sexta-feira, 28 de maio de 2010

Balanço final: Xerez

A partir de hoje, o Quatro Tiempos convida seus leitores a acompanhar um raio-x das 20 equipes que disputaram a Liga BBVA, do lanterna Xerez até o bícampeão Barcelona.

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Com um segundo turno surpreendente, o Xerez ficou no quase e caiu para a Liga Adelante (AS)

XEREZ (20º colocado)

TÉCNICOS: José Ángel Ziganda e Néstor Gorosito.
COMPETIÇÃO EUROPEIA: não participou de nenhuma.
COPA DEL REY: caiu na primeira fase para o Osasuna.
DESTAQUE: Renan (goleiro).
ARTILHEIRO: Mario Bermejo (12 gols).


Quando os cartolas pararam de atrapalhar, o Xerez até que não fez feio. No primeiro turno, com dirigentes promovendo vaivém no comando do futebol com a temporada em andamento, os andaluzes tiveram desempenho vexatório. Apenas oito pontos. Com o rebaixamento praticamente definido – e a falta de responsabilidade que isso traz –, Gorosito reagrupou o elenco e comandou uma reação notável. A equipe de Jerez de la Frontera brigou pela permanência até a última rodada e saiu de cabeça erguida. Para um clube tão pequeno e despretensioso, não foi tão ruim assim.

Algumas contratações deram certos, como Renan, eleito o destaque no índice, e Victor Sanchéz, que saiu das canteras do Barça, e o argentino Alustiza. Com o rebaixamento, alguns jogadores já foram vendidos, como o atacante Francis, que foi para o Villarreal.

Com um melhor segundo turno, o Xerez chegou à última rodada com mínimas chances de permanecer na Liga BBVA, o que, de fato, ninguém acreditava. O time que jogou o segundo turno na base da raça, comoveu até a torcida do Osasuna, seu último adversário, que "torceu" descaradamente para os azulinos.

Promessas: Paco Alcácer

Destaque da Euro Sub-17, Paco Alcácer pode ser o substituto de Villa no Valencia (uefa.com)

Originalmente do site Olheiros

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David Villa não é fruto das canteiras do Valencia, mas, pode-se dizer, é tão filho da família Ché como qualquer outro garoto que esteja na base da equipe. Grande ídolo do clube nos últimos anos, o goleador recentemente deixou órfã a torcida que lotava o Mestalla para vê-lo, ao se transferir para o Barcelona. Mas ao que parece, é na própria formação valenciana que está o atacante que pinta como mais provável e imediato substituto de Villa – algo, aliás, almejado pelo próprio jogador: Paco Alcácer.

O atleta é o principal destaque da seleção espanhola sub-17, favoritíssima ao título do Europeu da categoria, cuja fase final está sendo realizada em Liechtenstein. Com um faro de gol que faz lembrar o ídolo valenciano, Paco já deixou sua marca quatro vezes nos dois jogos dessa última etapa da competição, além de dar uma assistência. Isso porque nas fases anteriores, o atacante já havia marcado oito gols. Ao todo, dos 31 tentos feitos pela Fúria no torneio, o jogador fez, sozinho, 12 deles.

As últimas vítimas do artilheiro foram França e Suíça. Contra os Bleus, fez um gol típico de centroavante, surgindo por trás da defesa e desviando o lançamento de Jesé Rodríguez, fechando o placar em 2 a 1 para os espanhois. Já no duelo contra os atuais campeões do mundo sub-17, Paco fez logo três dos quatro gols da Fúria, com destaque para o terceiro tento, onde brigou pela bola na entrada da área e, ao recuperá-la, limpou os zagueiros para chutar no contrapé do goleiro.

Como se vê, são lances que evidenciam tanto o bom posicionamento como técnica para controlar a bola. Características importantes para um atacante com presença de área. E a facilidade do jogador em causar estragos nas defesas rivais, mesmo com uma estatura baixa, já havia sido premiada no próprio Valencia. Com 16 anos, na temporada recém-encerrada, tornou-se o mais jovem atleta a marcar gols com a camisa da equipe B dos Chés, o Mestalla, pela Segunda Divisão B espanhola, e logo na primeira vez que pegara na bola em campo.

