sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Espanhóis em alerta

Mesmo contendo ótimos atacantes, Napoli e Villarreal não saíram do zero na Itália (getty images)

Villarreal e Sevilla, dois únicos sobreviventes espanhóis na Liga Europa, entraram em campo hoje para os jogos de ida da fase 16 avos de finais. Os resultados conquistados, apesar do empate do Villarreal em Nápoles, liga o alerta das duas equipes: o Sevilla foi derrotado em casa pelo Porto, enquanto que o Submarino Amarelo ficou no 0 a 0 contra o Napoli no San Paolo. A eliminatória continua aberta mesmo com o empate.

Nilmar, Cavani, Rossi, Lavezzi... mesmo com tantos atacantes de reconhecida qualidade em campo, Napoli e Villarreal não saíram do 0 a 0 no San Paolo. As duas equipes tentaram sair para o jogo no primeiro tempo, mas, mesmo com a partida sendo bem disputada, os homens de frente não conseguiram se sobressair às defesas.

Os tifosi napolitanos, de certa forma, não ficaram surpreendidos com o resultado: nos últimos quatro jogos na competição europeia, os napolitanos marcaram apenas dois gols. As duas equipes criaram poucas oportunidades no primeiro tempo, com destaque apenas para um remate de longa distância de Campagnaro, aos 14', e uma boa oportunidade desperdiçada por Nilmar na pequena área.

As redes chegaram a balançar aos 28' da segunda etapa, mas o uruguaio Cavani estava em posição irregular. No minuto seguinte, foi a vez de Lavezzi quase fazer o primeiro do Napoli. O argentino recebeu belo lançamento, matou no peito, invadiu a área e... mandou para longe. O mesmo fez Nilmar aos 32', desperdiçando ótima chance para os Villarreal. No fim, Aronica foi expulso após levar o segundo amarelo e desfalca o Napoli na partida de volta, que será realizada no próximo dia 24, na Espanha.

Na Andaluzia...
... o Sevilla voltou a decepcionar. Perder foi uma tragédia somente creditada a má sorte e a falta de acerto no ataque. Perdeu com um meio de campo superior, mais mobilidade no ataque e com a dupla Navas/Perotti na sua melhor versão. Hoje, os portugueses receberam a ajuda dos astros e se limitaram a defender com ordem, e isso os permitiu conter os incisivos ataques do Sevilla.

O primeiro tempo amarrado decepcionou quem esperava um grande jogo, mas emoções não faltaram na volta do intervalo. Aos 13', Rolando, em posição duvidosa, surgiu livre na área após cobrança de falta e empurrou para fazer 1 a 0 para os visitantes. O gol despertou o Sevilla, que foi buscar o empate aos 20'. O grandalhão Kanouté subiu bastante para cabecear e Helton não conseguiu a defesa. Animados, os espanhóis partiram para a virada, mas abusaram das chances perdidas.

Luis Fabiano conseguiu boa cabeçada, mas Helton espalmou. Aos 32', Kanouté ia aproveitando confusão na área portuguesa para marcar o segundo, mas conseguiu errar o chute na pequena área. O castigo veio a cinco minutos do fim. Palop saiu do gol para abafar Rodríguez, mas a bola sobrou para Guarín, que só precisou tocar para as redes e sair para comemorar o 2 a 1 do Porto.

O Porto pode até perder por 1 a 0 no Estádio do Dragão, na próxima quarta-feira ,para carimbar a classificação. Confimando a vaga, os portugueses enfrentam quem passar do confronto entre PAOK e CSKA. Os russos venceram a primeira por 1 a 0, fora de casa.

Craques da LFP: Valery Karpin

Karpin foi, ao lado do também russo Aleksandr Mostovoi, a estrela do "EuroCelta", nome criado para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus(halacelta.es)

Observando a classificação da segunda divisão espanhola nas últimas temporadas, fica evidente que o Celta de Vigo se tornou um frequentador habitual da metade inferior da tabela. Trata-se, portanto, de uma realidade bastante diferente quando comparada aos feitos que a equipe da Galícia conquistou num passado ainda recente, entre o fim dos anos noventa e o início da década seguinte.

Neste período glorioso, além da manutenção constante na divisão principal, os celestes emplacaram seguidas classificações para a Copa da UEFA, um título na Copa Intertoto e um vice na Copa do Rei. EuroCelta foi o nome criado pela imprensa espanhola para apelidar o time que conquistou resultados expressivos diante de gigantes europeus, como Liverpool, Benfica e Juventus. Entre os nomes que fizeram parte desta era histórica para os galegos, estão os franceses Dutruel e Makélélé, os argentinos Gustavo López e Fernando Cáceres, os brasileiros Mazinho e Catanha, o espanhol Míchel Salgado e o israelense Revivo.

