domingo, 1 de agosto de 2010

Balanço Final: Athletic Bilbao

Se tivesse um pouco mais de sorte, o Athletic Bilbao teria condições de pegar uma competição europeia (getty images)

ATHLETIC BILBAO


Técnico
: Joaquín Caparrós
Competição europeia: Liga Europa (caiu na segunda fase)
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Javi Martínez (meia)
Artilheiro: Fernando Llorente (14 gols)
Nota da temporada: 7

Joaquín Caparrós merece crédito. Ele entendeu a filosofia do Athletic Bilbao e sabe como trabalhar com ela. Reforçou o espaço de Amorebieta e Susaeta e contou com a boa temporada de Javi Martínez e Iraizoz.

Llorente continuou consistente no ataque, o que é fundamental para uma equipe que não prima por um grande setor de criação. Faltou talento para entrar efetivamente na briga pela Liga dos Campeões ou da Liga Europa, mas há sinais de evolução no País Basco.

Balanço Final: Atlético de Madrid

Com um péssimo início - com uma eliminação na fase de grupos da UCL sem nenhuma vitória - o Atlético de Madrid deu a volta por cima e foi campeão da Liga Europa (getty images)

ATLÉTICO DE MADRID

Técnicos
: Abel Resino e Quique Sánchez Flores
Competição europeia: Liga dos Campeões (caiu na fase de grupos) e Liga Europa (campeão) Copa do Rei: vice-campeão
Destaque: Diego Forlán (atacante)
Artilheiro: Diego Forlán (18 gols)
Nota da temporada: 7,5

Um início tenebroso, eralção a partir da metade do primeiro turno. A diferença é que os colchoneros, na segunda metade da temporada, perceberam que era mais interessante apostar na Copa do Rei e na Liga Europa do que investir na recuperação no Campeonato Espanhol.

Partidas excelentes como a vitória sobre o Barcelona (a única derrota dos campeões) se alternaram com desempenho terrível como as duas derrotas para o Málaga. A boa note fica pelo título da Liga Europa, que acabou com um jejum de 14 anos sem título no Vicente Calderón.

sábado, 31 de julho de 2010

Balanço Final: Deportivo La Coruña

No primeiro turno, Filipe Luís era o destaque do Deportivo que parecia disposto a pegar a vaga à Champions League. Quando lesionou-se, o Deportivo caiu... e muito (reuters)

DEPORTIVO LA CORUÑA

Técnico: Miguel Ángel Lotina
Competição europeia: não disputou nenhuma
Copa do Rei: caiu nas quartas de final
Destaque: Filipe Luís (defensor)
Artilheiro: Riki (8 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um time que tem o segundo pior ataque do campeonato precisa contar com a defesa para se salvar. A trajetória do Deportivo deixou isso bastante evidente. No primeiro turno, a defesa foi uma das menos vazadas do campeonato, mascarando a baixa produtividade ofensiva.

Quando os adversários começaram a fazer gols nos galegos, o time despencou e acabou no meio da tabela. A lesão de Filipe Luís tem relação direta com isso, mas o estilo de jogo do time ficou viciado e atacantes como Mista, Bodipo e Adrián decepcionaram.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Jogadores: Raúl Tamudo

Tamudo e o gol, batizado de Tamudazo pelos torcedores do Espanyol, que calou o Camp Nou: tento que tirou o título do Barcelona na temporada 06/07 (reuters)

Sem sombra de dúvidas, as despedidas de Guti e Raúl, no Real Madrid (já previstas desde o embalo da temporada 09/10), causaram um grande impacto na mídia. Mas, entre outras despedidas "melancólicas" que estão rolando na Espanha, um outro grande ícone e ídolo de um clube espanhol também está se despedindo. Ele é Raúl Tamudo, o baixinho atacante do Espanyol. Ao contrário de Guti, Raúl, no Real Madrid, e Baraja, no Valencia, a despedida do El León de Santa Coloma foi um pouco mais triste: o motivo de seu adeus foi uma briga com a diretoria périca, no início do segundo semestre. Um dos grandes motivos para o clube blanquiazul ir até a Itália contratar Osvaldo, do Bologna, que rapidamente supriu a presença de Raúl no ataque périco com alto estilo: em apenas cinco meses, o ítalo-argentino tornou-se o artilheiro dos catalões na temporada.