Já no elenco juvenil, Paco Alcácer era o garoto mais badalado. Foi destaque na campanha da equipe no campeonato espanhol da categoria, em que o Valencia chegou à decisão, sendo superado pelo Real Madrid. Na ocasião, aliás, o atacante teve um gol legal mal anulado, quando a partida estava 1 a 1 (terminou 3 a 1 para os merengues). Hoje, o atleta intercala treinos entre os juvenis, os juniores, o elenco Mestalla e já é cogitado para fazer a pré-temporada com a equipe principal. Possibilidade que ganhou força com a venda de Villa.

E o futebol apresentado pela promessa goleadora do Mestalla, como de se esperar, já é conhecido de olheiros e clubes de ponta europeus. Conforme a imprensa espanhola, Paco está sob a mira de times como os italianos Milan e Inter de Milão, o inglês Arsenal, além de Barcelona e Real Madrid. Os madrilenhos, na verdade, miram o atacante desde que este tinha 13 anos e ainda defendia o pequeno Torrent, clube que a jovem promessa Ché defendia antes de rumar ao Valencia.

Naturalmente, não há nenhuma pretensão de negociar ou perder a pequena jóia que, aos olhares de torcedores e da diretoria, é o nome ideal para, gradativamente, substituir David Villa. Mas o desafio, como se sabe, atende pela ótica financeira. Já há um tempo o Valencia vive uma grave crise financeira, que promete ser um pouco aliviada com a venda do ídolo do clube nos últimos anos. Manter Paco e outros destaques da base, como o também atacante Roger e o meia Isco será importante tanto para a formação da futuras equipes, como para a própria venda destes, mais adiante.

Euro Sub-17

Nesta segunda, a Euro Sub-17, aonde Paco Alcácer vem se notabilizando como principal nome do torneio, chega à rodada final da fase de grupos de sua etapa decisiva. Com seis pontos em dois jogos, os espanhois estão praticamente assegurados nas semifinais, e precisam de apenas um empate com Portugal para sacramentar a liderança do grupo A. Os lusos, por sua vez, necessitam da vitória e de um tropeço da França contra a lanterna Suíça, que só avança em caso de milagre, para chegar à próxima fase. Portugueses e franceses têm três pontos cada.

No grupo B, a Inglaterra, com seis pontos, já está classificada, e encara a Turquia (quatro pontos), que depende de apenas um empate para fazer companhia ao English Team. Aos britânicos, uma igualdade no marcador assegura a liderança. Eliminados e ainda sem pontos, os gregos podem complicar a vida dos tchecos, que têm um ponto e precisam que os turcos percam para os ingleses para avançar. As semifinais estão marcadas para o próximo dia 27, em Vaduz.

domingo, 23 de maio de 2010

Venceu o melhor

O Sevilla comemora no Camp Nou a conquista do "segundo" título na temporada (getty images)

Não se esperava menos da partida. Futebol total desde o início. Sevilla e Atlético de Madrid jogaram sem especulações e sem temores, algo impróprio para uma final e o futebol agradeceu.

Transcorridos apenas três minutos, Agüero pôde marcar, porém, não chegou na bola e a reação hispalense foi própria de um grande. Jesús Navas aparecia sobre o campo para arrancar e chegar a frontal da área, onde estava Diego Capel, que mandou a bola pras redes junto com todas as almas sevillistas. Sem opções de descanso, o Atléti teve a chance mais clara até o momento e numa dupla tentativa, Ujfalusi invadiu a área pela direita e seu cruzamento foi finalizado primeiro por Agüero, depois por Forlán. Squillaci e Escudé apareceram de forma milagrosa quando o empate era ouvido nas arquibancadas. Susto superado, o objetivo seguinte era ir pra cima dos colchoneros.

No minuto 26, depois de um cruzamento sem perigo, Perea deixou a bola na entrada da área, num erro fora do comum. Porém, Squillaci não aproveitou o presente e finalizou fraco, perdendo a chance de ampliar o placar. A partir daí e até o intervalo, pouco se viu do Sevilla e tampouco os jogadores de Quique assediaram Palop, porém, a sensação de perigo reinava no ambiente até chegar ao ponto dos cinco últimos minutos terem se convertido num suplício. Forlán, em duas chances, e Agüero, aproveitando uma saída em falso de Palop, fizeram a torcida do Atléti quase comemorar. E assim chegou o intervalo: com todo o banco do Sevilla o pedindo, em um claro sintoma de que apesar do resultado, a partida era um sofrimento total.