Entretando, as estrelas da companhia sempre foram russas: Aleksandr Mostovoi e Valery Karpin. Os meias formavam uma dupla perigosa e entrosada, que se conhecia desde os tempos de Spartak Moscou, quando a União Soviética ainda existia. Enquanto Mostovoi construiu praticamente toda sua carreira espanhola com a camisa celeste do Celta, Karpin destacou-se também com as cores da Real Sociedad, além de uma passagem pelo Valencia.

Valery Georgievich Karpin nasceu em 1969, em Narva. Apesar de fazer parte do território estoniano, a cidade possui mais de 80% de russos ou descendentes, além de se localizar na fronteira entre os dois países - o que explica sua origem étnica. Iniciou sua carreira no Sport Tallin e teve passagens rápidas por CSKA Moscou e Fakel Voronezh, antes de chegar ao Spartak Moscou, em 1990, aos 21 anos. Em cinco temporadas pelo time moscovita (duas pela antiga Liga Soviética), firmou-se como um dos principais jogadores da geração pós-URSS, conquistando seguidamente os três primeiros campeonatos russos disputados.

Coube a Karpin a honra de marcar o primeiro gol da novíssima seleção russa, num amistoso diante do México, em agosto de 1992, numa vitória por 2 a 0. Sua estréia aconteceu ainda pela CIS (sigla do inglês Commonwealth of Independent States - Comunidade dos Estados Independentes), durante a fase de transição entra a extinta União Soviética e a formação das novas seleções. Era só o começo de sua longa tragetória de onze anos, 72 jogos e 17 gols com a camisa nacional. Esteve nas Copas de 1994 e 2002 e na Eurocopa de 1996, se despedindo em 2003. Apesar da origem genuinamente russa, Karpin foi o primeiro jogador de futebol nascido na Estônia a disputar uma Copa do Mundo.

Após o Mundial do Estados Unidos, o meia transferiu-se para a Real Sociedad. Após dois anos de destaque pelos bascos, foi reforço do Valencia para 1996-1997. A campanha dos morcegos foi decepcionante, mas Karpin jogou boa parte das partidas e anotou meia dúzia de gols. Entretanto, a regularidade não foi suficiente para sua manutenção e, na temporada seguinte, já estava no Celta. Em Vigo, reencontrou-se com Mostovoi e viveu o melhor momento de sua carreira, sendo eleito o melhor jogador russo de 1999.

Depois de mais cinco temporadas na Galícia, acertou seu retorno à Sociedad. Em sua segunda passagem pela equipe de San Sebastián, liderou o time surpreendente que disputou, ponto a ponto, o título espanhol de 2002-2003 com o galático Real Madrid. Os merengues, de Figo, Zidane, Raúl e Ronaldo, levaram a melhor em cima do bom elenco basco, que contava também com Xabi Alonso, De Pedro, Kovacevic e Nihat. A Karpin, restou o consolo de poder disputar a Champions League seguinte.

Apesar de ainda se manter como um dos jogadores mais frequentes da equipe, o russo se aposentou após o término da temporada 2004-2005.

Vida como ex-jogador
Fora dos gramados, Karpin fixou residência em Vigo e tornou-se empresário no ramo imobiliário, em sociedade com o ex-companheiro Míchel Salgado. Além disso, passou patrocinar equipes de ciclismo, vôlei e rúgbi. Em seu último ano na cidade, recebeu fortes críticas por ser considerado um dos grandes responsáveis pela especulação imobiliária crescente na cidade galega.

Em 2008, retornou ao Spartak, como diretor Geral. Em 2009, assumiu o comando do time interinamente, como substituto do demitido Michael Laudrup. O bom desempenho naquele ano e o vice-campeonato provocaram sua efetivação. Entretanto, os fracos resultados na atual temporada do futebol russo (cinco vitórias em quinze jogos) fazem do ex-ídolo Krasno-belye um sério candidato a conhecer sua primeira demissão como treinador.

Texto de Rodolfo Zavati

Valery Karpin
Nome completo: Valery Georgievich Karpin
Data de nascimento: 02/02/1969
Clubes como jogador: Sport Tallin-EST (1986 a 1988), CSKA Moscou (1988), Fakel Voronezh-RUS (1989), Spartak Moscou (1990 a 1994), Real Sociedad (1994 a 1996), Valencia (1996 a 1997), Celta de Vigo (1997 a 2002) e Real Sociedad (2002 a 2005)
Clubes como técnico: Spartak Moscou (desde 2009)
Títulos: Campeonato Russo (1992, 93 e 94), Copa da Rússia (1992) e Copa Intertoto (2000)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pós-jogo: Arsenal 2x1 Barcelona

Jogadores comemoram com Arshavin o gol que decretou a virada dos Gunners sobre o Barça (reuters)

Texto por Thiago Ienco, do Ortodoxo e Moderno

Com o estigma de "amarelar" nos momentos decisivos, o Arsenal deu um importante passo para reverter essa incômoda situação na tarde desta quarta-feira, derrotando, de virada, o todo-poderoso Barcelona. David Villa abriu o placar para os catalães, no entanto, contando uma "ajudinha" do técnico Josep Guardiola, os norte-londrinos aproveitaram os espaços deixados pelo Barça e viraram o marcador com os tentos de Robin van Persie e Andrei Arshavin, garantindo assim, um emocionante confronto no Camp Nou, palco da partida de volta, no dia 08 de março. O gol marcado fora de casa dá ao Barcelona a vantagem de poder vencer pelo placar mínimo - 1 a 0 - ou por dois ou mais tentos de diferença.