Pois bem, a história de Tamudo com a Liga Espanhola começou no ano de 1997. Na liga dessa temporada, o Espanyol, em um jogo de vida ou morte contra o Hércules, viajava até a Comunidade Valenciana, mas precisamente na cidade de Alicante, para jogar contra os blanquiazules do Hércules, no estádio José Rico Pérez. Em uma partida direta para decretar o último rebaixado para a Liga Adelante da temporada 97/98, Tamúdo anotou o seu primeiro gol com a camisa blanquiazul, abrindo o placar na partida, rebaixando o Hércules e, assim, salvando o Espanyol do perigo.

Depois de uma temporada revezando entre a equipe A e a filial, o Espanyol resolveu cedê-lo duas temporadas consecutivas para o Deportivo Alavez e o Elche, respectivamente. Após os anos cedidos para clubes diferentes, El León voltou ao Montjuïc totalmente preparado para triunfar. Na temporada 99-00, Tamudo, 3 temporadas depois, voltava a salvar o Espanyol do decenso. Após o feito, o atacante foi promovido à capitão do clube périco, tornando-se, desde então, ídolo do clube de Barcelona.

Em 2001, após tornar-se herói da conquista da Copa del Rey do Espanyol, Tamudo recebeu uma oferta dos escoceses do Glasgow Rangers e, sofrendo uma grave crise interna, o Espanyol resolveu aceitar... o que gerou uma insatisfação enorme da torcida périca, que resolveu fazer um protesto no dia que o acordo foi confirmado. Mas algo que quase ninguém acreditava aconteceu: após fazer exames médicos para o Rangers, o médico do clube escocês disse que o espanhol não teria condições ótimas para fechar com o clube da capital, já que sofreu uma lesão na perna esquerda na final das Olimpíadas. Ironicamente, o autor de sua lesão foi Pierre Wome, jogador que acabaria virando seu companheiro de clube, temporada depois. Dois dias depois de sua contratação ser abortada pelo clube escocês, Tamudo marcava três gols em um jogo pelo Espanyol na Copa da UEFA.

No dia 26 de outubro de 2006, o atacante catalão marcou seu gol de número 100 com a camisa périca, ante o Racing Santander. Gol que rendeu homenagens do clube e da torcida périca. Ainda nessa temporada, mas no ano de 2007, superou Rafa Marañón como maior artilheiro da história do Espanyol, o que o colocou em definitivo na lista dos maiores ídolos do clube. Os dois gols que o fizeram superar essa marca, foram, talvez, os gols mais importantes da carreira de Tamudo. Os tentos foram marcados no mês de junho, em uma partida contra o Barcelona, no Camp Nou, que acabaram tirando o título da liga dessa temporada do clube azulgrená, maior rival do Espanyol.

Em Julho de 2009, Mauricio Pochettino, treinador do Espanyol, anunciou que havia chegado a um acordo com Tamudo para que este, depois de oito temporadas como capitão da equipe, cedesse a braçadeira a Daniel Jarque - que logo após foi repassada para Iván de la Peña, após Jarque falecer precocemente durante a pré-temporada périca. Esse gesto esfriou a relação do futebolista com o clube, que solicitou uma baixa em sua cláusula de rescisão de contrato, para facilitar a sua saída. Apenas no dia 8 de maio, trás uma partida do Espanyol contra o Osasuna, é que o atacante pôde se despedir dos afficcionados, jogando 27 minutos da partida.

Pela Seleção Espanhola, joga desde 2000, tendo disputado as Olimpídas daquele ano, em que foi medalha de prata. Apesar de ser usualmente convocado pela equipe, tendo média de 0,5 gol por jogo (marcou 5 vezes em 10 partidas), não disputou nenhum torneio oficial posteriormente pela Furia - nem as três Copas do Mundo seguintes, nem a Eurocopa 2004. Também ficou de fora da lista de Luis Aragonés para a Eurocopa 2008, embora tenha feito um gol decisivo nas eliminatórias para o torneio, contra a Dinamarca, abrindo caminho para uma vitória por 3 a 1 fora de casa que classificou a Espanha para a competição já na antepenúltima rodada, e da lista de Vicente del Bosque para a Copa de 2010.

RAÚL TAMUDO
Nascimento: 19 de outubro de 1997, em Santa Colona de Gramenet, Barcelona.
Posição: atacante.
Clubes: Espanyol (1992-2010).
Títulos: Copa del Rey (00-01; 06-07). Vice-Olímpico de 200.

Balanço Final: Espanyol

Em mais uma temporada com bastante segurança, o camarones Kameni foi o grande destaque périco na temporada (AP)


ESPANYOL


Técnico: Mauricio Pochettino
Competição europeia: não participou de nenhuma
Copa do Rei: caiu na primeira fase
Destaque: Carlos Kameni (goleiro)
Artilheiro: Osvaldo (7 gols)
Nota da temporada: 5,5

Um cenário parecido com o do Deportivo (próximo clube da matéria especial). O ataque foi tenebroso, o pior do campeonato. Mas a defesa funcionou e ajudou o segundo clube de Barcelona a ficar longe do rebaixamento.