No começo do segundo tempo, ao menos outra coisa sucedeu. Apesar dos rojiblancos levarem o peso da partida por necessidade, o Sevilla tocava melhor a bola, com objetivo e buscando surpreender em um contra ataque, sabendo que o tempo jogava a seu favor. Um longo disparo de Tiago foi a única aproximação perigosa dos colchoneros antes do minuto 10, e isso era um bom sinal. Capel e Navas, pelos lados, eram dois punhais afiados, desejosos a fincar os dentes, e pouco a pouco, o Sevilla se fez dono da final. Menção especial para a dupla de zaga Escudé e Squillaci, soberanos na partida inteira ante as duas estrelas colchoneras, Forlán e Agüero. E tampouco deixou despercebido o nível de Negredo.

O madrileño teve a melhor ocasião para quase sentenciar a final: estava sozinho ante De Gea depois de uma fenomenal assistência de Kanouté, porém, optou por perder um gol incrível e dar vida a um rival que começava a se sentir pressionado. Quique decidiu então fazer uma dupla substituição na sua equipe, para dar novas alternativas e refrescar seu time. Assunção e um desaparecido Simão saíram para a entrada de Raúl Garcia e Jurado. O efeito foi imediato e Álvarez se viu na obrigação de tirar Negredo pra colocar Romaric. Era o momento de tentar recuperar a posse de bola com a metade do segundo tempo pela frente. Á favor estava o passar do tempo, a impotência do Atlético e a segurança de uma defesa muito acima do nível demonstrado na temporada. Uma grande combinação entre Tiago e Jurado obrigou Squillaci a aparecer novamente de forma providencial para impedir o empate de Agüero. Tudo isso antes de uma rixa imprópria para o momento, mas que era o fiel reflexo da tensão vivida. Assim, começou o último quarto de hora. Forlán tentou de novo, porém, Palop respondeu fazendo boa defesa.

Mas faltava o delírio, a jogada mestre de um craque que esses momentos tanto pedem e que fazia falta pra ele uma consagração desse tipo: Jesus Navas fez uso de sua velocidade, qualidade e sangue frio pra deixar vários jogadores do Atlético sentados, que fizeram o impossível para derruba-lo, porém, sem sucesso. O jogador de Los Palácios ficou frente a frente com De Gea, o driblou e com suspense sentenciou. Gol. 2 a 0 e Sevilla campeão!

sábado, 15 de maio de 2010

De tirar o fôlego

Em apenas seu segundo jogo como profissional, Rodri marcou um gol histórico, classificando o Sevilla para a próxima Champions League (getty images)

Histórico. Só essa palavra pode definir como foi a "decisão" para a última vaga da Champions League da próxima temporada. No Ono Estadí, o Mallorca encarava o Espanyol precisando da vitória e torcendo por um empate ou uma derrota do Sevilla, que encarava o Almería, no Juegos Mediterráneos.

A vitória e a classificação do Sevilla começaram a ser construídas logo aos 16 minutos de jogo, com um gol de Kanouté. Ainda na etapa inicial, o Almería deixou tudo igual com Soriano. Na etapa complementar, os rojiblancos ficaram novamente à frente no placar graças a um gol contra de Chico, aos oito minutos.

Mas a luz amarela começou a se acender no Sevilla a partir da expulsão de Negredo, aos 20 minutos. O espanhol, com a expulsão, está de fora da final da Copa del Rey, na próxima quarta-feira. E a situação piorou muito aos 34, quando Ortiz deixou novamente tudo igual no placar e empatou para o Almería: 2 a 2. A essa altura, o Mallorca já vencia o Espanyol por 2 a 0, gols de Victor e Suarez, e estava ficando com a classificação para a Liga dos Campeões, empurrando o Sevilla para a Liga Europa.

Webó, à esquerda, e Gonzalo Castro, à direita. É, não deu... (AP Photo)

Quando os torcedores do Mallorca já comemoravam a quarta colocação da equipe e a vaga na Champions, o Sevilla chegou ao terceiro gol heroicamente, nos acréscimos da etapa final. O canterano Rodri, que fez apenas o seu segundo jogo como profissional, marcou um gol histórico, fazendo 3 a 2 e reconduzindo os sevillistas ao torneio continental.