Contando com apenas um desfalque - Bacary Sagna, substituído por Emmanuel Eboué - entre os titulares e com o importante retorno do francês Samir Nasri, o Arsenal começou melhor e logo de cara teve uma boa chance van Persie, bem defendida por Victor Valdes. Pouco a pouco, o Barcelona começou a reter a posse de bola e trocar passes até encontrar um espaço na defesa anfitriã, fazendo com que os Gunners provassem do próprio veneno e ficassem limitados apenas a contra-ataques puxados pelo veloz Walcott.

Em uma dessas brechas, Villa lançou Messi, que ficou cara-a-cara com Szczesny; porém, o argentino acabou desperdiçando um gol que ele raramente costuma errar. A retaguarda inglesa seguiu marcando em linha e desta vez, Messi lançou Villa - Gael Clichy provou ser um mal marcador ao vacilar e dar condição ao espanhol - e o camisa 7 catalão não titubeou, abrindo o marcador. Trata-se da 60ª participação direta do meia argentino nos 113 gols do Barcelona na temporada, sendo que destes, La Pulga marcou 40 vezes e deu a assistência para 20. O gol abalou os Gunners, que até o fim do primeiro tempo continuavam só ameaçando através dos contra-ataques. Os ingleses, aliás, tiveram sorte: Song recebeu cartão amarelo muito cedo e fez tantas faltas que poderia ter sido expulso ainda nos 45 minutos iniciais.

Na segunda etapa, o Arsenal voltou melhor e já conseguia chegar ao ataque sem depender dos rápidos contra-golpes. O Barça seguia controlando a posse de bola, esperando a hora certa para dar o "xeque-mate". Entretanto, Guardiola, não tão preocupado em matar o confronto, tirou o atacante Villa e promoveu a entrada do volante Keita. O tiro saiu pela culatra, já que a alteração, em tese defensiva, facilitou a vida dos donos da casa, porque sem uma referência no ataque, os blaugranas passaram a não pressionar a saída de bola e não foram capazes de manter a posse da pelota no campo adversário. Arsène Wenger notou essa mudança de postura e tratou de colocar o time para frente, tirando Song e colocando Arshavin, além da troca de Walcott por Bendtner.

Com o dinamarquês em campo, van Persie foi deslocado para atuar pelos flancos e por lá, marcou o gol de empate, aproveitando um belo lançamento de Clichy e finalizando quase sem ângulo. Este que é o 12º tento do holandês em suas últimas 10 partidas. Em êxtase, a torcida que lotou o Emirates Stadium foi à loucura cinco minutos depois. Fàbregas deu um belíssimo - mais um - lançamento para Nasri avançar em uma verdadeira avenida pela direita. O francês chegou bem perto da linha de fundo e rolou para Arshavin, com uma frieza assustadora, marcar o gol da emocionante virada. Ao Barcelona, restou lamentar as diversas chances de gol perdidas por Messi, num atípico dia em que não conseguiu ser eficaz nas finalizações.

Arsenal 2x1 Barcelona
ARSENAL: Szczesny; Eboué, Djourou, Koscielny, Clichy; Song (Arshavin), Wilshere, Fàbregas; Walcott (Bendtner), Nasri e van Persie
BARCELONA: Valdes; Dani Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Xavi, Busquets, Iniesta (Adriano); Pedro, Messi e Villa (Keita).
ÁRBITRO: Nicola Rizzoli, da Itália
CARTÕES AMARELOS: Arsenal - Nasri, Song e van Persie; Barcelona - Piqué e Iniesta

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Valencia 1x1 Schalke 04

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pós-jogo: Valencia 1x1 Schalke 04

Os companheiros agradecem, pois sabem que, na Europa, o cara é Raúl (Reuters)

Casa cheia para receber o Schalke 04. O ambiente era hostil para Raúl, ídolo do Real Madrid, e de volta à Espanha para encarar o Valencia, maior carrasco do ex-capitão blanco. Antes do jogo, todos imaginavam os Ches jogando no 4-3-3; porém, bastou o apito inicial para ver que o time da casa não atuaria de forma tão ousada. Unai Emery escalou a equipe no 4-3-1-2, com Domínguez fazendo a ligação para a letal dupla Aduriz e Soldado. Os alemães vieram no tradicional 4-4-2 ortodoxo, mas em muitos casos Raúl recuava para ajudar na criação de jogadas para Huntelaar.

