 2004 por Pelé com permissão da Fifa, como o melhor jogador espanhol de todos os tempos. Encerrou sua carreira no Atlético Celaya, como escrito no início do texto, e levou o clube mexicano à sua maior glória: jogando a final do Campeonato Mexicano contra o Club Necaxa.

Estreou no Real Madrid, até então treinado por Di Stéfano, em uma partida contra o Cádiz. Saiu do banco de reservas, substituindo Santillana, para decidir um jogo até então perdido por dois a zero pelos blancos: marcou dois gols e, nos acréscimos, deu uma assistência para Ángel marcar o gol da remontada. Em sua temporada de despedida no Real Madrid, foi homenageada pelo clube em uma partida contra a Roma. Em toda sua carreira no Real Madrid, Butragueño marcou 172 vezes em 310 partida, sendo 130 só na Liga Espanhola.

Na Copa do Mundo de 1986, Butragueño entrou para história ao marcar 4 gols na vitória por 5 a 1 contra a Dinamarca (apelidada de Dinamáquina, devido aos seus resultados), eliminando-a nas oitavas-de-final. Participou também da Copa do Mundo de 1990.

Estilo
Seu estilo de jogo refletia-se em seu movimento característico: o chamado "amago neutro". Perfeito na bola aérea e com a bola nos seus pés, ficou conhecido no México como o "cavaleiro da corte". Em toda sua carreira, jamais recebeu um cartão vermelho. Era correto e respeitado tanto dentro, como fora de campo.

Emilio Butragueño
Nome completo: Emilio Butragueño Santos
Data de nascimento: 22 de julho de 1963
Posição: Atacante
Clubes: Real Madrid Castilla, Real Madrid e Atlético Celaya
Títulos: 6 Liga Espanhola, 2 Copa do Rei, 4 Supercopa Espanhola, 2 Copa Uefa 1 Copa da Liga
Prêmios individuais: 2 Troféu Bravo, 2 Balão de Bronze, 1 Troféu Pichichi, Bola de Prata da Copa do Mundo de 1986

Recuperando-se

Contra Liechtenstein, Fernando Torres voltou a mostrar o seu faro de artilheiro, após gravas problemas físicos (getty images)

Ante a partida contra Liechtenstein, vencida pela Fúria por quatro a zero, Fernando Torres marcou dois gols e igualou a marca de Emilio Butragueño como quinto maior goleador da seleção espanhola. El Niño soma agora 26 gols é superado por Raúl, Villa, Hierro e Morientes. Com os tentos, Fernando Torres rompeu uma seca goleadora que já durava mais de um ano - 15 meses, pra ser mais exato. Desde que marcou um hat-trick contra a Nova Zelândia na Copa das Confederações, El Niño não havia mais marcado com a seleção espanhola em partidas oficiais.

O atacante do Liverpool abriu um placar com um belo gol de cobertura e marcou o terceiro gol com um chute forte após passe de Fàbregas. Em declarações concedidas à TVE Espanhola, Torres disse que "segue querendo recuperar sua verdadeira forma e que marcar gols ajuda-te a ter mais confiança". Para Torres, "a Espanha teve uma boa atuação contra Liechtenstein, e alcançou seu objetivo, que era a vitória na estreia pelas Eliminatórias".

Tudo bem que a partida de ontem não foi grande teste tanto pra Fernando Torres, quanto pra Espanha, já que os liechtensteiniano não ofereceram nenhum grande perigo à meta de Casillas, mas o importante foi ver um jogador tão querido pela torcida espanhola recuperando-se de graves problemas. Agora, Fernando Torres só pensa na partida contra a Argentina, na próxima terça-feira, em Buenos Aires. A seleção espanhola viaja amanhão para a capital argentina.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mantendo o ritmo

Sem precisar se esforçar e contando com o "retorno" de Fernando Torres, a Espanha goleou Liechtenstein na estreia nas eliminatórias p/Euro 2012 (marca)

Fernando Torres decepcionou no Mundial da África do Sul. Com uma séria lesão no joelho, virou icógnita e reserva e sequer fez um gol no torneio conquistado pela Espanha. Mas seu faro de artilheiro voltou seleção. O atacante fez dois gols na tranquila goleada da Fúria diante de Liechtenstein por 4 a 0, em Vaduz, na estreia das duas seleções no grupo I das eliminatórias da Euro-2012. Além disso, com os dois tentos de hoje, El Niño igualou a marca de 26 gols de Butragueño com a camisa roja e tornou-se o quinto maior artilheiro da seleção espanhola. Vale lembrar que, curiosamente, a primeira partida da Espanha após o fiasco de 2006 foi exatamente contra Liechtenstein, em Badajoz. Àquela época, a equipe treinada por Aragonez estava cheias de dúvidas e renovada.

A partida de hoje foi o que todos já previam: jogo de uma equipe só. Liechtenstein provou ser uma das piores seleções da Europa e transformou o goleiro Casillas num verdadeiro espectador durante o confronto. Para piorar, tinha pela frente as atuais campeãs mundiais e da Eurocopa. A Espanha entrou com sua base que levantou o título na África do Sul. Xavi, Xabi Alonso, Iniesta, David Villa e Torres começaram como titulares. Diante disso, o gol era questão de tempo. O goleiro Jahle até fez duas boas defesas com menos de 5min, num chute de Iniesta e numa cabeçada de Villa.