Com o resultado, o Sevilla encerra sua participação na liga espanhola em quarto lugar, com 63 pontos, um a mais que o Mallorca, com 62. O Mallorca esteve muito perto de assegurar presença na Champions, pois venceu o Espanyol por 2 a 0 e, até os acréscimos do jogo do Sevilla, contava com o empate do rival.

O Mallorca, que irá voltar a disputar uma competição europeia seis anos depois, a Liga Europa, terá que reforçar o seu time para disputar a competição. Afinal, Manzano, Gonzalo "Chori" Castro, Aduriz, Borja Valero, Mario Suarez, os pilares do time, não ficam pro time para a próxima temporada. Apesar de toda a festa, Del Nido, presidente do Sevilla, já deixou bem claro: "agora, iremos em busca da Copa del Rey".

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Jogadores: Bernd Schuster

Schuster já jogou no Barcelona... (blaugranas.com)

Nos últimos anos tornou-se comum craques abandonarem suas seleções pelos mais diversos motivos. Já consagrados e tidos como unanimidades( e via de regra após ganhar um título), decidem não jogar mais pela equipe nacional, seja pelo desgaste decorrente desses compromissos, seja para preservar a imagem do “auge” ou mesmo para não ficar no banco para qualquer molecote que apareça. No entanto, poucos sabem que há 23 anos, um rapaz loiro, aos 24 anos de idade, resolveu largar de vez a seleção por razões muito mais profundas do que as dos craques recentes.

Bernd Schuster iniciou sua carreira no Colônia aos 18 anos em 1978 com a bagagem de já ter sido um dos principais nomes nas seleções de base da Alemanha Ocidental. Talvez por isso, aos 19 anos, tenha sido convocado para a seleção alemã que venceu a Eurocopa de 1980, cuja fase final foi realizada na Itália, jogando 2 dos 4 jogos da equipe. Essas duas atuações foram suficientes para premia-lo com a Bola de Prata desse ano, ficando atrás de seu compatriota, o já consagrado Karl-Heinz Rummenigge. As boas atuações e o grande destaque conseguido após o torneio fizeram com que o poderoso Barcelona o levasse para Catalunha.

Em Barcelona, Schuster foi peça fundamental e pilar da equipe durante praticamente toda a década de 80. Marcou 63 gols em 170 jogos, número excelente para um meio campista. No Barça jogou com craques como Maradona, Simonsen e Lineker e curiosamente só o controverso Schuster, que em sua passagem de 8 pelos culés colecionou brigas com todos os técnicos, de Aragonés a Helenio Herrera, teve grande destaque.

... e no Real Madrid (muymerengue)

No entanto, tratando-se de Bernd Schuster, nem tudo poderiam ser flores em sua aventura catalã. Além das já citadas brigas com os técnicos, o alemão teve uma séria contusão no joelho direito após uma entrada de Andoni Goikoetxea( o mesmo que quebrou Maradona) em 1981. Além desse período de um ano parado, em 1987, uma temporada antes de se transferir para o Real Madrid, o “anjo loiro” se envolveu numa séria discussão com o presidente do Barcelona, que também o deixou parado como castigo por toda a temporada. Tratado como ídolo por alguns torcedores e tido como polêmico demais por outros, Schuster conseguiu dividir até mesmo o sempre unido espírito catalão.

Durante seu período na Catalunha, Bernd Schuster decidiu abandonar a seleção alemã com tenros 23 anos de idade e menos de 30 partidas no currículo. As constantes divergências com a federação e com o técnico Jupp Derwall, além de brigas com companheiros como Paul Braitner, Stielike e Rummenigge foram minando seu ambiente na equipe. A sua decisão de não aceitar uma convocação para um jogo contra a Albânia para estar em casa no momento do nascimento do seu segundo filho gerou uma trauma irremediável à já conturbada relação entre Schuster e a Nationalef e, após severas críticas da imprensa, o meio campista decidiu de uma ver por todas que era hora de parar. Sua última partida foi contra a França em 1984. Sua recusa o deixou fora de todas as grandes competições em um período em que a Alemanha era protagonista do futebol mundial e,assim sendo, Schuster deixou de participar das Copas de 1986,1990 e 1994, além das Eurocopas de 88 e 92 apesar de ser um dos maiores jogadores desse período.