O Mestalla foi o motor dos valencianitas nos minutos iniciais, que com 16 minutos abriram o placar. A combinação saiu pelo lado esquerdo, Mathieu – muito bem no jogo –, recebeu passe de Aduriz e cruzou para Soldado antecipar a zaga e marcar o primeiro tento do jogo. Com a vantagem de um gol, a confiança dos Ches aumentou e o placar também poderia ter sido mais elástico. Porém, Neuer mais uma vez era brilhante sob a baliza do Schalke.

Os 60% de posse de bola para o Valencia refletiram o que foi o primeiro tempo. A grande, e única, alternativa ofensiva dos azuis-reias era Farfán, que atuava aberto pela direita. Muito pouco para quem deseja alcançar as quartas de final da Liga dos Campeões. O time de Gelsenkirchen além de ter ausência da criação no meio, teve a dupla ofensiva totalmente ineficiente.

Porém o Valencia cometeu um erro infantil e muito comum em times que saem vencendo partidas: abdicou de jogar e “sentou” na pequena vantagem conquistada. O Schalke, através de Felix Magath, percebeu a falha dos donos da casa. E com isso foi a vez de Guaita aparecer, com defesas importantes, que garantiam a vitória parcial. Porém, do outro lado, Raúl ainda estava em campo. Mesmo caçado, sem grandes chances e perseguido pela torcida, ele apareceu. Na hora da decisão, o camisa sete resolveu. Jurado (ex-Atlético de Madrid) descobriu o atacante dentro da área, que ganhou da zaga e bateu cruzado rasteiro; dessa vez Guaita nada pôde fazer. A leitura errada de jogo pode fazer falta para o Valencia, que ao sofrer um tento em casa, não vai à Alemanha como favorito para vaga. Unai Emery ainda tentou soltar o time após sofrer o empate, passando o Valencia para o 4-4-2, com Vicente e Joaquín. Porém, o Schalke estava mais ligado e mesmo com a melhora dos Ches, o empate não saiu do placar. Nos minutos finais, Schmitz ainda foi expulso.

Jogando na Veltins-Arena, a vantagem será toda azul-real. E o que mais deixa tranquila a torcida alemão é saber que Raúl joga no Schalke, pois competição europeia é com ele. O tento de hoje foi o 69
° na LC e 70° ao todo na Europa, número que faz ele ultrapassar Gerd Müller (o antigo líder) na lista de maiores goleadores das competições europeias. Este foi o 17º gol de Raúl contra o Valencia. Dos outros 16, marcados pelo Real Madrid, foram 12 pelo Campeonato Espanhol, três na Copa do Rei e um na Champions League, em 2000, quando os clubes espanhóis se enfrentaram na final.

No lado valenciano, apesar do empate não ter sido muito digerido pelos seus aficionados, que sonhavam em um bom resultado pelo momento vivido pela equipe, Unai Emery e os jogadores mostraram-se otimistas na coletiva pós-jogo, com expressões bem calmas e tranquilas. Apesar do gol sofrido, o Valencia desta temporada costuma mostrar um melhor futebol atuando fora do Mestalla. Portanto, o confronto segue aberto, mas com um certa vantagem para o Schalke 04 pelo critério de desempate

Valencia 1x1 Schalke 04
Valencia:
Guaita; Miguel, David, Ricardo Costa e Mathieu (Alba); Banega (Vicente) Topal e Costa; Domínguez (Joaquín), Soldado e Aduriz.
Schalke 04: Neuer; Uchida, Howedes, Metzelder e Schmitz; Farfán (Draxler), Kluge, Matip e Jurado (Edu); Raúl e Huntelaar (Junmin).
Árbitro: Aleksei Nikolaev
Cartões amarelos: Ricardo Costa (VAL); Neuer, Schmitz, Jurado e Matip (SCH)
Cartões Vermelhos: Schmitz (SCH)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ronaldo e a Espanha

Ronaldo: melhor do mundo no Barcelona (abril)

Nenhum torcedor – ou talvez o italiano na época de Internazionale – viu um Ronaldo tão dominante tecnicamente quanto o espanhol. E foram dois Ronaldos bem diferentes. O primeiro, o catalão, estava no auge de sua forma física. Era pura explosão. O segundo, madrileno, já era mais experiente, sabia como usar a inteligência para economizar tempo e espaço em campo. Não foram poucos os jogadores a defenderem as camisas de Barcelona e de Real. Foram 33 no total, de nomes que vão de jogadores medianos como Celades e Soler a craques como Eto’o, Hagi, Schuster, Figo, Zamora, Michael Laudrup e Evaristo. Muitos deles são bem aceitos nos dois lados da rivalidade, mas poucos (e Evaristo é um deles) são tão benquistos das duas torcidas.