Verdú foi a principal figura do meio para a frente, mas a queda de rendimento de ícones como Iván de la Peña e Tamudo (esse último teve problemas com Pochettino e já anunciou a saída, mesmo sendo reconhecido como um dos maiores jogadores da história do clube) ainda não foi contornada. Ao menos, a torcida conta com um novo estádio, que deu impulso aos resultados do time em sua casa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Uma vida, um time

Uma história em um único lugar.



Dois jogadores históricos em Chamartín, que surgiram nas categorias de base merengues e têm uma legião de fãs nas arquibancadas e nas tribunas de imprensa. E ambos anunciaram que deixam o clube nesta semana. Bom para todos: o clube e a dupla de jogadores.

A relação dos madridistas com Raúl e Guti sempre foi complexa. Raúl tem fama no Brasil de jogador mediano que só teve destaque por tantos anos por ser queridinho da mídia. Maldade. Ele surgiu como candidato a craque e foi realmente um dos melhores jogadores do Real no início da era dos galáticos (Vasco que o diga). Atuava como meia de armação e como atacante. Depois, se instalou mais no ataque e acabou se tornando um artilheiro importante, sobretudo pelos gols que marcou em Ligas dos Campeões.

Ficou marcado como um dos maiores jogadores da história do clube, mesmo atuando ao lado de craques como Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Figo, Kaká e Cristiano Ronaldo. Não é uma avaliação completamente equivocada. Raúl não tem o mesmo talento dessa turma e teve influência política de valor duvidoso, mas merecia ser considerado um dos galáticos, ainda que uma estrela de brilho menor.



Guti não tem tanto crédito assim. Atacante do Real Madrid B, foi promovido para o time principal em 1995. Nunca foi titular, mas entrava com alguma constância e até fazia seus gols. Entre 1998 e 2001, teve média de 0,33 gol por partida em competições internacionais, um índice para lá de decente para um reserva. Com o início da era do galáticos, o ataque madridista ficou superpovoado e Guti foi recuando até se tornar volante.

A relação de Guti com o Real sempre foi estranha. Seu nome foi cogitado inúmeras vezes para transferência, inclusive para Fluminense e Corinthians. Mas ele sempre ficou, e foi construindo uma grande identificação com os torcedores e a imprensa. Acabavam clamando por mais espaço para o jogador, ainda que, taticamente, fosse difícil encaixá-lo. Como volante, não tem o poder de marcação que uma equipe ofensiva como a dos galáticos sempre precisou. Como meia de armação, não era craque o suficiente para concorrer com as contratações milionárias de Florentino Pérez.




Merecido ou imerecido, o carinho que ambos tinham era incontestável, quase passional. E é inevitável pensar que tamanha consideração se transformava em sombra para quem estivesse no clube. Como o retorno que ambos dão em campo já não é o mesmo do passado, era conveniente para todos a saída. O Real fica sem duas figuras que poderiam criar uma pressão desnecessária sobre elenco e comissão técnica. Os jogadores deixam o clube em alta, com a imagem de ídolos intacta. Já há indícios de que Cristiano Ronaldo pede a camisa sete como sua nova numeração no clube blanco. Não, Ronaldo. Não faça isso. Imortealize-a.

E bola para frente.

domingo, 25 de julho de 2010

Balanço Final: Osasuna

Com o quarto pior ataque da Liga, o Osasuna fez uma boa campanha, mas perdeu o seu principal destaque (getty images)
OSASUNA

Técnico: José Antonio Camacho
Competição europeia:
não participou de nenhuma
Copa do Rei:
caiu nas quartas de final
Destaque:
Azpilicueta (defensor)
Artilheiro:
Walter Pandiani (11 gols)
Nota da temporada:
5

Com Ricardo, Miguel Flaño, Azpilicueta, Monreal e Sergio, o Osasuna teve um setor defensivo bastante confiável. Funciona bem para um clube de recursos limitados que aproveita um pouco o gosto da torcida basca por um futebol mais aguerrido e o estilo de trabalho do técnico Camacho.

Até porque, tecnicamente, o Osasuna anda devendo. Com Camuñas, Juanfran e Puñal, era possível ter um desempenho ofensivo melhor (foi o quarto pior ataque).

Destaque na temporada passada, Azpilicueta despediu-se do rojillos um pouco antes da semifinal da Copa. Agora, Azpi jogará na França, no Olympique de Marseille.