Apesar de 8 anos no Barcelona, Schuster se transferiu ao Real Madrid. Uma passagem sempre traumática ( vide Luis Figo) que foi tirada de letra por “Don Bernardo”. Na capital espanhola, talvez pelo avanço da idade, o alemão se envolveu em menos polêmicas e venceu mais títulos. Foi o grande maestro do lendário time do Real Madrid conhecido como “La Quinta del Buitre”, apelido dado por um jornalista espanhol a equipe que dominou o cenário espanhol no fim dos anos 80 e contava com 5 jogadores crescidos no Real: Sanchis,Butragueno(cujo apelido deu origem ao da equipe),Vazques,Michel e Pardeza. Além de ganhar o bi-campeonato espanhol 88/89 e 89/90, Schuster participou da equipe que detém o recorde de gols numa temporada da Liga: 107 gols.

Final da carreira

Mas como tudo na vida desse alemão é controvérsia, após problemas com a direção do Madrid, o arqui-rival do clube merengue, o Atlético de Madrid contrata-o para o meio campo. Com pretensões mais modestas, Los colchoneros guiados por Schuster conseguem vencer 2 Copas do Rey, numa delas inclusive batendo o próprio Real Madrid em pleno Bernabeu, com um gol antológico de falta do “anjo loiro”.

Em 1993, retorna a seu país natal para defender o Bayer Leverkusen. Numa eleição de gol do ano, as três primeiras posições são obras primas de Schuster. Apesar de não ter ganho nenhum título com o time das aspirinas, sua ótima temporada 93/94 fazem com que boa parte da imprensa, apesar dos 33 anos cogite sua ida à Copa dos EUA. No entanto, apesar das pressões midiáticas, jogadores e comissão técnica preferem deixá-lo de fora temendo possíveis rachas e brigas no elenco. Coisas que aconteceriam mesmo sem a sua presença na equipe, já que o não menos polêmico Effemberg tratou de dividir o elenco que foi aos EUA. Talvez o talento e a experiência de Schuster pudessem acalmar os ânimos alemães na tensa partida contra a Bulgária.

Até o dia 22 de maio, a Europa é rojiblanca!

Após 46 anos, o Atlético de Madrid volta a vencer uma competição europeia (as)

Em uma temporada de altos e baixos, o Atlético de Madrid carimbou o primeiro de dois títulos que o time busca na temporada. Após sair da Uefa Champions League de forma melancólica, a torcida colchonera parecia ter desistido de acompanhar o time na temporada... porém, desistir é uma palavra que não existe no dicionário colchonero. De forma heróica, o clube rojiblanco voltou a vencer uma competição europeia após 46 anos, e voltou a ganhar um título de prestígio, depois de 14 anos.

Ambas as equipes entraram em campo nas posições intermediárias de seus respectivos campeonatos. O Atléti está em nono na La Liga com uma rodada faltando para o fim, enquanto o Fulham chegou na 12ª colocação na Premier League. Aos 11 minutos de jogo, Diego Forlán criou a primeira boa oportunidade do jogo ao acertar um chute cruzado na trave de Schwarzer. Pouco tempo depois, Reyes obrigou o goleiro australiano a fazer uma boa defesa em cobrança de falta do espanhol.

Nos 20 minutos iniciais, o Atléti conseguiu criar as duas únicas boas chances do jogo, porém o Fulham conseguia ficar mais tempo com a posse de bola. Os rojiblancos abriram o placar aos 31 minutos do primeiro tempo. O argentino Agüero arriscou um chute de fora da área. A bola saiu fraca e Forlán, em posição duvidosa, desviou para o fundo das redes. Este foi o quinto gol do atacante uruguaio na competição.

O empate veio quatro minutos depois. Davies recebeu um cruzamento da direita de Gera e completou com um voleio de dentro da área para o fundo do gol do Atlético de Madrid. No segundo tempo, o Fulham voltou com um volume de jogo melhor do que no primeiro tempo e conseguiu chegar com perigo ao gol de adversário.

No decorrer da etapa final, as equipes corriam mais com a bola e o jogo ficou bastante equilibrado com ambos os times chegando com perigo no gol adversário, porém ninguém conseguia convertar as chances em gols.