“O Fenômeno.” Muito se fala do que Ronaldo poderia ser se não tivesse tantos problemas físicos. O barcelonista sabe como seria. A temporada do brasileiro no Camp Nou foi fora do comum. Em jogos oficiais, foram 47 gols em 49 jogos, sendo 34 (em 37 partidas) pelo Campeonato Espanhol. Foi artilheiro destacado da temporada, chegando a estabelecer o recorde de ir às redes em dez rodadas seguidas. Seus gols, muitos deles decisivos, ajudaram a carregar o Barcelona na disputa do título com o Real Madrid.

Não foi suficiente. Os merengues ficaram com o título por dois pontos (92x90), mas o Barça terminou com o melhor ataque (102x85) e mais vitórias (28x27). Faltou time. O Barcelona da época não era um esquadrão como o de hoje. O time-base era Vítor Baía; Ferrer, Abelardo, Popescu e Sergi; Fernando Couto, Guardiola, De La Pena e Luis Enrique; Figo e Ronaldo. O técnico era o inglês Bobby Robson e seu auxiliar, José Mourinho. Ainda assim, esse time não terminou a temporada 1996/97 sem título. Conquistou a Recopa ao vencer o Paris Saint-Germain na final: 1 a 0, gol de Ronaldo de pênalti. O time ainda conquistou a Copa do Rei ao vencer o Betis por 3 a 2 na decisão. O brasileiro não participou porque já estava servindo à seleção brasileira na Copa América da Bolívia.

Certamente foi uma das melhores temporadas de um jogador nos últimos 20 anos. Ronaldo não ficou porque ele e seus empresários pediram um novo contrato ao Barcelona, com substancial aumento. Recebeu um “não” e preferiu ir à Internazionale. Foi eleito o melhor do mundo em 1996 e 97 e recebeu a Bola de Ouro em 1997.

“El Gordo.” Para muitos torcedores do Real Madrid, o apelido que melhor cabe a Ronaldo faz referência a sua barriga, e não a dotes fenomenais. Mas, de um modo que só os latinos sabem fazer, xingar é uma forma de mostrar carinho. E não se duvide o quanto de crédito o atacante tem com o torcedor merengue. Com a camisa branca, foi um grande, um dos jogadores que realmente justificava o apelido de galáticos com que Florentino Pérez queria consagrar o clube de Chamartín.

Seu retorno ao futebol espanhol, após cinco temporadas em Milão, foi espetacular. Entrou no segundo tempo em uma partida pelo Campeonato Espanhol contra o Alavés e marcou dois gols. O primeiro, apenas dois minutos depois de entrar em campo. Há quem pense que o último grande momento de Ronaldo foi com a camisa da Seleção, na Copa de 2002. Injustiça por tudo o que ele fez em Madrid. Foram cinco temporadas (2002/03 a 2006/07), com 104 gols em 177 jogos. Foi o artilheiro da liga na temporada 2003/04, com 25 gols. Conquistou um Mundial de Clubes e dois Campeonatos Espanhóis (o último em sua temporada de despedida do clube, jogando só a primeira metade).

Mas, em Madrid, mais importante que os números e os troféus, foram os momentos de estrela. Ao colocar o atacante ao lado de Zidane, o Real Madrid finalmente tinha um time que podia se vender ao mundo como galático. E, por um tempo, o fez. De fato, era um clube que provocava furor mundial, do qual efetivamente se esperava coisas espetaculares sempre. Teve menos títulos porque o projeto de marketing superou o esportivo.

Por isso, Ronaldo é ídolo em Barcelona e em Madrid. Em cada clube vivia uma fase física diferente, mas foi espetacular nos dois momentos. Sorte dos espanhóis de terem visto isso de perto.

Jogadores Históricos: Francisco “Paco” Gento López

Gento e alguns de seus troféus, bandeira madrilenha e um campeão absoluto (Realmadridfin.net)

Quando o pequeno Gento corria pelos arredores de Guarnizo e sonhava em um dia defender as cores do Racing Santander, ninguém imaginava o sucesso que ele alcançaria dentro do futebol. Com uma velocidade impressionante e uma canhota mortal, Francisco “Paco” Gento López conquistou tudo vestindo a camisa onze do Real Madrid. Em 18 anos com os merengues, foram 23 títulos e a participação na histórica equipe vencedora de cinco Ligas do Campeões seguidas.

Gento iniciou sua carreira no Nueva Montaña, onde além de jogar futebol, praticava o atletismo. Dessa forma, ele trabalhou e evoluiu suas arrancadas e sua velocidade. O próximo clube de sua carreira foi o Astillero, de onde se transferiu para o Rayo Cantabria. A filial do Racing Santander pagou 3 mil pesetas pela assinatura do contrato, que previa 500 pesetas por mês e 50 pesetas por vitória da equipe. Em 1952, Gento chegou à equipe principal do time de cantábrico.