No entanto, nada pode fazer para evitar o primeiro, aos 17min, quando Torres foi lançado e tocou com classe. 1 a 0. Os espanhóis não aceleravam a partida. Quando faziam isso, os anfitriões não conseguiam para os visitantes. Aos 26min, David Villa arriscou uma bomba de fora da área e fez um golaço. Com a marca, o Guaje chegou ao seu gol de número 43 com a camisa da seleção espanhola, um a menos que o maior artiheiro da Fúria, Raúl.

O panorama era o mesmo. Espanha atacava e criava inúmeras chances, enquanto Liechtenstein quase não passava do meio campo. Pouca coisa mudou no segundo tempo. Aos 8min, Torres recebeu de Fàbregas e bateu forte para ampliar o duelo. Pouco tempo depois, Torres deu lugar a Silva. E, aos 16min, o atleta do Manchester City fez o quarto dos visitantes. A partir daí, a equipe de Vicente Del Bosque diminuiu sua intensidade. Mesmo assim, criou outras boas oportunidades, como um chute de Villa no travessão.

Ainda nesta sexta-feira, Lituânia e Escócia, outras seleções do grupo da Fúria, empataram sem gols. A segunda rodada da chave ocorre na próxima terça-feira, dia 7 de setembro. A Espanha folga e fará um amistoso contra a Argentina de Lionel Messi.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jogadores Históricos: Johan Neeskens


Johannes Jacobus Neeskens nasceu no dia 15 de setembro de 1951, em Heemstede. O meia iniciou sua carreira de futebol no clube local, como lateral-direito. Mas logo se destacou e gerou interesse de equipes maiores.

O primeiro a ficar atraído pelo futebol do atleta foi Rinus Michels, técnico do Ajax na época, que o contratou em 1970. No ano seguinte, ele esteve na conquista da Copa dos Campeões da Europa, e de quebra ganhou uma vaga na equipe titular por ser polivalente, já que atuava no meio-campo e também na zaga. Pela sua versatilidade, o meia se tornou um jogador importante no esquema tático do vitorioso Ajax, da primeira metade dos anos 70. Na época, o clube se sagrou bicampeão holandês, bicampeão da Copa da Holanda e tricampeão da Copa dos Campeões da Europa. Já na decisão do Mundial Interclubes de 1972, marcou um dos gols do título (3 a 0, no segundo jogo).

A Copa do Mundo de 1974, disputada na Alemanha, contou com a seleção holandesa, que ganhou os nomes de Laranja Mecânica e Carrossel Holandês, devido ao estilo original de jogo. Isso porque todos na equipe sabiam marcar, atacar e não guardavam posições, algo que confundia a defesa adversária. A seleção holandesa chegou a final deste Mundial, contra a anfitriã. Neeskens, que era considerado o pulmão da equipe, marcou de pênalti o único gol da Laranja Mecânica, que foi derrotada de virada por 2 a 1. Apesar do vice-campeonato, o meia se transferiu para o Barcelona.

Neekens atuou pelo Barcelona durante cinco anos. Disputou 232 jogos e marcou 57 gols. O jogador foi campeão da Copa do Rei, em 1978 (ano do vice-campeonato da seleção holandesa, na Copa da Argentina). No ano seguinte, o time catalão fez a final da Recopa Europeia diante do Fortuna Dusseldorf, e venceu por 4 a 3. Entretanto, mesmo com a conquista, o meia se desentendeu com os dirigentes do clube, que optaram em rescindir seu contrato, apesar da torcida ter feito protestos. Quando Neeskens estava próximo de completar 30 anos, ele fez o mesmo que outros craques, como Pelé, Johan Cruijff e Franz Beckenbauer, e se transferiu para o Cosmos, clube de Nova York (EUA). No novo clube acabou sendo campeão norte-americano em 1980. Após dois anos nos Estados Unidos, ele retornou ao Ajax, já sem o prestígio de antes.

Aposentadoria, carreira como auxiliar técnico e treinador
Ainda como jogador, Neeskens teve passagens por Groningen (HOL), Fort Lauderdale (EUA), Baar (SUI) e Zug (SUI), e encerrou sua carreira aos 40 anos. Com a camisa do Carrossel Holandês ele atuou em 49 jogos, e marcou 17 gols. Com a aposentadoria, Neeskens apostou na carreira de auxiliar técnico. Com a nova profissão, ele auxiliou o treinador Guus Hidink no comando da seleção holandesa na Copa do Mundo de 1998. Na ocasião, a Holanda terminou em quarto lugar. Dois anos depois, Neeskens foi técnico do NEC (HOL). Time pelo qual chegou a disputar a Copa da Uefa. Lá permaneceu até 2005, quando recebeu novo convite de Guus Hiddink, para que trabalhassem juntos no comando da seleção australiana, na Copa da Alemanha de 2006.

No ano seguinte, Neeskens foi convidado por Frank Rijkaard a ser seu auxiliar técnico, na seleção holandesa, em seguida no Barcelona e em 2008 no Galatasaray.

Johan Neeskens

Nome completo: Johannes Jacobus Neeskens
Data de nascimento: 15/09/1951
Posição: Meia armador
Clubes: RCH, Ajax, Barcelona, Cosmos, Groningem, Baar, Zug
Títulos: 2 Camp. Holandês, 1 Copa da Holanda, 3 Copa dos Campeões, 3 Supercopas, 1 Copa do Rei, 1 Copa da Uefa