Novidade: Forlán decidiu! (AP Photo)

Durante os minutos finais do tempo regulamentar, o Atlético pressionava mais, enquanto o Fulham tentava definir o jogo em um contra-ataque. Apesar disso, o empate permaneceu no placar ao final do segundo tempo e o jogo foi para a prorrogação. Nos 90 minutos, o time rojiblanco chutou 20 bolas no gol contra oito dos ingleses.

Na prorrogação, os colchoneros ficavam mais com a posse de bola, enquanto os londrinos se pstavam mais na defesa. Durante uma das poucas chances criadas pelos dois times no tempo extra, o Atlético quase fez seu segundo gol com o argentino Agüero, que perdeu uma oportunidade incrível ao se esticar para tentar encostar a bola para o gol com o goleiro Shwarzer caído no chão. Com exceção deste lance, pouco aconteceu na prorrogação.

Até que, faltando seis minutos para o fim do tempo extra, o uruguaio Forlán mais uma vez decidiu para sua equipe na prorrogação. O atacante recebeu um cruzamento da direita e desviou para o gol. A bola desviou no zagueiro do Fulham antes de entrar no fundo das redes.

Liga Adelante: Um pouco sobre o Cartagena, que está próximo de subir

O novo e desconhecido Cartagena está perto de realizar uma façanha gigantesca. Maior até que o próprio clube que tem apenas 14 anos e que estreou nesta temporada na Liga Adelante. Há seis rodadas do fim, é o terceiro colocado, e conseguiria a última vaga para a primeira divisão. Caso confirme o acesso, vai faltar espaço no Estádio Cartagonova para receber Messi, Xavi, Kaká e Cristiano Ronaldo.

Por isso, os cuidados são totais. Os dirigentes não falam sobre a próxima temporada para não desmobilizar o grupo. Os jogadores receberam semanas atrás a missão de “dar a vida em campo”. A ordem teve efeito imediato e o time nunca baixou da quarta posição. Venceu os dois jogos contra o rival Múrcia e ficou 11 rodadas sem perder. A campanha deve-se, principalmente, ao “craque” do clube. Ele não corre, nem marca, tampouco chuta. Apenas observa. E paga. O presidente Francisco Hernández tirou o Cartagena do buraco e prometeu levá-lo ao topo. Só não imaginava que chegaria lá tão rápido.

Com Hernández no comando, o Cartagena se profissionalizou. Ele bancou salários e cobriu dívidas. Correu atrás de patrocínios mais poderosos e de jogadores famosos para atrair – e criar - torcedores. Era um processo demorado. O objetivo final: a segunda divisão. Depois de chegar perto em 2006, o Cartagena subiu em 2009. Venceu o Alcoyano, no jogo de ida das quartas de final, por 2x1, em casa. Na volta, segurou um dramático 2 a 2 e pôde, enfim, vibrar. A classificação direcionou recursos e holofotes para o Cartagonova até então distantes e desconhecidos. A realidade mudou e com ela o clube cresceu.

Para a atual temporada, Hernández trocou o treinador. Tirou o campeão da terceira divisão, Paco Jémez, e fechou com o experiente Juan Ignacio Martínez. Juntos, montaram o melhor time da curta história do Cartagena. Foram a Portugal contratar o ex-atacante do Real Madrid Javier Balboa junto ao Benfica e tiraram do Villarreal o zagueiro francês Pascal Cygan, campeão inglês pelo Arsenal, em 2004. Também estiveram em Barcelona para buscar o meia Antonio Longás, 25 anos, do Barça B e com passagem pelo Zaragoza. Tem sido o melhor jogador do Cartagena e é candidato a estrela do campeonato.

Projetando a próxima temporada

Se esta temporada tem sido boa, os poucos torcedores projetam 2010/11 ainda melhor. Os 2,5 mil sócios já procuram hotéis e organizam excursões para Madrid e Barcelona. Querem estar no Camp Nou e no Santiago Bernabéu quando o clube viverá momentos mágicos, independente do placar das partidas. Mais importantes até que o eventual acesso à Liga.

Isso porque o Cartagena não tem nenhum título oficial. Nunca levantou uma taça ou vestiu uma faixa. O estádio onde joga também não pode chamar de seu. Emprestado pela prefeitura, o Cartagonova pode receber até 15 mil pessoas, mas raramente o público passa de 5 mil. Construído no fim da década de 80, foi baseado no Miniestadi, do Barcelona, que o usa em partidas da equipe B e das categorias de base.