À época, o vice-presidente do Real Madrid, Álvaro Bustamante, tinha grande relação com a região e, nascido na Cantabria, fez a ponte entre Racing e os blancos. A transferência veio no ano de 1953, quando Gento chegou à capital espanhola e recebeu a camisa onze. O primeiro título já veio na temporada de estreia - a Liga foi vencida com quatro pontos de vantagem em relação ao Barcelona. Di Stéfano era a principal estrela da compania e alcançou a artilharia do espanhol ao marcar 29 tentos, boa parte deles com boa contribuição do passador Gento.

Porém, a dupla ficou conhecida pelos cinco títulos da Liga dos Campeões, nos anos 50. Foi nessa época que Gento recebeu o apelido de “Galerna del cantábrico”( em português, “Tempestade do mar Cantábrico”). A explicação é simples: o Cantábrico banha a região em que o histórico camisa onze madrilenho nasceu, e tempestade era o que ele causava sempre que fazia uma jogada.

Raymond Kopa, Héctor Rial, Alfredo Di Stéfano, Ferenc Puskás e Francisco "Paco" Gento: um quinteto de respeito para conquistar cinco títulos continentais (AFP)

A primeira taça das grandes orelhas veio em uma campanha com apenas duas derrotas, em que Gento fez um tento e viu Di Stéfano e Héctor Rial resolvendo no ataque. No bi, Kopa já fazia parte do elenco blanco, que derrotou a Fiorentina de Julinho Botelho na final. Novamente, o camisa onze dono da ponta-esquerda merengue foi importante ao marcar o segundo gol, que definiu o placar de 2 a 0 na decisão. A “tempestade” não assombrava apenas a Europa: a Espanha também era dominada pelo Real. Foram 12 títulos da Liga Espanhola, duas Copas del Rey e duas Copas Latinas entre os anos 50 e 60: domínio total.

O tri em 1958 também consagrou Di Stéfano, artilheiro da competição com dez gols, porém Gento mereceu destaque, pelos três gols, sendo um deles na final, como no ano anterior. Depois do terceiro título em sequência, para não perder o fôlego, o Real Madrid trouxe Ferenc Puskás, outra estrela para compor a companhia. No tetra, o major galopante foi muito importante, mas as assistências de Gento facilitavam muito o trabalho do hungáro e de Di Stéfano no ataque.

A consagração total veio em 1960, quando jogando em Glasgow o Real Madrid fez 7 a 3 contra o Eintracht Frankfurt, vencendo a sua quinta LC. Gento participava e vencia sua quinta final continental consecutiva. Durante a campanha, o “Galerna del cantábrico” teve importância, pois além das assistências, ele também marcou dois tentos, sendo um deles contra o Barcelona na semifinal.

O domínio europeu, entretanto, chegou ao fim na temporada seguinte, quando Benfica e Barcelona decidiram o título, e os portugueses levaram a taça. A base merengue seguia jogando junta, e, em 1962, voltaram a aparecer na final. Os encarnados, liderados por Eusébio, foram os adversários de Gento e cia, que disputavam a sexta final em sete anos. Mas o título ficou novamente com a equipe de Lisboa. O time supercampeão europeu com algumas mudanças – mas sempre com Gento –, voltou à final da competição em 1964, quando a Inter derrotou os blancos.

O retorno ao topo da Europa só ocorreu na temporada de 1965-66, quando Gento era a grande referência do Real Madrid, que já não contava com Puskás e Di Stéfano. O camisa onze teria finalmente a chance de erguer a taça como capitão e foi isso que ocorreu. Antes da consagração, o acerto de contas com a Inter na semifinal: uma vitória e um empate garantiram os blancos na final contra o Partizan. O 2 a 1 garantiu a taça, a última continental de Gento.

Enquanto no clube a carreira foi muito vitoriosa, na seleção, o craque madrilenho passou 14 anos, marcou cinco gols em 43 jogos. Porém não conseguiu título algum e ainda participou das Copas de 1962 e 66, quando a Espanha não passou das primeiras fases.

Hoje, Gento também é um dos ídolos do Real Madrid que ainda é presença certa no clube. Na apresentação de Robben, em 2007, foi o ex-ponta-esquerda que lhe deu a camisa onze, que para os madrilenhos sempre será de Gento. Além disso, ele também treinou o time B do Real e tentou a sorte em outras equipes, mas não repetiu fora de campo o sucesso que teve dentro dele. Após o final da carreira de treinador, Francisco “Paco” Gento López se tornou embaixador do Real Madrid pelo mundo.

Francisco “Paco” Gento López
Nascimento: 21 de outubro de 1933, em Guarnizo, Espanha
Posição: Ponta-esquerda
Clubes como jogador: Racing Santander (1952-53) e Real Madrid (1953-71)
Clubes como técnico: Castellón (1974), Palencia (1977-80) e Granada (1980-81)
Títulos: 12 Campeonatos Espanhóis (1953-54, 1954-55, 1956-57, 1957-58, 1960-61, 1961-62, 1962-63, 1963-64, 1964-65, 1966-67, 1967-68 e 1968-69), 2 Copas del Rey (1961-62 e 1969-70), 2 Taças Latina (1955 e 1957), 6 Ligas dos Campeões (1955-56, 1956-57, 1957-58, 1958-59, 1959-60 e 1965-66) e 1 Taça Intercontinental (1960)
Seleção espanhola: 43 jogos e cinco gols.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Prévia: Arsenal x Barcelona

No último jogo, brilhou Messi, com quatro gols. E agora? (101 great gols)

O sorteio da Champions League marcou o decantado encontro entre Arsenal e Barcelona por mais um ano consecutivo (na temporada passada, o confronto foi nas quartas-de-finais). As duas equipes, que fizeram a final da competição em 2005-06 – onde o Barcelona sagrou-se bi-campeão -, são assiduamente elogiadas por praticarem um futebol bonito e vistoso, mas com uma diferença significativa: enquanto o Arsenal joga bonito mas sucumbe na hora decisiva, os azulgrenais conseguem unir o útil ao agradável e são vitoriosos. Na temporada passada, os gunners foram engolidos por um Lionel Messi inspirado e mais uma vez ficaram no quase na competição europeia. O Barcelona, por sua vez, parou na retranca montada por José Mourinho nas semifinais e não conseguiu a manutenção do título europeu e o sonhado (ou obsessivo, segundo Mourinho) troféu no Santiago Bernabéu.

Se classificará o mágico Barcelona, comandado por Messi, Iniesta, Xavi, Pedro e Villa, ou Arsenal, que "calar a boca dos críticos" e vencer um time grande na Champions? Para a prévia deste empolgante confronto de oitavas de finais, contaremos com a ótima colaboração de Leandrus, do blog Ortodoxo e Moderno, especializado na Premier League. Confira a prévia de Arsenal x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui
Arsenal: No geral, a temporada é satisfatória. O Arsenal vem fazendo boa campanha na Premier League, estando na segunda posição e a quatro pontos do líder Manchester United. O bom momento vivido pela equipe é animador: os Gunners não perdem desde 13 de dezembro, quando foram batidos pelo Manchester United por 1 a 0; desde então, foram seis vitórias e três empates. Porém, o clube poderia até mesmo estar na ponta caso não tivesse tido alguns tropeços inaceitáveis, como as derrotas para West Brom e Newcastle em casa e os empates contra Wigan e Newcastle (quando chegou a estar vencendo por 4 a 0) fora. Nas copas, o desempenho é bom: os comandados de Wenger decidirão a final da Carling Cup contra o Birmingham e terão a chance de conquistar seu primeiro título desde 2005, além de terem um confronto tranquilo pela quinta rodada da FA Cup, contra o Leyton Orient, da terceira divisão, fora de casa. A decepção é a participação na Champions League: se enfrentará o Barcelona, é somente porque conseguiu a proeza de ser o segundo no grupo mais fraco da competição, com direito a derrotas para Shakhtar e Braga.

Barcelona: Líder da liga com cinco pontos de vantagens para o Real Madrid, podemos considerar que o Barcelona deu a voltar por cima na temporada. Os blaugranas começaram a temporada como favorito a tudo que disputasse, por ter a base da seleção campeã mundial e Lionel Messi em seu plantel. Mas - acreditem - logo se tornou uma incógnita. Por causa da má preparação de jogadores que participaram da Copa, o Barcelona mostrou-se uma equipe cansada em campo e chegou a perder pontos contra Hércules e Mallorca na Liga, além de empates contra Rubin Kazan e Copenhague na Champions, o que já faziam uma parte de seus torcedores (além da crítica) ficarem com um pé atrás com a equipe. Porém, os preparadores físicos já avisavam que a equipe só chegaria ao seu auge entre outubro e dezembro. E acertaram na mosca: durante esse período, o Barcelona voltou a animar, e seu trio de ataque, tímido até então, começou a ficar avassalador. No superclássico, o Barcelona abusou do bom futebol e aplicou ao seu rival histórico uma manita. Na Copa del Rey, o Barça teve dificuldades para eliminar o Athletic Bilbao, mas avançou graças ao critério de desempate e está na final do torneio, onde enfrenta o Real Madrid.

Pontos fortes
Arsenal: Reconhecidamente um time técnico, o Arsenal preza pelo domínio da posse de bola e acaba se destacando por um estilo vistoso – não a toa é a equipe que pratica o futebol mais atraente da Inglaterra. Logo, o setor ofensivo é o ponto forte da equipe. O poderio dos Gunners começa pelo seu meio-campo. Fabregas continua em ótima forma, mas agora ganhou a companhia de dois ótimos nomes: Wilshere, um dos maiores talentos ingleses recentes, e Song, que evoluiu absurdamente na atual temporada, sendo o meia mais marcador e aparecendo bem lá na frente. No ataque, o destaque é van Persie: o holandês vem atuando muito bem atuando centralizado e, com 10 gols já em 2011, rapidamente se tornou o vice-artilheiro da equipe. O artilheiro, aliás, é Nasri, outro que cresceu demais. Ora no meio, ora como winger pelo lado esquerdo, o francês se tornou, junto com Fabregas, o dono do time. Porém, se machucou pela FA Cup e não enfrentará o Barcelona no jogo de ida.

Barcelona: A saída de Ibrahimovic, contratação mais cara da história do clube culé, chegou a fazer falta durante os primeiros jogos da temporada, mas acabou sendo assimilada com naturalidade graças a rápida adaptação de Villa à equipe. Sem o sueco, mas com o Guaje, Pedro e Messi, o Barcelona apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente no 4-3-1-2, com Messi fazendo o papel de enganche (jogando atrás de Pedro e Villa), ou no 4-3-2-1, com Messi de falso nove. Quanto aos setores da equipe, destacam-se o meio-campo e o ataque. O futebol de Busquets ascendeu muito após a Copa e o canterano, que pecava por erros infantis, está mais maduro, dando segurança e participando bem dos ataques. Destacam-se também a visão de jogo privilegiada de Xavi, a técnica, qualidade e imprevisibilidade de Iniesta, os gols decisivos de Pedro e Villa e o poder de decisão de Messi.

Pontos fracos
Arsenal: A defesa é claramente o ponto fraco da equipe. O miolo de zaga não é dos mais seguros, e a contusão de Vermaelen deixa o setor ainda mais vulnerável: Koscielny até dá conta do recado, mas Squillaci vem se provando um zagueiro cada vez menos confiável – tanto que foi barrado pelo não mais que regular Djorou. O lateral-esquerdo Clichy possui sérios problemas para defender. E para piorar, os Gunners não possuem um grande goleiro: Szczesny parece ser melhor do que o fraco Fabianski, mas, embora não tenha falhado gravemente, ainda é uma figura que não passa tanta segurança, principalmente por causa da sua imaturidade. Esses problemas, contra um time com o poderio ofensivo como o do Barcelona, podem ser fatais – e o confronto no Camp Nou na última edição da competição já mostrou isso. Atrapalha também o fato de alguns reservas estarem em má fase, limitando as escolhas do time: Bendtner está mal, Chamakh ainda é irregular, Rosicky não reedita boas atuações do passado e Arshavin só melhorou um pouco após assumir a vaga do contundido Nasri – porém, longe de suas atuações logo após sua contratação.

Barcelona: Difícil citar um ponto fraco nessa equipe quase perfeita do Barcelona. Mas o Barcelona da era Guardiola costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Contra Inter de José Mourinho, a partida no Camp Nou ficou marcada pelo muro armado pelo técnico de Setubal, mas no Meazza os meneghino derrotaram o Barcelona de uma maneira pouca vista antes, escancarando o problema que o Barcelona passa quando é atacado. Outras fraquezas da equipe sobressai quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e quando Xavi sofre uma forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal da temporada passada, Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: asfixou Xavi e não deixou Messi receber perto da área.

Expectativas
Arsenal: Embora as declarações de Arsene Wenger mostrem segurança e confiança, uma análise fria da situação mostra que o Arsenal é o azarão para esse confronto. As equipes possuem estilos parecidos, mas os Gunners parecem ser inferiores em todos os quesitos. A chance dos ingleses está na possibilidade de se fazer duas partidas sólidas e perfeitas, a exemplo do que a Internazionale fez contra o Barça na temporada passada. Porém, isso talvez seja uma tarefa difícil para uma equipe que peca pela imaturidade do jovem elenco e pelo frágil setor defensivo. A garantia é de que Fabregas e cia não passarão o tempo todo encolhidos e tentarão sair para o jogo sempre que possível, tornando a partida agradável de ser vista.

Barcelona: Apesar de ser ligeiramente favorito, Guardiola tenta tirar a pressão do Barcelona a cada coletiva e sempre muda o discurso, dizendo que o confronto é parelho e não há favorito. Sem muita confiança em Milito (apesar do apelo feito para o argentino continuar no time) e com a baixa de Puyol praticamente confirmada, Guardiola resolveu improvisar Abidal, abrindo uma brecha para a titularidade de Maxwell na latera esquerdal, e o francês não tem decepcionado: vem jogando com uma consistência surpreendente no miolo de zaga. Há duas semanas, no confronto contra o Atlético de Madrid, Abidal anulou Agüero, principal jogador rojiblanco na temporada. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Arsenal é um grande europeu e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Arsenal: Szczesny; Sagna, Koscielny, Djorou e Clichy; Song, Wilshere e Fabregas; Walcott, Arshavin e van Persie.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.